04_fisioterapia_hospitalar
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AN02FREV001/REV 4.0 
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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FISIOTERAPIA HOSPITALAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
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CURSO DE 
FISIOTERAPIA HOSPITALAR 
 
 
 
 
 
MÓDULO IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MÓDULO IV 
 
 
14 FISIOTERAPIA APLICADA 
 
 
14.1 FISIOTERAPIA APLICADA AO PACIENTE QUEIMADO 
 
 
Grandes queimados podem evoluir com cicatrizes hipertróficas, contraturas 
e deformidades devido à perda de elasticidade do seu órgão de revestimento, 
podendo ainda evoluir com complicações respiratórias. Nos últimos 20 anos 
observou-se um aumento na sobrevida de pacientes queimados decorrente dos 
avanços na terapia antimicrobiana, nas técnicas cirúrgicas e na qualificação da 
equipe multiprofissional. A queimadura pode levar a consequências que variam de 
uma simples lesão sem sequelas, até o óbito, mas isso depende da extensão, 
profundidade e localização do dano1. 
Métodos e técnicas fisioterapêuticas devem ser aplicadas adequadamente 
após uma avaliação físico-funcional completa objetivando minimizar os efeitos das 
lesões, capacitando o paciente a realizar suas atividades.2 
As queimaduras são \u201clesões dos tecidos orgânicos produzidos por um 
trauma de origem térmica. A injúria determinada por este trauma assume variadas 
proporções, dependendo do tempo de exposição, da extensão da área lesada e do 
agente causal.\u201d3 
 
Histopatologia: 
 
A queimadura tem sua distribuição tecidual em três zonas de acometimento: 
coagulação (central), estase (intermediária) e hiperemia (circundante). 
 
 
 
 
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Fisiopatologia: 
 
Após o acometimento da pele e tecidos adjacentes pelo agente térmico, há a 
excitação de terminações nervosas que liberam mediadores químicos como 
histamina, prostaglandina, serotonina e leucotrienos. Estes mediadores causam 
vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular, havendo extravasamento de 
plasma para o interstício. Do ponto de vista hemodinâmico, há diminuição do volume 
sanguíneo, do débito cardíaco, da pressão arterial sistêmica, aumento da frequência 
cardíaca e da resistência vascular periférica. A hipovolemia instalada leva a 
hipoperfusão periférica, esplênica e com isso ao choque circulatório. O organismo 
fica em situação de hipermetabolismo com o consumo aumentado em até seis vezes 
mais que o normal. A gliconeogênese, lipólise, hiponatremia, hipercalemia se 
instalam. A proteína C - reativa (PCR-marcador inflamatório) aparece em ascensão 
assim como, o consumo muscular que é denotado pelo aumento das enzimas 
musculares CPK. 
Classificação: 
A queimadura pode ser classificada de cinco formas: 
1-Agente causal: os principais agentes são: o térmico, químico, elétrico e 
radiações ionizantes.4 
2-Quanto à profundidade da lesão: Depende da temperatura do agente 
gerador da queimadura e da duração do contato. A profundidade das lesões é 
diretamente proporcional à quantidade de calor que atua por unidade de superfície. 
\uf0b7 Primeiro grau: queimaduras mais superficiais, caracterizadas pela 
perda da epiderme. Manifestação com eritema e dor. Resolução em 48 -72 horas. 
 
 
\uf0b7 Segundo grau: queimadura que envolve toda a epiderme e parte da 
derme. Divide-se em superficial caracterizada por bolhas, dores profundas quando 
se tem aspecto avermelhado ou camada de derme não dolorosa. Cicatrização entre 
10-14 dias. 
\uf0b7 Terceiro grau: acomete por completo a epiderme, a derme e outros 
tecidos como músculos, tendão e tecido ósseo. A elasticidade tecidual encontra-se 
reduzida. 
 
 
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FIGURA 92 - PROFUNDIDADE DAS LESÕES 
 
FONTE: Disponível em: <www.burnshield.com.br>. Acesso em: 30 de Dezembro 2012. 
 
 
3- Quanto à extensão: há vários métodos para avaliar a extensão da área 
lesada, entre elas a regra dos nove e o método de Lund e Browder: 
 
\uf0b7 Regra dos noves: divide-se o corpo adulto anatomicamente em onze 
partes, cada uma compreendendo 9% da área total. Avaliam-se as partes 
queimadas de segundo e terceiro grau. A soma das respectivas porcentagens 
representa a magnitude da lesão. 5 
\uf0b7 Método de Lund e Browder: método mais exato para avaliar a extensão 
da queimadura, reconhece o percentual da superfície corporal queimada (SCQ) de 
diversas regiões anatômicas ao dividir o corpo em áreas muito pequenas e dar uma 
estimativa da proporção da SCQ atribuída para essas partes do corpo, pode-se 
obter uma estimativa do total de SCQ. 
 
4. Quanto à gravidade: 
 
Classificação pela gravidade da lesão: 
 
 
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\uf0b7 Mínima: < 15% da espessura parcial de SCQ em adulto, < 2% da 
espessura total da superfície corporal não envolvendo os olhos, orelhas, face ou 
períneo; 
\uf0b7 Moderada: todas com 15-25% de SCQ em adultos, 2-10% da 
espessura total da superfície corporal não envolvendo os olhos, orelhas, face ou 
períneo; 
\uf0b7 Maior: todas >25% de espessura da superfície corporal ou igual a 10% 
da espessura total de SCQ no adulto. Todas as queimaduras de face, olhos, orelhas, 
pés, todas as elétricas, por inalação, com fratura ou trauma tecidual importante. 
 
5. Quanto à cicatrização: 
 
\uf0b7 Primeiro grau: aceleração do processo natural que ocorre na epiderme 
normal resulta na pele sã. 
 
\uf0b7 Segundo grau: resultado final semelhante à pele sã, com uma estrutura 
dérmica por baixo da epiderme. 
 
\uf0b7 Terceiro grau: não resta anexo cutâneo normal. A epiderme 
regenerada sobre um tecido conjuntivo cicatricial, causando sequelas estéticas e 
funcionais em graus variados. 
 
 
14.2 COMPLICAÇÕES 
 
COMPLICAÇÕES PULMONARES 
 
No final da década de 80 aceitava-se que aproximadamente 25% dos 
grandes queimados apresentavam complicações pulmonares e que a patologia 
pulmonar era responsável por 20 a 80% da mortalidade nestes casos. A incidência 
da lesão pulmonar bem como a mortalidade, nestes pacientes é diretamente 
proporcional à idade e a porcentagem da área total queimada. 6,7 
 
 
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Há três complicações primárias de origem pulmonar: doença restritiva, lesão 
por inalação, e complicações posteriores. Pacientes com mais de 40% da área da 
superfície corporal queimada terá como decorrência doença restritiva em algum 
grau. Os variados graus de acometimento restritivo causam complicações 
pulmonares como: pneumonia, atelectasia, edema pulmonar entre outras. 
Pacientes com queimadura da parede torácica evoluem com redução do 
movimento torácico e consequentemente, diminuição à capacidade vital e aumento 
da resistência pulmonar. 
As consequentes complicações podem ser imediatas, precoces, tardias e 
residuais.7 
 
Complicações Imediatas (0 a 1 dia após exposição): 
 
\uf0b7 Lesão de via aérea superior: edema; 
\uf0b7 Inflamação e obstrução aguda; 
\uf0b7 Toxinas no trato respiratório inferior podem provocar broncoespasmo 
por irritação direta ou inflamação da via aérea; 
\uf0b7 Deslocamento da mucosa brônquica ou traqueal resultando em 
obstrução da via aérea; 
\uf0b7 Hipoxemia: por alteração na relação ventilação\perfusão decorrente do 
edema da via aérea e do broncoespasmo por redução na tensão inspirada de 
oxigênio; 
\uf0b7 Por níveis elevados de monóxido de carbono que deslocam a curva de 
dissociação da oxi-hemoglobina para a esquerda, tornando mais difícil a extração de 
oxigênio pelos tecidos; 
\uf0b7 Edema pulmonar: pode-se desenvolver entre 6 a 72 horas