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28/05/2020 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 1/8 Se as dissidências dos anos 60 abriram caminho para pensar a cidade para além dos limites funcionalistas, a tentativa de compreender a cidade contemporânea acabou por gerar um debate teórico rico e instigante. O período moderno foi marcado pela concepção de um tempo longo, no qual eram possíveis a conquista do espaço e o planejamento do futuro, ao contrário da contemporaneidade que apresenta como temas principais a instantaneidade e simultaneidade. Contraditório e múltiplo, o significado do tempo na sociedade contemporânea é uma composição de distintos tempos e espaços que, longe da homogeneidade pretendida pela modernidade, se interpenetram e entrelaçam. Mas essa nova percepção do tempo, fluido, subjetivo, não-linear que se manifesta na vida urbana como complexidade, deve ao mesmo tempo ser submetido às exigências do mundo globalizado, em cuja lógica estão assumidos a produção em tempo real e o horizonte dos objetivos a curto prazo. Assim, a criação plena de um novo projeto urbano contemporâneo enfrenta o paradoxo do futuro-presente e o espaço em fluxo. Compreender o mundo contemporâneo assim posto, demanda o diálogo e a diversidade como premissas. Imaginar o funcionamento da cidade-rede, multipolar e policêntrica, inserida em sistemas urbanos macro-regionais, eixos continentais e fluxos globais exige a formulação de novas perspectivas teóricas mais afeitas à complexidade e escala em foco. Sua dinâmica de desenvolve a partir de processos contraditórios que provocam o espalhamento pelo território, resultado da adição de densidades concentradas, sistemas viários dispersos, periferização, suburbanização e a presença de pólos comerciais localizados. Ao mesmo tempo em que os núcleos históricos das cidades tornam-se obsoletos e deteriorados, cresce a tensão de uma vivência urbana desprovida de referências duráveis e lugares públicos integradores. A cidade como centralidade simbólica parece uma fórmula do passado e os antigos centros vão se restringido apenas a algumas funções culturais e turísticas. É nesta direção que Rem Koolhass propõe a noção de cidade genérica, a partir da constatação da persistência de certas características da metrópole contemporânea, com destaque para a perda de identidade histórica, o turismo mundial e a homogeneização dos centros urbanos, fenômenos associados à globalização. A cidade genérica recusa as restrições de uma identidade enraizada no passado e na história: ela é multirracial e multicultural, permanentemente aberta, flexível, capaz de responder instantaneamente às necessidades que se impõem. Trata-se de uma cidade em que a renovação, a expansão, a substituição ocorrem sem obstáculos, sem dilemas morais, mesmo quando admitindo a falta de importância da história: o passado pode ser “produzido” por meio de intervenções urbanas temáticas, cenográficas, pronta para ser consumida de imediato pela voracidade turística. Na cidade genérica o espaço público tende a desaparecer como consequência da passagem de importantes setores da atividade urbana para o ciberespaço, mas persistem as estruturas de transporte e circulação: plataformas, pontes, túneis, estradas e principalmente aeroportos. A cidade genérica é a cidade sem história. Submetida a um processo interminável de auto-destruição e de renovação, sua arquitetura está voltada para os grandes edifícios e equipamentos. Trata-se portanto de uma cidade insubstancial, indiferente, que nos remete ao conceito de não-lugar proposto por Marc Augé, antropólogo francês, para designar um espaço de passagem incapaz de dar forma 28/05/2020 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 2/8 a qualquer tipo de identidade. O não-lugar se produz a partir da velocidade e do movimento, da incerteza e da ambiguidade. Os não-lugares são o oposto da noção de lugar antropológico: se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um não-lugar. O não-lugar é descaracterizado e impessoal e representa-se essencialmente por espaços curta permanência e circulação, o universo do provisório e do efêmero, do transitório e da solidão: o espaço do viajante. Seria este o destino da cidade contemporânea? Vimos que a cidade genérica definida por Koolhaas é destituída de identidade, ou por outro modo, constitui sua identidade a partir de logomarcas de corporações globais. Na cidade genérica, o corpo, a presença física é posta em segundo plano, uma vez que as atividades realizadas em seu espaço são eminentemente virtuais, não necessitando de deslocamento ou da presença material. Nessa cidade, “estar em trânsito” é o modo de ser. Diante de tal contexto, cabe indagar: qual seria a arquitetura da cidade genérica? Koolhaas aponta que o pós-moderno sempre será seu estilo característico, o que não deixa de ser uma definição coerente, uma vez que a relação entre a história, o tempo e esta cidade não é linear ou convencional. Assim, valida-se a cópia, a citação, a colagem e a sobreposição de estilos, formas e referências diversas e desconexas, características do ideário da pós modernidade. Essa arquitetura efêmera corrobora a definição de uma cidade que prescinde de uma identidade própria. O conceito de cidade genérica aponta para uma nova fase de produção arquitetônica na qual o tempo, o amadurecimento da obra e sua permanência perdem a importância, abrindo novas possibilidades menos sólidas, mais flexíveis ou mais dinâmicas de intervenção. Se Koolhaas propõe sua cidade genérica como um texto-manifesto ou como um protesto a respeito do que se produz contemporaneamente como arquitetura, é uma discussão válida e proveitosa. Mas não há dúvida que se trata de uma posição de uma super estrela da arquitetura global, afinado com seu tempo, ocupado em propor uma nova maneira de se apreciar a arquitetura fora dos cânones e rigores históricos ou teóricos, aceitando o desafio do novo como proposta e assumindo a polêmica como componente desse processo. Exercício 1: Enquanto o período moderno foi marcado pela concepção de um tempo longo, no qual o planejamento do futuro parecia possível, a contemporaneidade se apresenta como instantaneidade e simultaneidade. Longe da homogeneidade pretendida pela modernidade, o significado do tempo na sociedade contemporânea é uma composição de distintas e por vezes contraditórias temporalidades que se entrelaçam. Mas essa nova percepção do tempo, fluido, subjetivo, não-linear que se manifesta na vida urbana como complexidade, deve estar submetido às exigências do mundo globalizado no qual lógica da produção em tempo real e o horizonte dos objetivos a curto prazo impedem a criação plena de um novo projeto urbano contemporâneo. Compreender o mundo contemporâneo assim posto, demanda o diálogo e a diversidade como pressuposto. Assim, pode-se afirmar que a cidade contemporânea 28/05/2020 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 3/8 I. mostra uma predominância dos fluxos e processos de segregação sócio- espacial, pela periferização e suburbanização II. consolida o progressivo desaparecimento da vivência do espaço público III. faz permanecer a importância dos centros históricos como principal setor econômico da cidade, geradores das principais atividades comerciais das regiões metropolitanas A) Apenas a afirmação I está correta B) Apenas a afirmação II está correta C) Apenas a afirmação III está correta D) Apenas as afirmações I e II estão corretas E) Apenas as afirmações II e III estão corretas O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D) Comentários: E) D) Exercício 2: Rem Koolhass propõe o conceito de cidade genérica a partir daconstatação da persistência de certas características da metrópole contemporânea. Submetida a um processo interminável de auto- destruição e de renovação a cidade genérica tem sua arquitetura voltada para os grandes edifícios e equipamentos dentro de um contexto insubstancial, indiferente, que nos remete ao conceito de não-lugar proposto por Marc Augé, para designar um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade. O não-lugar se produz a partir da velocidade e movimento, incerteza e ambiguidade. Os não-lugares são o oposto da noção de lugar antropológico: “se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como 28/05/2020 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 4/8 relacional, nem como histórico definirá um não-lugar”. Assim pode-se afirmar que a cidade genérica I. é marcada por espaços públicos de rápida circulação onde se afirma tanto a identidade do indivíduo quanto a identidade do lugar II. constitui sua identidade a partir de logomarcas de corporações globais III. é o espaço do corpo, onde a importância da presença física é fundamental A) Apenas a afirmação I está correta B) Apenas a afirmação II está correta C) Apenas a afirmação III está correta D) Apenas as afirmações I e II estão corretas E) Apenas as afirmações II e III estão corretas O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B) Comentários: B) Exercício 3: O conceito de cidade genérica aponta para uma nova fase de produção arquitetônica onde o tempo, o amadurecimento da obra e sua permanência perdem seu significado, abrindo novas possibilidades menos sólidas, mais gratuitas, ou mais dinâmicas de intervenção. Koolhaas propõe sua cidade genérica como um texto-manifesto, um protesto a respeito do que se produz contemporaneamente como arquitetura. Mas não há dúvida que se trata de uma posição de um arquiteto global, afinado com seu tempo, ocupado em propor uma nova maneira de se apreciar a arquitetura fora dos rigores históricos e teóricos, aceitando o desafio do novo novo como positivo, ainda que polêmico. Desta forma, a arquitetura da cidade genérica 28/05/2020 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 5/8 I. representa a síntese histórica do processo de metropolização adotando como referência os paradigmas do regionalismo crítico II. recupera os valores estilísticos da arquitetura neoclássica como forma de buscar uma coerência estilística III. a partir da não linearidade do tempo e da história, a cópia e interpretação livre e descontextualizada proposta pela arquitetura pós-moderna será característica marcante A) Apenas a afirmação I está correta B) Apenas a afirmação II está correta C) Apenas a afirmação III está correta D) Apenas as afirmações I e II estão corretas E) Apenas as afirmações II e III estão corretas O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C) Comentários: C) Exercício 4: “Nascer é nascer num lugar, ser designado à residência. Nesse sentido, o lugar de nascimento é constitutivo da identidade individual [...] o que equivale a dizer que, num mesmo lugar podem coexistir elementos distintos e singulares, sem dúvida, mas sobre os quais não se proíbe pensar nem as relações, nem a identidade partilhada que lhes confere a ocupação do lugar comum.”(AUGÉ, Marc. Não- lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas: Papirus,2012, p.53) A partir desse trecho, pode-se afirmar que 28/05/2020 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 6/8 I. o “não lugar” representa o principal fundamento da identidade pessoal II. a identidade do lugar se relaciona diretamente com a formação da identidade do indivíduo III. os campos de trânsito prolongado dos refugiados em todo planeta são um exemplo claro do que vem a ser um “não lugar” A) Apenas a afirmação I está correta B) As afirmações I e II estão corretas C) Apenas a afirmação II está correta D) As afirmações II e III estão corretas E) Apenas a afirmação III está correta O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D) Comentários: C) E) A) D) Exercício 5: Ao se considerar o conceito de cidades genéricas conforme proposto por Rem Koolhaas, é válido afirmar que I. o conceito se liga diretamente à própria produção arquitetônica internacional do arquiteto, pleno de exemplos de arquitetura genérica II. trata-se de um conceito que tem por referência ao método de projeto em bases científicas, conforme proposto por Durand e o neo-clássico III. o conceito aponta para uma continuidade da proposta do movimento moderno atualizada de acordo com as novas tecnologias disponíveis A) 28/05/2020 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 7/8 Apenas a afirmação I está correta B) As afirmações I e II estão corretas C) Apenas a afirmação II está correta D) As afirmações II e III estão corretas E) Apenas a afirmação III está correta O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A) Comentários: E) D) B) A) Exercício 6: Sobre a arquitetura da cidade genérica de Rem Koolhaas, é válido afirmar I. trata-se de uma arquitetura que deve representar uma linearidade histórica coerente e legível II. é uma arquitetura efêmera e banal, reforçando o argumento de que não há uma identidade na nova cidade contemporânea III. é o pós-moderno que predomina na cidade genérica, posto que é o estilo mais democrático e legível A) Apenas a afirmação I está correta B) As afirmações I e II estão corretas C) 28/05/2020 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 8/8 Apenas a afirmação II está correta D) As afirmações II e III estão corretas E) Apenas a afirmação III está correta O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D) Comentários: D)