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MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA 
EM 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
 
2º Ano 
Disciplina: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMPARADA 
Código: ISCED22 – ADMPCFE003 
Total Horas/2o Semestre:115 
Créditos (SNATCA): 5 
Número de Temas: 4 
 
 
 
 
 
 INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - ISCED 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 i 
 
Direitos de autor (copyright) 
Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), 
e contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou 
total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, 
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto 
Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED). 
A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos 
judiciais em vigor no País. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) 
Direcção Académica 
Rua Dr. Almeida Lacerda, No 212 Ponta - Gêa 
Beira - Moçambique 
Telefone: +258 23 323501 
Cel: +258 82 3055839 
Fax: 23323501 
E-mail: isced@isced.ac.mz 
Website: www.isced.ac.mz 
 
mailto:isced@isced.ac.mz
http://www.isced.ac.mz/
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 ii 
 
Agradecimentos 
O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) e o autor do presente manual 
agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste 
manual: 
Autor Benedito de Álvaro José Manjate - MSc. Em Governação e 
Administração Pública (UEM) e Licenciado em Administração 
Pública (ISRI) 
Coordenação 
Design 
Financiamento e Logística 
 
Revisão Científica 
Linguística 
Ano de Publicação 
Local de Publicação 
 
Direcção Académica do ISCED 
Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) 
Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia 
(IAPED) 
Loide Miguel Elias Cumiguena 
 
2016 
ISCED – BEIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 iii 
 
Índice 
Visão geral 1 
Benvindo à Disciplina/Módulo de Administração Pública Comparada ............................ 1 
Objectivos do Módulo....................................................................................................... 1 
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................. 2 
Como está estruturado este módulo ................................................................................ 2 
Ícones de actividade ......................................................................................................... 4 
Habilidades de estudo ...................................................................................................... 4 
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 7 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................ 8 
Avaliação ........................................................................................................................... 9 
TEMA – I: INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (COMPARADA). 11 
UNIDADE Temática 1.1. Noção e diferentes sentidos (orgânico e material) ................. 11 
Introdução ....................................................................................................................... 11 
Sumário ........................................................................................................................... 15 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 16 
UNIDADE Temática 1.2. Evolução e Fim da AdministraçãoPública ................................ 16 
Introdução ....................................................................................................................... 16 
1.2.2 Orientação para proteger os interesses públicos como o ponto de 
partida .......................................................................................................... 21 
 
 
 
 
 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 iv 
 
Sumário ........................................................................................................................... 27 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 29 
TEMA – II: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMPARADA 30 
UNIDADE Temática 2.1 - Noção e Caracterização da Administração Pública Comparada30 
Introdução ....................................................................................................................... 30 
Sumário ........................................................................................................................... 41 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 42 
UNIDADE Temática 2.2 - A Burocracia como base da comparação ............................... 42 
Introdução ....................................................................................................................... 42 
Sumário ........................................................................................................................... 45 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 47 
UNIDADE Temática 2.3 - Sistemas administrativos ........................................................ 47 
Introdução ....................................................................................................................... 47 
Sumário ........................................................................................................................... 56 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 56 
UNIDADE Temática 2.4 - Sistemas administrativos e o contexto moçambicano ........... 57 
Introdução ....................................................................................................................... 57 
Sumário ........................................................................................................................... 59 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 59 
UNIDADE Temática 3 – Administração pública nos Países Desenvolvidos .................... 60 
Introdução ....................................................................................................................... 60 
Sumário ........................................................................................................................... 67 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 68 
UNIDADE Temática 4– A globalização e a reforma da Administração Pública .............. 70 
Introdução ....................................................................................................................... 70 
Sumário ........................................................................................................................... 79 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 80 
 
 ISCED CURSO: AdministraçãoPública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 1 
 
Visão geral 
Benvindo à Disciplina/Módulo de Administração 
Pública Comparada 
Objectivos do Módulo 
Ao terminar o estudo deste módulo de Administração Pública 
Comparada deverá ser capaz de abordar diferentes sistemas 
administrativos, conduzindo a um conhecimento nascido da 
contextualização temporal e espacial. Conhecer em que consiste o 
domínio científico da Administração Pública Comparada, bem 
como as principais características e desafios da administração 
pública nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, com 
especial enfoque para Moçambique. 
 
 
 
Objectivos 
Específicos 
 Compreender as diferentes acepções da Administração 
Pública e Comparada, tendo em atenção a sua inserção no 
tempo e espaço; 
 Abordar diferentes sistemas administrativos, conduzindo a 
um conhecimento nascido da contextualização temporal e 
espacial; 
 Conhecer o domínio científico da Administração Pública 
Comparada; 
 Conhecer as principais características e desafios da 
administração pública nos países desenvolvidos e nos 
países em desenvolvimento; 
 Compreender o caso moçambicano numa perspectiva 
comparada. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 2 
 
Quem deveria estudar este módulo 
Este Módulo foi concebido para estudantes do 2º ano do curso de 
licenciatura em Administração Pública do ISCED. Poderá ocorrer, 
contudo, que haja leitores que queiram se actualizar e consolidar 
seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão bem vindos, não 
sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o 
manual. 
Como está estruturado este módulo 
Este módulo de Administração Pública Comparada, para 
estudantes do 2º ano do curso de licenciatura em Administração 
Pública, à semelhança dos restantes do ISCED, está estruturado 
como se segue: 
Páginas introdutórias 
 Um índice completo. 
 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, 
resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para 
melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta 
secção com atenção antes de começar o seu estudo, como 
componente de habilidades de estudos. 
Conteúdo desta Disciplina / módulo 
Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez 
comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente 
unidades. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma 
introdução, objectivos, conteúdos. 
No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são 
incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 3 
 
depois é que aparecem os exercícios de avaliação. 
Os exercícios de avaliação têm as seguintes caracteristicas: Puros 
exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e 
actividades práticas, incluíndo estudos de caso. 
 
Outros recursos 
A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si, 
num cantinho, recóndito deste nosso vasto Moçambique e cheio 
de dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, 
apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu 
módulo para você explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na 
biblioteca do seu centro de recursos mais material de estudos 
relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos, CD, CD-
ROOM, DVD. Para elém deste material físico ou electrónico 
disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital 
moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus 
estudos. 
 
Auto-avaliação e Tarefas de avaliação 
Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final 
de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos 
exercícios de auto-avaliação apresntam duas caracteristicas: 
primeiro apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo, 
exercícios que mostram apenas respostas. 
Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação 
mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de 
dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras. 
Parte das terefas de avaliação será objecto dos trabalhos de 
campo a serem entregues aos tutores/doceentes para efeitos de 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 4 
 
correcção e subsequentemente nota. Também constará do exame 
do fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os 
exrcícios de avaliação é uma grande vantagem. 
Comentários e sugestões 
Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados 
aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza diadáctico-
Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas. 
Pode ser que graças as suas observações que, em goso de 
confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venham a 
ser melhoradas. 
 
Ícones de actividade 
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas 
margens das folhas. Estes icones servem para identificar 
diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar 
uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, 
uma mudança de actividade, etc. 
Habilidades de estudo 
O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a 
aprender. Aprender aprende-se. 
Durante a formação e desenvolvimento de competências, para 
facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará 
empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons 
resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e 
eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando 
estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 5 
 
que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos 
estudos, procedendo como se segue: 
1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de 
leitura. 
2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 
3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e 
assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 
4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua 
aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão. 
5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou 
as de estudo de caso se existirem. 
IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo, 
respectivamente como, onde e quando...estudar, como foi referido 
no início deste item, antes de organizar os seus momentos de 
estudo reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: 
Estudo melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo 
melhor à noite/de manhã/de tarde/fins de semana/ao longo da 
semana? Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num 
sítio barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em 
cada hora, etc. 
É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido 
estudado durante um determinado período de tempo; Deve 
estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só ao 
seguinte quando achar que já domina bem o anterior. 
Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler 
e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é 
juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos 
conteúdos de cada tema, no módulo. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 6 
 
Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por 
tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de umahora 
intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso 
(chama-se descanso à mudança de actividades). Ou seja que 
durante o intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos 
das actividades obrigatórias. 
Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalhjo intelectual 
obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento 
da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado 
volume de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, 
criando interferência entre os conhecimentos, perde sequência 
lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai 
em insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente 
incapaz! 
Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma 
avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda 
sistemáticamente), não estudar apenas para responder a questões 
de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo, 
estude pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área 
em que está a se formar. 
Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que 
matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que 
resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo 
quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades. 
É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será 
uma necessidade para o estudo das diversas matérias que 
compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar 
a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as 
partes que está a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos, 
vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 7 
 
margem para colocar comentários seus relacionados com o que 
está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir 
à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; 
Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado 
não conhece ou não lhe é familiar; 
Precisa de apoio? 
Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o 
material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas 
como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis 
erros ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, página 
trocada ou invertidas, etc). Nestes casos, contacte os seriços de 
atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), 
via telefone, sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta 
participando a preocupação. 
Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes 
(Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua 
aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da 
comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se 
torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, 
estudante – CR, etc. 
As sessões presenciais são um momento em que você caro 
estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff 
do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED 
indigetada para acompanhar as sua sessões presenciais. Neste 
período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza 
pedagógica e/ou admibistrativa. 
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% 
do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida 
em que permite lhe situar, em termos do grau de aprendizagem 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 8 
 
com relação aos outros colegas. Desta maneira ficar’a a saber se 
precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver 
hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos 
programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade 
temática, no módulo. 
 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) 
O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e 
autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é 
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues 
duas semanas antes das sessões presenciais seguintes. 
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não 
cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do 
estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de 
campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da 
disciplina/módulo. 
Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os 
mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. 
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, 
contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, 
respeitando os direitos do autor. 
O plágio1 é uma viloção do direito intelectual do(s) autor(es). Uma 
transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um 
autor, sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade 
científica e o respeito pelos direitos autoriais devem caracterizar a 
realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED). 
 
1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade 
intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 9 
 
Avaliação 
Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância, 
estando eles fisicamente separados e muito distantes do 
docente/turor!? Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja 
uma avaliação mais fiável e concistente. 
Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com 
um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os 
conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial 
conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A 
avaliação do estudante consta detalhada do regulamentada de 
avaliação. 
Os trabalhos de campo por si realizaos, durante estudos e 
aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de 
frequência para ir aos exames. 
Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e 
decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no 
mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência, 
determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira. 
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da 
cadeira. 
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) 
trabalhos e 1 (um) (exame). 
Algumas actividades praticas, relatórios e reflexões serão utilizados 
como ferramentas de avaliação formativa. 
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em 
consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de 
cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 10 
 
recomendações, a identificação das referências bibliográficas 
utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros. 
Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de 
Avaliação. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 11 
 
TEMA – I: INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (COMPARADA). 
UNIDADE Temática 1.1. Noção e diferentes sentidos (orgânico e material) 
Introdução 
 
Compreender a Administração, de forma geral, se afigura tarefa de todos nós, 
visto que ela se insere no contexto do nosso quotidiano. Todavia, ao 
acrescentar-lhe a expressão “Pública” e “Comparada”, remete-nos a uma 
amplitude na sua abordagem. Senão vejamos: 
A administração consiste na função de seconseguir alcançar determinados 
objectivos, através de uma organização, cooperação, responsabilização e 
combinação de meios humanos, materiais e financeiros, o que pressupõe 
fazer as coisas por meio de pessoas e de maneira eficiente e eficaz. Ora, a 
acepção Administração Pública Comparada nos vai remeter a análise de 
aspectos positivos de determinada gestão pública e sua possível aplicação em 
outras realidades, regiões, países. A realidade de cada país e sua situação 
deve ser um dos critérios a ser levado em consideração na análise da 
aplicabilidade de programas, projectos e serviços em diferentes contextos. 
Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
o Compreender as diferenças existentes entre a função 
administrativa do Estado e Administração Pública; 
o Explicar o conceito de Administração Pública (Comparada) nos 
vários sentidos (orgânico ou subjectivo e material ou objectivo); 
o Entender e aplicar na prática as funções da Administração 
pública. 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 12 
 
1.1.1 Administração Pública – os vários sentidos 
O foco da administração pública encontra-se na prestação de serviços 
públicos. Além dos serviços tradicionais (municipal, cuidados de saúde, escola, 
serviços de transporte etc.), eles também incluem algumas actividades de 
administração "clássicos" em países avançados, como a emissão de licenças, 
autorizações, documentos, certificados, fornecendo informações etc. Um 
número de essas actividades não são mais vistos como um domínio exclusivo 
do Estado. Algumas experiências mostram que muitas tarefas operacionais, 
profissionais de tomada de decisão, execução de supervisão, testes, etc. 
podem ser descentralizadas e transferidas para o auto-governo ou entidades 
privadas. 
 
A complexidade da organização social e da vida em colectividade torna 
urgente a criação de organismos cuja finalidade seja a de proporcionar a cada 
um de nós os meios adequados à satisfação das nossas necessidades, 
individuais e colectivas. Estes organismos podem estar na dependência 
directa do Estado ou, não o estando, prosseguirem, mesmo assim, a 
satisfação das necessidades da colectividade. Deste modo, e de acordo com 
CARVALHEDA (1992), a Administração Pública seria, em sentido lato, o 
conjunto de actividades conduzidas pelo Estado e por outros organismos 
públicos que, directa ou indirectamente visam o emprego racional dos meios 
adequados à satisfação das necessidades colectivas. Assim considerada, a 
Administração Pública englobaria toda a actividade do Estado. 
 
De forma mais restrita, a Administração Pública reside, apenas, nas 
actividades conduzidas pelo Estado e pelas restantes entidades públicas, com 
o objectivo de satisfazer as necessidades colectivas de segurança e bem-estar. 
Portanto, objectivando o conceito de Administração Pública, há que ressalvar 
a ambiguidade nele existente, donde se pode aferir que, a Administracão 
Pública será: 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 13 
 
o A actividade conduzida pelo Estado e pelos outros orgãos, no sentido 
de assegurar a satisfação das necessidades colectivas, ou 
o O conjunto de órgãos cuja actuação permita a satisfação daquelas 
necessidades. 
Desta dicotomia resultam os conceitos de Administração Pública em sentido 
material e em sentido orgânico. 
Assim sendo, fala-se de Administração Pública em sentido material, quando 
se atende às actividades desenvolvidas com o objectivo de satisfazer as 
necessidades colectivas. 
Por sua vez, o conceito de Administração Pública em sentido orgânico 
contempla o conjunto de entidades e organismos cuja actividade permite a 
satisfação das necessidades colectivas. 
 
A Administração Pública será, portanto, “ou o conjunto de serviços, 
organismos e entidades – administração pública em sentido orgânico ou 
subjectivo – que actuam por forma disciplinada, regular e contínua para cabal 
satisfação das necessidades colectivas – administração pública em sentido 
material ou objectivo...”2 
 
1.1.2 Administração Pública em Sentido Material 
Anteriormente, referimo-nos ao que se podia designar Administração Pública: 
o O conjunto de operações e decisões desenvolvidas por diversas 
entidades, públicas e privadas, com o objectivo de satisfazer 
necessidades colectivas; nisto consistirá a Administração Pública em 
sentido material; 
o O conjunto de órgãos e instituições que desenvolvem aquelas 
actividades; este aspecto corresponderia à Administração Pública em 
sentido orgânico. 
 
 
2 Diogo Freitas do Amaral, Curso de Direito Administrativo, 3ª edição, 2008. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 14 
 
Ora, de acordo com MACIE (2012), a Administração Pública corresponde à 
actividade desenvolvida pelos órgãos, serviços e agentes do Estado mediante 
mediante a emanação de actos concretos e executórios para a prossecução 
directa, indirecta, contínua, regular e imediata do interesse público. Se se 
assumir que a Administração Pública é desenvolvida não só pelo Estado, como 
também por outras entidades públicas diferentes dele em termos jurídicos, 
e/ou pelas entidades privadas que exercem poderes públicos para tal 
conferidas por concessão. 
 
Portanto, a Administração Pública, em sentido material refere-se a actividade 
típica dos organismos e indivíduos que, sob a direcção ou fiscalização do 
poder político, desempenham em nome da colectividade a tarefa de 
promover à satisfação regular e contínua das necessidades colectivas de 
segurança, cultura e bem-estar económico e social, nos termos estabelecidos 
pela legislação aplicável. Isto pressupõe dizer que a administração pública se 
vincula à lei e a técnica. 
 
1.1.3 Administração Pública em Sentido Orgânico 
Quando se fala de Administração Pública pensamos, imediatamente, no 
conjunto de tarefas que, coerentemente relacionadas, asseguram a segurança 
e o bem-estar, social e material, das populações de um país ou região. 
Todavia, não é possível dissociar tais tarefas dos órgãos que as desempenham 
e, pensar nos órgãos que desempenham aquelas funções é pensar no sentido 
orgânico que a Administração Pública pode assumir. 
 
Desta feita, tal como Diogo Freitas do Amaral (2008: 34) podemos entender a 
Administração Pública em sentido orgânico como o sistema de órgãos, 
serviços e agentes do Estado, bem como das demais pessoas colectivas 
públicas, que asseguram em nome da colectividade a satisfação regular e 
contínua das necessidades colectivas de segurança, cultura e bem-estar. 
É importante referir que este sistema de órgãos, serviços e agentes do Estado 
distingue-se dos órgãos, serviços e agentes do poder legislativo e judicial, que 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 15 
 
também tem a sua administração, neste caso, administração parlamentar3 e 
administração da justiça, respectivamente. 
 
Em suma, a Administração Pública é o conjunto de órgãos e serviços públicos 
que asseguram a realização de actividades administrativas, visando a 
satisfação de necessidades colectivas. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática 1.1 estudamos e discernimos o contexto de 
abordagem da Administração Pública, nos sentidos materiais e orgânico, em 
que a sua essência se volta ao conjunto de órgãos e serviços públicos que 
asseguram a realização de actividades administrativas, visando asatisfação de 
necessidades colectivas. 
Vimos, igualmente, que a concepção de administração pública como serviço 
ao público não significa, por outro lado, uma negação do poder, componente 
autoritária da administração pública. Este compreende tarefas no domínio da 
segurança e ordem interna, regulação e aplicação do cumprimento de 
obrigações legais, a aplicação de ferramentas de supervisão administrativa, a 
imposição e execução de sanções dentro dos limites da autoridade 
administrativa etc. 
O conteúdo material e extensão das tarefas e dos serviços públicos dependem 
de como a importância de automatismos sociais e a extensão da intervenção 
do Estado é vista em um período específico, como o equilíbrio entre a 
liberdade de um indivíduo e sua responsabilidade para si mesmo, por um lado 
e cuidado solidário da comunidade humana para um indivíduo e 
responsabilidade para ele, por outro lado operar. Esta é uma questão de 
protecção e execução de interesses e valores reconhecida pela maioria 
decisiva dos cidadãos. 
 
3 A administração parlamentar é regida pela Lei número 31/2009, de 29 de Setembro, que 
regula a orgânica geral da Assembleia da República. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 16 
 
As características básicas da administração pública compreendem o 
conhecimento dos objectivos heterogéneos e muitas vezes contraditórias que 
ele é obrigado a defender. No presente período, de principais mudanças 
sociais e as novas exigências que devem ser garantidos apesar dos recursos 
financeiros e humanos limitados, a política pública é exposta muito mais à 
pressão, para fazer a selecção responsável dos objectivos prioritários e 
redefinir tarefas e funções da administração pública em conformidade com o 
interesse geral. Um diálogo profissional e política permanente são 
fundamentais para o processo de definição dessas tarefas e funções, levando 
a novas soluções económicas, legais e outras. 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1. Refira-se à necessidade de criação de organismos cuja finalidade seja a de 
proporcionar a cada um de nós os meios adequados à satisfação das nossas 
necessidades, individuais e colectivas; 
 
2. Defina a Administração Pública nos dois sentidos (material e orgânico). 
 
3. Distingue e caracterize os dois sentidos, dando exemplos. 
 
4. Escreva as Caracterize da administração pública comparada? 
 
5. Anuncie as funções da Administração Publica? 
 
6. Busque exemplos práticos da execução orgânica da Administracao Publica 
 
 
UNIDADE Temática 1.2. Evolução e Fim da AdministraçãoPública 
Introdução 
A Administração Pública se liga ao interesse público e às necessidades sociais, 
valendo-se, para tanto, de toda a sua estrutura administrativa, directa ou 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 17 
 
indirecta, bem como das ferramentas que a legislação lhe permite utilizar. 
Assim, para cumprir a função administrativa, sempre direccionada ao 
interesse público, o Estado se vale de certas prerrogativas que lhes são 
asseguradas pela lei. Todavia, tais prerrogativas instrumentais devem ser 
utilizadas no limite suficiente para o cumprimento dos fins a que se destinam. 
 
Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
o Descrever as fases da evolução da Administração Pública; 
o Entender o fim prosseguido pela Administração Pública; 
o Explicar os fins da Administração Pública na sua relação com 
os interesses sociais. 
 
 
1.2 A Evolução da Actividade Administrativa 
 
Tendo assumido que a Administração Pública é a máquina que visa a 
prossecução das actividades do Estado, de certeza que você concluiu que os 
dois termos têm evoluído de forma paralela. É nesta tendência que a 
Administração Pública assumiu diversas configurações e actuações ao longo 
do tempo, acompanhando a dinâmica e a natureza dos Estados. 
 
Fazendo uma análise desse percurso histórico vai entender que o dinamismo 
da vida foi coberto em três fases essenciais, a saber: 
 
1ª Fase: Administração Pública da Discricionariedade 
Esta fase remonta desde o surgimento dos Estados até ao fim das 
Monarquias absolutas, nos finais do século XIX, e apresenta as seguintes 
características: 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 18 
 
 
 Era uma administração fortemente centralizada, reflectindo a 
natureza do poder político então vigente, que eram as monarquias 
absolutas já citadas, que se baseavam, fundamentalmente no 
princípio de Subserviência e lealdade, portanto: 
 
 Os súbditos deviam pagar tributos regulares ao rei; 
 
 Os agentes administrativos do Rei eram designados por servos do Rei 
e gozavam de um estatuto especial; 
 
 O acesso aos bens e ou serviços públicos era uma retribuição 
merecida aos súbditos bem comportados, isto é, àqueles que 
demonstravam lealdade ao Rei e pagavam tributo com regularidade. 
 
Como pode notar, com as características aqui apresentadas, facilmente se 
conclui que, rigorosamente, nesta fase não havia Administração Pública, mas 
sim, uma Administração Real. 
 
 
2ª Fase: Administração Pública da legalidade 
Esta surgiu nos finais do Século XIX, com a queda das monarquias absolutas e 
o advento das repúblicas. Apresenta as seguintes características: 
 A Administração Pública passa a ser regida por normas próprias, 
(normas administrativas), resultantes do surgimento de um Estado de 
direito, isto é, ultrapassando a fase em que a lei era o Rei; 
 Passam a existir funcionários públicos, que devem lealdade às normas 
e ao Estado e jamais ao Rei, 
 
 Os antigos súbditos evoluem para a categoria de cidadãos e, como tal, 
passam a usufruir de direitos, incluindo políticos, dentre os quais se 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 19 
 
destacam os direitos de eleger e ser eleito, 
 Os cidadãos passam a pagar impostos ao Estado, em vez dos 
anteriores tributos, pagos ao Rei. 
 
3ª Fase: Administração Pública Sociedade Anónima (SA) 
Esta é a fase mais moderna e altamente avançada da evolução da 
Administração Pública, apresentando as seguintes características: 
 
 A satisfação das necessidades públicas deixa de ser uma recompensa 
tal como foi na 1ª fase, deixando de ser um direito como foi na 2ª e 
passa a ser uma exigência dos cidadãos. Estas exigências resultam do 
alto nível de consciência cívica dos cidadãos, que sabem que o Estado 
e a Administração Pública foram criados para satisfazer as 
necessidades públicas (dos cidadãos). 
 São igualmente os cidadãos que elegem os governantes, estes para os 
servirem e pagam impostos para financiar as actividades da 
Administração Pública e por último, são também eles os clientes que 
adquirem os bens e serviços produzidos pela Administração Pública. 
 
É por estas razões que os cidadãos, nesta fase, sentem-se como sendo uma 
espécie de accionistas e simultaneamente clientes da Administração Pública; 
daí se justifique a razão de fazerem exigências, 
 
 É uma Administração Pública voltada para o alcance dos resultados 
que satisfazem as exigências dos cidadãos, de forma eficiente e eficaz, 
 É uma Administração que, em princípio, deve ser menos 
burocratizada, para simplificar os procedimentos, com uma estrutura 
simplificada e altamente profissionalizada. 
 
 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada20 
 
1.2.1 Fim da Administração Pública (a prossecução do interesse público) e 
formas da actividade administrativa 
 
Tal como dissemos atrás, ao falarmos em administração pública tem-se 
presente todo o conjunto de necessidades colectivas cuja satisfação é 
assumida como tarefa fundamental pela colectividade, através de serviços 
organizados e mantidos por esta. É por esta e outras razões que onde quer 
que exista e se manifeste uma necessidade colectiva, aí irá surgir um serviço 
público destinado a satisfazê-la, em nome e no interesse da colectividade. 
Da assumpção acima e, tal como se refere FREITAS DO AMARAL (2008:27) a 
Administração Pública prossegue o interesse público, como fundamento de 
toda e qualquer actividade sua. 
 
Por esta via, olhando para o nosso contexto moçambicano e à luz do artigo 
249, n◦s 1 e 2 da Constituição da República de Moçambique (2004) “A 
Administração Pública serve o interesse público e na sua actuação respeita os 
direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. 
Os órgãos da Administração Pública obedecem à Constituição e à lei e actuam 
com respeito pelos princípios da igualdade, da imparcialidade, da ética e da 
justiça”. 
 
Isto, quer em outras palavras dizer que a acção da actividade administrativa é 
neutra e desinteressada, com responsabilidade técnica e legal pela execução, 
colocando em prática as opções fundamentais pela função política. Neste 
contexto, o interesse público é absolutamente indissociável a qualquer 
actividade administrativa, independentemente de quem for a levá-la a cabo, 
deixando o interesse público superior a qualquer interesse privado. Ademais, 
fica claro que a Administração Pública é detentora de meios de acção 
administrativa para a prossecução do interesse público de segurança, cultura 
e bem-estar, diferentemente dos privados:o poder administrativo. 
A administração pública que funcione bem deve proporcionar condições para 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 21 
 
a prosperidade público e privada através da criação de uma infra-estrutura 
ideal e racional por meio da modernização de redes de comunicação, sistemas 
de serviços de informação para os cidadãos e das empresas, através do 
fornecimento de assistência profissional para autoridades de governo próprio 
bem como através do apoio aos investimentos em interesse público etc. 
Assim, uma forma racional e eficaz para o funcionamento da administração 
moderna (pública) é um pré-requisito substancial e insubstituível para o 
crescimento económico e desenvolvimento social. 
Outra função importante da administração pública é assegurar e fortalecer as 
instituições e os mecanismos democráticos. Duas principais direcções do 
desenvolvimento da democracia política podem ser mencionadas aqui: 
a) Para o fortalecimento de instituições e mecanismos da democracia 
representativa, e também 
b) Para o desenvolvimento de instituições e mecanismos de democracia 
participativa, ou seja, a participação directa dos cidadãos e suas organizações 
na gestão e na administração do Estado. 
A avaliação da administração pública depende do cumprimento das suas 
tarefas e funções, isto é, como ele contribui para assegurar tarefas sociais e 
objectivos. O que é importante são os resultados de suas actividades (ou não-
actividades). Em seguida, há uma questão de como adequada é a sua 
organização interna para o desempenho das suas funções, bem como para o 
suporte da sua eficácia externa. 
 
1.2.2 Orientação para proteger os interesses públicos como o ponto de 
partida 
Assumimos que as funções e tarefas da administração pública podem e 
devem ser derivadas de interesses públicos identificados e reconhecidos 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 22 
 
desde os de proteger que são a razão de sua própria existência. A maneira em 
que os interesses gerais ou públicos são aceites e satisfeitos é uma secção 
transversal de tradições históricas, a fase de desenvolvimento concreto da 
respectiva sociedade, a estrutura institucional existente da administração 
pública, bem como a ênfase política aplicada. 
A orientação da administração pública no sentido de garantir o interesse 
público pode ser entendida como a sua direcção para a solução de problemas 
concretos dos cidadãos individuais e grupos populacionais e no sentido de 
garantir o funcionamento da sociedade como um todo. A este respeito, a 
administração pública está interligada com a ordem pública, cujo objectivo é 
identificar, expressar e reconhecer os interesses públicos e de escolher os 
meios adequados de satisfazê-las. Naturalmente, o processo de identificação, 
reconhecimento e os interesses públicos satisfatórios são sempre 
influenciados pela interpretação política e ideologicamente afectada. 
Os interesses públicos identificados e reconhecidos podem se tornar uma boa 
base para diferenciar as funções da administração pública. Neste sentido, 
mudanças significativas ocorrem, regra geral, em conexão com a reforma 
económica, democratização política e com a protecção dos direitos humanos 
e liberdades fundamentais. 
 
1.2.3 Distinção entre administração pública e administração privada 
 
Tanto a Administração Pública, quer a privada consistem numa acção humana 
visando prosseguir determinados objectivos definidos com vista ao alcance de 
certos resultados, o que implica a adopção de certos princípios à busca de 
eficiência. Porém, conhecem dissemelhanças. 
A expansão do sector público em empresas industriais tem sido, na prática, 
por algum tempo, um pouco mais de meio século aos dias hodiernos. As 
organizações do sector público, a fim de funcionar de forma eficiente têm 
estado a fazer uso do conhecimento do negócio, administração e processo de 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 23 
 
orientação das organizações privadas. No entanto, continua a existir uma 
diferença considerável entre estas duas práticas administrativas. 
Seria interessante para aprender sobre as semelhanças e diferenças entre 
estes dois para chegar a uma melhor compreensão. Vamos primeiro entender 
as diferenças e ver o que os autores e especialistas no assunto têm a dizer 
sobre isso. 
De acordo com Paul H. Appleby a administração pública é diferente de 
administração privada em três aspectos importantes, o primeiro é o caráter 
político, em segundo lugar a amplitude de alcance, impacto e consideração 
e responsabilidade pública. Estas diferenças parecem muito fundamentais e 
muito válidas na linha de nossa própria exploração do assunto em abordagens 
acima feitas. 
Josia carimbo (2000) foi para além das diferenças acima referidas e identificou 
quatro aspectos, dos quais o único semelhante é o da prestação pública de 
contas ou responsabilidade pública. Os outros três são os seguintes: 
 Princípio de uniformidade 
 Princípio do controlo financeiro externo 
 Princípio da motivação do serviço 
Herbert Simon referiu, de forma prática e fácil de entender, diferenças 
baseadas em crenças populares e imaginação e, portanto, pode parecer mais 
atraente. Ele disse que a administração pública é burocrática enquanto a 
administração privada é negócio. A administração pública é política, enquanto 
a administração privada é apolítico. E finalmente; o aspecto mais saliente é o 
de que a administração pública é caracterizada pela burocracia enquanto a 
administração privada é livre dela. 
O guru da administração Peter Drucker resume a diferença de forma mais 
abrangente. Ele diz que a própria intuição que regula os dois tipos de 
administração é diferente umdo outro. Enquanto as funções da 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 24 
 
administração pública centram-se sobre o serviço de instituição, a 
administração privada segue a intuição de negócios. Eles também têm efeitos 
diferentes para servir, com diferentes necessidades, valores e objectivos. 
Ambos fazem diferentes tipos de contribuição para a sociedade também. A 
forma como o desempenho e os resultados são medidos é diferente em uma 
administração pública do que a de um privado. 
Vamos agora entender as semelhanças entre os dois e ver em que medida e 
em que áreas eles são semelhantes. 
Qualquer um ficaria surpreso ao saber que existem muitas semelhanças 
entre as formas pelas quais um público é e uma série de funções de 
administração de particulares. As semelhanças são muitas que alguns 
especialistas no assunto e autores como Henry Fayol, MP Follet, Lyndall 
Urvick não os tratam como diferentes. Fayol disse que todos os tipos de 
função de administração apresentam um princípio geral, independentemente 
de serem públicos ou privados. O planeamento, organização, comando e 
controle são semelhantes para todas as administrações. 
Os argumentos acima e vários outros pontos sugeridos e ilustradas por outros 
autores também apontam claramente que há mais semelhanças entre as duas 
administrações. 
 Os aspectos gerenciais de planeamento, organização, coordenação e 
controle são as mesmas para a administração pública e privada; 
 Os aspectos contábeis, como manutenção de contas, arquivamento, 
estatísticas são os mesmos; 
 Ambos têm uma cadeia hierárquica de comando ou de divulgação que 
a estrutura organizacional; 
 Ambos podem se influenciar, adoptar e reformar suas práticas à luz 
das melhores práticas dos outros. Eles também compartilham o 
mesmo circuito de mão-de-obra; 
 E, por último que partilham tipos semelhantes de pessoal e problemas 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 25 
 
financeiros. 
Em suma, quer isto dizer que a Administração pública prossegue funções 
públicas, isto é, assuntos da colectividade e dos seus membros – o interesse 
público. Por exemplo, a segurança, ordem pública, cultura, possibilidade de 
transporte público acessível. Quem administra coisa pública age em nome 
alheio, isto é, a Administração Pública é determinada por terceiros e para a 
utilidade destes. Todavia, a Administração privada prossegue fins pessoais ou 
particulares: tanto podem ser fins lucrativos ou altruístas, sem vinculação ao 
interesse geral da colectividade. 
 
É verdade que até pode haver actividade privada que, visando a busca de 
lucros, se confunda com a prestação de interesse público, como fim essencial. 
 
Administração Pública Vs Administração Privada 
 Administração Pública Administração Privada 
Quanto ao 
Objecto 
Incide sobre as necessidades 
colectivas assumidas como 
tarefa e responsabilidade da 
comunidade. 
Incide sobre necessidades 
individuais ou de grupo, com 
ou sem fins lucrativos, mas 
que não dizem respeito à 
comunidade globalmente 
considerada. 
Quanto ao 
Fim 
Prossegue sempre o interesse 
público, respeitando princípios 
rígidos de actuação legalmente 
previstos. 
Prossegue sempre fins 
particulares, pois não têm 
uma vinculação directa ao 
interesse geral da 
colectividade, podendo ser ou 
não lucrativos 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 26 
 
Quantos 
aos Meios 
Desigualdade entre os 
intervenientes, havendo poder 
de comando unilateral por 
parte das entidades públicas, 
de forma a prosseguirem o 
interesse público definido por 
lei (seja através de actos 
normativos: os regulamentos 
administrativos; seja através de 
decisões individuais e 
concretas: os actos 
administrativos). 
Impera o princípio jurídico da 
igualdade entre as partes e a 
liberdade contratual. Os 
particulares são iguais entre si 
e não podem impor aos 
outros a sua própria vontade, 
salvo acordo entre as partes - 
o contrato é assim o 
instrumento jurídico típico 
das relações privadas. 
 
 
1.2.4 Formas da actividade administrativa 
A Ciência da Administração nos têm mostrado que determinados serviços são 
de exclusiva competência administrativa e outros, de natureza privada, pese 
embora ambos prosseguirem o interesse geral. 
 
Quer isto dizer que o estudo da actividade administrativa de gestão pública 
ou privada, consiste numa acção humana tendo em vista prosseguir certos 
objectivos definidos para o alcance de determinados resultados, implicando 
por via disso adoptar certos princípios à busca da eficiência. Não obstante 
esse facto, a administração pública visa prosseguir funções públicas (assuntos 
da colectividade e dos seus membros – o interesse público). São casos 
elucidativos desse interesse, a segurança, ordem pública, saúde, transporte 
público, etc. 
A administração pública funciona mediante o interesse público, agindo em 
nome alheio (terceiros). Em contraparte, a Administração privada prossegue 
fins particulares ou pessoais, voltados para o lucro e sem vinculação ao 
interesse geral da colectividade. Mas vezes há, em que esse interesse pode 
ser confundido com a prestação de serviços de interesse público, tal como 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 27 
 
sucede com os operadores privados de fornecimento de água. Este papel 
(prestação de serviço de interesse público) caberia à Administração Pública. 
Todavia, aqui temos uma aparente prestação pública visto que na mesma, os 
fornecedores privados de água procuram buscar ganhos pessoais ou lucro, 
através de cobranças feitas aos utentes pelo fornecimento de água. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática 1.2 ficou claro que pese embora “Administrar” ser, 
em geral, tomar decisões e efectuar operações com vista à satisfação de 
determinadas necessidades. É pois uma actividade que se concretiza na 
junção de meios humanos, materiais e financeiros no seio de uma 
organização, sendo que a Administração Pública prossegue o interesse 
público, como fundamento de toda e qualquer actividade sua. Ademais, a 
administração pública e a administração privada distinguem-se pelo objecto 
sobre que incidem, pelo fim que visam prosseguir e pelos meios que utilizam. 
Outrossim, a Administração pública pauta-se pelo respeito de princípios 
jurídicos especialmente consagrados e que regem a sua actuação. 
Uma das características fundamentais do Estado moderno é a sujeição da 
administração pública ao Direito. Esta sujeição consubstancia a ideia de 
legalidade, ou seja, a Administração necessita de habilitação legal para agir, 
ao contrário dos privados que apenas estão impedidos de fazer aquilo que a 
lei proíba, para tudo o resto vale a liberdade de actuação e de autonomia 
privada. 
 
Em suma: 
1. A questão básica é como a administração pública cumpre o seu papel, 
como e quão eficazmente o cumprimento das suas tarefas e funções e 
como ela é avaliada pelos cidadãos a este respeito. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 28 
 
2. No entanto, um pré-requisito para a acção orientada da administração 
pública é que ele deve saber o seu papel e as suas funções e que deve 
ser motivado o suficiente para cumpri-las, e que os cidadãos devem 
ser familiarizados com eles de uma forma compreensível. 
3. A restrição de espaço para a burocracia estatal é ligado emdeclarações políticas com a esperada redução dos serviços públicos, 
com várias formas de privatização dos serviços públicos, com a 
operação de mecanismos de mercado, com a descentralização em 
favor de auto-governo (mas também não precisa ser livre da 
burocracia, como mostra a experiência) ou com a restrição radical do 
número de funcionários administrativos. 
Mas, o real remédio só pode ser alcançado por meio de um sistema bem 
desenvolvido de "medidas combinadas" no organizacional, pessoal e campos 
legais (materiais, normas processuais e organizacionais), com apoio eficaz de 
tecnologias de informação e comunicacao. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 29 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1. Descreva as fases da evolução da Administração Pública. 
2. Qual é o fim prosseguido pela Administração Pública? 
3. Como é definido o fim da Administração Pública no contexto da Constituição da 
República de Moçambique (2004)? 
4. Distingue a Administração pública da privada quanto ao: 
 Objecto; 
 Meios; e 
 Fins. 
5. De que forma a Administração Pública consegue proteger o interesse publico? 
6. Quais são as características das formas de administração Privada? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 30 
 
TEMA – II: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMPARADA 
UNIDADE Temática 2.1 - Noção e Caracterização da Administração Pública Comparada 
Introdução 
Tendo como divisor a década de 1980, que o mundo caminhou de uma 
administração pública comparada clássica ou tradicional para uma nova 
Administração pública. Esta última, apoiada na denominada middle-range 
theory foi estimulada pela necessidade de encontrar respostas para 
problemas como: eficiência, eficácia, efectividade, legitimidade democrática, 
impacto das tecnologias da informação na administração, entre outros e por 
avanços em uma série de disciplinas ligadas à teoria organizacional, ciência 
política e economia (neo-institucionalismo e public choice). A partir dessas 
novas idéias procurou-se abandonar a generalização e aproveitar o grande 
número de informação publicada sobre a administração pública dos mais 
diferentes países no mundo. 
Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
o Compreender o conceito e o contexto da emergência da 
Administração Pública Comparada; 
o Explicar o conceito de Administração Pública (Comparada); 
o Caracterizar a Administração Pública Comparada. 
 
2.1.1 Administração Pública Comparada: noção e caracterização 
As molas impulsoras da “Nova Administração Pública4” utilizam um método 
comparativo, que busca estudar vários Estados-nação e as semelhanças e 
diferenças em várias unidades de análise nos níveis de organização, da gestão 
e da política, tendo em vista a necessidade de encontrar respostas para 
 
4 ou New Public Management 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 31 
 
problemas como: eficiência, eficácia, efectividade, legitimidade democrática, 
impacto das tecnologias da informação na administração, entre outros. 
 
A administração pública comparada deve ser entendida aqui como o domínio 
do saber que compara padrões de administração pública entre diferentes 
Estados-nação. Nesse sentido, busca estudar as semelhanças e diferenças 
entre várias unidades de análise, nos níveis da organização, da gestão e da 
política (no sentido dado ao termo anglo-saxônico policy), com o propósito de 
se criar uma base de conhecimento institucionalizado que possa auxiliar a 
tomada de decisão (Guess, 1998:535; Heredia e Schneider, 2003). 
 
Observa-se que os teóricos da administração pública, no passado, se 
preocupavam em focar os seus estudos nos fenômenos administrativos 
dentro do seu próprio país, no quadro do seu sistema político-administrativo 
específico. Esse contexto foi profundamente alterado com a globalização, que 
trouxe no seu bojo uma maior discussão dos problemas administrativos e das 
soluções encontradas, bem como uma ampla difusão dos estudos sobre o 
tema. 
A globalização fomentou as mudanças na teoria e na prática da 
administração pública, abandonando as tendências paroquiais que têm 
permeado a ciência da administração nos diferentes países (Khator e Garcia-
Zamor, 1994:10). 
 
Para alguns autores, como por exemplo, Caiden (1994:45), essa tendência a 
olhar para outras realidades traz ainda vantagens científicas já que, ao se 
adoptar uma perspectiva comparativa e global, evita-se o erro de tecer 
generalizações apenas com base no estudo de uma realidade administrativa 
restrita (a administração pública dos EUA, por exemplo). Registe-se que existe 
uma tendência de que os problemas que muitos países possuem são comuns 
aos demais, para os quais também se poderão encontrar soluções 
semelhantes. Assim, despesa pública elevada na economia, baixo nível de 
eficiência, eficácia e efetividade na administração pública, o crescente nível 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 32 
 
de insatisfação dos cidadãos com a qualidade dos serviços prestados pela 
administração pública, são problemas inerentes a quase todos os países. 
 
Nesse sentido, a utilização do método comparativo nos estudos que visam à 
resolução desses problemas poderá ser bastante útil na busca de resolver 
esses problemas comuns. 
 
Assumindo que os problemas são, praticamente, iguais em quase todos os 
países, se mostra óbvio que as soluções encontradas por uns podem ser 
facilmente as soluções que os outros precisam. 
Esta tendência fez com que se abandonasse a generalização e aproveitar-se o 
grande número de informação publicada sobre a administração pública dos 
mais diferentes países no mundo, fazendo surgir, desta feita, a Administração 
Pública Comparada. 
 
CAIDEN (1994) ao comparar aspectos da administração pública entre 
diferentes paises, entende, por exemplo, que a administração pública 
americana poderia influenciar aspectos da administração pública no brasil e 
América Latina. A questão dos serviços públicos, sua eficácia e eficiência e 
como seus aspectos mais relevantes podem ser aplicados em diferentes 
paises. 
Nesta perspectiva, CAIDEN (1994) define a Administração pública Comparada 
como sendo a que analisa aspectos positivos de determinada gestão pública e 
sua possível aplicação em outras realidades, regiões, países. A realidade de 
cada país e sua situação deve ser um dos critérios a ser levado em 
consideração na análise da aplicabilidade de programas, projectos e serviços 
em diferentes contextos. 
 
A administração pública comparada é definida como o estudo dos sistemas 
administrativos de uma forma comparativa ou o estudo da administração 
pública na definição de outros países. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 33 
 
Importa reter que desta definição, há a acrescentar que a "administração 
pública comparada" é, também, a "busca de padrões e regularidades em 
acção administrativa e comportamento". Portanto, a Administração pública 
Comparada é uma área muito interessante, de estudos em Administração 
Pública, uma vez que ajuda a compreender as configurações 
administrativas e de seu funcionamento em vários ambientes e sociedades/ 
países. Além disso, ela ajuda no aprimoramento de sistemas administrativostornando-os mais eficientes, ajudando no acrescimo e aprimoramento da 
literatura já existente/teorias da Administração Pública. 
 
2.1.2 Administração Pública Comparada: evolução e caracterização 
 
A administração Pública tem uma longa história que é paralela às noções de 
governação e à evolução da civilização. Reconhecidos sistemas de 
administração existiram no Antigo Egipto para administrar a irrigação das 
cheias anuais do rio Nilo e para a construção das pirâmides. 
 
A China adoptou, na dinastia de Han, o preceito Confuciano de que o governo 
devia ser entregue àqueles homens escolhidos, não com base na idade, mas 
com base na virtude e habilidade e que o seu principal objectivo devia ser a 
satisfação do povo. 
 
Na Europa, os vários impérios - Grego, Romano, Espanhol, etc. - eram, acima 
de tudo, impérios administrativos controlados a partir do centro por regras e 
procedimentos. 
 
O desenvolvimento de “modernos” estados na Idade Média é apontado por 
Weber como tendo “desenvolvido concomitantemente com as estruturas 
burocráticas”. 
 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 34 
 
2.1.2.1 As Reformas do Século XIX 
Os problemas inerentes às primeiras formas de administração levaram à 
mudança na última parte do século XIX e às reformas associadas com o 
modelo tradicional de administração. 
 
O início do modelo tradicional de administração é marcado pelo relatório de 
Northcote-Trevelyan, em 1854, na Grã-Bretanha, que recomendava que o 
serviço público devia ser realizado através da admissão para os seus níveis 
hierárquicos inferiores de homens jovens cuidadosamente seleccionados 
através do estabelecimento de um sistema apropriado de avaliação antes da 
sua indicação. 
 
O relatório recomendava a abolição do proteccionismo aos funcionários e a 
substituição do recrutamento por concurso aberto sob supervisão de um júri 
central; a reorganização dos funcionários dos departamentos centrais em 
grupos/classes para enquadrar trabalhos de natureza intelectual e os de 
natureza mecânica; o preenchimento dos postos de chefia e direcção com 
base no mérito. 
 
O relatório de Northcote-Trevelyan marcou o início da designação dos 
funcionários públicos com base no mérito e um gradual declínio do 
proteccionismo e nepotismo. 
As reformas dos meados do século XIX na Grã-Bretanha influenciaram a 
opinião nos EUA. O movimento para a reforma foi tão forte que chegou a 
levar ao assassinato do Presidente Garfield em 1881. Em 1883, a Lei do 
Serviço Civil (The Pendleton Act) inspirada nas reformas Britânicas do serviço 
civil. 
A lei estabelecia três grandes princípios: (i) a necessidade de todos os 
candidatos ao serviço civil serem objecto de concurso; (ii) a necessidade nos 
postos de chefia e direcção os mais bem classificados nas provas de exame 
dos concursos;(iii) a necessidade de um período probatório antes da admissão 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 35 
 
efectiva; 
O movimento das reformas teria como activistas Woodrow Wilson, nos 
Estados Unidos da América, e Max Weber, na Europa. 
De Weber veio a teoria da burocracia, a ideia de um distinto serviço público 
profissional, recrutado e designado por mérito, politicamente neutro, o qual 
se previa que se mantivesse em exercício sejam quais fossem as mudanças 
dos governos. De Wilson veio a ideia de que os políticos deviam ser 
responsáveis por fazer a política pública, enquanto a administração deveria 
ser responsabilizada por implementar essa política. Dos dois se derivou a 
noção de que a administração devia ser instrumental e técnica, abstraída da 
esfera política. 
Por outro lado, a observação de dados, suas fontes e contextos, como por 
exemplo, municipal, países, regiões; estabelecimento de conceitos comuns, 
etc., pode levar e conduzir a aplicabilidade dos instrumentos práticos de 
acção nacional e regional, promoção de inovações, auto-avaliação de práticas 
administrativas entre outros aspectos; o que faz da Administração Pública 
Comparada a sua razão de ser. 
Pese embora, as múltiplas vantagens da Administração Pública Comparada, 
vários problemas podem emergir em decorrência da analise comparativa. 
Entre estes problemas, pode-se destacar: 
1 – Nível de generalidade; 
2 - Escolha dos conceitos aplicáveis a um número de países e 
3 -Sua mensuração. 
Vários estudiosos, dos quais (Guess, 1998:535; Heredia e Schneider, 2003) 
entendem, igualmente, que a Administração Pública Comparada deve ser 
entendida como o domínio do saber que compara padrões de administração 
pública entre diferentes Estados-nação. 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 36 
 
Nesse sentido, busca estudar as semelhanças e diferenças entre várias 
unidades de análise, nos níveis da organização, da gestão e da política (no 
sentido dado ao termo anglo-saxônico policy), com o propósito de se criar 
uma base de conhecimento institucionalizado que possa auxiliar a tomada de 
decisão. 
 
Este entendimento decorre do facto de os teóricos da administração pública, 
no passado, se terem preocupado em focar os seus estudos nos fenómenos 
administrativos dentro dos seus próprios países, no quadro do seu sistema 
 
Político-administrativo específico. Esse contexto foi profundamente alterado 
com a globalização, que trouxe uma maior discussão dos problemas 
administrativos e das soluções encontradas, bem como uma ampla difusão 
dos estudos sobre o tema, em especial, os relatórios e trabalhos elaborados 
pela OCDE, FMI, BIRD, American Society for Public Administration e European 
Group for Public Administration. 
 
A globalização fomentou as mudanças na teoria e na prática da administração 
pública, abandonando as tendências paroquiais que têm permeado a ciência 
da administração nos diferentes países (Khator e Garcia-Zamor, 1994:10). 
 
Tal como referimo-nos acima, alguns autores, como Caiden (1994:45) e 
outros, entendem que essa tendência de olhar para outras realidades traz 
ainda vantagens científicas já que, ao se adotar uma perspectiva comparativa 
e global, evita-se o erro de tecer generalizações apenas com base no estudo 
de uma realidade administrativa restrita (a administração pública dos EUA, 
por exemplo). 
 
Note-se que existe uma tendência de que os problemas que muitos países 
possuem são comuns aos demais, para os quais também se poderão 
encontrar soluções semelhantes. Assim, despesa pública elevada na 
economia, baixo nível de eficiência, eficácia e efectividade na administração 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 37 
 
pública, o crescente nível de insatisfação dos cidadãos com a qualidade dos 
serviços prestados pela administração pública, são problemas inerentes a 
quase todos os países. Nesse sentido, a utilização do método comparativo nos 
estudos que visam à resolução desses problemas poderá ser bastante útil na 
busca de resolver esses problemas comuns. 
 
2.1.3 EVOLUÇÃO COMPARATIVA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Apesar de vários estudos comparativos terem sido desenvolvidos até a data, 
as primeiras abordagens da administração remontam à era Aristotélica onde 
vários estudiosos foram enviados para diferentes partes do mundo para 
estudar seus sistemas políticos, baseando-se num sistema comparativo da 
Administração Pública. Em 1884 foi desenvolvido um ensaio comparativista, 
em que Wilson (o chamado comparativista 1º) procura comparar os sistemas 
a fim de conhecer as fraquezas e virtudes administrativas,mediante 
comparação de uns com outros. E, ele afirmou que a administração é a 
melhor e mais segura perspectiva de estudos comparativos como as técnicas 
e os procedimentos administrativos são semelhantes em quase toda parte e, 
de facto, podemos aprender muito através da comparação. 
No entanto, não foi levado tão a sério devido à ênfase na conceptualização e 
estruturação bem como no facto da definição de Administração Pública 
naquela época era a principal prioridade. Os teóricos e administradores, bem 
como os governos estavam ocupados em compreender a sua própria 
configuração administrativa antes que eles pudessem partiu em uma 
comparação com os outros. Assim, enquanto este estava sendo contemplada 
a Primeira Guerra Mundial eclodiu e com o seu fim e o estabelecimento da 
Sociedade das Nações, foram levantadas várias questões sobre a necessidade 
de compreender as necessidades dos países que não estavam tão 
desenvolvidos. 
Este estudo comparativo tomou um rumo filosófico durante o curso da 
segunda guerra mundial e suas consequências, só apareceram com o fim do 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 38 
 
imperialismo e do colonialismo bem como o surgimento de muitos estados 
independentes, uma iniciativa conjunta pelos países desenvolvidos no âmbito 
das Nações Unidas (anteriormente chamado de “Sociedade das Nações") cuja 
égide estava voltada para reformar e desenvolver países do terceiro mundo, 
bem como para desenvolver a sua própria economia danificada pela guerra. 
Por outro lado, não vamos esquecer o início da Guerra Fria entre as duas 
superpotências EUA e da União Soviética, que desempenhou um papel 
importante nesse movimento, onde ambos olharam para hegemonia política 
e económica que representavam a nível mundial. 
Os EUA assumiram a liderança em estudos administrativos e também na 
prestação de ajuda financeira, bem como técnica aos países em 
desenvolvimento, a fim de aumentar a sua quota de mercado e também para 
conter o comunismo, que era um produto da União Soviética. 
Os EUA foram o centro destes estudos uma vez que os países ocidentais não 
tinham as capacidades institucionais e administrativas para implementar seus 
planos de desenvolvimento pós 2ª guerra, das Nações Unidas e diversas 
instituições privadas, bem como empresas patrocinando programas de 
assistência técnica variados que permitiram ao público, administradores, 
professores de administração pública e profissionais para estudar o mesmo 
em profundidade, bem como viagens ao exterior e juntar esforços na 
experiência e construir uma teoria comparativa universal da administração 
pública. 
A primeira organização formalmente constituída para formular uma teoria 
comparativa universal da administração pública foi o Grupo Comparativo de 
Administração (CAG) em 1960, que era uma divisão da ASPA, financiado pela 
Fundação Ford para estudar métodos para melhorar a administração pública 
nos países em desenvolvimento, sob a presidência de Fred W. Riggs. 
Mais do que fornecer técnicas administrativas este grupo tornou-se um fórum 
de intelectuais para entender por que os países em desenvolvimento diferem 
tanto na prática da administração e 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 39 
 
não são capazes de sustentar os princípios da teoria clássica de administração 
nos seus sistemas, embora os teóricos clássicos de administração como Fayol 
e Weber, etc. apregoaram que seus princípios e modelos de administração 
eram universais no seu elemento e podiam ser aplicados em qualquer lugar 
com maior sucesso. 
A CAG deu a idéia de estudos científicos e enfatizou (factores sociais, culturais 
e históricos) empíricos e ecológicos concebidos a partir de estudos de vários 
sistemas administrativos. 
Igualmente, em 1968, a primeira Conferência Minnowbrook foi realizada sob 
a presidência de Dwight Waldo, falou também sobre a necessidade de estudo 
e análise comparativa da Administração Pública. 
 
2.1.4 ABORDAGENS PARA O ESTUDO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
COMPARADA: 
1) Abordagem Ideal ou burocrática: Especificações burocráticas são 
estudadas para se chegar a conclusões e desenvolver a compreensão. Sob 
esta abordagem estruturas das organizações são analisadas em termos de 
diferenciação horizontal, a diferenciação vertical, amplitude de controle, 
etc. 
 
Procedimentos e regras são analisados e âmbito de funcionamento é 
determinado. Especificações de trabalho e descrições são analisados e 
algum entendimento é alcançado com base elaborateness e grau de 
especialização em comparação em relação aos diferentes sistemas 
administrativos. 
 
A limitação desta abordagem é que embora tenha sido considerada 
simples, não explica as estruturas e suas funções na sociedade e dá uma 
observação muito geral. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 40 
 
2) Abordagem Funcional/ Estrutural -: É considerada como uma abordagem 
muito popular para comparar vários sistemas administrativos e foi 
implementado por Fred W. Riggs, em seu estudo para o desenvolvimento 
de seus modelos sociais. Esta abordagem analisa a sociedade em termos 
de suas várias estruturas e suas funções para se chegar a um 
entendimento quanto ao seu posicionamento e funcionamento. A 
limitação dessa abordagem é que tem de haver uma correcta identificação 
das estruturas antes de prosseguir para analisá-las. 
 
2.1.5 Situação actual da administração pública comparada: 
Após o declínio do Grupo de Administração Comparativa (CAG) no início da 
década de 1970, houve uma calmia neste campo devido a muitos factores, 
como estudo teórico e baseado no facto de não haver problemas na 
aplicabilidade desses modelos e os EUA foram passando por uma fase não 
boa na guerra do Vietiname, o que fez com que os fundos tiveram que ser 
desviados. 
 
No entanto, ele teve um impulso, mais uma vez, quando estudiosos como 
Robert Dahl, James Cloeman, Rapheli, Dwight Waldo etc propagaram e 
afirmaram que sem a comparação nunca pode haver uma ciência da 
administração. Também a escola de pensamento comportamental estava 
trazendo uma enorme atenção para o facto das teorias do homem 
administrativo e administração pública comparativa ressurgirem. Nos anos 80 
e 90 estudos em administração pública comparada ressurgiram, mas com um 
novo objectivo, filosofia e orientação do que seus antecessores haviam 
constatado. Ela (administração pública comparada) começou a estudar vários 
arranjos como Estado de Direito, a boa governação, etc em diferentes países. 
Ela começou se concentrando na análise de tais operações de sistemas 
administrativos que afectam o funcionamento de várias sociedades. 
 
O que se segue pode ser visto como as recentes tendências nos estudos da 
administração pública comparada: 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 41 
 
1) Estudar a situação dos direitos humanos nas nações dos problemas 
associados com os direitos humanos. 
2) Estudar o estatuto de Estado de Direito e de analisar as barreiras, se 
houver. 3) Estudar a presença de instituições da sociedade civil e do seu papel 
e contribuição nos arranjos administrativos das sociedades. 
4) Estudar o nível de participação e envolvimento na implementação de 
esquemas relacionados com o bem-estar das pessoas. 
5) Estudar a presença de arranjos através dos quais a responsabilidade dos 
políticos e administradores poderia ser assegurada em relação ao público 
através dos mecanismos estabelecidos e disponíveis,como as cartas dos 
Cidadãos, Provedor de Justiça, Auditoria Social, etc. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática 2.1 ficamos a saber que a génese da Administração 
Pública Comparada prende-se com o facto da assumpção de que os 
problemas são, praticamente, iguais em quase todos os países, se mostrando 
óbvio que as soluções encontradas por uns possam ser facilmente as soluções 
que os outros 
precisam. Foi esta tendência que fez com que se abandonasse a generalização 
e aproveitar-se o grande número de informação publicada sobre a 
administração pública dos mais diferentes países no mundo, fazendo surgir, 
desta feita, a Administração Pública Comparada. Portanto, a Administração 
Pública Comparada deve ser entendida como o domínio do saber que 
compara padrões de administração pública entre diferentes Estados-nação. 
 
Ela é caracterizada pela observação de dados, suas fontes e contextos, como 
por exemplo, municipal, países, regiões; estabelecimento de conceitos 
comuns, etc., que podem conduzir a aplicabilidade dos instrumentos práticos 
de acção nacional e regional, promoção de inovações, auto-avaliação de 
práticas administrativas entre outros aspectos; o que faz da Administração 
Pública Comparada a sua razão de ser. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 42 
 
Igualmente, busca estudar as semelhanças e diferenças entre várias unidades 
de análise, nos níveis da organização, da gestão e da política (no sentido dado 
ao termo anglo-saxônico policy), com o propósito de se criar uma base de 
conhecimento institucionalizado que possa auxiliar a tomada de decisão. 
 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1 Refira-se à génese emergencial da Administração Pública Comparada; 
2 Defina e caracterize a Administração Pública Comparada. 
3 Refira-se a alguns dos problemas que podem emergir em decorrência da análise 
comparativa da Administração Pública. 
4 A globalização fomentou as mudanças na teoria e na prática da administração 
pública. Argumenta. 
5 Faça uma abordagem clara e elucidativa em torno da génese construtivista da 
Administração Pública Comparada. 
6 Anucie o pressuposto da abordagem funcional. 
 
UNIDADE Temática 2.2 - A Burocracia como base da comparação 
Introdução 
A burocracia é uma forma de organização humana que se baseia na 
racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objectivos (fins) 
pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desses 
objectivos. O seu estudo pela Administração pública é visto dentro do mais 
amplo contexto social e focaliza a interacção das instituições públicas, como 
um todo. Em vista de um impacto mais explícito de culturas políticas na 
natureza administrativa e características das instituições públicas, a 
burocracia é usada de forma comparativa na Administração moderna. 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 43 
 
Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
o Compreender o contexto comparado da burocracia na 
Administração Pública; 
o Explicar a aplicabilidade do modelo burocrático no contexto 
comparado da Administração Pública; 
 
2.2.1 Origens da Teoria da Burocracia 
 
A Teoria da Burocracia desenvolveu-se dentro da Administração ao redor dos 
anos 40, em função principalmente dos seguintes aspectos: 
a) A fragilidade e parcialidade tanto da Teoria Clássica como da Teoria das 
Relações Humanas, ambas oponentes e contraditórias entre si, mas sem 
possibilitarem uma abordagem global, integrada e envolvente dos problemas 
organizacionais. Ambas revelam dois pontos de vista extremistas e 
incompletos sobre a organização, gerando a necessidade de um enfoque mais 
amplo e completo, tanto da estrutura como dos participantes da organização. 
b) Tornou-se necessário um modelo de organização racional capaz de 
caracterizar todas as variáveis envolvidas, bem como o comportamento dos 
membros dela participantes, e aplicável não somente à fábrica, mas a todas 
as formas de organização humana e principalmente às empresas. 
c) O crescente tamanho e complexidade das empresas passou a exigir 
modelos organizacionais mais bem definidos. Alguns historiadores verificaram 
que a "indústria em grande escala depende da sua organização, da 
Administração e do grande número de pessoas com diferentes habilidades. 
Milhares de homens e mulheres devem ser colocados em diferentes setores 
de produção e em diferentes níveis hierárquicos: os engenheiros e 
administradores no alto da pirâmide e os operários na base. Devem executar 
tarefas específicas, devem ser dirigidos e controlados. Tanto a Teoria Clássica 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 44 
 
como a Teoria das Relações Humanas mostraram-se insuficientes para 
responder à nova situação, que se tomava mais complexa. 
d) O ressurgimento da Sociologia da Burocracia, a partir da descoberta dos 
trabalhos de Max Weber5, o seu criador. Segundo essa teoria, um homem 
pode ser pago para agir e se comportar de certa maneira preestabelecida, a 
qual lhe deve ser explicada com exatidão, muito minuciosamente e em 
hipótese alguma permitindo que suas emoções interfiram no seu 
desempenho. A Sociologia da Burocracia propôs um modelo de organização e 
os administradores não tardaram em tentar aplicá-lo na prática em suas 
empresas. A partir daí, surge a Teoria da Burocracia na Administração. 
 
2.2.2 Características da Burocracia 
Segundo o conceito popular, a burocracia é visualizada geralmente como uma 
empresa ou organização onde o papelório se multiplica e se avoluma, 
impedindo as soluções rápidas ou eficientes. O termo também é empregado 
com o sentido de apego dos funcionários aos regulamentos e rotinas, 
causando ineficiência à organização. O leigo passou a dar o nome de 
burocracia aos defeitos do sistema (disfunções) e não ao sistema em si 
mesmo. 
O conceito de burocracia para Max Weber é exactamente o contrário. A 
burocracia é a organização eficiente por excelência. E para conseguir essa 
eficiência, a burocracia precisa detalhar antecipadamente e nos mínimos 
detalhes como as coisas deverão ser feitas. 
Segundo Max Weber, a burocracia tem as seguintes características principais 
e disfunções: 
 
 
5 Max Weber (1864-1920), sociólogo alemão, foi o criador da Sociologia da Burocracia. Foi 
professor das Universidades de Friburgo e de Heidelberg e ficou famoso pela teoria das 
estruturas de autoridade. Com a tradução de alguns de seus livros para a língua inglesa, por 
Talcott Parsons, tomou corpo nos Estados Unidos a Teoria da Burocracia em Administração. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 45 
 
Características da Burocracia Disfunções da Burocracia 
1. Caráter legal das normas 
2. Caráter formal das comunicações 
3. Divisão do trabalho 
4. Impessoalidade no relacionamento 
5. Hierarquização da autoridade 
6. Rotinas e procedimentos 
7. Competência técnica e mérito 
8. Especialização da administração 
9. Profissionalização 
1. Internalização das normas 
2. Excesso de formalismo e papelório 
3. Resistência a mudanças 
4. Despersonalização do 
relacionamento 
5. Categorização o relacionamento 
6. Superconformidade 
7. Exibição de sinais de autoridade 
8. Dificuldades com clientes 
Previsibilidade do funcionamento Imprevisibilidade do funcionamento 
 
As causas das disfunções da burocracia residem basicamente no facto de que 
a burocracia não leva em conta achamada organização informal que existe 
fatalmente em qualquer tipo de organização, nem se preocupa com a 
variabilidade humana (diferenças individuais entre as pessoas) que 
necessariamente introduz variações no desempenho das atividades 
organizacionais. Em face da exigência de controle que norteia toda a atividade 
organizacional é que surgem as conseqüências imprevistas da burocracia. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática a discussão em torno da burocracia assumiu um 
conjuto de arranjos instituicionais para a execução política que está fora da 
sincronização com o que actualmente tem sido desenhado e adoptado pelo 
Governo. Este tema demonstrou as 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 46 
 
complexidades estruturais de quaisquer esforços para controlar a burocracia. 
Um dos desafios mais importantes e persistentes do governo moderno é 
como reconciliar a procura da democracia com os imperativos da burocracia. 
Em muitos países a volta do mundo, amolgam frequentemente os politicos e a 
jurisprudência “Burocratas”, em nome da governação popular (Suleiman 
2003). Os Burocratas, entretanto, muitas das vezes parecem proteger sua 
tomada de decisao da interferência não informada e polémica por amadores 
que procuram influenciar sem ter os conhecimentos ou experiência para 
assegurar assuntos políticos tecnicamente complexos. 
Burocracias são instituições hierárquicas que podem providenciar a 
capacidade e conhecimentos para realizar tarefas sociais complexas, mas elas 
são frequentemente caracterizadas como não democráticas e até mesmo 
ameaçando a democracia. Democracias são sistemas do governo que estão 
baseados directamente ou indirectamente no princípio do controlo popular. 
Eles participam no deferimento das medidas para princípios da lei da maioria 
e defesa para a perspectiva do interesse intenso entre o público. Mas como 
tal, eles precisam não necessariamente mostrar atenção viva aos valores da 
eficiência, efectividade, ou conhecimento especializado. Daí que a Burocracia 
pode ser imaginada como instrumento do governo para exercer coesão e 
como um instrumento para acção produtiva. 
A carga burocrática é um fenómeno geral, em certa medida e a luta contra ele 
é uma tarefa que nunca termina. Sua natureza e extensão, no entanto, estão 
adquirindo tais dimensões, tanto que eles põem em perigo objectivos sociais 
e básicos. A burocracia e corrupção são consideradas um obstáculo de 
dissuasão para os negócios dos investidores estrangeiros e parceiros de 
negócios, bem como por empresários nacionais, especialmente as pequenas e 
médias empresas. 
A restrição de espaço para a burocracia estatal é ligada em declarações 
políticas com a esperada redução dos serviços públicos, com várias formas de 
privatização dos serviços públicos, 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 47 
 
com a operação de mecanismos de mercado, com a descentralização em 
favor de auto-governo (mas também não precisa ser livre da burocracia, como 
mostra a experiência) ou com a restrição radical do número de funcionários 
administrativos. 
O real remédio só pode ser alcançado por meio de um sistema bem 
desenvolvido de "medidas combinadas" no organizacional, pessoal e campos 
legais (materiais, normas processuais e organizacionais), com apoio eficaz de 
tecnologias de informação e comunicação. 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1. Explique a relevância da burocracia num contexto de instituições 
democráticas. 
2. A burocracia leva consigo disfunções que podem concorrer para o não 
alcance dos propósitos previamente definidos. Explique duas dessas 
disfunções. 
3. Caracterize a funcionalidade da burocracia nas instituições moçambicanas. 
4. Quais as vantagens intitucionai do uso da burocracia? 
5. Quais as origens da teoria Burocrática? 
6. Qual é o fundamento teórico da Burocracia? 
 
 
UNIDADE Temática 2.3 - Sistemas administrativos 
Introdução 
O modo jurídico típico de organização, funcionamento e controlo da 
administração pública em função do tempo e do espaço, servem de base para 
melhor se perceber como a é que a Administração Pública ao longo dos 
tempos e espaços se foi organizando, se estruturando e funcionando. É desta 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 48 
 
feita que Procura-se discer nesta unidade temática a Administração Pública na 
monarquia absoluta dos Séculos XVII e XVIII, seguindo-se os sistemas que 
nascem nos pós revolução francesa e que perduram até aos dias hodiernos, 
finalizando com a abordagem do contexto moçambicano. 
Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.3.1 Sistemas administrativos: generalidades 
Ao longo da abordagem acima feita, ficou claro que a função Administrativa é 
aquela que, no respeito pelo quadro legal e sob a direcção dos representantes 
da colectividade, desenvolve as actividades necessárias à satisfação das 
necessidades colectivas. Esta acção só encontra a razão suficiente para o seu 
enquadramento, tendo em conta que tal como João CAUPERS6 se refere, os 
Sistemas Administrativos compreendem “o modo jurídico típico de 
organização, funcionamento e controlo da administração pública, no tempo e 
no espaço”. Esta visão é secundada por vários estudiosos, ao afirmarem que, 
por derradeiro o Sistema Administrativo é um modo jurídico típico de 
organização, funcionamento e controlo da Administração Pública. 
 
 
 
6 CAUPERS, João; Introdução ao Direito Administrativo; Âncora editora, 2001; p. 43 
 
Objectivos 
específicos 
 
o Definir os sistemas administrativos; 
o Tipificar e explicar os sistemas administrativos; 
o Relacionar os diferentes tipos de sistemas 
administrativos; e 
o Enquadrar os sistemas administrativos no contexto 
moçambicano. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 49 
 
2.3.2 Tipos de Sistemas administrativos 
Existem três tipos de sistemas administrativos: o sistema tradicional; o 
sistema administrativo judicial ou tipo britânico (ou de administração 
judiciária) e o sistema tipo francês (ou de administração executiva). 
 
2.3.2.1 Sistema administrativo tradicional 
Trata-se de um sistema que tem a sua génese e vigência aquando da 
monarquia absoluta, na Europa, baseado na concentração de poderes e na 
confusão entre a vontade do Rei e da Lei. 
Este sistema assentava nas seguintes características: 
a) Indeferenciação das funções administrativas e jurisdicional e, 
consequentemente, inexistência de uma separação rigorosa entre os órgãos 
do poder executivo e do poder judicial e, muito menos o Estado de Direito. 
Todo o poder de administrar e julgar encontra-se nas mãos da coroa. 
b) Não subordinação da Administração Pública ao princípio da legalidade e 
consequentemente, insuficiência do sistema de garantias jurídicas dos 
particulares face à administração. Quer isto dizer que a Administração Pública 
está subordinada à vontade do monarca não havendo possibilidade de os 
particulares invocarem quaisquer direitos contra o poder, pois estão na 
posição de súbditos: insuficiência de garantias jurídicas dos particulares face à 
Administração Pública. 
O advento do Estado de Direito, com a Revolução Francesa, modificou esta 
situação: a Administração Pública passou a estar vinculada a normas 
obrigatórias, subordinadas ao Direito. Isto foi uma consequência simultânea 
do princípio da separação de poderes e da concepção da lei– geral, abstracta 
e de origem parlamentar – como reflexo da vontade geral. A partir desta 
época, a actividade da Administraçao Pública é conferida um carácter jurídico, 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 50 
 
com as necessárias consequências daí advenientes. Foi desta feita, que 
nasceram dois sistemas típicos: o judiciário ou do tipo britânico, ou de 
jurisdição única e outro de contencioso administrativo, o sistema executivo ou 
do tipo francês. 
Em resultado desta modificação, a actividade administrativa pública, passou a 
revestir carácter jurídico, estando submetida a controlo judicial, assumindo os 
particulares a posição de cidadãos, titulares de direitos em face dela. 
 
2.3.2.2 Sistema administrativo judicial ou britânico 
É um sistema que tem a sua origem no Reino Unido, tendo-se estendido, 
actualmente, pela maioria dos países com raízes anglo-saxónicas (os países da 
CommonWealth e Estados Unidos da América, com particularidades). É o 
chamado sistema de controlo judicial, em que todos os litígios de natureza 
administrativa ou privada (entre particulares) são resolvidos pelos tribunais 
comuns, com a aplicação do direito privado. 
Este sistema apresenta as seguintes características: 
a) Separação dos poderes: o Rei fica impedido de resolver, por si ou por 
concelhos formados por funcionários da sua confiança, questões de natureza 
contenciosa, por força da lei da “Star Chamber”, e foi proibido de dar ordens 
aos juízes, transferi-los ou demiti-los, mediante o “Act of Settelement”; 
b) Estado de Direito:culminando uma longa tradição iniciada na Magna 
Carta,os Direitos, Liberdades e Garantias dos cidadãos britânicos foram 
consagrados no Bill of Rights.O Rei ficou desde então claramente subordinado 
ao Direito em especial ao Direito Consuetudinário, resultante dos costumes 
sancionados pelos Tribunais (“Common Law”); 
c) Descentralização:em Inglaterra cedo se praticou a distinção entre uma 
administração central e uma administração local. Mas as autarquias locais 
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 51 
 
gozavam tradicionalmente de ampla autonomia face a uma intervenção 
central diminuta; 
d) Sujeição da Administração aos Tribunais Comuns: a Administração Pública 
acha-se submetida ao controle jurisdicional dos Tribunais Comuns; 
e) Sujeição da Administração ao Direito Comum: na verdade, em 
consequência do“rule of law”, tanto o Rei como os seus conselhos e 
funcionários se regem pelo mesmo direito que os cidadão anónimos; 
f) Execução judicial das decisões administrativas: de todas as regras e 
princípios anteriores decorre como consequência que no sistema 
administrativo de tipo britânico a Administração Pública não pode executar as 
decisões por autoridade própria; 
g) Garantias jurídicas dos administrados: os particulares dispõem de um 
sistema de garantias contra as ilegalidades e abusos da Administração Pública. 
Em suma, este sistema é caracterizado pela separação de poderes, Estado de 
Direito, descentralização, sujeição da Administração pública aos tribunais 
comuns e ao Direito comum, execução judicial das decisões administrativas 
(as decisões da Administração Pública não são exequíveis de per si, senão 
acompanhadas por uma sentença judicial nesse sentido), plena jurisdição face 
à Administração pública e aos particulares (o juiz pode anular as decisões 
ilegais e impor o seu cumprimento que, em caso de desacato, podem dar 
lugar à prisão da autoridade em causa) e garantias jurídicas dos particulares. 
 
2.3.2.3 Sistema administrativo de tipo francês ou de administração 
executiva 
Alguns autores chamam a este de sistema de contencioso administrativo, cujo 
berço é a França, donde se propagou para o resto do mundo. Este sistema é 
consequência da luta que se travou no caso da Monarquia entre o 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 52 
 
Parlamento, que então exercia funções jurisdicionais, e os independentes, 
que representavam as administrações locais. 
Segundo MACIE (2012), dessa luta resultou que: 
 
i. As funções judiciárias são distintas e permanecerão separadas das funções 
administrativas. Não poderão os juízes, sob pena de prevaricação, 
perturbar, de qualquer maneira, as actividades dos corpos 
administrativos: separação da justiça da Administração Pública; 
ii. Firmou-se o sistema de Administrador-juíz, isto é, os tribunais, em 
particular, os comuns, não podem invadir as funções administrativasou 
mandar citar, perante eles, comparecerem, os administradores, por actos 
funcionais: a decisão final dos litígios entre a Administração pública e os 
particulares é da competência dos órgãos superiores da Administração 
activa, proferindo, ao invés de sentença, um parecer, que é ou não 
homologado pelo poder executivo. 
As características iniciais do sistema administrativo Francês são as seguintes: 
a) Separação de poderes: com a Revolução Francesa foi proclamado 
expressamente, logo em 1789, o princípio da separação dos poderes, com 
todos os seus corolários materiais e orgânicos. A Administração ficou 
separada da Justiça; 
b) Estado de Direito: na sequência das ideias de Loke e de Montesquieu, não 
se estabeleceu apenas a separação dos poderes mas enunciam-se 
solenemente os direitos subjectivos públicos invocáveis pelo o indivíduo 
contra o Estado; 
c) Centralização: com a Revolução Francesa, uma nova classe social e uma 
nova elite chega ao poder; 
d) Sujeição da Administração aos Tribunais Administrativos: surgiu assim 
uma interpretação peculiar do princípio dos poderes, completamente 
diferente da que prevalecia em 
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 53 
 
Inglaterra, se o poder executivo não podia imiscuir-se nos assuntos da 
competência dos Tribunais, o poder judicial também não poderia interferir no 
funcionamento da Administração Pública; 
e) Subordinação da Administração ao Direito Administrativo: a força, a 
eficácia, a capacidade de intervenção da Administração Pública que se 
pretendia obter, fazendo desta uma espécie de exército civil com espírito de 
disciplina militar, levou o“conseil d’ État” a considerar, ao longo do séc. XIX, 
que os órgãos e agentes administrativos não estão na mesma posição que os 
particulares, exercem funções de interesse público e utilidade geral, e devem 
por isso dispor quer de poderes de autoridade, que lhes permitam impor as 
suas decisões aos particulares, quer de privilégios ou imunidades pessoais, 
que os coloquem ao abrigo de perseguições ou más vontades dos interesses 
feridos; 
f) Privilégio da Execução Prévia: o Direito Administrativo confere, pois, à 
Administração Pública um conjunto de poderes“exorbitantes” sobre os 
cidadãos, por comparação com os poderes “normais” reconhecidos pelo 
Direito Civil aos particulares nas suas relações entre si. De entre esses poderes 
“exorbitantes”, sem dúvida que o mais importante é, no sistema Francês, o 
“privilégio de execução prévia”, que permite à Administração executar as suas 
decisões por autoridade própria; 
g) Garantias jurídicas dos administrados: também o sistema administrativo 
Francês, por assentar num Estado de Direito, oferece aos particulares um 
conjunto de garantias jurídicas contra os abusos e ilegalidades da 
Administração Pública. Mas essas garantias são efectivadas através dos 
Tribunais Comuns. 
Estas, características originárias do sistema administrativo de tipo francês – 
também chamado sistema de administração executiva – dadaa autonomia aí 
reconhecida ao poder executivo relativamente aos Tribunais. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 54 
 
Este sistema, nasceu em França, vigora hoje em quase todos os países 
continentais da Europa Ocidental e em muitos dos novos Estados que 
acederam à independência no séc. XX depois de terem sido colónias desses 
países europeus. 
 
2.3.3 Confronto entre os sistemas de tipo britânico e de tipo francês 
Na análise entre os dois sistemas, podemos encontrar vários traços 
específicos que os distinguem nitidamente: 
– Quanto à organização administrativa, um é um sistema descentralizado. O 
outro é centralizado; 
– Quanto ao controlo jurisdicional da administração, o primeiro entrega-o 
aos Tribunais Comuns, o segundo aos Tribunais Administrativos. Em Inglaterra 
há pois, unidade de jurisdição, em França existe dualidade de Jurisdições; 
– Quanto ao direito regulador da administração, o sistema de tipo Britânico é 
o Direito Comum, que basicamente é Direito Privado, mas no sistema tipo 
Francês é o Direito Administrativo que é Direito Público; 
– Quanto à execução das decisões administrativas, o sistema de 
administração judiciária fá-la depender da sentença do Tribunal, ao passo que 
o sistema de administração executiva atribui autoridade própria a essas 
decisões e dispensa a intervenção prévia de qualquer Tribunal; 
– Enfim, quanto às garantias jurídicas dos administrados, a Inglaterra confere 
aos Tribunais Comuns amplos poderes de injunção face à Administração, que 
lhes fica subordinada como a generalidade dos cidadãos, enquanto França só 
permite aos Tribunais Administrativos que anulem as decisões ilegais das 
autoridades ou as condenem ao pagamento de indemnizações, ficando a 
Administração independente do poder judicial. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 55 
 
Em suma, pode se dizer que devido à globalização que se assiste na 
actualidade, as diferenças entre os dois sistemas tem vindo a ser atenuadas, 
porém, o núcleo duro dos sistemas mantém-se, nomeadamente: 
 Quanto ao direito e forum aplicáveis à Administração Pública: no sistema 
executivo, encontramos a Administração Pública subordinada ao Direito 
Administrativo e aos tribunais administrativos, enquanto no sistema 
judicial, este continua subordinado ao Direito comum e aos tribunais 
comuns. 
 As garantias jurídicas no sistema judicial são mais eficazes que no sistema 
executivo. 
 
Todavia, apesar destas diferenças, quanto aos princípios fundamentais dos 
dois sistemas, há a notar algumas aproximações, sendo de destacar: 
 Na execução das decisões administrativas: é possível, no sistema 
executivo, o particular dirigir-se aos tribunais para solicitar a suspensão da 
eficácia de uma decisão da Administração Pública, desde que se verifique 
alguns pressupostos, tais como: de que a execução da decisão seja 
susceptível de causar prejuízo irreparável ou de difícil reparação para o 
requerente ou para o interesse que com o recurso pretenda acautelar. 
 Na organização administrativa: actualmente, o sistema judicial tende a 
centralizar-se e o executivo a descentralizar-se. 
 No sistema executivo, assiste-se, actualmente, à tendência de privatização 
da Administração pública, e no judicial à publicização da Administração 
pública. 
 
 
 
 
 
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 56 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática foi abordado que os sistemas administrativos 
compreendem ao modo jurídico típico de organização, funcionamento e 
controlo da administração pública em função do tempo e do espaço. 
Na sua tipificação, três sistemas foram caracterizados, nomeadamente: 
 o sistema tradicional; 
 o sistema administrativo judicial ou tipo britânico (ou de 
administração judiciária) e 
 o sistema do tipo francês (ou de administração executiva). 
Na caracterização destes sistemas, sobretudo, o de administração judiciária e 
do tipo francês podem ser encontradas algumas diferenças e semelhanças, 
devidamente arroladas acima. Contudo, das aproximações entre ambos há a 
destacar: a execução das decisões administrativas; a organização 
administrativa, em que actualmente, o sistema judicial tende a centralizar-se 
e o executivo a descentralizar-se; bem como o facto de no sistema executivo, 
assistir-se, actualmente, à tendência de privatização da Administração 
pública, e no judicial à publicização da mesma. 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1. Dê a noção de Sistemas administrativos. 
2. Refira-se às tipologias dos sistemas administrativos. 
3. Caracterize cada um dos tipos de sistemas administrativos. 
4. Indique os pontos de convergência e de dissonância entre o sistema 
de administração judiciária e do tipo francês. 
5. Quais são as características do sistema administrativo de tipo francês 
ou de administração executiva? 
6. Quais são as características do sistema administrativo tradicional? 
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 57 
 
UNIDADE Temática 2.4 - Sistemas administrativos e o contexto moçambicano 
Introdução 
Não obstante conhecermos os diferentes tipos de sistemas administrativos, é 
bastante útil analisarmos a caracterização do nosso sistema no contexto do 
sistema administrativo moçambicano, para melhor percebermos a que 
sistema nós pertencemos, recorrendo em grande medida à nossa lei-mãe 
(Constituição da República de Moçambique, revisão de 2004). 
 
Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
o Caracterizar o sistema administrativo moçambicano; 
o Enquadrar o sistema moçambicano no contexto das tipologias 
de sistemas referidos na unidade anterior. 
 
 
2.4.1 Sistema administrativo moçambicano:caracterização 
Moçambique foi colonizado por Portugal durante várias décadas, até ao 
alcance da sua independência a 25 de Junho de 1975. Este facto histórico de 
extrema relevância remete-nos, inegavelmente a assumnpção de que o nosso 
sistema foi influenciado pelas características normativas portuguesas. 
Todavia, ao compulsarmos a nossa Constituição da República (CRM, 2004), 
sobre Moçambique, encontramos que ela estabelece: 
a. Um Estado de Direito Democrático (artigo 3); 
b. Um Estado unitário descentralizado administrativamente (artigo 8) 
c. A garantia de acesso aos tribunais (artigo 62); 
d. A separação e interdependência de poderes (artigo 134); 
e. Um fórum especializado para o controlo da legalidade dos actos 
administrativos, da aplicação dos 
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 58 
 
regulamentos, das despesas públicas – tribunais administrativos (artigo 
228) 
f. Como princípios fundamentais da estruturação da Administração Pública, 
a descentralização e desconcentração (artigo 250); 
g. O respeito pelos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos na 
actuação da Administração Pública (artigo 249); 
h. Direitos e garantias dos administrados através do recurso contencioso 
perante o Tribunal Administrativo (artigo 253); 
i. O Provedor da justiça (artigo 256 e seguintes). 
 
Em outros diplomas legais, para além da CRM, podemos encontrar os 
seguintes traços fundamentais do sistema, tais como, o privilégio de execução 
prévia ou poder de execução forçada, como sendo a capacidade legal de 
executar actos administrativos definitivos e executórios, mesmo perante a 
contestação ou resistência físicados destinatários (alínea f) do artigo 1 do 
Decreto número 30/2001, de 15 de Outubro, sobre Normas de Funcionalismo 
público). 
Face aos dispositivos acima referidos, caracterizando o sistema administrativo 
moçambicano, devemos partir da análise e entendimento de que se trata de 
um sistema do tipo judicial ou executivo, ou ainda híbrido. 
Vários estudiosos argumentam que, hodiernamente, não existe um sistema, 
eminentemente, puro, ou seja, nenhum país aplica um sistema de controlo 
puro, seja através do poder judiciário, ou ainda através de tribunais 
administrativos. A questão é, será esse o nosso caso? 
De facto. O que ocorre é a predominância das características deste ou 
daquele sistema, o que caracteriza um sistema de tendêncial ou 
predominância Xou Y. Mas também, não repugna a hibridez de um sistema, 
pois é responder aos novos ventos que sopram na actualidade: a globalização. 
É assim que o nosso sistema, tal como o executivo originário, foi inspirar-se 
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 59 
 
no sistema judicial, trazendo daquele, embora com inovações necessárias, a 
suspensão de eficácia e a descentralização. Portanto, o nosso sistema é 
fortemente executivo. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática, ao procuraramos perceber o sistema administrativo 
moçambicano ficou notório que à luz da nossa Constituição da República 
(CRM,2004) vários dispositivos nos ajudam a caracterizar melhor a nossa 
inserção, para concluirmos que tal como o executivo originário, foi inspirar-se 
no sistema judicial, trazendo daquele, embora com inovações necessárias, a 
suspensão de eficácia e a descentralização. Portanto, o nosso sistema é 
fortemente executivo. 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1. Refira-se aos dispositivos normativos à luz da CRM (2004) que melhor 
fundamentam a caracterização do sistema administrativo 
moçambicano. 
2. Diga e fundamenta a que sistema administrativo Moçambique 
pertence. 
 
 
 
 
 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 60 
 
UNIDADE Temática 3 – Administração pública nos Países Desenvolvidos 
Introdução 
A Administração Pública nos Países Desenvolvidos é marcada pela era do 
conhecimento e da informação (Lastres, 1999), caracterizada por um período 
de grandes transformações tecnológicas, sociais e econômicas, que impõem 
novos padrões de gestão às organizações públicas e privadas. Trata-se de um 
processo de reestruturação produtiva apoiado no desenvolvimento científico 
e tecnológico e na globalização de mercados. Nesse contexto, parece haver 
um consenso entre estudiosos da teoria organizacional de que o sucesso de 
uma organização é, cada vez mais, influenciado pela sua capacidade de 
implementar formas flexíveis de gestão que possam fazer face às mudanças 
do mundo contemporâneo. 
 
Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
o Caracterizar a Administração Pública nos Países 
Desenvolvidos; 
o Comparar os modelos da Administração pública nos países 
desenvolvidos com outros países; 
o Descrever as reformas emergentes da globalização nos países 
desenvolvidos. 
 
3.1 A administração nos países desenvolvidos: debate teórico e conceptual 
A explicação de que as instituições importam reformas tanto para o êxito ou o 
fracasso conquistou considerável espaço nas pesquisas da administração 
pública comparada (Pollitt e Bouckaert, 2000; world Bank, 1997). 
Quando observados comparativamente, os países desenvolvidos foram 
decisivamente marcados por reformas 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 61 
 
segundo os modelos gerenciais, nos quais a ideia de downsizing (o 
encolhimento da quantidade de funcionários) e a orientação por desempenho 
adquirem contornos mais intensos. Os ataques ao problema fiscal, em países 
como os EUA e a Inglaterra, tornaram-se paradigmáticos. Os casos alemão e 
francês representaram movimentos “dissonantes” em grande medida, dada a 
sua reduzida voracidade em questões como a redução do tamanho e o 
envolvimento do Estado nas políticas sociais e económicas. 
 
Todavia, Rezende (1996 e 2002) mostra que os Estados mais ricos continuam 
a exibir padrões marcados por forte intervenção social e económica, a 
despeito de uma retórica de reforma. A era das reformas, conforme 
discutiremos adiante, não recolocou “os Leviatãs no lugar”, conforme 
pretendiam as reformas ambiciosas no início dos anos 90. Reformar padrões 
de gastos e modelos institucionais de políticas públicas não constitui tarefa 
fácil, e não é menos complexa em países de maior renda. A experiência 
comparada mostra que os países em desenvolvimento, por contraste, são 
aqueles nos quais se realizaram maiores mudanças estruturais no perfil de 
gestão e gastos públicos. 
Outro ponto de grande interesse para a comparabilidade é a forte adesão a 
novos modelos e paradigmas de delegação e de controles burocráticos. Esse 
novo paradigma – o paradigma pós-burocrático – propõe a criação de padrões 
de articulação entre formulação e implementação de políticas públicas, 
regulados pelo desempenho. 
Esse tem sido um dos principais eixos organizadores dos processos de 
reforma, centrados na ideia de que as organizações e instituições do sector 
público possam funcionar dentro de padrões de eficiência como os adoptados 
pelas organizações privadas, a depender dos incentivos internos que 
modelam a produção, o gerenciamento e a provisão de serviços. Excepto para 
os casos de provisão de bens, que se aproximam dos chamados “bens 
públicos puros” (produção das regras e das políticas, planeamento, 
coordenação de políticas, fisco etc.), os governos podem ser orientados pelo 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 62 
 
desempenho, com resultados perfeitamente mensuráveis. 
Baseados nas recentes teorias do agente-principal e do novo institucionalismo 
económico, os defensores do gerencialismo público têm buscado consolidar 
um novo modelo de gestão pública em que modelos tradicionais de 
responsabilização (rule-based) sejam progressivamente substituídos por 
modelos voltados para os resultados operacionais (performance-based 
accountability). 
No limite, os modelos gerenciais propõem novos padrões de implementação 
de políticas a partir de incentivos e mecanismos de controle que privilegiem o 
desempenho e a orientação por resultados. A experiência comparativa nos 
países ricos mostra que as chances de êxito desses novos modelos 
organizacionais – conhecidos como PBO – têm sido reduzidas no mundo real, 
e que não tem sido fácil mensurar e avaliar resultados em diversas áreas de 
intervenção do governo. 
Quanto ao financiamento dos programas de reforma, deve-se fazer uma 
diferenciação importante. Nos países de maior renda, os processos de 
reforma quase sempre são financiados com recursos internos, o que dá maior 
autonomia e estabilidade em termos da condução, implementação e 
orientação dos resultados a serem perseguidos com tais políticas. Por 
contraste, nos países em desenvolvimento, as políticas de reforma são 
financiadas por meio de projectos (sectoriais ou multissectoriais) apoiados por 
agências multilaterais, tais como o Banco Mundial ou o FMI. 
 
Por exemplo, nos anos 2000, em que se intensificou a difusão das reformas 
nos países em desenvolvimento (a reforma moçambicana, por exemplo, foi 
iniciada com o apoio de agências multilaterais) onde os empréstimos 
aprovados tinham como destino reformas institucionais, queenvolviam 
iniciativas voltadas para a transformação no papel do Estado e o 
desenvolvimento de capacidades na gestão pública. 
 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 63 
 
Comparativamente, os resultados da mudança institucional são tímidos. 
Raros são os casos em que ambiciosas mudanças propostas foram 
implementadas a contento, embora os desafios políticos, institucionais e 
técnicos para conseguir a cooperação, com os objectivos da reforma 
gerencial, continuem intensos. 
Reformas gerenciais não encontram cooperação espontânea dos actores 
para criar uma cultura orientada pelo desempenho. Por outro lado, em 
reduzidos casos as performance-based organizations, a pedra de toque no 
novo modelo gerencial, foram criadas a contento. Mesmo nos casos em que 
mudanças foram introduzidas, grandes são os desafios para definir, 
monitorar e controlar os padrões de desempenho. Existe, ainda, grande 
dissenso entre o que significa o desempenho, sobretudo porque o Estado e a 
administração pública contemporânea são, na realidade, compostos de 
grande diversidade de agências com objectivos altamente heterogêneos, o 
que dificulta estabelecer padrões comparáveis de desempenho. 
 
As reformas gerenciais ainda estão longe de ter introduzido um padrão 
coerente e aceitável de administração pública. Os estudos de caso 
disponíveis sobre as experiências nacionais e internacionais revelaram que as 
reformas encontram dificuldades para transformar a burocracia e o seu 
modus operandi. Em grande parte dos países desenvolvidos, apesar dos 
resultados obtidos, dos avanços e dos impasses no plano da implementação, 
as reformas gerenciais ainda têm um longo caminho a percorrer – e dilemas 
cruciais a enfrentar. 
Um dos principais dilemas reside em uma contradição que as reformas 
gerenciais trazem em si, qual seja: o equilíbrio delicado entre desempenho e 
controle. Se, por um lado, os modelos de reforma propõem a redução dos 
controles burocráticos, nos moldes descentralizados de delegação, é facto 
que problemas de coordenação e regulação são característicos nos modelos 
existentes sobre a relação entre formulação e implementação. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 64 
 
Nos casos inglês e americano, ainda persistem os dilemas de como delegar 
responsabilidade sem criar mais controle. No caso dos países em 
desenvolvimento, com uma frágil tradição de controle, a regulação ainda 
constitui um problema decisivo. Por outro lado, como nos adverte 
Schwartzman (1996), “não é a simples eliminação dos controles burocráticos 
suficiente para garantir o bom desempenho e a correção no uso dos recursos 
públicos por parte das instituições governamentais”. Segundo ele nos adverte 
e sugere, o controle é fundamental ao desempenho das instituições e requer 
a combinação de dois elementos: a legitimidade política das elites 
reformadoras e a competência técnica dos gestores públicos. Isso demanda, 
fundamentalmente, uma mudança de cultura política e administrativa em 
torno dos princípios da reforma gerencial. 
Rezende (2001), por sua vez, considera que especial atenção deve ser dada 
para o fenómeno que ele chama de Problema do Controle, o qual produz 
incentivos contraditórios sobre a cooperação dos actores aos objectivos 
programáticos da reforma gerencial: “se por um lado o ajuste fiscal demanda 
mais controle, as mudanças institucionais, especialmente aquelas que 
demandam mais descentralização e sofisticados mecanismos de delegação e 
responsabilização, demandam menos controle”. Essa contradição em relação 
ao controle torna problemático obter a cooperação para os dois objetivos da 
reforma gerencial. 
Para além dos resultados alcançados em dimensões sectoriais das reformas, é 
necessário pensar seriamente sobre como o desenho das reformas incorpora 
tal dilema, crucial para a implementação da reforma gerencial. É bom pensar, 
por outro lado, que o desempenho e a redução dos controles burocráticos 
atendem aos interesses de grande parte da burocracia, dos quais os 
resultados últimos não são a provisão de serviços ao cidadão, mas sim a 
“produção de controles”. Mesmo nas experiências de reforma mais bem-
sucedidas – e como tendência geral –, a implementação de modelos flexíveis 
e descentralizados fez, paradoxalmente, elevar os custos burocráticos com 
mais auditorias e sistemas de controles. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 65 
 
Pode-se inferir que, a despeito dos esforços em construir uma nova lógica de 
organização e novos tipos de controle, as mais poderosas burocracias 
sectoriais nas administrações públicas modernas dependem do controle – e 
de mais controle “tradicional” para atingir os seus resultados. Se 
considerarmos que a eficiência e a efectividade da acção pública dependem 
dos controles, a reforma gerencial pode estar completamente equivocada em 
seu confronto com a realidade quando considera a “quebra dos controles” 
como ponto central de um novo paradigma de administração pública. 
Reinventar os controles não constitui – conforme demonstra a experiência 
recente – uma tarefa simples. 
O ponto nodal reside em como criar os incentivos selectivos para que os 
grupos burocráticos cooperem gradualmente com um novo modelo de 
controle orientado pelo desempenho, o que depende de capacidade e de 
poder político. 
 
 
3.2 Desafios da Administração Pública em sociedades desenvolvidas 
Os países desenvolvidos são identificados por certos parâmetros como 
economia altamente desenvolvida, maior infra-estrutura técnica, elevado 
Produto Interno Bruto (PIB) e da renda líquida per capita, nível de 
industrialização e também o nível de vida das pessoas. 
Ora, o desenvolvimento e modernização de um estado tem um impacto 
evidente e significativo sobre a sua política, cultura e sociedade, visto que, 
essas mudanças encontram suas maneiras em várias outras instituições 
importantes como o sistema judicial, executivo e legislativo. 
Os EUA têm sido uma das nações, que têm testemunhado grandes 
mudanças e reformas em sua história administrativa devido à 
industrialização, duas guerras mundiais e os vários estudos académicos e 
experimentais realizados nas áreas de ciências sociais e comportamentais. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 66 
 
É em face das questões acima referidas que vamos, também, olhar para as 
características gerais da administração pública nos países desenvolvidos 
antes de prosseguir para o estudo sobre os desafios que enfrentam. 
 As organizações governamentais são significativamente diferenciadas e 
funcionalmente específicas. As burocracias são enormes, a executar uma 
miríade de funções especializadas e são do tipo weberiano; 
 Há enorme especialização interna dentro dos papéis e a selecção das 
pessoas é baseada no mérito; 
 O processo de tomada de decisão é legal e é, em grande medida racional; 
 As instituições governamentais estão presentes em todas as esferas da 
vida dos cidadãos; 
 Desde que não haja interesse popular nos assuntos públicos, existe uma 
relação directa entre o poder político e legitimidade. 
Por outro lado, vemos que os problemas da administração pública nos países 
desenvolvidos também são complexos. O primeiro problema que é básico, 
prende-se com a falta de coerência entre várias agências prestadoras de 
serviços e órgãos reguladores. Outro problema tem a ver com as áreas de 
actuação, a nível local, onde as autoridades projectam seuspróprios 
programas e também correm os programas financiados pelas autoridades 
nacionais. O outro exemplo pode ser o domínio dos políticos em assuntos de 
domínio especializado da burocracia. 
A maioria dos estados desenvolvidos, especialmente da Europa são chamados 
Unidos Administrativo e suas burocracias executam determinadas funções 
específicas. RUMKI BASU(2007) em seu livro Administração Pública: conceitos 
e teorias explica estas funções. Segundo ela, a administração pública nestes 
países executa funções de regulação, assegurando simultaneamente a 
execução da lei e da ordem, a cobrança das receitas e a defesa nacional 
contra a agressão. 
A administração pública oferece uma gama de serviços como educação, 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 67 
 
saúde, cultura, seguros, habitação, subsídios de desemprego e comunicação e 
transporte. Eles também desempenham um papel importante em trazer 
aspectos sobre o crescimento económico do país por indústrias que operam, 
dando empréstimos etc. 
Os desafios actuais da Administração pública nos países desenvolvidos são, 
principalmente, económicos. 
A depressão económica colocou imensas pressões sobre os serviços prestados 
pelo governo. Uns conjuntos de reformas têm sido propostas em que os 
recursos do Estado estão sendo estreitamente administrados. A retirada de 
certos benefícios deixou a administração pública dos países expostos a uma 
série de críticas e bandeira das pessoas comuns. O papel regulador dos 
organismos públicos também está sob escrutínio por seu fracasso para evitar 
que grandes transtornos ocorram. Para que as coisas melhorem, o papel e os 
desafios da administração pública deve mudar mais uma vez. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática, ficou claro que a Administração Pública nos Países 
Desenvolvidos é marcada pela era do conhecimento e da informação (Lastres, 
1999), caracterizada por um período de grandes transformações tecnológicas, 
sociais e econômicas, que impõem novos padrões de gestão às organizações 
públicas e privadas. Por outro lado, os países desenvolvidos foram 
decisivamente marcados por reformas segundo os modelos gerenciais, nos 
quais a ideia de downsizing (o encolhimento da quantidade de funcionários) e 
a orientação por desempenho, apesar dos resultados obtidos, dos avanços e 
dos impasses no plano da implementação, as reformas gerenciais ainda terem 
um longo caminho a percorrer – e dilemas cruciais a enfrentar. Contudo, o 
desenvolvimento e modernização continuam alicerces fortes na construção 
da administração pública dos estados desenvolvidos, o que tem um impacto 
evidente e significativo sobre a sua política, cultura e sociedade, visto que, 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 68 
 
essas mudanças encontram suas maneiras em várias outras instituições 
importantes como o sistema judicial, executivo e legislativo. 
Vimos, igualmente, neste nesta unidade temática características gerais da 
administração pública nos países desenvolvidos, das quais se pode destacar 
a enorme especialização interna dentro dos papéis e a selecção das pessoas 
baseada no mérito; a legalidade e a racionalidade no processo de tomada de 
decisão, bem assim a presença em todas as esferas da vida dos cidadãos das 
instituições governamentais. 
Por outro lado, vimos que os problemas da administração pública nos países 
desenvolvidos também são complexos. O principal problema que é básico, 
prende-se com a falta de coerência entre várias agências prestadoras de 
serviços e órgãos reguladores. Outro problema tem a ver com as áreas de 
actuação, a nível local, onde as autoridades projectam seus próprios 
programas e também correm os programas financiados pelas autoridades 
nacionais. O outro exemplo pode ser o domínio dos políticos em assuntos de 
domínio especializado da burocracia. 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1. Defina a Administração Pública nos países desenvolvidos e faça a sua 
caracterização. 
2. Quais são os problemas da Administracão Publica nos países 
desenvolvidos? 
3. Compare de forma clara os modelos da Administração pública nos 
países desenvolvidos com outros países (não desenvolvidos). 
4. Aponte as principais reformas que deveriam ser tomadas em conta 
para uma maior e melhor funcionalidade da Administração pública nos 
países desenvolvidos. 
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 69 
 
5. Explique como podem ser superados os dilemas que enfermam a 
Administração pública em grande parte dos países desenvolvidos. 
6. Relacione os problemas da Administração pública Moçambicana com 
as dos países desenvolvidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 70 
 
UNIDADE Temática 4– A globalização e a reforma da Administração Pública 
Introdução 
Alguns países têm se beneficiado muito mais da globalização do que outros e 
os sistemas de administração têm respondido diferencialmente ao desafio da 
globalização. Muitos dos países em desenvolvimento se beneficiaram menos 
da globalização, porque eles têm desvantagens consideráveis no mercado 
global, além de público e sistemas de administração muito fracos. Esses países 
têm menos recursos e sistemas económicos ou políticos menos eficazes, 
sobretudo, na sua colocação junto do mercado global. A preocupação é a 
natureza da globalização e os sistemas globais de mercado, para além do 
público e sistemas de administração, bem como das limitações da 
administração pública em responder a esses factores 
 
Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
o Definir e Caracterizar a Globalização 
o Comparar os modelos da globalização nos países 
desenvolvidos com outros países no contexto da 
Administração Pública 
o Descrever as reformas e os efeitos emergentes da 
globalização nos países desenvolvidos no contexto da 
Administração Pública. 
 
4.1 A GLOBALIZAÇÃO E A REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
4.1.1 Mas o que é globalização exactamente? 
O conceito de globalização é dado por diferentes maneiras conforme os mais 
diversos autores em Ciências Sociais, 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 71 
 
Economia, Filosofia, Geografia, História, entre outros, que se pautaram em 
seu estudo. Em uma tentativa de síntese, podemos dizer que a globalização é 
entendida como a integração com maior intensidade das relações socio-
espaciais em escala mundial, instrumentalizada pela conexão entre as 
diferentes partes do globo terrestre. 
No entanto, esse conceito não se refere simplesmente a uma ocasião ou 
acontecimento, mas a um processo. Isso significa dizer que a principal 
característica da globalização é o facto de ela estar em constante evolução e 
transformação, de modo que a integração mundial por ela gerada é cada vez 
maior ao longo do tempo. 
Há um século, por exemplo, a velocidade da comunicação entre diferentes 
partes do planeta até existia, porém ela era muito menos rápida e eficiente 
que a dos dias actuais, que, por sua vez, poderá ser considerada menos 
eficiente em comparação com as prováveis evoluções técnicas que ocorrerão 
nas próximas décadas. Podemos dizer, então, que o mundo encontra-se cada 
dia mais globalizado. 
O avanço realizado nos sistemas de comunicação e transporte, responsável 
pelo avançoe consolidação da globalização actual, propiciou uma integração 
que aconteceu de tal forma que tornou comum a expressão “aldeia global”. O 
termo “aldeia” faz referência a algo pequeno, onde todas as coisas estão 
próximas umas das outras, o que remete à ideia de que a integração mundial 
no meio técnico-informacional tornou o planeta metaforicamente menor. 
 
4.1.2 A origem da Globalização 
Não existe um total consenso sobre qual é a origem do processo de 
globalização. 
O termo em si só veio a ser elaborado a partir da década de 1980, tendo uma 
maior difusão após a queda do Muro 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 72 
 
de Berlim e o fim da Guerra Fria. No entanto, são muitos os autores que 
defendem que a globalização tenha se iniciado a partir da expansão marítimo-
comercial europeia, no final do século XV e início do século XVI, momento no 
qual o sistema capitalista iniciou sua expansão pelo mundo. 
De toda forma, ela foi gradativamente apresentando evoluções, recebendo 
incrementos substanciais com as transformações tecnológicas proporcionadas 
pelas três revoluções industriais. Nesse caso, cabe um destaque especial para 
a última delas, também chamada de Revolução Técnico-Científica-
Informacional, iniciada a partir de meados do século XX e que ainda se 
encontra em fase de ocorrência. Nesse processo, intensificaram-se os avanços 
técnicos no contexto dos sistemas de informação, com destaque para a 
difusão dos aparelhos eletrónicos e da internet, além de uma maior evolução 
nos meios de transporte. 
Portanto, a título de síntese, podemos considerar que, se a globalização 
iniciou-se há cerca de cinco séculos aproximadamente, ela consolidou-se de 
forma mais elaborada e desenvolvida ao longo dos últimos 50 anos, a partir 
da segunda metade do século XX em diante. 
 
4.1.3 Características da globalização / aspectos positivos e negativos 
Uma das características da globalização é o facto de ela se manifestar nos 
mais diversos campos que sustentam e compõem a sociedade: cultura, 
espaço geográfico, educação, política, direitos humanos, saúde e, 
principalmente, a economia. Dessa forma, quando uma prática cultural 
chinesa é vivenciada nos Estados Unidos ou quando uma manifestação 
tradicional africana é revivida num outro país, temos a evidência de como as 
sociedades integram suas culturas, influenciando-se mutuamente. 
Existem muitos autores que apontam os problemas e os aspectos negativos 
da globalização, embora existam muitas polémicas e discordâncias no cerne 
http://brasilescola.uol.com.br/geografia/guerra-fria.htm
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 73 
 
desse debate. De toda forma, considera-se que o principal entre os problemas 
da globalização é uma eventual desigualdade social por ela proporcionada, 
em que o poder e a renda encontram-se em maior parte concentrados nas 
mãos de uma minoria, o que atrela a questão às contradições do capitalismo. 
Além disso, acusa-se a globalização de proporcionar uma desigual forma de 
comunicação entre os diferentes territórios, em que culturas, valores morais, 
princípios educacionais e outros são reproduzidos obedecendo a uma 
ideologia dominante. Nesse sentido, forma-se, segundo essas opiniões, uma 
hegemonia em que os principais centros de poder exercem um controle ou 
uma maior influência sobre as regiões economicamente menos favorecidas, 
obliterando, assim, suas matrizes tradicionais. 
Entre os aspectos positivos da globalização, é comum citar os avanços 
proporcionados pela evolução dos meios tecnológicos, bem como a maior 
difusão de conhecimento. Assim, por exemplo, se a cura para uma doença 
grave é descoberta no Japão, ela é rapidamente difundida (a depender do 
contexto social e económico) para as diferentes partes do planeta. Outros 
pontos considerados vantajosos da globalização é a maior difusão comercial e 
também de investimentos, entre diversos outros factores. 
É claro que o que pode ser considerado como vantagem ou desvantagem da 
globalização depende da abordagem realizada e também, de certa forma, da 
ideologia empregada em sua análise. 
 
4.1.4 Efeitos da Globalização 
Existem vários elementos que podem ser considerados como consequências 
da globalização no mundo. Uma das evidências mais emblemáticas é a 
configuração do espaço geográfico internacional em redes, sejam elas de 
transporte, de comunicação, de cidades, de trocas comerciais ou de capitais 
especulativos. Elas formam-se por pontos fixos – sendo algumas mais 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 74 
 
preponderantes que outras – e pelos fluxos desenvolvidos entre esses 
diferentes pontos. 
Outro aspecto que merece destaque é a expansão das empresas 
multinacionais, também chamadas de transnacionais ou empresas globais. 
Muitas delas abandonam seus países de origem ou, simplesmente, expandem 
suas actividades em direcção aos mais diversos locais em busca de um maior 
mercado consumidor, de isenção de impostos, de evitar tarifas alfandegárias 
e de angariar um menor custo com mão-de-obra e matérias-primas. O 
processo de expansão dessas empresas globais e suas indústrias reverberou 
no avanço da industrialização e da urbanização em diversos países 
subdesenvolvidos e emergentes. 
Outra dinâmica propiciada pelo avanço da globalização é a formação dos 
acordos regionais ou dos blocos económicos. Embora essa ocorrência possa 
ser inicialmente considerada como um entrave à globalização, pois acordos 
regionais poderiam impedir uma global interação económica, ela é 
fundamental no sentido de permitir uma maior troca comercial entre os 
diferentes países e também propiciar acções conjunturais em grupos (Yergin e 
Stanislaw 2002 396). 
A globalização é, portanto, um tema complexo, com incontáveis aspectos e 
características. Sua manifestação não pode ser considerada linear, de forma a 
ser mais ou menos intensa a depender da região onde ela se estabelece, 
ganhando novos contornos e características. Podemos dizer que o mundo vive 
uma ampla e caótica inter-relação entre o local e o global, o que pressupõe 
assumir que a globalização é dividindo dramaticamente o mundo em países 
poderosos e impotentes em relação à tecnologia da informação, comércio e 
economia, o vencedor e o perdedor no mercado global. 
 
Enquanto isso, os sistemas de administração pública aparecem para ajudar 
alguns países a ter muito mais benefícios do que outros, mesmo que muitos 
http://brasilescola.uol.com.br/economia/empresas-multinacionais.htm
http://brasilescola.uol.com.br/geografia/classificacao-dos-blocos-economicos.htm
http://brasilescola.uol.com.br/geografia/classificacao-dos-blocos-economicos.htm
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 75 
 
cientistas sociais acreditam que a economia internacional e sistemas políticos 
têm desempenhado um papel mais significativo em ajudar alguns países para 
obter muito mais benefícios do que outros. 
 
Sistemas de administração pública em países desenvolvidos e em 
desenvolvimento tendem a reagir de maneira diferente ao desafio de forças 
globais. 
 
Por que alguns países beneficiaram muito mais com a globalização do que 
outros? Será devido à administração pública ou a governação? Se assim for, 
por quê e como os países desenvolvidos e em transição devem desenvolver 
sistemas de administração pública voltados para responder de forma 
diferenciada os desafios para uma maior eficiência, agilidade e transparência, 
preservando valoresdemocráticos na era da globalização? Se não, o que 
levou alguns países a obter muito mais benefícios da globalização do que 
outros? Estas questões de pesquisa devem ser directamente ou 
indirectamente respondidas. 
 
Depois de discutir como a globalização mudou a administração pública, 
precisamos explorar os sistemas de administração como públicos em mais 
países desenvolvidos e menos desenvolvidos para melhor responder às forças 
globais. 
 
4.1.5 Globalização e Administração Pública 
Forças globais estão penetrando em todos os níveis de governo, por um lado, 
e uma política nacional ou local em um determinado país tem muitas vezes 
efeitos globais, por outro. Pressões globais, de facto, têm desempenhado um 
papel significativo na ajuda às burocracias públicas nos países desenvolvidos, 
sobretudo, europeus e norte-americanos ocidentais traduzindo-se numa 
maior agilização de seu pessoal, orçamentos e organizações através da 
privatização, terceirização, subcontratação, desregulamentação, downsizing, 
ou até reestruturação de funções do governo e Serviços. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 76 
 
Funções e serviços governamentais estão realmente sendo terceirizados em 
todos os níveis do governo, e a incidência de terceirização em agências 
governamentais é continuamente crescente, apesar de funções e serviços 
governamentais terceirizados variarem substancialmente. Por exemplo, todos 
os níveis de governo têm sofrido uma terceirização de recursos humanos, 
funções e serviços de pessoal (Siegel 2000, 228-229). 
 
Além disso, os governos centrais e locais têm contratado a maior parte de 
seus programas de serviços sociais, e a propagação de relações horizontais 
em substituição da autoridade hierárquica tradicional com "redes construídas 
formalmente através de contratos e outros acordos jurídicos, traçadas às 
vezes informalmente através de relações de trabalho pragmáticas " (Kettl 
2000, 494). 
 
As forças de mercado e princípais modelos de mercado tem estado a 
tornarem cada vez mais os serviços da administração pública como 
"gerenciais". Assim como a administração de empresas, a administração 
pública tem sido cada vez mais com foco na eficiência, eficácia, produtividade, 
desempenho, responsabilidade, capacidade de resposta e flexibilidade por 
meio de técnicas usadas, principalmente, em corporações. 
 
Os pressupostos weberianos de um tipo ideal de burocracia não são mais 
compatíveis com a gestão das organizações públicas modernas. Espera-se que 
os governos nacional e local sejam mais eficientes, eficazes, ágis e 
responsáveis por meio de ajustes estruturais e comportamentais ou 
adaptações. Enquanto isso, dos funcionários e outros colaboradores, espera-
se que façam mais com menos, fazendo prevalecer a equidade social, a 
justiça, a legitimidade e diversidade. Por exemplo, o sistema de remuneração 
por desempenho procura garantir a produtividade, responsabilidade e 
flexibilidade através da compensação dos trabalhadores na sua contribuição 
para a organização. Todavia, a medição e performances de compensação, 
contribuições e os méritos dos funcionários públicos, continuam vistos como 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 77 
 
ambíguos. 
 
A globalização oferece mais liberdade e discrição para o baixo nível de 
governo devido à revolução da tecnologia da informação. Para atrair 
investimentos ou promover o comércio, governos locais trabalham 
directamente com governos estrangeiros e grandes corporações, e assim, 
criar mais empregos e estimular a economia local. Além disso, os programas e 
serviços locais são fornecidos e gerenciados de forma mais eficiente via e-
governo, embora governos locais dependem fortemente de transferências do 
estado para manter programas municipais (por exemplo, transferências 
representam 30 a 50 por cento do total dos pagamentos municipais em 
grande parte dos Municípios em Moçambique). 
 
6.1.6 A Respostas da Administração Pública para as Forças Globais 
Forças globais exigem alterações fundamentais do social, económica, política 
e Sistemas administrativos ao longo dos países. O impacto das forças globais 
em administração pública, no entanto, é notavelmente diferente entre os 
países, especialmente entre os países ocidentais e não-ocidentais, entre mais 
e menos desenvolvidos países e entre países cristãos e não-cristão. A 
Administração Pública dos países em desenvolvimento respondem 
diferentemente às forças globais, enquanto que o ambiente internacional 
continua afectando cada vez mais as burocracias dos estados em 
desenvolvimento. 
 
O primeiro tipo de burocracias nacionais tende a acontecer em países 
desenvolvidos (por exemplo, a Western North Europeu e Países da América) 
onde a globalização leva a sistemas de administração pública fortes que por 
sua vez respondem positivamente a globalização. No segundo tipo de 
burocracias nacionais, onde as elites religiosas ou autoritárias ou partes 
individuais são mais propensos a controlar os fluxos de informação, no 
entanto, estes efeitos interativos positivos entre globalização e da 
administração pública não são bastante eficazes. Exemplos: estão 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 78 
 
desenvolvendo Países africanos, asiáticos e sul-americanos, os países 
muçulmanos (por exemplo, Irão, Arábia Saudita e Síria), e os estados 
socialistas (por exemplo, China, Coréia do Norte e Cuba). Esses países abertos 
à globalização procuram manter a sua cultura, normas e políticas, enquanto 
que as actividades técnicas, científicas, financeiras e económicas são 
afectados e alterados por forças globais. O papel da administração pública 
sobre a globalização nesses países é limitado. 
 
A Administração pública em muitos países em desenvolvimento é susceptível 
de ser controlada ou manipulada, sobretudo, no que tange à distribuição do 
poder, uma vez que o governo procura controlar informações para manter o 
seu regime em detrimento do interesse público. Em contramão, e utilizando 
tecnologia da informação, os cidadãos em nações ocidentais são mais 
propensos a ter acesso as informações do governo, ao passo que os cidadãos 
de nações não-ocidentais não têm de forma acessível a informação do 
governo (Welch e Wong 1998, 46). 
 
Quer dizer, o sistema de informação está, geralmente, disponível em países 
desenvolvidos, enquanto muitos dos países em desenvolvimento estão 
limitados na aplicação de tecnologia de informação avançada no contexto da 
gestão pública. 
 
O último tipo de burocracias nacionais acontece em países em rápido 
desenvolvimento, incluindo os países da Ásia Oriental e dos países da Europa 
de Leste, onde a economia está crescendo e a tecnologia da informação está 
emergindo. No entanto, permanece questionável se esses países se 
beneficiarão da globalização devido ao seu sistema de administração público. 
 
Mas, para além disso, enquanto os sistemas de administração de empresas 
em países emergentes têm permitido, significativamente, forças globais para 
alterar as formas de gestão das corporações, os sistemas de administração 
pública não foram notavelmente penetrados e alterados pelas forças globais. 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 79 
 
Em comparação com a gestão empresarial, a gestão pública nesses países é 
menos provável de ser responsável perante os interesses públicos, opiniões 
públicas, e às necessidades dos clientes, devido à burocracia,rigidez, 
resistência a mudanças, ou corrupção. 
 
Por outro lado, a falta de profissionalismo e racionalidade que não são, 
institucionalmente estabelecidos nessas burocracias públicas, a gestão 
pública torna-se menos provável à princípios de eficiência, eficácia e 
produtividade, transparência e justiça. Isto mostra, claramente, que quando a 
administração pública não é separável da política, os interesses políticos 
podem substituir os interesses públicos. 
 
As pressões globais, as forças de mercado e a tecnologia da informação 
precisam manter a administração pública separada da política nos países 
emergentes, embora a administração pública deverá ser mais pró-activa. 
 
Os países europeus e norte-americanos ocidentais têm se beneficiado mais da 
globalização, enquanto um grande número de países, especialmente os países 
do Terceiro Mundo, mantiveram-se afastados da globalização e o impacto da 
globalização sobre burocracias públicas e sistemas políticos desses países é 
mínima. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática, ao procuraramos perceber a globalização e a 
Administração pública ficou notório que a globalização é entendida como a 
integração com maior intensidade das relações sócio-espaciais em escala 
mundial, instrumentalizada pela conexão entre as diferentes partes do globo 
terrestre. 
Os países abertos à globalização procuram manter a sua cultura, normas e 
políticas, enquanto que as actividades técnicas, científicas, financeiras e 
económicas são afectados e alterados 
 ISCED CURSO: Administração Pública; 20 Ano Disciplina/Módulo: Administração Pública Comparada 
 80 
 
por forças globais. O papel da administração pública sobre a globalização 
nesses países é limitado. 
 
A Administração pública em muitos países em desenvolvimento é susceptível 
de ser controlada ou manipulada, sobretudo, no que tange à distribuição do 
poder, uma vez que o governo procura controlar informações para manter o 
seu regime em detrimento do interesse público. Em contramão, e utilizando 
tecnologia da informação, os cidadãos em nações ocidentais são mais 
propensos a ter acesso as informações do governo, ao passo que os cidadãos 
de nações não-ocidentais não tem de forma acessível a informação do 
governo (Welch e Wong 1998, 46). 
Quer dizer, o sistema de informação está, geralmente, disponível em países 
desenvolvidos, enquanto muitos dos países em desenvolvimento estão 
limitados na aplicação de tecnologia de informação avançada no contexto da 
gestão pública. 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1. Refira-se à globalização na sua relação com a Administração Pública. 
2. Que desafios se reservam para o fenómeno da aldeia global no 
processo de desenvolvimento e modernização da Administração 
pública. 
3. Quais os modelos da Administração Pública na era da globalização 
podem ser úteis a Moçambique? 
4. De que forma a Administração Pública na época moderna pode ser 
manipulada? 
5. Que de forcas globais podem alterar ou desestruturar a Administração 
Pública? 
6. Anucie os efeitos da globalização na Administração Pública 
Moçambicana?

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