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2Tessalonicenses (N Comentario)

Comentário introdutório sobre 2 Tessalonicenses: analisa data, autoria (Paulo, Silvano e Timóteo) e canonicidade; examina a relação e diferenças com 1 Tessalonicenses, a linguagem apocalíptica em 2.3–12 e hipóteses críticas sobre origem e destinatários.

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2 TESSALONICENSES
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 Introdução 
 Plano do livro 
 Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 
 
INTRODUÇÃO 
 
I. DATA, AUTORIA E CANONICIDADE 
 
 A segunda epístola aos Tessalonicenses, como a primeira, é 
endereçada «à igreja dos tessalonicenses», sendo enviada por «Paulo, 
Silvano e Timóteo». A situação em apreço na segunda carta é muito 
semelhante àquela tratada na primeira. Isto sugere que a segunda foi 
enviada também de Corinto, e não muito tempo após a remessa da carta 
anterior. Como 1 Tessalonicenses, esta epístola aparece nas primeiras 
listas das cartas paulinas, ainda conservadas hoje. A evidência externa 
para sua canonicidade é tão segura quanto a da primeira epístola. É 
citada por Policarpo, cerca de 120 A. D. 
 Contudo, diversas dificuldades têm surgido para impedir a 
aceitação inequívoca destas evidências interna e externa. O estilo de 2 
Tessalonicenses seria formal e oficial em contraste com a primeira. Este 
ponto de vista não importa muito, pois se origina de tais expressões 
como “devemos dar graças a Deus, como é justo’ (verso 3), que 
realmente não precisam de explicação especial, como aquela oferecida 
por Dibelius, de que 2 Tessalonicenses, em contraste com a primeira 
epístola, fosse escrita especificamente para ser lida na igreja (ver 1Ts 
5.27). 
 Outro argumento mais ponderado é que 2 Tessalonicenses insiste 
em certos eventos precederem o Dia do Senhor, enquanto 1 
Tessalonicenses enfatiza o caráter imprevisto daquele dia, «como ladrão 
de noite». Entretanto, é preciso distinguir entre os termos surpresa e 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 2 
iminência. As palavras de Paulo acerca da volta repentina de Cristo em 1 
Tessalonicenses tinham sido interpretadas para significar sua iminência. 
Era, portanto, necessário apontar para o fato que diversas coisas 
haveriam de acontecer primeiro. 
 Descrevendo essas coisas, Paulo usa, em 2 Tessalonicenses, uma 
linguagem apocalíptica, sem paralelo em todos os seus escritos. Temos, 
de fato, um pequeno apocalipse em 2Ts 2.3-12. Isto não constitui um 
argumento adequado contra a autenticidade da carta; aliás, nosso 
conhecimento atual das crenças apocalípticas da época, com referência 
especial à manifestação do anticristo, tem contribuído muito para reduzir 
o que constituía um grande obstáculo (veja o comentário abaixo). 
 As semelhanças entre as duas epístolas aos tessalonicenses têm 
apresentado problemas, a seu modo quase tão grandes quanto as 
diferenças. 
 Não obstante a admoestação na primeira epístola contra a 
ociosidade intranqüila, resultante da excessiva expectação escatológica, a 
mesma situação é implícita na segunda. No entanto, se a ênfase da 
primeira epístola, sobre o imprevisto da parousia tinha sido entendida 
para significar sua iminência, então a tendência de ausentar-se do 
trabalho deveria ter aumentado, a despeito de todas as admoestações para 
permanecerem calmos e cuidar dos negócios comuns da vida. 
 
II. RELAÇÃO COM 1 TESSALONICENSES 
 
 Existem inegáveis problemas quanto à relação entre as duas 
epístolas, devido em grande parte à nossa informação tão inadequada 
sobre as circunstâncias em Tessalônica. Deixando de um lado a solução 
simplista que considera 2 Tessalonicenses como falsificada, várias 
teorias têm sido propostas, a fim de harmonizar a relação entre as duas 
epístolas. 
 Uma hipótese sugere que 2 Tessalonicenses fosse escrita primeiro 
que 1 Tessalonicenses. Mas isto agrava a dificuldade. 2 Tessalonicenses 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 3 
implica alguma correspondência anterior por meio de carta (cf. 2.2,15 e 
3.17) enquanto 1 Tessalonicenses oferece evidência segura de ser a 
primeira carta escrita à igreja de Tessalônica após a partida de Paulo 
daquela cidade (veja 2.17-3.10). Segundo T. W. Manson (Rylands 
Bulletin, Março, 1953) 2 Tessalonicenses foi levada a Tessalônica por 
Timóteo, na ocasião mencionada em 1Ts 3.2. 
 Já foi mencionada a teoria de Harnack, de que 1 Tessalonicenses 
fosse escrita para o grupo gentílico da igreja de Tessalônica, e 2 
Tessalonicenses para o grupo judaico. O ensino apocalíptico de 2Ts 2, 
segundo Harnack, seria mais inteligível aos judeus. Entretanto, é incrível 
que o próprio Paulo tivesse concordado em tal divisão entre cristãos 
gentios e judeus, ao ponto de escrever uma carta separada para cada 
grupo. Sem dúvida alguma, ele teria tomado a mesma atitude que 
assumiu, quando uma divisão daquela natureza começou a manifestar-se 
em Antioquia. Em tal caso, teria feito da unidade cristã o seu assunto 
primordial (cf. Gl 2.11). 
 Outra sugestão é fornecida por F. C. Burkitt, «que ambas as cartas 
foram redigidas por Silvano (Silas); que foram lidas a Paulo, e este as 
aprovou, acrescentando 1Ts 2.18 e 2Ts 3.17 com o seu próprio punho». 
A sugestão não é de grande valor, pois Burkitt a propôs como 
suplemento à hipótese de Harnack. Antes, 2Ts 3.17 parece confirmar a 
autenticidade de toda a carta como paulina, a despeito da idéia de Burkitt 
de que os termos do pós-escrito autografado de Paulo «sugerem que este 
não é inteiramente responsável por todo o resto». 
 
 Por fim, todas estas hipóteses suscitam maiores dificuldades do 
que a simples afirmação de que 2 Tessalonicenses foi escrita por Paulo 
(que acrescentou os nomes dos seus companheiros) para proveito de toda 
a igreja dos tessalonicenses, não muito tempo após a remessa de 1 
Tessalonicenses, e tendo a finalidade de resolver novos problemas na 
situação local, da qual Paulo tinha recebido as últimas notícias. A 
perseguição dos cristãos parece ter cessado, e não há mais motivo para 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 4 
repetir advertências anteriores, quanto a pureza moral. Mas a agitação 
escatológica não estava diminuindo, em parte porque as palavras de 
Paulo em 1 Tessalonicenses foram mal compreendidas, e em parte por 
causa de certo ensino recebido de outra fonte, e apresentado talvez como 
genuinamente paulino. Era, portanto, necessário atender com mais 
firmeza, e com maior esclarecimento, ao assunto em apreço. 
 
PLANO DO LIVRO 
 
I. SAUDAÇÃO -- 1.1-2 
 
II. AÇÃO DE GRAÇAS E ENCORAJAMENTO -- 1.3-12 
 
III. EVENTOS QUE PRECEDEM O DIA DO SENHOR -- 2.1-12 
 
IV. ADICIONAL AÇÃO DE GRAÇAS E ENCORAJAMENTO 
 -- 2.13-3.5 
 
V. A NECESSIDADE DE DISCIPLINA -- 3.6-15 
 
VI. ORAÇÃO, SAUDAÇÃO FINAL E BÊNÇÃO -- 3.16-18 
 
COMENTÁRIO 
 
2 Tessalonicenses 1 
SAUDAÇÃO - 1.1-2 
 
 Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses (1). Uma 
comparação com a saudação em 1 Tessalonicenses confirma, 
categoricamente, que ambas as cartas foram escritas a toda a igreja dos 
tessalonicenses. 
 
 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 5 
II. AÇÃO DE GRAÇAS E ENCORAJAMENTO - 1.3-12 
 
 Devemos dar graças a Deus... como é justo (3). A pretensa 
formalidade desta linguagem tem sido contrastada com 1Ts 1.2 e segs., e 
usada como argumento contra a autenticidade de 2 Tessalonicenses. 
Mas, se os cristãos de Tessalônica tinham protestado contra o que 
consideravam elogio excessivo na primeira carta, Paulo bem podia 
responder-lhes: “Mas é muito justo, dar graças a Deus por vós; é o 
mínimo que podemos fazer”. Eis a força da expressão aqui. 
 Nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus (4). Isto 
não discorda com 1Ts 1.8. “não temos necessidade de falar coisa 
alguma”; mesmo se não houvesse necessidade, ainda Paulo falaria. Cf. 
1Ts 2.20. 
 Uma prova clara do justo juízo de Deus (5). Como em 1Ts 3.3 e 
segs., Paulo declara que as aflições deles são uma prova de genuinidade 
da sua fé; mais ainda, sua constante paciência os qualifica para herdarem 
o reino divino: será vindicada neles, como nos seus perseguidores, a 
justiça de Deus. 
 Dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós que sois 
atribulados, descanso conosco (6-7). O dia da volta de Cristo será o dia 
da retribuição eqüitativa, e também darecompensa. O descanso é folga 
ou alívio (gr. anesis) após a fadiga e o conflito. Quando se manifestar o 
Senhor Jesus do céu (7). Refere-se à sua manifestação em glória (cf. 
1Co 1.7; Lc 17.30). Com os anjos do seu poder (7). Cf. Mc 8.38; Mt 
25.31 e outras passagens mencionadas na nota sobre 1Ts 3.13. 
 Como labareda de fogo (8). Aqui, novamente, se reflete a 
linguagem teofânica do Velho Testamento (Cf. Sl 18.8 e segs., Is 66.15). 
Tomando vingança (8). O exercício de julgamento por Cristo em o 
Novo Testamento é baseado em Dn 7.13 e segs. (Cf. Jo 5.27; At 17.31). 
Que não conhecem a Deus (8); isto é, que O desprezam, “não se 
importaram de ter o conhecimento de Deus”. (Rm 1.28). 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 6 
 Eterna destruição (9); referência à destruição que acompanhará a 
época vindoura, com a decisiva implicação de finalidade. Tal destruição 
consiste na exclusão da presença do Senhor, de quem só emana a “fonte 
da vida”. 
 Para ser glorificado nos seus santos (10). Este pode significar 
seus santos anjos (cf. 1Ts 3.13 n.), mas o paralelismo com as palavras 
seguintes e ser admirado em todos os que creram (ARA) sugere que 
são os cristãos em vista. Participarão também da Sua glória; a revelação 
do Senhor Jesus nos céus (7) coincide com o dia da manifestação dos 
filhos de Deus (Rm 8.19). 
 Que nosso Deus vos faça dignos de sua vocação (11). Uma 
provável antecipação do dia da recompensa na parousia; que os 
tessalonicenses, naquele dia, possam ser julgados dignos da divina 
chamada; mesmo assim, a frase implica uma oração pelo seu atual 
progresso espiritual. E cumpra todo o desejo de sua bondade (11). 
Refere-se aos seus próprios desejos, embora seja verdade inegável que 
todo desejo digno, como toda «obra de fé», são o fruto do Espírito Santo 
neles. Cf. Gl 5.22 e Fp 2.13. 
 Para que o nome do nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado em 
vós e vós nele (12). Esta é mais uma referência à parousia, em primeiro 
lugar. A oração de Paulo seria cumprida cabalmente, somente se o nome 
do Senhor fosse glorificado neles dia após dia durante a vida toda. 
 
2 Tessalonicenses 2 
III. EVENTOS QUE PRECEDEM O DIA DO SENHOR - 2.1-12 
 
 Alguns dos cristãos tessalonicenses tinham formulado a noção que 
o Dia do Senhor já tinha começado. Paulo explica que aquele dia há de 
ser precedido pela grande apostasia, dirigida pelo anticristo, o qual será 
aniquilado pelo advento do Dia do Senhor. 
 Pela vinda (1). Melhor, no que diz respeito à vinda (ARA). A 
preposição grega é hyper. Nossa reunião com ele (1): uma possível 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 7 
referência ao evento descrito em 1Ts 4.17, quando aqueles que 
sobrevivem até a parousia serão arrebatados juntos com os que serão 
levantados dos mortos “para o encontro do Senhor nos ares”. 
 Quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de 
nós (2); isto é, nem por declaração profética, nem por comunicação oral, 
nem por carta que pretende originar de Paulo e seus companheiros. Não 
fica claro se Paulo suspeitava que uma carta tivesse sido enviada em seu 
nome aos tessalonicenses, sem a sua autorização. Certamente seria 
injustificável supor que esta observação ponha alguma dúvida sobre a 
autenticidade de 1 Tessalonicenses. Mesmo se 2 Tessalonicenses fosse 
pseudônima, seria inverossímil o autor pretender lançar suspeita sobre 1 
Tessalonicenses. É possível que a referência à carta como de nós aluda 
às falsas conclusões tiradas da redação de 1 Tessalonicenses. É mais 
provável, porém, que Paulo temia que a idéia de que o Dia do Senhor 
havia já começado, tivesse sido incutida na mente dos tessalonicenses 
por alguma comunicação reclamando a sua autoridade, e da qual não 
tinha recebido ainda informações exatas. 
 Que o Dia do Senhor estivesse perto (2); tenha chegado o dia 
(ARA). Cf. 1Ts 5.2. Isto não acontecerá; é preciso acrescentar esta 
apódose da cláusula condicional. Nota-se a frase seguinte: sem que 
primeiro venha a apostasia: a palavra grega apostasia significa revolta, 
ou rebelião neste caso sendo de caráter religioso. 
 Seja revelado o homem da iniqüidade (3 - ARA). O mesmo 
como “o iníquo” (8), também chamado o anticristo, Belial e a Besta que 
sobe do abismo (Ap 11.7). É o líder da grande rebelião escatológica 
contra Deus. O filho da perdição (3): hebraísmo, significando «aquele 
que está determinado para a destruição». A mesma frase é usada em 
relação a Judas Iscariotes em Jo 17.12 onde pode ser traduzido «o rapaz 
perdido». 
 O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou 
se adora (4); literalmente, «objeto de adoração» (gr. sebasma). Esta 
linguagem relembra a descrição do anticristo pré-cristão, Antíoco 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 8 
Epifanes, dada em Dn 7.25-8.9 e segs.; 11.36 e segs.; Cf. também Ap 13. 
Se assentará como Deus no templo de Deus (4). Este pormenor sobre o 
anti-cristo relembra o imperador Gaio que, no ano 40 A. D., queria 
levantar sua estátua no templo em Jerusalém. Aquela crise recordou 
vividamente aos cristãos o discurso escatológico de Jesus preservado em 
Mc 13. As palavras «quando virdes a abominação da desolação estar 
onde não deve» (Mc 13.14) se aplicam bem à política daquele 
imperador. Note-se a referência a uma pessoa. 
 Não vos lembrais...? (5). Um aspecto interessante do elemento 
apocalíptico no kerygma primitivo. 
 Sabeis o que o detém; o agente retentor é impessoal neste verso, e 
pessoal no verso 7; este fato é significativo. O apóstolo é 
intencionalmente vago quando escreve sobre o assunto, mas parece que 
foi mais explícito no seu ensino oral em Tessalônica. Isto apóia a 
interpretação de o Império Romano ser o agente retentor, desde que pode 
ser considerado tanto um poder impessoal, como uma pessoa encarnada 
no Imperador. Após a acusação levada contra Paulo em Tessalônica (At 
17.6 e segs.), qualquer alusão ao poder imperial tinha de ser vaga quanto 
possível, por perigo da carta cair em mãos impróprias. 
 Porque já o mistério da injustiça (ARC: iniqüidade) opera (7). 
O princípio da rebelião contra Deus já está agindo, na oposição feita ao 
evangelho em Tessalônica e noutros lugares, mas não está abertamente 
entronizado no mundo, como será na breve duração do domínio do 
anticristo, porque há um que agora o detém (7). Neste passo, é um 
agente pessoal que retém o espírito de ímpia revolta, indicando o 
Imperador. 
 Outros há que consideram aquele que detém como uma figura 
apocalíptica, no mesmo sentido como o anticristo, “o anjo do abismo” de 
Ap 9.1 e Ap 20.1. Caso for assim, não haveria inconveniência em usar 
termos mais explícitos. 
Menos plausível ainda é a sugestão de que aquele que detém seja o 
Espírito Santo. 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 9 
 Se “o que detém” é realmente o Imperador, não precisa concluir 
que o Imperador Cláudio, (41-54) então reinante, seja especificamente 
indicado, ou que Paulo estivesse pensando em Nero, sucessor de 
Cláudio, cuja elevação se deteve enquanto Cláudio vivia. Nero tinha 
apenas doze anos em 50 A. D., e Paulo escreveu os mais notáveis elogios 
do poder romano após a elevação de Nero ao trono. Paulo tinha razão em 
mostrar-se constantemente grato pela proteção das autoridades imperiais, 
que reprimiam as forças mais hostis ao evangelho. Quando essa proteção 
fosse retirada, as forças do anticristo poderiam exercer, livremente, a sua 
própria vontade. 
Devem ser mencionadas outras tentativas de identificar o “poder 
que detém”. B. B. Warfield sugere que fosse a continuação do Estado 
judaico: 
 
 “Logo que a apostasia judaica se completou, e Jerusalém foi entregue 
aos gentios... a separação do Cristianismo do Judaísmo, já iniciada, se 
tornou patente. Intensificou-se o conflito entre a nova fé e o paganismo, cuja 
expressão principal era o culto ao Imperador. Foi desencadeado o poder 
perseguidor do Império, inevitavelmente” (Biblical and Theological 
Studies, pág. 473). 
 
 Atéque do meio seja tirado (7). O sujeito desta cláusula é o 
retentor, mas seria considerado sedicioso falar explicitamente da 
remoção do Imperador. Daí a imprecisão de Paulo. Gr. ek mesou 
genesthai - ser afastado do meio. Forma quase passiva, correspondente à 
voz ativa: ek mesou airein (1Co 5.2; Cl 2.14). Cf. latim: e medio 
tollere. Por não ter reconhecido esta expressão idiomática, alguns têm 
forçado uma tradução literal das palavras: 'Até que ele (o anticristo) se 
torne (ou apareça) no meio'. Não atribuímos a Paulo este significado. E 
então será revelado o iníquo. A construção normal do grego 
corresponde à forma semita “homem do pecado” (3). Seu aparecimento 
ou manifestação precede a do verdadeiro Cristo. 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 10 
 Com o sopro da sua boca (8) isto é, com a Sua palavra. Cf. Ap 
19.15. Pelo esplendor da Sua vinda (8): referência à glória da 
parousia. O anticristo terá também a sua “parousia” (9). Sua 
manifestação revelará o seu dinamismo satânico - com todo poder e 
sinais e prodígios de mentira (9). Cf. Ap 13.2-13 e segs. 
 Porque não receberam o amor da verdade (10). Quem recusa 
aceitar a verdade de Deus é certo de ser enganado pelo erro, conforme 
Rm 1.18 e segs. 
 Para que creiam a mentira (11). Essa mentira será a contrafação 
da verdade (verso 12). Cf. Rm 1.25 – “pois mudaram a verdade de Deus 
em mentira”; literalmente “que trocaram a verdade de Deus pela 
mentira”. No Zoroastrismo também a mentira (Avestandruj) denota o 
sistema total do mal. 
Para um estudo mais detalhado, ver Pauline Eschatology por 
Geerhardus Vos, pág. 94 e segs.. 
 
IV. ADICIONAL AÇÃO DE GRAÇAS E ENCORAJAMENTO 
 - 2.13-3.5 
 
Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós (13). Cf. 1.3. 
Irmãos amados no Senhor (13): Cf. 1Ts 1.4. Por vos ter Deus elegido 
desde o princípio (13): veja nota sobre 1Ts 1.4. Talvez a frase desde o 
princípio indique a eternidade da escolha de Deus, como em Ef 1.4. Se 
Paulo quisesse indicar os primeiros dias da sua pregação em Tessalônica, 
provavelmente teria usado outra expressão como “o princípio do 
Evangelho” (Fp 4.5). Notemos a variante: “primícias” (M. Soares), (gr. 
aparchen), ao invés de «desde o princípio» (gr. ap' arches). Ambas são 
bem atestadas, mas ap' arches é preferível. Optando para «primícias», o 
sentido seria o de Tg 1.18, em que a fraseologia cristã entrosa o conceito 
judaico de Israel como as primícias de Deus entre as nações. Harnack, de 
acordo com a sua teoria quanto aos destinatários desta epístola, considera 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 11 
aparchen (desde o princípio) evidência de os crentes judeus serem as 
«primícias» da missão de Paulo em Tessalônica. 
 Para a salvação (13). “Os vv. 13 e 14 deste capítulo constituem 
um sistema de teologia em miniatura. A ação de graças do apóstolo 
abrange toda a obra da salvação, desde a eterna escolha de Deus, até a 
consumação da glória do nosso Senhor Jesus Cristo no mundo vindouro» 
(J. Denney). Em santificação do Espírito (13). Cf. 1Ts 4.3 e segs.. 
Quem nos santifica é o Espírito Santo. 
 Para alcançardes a glória do Nosso Senhor Jesus Cristo (14); 
isto é, na ocasião da parousia. Cf. Rm 2.6 e segs., 8.18 e segs., 30. 
 Retende as tradições (15). Estas tradições são as coisas que lhes 
foram entregues (gr. paradosis). São associados com este termo dois 
verbos no grego - paralambanein (receber por sua vez, ou em 
sucessão), cf. 1Ts 2.13-4.1 e 2Ts 3.6; e paradidonai (entregar), ambos 
sendo achados em conjunção, como por exemplo em 1Co 11.23 e 1Co 
15.3. Note-se a ênfase dada à continuidade da transmissão da verdade do 
Cristianismo. Esta tradição é idêntica com o testemunho apostólico, 
apoiando-se na autoridade do próprio Cristo (Veja O. Cullman, 
'Paradosis and Kyrios', Scottish Journal of Theology, iii; 1950, pg. 180). 
 Seja por palavra, seja por epístola nossa (15). O adjetivo 
«nossa» se refere tanto à palavra como à epístola. A frase quer dizer, 
«Quer por nosso ensino oral, quer por nossa carta». Sem dúvida, a 
referida epístola é 1 Tessalonicenses. 
 E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Deus e Pai 
console os vossos corações (16-17). São unidos freqüentemente na ação 
o Senhor Jesus e Deus o Pai (Cf. 1Ts 3.11). Aqui, como em 2Co 13.13, o 
Senhor Jesus é mencionado primeiro. «O único significado teológico a 
ser atribuído às variações na ordem é que há completa igualdade, entre o 
Pai e o Filho, no pensamento do apóstolo». (W. Neil). 
 
 
 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 12 
2 Tessalonicenses 3 
 Finalmente, irmãos, orai por nós (3.1). Cf. 1Ts 5.25. Para que a 
Palavra do Senhor tenha livre curso (ARC), ou se propague (ARA); 
cf. Sl 147.15: “sua palavra corre velozmente”. Refere-se aqui, 
certamente, ao evangelho que Paulo e seus companheiros estavam 
proclamando em Corinto. 
 Paulo alude aos perigos naquela cidade, quando solicita oração, a 
fim de que sejam livres de homens dissolutos e maus (2). A palavra 
dissoluto é tradução do grego atopos, literalmente «fora de lugar», daí, 
desajustado, impróprio, perverso. Paulo tem em mira, principalmente, 
seus adversários judaizantes. 
 Por que a fé não é de todos (2). Há duas maneiras de entender a 
frase, ou “nem todos os homens exercem fé” (em Cristo), ou “nem todos 
os homens seguem a fé” (isto é, o evangelho). O sentido geral não muda, 
seja fides qua creditur, ou fides quae creditur, mas o primeiro é o mais 
provável. 
 Todavia o Senhor é fiel (3). Fiel: gr. pistos, é a primeira palavra 
na frase no original grego, ligando-se naturalmente com pistis (fé) a 
última palavra da frase anterior. Cf. 1Ts 5.24. Vos guardará do 
Maligno (3); aqui, como na Oração Dominical de Mt 6.13, o grego 
poneros (mal) pode ser pessoal (Maligno) em ambos os casos. 
 E temos confiança (4). Cf. 1Ts 4.1-9 e segs., 5.11. 
 E o Senhor conduza os vossos corações ao amor de Deus (5), o 
Senhor sendo Jesus Cristo. «O amor de Deus» pode ser o crescente amor 
dos tessalonicenses para com Ele ou pode referir-se à sua compreensão 
mais perfeita do amor de Deus por eles. A frase pode ser considerada à 
luz do que segue: e na paciência de Cristo, onde tem o mesmo uso do 
genitivo. Paciência de Cristo: é atributo do Mestre que o autor deseja 
ver reproduzido no Seu povo. Assim sendo, seria mais natural tomar a 
frase o amor de Deus como sendo o amor que Deus mostra aos homens. 
 
 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 13 
V. A NECESSIDADE DE DISCIPLINA - 3.6-15 
 
Os crentes em Cristo hão de separar-se das pessoas na sua 
congregação que recusam trabalhar para o seu sustento. 
Nós vos ordenamos... no nome do Senhor Jesus Cristo (6). A 
autoridade apostólica se fundamenta na de Cristo; os Seus apóstolos são 
Seus embaixadores credenciados. 
Todo irmão que ande desordenadamente (6); gr. ataktos; cf. o 
adjetivo ataktous em 1Ts 5.14. Nos dois versículos usa-se uma metáfora 
militar, que se aplica aos que saem das fileiras do exército, ou que se 
ausentam do serviço. Paulo retorna ao problema dos que deixam de 
ganhar seu sustento, sem seguir a tradição que de nós recebestes. Este 
aspecto prático da “tradição” foi enfatizado tanto pelo exemplo como 
pelo preceito. As palavras dos vv. 7-9 chamam atenção à própria conduta 
do apóstolo neste respeito. Cf. 1Ts 2.6 e segs. e outras passagens citadas 
na nota. 
 Se alguém não quer trabalhar, também não coma (10). Isto 
bem pode ser um provérbio judaico, baseado em Gn 3.17 e segs. Mesmo 
os rabinos sabiam ganhar a vida por trabalhos manuais, para não fazerem 
do ensino da lei meio de lucro. Paulo se sustentava trabalhando com 
couro. 
 Não trabalhando, mas se intrometem na vida alheia (11). O 
grego revela um trocadilho: meden ergazomenous alla 
periergazomenous. Cf. Inglês de Moffatt: “Busy-bodies, instead of 
busy”. 
 Trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão (12); 
isto é, o pão que ganham. Cf. 1Ts 4.11. 
 Não vos canseis de fazer o bem (13). Cf. Gl 6.9. 
 Caso alguém nãopreste obediência à nossa palavra dada por 
esta epístola, notai-o (14). Mais uma vez o autor usa a sua autoridade 
apostólica. Cf. 5.12. Paulo não ordena aqui uma excomunhão formal, 
mas recomenda uma prática reprovação dos preguiçosos, para que se 
2 Tessalonicenses (Novo Comentário da Bíblia) 14 
envergonhem e mudem seus costumes. Tais pessoas não devem ser 
tratadas como inimigas (verso 15), nem “como gentios ou publicanos” 
(Mt 18.17). Ainda são irmãos, membros da comunidade cristã, que 
deviam aceitar a disciplina fraternal. 
 
VI. ORAÇÃO, SAUDAÇÃO FINAL E BÊNÇÃO - 3.16-18 
 
Paulo se despede dos tessalonicenses, pedindo em oração uma 
bênção para eles. Indica também que a assinatura pessoal autentica esta e 
as demais cartas como genuínas. O Senhor da paz (16). Ele é “da paz, o 
autor e amigo”. Cf. a frase «Deus de paz» em 1Ts 5.23; Rm 15.33 e 
16.20; Fp 4.9; Hb 13.20; também 1Co 14.33; 2Co 13.11. 
 A saudação é de próprio punho: Paulo. Este é o sinal em cada 
epistola; assim é que eu assino (17). Para que seus amigos não fossem 
enganados por uma carta espúria levando seu nome, Paulo chama 
atenção ao fato que todas as suas cartas são autenticadas por algumas 
palavras na sua própria caligrafia, ao fim. Geralmente usava um 
amanuense para escrever suas cartas, como Tércio, por exemplo (Rm 
16.22). Encontra-se uma referência ao estilo caligráfico de Paulo em Gl 
6.11. 
 A graça do nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós (18). 
A mesma fórmula para bênção (menos a palavra «todo») é usada em 1Ts 
5.28 e Rm 16.20. 
 
 F.F. Bruce 
 
 
 
 
	2 TESSALONICENSES 
	INTRODUÇÃO 
	PLANO DO LIVRO 
	COMENTÁRIO 
	2 Tessalonicenses 1 
	2 Tessalonicenses 2 
	2 Tessalonicenses 3

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