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trabalho_Psicopatologia_estudo de caso

Estudo de caso psicopedagógico de criança de 8 anos com prejuízo visoconstrutivo/visoespacial, dificuldades de leitura e escrita, sono agitado e recusa a atividades com lápis e papel. Descreve anamnese, EOCA, hipóteses (TDAH e possível comorbidade com dislexia) e testes/provas.

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Laís Abib

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Estudo de caso
Criança 8 anos de idade, Sexo feminino
Criança vem acompanhada da mãe, buscar auxilio, por indicação da escola.
Estrutura familiar: Criança reside com os pais e um irmão mais velho (12 anos).
Pai tem histórico de di�culdade no aprendizado, estudou até o ensino médio, foi 
repetente. 
Mãe fez faculdade de administração.
Dinâmica Familiar: 
Dinâmica muito livre e sem muita organização. 
Criança passou por todas as fases de desenvolvimento dentro do esperado, mas 
sempre teve
di�culdade para dormir e sono agitado.
Teve di�culdades para se adaptar a escola e as regras, mudou de escola duas vezes 
já.
Quadro Neuropsicológico
Criança com importante prejuízo visoconstrutivo/ visoespacial.
Facilidade no vocabulário oral.
Di�culdade na leitura e escrita , desempenhando-se em nível Inferior a idade.
Irritabilidade quando diante dos próprios erros, baixa tolerância a frustração.
Criança com resistência a atividades envolvendo uso de lápis e papel-choro / 
gritos.
Não aceita visualizar livros, sentar em cadeira/mesa.
Não identi�ca rimas, reconhece as letras, mas não realiza a junções, não faz leitura 
silábica.
Ciente das informações relatadas:
1º passo: Anamnese 
Para recolher mais informações à respeito da trajetória da criança, solicitação de 
exames previamente realizados
de pesquisa �siológica. Focar também na observação dos dados trazidos pelo pai, 
que possui histórico de di�culdade escolar, sendo este um ponto a ser considerado 
na hora do levantamento de hipóteses.
Deixar claro para os pais que o diagnóstico psicopedagógico tem a função de 
identi�car o nível de comprometimento cognitivo do aprendente, qual seu 
potencial para a aprendizagem e o que é capaz de realizar com e sem ajuda de 
outras pessoas. 
2º passo - EOCA
Iniciar o contato avaliativo com a criança, realizar a EOCA e com isso criar o 
primeiro sistema de hipóteses.
A partir do que já foi apresentado aqui, algumas hipoteses podem ser levantadas:
TDAH?
O transtorno do Dé�cit de Atenção e Hiperatividade é um distúrbio 
neuropsiquiátrico mais comum da infância, 
que afeta entre 3 e 6% das crianças em idade escolar e tem como características 
principais:
A di�culdade em atenção, a hiperatividade e/ou a impulsividade, o dé�cit da 
percepção viso-espacial, relacionado com disfunções executivas, agitação 
psicomotora e qualidade da escrita alterada, conhecida como disgra�a. 
Alguns comportamentos mais frequentes em crianças com TDAH são: 
irritabilidade, baixa tolerância à frustração, prejuízo escolar e possíveis problemas 
cognitivos na atenção, nas funções executivas ou na memória (AMERICAN 
PSYCHIATRIC ASSOCIATION [APA], 2014). 
Comportamentos de procrastinação, alternância de tarefas, labilidade 
motivacional, di�culdade de focalização e sustentação da atenção, di�culdade em 
organização e priorização de atividades, lentidão no processamento de 
informações, di�culdade em tolerar frustrações e manejar sentimentos, de�ciência 
na memória operacional e prospectiva também são frequentes em crianças com o 
TDAH (FRIAÇA, 2010).
É importante lembrar que os sintomas devem surgir antes dos 12 anos de idade e 
ser apresentados em pelo menos dois ambientes em que a pessoa vive, como por 
exemplo casa, escola ou trabalho (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION [APA], 
2014).
Na família em que há uma criança com TDAH, existem, na maioria dos casos, 
di�culdades por parte dos pais no estabelecimento de rotina, manutenção da 
organização do ambiente, supervisão das atividades e cumprimento da prática de 
Ambos? 
Segundo a Associação Brasileira de Dé�cit de Atenção (ABDA), TDAH “é um 
transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e 
freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por 
sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.” O que muita gente 
desconhece é que algumas crianças podem apresentar TDAH e dislexia ao mesmo 
tempo, sendo um comorbidade do outro.
O TDAH e a dislexia são condições prevalentes na infância, com impactos na vida 
escolar, social e familiar. A taxa de comorbidade entre TDAH e Dislexia é elevada e 
bidirecional. Segundo a psicóloga Maria Inez, da Associação Brasileira de Dislexia, 
de 20% à 50% dos casos de dislexia podem ter TDAH
Se observarmos à fundom, ambas patologias possuem uma base neurobiológica 
comum, que está ligada à maturação do sistema nervoso central. Por isso, durante 
a observação para uma hipótese de dislexia, também foi possível identi�car traços 
do TDAH. 
3 º passo - Provas operatórias e testes projetivos
Aplicação das provas operatórias e testes projetivos, onde serão evidenciadas as 
di�culdades e potencialidades da aprendente. Estes aspectos, ao serem analisados 
separadamente podem dar pistas das causas do comportamento apresentado. Ao 
integrar os resultados obtidos durante todo o processo de investigação à queixa 
inicial podemos entender o que sinaliza o sintoma.
4º passo - Estratégias 
Elaboração de estratégias de trabalho cunhados no que foi analisado e 
apresentado nos testes e provas operatórias especi�camente para o trabalho com 
dislexia, tendo TDAH como comorbidade. 
Conforme Gonçalves (2005), a intervenção psicopedagógica deve ser centrada em 
buscar as habilidades das pessoas disléxicas, e não os fracassos, pois deve ser 
trabalhadas intervenções de forma que seja boa para a autoestima dessas pessoas, 
cuja mesma é bastante abalada, no qual ao decorrer desse momento, caso seja 
algo compensatório para os disléxicos, eles se percebem capazes de produzir, 
re�etindo assim no seu melhor desempenho de aprendizagem e recuperação de 
sua autoestima. 
Deve -se trabalhar numa linha lúdica, com objetivo estimular a imaginação do 
aprendente, fazendo uso de atividades preparatórias para desenvolver a leitura e a 
escrita, principalmente focando na coordenação viso-motora, que é a habilidade 
em coordenar informações visuais com a programação motora e é por meio dela, 
que o aprendente consegue realizar cópia ou transposição de textos, letra cursiva. 
5º passo - Devolutiva - Considerações Finais
As di�culdades, normalmente são percebidas nos primeiros anos escolares, pois 
essas crianças não conseguem acompanhar a programação comum, sendo mais 
freqüentes nas primeiras séries do Ensino Fundamental, principalmente na leitura, 
na escrita e nos cálculos aritméticos que envolvem maior complexidade.
A dislexia se apresenta como um transtorno de aprendizagem em que as 
di�culdades demonstradas pelos indivíduos disléxicos estão diretamente ligadas a 
escrita e leitura, por isso o tratamento deve ser centrado na reeducação da 
linguagem escrita, abordando todos os aspectos envolvidos. Nessa perspectiva, 
faz-se necessária a intervenção psicopedagógica, com ações voltadas à 
decodi�cação das letras e consciência fonológica da aprendente. 
O tratamento do TDAH, somado aos transtornos comórbidos, é fundamental para 
que a vida da criança seja mais saudável e produtiva. É crucial que os sintomas 
sejam rapidamente identi�cados e tratados corretamente, assim como entender 
que a presença de comorbidades produz alterações no tratamento e prognóstico 
dos pacientes.
Diante dos dados coletados, os indicativos acima listados sugerem um quadro 
compatível com dislexia, tendo o TDAH como comorbidade. Portanto, a área de 
psicopedagogia, aconselha neste momento, a intervenção especí�ca em leitura e 
escrita com orientações especí�cas à escola e à família. 
É comprovado que a terapia cognitiva comportamental (TCC) traz ótimos 
resultados para comportamentos indevidos e é uma boa linha a seguir com a 
aprendente.. Além disso, vale a pena incentivar a prática de exercícios, pois 
sabemos que eles desenvolvem funções cerebrais que auxiliam no controle dessa 
impulsividade e hiperatividade apresentados pela criança, além de liberar 
endor�nas que acalmam o cérebro e, consequentemente, regulam o humor.
A prática dessas atividades também elevam os níveis de dopamina e serotonina no 
sangue e através desses neurotransmissores,é possível regular a capacidade de 
foco, atenção e os centros de recompensa do cérebro.
Outro ponto a ser sinalizado é a organização e principalmente a rotina. Para 
crianças com TDAH, criar uma rotina com horários especí�cos para dormir, acordar 
e fazer as refeições é fundamental. A falta de organização pode contribuir para a 
sensação de sobrecarga e favorecer a distração. Dimunua a quantidade de objetos 
espalhados e a mantenha em ordem as prateleiras e gavetas da casa. Estabeleça 
locais especí�cos para os itens importantes.
O processo diagnóstico não se encerrou ao término da aplicação das provas de 
avaliação. Certamente, as sessões de intervenção possibilitarão, de forma lúdica e 
prazerosa, desenvolver ferramentas que possibilitem a aprendente a evoluir e 
superar desa�os. É necessário, então, ajustar os métodos de ensino de forma a 
corresponder às necessidades da pessoa. Embora isto não constitua uma cura para 
 Bibliografia
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de 
Transtornos Mentais (DSM-V). 5 eds. Porto Alegre: Artmed. 2014.
CAPRETZ, Nancy. Problemas e Distúrbios da Aprendizagem. Departamento de 
Pós-Graduação e Extensão. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional, 2012. 
D’AFFONSECA, S. M. Compreendendo a Dislexia. [s.l.: s. n.], 2005.
FRIAÇA, Mônica Gagliotti Fortunato. Qualidade de vida. In: NETO, Mário Rodrigues 
Louzã (Ed.),TDAH (Transtorno do Dé�cit de Atenção/Hiperatividade) ao longo da 
vida Porto Alegre: Artmed. 2010. Cap.9, p.265-274.
GONÇALVES, A. M. S. A criança disléxica e a clínica psicopedagógica. Disponível 
em:
http://www.profala.com/artdislexia1.htm Acesso realizado em: 09/04/2020.
LANHEZ, M. E.; NICO. M. A. Nem sempre é o que parece: Como enfrentar a dislexia e

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