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1 impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. Olá! Seja bem-vindo(a) à disciplina Ética e Relações Humanas no Trabalho! Convidamos você para mergulhar em um conteúdo que nos levará a formular muito mais perguntas do que respostas. Esta disciplina pretende despertar sua curiosidade, sua vontade de conhecer mais, sua necessidade de compreender melhor. Se você estiver se perguntando: “Como vou aprender mais se eu não chegar às respostas corretas?”, nós vamos argumentar: muitas vezes, criar as melhores perguntas nos faz aprender mais do que simplesmente ler respostas preestabelecidas. E então, está disposto(a) a aceitar este desafio? Vamos embarcar juntos nesta viagem pelas questões da ética? Vamos lá! Para começarmos, vamos lançar a seguinte questão: Será que existe um conceito universal sobre ética? Na verdade, a ética habita nosso cotidiano. Não há como escaparmos deste assunto. A ética nasce de uma realidade social. O autor Serrano (2009, p. 16) cita Hans Kelsen para explicar que a ética é resultado de construções racionais que geram princípios, normas e regras, tanto gerais como particulares, construções que têm como função servir de base para se justificar determinadas atitudes. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de Como citar este material: FREGNI, Carla P. Ética e Relações Humanas no Trabalho: Pensando sobre Ética. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 2 Quando pesquisamos a origem da palavra ética, descobrimos que é grega, vinda do termo ethos, que significa bom costume/boa conduta. Esse termo acabou evoluindo para o termo, em português, conhecido por ética. Da Antiguidade à Contemporaneidade Da Antiguidade para nossa Contemporaneidade, o significado de ética percorreu e, ainda percorre, uma longa trajetória, alimentando acaloradas discussões entre filósofos, políticos, empresários, professores e todos os tipos de estudiosos. Para nos ajudar a compreender os caminhos pelos quais o conceito de ética ainda percorre, vamos nos embasar nas explicações dadas pelo Prof. Clóvis de Barros Filho durante uma aula aberta sobre ética em dezembro de 2013. Saiba Mais! Discutir Ética – Aula aberta com o professor e filósofo Clóvis de Barros Filho Nesta aula, o Prof. Clóvis de Barros Filho fala aos alunos grevistas da ECA. A discussão gira em torno do caráter dialético da ética, isto é, da necessidade de conversarmos e, juntos, chegarmos às regras de nossa convivência. Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 3 Nessa aula, Barros Filho explica que os gregos consideravam o mundo algo finito e ordenado. Davam-lhe o nome de Cosmos. Segundo suas crenças, cada indivíduo nascia com uma função predeterminada que se encaixava perfeitamente no funcionamento desse Cosmos. As pessoas que prezavam pelas boas condutas eram aquelas que se dedicavam a desenvolver seus talentos natos, integrando-se às engrenagens perfeitas desse Cosmos ordenado. Em contrapartida a essa visão grega, a modernidade e as descobertas científicas trouxeram novas informações que acabaram levando a humanidade a constatar que, na verdade, o ser humano não nascia para cumprir uma missão cósmica, e sim nascia porque as leis da natureza levam à procriação das espécies. Com essa constatação, o homem mudou sua forma de pensar: apesar de não nascermos por causa de todo um planejamento cósmico, temos de praticar condutas que nos levem a conviver uns com os outros da melhor maneira possível. Assim, a procura por boas condutas continua. Mas, afinal, o que são boas condutas? A procura pela resposta a essa pergunta leva a muitas formas de pensar. Uma delas é conhecida por pensamento consequencialista, para o qual uma conduta é considerada boa : Saiba Mais! BARROS FILHO, Clóvis. Discutir Ética (Aula aberta). 2013. Duração 1:28:27. Disponível em: http://goo.gl/w6F8Sd. Acesso em: 13 out. 2014. http://goo.gl/w6F8Sd Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 4 ou não conforme o resultado a que ela leva, ou seja, quando as consequências são positivas, a conduta é considerada boa e vice-versa. Os filósofos dividiram o pensamento consequencialista em dois tipos: o pragmático e o utilitarista. Talvez, muito mais importante do que decorar esses dois termos seja compreendê-los. O pensamento consequencialista é dividido em função de duas considerações sobre as consequências geradas pelas condutas humanas: 1. Consequência para a própria pessoa que praticou a conduta (o tipo pragmático). 2. Consequência para a maior parte de pessoas impactadas pela conduta de alguém (o tipo utilitarista). Explicando melhor: o pensamento consequencialista pragmático avalia que uma conduta é boa quando leva o praticante ao sucesso desejado por ele mesmo. Vamos pensar em um exemplo do dia a dia? Quando um aluno é aprovado ao final do semestre, ele atingiu o sucesso esperado, certo? Portanto, para o consequencialista pragmático, sua conduta foi boa. Quanto ao pensamento consequencialista utilitarista, considera-se que uma boa conduta é aquela que leva à satisfação do maior número de pessoas possível, ou seja, uma conduta será boa quando a maioria das pessoas impactadas for beneficiada e uma minoria não o for. Compare os dois tipos de pensamentos consequencialistas expostos na Figura 1.1: Figura 1.1 Pensamentos consequencialistas. Fonte: autora Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 5 Que tal analisarmos esses dois tipos de pensamentos? Vamos começar pelo pensamento consequencialista pragmático. Supondo que o aluno (do exemplo apresentado) tivesse colado em todas as provas, sua conduta seria considerada boa? Segundo esse tipo de pensamento consequencialista, seria boa, sim, pois ele teria atingido seu intento final: a aprovação. Agora, vamos passar para a análise do pensamento consequencialista pragmático. Será que é sempre positivo obter vantagem para uma maioria? E como fica a minoria? Lembre-se de que o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial acontecia sob o aplauso da maioria dos alemães... Diante dessas reflexões, somos obrigados a considerar que há fragilidade nesses dois tipos de pensamentos, não é mesmo? O pensamento consequencialista não dá valor à conduta humana pelo modo como ela é praticada, mas sim pelos efeitos que ela acarreta. Portanto, o que acaba sendo avaliado não é a conduta em si mesma. Immanuel Kant, filósofo que viveu no início da era moderna, propôs que se avaliasse uma conduta por seu próprio valor, e não pelo valor de suas consequências. De que maneira? Baseando-se em princípios. Mas, como definir esses princípios? Segundo Kant, cada princípio deveria ser universalizável, ou seja, ser naturalmente aceitável por todos. O autor Carlos Eduardo Meirelles Matheus, em seu audiolivro sobre Kant, Parte 2, apresentado pela Universidade Falada, aborda a construção teórica formulada pelo filósofo alemão a respeito da ética. Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meiode impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 6 Kant propôs uma lei conhecida por Imperativo Categórico. Por ela, compreende-se que todo ser racional pode deduzir, por si mesmo, como deve agir em sociedade. Segundo o Imperativo Categórico, cada pessoa seria capaz de organizar os seguintes pensamentos: 1. Devo agir de tal modo que a norma contida no meu ato possa se tornar uma norma universal. 2. Não devo mentir porque não posso querer que mintam para mim, portanto, não devo mentir para os outros. Saiba Mais! Fonte: http://goo.gl/qwGMnU. Acesso em: out. 2014 Kant: vida e obra No site da Universidade Falada, é possível adquirir a obra de Matheus em arquivo .mp3. Trata-se de uma obra em formato de audiolivro, possibilitando o aproveitamento do conteúdo enquanto se está no trânsito ou em filas. No site, é possível ainda ouvir um trecho do audiolivro. Vale a pena! MATHEUS, Carlos Eduardo Meireles. Kant: vida e obra. São Paulo: Universidade Falada. Trecho para audição disponível em: http://goo.gl/jTHP18. Acesso em: 15 out. 2014. http://goo.gl/qwGMnU http://goo.gl/jTHP18 Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 7 3. Ninguém pode querer que a mentira se torne uma norma válida para todos, já que, deste modo, ninguém acreditaria em ninguém. A máxima que diz para nos colocarmos no lugar do outro, antes de agirmos, é muito utilizada até hoje quando pretendemos adotar uma conduta correta, não é mesmo? Tem sido aplicada na educação das crianças. Vamos analisar um exemplo? Você não gosta de que desconfiem de você, certo? Você seria capaz de confiar em estranhos que se aproximam quando você está fazendo um saque em caixa eletrônico às 23 horas? Pois é... Parece que até mesmo o Imperativo Categórico de Kant apresenta fragilidade... Howard (2011, p. 73-74) nos propõe uma análise bastante interessante sobre essa máxima – chamada, por ele, de A Regra de Ouro. Sua reflexão parte dela, chegando à Regra de Ferro. Veja o Quadro 1.1: Quadro 1.1 As variações da Regra de Ouro. REGRA DE OURO Faça aos outros o que deseja que eles façam a você. Nossas preferências governam o modo como tratamos os outros. REGRA DE PLATINA Faça aos outros o que eles esperariam que você fizesse. As preferências dos outros governam a maneira como você os trata. REGRA DE DIAMANTE Faça aos outros o que Buda, Maomé ou Jesus (ou a figura venerada por você) faria para você. Nossas aspirações governam a maneira como tratamos os outros. REGRA DE PRATA Não faça aos outros o que eles fazem a você. Nossas preferências éticas negativas governam nosso comportamento. Faça aos outros o que eles REGRA DE BRONZE fazem a você. As preferências dos outros governam nossas ações, Reflexão crítica (o que a regra significa) O que diz Regra Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 8 boas ou más. REGRA DE ALUMÍNIO Não deixe que os outros façam com você o que você não faria a eles. Nossas preferências pela ética negativa governam o comportamento preventivo. REGRA DE CHUMBO Arruíne os outros que o arruínam. Nossa tentação de revidar vence o comportamento ético. REGRA DE FERRO Faça aos outros antes que eles façam com você. Nossa antecipação de comportamento antiético vence as decisões éticas. Fonte: Adaptado de Howard (2011, p. 74) O autor Howard (2011) nos provoca a enxergar como muitas regras, algumas até consideradas sabedorias populares, podem levar a interpretações que não envolvem condutas éticas. Quando julgamos ser correto fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós, adotamos a premissa de que todos têm os mesmos gostos que temos. E isso não é verdade. Cada pessoa tem seu próprio jeito de ver a vida. Cada grupo tem seus próprios valores. E, seguindo este raciocínio, compreendemos como é frágil adotarmos os códigos de conduta religiosos como se fossem universais. Imagine a seguinte situação: Um avião, da El Al (companhia aérea nacional de Israel), estava para decolar de Nova York quando se atrasou por causa de uma confusão desencadeada por haredim (judeus ultraortodoxos). Eles se recusaram a se sentar ao lado de mulheres, porque sua religião não permite. Uma passageira – Amit Bem-Natan – declarou ao site Ynet que alguns haredim ficaram em pé nos corredores e se recusavam a ir para frente. Todos eles tinham bilhetes com assentos numerados e comprados com antecedência, mas pediram às mulheres que trocassem de assento. O voo acabou atrasando porque o avião não pode decolar enquanto houver passageiros em pé. Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 9 Outra passageira do voo (identificada apenas como Galit), disse que passageiros ultraortodoxos sugeriram que ela e seu marido se sentassem separados para se adaptar às exigências religiosas deles. Galit se negou, mas disse que acabou sentada ao lado de um homem heredi que se levantou do assento assim que a decolagem terminou e ficou em pé no corredor. Será que esse evento traz à tona um dilema ético? Será que os direitos religiosos devem se sobrepor aos direitos civis? Esse é um caso de bullying contra as mulheres? Seria uma prática de discriminação contra as mulheres? A companhia aérea deveria responsabilizar-se pelo conflito? Deveria ter articulado uma negociação? A notícia veiculada no site da Folha de S.Paulo traz muitos questionamentos que podem ser debatidos sob a luz de estudos do Direito, do Marketing, da Economia, da Política, da Globalização, entre muitas outras. Saiba Mais! Fonte: http://goo.gl/K33nW8. Acesso em: out. 2014. Companhia aérea de Israel é criticada por discriminação às mulheres Você poderá ler a notícia, na íntegra, sobre o impasse ocorrido entre os passageiros da companhia aérea nacional de Israel. Acesse o link indicado: SHERWOOD, Harriet. Companhia aérea de Israel é criticada por discriminação às mulheres. Folha de S.Paulo, 30 set. 2014. Disponível em: http://goo.gl/3jofBs. Acesso em: 8 out. 2014. http://goo.gl/K33nW8 http://goo.gl/3jofBs Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 10 Segundo Matos (2011, p. 16), a ética deve pressupor liberdade; dignidade/responsabilidade; igualdade de oportunidades; e direitos humanos. Ao tentarmos aplicar esses elementos na análise da notícia sobre os haredim, percebemos que surgirão conflitos culturais e religiosos. Se, por um lado, os haredim têm direito à liberdade de escolher suas crenças religiosas, por outro, as mulheres, como cidadãs do mundo contemporâneo, também têm direito de ir e vir. Há também de se considerar a responsabilidade da companhia aérea quanto a solucionar as necessidades de seus clientes. Barros Filho, durante a aula aberta a qual nos referimos logo no começo deste tema, afirma que a questão da ética, em nossa contemporaneidade, é uma atividade ininterrupta de discussão a respeito de quais princípios queremos adotar para nos orientarmos em nossa convivência. Segundo ele, para se fazer ética, há de se considerar a perspectiva normativa (relativaàs regras a serem obedecidas) e a perspectiva aplicada (relativa ao modo de agir), ou seja, não basta apenas respeitarmos as regras do jogo ‒ precisamos participar das definições das regras do jogo em que jogaremos. Se considerarmos o exemplo do jogo, vamos constatar que a convivência em sociedade é constituída por vários jogos que vão acontecendo ao mesmo tempo: cada jogo tem seu conjunto de regras estabelecidas pelas próprias pessoas envolvidas nele. Seguindo esse raciocínio, será que podemos concluir que a ética é um conjunto de regras de conduta para determinado contexto sob determinadas condições sociais, econômicas, geopolíticas e culturais? Se aceitarmos essa conclusão, vamos compreender que falar de ética não é exatamente falar do que é certo ou errado, mas sim falar dos códigos de condutas ideais para determinada sociedade que vive sob determinadas condições. O Príncipe, de Nicolau Maquiavel Pesquisar sobre ética é como viajar para um mundo sem fronteiras. Podemos encontrar estudos da Grécia Antiga (berço das discussões sobre ética). Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 11 Podemos conhecer a versão cristã da ética na era Medieval. Podemos ler obras da época do Renascimento. Podemos estudar as posições de filósofos modernos. Podemos testemunhar a participação de interessados dos mais diversos perfis em debates a respeito do assunto em nossa atualidade. É possível que você já tenha lido O Príncipe, de Maquiavel. Se ainda não o fez, deve, pelo menos, ter ouvido falar. Esta obra é uma referência até hoje, apesar de ter sido escrita em 1513 e publicada apenas em 1532, após a morte do autor. Por que será que suas ideias alimentam debates até hoje? Saiba Mais! Fonte: http://goo.gl/VkTKbV. Acesso em: out. 2014. Segue link de uma resenha do livro O Príncipe, em que se destaca seus fundamentos teóricos bem como a construção do sentido moderno de política desenvolvida por Maquiavel. Apesar de ter sido publicada há quase 500 anos, a obra de Maquiavel traz reflexões totalmente aplicáveis à nossa contemporaneidade. MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Cia das Letras, 2010. http://goo.gl/VkTKbV http://goo.gl/ZY0oMe Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 12 Nessa obra, Maquiavel apresenta quais seriam as melhores condutas para um príncipe conquistar e manter suas conquistas. Os pensamentos consequencialistas são perceptíveis em várias passagens do livro. Há um trecho em que Maquiavel escreve: “[...] pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que delas se pode imaginar” (MAQUIAVEL, 1973, p. 69). Dentro do contexto do livro, podemos interpretar essas palavras do autor como: vale mais a vantagem que um príncipe obtém para si próprio por meio de suas condutas do que a conduta em si mesma. Há um documentário sobre a obra O Príncipe que faz uma paráfrase de algumas falas de Maquiavel. Saiba Mais! Fonte: http://goo.gl/m0hEix. Acesso em: 15 out. 2014. Documentário Grandes Livros: O Príncipe No episódio desta série de documentários produzidos pela Discovery Channel, apresenta-se O Príncipe, livro escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, cuja primeira edição foi publicada postumamente, em 1532. Trata-se de um dos tratados políticos mais importantes já escritos, com papel crucial na construção do conceito de Estado como modernamente o conhecemos. Entre outras coisas, descreve as maneiras de se conduzir os negócios públicos internos e externos, e, fundamentalmente, como conquistar e manter um principado. GREAT BOOKS (série). O Príncipe. Produção: Discovery Channel. EUA. Documentário. Duração: 50:23 min. Disponível em: http://goo.gl/nKhK3O. Acesso em: 14 out. 2014. http://goo.gl/m0hEix http://goo.gl/nKhK3O Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 13 O trecho inicial do filme mostra um homem que escreve ao novo presidente dos Estados Unidos, dando-lhe conselhos sobre como manter seu poder na presidência. Aí está a comparação com a obra O Príncipe, em que Maquiavel começa escrevendo a Lourenço de Medici – um estadista da época do Renascimento Italiano – e lhe oferece seus estudos sobre como um príncipe deve agir para manter seu poder. O peso do pensamento consequencialista do tipo pragmático é mantido na paráfrase do filme, assim como está no livro. Ou seja: a conduta é avaliada em função das melhores consequências para quem a está praticando. Se analisarmos friamente o trecho do documentário, teremos a impressão de que o homem que escreve ao novo presidente dos Estados Unidos o aconselha à conduta do fingimento para poder manipular o povo e manter seu poder na presidência. O livro O Príncipe retrata esse mesmo contexto: utilizando-se de exemplos de homens poderosos, da Antiguidade à Renascença, o autor descreve como as vantagens oferecidas pelo poder e pela fortuna podem despertar a ambição de governantes, levando-os a atos desleais e violentos. A obra de Maquiavel tornou-se um instrumento para reflexões sobre ética. Trata-se de uma obra antiga cujos debates ainda são bem atuais: a prática de uma política totalmente isenta de condutas éticas, retratada por Maquiavel, é ainda uma realidade até hoje. Você deve saber que o termo maquiavélico surgiu a partir de O Príncipe. Alguns estudiosos defendem Maquiavel, afirmando que, na verdade, ele era um cidadão que defendia a moralidade. É provável que o autor tivesse a intenção de lançar debates sobre a falta de ética na política exatamente retratando o pior da prática da política. Sobre Ética e Moral Será que existem diferenças entre o conceito de ética e de moral? Na verdade, as palavras ética e moral têm a mesma origem. Como já vimos, ética Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 14 vem do grego ethos, significando bom costume/boa conduta. Quando a palavra foi traduzida para o latim, tornou-se mor-morus, significando também costume mor ou costume superior. É da tradução latina para o português que se tem a palavra moral. Atualmente, há muitas discussões sobre a diferenciação entre ética e moral. Há pensadores que aplicam conceitos diferentes a cada um dos termos e, ainda, há aqueles que preferem manter suas semelhanças. O autor Mário Sérgio Cortella, por exemplo, afirma que a ética é o conjunto de princípios que norteiam as condutas para o indivíduo conviver em sociedade. Quanto à moral, trata-se da prática dos princípios éticos. Saiba Mais! Jô Soares entrevista o Prof. Mário Sérgio Cortella Cortella é filósofo e escritor, com Mestrado e Doutorado em Educação, professor-titular da PUC-SP, com docência e pesquisa na Pós-Graduação em Educação e no Departamento de Teologia e Ciências da Religião. É professor- convidado da Fundação Dom Cabral (desde 1997) e ensinou no GVpec da FGV-SP (1998/2010). Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo (1991-1992). (Fonte: http://goo.gl/LesgXe. Acesso em: out. 2014) Acessando o link indicado, você poderá assistir a uma entrevista de Jô Soares com Cortella. Você poderá compreender sua visão sobre as diferenças entre ética e moral. REDE GLOBO. Programa do Jô: Entrevista com Mário Sérgio Cortella. Disponívelem: http://goo.gl/L2ZZPU. Acesso em: 8 out. 2014. http://goo.gl/LesgXe http://goo.gl/L2ZZPU Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 15 O autor Clóvis de Barros Filho explica que a ética está ligada ao grupo e tem a pretensão de ser universal. A moral está ligada ao indivíduo, pois cabe a cada um, que convive em uma sociedade, decidir praticar ou não os princípios éticos determinados nessa sociedade. Vamos compreender melhor essa diferença entre ética e moral utilizando um exemplo fornecido pelo Prof. Clóvis de Barros Filho, quando ele esteve no programa Café Filosófico, em 2009, discutindo sobre o tema: Moral e Estilo de Vida na Crise da Contemporaneidade. Você sabia que, em alguns países europeus, você não compra jornal em bancas? No Brasil, por exemplo, escolhemos o jornal que desejamos levar, Saiba Mais! Fonte: http://goo.gl/h5nDLm. Acesso em: out. 2014. Moral e Estilo de Vida na Crise da Contemporaneidade O questionamento sobre a ética aparenta ser constante na sociedade. Com ou sem crise. Com mudança ou não de valores e paradigmas. O discurso da eficácia corporativa e suas metas, tão elogiados no início do século, hoje são duramente condenados. Problemas econômicos e ambientais sugerem o retorno aos valores fundamentados no respeito e na cooperação. BARROS FILHO, Clóvis. Moral e Estilo de Vida na Crise da Contemporaneidade. Programa Café Filosófico, 29 maio 2009. Disponível em: http://goo.gl/GTPPwt. Vídeo disponível em: http://vimeo.com/26390212. Acesso em: 15 out. 2014. http://goo.gl/h5nDLm http://goo.gl/GTPPwt http://vimeo.com/26390212 Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 16 vemos o preço, entregamos o dinheiro ao jornaleiro, ele faz a conta e nos dá o troco. É assim, não é? Pois bem! Na cidade de Genebra, na Suíça, não é assim. Há uma banqueta cheia de jornais. Não há ninguém vigiando. Você chega, abre a caixa, pega o seu jornal e deixa o dinheiro. Isso mesmo! Você deixa seu dinheiro junto a outras quantias já deixadas por outras pessoas. Se tiver direito a troco, você mesmo pega o valor devido. Agora, vamos refletir juntos. O que poderia passar pela cabeça de um estrangeiro, cuja cultura de origem fosse influenciada por ideias como a de levar vantagem em tudo? Pensaria em levar o jornal sem pagar por ele? Pensaria em levar todos os jornais sem pagar por eles? Ou, ainda, pensaria em levar o dinheiro já deixado por outros compradores? É provável que essas ideias acabem passando pela cabeça não só de alguns estrangeiros, mas, por que não dizer, pela cabeça de alguns suíços também. O que faz, então, uma pessoa resistir a essas tentações? A moral! A moral implica liberdade de escolha. Vamos pensar da seguinte maneira: o princípio de não roubar é uma determinação ética em Genebra (e em grande parte do mundo, claro). Trata-se de um princípio do código de ética. Cabe aos moradores e visitantes decidirem se vão cumprir esse princípio ou não. Caberá ao indivíduo que passa pela banqueta de jornais suíços ser moral ou não, ou seja, cabe a ele praticar ou não a ética preestabelecida. Ética Negativa: “Ética negativa são proibições que assumem a forma de ‘Você não deve...’ A ética negativa requer pouca ou nenhuma energia para ser cumprida. Veja ‘Não deverás matar’, por exemplo.” Por outro lado, a “Ética positiva são obrigações que assumem a forma ‘Deverás...’. A ética positiva Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 17 requer uma conduta virtuosa e energia para ser seguida. Por exemplo: ‘Deverás alimentar os famintos’”. (HOWARD, 2011, p. 54) Genebra: “A famosa neutralidade suíça, conquistada em 1815, transformou em um grande centro administrativo do humanitarismo. A cidade abriga mais de 200 organizações internacionais, como as sedes da ONU (Organização das Nações Unidas), da Cruz Vermelha e da OMC (Organização Mundial do Comércio). E também concentra um sem-número de bancos mundialmente reconhecidos por garantirem sigilo absoluto das contas de seus correntistas. Mas a maior contribuição de Genebra para o mundo não reside exatamente em suas instituições, e sim no seu caráter multicultural, que flui em teatros, óperas, mais de 1.300 cafés e restaurantes de gastronomia requintada, além de 2 mil anos de história retratados em dezenas de museus. Não à toa, 43% dos seus 185 mil habitantes são estrangeiros, que convivem em perfeita harmonia a despeito da variedade de idiomas, preferências gastronômicas e manifestações artísticas. Definitivamente, a neutralidade suíça não faz de Genebra uma cidade morna. É imparcial sim, mas cheia de personalidade”. (GENEBRA. Disponível em: http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/suica-genebra. Acesso em: 10 out. 2014) Haredim: palavra também grafada como haredi (palavra hebraica cujo significado pode ser “temente”). Algumas fontes alertam que, atualmente, o termo pode ser considerado pejorativo, dependendo do contexto em que é utilizado. “A comunidade haredi, concentrada nos bairros religiosos de Jerusalém, é notável por seu isolamento e por sua força política, enquanto seus membros são isentos do serviço militar em troca de seus estudos religiosos.” (BERCITO, 2014, s.p.). Paráfrase: fenômeno linguístico que se apropria de determinado conteúdo (texto ou fala) transformando a maneira em que fora apresentado. A paráfrase acontece, basicamente, quando o conteúdo é mantido e a forma é modificada. Pragmático: realista, objetivo. É um adjetivo derivado do substantivo “Pragmatismo”, doutrina filosófica que defende que as ideias devem ter uma aplicação prática. http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/suica-genebra Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 18 Princípio: ponto de partida para julgar a validade de um caminho antes de se tomar uma decisão. Os princípios pessoais nascem das crenças e dos significados que as pessoas atribuem a suas próprias experiências. Os princípios éticos surgem das crenças e valores de determinada sociedade em determinado tempo. Instruções Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido. Questão 1 “Para avaliar a ética de qualquer ação, vale distinguir três dimensões da ação: prudencial, legal e ética. Dentro da dimensão prudencial, distinguimos entre o que é prudente ou não; dentro da dimensão legal, entre o que é legal ou não; e dentro da dimensão ética, entre o que é certo ou errado.” (HOWARD, 2011, p. 49) Com base no texto apresentado, avalie as asserções a seguir: I. Uma ação levanta questões na dimensão prudencial quando for de nosso interesse próprio, como se devêssemos ou não refinanciar nossa casa. II. Proibições como cometer assalto, dirigir em alta velocidade, assassinar ou portar drogas ilícitas pertencem à dimensão da ética. III. A dimensão ética envolve padrões predefinidos para o código de conduta correta. Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 19 É correto o que se afirmaem: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 2 “Raciocinar é um processo de análise para formar julgamentos. Ele esclarece a distinção entre a ação certa e a errada. Racionalizar é um processo de construção de uma justificativa para uma decisão que suspeitamos que na realidade seja falha – e que com frequência se chegou por meio de um processo mental caracterizado pela maquinação e benefício próprio.” (HOWARD, 2011, p. 59) Considerando o texto apresentado, avalie as afirmações a seguir como correta (c) ou incorreta (i): Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 20 a) Normalmente, raciocinamos para evitar constrangimentos. b) A racionalização não deveria ser utilizada na tomada de uma decisão ética. c) A racionalização torna propositalmente indistintos o certo e o errado. d) Um exemplo de racionalização é o uso do ditado: “Todo mundo está fazendo isso”. e) Quando racionalizamos, distorcemos o raciocínio ético. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de análise das asserções apresentadas. a) I=i; II=c; III=i; IV=c; V=c. b) I=c; II=c; III=c; IV=i; V=i. c) I=i; II=i; III=c; IV=c; V=c. d) I=c; II=c; III=c; IV=c; V=c. e) I=i; II=c; III=c; IV=c; V=c. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 3 Partindo da chamada Regra de Ouro, que diz “Faça aos outros o que deseja que eles façam a você”, Howard (2011, p. 73-74) propõe uma análise de variações dessa regra. A coluna esquerda da tabela apresentada contém as variações da Regra de Ouro, enquanto a coluna direita contém as respectivas interpretações propostas pelo autor. Correlacione as colunas de forma a fazer a correta associação entre elas. Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 21 I Faça aos outros o que eles esperariam que você fizesse. II Não faça aos outros o que eles fazem a você. III Faça aos outros o que eles fazem a você. IV Não deixe que os outros façam com você o que você não faria a eles. a Nossa tentação de revidar vence o comportamento ético. b As preferências dos outros governam nossas ações, boas ou más. c Nossas preferências éticas negativas governam nosso comportamento. d Nossas preferências pela ética negativa governam o comportamento preventivo. V Arruíne os outros que o arruínam. e As preferências dos outros governam a maneira como você os trata. Fonte: Adaptação de Howard (2011, p. 74) Assinale a alternativa que apresenta a associação correta entre as variáveis da Regra de Ouro e as interpretações: a) I=e; II=c; III=b; IV=d; V=a. b) I=a; II=c; III=b; IV=d; V=e. c) I=e; II=b; III=c; IV=d; V=a. d) I=e; II=c; III=b; IV=a; V=d. e) I=b; II=c; III=e; IV=d; V=a. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 4 Com base no que aprendeu sobre os pensamentos consequencialistas, responda: Interpretações das variações da Regra de Ouro Variações da Regra de Ouro Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 22 a) O que caracteriza um pensamento consequencialista? b) O que você questionaria no tipo de pensamento consequencialista? c) Explique o que é um pensamento consequencialista pragmático e dê um exemplo. d) Explique o que é um pensamento consequencialista utilitarista e dê um exemplo. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 5 Sabemos que o Prof. Mário Sérgio Cortella e o Prof. Clóvis de Barros Filho diferenciam os conceitos de ética e moral. O que eles dizem a respeito? Dê dois exemplos do que é ética e dois exemplos do que é moral, conforme definições dos professores. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Falar de ética não é exatamente falar do que é certo ou errado, mas sim falar dos códigos de condutas ideais para determinada sociedade que vive em determinadas condições. O que acontece, em nossa contemporaneidade, é que a globalização tem dominado, cada vez mais, nosso cotidiano. Assim, as discussões sobre ética acabam envolvendo não só a cultura local, mas também o encontro entre diversas culturas sob as mais diversas circunstâncias. Até aqui, foi esta nossa intenção: despertar em você a vontade de encontrar respostas para as perguntas que vão surgindo. E, mais do que isso: perceber que podemos encontrar mais de uma resposta para a mesma questão. Reflita sobre tudo isso! Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 23 BARROS FILHO, Clóvis. Moral e Estilo de Vida na Crise Contemporaneidade. In: Café Filosófico, 29 maio 2009. Disponível em: http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/01/integra-moral-e-estilo-de-vida-na- crise-da-contemporaneidade-clovis-de-barros-filho/. Vídeo disponível em: http://vimeo.com/26390212. Acesso em: 15 out. 2014. BERCITO, Diogo. Judeus haredi aderem à vida secular em Israel. Folha de S. Paulo (On-line), Seção Mundo, 13 jan. 2014. Disponível em: http://goo.gl/M8rzlv. Acesso em: 15 out. 2014. GENEBRA. Disponível em: http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/suica- genebra. Acesso em: 10 out. 2014. GREAT BOOKS. O Príncipe (Nicolau Maquiavel). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=LUDOnaqziLo. Acesso em: 8 out. 2014. HOWARD, Ronald A. Ética Pessoal para o Mundo Real: criando um Código Ético e Pessoal para Guiar suas Decisões no Trabalho e na Vida. São Paulo: M.Books do Brasil, 2011. KRIESER, Paulo. Princípios pessoais são a base para o sucesso. 23 out. 2008. Disponível em: http://goo.gl/Dt1itO. Acesso em: 10 out. 2014. MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Cia das Letras, 2010. MATHEUS, Carlos Eduardo Meireles. Kant: vida e obra. São Paulo: Universidade Falada. Duração: 1:10. Trecho para audição disponível em: http://goo.gl/ImEaj8. Acesso em: 15 out. 2014. MATOS, Francisco Gomes de. Ética na gestão empresarial: da conscientização à ação. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/01/integra-moral-e-estilo-de-vida-na-crise-da-contemporaneidade-clovis-de-barros-filho/ http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/01/integra-moral-e-estilo-de-vida-na-crise-da-contemporaneidade-clovis-de-barros-filho/ http://vimeo.com/26390212 http://goo.gl/M8rzlv http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/suica-genebra https://www.youtube.com/watch?v=LUDOnaqziLo http://goo.gl/Dt1itO http://goo.gl/ImEaj8 Nome © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 24 O PRÍNCIPE (Nicolau Maquiavel). Produção: Discovery Channel, EUA. Documentário. Duração: 50:23 min. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=LUDOnaqziLo. Acesso em: 14 out. 2014. O QUE É ÉTICA? - Mario Cortella. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vjKaWlEvyvU. Acesso em: 8 out. 2014. PENSADOR. Frases de Maquiavel. Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frases_de_maquiavel/. Acessoem: 8 out. 2014. REDE GLOBO. Programa do Jô: Entrevista com Mário Sérgio Cortella. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vjKaWlEvyvU. Acesso em: 8 out. 2014. SERRANO, Pablo J. Ética Aplicada: moralidade nas relações empresariais e de consumo. Campinas: Editora Alínea, 2009. SHERWOOD, Harriet. Companhia aérea de Israel é criticada por discriminação às mulheres. Folha de S.Paulo, 30 set. 2014. Disponível em: http://goo.gl/OpfXmP. Acesso em: 8 out. 2014. Questão 1 Resposta: Alternativa “C”. A asserção II está incorreta porque apresenta ações da dimensão legal, e não da dimensão ética. Questão 2 Resposta: Alternativa “E”. A asserção I está incorreta porque é a racionalização que pode nos levar a criar desculpas para evitarmos constrangimentos. As asserções restantes estão corretas porque: a racionalização leva a pessoa a adotar condutas não verdadeiras; a racionalização leva à confusão entre o certo e o errado; quando nos justificamos dizendo que todo mundo faz igual, https://www.youtube.com/watch?v=LUDOnaqziLo https://www.youtube.com/watch?v=vjKaWlEvyvU http://pensador.uol.com.br/frases_de_maquiavel/ https://www.youtube.com/watch?v=vjKaWlEvyvU http://goo.gl/OpfXmP © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 25 estamos racionalizando, e a racionalização impede que raciocinemos de forma a encontrar a conduta ética. Questão 3 Resposta: Alternativa “A”. A resposta desta questão encontra-se no Caderno de Atividades do Tema 1, item “Da Antiguidade à Contemporaneidade”. Questão 4 Todo o embasamento teórico para as respostas envolvidas nesta questão pode ser encontrado no Caderno de Atividades do Tema 1, item “Da Antiguidade à Contemporaneidade”. Questão 5 A resposta para esta questão pode ser encontrada no Caderno de Atividades, Tema 1, item “Sobre Ética e Moral”. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 26 Como citar este material: FREGNI, Carla P. Ética e Relações Humanas no Trabalho: Pensando sobre Relações Humanas. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. Olá! Seja bem-vindo(a) à segunda aula da disciplina Ética e Relações Humanas no Trabalho. Nesta aula, vamos refletir sobre as relações humanas. Viver em sociedade nos parece bem natural. Afinal, desde os tempos das cavernas, o homem agrupava-se para viver melhor. É claro que, de lá para cá, a vida tornou-se bem mais complexa para nós, não é mesmo? Se, nos primórdios, o ser humano dedicava-se principalmente a caçar e a defender-se dos predadores, hoje, a vida nos envolve em uma mistura de aspectos bem mais sofisticados, como os políticos, os econômicos, os culturais, os científicos, os tecnológicos, entre outros tantos. Nossa proposta, neste tema, é refletir sobre como esses aspectos interferem na evolução das relações humanas. Vamos considerar a evolução do ponto de vista da complexidade, e não do ponto de vista de melhorias das relações sociais. Não pretendemos nos aprofundar em análises históricas, mas, sim, lançar um olhar panorâmico sobre alguns fenômenos sociais para percebermos de que maneira os aspectos mencionados influenciaram e ainda influenciam a vida em sociedade. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 27 Nome Da Antiguidade ao Iluminismo Costuma-se dividir a história ocidental em três períodos: Antiguidade, Idade Média e Idade Moderna. Quanto à nossa contemporaneidade, ou seja, o momento em que vivemos agora, ainda não há um consenso de como chamá- la. Alguns usam o termo pós-modernidade, enquanto outros usam a expressão modernidade tardia. É provável que, somente em uma próxima era histórica, tenhamos um nome oficial para esta era em que vivemos. Na Antiguidade, as relações humanas alcançavam uma dimensão importante pelo encontro das pessoas na cidade. Lá, eram realizadas trocas comerciais e trocas culturais. Aliás, o papel original da política surgiu nesta época. Formada por duas palavras gregas, pólis (cujo significado era cidade) e tikós (cujo significado era bem comum), a política propunha-se a ser um instrumento para o bem viver em sociedade. A conduta humana era fundamentada na crença de que o universo, sendo finito e ordenado, reservava uma missão de vida a cada indivíduo, que tinha a responsabilidade de desabrochar suas potencialidades e cumprir essa missão que o Cosmos lhe reservara. Ao deslocarmos nosso olhar para a Idade Média, encontraremos relações definidas por uma hierarquia de categorias sociais bem definidas: a realeza, a Igreja, os senhores feudais, os artesãos e os camponeses. Não havia mais a crença em um universo finito e ordenado. Era a Igreja Católica que determinava o código de conduta e regulava o convívio social. As relações humanas, na época medieval, eram marcadas por uma maioria de camponeses e artesãos pobres e aterrorizados por epidemias que eram vistas como castigo do demônio. Eles eram explorados por tributos dos senhores feudais e da Igreja, cujo clero constituía-se principalmente de indivíduos ricos. O calendário anual era marcado por atividades religiosas. As doenças eram tratadas com exorcismos. A Igreja monopolizava o conhecimento com a tutela das bibliotecas. Sua atuação não se limitava aos aspectos religiosos, pois eram os papas que coroavam os imperadores nas cerimônias de sagração. http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_Antiga © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 28 Nome Saiba Mais! Como era a vida na Idade Média Este texto, veiculado pela revista Aventuras na História, apresenta como teria sido o cotidiano da vida medieval: CORDEIRO, Tiago. Como era a vida na Idade Média. Aventuras na História, 1 abr. 2010. Disponível em: http://goo.gl/31pfDf. Acesso em: 21 out. 2014. Diante dessa descrição sobre a Idade Média, compreendemos por que muitos autores a chamam de Idade das Trevas! Para combater as sombras que pairavam sobre as relações humanas medievais, surgiu o Iluminismo. O Iluminismo e a Revolução Francesa Resgatando o que foi o Iluminismo, vamos nos lembrar de que se tratou de um processo cultural que envolveu intelectuais da Europa do século XVIII. O Iluminismo propunha, principalmente: a valorização da razão humana, o domínio da natureza por meio do conhecimento e o questionamento à intolerância da Igreja e do Estado. A partir de então, a Igreja foi perdendo seu poder junto às sociedades ocidentais. A humanidade descobriu que as epidemias ocorriam por falta de higiene, e não por interferências do demônio. Descobriu-se, também, que as melhores colheitas aconteciam pela aplicação de técnicas agrícolas, e não com rituais religiosos. E ficou claro que pedaços do céu não estavam à venda. Foi o Iluminismo que impulsionou a Revolução Francesa em 1789. O Regime Absolutista da França daquela época inflamou a população, miserável e revoltada, contra a realeza. O contexto daquela época se parecia com um grande caldeirão, em que borbulhavam questões políticas, sociais, culturais e econômicas sobre as labaredas do anseio popular e da violência humana. http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/como-era-vida-idade-media-677615.shtml © 2014 Anhanguera Educacional.Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 29 Nome Saiba Mais! A Revolução Francesa O artigo, a seguir, trata da Revolução Francesa, um dos mais importantes acontecimentos da história do Ocidente. MACHADO, Fernanda. Revolução Francesa: Queda da Bastilha, jacobinos, girondinos, Napoleão. Revista Pedagogia e Comunicação, Seção História Geral, 15 jul. 2013. Disponível em: http://goo.gl/rej46m. Acesso em: 21 out. 2014. É incrível como alguns eventos históricos trazem à tona o melhor e o pior das relações humanas. A Revolução Francesa, por exemplo, mostrou uma sociedade que buscava mais igualdade e liberdade, ao mesmo tempo em que se utilizava de ações violentas, como torturas e massacres, para atingir seus objetivos tão iluminados. http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/revolucao-francesa-queda-da-bastilha-jacobinos-girondinos-napoleao.htm#fotoNav%3D2 © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 30 Nome Saiba Mais! A Revolução Industrial na Inglaterra Para saber mais sobre a Revolução Industrial, o documentário A Revolução Industrial na Inglaterra, produzido pela Enciclopédia Britânica, aborda o contexto vivido pela Inglaterra durante este processo, abordando de modo bastante didático os principais pontos deste momento histórico. Vale a pena conferir! A REVOLUÇÃO Industrial na Inglaterra. (The Industrial Revolution in England) Produtor: David Thomson. Produção: Encyclopaedia Britannica Films, inc.; Encyclopaedia Britannica Educational Corporation. Chicago: Encyclopaedia Britannica Educational Corp., 1959. VHS. Duração: 26 min. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jt-o3EBQPMU Acesso em 28/07/2016. A Revolução Industrial A Revolução Francesa acelerou a Revolução Industrial, que trouxe avanços tecnológicos como a máquina a vapor e a eletricidade: surgia a Modernidade. As novas técnicas de produção, que esses inventos propiciavam, levavam a humanidade a manipular os recursos naturais como nunca havia feito. Novas divisões sociais surgiram: de um lado, os proprietários dos meios de produção; de outro lado, os trabalhadores. A nova relação social era estabelecida entre capital e mão de obra. A Revolução Industrial foi um processo que se iniciou na Inglaterra. Não há um consenso, entre os historiadores, a respeito de datas específicas. O que é de se esperar, pois mudanças socioeconômicas não acontecem do dia para a noite. São resultados de todo um processo que envolve também muitas outras dimensões, como a política, a cultural e a tecnológica. O que nos importa, neste momento, é saber que, entre 1840 e 1870, o progresso tecnológico e econômico ganhou força na Inglaterra com a adoção crescente de barcos a vapor, navios, ferrovias, fabricação em larga escala de máquinas e o aumento de fábricas que utilizavam a energia a vapor. https://www.youtube.com/watch?v=jt-o3EBQPMU http://pt.wikipedia.org/wiki/Barco_a_vapor http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferrovia © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 31 Nome O advento das máquinas trazia promessas de melhorias na vida social e econômica. As ideias eram animadoras, afinal, as 18 horas que um artesão levava para produzir um sapato poderiam se transformar em 20 minutos de trabalho com a utilização das máquinas! Era claro o crescimento monstruoso da produtividade, não era? Assim, era possível concluir que as horas de trabalho na indústria iriam diminuir. As vendas aumentariam, e os operários poderiam ganhar mais. Ganhando mais, eles também poderiam comprar mais. Mais compradores, mais produção, mais venda e, assim, um ciclo econômico saudável que iria beneficiar todo o país! Puxa! Parecia um sonho, não? Na verdade, esse sonho não foi realizado plenamente. Você deve se lembrar de que, antes da chegada das máquinas, a sociedade da época era formada por nobres, burgueses, artesãos, agricultores e clero. A mudança de classe social não era possível aos indivíduos. Então, perguntamos: será que os artesãos e agricultores teriam condições de comprar máquinas e construir fábricas? Claro que não! Na verdade, eles acabaram constituindo a classe operária. E aqueles que tinham riqueza para se apropriar das máquinas (como os burgueses, por exemplo)? Será que eles se contentariam em vender a um preço baixo os produtos fabricados com o gasto de altos salários ao proletariado? A resposta é negativa também... As vendas aumentaram, sim, pois quem já era rico passou a comprar mais. O preço dos produtos não diminuiu proporcionalmente. Quanto aos operários, eles recebiam baixíssimos salários e péssimas condições de trabalho, pois os proprietários do capital não queriam comprometer seus lucros. O país se beneficiou, exportando muitos produtos. E a população em geral? Bem, teria de se organizar em sindicatos para combater a exploração pela qual sofria. Mas isso aconteceu bem depois. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 32 Nome O Capitalismo Se, até a Idade Média, os códigos de conduta eram determinados pela polaridade Igreja/Estado, com a Modernidade, um terceiro poder interfere na ordem das relações humanas: o capitalismo. Os proprietários das máquinas, ferramentas e recursos financeiros (os capitalistas) começaram a lucrar por meio da exploração de trabalhadores (o proletariado). Expliquemos: para ganhar mais com a venda de um produto, o capitalista oferecia a remuneração mais baixa possível ao proletariado. Deste tipo de relação social eclodiram as lutas de classes. De um lado, os capitalistas, tentando maximizar seus lucros, de outro lado, o proletariado, reivindicando melhores salários. Após a Segunda Guerra Mundial (1945), foi possível perceber algumas movimentações político-econômicas na Europa Ocidental, Estados Unidos e Japão. Uma das características marcantes foi o início de um processo de regulação da política macroeconômica pelo Estado para garantir o equilíbrio no campo econômico e a paz social no âmbito político. Para estimular o desenvolvimento da atividade produtiva, o Estado oferecia empréstimos e investimentos de longo prazo. Uma nova base para o regime de acumulação ‒ característico do capitalismo ‒ surgiu com um tripé formado pelo Estado, grandes corporações e sindicatos. Para nós, ocidentais, o regime capitalista é o que há de mais familiar, não é mesmo? Estamos imersos nele! Grande parte de nossas relações humanas acontece por meio da economia capitalista. No entanto, o capitalismo não é uma política econômica universal. Nem todos os países o adotaram. É claro que algumas nações socialistas converteram-se. Vale lembrarmos de um fato histórico muito marcante: a Queda do Muro de Berlim, em 1989. Esse evento acelerou as consequências da globalização, como a desregulamentação econômica em grande parte dos países pelo mundo. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 33 Nome A Globalização Quando lemos notícias sobre globalização, podemos até achar que se trata de um fenômeno recente, não é mesmo? Só que muitos de seus aspectos já existiam desde a época dos fenícios. Podemos mencioná-los: interação humana em longas distâncias, expansão do comércio além dos limiteslocais, influência de culturas de outras nações, entre outros. Não há uma forma única de abordar o assunto da globalização. Alguns estudiosos consideram que se trata de um processo que surgiu com o início da expansão do capitalismo (século XVI). Outros preferem datar essa origem em meados do século XX, com o desenvolvimento das tecnologias da Saiba Mais! Fonte: http://www.livronauta.com.br/livro-Karl_Marx-A_Mercadoria-Atica-Flordolaciolivros-Sao_Paulo- 19648026. Acesso em: out. 2014 Publicado em 2006 pela Editora Ática, o livro Karl Marx: a mercadoria é um ensaio comentado por Jorge Grespan a respeito do primeiro capítulo da obra O Capital, de Karl Marx. A obra nos faz compreender a visão marxista a respeito do papel da mercadoria nas relações sociais do mundo moderno. Reproduzindo um trecho da quarta capa do livro: “as relações sociais do mundo moderno aparecem invertidas, coisificando as pessoas e conferindo às coisas, ao mesmo tempo, um poder sobrenatural”. MARX, Karl. A mercadoria. Tradução e Comentário Jorge Grespan. São Paulo: Editora Ática, 2006. http://www.livronauta.com.br/livro-Karl_Marx-A_Mercadoria-Atica-Flordolaciolivros-Sao_Paulo-19648026 http://www.livronauta.com.br/livro-Karl_Marx-A_Mercadoria-Atica-Flordolaciolivros-Sao_Paulo-19648026 © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 34 Nome comunicação e da divisão internacional do trabalho. Canclini (2007, p. 41) explica que essas diferenças se devem ao modo como se define o processo da globalização. Aqueles que atribuem uma origem mais antiga consideram principalmente seu aspecto econômico. Os que atribuem uma origem mais recente consideram principalmente as dimensões políticas, culturais e comunicacionais. Sejam quais forem as considerações utilizadas na abordagem da globalização, trata-se de um processo que interfere nas relações humanas. Não podemos negar que a grande mola propulsora para o processo de globalização é a economia capitalista, e que as tecnologias da comunicação garantem a viabilização desse processo. Muito mais do que mercados internacionais, o mercado global permite, aos grandes grupos empresariais, a exploração de recursos de baixos custos (como fontes energéticas e mão de obra) praticamente em qualquer lugar do mundo, assim como oferecer seus produtos aos consumidores mais atraentes, estejam onde estiverem. Se, por um lado, a globalização nos leva à ideia de ligação entre os povos e a disponibilidade de tudo para todos, por outro lado, ela também pode levar ao agravamento de problemas e conflitos como desemprego, poluição, violência, narcotráfico, entre outros (CANCLINI, 2007, p. 43). Para compreendermos melhor, vamos imaginar uma grande corporação que desloca sua produção para determinado país cuja mão de obra tenha um custo muito baixo. Uma das consequências imediatas será o desemprego no país de origem dessa empresa. Outra consequência da globalização, que também devemos considerar, é a desvalorização crescente dos recursos humanos em países mais pobres. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 35 Nome Saiba Mais! Bangladesh: a revolta da "mão de obra barata" após desmoronamento de fábrica Centenas de milhares de trabalhadores envolveram-se em confrontos com a polícia, dois dias depois de o desmoronamento de uma instalação fabril matar mais de 270 pessoas nos arredores da capital. As autoridades tinham conseguido retirar 45 sobreviventes dos escombros do edifício que empregava mais de 3 mil pessoas, albergando vários ateliês pertencentes a empresas como a espanhola Mango ou a britânica Primark. BANGLADESH: a revolta da "mão de obra barata" após desmoronamento de fábrica. Euronews, 26 abr. 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=33qwY_jWudE. Acesso em: 19 out. 2014. Cultura e Discriminação Se pudéssemos simplificar o conceito de cultura, diríamos que ela é “formada por comportamentos humanos padronizados e regulados não pela vontade, desejo ou crença individual, mas pelos hábitos e costumes e, também, por certa imposição do meio social circundante” (COSTA, 2010, p. 15). Apesar de haver diferenças entre as culturas das mais diversas sociedades estabelecidas pelo mundo, “há elementos básicos que estão presentes em todas elas: as crenças; os valores; as normas e sanções; os símbolos; o idioma e a tecnologia” (DIAS, 2011, p. 50). Analisar a cultura de determinada sociedade nos permite compreender como ocorrem as relações humanas nessa sociedade. Você já ouviu falar do sistema de castas na Índia? Extintas por lei no fim da década de 1940, as castas faziam parte de um sistema de organização social que classificava as pessoas https://www.youtube.com/watch?v=33qwY_jWudE © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 36 Nome segundo a cor da pele e o grupo em que nasciam. Segundo o historiador Ney Vilela (apud NAVARRO, s.d.) da Unesp de Bauru, “define-se casta como um grupo social hereditário, em que as pessoas só podem casar-se com pessoas do próprio grupo, e que determina também sua profissão, hábitos alimentares, vestuário e outras coisas, induzindo à formação de uma sociedade sem mobilidade social”. Imagine nascer em uma casta menos privilegiada e não poder conquistar melhorias para sua própria vida. Tratava-se de um sistema de organização social em que não se dava o menor valor ao mérito. As relações sociais eram estabelecidas, desde o nascimento do indivíduo, com base na discriminação. Esse sistema foi extinto, mas ainda resta muito preconceito frente à origem familiar de cada pessoa. Na verdade, mesmo em sociedades que não tenham o sistema de castas, podemos encontrar dificuldades de mobilidade social. Seja por questões econômicas, educacionais, políticas ou religiosas, diferenças sociais estão presentes em toda a história da humanidade, e interligada a elas está a discriminação. As diferenças culturais podem provocar curiosidade e estranheza. Os muçulmanos consideram indecente uma mulher exibir o próprio rosto. Para a mulher ocidental, isso chega a ser bizarro. As mulheres de Bali expõem os seios e ocultam as pernas. As brasileiras acham normal exibirem suas pernas e acham indecente exibir os seios. Na Tailândia, não se pode acariciar a cabeça de uma criança, pois, segundo a tradição local, as crianças estão sob a proteção de Deus (DIAS, 2011, p. 133). Aqui, no Brasil, acariciar a cabeça de uma criança é uma prática bastante comum e considerada uma demonstração de carinho. Infelizmente, muitos conflitos e guerras são consequências de reações mais extremadas frente às diferenças culturais. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 37 Nome Evolução Tecnológica Nos últimos tempos, a evolução tecnológica tem crescido em ritmo acelerado. Se, na época das cavernas, as ferramentas mais importantes do homem eram sua machadinha e seus próprios dentes, hoje, vivemos rodeados por satélites, cabos de fibras ópticas e computadores dos mais variados tipos, tamanhos e potências. As relações humanas são intermediadas pela tecnologia. Do giz e quadro- negro ao celular de última geração, temos as mais variadas tecnologias aplicadas na interação humana. Umas priorizam a relação presencial; outras, a relação adistância. O uso das novas mídias possibilita o contato de pessoas pelo mundo, apesar de não terem o mesmo idioma, as mesmas crenças ou as mesmas situações socioeconômicas. Novas formas de relações humanas surgiram com o advento da internet. Nas palavras de Costa (2010, p. 179): Saiba Mais! O sistema social de castas na Índia e no mundo Confira mais informações sobre o sistema de castas sociais que, embora proibido na Índia e em outros locais do mundo, ainda influencia as relações humanas: NAVARRO, Roberto. O que é a sociedade de castas que existe na Índia? Mundo Estranho, Edição 66, s.d. Disponível em: http://goo.gl/oNc77A. Acesso em: 19 out. 2014. PINHEIRO, Cláudio Costa. A hierarquia da sociedade indiana. Ciência Hoje, 31 maio 2012. Disponível em: http://www.cienciahoje.org.br/revista/materia/ id/614/n/a_hierarquia_da_sociedade_indiana. Acesso em: 20 dez. 2016. http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-e-a-sociedade-de-castas-que-existe-na-india http://www.cienciahoje.org.br/revista/materia/id/614/n/a_hierarquia_da_sociedade_indiana http://www.cienciahoje.org.br/revista/materia/id/614/n/a_hierarquia_da_sociedade_indiana © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 38 Nome Saiba Mais! Exclusão digital é retrato da exclusão social Leia mais sobre o relatório “Redefinindo a Exclusão Digital” (lançado no Fórum Global de Banda Larga Móvel 2013). Acesse o link: Relações que se criam com a comunicação em rede, pelo compartilhamento de informações, pela interatividade proposta por um jogo, pela colaboração em alguma forma de trabalho, ou pela solidariedade em relação a algum acontecimento da sociedade, constituem novas formas de sociabilidade. Se, por um lado, podemos elencar numerosos benefícios trazidos pelas novas tecnologias da comunicação, por outro, há algumas questões que nos convidam a refletir sobre o que ainda deve ser melhorado nas relações humanas intermediadas pelas tecnologias da comunicação. Matos (2012) destaca que a globalização dos meios de comunicação nos exige a responsabilidade ética, uma vez que nos tornamos o ponto de emissão e de recepção instantaneamente. Segundo ele, a tecnologia põe as pessoas em contato sem promover o relacionamento humano, que é fundamentado em uma comunicação que leva à avaliação crítica, ao discernimento das respostas, ao agregar conhecimento (MATOS, 2012, p. 32). Outra reflexão bastante pertinente é sobre a exclusão social pela exclusão digital. Um relatório independente, intitulado “Redefinindo a Exclusão Digital” (lançado no Fórum Global de Banda Larga Móvel 2013), declarou que, à medida que o acesso à rede está sendo resolvido em muitos países, inúmeros novos desafios, cada vez mais humanos, tais como acessibilidade e falta de habilidades, estão tornando-se as principais causas da exclusão digital para milhões de pessoas (FURLAN, 2013). © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 39 Nome Ser impedido de participar desta grande rede tecnológica propiciada pela internet também é uma forma de exclusão social, desenhando-se um novo tipo de marginalização. Social x Individual Até este momento, priorizamos uma abordagem bem macro a respeito das relações humanas, como você deve ter percebido. Nosso olhar foi distanciado do indivíduo em si mesmo para compreendermos movimentações sociais. Partimos da premissa de que, sendo uma criatura gregária, o homem prefere viver em grupos, ou seja, em sociedade. Então, trabalhamos nossos estudos por meio de verdadeiras pinceladas históricas que pudessem nos mostrar as dimensões macro e externa do ser humano em sua vida em sociedade. Porém, se a sociedade é constituída por indivíduos, os aspectos micro e internos também devem ser levados em consideração quando refletimos sobre relações humanas, não é mesmo? Podemos arriscar a dizer que é recente o pensamento que valoriza as questões individuais nas relações sociais. Aliás, tem sido um grande desafio, para a sociedade contemporânea, chegar a códigos de condutas sociais que sejam aceitos e praticados pela maioria, pois os indivíduos já reconhecem seu direito de levar a vida do jeito que acharem melhor. Na Antiguidade, cada indivíduo acreditava que havia uma missão cósmica reservada para ele. Na Idade Média, invariavelmente, príncipe virava rei e filho de artesão virava artesão. Na Modernidade, ou se era dono do capital ou proletário. Na contemporaneidade, podemos ser o que quisermos! Apesar da simplificação que utilizamos nesta exposição, a verdade é que, em nossa atualidade, não há papéis sociais absolutamente definidos como foi até então. Nos dias de hoje, podemos até mesmo mudar de sexo! FURLAN, Paula. Exclusão digital é retrato da exclusão social. 8 nov. 2013. Disponível em: http://goo.gl/xS4dDC. Acesso em: 19 out. 2014. http://b2bmagazine.consumidormoderno.uol.com.br/index.php/internet/item/3239-exclusao-digital-e-tambem-exclusao-social © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 40 Nome Saiba Mais! Novos sujeitos, novos relacionamentos Neste programa, o psicanalista e doutor em filosofia Joel Birman e sua convidada, a psicóloga Marcia Arán, discutem questões sobre as identidades sociais construídas em função do gênero (ou seja, em função de o indivíduo ser homem ou mulher). Esse programa do Café Filosófico nos provoca a refletir sobre as implicações dos movimentos feministas e dos movimentos GLS nas relações sociais contemporâneas. Vale a pena assistir! NOVOS sujeitos, novos relacionamentos. Palestrantes: Joel Birman e Márcia Arán. Café Filosófico. Módulo: Subjetivações Contemporâneas. Jul. 2009. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=BoNvP7_H2Sk . Acesso em: 20 dez. 2016. As relações humanas contemporâneas são complexas e cada vez menos delimitadas. Um anônimo hoje pode ser uma celebridade da internet amanhã. Uma celebridade de ontem pode viver no anonimato hoje. Um miserável pode enriquecer com a loteria. Um milionário de capa de revista pode ser encontrado vagando sem teto pelas ruas no futuro. As relações humanas em nossa contemporaneidade nos colocam desafios inéditos. Ao mesmo tempo, elas continuam tendo, como pano de fundo, as questões sociais, culturais, econômicas, políticas, religiosas e tecnológicas. Cosmos: ou Cosmo tem sua origem na palavra grega kósmos e significa ordem, organização, beleza, harmonia. É o conjunto de tudo o que existe, desde o microcosmo ao macrocosmo, das estrelas até as partículas subatômicas. O macrocosmo é o grande mundo, o Universo como um todo orgânico, em oposição ao ser humano (microcosmo), segundo as doutrinas filosóficas que admitem uma correspondência entre as partes constitutivas do https://www.youtube.com/watch?v=BoNvP7_H2Sk © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 41 Nome Universo e as partes constitutivas do Homem. (SIGNIFICADOS.COM. Disponível em: http://www.significados.com.br. Acesso em 21 out. 2014) Crenças: são ideias sobre a natureza da vida. “Os indianos que seguem o budismo acreditam que sua alma reencarna em animais e objetos, por isso cultuam muitos animais que acreditam ser antepassados reencarnados. Para um ocidental que segue a religião cristã essa crença não tem nenhum significado.”(DIAS, 2011, p. 51). Discriminação: envolve a exclusão de pessoas, ou de grupos de pessoas, de um sistema de convivência e de direitos garantidos, seja por motivos sociais, religiosos, raciais, sexuais ou outros. Idioma: “é um elemento-chave da cultura. Considerando que outros animais se comunicam por sinais (sons e gestos cujos significados são fixos), os humanos se comunicam por meio de símbolos (sons e gestos de cujo significado depende de compreensões compartilhadas). Podem ser combinadas palavras de modo diferentes para carregar um número ilimitado de mensagens, não só sobre o aqui e agora, mas também sobre o passado e o futuro. O idioma é um sistema de símbolos que permitem que os membros de uma sociedade comuniquem-se uns com os outros.” (DIAS, 2011, p. 52). Normas: “traduzem crenças e valores em regras específicas para o comportamento. Detalham aquilo que pode e que não pode ser feito. Podem ser codificadas no direito (formal) ou ritualizadas nos costumes (informal). Utilizar o cinto de segurança nos carros passou a ser uma norma (formal). O fato de as pessoas sentarem nas cadeiras e não no chão é uma norma (informal). As normas variam bastante em intensidade, indo desde as mais rigorosas que regulam o comportamento nas religiões, até aquelas que norteiam nossos hábitos cotidianos.” (DIAS, 2011, p. 51) Sanções: “são punições e recompensas que são utilizadas para fazer com que as normas sejam seguidas. Sanções formais são recompensas e punições oficiais e públicas; sanções informais são não oficiais, às vezes são sutis e até mesmo provocam reações inconscientes no comportamento cotidiano. Tanto as sanções positivas, como o aumento de salário, uma medalha de honra ao http://www.significados.com.br/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 42 Nome mérito, uma palavra de gratidão, um tapinha nas costas, ou um sorriso, como as sanções negativas, multas, ameaças, prisão, beliscão ou um olhar de desprezo são utilizadas para fazer com que haja uma conformidade com as normas.” (DIAS, 2011, p. 51-52) Símbolos: “são definidos como qualquer coisa que carrega um significado particular reconhecido pelas pessoas que compartilham uma determinada cultura. Um mesmo objeto pode simbolizar sentimentos diferentes em culturas diferentes. Um saiote na cultura escocesa é símbolo de masculinidade, o mesmo saiote na cultura brasileira tem o significado oposto – feminilidade.” (DIAS, 2011, p. 52) Sistema: é o conjunto de partes (ou subsistemas) que se relacionam entre si, uma dependendo da outra e uma influenciando a outra, de modo a formar um todo que alcance determinado resultado para ele mesmo e para suas partes. Tecnologia: “A palavra tecnologia tem origem no grego ‘tekhne’ que significa ‘técnica, arte, ofício’ juntamente com o sufixo ‘logia’ que significa estudo. As tecnologias primitivas ou clássicas envolvem a descoberta do fogo, a invenção da roda, a escrita, dentre outras. As tecnologias medievais englobam invenções como a prensa móvel, tecnologias militares com a criação de armas ou as tecnologias das grandes navegações que permitiram a expansão marítima. As invenções tecnológicas da Revolução Industrial (século XVIII) provocaram profundas transformações no processo produtivo. A partir do século XX, destacam-se as tecnologias de informação e comunicação através da evolução das telecomunicações, utilização dos computadores, desenvolvimento da internet e ainda, as tecnologias avançadas, que englobam a utilização de Energia Nuclear, Nanotecnologia, Biotecnologia, etc. Atualmente, a alta tecnologia, ou seja, a tecnologia mais avançada é conhecida como tecnologia de ponta.” (SIGNIFICADOS.COM. Disponível em: http://www.significados.com.br. Acesso em: 21 out. 2014). A tecnologia “estabelece um parâmetro para a cultura e não só influencia como as pessoas trabalham, mas também como elas socializam e pensam sobre o mundo. Para uma pessoa do mundo rural, uma cidade grande como São Paulo http://www.significados.com.br/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 43 Nome pode parecer tão fantástica como um parque de diversões para uma criança.” (DIAS, 2011, p. 52) Valores: “são concepções coletivas do que é considerado bom, desejável, certo, bonito, gostoso (ou ruim, indesejável, errado, feio e ruim) em uma determinada cultura. Valores influenciam o comportamento das pessoas e servem como critério para avaliar as ações dos outros. [...] Os japoneses apresentam valor da lealdade familiar. Em contraste, os americanos valorizam o individualismo.” (DIAS, 2011, p. 51) Instruções Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido. Questão 1 Os itens de I a V apresentam algumas características das relações humanas. Avalie a qual período da história da humanidade cada item se associa, conforme a pertinência das características mencionadas. I. As novas técnicas de produção, como a máquina a vapor, levavam a humanidade a manipular os recursos naturais como nunca havia feito. II. A humanidade descobriu que as epidemias ocorriam por falta de higiene, e não por interferências do demônio. III. A política surge, pela primeira vez, e propõe-se a ser um instrumento para o bem viver em sociedade. IV. Os camponeses eram explorados por tributos dos senhores feudais e da Igreja, cujo clero constituía-se principalmente de indivíduos ricos. V. A exclusão digital pode levar à exclusão social. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 44 Nome Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre cada item e o período histórico da humanidade: a. I=Revolução Industrial; II=Iluminismo; III=Antiguidade; IV=Idade Média; V=Pós-Modernidade. b. I=Revolução Industrial; II=Pós-Modernidade; III=Antiguidade; IV=Idade Média; V=Iluminismo. c. I=Revolução Industrial; II=Iluminismo; III=Idade Média; IV=Antiguidade; V=Pós-Modernidade. d. I=Pós-Modernidade; II=Iluminismo; III=Antiguidade; IV=Idade Média; V=Revolução Industrial. e. I=Iluminismo; II=Revolução Industrial; III=Antiguidade; IV=Idade Média; V=Pós-Modernidade. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 2 Em relação ao que chamamos, em nossa contemporaneidade, de exclusão digital, podemos afirmar que: I. A exclusão digital e a exclusão social não mantêm qualquer ligação entre elas. II. Tornar a banda larga acessível para um maior grupo de pessoas pode diminuir a exclusão digital. III. Possibilitar o desenvolvimento de habilidades na utilização da internet ao maior número de pessoas pode diminuir a exclusão digital. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 45 Nome c. I e III, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 3 Leia as afirmações e avalie a relação entre elas: I. As relações humanas contemporâneas são complexas e cada vez menos delimitadas. PORQUE II. Em nossa atualidade, não há papéis sociais absolutamente definidos, como foi há poucotempo. A respeito dessas afirmações, assinale a opção correta: a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e. As asserções I e II são proposições falsas. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 46 Nome Questão 4 Explique como as crenças, em determinada cultura, podem levar à prática da discriminação. Dê um exemplo. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 5 Considerando-se que a mobilidade social significa a possibilidade de mover-se de um status social a outro, explique por que ela é impossível em um sistema de castas e é possível em um sistema capitalista. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Você deve ter percebido que o universo dos estudos sobre as relações humanas é ilimitado. As áreas envolvidas são inúmeras e interconectadas: a social, a cultural, a política, a econômica, a religiosa, a tecnológica, entre outras. As relações entre as pessoas acontecem em um grande sistema que é a própria vida humana. Cada indivíduo é um subsistema dentro desse sistema maior, e isso significa que tudo o que acontece nessas relações interfere no todo e vice-versa. Não teríamos como esgotar o assunto em uma única aula. Aliás, trata-se de um assunto inesgotável. Deixaremos a você a missão de desbravar um pouco mais esse campo de pesquisa. Apodere-se de sua autonomia intelectual e bons estudos! © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 47 Nome A REVOLUÇÃO Industrial na Inglaterra. (The Industrial Revolution in England) Produtor: David Thomson. Produção: Encyclopaedia Britannica Films, inc.; Encyclopaedia Britannica Educational Corporation. Chicago: Encyclopaedia Britannica Educational Corp., 1959. VHS. Duração: 26 min. BANGLADESH: a revolta da "mão de obra barata" após desmoronamento de fábrica. Euronews, 26 abr. 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=33qwY_jWudE. Acesso em: 19 out. 2014. CANCLINI, Néstor G. A globalização imaginada. São Paulo: Iluminuras, 2007. CORDEIRO, Tiago. Como era a vida na Idade Média. Aventuras na História, 1 abr. 2010. Disponível em: http://goo.gl/YrbqY3. Acesso em: 21 out. 2014. COSTA, Cristina. Sociologia: questões da atualidade. São Paulo: Moderna, 2010. DIAS, Reinaldo. Sociologia Geral. 5. ed. São Paulo: Alínea, 2011. FURLAN, Paula. Exclusão digital é retrato da exclusão social. 8 nov. 2013. Disponível em: http://goo.gl/ROxaeN. Acesso em: 19 out. 2014. MACHADO, Fernanda. Revolução Francesa: Queda da Bastilha, jacobinos, girondinos, Napoleão. Revista Pedagogia e Comunicação, Seção História Geral, 15 jul. 2013. Disponível em: http://goo.gl/Voj08H. Acesso em: 21 out. 2014. MARX, Karl. A mercadoria. Tradução e comentário de Jorge Grespan. São Paulo: Editora Ática, 2006. MARIA Antonieta. Direção de Sofia Coppola. Produção de Sofia Coppola, Rose Katz. EUA: American Zoetrope, Columbia Pictures do Brasil, 2007. 1 bobina https://www.youtube.com/watch?v=33qwY_jWudE http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/como-era-vida-idade-media-677615.shtml http://b2bmagazine.consumidormoderno.uol.com.br/index.php/internet/item/3239-exclusao-digital-e-tambem-exclusao-social http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/revolucao-francesa-queda-da-bastilha-jacobinos-girondinos-napoleao.htm#fotoNav%3D2 © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 48 Nome cinematográfica. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uBsSioNmQRI. Acesso em: 21 out. 2014. MATOS, Francisco Gomes de. Ética na gestão empresarial: da conscientização à ação. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. NAVARRO, Roberto. O que é a sociedade de castas que existe na Índia? Mundo Estranho, Edição 66. Disponível em: http://goo.gl/v6wZfy. Acesso em: 19 out. 2014. NOVOS sujeitos, novos relacionamentos. Palestrantes: Joel Birman e Márcia Arán. Café Filosófico. Módulo: Subjetivações Contemporâneas. Jul. 2009. Disponível em: http://goo.gl/vbQPy6. Acesso em: 21 out. 2014. PINHEIRO, Cláudio Costa. A hierarquia da sociedade indiana. Ciência Hoje, 31 maio 2012. Disponível em: http://goo.gl/GmnEy6. Acesso em: 21 out. 2014. SIGNIFICADOS.COM. Disponível em: http://www.significados.com.br. Acesso em: 21 out. 2014. Questão 1 Resposta: Alternativa “A”. A correta associação dos itens pode ser encontrada no próprio conteúdo do Caderno de Atividades da Aula 2. Questão 2 Resposta: Alternativa “D”. Os itens II e III podem ser localizados no link do Saiba Mais indicado em Evolução Tecnológica do Caderno de Atividades da Aula 2. Quanto à incorreção do item I, também pode ser verificada no texto do https://www.youtube.com/watch?v=uBsSioNmQRI http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-e-a-sociedade-de-castas-que-existe-na-india http://www.cpflcultura.com.br/wp/2011/04/14/novos-sujeitos-novos-relacionamentos-%E2%80%93-joel-birman-e-marcia-aran-2/ http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/a-hierarquia-da-sociedade-indiana http://www.significados.com.br/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 49 Nome Saiba Mais: “[...] o mundo virtual e o real se fundem cada vez mais e a exclusão dessa realidade cria um novo tipo de marginalização.” Questão 3 Resposta: Alternativa “A”. A resposta desta questão encontra-se no Caderno de Atividades da Aula 2, item Social x Individual. Questão 4 Para esta questão, espera-se que a leitura do conteúdo do Caderno de Atividades da Aula 2 tenha sido completa, envolvendo também o item Conceitos Fundamentais. A resposta deve demonstrar a compreensão de que, diante da intolerância às diferenças entre crenças, as pessoas podem julgar e rejeitar aqueles que não compartilham as mesmas opiniões ou dogmas. Qualquer exemplo que ilustre essa ideia será aceitável para esta questão. Questão 5 Em uma sociedade baseada em sistema de castas, o status social é herdado. Se seu pai tivesse sido um limpador de chão, você também o seria, mesmo que, de alguma forma, tivesse desenvolvido habilidades para fazer outras tarefas mais lucrativas. No sistema capitalista, há um espaço para a mobilidade social. Não é difícil encontrarmos casos de pessoas que enriqueceram a partir de seus próprios esforços, mesmo tendo nascido de pais pobres da zona rural. Essas pessoas buscam desenvolver-se e acumular novos conhecimentos e, por mérito, podem conquistar um status social bem melhor do que o de um agricultor. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 1 Como citar este material: FREGNI, Carla P. Ética e Relações Humanas no Trabalho: Pensando sobre o Indivíduo. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. Olá! Seja bem-vindo(a) à terceira aula da disciplina Ética e RelaçõesHumanas no Trabalho. Nesta aula, vamos refletir sobre o indivíduo. Até este momento, levantamos questões sobre a ética e sobre as relações humanas. Em nossa primeira aula, aprendemos que a ética está ligada a códigos de conduta que servem para orientar a boa convivência entre as pessoas. Em nossa segunda aula, vimos que as relações humanas são construídas sobre pilares como a política, a religião, a economia, a cultura, a tecnologia e outros que se interconectam. Utilizamos uma abordagem histórica para compreendermos melhor como esses pilares interferiram e interferem nas relações humanas. Nesta aula, pretendemos complementar nossas reflexões sobre relações humanas, lançando nossos olhares sobre o indivíduo, sobre seu papel social e sobre os desafios enfrentados em nossa contemporaneidade. Está preparado para mais uma viagem de questionamentos e debates? Vamos lá! © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 2 | A Individualidade A individualidade pode tornar-se pivô de debates das mais diversas naturezas: política, religiosa, legal, filosófica, entre outras. Se formos curiosos, vamos descobrir que a palavra indivíduo vem do latim: individuus, ou seja, o que não é divisível. Afinal, por que tantas discussões opõem-se à individualidade, julgando-a inimiga do bem viver em sociedade ou oposta à caridade? Alguns chegam a dizer que o individualismo é como doença que isola a pessoa que não quer compartilhar experiências com seus semelhantes. Você já pensou sobre isso? O que é ser um indivíduo? Como dissemos, muitas áreas de estudo pesquisam a maneira de nos enxergamos como indivíduos. O psiquiatra Jacques Lacan passou cerca de 30 anos de sua vida desenvolvendo um trabalho conhecido por estádio do espelho. O que motivou suas primeiras investigações para esse trabalho foi observar a reação de uma criança de colo ao olhar-se no espelho. Notou-se que ela conseguia perceber-se como criatura distinta daquela que a segurava, assim como de tudo ao seu redor. A observação de Lacan nos leva a compreender que, desde muito cedo, podemos nos perceber como pessoas que têm suas próprias ideias e suas próprias emoções. Quando nos descobrimos pensadores de nosso próprio mundo interior tomamos consciência de nossa individualidade. Em sua obra, a autora Costa (2010, p. 83) explica a conclusão de Lacan: Lacan teve então a certeza de se tratar de uma experiência cognitiva fundamental – mesmo sem ser capaz de manter a postura ereta ou de articular a palavra “eu”, o ser humano experimenta a matriz simbólica do Eu que o acompanhará pela vida toda. Trata-se de uma experiência de natureza simbólica que faz emergir a capacidade humana de se relacionar com o mundo circundante, e consigo próprio, por intermédio de signos. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 3 | Se você se assustou com a quantidade de termos técnicos dessa citação, não se preocupe! Não vamos embarcar em fundamentos da psicologia. Gostaríamos apenas de destacar que nos tornamos indivíduos quando tiramos significados pessoais de nossas próprias experiências de vida. Se pudéssemos explicar, de forma simplificada, o que é uma experiência de natureza simbólica, diríamos que se trata de uma experiência com base em símbolos e, portanto, não alcança uma explicação muito objetiva. Ou seja, quando você tenta explicar como foi essa experiência, você acaba falando coisas como: “um cheiro de gosto azedo” ou, então, “borboletas em meu estômago” ou “sons do silêncio”. É claro que a psicologia explicaria de forma muito mais elaborada. Jung, por exemplo, diria algo parecido com: [...] o símbolo é a melhor expressão possível de algo relativamente desconhecido, pois ele representa por imagens, experiências e vivências que incluem aspectos conscientes e inconscientes, isto é, desconhecidas da consciência. Como tal, o símbolo participa e existe sob a forma vivencial e experiencial, sendo impossível de ter seu significado esgotado ou determinado, possibilitando estabelecer múltiplas relações e analogias (JUNG apud SERBENA, 2010). Também devemos ressaltar que o significado de signo, mencionado na citação de Costa (2010, p. 83), nada tem a ver com astrologia... O signo é um elemento da linguagem humana que nos permite associar significados às coisas que nos rodeiam (desde as materiais até as imateriais). Esses significados são bastante complexos, envolvendo nossos sentidos e nossa mente. Vamos usar um exemplo? A ideia de “chuva” pode ser dita, escrita ou desenhada. Qualquer uma dessas formas pode ser considerada um código que carrega em si duas partes: aquela expressa pela forma representada (verbal, escrita ou desenhada) e aquela que nossa mente concebe como significado. Essas duas partes estão sempre presentes em qualquer signo utilizado pela humanidade. Para compreendermos melhor a capacidade humana de se relacionar por meio de signos, vamos propor-lhe um exercício mental. Imagine a seguinte situação: duas pessoas estão saindo de um vagão do metrô em São Paulo. Ao começarem a andar pelos corredores, percebem pessoas chegando com seus guarda-chuvas molhados. Para a primeira pessoa, essa imagem gerou uma © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 4 | vontade enorme de chegar logo em casa, porque, certamente, sua mãe a receberia com bolinhos de chuva envoltos com açúcar e canela. Para a segunda pessoa, essa imagem deu-lhe desespero, pois, toda vez que chove, sua casa é tomada por enchente. Não é incrível como um mesmo signo pode despertar emoções e reações tão diferentes nas pessoas? Por mais que os mesmos indivíduos vivam em uma mesma sociedade, com a mesma cultura e, quem sabe, com a mesma educação, a individualidade está no interior de cada um. Não há como eliminá- la. Saiba Mais! Somos Todos Mutantes Nesta reportagem da Revista Superinteressante, discute-se o impacto que o surgimento de um indivíduo diferente em um grupo pode causar. O comportamento de rejeitar aquele que não é igual a todos acontece em muitas espécies, além da humana. “O problema é que sempre nos juntamos em tribos de ‘iguais’ para lutar contra qualquer coisa que pareça diferente. É parte da nossa natureza. É parte da natureza de qualquer animal - até por isso todos os mutantes sofrem, em todas as espécies. Mas, ironicamente, são os mutantes, os diferentes, que fazem a evolução andar. Não fosse por eles, nem seríamos todos macacos. Seríamos todos amebas, porque a evolução nem teria acontecido. Mas graças a ela, hoje, temos neurônios o bastante para decidir não nos comportar como amebas; cérebro suficiente para entender que o próprio conceito de raça é uma ilusão. Perpetrada por um instinto estúpido”. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 5 | A Identidade Os papéis sociais eram claros há bem pouco tempo. Pelo menos, isso é o que a história da humanidade nos mostra. Na Grécia antiga, os papéis eram designados pelo Cosmo finito e ordenado. Na Era Medieval, os papéis eram assumidos desde o berço: o clero, a realeza e os plebeus. Com a Modernidade: a burguesia e o proletariado. A relação humana, na verdade, sempre se baseou nas relações entre os papéis sociais. A relação entre mestre e discípulo; senhorfeudal e vassalo; padre e fiel; rei e súdito; senhor de engenho e escravo; ricos e pobres; chefe e funcionário; marido e esposa. Esta lista pode ir bem longe! O papel social garante uma identidade ao indivíduo. Se, por um lado, a construção identitária facilita a estruturação de uma sociedade, por outro lado, pode sufocar os talentos individuais de uma pessoa. Ao mesmo tempo, dar vazão às manifestações dos talentos individuais pode desestruturar completamente os códigos de conduta de uma sociedade que se organiza pela imposição de papéis para cada um de seus integrantes. Em nossa contemporaneidade, o indivíduo já tem bastante liberdade para escolher a trajetória de sua vida. E, ao mesmo tempo, grandes debates são inflados com a questão da quebra ética e do costume da má conduta que o individualismo pode causar. Talvez sejam os dois lados da moeda: a liberdade de ser o que se quer ser e a responsabilidade em ser agente para o bom convívio social. VERSIGNASSI, Alexandre. Somos todos mutantes. Superinteressante.com, maio 2014. Disponível em: http://super.abril.com.br/cotidiano/somos-todos- mutantes-803001.shtml. Acesso em: 27 out. 2014. http://super.abril.com.br/cotidiano/somos-todos-mutantes-803001.shtml http://super.abril.com.br/cotidiano/somos-todos-mutantes-803001.shtml © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 6 | Saiba Mais! Novas Fronteiras da Subjetivação Assista à palestra de Benilton Bezerra Júnior, intitulada Novas Fronteiras da Subjetivação, no Programa Café Filosófico, em 2009, produzido pela TV Cultura. BEZERRA JÚNIOR, Benilton. Novas Fronteiras da Subjetivação. Café Filosófico, 2009. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=AwOIzQ7OiwE. Acesso em: 20 dez. 2016. Sujeito e Subjetivação Nos dias de hoje, os interesses individuais têm encontrado muitos caminhos para se manifestarem. Não é para menos que se discute tanto sobre o sujeito quanto sobre a subjetivação. Na palestra indicada no Saiba Mais, Dr. Bezerra Júnior define sujeito como o indivíduo que mantém uma relação com o mundo, mediada pela linguagem e pela cultura. Segundo ele, um sujeito é um indivíduo que tem consciência de que é alguém com vontades próprias e tem consciência de que o outro também é alguém com vontades próprias. Você deve estar se perguntando: mas não são assim todos os indivíduos? Na verdade, não! Vamos pensar juntos: será que aquelas pessoas que têm limitações mentais ou cerebrais conseguem manter relações significativas com o mundo a seu redor? Percebemos que não, certo? Seja por não terem https://www.youtube.com/watch?v=AwOIzQ7OiwE © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 7 | consciência ou por não dominarem a linguagem humana. Agora, sim, pudemos compreender a definição de sujeito! Então, vamos passar para a definição de subjetivação. A subjetivação acontece na medida em que o sujeito vai dando significado às suas experiências no mundo em que vive. Essa definição de subjetivação pode nos levar a algumas conclusões: se ela é construída a partir das vivências do sujeito, então ela não é definitiva: enquanto o sujeito estiver vivo, a subjetivação vai acontecendo. Além disso, ela não é válida para todos os sujeitos, pois cada um poderá dar os significados que quiser às suas próprias vivências. Então, vamos a mais uma questão? Quais são as influências que recaem sobre o sujeito na hora em que ele cria significados às suas experiências de vida? Algumas respostas nos vêm à cabeça imediatamente, não é mesmo? Com certeza, a educação que esse sujeito recebeu deve influenciar bastante, assim como seu jeito de ser, ou seja, sua personalidade. A cultura praticada na sociedade em que ele vive também é um fator de influência, além de suas crenças ou doutrinas religiosas. Esta reflexão nos levará a entender que a subjetivação é algo individual, mas totalmente influenciado pelo ambiente que cerca o indivíduo. Mais uma vez, repetimos: o ser humano é uma criatura gregária. Isso significa que a própria individualidade do homem necessita do outro para poder se formar. Como assim? Parece algo bem estranho isso que dissemos, não é mesmo? Convidamos você para nos acompanhar em uma hipótese bastante improvável. Se um ser humano vivesse absolutamente sozinho, desde seu nascimento, ele não ia perceber sua individualidade, porque seria o todo em seu próprio mundo! © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 8 | Saiba Mais! Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Kaspar_hauser.jpg. Acesso em: 27 out. 2014. O Enigma de Kaspar Hauser A história é de um bebê que teria crescido sozinho dentro de um porão na cidade de Nuremberg, em torno de 1812. Sem qualquer contato humano para que ninguém soubesse de sua existência, ele dormia com uma corrente que o prendia, sentado ao chão. Deixavam-lhe água e comida enquanto dormia. Já na idade adulta, um homem o tira do calabouço e o deixa em uma praça pública na cidade, com uma carta direcionada ao capitão da cavalaria local em 1828. Sem saber falar nem andar, ele passa a fazer seus primeiros contatos com o mundo exterior e a sociedade da época. Ajudado por uma família, ele aprendeu a se comportar, a falar, ler, escrever, tocar piano, além de se interessar por jardinagem. Mas sempre observado com curiosidade e espanto pelos cidadãos. (Fonte: http://www.futura.org.br/blog/2013/01/18/o-enigma-de- kaspar-hause-e-a-atracao-da-semana-no-cineconhecimento/. Acesso em: 27 out. 2014). O ENIGMA de Kaspar Hauser. Direção: Werner Herzog. Produção: Werner Herzog. Alemanha Ocidental: Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF), 1974. 110 min. Trailer disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Wplj0ITkwho. http://www.futura.org.br/blog/2013/01/18/o-enigma-de-kaspar-hause-e-a-atracao-da-semana-no-cineconhecimento/ http://www.futura.org.br/blog/2013/01/18/o-enigma-de-kaspar-hause-e-a-atracao-da-semana-no-cineconhecimento/ https://www.youtube.com/watch?v=R9qxbd3uR48 © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 9 | Nós somente nos percebemos como indivíduos e sujeitos porque somos sensíveis às reações das pessoas que estão à nossa volta. E, mais do que isso: dependendo do significado que damos às reações das pessoas à nossa volta, determinamos nossas ações com antecedência, não é mesmo? Quantas vezes percebemos isso em nosso cotidiano! Às vezes, o marido deixa de contar alguns problemas para a esposa porque ela pode reagir mal. Assim, o marido age em função de evitar uma reação indesejável da esposa. Outro exemplo: a jovem que tem seu primeiro encontro leva uma hora para decidir qual roupa vai usar e mais duas horas para se preparar. Tudo isso para conseguir determinada reação de seu pretendente: elogios e aprovação! Acesso em: 31 out. 2014. A Redescrição da Subjetividade: as Bioidentidades Enquanto o mundo econômico enfrenta sua crise, assistimos à passagem de uma cultura fundamentada no sujeito psicológico, na qual a identidade estava referida preferencialmente ao registro da vida emocional interior, para outra, a cultura das bioidentidades, na qual a biologia e o corpo são as fontes privilegiadas nas quais buscamos a resposta para a questão fundamental: quemsou eu? CABRAL, Rossano L. A redescrição da subjetividade: as bioidentidades. Café Filosófico, 2009. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vaEiY183BcA/ . Acesso em: 20 dez. 2016. https://www.youtube.com/watch?v=vaEiY183BcA © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 10 | Você deve ter percebido que o ponto de vista que utilizamos até agora é ocidental e contemporâneo. A liberdade para as significações individuais, ou pessoais, não é realidade para todas as civilizações. Atualmente, há muitos povos (como alguns orientais, por exemplo) cuja cultura e poder político impõem condutas às pessoas, que acabam sendo obrigadas a agir em função de leis, doutrinas religiosas e tradições culturais. Além disso, o que consideramos autonomia individual hoje nas culturas ocidentais é uma possibilidade recente. Lembre-se: a ditadura militar no Brasil só entrou em decadência há pouco mais de 30 anos! Com as rápidas reflexões que estamos fazendo, percebemos que não há como pensarmos no indivíduo sem pensarmos em relações humanas. Também não dá para pensarmos em relações humanas sem pensarmos em como sustentá- las, ou seja, se o homem depende das relações humanas, o que fazer para que elas sejam duráveis e para que elas realmente agreguem os indivíduos? Cairemos na questão da ética novamente! Não é para menos que pessoas dos mais diversos perfis e formações acadêmicas se debruçam sobre este tema há milênios! Quais devem ser as condutas ideais para que uma sociedade perdure com seus integrantes interagindo de forma satisfatória? Essa forma satisfatória é a mesma para todos os povos? Para todas as gerações? Sabemos que não! O que é aceitável no Brasil não pode nem ser sonhado no Afeganistão. Você já imaginou uma carioca sendo obrigada a usar uma burca? E uma afegã deparando-se com um biquíni tipo “fio dental”? Mesmo que elas mudassem de país, seria penoso tanto para uma quanto para a outra acostumar-se com costumes tão diversos daqueles com os quais foram criadas. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 11 | Ética e Valores A ética depende dos valores cultivados por determinada sociedade, e esses valores vão mudando no tempo e no espaço. Se pararmos para pensar sobre os avanços das pesquisas científicas, vamos concluir que nossos valores têm mudado de forma radical. Saiba Mais! Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu- islamico-em-publico.html. Acesso em: nov. 2014. Tribunal Europeu apoia lei francesa que proíbe véu islâmico em público Tribunal Europeu de Direitos Humanos concorda com a lei francesa de 2010 que proíbe o uso do véu islâmico integral (burca e niqab) em espaços públicos, pois decisão estaria de acordo com o entendimento de que as autoridades necessitam identificar os indivíduos para prevenir atentados contra a segurança das pessoas, dos bens e lutar contra a fraude de identidade. TRIBUNAL Europeu apoia lei francesa que proíbe véu islâmico em público. Globo.com, 1 jul. 2014. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/>. Acesso em: 28 out. 2014. http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.html http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.html http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.html © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 12 | Saiba Mais! A ética nos relacionamentos Gravada no dia 17/03/2006, a palestra expõe uma importante distinção entre ética e moral. Enquanto a moral vem de fora, do social, a ética nasce do indivíduo, vem do ego, pois depende de uma personalidade estruturada. A moral é superegoica, já que se trata de uma imposição do ambiente introjetada nos indivíduos. O programa trata também de questões importantes dos nossos tempos que envolvem a ética, como clonagem, células-tronco e aborto. COHEN, Claudio. A ética nos relacionamentos. Café Filosófico, 2012. Disponível em: http://www.cpflcultura.com.br/wp/2008/12/30/a-etica-nos- relacionamentos/. Acesso em: 20 out. 2014. Vamos pensar sobre o exemplo dado pelo psicanalista Claudio Cohen, em palestra intitulada A ética nos relacionamentos, produzida pelo Café Filosófico da TV Cultura em 2012: Ele nos conta que, até há pouco tempo, a área médica julgava a morte de um paciente por sua parada cardiorrespiratória. Ou seja: se o coração parava de bater, os aparelhos eram desligados, e a família tomava as providências fúnebres. No entanto, com o avanço tecnológico da medicina, chega-se à viabilidade do transplante de órgãos. E essa oportunidade de salvar vidas levou toda a sociedade médica a rever o conceito de morte. Dali em diante, o que definiria a http://www.cpflcultura.com.br/wp/2008/12/30/a-etica-nos-relacionamentos/ http://www.cpflcultura.com.br/wp/2008/12/30/a-etica-nos-relacionamentos/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 13 | morte de um indivíduo seria a morte cerebral. Assim, mesmo com o coração batendo, se houvesse morte cerebral, o corpo era mantido pelos aparelhos até que o órgão pudesse ser retirado, salvando outro indivíduo cujo cérebro ainda funcionasse. Não precisamos descrever como é difícil para uma família ver seu ente querido com o coração batendo com a ajuda de aparelhos e, mesmo assim, ter de considerá-lo morto. São os novos valores da modernidade. Isso não quer dizer que todas as sociedades vejam desta mesma forma. Por exemplo, na época em que os transplantes começaram a ser uma realidade, japoneses budistas recusavam- se a receber órgão de um ser morto. Eles tinham outros valores. É comum que pessoas com as mesmas necessidades, interesses e pontos de vista se reúnam para se fortalecer e, assim, conquistar suas aspirações frente a uma maioria ou frente a uma parcela social mais poderosa. Se formos pensar, é assim que muitas revoluções se manifestam. Muitos movimentos sociais acontecem desta forma. Podemos pensar no exemplo dos movimentos feministas e no movimento gay. É inegável que esses movimentos de minorias abalaram os princípios e valores de uma época e plantaram novas possibilidades éticas. Hoje, grande parcela da população feminina ocidental é aceita como mãe solteira sem ter de se esconder da sociedade. As pessoas chamadas, atualmente, de homoafetivas, sentem-se mais à vontade para manifestar suas preferências sexuais. Atualmente, por exemplo, não é ético discriminar alguém cuja cor de pele seja diferente da sua. É, inclusive, uma atitude passível de processos penais. Mal dá para imaginarmos que houve uma época em que os afrodescendentes não eram considerados nem seres humanos! A quebra de tantos paradigmas tem nos trazido muitos ganhos, apesar de nos depararmos, muitas vezes, com questões tão difíceis. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 14 | Vamos pensar no caso da fecundação in vitro. Trata-se da possibilidade que indivíduos têmem conceber uma criança mesmo que fisiologicamente seus organismos não sejam capazes de fazê-los naturalmente. A grande discussão ética a respeito é: o que fazer com os embriões que não foram implantados no útero da mãe? Eles podem ser congelados, aguardando sua vez? Afinal, esses embriões devem ser considerados bebês vivos? Nossa vida, nosso dia a dia ‒ seja pessoal, seja profissional ‒ coloca-nos questionamentos constantemente. Como deveríamos nos posicionar frente a eles? Matos (2012, p. 2) afirma que a sociedade apoia-se em três pilares éticos: a criação de oportunidades para todos; a vontade que possa gerar liberdade responsável; e o compromisso com o bem pessoal e o bem comum. Pode ser que, com base nesses pilares, possamos alcançar uma sociedade mais justa, livre e solidária. Saiba Mais! Como fazer super bebês “Imunidade a doenças como câncer. Maior resistência à obesidade. Seleção de características estéticas. Tudo isso já pode, ou logo poderá, ser programado antes do início da gravidez. Conheça o admirável (e lindinho) futuro dos bebês.” COSTA, Camilla; GARATONNI, Bruno. Como fazer super bebês. Superinteressante.com, fev. 2012. Disponível em: http://super.abril.com.br/ciencia/como-fazer-super-bebes-677777.shtml. Acesso em: 27 out. 2014. http://super.abril.com.br/ciencia/como-fazer-super-bebes-677777.shtml © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 15 | Quebra de Paradigmas Abordamos a questão da liberdade que temos como sujeitos detentores de nossas próprias decisões, caminhando por trajetórias que nós mesmos escolhemos. Também comentamos que essa autonomia individual quebra muitos paradigmas sociais. Vamos lembrar: o que é um paradigma? Simplificando, um paradigma é um modelo de pensamento. São ideias já bem estruturadas a respeito de algum assunto. Um paradigma leva à repetição de hábitos, costumes e opiniões. Um paradigma pode engessar o modo de ser das pessoas. É por isso que, diante de algo que choca, mas que de alguma forma leva as pessoas a reverem suas crenças, seus conceitos e valores, é comum que se diga: quebre seu paradigma! O que estamos vivendo atualmente já não tem as mesmas características da Era Moderna. Do século XX para o século XXI, muitos paradigmas foram quebrados. É exatamente por isso que acadêmicos, pesquisadores e cientistas tentam dar um nome para esse tempo em que vivemos. Alguns preferem Pós- Modernidade, outros, Hipermodernidade ou também Modernidade Tardia. A questão é saber se estamos realmente vivendo uma era de ruptura. Como já comentamos antes, talvez nós, que vivemos nesta era, não vamos conseguir mesmo nomeá-la. Isso será possível apenas olhando para trás e dando um nome ao que já aconteceu. Portanto, a tarefa ficará com as gerações futuras, não é mesmo? Uma das maiores responsáveis por estilhaçar os paradigmas mais intocáveis é a biotecnologia. Ela nos choca diariamente com propostas como plásticos que crescem em árvores; açúcar que vira acrílico; bioship que simula metabolismo de medicamentos no corpo humano; e, até mesmo, gravidez em homens! É chocante, sim. Aceitarmos a ideia de um homem grávido dependeria de quebrarmos um paradigma solidamente fundamentado na ciência: o homem tem cromossomos x/y. Isso é um ponto pacífico, não é mesmo? Uma criatura cujos cromossomos sejam x/x só pode ser mulher, certo? Mais ou menos... © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 16 | Saiba Mais! Homem grávido dá à luz menina nos Estados Unidos O transexual americano Thomas Beatie deu à luz uma menina saudável na cidade de Bend, no Estado de Oregon, noroeste dos Estados Unidos. HOMEM grávido dá à luz menina nos Estados Unidos. BBC BRASIL.COM, 3 jul. 2008. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/. Acesso em: 27 out. 2014. Convidamos você para conhecer a história de Thomas Beatie. Sua identidade atual é masculina. Ele é casado com uma mulher, pai de família. Mas Thomas não nasceu com essa identidade. Ele nasceu como Tracy. Não pretendemos explorar aqui os motivos que levaram Tracy a passar por todo um processo biotecnológico de masculinização. Mas, ao fazê-lo, decidiu-se por manter seus órgãos femininos internos – o que lhe permitiu engravidar. Quando Tracy mudou sua identidade para Thomas, desejou ser pai. Tendo seu útero intacto, Thomas tornou-se um homem grávido! Esta é a nova era em que vivemos: os papéis sociais são fluidos. Tudo pode se transformar radicalmente. As identidades não são determinadas quando nascemos. Podemos mudá-las várias vezes no decorrer de nossas vidas. Essa fluidez dos papéis sociais, atualmente, pode levar a um mal-estar social. Aqueles que se acham portadores de crenças, valores e conhecimentos universais podem ser surpreendidos com novas possibilidades de se olhar a vida. Será que temos o direito de julgar o desejo de ser pai que uma pessoa http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/07/080703_transexual_filharg.shtml © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 17 | portadora de cromossomos x/x tenha? Será que temos o direito de julgar uma pessoa, portadora de saudáveis ovários e útero, que não queira ter filhos? Muitas vezes, o que provoca o mal-estar social não é a livre manifestação do sujeito e de suas subjetivações. O que pode provocar o total desastre social é a intolerância. Talvez, ela seja a mãe de muitas guerras... Quebrar paradigmas exige nos depararmos com perguntas como: 1. Qual deveria ser o limite de ação para a humanidade? 2. Até que ponto os avanços científicos são positivos para a evolução humana? 3. É possível conciliar os interesses individuais com os interesses da coletividade? 4. Qual é o equilíbrio entre tolerância e ordem social? Não existem respostas prontas! Que tal refletirmos sobre todas as que são possíveis? Bons estudos! Burca: símbolo do talibã afegão usado tradicionalmente pelas mulheres das tribos pashtuns do país. Cobre completamente a cabeça e o corpo, inclusive os olhos, em que há uma rede para permitir a visão. (Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa- que-proibe-veu-islamico-em-publico.html. Acesso em: 28 out. 2014. Experiência cognitiva: trata-se da experiência que ocorre por meio da cognição (palavra cuja origem é latina: noscere = saber, conhecer – com o prefixo com = junto). (Fonte: http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/cognicao/. Acesso em: 21 out. 2014). “A cognição envolve fatores diversos como o pensamento, a linguagem, http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.html http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.html http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/cognicao/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 18 | a percepção, a memória, o raciocínio etc., que fazem parte do desenvolvimento intelectual.” (Fonte: http://www.significados.com.br/cognitivo/. Acesso em: 20 out. 2014). Assim, podemos considerar que as experiências que envolvem o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio, por exemplo, são experiências cognitivas. Jacques Lacan: “é um autor polêmico – discutidoe admirado, para alguns teóricos é considerado o maior psicanalista depois de Freud, ou até mesmo do seu porte; para os seus críticos, a teoria lacaniana é um retrocesso da psicanálise, um desvirtuador da teoria freudiana.” (Fonte: https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/jacques-lacan-biografia. Acesso em: 16 out. 2014. Um de seus mais importantes trabalhos (o estádio do espelho) foi desenvolvido de 1936 a 1964. Linguistas: estudiosos que utilizam a ciência para explicar e descrever as manifestações linguísticas. Linguística: é a ciência que estuda a linguagem humana. Signos: a área da Linguística explica que utilizamos dois elementos principais para que a comunicação se materialize de forma plena: a linguagem, que representa todo o sistema de sinais convencionais, sejam estes de natureza verbal ou não verbal, e a língua, que representa um sistema de signos convencionais (de natureza gramatical) usados pelos membros de determinada comunidade, no nosso caso, a língua portuguesa. Partindo deste pressuposto, temos que o signo linguístico é concebido como um elemento representativo, constituindo-se de dois aspectos básicos: o significante e o significado, os quais formam um todo indissolúvel. (Fonte: http://www.portugues.com.br/redacao/o-signo-linguistico.html. Acesso em: 21 out. 2010). Exemplificando: quando ouço a palavra “casa”, imagino minha própria casa, e meus sentimentos me levam à lembrança de como é bom estar descansando nela. O significante do elemento representativo “casa” (nesse exemplo) é o som que eu ouvi (alguém falando casa), e o significado desse http://www.significados.com.br/cognitivo/ https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/jacques-lacan-biografia http://www.portugues.com.br/redacao/o-signo-linguistico.html © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 19 | elemento representativo é a imagem que eu fiz da minha própria casa e também os sentimentos despertados quando me lembrei dela. Instruções Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 1 A lei francesa de 2010 que proíbe o uso do véu islâmico integral (burca e niqab) em espaços públicos está de acordo com o Convênio Europeu de Direitos Humanos, opinou nesta terça-feira (1º) a Grande Sala do Tribunal de Estrasburgo. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos entende a necessidade das autoridades “de identificar aos indivíduos para prevenir atentados contra a segurança das pessoas e dos bens e lutar contra a fraude de identidade”. (TRIBUNAL Europeu apoia lei francesa que proíbe véu islâmico em público. Globo.com, 1 jul. 2014. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei- francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.html Acesso em 28 out. 2014) A respeito do trecho da reportagem, podemos afirmar que: I. Alguns adeptos da religião islâmica poderão sentir-se privados de seu direito de manifestação religiosa. II. A lei francesa opõe-se completamente à liberdade de pensamento. III. Associar o uso de capacete de motociclista e de capuz ao uso da burca confirma que a lei não se volta às questões religiosas. http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.html http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.html © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 20 | É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 2 A chamada Primeira Onda Feminista teria ocorrido no século XIX e avançado pelo começo do século XX. Este período aborda uma grande atividade feminista desenvolvida no Reino Unido e nos Estados Unidos. Foi o momento em que o movimento se consolidou em torno da luta pela igualdade de direitos para homens e mulheres. Estas se organizaram e protestaram contra as diferenças contratuais, a diferença na capacidade de conquistar propriedades e contra os casamentos arranjados que ignoravam os direitos de escolha e os sentimentos das mulheres. (GASPARETTO JR., Antônio. Primeira onda feminista. Disponível em: http://www.infoescola.com/historia/primeira-onda-feminista/. Acesso em: 26 out. 2014) Com base no texto apresentado, analise as seguintes afirmações: I. O movimento de grupos de pessoas com os mesmos interesses e as mesmas necessidades pode levar a revoluções sociais. PORQUE II. A força de grupos organizados em torno de uma causa em comum pode ser o bastante para renovar alguns paradigmas sociais. http://www.infoescola.com/historia/primeira-onda-feminista/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 21 | A respeito dessas afirmações, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 3 Já foi normal duas pessoas se digladiarem até a morte para entreter a multidão. Também já foi normal queimar mulheres na fogueira por bruxaria e fazer pessoas trabalharem sem remuneração com direito a castigos físicos só pela cor da pele. Era normal também humanos se alimentarem de sua própria espécie e casarem sem amor. Já foi normal passar 40 horas da semana fazendo algo que se detesta, mentir para ganhar dinheiro e devastar florestas inteiras em busca de um suposto desenvolvimento. Peraí, este último ainda é normal. Afinal, será que ser normal ‒ e achar normais coisas que não deveriam ser ‒ pode ser uma doença? (BERGIER, Carolina. A doença de ser normal. Disponível em: http://super.abril.com.br/saude/doenca-ser-normal-755983.shtml. Acesso em: 27 out. 2014). A respeito do texto apresentado, podemos afirmar que: I. Aceitar ou não algum evento social como normal está ligado aos valores culturais de determinada sociedade em determinada época histórica. http://super.abril.com.br/saude/doenca-ser-normal-755983.shtml © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 22 | II. O que é concebido como normal por determinada cultura, em determinada época histórica, tem a ver com o paradigma adotado por essa mesma cultura. III. A história da humanidade nos mostra que muitos paradigmas sociais foram quebrados por movimentos revolucionários. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 4 Leia o texto que segue: Uma das histórias mais bem documentadas envolvendocrianças lobo é a de duas meninas completamente selvagens, resgatadas por uma expedição que massacrou os lobos com quem elas viviam, perto de um vilarejo no norte da Índia, em 1920. O comportamento das duas crianças causou espanto, pois, quando foram encontradas, as meninas não sabiam andar sobre os pés, mas se moviam rapidamente de quatro. É claro que não falavam, e seus rostos eram inexpressivos. Queriam apenas comer carne crua, tinham hábitos noturnos, repeliam o contato dos seres humanos e preferiam a companhia de cachorros e lobos. (RISCHBIETER, Luca. A triste história das crianças lobo ou nem só de genes e cérebro vive o homem. Disponível em: http://www.educacional.com.br/articulistas/luca_bd.asp?codtexto=220. Acesso em: 27 out. 2014). http://www.educacional.com.br/articulistas/luca_bd.asp?codtexto=220 © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 23 | Responda à pergunta: por que os rostos das crianças selvagens eram inexpressivos? Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 5 O enigma de Kaspar Hauser A história é de um bebê que teria crescido sozinho dentro de um porão na cidade de Nuremberg, em torno de 1812. Sem qualquer contato humano para que ninguém soubesse de sua existência, ele dormia com uma corrente que o prendia, sentado ao chão. Deixavam-lhe água e comida enquanto dormia. Já na idade adulta, um homem o tira do calabouço e o deixa em uma praça pública na cidade, com uma carta direcionada ao capitão da cavalaria local em 1828. Sem saber falar nem andar, ele passa a fazer seus primeiros contatos com o mundo exterior e a sociedade da época. Ajudado por uma família, ele aprendeu a se comportar, a falar, ler, escrever, tocar piano, além de se interessar por jardinagem, mas sempre observado com curiosidade e espanto pelos cidadãos. Incapaz de fazer mal a alguém, foi assassinado, provavelmente, pelos mistérios que cercavam sua existência. (Fonte: http://www.futura.org.br/blog/2013/01/18/o-enigma-de-kaspar-hause-e-a- atracao-da-semana-no-cineconhecimento/. Acesso em: 27 out. 2014). Diante do texto sobre a história de Kaspar Hauser, responda às questões que seguem: 1. Será que Kaspar Hauser era capaz de sentir-se como indivíduo enquanto estava encarcerado? Explique sua resposta. 2. O assassinato de Kaspar Hauser poderia encontrar alguma explicação na intolerância social? Explique sua resposta. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. http://www.futura.org.br/blog/2013/01/18/o-enigma-de-kaspar-hause-e-a-atracao-da-semana-no-cineconhecimento/ http://www.futura.org.br/blog/2013/01/18/o-enigma-de-kaspar-hause-e-a-atracao-da-semana-no-cineconhecimento/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 24 | Este segundo tema voltou-se às questões do indivíduo como sujeito dotado de vontade e ação, inserido em uma sociedade que mantém seus próprios valores e cultura. Pudemos refletir sobre a natureza simbólica das experiências humanas e sobre nossa capacidade de nos relacionarmos por meio de signos. O conteúdo também nos possibilitou compreender os conceitos de sujeito e de subjetivação, assim como a relação entre valores e ética. Finalizamos nossas discussões com uma reflexão sobre a influência da quebra de paradigmas sobre as mudanças sociais. BEZERRA JÚNIOR, Benilton. Novas Fronteiras da Subjetivação. Café Filosófico, 2009. Disponível em: http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/02/integra-novas- fronteiras-da-subjetivacao-benilton-bezerra-junior/. Acesso em: 24 out. 2014. CABRAL, Rossano L. A redescrição da subjetividade: as bioidentidades. Café Filosófico, 2009. Disponível em: http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/02/integra- a-redescricao-da-subjetividade-as-bioidentidades-rossano-lima-cabral-sao-paulo/. Acesso em: 27 out. 2014. COSTA, Cristina. Sociologia: questões da atualidade. São Paulo: Moderna, 2010. COSTA, Camilla; GARATONNI, Bruno. Como fazer super bebês. Superinteressante.com, fev. 2012. Disponível em: http://super.abril.com.br/ciencia/como-fazer-super-bebes-677777.shtml. Acesso em: 27 out. 2014. COHEN, Claudio. A ética nos relacionamentos. Café Filosófico, 2012. Disponível em: http://www.cpflcultura.com.br/wp/2008/12/30/a-etica-nos-relacionamentos/. Acesso em: 20 out. 2014. http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/02/integra-novas-fronteiras-da-subjetivacao-benilton-bezerra-junior/ http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/02/integra-novas-fronteiras-da-subjetivacao-benilton-bezerra-junior/ http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/02/integra-a-redescricao-da-subjetividade-as-bioidentidades-rossano-lima-cabral-sao-paulo/ http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/02/integra-a-redescricao-da-subjetividade-as-bioidentidades-rossano-lima-cabral-sao-paulo/ http://super.abril.com.br/ciencia/como-fazer-super-bebes-677777.shtml http://www.cpflcultura.com.br/wp/2008/12/30/a-etica-nos-relacionamentos/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 25 | DUARTE, Vânia M. do N. O signo linguístico. Disponível em: http://www.portugues.com.br/redacao/o-signo-linguistico.html. Acesso em: 21 out. 2010. HOMEM grávido dá à luz menina nos Estados Unidos. BBC BRASIL.COM, 3 jul. 2008. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/07/080703_transexual_filharg. shtml. Acesso em: 27 out. 2014. MATOS, Francisco G. Ética na gestão empresarial: da conscientização à ação. São Paulo: Saraiva, 2012. MOURA, Jovi. Jacques Lacan – Biografia. Disponível em: https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/jacques-lacan-biografia. Acesso em: 16 out. 2014. O ENIGMA de Kaspar Hauser. Direção: Werner Herzog. Produção: Werner Herzog. Alemanha Ocidental: Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF), 1974. 110 min. Trailer disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=R9qxbd3uR48. Acesso em: 31 out. 2014. ORIGEM DA PALAVRA. Disponível em: http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/cognicao/. Acesso em: 21 out. 2014. SERBENA, Carlos Augusto. Considerações sobre o inconsciente: mito, símbolo e arquétipo na psicologia analítica. Rev. abordagem gestalt., Goiânia, v. 16, n. 1, jun. 2010. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809- 68672010000100010&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 31 out. 2014. SIGNIFICADOS.COM. Significado de cognitivo. Disponível em: http://www.significados.com.br/cognitivo/. Acesso em: 20 out. 2014 TRIBUNAL Europeu apoia lei francesa que proíbe véu islâmico em público. Globo.com, 1 jul. 2014. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que- proibe-veu-islamico-em-publico.html. Acesso em: 28 out. 2014. http://www.portugues.com.br/redacao/o-signo-linguistico.html http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/07/080703_transexual_filharg.shtml http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/07/080703_transexual_filharg.shtml https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/jacques-lacan-biografia https://www.youtube.com/watch?v=R9qxbd3uR48 http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/cognicao/ http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672010000100010&lng=pt&nrm=iso http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672010000100010&lng=pt&nrm=iso http://www.significados.com.br/cognitivo/ http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.htmlhttp://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/tribunal-europeu-apoia-lei-francesa-que-proibe-veu-islamico-em-publico.html © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 26 | VERSIGNASSI, Alexandre. Somos todos mutantes. Superinteressante.com, maio 2014. Disponível em: http://super.abril.com.br/cotidiano/somos-todos-mutantes- 803001.shtml. Acesso em: 27 out. 2014. Questão 1 Resposta: Alternativa “C”. A afirmação II está incorreta, porque a lei francesa não impede que as pessoas pensem da maneira que bem entenderem. Para a lei, a pessoa pode continuar mantendo suas crenças conforme a religião islâmica, só não pode manifestá-la por meio do véu. Pensar é uma coisa, manifestar-se é outra. Questão 2 Resposta: Alternativa “A”. A afirmação II justifica a afirmação I porque a renovação de paradigmas sociais está ligada diretamente às revoluções sociais. Questão 3 Resposta: Alternativa “E”. Os conceitos envolvidos por esta questão – por exemplo, o que são paradigmas, o que é a quebra de paradigmas, como funcionam os valores de uma sociedade – podem ser encontrados no Caderno de Atividades da Aula 3. http://super.abril.com.br/cotidiano/somos-todos-mutantes-803001.shtml http://super.abril.com.br/cotidiano/somos-todos-mutantes-803001.shtml © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 27 | Questão 4 Um rosto sem sorriso é um rosto inexpressivo. O sorriso é uma manifestação simbólica que os humanos aprendem vivendo em sociedade. Por isso, crianças selvagens não sabiam sorrir: elas não aprenderam a interagir por meio de símbolos. Questão 5 Resposta 1: É provável que Kaspar Hauser, enquanto estava encarcerado, simplesmente não tinha consciência de sua individualidade, pois o ser humano percebe-se como indivíduo ao relacionar-se com o outro. Resposta 2: O assassinato de Kaspar Hauser poderia ter sido resultado da intolerância das pessoas que o consideravam estranho e diferente de todos naquela comunidade. Atos de violência acontecem até hoje em função da não aceitação de um integrante do grupo que não consegue ser exatamente como a maioria. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 1 Olá! Seja bem-vindo(a) ao quarto tema da disciplina Ética e Relações Humanas no Trabalho. Convidamos você para acompanhar as transformações ocorridas na relação entre homem e trabalho. O trabalho surge, inicialmente, como uma forma de se garantir a sobrevivência. A natureza está repleta de demonstrações de trabalhos como garantia para a sobrevivência. Em uma colmeia, por exemplo, as abelhas se organizam em três tipos de papéis: a abelha rainha, os zangões e as operárias. A partir da relação entre esses papéis, elas produzem o mel, que é a base de sua subsistência. Se, por um lado, o ser humano guarda muitas semelhanças com a natureza, por outro lado, diferencia-se bastante quanto à evolução de sua relação com o trabalho. Ao longo do tempo, podemos encontrar variações do significado que o homem já deu ao trabalho. Você sabia que o significado da palavra latina que deu origem à palavra trabalho era tripallium? E sabe o que significava? Tripallium era um instrumento de tortura. Para os gregos, o trabalho manual era algo penoso e devia ser executado pelos escravos (TOMAZI, 2000, p. 48). Daquele tempo para hoje, o significado do trabalho passou por muitas mudanças, chegando a ser classificado como algo enobrecedor. De qualquer forma, é bastante comum encontrarmos muitas pessoas que ainda encaram o trabalho como um verdadeiro tripallium. Como citar este material: FREGNI, Carla P. Ética e Relações Humanas no Trabalho: Relações Humanas no Trabalho. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 2 Trabalho: entre a Tortura e a Dignidade Humana Atualmente, há muitos autores que se baseiam em pesquisas para confirmar que funcionários felizes produzem mais. Os autores Dave Ulrich e Wendy Ulrich (2011, p. 25) mencionam alguns exemplos: “Ao longo de um período de 10 anos (1998 a 2008), as ‘melhores empresas para trabalhar’ têm uma apreciação de 6,8% em suas ações, comparada com 1,0% da empresa média.” “Ao longo de um período de sete anos, as empresas mais admiradas na lista da revista Fortune tiveram o dobro do retorno de mercado em relação à concorrência.” “Somente 13% dos empregados que não têm comprometimento recomendariam os produtos ou serviços da sua empresa, comparados com 78% dos empregados comprometidos.” Saiba Mais! Desenvolvimento da palavra trabalho Conheça a trajetória dos principais termos voltados ao conceito de trabalho. RODRIGUES, Sérgio. Trabalho, tortura e outras lutas: viva o Primeiro de Maio. Veja.com, 1 maio 2012. Disponível em: http://goo.gl/EkCQuB. Acesso em: 1 nov. 2014. Saiba Mais! O trabalho dignifica o homem? A expressão, tão comumente usada, encontra explicação na psicologia, pois o trabalho é, sim, condição preponderante para a realização humana. MENDES, G. O trabalho dignifica o homem. O Nacional.com, 1 maio 2013. Disponível em: http://goo.gl/yFIUWa . Acesso em: 1 nov. 2014. Atividade profissional e distúrbios psicossomáticos O dilema de conciliar uma atividade profissional com prazer perdura até os nossos dias e pode ser fonte de distúrbios psicossomáticos para indivíduos e http://goo.gl/EkCQuB http://goo.gl/yFIUWa © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 3 Matos (2012, p. 19) afirma que “a felicidade na empresa cria condições adequadas para a efetiva produtividade”. Ele menciona quatro elementos importantes para se manter um ambiente organizacional propício: estilo gerencial participativo; conhecimento compartilhado; solidariedade; valorização pessoal. Parece bastante lógica a ideia de que trabalhadores satisfeitos tenham mais ânimo para realizar suas funções (o que aumenta a produtividade) e também ficam menos doentes (principalmente quando a fonte da doença é o estresse). Mas, será mesmo possível sermos totalmente felizes no trabalho? Ana Carolina Rodrigues, jornalista da Você/SA, apresenta uma discussão bastante pertinente sobre o amor ao trabalho. Ela menciona um discurso que Steve Jobs fez a 23 mil alunos da Universidade de Stanford durante cerimônia de formatura (de lá para cá, o vídeo foi baixado mais de 20 milhões de vezes no YouTube). Em determinado momento de seu discurso, Jobs fala: “Você tem de encontrar o que você ama. A única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que faz. Se você ainda não encontrou, continue procurando, e não se acomode”. Pelo tom usado na fala de Jobs e pela quantidade de vezes que o vídeo foi visto, somos realmente capazes de acreditar que o “amor” ao trabalho é o caminho para a felicidade, não é mesmo? Por outro lado, não podemos deixar de lançar um olhar mais crítico e cuidadoso a respeito de qualquer radicalismo neste sentido. Em seu artigo, Rodrigues (2014, s.p.) provoca uma reflexão: Amar o ofício talvez seja mais simples para quem ocupa um cargo de destaque ou tem um negócio de sucesso — o que explicariaa crença de Steve Jobs. Mas, para grande parte dos trabalhadores mortais, a relação entre prazer e fazer é mais conflituosa. Não podemos negar que há um encadeamento lógico entre sermos bons naquilo que fazemos, sermos reconhecidos por isso e alcançarmos nossa realização. Precisamos de tempo e investimento para desenvolvermos nossas melhores competências. Porém, nossas necessidades financeiras nem sempre nos dão esse tempo, não é mesmo? Talvez, perda de produtividade para empresas. BALTHAZAR, Luci Endson. Afinal, é trabalho ou tripalium? 10 jun. 2013. Disponível em: http://goo.gl/WwD48s. Acesso em: 3 nov. 2014. http://goo.gl/WwD48s © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 4 por isso, haja tantas pessoas desanimadas no trabalho. Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas, acrescenta: “Para a maioria das pessoas, a possibilidade de fazer o que ama é limitada pela obrigação de ter de ganhar dinheiro para sobreviver” (RODRIGUES, 2014). Então, essa reflexão nos leva a concluir que não há saída? É claro que há! E muitas! Seguem algumas dicas de pessoas entrevistadas pela jornalista Rodrigues (2014, s.p.): • “Às vezes, não conseguimos começar fazendo o que amamos, mas temos de ter foco para encontrar o que nos faz crescer e, então, nos aproximarmos do que nos faz feliz profissionalmente.” (Guilherme Gatti, diretor de marketing para a América Latina da FedEx, empresa de logística de São Paulo) • “Gostar do que faz é essencial, mas é preciso estar muito bem preparado para que as expectativas encontrem as oportunidades.” (Roger Ingold, presidente da consultoria Accenture de São Paulo) • “Fazer o que ama é um pouco de acaso e bastante de noção sobre as próprias limitações. Tem gente que ama tocar piano, mas nunca poderia fazer isso profissionalmente.” (Rafael Alcadipani, Professor da FGV-SP) • “Quando temos um propósito de vida bem definido, faremos coisas que verdadeiramente amamos e outras que nem tanto, mas que deverão ser realizadas com a mesma energia e dedicação para que o objetivo maior seja alcançado.” (Carlos Morassutti, vice-presidente de recursos humanos da Volvo, de Curitiba, Paraná). Saiba Mais! Entenda o “mundo do trabalho” e suas exigências No mundo do trabalho, os cenários se transformam rapidamente. É preciso estar muito atento para acompanhar as mudanças. Em momento de transformação, o desafio de manter-se bem-colocado no mercado de trabalho se torna mais complexo. Nessas horas, não adianta se afobar, mas também não é aconselhável se acomodar. Há dois caminhos que podemos trilhar: o do trabalho criativo e do trabalho acomodado. http://www.exame.com.br/topicos/marketing © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 5 Como o Trabalho Virou Mercadoria O trabalho foi se transformando em mercadoria antes mesmo da eclosão da Revolução Industrial. Para que o trabalho se transformasse em mercadoria, foi necessário que o trabalhador fosse desvinculado de seus meios de produção, ficando apenas com sua força de trabalho para vender. Isso aconteceu na Inglaterra, por exemplo, com a expropriação dos camponeses, liberando as terras para a produção da lã. Esses camponeses e outras milhares de pessoas sem trabalho foram obrigados a se deslocar para as cidades. Esses dois fatores foram indispensáveis para a indústria têxtil, ou seja, foi possível dispor de muita matéria-prima e, ao mesmo tempo, de um exército de pessoas que possuíam apenas sua força de trabalho para vender. Diante deste contexto, surgem pessoas que conseguem acumular riquezas e ter dinheiro nas mãos para aplicar em empreendimentos voltados à fabricação de mercadorias em outra escala de produção e com outra finalidade: vender no mercado. Assim, pouco a pouco, ao trabalhador acabou restando apenas sua força de trabalho para oferecer. ENTENDA o “mundo do trabalho” e suas exigências. CMAIS.com, 19 abr. 2011. Disponível em: http://cmais.com.br/entenda-o-mundo-do-trabalho-e-suas-exigencias. Acesso em: 1 nov. 2014. Trabalho precisa de mais amor? Confira o artigo comentado anteriormente, de Ana Carolina Rodrigues, na íntegra: RODRIGUES, Ana Carolina. Trabalho precisa de amor? Exame.com, 28 ago. 2014. Disponível em: http://goo.gl/OG3wM4. Acesso em: 2 nov. 2014. Saiba Mais! O trabalho não é mercadoria! Viver para trabalhar ou trabalhar para viver? Viver sem trabalhar ou trabalhar sem viver? Estes dilemas atravessam os tempos. Agora, mais do que outrora, http://cmais.com.br/entenda-o-mundo-do-trabalho-e-suas-exigencias http://goo.gl/OG3wM4 © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 6 A Concepção Protestante Puritana do Trabalho Se houve transformações na própria maneira de produzir mercadorias, alterando a divisão social do trabalho e toda a estrutura da produção, houve também mudança na maneira de pensar a respeito do ato de trabalhar. A Reforma Protestante propunha um novo significado para o trabalho que passava a ser visto como uma prática de virtude. Trabalhar arduamente levava ao êxito na vida material, o que era considerado uma expressão das bênçãos divinas sobre os homens. Ao cristão protestante era permitido alcançar riqueza, mas esta deveria ser reinvestida no trabalho para gerar mais oportunidades para outras pessoas trabalharem também. A concepção protestante puritana em relação ao trabalho acabou criando um contexto conveniente à burguesia comercial e depois à industrial, que precisava de trabalhadores dedicados e tolerantes em relação às condições precárias de trabalho e aos baixos salários. Trabalho e Capitalismo O aparecimento das máquinas, como consequência dos avanços tecnológicos, revolucionou o modo de produzir mercadorias: surgiram as fábricas, configurando o contexto da Revolução Industrial entre 1820 e 1840. O trabalhador não precisava ter um conhecimento específico sobre algum ofício. Sua relação com a máquina era basicamente ligá-la, manuseá-la e regulá-la. A concepção era: sendo um operador de máquinas eficiente, seria um trabalhador produtivo. O tear automático, inventado por Edmund Cartwright (TOMAZI, 2000, p. 50), substituiu os tecelões por trabalhadores com pouca qualificação e baixos salários. Foi deste contexto são centrais porque a globalização neoliberal está colocando o trabalho na gaveta do capital. Trata o trabalho como uma mercadoria, igual à terra, à água, à energia etc. BENINCÁ, Dirceu. O trabalho não é mercadoria! Jornal Mundo Jovem, edição 406, p. 11, maio de 2010. Disponível em: http://goo.gl/qmU1rf. Acesso em: 7 nov. 2014. http://goo.gl/qmU1rf © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 7 que surgiram debates sobre o conflito entre trabalho e capital, que originava o processo de exploração do trabalhador. A questão da exploração do trabalhador pelos capitalistas foi profundamente analisada por Karl Marx, no século XIX. Foi ele quem concebeu o conceito de mais-valia. Trata-se de um termo que explica o acúmulo de capital por meio do pagamento de salários inferiores em relação ao valor do que era produzido pelo trabalhador. O aperfeiçoamento contínuo dos sistemas produtivos deu origem a uma divisão de trabalho detalhada e encadeada, o que resultou, inclusive, na diminuição de horas de trabalho.Esta forma de organização do trabalho passou a ser chamada de fordismo, pois foi Henry Ford quem estruturou a produção em sua fábrica de automóveis. Esse modelo foi seguido por muitas outras indústrias, a ponto de representar uma nova etapa da produção capitalista. Iniciava-se, assim, o que muitos chamaram de a Era do Consumismo, ou seja, a produção em massa para o consumo em massa. Esse processo disseminou-se e atingiu quase todos os setores produtivos das sociedades industriais. Em paralelo às mudanças introduzidas por Henry Ford, já existiam as propostas de Frederick Taylor, que propunha a aplicação de princípios científicos na organização do trabalho, buscando maior racionalização do processo produtivo. Destacamos o papel de Ford e Taylor nesta época do capitalismo, mas também devemos mencionar dois outros elementos, externos à fábrica, que atuavam neste contexto: o Estado, criando mecanismos financeiros e legais, e o movimento sindical, que, nos Estados Unidos, transformaram-se em grandes estruturas administrativas que articulavam entre capitalistas, trabalhadores e Estado. A partir da década de 1970, desenvolveu-se uma nova fase no processo produtivo capitalista chamada de pós-fordismo ou de acumulação flexível, pois marcava um confronto direto com a rigidez do fordismo. Novos setores de produção surgiram, assim como novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros e novos mercados. Surgiu, também, um grande movimento no emprego do chamado setor de serviços. Também surgiram indústrias novas em novas regiões, até então subdesenvolvidas. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 8 O Trabalho na Era do Conhecimento Enfim, chegamos ao século XXI, e muitos estudiosos constatam que já não vivemos mais na Era Industrial, e sim na Era do Conhecimento. Em apresentação do programa Café Filosófico, da TV Cultura, o Prof. Marcos Cavalcanti, Professor da UFRJ, afirma que fomos educados pela sociedade industrial, mas vivemos na sociedade do conhecimento, o que nos traz alguns problemas em relação a como enfrentamos os desafios dessa nova era. Muitas corporações atuais ainda gerenciam seus negócios sem pensar em agregar conhecimento e serviços aos bens tangíveis que produzem. Cavalcanti aponta que mais da metade das exportações norte-americanas corresponde a bens intangíveis, ou seja, produtos como software, filmes, músicas, programas de televisão e consultorias. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, cuja sigla é OCDE, declarou que, em 2000, 55% da riqueza gerada no mundo já vinha do conhecimento. Saiba Mais! O trabalho na balança de valores Desprezado e enaltecido no plano moral, o trabalho passou por transformações conceituais decisivas, cuja história, da Antiguidade ao mundo pós-industrial, ainda está longe de ter um fim. ALBORNOZ, Suzana. O trabalho na balança dos valores. Revista Cult, edição 139, 2010. Disponível em: http://goo.gl/HQ2Xf4. Acesso em: 2 nov. 2014. Saiba Mais! Conhecimento: o diferencial no mercado de trabalho Para ser competitivo hoje é necessário saber aliar conhecimento com aplicabilidade. Destaca-se o profissional que busca soluções inovadoras e eficientes para os negócios da organização, que possui uma visão ampla da http://goo.gl/HQ2Xf4 © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 9 Vimos como a relação entre as pessoas e o trabalho foi se transformando ao longo do tempo. Percebemos, também, que essas transformações não aconteceram da noite para o dia, e, sim, resultaram de frequentes rupturas de modelos preestabelecidos. Apesar de tantas mudanças, algumas coisas ainda parecem ser as mesmas, como as diferenças sociais, o acúmulo de riqueza por alguns poucos grupos, a submissão da maioria à necessidade de vender suas horas de trabalho. Seja qual for o viés que utilizemos para discutir as questões das relações humanas no trabalho de nossa contemporaneidade, vamos sempre nos deparar com as questões de uma sociedade capitalista e voltada para o consumo. Acumulação flexível: também conhecida como Toyotismo, é um modelo de produção industrial idealizado por Eiji Toyoda (1913-2013) e difundido pelo mundo a partir da década de 1970, após sua aplicação pela fábrica da Toyota, empresa japonesa que despontou como uma das maiores empresas do mundo na fabricação de veículos automotivos. A característica principal desse modelo é a flexibilização da produção, ou seja, em oposição à premissa básica do sistema anterior ‒ o fordismo, que defendia a máxima acumulação dos estoques ‒, o toyotismo preconiza a adequação da estocagem dos produtos conforme a demanda. Assim, quando a procura por determinada mercadoria é grande, a produção aumenta, mas, quando essa procura é menor, a produção diminui proporcionalmente (PENA, s.d.). Bens tangíveis: são bens que podemos tocar. Um caderno, uma caneta, por exemplo, são bens tangíveis. Ao contrário, os bens intangíveis não podem ser tocados. A aula, por exemplo, é um bem intangível. É bastante importante que um negócio agregue tangibilidade a seus bens intangíveis e agregue intangibilidade a seus bens tangíveis, ou empresa e do seu trabalho por meio de um conhecimento global, o que o torna um multiespecialista. COELHO, Cinthia. Conhecimento: o diferencial no mercado de trabalho. Revista Ietec, n. 26, jun./ago. 2009. Disponível em: http://goo.gl/CT9kfg. Acesso em: 2 nov. 2014. http://goo.gl/CT9kfg © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 10 seja, ao vender um carro (que é um bem tangível), a montadora também disponibiliza o serviço de manutenção (que é um bem intangível) a seu cliente. Por outro lado, quando uma empresa de consultoria vende uma palestra (que é um bem intangível), ela também pode oferecer apostilas (que são bens tangíveis) a seu público. Fortune: estudos sobre as empresas mais admiradas, realizados pela Revista Fortune, envolvem pesquisa junto a executivos seniores e diretores de empresas legítimas, além de analistas financeiros, com a finalidade de determinar as empresas que apresentam as reputações mais sólidas dentro de seus setores e em todos os setores (EMPRESAS..., s.d.). Reforma Protestante: a Reforma Protestante foi apenas uma das inúmeras Reformas Religiosas ocorridas após a Idade Média e que tinham como base, além do cunho religioso, a insatisfação com as atitudes da Igreja Católica e seu distanciamento com relação aos princípios primordiais. Durante a Idade Média, a Igreja Católica tornou-se muito mais poderosa, interferindo nas decisões políticas e juntando altas somas em dinheiro e terras, apoiada pelo sistema feudalista. Desta forma, ela se distanciava de seus ensinamentos e caía em contradição, chegando mesmo a vender indulgências (o que seria o motivo direto da contestação de Martinho Lutero, que deflagrou a Reforma Protestante, propriamente dita), ou seja, a Igreja pregava que qualquer cristão poderia comprar o perdão por seus pecados. Outro fator que contribuía para a ocorrência das Reformas foi o fato de que a Igreja condenava abertamente a acumulação de capitais (embora ela mesma o fizesse). Logo, a burguesia ascendente necessitava de uma religião que a redimisse dos pecados da acumulação de dinheiro. Junto a isso, havia o fato de que o sistema feudalista estava agora dando lugar às Monarquias nacionais, que começavam a despertar na população o sentimento de pertencimento e colocavama Nação e o rei acima dos poderes da Igreja. Desta forma, Martinho Lutero, monge agostiniano da região da saxônia, deflagrou a Reforma Protestante ao discordar publicamente da prática de venda de indulgências pelo Papa Leão X. (FARIA,s.d.) Setor de Serviços: também conhecido por setor terciário, é aquele que engloba as atividades de serviços e comércio de produtos. É um dos três setores da economia, sendo os outros dois o Setor Primário (agricultura, extração mineral etc.) e o Setor Secundário (industrialização). Os serviços são definidos na literatura econômica moderna como “bens intangíveis”. O Setor Terciário envolve as provisões de serviços tanto para outros negócios http://www.infoescola.com/historia/reforma-protestante/ http://www.infoescola.com/historia/feudalismo/ http://www.infoescola.com/historia/reforma-protestante/ http://www.infoescola.com/historia/reforma-protestante/ http://www.infoescola.com/biografias/papa-leao-x/ http://www.infoescola.com/economia/setor-terciario/ http://www.infoescola.com/economia/setor-primario/ http://www.infoescola.com/economia/setor-secundario/ http://www.infoescola.com/economia/setor-terciario/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 11 como para consumidores finais. Estes podem estar envolvidos como transportes, vendas e distribuição de bens dos produtores aos consumidores; podem ser também de outros serviços não ligados diretamente ao produto final, como controle de pragas e entretenimento. Os bens podem ser transformados também, como acontece em um restaurante ou em uma eletrônica. Assim, o foco está na interação entre pessoas, proporcionando um produto ou serviço que satisfaça os anseios de quem o(s) demandou (GIRARDI, s.d.). Trabalho: pode-se definir trabalho, de acordo com o Dicionário do Pensamento Social do Século XX, como o “esforço humano dotado de um propósito e que envolve a transformação da natureza através do dispêndio de capacidades físicas e mentais”. Portanto, trabalho é toda atividade na qual o ser humano utiliza sua energia física e psíquica para satisfazer suas necessidades ou para atingir determinado fim, sendo elemento essencial da relação dialética entre o homem e a natureza, entre o saber e o fazer, entre a teoria e a prática. (MAGALHÃES; MAIA; MAZZOTTI, 2009). Instruções Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente- se para o que está sendo pedido. Questão 1 “Seria alentador abordar o trabalho como meio de vida e de conquista da dignidade humana. Poder divisar o alívio do esforço/sofrimento no trabalho em face dos avanços tecnológicos e do conhecimento científico na história da humanidade. Contudo, o que se constata no mundo real do trabalho é um distanciamento crescente entre práticas organizacionais e direitos sociais conquistados. É o paradoxo que encerra o trabalho http://www.infoescola.com/economia/setor-terciario/ http://www.infoescola.com/sociologia/entretenimento/ http://www.infoescola.com/economia/setor-terciario/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 12 contemporâneo: sua combinação com precarização social, com adoecimento dos indivíduos e destruição ambiental”. (FRANCO, T.; DRUCK, G.; SILVA, E. S. As novas relações de trabalho, o desgaste mental do trabalhador e os transtornos mentais no trabalho. Rev. Bras. Saúde Ocup., São Paulo, v. 35, n. 122, p. 229-248, 2010) Podemos concluir, a partir do texto apresentado, que: I. O paradoxo do trabalho contemporâneo está no adoecimento dos indivíduos por causa da destruição ambiental. II. Os avanços da tecnologia e do conhecimento científico não ajudaram a reduzir o sofrimento causado pelo trabalho. III. Nem sempre os direitos conquistados pela sociedade são contemplados pela organização. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 2 Analise as afirmações que se apresentam e avalie cada uma como Verdadeira (V) ou Falsa (F): I. O trabalho tornou-se mercadoria a partir do momento em que o trabalhador já não tinha mais posse sobre os meios de produção e lhe sobrava apenas sua própria força de trabalho para oferecer. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 13 II. A burguesia beneficiou-se da concepção protestante puritana do trabalho, porque, a partir dela, o lucro podia ser visto como o fruto do trabalho que era abençoado. III. A divisão de trabalho detalhada e encadeada resultou no aumento de horas de trabalho. IV. Uma das práticas do chamado toyotismo determinava o aumento da produção, quando a procura por determinada mercadoria era grande, e sua diminuição, quando essa procura era menor. Assinale a alternativa que dispõe a correta avaliação que você fez: a) I=V; II=V; III=F; IV=V. b) I=V; II=F; III=F; IV=V. c) I=V; II=V; III=V; IV=F. d) I=F; II=V; III=F; IV=V. e) I=F; II=V; III=V; IV=F. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 3 I. A globalização e a tecnologia aumentam a complexidade do ambiente de trabalho. PORQUE II. Com a internet, os clientes têm mais informações e opções sobre o que e como comprar, e mercados distantes substituíram os locais em alguns setores. Analisando as afirmações, conclui-se que: a) As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira. b) As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 14 c) A primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa. d) A primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira. e) As duas afirmações são falsas. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 4 Alguns estudiosos afirmam que ter um trabalho que propicie prazer é positivo tanto para o empregado como para o empregador. Levando isso em consideração, responda: 1. Que benefícios profissionais adquire um trabalhador que sente prazer com o que faz? Explique sua resposta. 2. Que vantagens o empregador alcança com empregados mais felizes no trabalho? Explique sua resposta. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 5 Autores afirmam que vivemos em uma sociedade do conhecimento. O que caracteriza a sociedade do conhecimento? Quais são as oportunidades e as ameaças que esse tipo de sociedade propicia nas relações humanas no trabalho? Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Este quarto tema trouxe à tona discussões sobre a relação homem/trabalho. Vimos a trajetória que o significado de trabalho percorreu até os dias de hoje e pudemos refletir sobre a dualidade que ele carrega: o trabalho como tortura e o trabalho como realização profissional. Também tivemos a oportunidade de conhecer como o trabalho virou mercadoria, a concepção protestante frente ao trabalho, o caráter capitalista do trabalho contemporâneo e o trabalho na Era do Conhecimento. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reproduçãofinal ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 15 Este tema nos deu alguns fundamentos para entendermos como e por que as relações humanas no mundo do trabalho chegaram ao que são hoje e também nos ajudará a refletir sobre discussões éticas neste contexto. ALBORNOZ, Suzana. O trabalho na balança dos valores. Revista Cult, edição 139, 2010. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/o-trabalho-na-balanca-dos-valores/. Acesso em: 2 nov. 2014. BALTHAZAR, Luci Endson. Afinal, é trabalho ou tripalium? 10 jun. 2013. Disponível em: http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/afinal-e-trabalho-ou-tripalium/76747/. Acesso em: 3 nov. 2014. . BENINCÁ, Dirceu. O trabalho não é mercadoria! Jornal Mundo Jovem, edição 406, p. 11, maio de 2010. Disponível em: http://www.mundojovem.com.br/artigos/o-trabalho-nao-e- mercadoria. Acesso em: 7 nov. 2014. CAVALCANTI, Marcos. Desafios contemporâneos: o trabalho. Café Filosófico, 1 dez. 2009. Disponível em: http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/01/integra-desafios-contemporaneos-o- trabalho-marcos-cavalcanti/. Acesso em: 1 nov. 2014. EMPRESAS mais admiradas segundo a revista Fortune. Disponível em: http://goo.gl/Ta9yAz. Acesso em: 1 nov. 2014. ENTENDA o “mundo do trabalho” e suas exigências. CMAIS.com, 19 abr. 2011. Disponível em: http://cmais.com.br/entenda-o-mundo-do-trabalho-e-suas-exigencias. Acesso em: 1 nov. 2014. FARIA, Caroline. Reforma Protestante. Disponível em: http://www.infoescola.com/historia/reforma-protestante/. Acesso em: 3 nov. 2014. http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/o-trabalho-na-balanca-dos-valores/ http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/afinal-e-trabalho-ou-tripalium/76747/ http://www.mundojovem.com.br/artigos/o-trabalho-nao-e-mercadoria http://www.mundojovem.com.br/artigos/o-trabalho-nao-e-mercadoria http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/01/integra-desafios-contemporaneos-o-trabalho-marcos-cavalcanti/ http://www.cpflcultura.com.br/wp/2009/12/01/integra-desafios-contemporaneos-o-trabalho-marcos-cavalcanti/ http://goo.gl/Ta9yAz http://cmais.com.br/entenda-o-mundo-do-trabalho-e-suas-exigencias http://www.infoescola.com/historia/reforma-protestante/ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 16 GIRARDI, Edson C. Setor Terciário. Disponível em: http://www.infoescola.com/economia/setor- terciario/. Acesso em: 3 nov. 2014. MAGALHÃES, Edith Maria Marques; MAIA, Helenice; MAZZOTTI, Alda Judith Alves. Representações sociais de trabalho docente por professores de curso de pedagogia. 2009. 20 p. Trabalho Simpósio ‒ Estácio de Sá, Rio de Janeiro, 2009. MATOS, Francisco Gomes de. Ética na gestão empresarial: da conscientização à ação. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. MENDES, G. O trabalho dignifica o homem. O Nacional.com, 1 maio 2013. Disponível em: http://www.onacional.com.br/geral/cidade/37224/0+trabalho+dignifica+o+homem. Acesso em: 1 nov. 2014. PENA, Rodolfo F.A. Toyotismo. Disponível em: http://www.mundoeducacao.com/geografia/toyotismo.htm. Acesso em: 3 nov. 2014. RODRIGUES, Ana Carolina. Trabalho precisa de amor? Exame.com, 28 ago. 2014. Disponível em: http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/noticias/trabalho-precisa-de-amor. Acesso em: 2 nov. 2014. RODRIGUES, Sérgio. Trabalho, tortura e outras lutas: viva o Primeiro de Maio. Veja.com, 1 maio 2012. Disponível em: http://goo.gl/UcqyZO. Acesso em: 1 nov. 2014. SANTOS, K. Trabalho como conceito filosófico. Revista Filosofia. Disponível em: http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/42/artigo290788-1.asp. Acesso em: 2 nov. 2014. TOMAZI, Nelson D. Iniciação à sociologia. 2. ed. São Paulo: Atual, 2000. ULRICH, Dave; ULRICH, Wendy. Por que trabalhamos: como grandes líderes constroem organizações comprometidas que vencem. Porto Alegre: Bookman, 2011. http://www.infoescola.com/economia/setor-terciario/ http://www.infoescola.com/economia/setor-terciario/ http://www.onacional.com.br/geral/cidade/37224/0%2Btrabalho%2Bdignifica%2Bo%2Bhomem http://www.mundoeducacao.com/geografia/toyotismo.htm http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/noticias/trabalho-precisa-de-amor http://goo.gl/UcqyZO http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/42/artigo290788-1.asp © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 17 Questão 1 Resposta: Alternativa D. Esta questão tem a pretensão de exigir do aluno paciência com a leitura e o desenvolvimento da interpretação do texto. A afirmação I está incorreta porque o paradoxo do trabalho contemporâneo (mencionado no texto) está no fato de que, mesmo diante de altas tecnologias e de avançadas descobertas da ciência, o ser humano ainda continua sofrendo com a precarização social, o adoecimento e a destruição do meio ambiente. Questão 2 Resposta: Alternativa A. As ideias das quatro afirmações estão no próprio conteúdo deste tema. Devemos ressaltar que o item III é falso porque afirma exatamente o contrário do que deveria ser: a divisão de trabalho detalhada e encadeada resultou na diminuição de horas de trabalho. Questão 3 Resposta: Alternativa A. Esta questão pretende resgatar um conhecimento que, na verdade, já deve ter sido absorvido pelo aluno com a própria multidisciplinaridade oferecida pelo curso. Questão 4 Para a resposta, espera-se que o estudante traga à tona reflexões sobre a relação do bem- estar do funcionário com aquilo que faz e a quantidade/qualidade de sua produção. Para ele mesmo, os benefícios são: a preservação de sua saúde, realização e reconhecimento profissionais; para o empregador, maior produtividade e menores custos. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 18 Questão 5 Esta questão exigirá do estudante autonomia de estudo na busca de informações complementares. A sociedade do conhecimento é caracterizada pelo importante papel das novas tecnologias, por exemplo, as tecnologias da comunicação e a biotecnologia. Muito mais pessoas, em relação a períodos históricos anteriores, têm muito mais acesso a muito mais informações. As experiências humanas são aceleradas: o que valia ontem já não valerá mais hoje. A vantagem nas relações humanas no trabalho pode estar ligada às oportunidades de desenvolver melhor as competências profissionais, e as ameaças estão no distanciamento e “esfriamento” entre as pessoas. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 1 Olá! Seja bem-vindo(a) à quinta aula da disciplina Ética e Relações Humanas no Trabalho. Nesta aula, convidamos você para mergulhar no mundo corporativo e compreender o ambiente em que as relações humanas desenvolvem seus códigos de conduta no trabalho. Você já deve ter se deparado com os mais diversos termos que se referem a empresas, não é mesmo? Entre eles, podemos citar: organizações, corporações, instituições, empreendimentos, negócios, entre tantos outros. Para esta aula, não vamos considerar qualquer diferença entre esses termos. Ao ler qualquer um deles, você deverá entender a mesma coisa: uma empresa, como essas que já conhecemos, seja qual for sua dimensão, seu setor de atuação, seu ramo de negócio, sua nacionalidade,com ou sem fins lucrativos, do passado ou do presente, pública ou privada. Mesmo que você não tenha passado pela experiência de ser funcionário(a) de uma empresa, elas fazem parte de sua vida, fornecendo crédito financeiro, refeições, entretenimento, consultas médicas, eletrodomésticos, aulas, ajuda social, entre tantos outros produtos e serviços. Por se tratar de uma entidade que reúne pessoas que se inter-relacionam, questões éticas e morais são inevitáveis nas corporações. E é exatamente por isso que estudaremos este universo neste tema. Como citar este material: FREGNI, Carla Patrícia. Ética e Relações Humanas no Trabalho: O Mundo Corporativo. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 2 Nome | As Características das Organizações Na composição deste tema, contaremos com a ajuda do autor Reinaldo Dias que, em sua obra Sociologia das Organizações (2008, p. 25-26), expõe alguns conceitos que nos serão úteis. Podemos encontrar variadas definições para organização. Depois de pesquisar o que dizem alguns autores como Peter Drucker, Anthony Giddens, Herbert Simon, Robert Srour, Amitai Etzioni, entre outros, Reinaldo Dias chegou a sete características gerais das organizações: 1. As organizações são sistemas sociais, ou seja, possuem regras preestabelecidas que ditam como devem ocorrer os relacionamentos cotidianos para que os objetivos sejam alcançados. 2. As organizações compreendem grupos de pessoas associadas que buscam atingir objetivos em comum por meio de relações formalizadas, e, quando necessário, qualquer membro pode ser substituído sem que haja risco à sobrevivência da entidade. 3. As organizações podem perdurar muito mais tempo do que os próprios indivíduos que a criaram. 4. As organizações são universais, isto é, podem existir em qualquer lugar em que seja necessária uma atividade coletiva para se atingir determinados objetivos. 5. As organizações apresentam identidade própria, traduzida pela forma como se relacionam com outras organizações ou outras pessoas. 6. As organizações apresentam um sistema de comunicação que é responsável pela regulação das relações entre os indivíduos e pelo controle social da direção sobre o trabalho executado nos diversos setores da organização. Devemos considerar, também, a existência de um sistema informal de comunicação, uma vez que há inúmeros grupos informais que coexistem com a estrutura formal da organização. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 3 Nome | 7. As organizações multiplicam a capacidade individual por meio da divisão do trabalho. Em outras palavras: processos executados por diferentes pessoas fazem que haja o aumento da eficiência e a produção de melhores resultados do que a soma dos trabalhos individuais. As sete características, elaboradas por Dias (2008, p. 25-26), podem ser aplicadas tanto a tribos indígenas como às grandes corporações do Vale do Silício. Por isso mesmo, ele as definiu como características gerais. Esta disciplina deverá focar seus debates em três tipos de organizações, divididos, atualmente, da seguinte forma (DIAS, 2008, p. 31): Saiba Mais! Os desafios do RH com mão de obra para a construção civil Construtora oferece três programas de seleção e formação para obter o melhor time. Confira! PUGLIESI, Nataly. Os desafios do RH com mão de obra para a construção civil. Você RH, 3 abr. 2014. Disponível em: http://goo.gl/pjxEQB. Acesso em: 5 nov. 2014. Investir em comunicação com os funcionários pode aumentar os lucros A comunicação interna, nas organizações, gera redução da rotatividade de funcionários, aumento da produtividade e maior índice de satisfação e fidelização do consumidor final. Leia o artigo da jornalista Carolina Cassiano e compreenda o que atualmente é chamado de endomarketing. CASSIANO, Carolina. Endomarketing: solução caseira. Disponível em: http://goo.gl/HnF5nd. Acesso em: 4 nov. 2014. http://goo.gl/wmj66d http://goo.gl/pjxEQB http://goo.gl/pjxEQB http://goo.gl/HnF5nd © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 4 Nome | As sete características, elaboradas por Dias (2008, p. 25-26), podem ser aplicadas tanto a tribos indígenas como às grandes corporações do Vale do Silício. Por isso mesmo, ele as definiu como características gerais. Esta disciplina deverá focar seus debates em três tipos de organizações, divididos, atualmente, da seguinte forma (DIAS, 2008, p. 31): 1) Organizações Públicas: criadas para solucionar questões ligadas ao bem comum. 2) Organizações Privadas: criadas para atender o interesse privado em sua dimensão econômica. 3) Organizações do 3º Setor: criadas para atender interesses privados (de conteúdo não econômico) ou interesses comuns a certos setores da população que não encontram soluções na administração pública. Exemplos desse tipo de organização são as ONGs, fundações, organizações filantrópicas, entre outros. As organizações devem ser vistas como agentes sociais, uma vez que influenciam e determinam a vida de outros agentes (coletivos e individuais). Algumas intervenções sociais das organizações são mencionadas por Reinaldo Dias (2008, p. 29): 1. Criação do mercado de trabalho. 2. Contribuição para a estratificação social. 3. Intervenção no meio ambiente, do qual toma seus recursos. 4. Produção de mercadorias, movimentando a economia. http://goo.gl/HnF5nd © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 5 Nome | Ambientes Organizacionais As organizações não só agem sobre a sociedade, como também recebem influência dela. As teorias da administração nos ensinam que uma empresa está imersa em um ambiente com diversos elementos que interferem em seu dia a dia e que também são influenciados por ela. Seu ambiente externo é dividido em dois: microambiente (composto por fornecedores, compradores e clientes) e macroambiente (composto pela sociedade, pela política, pela economia, pela tecnologia, entre outros). É desta dinâmica que surge a abordagem das organizações como sistemas abertos: uma empresa é parte de um todo cujas partes interagem entre si (interatuantes) e dependem umas das outras (interdependentes). Devemos compreender que a própria empresa é um todo cujas partes internas (como sua área financeira, de produção, de marketing, de RH e outras) também são interatuantes e interdependentes. Há um termo, muito aplicado por profissionais na área de gestão, que é: stakeholders. Essa palavra inglesa refere-se a todos os públicos que fazem parte dos ambientes interno e externo de uma corporação. Conviver bem com esses públicos é importante para a empresa que pretende alcançar seus resultados. Organizações que pretendem alcançar sucesso estão sempre atentas às expectativas de seus stakeholders. Em artigo da Harvard Business School Press (apud KLUYVER, 2012, p. 9), Marco Iansiti comparou este contexto organizacional ‒ em que empresas recorrem a redes de parcerias para obter sucesso sustentável – a um ecossistema biológico. Daí surgiu a expressão ecossistema de negócios, em que as empresas alcançam êxito ou fracasso como um todo, uma vez que as partes desse todo estão interligadas. Após esta construção conceitual que fizemosa respeito das organizações e do contexto em que atuam, fica fácil deduzir como é importante a questão da ética empresarial para a sustentação desse ecossistema de negócios. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 6 Nome | Ética e Ecossistema de Negócios O modo de atuação de uma empresa interfere em todo o ambiente em que ela está inserida; portanto, ela poderá prejudicar o funcionamento do ecossistema de negócios quando agir de má-fé ou quando tomar decisões que poderão prejudicá-lo. Quando uma empresa divulga seu código de conduta e não o respeita na prática, todos seus relacionamentos dentro do ecossistema de negócios poderão ruir! Em outras palavras: uma empresa que não é ética compromete sua longevidade e também a de seus parceiros de negócios. Francisco Gomes de Matos, em sua obra Ética na Gestão Empresarial (2012), afirma que hoje, mais do que antes, a ética é uma questão de sobrevivência para as empresas. A ética transformou-se em um forte diferencial de qualidade Saiba Mais! Empresas válidas Segundo Arantes (2012), o lucro que as empresas alcançam como consequência de objetivos altruístas nada mais é do que a premiação e o meio de perpetuação do bem-estar que promovem na sociedade. Esta obra desperta reflexões importantes sobre o papel das organizações no contexto em que vivemos hoje ‒ com relações humanas fragilizadas e meio ambiente em risco de colapso. ARANTES, Nélio. Empresas válidas: como elas alcançam resultados superiores ao servirem a sociedade. São Paulo: Évora, 2012. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 7 Nome | e de conceito público. Uma imagem institucional positiva e o respeito que a corporação demonstra pelo meio ambiente, por exemplo, são fatores muito valorizados pelos consumidores atuais. Saiba Mais! As 10 práticas de Responsabilidade Social Empresarial que os consumidores mais valorizam Pesquisa realizada pelo Instituto Akatu aponta quais são as práticas de Responsabilidade Social Empresarial que os consumidores brasileiros mais valorizam nas companhias e alerta: apenas 8% da população diz acreditar nas informações de RSE que as empresas divulgam atualmente. SPITZCOVSKY, Débora. As 10 práticas de RSE que os consumidores mais valorizam. Revista Planeta Sustentável, 26 abr. 2013. Disponível em: http://goo.gl/GoW24q. Acesso em: 4 nov. 2014. Fonte: Fábrica da Kimberly-Clark, no interior de São Paulo: em 2015, a caldeira movida a gás natural será substituída por uma a biomassa. Movidas a Energia Verde Em 2015, entrará em operação em uma das cinco fábricas da Kimberly-Clark, fabricante de artigos de higiene pessoal, como lenços de papel e fraldas descartáveis, uma caldeira movida a biomassa. VIEIRA, Renata. Movidas a energia verde. Exame.com, 1 nov. 2014. Disponível em: http://goo.gl/1VQXFx. Acesso em: 4 nov. 2014. http://goo.gl/GoW24q http://goo.gl/1VQXFx © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 8 Nome | Quando uma empresa decepciona seu público-alvo, suas vendas caem e ela pode não sobreviver. A empresa que consegue enxergar a conduta ética, como forma de manter seus negócios a longo prazo, demonstra ter visão de futuro e consciência de que faz parte de um sistema: se ela o prejudicar, também poderá sair prejudicada. Já mencionamos que a ética está intimamente ligada a questões culturais, não é mesmo? Então, podemos imaginar como são importantes as adaptações das regras de conduta entre as filiais de uma multinacional. O que é aceito como normal em um país pode ser encarado como escândalo em outro. O ecossistema de negócios é algo bastante complexo, dinâmico e, na maioria das vezes, imprevisível. Atualmente, então, mais do que nunca! A globalização tem trazido grandes desafios ao mundo corporativo. Uma empresa que atue de forma global pode extrair sua matéria-prima de um país, tocar sua produção em outro país e concentrar suas vendas em um terceiro país! As decisões das organizações de hoje são tomadas com urgência e atingem dimensões que ultrapassam os limites geográficos em que as empresas-mãe atuam. Ética do Lucro Matos (2012, p. 13), mencionado anteriormente, criou o conceito de Ética do Lucro, cujas bases seriam quatro condições essenciais e simultâneas em um empreendimento: 1. Lucro aplicado na renovação contínua da empresa. 2. Lucro aplicado à retribuição societária. 3. Lucro aplicado em salários justos. 4. Lucro aplicado em ações de solidariedade social. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 9 Nome | Saiba Mais! A renovação empresarial e os líderes dos novos tempos As empresas não crescem para sempre. A velocidade das mudanças no mundo moderno introduziu a incerteza como fator preponderante na sociedade em que vivemos. Essa incerteza reduz o tempo de reação, e o sucesso depende cada vez mais da adaptabilidade a essas mudanças. ALVAREZ FILHO, Jose Ruy. A renovação empresarial e os líderes dos novos tempos. Revista Digital, s/d. Disponível em: http://goo.gl/Fy4t5w. Acesso em: 5 nov. 2014. Benefícios fazem toda diferença nas 150 melhores empresas Segundo um estudo realizado pelo instituto de Ensino e Pesquisa Insper, em conjunto com a Hays, consultoria especializada em remuneração e benefícios, apenas 20% dos candidatos estão interessados no valor do salário. Para 90% deles são os recursos não financeiros que os mantêm na companhia ou os fazem considerar uma nova proposta. SENDIN, Tatiana. Benefícios fazem toda diferença nas 150 melhores empresas. Revista Você S.A., 12 set. 2013. Disponível em: http://goo.gl/tjwqbL. Acesso em: 5 nov. 2014. A proposta de Matos (2012) é bem pertinente. No entanto, muitas vezes, a organização se vê diante de interesses conflitantes entre seus stakeholders. Vamos analisar o seguinte exemplo: tanto os acionistas como os consumidores são stakeholders de uma organização. Os interesses dos acionistas giram em torno de obter o máximo de retorno sobre os investimentos que fez na empresa. Os interesses dos consumidores giram em torno de obter o máximo de benefícios dos produtos/serviços comprados pelo melhor preço. Ao baixar os preços para satisfazer os consumidores, a empresa desagrada os acionistas, e, ao aumentar os preços para agradar os acionistas, a empresa desagrada os consumidores. http://goo.gl/Fy4t5w http://exame.abril.com.br/topicos/insper http://exame.abril.com.br/topicos/remuneracao http://goo.gl/tjwqbL © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 10 Nome | É claro que esse é um exemplo bastante simplificado, mas ilustra o que gostaríamos de mostrar: o grande desafio que as organizações enfrentam ao tentar conciliar sua rede de relações, sua conduta ética e sua longevidade. O Contexto Organizacional Contemporâneo Srour, em sua obra Casos de ética empresarial (2011), propõe uma figura que nos permite visualizar o contexto contemporâneo das organizações. Figura 5.1 O contexto contemporâneo. Fonte: SROUR, Robert H. Casos de Ética Empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. p. 33 O autor destacaquatro grandes forças no contexto contemporâneo: a Revolução digital; o Capitalismo mundial competitivo; a habitabilidade do planeta em risco; e a Vulnerabilidade ampliada das empresas. Conforme propõe a figura, cada força tem suas características específicas: 1. A Revolução digital é marcada pela tecnologia da informação; pelas telecomunicações em tempo real; e pela desmaterialização da economia. 2. O capitalismo mundial competitivo é caracterizado pela globalização econômica com produção mundial e pelo sistema financeiro planetário. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 11 Nome | 3. A habitabilidade do planeta em risco é marcada pela valorização da ecologia; pela mudança climática; e pela escassez de recursos naturais. 4. A vulnerabilidade ampliada das empresas caracteriza-se por regimes políticos liberais; por uma mídia plural e investigativa; e pelo poder de decisão do cliente. Saiba Mais! A era das fábricas inteligentes está começando A indústria automobilística está entre as mais robotizadas do mundo, mas, ainda assim, a unidade mais moderna da BMW, com seus mais de 1 000 robôs, é um caso à parte. Os funcionários, todos de colete azul, acompanham tudo a distância pelas telas de computadores. COSTA, MELINA; STEFANO, Fabiane. A era das fábricas inteligentes está começando. Revista Exame, Seção Notícias, 9 jul. 2014. Disponível em: http://goo.gl/DR438g. Acesso em: 6 nov. 2014. Se a empresa não apresentar uma solução em até 30 dias, ele poderá até desistir da compra Com apenas 5 meses de uso, a geladeira Continental comprada pela engenheira de produção Andrea Cristina Siqueira, de 48 anos, parou de funcionar. Após duas tentativas desastrosas de conserto, em que ela perdeu todos os alimentos, decidiu ir à autorizada. “Deram-me um laudo e falaram para eu pedir a troca à loja. No final, consegui uma de outra marca. Não tive assistência alguma da Continental”. RODRIGUES, Jerusa. Consumidor tem poder de escolha. Estado de São Paulo, Seção São Paulo, 14 out. 2013. Disponível em: http://goo.gl/rDH378. Acesso em: 6 nov. 2014. Está em curso uma maciça migração do eixo dinâmico do capitalismo global para o Oriente Na opinião do economista e cientista Marcos Troyjo, a pólvora foi inventada no Oriente, pelos chineses. O Ocidente a aprimorou. O capitalismo pode ter sido criado no Ocidente, mas é a Ásia que o está redefinindo. TROYJO, Marcos. Pólvora e Capitalismo. Folha de S.Paulo, 10 out. 2014. Disponível em: http://goo.gl/BZ5yul. Acesso em: 06 nov. 2014. http://www.exame.com.br/topicos/autoindustria http://goo.gl/DR438g http://goo.gl/rDH378 http://goo.gl/BZ5yul © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 12 Nome | A Influência da Cultura Organizacional nas Relações Humanas no Trabalho Dias (2008, p. 205) nos apresenta uma explicação muito sensata para a origem de uma cultura organizacional. Ele nos lembra que uma empresa não surge de um processo autônomo, ou seja, ela não nasce do nada. As empresas são criadas por indivíduos (seus fundadores) que mobilizam grupos de pessoas ao redor de objetivos específicos, sabendo que a ação individual não daria conta de atingir tais objetivos. Em sua obra, Dias (2008, p. 205) destaca: Movimentos sociais ou novas religiões começam com profetas, messias ou outro tipo de líder carismático. Grupos políticos são iniciados pelos líderes que apresentam novas visões e novas soluções para os problemas. Empresas são criadas pelos empreendedores que têm uma visão de como o esforço combinado de certo grupo de pessoas pode criar um novo bem ou serviço de mercado. Dias (2008, p. 204-205) cita o autor Schein ao apresentar três fontes das quais se origina a cultura de uma empresa: 1. Crenças, valores e suposições dos fundadores da organização. 2. As experiências adquiridas entre os membros do grupo com a evolução da organização. 3. Novas crenças, valores e suposições trazidos por novos membros e novas lideranças que foram se incorporando à organização ao longo do tempo. Uma corporação, cujos fundadores e colaboradores (funcionários) são nativos da região em que ela é fundada, mantém a essência da cultura regional. Com a expansão da globalização, percebemos que as empresas que atuam mundialmente demonstram uma hibridação (mistura) entre as culturas do seu país de origem e dos países em que atuam. Multinacionais também representam cultura organizacional híbrida. A cultura da fábrica da Toyota, no Brasil, não é, com certeza, a mesma de uma fábrica Toyota no Japão. Não só a cultura regional ou nacional influencia diretamente a cultura de uma empresa. As crenças familiares e religiosas de cada funcionário também compõem a cultura organizacional, assim como pontos de vista específicos, conforme a área da formação profissional. É comum, por exemplo, © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 13 Nome | testemunharmos algumas discussões entre a área financeira e a área de produção, cada uma com sua visão própria em relação às metas corporativas. Nas organizações, existem, de modo geral, sistemas de valores diferentes que competem entre si e que criam um mosaico de realidades organizacionais em lugar de uma cultura corporativa uniforme (DIAS, 2008, p. 206). Robbins (2014, p. 351) explica que as corporações são compostas por cultura e subculturas. A cultura organizacional garante uma unicidade distinta à empresa, ou seja, é configurada por crenças e valores que são adotados ou respeitados pela maioria de seus membros (funcionários). As subculturas exprimem “problemas ou experiências comuns que os membros enfrentam no mesmo departamento ou localização” (ROBBINS, 2014-B, p. 351). O Clima Organizacional Segundo Dias (2008, p. 213), o clima organizacional “se constitui a partir do momento em que os membros se defrontam com as ideias preconcebidas das pessoas sobre o seu local de trabalho e o dia a dia da organização”. As pesquisas de clima organizacional, aplicadas pela área de Recursos Humanos (RH) da empresa, medem o grau de satisfação, as expectativas e as necessidades dos colaboradores de uma organização. É bem provável que você já tenha sentido os efeitos de um clima organizacional. Quando trabalhamos com pessoas cujas atitudes são positivas, Saiba Mais! Natura se destaca em cultura corporativa, diz consultora britânica Uma empresa não é feita apenas de números, resultados e produtividade. Os valores morais e éticos e a postura interna e externa de uma companhia, a chamada cultura organizacional, podem fazer toda a diferença no sucesso dos negócios. CARVALHO, Luciana. Natura se destaca em cultura corporativa, diz consultora britânica. Revista Exame, Seção Negócios, 14 jun. 2010. Disponível em: http://goo.gl/3BxELi. Acesso em: 6 nov. 2014. http://goo.gl/3BxELi © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 14 Nome | somos inspirados a dar nosso melhor, não é mesmo? Mas, quando temos de enfrentar um cotidiano empresarial com grupos medíocres, ficamos totalmente desmotivados... Quando todos possuem o mesmo sentimento geral sobre o que é importante ou quão bem as coisas estão, o efeito dessas atitudes será maior do que a soma das partes individuais. Isso também parece ser uma verdade nas organizações (ROBBINS,2010, p. 505). Climas organizacionais podem ser criados propositalmente ou naturalmente. Também podem não ser notados pela direção da organização. Seja como for, o clima organizacional nasce das relações humanas no trabalho e recai sobre elas, causando danos ou benefícios aos membros da corporação. Efeitos do Cotidiano Corporativo sobre os Membros da Organização Um clima organizacional já instaurado na corporação pode impactar positiva ou negativamente a vida de seus membros. O estresse é considerado um impacto negativo quando compromete a convivência entre os funcionários e os resultados produtivos da corporação. Segundo Robbins (2014-A, p. 427), algumas medidas gerenciais podem diminuir os aspectos problemáticos do estresse: certificar-se de que o funcionário está bem-ajustado ao trabalho; deixar claro o que se espera dele; redefinir as tarefas quando elas estiverem Saiba Mais! Quatro atitudes que mudam o clima da empresa, segundo o Hay Group Durante quatro anos, o Hay Group, consultoria de gestão de negócios, ouviu cerca de 620.000 pessoas, de 135 companhias que operam no Brasil, para descobrir o que pode ou não melhorar o clima organizacional e quais fatores podem colaborar para o engajamento efetivo dos funcionários de uma empresa. BARBOSA Daniela. 04 atitudes que mudam o clima da empresa, segundo a Hay Group. In: Exame.com. Seção Negócios. 29 ago. 2012. Disponível em: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/4-atitudes-que-mudam-o-clima-da- empresa-segundo-o-hay-group. Acesso em: 09 fev. 2015. http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/4-atitudes-que-mudam-o-clima-da-empresa-segundo-o-hay-group http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/4-atitudes-que-mudam-o-clima-da-empresa-segundo-o-hay-group © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 15 Nome | sobrecarregando-o; possibilitar o envolvimento e a partição desse funcionário, entre outras. Diante de fatores pessoais que geram estresse nos membros da organização, os gestores têm certo limite de interferência até por questões éticas. “Para ajudar com a questão, muitas empresas começaram programas de bem-estar e assistência aos funcionários.” (ROBBINS, 2014-A, p. 427) A Figura 5.2 é uma replicação daquela apresentada por Robbins (2014-A, p. 426). Por meio dela, temos a oportunidade de conhecer as potenciais fontes de estresse e suas consequências fisiológicas, psicológicas e comportamentais. Figura 5.2 Fontes de estresse em potencial. Fonte: Robbins (2014-A, p. 426) © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 16 Nome | Cada vez mais, as empresas têm consciência do impacto do estresse sobre os funcionários, pois pode repercutir em queda da produtividade, faltas no trabalho e falhas nas tarefas envolvidas. Desmaterialização da economia: processo de valorização de produtos intangíveis (como conhecimento, cultura, serviços em geral), que exigem menor exploração de recursos naturais (como energias do meio ambiente). Estresse: é uma condição dinâmica em que um indivíduo se depara com uma restrição, oportunidade ou demanda relacionada ao que ele deseja, cujo resultado é percebido como algo incerto e importante. O estresse é uma questão complexa. Ele é positivo quando a situação oferece uma oportunidade para alguém se desenvolver, por exemplo, o processo de concentração pelo qual um atleta passa pode ser estressante, mas pode levar a um desempenho máximo. Mas, quando restrições ou exigências são postas sobre nós, o estresse pode se tornar negativo. (ROBBINS, 2014-A, p. 426) Mídia plural e investigativa: em nossos estudos, o significado tem a ver com a diversidade de plataformas de comunicação existente hoje em dia, a convergência entre essas plataformas e a diversidade das vozes atuantes nas mídias, uma vez que a internet permite que não só jornalistas ou Saiba Mais! As regras para vencer o estresse no trabalho Não é só o corpo que esmorece quando o nível de estresse atinge o pico. De acordo com o médico Marcelo Dratcu, coordenador da consultoria SCER - Sustentabilidade Humana e Corporativa, os sintomas atingem três esferas: física; psíquica; e existencial. PATI, Camila. As regras para vencer o estresse no trabalho. Revista Exame, Seção Carreira, 6 jul. 2014. Disponível em: http://goo.gl/s4yoLN. Acesso em: 8 nov. 2014. http://www.exame.com.br/topicos/stress http://goo.gl/s4yoLN © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 17 Nome | comunicadores especializados atuem de forma investigativa: atualmente, qualquer pessoa que tenha acesso às novas tecnologias pode ser um agente midiático. Retribuição societária: “É a parte destinada à justa remuneração aos investidores, que bancaram o risco do negócio.” (MATOS, 2012, p. 13) Organizações filantrópicas: são entidades caracterizadas por sociedade sem fins lucrativos (associação ou fundação), criadas com o propósito de produzir o bem, tais como: assistir à família, à maternidade, à infância, à adolescência, à velhice, promovendo, ainda, a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e integração ao mercado do trabalho. Para ser reconhecida como filantrópica pelos órgãos públicos, a entidade precisa comprovar ter desenvolvido, pelo período mínimo de três anos, atividades em prol dos mais desprovidos, sem distribuir lucros e sem remunerar seus dirigentes. (Revista Filantropia) Regimes políticos liberais: em regimes políticos liberais, a imposição do Estado sobre a vida privada é reduzida, permitindo a ocorrência de: eleições democráticas, garantia dos direitos civis e de propriedade privada, liberdade de imprensa, livre comércio e liberdade religiosa. Instruções Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido. Questão 1 Srour, em sua obra Casos de Ética Empresarial (Elsevier, 2011), destaca quatro grandes forças no contexto contemporâneo: a revolução digital; o © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 18 Nome | capitalismo mundial competitivo; a habitabilidade do planeta em risco; e a vulnerabilidade ampliada das empresas. A respeito dessas forças, podemos afirmar: I. A habitabilidade do planeta está em risco por causa da constante exploração sustentável do homem aos recursos naturais da terra. II. A divulgação, na internet, de críticas de consumidores a determinada marca de produtos ou serviços pode deixar uma empresa vulnerável. III. A revolução digital facilitou a desmaterialização da economia por valorizar companhias cuja matéria-prima é fundamentada em conhecimento. IV. A queda das barreiras comerciais entre países acelerou o processo de globalização econômica. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) I e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) II, III e IV, apenas. Questão 2 Em 2015, entrará em operação uma caldeira movida a biomassa em uma das cinco fábricas da Kimberly-Clark, fabricante de artigos de higiene pessoal, como lenços de papel e fraldas descartáveis. O equipamento que gera vapor — energia essencial à operação de várias indústrias — será instaladona unidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo, e funcionará à base de uma mistura de matéria orgânica composta, entre outras coisas, de fibras de celulose que http://www.exame.com.br/topicos/kimberly-clark http://www.exame.com.br/topicos/higiene-pessoal-e-beleza © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 19 Nome | sobrarão do processo de fabricação do papel higiênico Neve. A empresa não é a única a adotar as caldeiras movidas a energia verde. A fabricante de papel e celulose Klabin, a fabricante de cosméticos Natura e a de bebidas Ambev, entre outras, vêm usando a biomassa em suas caldeiras, em vez de fontes fósseis, como o diesel, o óleo pesado, chamado de BPF, e o gás natural. VIEIRA, Renata. Movidas a energia verde. Exame.com, 1 nov. 2014. Disponível em: http://goo.gl/BlIOFR. Acesso em: 4 nov. 2014. A respeito do assunto apresentado pelo texto, podemos afirmar: I. Demonstrar responsabilidade com o meio ambiente pode levar ao fortalecimento da marca institucional das corporações junto a seu público-alvo. II. O único motivo para que as empresas contemporâneas invistam na pesquisa de fontes alternativas de matéria-prima é a sustentabilidade. III. A solução da Kimberly-Clark pode indispor a empresa frente a muitos de seus stakeholders, como sociedades de proteção ambiental. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 3 “O homem é um ser cultural – composto de valores e características pessoais, conhecimentos e experiências. Ao se reunir com outros, vai se formando uma cultura grupal específica, com a construção de verdades comuns, que são os http://www.exame.com.br/topicos/klabin http://goo.gl/BlIOFR http://www.exame.com.br/topicos/kimberly-clark © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 20 Nome | princípios aceitos que dão consistência ao pensamento e às ações estratégicas. Nesse contexto, o estilo de liderança renovadora, promovendo a integração dos líderes, é essencial à qualidade da cultura em formação. A incompreensão desse fenômeno e o desrespeito aos valores culturais e éticos – verdades comuns – explicam os retumbantes fracassos de parceiras, fusões e incorporações, sem estratégia de integração intercultural.” MATOS, F. G. Ética na gestão empresarial: da conscientização à ação. São Paulo: Saraiva, 2012. p. 121. Considerando o texto apresentado, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. A cultura organizacional pode ser fator de sucesso para uma empresa. PORQUE II. Uma cultura organizacional não internalizada pode desagregar os membros da corporação. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 21 Nome | Questão 4 (Texto I) Em sua obra Sociologia das organizações (Saraiva, 2012, p. 29), Reinado Dias afirma que as organizações devem ser vistas como agentes sociais, uma vez que influenciam e determinam a vida de outros agentes. Uma das intervenções mencionadas é a criação do mercado de trabalho. Responda: A empresa pode causar prejuízos ou benefícios com esse tipo de intervenção? De que maneira? Explique. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 5 Qual é a relação existente entre a ética empresarial e a longevidade da corporação? Explique sua resposta. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Este tema nos levou a conhecer conceitos teóricos sobre o mundo corporativo, como as características das organizações; os ambientes organizacionais; o clima organizacional; o ecossistema de negócios; entre outros. Também pudemos compreender a relação entre ética e lucro, os efeitos do cotidiano corporativo sobre os membros da organização e a influência da cultura organizacional nas relações humanas no trabalho. Este conteúdo nos fornece fundamentos para o melhor entendimento da ética nas relações humanas do trabalho. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 22 Nome | ALVAREZ FILHO, Jose Ruy. A renovação empresarial e os líderes dos novos tempos. Revista Digital, s/d. Disponível em: http://goo.gl/J6PHwk. Acesso em: 5 nov. 2014. ARANTES, Nélio. Empresas válidas: como elas alcançam resultados superiores ao servirem a sociedade. São Paulo: Évora, 2012. BARBOSA Daniela. 04 atitudes que mudam o clima da empresa, segundo a Hay Group. In: Exame.com. Seção Negócios. 29 ago. 2012. Disponível em: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/4-atitudes-que-mudam-o-clima-da- empresa-segundo-o-hay-group. Acesso em: 09 fev. 2015. BIGARELLI, Barbara. Não tem preço investir em pessoas. Época Negócios, 19 set. 2014. Disponível em: http://goo.gl/tWb2AD. Acesso em: 5 nov. 2014. CARVALHO, Luciana. Natura se destaca em cultura corporativa, diz consultora britânica. 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São Paulo: Saraiva, 2011. http://goo.gl/J6PHwk http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/4-atitudes-que-mudam-o-clima-da-empresa-segundo-o-hay-group http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/4-atitudes-que-mudam-o-clima-da-empresa-segundo-o-hay-group http://goo.gl/tWb2AD http://goo.gl/N3aH37 http://goo.gl/hxrWqA http://exame.abril.com.br/revista-exame/noticias/a-fabrica-do-futuro © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 23 Nome | KLUYVER, Corlenis A. de. Estratégia: uma visão executiva. 3. ed. São Paulo: Pearson Education, 2010. PATI, Camila. As regras para vencer o estresse no trabalho. Revista Exame, Seção Carreira, 6 jul. 2014. Disponível em: http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/as-regras-para-vencer-o-stress-no-trabalho. Acesso em: 8 nov. 2014. PUGLIESI, Nataly. Os desafios do RH com mão de obra para a construção civil. 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Acesso em: 6 nov. 2014. http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/as-regras-para-vencer-o-stress-no-trabalho http://exame.abril.com.br/revista-voce-rh/noticias/como-crescer-mais http://exame.abril.com.br/revista-voce-rh/noticias/como-crescer-mais http://goo.gl/f5Qkcn http://www.professionalpublish.com.br/?id=77%2C1%2Cview%2C2%2C8264%2Csid http://goo.gl/5dtppx © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 24 Nome | SENDIN, Tatiana. Benefícios fazem toda diferença nas 150 melhores empresas. Revista Você S.A., 12 set. 2013. Disponível em: http://goo.gl/tlwXZd. Acesso em: 5 nov. 2014. SPITZCOVSKY, Débora. As 10 práticas de RSE que os consumidores mais valorizam. Revista Planeta Sustentável, 26 abr. 2013. Disponível em: http://goo.gl/BSS0nt. Acesso em: 4 nov. 2014. SROUR, Robert H. Casos de Ética Empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011 VIEIRA, Renata. Movidas a energia verde. Exame.com, 1 nov. 2014. Disponível em: http://exame.abril.com.br/revista-exame/noticias/movidas-a-energia-verde. Acesso em: 4 nov. 2014. Questão 1 Resposta: Alternativa E. A afirmação I é falsa, porque, na verdade, a habitabilidade do planeta está em risco por causa da exploração agressiva e não sustentável do homem aos recursos naturais da terra. Questão 2 Resposta: Alternativa A. A afirmação I é bem esclarecida no conteúdo do Caderno de Atividades da Aula-Tema 5. A alternativa II está incorreta, porque as empresas não pensam apenas em sustentabilidade quando criam novas soluções de produção: pensam também em lucratividade. A alternativa III está incorreta, porque a empresa, na verdade, agrada as sociedades de proteção ambiental quando desenvolve soluções que agridam menos o meio ambiente. http://goo.gl/tlwXZd http://goo.gl/BSS0nt http://exame.abril.com.br/revista-exame/noticias/movidas-a-energia-verde © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 25 Nome | Questão 3 Resposta: Alternativa B. A segunda asserção é justificativa para uma asserção como: A cultura organizacional pode ser fator de fracasso para uma empresa. Questão 4 Ao oferecer empregos à sociedade, as empresas podem contribuir positivamente para o crescimento econômico, pois os membros dessa sociedade conquistam condições financeiras que permitirão sua participação no mercado consumidor. Quando uma empresa fecha, muitos trabalhadores são demitidos, e, assim, acontece o inverso: pessoas desempregadas são excluídas do mercado consumidor ou ficam inadimplentes, gerando o enfraquecimento da economia. Questão 5 Uma empresa que pratica a ética geralmente não decepciona seu público-alvo, conquistando a fidelidade de seus clientes e, portanto, perenidade em seus negócios. A empresa ética prefere manter sua credibilidade, mesmo com perdas de curto prazo, pois tem certeza de que uma imagem confiável no mercado poderá garantir-lhe a longevidade. A história demonstra casos de empresas que divulgaram sabotagem em seus produtos, mesmo sabendo que haveria queda imediata em seus lucros. Em contrapartida, essa atitude levou a uma consolidação de sua confiabilidade junto ao público-alvo, que voltou a comprar, tirando-a do prejuízo de curto prazo. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 1 Olá! Seja bem-vindo(a) à sexta aula-tema da disciplina Ética e Relações Humanas no Trabalho, que trará à tona questões relacionadas à ética dentro das organizações. Nossa contemporaneidade nos traz desafios difíceis que devemos superar: o aquecimento global; a ameaça de escassez dos recursos naturais; os efeitos colaterais dos transgênicos e dos agrotóxicos, entre outros. Diante deste contexto, a humanidade se questiona a respeito de suas condutas nas mais diversas áreas em que se faz presente: econômica, social, cultural, ambiental, política e tecnológica. Sendo um dos agentes mais importantes de nossa sociedade atual, as organizações não ficam longe desses debates, colocando-se no centro de constantes questionamentos sobre suas contribuições positivas ou negativas no cenário contemporâneo. Como citar este material: FREGNI, Carla P. Ética e Relações Humanas no Trabalho: Ética nas Organizações. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 2 Saiba Mais! Aplicação de herbicida em lavoura de milho. A ingestão de milho geneticamente modificado e do herbicida Roundup, independentemente da dose, provocou efeitos negativos na saúde de ratos observados em estudo francês (Foto: Soil Science/ Flickr – CC BY 2.0) Efeitos colaterais do milho transgênico Estudo feito com ratos aponta efeitos prejudiciais do consumo de alimentos geneticamente modificados. Em sua coluna de setembro, Jean Remy Guimarães comenta a pesquisa, divulgada nesta semana, e seus desdobramentos. GUIMARÃES, Jean R. D. Sobre milho transgênico, câncer e festinhas. In: Ciência Hoje, Coluna Planeta em Transe, 21 set. 2012. Disponível em: <http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/2871/n/ sobre_milho_transgenico,_cancer_e_festinhas>. Acesso em: 19 dez. 2016. Fonte: http://goo.gl/aqzDlR. Acesso em: 19 nov. 2014. Sem zerar efeito estufa, a temperatura do globo poderá subir 2°C Ao apresentar os textos sínteses dos mais recentes relatórios do Painel Internacional de Mudança Climática (IPCC), o presidente do grupo científico, http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/2871/n/sobre_milho_transgenico%2C_cancer_e_festinhas http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/2871/n/sobre_milho_transgenico%2C_cancer_e_festinhas http://goo.gl/aqzDlR http://www.exame.com.br/topicos/ipcc © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 3 Rajendra Pachauri, afirmou não haver outra saída aos governos senão o corte das emissões de gases do efeito estufa para evitar o aumento de 2°C na temperatura da terra até o fim do século. “A comunidade científica falou. Agora passo o bastão aos governos.” MARIN, Denise C. Sem zerar efeito estufa, temperatura subirá 2°C. Exame.com, 3 nov. 2014. Disponível em: http://goo.gl/JiVBcW. Acesso em: 8 nov. 2014. Consumo exagerado acelera processo de escassez dos recursos minerais Na sociedade atual, a aquisição de bens e produtos tornou-se sinônimo de prestígio social e bem-estar. Pesquisa divulgada pelos grupos wMcCann e .Mobi em 2011 revela que 44,4% dos consumidores brasileirosconvencionais, ou seja, quase metade deste público, pretende trocar de celular em até seis meses. Com relação aos automóveis, de custo mais elevado, esta periodicidade está em torno de 2 anos e oito meses. LIMA, Yahell L. Consumo exagerado acelera processo de escassez dos recursos minerais. CMAIS, Seção Educação, 12 jun. 2012. Disponível em: http://goo.gl/TvAmn2. Acesso em: 4 nov. 2014. Função da Corporação na Sociedade Ainda é comum a consideração de que as ONGs não devem valorizar o lucro e de que ele seja o foco imprescindível das empresas privadas. Talvez possamos fazer duas reflexões: 1o As ONGs devem valorizar o lucro, pois ele poderá garantir maiores resultados à sua missão não lucrativa. 2o As empresas privadas deveriam enxergar o lucro como um meio, e não como um fim. http://www.exame.com.br/topicos/efeito-estufa http://goo.gl/JiVBcW http://www.slideshare.net/WMcCannBR/consumidor-mvel-2011 http://goo.gl/TvAmn2 © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 4 Em sua obra Empresas Válidas, Arantes (2012, p. 19) defende a ideia de que as empresas são concessões sociais, ou seja, Ao lhes transferir o trabalho que era feito individualmente pelas pessoas, a sociedade delega às empresas a responsabilidade de produzir o que tenha valor para ela e que, portanto, contribua para o crescimento social. O ponto de vista do autor confirma a responsabilidade social que as corporações devem assumir, uma vez que atuam não só como agentes econômicos, mas também como agentes do progresso e da riqueza social (ARANTES, 2012, p. 19). Atualmente, pesquisadores chegam à conclusão de que nem sempre corporações que priorizam os lucros alcançam sucesso ou longevidade, e, muitas vezes, corporações que priorizam sua missão empresarial são mais lucrativas. Arantes (2012, p. 14), que também exerce atividades como consultor de empresas, apresenta uma comparação entre o desempenho de um de seus clientes e o de seu concorrente – ambos do ramo de mineração de carvão. Enquanto seu cliente despendia um valor considerável em equipamentos e em pessoal para a compactação dos resíduos (a fim de evitar que os gases se desprendessem e poluíssem a atmosfera), o concorrente de seu cliente mantinha seu foco apenas nos baixos custos e nos altos lucros, sem assumir qualquer responsabilidade com as implicações dos resíduos de seu processo produtivo. Os resultados dessas empresas nos surpreendem: além de causar danos ao meio ambiente, a empresa concorrente via seus prejuízos aumentarem, resultando em “perdas significativas a seus funcionários, credores e à comunidade onde estava localizada” (ARANTES, 2012, p. 14). Quanto à empresa cliente de Arantes (2012), ela alcançava resultados significantes, além de credibilidade no mercado. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 5 Saiba Mais! Conduta ética do grupo farmacêutico dinamarquês Novo Nordisk “O grupo farmacêutico dinamarquês Novo Nordisk, fabricante da metade da insulina consumida no planeta, tem regularmente orientado médicos de todo o mundo a ensinar a seus pacientes como melhorar a própria dieta e, com isso, reduzir a necessidade de insulina. É curioso, já que, sendo um empreendimento capitalista, a política adotada pode reduzir os lucros almejados. Ocorre que a receita não deixa de aumentar, porque as vendas crescem. E mais: a lucratividade não está sofrendo declínio! Como explicar o paradoxo? Pelos efeitos substantivos que o respeito conquistado junto a médicos, consumidores e até governos produz sobre o negócio.” Confira esse e outros cases na obra a seguir: SROUR, Robert H. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. p. 185. The Corporation A partir da polêmica decisão da Suprema Corte de Justiça americana concluindo que uma corporação, aos olhos da lei, é uma “pessoa”, são analisados os poderes das grandes corporações no mundo atual. A exploração da mão de obra barata no Terceiro Mundo e a devastação do meio ambiente são alguns dos fatos explorados, que entrevistam presidentes de corporações como a Nike, Shell e IBM, além de Noam Chomsky, Milton Friedman e Michael Moore. (Sinopse disponível em: http://goo.gl/jbvtYk. Acesso em: 21 nov. 2014). http://goo.gl/jbvtYk © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 6 A Importância dos Insumos Intangíveis O cenário em que atuam as empresas contemporâneas é marcado pela sociedade da informação e pela economia do conhecimento. Isso significa que o valor das organizações não se limita a seus ativos materiais (capital físico e capital financeiro), mas também inclui seus ativos intangíveis (capital intelectual e capital de reputação) (SROUR, 2012, p. 242). Diante desse novo contexto, novos insumos são necessários para que as corporações ajustem-se às novas exigências do mercado. Matos (2012, p. 42) apresenta uma relação de importantes fatores a serem adotados pelas organizações com visão sustentável: • A criatividade. • A inovação. • O marketing personalizado. • A liderança integrada. • A valorização humana. • A parceria. • A qualidade. • A descentralização. • A ética. • A solidariedade. • A cidadania. THE CORPORATION: The Pathological Pursuit of Profit and Power. Direção: Jennifer Abbott, Mark Achbar, Joel Baken. Produção: Mark Achbar. Canadá: Zeitgeist Films, 2003. Documentário. 2h25min. 1 bobina cinematográfica. Site oficial do filme (em inglês) disponível em: http://thecorporation.com/. Trailer disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=d4b75P7eNfM. Acesso em: 21 nov. 2014. http://thecorporation.com/ https://www.youtube.com/watch?v=d4b75P7eNfM © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 7 Diante da lista de insumos, proposta por Matos (2012, p. 42), propomos as seguintes reflexões: 1. Todos os insumos mencionados têm características intangíveis. 2. A presença da cidadania e da solidariedade mostra uma nova exigência do mercado: a responsabilidade corporativa. Até pouco tempo atrás, esses elementos só eram contemplados por sociólogos, mas não por empresários. Hoje, já se compreende que uma empresa que pratica a solidariedade e a cidadania, por meio de seus funcionários, torna-se agente de melhoria de toda uma sociedade. 3. O marketing personalizado leva as empresas a substituirem o olhar massivo sobre os consumidores por um olhar mais individualizado sobre seu público-alvo. Esse novo paradigma poderá conscientizar as corporações de suas responsabilidades em relação às reais necessidades dos clientes. 4. A inovação é fruto da criatividade. Funcionários engessados e mal coordenados são incapazes de inovar. Daí a importância da descentralização e da liderança orquestrada. 5. O mercado contemporâneo exige uma qualidade não só dos produtos e serviços, mas também das condutas das empresas. São valorizadas questões como transparência administrativa, responsabilidade social e ambiental, entre outras. 6. Cada vez mais, a concorrência cooperativa tem sido procurada, ou seja, em vez da rivalidade destrutiva, explora-se a vantagem das parcerias que levam os rivais a se fortalecerem, mesmo não deixando de competir entre si. 7. Para que se sustentem nesses novos tempos, as empresas terãode ser éticas, ou seja, deverão ter políticas claras, deverão demonstrar coerência entre suas premissas e suas decisões. Caso contrário, não receberão apoio de seus stakeholders por muito tempo... As mudanças nas relações humanas não acontecem do dia para a noite. Envolvem longos processos, rupturas de modelos e reconstrução de novos © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 8 modelos. É por isso que podemos encontrar corporações que ainda se prendem aos velhos paradigmas. Ao mesmo tempo, a morosidade dos processos de quebra de paradigmas não deve ser justificativa para práticas empresariais questionáveis, ainda encontradas hoje em dia. Srour (2013, p. 18) apresenta uma longa lista dessas práticas: a existência de um caixa 2; a maquiagem dos balanços financeiros; os subornos pagos a agentes públicos; a sonegação fiscal; a manufatura de produtos falsificados; a pirataria de bens simbólicos; o superfaturamento ou o subfaturamento; a venda de produtos ou prestação de serviços sem nota fiscal; o uso de informações privilegiadas; as propinas pagas a fiscais, policiais ou juízes; a especulação nos preços; a formação de cartéis; a exploração do trabalho infantil; a contratação de funcionários sem carteira assinada; o contrabando; o tráfico de influência nas esferas públicas; os danos ao meio ambiente; o desperdício de recursos naturais; as fraudes contábeis; o assédio moral e sexual etc. Saiba Mais! A gafe empresarial Srour (2011, p. 30) nos apresenta um case de um empresário de sucesso que destrói uma gigante corporativa de 25 mil funcionários ao pisotear na reputação de seu próprio negócio. Foram 8 anos para construir seu império e segundos para desabá-lo. “Em 1984, Gerald Ratner substituiu seu pai no comando de uma rede de 130 joalherias e, em menos de oito anos, construiu um império de 25 mil funcionários e de 2.500 lojas espalhadas no Reino Unido e nos Estados Unidos. Sua estratégia de sucesso se baseou na venda de joias baratas de baixo padrão e no jogo duro em relação aos fornecedores. Ademais, expandiu-se vertiginosamente comprando concorrentes debilitados. Incensado pela mídia, foi convidado em 1991 a discursar na conferência anual do Institute of Directors, no Royal Albert Hall de Londres. Seu público? Quatro mil executivos. Homem de marketing, Ratner pensou em descontrair a audiência fazendo piada. Contou que as pessoas sempre lhe perguntavam como conseguia vender joias tão baratas. Baixando a voz em tom de confidência, falou que revelaria seu segredo. E disse literalmente: “Os brincos que eu vendo © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 9 Individualidade e Cultura Organizacional A cultura organizacional pode facilitar ou dificultar a presença de posturas éticas. Lembrando que a cultura organizacional é o conjunto de crenças, valores, hábitos e atitudes dentro de uma empresa, podemos deduzir que valores altruístas e atitudes positivas podem sustentar as condutas éticas das organizações. Afinal, de onde nasce uma cultura organizacional? Depois que ela é instaurada, ela permanece imutável? Se utilizarmos uma óptica simplista, explicaremos da seguinte maneira: a cultura da organização começa com as crenças, os valores e as suposições de seus fundadores. Nos primórdios de uma corporação, os fundadores contratam pessoas que se alinham a seu modo de pensar e de agir. Com o tempo, novos empregados são contratados e orientados a se unir em função de crenças, valores e atitudes preconizados pela organização. Assim, os preceitos difundem- se, e a cultura organizacional implanta-se. No entanto, essa explicação simplista não inclui a complexidade da natureza humana. Não considera, por exemplo, as seguintes questões: 1. O pensar e o sentir são de total deliberação do indivíduo, ou seja, são coisas que não se impõem. Cada um pensa e sente de maneira própria. custam menos que um sanduíche de camarão... E sabem por quê?” ‒ fez suspense e arrematou: “Porque é puro lixo!”. No dia seguinte, os tabloides ingleses estamparam o sarcasmo. A repercussão foi devastadora: os clientes se aglomeraram nas lojas para devolver os produtos... A rede perdeu £ 500 milhões em valor, Ratner teve de renunciar à presidência e a empresa se esfacelou. Seu nome, na literatura da administração, tornou-se sinônimo de ‘gafe empresarial’” (SROUR, 2011, p. 30). Confira esse e outros cases na obra a seguir: SROUR, Robert H. Casos de ética empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 10 2. As pessoas só vão seguir as crenças e os valores organizacionais quando se identificarem com eles ou quando acharem conveniente segui-los. 3. Quando uma pessoa segue as crenças e os valores de uma corporação apenas para continuar empregada, a relação empregatícia pode não perdurar: é bastante comum que essa pessoa acabe demonstrando sua falta de adesão e, consequentemente, seja demitida ou, ela mesma, não suportando suas diferenças, peça demissão. 4. Quando os fundadores de uma empresa tentam impor crenças e valores que destoam de suas atitudes, os funcionários não se comprometem, enfraquecendo a cultura organizacional. Ainda nos resta ressaltar: • Apesar de nos referirmos à ética empresarial, ela é a prática de pessoas físicas, e não da pessoa jurídica, ou seja, uma organização ética é aquela cujas pessoas que a compõem têm atitudes éticas. • Em nosso cotidiano, acabamos sempre assumindo o papel de algum tipo de stakeholder e, portanto, sempre teremos responsabilidade ética em relação ao ecossistema de negócios. • Apesar da dependência econômica que os indivíduos têm em relação ao trabalho, nem todos suportam submeter-se a uma cultura organizacional que vá contra seus próprios princípios. Ética Empresarial e Capitalismo Social É provável que você já tenha ouvido falar de capitalismo social. Atualmente, discute-se sobre a conciliação entre os interesses capitalistas das empresas privadas e os interesses sociais das comunidades que acolhem essas empresas. Essa tentativa de conciliação parece ser um desafio intransponível, mas, nos últimos tempos, temos visto muitas tentativas positivas no sentido de uma integração desses interesses antagônicos. Nossa contemporaneidade é marcada por dois fatores conhecidos por sociedade da informação e pela economia do conhecimento. Isso significa que o mercado © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 11 consumidor foi empoderado pelas novas tecnologias da comunicação e que a economia já não é mais só fundamentada na geração de produtos tangíveis, e sim na diversidade da oferta de produtos intangíveis e de serviços agregados. Diante deste contexto, as ações empresariais no mundo atual vivem sob estreita vigilância, e as empresas podem sofrer prejuízos à medida que elas mesmas provocam danos (SROUR, 2013, p. 166). O mercado de hoje leva as empresas a temerem as reações em cadeia de seus clientes, obrigando-as a praticar transações idôneas, mesmo que não sejam espontâneas (SROUR, 2013, p. 167). Segundo Srour (2013, p. 167), o sistema de mercado contemporâneo opera sob os comandos do risco. Na verdade, todos os agentes do ecossistema de negócios acabam enfrentando riscos e temores. A Figura 6.1 apresentauma relação de inquietações e sobressaltos de cada agente do sistema de mercado. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 12 Figura 6.1 Riscos e temores enfrentados pelos agentes do sistema de mercado. Fonte: Adaptada de Srour (2013, p. 167) De sua parte, o Estado tenta assegurar um “mínimo legal indispensável para que o mercado opere ou promova a segurança jurídica” (SROUR, 2013, p. 167): • Direitos de propriedade. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 13 • Liberdade para empreender. • Garantia de execução de contratos. • Normas que estabelecem a fronteira entre o lícito e o ilícito. • Legislação criminal, além de regras e sanções para prevenir a concorrência predatória como a dos dumpings ou dos cartéis. Em relação aos temores dos trabalhadores e consumidores, foram instituídas algumas garantias de caráter legal (SROUR, 2013, p. 167): • Direitos Civis e políticos. • Redes de proteção para os cidadãos (consumidores, usuários de serviços públicos, contribuintes, vítimas e testemunhas de crimes). O ecossistema de negócios de nossa atualidade parece oferecer maiores riscos do que nunca. A princípio, pode parecer uma visão trágica, mas devemos pensar melhor e concluir que, talvez, pelo fato de todos os agentes do cenário de negócios enfrentarem riscos, a necessidade de condutas éticas se faça cada vez mais presente. Se isso não for possível de maneira espontânea, que seja então sob “a existência de um mercado concorrencial; a mobilização incessante da sociedade civil; a disponibilidade de instrumentos de pressão como a mídia plural, as agências de defesa dos consumidores e a Justiça atuante” (SROUR, 2013, p. 168). Saiba Mais! Ações ecologicamente corretas Leia a reportagem que Srour (2011, p. 35) disponibiliza em sua obra para ilustrar suas colocações a respeito de condutas éticas empresariais. Nela, compreendemos que o cuidado ético da Coca-Cola em relação à preservação de bacias hidrográficas, por exemplo, tem caráter estratégico e que, apesar disso, repercute em benefícios à sociedade: “A mudança climática global está tornando a água cada vez mais escassa, especialmente em países densamente povoados da zona temperada, como os Estados Unidos, que são o © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 14 principal mercado da Coca-Cola. O maior concorrente em todo o mundo no uso da água é a agricultura, que também apresenta seus próprios desafios de sustentabilidade. Daí que a sobrevivência da Coca-Cola a compele a ficar profundamente preocupada com os problemas de escassez de água, energia, mudança climática e agricultura. Uma meta da empresa é tornar suas fábricas “neutras em água”, devolvendo ao meio ambiente uma quantidade de água igual à que foi usada nas bebidas e na sua produção. Outra meta é trabalhar na conservação de sete grandes bacias fluviais, incluindo as dos rios Grande (fronteira México-Estados Unidos), Yang-tsé, Mekong e Danúbio, todos eles locais de grandes preocupações ambientais, além de fornecerem água à Coca-Cola. Essas metas de longo prazo somam-se a práticas ambientais e de redução de custos no curto prazo, como a reciclagem de garrafas plásticas, a substituição do plástico de petróleo das embalagens por material orgânico, a diminuição do consumo de energia e o aumento do volume de vendas com a redução no uso de água.” (DIAMOND JARED. As grandes empresas vão salvar o mundo? Veja, 30 dez. 2009. In: SROUR, 2011, p. 34-35). Leia o comentário de Srour a respeito da reportagem. COMENTÁRIO “Não nos iludamos. A Coca-Cola não foi acometida por um ataque de bom-mocismo, mas por uma clara percepção de que a correlação de forças mudou. De um lado, a sociedade civil tem condições de forçar as empresas a adotarem políticas socialmente responsáveis. De outro, a escassez de insumos pode destruir as condições de perpetuidade do negócio. Foram os dínamos para que a companhia adotasse uma estratégia de bom senso que inspirou intervenções prudentes: preservar as bacias hidrográficas, reduzir o uso de água e de energia, substituir o plástico de origem fóssil por material orgânico, renovável.” (SROUR, 2011, p. 35) Confira esses e outros cases na obra a seguir: SROUR, Robert H. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. Imagem Corporativa e Reputação A reputação de uma empresa é construída e mantida por suas condutas no ambiente interno e no ambiente externo. Uma reputação positiva e sólida pode levar décadas para ser construída e alguns minutos na mídia para ser destruída... © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 15 Como um ativo intangível, a reputação de uma corporação está ligada diretamente à imagem que seus stakeholders criam a seu respeito. Nas palavras de Srour (2013, p. 184), a reputação empresarial é a “percepção que o imaginário popular tem quanto ao valor de uma empresa”. Segundo esse autor (2013, p. 184), a reputação é um ativo que: • Compõe-se pelo valor das marcas e pela qualidade das relações mantidas com os públicos de interesse. • Equivale à consideração que os stakeholders conferem à empresa. • Corresponde ao posicionamento que se estabelece na mente dos públicos de interesse. • Vincula-se à identidade corporativa ou profissional, constituída pelos traços mais expressivos que os observadores atribuem. • Deriva de uma percepção que vai sendo construída dia após dia, à medida que a empresa satisfaz as expectativas de seus stakeholders. Saiba Mais! O caso da PEPSI, em Kerala, Índia Leia um case apresentado por Srour (2013, p. 184) e compreenda a importância das condutas empresariais para a manutenção de uma reputação positiva. “Quando a falta de chuva provocou escassez de água em 2002 em Kerala, na Índia, ativistas políticos promoveram manifestações contra as fábricas da Coca-Cola e da Pepsi na cidade, culpando-as de retirar muita água dos mananciais locais. Os hidrólogos da Pepsi demonstraram que a fábrica usava água de um aquífero profundo sem ligação com as fontes de água da cidade. Porém, mesmo assim, os protestos continuaram, e os gestores da Pepsi logo reconheceram que explicações científicas não saciariam pessoas sedentas. Deram-se conta de que engarrafar água e bebidas, enquanto a população circundante não tinha água nem para as necessidades básicas, era inaceitável para a comunidade. Com base em informações técnicas que haviam sido compiladas quando da construção da fábrica, a Pepsi melhorou o manancial da comunidade e, com isso, restabeleceu o fornecimento de água, além de construir mananciais comunitários em outras áreas. Ao mesmo © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 16 Empresas Orientadas pela Ética Segundo Srour (2013, p. 195), empresas sustentáveis devem ser “viáveis economicamente; justas socialmente e corretas ecologicamente”. Por essas três características, seria possível medir o impacto que as atividades de determinada empresa exercem sobre a habitabilidade do planeta. Srour (2013, p. 196) também afirma que é possível justificar as políticas de sustentabilidade pormeio de indicadores precisos. A Figura 6.2 ilustra os indicadores associados às dimensões econômica, social e ecológica. tempo, passou a observar métodos mais rigorosos de gerenciamento da água nos processos de produção, inclusive a perfuração de poços em sua área industrial para aumentar o reabastecimento do aquífero. Enquanto isso, os protestos contra a Coca-Cola prosseguiram e sua fábrica acabou sendo fechada pelo governo local no início de 2004. Depois desse êxito, os ativistas políticos, motivados por sentimentos antiamericanos, voltaram a atenção para a Pepsi. Cedendo às pressões, o governo de Kerala determinou o fechamento dessa segunda fábrica. Todavia, não contando com o apoio local, os protestos arrefeceram e a unidade foi reaberta quase que imediatamente. Com efeito, quando os ativistas tentaram fechar a Pepsi pela segunda vez, em fins de 2005, os próprios habitantes locais impediram a manifestação.” (SAVITZ, Andrew W.; WEBER, Karl. A empresa sustentável: o verdadeiro sucesso é lucro com responsabilidade social e ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. p. 162-163. In: SROUR, 2013, p. 184) Confira esses e outros cases na obra a seguir: SROUR, Robert H. Casos de Ética Empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 17 Figura 6.2 Indicadores de atividades corporativas sustentáveis. Fonte: Adaptada de Srour (2013, p. 196) Srour (2013, p. 196) exemplifica também os tipos de cálculos possíveis a partir dos benefícios obtidos por meio de atividades altruístas: • Aumento da produtividade. • Aumento da receita. • Aumento do financiamento. • Aumento da participação no mercado. • Redução de riscos. • Diminuição dos custos de produção e de comercialização. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 18 • Maior facilidade para contratar os melhores talentos e a maior retenção deles. A apresentação de indicadores e cálculos financeiros aos acionistas e investidores é uma forma de legitimar as condutas sustentáveis da corporação. Podemos encontrar, nos dias atuais, inúmeras práticas empresariais de caráter ético. As exigências às organizações contemporâneas não opõem a sustentabilidade à lucratividade (SROUR, 2013, p. 200). Em outras palavras: empresas visionárias conseguem combinar sua necessidade de lucro com as necessidades de seus stakeholders. Assim como em uma negociação do tipo ganha-ganha, organizações orientadas pela ética respondem às demandas de forma sustentável e inteligente. A Tabela 6.1 ilustra essa ideia: Tabela 6.1 Trocas mutuamente vantajosas. Fonte: Adaptada de Srour (2013, p. 196) As novas exigências do mercado contemporâneo não criam disfunções do ponto de vista capitalista (SROUR, 2013, p. 200). Isso significa que é possível, a uma empresa, agir sob conduta ética e, ao mesmo tempo, obter lucratividade. A sustentabilidade pode assegurar vantagens para as corporações em vários planos (SROUR, 2013, p. 200): • Proteção da empresa: à medida que permite identificar riscos iminentes e falhas operacionais, reduz riscos de prejudicar clientes, colaboradores © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 19 e comunidades locais, limita a frequência das intervenções de agências reguladoras e preserva a licença social para operar. • Gestão da empresa: à medida que reduz custos, aumenta a produtividade, elimina desperdícios e garante acesso a fontes de capital a custos mais baixos. • Promoção do crescimento da empresa: à medida que possibilita abrir novos mercados, lançar novos produtos e serviços, acelerar o ritmo da inovação, aumentar a lealdade e a satisfação dos clientes, conquistar novos clientes, desenvolver parcerias com públicos de interesse, valorizar a marca e a reputação. As empresas orientadas pela ética são economicamente viáveis, ecologicamente corretas e socialmente justas. A Figura 6.3 correlaciona o que Srour (2013, p. 200) chama de tríplice resultado: © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 20 Figura 6.3 Tríplice resultado para empresas orientadas pela ética. Fonte: Adaptada de Srour (2013, p. 200) Economia do conhecimento: autores que se referem à economia do conhecimento querem se referir à importância que essa abordagem da economia dá aos produtos intangíveis de nossa atualidade, como serviços agregados aos produtos tangíveis (garantias, serviços de manutenção, pós-venda etc.) e também produtos basicamente intangíveis, como aqueles ligados às tecnologias da informação, ao entretenimento, a terapias de qualidade de vida etc. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 21 Liderança orquestrada: uma liderança orquestrada é aquela que distingue o potencial de cada membro da equipe e consegue trazer à tona o melhor de cada um e, ainda, conjugar talentos de maneira a chegar a resultados sinérgicos, ou seja, os resultados do grupo são maiores do que seria a soma dos resultados individuais. Missão empresarial: também conhecida por razão de ser de uma empresa. Geralmente, traduzida em uma declaração, a missão da empresa trata de esclarecer qual é sua vocação e que benefícios ela produzirá em proveito próprio e em proveito do ecossistema ao qual pertence. ONGs: Organizações Não Governamentais ‒ “São organizações formadas pela sociedade civil sem fins lucrativos e que têm como missão a resolução de algum problema da sociedade, seja ele econômico, racial, ambiental, etc., ou ainda a reivindicação de direitos e melhorias e fiscalização do poder público. Também chamado ‘terceiro setor’, embora essa definição não seja muito clara, as organizações sem fins lucrativos são particulares ou públicas, desde que não tenham como principal objetivo a geração de lucros e, que se houver geração de lucros, estes sejam destinados para o fim a que se dedica a organização não podendo este ser repassado aos proprietários ou diretores da organização.” (FARIA, s.d) Sociedade da Informação: expressão utilizada por alguns autores ao se referirem à nossa sociedade contemporânea. Com o avanço das novas tecnologias da comunicação, os representantes das diversas esferas sociais (política; econômica; cultural; corporativa; tecnológica; legal; entre outras) empoderam-se por meio do livre acesso às mais variadas informações e com direito a manifestar-se publicamente pela internet, por exemplo. Transgênicos: “São alimentos geneticamente modificados. Tudo o que forma os seres vivos é controlado pelo material genético, que é um grande conjunto de peças que definem as características de cada ser. O método de transgenia consiste na transferência de genes de um indivíduo para outro, sendo estes normalmente de espécies diferentes. Isso faz com que um indivíduo adquira © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 22 características do outro, sendo essas características positivas e/ou negativas.” (ENTENDAM..., s.d) Instruções Agora, chegou a sua vezde exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido. Questão 1 Em sua obra Empresas Válidas, Arantes (2012) defende a ideia de que as empresas são concessões sociais, ou seja: Ao lhes transferir o trabalho que era feito individualmente pelas pessoas, a sociedade delega às empresas a responsabilidade de produzir o que tenha valor para ela e que, portanto, contribua para o crescimento social.(ARANTES, 2012, p. 19). Considerando a ideia de empresas como concessões sociais, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas: I. As empresas fornecem bens e serviços a fim de atender continuamente às necessidades humanas. PORQUE II. As empresas são agentes econômicos, mas não interferem no progresso nem na riqueza social. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 23 c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 2 A respeito da reputação empresarial, podemos afirmar: I. Uma boa reputação pode facilitar a empresa na obtenção de créditos junto a órgãos de financiamento. II. Uma boa reputação pode aumentar o valor de mercado da empresa e facilita o acesso ao mercado de capitais. III. Uma boa reputação pode conferir legitimidade social à empresa para obter licença para operar. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 24 Questão 3 As novas exigências do mercado contemporâneo não criam disfunções do ponto de vista capitalista (SROUR, 2013, p. 200). Isso significa que é possível, a uma empresa, agir sob conduta ética e, ao mesmo tempo, obter lucratividade. A respeito da postura corporativa sustentável, podemos afirmar: I. Uma conduta sustentável exige que a empresa identifique riscos iminentes e falhas operacionais, evitando que a empresa tenha de enfrentar problemas com as agências reguladoras. II. Uma conduta sustentável exige altos investimentos, aumentando os custos e nem sempre melhorando a produtividade, podendo levar a desperdícios por longos períodos. III. Uma conduta sustentável aumenta a lealdade e a satisfação dos clientes, além de levar à conquista de novos mercados, o que promove o crescimento da empresa. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 4 Leia o texto a seguir: “A Índia respondia há alguns anos por 30% das mortes causadas pela diarreia no mundo. A filial da Unilever neste país firmou parcerias com professores, líderes comunitários e órgãos públicos © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 25 com vistas à educação básica da população sobre práticas elementares de saúde, como lavar as mãos com sabonete. O programa “Despertar para a Saúde” atingiu 200 milhões de pessoas de baixa renda. Porém, antes de veicular a campanha, a Unilever investiu na reformulação de uma linha de sabonetes para ampliar seu poder bactericida e baixar o custo para o consumidor final. Logo depois, preparou milhares de mulheres para vender o produto num sistema porta a porta.” (SROUR, Robert H. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. p. 196) Após ter lido o texto de Srour (2013), responda: 1. A conduta da Unilever foi sustentável? Explique sua resposta. 2. A conduta da Unilever pode ter criado um ciclo virtuoso? Explique sua resposta. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 5 Por que a reputação de uma empresa é considerada um ativo intangível? Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. O conteúdo deste tema dedicou-se a explorar algumas das questões mais debatidas sobre o comportamento ético empresarial atualmente. Pudemos perceber que o assunto é abrangente, envolvendo discussões sobre o papel social das corporações, a importância do comprometimento ético dos membros das organizações; as novas exigências do sistema de mercado atual, o peso da reputação corporativa positiva nos resultados das empresas; e as características do chamado capitalismo social. Foram apresentados alguns cases para que nossos estudos ficassem mais palpáveis com exemplos reais. É imprescindível a leitura de cada um deles para que tenhamos um aprendizado mais enriquecedor. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 26 ARANTES, Nélio. Empresas válidas: como elas alcançam resultados superiores ao servirem a sociedade. São Paulo: Évora, 2012. ENTENDAM a polêmica dos transgênicos. Disponível em: http://goo.gl/6i6y2H. Acesso em: 10 nov. 2014. FARIA, Caroline. ONGS (Organizações Não Governamentais). Disponível em: http://goo.gl/8EdlJ1. Acesso em: 12 nov. 2014. GUIMARÃES, Jean R. D. Sobre milho transgênico, câncer e festinhas. Ciência Hoje, Coluna Planeta em Transe, 21 set. 2012. Disponível em: http://goo.gl/6dqEXq. Acesso em: 12 nov. 2014. LIMA, Yahell L. Consumo exagerado acelera processo de escassez dos recursos minerais. CMAIS, Seção Educação, 12 jun. 2012. Disponível em: http://cmais.com.br/educacao/noticias/n-a. Acesso em: 4 nov. 2014. MATOS, Francisco G. Ética na gestão empresarial: da conscientização à ação. São Paulo: Saraiva, 2012. MARIN, Denise C. Sem zerar efeito estufa, temperatura subirá 2°C. Exame.com, 3 nov. 2014. Disponível em: http://goo.gl/6vMtn6. Acesso em: 8 nov. 2014. SROUR, Robert H. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. . Poder, cultura e ética nas organizações. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. . Casos de Ética Empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. Questão 1 Resposta: Alternativa C. http://goo.gl/6i6y2H http://goo.gl/8EdlJ1 http://goo.gl/6dqEXq http://cmais.com.br/educacao/noticias/n-a http://goo.gl/6vMtn6 © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 27 A afirmação II é falsa, porque, na verdade, por fornecer bens e serviços à sociedade, as empresas caracterizam-se como agentes econômicos e cooperam com o progresso e com a riqueza social. Questão 2 Resposta: Alternativa E. As três afirmações estão corretas porque uma empresa de boa reputação geralmente apresenta bons resultados financeiros, pois conquista solidez no mercado. Essa constatação nos faz entender que elas são vistas com credibilidadepelos órgãos de financiamento, pelos investidores e pela própria sociedade que acaba lhe conferindo o direito de operar seus negócios. Questão 3 Resposta: Alternativa C. A resposta para esta questão está fundamentada nos seguintes itens que estão presentes no Caderno de Atividades do Tema 6: - Proteção da empresa, à medida que permite identificar riscos iminentes e falhas operacionais, reduz riscos de prejudicar clientes, colaboradores e comunidades locais, limita a frequência das intervenções de agências reguladoras e preserva a licença social para operar. - Gestão da empresa, à medida que reduz custos, aumenta a produtividade, elimina desperdícios e garante acesso a fontes de capital a custos mais baixos. - Promoção do crescimento da empresa, à medida que possibilita abrir novos mercados, lançar novos produtos e serviços, acelerar o ritmo da inovação, aumentar a lealdade e a satisfação dos clientes, conquistar novos clientes, desenvolver parcerias com públicos de interesse, valorizar a marca e a reputação. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 28 Questão 4 Resposta: 1. A conduta da Unilever foi sustentável porque ela levou em consideração as dificuldades que a comunidade estava passando e assumiu seu papel de agente social, beneficiando as pessoas de baixa renda. Ao mesmo tempo, a corporação foi capaz de enxergar a longo prazo e perceber que sua ação social também lhe traria benefícios, pois fortaleceria sua reputação e seus laços com muitos stakeholders. 2. A conduta da Unilever criou um ciclo virtuoso, porque melhorou a higiene e reduziu a diarreia, elevou a renda de quem vende o produto, contribuiu para o bem comum e ainda conquistou lucratividade para a organização (SROUR, 2013, p. 196). Questão 5 Resposta: A reputação de uma empresa é seu ativo intangível porque lhe reputa valor no mercado. Quando uma corporação tem alta reputação, ela atrai investidores, atrai interesse de profissionais talentosos; atrai parcerias interessantes; sustenta força frente à sua concorrência; consegue a fidelização de clientes; tem facilidade de conquistar novos mercados; gera cobertura favorável da mídia; goza de relações positivas com as comunidades locais e autoridades etc. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 1 Olá! O foco deste tema é a gestão ética de organizações com ou sem fins lucrativos, privadas ou públicas. A conduta ética em nossa sociedade tem ocupado espaço de destaque nos meios de comunicação nas últimas décadas. Estudos sobre a sustentabilidade da vida humana no planeta têm apontado previsões nada otimistas para um futuro próximo. Infelizmente, apesar disso, parece-nos que as ações dos governos e das corporações em geral ainda são muito tímidas para reduzir o impacto negativo dessas previsões. De qualquer forma, discussões sobre a responsabilidade dos indivíduos, da sociedade, do poder público, do poder privado e dos próprios meios de comunicação devem ser intensificadas para chegarmos a propostas de melhorias mais consistentes. A mola propulsora para que se inicie um processo de mudanças positivas é a própria ação humana, e é por isso que um ponto de partida conveniente é a conscientização da conduta gerencial corporativa, pois é ela que mobiliza toda a engrenagem produtiva em nossa sociedade predominantemente capitalista. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de Como citar este material: FREGNI, Carla P. Ética e Relações Humanas no Trabalho: Gestão Ética. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 2 O Líder dos Novos Modelos de Gestão Começaremos lhe perguntando: o que é gestão, para você? Como se trata de uma palavra bastante utilizada em nosso dia a dia, a resposta vem de imediato: a gestão resulta de ações como gerenciar, administrar, realizar, dirigir, e assim por diante, não é mesmo? Atualmente, podemos encontrar esse termo em situações pessoais. Você já deve ter ouvido alguém te alertando: “Faça a gestão do seu tempo!”, “Faça a gestão de suas finanças!”, “Faça a gestão de sua carreira!”. Uma gestão ética acontece quando se aplicam recursos de forma ética para a realização de objetivos – sejam eles pessoais ou profissionais. Este conteúdo colocará atenção especial na gestão corporativa. O autor Matos (2012, p. 111), em sua obra Ética na Gestão Empresarial, sugere que se façam reflexões sobre a renovação dos modelos tradicionais de gestão. Segundo ele, o líder dos novos modelos de gestão deve ser, além de ético, também um educador e um empreendedor. Saiba Mais! Ética nos Negócios & Valores Corporativos A Pesquisa Código de Ética Corporativo tem um valor muito especial, pois foi a primeira iniciativa realizada pelo Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios e que teve os resultados divulgados durante um evento de comunicação empresarial ocorrido em Fortaleza-CE, em maio de 2008. FLINTO, Douglas L. Ética nos Negócios & Valores Corporativos. Tem ou não tem? Eis a Questão! In: Pesquisa de Código de Ética 2014. Disponível em: http://goo.gl/Ltpv7q. Acesso em: 24 nov. 2014. http://goo.gl/Ltpv7q © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 3 Um líder ético é consciente de que lidera pessoas, e não coisas. Um líder educador é consciente de sua responsabilidade em transmitir valores, induzir a atitudes e orientar ações visando objetivos em comum. Um líder empreendedor tem visão realizadora de futuro, transformando anseios e oportunidades em ganhos reais (MATOS, 2012, p. 111). Um gestor ético é aquele que fornece informações relevantes ao seu time; avalia e fornece feedback; abre espaço para a contribuição criativa; viabiliza os canais de comunicação; delega responsabilidades (MATOS, 2012, p. 78). Quando descrevemos essas características, pode parecer que as exigências a um gestor são grandes demais hoje em dia. Na verdade, não o são! Trata-se de exigências éticas. Como ainda vivemos em tempos de corrupção, a ética parece algo fora do padrão, não é mesmo? Ainda há resquícios de paradigmas ultrapassados que levam as empresas a continuar com seus modelos autoritários, centralizados e excessivamente burocratizados. Enfrentar os novos tempos exige o rompimento com velhos pensamentos, com velhos paradigmas. A gestão ética caracteriza-se por relações humanas que não giram apenas em torno de objetivos/metas e resultados, mas que também integram as pessoas por meio de princípios, valores e sentimentos em comum. É daí que surge o que chamamos de espírito de equipe. Os ambientes de trabalho são povoados por pessoas diferentes, com talentos, motivações e ambições individuais. Esse é um contexto bastante favorável para conflitos. A harmonização do clima organizacional acontece quando há, entre as pessoas, empatia e uma identificação ideológica que convergem para interesses comuns. É papel do gestor promover os elementos necessários para essa harmonização. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 4 O Gerente-Líder Um gerente-líder é responsável por conciliar diferenças por meioda negociação, visando ao consenso. Devemos ressaltar que o consenso não leva à unanimidade. O consenso acontece quando há uma concordância em relação a pontos essenciais (MATOS, 2012, p. 112). Você já tinha ouvido falar desse termo: gerente-líder? Alguns autores diferenciam o papel do gerente e o papel do líder. O gerenciamento teria um caráter mais material, propiciando decisões objetivas em direção às metas. Por outro lado, a liderança teria um caráter mais humano, propiciando a condução de pessoas em direção às metas. A proposta de um novo modelo de gestão exige profissionais competentes em conduzir pessoas de forma humana e tomar decisões práticas ao mesmo tempo. Matos (2012, p. 111-115) explora as características ideais em relação ao gerente-líder. Podemos destacar as principais: • “É predominantemente participativo, envolvente, motivador.” • “Utiliza a negociação e o acordo para tomar decisões que se tornam, assim, corresponsabilizadoras.” • “Obtém resultados por consentimento e por consenso.” • “Procura desenvolver a cooperação criativa em lugar da competição predatória.” Saiba Mais! Um novo líder para nossa contemporaneidade Talento para lidar com pessoas. Disposição para encarar a complexidade. Espírito de equipe. Essas competências ganham o centro de uma transformação que vai forjar as novas lideranças e mudar as empresas. Você está preparado? TEIXEIRA, Alexandre. Como se tornar um líder do século 21. Época Negócios, s/d. Disponível em: http://goo.gl/YVlDqZ. Acesso em: 24 nov. 2014. http://goo.gl/YVlDqZ © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 5 • “É flexível, evita radicalizar posição e usar de comportamento reativo que impeça análises críticas e reformulações.” • “Planeja seu tempo e o de sua equipe, desenvolve estratégias para administrar as crises e os conflitos do presente, sem prejuízo da renovação contínua, à base de percepção e de dinamização de oportunidades.” • “Compromete-se; não foge à responsabilidade por suas decisões e ações.” • “É agente ético da renovação contínua de sua equipe e da organização.” Áreas Éticas de Formação do Gerente-Líder Nos estudos de Matos (2012, p. 114-115), encontramos o que o autor chama de áreas éticas de formação de gerentes-líder. Trata-se de áreas de desenvolvimento de competências gerenciais que levariam a resultados mutuamente compensadores tanto para dirigentes como para dirigidos (MATOS, 2012, p. 114). A Tabela 7.1 apresenta uma relação das áreas éticas de formação e suas respectivas propostas de desenvolvimento. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 6 Tabela 7.1 Áreas éticas de formação do gerente-líder. Fonte: Adaptação de Matos (2012, p. 114-115) © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 7 Talvez seja desnecessário ressaltarmos que a Tabela 7.1 não é um roteiro para a construção de um super-homem. Matos (2012) é bastante claro a respeito: Um perfil gerencial não significa a intenção ingênua de querer montar um super-homem. São referências que compõem um quadro caracterológico ideal, que serve como orientação básica para a seleção e o desenvolvimento (MATOS, 2012, p. 115). É comum encontrarmos uma distância entre o que pregam as teorias e o que ocorre na prática. Apesar disso, precisamos de parâmetros que nos orientem durante um caminho de evolução. As características ideais do gerente-líder e as principais áreas para sua formação, propostas pelo autor Matos (2012, p. 111- 115), podem nos servir de referência para alcançarmos a gestão ética. Condutas Éticas: entre o Individual e o Grupal Podemos encontrar olhares mais otimistas e menos otimistas a respeito da natureza humana. Gostaríamos de mencionar os estudos do psicólogo norte- americano chamado Philip Zimbardo. Professor no curso de psicologia na Universidade de Stanford, em 1971 Zimbardo liderou uma equipe de pesquisadores em um experimento que pretendia investigar o comportamento do ser humano quando vive em um grupo submetido a muitas pressões e cobranças. Sabe como esse experimento foi realizado? Nos porões do Instituto de Psicologia da Universidade. Eles simularam um ambiente de presídio e convidaram voluntários, entre os próprios alunos, para participar. Esses voluntários assumiam o papel de guardas ou prisioneiros. O experimento de Zimbardo acabou demonstrando que os voluntários que assumiram o papel de guardas formaram um grupo coeso e isento de consciência, levando os indivíduos a perderem sua identidade pessoal e seu senso de responsabilidade. A consequência constatada foi um clima de impulsos antissociais. Há teóricos que chamam esse fenômeno de desindividualização. É como se, ao formarem uma multidão, as pessoas perdessem sua consciência ética e agissem como criaturas selvagens. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 8 É claro que estamos apresentando essas ideias de maneira bem panorâmica, pois os estudos são bem mais profundos e sofisticados. Nossa intenção é trazer a complexidade da natureza humana à tona e compreender o quanto essa natureza influencia a prática da ética. Devemos admitir que o ambiente corporativo pode ser bastante insalubre quando bombardeado pelas pressões de um mercado instável, pela exigência de resultados imediatos, pela rivalidade entre os parceiros e pela ambição desenfreada dos acionistas. Infelizmente, não é difícil encontrarmos empresas com um clima organizacional bastante parecido com o clima do presídio simulado de Stanford. Em sua obra Gerenciando com as Pessoas, Chiavenato (2013) explica que o clima organizacional é o “ambiente humano dentro do qual as pessoas de uma organização realizam seu trabalho”. O clima organizacional nasce da cultura organizacional e é impactado por crises externas (como mudanças político-econômicas do país) ou por crises internas (como fusões e aquisições entre empresas). Um clima organizacional positivo é marcado pela presença e manutenção do comportamento ético, desde a presidência até o chão de fábrica. Podemos afirmar que os colaboradores de uma empresa não manterão posturas éticas se a própria cúpula não toma decisões éticas. Na verdade, dentro da complexidade que mencionamos desde o começo de nossas discussões, a manutenção de posturas éticas envolve todo o ecossistema de negócios. Você deve se lembrar que o conceito de ecossistema de negócios considera a interatuação e interdependência entre todos os subsistemas. Portanto, a inexistência da ética em qualquer subsistema comprometerá a prática da ética no sistema como um todo. Agir sob a ética é uma escolha individual. O autor e Prof. Mário Sérgio Cortella costuma explicar, em suas palestras, que podemos sentir um impulso para aceitar um bônus em troca de algum favor. No entanto, como seres racionais, somos responsáveis por dizer sim ou não a esse impulso. Temos esse poder de escolha, e a ética exige essa consciência. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 9 Saiba Mais! Gestão de Pessoas Cada vez mais, os executivos têm abandonado suas tradicionais funções administrativas para adotar uma posturade liderança renovadora e mais participativa. Antes, eles se fechavam a “sete chaves” em suas salas e ficavam distantes das equipes, mantendo o binômio “gerente versus subordinado”; hoje, porém, esse cenário vem se alterando à medida que os gerentes se transformam em líderes impulsionadores e gestores de pessoas, estabelecendo um novo binômio: “liderança versus colaboração”. Dividido em 12 capítulos, que versam sobre gestão, cultura corporativa e trabalho em equipe, o livro pretende ser um guia para o executivo aprender a lidar com sua equipe de trabalho. Atuando juntos, líderes e colaboradores podem proporcionar mais dinamismo e competitividade aos negócios, tendo como resultado o sucesso empresarial. CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando com as pessoas: transformando o executivo em excelente gestor de pessoas. 5. ed. Barueri: Manole, 2013. Consciência Ética Conforme Matos (2012), a consciência ética leva à capacidade de avaliar, julgar e à disposição para agir. É exatamente a consciência ética que faz um indivíduo resistir ao impulso que sentiu diante da oferta de bônus em troca de algum favor. A corrupção, portanto, é um padrão de comportamento em que as pessoas se deixam levar por meros impulsos, sem avaliar as consequências sistêmicas do evento em que se envolvem. Tomaremos um exemplo para explicarmos melhor: quando um executivo paga propina na compra de um terreno impróprio para a construção de sua fábrica, ele só considera o benefício subsistêmico, que é o sucesso de seu empreendimento. Por outro lado, despreza o malefício dos resíduos tóxicos de sua fábrica em todo o sistema, que é a vida humana ao redor. As considerações sistêmicas desse exemplo nos levam a crer que a decisão do executivo se limitou à intenção de que a fábrica alcançasse sucesso. Apesar do © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 10 empenho do executivo, o risco de fracasso estará presente, pois os prejuízos ao meio ambiente recairão sobre a comunidade local, comprometendo os recursos materiais e humanos. Não há como fugirmos desta realidade: o comportamento dos subsistemas (no caso de nosso exemplo: a fábrica) pode prejudicar o sistema como um todo (no caso de nosso exemplo: a comunidade local), e as consequências recairão ao próprio subsistema causador dos prejuízos (no caso de nosso exemplo: a fábrica). Decisões que desconsideram a manutenção do sistema como um todo nunca serão decisões éticas! Modelo de Gestão Ética Talvez não haja um único modelo ideal de organização. As variáveis envolvidas na realidade de cada empresa são tão específicas que ela pode conquistar sucesso atuando de determinada forma hoje, mas deverá mudar sua atuação em outro momento e sob outro contexto. De qualquer forma, é razoável discutirmos os principais pontos envolvidos em uma gestão considerada ética. Para Matos (2012, p. 121), um modelo estratégico para desenvolver a ética nas empresas deve ter como base de ação a clareza e a renovação contínua de uma cultura organizacional ética. Sem uma consciência ética de seus membros, a empresa não consegue atuar de forma ética e não enxerga a importância de educar seus colaboradores para uma contínua renovação fundamentada em condutas éticas. Em sua obra, Matos (2012, p. 126-128) propõe uma formulação do modelo de ética corporativa por meio de “um esforço coletivo em uma sequência interativa com as lideranças, em todos os níveis” (MATOS, 2012, p. 126). A Tabela 7.2 traz um resumo de sua proposta. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 11 Tabela 7.2 Formulação do Modelo de Ética Corporativa. Fonte: Adaptação de Matos (2012, p. 126-128) A formulação do modelo de ética corporativa proposto por Matos (2012, p. 126- 128) ressalta a importância de se discutir os valores e de traduzi-los em estratégias e ações, ou seja, a cultura traduz-se em valores, e a estratégia envolve a prática de valores e princípios éticos por meio de lideranças integradas. Saiba Mais! Indicadores de Gestão da Ética Os Indicadores de Gestão da Ética (IGE) foram idealizados pelo Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios no início de 2012 e começaram a ganhar forma a partir de um “texto base”, elaborado pela Sra. Izilda Capeletto (ex-Diretora de Ética do Grupo AES Brasil) e pela professora de Ética da FGV-SP, Sra. Maria Cecília de Arruda. INSTITUTO BRASILEIRO DE ÉTICA NOS NEGÓCIOS. Indicadores de Gestão da Ética. Disponível em: http://goo.gl/QzTh6M. Acesso em: 24 nov. 2014. http://goo.gl/QzTh6M © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 12 Entrevista com o Presidente do Instituto de Ética nos Negócios O recente escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras colocou a ética no centro do debate. O que fazer em uma situação na qual é cobrado suborno? Como as empresas podem manter seus funcionários na linha? Assista à entrevista com o diretor-presidente do Instituto de Ética nos Negócios, Douglas Linares Flinto. PAGEL, Geovana. Ética nos Negócios: entrevista com Douglas Linares Flinto. Portal IstoÉ Dinheiro, 21 nov. 2014. Duração: 04:13 min. Disponível em: http://goo.gl/Wcpc8E. Acesso em: 24 nov. 2014. Os dilemas da ética Poucos assuntos têm sido tão discutidos nas empresas do mundo inteiro quanto à ética corporativa. Não poderia ser diferente. Desde a série de escândalos desencadeada pelas fraudes contábeis que abalaram a economia norte-americana no ano passado e reverteram o processo de duas décadas de glorificação dos executivos, um clamor moralizante atingiu os negócios. COHEN, David. Os dilemas da ética. Exame.com, 7 maio 2003. Disponível em: http://goo.gl/lT4Bkk. Acesso em: 24 nov. 2014. Dilemas Éticos na Gestão Corporativa Srour (2013, p. 141-163) dedica um capítulo às discussões do que ele chama de Dilemas Éticos de Base, ou seja, dúvidas que uma pessoa enfrenta na hora de decidir como agir diante de determinada situação que exige conduta ética. Alguns desses dilemas são mencionados por Srour (2013, p. 142): Por exemplo, o que mais importa: a justiça social ou o respeito à propriedade privada? A gratidão por favores oferecidos de um superior ou a justiça para com um colega que está sendo prejudicado por esse mesmo superior? A verdade ou a lealdade filial? A fidelidade às convicções ou a sobrevivência física? O compromisso de saldar uma dívida ou a caridade para com uma família esfomeada? A solução para dilemas éticos necessita de uma hierarquia de valores. Isto é: para conseguirmos decidir entre um impasse de valores, temos de ter um conhecimento prévio a respeito de qual valor vale mais em relação a outro sob http://goo.gl/Wcpc8E http://goo.gl/lT4Bkk © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 13 determinado contexto. Por exemplo: caberia ou não monitorar o uso que um funcionário faz das redes sociais durante o expediente? No campo empresarial, o que deve prevalecer: o respeito estrito à privacidade dos funcionários que utilizam computadores e navegam na internet ou a “tolerância zero”, que proíbe o uso de equipamentos da empresa para qualquer finalidade particular? (MATOS, 2013, p. 143) Recentemente, os meios de comunicação divulgaram a declaração do advogado Mário Oliveira Filho, representante do lobista Fernando Baiano, denunciadopor sua participação no esquema investigado pela Operação “Lava-Jato”: O empresário, se porventura faz uma composição ilícita com político para pagar alguma coisa, se ele não fizer isso, não tem obra. Pode pegar qualquer empreiteirinha e prefeitura do interior do país. Se ele não fizer acerto [com os políticos], não coloca um paralelepípedo no chão, disse Mario Oliveira Filho, que defende Baiano (VOITCH, 2014, s.p) Teríamos um dilema ético nessa colocação do advogado de Fernando Baiano? O que vale mais? Não burlar a lei ou garantir a sobrevivência de uma corporação? Nesse dilema, podemos também mencionar a prática do chamado “Caixa 2” em muitas organizações... Muitas delas argumentam que não têm como sobreviver a tantos impostos que o governo impõe a elas: sonegam para não decretar falência. O pressuposto que respalda essa argumentação é a tácita aceitação na crença de que a chamada “Lei de Gerson” também pode ser tolerável no ambiente empresarial brasileiro. O tema central aqui é: até que ponto trata-se de um dilema da ética empresarial ou uma espécie de comodismo diante de um consenso que isenta os empresários e advogados das responsabilidades por suas escolhas? Saiba Mais! Confira, a seguir, algumas referências para ajudá-lo a compreender a complexidade dos dilemas éticos nos negócios e no Brasil. Confira na íntegra a reportagem sobre a polêmica declaração do advogado de envolvido na Operação “Lava-Jato”: © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 14 VOITCH, Guilherme. Não se faz obra pública no Brasil sem acerto, diz advogado de lobista. Folha de S.Paulo, Seção Poder, 19 nov. 2014. Disponível em: http://goo.gl/Wp6Fa8 . Acesso em: 24 nov. 2014. “A Lei de Gerson”: imagem da crise na identidade brasileira Confira os textos, a seguir, com diferentes percepções sobre a chamada “Lei de Gerson”: GUROVITZ, Hélio. Viva a lei de Gerson! Superinteressante, fev. 2004. Disponível em: http://goo.gl/yMrlDH. Acesso em: 3 dez. 2014. SALLES, Ygor. Contra a ‘Lei de Gerson’. Folha de S.Paulo, 12 fev. 2014. Disponível em: http://goo.gl/92wUYB. Acesso em: 3 dez. 2014. Case da Editora Paladin Press Of Boulder Assassino baseia-se em manual técnico de executores para matar família e empregada SROUR (2013, p. 142-143) apresenta um case para debate sobre Dilema Ético de Base. Leia a seguir: “A editora Paladin Press of Boulder vendeu mais de 10 mil exemplares do livro Matador: Manual técnico para executores independentes, que fornece instruções eficazes para matar pessoas e sumir com o corpo. Em 1993, um homem de Maryland contratou um assassino para matar sua mulher, seu filho portador de deficiência e a empregada. A polícia encontrou o livro Matador na casa do assassino e uma investigação mostrou que ele seguiu o manual. A editora acabou aceitando a responsabilidade financeira pelo triplo assassinato cometido pelo leitor, em maio de 1994.” (O Estado de São Paulo apud SROUR, 2013, p. 142-143). O que seria mais importante neste caso? A liberdade de expressão da editora em publicar a obra? O policiamento das consciências para prevenir atentados contra a vida? O direito à privacidade e à preservação da intimidade? http://goo.gl/Wp6Fa8 http://goo.gl/yMrlDH http://goo.gl/92wUYB © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 15 Em resumo, a vida corporativa oferece constantes situações que devem ser avaliadas sob a óptica da conduta ética. Sabemos que os debates são infindos e impasses acontecerão o tempo todo. Os gestores empresariais não deveriam fugir das responsabilidades pelas consequências de suas decisões. Sejam consequências para a própria corporação ou para a sociedade. Caixa 2: trata-se de uma expressão informal utilizada para apontar a prática que algumas empresas adotam na manipulação de seus resultados contábeis e consequente redução de gastos tributários. A ideia do Caixa 2 está diretamente ligada à sonegação de impostos. Cultura Organizacional Ética: conforme Matos (2012, p. 121), a cultura organizacional ética é fundamentada no desenvolvimento contínuo da consciência ética de seus membros; a presença da liderança ética, o comportamento ético e ações éticas. Empatia: basicamente, trata-se da capacidade que se tem de colocar-se no lugar do outro para entender melhor seu ponto de vista. Há menos conflitos em ambientes cujos membros praticam a empatia, pois a compreensão mútua se estabelece com maior facilidade. Identificação Ideológica: a utilização desta expressão, em nosso conteúdo, indica a concordância em relação a crenças e valores entre os membros da corporação. Quando grande parte dos colaboradores compartilha as mesmas ideias, há menos conflitos no ambiente e, assim, maior harmonia no clima organizacional. Confira essas e outras questões na obra: SROUR, Robert Henry. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. p. 142-143. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 16 Lideranças integradas: trata-se da atuação integrada das diferentes lideranças dentro de uma corporação, orientadas para a prática de princípios e valores comuns. Operação “Lava-Jato”: esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, denunciado em 2014, por meio de práticas ilícitas das diretorias da Petrobras que fraudavam contratos com empresas fornecedoras para obter pagamento de propina. Instruções Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido. Questão 1 Em sua obra Ética na Gestão Empresarial, Matos (2012, p. 112) afirma que um gerente-líder é responsável por conciliar diferenças por meio da negociação, visando ao consenso. A respeito do conceito de gerente-líder, podemos afirmar que se trata do profissional que: I. Conduz pessoas de forma humana, sem deixar de tomar decisões práticas. II. Procura desenvolver a competição predatória, uma vez que o mercado atual exige agilidade agressiva. III. Obtém resultados por consentimento e por consenso. É correto o que se afirma em: © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 17 a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 2 Nos estudos de Matos (Ética na Gestão Empresarial, 2012, p. 114-115), encontramos o que o autor chama de áreas éticas de formação de gerentes- líder. Trata-se de áreas de desenvolvimento de competências gerenciais que levariam a resultados mutuamente compensadores tanto para dirigentes como para dirigidos. A partir deste conceito, faça a correta associação entre algumas das áreas mencionadas pelo autor (itens de A até D) e as ideias apresentadas pelos itens de I a IV. A correta associação é expressa pela alternativa: a) A=III; B=I; C=IV; D=II. b) A=I; B=II; C=IV; D=III. c) A=IV; B=III; C=II; D=I. d) A=II; B=III; C=IV; D=I. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma.18 e) A=I; B=III; C=IV; D=II. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 3 “A editora Paladin Press of Boulder vendeu mais de 10 mil exemplares do livro Matador: Manual técnico para executores independentes, que fornece instruções eficazes para matar pessoas e sumir com o corpo. Em 1993, um homem de Marland contratou um assassino para matar sua mulher, seu filho portador de deficiência e a empregada. A política encontrou o livro Matador na casa do assassino e uma investigação mostrou que ele seguiu o manual. A editora acabou aceitando a responsabilidade financeira pelo triplo assassinato cometido pelo leitor, em maio de 1994.” (O Estado de São Paulo apud SROUR, 2013, p. 142-143) A respeito do texto apresentado, podemos afirmar: I. O caso pode trazer à tona um dilema ético entre a liberdade de imprensa, que a editora tem por direito, e a responsabilidade social que as corporações deveriam assumir. II. Ao assumir a responsabilidade financeira pelo triplo assassinato, a editora pode ter diminuído os impactos que o caso deve ter causado em sua reputação. III. A posse do livro, pelo assassino, traz à tona um dilema ético que está entre seu direito à privacidade e o policiamento das consciências para prevenir atentados contra a vida. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 19 c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 4 O Tabu do Estresse “A ONG britânica Mind, voltada para a saúde mental, publicou um levantamento referente ao estresse endêmico que acomete milhões de trabalhadores no Reino Unido e que acarreta a perda de bilhões de dólares em horas de trabalho. O mais curioso é que 93% mentiram a seus patrões a respeito do motivo real de seu absenteísmo. Alegaram dores de estômago, resfriados, dores de cabeça, consultas médicas, problemas em casa o doenças na família, menos o estresse no trabalho. Não confessaram que aguentam cada vez menos as pressões para o cumprimento de metas, nem tentaram discutir as questões referentes ao ambiente de trabalho em que prevalece o moral baixo, a baixa produtividade e formas escapistas de enfrentar as tensões.” (SROUR, Robert H. Casos de ética empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011, p. 43) Após ter lido o texto, responda: Um gerente-líder poderia atuar de forma a melhorar este contexto? De que maneira? Explique. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 5 “Nos Estados Unidos, quase um em cada seis diretores financeiros afirma ter sido pressionado a falsificar números da empresa nos últimos cinco anos, segundo pesquisa publicada em agosto pela CFO Magazine, publicação dirigida © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 20 a executivos financeiros. Quase um terço deles afirmou que sua empresa camuflava dívidas para causar boa impressão na bolsa de valores, geralmente com truques similares aos utilizados pela Enron”. (COHEN, David. Os dilemas da ética. Exame.com, 7 maio 2003. Disponível em: http://goo.gl/Xyd2dM. Acesso em: 24 nov. 2014) Após ter lido o texto, responda: Que dilema ético se destaca no contexto descrito? Explique. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. O conteúdo deste tema nos levou a compreender os aspectos que envolvem a ética e as relações humanas no trabalho. Conhecemos as principais características do gerente-líder e as possíveis áreas para sua formação. Entendemos a relação entre as condutas éticas individuais e as condutas éticas grupais. Pudemos também refletir sobre a consciência ética. Matos (2012) nos trouxe uma proposta para o modelo de gestão ética e Srour (2013) nos apresentou o conceito de dilemas éticos na gestão corporativa. CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando com as pessoas: transformando o executivo em excelente gestor de pessoas. 5. ed. Barueri: Manole, 2013. COHEN, David. Os dilemas da ética. Exame.com, 7 maio 2003. Disponível em: http://goo.gl/Cz9CRv. Acesso em: 24 nov. 2014. FLINTO, Douglas L. Ética nos Negócios & Valores Corporativos. Tem ou não tem? Eis a Questão! In: Pesquisa de Código de Ética 2014. Disponível em: http://goo.gl/cB11zb. Acesso em: 24 nov. 2014. http://goo.gl/Xyd2dM http://goo.gl/Cz9CRv http://goo.gl/cB11zb © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 21 GUROVITZ, Hélio. Viva a lei de Gerson! Superinteressante, fev. 2004. Disponível em: http://super.abril.com.br/esporte/viva-lei-gerson-444339.shtml. Acesso em: 3 dez. 2014. INSTITUTO BRASILEIRO DE ÉTICA NOS NEGÓCIOS. Indicadores de Gestão Ética. Disponível em: http://www.ige.org.br/indicadores.php. Acesso em: 24 nov. 2014. LEI de Gerson. IstoÉ, Seção Brasil, Ed. 1578, 29 dez. 1999. Disponível em: http://goo.gl/oamA5I. Acesso em: 3 dez. 2014. PAGEL, Geovana. Ética nos Negócios: entrevista com Douglas Linares Flinto. Portal IstoÉ Dinheiro, 21 nov. 2014. Duração: 04:13 min. Disponível em: http://goo.gl/9ho5Ts. Acesso em: 24 nov. 2014. SALLES, Ygor. Contra a ‘Lei de Gerson’. Folha de S.Paulo, 12 fev. 2014. Disponível em: http://goo.gl/2AMLen. Acesso em: 3 dez. 2014. SROUR, Robert Henry. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. TEIXEIRA, Alexandre. Como se tornar um líder do século 21. Época Negócios, s/d. Disponível em: http://goo.gl/50dBxS. Acesso em: 24 nov. 2014. VOITCH, Guilherme. Não se faz obra pública no Brasil sem acerto, diz advogado de lobista. Folha de S.Paulo, Seção Poder, 19 nov. 2014. Disponível em: http://goo.gl/5BVbhU. Acesso em: 24 nov. 2014. Questão 1 Resposta: Alternativa C. A resposta dessa pergunta encontra subsídios no item “O Gerente-Líder” do Caderno de Atividades do Tema 7. http://super.abril.com.br/esporte/viva-lei-gerson-444339.shtml http://www.ige.org.br/indicadores.php http://goo.gl/oamA5I http://goo.gl/9ho5Ts http://goo.gl/2AMLen http://goo.gl/50dBxS http://goo.gl/5BVbhU © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 22 Questão 2 Resposta: Alternativa E. A resposta dessa pergunta encontra subsídios no item “Áreas éticas de formação do gerente-líder”, do Caderno de Atividades do Tema 7. Questão 3 Resposta: Alternativa E. A resposta dessa pergunta encontra subsídios no item “Dilemas Éticos” do Caderno de Atividades do Tema 7. Questão 4 Resposta: A resposta para essa questão deve basear-se nas ideias apresentadas no item “O Gerente-líder” do Caderno de Atividades do Tema 7. As características desse tipo de líder (vide relação que segue), apresentadas por Matos (2012, p. 111-115), evitariam a perda de receitas, a desmotivação do pessoal e a reduzida capacidade de atenção às demandas (por causa da falta de saúde causada pelo estresse). Características do Gerente-Líder: - “É predominantemente participativo, envolvente, motivador.” - “Utiliza a negociação e o acordo para tomar decisões que se tornam, assim, corresponsabilizadoras.” - “Obtém resultados por consentimento e por consenso.” - “Procura desenvolver a cooperação criativa em lugar da competição predatória.”- “É flexível, evita radicalizar posição e usar de comportamento reativo que impeça análises críticas e reformulações.” - “Planeja seu tempo e o de sua equipe, desenvolve estratégias para administrar as crises e os conflitos do presente, sem prejuízo da renovação contínua, à base de percepção e de dinamização de oportunidades.” © 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 23 - “Compromete-se; não foge à responsabilidade por suas decisões e ações.” - “É agente ético da renovação contínua de sua equipe e da organização.” Questão 5 Resposta: O dilema ético que se destaca no texto é em relação aos diretores que são pressionados a falsificar os números da empresa. Parece haver um impasse entre agir contra a ética e manter seu emprego ou manter uma conduta ética e arriscar-se a ser demitido. Olá! Seja bem-vindo à oitava aula da disciplina Ética e Relações Humanas no Trabalho. Nesta aula, teremos a oportunidade de explorar esse assunto sob enfoque e considerações de nossa contemporaneidade: o século XXI. O que há de tão novo e diferente nos dias de hoje que nos leva a pensar em novos modelos para a prática da ética e das relações humanas no trabalho? Parece-nos que os modelos que utilizamos até o momento já não servem mais. Ao mesmo tempo, ainda não temos novos modelos totalmente testados. É bem provável estarmos vivendo entre Eras. Mudanças não são novidade para a humanidade. Mas, a velocidade com que elas têm acontecido, é inédita. Basta mencionarmos o ritmo dos lançamentos de produtos como televisores, smartphones, notebooks, dentre outros. A sensação que temos, muitas vezes, é a de não saber aonde essa aceleração toda nos levará. Os mais otimistas dizem que isso tudo nos levará a novas descobertas e melhorias para a humanidade. Os mais pessimistas dizem que isso tudo levará à extinção da humanidade. © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 1 Como citar este material: FREGNI, Carla P. Ética e Relações Humanas no Trabalho do Séc. XXI. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 2 Talvez haja razão nos dois extremos. Há, sim, motivos para ficarmos entusiasmados com tantas descobertas recentes e há sim, motivos para ficarmos assustados com tantos desvarios humanos. Não é para menos que dissemos, há pouco, que vivemos numa fase intermediária entre Eras. A empolgação e o caos convivem de maneira quase incompreensível. Alguns velhos paradigmas ainda tentam persistir, enquanto novos paradigmas tentam se estabelecer. Esse contexto macro interfere diretamente no ecossistema de negócios. E, pelos efeitos sistêmicos, corporações e pessoas acabam sendo afetadas também. Saiba Mais! Máquinas colaborativas Com o título: “Robôs ganham espaço nas pequenas empresas”, a reportagem apresenta as chamadas máquinas colaborativas. Trata-se de máquinas projetadas para trabalhar ao lado de pessoas em ambientes fechados. Esse tipo de tecnologia já pode ser adotada por pequenas empresas, pois seu custo é relativamente baixo: US$ 20.000. Empresas norte-americanas como fabricantes de bijuterias e brinquedos já adotaram as máquinas colaborativas para ampliar a produtividade e reduzir custos com mão de obra. AEPPE, Timothy. Robôs ganham espaço nas pequenas empresas. The Wall Street Journal. Versão em português, 19 set. 2014. Disponível em: http://goo.gl/MIGvSU. Acesso em: 29 nov. 2014. http://goo.gl/MIGvSU © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 3 Desafios para as Empresas do Século XXI A substituição de mão de obra por tecnologias avançadas não é inovação da nossa contemporaneidade: trata-se de uma prática já encontrada na Revolução Industrial. A procura pela melhoria do processo produtivo, pelo aumento das vendas e pela diminuição de custos ainda faz parte do contexto do mercado atual. Então, o que há de diferente em nosso tempo? Podemos afirmar que o avanço acelerado das tecnologias, assim como a dimensão alcançada pela globalização, lançam novos desafios às corporações do século XXI. Talvez, a responsabilidade social e o compromisso com o meio ambiente nunca tenham sido tão exigidos às empresas como acontece hoje em dia. Os desdobramentos das práticas do ser humano sobre a natureza e sobre a própria vida demonstram-se mais como ameaças do que oportunidades. Nas palavras de Kluyver (2010, p. 48): Desdobramentos em áreas como demografia, doenças infecciosas, degradação de recursos, integração econômica, nanotecnologia, conflito internacional e governança acarretarão sérias consequências à estratégia corporativa. Elas podem reformular empresas ou setores inteiros. As empresas que estiverem em sintonia com esses desafios, prepararem-se para enfrentá-los e reagirem adequadamente terão mais chances de prosperar; aquelas que os ignorarem arriscarão a própria sorte (KLUYVER, 2010, p. 48). Há um estudo, lançado pela Penn State Center for Global Business Studies (apud KLUYVER, 2010, p. 47-48), que abrange uma previsão de tendências globais cujos processos são comparados aos movimentos tectônicos da terra. Em outras palavras, os processos ambientais, tecnológicos e sociais, detectados pelo estudo, movimentam-se de tal forma que revolucionarão o ambiente dos negócios. Algumas considerações podem ser levantadas a respeito (KLUYVER, 2010, p. 48): 1. Os movimentos ambientais surgem das interações entre as pessoas e seu meio ambiente. Exemplos são o crescimento da população mundial e a © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 4 urbanização. Esses movimentos criam impactos diretos sobre a gestão de recursos, a saúde e a qualidade de vida em todo o mundo. 2. Os movimentos tecnológicos são identificados pelos avanços da biotecnologia, da nanotecnologia e dos sistemas de informação. Esses movimentos criam impactos sobre o crescimento e desenvolvimento econômico, sobre a integração global e sobre o surgimento da economia do conhecimento. 3. Os movimentos sociais podem ser identificados pelas mudanças em governança internacional, assim como pelos valores políticos e culturais. Eles mantêm relação direta com a onda de democratização, desregulamentação e reforma governamental. As tendências do século XXI podem pressionar não só as empresas, mas o próprio ser humano a repensar seus valores e comportamento no sentido da sustentabilidade da vida humana. A consideração de condutas éticas será inevitável nessas reflexões. O peso da irresponsabilidade das empresas e dos governos Os meios de comunicação estão sempre divulgando notícias de multidões que perdem seus empregos, devido ao acelerado desenvolvimento tecnológico. Grandes corporações aproveitam-se dos mais fragilizados, como os adolescentes, que têm seus direitos severamente desrespeitados. Esse cenário nos dá a impressão de estarmos no século passado, não é mesmo? Infelizmente, trata-se do tempo presente. Em reportagem de Eva Dou, veiculada no The Wall Street Journal, uma triste realidade é trazida à tona: milhares de adolescentes chineses sãoenviados a uma cidade para montar aparelhos eletrônicos para algumas das maiores marcas do mundo. Muitos deles trabalham 12 horas por dia, durante seis dias por semana. Essas condições violam a regulação chinesa para trabalhadores com menos de 18 anos. Ao mesmo tempo, essa prática tem a chancela oficial do Ministério da Educação da China que, em 2010, afirmou que escolas de ensino técnico deveriam fornecer estudantes para suprir a falta de trabalhadores. © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 5 Muitos estudantes sentem que não têm outra escolha, pois muitas escolas condicionam a conclusão do curso a esses tipos de estágio. Infelizmente, temos que admitir que ainda existe muita hipocrisia por parte das corporações e dos governos. Leis são ignoradas e condutas imorais são praticadas por empresas, enquanto o Estado se corrompe em função do que lhe é conveniente. E, nessa realidade, podemos encontrar centenas de exemplos lamentáveis de irresponsabilidade com o ambiente e com o ser humano. Talvez, você já tenha ouvido falar do desmanche de navios nas praias de Bangladesh. Tudo começa quando um navio já não pode mais ser usado em navegações: seja por tempo de uso ou por avarias. Como o desmonte ficaria muito custoso às empresas responsáveis, elas repassam esses navios a atravessadores que os levam às praias, como a de Chitagong (em Bangladesh), e os encalha propositalmente. Em seguida, dezenas de homens, com ferramentas precárias e sem o mínimo de proteção (muitas vezes, descalços) rodeiam os navios encalhados e começam o trabalho de desmanche. Na reportagem de John Vidal, encontramos informações lamentáveis como seguem: Saiba Mais! Confira na reportagem de Eva Dou, disponível a seguir, o uso de mão de obra irregular pelas empresas chinesas, com aval do governo daquele país: DOU, Eva. Adolescentes suprem falta de mão de obra na China. Wall Street Journal, 26 set. 2014. Disponível em: http://br.wsj.com/articles/SB10553624399357934584804580176683685735428. Acesso em: 29 nov. 2014. http://br.wsj.com/articles/SB10553624399357934584804580176683685735428 © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 6 ‘Em média, morre um trabalhador nos estaleiros a cada semana, e um trabalhador se fere a cada dia. Parece que ninguém se incomoda muito. É fácil substituir operários, para os donos dos estaleiros; quando um trabalhador se fere, há dez dispostos a substitui-lo. O governo recolhe impostos e finge que não vê’, diz Muhammad Shahin, dirigente do Young Power in Social Action (YPSA), um grupo de ativistas. Na semana passada, o Exxon Valdez, petroleiro responsável por um dos maiores derramamentos de petróleo da história dos Estados Unidos, em 1989, foi vendido para desmonte e deve ser desmantelado em uma praia de Bangladesh ou da Índia. ‘É um absurdo que esse navio, que já causou uma grande catástrofe ambiental, possa poluir e matar mais uma vez’, diz Jim Puckett, diretor executivo da Basel Action Network, que trabalha para prevenir a globalização da crise dos produtos químicos tóxicos (VIDAL, 2012). Afinal, onde está a ética? Por que será que até aquelas organizações, que primam por suas imagens institucionais, deixam de lado a ética para violar os direitos humanos? Por que será que os governos são coniventes com essa situação? Por que será que nós compramos alguns produtos, mesmo sabendo que foram produzidos em regime semiescravo? Vivemos em uma Era de transição. Convivemos ainda com os antigos modelos da administração e, ao mesmo tempo, com a proposta de novos paradigmas como qualidade de vida; sustentabilidade; valorização do capital humano nas empresas etc. A economia capitalista sempre prezará pelo aumento da produção e pela redução de custos. A melhoria dos processos produtivos tem sido alcançada pelo desenvolvimento tecnológico. Máquinas cada vez mais potentes custam menos do que um funcionário e produzem muito mais. A competência intelectual de poucos é mais valorizada do que a competência operacional de muitos. Fontes tradicionais de energia começam a ficar escassas. Coloque, em uma panela de pressão, a combinação de uma multidão de desempregados, o acúmulo de riqueza nas mãos de poucos e um meio-ambiente cujos recursos naturais estão ficando escassos, e, não precisará colocar no fogo para ela explodir! Puxa, que olhar mais catastrófico, não? Pode até ser, mas se o ser humano não fizer nada para mudar a rota de sua trajetória, essa panela de pressão poderá © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 7 explodir, como já aconteceu várias vezes na história da humanidade, mas, com duas grandes diferenças: a dimensão da explosão e a velocidade com que as consequências iriam se alastrar seriam como nunca se viu até agora. O estágio atual do capitalismo e o futuro das organizações Em seu artigo, Marcos Tavares Ferreira discute as implicações do estágio atual do capitalismo no mundo e o futuro das organizações. Segundo ele, as práticas da escola neoclássica da administração ainda estão profundamente internalizadas em grande parte das empresas. Saiba Mais! HOELZGEN, Joachim. Os cemitérios de navios do sul da Ásia. BOL Notícias. Seção Internacional. 09 maio 2009. Disponível em: http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/05/09/ult2682u1163.jhtm. Acesso em: 29 nov. 2014 Leia a reportagem a seguir, sobre os riscos nos estaleiros de desmonte de Bangladesh: VIDAL, John. Os ricos nos estaleiros de desmonte de Bangladesh. Folha.com. Caderno Ilustríssima. 10 maio 2012. Disponível em: http://goo.gl/AJ4flX. Acesso em: 29 nov. 2014. http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/05/09/ult2682u1163.jhtm http://goo.gl/AJ4flX © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 8 Ferreira (2011) menciona três barreiras ao tentarmos mudar os paradigmas antigos e adotar novos paradigmas, mais adequados à nossa contemporaneidade: 1ª Apesar de estarmos em pleno século XXI, muitas organizações ainda tratam seus negócios enxergando os problemas com base em eventos de curto prazo e, assim, tentam adiar a realização de mudanças inevitáveis na sua estrutura, torcendo para que algo inesperado aconteça. 2ª As organizações, em geral, ainda resistem em abandonar os princípios básicos da teoria da escola neoclássica (divisão do trabalho, especialização, hierarquia e distribuição da autoridade e responsabilidade) que foi a sustentação da administração do século XX, inclusive dos modelos de gestão mais recentes como a qualidade e a reengenharia, porque eles ainda funcionam. Essas empresas consideram que todo o aprendizado é válido, desde que não vá de encontro a esses princípios. 3ª As propostas, tendências e sistemas que envolvem as mudanças inevitáveis (redes neurais, complexidade, empresas inteligentes, redes sociais, consumo colaborativo, sustentabilidade, autonomia etc.) vão exigir esforços gerenciais, investimentos financeiros e cessão de poderes que ainda não foram muito bem absorvidos pela grande massa de empresários e donos de processos de negócios nas empresas comerciais e instituições públicas. O controle (centralizado) da produtividade e do desempenho ainda é um valor decisivo para essasorganizações. A democratização da estrutura dá, em geral, a sensação de perda de poder e, portanto, a perda do negócio. O autor Ferreira (2011) contribui com alguns questionamentos sobre a necessidade de se transformarem as práticas corporativas atuais: 1. Será que os empresários e administradores terão motivação e segurança para dar flexibilidade, e até descontinuar, em determinados casos, algumas práticas fixadas no século XX? 2. Será que os empresários e administradores terão a motivação e segurança para ceder espaço no processo decisório (estratégico) para os seus colaboradores? 3. Será que as novas exigências dos mercados terão força para derrubar o poder da burocracia, que “reina” em determinadas organizações, em detrimento do mérito e do conhecimento? 4. Será que as novas práticas darão valor real ao ser humano e não mais enxergarão os colaboradores como peças na engrenagem das operações das empresas? 5. Será que, finalmente, poderemos ter um ambiente organizacional em que a fragmentação do trabalho seja abandonada e o todo seja reorganizado de forma sustentável? Muitos pensadores acreditam que a ética pode evitar o colapso de nosso sistema de vida. Ética na política, ética na economia, ética na sociedade, ética nas empresas, ética no dia a dia! Nosso sistema de vida está comprometido porque os vários subsistemas que o compõem estão corrompidos. Talvez, a evolução devesse começar pelo próprio indivíduo. Afinal, ele pode ser considerado o subsistema primordial de todo o sistema que é a vida humana, certo? © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 9 © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 10 Ética e Web 2.0 Em entrevista à Globo News, Gary Hamel – um dos mais respeitáveis autores da área de negócios em nossa contemporaneidade – leva-nos a compreender a importância de se reinventar a administração, para que possamos conciliar disciplina com criatividade. Segundo Hamel, o sistema administrativo foi projetado para garantir obediência, concordância e controle. Ainda precisamos disso, mas também é importante ter espaço para a criatividade, imaginação e iniciativa. Hamel também destaca o importante papel da internet na exigência de condutas organizacionais mais éticas. O autor afirma que, para enfrentar a nova crise no capitalismo, é preciso haver uma nova ética. Os executivos de hoje não são menos éticos do que os executivos do passado. É que a internet dá muita visibilidade a qualquer erro empresarial. Com o crescimento das organizações por meio da consolidação global, suas escolhas têm maiores consequências. As pessoas esperam que as grandes corporações obedeçam a padrões elevados – o que é justo. Para Hamel, as empresas são construções sociais. A sociedade tem o direito de cobrar mais responsabilidade das empresas pelo impacto sobre o meio ambiente, pelas práticas trabalhistas, pelo impacto sobre a saúde humana. Saiba Mais! Administração 2.0 © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 11 Tendências atuais, segundo Matos (2012) O autor Matos (2012, p. 109-110), em sua obra Ética na Gestão Empresarial: da conscientização à Ação, seleciona alguns eventos que marcam a tendência de se resgatar a naturalidade nas relações de trabalho. Sua abordagem é bastante otimista e podemos destacar algumas das tendências mencionadas por ele: 1. Estruturas horizontais no lugar das verticais, oferecendo mais flexibilidade para relacionamentos mais informais, participação nas discussões e decisões. 2. Comissões de empregados; cogestão e participação nos lucros. 3. Sindicalismo com visão macro da qualidade das condições de trabalho. 4. Integração empresa-governo-comunidade. 5. Maior acesso à escolha e às modernas fontes de informação tornam os empregados mais exigentes e, consequentemente, a empresa é levada a formular políticas que compatibilizem o crescimento da organização com o desenvolvimento dos recursos humanos. Independentemente de sermos mais otimistas ou mais pessimistas em relação às tendências do século XXI, devemos trabalhar por uma conscientização humana em relação a sistemas mais sustentáveis – seja em que área for – em função de um futuro mais promissor. Governança Corporativa: “Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo as práticas Entrevista de um dos especialistas mais conceituados na atualidade. Gary Hamel aborda os novos modelos de gestão influenciados pela web 2.0 e o novo comportamento de consumo do século XXI. GLOBONEWS. Gary Hamel. Administração 2.0. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Iz9hVYrw8hI. Acesso em: 29 nov. 2014. http://www.youtube.com/watch?v=Iz9hVYrw8hI © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 12 e os relacionamentos entre proprietários, conselho de administração, diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso ao capital e contribuindo para a sua longevidade.” (Fonte: Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Disponível em: http://goo.gl/j1DCiZ. Acesso em: 29 nov. 2014). Biotecnologia: “É o conjunto de conhecimentos que permite a utilização de agentes biológicos (organismos, células, organelas, moléculas) para obter bens ou assegurar serviços.” (Fonte: ORT. O que é biotecnologia? Disponível em: http://www.ort.org.br/biotecnologia/o-que-e-biotecnologia. Acesso em: 29 nov. 2014.). Nanotecnologia: “É um termo usado para referir-se ao estudo de manipulação da matéria numa escala atômica e molecular, ou seja, é a ciência e a tecnologia que focam nas propriedades especiais dos materiais de tamanho nanométrico. O principal objetivo é criar novos materiais, novos produtos e processos a partir da capacidade moderna de ver e manipular átomos e moléculas.” (Fonte: BRITO, Evaldo. Saiba o que é nanotecnologia e como ela pode mudar o futuro. 30 jul. 2014. Disponível em: http://goo.gl/mHuPAH. Acesso em: 29 nov. 2014.). Movimentos tectônicos da terra: São movimentos das chamadas placas tectônicas (gigantescos blocos que compõem a camada sólida externa do planeta, sustentando os continentes e oceanos). (Fonte: GUIA DO ESTUDANTE. Principais placas tectônicas e seus movimentos. Seção Vestibular. 11 mar. 2011. Disponível em: http://goo.gl/5BGU5W. Acesso em: 29 nov. 2014.) Instruções Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido. http://goo.gl/j1DCiZ http://www.ort.org.br/biotecnologia/o-que-e-biotecnologia http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2013/03/saiba-o-que-e-nanotecnologia-e-como-ela-pode-mudar-o-futuro.html http://guiadoestudante.abril.com.br/vestibular-enem/placas-tectonicas-seus-movimentos-621602.shtml © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 13Questão 1 O cenário dos negócios, neste século XXI, integra comportamentos inovadores e retrógados por parte das empresas. Ao mesmo tempo em que novas condutas são adotadas, aspectos tradicionais e, muitas vezes ultrapassados são conservados. Diante dessas considerações, julgue cada item como referente a aspectos retrógados (r) ou referente a aspectos inovadores (i). I. Maior acesso à escolha e às modernas fontes de informação por parte dos trabalhadores. II. Integração empresa-governo-comunidade. III. Divisão do trabalho, especialização e hierarquia. IV. Comissões de empregados; cogestão e participação nos lucros. V. Organização empresarial verticalizada. A alternativa que apresenta o correto julgamento dos aspectos é: a) I - i; II - i; III - r; IV - i; V - r. b) I - i; II - r; III - r; IV - i; V - r. c) I - i; II - i; III - r; IV - r; V - r. d) I - i; II - i; III - i; IV - i; V - r. e) I - i; II - r; III - r; IV - i; V - i. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 2 Ao compararmos as condutas éticas das empresas do século XXI e as empresas de tempos anteriores, podemos concluir: I. Os executivos de hoje são menos éticos do que os executivos do passado. © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 14 II. As decisões das grandes corporações de hoje são mais impactantes do que as decisões das corporações do passado. III. A internet assume importante papel na exigência de condutas organizacionais mais éticas. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 3 Os movimentos tecnológicos como avanços da biotecnologia, da nanotecnologia e dos sistemas de informação criam impactos sobre o crescimento e desenvolvimento econômico, sobre a integração global e sobre o surgimento da economia do conhecimento. Podemos considerar os seguintes impactos sobre a ética empresarial: I. Tecnologias como a biotecnologia e a nanotecnologia podem promover maior efetividade à cadeia produtiva, como o aumento da produção e a redução dos custos. No entanto, é responsabilidade das corporações avaliar se os resultados de sua aplicação serão positivos ao ser humano. II. Os avanços tecnológicos dos sistemas de informação promovem a integração da economia global, pressionando as empresas a fecharem negócios ilícitos para não falirem. III. A internet propicia um empoderamento ao mercado consumidor que pode manifestar-se publicamente a favor ou contra os produtos e serviços das empresas, que passam a ter sua reputação mais vulnerável. © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 15 É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 4 “Em média, morre um trabalhador nos estaleiros a cada semana, e um trabalhador se fere a cada dia. Parece que ninguém se incomoda muito. É fácil substituir operários, para os donos dos estaleiros; quando um trabalhador se fere, há dez dispostos a substitui-lo. O governo recolhe impostos e finge que não vê’, diz Muhammad Shahin, dirigente do Young Power in Social Action (YPSA), um grupo de ativistas.” VIDAL, John. Os ricos nos estaleiros de desmonte de Bangladesh. Folha.com. Caderno Ilustríssima. 10 maio 2012. Disponível em: http://goo.gl/LQKrnF. Acesso em: 29 nov. 2014. O texto apresentado é um recorte de reportagem, publicada na Folha.com, sobre o desmanche de navios na praia de Bangladesh. A respeito desse trecho, explique por que há falta de conduta ética por parte das corporações responsáveis pelo destino dos navios e por parte do governo. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 5 Há um estudo, lançado pela Penn State Center for Global Business Studies (apud KLUYVER, 2010, p. 47-48), que abrange uma previsão de tendências globais cujos processos são comparados aos movimentos tectônicos da terra. Em outras palavras, os processos ambientais, tecnológicos e sociais, detectados http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1088741-os-riscos-nos-estaleiros-de-desmonte-de-bangladesh.shtml © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 16 pelo estudo, movimentam-se de tal forma que revolucionarão o ambiente dos negócios. Considerando-se que os movimentos sociais surgem das interações entre as pessoas e seu meio ambiente, que condutas empresariais poderiam criar impactos positivos sobre a gestão de recursos e sobre a qualidade de vida da comunidade em que está inserida? Explique sua resposta. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Esta aula propôs reflexões sobre a ética e as relações humanas no trabalho sob o contexto do século XXI. Pudemos percorrer por ideias pessimistas e otimistas a respeito do futuro do ecossistema de negócios. Nossa intenção foi levantar as várias considerações sobre a trajetória da humanidade rumo ao futuro. Afinal, o que decidimos e fazemos hoje determinará aquilo que viveremos amanhã. AEPPE, Timothy. Robôs ganham espaço nas pequenas empresas. The Wall Street Journal. Versão em português, 19 set. 2014. Disponível em: http://goo.gl/XvNgxR. Acesso em: 29 nov. 2014. AZEVEDO, Erik. Fotos do infame desmanche de navios nas praias de Alang. Blog Mercante. 03 jun. 2010. Disponível em: http://goo.gl/mZXqqY. Acesso em: 29 nov. 2014. BRITO, Evaldo. Saiba o que é nanotecnologia e como ela pode mudar o futuro. 30 jul. 2014. Disponível em: http://goo.gl/BjcKGx. Acesso em: 29 nov. 2014. DOU, Eva. Adolescentes suprem falta de mão de obra na China. Wall Street Journal, 26 set. 2014. Disponível em: http://goo.gl/1GwyO7. Acesso em 29 nov. 2014. http://goo.gl/XvNgxR http://www.blogmercante.com/2010/06/fotos-do-infame-desmanche-de-navios-nas-praias-de-alang/ http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2013/03/saiba-o-que-e-nanotecnologia-e-como-ela-pode-mudar-o-futuro.html http://br.wsj.com/articles/SB10553624399357934584804580176683685735428 © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 17 FERREIRA, Marcos T. As Organizações do Século XXI: Tendências e Incertezas. Espaço Opinião. Disponível em: http://goo.gl/HG6SOv. Acesso em: 28 nov. 2014. GLOBONEWS. Gary Hamel – Administração 2.0. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Iz9hVYrw8hI. Acesso em: 29 nov. 2014. GUIA DO ESTUDANTE. Principais placas tectônicas e seus movimentos. Seção Vestibular. 11 mar. 2011. Disponível em: http://goo.gl/G15y7A. Acesso em: 29 nov. 2014. MATOS, Francisco Gomes de. Ética na gestão empresarial: da conscientização à ação. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. HOELZGEN, Joachim. Os cemitérios de navios do sul da Ásia. BOL Notícias. Seção Internacional. 09 maio 2009. Disponível em: http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/05/09/ult2682u1163.jhtm. Acesso em 29 nov. 2014. INSTITUTO Brasileiro de Governança Corporativa. Governança Corporativa. Disponível em: http://www.ibgc.org.br/inter.php?id=18161/governanca-corporativa. Acesso em 29 nov. 2014. KLUYVER, CorlenisA. de. Estratégia: uma visão executiva. 3. ed. São Paulo: Pearson, 2010. ORT. O que é biotecnologia? Disponível em: http://goo.gl/3RJfO0. Acesso em 29 nov. 2014. VIDAL, John. Os ricos nos estaleiros de desmonte de Bangladesh. Folha.com. Caderno Ilustríssima. 10 maio 2012. Disponível em: http://goo.gl/m7v5Ux. Acesso em: 29 nov. 2014. http://cra-rj.org.br/site/cra_rj/espaco_opiniao_artigos/index.php/2011/05/31/os-processos-de-gestao-da-interacao-humana-him-e-as-suas-questoes/ http://www.youtube.com/watch?v=Iz9hVYrw8hI http://guiadoestudante.abril.com.br/vestibular-enem/placas-tectonicas-seus-movimentos-621602.shtml http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/05/09/ult2682u1163.jhtm http://www.ort.org.br/biotecnologia/o-que-e-biotecnologia http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1088741-os-riscos-nos-estaleiros-de-desmonte-de-bangladesh.shtml © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 18 Questão 1 Resposta: Alternativa A. A resposta para essa pergunta encontra-se no Caderno de Atividades da Aula 8, itens: “Tendências atuais segundo o autor Matos” e “O estágio atual do capitalismo e o futuro das organizações”. Questão 2 Resposta: Alternativa D. Não há estudos que comprovem diferenças éticas entre os executivos de hoje com os do passado. O que acontece é que o cenário do século XXI é bem mais complexo. Essa complexidade está implícita nas afirmações II e III: ações de empresas globais refletem em todo o mundo e a internet delega um poder ao mercado consumidor que monitora as condutas das empresas atuais. Questão 3 Resposta: Alternativa C. As afirmações I e III são verdadeiras e autoexplicativas. A afirmação II é inaceitável, porque desconsidera a responsabilidade que todas as empresas têm frente às suas decisões: nenhuma delas é obrigada a agir de forma ilícita. Questão 4 (Para que o estudante responda corretamente a questão, espera-se que ele tenha lido a reportagem indicada no Saiba Mais) © 2015 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 19 Resposta: As empresas proprietárias dos navios, assim como os atravessadores que encalharam os navios são irresponsáveis com todo o sistema de negócios, pois suas ações comprometem o meio ambiente pela poluição dos resíduos dos navios nas praias e alimentam uma cadeia de trabalho semiescravo. Quanto ao governo, não se impor com leis severas para evitar esse processo é uma conduta irresponsável e negligente. Questão 5 Resposta: Empresas que adotam condutas éticas preocupam-se com os impactos de suas ações sobre o meio ambiente e sobre a comunidade em que vive. Zelar pela gestão dos resíduos de sua produção, com foco na sustentabilidade ambiental leva à perenidade dos recursos naturais. A responsabilidade social, implementada em programas de melhorias junto à comunidade em que a empresa está inserida pode criar melhores condições de vida à população, refletindo na qualidade de vida de seus funcionários.