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Rizogênese Incompleta Léa Assed Bezerra da Silva Sada Assed Francisco Wanderley Garcia de Paula e Silva 20 Quando se faz necessário o tratamento endodôntico dos dentes permanentes jovens com rizogênese incompleta, ou seja, aqueles cujo ápice radicular, histologi- camente, não apresenta a dentina apical revestida por cemento, e radiografica- mente, o extremo apical da raiz não atinge o estágio 10 de Nolla44 (Figs. 20.1A e B e 20.2), a técnica indicada, pulpotomia ou tratamento endodôntico radical, está na dependência direta do estado patológico da polpa e da presença ou não de lesão periapical. O tratamento endodôntico dos dentes com rizogênese incompleta foi durante algum tempo, efetuado em uma única sessão, uma vez que se acreditava que a bainha de Hertwig, após a obturação, terminaria o processo de formação do ápice radicular (Figs. 20.3A e B). Essa técnica imediata de obturação, particularmente nos dentes com necrose pulpar e lesão periapical visível radiograficamente, entre- tanto, oferecia um índice de sucesso clínico e radiográfico muito pequeno sendo, por isso, atualmente, contra-indicada pelos pesquisadores. Um dos fatores que contra-indicam o tratamento imediato desses dentes são, dentre outros, os aspectos anatômicos peculiares aos mesmos. Dentre esses as- pectos, podemos citar a morfologia interna das raízes dos dentes permanentes jovens, com rizogênese incompleta, que apresentam características próprias, ou ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 742 seja, paredes radiculares finas e frágeis, com aber- tura apical de diâmetro maior que o do canal radi- cular (Figs. 20.4 e 20.5). Estas características difi- cultam ou mesmo impossibilitam a preparação bio- mecânica, já que o uso de limas em diâmetros seqüenciais apresenta ação limitada, tendo em vis- ta que, mesmo os instrumentos de maior diâmetro (Fig. 20.6) passam livremente no interior do canal radicular e as paredes delgadas impedem qualquer conformação convencional do mesmo (Fig. 20.7). Paralelamente, a fase de obturação é também confrontada com problemas, uma vez que o prepa- ro biomecânico não pode determinar um batente apical necessário para o “travamento” do cone de guta-percha principal, permanecendo assim o risco de uma sobreobturação, mesmo quando são utiliza- dos cones de maior diâmetro, devido à não existên- cia de um impedimento mecânico à condensação necessário para o estabelecimento do selamento apical completo e o mais hermético possível. Fig. 20.2 Dente 21 com rizogênese incompleta. Observe a divergência do canal radicular para apical e seu amplo diâmetro. Fig. 20.1A Dente 36 com rizogênese incompleta. Abertura apical acentua- damente ampla. Fig. 20.1B Dente 36 com rizogênese incompleta no estágio 7 de Nolla. RIZOGÊNESE INCOMPLETA 743 Fig. 20.3A Ápice de dente de cão com rizogênese incompleta. Observe a ampla polpa radicular e vasos sanguíneos em número eleva- do. Tricômico de Mallory. Zeiss – 24x. Fig. 20.3B Presença da bainha de Hertwig em dente de cão com rizogê- nese incompleta. Tricômico de Mallory. Zeiss – 40x. Fig. 20.5 Molar de humano com rizogênese incompleta. Paredes radi- culares finas e com abertura apical excessivamente ampla, impossibilitando o preparo do batente apical. Fig. 20.4 Pré-molar de humano com rizogênese incompleta. Paredes radiculares finas, frágeis e curtas. ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 744 Além disso, a comprovação radiográfica do se- lamento apical não pode ser considerada como re- presentativa do real, uma vez que os canais radicu- lares dos dentes permanentes jovens apresentam forma elíptica no sentido vestíbulo-lingual e, desse modo, a abertura apical é muito maior do que aquela apresentada pela imagem radiográfica no aspecto mesiodistal. Uma radiografia intra-bucal padrão não possibilita a análise da obturação do canal radicular no sentido vestíbulo-lingual10. Assim, considerando os aspectos anatômicos acima mencionados, as técnicas de tratamento en- dodôntico dos dentes permanentes jovens, com ri- zogênese incompleta, variaram em função do tem- po e de acordo com diferentes autores. Há alguns anos, o tratamento endodôntico desses dentes com amplos ápices abertos era limi- tado à adaptação do material obturador a estes ápices através de métodos convencionais56, à utili- zação de pasta obturadora (Diaket)17 e à utilização da cirurgia apical, completando o selamento do ápi- ce radicular por meio de obturação retrógrada com amálgama de prata28. A totalidade destes procedi- mentos, sujeita às limitações inerentes a essas pró- prias técnicas, associadas à condição anatômica do ápice radicular do dente permanente jovem, em muito comprometia o sucesso do tratamento endo- dôntico realizado. Assim, a técnica de obturação com cones de guta-percha de maiores diâmetros e cimento obtura- dor apresentava inconvenientes que a tornavam bas- tante limitada pois, devido à inexistência do batente apical, ocorriam dificuldades para a obtenção de um selamento apical o mais hermético possível e au- mentavam as possibilidades de extravasamento do material obturador para a região periapical, o que contribuía para manter uma irritação dificultando, ou mesmo impedindo, o fechamento apical. Fig. 20.6 Limas tipo K de 3ª série. Fig. 20.7 Divergência do canal radicular no sentido apical. Observe a impossibilidade de limpeza por meio de lima tipo K. RIZOGÊNESE INCOMPLETA 745 Atualmente, de acordo com a literatura especí- fica, a opção mais adequada para o tratamento endodôntico de dentes permanentes com rizogêne- se incompleta e vitalidade pulpar é o tratamento endodôntico conservador, ou seja, a pulpotomia. No entanto, quando o caso clínico em questão exigir a realização de tratamento endodôntico radi- cal (Biopulpectomia, Necropulpectomia I ou II), o tratamento ideal consiste em se estimular o fecha- mento apical por meio de obturações temporárias do canal radicular com substâncias medicamento- sas, denominadas “curativos expectantes”, até que sejam obtidas as condições anatômicas que permi- tam realizar a obturação definitiva, hermética do canal radicular com cones de guta-percha e cimen- to obturador. Quando se faz necessário o tratamento endo- dôntico desses dentes, a técnica indicada, conser- vadora ou radical, está na dependência do estado patológico da polpa. Frente à técnica indicada, conservadora ou ra- dical, após o tratamento endodôntico podem ocor- rer 2 processos de fechamento apical: a apicigêne- se (Fig. 20.8) e a apicificação (Figs. 20.9A a C). APICIGÊNESE A Apicigênese ocorre após pulpotomia, em dentes com vitalidade pulpar, sendo observado o processo fisiológico de fechamento normal do ápice radicular e o término do desenvolvimento da dentina radicular, como também a formação do canal cementário, levan- do o canal radicular à sua forma e comprimento nor- mais. A apicigênese é observada após a pulpotomia, sendo a mesma indicada somente quando após anamne- se, exame clínico e radiográfico o diagnóstico for de vitalidade pulpar (ver Capítulo 16). Assim, para que ocorra a apicigênese, é necessário que o remanescen- te pulpar mantenha a sua vitalidade, permitindo a completa deposição de dentina e cemento radiculares. Como já salientado, após a pulpotomia obser- va-se o término da formação da raiz fisiologicamen- te, sendo o mesmo comprovado pelo cirurgião-den- tista por meio do exame radiográfico (Figs. 20.10A e B). Além disso, o material capeador utilizado após a pulpotomia deve ser biocompatível, assim como permitir a reparação do tecido pulpar e a deposição de uma barreira de tecido mineralizado no local do corte da polpa. Fig. 20.8 Ápice de dente de cão após pulpotomia com hidróxido de cálcio. Término da formação radicular e ligamento periodontal normal – apicigênese. H.E. Zeiss – 24x. ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 746 Fig. 20.9A Ápice radicular de dente de cão após biopulpectomia. Fecha- mento da abertura apical por tecido mineralizado – apicifica- ção. H.E.Zeiss – 24x. Fig. 20.9B Detalhe da figura anterior evidenciando o tecido neoformado do tipo cementóide. H.E. Zeiss – 40x. Fig. 20.9C Corte histológico de dente de cão após apicificação empre- gando a pasta Calen como curativo expectante. Barreira api- cal irregular formada por tecido mineralizado semelhante ao cemento. H.E. Zeiss – 40x. RIZOGÊNESE INCOMPLETA 747 APICIFICAÇÃO A apicificação é observada após tratamento en- dodôntico radical, e é representada por um fecha- mento apical induzido do ápice radicular, ocasiona- do pela formação de tecido mineralizado em nível apical, o qual pode determinar ou não o aumento do comprimento radicular (Figs. 20.11A e B). É caracterizada por um tecido mineralizado do tipo cementóide, formado às custas de células do tecido periodontal. Nestes casos, a raiz não conti- nua sua formação fisiológica, assim como as pare- des do canal não atingem sua espessura dentinária fisiológica. O elemento dental, após a pulpectomia, permanecerá com o mesmo comprimento que apresentava no momento da morte pulpar ou da pulpectomia. Esse fato se deve à afirmação de que somente a polpa pode formar a dentina, e pode ser confirmado pelo clínico por meio da tomada radio- gráfica. Fig. 20.11B Aspecto radiográfico 14 meses após trocas mensais de curati- vo à base de hidróxido de cálcio. Observe que houve aumen- to do comprimento radicular e fechamento apical. Fig. 20.11A Dente 36 com rizogênese incompleta e lesão periapical. Fig. 20.10A Aspecto radiográfico do dente 36 apresentando rizogênese incompleta e submetido à pulpotomia com hidróxido de cál- cio. Observe a lâmina dura intacta. Fig. 20.10B Radiografia de controle após pulpotomia com hidróxido de cálcio. Observe a ocorrência do processo de apicigênese. ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 748 Importância do Exame Radiográfico Os dentes com rizogênese incompleta apresen- tam, antes do término da formação radicular, uma área radiolúcida circundada por uma linha radiopaca na região apical, denominada espaço de Black, a qual é preenchida por células mesenquimais indiferencia- das responsáveis pela formação radicular. É importan- te que o profissional saiba diferenciar essa área radio- lúcida fisiológica e normal da área radiolúcida e pato- lógica presente nos dentes com lesão periapical. A diferenciação dessas duas situações clínicas pode ser realizada pela observação da presença ou não da lâmina dura. Nos dentes com vitalidade pulpar, o espaço de Black é contornado por uma área radiopaca e contínua denominada de lâmina dura (Fig. 20.12). Nos dentes com rizogênese in- completa e lesão periapical a lâmina dura está ausente ou então interrompida, indicando para esses dentes o tratamento endodôntico radical (Fig. 20.13). Fig. 20.12 Aspecto radiográfico do dente 36. Observe a área radiolúcida na região apical (espaço de Black) circunscrita por uma linha radiopaca (lâmina dura). Fig. 20.13 Aspecto radiográfico do dente 46 com rizogênese incompleta evidenciando área radiolúcida apical e periapical difusa, de- monstrando uma lesão periapical crônica (ausência de lâmina dura). 1. DENTES COM VITALIDADE PULPAR Pulpotomia Com base não somente nos sinais e sintomas mas, principalmente, no aspecto macroscópico do te- cido pulpar, indica-se a pulpotomia nos casos onde, após a realização da abertura coronária, a polpa apre- senta-se com aspecto macroscopicamente vital, isto é, com consistência (corpo), hemorragia suave, san- gue de coloração vermelho-rutilante e resistência ao corte (para maiores detalhes ver Capítulo 16). Quando adequadamente indicada e realizada, a pulpotomia é considerada um tratamento defini- tivo para os dentes com rizogênese incompleta, uma vez que conduz à apicigênese, com manuten- ção do tecido pulpar radicular em condições de normalidade. Após a pulpotomia, é indispensável o controle clínico e radiográfico durante 2 anos. Biopulpectomia Nas situações clínicas onde o diagnóstico é de vitalidade pulpar, porém há destruição coronária excessiva, com necessidade da colocação de pinos intra-radiculares, é indicada a Biopulpectomia, que, segundo Leonardo33,35 é a técnica de trata- mento endodôntico radical para dentes com vitali- dade pulpar. Resumidamente, a biopulpectomia deve ser efetuada de acordo com a técnica operatória des- crita a seguir: RIZOGÊNESE INCOMPLETA 749 a. Radiografia para diagnóstico Previamente à realização do ato operatório deve ser realizada uma radiografia periapical para diagnóstico. b. Anestesia e isolamento do campo operatório A técnica para anestesia, assim como para o isolamento do campo operatório, não difere daque- la preconizada para os dentes com ápices fechados. É importante frisar a importância da cadeia assépti- ca durante o tratamento, como forma de manuten- ção da vitalidade do coto pulpar, sendo a mesma fundamental para o sucesso após tratamento. c. Anti-sepsia do campo operatório Realizada com gluconato de clorexidina a 1-2%. d. Abertura coronária A abertura coronária convencional, quando rea- lizada nos dentes permanentes com rizogênese in- completa, nem sempre oferece acesso suficiente e direto aos canais radiculares, não permitindo, nesses dentes, que o instrumento atinja todas as paredes do canal radicular resultando, freqüentemente, em áreas não instrumentadas. Assim, como conseqüên- cia, sempre se faz necessário um desgaste maior de tecido dental que o convencional, durante a abertura coronária, para que se possa atingir corretamente o objetivo de exposição da câmara pulpar e de remo- ção de seu teto (Fig. 20.14). O desgaste compensatório deve ser efetuado com broca Endo-Z ou ponta diamantada 3082 ou 3083, seguido da remoção da polpa radicular com lima Hedströen de ponta romba e diâmetro compa- tível com o canal radicular. e. Preparo biomecânico Nesses dentes, o Comprimento Real de Traba- lho (CRT) deve ser cuidadosamente determinado, situando-se 1,5 mm aquém do ápice radiográfico (Figs. 20.15A e B), uma vez que o limite do forame apical se apresenta irregular. Se a este limite o paciente apresentar sensibilidade, ou se houver he- morragia, o comprimento deve ser diminuído até a eliminação desses sintomas, evitando lesar a área periapical aberta. Também nesses dentes, o locali- zador eletrônico de ápice não fornece, com exati- dão, o real comprimento de trabalho, principalmen- te quando a abertura apical é superior a 0,5 mm. Em função da ausência de contaminação bacteriana e da fragilidade das paredes dentinárias do canal radicular, a instrumentação nos casos de vitalidade pulpar é restrita ao uso de uma lima tipo K de 3a série, associada à abundante irrigação/suc- ção com soro fisiológico, água de hidróxido de cál- cio ou solução de hipoclorito de sódio a 1% (Solu- ção de Milton). A irrigação abundante evita que detritos fi- quem em contato com as paredes dentinárias, auxi- liando na limpeza biomecânica e proporcionando uma resposta apical favorável19. f. Curativo de demora Nos casos de biopulpectomia, a utilização de um curativo de demora não se faz necessária, uma vez que não há contaminação bacteriana no tecido pulpar e a finalidade básica do curativo de demora é atuar como agente antimicrobiano, eliminando/ reduzindo a infecção. g. Curativo expectante O objetivo do curativo expectante é promover a mineralização. O hidróxido de cálcio, puro ou em associa- ções, permanece, nos dias atuais, como o material mais aceito para a indução da complementação radicular utilizado como “curativo expectante”, de- vido à sua real capacidade de estimular a forma- ção de tecido mineralizado, à semelhança do que ocorre em polpas dentais, após a proteção pulpar Fig. 20.14 Desgaste efetuado na abertura coronária para exposição da câmara pulpar, possibilitando que o instrumento atinja todas as paredes do canal. ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 750 direta e a pulpotomia1,3,4,5,6,8,11,13,14,15,20,22,25,30,31,32,36,37, 38,40,41,42,45,46,47,48,49,54,55,60,61. A zona definida de necrose, provocadapelo hidróxido de cálcio, considerada leve pelos auto- res12,50, estimula a migração e proliferação de célu- las vasculares no combate ao agente irritante, se- guida de migração e proliferação de células mesen- quimais e formação de colágeno. Paralelamente, o hidróxido de cálcio é considerado como um mate- rial compatível com as células pulpares, não tendo efeito posterior sobre a proliferação e crescimento celular. Após a indução de área de necrose autolimi- tante pelo hidróxido de cálcio, inicia-se a minerali- zação do colágeno recém-formado, sendo a presen- ça do íon Ca++ da pasta importante para o início da mineralização, uma vez que o mesmo contribui para a precipitação de carbonato de cálcio na área lesada. Com esse processo de precipitação de cris- tais de carbonato de cálcio, inicia-se a mineraliza- ção do colágeno recém-formado. O pH alcalino também é importante, particularmente quando os tecidos se encontram inflamados, pois o hidróxido de cálcio modifica o pH do meio a níveis mais favo- ráveis para a atividade celular, auxiliando o proces- so de reparo2. O hidróxido de cálcio pode ser levado ao canal radicular sob a forma de pó, através de porta-amál- gama, e também quando misturado à água destila- da, soro fisiológico ou soluto de Ringer, ou outros veículos por meio de Lentulo, ou seringas especiais. Nossa preferência para o “curativo expectante” é pela utilização da pasta Calen®, à base de hidró- xido de cálcio (S.S. White, Artigos Dentários Ltda., Rio de Janeiro, RJ) (Fig. 20.16) levada ao canal radicular por meio da seringa ML (S.S. White, Arti- gos Dentários Ltda., Rio de Janeiro, RJ) e agulha 27G longa (Fig. 20.17) devido à possibilidade de melhor respeitar o Comprimento Real de Trabalho, durante a colocação do curativo. Também, a utiliza- ção da seringa ML permite uma técnica mais fácil e em menor período de tempo. Previamente à colocação do curativo expectan- te, deve-se proceder a toalete do canal radicular, a fim de remover a “smear layer” das paredes dentiná- rias. Para isso, preconizamos preencher o canal com Figs. 20.15A e B Comprimento Real de Trabalho: 1,5 mm aquém do ápice nos casos de Biopulpectomia. A B RIZOGÊNESE INCOMPLETA 751 EDTA, o qual deve ser agitado com lima, no interior do canal, por 3 minutos. Em seguida, o canal radicu- lar deve ser irrigado com hipoclorito de sódio a 1% e seco com pontas de papel absorvente esterilizadas. Após o preenchimento do canal radicular com a pasta, deve ser efetuada uma tomada radiográfi- ca para se observar o correto preenchimento do mesmo. Sendo a radiopacidade da pasta semelhan- te à da dentina, o preenchimento estará satisfatório quando não houver espaço vazio em todo o ele- mento dental (Fig. 20.18). h. Selamento coronário provisório O adequado selamento coronário provisório entre sessões é de fundamental importância, em todas as etapas do processo de indução da apicifi- cação, a fim de evitar a ocorrência de microinfiltra- ção marginal e contaminação bacteriana, a qual certamente prejudica a ocorrência do processo de reparo e ocasiona interrupção na formação da bar- reira mineralizada neoformada (Fig. 20.19). Indicamos em dentes posteriores o selamento coronário provisório com cimento à base de óxido de zinco e eugenol de boa procedência, corretamente manipulado, em função da sua resistência e selamen- to marginal adequados ou o ionômero de vidro e, em dentes anteriores, o ionômero de vidro, uma vez que o eugenol pode alterar a cor e afetar a polimerização da resina composta no momento da restauração. i. Renovação do curativo expectante A renovação do curativo expectante deve ser efetuada a cada 30 ou 60 dias, até que seja obser- vado o fechamento apical. Segundo Kirinons et al.30, a maior freqüência de trocas de pasta à base de hidróxido de cálcio aumenta a velocidade da formação da barreira de tecido mineralizado, em nível apical. O curativo é removido por meio de sucessivas irrigações com soro fisiológico ou hipo- clorito de sódio a 1% e utilização de uma lima tipo K nas paredes do canal radicular, seguida por nova irrigação/sucção. Fig. 20.16 Pasta à base de hidróxido de cálcio (Calen – S.S. White Arti- gos Dentários, Rio de Janeiro, RJ), empregada como curativo expectante. Fig. 20.17 Seringa ML (S.S. White Artigos Dentários, Rio de Janeiro, RJ) e agulha 27G longa. ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 752 j. Confirmação clínica e radiográfica do fecha- mento apical A barreira apical formada, quando fibrosa (Fig. 20.20), não é constatada radiograficamente, po- dendo ser verificada por meio uma lima introduzida suavemente no interior do canal radicular no Com- primento Real de Trabalho27. A barreira mineralizada apical é visualizada por meio do exame radiográfico com o canal vazio. É muito importante que o curativo seja efetivamente removido do canal radicular por meio de sucessivas irrigações para que a barreira mineralizada não seja confundida com resíduos de pasta. Assim, somente após isolamento absoluto e remoção do curativo, deve ser efetuada a radiografia para observação da barreira neoformada (Fig. 20.21). Embora a barreira apical formada seja, na maio- ria das vezes, constatada radiograficamente, quan- do isto não ocorre, a mesma pode ser também verificada por meio da introdução de uma lima, suavemente, no interior do canal radicular, uma vez que as radiografias podem não revelar barreiras, mesmo quando estas existem5,7,43,58,59. Estas barrei- ras mineralizadas variam quanto à forma, espessu- ra e tempo de formação e em relação ao diâmetro apical do canal tratado18. k. Tempo necessário para o fechamento do ápice radicular Nos casos de biopulpectomia, o fechamento do ápice radicular, em geral, ocorre após o perío- do de 3 a 8 meses. Esse tempo é influenciado pelo estágio de Nolla no qual o dente se apre- senta. l. Obturação do canal radicular A obturação deve ser realizada pela Técnica Clássica, com condensação lateral ativa, empregan- do o cimento obturador Sealapex ou AH-Plus, da seguinte maneira: Fig. 20.18 Aspecto radiográfico do dente 21 após preenchimento do canal radicular com a pasta Calen. Fig. 20.19 Ápice radicular de dente de cão com intenso infiltrado infla- matório e reabsorção óssea em função de contaminação devi- do à queda do selamento coronário provisório H.E. Zeiss – 24x. A B RIZOGÊNESE INCOMPLETA 753 • Efetuar a seleção clínica e radiográfica do cone de guta-percha principal. Em canais amplos, onde os cones nº 140 não se prendem ao diâmetro anatômico apical ou ao batente apical, deve ser confeccionado um cone de guta-percha individual. Confecção do cone individual Aquecer três ou mais cones de guta-per- cha de segunda série sobre uma chama, unindo-os de modo a formar um único feixe. Após ligeiro aquecimento, o feixe de cones deve ser rolado entre duas placas de vidro, formando um cone único e ho- mogêneo. Após resfriamento e endureci- mento, o cone estará em condição de ser utilizado. Limite apical de obturação Após a sua confecção, anti-sepsia com gluconato de clorexidina a 1-2% e seca- gem com gaze esterilizada, o cone deve Fig. 20.20 Ápice radicular de dente de cão apresentando barreira fibrosa apical. H.E. Zeiss – 24x. Fig. 20.21 Aspecto radiográfico da barreira mineralizada neoformada. ser levado ao canal radicular, com movi- mentos de bombeamento, até que se consiga reproduzir a forma interna do ca- nal no CRT (limite apical da obturação). • Levar o cone principal ao interior do canal e testar sua resistência à remoção (trava- mento apical). • Confirmar radiograficamente a seleção do cone principal. • Realizar uma marca no local do cone, coin- cidindo com a superfície incisal ou oclusal do dente. • Seleção e anti-sepsia dos cones de guta- percha auxiliares. • Manipulação do cimento obturador (Sea- lapex ou AH-Plus). • Envolver o cone de guta-percha principal com o cimento obturador, inclusive na porção apical, levando o conjunto (cone e cimento) ao interior do canal, em um ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICASPARA A PRÁTICA CLÍNICA 754 movimento único, sendo que o cone de guta-percha deve atingir o CRT. Nesse momento, observar se a marca previa- mente realizada no cone, coincide com a incisal ou oclusal do dente. • Iniciar a condensação lateral ativa, com espaçadores digitais de diâmetro compatí- veis com o do canal radicular e cones au- xiliares. • Comprovação radiográfica da condensa- ção lateral. • Cortar os excessos dos cones de guta- percha da câmara pulpar com curetas e/ ou Hollenback previamente aquecidos. • Condensação vertical realizada na entrada dos canais com o emprego de calcadores simples. • Limpeza da câmara pulpar com mechas de algodão embebidas em álcool. • Base cavitária: no caso de dentes anterio- res, a base deve ser realizada com cimento de ionômero de vidro. No caso de molares, deve ser colocado um forramento com ci- mento de hidróxido de cálcio sobre a furca e na entrada dos canais, seguida de uma base de cimento de ionômero de vidro. • Restauração do elemento dental. • Radiografia final. • Proservação: após a obturação dos canais radiculares, deve-se proceder ao controle clínico e radiográfico por um período míni- mo de 2 anos. A Figs. 20.22A a I ilustram um caso de Biopul- pectomia em dente com rizogênese incompleta. Fig. 20.22A Radiografia para diagnóstico do dente 11 apresentando fratu- ra coronária e ausência de lesão periapical. Fig. 20.22B Radiografia para odontometria. RIZOGÊNESE INCOMPLETA 755 Fig. 20.22C Radiografia para confirmação do completo preenchimento do canal radicular com o curativo expectante (Pasta Calen). Fig. 20.22D Comprovação radiográfica do selamento apical por tecido mineralizado, após 7 meses do início do tratamento. Fig. 20.22F Cimento obturador à base de hidróxido de cálcio – Sealapex (SybronEndo). Fig. 20.22E Prova do cone principal. ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 756 2. DENTES COM NECROSE PULPAR SEM LESÃO PERIAPICAL VISÍVEL RADIOGRAFICAMENTE Quando ocorre a necrose pulpar em um dente com rizogênese incompleta, a formação radicular cessa e, nesses casos, o profissional se encontra diante de uma condição anatômica que interfere negativamente nos princípios básicos do tratamen- to endodôntico. Como já salientado, essa condição anatômica é representada pela morfologia dos dentes permanentes jovens, com rizogênese in- completa, que apresentam características próprias, ou seja, paredes finas e frágeis, com abertura api- cal de diâmetro maior que o diâmetro do canal radicular, características que impedem a obturação imediata. Como na necrose pulpar a microbiota está res- trita à luz do canal radicular (ver Capítulo 18), o Fig. 20.22G Cimento Sealapex proporcionado em bloco de papel para manipulação. Fig. 20.22H Cones de guta-percha de 3ª série de números 90 a 140 (Maillefer) empregados para obturação de dentes com rizogê- nese incompleta. Fig. 20.22I Obturação definitiva do canal radicular, empregando cones de guta-percha e cimento Sealapex. RIZOGÊNESE INCOMPLETA 757 tratamento endodôntico (Necropulpectomia I) é reali- zado de acordo com os seguintes passos técnicos: a. Radiografia para diagnóstico, anestesia, isola- mento e anti-sepsia do campo operatório, aber- tura coronária e desgaste compensatório Esses passos técnicos são semelhantes aos efetuados nos dentes com vitalidade pulpar. b. Neutralização do conteúdo séptico/tóxico A neutralização é realizada no sentido coroa/ ápice sem pressão, utilizando limas de maior para menor calibre até se atingir o Comprimento de Tra- balho Provisório (CTP), localizado a 3 mm da aber- tura apical, utilizando o hipoclorito de sódio a 1% como solução irrigadora. c. Odontometria O Comprimento Real de Trabalho deverá ser 1,5 mm aquém do ápice radiográfico. d. Curativo de demora Em função de que os microrganismos, nestes casos, encontram-se restritos à luz do canal radicu- lar sendo, portanto, eliminados durante o preparo biomecânico, o curativo de demora entre sessões não se faz necessário. Todos os outros passos operatórios são seme- lhantes aos descritos para a Biopulpectomia. e. Tempo de fechamento apical O tempo de fechamento apical é, em média, de 3 a 8 meses. Se, por algum motivo, o caso necessita ser realizado em 2 sessões, indicamos a utilização da Pasta Calen (S.S.White Artigos Dentários), utilizada como curativo de demora. As Figs. 20.23A a D ilustram um caso de apici- ficação em um dente com necrose pulpar, sem le- são periapical. Fig. 20.23A Radiografia para diagnóstico do dente 11 com necrose pulpar sem lesão periapical, evidenciando formação radicular incom- pleta. Fig. 20.23B Curativo expectante com pasta Calen. ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 758 3. DENTES COM NECROSE PULPAR COM LESÃO PERIAPICAL VISÍVEL RADIOGRAFICAMENTE Nos dentes com necrose pulpar e presença de lesão periapical, o combate bacteriano é fundamen- tal para o fechamento apical induzido e, quando mal executado, interfere no prognóstico, uma vez que o processo inflamatório persistente levará à formação de uma barreira de tecido mineralizada incompleta7,24,58,59. Esta afirmação foi comprovada por Silva e Leo- nardo53 quando observaram, em dentes permanen- tes jovens de cães, que em presença de processo inflamatório de grau moderado ou severo, não ocorria o fechamento apical, ou este fechamento era do tipo parcial. Os procedimentos clínicos efetuados nos casos de dentes com lesão periapical não podem, de for- ma alguma, ser os mesmos que os realizados nos casos de ausência de lesão. Essa afirmativa é de- corrente do fato de que, em presença de lesão periapical, a infecção bacteriana é de longa duração e esta se encontra disseminada por todo o sistema de canais radiculares, ou seja, há bactérias na luz do canal principal, nos túbulos dentinários, no delta apical, nas crateras apicais, nas lacunas cementá- rias e no biofilme periapical, ou seja, locais inaces- síveis ao preparo biomecânico. Além disso, os mi- crorganismos que sobrevivem neste ambiente, com baixa tensão de oxigênio e com complexas intera- ções nutricionais são os anaeróbios, particularmen- te os Gram-negativos, os quais são altamente pato- gênicos, assim como os seus produtos, subprodutos e a endotoxina bacteriana (LPS), que ocasionam inflamação persistente e reabsorção óssea, perpe- tuando a lesão periapical. Nestes casos, deve-se efetuar o combate à in- fecção, promovendo o estabelecimento de um am- biente propício à ocorrência de processos de reparo e de mineralização. Para esses dentes, indicamos a técnica da Ne- cropulpectomia II35, que é a técnica de tratamento para casos de necrose pulpar e lesão periapical, efe- tuado de acordo com os seguintes passos técnicos: Fig. 20.23C Prova do cone de guta-percha principal. Fig. 20.23D Aspecto radiográfico da obturação do canal radicular realizada 8 meses após trocas mensais de curativo à base de hidróxido de cálcio. (Gentileza do Prof. Darcy Truffi – Endodontista, São Paulo, SP, Brasil). RIZOGÊNESE INCOMPLETA 759 a. Exame clínico, radiografia para diagnóstico, anestesia, isolamento e anti-sepsia do campo operatório A fim de verificar a evolução do caso durante o acompanhamento pós-operatório, é importante rea- lizar um exame clínico e radiográfico criterioso. Desta forma, sinais e sintomas clínicos como pre- sença de fístula, mobilidade dental, dor espontâ- nea, odor e abscesso devem ser previamente obser- vados. Na radiografia periapical para diagnóstico (Figs. 20.24A e B), deve-se avaliar a extensão da lesão periapical a fim de que, durante a proserva- ção, se possa verificar se está ocorrendo a reparação das áreas de destruição óssea e retorno da integri- dade da lâmina dura. Após a anestesia para colocação do grampo, procede-se ao isolamento com dique de borracha e anti-sepsia do campo operatório com solução de gluconato de clorexidina a 1-2%. b. Abertura coronária A abertura coronária, incluindo o desgaste com- pensatório, é realizada da mesma forma já descrita anteriormente. Deve-seatentar para o fato de que, caso a abertura coronária não seja adequadamente efetuada, os instrumentos endodônticos não terão acesso total às paredes dentinárias do canal radicu- lar, com permanência de grande número de micror- ganismos nestes locais, o que certamente irá in- fluenciar negativamente nos resultados esperados. Após a abertura coronária, a câmara pulpar e a entrada do canal devem ser irrigadas com solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, seguido de aspira- ção com cânula. c. Neutralização do conteúdo séptico/tóxico A neutralização do conteúdo séptico/tóxico do canal radicular é realizada no sentido coroa/ápice sem pressão, utilizando limas de maior para menor calibre e hipoclorito de sódio a 2,5% como solução irrigadora. Esse procedimento deve ser progressivamente efetuado, com constante irrigação/aspiração/inun- dação, para remover os restos teciduais e micror- ganismos em suspensão, até o comprimento de trabalho provisório, situado a 3 mm da abertura apical. Um passo importante da neutralização, nestes dentes, é o “desbridamento foraminal”. Na maioria dos casos, esse passo é prejudicado nos dentes com rizogênese incompleta e lesão periapical, devi- do à ampla abertura do ápice. Mesmo assim, o desbridamento foraminal deve ser realizado em to- dos os casos, por meio do uso de uma lima de amplo calibre, para limpeza do canal em toda a extensão do Comprimento Real do Dente (CRD). Figs. 20.24A e B Radiografia periapical do dente 36 (A) e dente 11 (B) com rizogênese incompleta e lesão periapical. A B ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 760 d. Odontometria Nos casos de presença de lesão periapical, o CRT deve ficar a 1 mm do ápice radicular (Fig. 20.25). mos remanescentes e seus subprodutos localizados em regiões inacessíveis ao próprio preparo biome- cânico, como o interior dos canalículos dentinários. Em 1976, Cvek9 relatou que o efeito antibacte- riano do preparo biomecânico é comprovadamente menor nos dentes com rizogênese incompleta, do que naqueles com raízes completas, o que é facil- mente compreensível dado as já salientadas condi- ções anatômicas especiais daqueles dentes. Desse modo, esforços devem ser dirigidos a este ato operatório, salientando-se que o Compri- mento Real de Trabalho deve ser cuidadosamente determinado, situando-se 1 mm aquém do ápice radiográfico, uma vez que o limite do forame apical se apresenta irregular e, de acordo com Torneck et al.58,59, qualquer agressão aos tecidos periapicais, durante o preparo biomecânico poderá interferir no processo de reparação. A instrumentação deve ser feita especialmente com limas, associada à abun- dante irrigação/aspiração com hipoclorito de sódio a 2,5% que, não possuindo os efeitos adversos do hipoclorito a 5% sobre os tecidos periapicais, satis- faz a necessidade de ação bactericida8. A irrigação abundante evita a permanência de detritos, auxi- liando a limpeza biomecânica. Além do seu efeito antimicrobiano in vitro, o hipoclorito de sódio tem sido recomendado como solução irrigadora de canais radiculares, em função de sua capacidade de dissolução de tecidos, de seu baixo efeito irritante, de sua capacidade em au- mentar a permeabilidade dentinária, de sua eficiên- cia em remover resíduos e na limpeza de matéria orgânica, quando associado ao EDTA. Ainda, Leonardo34,35 recomenda o uso do hipo- clorito de sódio por apresentar baixa tensão super- ficial, favorecer a instrumentação, possuir pH alcali- no, neutralizar os produtos tóxicos, desidratar e so- lubilizar as substâncias protéicas, ter ação rápida e dupla ação detergente. Previamente à instrumentação, o canal radicu- lar deve ser limpo em toda sua extensão (no Com- primento Real do Dente), com um instrumento que se prenda às paredes do canal, neste nível (Instru- mento Apical Foraminal – IAF). Em seguida, deve- se recuar 1 mm e proceder à instrumentação no Comprimento Real de Trabalho (CRT). A instrumentação nos casos de necrose pulpar e lesão periapical deve ser realizada com limas tipo K. Utiliza-se o Instrumento Apical Inicial (IAI), que é o primeiro instrumento que, no Comprimento Fig. 20.25 Radiografia para odontometria do dente 21 com rizogênese incompleta. Comprimento Real de Trabalho: 1 mm aquém do ápice. e. Preparo biomecânico dos canais radiculares Em Endodontia, o preparo biomecânico e a apli- cação de um “curativo de demora” constituem, de acordo com Leonardo35, os atos operatórios respon- sáveis pelo combate à infecção da luz e do sistema de canais radiculares. O preparo biomecânico, além de atribuir ao canal radicular, quando possível, uma forma cônica, tem por finalidade remover, química e mecanicamente, os microrganismos localizados na luz do canal e/ou suas proximidades, os restos pulpares e o conteúdo séptico desse canal, tornan- do suas paredes lisas, favorecendo o aumento da permeabilidade dentinária e criando condições fa- voráveis para que a medicação tópica usada como curativo de demora possa atingir os microrganis- RIZOGÊNESE INCOMPLETA 761 Real do Trabalho (CRT), encontra resistência nas paredes dentinárias, seguido de mais 2 instrumen- tos de calibre crescente, no Comprimento Real de Trabalho. Como solução irrigadora, indicamos o hipoclori- to de sódio a 2,5%. Antes de colocar o curativo de demora, deve-se repassar o IAF a fim de remover possíveis detritos contaminados nesse nível. f. Curativo de demora Quando o dente apresenta lesão periapical, o curativo de demora é indispensável, em função de que a infecção encontra-se em locais inacessíveis ao preparo biomecânico. Desta forma, o curativo de demora irá ser fundamental para o combate aos microrganismos, seus produtos e subprodutos, além da endotoxina bacteriana (LPS), localizados no sistema de canais radiculares (para maiores de- talhes, ver Capítulo 19). Previamente à colocação do curativo de demo- ra, o canal radicular deve ser preenchido com solu- ção de EDTA, agitada com lima por 3 minutos, para remoção da “smear layer” das paredes do canal. Após esse tempo, a solução deve ser removida por meio de irrigações sucessivas com hipoclorito de sódio a 2,5%, e o canal seco com cones de papel absorvente esterilizados. Com esse procedimento desobstrui-se, também, a entrada dos túbulos den- tinários, para penetração do curativo de demora. Como curativo de demora, indicamos o uso da pasta à base de hidróxido de cálcio (Calen), utiliza- do como descrito no Capítulo 19. Em presença de lesão periapical, indicamos um ligeiro extravasa- mento de pasta, a fim de atingir o biofilme apical (Fig. 20.26). Após selamento coronário provisório, o curativo de demora deve permanecer por 15-30 dias. Decorrido esse período, caso o canal esteja isento de exsudato (canal seco) e com ausência de sintomatologia, este já pode ser obturado, pois a infecção foi controlada. g. Curativo expectante Uma vez controlada a infecção, deve-se efetuar “curativos expectantes” com a pasta Calen, com a finalidade de induzir a deposição de tecido minera- lizado, até o completo fechamento apical. Para a colocação do curativo expectante, mes- mo com o uso de seringas especiais (Seringa ML – SS White) para o hidróxido de cálcio, o amplo ápice aberto rotineiramente determina extravasamentos apicais. Tratando-se de pastas de hidróxido de cál- cio com veículo viscoso (polietileno glicol 400), como é o caso da pasta Calen, o extravasamento apical das mesmas sofre solubilização pelos fluidos periapicais, no período de 15 a 20 dias21,52,53 (Figs. 20.27A a D). h. Renovação do curativo expectante A renovação do curativo expectante pode ser realizada a cada 30 ou 60 dias, deve ser salientado que nos casos de lesão periapical a troca mensal é fundamental, particularmente nos 3 primeiros me- ses, uma vez que a região periapical encontra-se acentuadamente alterada16,26 (Figs. 20.28 e 20.29). i. Período de tempo necessário para o fechamen- to apical A confirmação clínica e radiográfica do fecha- mento apical é realizada como já descrito anterior- mente (Fig. 20.30). Nos casos de rizogêneseincom- pleta e presença de lesão periapical, o tempo neces- sário para o fechamento apical é de 8 a 14 meses. Fig. 20.26 Aspecto radiográfico após preenchimento do canal radicular do dente 21 com pasta Calen (curativo de demora). Note o extra- vasamento da pasta. ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 762 Fig. 20.27A Dente 11 com rizogênese incompleta e lesão periapical. Radio- grafia após o preenchimento do canal radicular com pasta Calen. Note o extravasamento do curativo. Fig. 20.27B Radiografia 10 dias após aplicação do curativo expectante, mostrando a reabsorção parcial da pasta. Fig. 20.27C Radiografia 20 dias após aplicação do curativo expectante, evi- denciando a completa reabsorção da pasta na região periapical. Fig. 20.27D Comprovação radiográfica do selamento apical por tecido mineralizado e reparo da lesão periapical. RIZOGÊNESE INCOMPLETA 763 Fig. 20.28 Dente de cão com rizogênese incompleta, necrose pulpar e lesão periapical crônica. Após preparo biomecânico não foi efetuado o curativo. Não houve fechamento do ápice radicu- lar, sendo observada a presença de intenso infiltrado de célu- las inflamatórias misto, edema generalizado e dissociação fibri- lar. Radiograficamente foi observado aumento da lesão peria- pical após 90 dias, inclusive com exfoliação de alguns dentes em função do processo inflamatório intenso. H.E. Zeiss – 24x. Fig. 20.29 Dentes de cão com rizogênese incompleta, necrose pulpar e lesão periapical crônica. Após o preparo biomecânico foi em- pregado curativo de demora e expectante à base de hidróxi- do de cálcio (Pasta Calen), renovado mensalmente. Ocorreu fechamento do ápice radicular por tecido mineralizado do tipo cementóide. O ligamento periodontal se apresentava nor- mal. Radiograficamente pôde-se observar a neoformação óssea no período de 80 dias. Fig. 20.30 Fechamento apical induzido (apicificação) no dente 11 após 12 meses de trocas mensais de pasta Calen. j. Obturação do canal radicular A obturação de canal radicular é realizada com cimento Sealapex ou AH-Plus e cones guta-percha, como já descrito. k. Proservação Após a obturação do canal radicular e restaura- ção do dente, deve-se proceder ao controle clínico e radiográfico a cada 6 meses, por no mínimo 4 anos ou até o completo restabelecimento da lâmina dura. l. Casos clínicos As Figs. 20.31A a F, 20.32A a D e 20.33A a C ilustram casos de tratamento endodôntico em den- tes com rizogênese incompleta, portadores de ne- crose pulpar e lesão periapical crônica visível radio- graficamente. ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 764 Fig. 20.31A Radiografia para diagnóstico do dente 46 apresentando rizo- gênese incompleta e lesão periapical. Fig. 20.31B Radiografia para odontometria. Fig. 20.31C Radiografia após preenchimento do canal radicular com pasta Calen (curativo de demora). Fig. 20.31D Comprovação radiográfica da complementação da raiz distal após um ano de trocas mensais de curativo expectante (Pasta Calen). Fig. 20.31E Comprovação radiográfica da complementação da raiz mesial após um ano de trocas mensais de curativo (Pasta Calen). Fig. 20.31F Obturação final. RIZOGÊNESE INCOMPLETA 765 Fig. 20.32A Aspecto radiográfico do dente 21 com rizogênese incompleta e lesão periapical. Fig. 20.32B Radiografia para confirmação do completo preenchimento do canal radicular com pasta à base de hidróxido de cálcio. Fig. 20.32C Prova do cone principal. Fig. 20.32D Aspecto radiográfico da obturação do canal radicular realizada 10 meses após trocas mensais de curativo à base de hidróxi- do de cálcio. (Gentileza do Prof. Darcy Truffi – Endodontista, São Paulo, SP, Brasil.) ODONTOPEDIATRIA • BASES CIENTÍFICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA 766 APICIFICAÇÃO – PERSPECTIVAS FUTURAS Embora o hidróxido de cálcio seja o material de escolha para ser utilizado na indução da apicifica- ção após o tratamento endodôntico em dentes com rizogênese incompleta, materiais alternativos como o MTA (Agregado de Trióxido Mineral) e as proteí- nas morfogenéticas ósseas (BMPs) têm sido estu- dados. Além da biocompatibilidade, o MTA teria a van- tagem de ser um tratamento em menor período de tempo, não necessitando de múltiplas visitas, uma vez que esse material, colocado na região apical, criaria uma barreira artificial imediata, possibilitan- do a obturação definitiva do canal radicular. Outros autores preconizam o preenchimento total do canal radicular com o MTA, uma vez que este material permite um adequado selamento do canal e previ- ne a infiltração de microrganismos. Apesar dos bons resultados obtidos em pesqui- sas científicas, a colocação do MTA em nível apical, clinicamente, é difícil de ser efetuada sem provocar extravasamento de material para a região periapi- cal23,39,51,57,64. Além disso, o MTA, em função de sua solubilidade praticamente nula, não é reabsorvido por ação macrofágica e quando extravasado, pode ocasionar a persistência de uma reação inflamató- ria. Também, até o presente momento o MTA apre- senta alto custo. Com a finalidade de promover a indução da deposição de tecido mineralizado em nível apical, as proteínas morfogenéticas ósseas também têm sido avaliadas. Embora os resultados sejam promissores, para que as BMPs sejam comercializadas e indicadas para uso clínico, estudos adicionais são necessários. Fig. 20.33A Radiografia para diagnóstico do dente 36 evidenciando rizo- gênese incompleta e lesão periapical. Fig. 20.33B Radiografia após 1 ano e 3 meses de trocas mensais de curativo à base de hidróxido de cálcio (Pasta Calen). Observe o completo fechamento apical. Fig. 20.33C Obturação definitiva dos canais radiculares. RIZOGÊNESE INCOMPLETA 767 REFERÊNCIAS 1. Andreasen JO, Andreasen FM. Texto e atlas colorido de traumatismo dental. 3ªed. São Paulo: Artmed; 1994. 2. Anthony DR, Gordon TM, del Rio CE. The effect of three vehicles on the pH calcium hydroxide. Oral Surg 1982;54:560-5. 3. Bennati-Neto C. Tratamento de perfurações radicu- lares com pastas de hidróxido de cálcio e iodofór- mio: emprego de diferentes veículos: estudo histo- lógico em dentes de cães [tese]. Bauru: FOB – Univ. de São Paulo; 1984. 4. Berbert A. Comportamento dos tecidos apicais e periapicais após biopulpectomia e obturação do canal com AH26, hidróxido de cálcio ou mis- tura de ambos: estudo histológico em dentes de cães [tese]. Bauru: FOB – Univ. de São Pau- lo; 1978. 5. Citrome GP, Jaminski EJ, Heuer MA. A comparative study of tooth apexification in the dog. J Endod 1979;5:290-7. 6. Cooke C, Rowbotham TC. 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