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PATOLOGIA DA MAMA

Notas de patologia da mama: histologia (ductos, UDTL/lóbulos, células secretoras e mioepiteliais), anatomia ductal e origem de lesões, anomalias do desenvolvimento (hipertrofia, polimastia, politelia) e alterações hormonais na puberdade, ciclo menstrual, gravidez, lactação e menopausa.

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Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
PATOLOGIA DA MAMA 
Histologicamente a mama apresenta estruturas dinâmicas fazendo com que ela 
apresente alterações histológicas ao longo do período menstrual. Essas estruturas 
dependem da estimulação hormonal, ou seja, se está grávida, menstruada, etc. A 
glândula mamária é dividida em duas grandes estruturas: ductos maiores e UDTL 
(unidade terminal ducto-locular). A UDTL é composta pelo lóbulo mamário e pelo 
ducto lobular terminal. Assim, há ductos maiores se subdividindo em ductos menores 
até chegar em ducto lobular terminal. Cada UDTL representa porções secretoras das 
glândulas. E é na UDTL que temos a origem da maioria das lesões: carcinomas, 
hiperplasias epiteliais e doenças císticas. 
Começando pelo mamilo temos o ducto coletor (número 5) que se ramifica. 
Primeiro há uma dilatação do ducto coletor formando o seio lactífero (número 4). Em 
seguida estão os ductos segmentares (número 3), os subsegmentares (número 2) e 
finalizando em ducto terminal junto com lóbulo mamário (UDTL – número 1). A saída 
da secreção ocorre de 1 para 5. A secreção fica represada no seio lactífero até que 
ocorra o estímulo de sucção que provoca a sua saída. 
Figura 44 – porções da mama 
 
O lóbulo mamário é revestido por uma camada interna secretora que é envolvida 
por uma camada externa com células mioepiteliais. A lâmina basal reveste essas duas 
camadas. As células mioepiteliais são importantes para o estímulo à saída de secreção. 
 
 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
ANOMALIAS DO DESENVOLVIMENTO 
Hipertrofia mamária: crescimento volumoso da glândula mamária e a 
mamoplastia redutora é o tratamento. 
Polimastia: presença de mamas supranumerárias e pode acometer tanto homem 
quanto mulher. Haverá glândulas supranumerárias podendo haver secreções. 
Potelia: presença de mamilos supranumerários e pode acometer tanto homem 
quanto mulher. 
Ao longo do desenvolvimento embrionário a abertura para mamilo se estende da 
axila até a virilha e essas aberturas vão se fechando restando apenas um mamilo. Porém, 
se durante a embriogênese houver algum erro no fechamento a pessoa pode possuir 
mamilos ou glândulas supranumerários ao longo do trajeto. 
Como foi dito, as estruturas da mama respondem a estímulos hormonais. O 
primeiro estímulo começa a partir da puberdade com os ciclos menstruais e, assim, com 
a menarca ocorre o desenvolvimento completo da mama. A partir da menarca há o 
surgimento do lóbulo mamário*. Dessa forma, ocorre a ramificação do sistema ductal. 
*O lóbulo mamário é um conjunto de ácinos, de estruturas glandulares, circundado por 
estroma especializado. Os homens normais não possuem lóbulos mamários porque não 
possuem menarca. 
Durante o ciclo menstrual, o estímulo de progesterona leva ao edema do estroma 
que permeia o lóbulo mamário e os ductos ficam ativos. É por isso que a mulher sente 
as mamas ingurgitadas e mastodinia (dor). É nesse momento em que há nodulações 
fisiológicas e é por esse motivo que não se indica fazer o exame da mama nesse 
período. No fim do ciclo menstrual, com a redução do estrógeno e da progesterona, há 
regressão por apoptose do epitélio da mama com diminuição de lóbulos e de edema. 
Assim, as mamas deixam de ficar ingurgitadas e a dor some. 
As alterações que ocorrem na mama durante o ciclo são um preparo para uma 
possível gravidez. Caso a gravidez ocorra, a mama continua seu desenvolvimento 
completo com a secreção ativa pelo ácino. Essa mama gravídica, em um primeiro 
momento, será mantida pelo hormônio lactogênico placentário e depois pela prolactina e 
pelo estrógeno (produção mantida pelo corpo lúteo, inicialmente). Após o período de 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
lactação, a mama regride porém não apresenta a mesma densidade que a mama pré-
gestação. Essa mama será um pouco maior do que antes, pois o tecido glandular não é 
previamente perdido. 
Na microscopia, o que irá indicar que os ácinos estão ativos e está ocorrendo a 
lactação? O citoplasma está claro por conta de vacúolos de secreção e dentro dos ácinos 
será vista a secreção. 
Figura 45 – microscopia lactação 
 
O lóbulo normal – independente se está ocorrendo influência de estrógeno, 
progesterona, prolactina etc – possui na sua histologia uma camada interna e uma 
externa. A interna (secretora) possui células colunares/luminais com capacidade de 
secreção e absorção de fluidos. Já a externa possui as células mioepiteliais – que podem 
ser alongadas ou arredondadas – importantes na expulsão do conteúdo. As mioepiteliais 
sofrem influência da ocitocina para permitir a saída do leite. 
Figura 46 – Esquema e microscopia de um lóbulo 
 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
Após a menopausa haverá involução dos lóbulos mamários que serão 
substituídos por tecido adiposo (metaplasia adiposa). Essa substituição começa a partir 
dos 30 anos e se acelera após os 50 anos. O tecido conjuntivo e o glandular diminuem 
com a idade, enquanto que o tecido adiposo aumenta. É possível fazer uma analogia 
com uma árvore em que as folhas são os lóbulos mamários que se perdem ao longo do 
tempo. 
Figura 47 – Fases do desenvolvimento da mama 
 
Macroscopicamente é possível saber se a mama pertence à uma paciente mais 
jovem ou mais idosa observando a coloração dos tecidos. O parênquima mamário 
(tecido glandular) possui coloração brancacenta, enquanto que o tecido adiposo é 
amarelado. Isso é importante porque a maioria das lesões surge a partir do epitélio 
glandular, fazendo-se necessário realizar uma amostragem maior da área brancacenta. 
Pacientes mais jovens possuem mama mais densa por conta do tecido glandular. 
Por isso, a mamografia antes dos 35 anos possui pouco valor propedêutico porque as 
estruturas não são vistas com muita clareza. Nesses casos o US é recomendado. 
Figura 48 – Macroscopia de mama normal proveniente de mamoplastia redutora 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
 
LESÕES BENIGNAS NÃO NEOPLÁSICAS 
Dentro desse grupo estão as alterações fibrocísticas e as hiperplasias epiteliais. 
Esse grupo de lesões é heterogêneo. As alterações fibrocísticas são as lesões mais 
frequentes em mulheres na perimenopausa (acima de 35 anos). É a principal causa de 
alterações clínicas da mama. Existem dois grupos de lesão e seu diagnóstico é 
anatomopatológico: não-proliferativas e proliferativas. 
O autoexame da mama é importante de ser realizado 1 semana após o início da 
menstruação, pois é o período em que a mama está retornando ao repouso evitando o 
período de nodulações fisiológicas. 
Lesões não proliferativas 
As alterações fibrocísticas são as principais desse grupo. Sempre deve ser feito 
diagnóstico diferencial com câncer porque geralmente as alterações fibrocísticas dão 
massa palpável. Pode ainda haver descarga papilar. Afeta com mais frequência 
mulheres com 30 a 45 anos de idade. Não evoluem para malignidade. 
As alterações estão restritas à porção glandular (brancacenta). 
Macroscopicamente haverá presença de estruturas císticas e a textura fica mais 
enrijecida por conta de tecido conjuntivo de fibrose. Sabe-se que há dilatação cística das 
estruturas acinares com ruptura dos cistos e a presença de secreção no estroma adjacente 
estimula a fibrose. 
Figura 49 – macroscopia de alterações fibrocísticas. 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
 
Podem ser fisiológicas ou patológicas, sem risco de evoluir com câncer de 
mama. A patogênese envolve o desequilíbrio na resposta à estimulação hormonal 
cíclica e involução senil. 
Microscopia: presença de cistos com epitélio atrófico, plano ou de metaplasia 
apócrina (os cistos passam a ser revestidos por células apócrinas ao invés de células 
secretoras). A metaplasia apócrina apresenta células com citoplasma eosinofílico e 
granular. Haverá alterações do estroma: fibrose e elastose. 
Figura 49 – microscopia alterações fibrocísticas e metaplasia apócrina 
 
Lesões proliferativasO espectro dessas lesões é bastante amplo. Podemos ter a adenose, que quando 
ocorre um aumento do número de ácinos e é comum na gravidez e na amamentação. 
Podemos ter também a hiperplasia epitelial (é patológica) quando há proliferação de 
células epiteliais (camada interna do ácino) para o interior de ductos ou ductúlos 
mamários. 
Em um primeiro momento a paciente pode ter uma lesão papável qualquer, mas 
isso não é o usual. A grande maioria das pacientes não apresenta sintomatologia. 
Geralmente esse diagnóstico é feito em pacientes que fizeram mamoplastia redutora ou 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
ressecção de alguma outra lesão. Assim, o diagnóstico das hiperplasias epiteliais é 
histológico. 
Sua importância clínica se dá devido ao aumento do risco para evolução para 
câncer de mama, variando de 1,2 a 4x. O risco aumenta se a história familiar for 
positiva. 
As hiperplasias epiteliais devem ser divididas em dois grupos de acordo com o 
padrão de proliferação: 
 Lesão ductal: quando há aumento do número de células acima da 
membrana basal. 
 Lesão lobular: quando também há envolvimento de toda a unidade do 
ducto lobular terminal mantendo a arquitetura lobular. 
Figura 50 – Hiperplasia epitelial ductal sem atipia 
 
O ducto normal é internamente revestido pelas células secretoras, células 
mioepiteliais e a membrana basal. O estímulo para a proliferação das células da camada 
interna – células colunares – gera aumento da proliferação dessas células levando a 
hiperplasia ductal. Quando há aumento apenas do número de camadas, a lesão é sem 
atipia. Quando a proliferação continua e começa a formar pontes¹ irregulares² ainda é 
sem atipia. Se a formação das pontes for regular – todas irregulares – já é hiperplasia 
atípica. Se houver a proliferação de todas as células com preservação da membrana 
basal, o diagnóstico é de carcinoma ductal in situ. Já no carcinoma microinvasor ocorre 
a ruptura da membrana basal com invasão do estroma ao redor dos ácinos. 
¹ligando as células. 
²os espaços vazios são de tamanhos e morfologias diferentes. 
Figura 51 – diferentes espectros da hiperplasia epitelial. 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
 
 
 
 
 
 
 
CÂNCER DE MAMA 
Possui alta incidência nos EUA e na Europa, sendo que 1 a cada 8 mulheres 
desenvolverá câncer de mama. O Brasil ocupa o segundo lugar na lista de incidências e 
1 em 9 mulheres desenvolverá. É a principal causa de morte entre as mulheres e são 
cerca de 50 mil novos casos por ano. 
Atualmente, tem se observado uma relação desse tipo de câncer com 
sedentarismo e obesidade. Além disso, é observado o câncer de mama em pacientes 
cada vez mais jovens. 
A imagem abaixo é um corte transversal do ducto mamário com a membrana 
basal, camada externa e a camada interna, onde haverá proliferar nesse tipo de câncer. 
Inicialmente há hiperplasia epitelial, que é uma proliferação das células epiteliais acima 
RESUMO – LESÕES BENIGNAS NÃO NEOPLÁSICAS: 
 Lesões mais frequentes. 
 São não neoplásicas porque ainda não há o acometimento de toda a estrutura da 
célula que se está avaliando. No caso da mama, a estrutura é o ácino mamário. 
 Grupo heterogêneo de lesões. 
 Não proliferativa: alterações fibrocísticas – sem risco de evoluir para câncer. 
 Proliferativa: hiperplasias epiteliais – risco variável para câncer, uma vez que as 
atípicas possuem maior risco. Apesar de ser um distúrbio de proliferação, ainda 
não há acometimento de toda a estrutura. 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
da membrana basal. Essa hiperplasia primeiro é típica, depois atípica e depois evolui 
para o carcinoma in situ propriamente dito, ainda com preservação da membrana basal. 
Quando houver ruptura da membrana basal com presença de células invasoras no 
estroma adjacente, terá o carcinoma invasor. Em um passo mais adiante observamos o 
câncer metastático ou órgãos a distância ou linfonodos, e ai vai depender de quando é 
feito o diagnóstico da paciente. 
Figura 52 – Evolução câncer de mama 
 
A carcinogênese é multifatorial e depende de fatores hormonais, genéticos e 
ambientais. Os principais fatores de risco são: 
 Idade: pós-menopausa (pico 50-60 anos). 
 Fatores genéticos: a história familiar positiva diminui a idade de 
incidência. 
 Influências hormonais. 
 Influências geográficas: estilo de vida. 
 Antecedentes de hiperplasia epitelial, principalmente com atipias. 
A influência hormonal é muito mais importante em pacientes geneticamente 
predispostos. É quando há estímulo estrogênico prolongado pelo aumento de estrógeno 
endógeno: menarca precoce, menopausa tardia e 1º filho após 35 anos. 
Qual é a interferência do estrógeno exógeno no risco de CA de mama? 
Atualmente os estudos em pacientes que fazem reposição hormonal ainda mostram 
resultados controversos. E sabe-se que anticoncepcionais com baixa dosagem de 
estrógeno não aumentam o risco de câncer de mama. 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
Quando falamos dos fatores genéticos, 1/3 dos pacientes com câncer têm história 
familiar de parentes de 1º grau, mas a maioria dos casos ainda ocorre de maneira 
esporádica. Apenas 5 a 10% dos casos são hereditários e estão associados a mutações 
nos genes BRCA 1 ou BRCA 2 que são genes supressores. 
Clinicamente o câncer de mama pode se apresentar com nódulos palpáveis, 
porém já é uma lesão mais avançada. Além disso, pode haver descarga papilar e 
alteração da pele (retração e ulceração). A descarga papilar pode ser maligna 
(unilateral e hemorrágica) ou benigna (bilateral). Os pacientes assintomáticos são 
detectados pela mamografia ou pela metástase¹. 
¹Nesse caso o paciente haverá sintomas de metástase mas não terá sintomas mamários. 
Por isso, falamos que câncer de mama está oculto. Faz uma biopsia com análise 
imunohistoquímica da lesão para avaliar se é estrutura da mama ou de outro local para 
identificar qual foi o sítio primário. 
As lesões de mama podem ser muito pequenas, sendo descobertas pela 
mamografia. Como já foi dito, o tecido adiposo possui coloração amarelada e o 
parênquima é branco. Abaixo é uma lesão que foi descoberta pela mamografia. Pode ser 
difícil identificar a lesão, uma vez que ela possui a mesma coloração do parênquima. A 
região da lesão é mais endurecida, indicando infiltração por células neoplásicas. Quando 
a lesão é muito pequena, o mastologista demarca a região de lesão com um fio de aço 
com base no exame de imagem. 
Figura 53 – Lesão espiculada descoberta na mamografia 
 
A imagem abaixo é uma peça de mastectomia com exteriorização da lesão. É um 
câncer mais avançado porque já tem a ulceração da pele. Muitas vezes, quando já está 
muito ulcerado faz uma cirurgia higiênica, pois a chance de infecção é grande e a lesão 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
possui odor fétido. É uma cirurgia que não é curativa e apenas dará maior qualidade de 
vida e conforto para a paciente. 
Figura 54 – Câncer avançado com ulceração da pele 
 
O autoexame da mama não é preventivo. Ele detecta o câncer clínico e mais 
avançado quando já tem a presença dos nódulos palpáveis que, em geral, medem mais 
de 2 cm. Assim, ele não diminui a mortalidade. Porém, ele é muito importante para 
detectar o câncer intervalar que surge entre uma mamografia e outra. Por exemplo: a 
paciente fez a mamografia em novembro de 2018 e em menos de 1 ano (intervalo entre 
as mamografias) surgiu uma massa palpável na mama. Esse tipo de câncer possui um 
pior prognóstico, pois é uma lesão de crescimento rápido já que em menos de 1 ano 
surgiu essa lesão com mais de 2 cm. Em geral acomete mulheres com mais de 50 anos 
de idade. 
Apesar de toda a polêmica envolvendo a mamografia, ela ainda é tratada como 
exame de rastreamento. Serve para detectar câncer em estágios, assintomáticos e 
subclínicos sendo a maioria carcinoma in situ ou de tamanho pequeno. Considera-se que 
ela diminui a mortalidade. 
Macroscopia:lesão endurecida, espiculada e não palpável. Lesão maior pode ter 
hemorragia associada. Apenas pela coloração é difícil falar se é parênquima normal ou 
lesão, essa diferença é feita mais pela textura. Pode ter mais de uma lesão e elas podem 
estar em estágios diferentes (carcinoma in situ associado a carcinoma invasor em 
diferentes regiões da mama). 
Figura 55 – Macroscopia Ca de mama 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
 
Para dizer onde está localizado o tumor é preciso dividir a mama em quadrantes. 
São eles: superiores, inferiores, internos e externos. O quadrante superior externo é o 
local mais frequente de tumores, correspondendo a 50% dos casos, porque é a região 
com maior quantidade de glândulas. O segundo local mais frequente (20% dos casos) é 
a região central areolar, logo abaixo da aréola. 
Figura 56 – Quadrantes da mama 
 
A: quadrante superior externo. B: quadrante superior interno. C: quadrante 
inferior externo. D: quadrante inferior interno. 
Em alguns casos não se faz a ressecção da aréola para dar uma estética melhor 
para a paciente. O anatomopatologista, ao receber a peça cirúrgica, precisa fazer uma 
amostragem da região centro alveolar para informar ao cirurgião se tem ou não 
infiltração de tumor nessa região. Se houver, é preciso fazer outra cirurgia de retirada da 
aréola pelo risco de infiltração na pele. 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
A anatomia patológica avalia tamanho do tumor, metástases em linfonodos 
(TNM), tipo e grau histológico e os marcadores moleculares (preditivos de resposta 
terapêutica). O grau histológico vai de 1 a 3, sendo 1 bem diferenciado e 3 mais 
indiferenciado. Para avaliar o grau, são utilizados três critérios: 
 Formação de túbulos, ou seja, se ainda forma glândulas → tumor bem 
diferenciado. A nota vai de 1 a 3 dependendo do percentual de formação 
dessas glândulas. 
 Pleomorfismo nuclear → avalia principalmente hipercromasia e 
nucléolos evidentes. O de nota 1 tem menos pleomorfismo e o 3, mais. 
 Índice mitótico → 1 tem baixo índice e 6, tem alto. É preciso analisar 10 
campos em grande aumento (40x) para dizer a quantidade de mitoses 
presentes. 
*É importante saber que quanto menor a nota, melhor será o prognóstico do tumor. 
 Na classificação histológica, além de falar se é ductal ou lobular, precisa falar se 
é in situ ou se é invasor. Lembrando sempre que o in situ possui melhor prognóstico. 
A primeira imagem abaixo é uma lesão de crescimento e perda da diferenciação 
acima da membrana basal. A membrana basal está preservada, indicando que é um 
carcinoma ductal in situ com necrose central. Já na segunda imagem, observamos que 
há invasão do estroma adjacente e ainda é bem diferenciado porque ainda há formação 
de estruturas tubulares assemelhando-se com os ductos mamários. A nota para esse 
tumor seria 1, considerando a formação tubular. 
Figura 57 – Microscopia carcinoma ductal 
 
O tipo ductal se abre formando ductos, enquanto que o lobular forma células 
enfileiradas formando uma imagem em alvo em torno do ducto central. A imagem 
abaixo é uma imagem de um carcinoma lobular invasor. 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
Figura 58 – Microscopia carcinoma lobular invasor 
 
Quando falamos que o tumor é invasor é preciso avaliar se a presença de células 
malignas dentro dos vasos sanguíneos ou linfáticos, indicando que a paciente terá maior 
chance de ter metástases. Além disso, é preciso avaliar tecidos adjacentes (tecido 
adiposo e muscular) para o cirurgião determinar a margem cirúrgica. 
Em relação ao tipo histológico, o mais comum é o ductal e o lobular vem em 
segundo lugar. A grande maioria dos ductais já são invasores e o lobular in situ possui 
um ótimo prognóstico. Se na mamografia for visualizada a presença de 
microcalcificações pleomórficas/irregulares, parecendo uma pipoca estourada, 
geralmente é um carcinoma ductal in situ. 
 É importante saber que a drenagem linfática da mama é uma rede bastante 
anastomosada e existe uma cadeia mamária interna entre as duas mamas e a axilar. Por 
isso que pode aparecer um tumor na mama esquerda cerca de 5-10 anos que a paciente 
tratou a mama direita. Pode passar êmbolos neoplásicos de uma mama para outra. O 
local mais acometido é a cadeia axilar, mas em estágios mais avançados pode acometer 
a rede supraclavicular. 
Os fatores prognósticos são: tamanho do tumor (T), envolvimento axilar (N), 
metástase à distância (M), tipo histológico, grau histológico e invasão angiolinfática 
(embolia neoplásica). 
O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo da cadeia axilar a receber 
drenagem linfática de uma determinada região. Teoricamente, se houver acometimento 
linfonodal, o sentinela é o primeiro linfonodo exposto ao êmbolo neoplásico. No ato 
cirúrgico, o cirurgia injeta na região peri-areolar um corante azul no subcutâneo e o 
primeiro linfonodo que se curar é o sentinela. Essa coloração não indica se ele está 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
positivo ou não, apenas diz que ele é o primeiro da cadeia. Esse linfonodo é então 
enviado para análise anatomopatológica e, se for positivo (tiver a neoplasia), faz o 
esvaziamento axilar. 
Não se faz a ressecção da cadeia axilar em todos os pacientes por conta da 
elevada morbidade que esse esvaziamento traz. A paciente perderia a drenagem de todo 
membro superior ipsilateral à retirada, podendo ter acúmulo de linfa na região 
(linfedema). Assim, ela ficará desprotegida de infecções e não poderá mais tirar cutícula 
na mão ipsilateral, por exemplo, para evitar exposição à agentes infecciosos. 
Figura 59 – Linfonodo sentinela 
 
Como dito anteriormente, assim que o patologista recebe a peça deve ser feita a 
classificação do tipo histológico, do grau histológico, avaliar se o linfonodo está 
acometido ou não e realizar a imunohistoquímica para alguns marcadores moleculares. 
Esses marcadores são fatores preditivos de resposta terapêutica. São eles: 
 Receptor de estrógeno e de progesterona → se for positivo, indica que a 
célula ainda possui receptor para esses dois hormônios e o tumor é mais 
bem diferenciado, pois ele ainda guarda características da célula que lhe 
deu origem. Responde melhor ao tratamento. As pacientes utilizarão 
tomoxifeno por 10 anos. 
 Her-2 → isoladamente, se estiver positivo, indica que há um crescimento 
mais acentuado do tumor e são lesões mais agressivas com um pior 
prognóstico. Atualmente há uma droga que possui o Her-2 como alvo e 
as pacientes estão tendo uma boa resposta ao tratamento com altos 
índices de cura. 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
Pode haver várias combinações entre esses marcadores. O melhor dos tumores 
seria aquele em que o receptor de estrógeno e de progesterona é positivo e Her-2 é 
negativo. Já o pior deles é o que possui imunohistoquímica negativa para todos os 
marcadores porque é um tumor indiferenciado e não há nenhuma droga com alvo 
terapêutico que englobe os três marcadores. 
A imagem a seguir é a macroscopia das imunohistoquímicas. O marcador de 
estrógeno e o de progesterona marca o núcleo, enquanto que o Her-2 é marcador de 
membrana celular podendo estar presente também no citoplasma da célula. 
Figura 60 – Imunohistoquímica estrógeno/progesterona e Her-2 
 
FIBROADENOMA 
É uma neoplasia benigna, sendo o tumor mamário mais frequente em mulheres 
com menos de 30 anos. Raramente é uma lesão que irá se malignizar e a ressecção só é 
feita levando em conta os fatores estéticos, pois pode chegar a um tamanho grande a 
ponto de gerar assimetria das mamas. É genético. 
Seu quadro típico é um nódulo único, bem delimitado e móvel ao exame físico 
em pacientes jovens. Durante a gravidez e no final do ciclo menstrual, essa lesão pode 
sofrer um aumento de volume. Por isso, quando a paciente relatar esse crescimento na 
anamnese é preciso investigar se esse aumento se relaciona com o ciclo menstrual. 
Macroscopia: lesão bem circunscrita,de consistência elástica que mede de 1 a 3 
cm. Existe o fibroadenoma gigante que pode ter de 10 a 15 cm de diâmetro. À superfície 
de corte, a lesão é lobulada e apresenta pequenas fendas. Sua coloração é mais 
brancacenta. 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
Microscopia: proliferação de epitélio do ducto mamário e de estroma, formando 
uma lesão bem circunscrita/delimitada. No lúmen do ducto estão as fendas da 
macroscopia. 
Figura 61 – Macroscopia e Microscopia fibroadenoma 
 
É uma lesão do lóbulo mamário. As mitoses são raras e sua transformação 
maligna é muito rara e, quando ocorre, é na forma de carcinoma lobular in situ que é o 
de melhor prognóstico. É preciso avaliar a indicação de cirurgia, pois pode gerar fibrose 
e deformação nas mamas. 
TUMOR PHYLLODES 
Possui grande semelhança com o fibroadenoma, visto que também é constituído 
pela proliferação de elementos epiteliais e do estroma. Pode haver atipia e mitoses 
frequentes. Pode ser benigno, localmente agressivo (in situ com atipia acentuada) ou até 
francamente maligno (áreas de invasão adjacente). Ao fazer o diagnóstico histológico, é 
preciso indicar para o cirurgião como é esse tumor. No exame de imagem não é possível 
afirmar se a lesão é benigna ou maligna, por isso sempre se faz a ressecção com 
margem cirúrgica mais ampla. 
Seu pico de incidência é na 5ª década de vida, mas pode aparecer em mulheres 
mais jovens. Em geral, é maior do que os fibroadenomas e a paciente relata crescimento 
rápido da lesão sem estar associado ao ciclo menstrual ou gravidez. 
Macroscopia: tumor firme, com superfície de corte heterogênea e contendo 
fendas que mais profundas e evidentes e que se assemelham com estruturas foliáceas 
(folhas de árvore). Pode ter áreas císticas. A coloração é mais acastanhada e pode ter 
hemorragias. 
Microscopia: proliferação epitelial dobrando sobre si mesmo em forma de 
projeções do tipo “dedo de luva” no interior de espaços císticos. Ocorre o crescimento 
Maria Clara Coutinho – Turma IX 
 
excessivo do tecido conjuntivo em relação ao epitélio e o estroma é mais hipercelular do 
que o estroma do fibroadenoma. 
Figura 62 – Macro e micro tumor phyllodes 
 
Os limites não são tão bem definidos como o do fibroadenoma e sempre deve ser 
feita uma ressecção com margem ampla e com certa quantidade de tecido mamário 
envolvendo a lesão. O diagnóstico deve tumor estar acompanhado de benigno, 
borderline (localmente agressivo) e maligno.