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ASPECTOS DE DIREITO CONSTITUCIONAL - AULA02

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ASPECTOS DE 
DIREITO 
CONSTITUCIONAL
AULA 02
A CONSTITUIÇÃO DE 1946
Neste momento, o país mantinha a forma republicana e o estado laico. 
Ainda se tem a liberdade de pensamento, sem censura, e é mantida a 
inviolabilidade do sigilo à correspondência e da casa como asilo do 
indivíduo. Em 29 de janeiro de 1945, após tentar nomear seu irmão 
Benjamin Vargas para chefe da polícia do Rio de Janeiro, Getúlio foi 
deposto por um grupo de generais que faziam parte do seu ministério. 
A Era Vargas iniciou-se com um golpe e terminou com um golpe 
(HEMÉTRIO, 2017). Em 1º de fevereiro de 1946 foi instalada a 
Assembleia Constituinte, criando-se um texto baseado em ideais 
liberais e ideais sociais advindos das antigas constituições, a chamada 
redemocratização do país, afastando-se do Estado totalitário 
(HEMÉTRIO, 2017). 
A CONSTITUIÇÃO DE 1946
-> Bobbio (1992), em seu dicionário de política, define a Assembleia 
Constituinte como “um órgão colegial, representativo, extraordinário e 
temporário. Tem a função de elaborar a Constituição do Estado” 
(BOBBIO, 1992, p. 61).
Tendo como premissa o conceito trazido, pode-se afirmar que a 
Assembleia Constituinte é o órgão responsável pela elaboração da 
Constituição de um país, é um órgão temporário, colegial e 
representativo. É composta por indivíduos escolhidos para tal 
atribuição.
A CONSTITUIÇÃO DE 1946
Paulo e Alexandrino (2017, p. 29) descrevem que o rol de direitos 
fundamentais retoma o que existia na Constituição de 1934:
Com alguns importantes acréscimos, como o do princípio da 
inafastabilidade de jurisdição, e supressões relevantes, como a 
exclusão da pena de morte, do banimento e do confisco. Os direitos 
dos trabalhadores, muitos surgidos durante o Estado Novo, são 
constitucionalizados, com alguns acréscimos como o do direito de 
greve. Trata também, pela primeira vez, dos partidos políticos, 
instituindo o princípio da liberdade de criação e organização 
partidárias.
A CONSTITUIÇÃO DE 1946
Conforme Carvalho (2002, p. 128):
[...] de um lado estavam os nacionalistas, defensores do monopólio 
estatal do petróleo e de outros recursos básicos, como a energia 
elétrica, partidários do protecionismo industrial, da política 
trabalhista, da independência na política externa. Para eles, os 
inimigos eram entreguistas, pró-americanos, reacionários, golpistas. 
Do outro lado estavam os defensores da abertura do mercado ao 
capital externo, inclusive na área dos recursos naturais, os que 
condenavam a aproximação entre o governo e os sindicatos, os que 
queriam uma política externa de estreita cooperação com os Estados 
Unidos. 
A CONSTITUIÇÃO DE 1946
As principais características da Constituição promulgada em 18 de 
setembro de 1946 eram:
a) República Federativa. b) Estado laico. c) A liberdade de 
pensamentos, sem censura, a não ser em espetáculos e diversões 
públicas. d)A inviolabilidade do sigilo da correspondência. e) A 
liberdade de consciência, de crença e de exercício de cultos 
religiosos. f) A liberdade de associação para fins lícitos. g) A 
inviolabilidade da casa como asilo do indivíduo. h) A prisão só em 
flagrante/delito ou por ordem escrita de autoridade competente e a 
garantia ampla de defesa do acusado. i) Extinção da pena de morte. 
j) Três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário (HEMÉTRIO, 2017). 
A CONSTITUIÇÃO DE 1967
O momento político retira novamente alguns direitos do 
trabalhador, como o direito de greve. Temos a ampliação da Justiça 
Militar e pena de morte ainda estabelecida.
Em 31 de janeiro de 1961 assume a presidência Jânio Quadros, 
permanecendo no poder por apenas seis meses. Em 25 de agosto de 
1961, após contrariar o capitalismo, sofre forte pressão e renúncia. 
Assume o governo João Goulart, popularmente conhecido como 
Jango, um forte representante da política de Vargas, o que 
provocava um grande desconforto para os militares (HEMÉTRIO, 
2017). 
A CONSTITUIÇÃO DE 1967
João Goulart assume o país com “meios poderes”, pois passa a existir, por 
conta da oposição, um regime parlamentarista. Quem de fato mandava era o 
Primeiro Ministro. No entanto, em 1963, através de um plebiscito, a população 
vota na volta do presidencialismo, dando pleno poderes ao Jango. Com isso, 
João Goulart cria o Plano Trienal e, uma das ideias, era a reforma agrária, esta 
que não será feita através de desapropriações, mas com terras do governo 
(HEMÉTRIO, 2017). Vivia-se em meio à Guerra Fria entre Rússia e Estados 
Unidos. A reforma agrária de Jango (capitalismo e socialismo guerreavam-se 
entre si) não seria uma boa opção, mas João Goulart resolveu, mesmo assim, 
dar continuidade às reformas, sendo acusado de tentar implantar o 
comunismo. Este e vários outros fatores levaram, em 1º de abril de 1964, ao 
início da Ditadura Militar (O golpe fora dado no dia anterior) (HEMÉTRIO, 
2017). 
A CONSTITUIÇÃO DE 1967
O texto da Constituição de 1967 mostra grande preocupação com a 
"segurança nacional", ostentando tendência de centralização 
político-administrativa na União e de ampliação dos poderes do Presidente 
da República (PAULO; ALEXANDRINO, 2017).
Apresentava rol de direitos fundamentais, com redução dos direitos 
individuais, mas com maior definição dos direitos dos trabalhadores. 
Limitou o direito de propriedade, possibilitando a desapropriação para 
reforma agrária com indenização em títulos públicos. A Constituição de 
1967 (outorgada) teve curtíssima duração porque, em 1969, foi editada a 
EC 1, de 17.10.1969, com entrada em vigor em 30.10.1969 (PAULO; 
ALEXANDRINO, 2017). 
A CONSTITUIÇÃO DE 1967
Em 1964 ocorreu o golpe de Estado que afastou do poder o então 
Presidente João Goulart. Jango, como era chamado, passava a ideia de ser 
comunista. Em seu lugar, assumiu o General Humberto de Alencar Castelo 
Branco. Com uma nova política militarista e principalmente autoritária de 
Castello Branco, instituiu-se, em 1967, uma nova Constituição, que 
introduziu em seu texto Atos Institucionais que davam totais poderes ao 
presidente da república e serviriam para manter a legitimidade das 
atuações do regime militar (HEMÉTRIO, 2017). A Constituição de 1967 
seguiu a mesma linha em relação à de 1937, pois concentrou todo o poder 
nas mãos do Presidente, tirando a autonomia dos estados e municípios. 
Havia uma exacerbada preocupação com a segurança nacional, só 
comparável aos tempos da ditadura Vargas (HEMÉTRIO, 2017). 
A CONSTITUIÇÃO DE 1967
No período, existia a Constituição, mas o poder era exercido através de 
decretos, que eram utilizados pelo Poder Executivo para legislar e executar 
as suas próprias ordens. Os decretos, por vezes, eram chamados de Atos 
Institucionais.
-> Pode-se afirmar que os atos institucionais foram normas elaboradas no 
período de 1964 a 1969, durante o regime militar.
No regime militar, a edição de Atos Institucionais foi utilizada para impor 
decisões que objetivavam garantir a permanência dos militares no poder. 
Os atos eram decretos e normas que eram colocados acima da constituição 
vigente, mesmo depois de militares outorgarem sua Constituição ditatorial 
(1967).
A CONSTITUIÇÃO DE 1967
Foram editados dezessete atos institucionais até o fim do regime, dentre 
eles podem ser destacados:
AI nº 1 – Cassou todos os políticos e cidadãos da oposição;
AI nº 2 – Extinguiu os partidos existentes e criaram, na pratica, o 
bipartidarismo;
AI nº 4 – Compeliu o Congresso da nova Constituição;
AI nº 5 – Fechou o Congresso, suspendeu as garantias constitucionais e deu 
poder ao Executivo para legislar sobre todos os assuntos (HEMÉTRIO, 2017, 
p. 18).
A CONSTITUIÇÃO DE 1967
O AI nº 5 foi considerado o mais violento. Ele suspendia o direito ao habeas 
corpus, permitiu a decretação de estado de sitio e a intervenção nos 
Estados sem limites pelo Presidente da República. Na época se vivia no 
chamado “anos de chumbo”. As principais características da Constituição 
de 1967 eram: a) Concentração, no Poder Executivo, da maior parte do 
poder de decisão; b) Confere somente ao Executivo

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