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Maria Clara Coutinho – Turma IX PATOLOGIA DA MAMA Histologicamente a mama apresenta estruturas dinâmicas fazendo com que ela apresente alterações histológicas ao longo do período menstrual. Essas estruturas dependem da estimulação hormonal, ou seja, se está grávida, menstruada, etc. A glândula mamária é dividida em duas grandes estruturas: ductos maiores e UDTL (unidade terminal ducto-locular). A UDTL é composta pelo lóbulo mamário e pelo ducto lobular terminal. Assim, há ductos maiores se subdividindo em ductos menores até chegar em ducto lobular terminal. Cada UDTL representa porções secretoras das glândulas. E é na UDTL que temos a origem da maioria das lesões: carcinomas, hiperplasias epiteliais e doenças císticas. Começando pelo mamilo temos o ducto coletor (número 5) que se ramifica. Primeiro há uma dilatação do ducto coletor formando o seio lactífero (número 4). Em seguida estão os ductos segmentares (número 3), os subsegmentares (número 2) e finalizando em ducto terminal junto com lóbulo mamário (UDTL – número 1). A saída da secreção ocorre de 1 para 5. A secreção fica represada no seio lactífero até que ocorra o estímulo de sucção que provoca a sua saída. Figura 44 – porções da mama O lóbulo mamário é revestido por uma camada interna secretora que é envolvida por uma camada externa com células mioepiteliais. A lâmina basal reveste essas duas camadas. As células mioepiteliais são importantes para o estímulo à saída de secreção. Maria Clara Coutinho – Turma IX ANOMALIAS DO DESENVOLVIMENTO Hipertrofia mamária: crescimento volumoso da glândula mamária e a mamoplastia redutora é o tratamento. Polimastia: presença de mamas supranumerárias e pode acometer tanto homem quanto mulher. Haverá glândulas supranumerárias podendo haver secreções. Potelia: presença de mamilos supranumerários e pode acometer tanto homem quanto mulher. Ao longo do desenvolvimento embrionário a abertura para mamilo se estende da axila até a virilha e essas aberturas vão se fechando restando apenas um mamilo. Porém, se durante a embriogênese houver algum erro no fechamento a pessoa pode possuir mamilos ou glândulas supranumerários ao longo do trajeto. Como foi dito, as estruturas da mama respondem a estímulos hormonais. O primeiro estímulo começa a partir da puberdade com os ciclos menstruais e, assim, com a menarca ocorre o desenvolvimento completo da mama. A partir da menarca há o surgimento do lóbulo mamário*. Dessa forma, ocorre a ramificação do sistema ductal. *O lóbulo mamário é um conjunto de ácinos, de estruturas glandulares, circundado por estroma especializado. Os homens normais não possuem lóbulos mamários porque não possuem menarca. Durante o ciclo menstrual, o estímulo de progesterona leva ao edema do estroma que permeia o lóbulo mamário e os ductos ficam ativos. É por isso que a mulher sente as mamas ingurgitadas e mastodinia (dor). É nesse momento em que há nodulações fisiológicas e é por esse motivo que não se indica fazer o exame da mama nesse período. No fim do ciclo menstrual, com a redução do estrógeno e da progesterona, há regressão por apoptose do epitélio da mama com diminuição de lóbulos e de edema. Assim, as mamas deixam de ficar ingurgitadas e a dor some. As alterações que ocorrem na mama durante o ciclo são um preparo para uma possível gravidez. Caso a gravidez ocorra, a mama continua seu desenvolvimento completo com a secreção ativa pelo ácino. Essa mama gravídica, em um primeiro momento, será mantida pelo hormônio lactogênico placentário e depois pela prolactina e pelo estrógeno (produção mantida pelo corpo lúteo, inicialmente). Após o período de Maria Clara Coutinho – Turma IX lactação, a mama regride porém não apresenta a mesma densidade que a mama pré- gestação. Essa mama será um pouco maior do que antes, pois o tecido glandular não é previamente perdido. Na microscopia, o que irá indicar que os ácinos estão ativos e está ocorrendo a lactação? O citoplasma está claro por conta de vacúolos de secreção e dentro dos ácinos será vista a secreção. Figura 45 – microscopia lactação O lóbulo normal – independente se está ocorrendo influência de estrógeno, progesterona, prolactina etc – possui na sua histologia uma camada interna e uma externa. A interna (secretora) possui células colunares/luminais com capacidade de secreção e absorção de fluidos. Já a externa possui as células mioepiteliais – que podem ser alongadas ou arredondadas – importantes na expulsão do conteúdo. As mioepiteliais sofrem influência da ocitocina para permitir a saída do leite. Figura 46 – Esquema e microscopia de um lóbulo Maria Clara Coutinho – Turma IX Após a menopausa haverá involução dos lóbulos mamários que serão substituídos por tecido adiposo (metaplasia adiposa). Essa substituição começa a partir dos 30 anos e se acelera após os 50 anos. O tecido conjuntivo e o glandular diminuem com a idade, enquanto que o tecido adiposo aumenta. É possível fazer uma analogia com uma árvore em que as folhas são os lóbulos mamários que se perdem ao longo do tempo. Figura 47 – Fases do desenvolvimento da mama Macroscopicamente é possível saber se a mama pertence à uma paciente mais jovem ou mais idosa observando a coloração dos tecidos. O parênquima mamário (tecido glandular) possui coloração brancacenta, enquanto que o tecido adiposo é amarelado. Isso é importante porque a maioria das lesões surge a partir do epitélio glandular, fazendo-se necessário realizar uma amostragem maior da área brancacenta. Pacientes mais jovens possuem mama mais densa por conta do tecido glandular. Por isso, a mamografia antes dos 35 anos possui pouco valor propedêutico porque as estruturas não são vistas com muita clareza. Nesses casos o US é recomendado. Figura 48 – Macroscopia de mama normal proveniente de mamoplastia redutora Maria Clara Coutinho – Turma IX LESÕES BENIGNAS NÃO NEOPLÁSICAS Dentro desse grupo estão as alterações fibrocísticas e as hiperplasias epiteliais. Esse grupo de lesões é heterogêneo. As alterações fibrocísticas são as lesões mais frequentes em mulheres na perimenopausa (acima de 35 anos). É a principal causa de alterações clínicas da mama. Existem dois grupos de lesão e seu diagnóstico é anatomopatológico: não-proliferativas e proliferativas. O autoexame da mama é importante de ser realizado 1 semana após o início da menstruação, pois é o período em que a mama está retornando ao repouso evitando o período de nodulações fisiológicas. Lesões não proliferativas As alterações fibrocísticas são as principais desse grupo. Sempre deve ser feito diagnóstico diferencial com câncer porque geralmente as alterações fibrocísticas dão massa palpável. Pode ainda haver descarga papilar. Afeta com mais frequência mulheres com 30 a 45 anos de idade. Não evoluem para malignidade. As alterações estão restritas à porção glandular (brancacenta). Macroscopicamente haverá presença de estruturas císticas e a textura fica mais enrijecida por conta de tecido conjuntivo de fibrose. Sabe-se que há dilatação cística das estruturas acinares com ruptura dos cistos e a presença de secreção no estroma adjacente estimula a fibrose. Figura 49 – macroscopia de alterações fibrocísticas. Maria Clara Coutinho – Turma IX Podem ser fisiológicas ou patológicas, sem risco de evoluir com câncer de mama. A patogênese envolve o desequilíbrio na resposta à estimulação hormonal cíclica e involução senil. Microscopia: presença de cistos com epitélio atrófico, plano ou de metaplasia apócrina (os cistos passam a ser revestidos por células apócrinas ao invés de células secretoras). A metaplasia apócrina apresenta células com citoplasma eosinofílico e granular. Haverá alterações do estroma: fibrose e elastose. Figura 49 – microscopia alterações fibrocísticas e metaplasia apócrina Lesões proliferativasO espectro dessas lesões é bastante amplo. Podemos ter a adenose, que quando ocorre um aumento do número de ácinos e é comum na gravidez e na amamentação. Podemos ter também a hiperplasia epitelial (é patológica) quando há proliferação de células epiteliais (camada interna do ácino) para o interior de ductos ou ductúlos mamários. Em um primeiro momento a paciente pode ter uma lesão papável qualquer, mas isso não é o usual. A grande maioria das pacientes não apresenta sintomatologia. Geralmente esse diagnóstico é feito em pacientes que fizeram mamoplastia redutora ou Maria Clara Coutinho – Turma IX ressecção de alguma outra lesão. Assim, o diagnóstico das hiperplasias epiteliais é histológico. Sua importância clínica se dá devido ao aumento do risco para evolução para câncer de mama, variando de 1,2 a 4x. O risco aumenta se a história familiar for positiva. As hiperplasias epiteliais devem ser divididas em dois grupos de acordo com o padrão de proliferação: Lesão ductal: quando há aumento do número de células acima da membrana basal. Lesão lobular: quando também há envolvimento de toda a unidade do ducto lobular terminal mantendo a arquitetura lobular. Figura 50 – Hiperplasia epitelial ductal sem atipia O ducto normal é internamente revestido pelas células secretoras, células mioepiteliais e a membrana basal. O estímulo para a proliferação das células da camada interna – células colunares – gera aumento da proliferação dessas células levando a hiperplasia ductal. Quando há aumento apenas do número de camadas, a lesão é sem atipia. Quando a proliferação continua e começa a formar pontes¹ irregulares² ainda é sem atipia. Se a formação das pontes for regular – todas irregulares – já é hiperplasia atípica. Se houver a proliferação de todas as células com preservação da membrana basal, o diagnóstico é de carcinoma ductal in situ. Já no carcinoma microinvasor ocorre a ruptura da membrana basal com invasão do estroma ao redor dos ácinos. ¹ligando as células. ²os espaços vazios são de tamanhos e morfologias diferentes. Figura 51 – diferentes espectros da hiperplasia epitelial. Maria Clara Coutinho – Turma IX CÂNCER DE MAMA Possui alta incidência nos EUA e na Europa, sendo que 1 a cada 8 mulheres desenvolverá câncer de mama. O Brasil ocupa o segundo lugar na lista de incidências e 1 em 9 mulheres desenvolverá. É a principal causa de morte entre as mulheres e são cerca de 50 mil novos casos por ano. Atualmente, tem se observado uma relação desse tipo de câncer com sedentarismo e obesidade. Além disso, é observado o câncer de mama em pacientes cada vez mais jovens. A imagem abaixo é um corte transversal do ducto mamário com a membrana basal, camada externa e a camada interna, onde haverá proliferar nesse tipo de câncer. Inicialmente há hiperplasia epitelial, que é uma proliferação das células epiteliais acima RESUMO – LESÕES BENIGNAS NÃO NEOPLÁSICAS: Lesões mais frequentes. São não neoplásicas porque ainda não há o acometimento de toda a estrutura da célula que se está avaliando. No caso da mama, a estrutura é o ácino mamário. Grupo heterogêneo de lesões. Não proliferativa: alterações fibrocísticas – sem risco de evoluir para câncer. Proliferativa: hiperplasias epiteliais – risco variável para câncer, uma vez que as atípicas possuem maior risco. Apesar de ser um distúrbio de proliferação, ainda não há acometimento de toda a estrutura. Maria Clara Coutinho – Turma IX da membrana basal. Essa hiperplasia primeiro é típica, depois atípica e depois evolui para o carcinoma in situ propriamente dito, ainda com preservação da membrana basal. Quando houver ruptura da membrana basal com presença de células invasoras no estroma adjacente, terá o carcinoma invasor. Em um passo mais adiante observamos o câncer metastático ou órgãos a distância ou linfonodos, e ai vai depender de quando é feito o diagnóstico da paciente. Figura 52 – Evolução câncer de mama A carcinogênese é multifatorial e depende de fatores hormonais, genéticos e ambientais. Os principais fatores de risco são: Idade: pós-menopausa (pico 50-60 anos). Fatores genéticos: a história familiar positiva diminui a idade de incidência. Influências hormonais. Influências geográficas: estilo de vida. Antecedentes de hiperplasia epitelial, principalmente com atipias. A influência hormonal é muito mais importante em pacientes geneticamente predispostos. É quando há estímulo estrogênico prolongado pelo aumento de estrógeno endógeno: menarca precoce, menopausa tardia e 1º filho após 35 anos. Qual é a interferência do estrógeno exógeno no risco de CA de mama? Atualmente os estudos em pacientes que fazem reposição hormonal ainda mostram resultados controversos. E sabe-se que anticoncepcionais com baixa dosagem de estrógeno não aumentam o risco de câncer de mama. Maria Clara Coutinho – Turma IX Quando falamos dos fatores genéticos, 1/3 dos pacientes com câncer têm história familiar de parentes de 1º grau, mas a maioria dos casos ainda ocorre de maneira esporádica. Apenas 5 a 10% dos casos são hereditários e estão associados a mutações nos genes BRCA 1 ou BRCA 2 que são genes supressores. Clinicamente o câncer de mama pode se apresentar com nódulos palpáveis, porém já é uma lesão mais avançada. Além disso, pode haver descarga papilar e alteração da pele (retração e ulceração). A descarga papilar pode ser maligna (unilateral e hemorrágica) ou benigna (bilateral). Os pacientes assintomáticos são detectados pela mamografia ou pela metástase¹. ¹Nesse caso o paciente haverá sintomas de metástase mas não terá sintomas mamários. Por isso, falamos que câncer de mama está oculto. Faz uma biopsia com análise imunohistoquímica da lesão para avaliar se é estrutura da mama ou de outro local para identificar qual foi o sítio primário. As lesões de mama podem ser muito pequenas, sendo descobertas pela mamografia. Como já foi dito, o tecido adiposo possui coloração amarelada e o parênquima é branco. Abaixo é uma lesão que foi descoberta pela mamografia. Pode ser difícil identificar a lesão, uma vez que ela possui a mesma coloração do parênquima. A região da lesão é mais endurecida, indicando infiltração por células neoplásicas. Quando a lesão é muito pequena, o mastologista demarca a região de lesão com um fio de aço com base no exame de imagem. Figura 53 – Lesão espiculada descoberta na mamografia A imagem abaixo é uma peça de mastectomia com exteriorização da lesão. É um câncer mais avançado porque já tem a ulceração da pele. Muitas vezes, quando já está muito ulcerado faz uma cirurgia higiênica, pois a chance de infecção é grande e a lesão Maria Clara Coutinho – Turma IX possui odor fétido. É uma cirurgia que não é curativa e apenas dará maior qualidade de vida e conforto para a paciente. Figura 54 – Câncer avançado com ulceração da pele O autoexame da mama não é preventivo. Ele detecta o câncer clínico e mais avançado quando já tem a presença dos nódulos palpáveis que, em geral, medem mais de 2 cm. Assim, ele não diminui a mortalidade. Porém, ele é muito importante para detectar o câncer intervalar que surge entre uma mamografia e outra. Por exemplo: a paciente fez a mamografia em novembro de 2018 e em menos de 1 ano (intervalo entre as mamografias) surgiu uma massa palpável na mama. Esse tipo de câncer possui um pior prognóstico, pois é uma lesão de crescimento rápido já que em menos de 1 ano surgiu essa lesão com mais de 2 cm. Em geral acomete mulheres com mais de 50 anos de idade. Apesar de toda a polêmica envolvendo a mamografia, ela ainda é tratada como exame de rastreamento. Serve para detectar câncer em estágios, assintomáticos e subclínicos sendo a maioria carcinoma in situ ou de tamanho pequeno. Considera-se que ela diminui a mortalidade. Macroscopia:lesão endurecida, espiculada e não palpável. Lesão maior pode ter hemorragia associada. Apenas pela coloração é difícil falar se é parênquima normal ou lesão, essa diferença é feita mais pela textura. Pode ter mais de uma lesão e elas podem estar em estágios diferentes (carcinoma in situ associado a carcinoma invasor em diferentes regiões da mama). Figura 55 – Macroscopia Ca de mama Maria Clara Coutinho – Turma IX Para dizer onde está localizado o tumor é preciso dividir a mama em quadrantes. São eles: superiores, inferiores, internos e externos. O quadrante superior externo é o local mais frequente de tumores, correspondendo a 50% dos casos, porque é a região com maior quantidade de glândulas. O segundo local mais frequente (20% dos casos) é a região central areolar, logo abaixo da aréola. Figura 56 – Quadrantes da mama A: quadrante superior externo. B: quadrante superior interno. C: quadrante inferior externo. D: quadrante inferior interno. Em alguns casos não se faz a ressecção da aréola para dar uma estética melhor para a paciente. O anatomopatologista, ao receber a peça cirúrgica, precisa fazer uma amostragem da região centro alveolar para informar ao cirurgião se tem ou não infiltração de tumor nessa região. Se houver, é preciso fazer outra cirurgia de retirada da aréola pelo risco de infiltração na pele. Maria Clara Coutinho – Turma IX A anatomia patológica avalia tamanho do tumor, metástases em linfonodos (TNM), tipo e grau histológico e os marcadores moleculares (preditivos de resposta terapêutica). O grau histológico vai de 1 a 3, sendo 1 bem diferenciado e 3 mais indiferenciado. Para avaliar o grau, são utilizados três critérios: Formação de túbulos, ou seja, se ainda forma glândulas → tumor bem diferenciado. A nota vai de 1 a 3 dependendo do percentual de formação dessas glândulas. Pleomorfismo nuclear → avalia principalmente hipercromasia e nucléolos evidentes. O de nota 1 tem menos pleomorfismo e o 3, mais. Índice mitótico → 1 tem baixo índice e 6, tem alto. É preciso analisar 10 campos em grande aumento (40x) para dizer a quantidade de mitoses presentes. *É importante saber que quanto menor a nota, melhor será o prognóstico do tumor. Na classificação histológica, além de falar se é ductal ou lobular, precisa falar se é in situ ou se é invasor. Lembrando sempre que o in situ possui melhor prognóstico. A primeira imagem abaixo é uma lesão de crescimento e perda da diferenciação acima da membrana basal. A membrana basal está preservada, indicando que é um carcinoma ductal in situ com necrose central. Já na segunda imagem, observamos que há invasão do estroma adjacente e ainda é bem diferenciado porque ainda há formação de estruturas tubulares assemelhando-se com os ductos mamários. A nota para esse tumor seria 1, considerando a formação tubular. Figura 57 – Microscopia carcinoma ductal O tipo ductal se abre formando ductos, enquanto que o lobular forma células enfileiradas formando uma imagem em alvo em torno do ducto central. A imagem abaixo é uma imagem de um carcinoma lobular invasor. Maria Clara Coutinho – Turma IX Figura 58 – Microscopia carcinoma lobular invasor Quando falamos que o tumor é invasor é preciso avaliar se a presença de células malignas dentro dos vasos sanguíneos ou linfáticos, indicando que a paciente terá maior chance de ter metástases. Além disso, é preciso avaliar tecidos adjacentes (tecido adiposo e muscular) para o cirurgião determinar a margem cirúrgica. Em relação ao tipo histológico, o mais comum é o ductal e o lobular vem em segundo lugar. A grande maioria dos ductais já são invasores e o lobular in situ possui um ótimo prognóstico. Se na mamografia for visualizada a presença de microcalcificações pleomórficas/irregulares, parecendo uma pipoca estourada, geralmente é um carcinoma ductal in situ. É importante saber que a drenagem linfática da mama é uma rede bastante anastomosada e existe uma cadeia mamária interna entre as duas mamas e a axilar. Por isso que pode aparecer um tumor na mama esquerda cerca de 5-10 anos que a paciente tratou a mama direita. Pode passar êmbolos neoplásicos de uma mama para outra. O local mais acometido é a cadeia axilar, mas em estágios mais avançados pode acometer a rede supraclavicular. Os fatores prognósticos são: tamanho do tumor (T), envolvimento axilar (N), metástase à distância (M), tipo histológico, grau histológico e invasão angiolinfática (embolia neoplásica). O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo da cadeia axilar a receber drenagem linfática de uma determinada região. Teoricamente, se houver acometimento linfonodal, o sentinela é o primeiro linfonodo exposto ao êmbolo neoplásico. No ato cirúrgico, o cirurgia injeta na região peri-areolar um corante azul no subcutâneo e o primeiro linfonodo que se curar é o sentinela. Essa coloração não indica se ele está Maria Clara Coutinho – Turma IX positivo ou não, apenas diz que ele é o primeiro da cadeia. Esse linfonodo é então enviado para análise anatomopatológica e, se for positivo (tiver a neoplasia), faz o esvaziamento axilar. Não se faz a ressecção da cadeia axilar em todos os pacientes por conta da elevada morbidade que esse esvaziamento traz. A paciente perderia a drenagem de todo membro superior ipsilateral à retirada, podendo ter acúmulo de linfa na região (linfedema). Assim, ela ficará desprotegida de infecções e não poderá mais tirar cutícula na mão ipsilateral, por exemplo, para evitar exposição à agentes infecciosos. Figura 59 – Linfonodo sentinela Como dito anteriormente, assim que o patologista recebe a peça deve ser feita a classificação do tipo histológico, do grau histológico, avaliar se o linfonodo está acometido ou não e realizar a imunohistoquímica para alguns marcadores moleculares. Esses marcadores são fatores preditivos de resposta terapêutica. São eles: Receptor de estrógeno e de progesterona → se for positivo, indica que a célula ainda possui receptor para esses dois hormônios e o tumor é mais bem diferenciado, pois ele ainda guarda características da célula que lhe deu origem. Responde melhor ao tratamento. As pacientes utilizarão tomoxifeno por 10 anos. Her-2 → isoladamente, se estiver positivo, indica que há um crescimento mais acentuado do tumor e são lesões mais agressivas com um pior prognóstico. Atualmente há uma droga que possui o Her-2 como alvo e as pacientes estão tendo uma boa resposta ao tratamento com altos índices de cura. Maria Clara Coutinho – Turma IX Pode haver várias combinações entre esses marcadores. O melhor dos tumores seria aquele em que o receptor de estrógeno e de progesterona é positivo e Her-2 é negativo. Já o pior deles é o que possui imunohistoquímica negativa para todos os marcadores porque é um tumor indiferenciado e não há nenhuma droga com alvo terapêutico que englobe os três marcadores. A imagem a seguir é a macroscopia das imunohistoquímicas. O marcador de estrógeno e o de progesterona marca o núcleo, enquanto que o Her-2 é marcador de membrana celular podendo estar presente também no citoplasma da célula. Figura 60 – Imunohistoquímica estrógeno/progesterona e Her-2 FIBROADENOMA É uma neoplasia benigna, sendo o tumor mamário mais frequente em mulheres com menos de 30 anos. Raramente é uma lesão que irá se malignizar e a ressecção só é feita levando em conta os fatores estéticos, pois pode chegar a um tamanho grande a ponto de gerar assimetria das mamas. É genético. Seu quadro típico é um nódulo único, bem delimitado e móvel ao exame físico em pacientes jovens. Durante a gravidez e no final do ciclo menstrual, essa lesão pode sofrer um aumento de volume. Por isso, quando a paciente relatar esse crescimento na anamnese é preciso investigar se esse aumento se relaciona com o ciclo menstrual. Macroscopia: lesão bem circunscrita,de consistência elástica que mede de 1 a 3 cm. Existe o fibroadenoma gigante que pode ter de 10 a 15 cm de diâmetro. À superfície de corte, a lesão é lobulada e apresenta pequenas fendas. Sua coloração é mais brancacenta. Maria Clara Coutinho – Turma IX Microscopia: proliferação de epitélio do ducto mamário e de estroma, formando uma lesão bem circunscrita/delimitada. No lúmen do ducto estão as fendas da macroscopia. Figura 61 – Macroscopia e Microscopia fibroadenoma É uma lesão do lóbulo mamário. As mitoses são raras e sua transformação maligna é muito rara e, quando ocorre, é na forma de carcinoma lobular in situ que é o de melhor prognóstico. É preciso avaliar a indicação de cirurgia, pois pode gerar fibrose e deformação nas mamas. TUMOR PHYLLODES Possui grande semelhança com o fibroadenoma, visto que também é constituído pela proliferação de elementos epiteliais e do estroma. Pode haver atipia e mitoses frequentes. Pode ser benigno, localmente agressivo (in situ com atipia acentuada) ou até francamente maligno (áreas de invasão adjacente). Ao fazer o diagnóstico histológico, é preciso indicar para o cirurgião como é esse tumor. No exame de imagem não é possível afirmar se a lesão é benigna ou maligna, por isso sempre se faz a ressecção com margem cirúrgica mais ampla. Seu pico de incidência é na 5ª década de vida, mas pode aparecer em mulheres mais jovens. Em geral, é maior do que os fibroadenomas e a paciente relata crescimento rápido da lesão sem estar associado ao ciclo menstrual ou gravidez. Macroscopia: tumor firme, com superfície de corte heterogênea e contendo fendas que mais profundas e evidentes e que se assemelham com estruturas foliáceas (folhas de árvore). Pode ter áreas císticas. A coloração é mais acastanhada e pode ter hemorragias. Microscopia: proliferação epitelial dobrando sobre si mesmo em forma de projeções do tipo “dedo de luva” no interior de espaços císticos. Ocorre o crescimento Maria Clara Coutinho – Turma IX excessivo do tecido conjuntivo em relação ao epitélio e o estroma é mais hipercelular do que o estroma do fibroadenoma. Figura 62 – Macro e micro tumor phyllodes Os limites não são tão bem definidos como o do fibroadenoma e sempre deve ser feita uma ressecção com margem ampla e com certa quantidade de tecido mamário envolvendo a lesão. O diagnóstico deve tumor estar acompanhado de benigno, borderline (localmente agressivo) e maligno.