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10 GESTÃO ESCOLAR EM UM TODO Leticia dos Santos Siqueira Profª. Patricia Rodrigues Machado Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Licenciatura em Pedagogia (PED1542) 15/10/19 RESUMO O paper de estágio tem o objetivo de Identificar as competências necessárias para gerir uma escola tanto o gestor como o orientador. Por meio da área de concentração (Metodologias de Ensino) foi escolhido em aprofundar-se no envolvimento da família na gestão escolar. Tratando-se de uma questão bem presente na sociedade atual, que é a relação entre a família e a escola. Muito se tem discutido sobre os desafios da aprendizagem das crianças na educação escolar no que se refere às suas causas. Aquela que vem se destacando no discurso dos professores é a participação da família em auxiliar a criança em suas atividades escolares. Embora essa questão seja a mais evidenciada, existem outras que são internas e externas ao contexto escolar, por isso a necessidade de um trabalho bem amplo pelo gestor e orientador escolar, junto à família para que essas questões sejam debatidas pela comunidade escolar de uma forma democrática. Palavras-chave: Gestão Escolar. Diretor. Democrática. 1 INTRODUÇÃO É preciso compreender a escola como um lugar de efetivação da aprendizagem que precisa estar organizada para atender as suas especificidades e objetivos. Com a democratização do ensino e todas as transformações que a educação vem sofrendo ao longo dos anos, o tema gestão escolar ganha força no cenário educacional, tendo em vista que a mesma é indispensável para o bom funcionamento das escolas. O trabalho que envolve a organização da escola tem ao longo dos anos, ganho diferentes interpretações conforme também o contexto de cada período histórico. Assim, conhecer um pouco o contexto de transição da concepção prática da administração escola e da ideia de gestão. Os debates educacionais nos últimos anos vêm ganhando cada vez mais força, preocupação iminente por parte dos educadores, governantes e todos profissionais envolvidos com a educação brasileira em busca de discutirem os diversos segmentos desse ramo, bem como destacar alguns problemas da educação no nosso país. 2 ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA A escola em sua contribuição cognitiva tem por finalidade abranger um conjunto de unidades referente ao saber e desenvolvimento da consciência do indivíduo, que se baseiam nas representações, pensamentos e lembranças; cuida do processo de aquisição do conhecimento científico e cultural. Nessa perspectiva, conforme Luck (2000), a escola deixará de ser lecionadora para ser gestora do conhecimento. Segundo o autor, “a educação tem a possibilidade de ser determinante sobre o desenvolvimento”. Em sua diversidade, a escola, deveria trabalhar para que seus alunos, sua comunidade, consigam interagir com outras pessoas respeitando a diversidade cultural da sua comunidade escolar. Paro (1997) enfatiza que a administração escolar precisa saber buscar na natureza própria da escola e dos objetivos que ela persegue os princípios, métodos e técnicas adequadas ao incremento de sua racionalidade, uma administração escolar verdadeiramente revolucionária que se preocupe com a organização da escola, que todos os funcionários, comunidade, estejam envolvidos no processo escolar de forma participativa. Afinal o trabalho desenvolvido na escola, consiste na transmissão e construção do saber envolvendo o comportamento humano, que não se contém nos limites da máquina empresarial. Modificações na administração das escolas têm por objetivo focar-se em ações que venham a redefinir o conceito sobre o universo escolar, no que reforça sua autonomia do fazer educação. Ao ser viabilizada a gestão democrática de uma escola em âmbito legal, as escolas passaram a ter a possibilidade de serem amparadas pela comunidade, o que significa estabelecer parcerias com instâncias que não fazem parte da equipe pedagógica da escola. É fato que esta relação de parceria deve ser bem planejada e estruturada para que não ocorram distorções do processo democrático. Isso significa dizer que quando falamos em gestão participativa no âmbito da escola pública estamos nos referindo a uma relação entre desiguais onde vamos encontrar uma escola sabidamente desaparelhada do ponto de vista financeiro para enfrentar os crescentes desafios que se apresentam e, também, uma comunidade não muito preparada para a prática da gestão participativa da escola, assim como do próprio exercício da cidadania em sua expressão mais prosaica (FERREIRA, 2000, p. 69). Ao analisar a realidade escolar na atualidade percebe-se que ainda há uma grande distorção do que realmente é uma gestão democrática, dessa forma, do ponto de vista da escola, o envolvimento ou participação dos pais na educação dos filhos pode significar apenas comparecimento às reuniões de pais e mestres, atenção à comunicação escola casa e, sobretudo, acompanhamento dos deveres de casa e das notas. Neste sentido, cabe questionar em que circunstâncias os professores necessitam da cooperação dos pais? O que se percebe na atualidade é que se os professores têm condições de trabalho satisfatório e se os estudantes aprendem, não sentem necessidade de procurar os pais. Recorrem aos pais quando se sentem frustrados e impotentes, quando os estudantes apresentam dificuldades de aprendizagem e/ou de comportamento, com as quais não conseguem lidar. Quando há problemas em sala de aula, culpam a família (a ausência dos pais) pelas dificuldades dos estudantes porque têm sido culpados pelas autoridades escolares, pela mídia e até pelos próprios pais e mães pelas deficiências do ensino e pelo fracasso escolar. [...] o universo da escola é particularmente complexo e específico; o diálogo só pode ser verdadeiro e frutífero a partir de um esforço de aproximação onde todos tentem perceber e conhecer o outro em seu próprio contexto e a partir da sua própria história constitutiva. Ou seja, ver o outro tal qual como ele se vê, e não apenas como eu o vejo a partir da minha especificidade (FERREIRA, 2000, p. 74). Neste sentido, a gestão escolar como proposta democrática, frente à realidade do cotidiano da escola, propõe alternativas às considerações emergentes que podem ser encaminhamentos na busca de acertos aos problemas relacionados ao cotidiano escolar, pois, entende-se que são as práticas coletivas realizadas na escola que darão a possibilidade para que a comunidade possa participar e questionar sobre as decisões a fim de melhorar, tanto sua estrutura, como sua função social de educar. Abrindo os portões e muros escolares como um exercício para a efetivação da participação popular no interior da escola e desta na comunidade é que vamos superar a lógica burocrática, fragmentada e autoritária que ainda permeia o cotidiano da escola. Contudo, nesta área de referencia a participação dos pais e dos alunos pode dar-se na programação de atividades, na coordenação de eventos intra e extra-escolares e no estudo da realidade que deve estar no PPP da escola. Ainda o direito da participação dos alunos devem ser garantidos conforme prevê o estatuto da criança e do adolescente, eles devem ser ouvidos em todos os assuntos que lhes dizem respeito. O diretor da escola ou orientador devem criar condições favoráveis para envolver todos da comunidade escolar nas atividades realizadas, o orientador deve sempre auxiliar os professores nas dificuldades encontras pelos professores e alunos. Cabe ressaltar que a proposta de democratizar a escola vem a contribuir para a formação de cidadãos críticos, e atuantes em seu papel de modificar e transformar a sua realidade. 3 VIVÊNCIA DO ESTÁGIO O projeto de estágio sobre gestão foi desenvolvido na Escola Municipal de Educação Básica Dom Daniel Hostin, localizada na cidade de Lages no bairro Dom Daniel. A escola possui 105 alunos do Ensino Fundamental I. A história da escola começa entre o Rio Ponte Grande e terras consideradas inútil pelos então proprietários do Colégio Agrícola Caetano Costa e pelos herdeirosda família Paes, foi cercada uma grande área, onde hoje temos o Centro de Ciências Agroveterinárias – CAV. Nesta parte de terras, consideradas pelos proprietários, como sendo desnecessárias, situadas às margens do referido rio, antigamente funcionava uma cascalheira. Após o seu fechamento esse local serviu como lixão (pois ali depositavam o lixo produzido na cidade em determinada época), posteriormente essas terras foram sendo apropriadas desordenadamente, formando-se então, a área mais carente do bairro. Sensibilizado com as deficiências e necessidades do bairro, o então Bispo Dom Daniel Hostin, passou a dar assistência e atendimento aquela comunidade, que mais tarde o homenageariam dando seu nome à escola e ao bairro. Os trabalhos iniciados no bairro pela escola, inicialmente como escola isolada Dom Daniel Hostin conforme decreto nº 33 de 02/05/76, seguida de Escola Reunida Municipal Dom Daniel Hostin conforme decreto nº 585 de 14/05/80. foram importantes e significativos para a comunidade, já que esta era bastante numerosa e assim garantia um ensino de qualidade. Dom Daniel Hostin foi o primeiro Bispo Diocesano de Lages, nascido em Gaspar (SC) em 02/04/1890, foi ordenado sacerdote em Petrópolis (RJ) em 20/11/1917, foi ordenado Bispo em Blumenau (SC) na data 29/09/1929 e faleceu no hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages SC. Durante 44 anos, com o lema episcopal “Iter para tutum”, prepara caminho seguro. Marcou a história de Lages, pelo espaço de quase meio século. Ele viu Lages na primeira infância. Conheceu-a adulta: Foi, antes de tudo, entre as riquíssimas qualidades humanas, intelectuais e sociais, o pastor de todos. Entro na vida do povo, era conhecido em todo estado pela sua bondade, oratória e acolhimento. Dom Daniel assumiu a vida de Lages e da Diocese. Sua preocupação foi o Colégio Diocesano, Seminário, criação de novas Paróquias, vinda de Congregações Religiosas. Marcava presença em todos os atos oficiais e comemorativos na Diocese de Lages, que na época abrangia o Planalto Catarinense, meio-oeste de Joaçaba, Caçador e extremo-oeste de Chapecó, até a Argentina. A estrutura física da escola é de alvenaria e está em ótimo estado de conservação. A limpeza é feita diariamente mantendo assim a ordem e a higiene interna e externa do ambiente escolar. A escola possui 9 salas de aula, sala de professor, cozinha, secretaria, sala de direção, sala de informática, biblioteca, parque infantil, pátio descoberto, quadra de esporte, banheiros masculino e feminino e tem no total 26 funcionários. Foi observado a rotina da gestora da unidade e feita uma entrevista com perguntas sobre gestão escolar. O grande desafio da escola é contribuir para estar transformando a realidade destes estudantes, pois diante das adversidades, ela busca cumprir sua função social, numa comunidade que pouco valoriza o acesso à cultura letrada. 4 IMPRESSÕES DO ESTÁGIO (considerações finais) A discussão sobre gestão escolar se faz presente a muito tempo na educação do nosso país, é uma questão ampla, e que ganha forças ao longo dos anos no cenário educacional, as transformações que vêm ocorrendo nesse período são reflexos das mudanças que também acontecem na sociedade, na forma de organização desta e dos sistemas de ensino. Diante dessa amplitude que é discutir sobre gestão democrática, a referida pesquisa não consegue trazer todos os aspectos que permeiam e caracterizam esta forma de gestão escolar, porém, traz contribuições significativas sobre a temática, uma vez que a construção deste trabalho se deu por meio de embasamento dos teóricos da área, e por conseguinte, como se trata de uma revisão bibliográfica, esta produção pode ser ampliada as discussões, e, serve também como fonte de leitura e pesquisa para quem se interessa pela temática. O processo de democratização da gestão escolar perpassa essas discussões sobre os mecanismos e princípios da gestão, essas discussões ganham aspectos políticos e sociais também, uma vez que essa gestão democrática se faz presente nos documentos legais que embasam a educação, e têm estreita relação com a forma da sociedade se organizar. Nesta perspectiva, aparece de suma importância o papel do gestor escolar, responsável por organizar todos estes setores acima citados, um sujeito que deve exercer a liderança dentro da escola, que deve ser conhecedor destes princípios e mecanismos da gestão democrática, para que dessa forma ele possa dar subsídios para os demais profissionais da instituição. Promover essa relação de coletividade na escola, descentralizando as decisões e serviços na escola, de modo a promover o ensino de qualidade para os estudantes. REFERÊNCIAS FERREIRA, N. S. C. Formação Continuada e Gestão da Educação. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2006. KOSIK, K. Dialética do Concreto. 2 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1976 LUCK, H. Perspectiva de gestão escolar e implicações quanto à formação de seus gestores. 4. ed. Brasília: Papirus, 2000. PARO, V. H. Gestão Democrática da Escola Pública, Administração escolar: introdução crítica. São Paulo: Ática, 1997. ANEXOS QUESTIONÁRIO DA DIRETORA 1-Há quanto tempo você atua como gestora na escola? 2-Qual a sua formação? 3-Por que escolheu este trabalho? 4-Quais são as principais responsabilidades do gestor escolar em sua opinião? 5-Quais os aspectos positivos de gestor? 6-Como é a comunidade da escola? 7-Existem colaboradores que não pertencem ao corpo docente? 8-Qual foi o seu maior obstáculo na sua carreira? 9-Qual o foco principal de sua função? 10-Como uma gestão democrática pode auxiliar na aprendizagem dos estudantes?