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Dietoterapia
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Me. Amanda José Pereira do Nascimento
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Terapia Nutricional no Suporte Nutricional
• Introdução;
• Terapia Nutricional Enteral;
• Terapia de Nutrição Parenteral.
• Reconhecer os diversos tipos de dietas especiais e suas características, relacionando-as 
aos tratamentos dietoterápicos, independente da via de administração.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Terapia Nutricional 
no Suporte Nutricional
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas:
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional
Introdução
Estima-se que 36 a 78% dos pacientes internados apresentem desnutrição 
( YABUTA; CARDOSO; ISOSAKI, 2006). 
Um estudo avaliou 300 pacientes internados em um Hospital Geral de São 
Paulo e 60,7% da amostra encontrava-se em estado de desnutrição (AQUINO; 
PHILIPPI, 2011).
Figura 1 – Alimentação enteral
Fonte: Getty Images
Muitas vezes, há falha no acompanhamento nutricional de pacientes internados, 
resultando na realidade descrita acima.
Dessa forma, a Unidade 2 possibilitará que você, aluno(a), entenda que a nu-
trição adequada pode ser realizada por meio de outras vias de administração, que 
diferem exclusivamente da via oral, mas que, dependendo das necessidades do 
paciente, deverão ser usadas.
Terapia Nutricional Enteral
Definições 
As principais definições, segundo a RDC nº 63, de 6 de julho de 2000, são:
• Unidade Hospitalar (UH): estabelecimento de Saúde destinado a prestar as-
sistência à população na promoção da saúde e na recuperação e reabilitação 
de doentes;
8
9
• Unidade de Nutrição e Dietética (U ND): unidade que seleciona, adquire, 
armazena e distribui insumos, produtos e Nutrição Enteral industrializada ou 
não, produz bens e presta serviços, possuindo instalações e equipamentos es-
pecíficos para a preparação da Nutrição Enteral, atendendo às exigências das 
Boas Práticas de Preparação Nutrição Enteral;
• Empresas Prestadoras de Bens e ou Serviços (E PBS): organização capaci-
tada, de acordo com a Legislação vigente, para oferecer bens e ou serviços em 
Terapia Nutricional;
• Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (E MTN): grupo formal e 
obrigatoriamente constituído de pelo menos um profissional de cada categoria, 
a saber: Médico, Nutricionista, Enfermeiro e Farmacêutico, podendo ainda in-
cluir profissional de outras categorias, habilitados e com treinamento específico 
para a prática da Terapia Nutricional – TN;
• N utrição Enteral (NE): alimento para fins especiais, com ingestão controlada 
de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida ou es-
timada, especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via oral, 
industrializado ou não, utilizada exclusiva ou parcialmente para substituir ou 
complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou não, conforme 
suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domici-
liar, visando à síntese ou à manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas;
• Terapia Nutricional (TN): conjunto de procedimentos terapêuticos para ma-
nutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente por meio da Nutri-
ção Parenteral ou Enteral;
• Terapia de Nutrição Enteral (TNE): conjunto de procedimentos terapêuticos 
para manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente por meio 
de NE;
• Prescrição Dietética da NE: determinação de nutrientes ou da composição 
de nutrientes da NE mais adequada às necessidades específicas do paciente, de 
acordo com a prescrição médica;
• Prescrição Médica da Terapia de Nutrição Enteral – TNE: determinação 
das diretrizes, prescrição e condutas necessárias para a prática da TNE, base-
adas no estado clínico nutricional do paciente.
Legislação
As fórmulas enterais são produtos com grande complexidade nutricional e alta 
suscetibilidade a riscos necessitam de regulamentos específicos, que norteiam in-
formações para assegurar a qualidade e a segurança de alimentos nessa classe de 
produtos (F OOD SAFETY BRAZIL, 2017). 
As principais Legislações são:
• RDC n. 21, de 13 de maio de 2015: dispõe sobre o Regulamento Técnico de 
Fórmulas para Nutrição Enteral; 
9
UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional
• RDC n. 22, de 13 de maio de 2015: dispõe sobre o Regulamento Técnico de 
Compostos de Nutrientes e de outras substâncias para Fórmulas para Nutrição 
Enteral e dá outras providências; 
• RDC n. 63, de 6 de julho de 2000: fixa os requisitos mínimos exigidos para a 
Terapia de Nutrição Enteral;
• RDC n. 160, de 6 de junho de 2017: dispõe sobre os aditivos alimentares e os 
coadjuvantes de tecnologia autorizados para uso em Fórmulas para Nutrição 
Enteral e dá outras providências. 
Os nossos estudos serão baseados na RDC n. 63, de 6 de julho de 2000. Acesse a Resolução 
em: http://bit.ly/2Ob21cJEx
pl
or
Principais atribuições do Nutricionista na TNE
As atribuições do Nutricionista na TNE, conforme a RDC nº 63, de 6 de julho 
de 2000, são:
• Realizar a avaliação do estado nutricional do paciente, utilizando indicadores 
nutricionais subjetivos e objetivos, com base em protocolo pré-estabelecido, de 
forma a identificar o risco ou a deficiência nutricional;
• Elaborar a Prescrição Dietética com base nas diretrizes estabelecidas na Pres-
crição Médica;
• Formular a NE estabelecendo a sua composição qualitativa e quantitativa, seu 
fracionamento segundo horários e formas de apresentação; 
• Acompanhar a evolução nutricional do paciente em TNE, independente da via 
de administração, até a alta nutricional estabelecida pela EMTN;
• Adequar a prescrição dietética, em consenso com o médico, com base na evo-
lução nutricional e a tolerância digestiva apresentada pelo paciente; 
• Garantir o registro claro e preciso de todas as informações relacionadas à evo-
lução nutricional do paciente;
• Orientar o paciente, a família ou o responsável legal quanto à preparação e à 
utilização da NE prescrita para o período após a alta hospitalar; 
• Utilizar técnicas pré-estabelecidas de preparação da NE que assegurem a ma-
nutenção das características organolépticas e a garantia microbiológica e bro-
matológica dentro de padrões recomendadosna BPPNE;
• Selecionar, adquirir, armazenar e distribuir, criteriosamente, os insumos neces-
sários ao preparo da NE, bem como a NE industrializada;
• Qualificar fornecedores e assegurar que a entrega dos insumos e NE industria-
lizada seja acompanhada do Certificado de Análise emitido pelo fabricante;
10
11
• Assegurar que os rótulos da NE se apresentem de maneira clara e precisa;
• Assegurar a correta amostragem da NE preparada para análise microbiológica;
• Atender aos requisitos técnicos na manipulação da NE;
• Participar de estudos para o desenvolvimento de novas formulações de NE;
• Organizar e operacionalizar as áreas e atividades de preparação; 
• Participar, promover e registrar as atividades de treinamento operacional e de 
educação continuada, garantindo a atualização de seus colaboradores, bem 
como para todos os profissionais envolvidos na preparação da NE;
• Fazer o registro, que pode ser informatizado (data e hora da manipulação da 
NE, nome completo e registro do paciente etc.); 
• Desenvolver e atualizar regularmente as diretrizes e os procedimentos relativos 
aos aspectos operacionais da preparação da NE;
• Supervisionar e promover autoinspeção nas rotinas operacionais da prepara-
ção da NE.
N utrição Enteral
A Alimentação Enteral é um método de prover nutrientes no Trato Gastrintesti-
nal (TGI) através de um tubo (VASCONCELOS, 2014);
O principal objetivo da Nutrição Enteral é manter e/ou recuperar o estado 
nutricional do paciente, tendo como destaque a preservação da integridade da 
mucosa intestinal, a manutenção da homeostase, da competência imunológica, a 
preservação da função de barreira intestinal, menor translocação bacteriana, forta-
lecimento dos sistemas celulares antioxidantes, redução da incidência de hiperglice-
mia, em comparação à Nutrição Parenteral e disponibilidade de certos nutrientes 
que não estão presentes nas fórmulas de Nutrição Parenteral (como, por exemplo, 
as fibras) (V ASCONCELOS, 2014; MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016).
Principais indicações e contraindicações da Nutrição Enteral 
Pacientes que têm o Sistema Digestório funcionante, porém não querem ou 
não conseguem ter ingestão por via oral que forneça 2/3 a 3/4 das necessidades 
nutricionais diárias. Quando o Sistema Digestório estiver total ou parcialmente em 
funcionamento (PITAR, 2010; HOWELL, 2018).
A seguir, a s principais indicações:
• Inflamação, cirurgia gastrointestinal, pancreatite, doenças inflamatórias do in-
testino, fase adaptativa da Síndrome do Intestino Curto;
• Acidentes cerebrovasculares, depressão grave, anorexia nervosa, inconsciência;
• Preparo intestinal pré-operatório e fístulas digestivas;
11
UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional
• Traumatismo ou queimaduras graves, quimioterapia, radioterapia, neoplasias, 
desnutrido, sem previsão de conseguir se alimentar por mais de 5 a 7 dias;
• Pacientes de UTI com Síndrome de Angústia Respiratória Aguda/Lesão Pul-
monar Aguda, com previsão de permanecer em ventilação mecânica por 
72 horas ou mais.
São contraindicações da NE:
• Cuidados paliativos;
• Vômitos persistentes;
• Sangramento intestinal;
• Síndrome do Intestino Curto Grave;
• Obstrução intestinal mecânica não cirúrgica;
• Isquemia gastrintestinal;
• Íleo paralítico;
• Fístula digestiva de alto débito (+ 500ml/dia);
• Instabilidade hemodinâmica importante;
• Impossibilidade de estabelecer um acesso enteral.
Vias de administração 
Depois de determinar que o paciente pode ser beneficiado com suporte nutricional, 
o próximo passo é escolher a via de NE (HOWELL, 2018; VASCONCELOS, 2014).
As vias de acesso por sonda de curta duração podem estar dispostas pela 
boca (orogástrica), no estômago (nasogástrica), duodeno (nasoduodenal) ou jejuno 
(nasojejunal) (Figuras 2 e 3).
Sondas são tubos flexíveis (silicone, poliuretano) com calibre diferenciado. A técnica utilizada 
para passar a sonda pode ser às cegas ou por endoscopia (VASCONCELOS, 2014).Ex
pl
or
Se o suporte nutricional for maior que 4 a 6 semanas, um acesso de longa dura-
ção deve ser considerado, ou seja, via de acesso por ostomia de longa duração, 
gastrostomia ou jejunostomia (Figuras 4 e 5).
Indica-se classicamente a realização de uma ostomia para alimentação enteral quando há 
previsão de utilização dessa via por mais de 6 semanas (UNICAMP, 2003).Ex
pl
or
12
13
Figura 2 – Sonda nasoenteral em posição gástrica
Fonte: Adaptado de A.C. Camargo Câncer Center
Figura 3 – Sonda nasoenteral em posição intestinal
Fonte: Adaptado de A.C. Camargo Câncer Center
Figura 4 – Sonda de gastrostomia
Fonte: Adaptado de hc.unicamp.br
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UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional
Figura 5 – Sonda de jejunostomia
Fonte: Adaptado de hc.unicamp.br
Métodos de Administração da Nutrição Enteral
Depois de estabelecer uma via de acesso para a NE, pode-se determinar o volu-
me e o método de administração.
Existem métodos controlados por gravidade (sistema enteral aberto: a pessoa que 
administra o alimento precisa abrir o frasco ou a bolsa e despejar o alimento em seu 
interior) e bombas infusoras (sistema enteral fechado: o frasco ou a bolsa são preen-
chidos pelo fabricante com uma fórmula líquida estéril pronta para uso) (RAYMOND; 
IRETON-JONES, 2012; VASCONCELOS, 2014; SOUZA, 2015; HOWELL, 2018).
• Administração em Bolo (Sistema Aberto):
 » Precisa ser envasada após aberta ou reconstituída;
 » Injeção com seringa (dispensa-se o uso de equipo);
 » Horários fracionados (5 a 6 vezes);
 » Localização da sonda no estômago;
 » Paciente normalmente em domicílio;
• Administração Intermitente (Sistema Aberto):
 » Precisa ser envasada após aberta ou reconstituída;
 » Utiliza-se frasco (necessário o uso de equipo);
 » Gotejamento por gravidade;
 » Horários fracionados (5 a 6 vezes); 
 » Localização da sonda no estômago;
 » Paciente em domicílio ou em internação hospitalar;
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• Administração Contínua (Sistema Fechado):
» Não precisa ser envasada, pois o frasco proporciona conexão direta ao equipo;
» Gotejamento lento contínuo por bomba de infusão (ml/h);
» Localização da sonda no estômago, no jejuno e no duodeno;
» Empregada quando houver dificuldades de esvaziamento gástrico, distensão 
e risco de aspiração.
Volume e velocidade de infusão
O volume e a velocidade de infusão são extremamente relevantes, sendo que um 
dos fatores que os determinarão é a localização da sonda.
Quando a extremidade distal está localizada no estômago, a dose, a velocidade 
e a tonicidade passam a ser secundárias, graças aos mecanismos fisiológicos de 
adaptação do estômago. A administração pode ser em bolo, intermitente e contí-
nua (SOUZA, 2015; VASCONCELOS, 2014).
• Administração em Bolo:
» 100 a 350ml de dieta no estômago, seguida de irrigação da sonda com 20 
a 30ml de água;
• Administração Intermitente:
» Podendo iniciar com 100ml e evoluir a cada 24 ou 48 horas;
» Volume de 50 a 500ml de dieta administrada por gotejamento, seg uida de 
irrigação da sonda com 20 a 30ml de água;
• Administração Contínua:
» Podendo iniciar com 25 a 30ml/hora/dia, devendo ser aumentada gradativa-
mente até o volume máximo de 100 a 150ml/hora/dia;
» 25 a 150ml/hora , por 24 horas, administrada no estômago, jejuno e duode-
no, seguida de irrigação da sonda com 20 a 30ml de água.
Fatores a serem considerados na seleção da fórmula enteral
São vários os fatores que interferem na seleção da fórmula enteral (ESCOTT-
-STUMP, 2011; MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016):
• Densidade de nutrientes e calorias (cal/ml, g/ml);
• Tipo de macronutrientes da dieta (capacidade do paciente de digerir e absor-
ver nutrientes);
• Compatibilidade da composição de uma fórmula com o quadro clínico do pa-
ciente, a função GI e os requisitos nutricionais;
• Custo/benefício da dieta.
15
UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional
Tipos de Fórmulas Enterais
Uma infinidade de Fórmulas Enterais está comercialmente disponível para a 
realização da prescrição.
Embora não exista terminologia padrão,os tipos de fórmulas podem ser clas-
sificados em (WAITZBERG, 2004; GAMES; MARQUES, 2012; MATARESE; 
 GOTTSCHLICH, 2016):
• Preparações não industrializadas para Nutrição Enteral: Preparados à 
base de alimentos in natura e produtos alimentícios:
 » Vantagens: “aspectos econômicos aparentes”;
 » Desvantagens: composição estimada, requerem a suplementação de vitami-
nas e minerais, controle de qualidade rigoroso, sonda de grande calibre, não 
indicada para pacientes imunodeprimidos;
• Preparações industrializadas para Nutrição Enteral: Preparados industrial-
mente, apresentam-se sob três formas:
 » Dietas industrializadas em pó para constituição em água ou outro veículo;
 » Dietas industrializadas líquidas e semiprontas para uso: necessário abrir 
a embalagem e colocar no frasco;
 » Dietas industrializadas prontas para uso: diretamente acopladas no equipo;
• Quanto à complexidade dos Nutrientes:
 » Dietas Enterais Poliméricas: nutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos 
na forma íntegra), requerem maior digestão. Esses produtos contêm perfis de 
nutrientes que imitam uma dieta saudável, de modo que o consumo diário de 
1,5 a 2 mil kcal forneça a ingestão dietética de referência relativa à maioria 
dos nutrientes;
 » Dietas Enterais Oligoméricas: componentes parcialmente hidrolisados 
(proteínas hidrolisadas e TCM), maior osmolaridade, requer menor digestão, 
menor resíduo;
 » Dietas Enterais Elementares: componentes na forma hidrolisada, requer 
pouca digestão, alta osmolaridade e custo (aminoácidos, glicose e TCM);
 » Modulares: nutrientes isolados, em módulos de nutrientes a serem combinados;
• Quanto à densidade calórica:
 » Muito baixa: < 0,6 kcal/ml, acentuadamente hipocalórica;
 » Baixa: de 0,6 a 0,8 kcal/ml, hipocalórica;
 » Padrão: 0,9 a 1,2 kcal/ml, normocalórica;
16
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» Alta: 1,3 a 1,5 kcal/ml, hipercalórica;
» Muito alta: > 1,5 kcal/ml, acentuadamente hipercalórica.
Misturas com alta densidade calórica (1,2, 1,5 ou 2,0kcal/ml) são úteis para os pacientes que 
requerem restrição de líquidos (MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016).Ex
pl
or
Complicações da Nutrição Enteral
As complicações podem ser prevenidas ou controladas com o monitoramento 
cuidadoso do paciente.
A seguir, uma lista das complicações associadas à NE (RAYMOND; IRETON-
-JONES, 2012; GAMES; MARQUES, 2012);
• Diarreia;
• Refluxo;
• Náuseas/vômitos;
• Obstipação;
• Esvaziamento gástrico retardado;
• Interações fármacos/nutrientes;
• Colocação incorreta da sonda, que causa infecção ou pneumonia aspirativa 
ou peritonite; 
• Distensão abdominal e cólicas;
• Deslocamento/migração da sonda; 
• Obstrução da sonda.
Ter apia de Nutrição Parenteral
Definições
Segundo a Portaria do Ministério da Saúde, nº 272/MS/SNVS, de 8 de abril de 
1998, são definições utilizadas na Terapia de Nutrição Parenteral:
• Farmácia: estabelecimento que atenda à Legislação Sanitária vigente (fede-
ral, estadual, municipal), com instalações e equipamentos específicos para a 
preparação da Nutrição Parenteral, em área asséptica, atendendo, ainda, às 
exigências das Boas Práticas de Preparação de Nutrição Parenteral;
17
UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional
• Nutrição Parenteral: solução ou emulsão, composta basicamente de carboi-
dratos, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais, estéril e apirogênica, acondi-
cionada em recipiente de vidro ou plástico, destinada à administração intravenosa 
em pacientes desnutridos ou não, em regime hospitalar, ambulatorial ou domici-
liar, visando à síntese ou à manutenção dos tecidos, dos órgãos ou dos sistemas.
Apirogênica: substância ou condição que não causa febre.
Ex
pl
or
• Produtos farmacêuticos: Soluções Parenterais de Grande Volume (SPGV) e 
Soluções Parenterais de Pequeno Volume (SPPV), empregadas como compo-
nentes para a manipulação da NP;
• Terapia de Nutrição Parenteral (TNP): conjunto de procedimentos terapêu-
ticos para manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente por 
meio de NP.
Nutrição Parenteral
É a alimentação por via intravenosa que consiste na infusão de uma mistura de 
nutrientes administrados diretamente na corrente sanguínea através de um cateter 
inserido em uma veia (ESCOTT-STUMP, 2011; GAMES; MARQUES, 2012).
Principais indicações e contraindicações da Nutrição Parenteral 
Em geral, a NP é indicada se o trato gastrintestinal não funciona, está obstruído ou 
é inacessível (GAMES; MARQUES, 2012; MONTE; SHIMA, 2014; HOWELL, 2018).
A seguir, as principais indicações:
• Vômitos intratáveis na quimioterapia, pancreatite aguda, hiperemese gravídica;
• Diarreia grave, doença inflamatória intestinal, síndrome de má absorção;
• Mucosite e esofagite na quimioterapia;
• Íleo, quando não se pode usar uma jejunostomia por pelo menos 7 dias, trau-
ma grave, cirurgia abdominal;
• Obstrução por neoplasias, aderências etc.;
• Repouso intestinal nas fístulas;
• Pré-operatório, somente em caso de desnutrição grave, na qual a cirurgia não 
possa ser adiada;
• Pancreatite;
• Hemorragia.
São contraindicações:
• Sistema digestório funcionante;
• Cuidados paliativos;
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• Edema agudo de pulmão;
• Instabilidade hemodinâmica;
• Distúrbios metabólicos e eletrolíticos: pacientes em estado catabólico, sem pre-
visão de poder usar o Sistema Digestório dentro de 5 a 7 dias;
• Paciente eutrófico, com previsão de voltar à dieta oral dentro de 7 a 10 dias. 
Vias de administração
A NP pode ser administrada por veia periférica (Nutrição Parenteral Periférica 
– NPP) ou veia central (Nutrição Parenteral Central – NPC) (RAYMOND; IRETON-
-JONES, 2012; MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016).
Acesso venoso periférico
O acesso periférico consiste na colocação da ponta de um cateter em uma veia 
pequena, normalmente, da mão ou do antebraço. 
Utiliza-se o acesso periférico na Nutrição Parenteral Periférica (NPP).
Acesso Venoso Periférico veia calibrosa no braço e antebraço. Nutrição Parenteral Periférica 
(NPP): http://bit.ly/2u0kvFIEx
pl
or
Ace sso venoso central
O acesso central refere-se à colocação da ponta de um cateter em uma veia 
grande com fluxo sanguíneo elevado, como a veia cava superior.
Utiliza-se o acesso central na Nutrição Parenteral Central (NPC).
Figura 6 – Acesso Venoso Central, subclávia ou jugular.
Nutrição Parenteral Total (NPT)
Fonte: TAYLOR, LILLIS, LEMONE, 2005
19
UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional
Indicações dos tipos Nutrição Parenteral
As indicações dos tipos da Nutrição Parenteral Periférica e Total são (UNICAMP, 
2003):
• Nutrição Parenteral Periférica (NPP)
 » Ser mantida por pelo menos 7 dias; 
 » Risco de desnutrição em quem necessite de jejum por dias consecutivos; 
 » Não suportam todo o aporte calórico-proteico calculado pela via oral ou enteral;
• Nutrição Parenteral Total/Central (NPT/NPC)
 » Ser mantida por mais de 7 dias;
 » Impossibilidade do uso das vias oral/enteral;
 » Estados hipermetabólicos;
 » Desnutrição com perda de massa corporal > 20%.
Classificações de Soluções Parenterais
Tabela 1
Quanto à composição AA e CH AA, CH e lipídeos
Quanto à via de oferta Periférica (osmolaridade < 900mOsm/l) Central (osmolaridade > 900mOsm/l)
Quanto à capacidade em suprir 
as necessidades do paciente
Incompleta (não oferece todos os nutrientes 
ou a quantidade adequada deles para 
manutenção da vida em longo prazo
Completa (oferece todos os nutrientes 
em quantidade suficiente para a 
manutenção da vida em longo prazo)
Fonte: NUNES; KOTERBA; GARITA, 2010
Complicações
A lista a seguir mostra os parâmetros que devem ser monitorados rotineiramente 
(RAYMOND; IRETON-JONES, 2012; MATARESE; GOTTSCHLICH, 2016);
• Complicações relacionadas ao cateter: embolia respiratória, fístula arterio-
venosa, embolia por fragmento de cateter e cateter mal colocado, entre outros;
• Complicações relacionadas à infecção e à sepse: semeadura do cateter por 
infecção transmitida pelo sangue ou distante, contaminação durante a inser-
ção, colocação de cateter de longa permanência, contaminaçãoda solução, 
disfunção imune e infecção (por efeitos da hiperglicemia);
• Complicações metabólicas ou nutricionais: desequilíbrio eletrolítico, defi-
ciência de ácidos graxos essenciais, coma hiperosmolar, hiperglicêmico e não 
cetótico, hiperamoniemia, hipercalcemia, acidose metabólica hiperclorêmica, 
hiperlipidemia, hiperfosfatemia e hiperglicemia gerada pela provisão excessiva 
de dextrose com ou sem a administração inadequada de insulina, entre outros.
Importante!
A Síndrome de Realimentação ocorre quando os substratos energéticos, particularmente , 
os carboidratos, são introduzidos no plasma de pacientes em estado anabólico.
Importante!
20
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
Sites
Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE)
Em 2016, a marca BRASPEN foi incorporada a SBNPE e significa a tradução do 
português para o inglês do nome da sociedade.
http://bit.ly/2tRlg4b
 Vídeos
Tratamento em Foco | 1. Dieta Enteral sem Segredo
https://youtu.be/Ttv9Og40wEY
 Leitura
Como simplificar a nutrição na unidade de terapia intensiva?
http://bit.ly/2U9dRYn
Nutrição enteral domiciliar
http://bit.ly/2U63zIL
Nutrição parenteral domiciliar
https://bit.ly/3aWg9An
21
UNIDADE Terapia Nutricional no Suporte Nutricional
Referências
AQUINO, R. C.; PHILIPPI, S. T. Identificação de fatores de risco de desnutrição 
em pacientes internados, Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, 
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