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1 MARKETING ESTRATÉGICO PÓS-GRADUAÇÃO 2 MARKETING ESTRATÉGICO CENTRO UNIVERSITÁRIO DINÂMICA DAS CATARATAS Núcleo de Educação a Distância Marketing Estratégico ARAÚJO, Prof.ª Me. Solange Denice Linberger, Foz do Iguaçu - PR 2014. 57 p. MBA em Gerenciamento de Projetos, Gestão Estratégica de Pessoas e Gestão Empresarial - EaD CDU: 658.8 NEAD – Núcleo de Educação a Distância Av. Bartolomeu de Gusmão, 1324 - Centro – CEP: 85.852-130 Foz do Iguaçu – Paraná / ead.udc.br / 3574-6900 3 MARKETING ESTRATÉGICO APRESENTAÇÃO Prezado(a) Acadêmico(a), Bem-vindo(a) à Pós-Graduação na modalidade a distância, ofertado pelo Centro Universitário Dinâmica das Cataratas – UDC. Sabemos que o seu percurso de aprendizagem necessita ser acompanhado e orientado, para que você obtenha sucesso nos estudos e construa um conhecimento relevante à sua formação profissional e acadêmica. Preparamos este material didático, possibilitando, assim, guiá-lo no autoestudo da disciplina e na realização das atividades. Além disso, você conta com o ambiente virtual de aprendizagem como espaço de estudo e de participação ativa no curso. Nele você encontra as orientações para realizar atividades e avaliações online, além de recursos que vão enriquecer a proposta deste material didático, tais como links para sites da Internet, vídeos gravados pelo professor e outros por ele sugeridos, textos, animações, ilustrações, dentre outras mídias. Lembre-se, no entanto, de que você deve se organizar para criar sua própria autonomia de estudo. Isso inclui o planejamento do seu tempo de dedicação ao estudo individual e de participação colaborativa no ambiente virtual. Este material é o seu livro-texto e apoio importante no percurso de aprendizagem! Bom estudo! Reitoria UDC 4 MARKETING ESTRATÉGICO SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ....................................................................................................... 3 UNIDADE I – CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO MARKETING E O COMPOSTO DE MARKETING ......................................................................................................... 5 1.1 O QUE NÃO É MARKETING ................................................................................ 5 1.1.1 Conceito de Marketing ..................................................................................... 7 SÍNTESE DA UNIDADE ............................................................................................ 12 1.2 COMPOSTO DE MARKETING ........................................................................... 12 1.2.1 Produto ............................................................................................................ 13 1.2.2 Preço ............................................................................................................... 14 1.2.3 Praça................................................................................................................ 14 1.2.4 Promoção ........................................................................................................ 16 UNIDADE II – AMBIENTE DE MARKETING ............................................................ 18 2.1 AMBIENTE ORGANIZACIONAL ......................................................................... 19 2.1.1 Microambiente ................................................................................................ 19 UNIDADE III – COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR ........................................ 28 3.1 FATORES SOCIOCULTURAIS ........................................................................... 28 3.2 FATORES PESSOAIS ........................................................................................ 30 3.3 FATORES PSICOLÓGICOS ............................................................................... 32 UNIDADE IV – SEGMENTAÇÃO E POSICIONAMENTO DE MERCADO DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE MARKETING ................................. 40 4.1 SEGMENTAÇÃO DE MERCADO ....................................................................... 40 4.2 POSICIONAMENTO DE MERCADO .................................................................. 45 4.3 DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE MARKETING ............................ 49 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 57 5 MARKETING ESTRATÉGICO UNIDADE I – CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO MARKETING E O COMPOSTO DE MARKETING Nesta unidade, você vai relembrar ou receber informações sobre os conceitos básicos do marketing para que você possa ter, realmente, condições de desenvolver estratégias capazes de fazer a diferença no mercado de atuação das empresas. Falar sobre marketing ou identificá-lo pode até ser algo que qualquer indivíduo possa fazer de forma superficial, mas para ter realmente vantagem competitiva, você precisa entender “a parte submersa do iceberg”. Você vai entender o porquê! 1.1 O QUE NÃO É MARKETING Logicamente, antes de qualquer coisa, precisamos saber o que é marketing. Muitos mitos foram criados no mercado quanto ao termo marketing e, na maioria das vezes, ele é entendido e aplicado de forma equivocada. As empresas, muitas vezes em dificuldades, principalmente financeiras, resultantes de má gestão e/ou queda de demanda, decidem por utilizar o marketing como um remédio contra crises. Infelizmente, em uma empresa mal estruturada e, como única e exclusivamente ação de curto prazo, não haverá resultados satisfatórios. Ou caso venha a resultar num aumento das vendas, não terá a sustentabilidade necessária, portanto, você pode concluir que isto não é marketing. Outros gestores, por sua vez, não programam o marketing estratégico por não terem domínio do seu contexto e visualizarem como um “bicho de sete cabeças”. Obviamente que, como todo ser humano que se depara com algo desconhecido tem resistência, é próprio e, tenha certeza que, no final desta apostila, você também irá concluir que, de fato, marketing não é um “bicho de sete cabeças”. Empresas buscam soluções para os seus problemas e procuram fórmulas mágicas que, sem trabalho, preparação, execução e controle, o resultado não vem. Como todo processo gerencial 6 MARKETING ESTRATÉGICO que culmine em resultados operacionais e financeiros satisfatórios, é imprescindível passar por todas as etapas e muito, mas muito trabalho, e você, que já está inserido no mercado de trabalho, sabe que resultados positivos são conseguidos com muito empenho, portanto, não existe “fórmula mágica”. Por influência de pseudoprofissionais, o marketing também foi categorizado como uma “arte maliciosa”, onde as empresas usavam artimanhas a fim de enganar os clientes, forçando-os a comprar o produto e/ou serviço. Sabe-se que mal- intencionados existem, contudo, na administração profissional, nada tem de maliciosas as ações mercadológicas. Estudam-se, sim, as melhores formas de mostrar o seu produto ao mercado através do uso, por exemplo, do neuromarketing, contudo, esta prática apenas procura ressaltar, aos olhos do consumidor, os benefícios esperados por ele no produto, sem ludibriar. Você, como cliente, talvez tenha até passado por situações em que se deparou com empresas que utilizaram desta prática. Mas, sem sombra de dúvida, não é uma atitude profissional e resultará na queda do empreendimento em pouco espaço de tempo. Neuromarketing: campo novo do marketing que estuda a essência do comportamento do consumidor Desta forma, você pode concluir que o que aprenderá aqui nada tem de “arte maliciosa”, e sim, a prática do profissionalismo com todas as suas possibilidades. Emconsultorias organizacionais, quando você busca informações sobre o que a empresa realiza na área do marketing, erroneamente o gestor, muitas vezes, diz coisas do gênero: “fizemos uma série de propagandas na televisão, no rádio e no jornal! Ou a nossa área de vendas vai muito bem!”. Sinto em dizer que essa é apenas umas das muitas ações resultantes desta área. 7 MARKETING ESTRATÉGICO O marketing estratégico engloba muitas outras etapas, e seu resultado é muito mais satisfatório e sustentável do que uma simples campanha de marketing. Você pode afirmar que a propaganda e as vendas são apenas uma parcela do marketing. Para a execução do marketing estratégico é importante o bom senso, nada de genialidades, fórmulas mirabolantes. Você irá verificar, ao final de seus estudos, que aplicar o marketing estratégico pode, sim, trazer vantagens duradouras e retorno satisfatório dos investimentos. Não desanime! Como retrata Kerin et. al. (2007), você pode ser considerado um especialista em marketing, já que todo o dia você se depara com muitas atividades relacionadas. Podemos até lhe propor um teste, vamos lá?! Você considera o Facebook uma ferramenta importante para a troca e recebimento de informações de produtos que você vai adquirir? Quando quer adquirir um produto, você procura no Google? Ou se você quer saber sobre algum assunto, você também não faz o mesmo? E você sabia que, na maioria das vezes, os primeiros links que aparecem são de conteúdos disponibilizados por empresas que vendem produtos, mas oferecem a informação para chamar sua atenção? Quando você vai a uma loja e com seu smartphone compara os preços com outras empresas, isso é resultado do marketing? Antes de comprar algum produto você pesquisa na internet? Se você já vivenciou alguma (s) destas situações ou conhece alguém que já o fez, você está presenciando o que há de mais novo no marketing. 1.1.1 Conceito de Marketing O marketing profissional não é tarefa fácil. E agora que você já sabe o que não é marketing, precisamos, então, conceituá-lo. É fato que esta visão 8 MARKETING ESTRATÉGICO equivocada do marketing é justificada quando fizemos a analogia do iceberg, descrita na Figura 1. Como você pode observar, e o que está visível para qualquer pessoa, independente do conhecimento sobre o assunto, é quando a empresa faz propaganda, merchandising e promoções de vendas1. Contudo, esta é uma pequeníssima parte do marketing estratégico. Ou seja, é apenas a ponta do iceberg. O principal está encoberto e, se não for adequadamente tratado, pode causar inúmeros problemas na empresa, inclusive pode comprometer o resultado destas etapas visíveis ao consumidor. Figura 1 – Analogia do Iceberg Adaptado de shutterstock_139913122 Como você pode observar, existem outras ações administrativas que sustentam o que o mercado vê. 1 Vamos comentar mais sobre estas etapas na sequência de nosso conteúdo. Estratégia de Preço 9 MARKETING ESTRATÉGICO Um exemplo que você pode entender o contexto, é o caso da Avon, que amargou queda de vendas em 2011 e 2012, por problemas com a logística de distribuição. A partir daí mudou sua estratégia atendendo ao seu público principal no Brasil, que é a classe C.2 Então, vamos aos conceitos! Segundo a AMA (Associação de Marketing Americana), em seu mais recente pronunciamento sobre o conceito de marketing extraído de Urdan (2010, p. 5): Marketing é a atividade, conduzida por organizações e indivíduos, que opera por meio de um conjunto de instituições e processos para criar, comunicar, entregar e trocar ofertas de mercado que tenham valor para consumidores, clientes, agentes de marketing e a sociedade como um todo O marketing envolve o conhecimento do mercado consumidor e procurar desenvolver e executar a oferta, de acordo com os requisitos estabelecidos por este. Constantemente, busca aprimorar a oferta através de pesquisas com o consumidor, e então, promover o produto/serviço em questão. Sempre que necessário, customiza o produto. A ideia central é que haja troca, “permuta entre coisas de valor entre comprador e vendedor de forma que cada um fique melhor do que antes.” (KERIN, 2007, p. 8). Para o mesmo autor, é preciso quatro fatores para que o marketing aconteça: 1. Duas ou mais partes não satisfeitas; 2. Um desejo e a capacidade de satisfazê-lo; 3. Um método para as partes se comunicarem; e 4. Algo a ser trocado. Vamos ver na forma de um exemplo: 2 No Brasil, Avon tem até creme de litrão. Revista Exame. Disponível em: http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/no- brasil-avon-tem-ate-creme-em-litrao. Acessado em 09/03/2013. http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/no-brasil-avon-tem-ate-creme-em-litrao http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/no-brasil-avon-tem-ate-creme-em-litrao 10 MARKETING ESTRATÉGICO Fonte: shutterstock_147632555 1. Você tem a necessidade de alimentação e o proprietário da pizzaria está precisando de alguém que compre as pizzas por ele produzidas; 2. Você tem necessidade, desejo, dinheiro e tempo para comprar, e o proprietário tem o desejo de vender e capacidade para tal; os recursos necessários para a produção estão disponíveis. 3. Para que a transação aconteça, é preciso que você saiba da pizzaria e sua localização, ou ao menos, o seu telefone para pedir. E para tanto, o dono da pizzaria precisa comunicar ao mercado que seu produto existe. Então você troca seu dinheiro pela pizza. A priori, observa-se que é simples satisfazer estes fatores, contudo, como você já viu anteriormente, para que sejamos eficazes é preciso muito mais que veremos nas aulas posteriores. Para Kotler (2006), “marketing é um processo social pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam por meio da criação, da oferta e da livre troca de produtos e serviços de valor com os outros.” Você sabia que Philip Kotler é considerado o guru do marketing? Autor de dezenas de livros na área. Pesquise mais sobre. Você pode perceber de que não há segredo no marketing, mas sim, muito trabalho. E como comentamos anteriormente, o equívoco das empresas ainda é pensar que marketing é a arte de vender. Contudo, como citado por Drucker (apud 11 MARKETING ESTRATÉGICO KOTLER, 2006), o objetivo do marketing é que ele seja tão bom que o produto se venda sozinho. A única coisa necessária, então, seria tornar o produto ou serviço certo, na hora certa, no nível de qualidade esperado pelo consumidor e num preço que ele está disposto a pagar. Fonte:shutterstock_128237858 Fonte: Andrey Bayda shutterstock_136183805 Se você olha esta imagem e tem vontade de consumir, ou pegar o seu carro e passar no drive-thru, você faz parte dos 46 milhões de pessoas que consomem o produto. Isto é marketing! Desta forma, o objetivo do marketing é criar e identificar valor, conhecendo o perfil e as demandas dos diferentes mercados e públicos. Deve, portanto, desenvolver e entregar valor alinhando as pessoas aos valores criados. Para tanto, você precisa ouvir o cliente como citado por Drucker (o pai da gestão moderna), quando os clientes lhe faziam perguntas ele dizia: “Não, eu quero ouvir você, saber quais são seus problemas.” Há que se considerar que esta é uma das formas mais importantes para contemplar os objetivos do marketing. Contudo, você não deve deixar de analisar o novo contexto de mercado onde, além do cliente, você deve também prestar atenção em todas as partes envolvidas, chamados hoje de stakeholders: governos, entidades de classe, fornecedores, colaboradores, acionistas, ONG’s,comunidade, concorrentes. Quando a empresa lança um produto ou serviço no mercado, todas estas partes observam o que a empresa faz e cada um tem seus interesses relacionados. A visão destas partes interessadas está ligada à reputação de uma empresa que é um ativo intangível que tem valor extraordinário. No mercado brasileiro de 2013, a empresa de melhor reputação é a Natura. Essa reputação positiva traz valor à marca e, consequentemente, ao seu produto. Então, a empresa que preza por um bom relacionamento com estas partes, demonstra isso nas formas de comunicação. 12 MARKETING ESTRATÉGICO Consulte: http://www5.bicbanco.com.br/RAO/2011/port/ra/09.htm, e veja o que preconiza o Bic Banco em relação aos stakeholders. Então, concluímos que, não basta criar valor para o cliente, a empresa ainda responde aos diferentes elementos que compõem as partes interessadas. O marketing, hoje, tem a necessidade de ser um Marketing de valores. SÍNTESE DA UNIDADE Chegamos ao final deste conteúdo onde falamos das visões equivocadas do marketing que, muitas vezes, prejudicam o desenvolvimento dos negócios. Você também já é capaz de entender um pouco mais sobre o que é marketing, nas suas diferentes formas. É importante você gravar estes conceitos para que, quando for aplicar seus conhecimentos, tenha o resultado esperado. Leitura, para aprofundar seus conhecimentos Kotler, Philip. Marketing 3.0: As Forças que Estão Definindo o Novo Marketing Centrado no Ser Humano. Elsevier, 2010. Para conhecer o trabalho de Philip Kotler entre na homepage de sua empresa: http://www.kotlermarketing.com/. 1.2 COMPOSTO DE MARKETING Aqui você vai relembrar ou conhecer as variáveis que são controladas pelo marketing, a que chamamos de 4 P’s: Produto, Preço, Praça e Promoção. Analisar, entender e desenvolver estratégias, levando por base estas variáveis, é o que temos de primordial na organização. http://www5.bicbanco.com.br/RAO/2011/port/ra/09.htm http://www.kotlermarketing.com/ 13 MARKETING ESTRATÉGICO As empresas têm dificuldades em entender esses princípios básicos e, muitas vezes, acabam tratando os 4 P’s como se implorassem para comprar o produto e não despertassem o interesse. Vamos estudar sobre cada um deles! Na figura abaixo, conseguimos ver a presença de todos os elementos. Fonte: shutterstock_101753176 1.2.1 Produto O produto pode ser entendido como qualquer coisa que pode ser oferecida a um mercado para aquisição e consumo. Tudo o que for capaz de atender a uma necessidade. No processo de compra, é comum a comparação entre atributos, benefícios e custos. Clientes não compram especificações técnicas, eles compram o conjunto de benefícios ofertados. E, no mercado atual, onde a concorrência está muito próxima em relação às competências técnicas e inovação, é fundamental o investimento em atributos que irão gerar valor percebido, como a marca, design, imagem entre outros (URDAN, 2010). Uma jovem empreendedora norte-americana, Madison Robinson, de apenas 15 anos, já faturou o seu primeiro milhão. Ela desenvolveu uma coleção de chinelos infantis inspirados no que ela mais gosta: natação, pesca e desenho. Já fornece para gigantes do varejo americano como a 14 MARKETING ESTRATÉGICO Nordstrom. Cada par é vendido por 25 dólares.”3 Isso é desenvolver um produto, aparentemente simples e barato, mas que a ele foram agregados atributos que geraram valor, como o desenho diferenciado, por exemplo. 1.2.2 Preço Os preços comunicam as condições que um indivíduo ou organização empenham-se para a troca. É o valor monetário atribuído a um produto para efeitos de comercialização. As empresas analisam o custo inerente à produção, comercialização, distribuição e divulgação do produto, definem a margem de lucro e, na sequência, o preço do produto. Já outras consideram o preço-teto que o mercado está disposto a pagar e, internamente, ajustam custos e lucros para, então, competir. Assim, as receitas devem cobrir os custos e gerar rentabilidade compatível. E a formação do melhor preço no mercado atual globalizado será uma mistura de números e bom senso. Observe a evolução dos preços dos produtos e você verá que em algumas linhas de produtos a rivalidade entre empresas é enorme. Além do mercado interno, ainda hoje, aqui no Brasil, estamos atravessando outra situação: os importados que derrubam a produção nacional. Segundo reportagem do Valor Econômico, em maio de 2013, principalmente os setores têxtil e farmacêutico tiveram queda na produção doméstica e aumento nas importações, e estes produtos chegam a um preço inferior. Vale a pena você conferir a matéria completa.4 1.2.3 Praça Refere-se a todos os aspectos de distribuição, incluindo não só os canais de venda do produto - lojas, máquinas de vendas, agentes, distribuidores, reembolso postal, etc. - como também a disponibilidade do produto através desses canais. A 3 Revista Exame. Disponível em : http://exame.abril.com.br/pme/noticias/jovem-empreendedora-fatura-us-1-milhao-com- chinelos 4 Com preços em queda, importado afeta, de novo, a produção local. Valor Econômico. 06 de maio de 2013. Disponível em: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/5/6/com-precos-em-queda-importado-afeta-de-novo-a-producao-local http://exame.abril.com.br/pme/noticias/jovem-empreendedora-fatura-us-1-milhao-com-chinelos http://exame.abril.com.br/pme/noticias/jovem-empreendedora-fatura-us-1-milhao-com-chinelos http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/5/6/com-precos-em-queda-importado-afeta-de-novo-a-producao-local 15 MARKETING ESTRATÉGICO empresa pode ter o produto excepcional, mas a utilidade dele desaparece se o cliente não encontrá-lo no lugar, ocasião e forma certas (URDAN, 2010). Diversos são os canais de distribuição, e a escolha destes pode fazer a diferença. Há uma relação entre os canais escolhidos, o valor agregado aos produtos/serviços e os custos da transação que também influenciam significativamente na formação de preço e nos resultados da empresa. Kotler (2006) demonstra essa relação na figura 3. Figura 3 – Valor Agregado X Custo por transação Fonte: Kotler (2006) Vamos analisar os extremos! Na figura 3, acima, pode-se observar que, para o valor agregado baixo, tem-se um custo de transação baixo. Como é o caso das vendas pela internet. Você compra via comércio eletrônico (e-commerce) e o seu produto é entregue em sua casa, com o mínimo de interação com a empresa. Quando se tem valor agregado baixo e custo por transação alto, o canal mais utilizado é a força de vendas. Como os produtos de empresas como Avon, que são vendidos de porta em porta. Os vendedores devem desenvolver habilidades interpessoais para relacionar-se com os clientes, a própria capacitação é algo que encarece o custo. E ainda podemos utilizar esse canal quando queremos agregar valor à oferta, proporcionando ao cliente um tratamento customizado, possível, muitas vezes, com a participação da força de vendas. 16 MARKETING ESTRATÉGICO E, assim, as empresas vão analisando seus públicos definindo as melhores estratégias. A Natura, tradicional pela venda porta a porta, está analisando criar lojas- conceito. E ainda investindo no comércio eletrônico. Já a Marisa, loja varejista tradicional, está estudando entrar no canal de venda porta a porta com as suas consultoras de moda e estilo. Você percebe que muitas opções são possíveis, basta escolher a forma certa de chegar ao seu público alvo. 1.2.4 Promoção É a comunicação persuasiva a respeito de uma organização e seus produtos. Visapromover os seus produtos, serviços, benefícios, valores e marcas e fortalecer o relacionamento a longo prazo. É a ponta do iceberg, lembra? Os instrumentos a serem utilizados podem ser: a propaganda, promoção de vendas, relações públicas, venda pessoal e atendimento ao cliente. Chegando as informações pela televisão, rádio, revista, jornal e internet. Em 2011, por exemplo, o Brasil ganhou um prêmio pela melhor comunicação em temas globais. Promovendo o Brasil no exterior, mostrou que o país evoluiu nos fatores econômico, social, ambiental e político-institucional a jornalista e formadores de opinião.5 As campanhas, hoje, buscam mostrar ao consumidor os benefícios dos produtos e serviços oferecidos, mas também fixar a marca na mente do consumidor e atrelar as suas atividades como social e ambientalmente corretas. 5 Campanha de Comunicação do Brasil para o exterior recebe prêmio internacional. 11 de outubro de 2011. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/10/11/campanha-de-comunicacao-do-brasil-para-o-exterior-recebe-premio- internacional http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/10/11/campanha-de-comunicacao-do-brasil-para-o-exterior-recebe-premio-internacional http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/10/11/campanha-de-comunicacao-do-brasil-para-o-exterior-recebe-premio-internacional 17 MARKETING ESTRATÉGICO Ambientalmente correta é uma empresa que demonstra preocupação com o meio ambiente. Realiza, portanto, ações de proteção como reciclagem, economia de luz, água entre outros Síntese Agora você sabe o que significa o mix de marketing ou composto de marketing. Toda e qualquer estratégia a ser desenvolvida pela empresa leva como base os 4 P’s (produto, preço, praça e promoção. Vamos voltar a falar neles, quando você estudar sobre o desenvolvimento de estratégias. Dica de Leitura: Urdan, Flavio. Urdan, Andre. Gestão do Composto de Marketing: Visão Integrada de Produto, Preço, Distribuição e Comunicação. Táticas para Empresas Brasileiras Casos e Aplicações. Atlas, 2013. Saiba Mais Pesquise no google acadêmico, disponível em: http://scholar.google.com.br/, artigos sobre o composto de marketing e melhore os seus conhecimentos. http://scholar.google.com.br/ 18 MARKETING ESTRATÉGICO UNIDADE II – AMBIENTE DE MARKETING Nesta unidade vamos estudar de que é constituído o ambiente de marketing. É fundamental, no desenvolvimento das estratégias, conhecermos o ambiente, pois, como todo processo de planejamento, o de marketing sofre influências externas. Além do mais, o nosso principal objetivo, que é o cliente, está inserido no ambiente. Precisamos entender que as atividades acontecem em um ambiente em profunda mutação, tanto interna quanto externa. Na figura 4, você poderá ver os elementos que interferem na essência da empresa. Figura 4 – Ambiente de marketing Fonte: Adaptado de Basta (2004) Como você pode observar, nos círculos concêntricos, todos estes elementos influenciam os negócios e, definitivamente, a área mercadológica. Vamos estudar um pouco mais sobre cada um. Cada fator deste pode ajudar a dificultar, ou de algum modo, influenciar a empresa. O gestor deve desenvolver a habilidade de administrar e formular estratégias em um ambiente de constate mutação (URDAN, 2010). Macroambiente: Econômico, social, político, tecnológico. Microambiente: concorrentes, fornecedores, intermediários, entidades públicas e privadas. Ambiente interno: pessoas, setores (marketing, finanças, produção) 19 MARKETING ESTRATÉGICO Las Casas (2006) faz um comparativo com o oceano: [...]o oceano é até certo ponto imprevisível, mudando constantemente, de acordo com as oscilações ambientais. Com as variações frequentes que ocorrem, as embarcações, para não naufragar e atingir seus objetivos, necessitam mudar sua forma de enfrentar as turbulências. [...] mudam seu rumo ou sua forma de conduzir a embarcação. Há necessidade de adaptação tanto por parte das empresas quanto das embarcações. E este ambiente, portanto, precisa ser conhecido pelos profissionais de marketing. 2.1 AMBIENTE ORGANIZACIONAL O marketing, como função ou setor na empresa, tem o papel de identificar as necessidades e desejos do consumidor e satisfazê-las. Contudo, para que esse resultado seja positivo, o marketing deve interagir com as demais áreas da empresa (finanças, produção, pessoas, etc), a fim de programar as estratégias ora desenvolvidas. Esse ambiente interno deve ser analisado criticamente em relação aos objetivos da empresa. É preciso conhecer detalhadamente a estrutura da empresa, pessoal disponível e capacitado, capacidade de produção/ oferta, quantidade de capital disponível para investimentos, pois, caso o ambiente não seja condizente com o esperado é mais complicado atingir os objetivos perante um mercado tão agressivo, então, primeiro “arrumamos a casa” e, depois, partimos ao “ataque”. Pesquise no www.youtube.com.br, vídeos relacionados a SUN TZU e a Arte da Guerra. Veja como este general dava importância ao conhecer-se a si mesmo e depois ao inimigo 2.1.1 Microambiente O microambiente é composto por concorrentes atuais ou potenciais, fornecedores e intermediários. Este ambiente é constituído de variáveis que estão http://www.youtube.com.br/ 20 MARKETING ESTRATÉGICO diretamente ligados à organização e que suas influências são sentidas num curto espaço de tempo e com uma pressão muito maior. Quanto aos concorrentes, sabemos que impactam diretamente nos resultados e podem comprometer a sobrevivência da empresa, já que ofertam produtos ou serviços semelhantes aos nossos e que, por pequenos diferenciais, podemos ganhar a preferência do consumidor. Porter já dizia, em 1991, que estávamos sujeitos a cinco forças competitivas e devemos analisar e acompanhar todas para desenvolver estratégias eficazes. São elas: concorrentes atuais, novos entrantes, poder de barganha dos clientes, poder de barganha dos fornecedores e produtos substitutos (Basta, 2004). Os intermediários representados por atacadistas, distribuidores e varejistas, além de todos os outros canais de distribuição, podem comprometer a competitividade e consequente lucratividade da empresa. Não adianta ter o melhor produto, se este não for entregue, no momento certo, ao consumidor e pelo canal adequado. 2.1.1.1.Ambiente Demográfico Refere-se à população e características como tamanho, crescimento, renda e natalidade. É muito importante estarmos atentos à estrutura e à mobilidade da população, às mudanças nos estilos de vida e nos valores sociais, e como tudo isso pode afetar os negócios (Basta, 2006). Urdan (2010) coloca algumas alterações demográficas, nos últimos anos, que influenciaram os negócios, confira no quadro 1. Característica s Estatísticas Influência Famílias menores Famílias brasileiras 3,4 pessoas Casal com filhos 55% Cresceu família de mulheres sem marido e com filhos, além de casal sem filhos e pessoas vivendo sozinhas Serviços domésticos / babá Escolas integrais Produtos com porções menores Construção civil – tamanho e funcionalidade das construções 21 MARKETING ESTRATÉGICO Mais idosos 60 anos ou mais representam 14,5 milhões de pessoas Daqui a 25 anos o país pode ter mais de 30 milhões de idosos Mercado do entretenimento para a terceira idade Produtos e serviços específicos Cuidadores de idosos Mais estudo Aumentou a proporção de jovens estudando Diminuiu o analfabetismo Analfabetismo funcional (pessoas com menos de 4 anos de estudo) Empresas de educação: formaçãosuperior e técnica Redução da mortalidade infantil Tendência declinante Aumento da população Juventude e Violência Urbana Cresceu a morte de adolescentes e jovens Empresas de segurança (pais preocupados com os filhos) Desigualdade Racial Diferenças de escolaridade e salários Produtos/serviços voltados exclusivamente para certas raças Mudanças no mercado de trabalho A diferença entre os extremos em termos de renda diminuiu Aumentou o número de pessoas com carteira assinada Aumento no rendimento médio Mercado de consumo maior: classe média Aumento no poder de compra Acesso domiciliar aos serviços públicos Coleta de lixo Acesso à água Deficiência na rede de esgoto Desenvolvimento: aumento na demanda Quadro 1 – Alterações demográficas Fonte: adaptado de Urdan (2010) 2.1.1.2.Ambiente Cultural Refere-se ao modo como as pessoas vivem e se comportam na sociedade. É importante para o marketing monitorar tendências culturais nacionais e globais. Produtos que são consumidos em determinados períodos deixam de ser em outros, devido a essas mudanças de valores. Las Casas (2006) cita as mudanças nos valores relacionados ao consumo do cigarro. Observe as propagandas de décadas atrás, hoje, já não são permitidas. Somente encontram-se, nos maços, os avisos informando os danos causados pelo cigarro. 22 MARKETING ESTRATÉGICO Figura 5 – Propagandas antigas de cigarro Hoje, já não são mais aceitos produtos feitos com couro de animais exóticos. Ambientalistas em todo o mundo estão de olho. A empresa deve seguir à risca as determinações dos órgãos ambientais, sob a pena de ter sua imagem manchada perante o mercado. Além das questões ambientais, outras demandas foram criadas para as empresas, no trato com as questões sociais, a diversidade, questões étnico-raciais, ou seja, a empresa deve observar estas mudanças que não só pressionam para ações dentro do novo padrão, mas também criam novos mercados por mudanças culturais. E, se ainda observarmos as diferenças existentes no nosso país, de norte a sul encontramos culturas muito diferentes. Estudar estas culturas, antes de qualquer ação mercadológica, é premissa básica, pois um erro pode ser fatal. No quadro 2, relataremos aspectos da cultura brasileira, citados por Urdan (2006). Características Estatística s Influência Preocupação com a violência Últimos 20 anos 600.000 pessoas morreram assassinadas 9% dos homicídios do mundo Mortes violentas de jovens 88% maiores que na França Empresas de segurança Rastreamento de veículos por satélite (3 anos atrás eram 10, hoje são 106) Prejudica o desenvolvimento Aspirações e sonhos de consumo Brasileiro aspira ao que há de melhor A marca deve reforçar a autoestima do consumidor (aversão ao produto de pobre) Sensação de bem-estar Consumo Saudável Produtos diet e light cresceram 30% Aumenta procura por produtos orgânicos Oportunidade de oferecer produtos com valor agregado, em que você encontra um perfil de clientes dispostos a pagar mais pelo produto diferenciado. 23 MARKETING ESTRATÉGICO Lançamento de marcas de produtos saudáveis. O Carrefour lançou a TAEQ, sua marca de produtos saudáveis. Vaidade feminina Mulheres brasileiras são as mais vaidosas 19% das mulheres apenas se embelezam para si próprias Brasil é o quinto maior mercado consumidor de cosméticos no mundo Crescimento do setor de cosmético foi de 75% Natura, hypermarcas, Unilever, Pfizer, Prcter & Gamble, são as cinco maiores na área farmacêutica e de Cosméticos. A Natura, de capital brasileiro e com R$5 milhões de receita líquida, é sustentada pelo público feminino. Quadro 2 – Aspectos da Cultura Brasileira 2.1.1.3 Ambiente Econômico A economia influência direta ou indiretamente qualquer empresa; você sabe que, nos últimos anos, o país vive uma melhora no poder de compra do consumidor em função de alterações na política econômica que trouxe estabilidade e crescimento ao país. As decisões relacionadas ao controle da inflação, políticas de promoção ao emprego fomentam a economia e melhora as condições de mercado. No primeiro trimestre de 2013, a maior influência negativa no PIB foi da indústria de transformação. Indústrias na área de metalúrgica, têxtil, farmacêutico, químicos entre outros. Já a produção de ônibus e caminhões, mobiliária e de equipamentos elétricos contribuiu positivamente. O setor extrativista teve uma queda, principalmente, por paradas programadas da Petrobrás. Os setores de produção de gás, água e eletricidade tiveram desempenho positivo pelo aumento do consumo. Observe como os negócios estão diretamente relacionados à economia. Quando uma empresa não vende bem, ela perde receita e, portanto, não atinge os objetivos previamente definidos que podem causar até mesmo desemprego que, por sua vez, volta a influenciar o ciclo econômico. Para uma economia estável e um bom rendimento das empresas é preciso que obedeçam ao fluxo de renda. O mercado de bens e serviços sustenta as empresas que sustentam o mercado de fatores de produção, que sustentam as famílias que, por sua vez, sustentam o mercado de bens e serviços fechando o ciclo, como descrito na Figura 6. 24 MARKETING ESTRATÉGICO Figura 6 – Fluxo de Renda Fonte: http://financasfaceis.wordpress.com/2010/03/09/entendendo-as-contas-nacionais/ Portanto, você deve ficar atento às taxas de câmbio, inflação, disponibilidade de crédito, taxas de juro, investimento em infraestrutura e crises, recessões e efeitos de planos de governo. 2.1.1.4 Ambiente Competitivo Estamos vivendo uma era de intensa competição. E, em muitas atividades, a nível global. Esse ambiente altamente competitivo é muito bom para o consumidor, pois lhe dá possibilidades de escolhas inúmeras. No entanto, para a empresa, a pressão da concorrência torna necessário um acurado senso estratégico, principalmente, neste novo mercado em que os diferenciais entre produtos e serviços são ínfimos. http://financasfaceis.wordpress.com/2010/03/09/entendendo-as-contas-nacionais/ 25 MARKETING ESTRATÉGICO A abertura de mercado fez com que os clientes ficassem cada vez mais exigentes. A globalização fez com que empresas implantassem suas unidades industriais, ou terceirizassem seus processos em países com baixos custos de produção, e enviar estes produtos a qualquer lugar onde tenha mercado alvo. As ofertas de capital são provenientes de vários locais, fomentando o crescimento de empresas e nações. Um instituto suíço, denominado IMD (Instituto de Desenvolvimento e Administração Internacional) estabelece um ranking de competitividade das nações avaliando, por exemplo, desempenho econômico, eficiência empresarial e do governo e infraestrutura. Infelizmente, no ranking divulgado em 2013, o Brasil é um dos países menos competitivos do mundo. Entre 60 nações, o Brasil está em 51º lugar. Muitas reformas estruturais que deveriam ter sido feitas, não foram; a economia é baseada no consumo e não na produção. A não diversificação da indústria e o “inchaço” da máquina pública com seus gastos excessivos levam o país para baixo no ranking.6 O problema de infraestrutura no Brasil prejudica, e muito, a competitividade das empresas, estradas, ferrovias e portos sem capacidade de escoamento de produção ou em condições que geram desperdício considerável, além do nível educacional, da inovação e da ciência e tecnologia que ainda estão a passos lentos. Isso leva a uma dificuldade muito maior de competir no mercado internacional, realidade de muitas operações. As estratégias desenvolvidas terão que levar em consideração essa homogeneização, sem fronteiras,mas sem deixar de considerar os aspectos socioculturais. 2.1.1.5 Ambiente Legal As estratégias desenvolvidas devem respeitar aspectos político-legais. Governos, organizações da sociedade civil, os conhecidos stakeholders, como você já viu, estão de olho no que a empresa faz. Muitas resoluções, no âmbito legal, devem ser respeitadas para que a empresa não sofra punições ou produza impactos negativos na sua imagem. Vamos verificar alguns itens importantes que você deve observar, citados por URDAN (2010), comentados no Quadro 3. 6 Brasil despenca em ranking de competitividade. 30 de maio de 2013. Disponível em: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/05/brasil-despenca-em-ranking-de-competitividade.html http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/05/brasil-despenca-em-ranking-de-competitividade.html 26 MARKETING ESTRATÉGICO Características Estatísticas Influência Defesa do Consumidor Promulgado em 1990 o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Assegura os direitos fundamentais. Empresas ficam sujeitas ao código. O IBOPE desenvolve um estudo que traz informações importantes sobre o impacto do código no comportamento do consumidor. Vulnerabilidade (CDC) A força econômica dos produtores e fornecedores transforma o consumidor em um alvo vulnerável. Produtos importados que devem ter garantia no Brasil. Qualidade (CDC) Os produtos devem ter duração e confiabilidade e ter o desempenho conforme indicado. Caso ocorram problemas, deve-se dar uma solução rápida. Pressiona as empresas a um maior controle de qualidade dos produtos e serviços oferecidos (a empresa ganha duas vezes, com o consumidor e com a redução de custos provenientes de melhorias dos processos de qualidade). Proporcionar ao consumidor acesso fácil para resolução de problemas (deve, portanto, ter pessoal com habilidades de relacionamento interpessoal e agilidade). Abuso (CDC) Mistificação Propaganda enganosa ou constrangedora. Cláusulas abusivas. Lembra-se do que não é marketing que vimos na outra unidade? Propagandas enganosas e maliciosas infringem a lei. Pirataria Ameaça a sobrevivência das empresas e a economia do país. O contrabando movimenta 35 bilhões de reais no país, anualmente. Marcas não investem em desenvolvimento de produtos. Não pagam impostos. Não gastam com marketing. Proteção contra a pirataria encarece os custos de produção. Quadro 3 – Aspectos legais que devem ser observados Em suma, as regulamentações aplicáveis às empresas aumentam a cada dia, bem como o crescimento de grupos de interesse que monitoram as empresas a cada estratégia lançada a cada produto ou serviço colocado no mercado. 3.1.1.6 Ambiente Tecnológico A aceleração das mudanças tecnológicas, no mundo, deve ser acompanhada pelas empresas, algumas mais outras menos, mas todas são influenciadas em diferentes graus por estas alterações. Isso força a redução, até mesmo, do ciclo de vida do produto (quanto tempo ele fica disponível no mercado). 27 MARKETING ESTRATÉGICO O que se observou, nas últimas décadas, foi uma redução, inclusive no prazo de comercialização dos produtos. Por exemplo, o telefone, entre sua criação e comercialização, foram 56 anos; muitos dos produtos que você vê, hoje, não existiam há 40 anos. Hoje, já se fala em obsolescência programada. Pense no mercado de celulares, o quanto evoluiu desde a sua criação. Não precisamos mais esperar anos para que tenhamos um novo modelo no mercado. Em menos de 15 anos, estamos falando de internet de alta velocidade, de saúde preventiva, de TVs digitais. Isso pressiona as organizações. Hoje, temos oportunidades ilimitadas para a inovação, e esta é a palavra de ordem nas empresas, independente do ramo de atividade. A realidade virtual está sendo aplicada para captar as reações de consumidores em projetos de automóveis, projetos de casas (entre outros), para facilitar o desenvolvimento do produto e das estratégias. Síntese da Unidade Você, agora, é capaz de entender a infinidade de informações que circundam a empresa e que afetam suas decisões. Falando de marketing estratégico, estamos aprendendo a ser diferentes e, portanto, é preciso conhecer, agrupar informações de todos os ambientes que você leu para conhecermos “o chão onde pisamos”, e procurar oferecer o melhor para o nosso consumidor, sobressaindo em relação aos nossos competidores. Dica de Leitura: Um dos maiores clássicos da literatura sobre estratégia e concorrência. Leia! W. Chan Kim, Renée Mauborgne. A Estratégia do Oceano Azul: Como Criar Novos Mercados e Tornar a Concorrência Irrelevante. Campus, 2005. Saiba mais: Pesquise na internet mais informações sobre as cinco forças competitivas de Porter. O entendimento destas pode fazer a diferença. 28 MARKETING ESTRATÉGICO UNIDADE III – COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR Esta unidade, você vai receber informações sobre o consumidor, peça chave de todo o processo do marketing, pois é para este que ofertamos os nossos produtos e serviços. Compreender o processo de compra, o comportamento, as alterações que ocorrem ao longo da sua vida, a fundo, levam a empresa a ofertar o produto certo, na hora certa e ao nível de qualidade exigido. Entender o consumidor envolve identificar o que pensa quem realmente vai usufruir do produto. Vários fatores podem influenciar a decisão de compra do consumidor, que serão descritos no decorrer desta unidade. 3.1 FATORES SOCIOCULTURAIS Valores, percepções, preferências e comportamentos são herdados da família e de outras instituições e grupos. Todos participam de vários grupos: a família, a empresa, a igreja, a cidade, o bairro, o país, entre outros. Estes grupos possuem uma cultura própria e você, para ser aceito, se adapta ao que determinam os grupos, através de padrões e normas. Estas condições afetam o comportamento de compra, desenvolvendo hábitos de consumo similares, preferência por certos produtos e marcas. O marketing de massa, que envolve todo o mercado, pode não funcionar em culturas diferentes, então, entra em cena o marketing multicultural, onde os produtos/serviços são desenvolvidos para uma comunidade cultural específica, respeitando seus hábitos e crenças. As classes sociais, na maioria das vezes, são determinantes de comportamento. As classes sociais diferem em preferências de roupas, atividades de lazer, móveis e eletrodomésticos, incluindo, até mesmo, o meio de comunicação. Está, aí, uma justificativa de que é importante conhecer para, justamente, utilizar o meio de comunicação que vai realmente atingir o consumidor alvo. Nas revistas de negócios, nas palestras ministradas nas empresas e universidades, um dos assuntos recorrentes é a nova classe média. 29 MARKETING ESTRATÉGICO Federações de comércio, o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), desenvolvem estudos para identificar o comportamento e o impacto desta classe que está fazendo a diferença no mercado. Mais de 12 milhões de famílias ascenderam à classe média até o final de 2009. Isso reflete no aumento dos bens de consumo duráveis e no consumo dos serviços, como o turismo, acesso à internet, TV a cabo, celular, saúde e educação, as áreas mais impactadas.7 A KELLOGG’S fabrica o ChocoKrispis, aqui e nos Estados Unidos. Aqui, as crianças preferem comer o produto puro. Nos Estados Unidos, elas consomem com leite e, portanto, tem um gosto acentuado de chocolate. No Brasil, não teria a mesma aceitação pelo modo de consumo, então, a empresa acrescenta baunilha, para suavizar o sabor (BASTA, 2004). Neste caso, fica claro o impacto da cultura nos hábitos de consumo. Isso fica muito evidente quando o autorcita o consumo de chimarrão no sul, Carnaval no Rio de Janeiro, Candomblé na Bahia e muito mais. O homem é um ser social. Por isso, procura se adequar ao comportamento do seu grupo, inclusive nos hábitos de consumo. Na adolescência, por exemplo, temos grupos específicos aos quais damos extremo valor, e o grupo, muitas vezes, determina a roupa a ser usada, o calçado, os ambientes que serão frequentados. Sofremos influências do pessoal do trabalho, da faculdade, da igreja. E, em alguns casos, compramos por aspiração, quando queremos fazer parte de um grupo. Você adora heavy metal quando, nas suas horas de folga e quando está no trabalho, está em um terno alinhado. A própria constituição familiar requer diferentes hábitos de consumo. Famílias com filhos pequenos consomem produtos como brinquedos, entretenimento infantil, alimentação especial, creches, entre outros. Já quando os filhos crescem, os produtos mais tecnológicos como celulares, tablets, notebooks passam a ser mais consumidos. 7 Fecomércio. São Paulo. A evolução da classe média e seu impacto no varejo. 2012. 30 MARKETING ESTRATÉGICO Podemos trabalhar a faixa etária do bebê até a velhice, e inclusive, esta última, em ascensão no Brasil. Verifique o número de produtos ofertados ao consumidor da terceira idade. Até o governo federal construiu programas de subsídios para fomentar o turismo na “melhor idade”. Basta (2004) considera importante, para a condução do planejamento do marketing, analisar os papéis exercidos nas famílias. Vamos identificar cada papel e um exemplo de como pode acontecer: Papel O que faz? Exemplo Iniciador Reconhece a necessidade não satisfeita. A mãe pede ao pai para ir ao supermercado comprar um molho de tomate de uma marca específica Influenciador Fornece a informação de como satisfazer tal necessidade. O pai não encontra e pede a uma senhora, daquelas marcas disponíveis, qual seria a melhor. Decisor Escolhe a alternativa para satisfazer a necessidade. O pai decidiu comprar a marca recomendada. Comprador Quem compra um produto. O pai. Consumidor O Usuário do produto. A família que consumiu o produto. Avaliador Quem avalia a capacidade do produto para satisfazer a necessidade. A família. Quadro 4 – Papéis de compra Fonte: Adaptado de Basta (2004) Quando o marketing prepara um produto/serviço deve pensar em todos esses papéis para serem mais eficazes. 3.2 FATORES PESSOAIS Além das influências externas, o consumidor também tem características pessoais e psicológicas que influenciam no processo de decisão de compra. O ciclo de vida que já mencionamos no item anterior, está atrelado à faixa etária. O consumo, as percepções e a decisão de compra dependem da idade que temos: jovens, crianças, adultos e idosos compram de formas diferentes. 31 MARKETING ESTRATÉGICO Já falamos também das classes econômicas que estão também relacionadas à ocupação. O executivo de uma empresa e um operador de máquinas terão hábitos de consumo totalmente diferentes. E não podemos esquecer de que a personalidade e autoimagem fazem a diferença no comportamento de compra, uma vez que os consumidores procuram identidade com a marca. Inclusive, no marketing, procuramos desenvolver a personalidade da marca. Aaker apud Kotler (2006) identificou cinco características da personalidade, conforme exemplificado no quadro 5. Característica da personalidade marca Indivíduo Exemplo Sinceridade Realista, honesto, sensível e animado Campbell’s Entusiasmo Ousado, espirituoso, criativo e atualizado MTV Competência Confiável, inteligente e bem sucedido Sofisticação Rico e charmoso Resistência Aventureiro, durão Quadro 5 – Característica da Personalidade da Marca. Fonte; Adaptado Kotler (2006). Escolher a marca que melhor represente sua autoimagem real ou ideal é objetivo do consumidor. 32 MARKETING ESTRATÉGICO Pessoas com mesma cultura, mesmas ocupações podem ter estilos de vida e valores diferentes. Estamos falando das atividades, de seus interesses e opiniões. E, falando de estilo de vida, ele pode alterar-se facilmente. Oliveira (2012) define oito estilos de vida extraídos de um estudo do Stanford Research Institute, descritos no quadro 6. Estilo de vida Características Inovadores Bem-sucedidos, ativos e sofisticados, elevada autoestima. Dá importância à imagem. Reflexivos Buscam ser práticos e buscam funcionalidade, valor e durabilidade. Crentes Conservadores, crenças baseadas na igreja, comunidade, família e nação. Compram marcas estabelecidas. Realizadores Orientados para a carreira, gostam de pouco risco. Vida social envolve carreira, família e igreja. Querem marcas de prestígio. Esforçados Preocupados com a aprovação dos outros, simulam a vida dos que gostariam de ser, mas não têm recursos suficientes. Experimentadores Consumidores jovens, entusiastas e impulsivos. Produtos novos. Fazedores Vivem no contexto de família e trabalho e procuram produtos funcionais. Lutadores Consumidores de baixa renda, baixo grau de instrução. Compram alimentos e cuidados com a saúde. Quadro 6 – Grupos de Estilos de Vida Fonte: Adaptado de Oliveira (2012) E, então, em qual grupo você se encaixa? Imagine, agora, você como gestor de marketing e ter que desenvolver produtos ou serviços específicos para cada grupo. Além de ter que desenvolver meios de comunicação que atinja tais grupos. 3.3 FATORES PSICOLÓGICOS É fundamental, para conhecer o comportamento do consumidor, entender o modelo de estímulo e resposta descrito por Kotler (2006), na Figura 7. 33 MARKETING ESTRATÉGICO Mente do Consumidor Caixa- preta Figura 7 – Modelo de Comportamento do Consumidor (KOTLER, 2006) Observe a figura 7. Nela, conseguimos entender como funciona o processo de decisão de compra do consumidor para, posteriormente, melhorar as formas de acesso a esse consumidor e melhorar os resultados. Encontramos o marketing iniciando o processo, gerando estímulos ao consumidor no formato do produto (P1), o preço (P2) que ele está disposto a pagar, a forma como este produto ou serviço chegará (P3) ao público-alvo, e como ele saberá que o produto/serviço existe no mercado (P4). Os 4 P’s – produto, preço, praça e promoção. Contudo, por mais que os estímulos sejam adequados, o consumidor sofre influências ou outros estímulos do meio externo; as variações econômicas que podem definir o seu poder de compra, tecnológico, optar por um produto ou outro com maior ou menor avanço tecnológico e influências do ambiente cultural onde vive. Estes estímulos perpassam ainda sob a psicologia do consumidor (que falaremos logo à frente) e suas características, para então, iniciar o processo de decisão de compra. Como podemos perceber, não é tão simples decidir pela compra de algo. Logicamente que este processo é dinâmico e acontece naturalmente, por Etapas do Processo de compra Es tí m u lo s Ex te rn o s 34 MARKETING ESTRATÉGICO isso, não percebemos todas estas etapas quando nós decidimos por comprar um produto/serviço. Vamos descrever um pouco mais sobre os fatores psicológicos. A motivação é um fator estudado em muitas áreas para tentar descobrir o que nos leva ao estado motivacional para a execução de atividades, inclusive de comprar algo, ou dar preferência de compra a determinados produtos. Várias teorias foram desenvolvidas, as mais conhecidas são a teoria de Freud, Maslow e Herzberg. A mais conhecida é a de Maslow, que relaciona a motivação a uma hierarquia de necessidades. As necessidades são básicas (fisiológicas, saúde e alimentação), de segurança (um lar), de aceitação social, de estima e de autorrealização.As nossas preferências por produtos estão relacionados às necessidades atuais, seguindo a hierarquia definida. Observe na figura 8, que tipos de produtos estariam relacionados. Figura 8 – Pirâmide das necessidades de Maslow, adaptado de Kotler (2006) e Las Casas (2006) Uma vez motivada, a pessoa pode ir para a ação. Contudo, vai ainda ser influenciada pela percepção. A forma como as pessoas organizam as ideias e as Autorealização : desenvolvimento e realizaçoes pessoais (cursos , atividades esportivas, crescimento espiritual) Estima: autoestima, reconhecimento e status (quadros, joias, carros importados) Sociais: sensação de pertencer, amor (igrejas, associações, clubes) Segurança: segurança, proteção (sistemas de segurança, alarmes, segurança privada) Fisiológicas: comida, abrigo e água (alimentos, bebidas, casa) 35 MARKETING ESTRATÉGICO interpretam, refere-se à percepção. Por visões deturpadas, os consumidores, muitas vezes, não percebem a mensagem do marketing. Três processos são geralmente empregados: Atenção seletiva: somos expostos a mais de 1.500 anúncios de marca por dia. Para ter sucesso, é importante que o consumidor tenha uma necessidade real. Ex.: Eu quero comprar um novo celular. Distorção seletiva: alteramos o significado das coisas com base em outras vivências ou informações. Um exemplo desta distorção é o teste “cego”, feito por muitas empresas. Quando citado o nome das marcas àqueles que provam os produtos, os comentários diferem quando o nome das marcas não é citado, ou seja, os consumidores são influenciados pelo que o marketing comunica na marca. A marca Garnier Fructis fez um teste cego com blogueiras, pessoas influentes do mundo da moda e estética, enviando o novo produto de óleo e reparação para os cabelos. Em poucos dias, os vídeos atingiram mais de 700 mil visualizações. Figura 9 – Batalha dos Cabelos – Fructis Garnier Fonte: Agência SD Retenção seletiva: esquecemos muito do que vemos. Conseguimos lembrar daquilo que está relacionado à nossa crença e atitudes. Isso é comum em marcas fortes, o que guardamos de uma campanha é bem maior do que em outras 36 MARKETING ESTRATÉGICO concorrentes sem marca forte. Dramatizar e repetir assegura que a mensagem não seja ignorada. Na sequência, é importante para os profissionais de marketing entender o processo de aprendizagem. Os indivíduos adquirem o conhecimento e a experiência de compra e consumo; experiências positivas levam os consumidores a comprar a mesma marca no futuro, e as negativas farão com que os consumidores evitem a compra. O aprendizado cognitivo é uma das formas em que o consumidor procura informações sobre os produtos, conversando com os vendedores, procurando na internet, lendo informativos. Mas não é a única forma, o condicionamento clássico leva o consumidor a respostas favoráveis influenciadas por estímulos. Um exemplo citado por Las Casas (2006) é da campanha do comprimido Doril, que associava o produto ao alívio da dor. Figura 10 – Campanha do produto Doril e do produto Benegripe (falta agência criadora)8 Fonte: criado por Agnelo Pacheco9 No condicionamento instrumental, o produto é o estímulo e os reforços positivos ou negativos é que irão determinar as preferências futuras. Abastecer o 8 Disponível em: http://www.hypermarcas.com.br/campanha_interna.php?id=187 9 Disponível em: http://blog.concorrenciacriativa.com.br/gestao/como-construir-um-slogan/ http://www.hypermarcas.com.br/campanha_interna.php?id=187 http://blog.concorrenciacriativa.com.br/gestao/como-construir-um-slogan/ 37 MARKETING ESTRATÉGICO automóvel em um posto por confiar na qualidade do combustível é um exemplo citado por Basta (2004). E na modelagem, as pessoas aprendem umas com as outras, principalmente se, nas campanhas, encontram-se pessoas líderes de opinião, artistas, pessoas de classe mais alta, pessoas mais inteligentes, mais velhas e com superioridade técnica. Na figura 11 você observa a campanha da Suvinil para reforçar a marca na mente do consumidor, usando os atores Grazi Massafera e Cauã Raymond. Figura 11 – Campanha da Suvinil para fortalecer a marca Fonte: criada pela Agência NBS10 E, por fim, devemos ter atenção também à atitude. A atitude é uma predisposição que o indivíduo tem para responder, de maneira favorável ou desfavorável, a um determinado objeto. As atitudes em relação às marcas são aprendidas pelos consumidores e são levadas em consideração na decisão de compra (LAS CASAS, 2006). A marca Nike, que na década de 90 foi associada ao trabalho infantil, socialmente irresponsável tenta, até hoje, apagar essa imagem. Tanto que, nos últimos anos, busca investir em projetos ambientais e desenvolver produtos ambientalmente corretos com o intuito de ser considerada uma empresa preocupada com a sustentabilidade.11 10 Disponível em: http://www.adonline.com.br/rapidinhas/38979-nbs-cria-campanha-para-suvinil.html 11 HERZOG, Ana Luiza. A Nike vira o jogo. 24 de maio de 2010. Disponível em: http://exame.abril.com.br/revista- exame/edicoes/0969/noticias/nike-vira-jogo-562673?page=3 http://www.adonline.com.br/rapidinhas/38979-nbs-cria-campanha-para-suvinil.html http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0969/noticias/nike-vira-jogo-562673?page=3 http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0969/noticias/nike-vira-jogo-562673?page=3 38 MARKETING ESTRATÉGICO Esse exemplo também mostra que as empresas tentam demonstrar serem simpáticas aos consumidores preocupados com as causas ambientais. A Coca-Cola Brasil lançou, em 2013, a campanha de sua água Crystal, mostrando a embalagem com menos quantidade de plástico, que facilita a reciclagem e consome menor quantidade de recursos não renováveis, como demonstrado na figura 12. Sabe- se que as garrafas PET são um grande problema, e que o maior mercado está nas mãos desta empresa, então, é preciso agir e mostrar ao consumidor que a atitude é simpática à diminuição do impacto ambiental. Figura 12 - Campanha da marca Crystal – embalagem eco Fonte: criado pela agência Plano 1 Considerando todos estes fatores temos, por parte dos consumidores, o processo de decisão de compra. Você viu as etapas do processo: Reconhecimento do problema: estado de privação, desconforto e falta. Ex.: Sensação de fome (necessidade fisiológica não satisfeita); Busca de informações: através de amigos, família, propaganda, vendedores e uso do produto; Avaliação de alternativas: custo versus benefício da compra. Ex.: Você é cliente de um Disk Pizza, você pode ir ao supermercado comprar comida saudável, sua mãe lhe convida para jantar; Decisão de compra: leva em consideração a marca, a quantidade, a ocasião e a forma de pagamento. Depois disso, o processo não termina, pois a empresa ainda deve preocupar- se com o pós-compra. Confirmando a decisão de comprar, o consumidor passa pela experiência de uso do produto que levará à satisfação ou insatisfação. O resultado é o abandono, a reclamação ou a lealdade do consumidor à marca (BASTA, 2004). 39 MARKETING ESTRATÉGICO Síntese da Unidade Veja que são muitas as variáveis a serem analisadas e consideradas para entender o comportamento do consumidor e, a partir daí, desenvolver estratégias para atingir o seu público alvo. Você, agora, sabe que deve considerar todos os fatores e estímulos externos quando desenvolver o seu composto mercadológico (4P’s), tentar compreender e desvendar ao máximo a caixa-preta, que é a mente do consumidor para, então, oferecer os produtos e serviços adequadosao perfil de consumidor escolhido. Você não deve esquecer que, para conseguir essas informações, é preciso muita pesquisa, acompanhamento de todo o processo de compra e as reações do consumidor aos diferentes estímulos. Dica de Leitura: A literatura nesta área é vasta. Sempre que puder, complemente seus estudos com livros relacionados. Leia também sobre o Neuromarketing. Um novo conceito que procura entrar na mente do consumidor e ver como ele reage inconscientemente a diferentes estímulos. Saiba mais: Pesquise na internet cases que falam sobre o comportamento do consumidor. Isso irá enriquecer seu conhecimento e promover insigths (novas ideias). 40 MARKETING ESTRATÉGICO UNIDADE IV – SEGMENTAÇÃO E POSICIONAMENTO DE MERCADO DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE MARKETING Você já sabe que temos uma diversidade de consumidores pela própria subjetividade da análise de seu comportamento. Podemos chegar a grupos com características próximas, ou seja, no marketing, segmentar o mercado, assunto desta unidade. Você verá como podemos, a partir do conhecimento do potencial total de mercado, escolher uma parte dele para oferecermos nossos produtos/serviços e, então, posicionar-se. Vamos entender melhor! 4.1 SEGMENTAÇÃO DE MERCADO Identificar um grupo de consumidores que apresentam características homogêneas em relação a comportamentos, atitudes, necessidades e desejos é segmentação de mercado. A empresa pode entregar maior valor através de estratégias e ações de marketing específicas, utilizando o mix ou composto de marketing (preço, produto, praça e promoção). Sabe-se que, se todos os consumidores fossem iguais, seria mais fácil para os gestores e, inclusive, poderíamos ter processos produtivos mais econômicos, já que produziríamos em larga escala e com um único conjunto de estratégias atingiríamos maior volume de consumidores. Contudo, os consumidores, ao passar dos anos e com o aumento da concorrência, consequentemente da oferta, ficaram bem mais exigentes, diversificando cada vez mais as suas preferências. Assim, para melhor atender é melhor segmentar. Basta (2004) coloca três características do mercado que não podem passar despercebidas e que justificam a segmentação: pluralidade dos clientes – muitos com diferentes necessidades, desejos e atitudes; singularidade dos clientes – espera um tratamento único; profusão de ofertas – quantidade e 41 MARKETING ESTRATÉGICO variedade de produtos e serviços disponíveis com padrão de qualidade muito próxima. Para segmentar o mercado é preciso passar por três etapas, conforme descreve Las Casas (2006): identificação e definição do perfil de consumidores que desejam produtos segmentados; seleção de um ou mais segmentos de mercado; e determinação e divulgação dos benefícios dos produtos no mercado-alvo. As bases para segmentação descritas por Urdan (2010) são: benefícios e custos; geográfica; demográfica; psicográfica; e comportamental. Vamos falar um pouco mais sobre elas. Benefícios e custos: quando um consumidor compra um produto, ele não o faz pelos atributos e, sim, pelo conjunto de benefícios ofertados. Deve-se também observar que a percepção do que é benefício é subjetivo. Se o consumidor que procura transporte (benefício funcional) tem mais chances de comprar um modelo básico. Contudo, se o benefício procurado é o status (benefício simbólico) irá procurar, provavelmente, um carro importado. Sem deixar de considerar o custo, que é o sacrifício que recai no consumidor em virtude da compra. A Ford, em 2010, quando lançou o New Fiesta, apostou no custo benefício da categoria. Desenvolveu um design atraente, desempenho satisfatório e oferta de itens de fábrica para conquistar os clientes. Comportamental: o modo como as pessoas se comportam em relação aos produtos. As variáveis comportamentais que auxiliam a empresa a definir as estratégias. Estas variáveis são: Taxa de consumo – quantidade de produto comprada por pessoa em determinado período. Pode-se classificar em escala crescente como quem não compra o produto, quem compra com frequência, quem compra esporadicamente. Deve-se dar atenção ao volume de clientes; quando alto, pode chamar a atenção do concorrente e, quando baixo, pode ser uma deficiência do marketing. Por exemplo, aumentou a taxa de consumo de produtos congelados resultante do aumento do número de pessoas que vivem sozinhas. Informações como esta podem levar a empresa a desenvolver um composto de marketing para esse segmento. 42 MARKETING ESTRATÉGICO Lealdade à marca – refere-se ao número de compras repetidas de uma mesma marca. Proporciona negócios estáveis, diminuem gastos em novas prospecções e facilita o marketing boca a boca. Quando a lealdade é baixa, é preciso entender as raízes do problema. Em pesquisa da Kantar, realizada nos Estados Unidos sobre a concorrência entre o sistema operacional da Apple e Android, verificou-se que o maior volume de vendas do Iphone deve-se a clientes fiéis. 92% dos clientes que têm Iphone disseram que comprarão outro na próxima troca.12 Estágio de prontidão do consumidor – consciência, conhecimento, simpatia, preferência, convicção e compra em si, são os estágios. Identificar e desenvolver estratégias mercadológicas para cada estágio é fundamental. O elemento do composto mais trabalhado neste idem é a promoção. Hábitos de compra – a forma de distribuição e promoção deve ser definida, tomando por base este estudo. Há clientes que desejam comprar via internet, em lojas de varejo tradicionais, em horários alternativos e, portanto, pode segmentar de acordo com essa característica. Em 2010, o IBOPE Mídia fez uma pesquisa sobre os hábitos de compra dos brasileiros e identificou as preferências quanto ao local de compra. Os brasileiros, em sua maioria, preferem ainda as lojas de rua, depois os shoppings centers, lojas de departamento e, por último, hipermercados. Hábitos de mídia – esse é um erro crasso de segmentação. Desenvolver estratégias de promoção sem segmentar as mídias utilizadas pelo grupo. Jornais, revistas diversas, televisão aberta ou fechada, rádios AM e FM, são as mais diferentes opções voltadas a públicos específicos. A eficiência (gastar dinheiro demais) e a eficácia (a mensagem não chega) da promoção estão atreladas a esta escolha. Na atualidade, outro fator a ser analisado é a conexão das mídias, veja um exemplo: 83% das pessoas ouvem rádio e mexem no computador 12 Disponível em: http://notaalta.espm.br/o-assunto-do-dia/lealdade-a-marca-nao-so-inovacao-define-lideranca-da-apple/ http://notaalta.espm.br/o-assunto-do-dia/lealdade-a-marca-nao-so-inovacao-define-lideranca-da-apple/ 43 MARKETING ESTRATÉGICO simultaneamente, 78% consideram as redes sociais como rotina, 99% consideram o computador com internet essencial.13 Psicográfica: Valores e personalidades próximas são agrupados. Personalidades como compulsivos, ambiciosos e tímidos, por exemplo. Estilo de vida é outra variável e, talvez, a mais importante a ser considerada. Podem-se exemplificar estilos esportivos, sociáveis e sofisticados. O estilo de vida saudável tem sido um segmento bastante bombardeado pelas empresas. Empresas como a Nike e Mizuno lançaram linhas e campanhas específicas para pessoas preocupadas com o bem-estar e adotam a corrida como meio de atingir este objetivo. Sócio-demográfica: Neste segmento, analisam-se vários critérios que podem implicar na decisão de compra, demonstrado no Quadro 7. Característi cas Descrição Exemplo Exemplo Idade Menor de 5 anos, de 23 a 39, mais de 60 anos. Imaginarium e seu tablet, destinado a crianças até 6 anos Estágio no ciclo de vida Recém-casados,jovens casais com filho, casais maduros sem filhos pra criar. A Perdigão lançou em 2010 a campanha Meu menu, oferecendo produtos a recém-casados. Sexo Masculino e Feminino Emotion Banking, desenvolveu um ambiente exclusivo para o atendimento das mulheres. 13 Pesquisa realizada pelo IBOPEMídia. Disponível em: http://www4.ibope.com.br/conectmidia/conexao/index.html http://www4.ibope.com.br/conectmidia/conexao/index.html 44 MARKETING ESTRATÉGICO Rendimento familiar mensal Menos de 3 salários mínimos, entre 10 e 15, mais de 30. Os serviços oferecidos por bancos segmentam seus consumidores por renda. Fonte: Bona (2012) Ocupação Empresários, técnicos, aposentados, desempregados Campanha de turismo para o segmento da melhor idade. Nível de Instrução Ensino fundamental, médio, superior Oferta de pós- - graduação. Religião, etnia, geração e origem. Católica, evangélica, branca, negra, anos dourados, alemã, italiana. Cosméticos específicos para cabelos de consumidores de origem negra. Quadro 7 – Segmentação Demográfica Fonte: adaptado de Basta (2004) Geográfica: o local onde o cliente vive é importante critério na segmentação. Envolve a região (sul, sudeste), tamanho da cidade (até 50 mil habitantes); área (urbana ou rural). O consumo de chimarrão, no sul do país, é um exemplo que pode ser utilizado. As campanhas atendem somente às regiões geográficas que consomem o produto. É importante ressaltar que, não somente a identificação, mas o monitoramento da segmentação, é imprescindível para o bom resultado. Quando os gestores definem 45 MARKETING ESTRATÉGICO o segmento, estamos definindo o público-alvo ou mercado-alvo para os quais ofereceremos nossos produtos/serviços. 4.2 POSICIONAMENTO DE MERCADO O posicionamento refere-se ao desenvolvimento de ações que visem criar um lugar de destaque nas alternativas do público-alvo. A definição do composto de marketing depende do posicionamento escolhido pela empresa. O lugar que o produto ou serviço ocupa na mente do consumidor depende do posicionamento. Basta (2004) destaca as diferentes estratégias de posicionamento: Estratégia Características Exemplo Posicionamento por atributo/benefício s Benefícios tangíveis ou abstratos: Qualidade, sabor, frescor, bem-estar. Destacar as quais se tenha melhor desempenho, diferenciação. “Arame Farpado Gerdau Touro – Tripla Camada de Galvanização” Por aplicação ou utilização Vantagens de algum uso ou aplicação específico. A Gatorade lança o Gatorade Perform, composto de sais minerais, eletrólitos e carboidratos que repõe, reidrata e reabastece, melhorando o desempenho do atleta. Por usuário Apresentar o produto como melhor para determinado grupo usuários. Tradicionalmente desenvolvido para bebês, o shampoo Johnsons Baby voltou o seu posicionamento para os adultos, com o slogan “Adulto também pode!” 46 MARKETING ESTRATÉGICO Por concorrente Vantagem implícita ou explícita em relação aos concorrentes. O Samsung Galaxy S3, quando lançado, demonstrava vantagens em relação aos seus concorrentes diretos. (Nokia, Iphone, HTC). Por Categoria do Produto Posiciona-se em relação a determinadas classes de produtos. Biscoito integral (NESFIT) é mais saudável que biscoito recheado(CLASSIC). Por qualidade/preço Produto que oferece o melhor valor e o melhor custo-benefício. A marca Volkswagen é reconhecida pelo seu posicionamento quanto ao custo-benefício. Quadro 8 – Estratégias de posicionamento baseado em Basta (2004) Criar, portanto, um posicionamento, é apresentar um diferencial; elementos que, aos olhos do consumidor, sejam importantes, e que irão distinguir a oferta da empresa da oferta da concorrência. Muito cuidado deve-se tomar em relação a estabelecer um diferencial, pois ele deve ter, de fato, significância para o cliente. Um diferencial que não desperte o interesse do consumidor faz a empresa investir e não ter retorno. Por este motivo, a diferenciação deve atender a critérios citados por Kotler apud Las Casas (2006): Importância: o benefício deve ser altamente valorizado pelo cliente e o volume de clientes deve ser suficiente para dar retorno à empresa de seus investimentos; Distinto e disponível: o diferencial tem que ser único e não pode ser imitado, deve estar presente só naquela oferta; Superior: forma superior de obter o benefício em questão; 47 MARKETING ESTRATÉGICO Comunicável: deve ser comunicada e entendida pelos clientes; Acessível: o público-alvo deve ter poder aquisitivo suficiente; Rentável: deve propiciar um preço adequado e rentável para empresa. Segundo o mesmo autor, são vários os critérios que podem ser utilizados para diferenciação: o produto (na forma, durabilidade, estilo, design); os serviços (entrega, instalação, serviços diversos); pessoal (competência, cortesia, comunicação); canal (cobertura, desempenho); Imagem (símbolos, mídias, eventos). O Importante é que se tenha a exclusividade do diferencial, que tais critérios sejam importantes, relevantes para o consumidor e demonstrem credibilidade, de fato, no que se oferece ao cliente. No caso da Hering, foi necessário um reposicionamento de indústria para investimentos maiores em lojas de varejo, facilitando a construção da marca. Em pesquisa realizada, a maioria (90%) das pessoas conheciam a marca, mas apenas 15% haviam comprado. Faltavam novidades e os clientes não conseguiam encontrar uma Hering Store. A Hering apostou no reposicionamento, aumentando o número de franquias, tornando os produtos mais baratos, mais acessíveis, com mais novidades nas araras. O faturamento líquido aumentou em 37% depois deste novo posicionamento da marca.14 Então, para a empresa desenvolver o seu posicionamento, pode seguir as etapas descritas em Oliveira (2012): 1. Definição do público-alvo proveniente do processo de segmentação; 2. Identificação e mapeamento dos concorrentes; 3. Verificar como os concorrentes são percebidos e avaliados pelo público; 4. Analisar o público-alvo para verificar que variáveis são valorizadas; 5. Analisar os objetivos da empresa e do que ela é capaz de oferecer; 6. Selecionar a posição desejada; 7. Decisões do composto de marketing (preço, praça, promoção e produto); 14 Dib, Ana Cristina. Valor de mercado da Hering cresce 10 vezes após reposicionamento da marca. Disponível em: http://portaldebranding.com/v1/?p=1011. http://portaldebranding.com/v1/?p=1011 48 MARKETING ESTRATÉGICO 8. Implementação das estratégias e ações; 9. Monitoramento da posição; 10. Avaliação e revisão constante. E este deve ser um ciclo na empresa, haja vista que mudanças podem acontecer e torne necessário um reposicionamento da marca. O posicionamento pode basear-se em seis dimensões, citadas por Hooley et. al. (2011): Preço baixo ou alto; qualidade premium ou básica; serviço superior ou limitado; inovação ou imitação; diferenciação ou não diferenciação; e customização ou padronização. Para cada situação, o sucesso depende de algumas condições. Quando a empresa opta pelo posicionamento a preço baixo, atende a um segmento de mercado que é sensível a preço e indiferente a padrões, então, o foco estratégico é na eficiência interna (fazer mais com menos); para que isso aconteça, é preciso ter sistemas eficazes de controle de custos, sistemas internos de informações e processos ligados à qualidade total. No posicionamento por qualidade Premium, o segmento escolhido é de clientes exigentes, com capacidade de discernimento e menos sensíveis a preços. Assim,o controle de qualidade é fundamental, bem como uma gestão de imagem. Internamente, a empresa deve ter uma capacidade maior de sensibilidade de mercado (conhecer em detalhes únicos), excelente sistema de controle e garantia da qualidade e uma preocupação com a imagem e reputação da empresa ou marca. Optando por um posicionamento por inovação, as características deste segmento envolvem clientes inovadores, aventureiros e adotantes iniciais, e o foco estratégico é no pioneirismo do mercado e na melhoria contínua. Para tanto, a empresa deve ter a capacidade de identificação de lacunas do mercado, com habilidades criativas de pesquisa e desenvolvimento, capaz de investir em desenvolvimento de novos produtos e serviços. Posicionando-se por serviço superior, o segmento de consumidores é sensível a serviço e menos sensível a preço, portanto, o foco estratégico deve ser na gestão do relacionamento com clientes, assim, é imprescindível atenção a detalhes no serviço, à equipe competente e motivada com monitoramento e feedback contínuo. No posicionamento por benefícios diferenciados, os clientes querem benefícios selecionados. O foco é na liderança no segmento, assim, internamente, 49 MARKETING ESTRATÉGICO deve-se ter sensibilidade ao mercado, criatividade na segmentação e competências relacionadas ao desenvolvimento de produtos /serviços. E, por fim, o posicionamento customizado onde a empresa tem clientes individuais. O foco estratégico é na personalização, de acordo com requisitos individuais dos clientes, deste modo, é preciso ter capacidade para ouvir os requisitos dos clientes, estabelecer vínculos com clientes e construir relacionamentos. Você acaba de compreender uma das etapas mais importantes do marketing: saber quem é seu cliente e posicionar-se de acordo com os seus interesses. Segmentar adequadamente seu público-alvo possibilita atingir melhores resultados operacionais e financeiros, pois facilita o desenvolvimento de diferenciais junto a estes consumidores. Você já pode se considerar quase um especialista em marketing. Vamos lá, estamos na reta final! Dica de Leitura: Pesquise e leia sobre o Mapeamento Perceptual, ferramenta para analisar objetos concorrentes sob a ótica do segmento alvo. Saiba mais: Pesquise na internet sobre o Top of Mind que se refere a uma pesquisa onde o consumidor é indagado sobre a primeira marca que lhe vem à mente, quando se fala uma categoria do produto. 4.3 DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE MARKETING Estamos, agora, na última unidade de estudo. Você já analisou a base da gestão mercadológica, seus conceitos básicos, entendemos o comportamento do 50 MARKETING ESTRATÉGICO consumidor para segmentá-lo e posicionar-se de acordo com o que os consumidores realmente desejam. Nesta última unidade, vamos ver as estratégias propriamente ditas. Já é sabido que o cenário atual exige das empresas uma evolução contínua das estratégias desenvolvidas. Da mesma forma que o mercado é mutante, o consumidor o será e, consequentemente, levará as empresas a essa mutação. Dois níveis devem ser considerados no desenvolvimento das estratégias. O primeiro nível, em longo prazo, deve acompanhar a evolução do mercado, as necessidades do indivíduo, identificação de segmentos e mercados atrativos. O outro nível é de ação em curto prazo, gerenciando o composto de marketing, usando de forma eficiente e eficaz os recursos da empresa. O objetivo maior de toda empresa quando desenvolve estratégias é a maior participação no mercado, receita e lucro no produto e mercado selecionado. Podem-se dividir as estratégias, segundo Oliveira (2012), em estratégias de crescimento e competitivas. As estratégias de crescimento estão voltadas aos seus negócios, produtos e mercados, alcançando verticalmente seus objetivos pelo desenvolvimento interno, aquisições, fusões ou alianças estratégicas, muito comuns no mercado atual. Glossário Aquisições: quando uma empresa compra outra de menor porte assumindo o seu controle parcial ou total. Fusões: duas ou mais empresas se unem para fundar uma nova sociedade comercial. Alianças estratégicas: quando duas ou mais empresas se unem para tornarem-se mais competitivas no mercado do que ser estivessem sozinhas. Join venture: a união de duas ou mais empresas por um determinado período, a fim de proporcionar lucro. A Sulamérica Seguros deixa bem clara, em seu site institucional, que sua estratégia de crescimento é baseada em aumento do portfólio de produtos 51 MARKETING ESTRATÉGICO e serviços por meio da inovação e aumento da sua rede de distribuição. Seu objetivo é aumentar a participação de mercado e de diversas fusões, aquisições e join ventures expande e fortalece a participação no mercado mundial.rentabilidade.A Cargill busca crescimento e oportunidades por estratégias de aquisições. Participando Saiba mais Leia a Revista Cargill de 2006, onde estão em destaque, justamente, as estratégias de crescimento da Cargill. Disponível em: http://www.cargill.com.br/wcm/groups/public/@csf/@brazil/documents/document/carg ill_brasil_revista_out2006.pdf Vamos estudar melhor estas estratégias sob a visão de Urdan (2006). Este autor coloca estratégias genéricas para alcançar a expansão, combinando produtos e mercados. Quando objetivamos os mercados atuais e produtos atuais, a estratégia da empresa deve ser de penetração de mercado. Ou seja, vender mais unidades dos produtos para os clientes que já atende, ou conquistar clientes pertencentes ao atual mercado potencial que ainda não consomem, ou atrair consumidores da concorrência. Para produtos novos em mercados atuais é oportuno o desenvolvimento de produto. Assim, a empresa desenvolve novos produtos que, quanto maior a inovação, mais forte é a estratégia. Esses consumidores buscam produtos novos, com novos diferenciais, superiores aos atuais. Atingir mercados novos com os produtos atuais é preciso o desenvolvimento de mercado. Facilmente identificada esta estratégia quando a empresa procura oferecer seus produtos em outras cidades, estados. Quando o produto está no topo do ciclo de vida, pode-se optar por alçar novos rumos em mercados potenciais, sem deixar de identificar perfis de consumidores aptos. Outro fator a ser analisado é que será necessário escolher o canal de distribuição adequado. Mercados novos e produtos novos requerem uma estratégia de diversificação. Dá oportunidade à empresa de gerenciar melhores flutuações ambientais. É conveniente a empresa ter produtos e mercados diversos em que algum http://www.cargill.com.br/wcm/groups/public/@csf/@brazil/documents/document/cargill_brasil_revista_out2006.pdf http://www.cargill.com.br/wcm/groups/public/@csf/@brazil/documents/document/cargill_brasil_revista_out2006.pdf 52 MARKETING ESTRATÉGICO produto apresenta resultados positivos, enquanto o outro vive um momento de queda nas vendas. Além destas estratégias de expansão que você viu nos parágrafos anteriores, é possível ainda desenvolver estratégias de integração e aliança. No caso das estratégias de integração, nós podemos fazê-las de três formas em toda a cadeia de suprimento, como demonstrada na figura 13, extraída de Urdan (2006). Figura 13 – Estratégias de integração Fonte: Adaptado de Urdan (2006) Vamos entender um pouco mais sobre estas estratégias. Integração para frente – integra etapas subsequentes da cadeia de suprimentos. Por exemplo, uma indústria que parte para oferecer, diretamente no varejo, em lojas próprias. A integração para trás – a empresa começa a desenvolver atividades antes feitas pelos fornecedores. Por exemplo, a empresa começar a produzir a sua própria matéria-prima. A integração Horizontal – adquirir o seuconcorrente direto é uma forma de expansão rápida. Possibilita aumentar o domínio sobre o Mátérias Primas Fornecedores Empresa Distribuidores Produtos Acabados Integração para Trás Integração Horizontal Integração para Frente 53 MARKETING ESTRATÉGICO mercado e, portanto, tal negociação é avaliada pelo CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico). E, por fim, a Aliança ou Join Venture – A empresas desenvolvem parcerias estratégicas para obter benefícios no mercado, juntas, elas podem aumentar o seu potencial. As estratégias competitivas referem-se a decisões para alcançar uma vantagem competitiva sustentável. Observam-se, no mercado atual, duas empresas que representam estratégias competitivas opostas. A Apple, que desenvolve e comercializa o Iphone, tem consumidores que esperam avidamente o próximo lançamento, fazem filas para não ficarem sem a nova versão. O aparelho celular é de alta tecnologia, inovação, durabilidade, qualidade e usabilidade, são produtos diferenciados, e por conta disso, o valor ao consumidor é elevado. Pode-se, portanto, dizer que sua estratégia competitiva é de diferenciação. Por outro lado, o seu competidor direto é a Samsung e seus smartphones Galaxy. Seus produtos são também de alta tecnologia, contudo, recebe do Google, gratuitamente, seu sistema operacional Android. Além disso, a empresa já fabrica dispositivos eletroeletrônicos, facilitando a entrada no mercado. Consegue, portanto, oferecer ao mercado smartphones com preços mais acessíveis, justamente para competir com a Apple. Sua estratégia competitiva é baseada em custo. As estratégias competitivas, desta forma, são classificadas em estratégias de diferenciação, liderança em custos e enfoque, descritos por Urdan (2006). Diferenciação – o produto ou serviço é referência no mercado, apresenta vantagens exclusivas e, desde que o consumidor esteja disposto a pagar, pode vender a preços mais altos e com margens de lucro maiores. Oferecendo manufaturados, é preciso ter funções exclusivas e desempenho acima da média. No caso dos serviços, pode-se priorizar o nível de serviço, localização privilegiada, design do ambiente, entre outros. O mais importante é que o cliente perceba a diferença. Quando da expansão do mercado da aviação, a TAM - Linhas Aéreas - buscava oferecer aos seus consumidores diferenciação. O programa 54 MARKETING ESTRATÉGICO de milhagens, onde o consumidor a tantos voos ganharia um de graça, criação de salas VIP’s nos aeroportos, serviço de bordo diferenciado, happy hour e sorteio de brindes de empresas parceiras, na percepção do consumidor, valeria a pena pagar um pouco mais. A Natura Cosméticos é outro exemplo de estratégias de diferenciação relacionadas à imagem e marca. A empresa é reconhecida pela sua identidade com a responsabilidade social e ambiental, oferecendo produtos únicos no mercado e, consequentemente, com alto valor agregado. Liderança no custo total – para que se consiga competir por meio desta estratégia, toda a construção e gestão da estrutura produtiva devem obedecer a esse objetivo. Para oferecer produtos a baixos custos, é preciso que os custos unitários sejam baixos, para tanto, é preciso trabalhar em economia de escala, com altos volumes de produção, maximizar a utilização da capacidade produtiva, a escolha da matéria-prima e dos fornecedores, bem como o projeto do produto são essenciais. A empresa pode ter preços equiparados à concorrência, mantendo uma boa margem e lucro, ou oferecer o menor preço do mercado, aumentando sua participação. Um bom exemplo de liderança baseada em custo é do fast food Habib’s, transcrita inclusive no seu slogan “é muito mais sabor por muito menos”. A empresa oferece produtos abaixo de R$ 1,00 e tem mais de 400 lojas em operação. Um dos seus produtos vendidos abaixo deste preço, a esfiha, vende em média 600 milhões de unidades. As empresas que comercializam medicamentos genéricos, pela própria padronização da ANVISA, têm como alternativa a competição mediante a estratégia de custo. Os princípios ativos são próximos e as embalagens são padronizadas, para ganhar mercado, é preciso oferecer o menor custo, como é o caso da EMS. 55 MARKETING ESTRATÉGICO Enfoque – atende a necessidades específicas de um grupo de consumidores mais reduzido, podendo competir por diferenciação ou liderança em custo. No caso da diferenciação, a Volkswagem atendeu ao público entre 35-54 anos, nostálgico, com o lançamento do New Beetle, o novo fusca. Você, como profissional do marketing, não pode esquecer que segmentar o mercado e posicionar-se adequadamente, como já falamos na unidade 5, é imprescindível. Segmentar o mercado é uma ação verdadeiramente estratégica. Trabalhar com produtos voltados à massa, com um público cada vez mais diversificado em seus interesses e necessidades, não trará resultados significativos para empresa. Logicamente que segmentar envolve um volume de atividades relacionadas à inteligência do marketing muito maior, como: conhecer os fatores que envolvem o seu segmento alvo, desenvolver produtos ou serviços específicos para este mercado, o que aumenta, com certeza, os custos de produção, portanto, o produto ou serviço desenvolvido deve despertar o interesse e a motivação para compra, e num preço que este consumidor esteja disposto a pagar. Por outro lado, diante da alta concorrência, está cada vez mais difícil ocupar um lugar na mente do consumidor, então, tornou-se também estratégico posicionar-se adequadamente diante do mercado consumidor. Ter um posicionamento forte que influenciará o pensamento, sentimento e comportamento do consumidor, é também verdadeiramente estratégico. Lembre-se dos diferentes posicionamentos que estudamos na Unidade 5, ao optar pelo segmento específico, devemos nos posicionar estrategicamente e ajustar nossas capacidades internas para atingir objetivos operacionais e financeiros. Terminamos, aqui, o conteúdo referente ao marketing estratégico, contudo, é importante ressaltar que não esgotamos em absoluto tudo o que precisamos saber 56 MARKETING ESTRATÉGICO sobre o desenvolvimento de estratégias mercadológicas. E, mesmo se lêssemos a infinidade de livros que escrevem sobre o assunto, também não esgotaríamos as possibilidades de aprendizado, pois o mercado é dinâmico; portanto, a cada dia os consumidores são surpreendidos por novas estratégias, assim como os profissionais de marketing são surpreendidos por novas necessidades dos consumidores, ou seja, no marketing, estamos aprendendo todo o dia. 57 MARKETING ESTRATÉGICO REFERÊNCIAS BASTA, Darci. Fundamentos de Marketing. Darci Basta, Fernando Roberto de Andrade Marchesini, José Antonio Ferreira de Oliveira, Luiz Carlos Seixas de Sá. 3 Ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. HOOLEY, Graham. et.al. Estratégia de Marketing e Posicionamento Competitivo. Traduçao Luciane PAuleti e Sonia Midori. 4 Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. KERIN, Roger A. et.al. Marketing.Tradução Alexandre Melo de Oliveria. Revisão Técnica Fatima Cristina Trindade Bacellar. 8 Ed. São Paulo: Mc-Graw-Hill, 2007. KOTLER, Philip. KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. Tradução Mônica Rosenberg, Brasil Ramos Fernandes, Claúdia Freire. Revisão Técnica Dilson Gabriel dos Santos. 12 Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006 LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Administração de Marketing: conceitos, planejamento e aplicações à realidade brasileira. São Paulo: Atlas, 2006. OLIVEIRA, Braulio. Gestão de Marketing. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012. URDAN, Andre Torres. URDAN, Flavio Torres Marketing Estratégico no Brasil: teoria e aplicações. São Paulo: Atlas, 2010.