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D DESP - Manual de direito desportivo



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Manual de Direito Desportivo
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1a Edição — 2015
2a Edição — 2017
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Mariana rosignoli
Advogada e sócia do Santos Rodrigues Santiago Tonello Advogados. Mestre em Direito Desportivo pela 
Universidad de Lleida (Espanha) e Pós-graduada em Relações Internacionais e Integração pela Universidad 
Alberto Hurtado (Chile). Atua na Comissão de Direito Desportivo da OAB/MG. É Auditora do Conselho de 
Julgamento dosJogos de Minas — Minas Olímpica. Associada ao Instituto Mineiro de Direito Desportivo (IMDD) 
e ao Instituto Brasileiro de Direito Desportivo (IBDD). Foi servidora da Secretaria de Estado de Esportes e da 
Juventude de Minas Gerais entre 2007 e 2011 e é autora de diversos artigos sobre Direito Desportivo.
sérgio santos rodrigues
Advogado e sócio do Santos Rodrigues Santiago Tonello Advogados. Mestre em Direito, foi professor 
na Escola Superior Dom Helder Câmara e na Universidade FUMEC, tendo ministrado aulas de Direito 
Empresarial, Direito Desportivo (Graduação e Pós-graduação), Direito do Consumidor e Teoria Geral do 
Direito. É Conselheiro Federal da Ordem dos Advogados do Brasil desde outubro de 2013. É Presidente da 
Coordenação de Defesa da Liberdade Contratual e Vice-Presidente da Comissão de Direito Administrativo 
do Conselho Federal da OAB. Foi Conselheiro Seccional Efetivo da Ordem dos Advogados do Brasil/MG. 
Foi auditor do Tribunal de Justiça Desportiva — Pleno – da Federação Mineira de Futebol entre 2006 e 2009. 
Autor do livro “Comentários ao Estatuto de Defesa do Torcedor” e de diversos artigos 
sobre Direito Desportivo.
Manual de Direito Desportivo
2a Edição
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Rosignoli, Mariana
Manual de direito desportivo / Mariana Rosignoli, Sérgio Santos 
Rodrigues. — 2. ed. — São Paulo : LTr, 2017.
 Bibliografia.
1. Esportes — Leis e legislação 2. Esportes — Leis e legislação — Brasil 
3. Jogadores de futebol 4. Justiça desportiva — Brasil I. Rodrigues, Sérgio 
Santos. II. Título.
17-07628 CDU-34:796(81)
Índice para catálogo sistemático:
1. Brasil : Direito Desportivo 34:796(81)
R
EDITORA LTDA.
© Todos os direitos reservados
Rua Jaguaribe, 571
CEP 01224-003
São Paulo, SP – Brasil
Fone: (11) 2167-1101
www.ltr.com.br
Novembro, 2017
Versão impressa: LTr 5873.6 – ISBN 978-85-361-9386-1
Versão digital: LTr 9277.2 – ISBN 978-85-361-9479-0
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Agradecimentos
Esta obra é resultado da compartilhada paixão pelo esporte e pelo Direito, 
do entusiasmo na resolução de casos e nas pesquisas, 
além de um esforço mútuo e cooperativo.
Agradecemos aos nossos familiares, amigos e colegas do 
escritório S. Santos Rodrigues Sociedade de Advogados pelo 
apoio permanente e torcida para o nosso sucesso.
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Manual de direito desportivo • 7
Sumário
Prefácio ......................................................................................................................................................................... 17
Apresentação ................................................................................................................................................................ 19
Capítulo 1 — Introdução ao Estudo do Direito Desportivo .................................................................................... 21
1. Conceito. Objeto. Missão. Importância .................................................................................................................. 21
2. Autonomia e relação com os demais ramos do direito .......................................................................................... 21
3. Fontes ....................................................................................................................................................................... 22
 3.1. Fontes do Direito Desportivo .......................................................................................................................... 23
 3.1.1. Constituição Federal de 1988 ................................................................................................................ 23
 3.1.2. Lei n. 9.615/98 (Lei Pelé) ....................................................................................................................... 24
 3.1.3. Lei n. 10.671/2003 (Estatuto de Defesa do Torcedor) .......................................................................... 24
 3.1.4. Resolução n. 1 do Conselho Nacional do Esporte (CNE) — Código Brasileiro de Justiça Desportiva 
(CBJD) .................................................................................................................................................... 24
 3.1.5. Jurisprudência ........................................................................................................................................ 25
 3.1.6. Doutrina ................................................................................................................................................. 25
 3.1.7. Princípios gerais do Direito ................................................................................................................... 25
4. Princípios do Direito Desportivo ............................................................................................................................ 26
 4.1. Princípios constitucionais ................................................................................................................................ 26
 4.1.1. Autonomia das entidades desportivas .................................................................................................. 26
 4.1.2. Destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional (e em alguns 
casos para o desporto de alto rendimento) .......................................................................................... 26
 4.1.3. Tratamento diferenciado entre desporto profissional e não profissional ........................................... 27
 4.1.4. Esgotamento de instância — Justiça Desportiva .................................................................................. 27
 4.2. Princípios Infraconstitucionais ....................................................................................................................... 27
 4.2.1. Lei n. 9.615/98 ........................................................................................................................................ 27
 a) Soberania ............................................................................................................................................ 28
 b) Autonomia ......................................................................................................................................... 28
 c) Democratização ................................................................................................................................. 28
 d) Liberdade ........................................................................................................................................... 29
 e) Direito Social ...................................................................................................................................... 29
 f) Diferenciação......................................................................................................................................29
 g) Identidade Nacional .......................................................................................................................... 29
 h) Educação ............................................................................................................................................ 29
 i) Qualidade ............................................................................................................................................ 29
 j) Descentralização ................................................................................................................................. 29
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8 • Mariana rosignoli e sérgio santos rodrigues
 k) Segurança ........................................................................................................................................... 29
 l) Eficiência ............................................................................................................................................. 29
Capítulo 2 — Justiça Desportiva e Justiça Desportiva Antidopagem ..................................................................... 30
1. Introdução................................................................................................................................................................ 30
2. Princípios que norteiam a Justiça Desportiva ........................................................................................................ 31
 2.1. Ampla defesa .................................................................................................................................................... 31
 2.2. Celeridade ......................................................................................................................................................... 31
 2.3. Contraditório ................................................................................................................................................... 31
 2.4. Economia processual........................................................................................................................................ 31
 2.5. Impessoalidade ................................................................................................................................................. 31
 2.6. Independência .................................................................................................................................................. 32
 2.7. Legalidade ......................................................................................................................................................... 32
 2.8. Moralidade ....................................................................................................................................................... 32
 2.9. Motivação ......................................................................................................................................................... 32
 2.10. Oficialidade ..................................................................................................................................................... 32
 2.11. Oralidade ......................................................................................................................................................... 32
 2.12. Proporcionalidade........................................................................................................................................... 32
 2.13. Publicidade ...................................................................................................................................................... 33
 2.14. Razoabilidade .................................................................................................................................................. 33
 2.15. Devido processo legal ..................................................................................................................................... 33
 2.16. Tipicidade desportiva ..................................................................................................................................... 33
 2.17. Prevalência, continuidade e estabilidade das competições (pro competitione) ............................................ 33
 2.18. Espírito desportivo (fair play) ........................................................................................................................ 33
3. Organização e funcionamento da Justiça Desportiva ............................................................................................ 34
 3.1. Órgãos da Justiça Desportiva ........................................................................................................................... 34
 3.1.1. Superior Tribunal de Justiça Desportiva ............................................................................................... 35
 3.1.2. Tribunal de Justiça Desportiva .............................................................................................................. 35
 3.1.3. Comissão disciplinar .............................................................................................................................. 36
 3.2. Funções na justiça desportiva .......................................................................................................................... 37
 3.2.1. Presidente e vice-presidente dos tribunais ............................................................................................ 37
 3.2.2. Auditores ................................................................................................................................................ 38
 3.2.3. Procuradores .......................................................................................................................................... 38
 3.2.4. Secretaria ................................................................................................................................................ 39
 3.2.5. Defensores .............................................................................................................................................. 39
 3.3. Competência .................................................................................................................................................... 39
 3.3.1. STJD ........................................................................................................................................................ 40
 a) Tribunal pleno.................................................................................................................................... 40
 b) Comissão disciplinar ......................................................................................................................... 40
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 3.3.2. TJD .......................................................................................................................................................... 40
 a) Tribunal pleno.................................................................................................................................... 40
 b) Comissão disciplinar ......................................................................................................................... 41
4. Processo desportivo ................................................................................................................................................. 41
 4.1. Processo desportivo ..........................................................................................................................................41
 4.2. Atos processuais ............................................................................................................................................... 41
 4.3. Prazos ................................................................................................................................................................ 42
 4.4. Citação e intimação .......................................................................................................................................... 42
 4.5. Nulidades .......................................................................................................................................................... 43
 4.6. Intervenção de terceiro .................................................................................................................................... 43
 4.7. Provas ................................................................................................................................................................ 43
5. Procedimentos ......................................................................................................................................................... 44
 5.1. Procedimento Sumário .................................................................................................................................... 44
 5.2. Procedimentos especiais .................................................................................................................................. 45
 5.2.1. Transação disciplinar desportiva ........................................................................................................... 45
 5.2.2. Inquérito ................................................................................................................................................. 45
 5.2.3. Impugnação de prova, partida ou equivalente ..................................................................................... 46
 5.2.4. Mandado de garantia ............................................................................................................................. 46
 5.2.5. Reabilitação ............................................................................................................................................ 47
 5.2.6. Suspensão, desfiliação ou desvinculação impostas pelas entidades de administração ou de prática 
desportiva ............................................................................................................................................... 47
 5.2.7. Revisão .................................................................................................................................................... 48
 5.2.8. Medidas inominadas .............................................................................................................................. 48
 5.2.9. Enunciado de Súmula ............................................................................................................................ 48
6. Sessão de instrução e julgamento ........................................................................................................................... 49
7. Recursos ................................................................................................................................................................... 51
 7.1. Recurso voluntário ........................................................................................................................................... 52
 7.2. Embargos de declaração................................................................................................................................... 52
8. Revisão das decisões da Justiça Desportiva pela justiça comum ........................................................................... 52
 8.1. Esgotamento da instância esportiva ................................................................................................................ 53
 8.2. Esgotamento do prazo ..................................................................................................................................... 56
 8.3. Revisão pelo judiciário ..................................................................................................................................... 56
9. Justiça Desportiva Antidopagem ............................................................................................................................ 57
Capítulo 3 — Direito Desportivo do Trabalho ......................................................................................................... 59
1. Introdução................................................................................................................................................................ 59
2. Relação de emprego entre atleta e clube ................................................................................................................. 59
 2. 1. Competência da Justiça do Trabalho após a EC n. 45/2004 ........................................................................... 60
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10 • Mariana rosignoli e sérgio santos rodrigues
3. Princípios do Direito Desportivo do Trabalho ...................................................................................................... 61
 3.1. Princípios gerais ............................................................................................................................................... 61
 3.1.1. Proteção .................................................................................................................................................. 61
 3.1.2. Norma mais favorável ............................................................................................................................ 61
 3.1.3. Condição mais benéfica ......................................................................................................................... 61
 3.1.4. “In dubio pro operario” ........................................................................................................................... 61
 3.1.5. Imperatividade das normas trabalhistas ............................................................................................... 61
 3.1.6. Indisponibilidade dos direitos trabalhistas ........................................................................................... 61
 3.1.7. Inalterabilidade contratual lesiva .......................................................................................................... 62
 3.1.8. Intangibilidade salarial .......................................................................................................................... 62
 3.1.9. Primazia da realidade ............................................................................................................................. 62
 3.1.10. Continuidade da relação de emprego .................................................................................................. 62
 3.2. Princípios específicos ....................................................................................................................................... 62
 3.2.1. Especificidade juslaboral desportiva ..................................................................................................... 62
 3.2.2. Tipicidade das cláusulas indenizatórias e compensatória desportivas ................................................ 62
 3.2.3. Cumulatividade dos vínculos entre atletas profissionais/entidades desportivas ................................ 62
4. Contrato especial de trabalho desportivo...............................................................................................................63
 4.1. Conceito ............................................................................................................................................................ 63
 4.2. Forma e conteúdo ............................................................................................................................................ 63
 4.3. Prazo de duração .............................................................................................................................................. 63
 4.4. Remuneração, salário e garantias do atleta ..................................................................................................... 63
 4.4.1. Remuneração.......................................................................................................................................... 63
 a) Luvas ................................................................................................................................................... 64
 b) Bichos ................................................................................................................................................. 64
 c) Direito de Arena ................................................................................................................................. 65
 d) Direito de imagem ............................................................................................................................. 65
 4.4.2. Garantias e exceções à CLT .................................................................................................................... 67
 a) Concentração e Acréscimos remuneratórios ................................................................................... 67
 b) Repouso semanal remunerado ......................................................................................................... 68
 c) Férias .................................................................................................................................................. 68
 d) Jornada de trabalho ........................................................................................................................... 68
 e) Outros temas não contemplados pelo art. 28 da Lei Pelé ................................................................ 68
 4.5. Obrigações do clube e do atleta ....................................................................................................................... 68
 a) Obrigações do clube .................................................................................................................................... 68
 b) Obrigações do atleta .................................................................................................................................... 69
 4.6. Formalidades e registro na entidade de administração do desporto ............................................................. 70
 a) Direitos federativos ...................................................................................................................................... 70
 b) Direitos econômicos .................................................................................................................................... 70
 4.7. Cláusula indenizatória desportiva e cláusula compensatória desportiva ...................................................... 71
 4.7.1. Cláusula indenizatória desportiva ......................................................................................................... 71
 4.7.2. Cláusula compensatória desportiva ...................................................................................................... 71
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 4.8. Cessão ............................................................................................................................................................... 72
 4.9. Suspensão e interrupção do contrato de trabalho .......................................................................................... 72
 a) Suspensão ..................................................................................................................................................... 72
 b) Interrupção .................................................................................................................................................. 72
 4.10. Extinção do contrato de trabalho.................................................................................................................. 73
 4.10.1. Término do prazo .............................................................................................................................. 73
 4.10.2. Distrato ............................................................................................................................................... 73
 4.10.3. Pagamento da cláusula indenizatória desportiva ou da cláusula compensatória desportiva ........ 73
 4.10.4. Rescisão Indireta por inadimplemento salarial ................................................................................ 73
 4.10.5. Rescisão Indireta por justa causa do empregador ............................................................................ 74
 4.10.6. Dispensa imotivada do atleta ............................................................................................................ 74
 4.10.7. Rescisão por justa causa ..................................................................................................................... 74
 4.10.8. Resolução ............................................................................................................................................ 74
 4.10.9. Incapacidade ou morte do atleta ....................................................................................................... 74
5. Atleta profissional x não profissional ..................................................................................................................... 75
 5.1. A discussão acerca do critério legislativo para definição de atleta profissional ............................................ 75
6. Atleta autônomo ...................................................................................................................................................... 79
7. Atleta em formação ................................................................................................................................................. 80
 7.1. Assinatura do primeiro contrato de trabalho ................................................................................................. 81
 7.2. Direito de preferência para renovação ............................................................................................................ 81
 7.3. A indenização por formação ........................................................................................................................... 82
 7.4. Requisitos para fazer jus à indenização ........................................................................................................... 83
 7.5. O valor indenizatório ....................................................................................................................................... 83
 7.6. Pagamento do valor indenizatório .................................................................................................................. 83
 7.7. O clube formador ............................................................................................................................................. 83
 7.8. Solidariedade ....................................................................................................................................................85
Capítulo 4 — Direito Desportivo Internacional ....................................................................................................... 86
1. Introdução................................................................................................................................................................ 86
2. Princípios ................................................................................................................................................................. 86
 2.1. Universalidade .................................................................................................................................................. 87
 2.2. Comunhão ........................................................................................................................................................ 87
 2.3. Não discriminação desportiva ......................................................................................................................... 87
 2.4. Autonomia desportiva internacional .............................................................................................................. 87
 2.5. Unidade ou unicidade ...................................................................................................................................... 87
 2.6. Especificidade ................................................................................................................................................... 88
 2.7. Ética desportiva ................................................................................................................................................ 88
 2.8. Solidariedade .................................................................................................................................................... 88
 2.9. Inafastabilidade da justiça desportiva dos institutos desportivos internacionais privados .......................... 88
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3. A estrutura associativa do esporte em âmbito internacional ................................................................................ 89
 3.1. Comitê Olímpico Internacional (COI) ........................................................................................................... 89
 3.1.1. Carta Olímpica (CO) ............................................................................................................................. 89
 3.1.2. O olimpismo e o movimento olímpico ................................................................................................ 90
 3.1.3. Organização do COI .............................................................................................................................. 90
 3.1.4. Comitês Olímpicos Nacionais (CONs) e Comitê Olímpico Brasileiro (COB) .................................. 91
 3.1.5. COI, comitês nacionais, federações internacionais, nacionais e regionais de administração do desporto 91
 3.2. Federações esportivas internacionais .............................................................................................................. 92
 3.2.1. Federações internacionais, entidades continentais, nacionais e regionais de administração do desporto 93
 3.3. Agência Mundial Antidoping .......................................................................................................................... 93
 3.3.1. Código Mundial Antidoping (CMAD) ................................................................................................. 93
 3.3.2. Implementação do CMAD pelo COI e federações internacionais ...................................................... 94
 3.4. Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) ou Corte Arbitral do Esporte (CAS) .................................................... 94
 3.4.1. Ad hoc ...................................................................................................................................................... 94
 3.4.2. O TAS-CASe as federações internacionais ............................................................................................ 96
4. A LEX SPORTIVA .................................................................................................................................................... 97
 4.1. Lex Olympica .................................................................................................................................................... 98
5. As normas internacionais desportivas no ordenamento jurídico brasileiro ........................................................ 99
 5.1. Conceito de soberania ...................................................................................................................................... 99
 5.2. Recepção da norma internacional pela Lei n. 9.615/98 .................................................................................. 99
6. A relação entre clubes, entidades nacionais de administração do desporto e federações internacionais ........... 101
 6.1. Autonomia da vontade ..................................................................................................................................... 102
 6.2. Cumprimento das normas ............................................................................................................................... 103
7. Os eventos desportivos e a legislação nacional ...................................................................................................... 104
 7.1. Copa do Mundo ............................................................................................................................................... 104
 7.1.1. Lei Geral da Copa ................................................................................................................................... 105
 7.2. Jogos Olímpicos de 2016 .................................................................................................................................. 106
 7.2.1. Lei do Ato Olímpico............................................................................................................................... 107
 7.3. Outras leis relevantes ....................................................................................................................................... 108
 7.4. A soberania nacional perante as exigências da FIFA e do COI ...................................................................... 108
Capítulo 5 — Direito Desportivo Empresarial ......................................................................................................... 110
1. Introdução — Esporte como negócio .................................................................................................................... 110
 1.1. Histórico ........................................................................................................................................................... 110
 1.2. Panorama atual................................................................................................................................................. 111
2. Princípios da exploração e gestão do desporto como atividade econômica ........................................................ 111
 2.1. Transparência financeira e administrativa ...................................................................................................... 112
 2.2. Moralidade na gestão desportiva ..................................................................................................................... 112
 2.3. Responsabilidade social de seus dirigentes .....................................................................................................112
 2.4. Tratamento diferenciado em relação ao desporto não profissional .............................................................. 112
 2.5. Participação na organização desportiva do País ............................................................................................. 112
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Manual de direito desportivo • 13
3. Clubes ....................................................................................................................................................................... 112
 3.1. Clubes: associações civis sem fins lucrativos................................................................................................... 112
 3.2. Adoção do modelo empresarial pelos clubes — “Clube-empresa” ............................................................... 113
 3.2.1. Lei Zico ................................................................................................................................................... 113
 3.2.2. Lei Pelé — redação original ................................................................................................................... 114
 3.2.3. Lei Pelé — após as alterações introduzidas pela Lei n. 9.981/2000 ..................................................... 114
 3.2.4. Lei Pelé — após as alterações introduzidas pela Lei n. 10.672/2003 ................................................... 115
 3.2.5. Lei Pelé — após as alterações introduzidas pela Lei n. 12.395/2011 ................................................... 115
 3.3. Sociedades empresárias .................................................................................................................................... 116
4. Responsabilização dos dirigentes esportivos .......................................................................................................... 116
 4.1. Alterações provocadas pela Lei n. 12.395/ 2011 quanto à responsabilidade ................................................. 117
 4.2. Alterações provocadas pela Lei n. 12.868/2013............................................................................................... 120
 4.3. Programa de Modernização de Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (PROFUT) — 
Lei n. 13.155/2015 ............................................................................................................................................ 121
5. Esporte no mercado de capitais .............................................................................................................................. 122
 5.1. Mercado de capitais e os clubes de futebol ..................................................................................................... 122
 5.2. Sociedades anônimas ....................................................................................................................................... 123
 5.3. Fundos de investimento ................................................................................................................................... 124
 5.3.1. Fundos de investimento no futebol ...................................................................................................... 124
 5.4. Proibição na participação de terceiros pela FIFA ........................................................................................... 127
6. Agentes desportivos ................................................................................................................................................. 129
Capítulo 6 — O Estatuto de Defesa do Torcedor ...................................................................................................... 131
1. Introdução................................................................................................................................................................ 131
2. Transparência na organização ................................................................................................................................. 132
3. Regulamento da competição ................................................................................................................................... 133
4. Segurança do torcedor partícipe do evento esportivo ........................................................................................... 135
5. Ingressos ................................................................................................................................................................... 139
6. Transporte ................................................................................................................................................................ 141
7. Alimentação e higiene ............................................................................................................................................. 141
8. Relação com a arbitragem esportiva ....................................................................................................................... 141
9. Relação com a entidade de prática desportiva ....................................................................................................... 143
10. Relação com a Justiça Desportiva ......................................................................................................................... 144
11. Penalidades ............................................................................................................................................................ 145
 11.1. Crimes ........................................................................................................................................................... 147
Referências Bibliográficas ........................................................................................................................................... 151
Sites utilizados .............................................................................................................................................................. 153
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“O esporte tem o poder de mudar o mundo, 
o poder de inspirar e de unir um povo de uma 
forma difícil de conseguir de outra maneira.”
Nelson Mandela
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Prefácio
 dentrei na seara do Direito Desportivo muito jovem, onde passei a integrar a 1a Comissão Disciplinar do Superior A Tribunal de Justiça Desportiva. 
Ao longo desta minha jornada na Justiça Desportiva, tive o privilegio de conviver e aprender com excelentes 
Advogados que militam neste tão apaixonante ramo do direito e, me recordo exatamente do dia em que, um também 
jovem advogado subiu a Tribuna para defender os interesses do Cruzeiro Esporte Clube e fez uma sustentação que me 
impressionou e marcou em vários aspectos.
Depois disso tive o prazer de conhecer o Dr. Sérgio Santos Rodrigues e acompanhar, mesmo que a distância, a 
sua multifacetada trajetória como advogado, doutrinador, auditor e grande estudioso do Direito Desportivo.
Não menos brilhante é a carreira da Dra. Mariana Rosignoli, a quem não tive a oportunidade de conhecer pes-
soalmente mas seu curriculum e o denso conteúdo desta obra me permitem fazer esta afirmação.
Os autores, com especial brilho, nos revelam nesta obra holística, moderna e avançada, na simplicidade denomi-
nada de “Manual”, os diversos aspectos das várias vertentes do Direito Desportivo.
Em seu Capítulo primeiro, os autores tratam de maneiraprecisa da autonomia garantida constitucionalmente 
ao Direito Desportivo e, sem a qual, sob a ótica da Justiça Desportiva, seria inviável a realização de competições 
desportivas em qualquer modalidade.
Nos demais capítulos este MANUAL DE DIREITO DESPORTIVO veio completar com primor e precisão a dou-
trina de Direito Desportivo, abordando os principais temas, explicando a organização e o funcionamento da Justiça 
Desportiva, o processo e seus procedimentos, o Direito Desportivo do Trabalho e Empresarial, o Direito Desportivo 
Internacional adentrando ainda na seara do Estatuto do Torcedor. 
De modo que, os Autores conseguiram de forma ampla e objetiva explorar as principais fontes do nosso Direito 
Desportivo, a Constituição Federal, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), aprovado pela Resolução n. 1/2003 
do Conselho Nacional do Esporte, a Lei Pelé (Lei n. 9.615/98) e o Estatuto de defesa do torcedor (Lei n. 10.671/2003).
E por ser tão completo, tratando de todos os temas de maneira extremamente didática, este MANUAL DE 
DIREITO DESPORTIVO se torna indispensável àqueles que atuam perante a Justiça Desportiva e aos neófitos que 
desejam conhecer esse ramo tão incrível que é o Direito Desportivo. Que esta obra possa instigar o debate, estimular 
o aprofundamento nos estudos e propiciar uma cada vez maior aproximação e compreensão da sociedade para com 
o Direito Desportivo. 
Flavio Zveiter
Auditor do Pleno do STJD do Futebol e do Voleibol
Ex-Presidente do STJD de Futebol
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Apresentação
 endo o Direito Desportivo um ramo em crescimento e que desperta cada dia mais o interesse não só dos operadores S do Direito, mas também da sociedade em geral, aumentam a necessidade e importância da elaboração de obras 
voltadas à matéria.
Diante das profundas alterações que ocorreram na legislação nacional e transnacional relativas ao desporto e à 
evolução das relações nesse meio, faz-se necessária uma análise mais específica do tema para que se dê efetividade à 
norma.
A ideia deste livro surgiu da vontade de elaborar um material amplo e didático para servir de fonte àqueles que 
pretendem iniciar na área do Direito Desportivo, um vez que atualmente existem excelentes obras no ramo — várias 
delas citadas aqui — mas nenhuma com a amplitude que buscamos trabalhar.
E, até mesmo por isso, como em todo Manual, nenhum dos temas tem aprofundamento completo uma vez que, 
indubitavelmente, cada Capítulo desta obra poderia ser objeto de um livro inteiro.
Destaca-se também, embora apresentemos vários conceitos de outros ramos do Direito, sobretudo de matérias 
introdutórias, que não se pretende esgotar estes temas, mas sim relembrar ao leitor do que se tratam e como os mesmos 
são aplicados ao Direito Desportivo.
Desta forma, reunimos material acumulado de vários artigos, aulas, palestras e atuações em casos concretos 
elaborados ao longo da experiência Desportiva para compilar neste livro, que esperamos tornar-se fonte primária de 
consulta para aqueles que pretendem conhecer o Direito Desportivo de forma geral e, quem sabe, dedicar-se mais a 
algumas de suas vertentes no futuro.
Belo Horizonte, 2 de julho de 2014.
Mariana Rosignoli
Sérgio Santos Rodrigues
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CAPÍTULO 1
Introdução ao Estudo do Direito Desportivo
1. Conceito. Objeto. Missão. Importância
 Direito Desportivo é o ramo do direito que trata exclusivamente das relações advindas do desporto em todas suas O esferas, reunindo diversas normas e princípios sobre o tema de forma a abarcar uma gama de atividades.
Muitas são as definições do Direito Desportivo, apresentadas por diferentes autores em momentos diversos. Em 
1981, por exemplo, Valed Perry o conceituou como sendo “complexo de normas e regras que regem o desporto no 
mundo inteiro e cuja inobservância pode acarretar a marginalização total de uma associação nacional do concerto 
mundial esportivo(1)”. Em 2002, Marcílio Krieger(2) assim o definiu:
É a parte ou ramo do direito positivo que regula as relações desportivas, assim entendidas aquelas formadas 
pelas regras e normas internacionais e nacionais estabelecidas para cada modalidade, bem como as disposições 
relativas ao regulamento e à disciplina das competições.
Fato é que, conforme preceituou o espanhol Eduardo Blanco, direito e esporte são inseparáveis, uma vez que não 
há esporte sem regras de jogo.(3)Além de suas regras próprias, os esportes têm, desta maneira, um Direito específico 
que os regula para a manutenção da ordem e bom desenvolvimento.
Sendo assim, o objeto do Direito Desportivo atrela-se à questão do esporte em geral, regulando o dever do Estado 
quanto ao fomento de práticas desportivas, à organização das entidades de prática e das competições, à prática em si de 
determinada modalidade, às questões disciplinares relativas a cada uma, às relações entre os envolvidos, entre outras 
matérias. Como ensina Álvaro Melo Filho:
(...) o desporto é, sobretudo, antes de tudo, uma criatura da lei, pois, sem o direito, o desporto carece de 
sentido, porquanto nenhuma atividade humana é mais regulamentada que o desporto. Com efeito, “regras 
do jogo”, “Códigos de Justiça Desportivas”, “regulamentos técnicos de competição”, “leis de transferências 
de atletas”, “estatutos e regulamentos de entes desportivos”, “regulamentação de dopping”, atestam que, sem 
regras e normatização, o desporto torna-se caótico e desordenado, à falta de regras jurídicas para dizer 
quem ganha e quem perde.(4)
Em suma, consiste o Direito Desportivo em instrumento fundamental para o desenvolvimento e manutenção 
do desporto em suas diversas manifestações e, portanto, essencial à sua constante evolução para a manutenção do 
esporte organizado.
2. Autonomia e relação com os demais ramos do direito
Nos dizeres de Paulo Nader, o ordenamento jurídico é um todo composto por diversos ramos:
Um conjunto harmônico de regras que não impõe, por si, qualquer divisão em seu campo normativo. A 
setorização em classes e ramos é obra de iniciativa da Ciência do Direito ou Dogmática Jurídica, na delibe-
ração de organizar o Direito Positivo, para fazê-lo prático ao conhecimento, às investigações científicas, à 
metodologia do ensino e ao aperfeiçoamento das instituições jurídicas.
Sublinhamos, novamente, a necessidade de se considerar todo o ramo do direito como espécie de um gênero 
comum. Antes de ser adjetivo, público, privado, penal, civil, o conjunto de normas expressa o substantivo 
(1) PERRY, Valed. Direito desportivo: temas. Rio de Janeiro: CBF, 1981. p. 81.
(2) KRIEGER, Marcílio. Alguns conceitos para o estudo do direito desportivo brasileiro. Revista Digital, n. 8, nov. 2002. Disponível em: <http://
www.efdeportes.com/efd54/direito.htm> Acesso em: 20 set. 2013.
(3) BLANCO, Eduardo; BURRIEL, Joan Carles; CAMPS, Andreu; CARRETERO, José Luis; LANDABEREA, Juan Antonio; MONTES, Vicente. Manual 
de la organización institucional del deporte. Barcelona: Paidotribo, 1999. p. 34.
(4) MELO FILHO, Álvaro. Direito desportivo: novos rumos. Belo Horizonte: Del Rey, 2004. p. 4.
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