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Lorena Costa de Andrade
Reflexão crítica do filme “Cobaias”
O filme Cobaias é dirigido por Joseph Sargent e relata sobre a epidemia da sífilis e um suposto programa de tratamento. A sífilis é uma doença que é constituída por três fazes: fase primaria, secundária e terciária. Na fase primaria logo após entrar no organismo, a bactéria atinge o sistema linfático regional e por disseminação hematogênica, atinge outras partes do corpo, já na fase secundaria a doença se manifesta afetando a pele e órgãos internos o que corresponde à distribuição da bactéria T.palilidum por todo o organismo, na fase terciária há lesões localizadas, envolvendo pele e mucosas, sistema cardiovascular e nervoso.
No sul dos Estados Unidos, em 1932, a sífilis havia se tornado uma epidemia entre as comunidades afro-americanas. Preocupados com a rapidez em que a doença se espalhava pela região, o Governo decidiu criar um programa de tratamento no único hospital negro da localidade. Infelizmente, o tratamento acaba perdendo seu apoio financeiro e é fechado. A partir daí, tem início uma das mais horríveis traições da história da humanidade. Um grupo formado por um médico negro renomado e um médico branco, jovem que tinha iniciado na profissão, uma enfermeira negra de idade média de 25 anos experiente cria um novo programa médico, que apenas finge estar realizando um estudo sobre o efeito da sífilis em homens negros com idade média, viventes em subúrbio, mal sabiam ler e escrever, viviam a margem da sociedade, para comprovar se eles são biologicamente iguais ou diferentes dos brancos. Durante anos, 600 homens foram submetidos a essa humilhação, iludidos com uma cura que nunca chegaria. Os tipos de pesquisa que foram apresentados no filme foi a quantitativa, e a qualitativa, referente a uma doença que se dizia especifica de negros, e mostrar a sua diferença de ação entre negros e brancos.
No filme em questão, não houve nenhuma ética com os seres humanos envolvidos, pois eles foram usados e subjugados pela sua raça e condição social. Mostrou o total descaso, com a situação alheia, mentindo e enganado homens de bem e trabalhadores que estavam fazendo de tudo para obter a cura da doença em questão. E graças a esse infeliz episódio, no qual não existiu nenhum tipo de normativa, regulamentadora para definir um início exato, uma data de termino, uma garantia ao paciente que aceitasse participar, informações aos mesmos dos procedimentos que seriam realizados, drogas administradas, e a partir desse episódio lamentável foi criado normas para pesquisa de doenças e medicamentos em humanos o código de Nuremberg. 
O código de Nuremberg foi criado para regulamentar e normatizar as pesquisas cientificas medicamentosas e patológicas em seres humanos, preservando a sua integridade e vontade diante. trata-se do posicionamento do paciente, um paciente com autoridade para terminar sua participação quando quiser, o mesmo pode recusar a participar se o mesmo não comprove que haverá melhoras ao paciente enquanto é submetido ao estudo, assegura ao paciente possíveis dolos. O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente essencial. Isso significa que as pessoas que serão submetidas ao experimento devem ser legalmente capazes de dar consentimento; essas pessoas devem exercer o livre direito de escolha sem qualquer intervenção de elementos de força, fraude, mentira, coação, astúcia ou outra forma de restrição posterior; devem ter conhecimento suficiente do assunto em estudo para tomarem uma decisão. Esse último aspecto exige que sejam explicados às pessoas a natureza, a duração e o propósito do experimento; os métodos segundo os quais será conduzido; as inconveniências e os riscos esperados; os efeitos sobre a saúde ou sobre a pessoa do participante, que eventualmente possam ocorrer, devido à sua participação no experimento. O dever e a responsabilidade de garantir a qualidade do consentimento repousam sobre o pesquisador que inicia ou dirige um experimento ou se compromete nele. São deveres e responsabilidades pessoais que não podem ser delegados a outrem impunemente.

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