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Dietoterapia Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Amanda José Pereira do Nascimento Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin Terapia Nutricional no Suporte Nutricional • Introdução; • Terapia Nutricional Enteral; • Terapia de Nutrição Parenteral. • Reconhecer os diversos tipos de dietas especiais e suas características, relacionando-as aos tratamentos dietoterápicos, independente da via de administração. OBJETIVO DE APRENDIZADO Terapia Nutricional no Suporte Nutricional Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional Introdução Estima-se que 36 a 78% dos pacientes internados apresentem desnutrição ( YABUTA; CARDOSO; ISOSAKI, 2006). Um estudo avaliou 300 pacientes internados em um Hospital Geral de São Paulo e 60,7% da amostra encontrava-se em estado de desnutrição (AQUINO; PHILIPPI, 2011). Figura 1 – Alimentação enteral Fonte: Getty Images Muitas vezes, há falha no acompanhamento nutricional de pacientes internados, resultando na realidade descrita acima. Dessa forma, a Unidade 2 possibilitará que você, aluno(a), entenda que a nu- trição adequada pode ser realizada por meio de outras vias de administração, que diferem exclusivamente da via oral, mas que, dependendo das necessidades do paciente, deverão ser usadas. Terapia Nutricional Enteral Definições As principais definições, segundo a RDC nº 63, de 6 de julho de 2000, são: • Unidade Hospitalar (UH): estabelecimento de Saúde destinado a prestar as- sistência à população na promoção da saúde e na recuperação e reabilitação de doentes; 8 9 • Unidade de Nutrição e Dietética (U ND): unidade que seleciona, adquire, armazena e distribui insumos, produtos e Nutrição Enteral industrializada ou não, produz bens e presta serviços, possuindo instalações e equipamentos es- pecíficos para a preparação da Nutrição Enteral, atendendo às exigências das Boas Práticas de Preparação Nutrição Enteral; • Empresas Prestadoras de Bens e ou Serviços (E PBS): organização capaci- tada, de acordo com a Legislação vigente, para oferecer bens e ou serviços em Terapia Nutricional; • Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (E MTN): grupo formal e obrigatoriamente constituído de pelo menos um profissional de cada categoria, a saber: Médico, Nutricionista, Enfermeiro e Farmacêutico, podendo ainda in- cluir profissional de outras categorias, habilitados e com treinamento específico para a prática da Terapia Nutricional – TN; • N utrição Enteral (NE): alimento para fins especiais, com ingestão controlada de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida ou es- timada, especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializado ou não, utilizada exclusiva ou parcialmente para substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domici- liar, visando à síntese ou à manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas; • Terapia Nutricional (TN): conjunto de procedimentos terapêuticos para ma- nutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente por meio da Nutri- ção Parenteral ou Enteral; • Terapia de Nutrição Enteral (TNE): conjunto de procedimentos terapêuticos para manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente por meio de NE; • Prescrição Dietética da NE: determinação de nutrientes ou da composição de nutrientes da NE mais adequada às necessidades específicas do paciente, de acordo com a prescrição médica; • Prescrição Médica da Terapia de Nutrição Enteral – TNE: determinação das diretrizes, prescrição e condutas necessárias para a prática da TNE, base- adas no estado clínico nutricional do paciente. Legislação As fórmulas enterais são produtos com grande complexidade nutricional e alta suscetibilidade a riscos necessitam de regulamentos específicos, que norteiam in- formações para assegurar a qualidade e a segurança de alimentos nessa classe de produtos (F OOD SAFETY BRAZIL, 2017). As principais Legislações são: • RDC n. 21, de 13 de maio de 2015: dispõe sobre o Regulamento Técnico de Fórmulas para Nutrição Enteral; 9 UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional • RDC n. 22, de 13 de maio de 2015: dispõe sobre o Regulamento Técnico de Compostos de Nutrientes e de outras substâncias para Fórmulas para Nutrição Enteral e dá outras providências; • RDC n. 63, de 6 de julho de 2000: fixa os requisitos mínimos exigidos para a Terapia de Nutrição Enteral; • RDC n. 160, de 6 de junho de 2017: dispõe sobre os aditivos alimentares e os coadjuvantes de tecnologia autorizados para uso em Fórmulas para Nutrição Enteral e dá outras providências. Os nossos estudos serão baseados na RDC n. 63, de 6 de julho de 2000. Acesse a Resolução em: http://bit.ly/2Ob21cJEx pl or Principais atribuições do Nutricionista na TNE As atribuições do Nutricionista na TNE, conforme a RDC nº 63, de 6 de julho de 2000, são: • Realizar a avaliação do estado nutricional do paciente, utilizando indicadores nutricionais subjetivos e objetivos, com base em protocolo pré-estabelecido, de forma a identificar o risco ou a deficiência nutricional; • Elaborar a Prescrição Dietética com base nas diretrizes estabelecidas na Pres- crição Médica; • Formular a NE estabelecendo a sua composição qualitativa e quantitativa, seu fracionamento segundo horários e formas de apresentação; • Acompanhar a evolução nutricional do paciente em TNE, independente da via de administração, até a alta nutricional estabelecida pela EMTN; • Adequar a prescrição dietética, em consenso com o médico, com base na evo- lução nutricional e a tolerância digestiva apresentada pelo paciente; • Garantir o registro claro e preciso de todas as informações relacionadas à evo- lução nutricional do paciente; • Orientar o paciente, a família ou o responsável legal quanto à preparação e à utilização da NE prescrita para o período após a alta hospitalar; • Utilizar técnicas pré-estabelecidas de preparação da NE que assegurem a ma- nutenção das características organolépticas e a garantia microbiológica e bro- matológica dentro de padrões recomendadosna BPPNE; • Selecionar, adquirir, armazenar e distribuir, criteriosamente, os insumos neces- sários ao preparo da NE, bem como a NE industrializada; • Qualificar fornecedores e assegurar que a entrega dos insumos e NE industria- lizada seja acompanhada do Certificado de Análise emitido pelo fabricante; 10 11 • Assegurar que os rótulos da NE se apresentem de maneira clara e precisa; • Assegurar a correta amostragem da NE preparada para análise microbiológica; • Atender aos requisitos técnicos na manipulação da NE; • Participar de estudos para o desenvolvimento de novas formulações de NE; • Organizar e operacionalizar as áreas e atividades de preparação; • Participar, promover e registrar as atividades de treinamento operacional e de educação continuada, garantindo a atualização de seus colaboradores, bem como para todos os profissionais envolvidos na preparação da NE; • Fazer o registro, que pode ser informatizado (data e hora da manipulação da NE, nome completo e registro do paciente etc.); • Desenvolver e atualizar regularmente as diretrizes e os procedimentos relativos aos aspectos operacionais da preparação da NE; • Supervisionar e promover autoinspeção nas rotinas operacionais da prepara- ção da NE. N utrição Enteral A Alimentação Enteral é um método de prover nutrientes no Trato Gastrintesti- nal (TGI) através de um tubo (VASCONCELOS, 2014); O principal objetivo da Nutrição Enteral é manter e/ou recuperar o estado nutricional do paciente, tendo como destaque a preservação da integridade da mucosa intestinal, a manutenção da homeostase, da competência imunológica, a preservação da função de barreira intestinal, menor translocação bacteriana, forta- lecimento dos sistemas celulares antioxidantes, redução da incidência de hiperglice- mia, em comparação à Nutrição Parenteral e disponibilidade de certos nutrientes que não estão presentes nas fórmulas de Nutrição Parenteral (como, por exemplo, as fibras) (V ASCONCELOS, 2014; MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016). Principais indicações e contraindicações da Nutrição Enteral Pacientes que têm o Sistema Digestório funcionante, porém não querem ou não conseguem ter ingestão por via oral que forneça 2/3 a 3/4 das necessidades nutricionais diárias. Quando o Sistema Digestório estiver total ou parcialmente em funcionamento (PITAR, 2010; HOWELL, 2018). A seguir, a s principais indicações: • Inflamação, cirurgia gastrointestinal, pancreatite, doenças inflamatórias do in- testino, fase adaptativa da Síndrome do Intestino Curto; • Acidentes cerebrovasculares, depressão grave, anorexia nervosa, inconsciência; • Preparo intestinal pré-operatório e fístulas digestivas; 11 UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional • Traumatismo ou queimaduras graves, quimioterapia, radioterapia, neoplasias, desnutrido, sem previsão de conseguir se alimentar por mais de 5 a 7 dias; • Pacientes de UTI com Síndrome de Angústia Respiratória Aguda/Lesão Pul- monar Aguda, com previsão de permanecer em ventilação mecânica por 72 horas ou mais. São contraindicações da NE: • Cuidados paliativos; • Vômitos persistentes; • Sangramento intestinal; • Síndrome do Intestino Curto Grave; • Obstrução intestinal mecânica não cirúrgica; • Isquemia gastrintestinal; • Íleo paralítico; • Fístula digestiva de alto débito (+ 500ml/dia); • Instabilidade hemodinâmica importante; • Impossibilidade de estabelecer um acesso enteral. Vias de administração Depois de determinar que o paciente pode ser beneficiado com suporte nutricional, o próximo passo é escolher a via de NE (HOWELL, 2018; VASCONCELOS, 2014). As vias de acesso por sonda de curta duração podem estar dispostas pela boca (orogástrica), no estômago (nasogástrica), duodeno (nasoduodenal) ou jejuno (nasojejunal) (Figuras 2 e 3). Sondas são tubos flexíveis (silicone, poliuretano) com calibre diferenciado. A técnica utilizada para passar a sonda pode ser às cegas ou por endoscopia (VASCONCELOS, 2014).Ex pl or Se o suporte nutricional for maior que 4 a 6 semanas, um acesso de longa dura- ção deve ser considerado, ou seja, via de acesso por ostomia de longa duração, gastrostomia ou jejunostomia (Figuras 4 e 5). Indica-se classicamente a realização de uma ostomia para alimentação enteral quando há previsão de utilização dessa via por mais de 6 semanas (UNICAMP, 2003).Ex pl or 12 13 Figura 2 – Sonda nasoenteral em posição gástrica Fonte: Adaptado de A.C. Camargo Câncer Center Figura 3 – Sonda nasoenteral em posição intestinal Fonte: Adaptado de A.C. Camargo Câncer Center Figura 4 – Sonda de gastrostomia Fonte: Adaptado de hc.unicamp.br 13 UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional Figura 5 – Sonda de jejunostomia Fonte: Adaptado de hc.unicamp.br Métodos de Administração da Nutrição Enteral Depois de estabelecer uma via de acesso para a NE, pode-se determinar o volu- me e o método de administração. Existem métodos controlados por gravidade (sistema enteral aberto: a pessoa que administra o alimento precisa abrir o frasco ou a bolsa e despejar o alimento em seu interior) e bombas infusoras (sistema enteral fechado: o frasco ou a bolsa são preen- chidos pelo fabricante com uma fórmula líquida estéril pronta para uso) (RAYMOND; IRETON-JONES, 2012; VASCONCELOS, 2014; SOUZA, 2015; HOWELL, 2018). • Administração em Bolo (Sistema Aberto): » Precisa ser envasada após aberta ou reconstituída; » Injeção com seringa (dispensa-se o uso de equipo); » Horários fracionados (5 a 6 vezes); » Localização da sonda no estômago; » Paciente normalmente em domicílio; • Administração Intermitente (Sistema Aberto): » Precisa ser envasada após aberta ou reconstituída; » Utiliza-se frasco (necessário o uso de equipo); » Gotejamento por gravidade; » Horários fracionados (5 a 6 vezes); » Localização da sonda no estômago; » Paciente em domicílio ou em internação hospitalar; 14 15 • Administração Contínua (Sistema Fechado): » Não precisa ser envasada, pois o frasco proporciona conexão direta ao equipo; » Gotejamento lento contínuo por bomba de infusão (ml/h); » Localização da sonda no estômago, no jejuno e no duodeno; » Empregada quando houver dificuldades de esvaziamento gástrico, distensão e risco de aspiração. Volume e velocidade de infusão O volume e a velocidade de infusão são extremamente relevantes, sendo que um dos fatores que os determinarão é a localização da sonda. Quando a extremidade distal está localizada no estômago, a dose, a velocidade e a tonicidade passam a ser secundárias, graças aos mecanismos fisiológicos de adaptação do estômago. A administração pode ser em bolo, intermitente e contí- nua (SOUZA, 2015; VASCONCELOS, 2014). • Administração em Bolo: » 100 a 350ml de dieta no estômago, seguida de irrigação da sonda com 20 a 30ml de água; • Administração Intermitente: » Podendo iniciar com 100ml e evoluir a cada 24 ou 48 horas; » Volume de 50 a 500ml de dieta administrada por gotejamento, seg uida de irrigação da sonda com 20 a 30ml de água; • Administração Contínua: » Podendo iniciar com 25 a 30ml/hora/dia, devendo ser aumentada gradativa- mente até o volume máximo de 100 a 150ml/hora/dia; » 25 a 150ml/hora , por 24 horas, administrada no estômago, jejuno e duode- no, seguida de irrigação da sonda com 20 a 30ml de água. Fatores a serem considerados na seleção da fórmula enteral São vários os fatores que interferem na seleção da fórmula enteral (ESCOTT- -STUMP, 2011; MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016): • Densidade de nutrientes e calorias (cal/ml, g/ml); • Tipo de macronutrientes da dieta (capacidade do paciente de digerir e absor- ver nutrientes); • Compatibilidade da composição de uma fórmula com o quadro clínico do pa- ciente, a função GI e os requisitos nutricionais; • Custo/benefício da dieta. 15 UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional Tipos de Fórmulas Enterais Uma infinidade de Fórmulas Enterais está comercialmente disponível para a realização da prescrição. Embora não exista terminologia padrão,os tipos de fórmulas podem ser clas- sificados em (WAITZBERG, 2004; GAMES; MARQUES, 2012; MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016): • Preparações não industrializadas para Nutrição Enteral: Preparados à base de alimentos in natura e produtos alimentícios: » Vantagens: “aspectos econômicos aparentes”; » Desvantagens: composição estimada, requerem a suplementação de vitami- nas e minerais, controle de qualidade rigoroso, sonda de grande calibre, não indicada para pacientes imunodeprimidos; • Preparações industrializadas para Nutrição Enteral: Preparados industrial- mente, apresentam-se sob três formas: » Dietas industrializadas em pó para constituição em água ou outro veículo; » Dietas industrializadas líquidas e semiprontas para uso: necessário abrir a embalagem e colocar no frasco; » Dietas industrializadas prontas para uso: diretamente acopladas no equipo; • Quanto à complexidade dos Nutrientes: » Dietas Enterais Poliméricas: nutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos na forma íntegra), requerem maior digestão. Esses produtos contêm perfis de nutrientes que imitam uma dieta saudável, de modo que o consumo diário de 1,5 a 2 mil kcal forneça a ingestão dietética de referência relativa à maioria dos nutrientes; » Dietas Enterais Oligoméricas: componentes parcialmente hidrolisados (proteínas hidrolisadas e TCM), maior osmolaridade, requer menor digestão, menor resíduo; » Dietas Enterais Elementares: componentes na forma hidrolisada, requer pouca digestão, alta osmolaridade e custo (aminoácidos, glicose e TCM); » Modulares: nutrientes isolados, em módulos de nutrientes a serem combinados; • Quanto à densidade calórica: » Muito baixa: < 0,6 kcal/ml, acentuadamente hipocalórica; » Baixa: de 0,6 a 0,8 kcal/ml, hipocalórica; » Padrão: 0,9 a 1,2 kcal/ml, normocalórica; 16 17 » Alta: 1,3 a 1,5 kcal/ml, hipercalórica; » Muito alta: > 1,5 kcal/ml, acentuadamente hipercalórica. Misturas com alta densidade calórica (1,2, 1,5 ou 2,0kcal/ml) são úteis para os pacientes que requerem restrição de líquidos (MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016).Ex pl or Complicações da Nutrição Enteral As complicações podem ser prevenidas ou controladas com o monitoramento cuidadoso do paciente. A seguir, uma lista das complicações associadas à NE (RAYMOND; IRETON- -JONES, 2012; GAMES; MARQUES, 2012); • Diarreia; • Refluxo; • Náuseas/vômitos; • Obstipação; • Esvaziamento gástrico retardado; • Interações fármacos/nutrientes; • Colocação incorreta da sonda, que causa infecção ou pneumonia aspirativa ou peritonite; • Distensão abdominal e cólicas; • Deslocamento/migração da sonda; • Obstrução da sonda. Ter apia de Nutrição Parenteral Definições Segundo a Portaria do Ministério da Saúde, nº 272/MS/SNVS, de 8 de abril de 1998, são definições utilizadas na Terapia de Nutrição Parenteral: • Farmácia: estabelecimento que atenda à Legislação Sanitária vigente (fede- ral, estadual, municipal), com instalações e equipamentos específicos para a preparação da Nutrição Parenteral, em área asséptica, atendendo, ainda, às exigências das Boas Práticas de Preparação de Nutrição Parenteral; 17 UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional • Nutrição Parenteral: solução ou emulsão, composta basicamente de carboi- dratos, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais, estéril e apirogênica, acondi- cionada em recipiente de vidro ou plástico, destinada à administração intravenosa em pacientes desnutridos ou não, em regime hospitalar, ambulatorial ou domici- liar, visando à síntese ou à manutenção dos tecidos, dos órgãos ou dos sistemas. Apirogênica: substância ou condição que não causa febre. Ex pl or • Produtos farmacêuticos: Soluções Parenterais de Grande Volume (SPGV) e Soluções Parenterais de Pequeno Volume (SPPV), empregadas como compo- nentes para a manipulação da NP; • Terapia de Nutrição Parenteral (TNP): conjunto de procedimentos terapêu- ticos para manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente por meio de NP. Nutrição Parenteral É a alimentação por via intravenosa que consiste na infusão de uma mistura de nutrientes administrados diretamente na corrente sanguínea através de um cateter inserido em uma veia (ESCOTT-STUMP, 2011; GAMES; MARQUES, 2012). Principais indicações e contraindicações da Nutrição Parenteral Em geral, a NP é indicada se o trato gastrintestinal não funciona, está obstruído ou é inacessível (GAMES; MARQUES, 2012; MONTE; SHIMA, 2014; HOWELL, 2018). A seguir, as principais indicações: • Vômitos intratáveis na quimioterapia, pancreatite aguda, hiperemese gravídica; • Diarreia grave, doença inflamatória intestinal, síndrome de má absorção; • Mucosite e esofagite na quimioterapia; • Íleo, quando não se pode usar uma jejunostomia por pelo menos 7 dias, trau- ma grave, cirurgia abdominal; • Obstrução por neoplasias, aderências etc.; • Repouso intestinal nas fístulas; • Pré-operatório, somente em caso de desnutrição grave, na qual a cirurgia não possa ser adiada; • Pancreatite; • Hemorragia. São contraindicações: • Sistema digestório funcionante; • Cuidados paliativos; 18 19 • Edema agudo de pulmão; • Instabilidade hemodinâmica; • Distúrbios metabólicos e eletrolíticos: pacientes em estado catabólico, sem pre- visão de poder usar o Sistema Digestório dentro de 5 a 7 dias; • Paciente eutrófico, com previsão de voltar à dieta oral dentro de 7 a 10 dias. Vias de administração A NP pode ser administrada por veia periférica (Nutrição Parenteral Periférica – NPP) ou veia central (Nutrição Parenteral Central – NPC) (RAYMOND; IRETON- -JONES, 2012; MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016). Acesso venoso periférico O acesso periférico consiste na colocação da ponta de um cateter em uma veia pequena, normalmente, da mão ou do antebraço. Utiliza-se o acesso periférico na Nutrição Parenteral Periférica (NPP). Acesso Venoso Periférico veia calibrosa no braço e antebraço. Nutrição Parenteral Periférica (NPP): http://bit.ly/2u0kvFIEx pl or Ace sso venoso central O acesso central refere-se à colocação da ponta de um cateter em uma veia grande com fluxo sanguíneo elevado, como a veia cava superior. Utiliza-se o acesso central na Nutrição Parenteral Central (NPC). Figura 6 – Acesso Venoso Central, subclávia ou jugular. Nutrição Parenteral Total (NPT) Fonte: TAYLOR, LILLIS, LEMONE, 2005 19 UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional Indicações dos tipos Nutrição Parenteral As indicações dos tipos da Nutrição Parenteral Periférica e Total são (UNICAMP, 2003): • Nutrição Parenteral Periférica (NPP) » Ser mantida por pelo menos 7 dias; » Risco de desnutrição em quem necessite de jejum por dias consecutivos; » Não suportam todo o aporte calórico-proteico calculado pela via oral ou enteral; • Nutrição Parenteral Total/Central (NPT/NPC) » Ser mantida por mais de 7 dias; » Impossibilidade do uso das vias oral/enteral; » Estados hipermetabólicos; » Desnutrição com perda de massa corporal > 20%. Classificações de Soluções Parenterais Tabela 1 Quanto à composição AA e CH AA, CH e lipídeos Quanto à via de oferta Periférica (osmolaridade < 900mOsm/l) Central (osmolaridade > 900mOsm/l) Quanto à capacidade em suprir as necessidades do paciente Incompleta (não oferece todos os nutrientes ou a quantidade adequada deles para manutenção da vida em longo prazo Completa (oferece todos os nutrientes em quantidade suficiente para a manutenção da vida em longo prazo) Fonte: NUNES; KOTERBA; GARITA, 2010 Complicações A lista a seguir mostra os parâmetros que devem ser monitorados rotineiramente (RAYMOND; IRETON-JONES, 2012; MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016); • Complicações relacionadas ao cateter: embolia respiratória, fístula arterio- venosa, embolia por fragmento de cateter e cateter mal colocado, entre outros; • Complicações relacionadas à infecção e à sepse: semeadura do cateter por infecção transmitida pelo sangue ou distante, contaminação durante a inser- ção, colocação de cateter de longa permanência, contaminaçãoda solução, disfunção imune e infecção (por efeitos da hiperglicemia); • Complicações metabólicas ou nutricionais: desequilíbrio eletrolítico, defi- ciência de ácidos graxos essenciais, coma hiperosmolar, hiperglicêmico e não cetótico, hiperamoniemia, hipercalcemia, acidose metabólica hiperclorêmica, hiperlipidemia, hiperfosfatemia e hiperglicemia gerada pela provisão excessiva de dextrose com ou sem a administração inadequada de insulina, entre outros. Importante! A Síndrome de Realimentação ocorre quando os substratos energéticos, particularmente , os carboidratos, são introduzidos no plasma de pacientes em estado anabólico. Importante! 20 21 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE) Em 2016, a marca BRASPEN foi incorporada a SBNPE e significa a tradução do português para o inglês do nome da sociedade. http://bit.ly/2tRlg4b Vídeos Tratamento em Foco | 1. Dieta Enteral sem Segredo https://youtu.be/Ttv9Og40wEY Leitura Como simplificar a nutrição na unidade de terapia intensiva? http://bit.ly/2U9dRYn Nutrição enteral domiciliar http://bit.ly/2U63zIL Nutrição parenteral domiciliar https://bit.ly/3aWg9An 21 UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional Referências AQUINO, R. C.; PHILIPPI, S. T. Identificação de fatores de risco de desnutrição em pacientes internados, Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 57, n. 6, p. 637-643, 2011. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Portaria nº 272/MS/SNVS, de 8 de abril de 1998. Aprovar o Regulamento Técnico para fixar os requisitos mínimos exigidos para a Terapia de Nutrição Parenteral. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil, 23 abr. de 1998. ________. ________. Resolução – RDC nº 63, de 6 de julho de 2000. Aprova o Regulamento Técnico para fixar os requisitos mínimos exigidos para a Terapia de Nutrição Enteral. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil, 7 jul. de 2000. ESCOTT-STUMP, S. Nutrição Enteral e parenteral. In:________. Nutrição relacio- nada ao diagnóstico e tratamento. Q. E. D. Barueri: Manole, 2011. 883p. FOOD SAFETY BRAZIL. Nutrição enteral: conceitos e principais legislações aplicáveis. 2017. 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