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ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO - Tutoria gastro

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graves de peritonite bacteriana 
Obstrução com estrangulamento:
- A compressão dos vasos do mesentério é a causa da interrupção do suprimento de 
sangue ao intestino, acarretando isquemia e necrose
- Essa situação é mais frequente na obstrução por aderência, hérnias ou volvo
- À compressão das veias e à dificuldade do retorno venoso soma-se o problema do 
acúmulo de líquido e gás já descrito, levando a pequenos sangramentos na luz 
intestinal e na parede das alças — levando à hipovolemia, choque e azotemia
- O segmento de intestino necrosado libera substâncias tóxicas na cavidade 
peritoneal e na luz do intestino
- Os fatores que mais interferem na fisiopatologia com estrangulamento são: o 
conteúdo da alça obstruída é tóxico; as bactérias aí presentes são importantes para 
a produção dessas toxinas; os segmentos de intestino que não estão necrosados 
não participam na formação dessas toxinas; as toxinas não passam através de 
mucosa normal; a absorção das toxinas é mais importante do que a sua produção; 
e os sintomas podem estar correlacionados com a formação dessas toxinas 
Obstrução em alça fechada:
- Quando uma alça intestinal encontra-se obstruída simultaneamente nas 
extremidades proximal e distal ou uma obstrução colônica com uma válvula 
ileocecal competente, caracteriza-se uma obstrução em alça fechada
- A obstrução em alça fechada pode progredir rapidamente para o estrangulamento
- A interrupção do suprimento sanguíneo pode ocorrer pela mesma causa que 
provocou a obstrução em alça fechada (aderências, hérnia ou volvo), ou 
simplesmente pela grande distensão da alça obstruída
- A pressão no interior da alça obstruída pode atingir níveis iguais ao do sistema 
venoso, interrompendo o fluxo de sangue nas veias e aumentado o edema intestinal 
Íleo paralítico: pode apresentar-se como: íleo adinâmico, espástico e da oclusão 
vascular
Ádila Cristie Matos Martins 	 UCXIV 	 	 	 	 Problema 2, TUTORIA
t
- O íleo adinâmico é o mais comum e costuma ocorrer após cirurgias abdominais. A 
fisiopatologia do íleo adinâmico não está completamente esclarecida, porém parece 
envolver o comprometimento da resposta neuro-hormonal relacionada ao 
intestino. A recuperação da motilidade intestinal no período pós-operatório de 
cirurgia abdominal é diferente nos vários segmentos do TGI. Além de ocorrer pós-
cirurgias, tem também como causas: inflamações peritoneais, patologias que 
envolvem o retroperitônio, lesões torácicas, causas sistêmicas e drogas
* Em vez de o paciente eliminar flato à ter fome em torno do terceiro dia, nota-se que 
se encontra indisposto, nervoso, anoréxico, com o abdome distendido difusamente 
e tenso com timpanismo e ruídos escassos e ocasionais. Caso haja grande 
distensão do cólon pode haver dor cólica. Instala-se assim a obstrução funcional 
- A exposição ao ar dos intestinos, as alterações na pressão intra-abdominal e a 
manipulação dos tecidos durante a cirurgia conduzem com multa frequência à 
inatividade funcional, de tal forma que esta pode ser até considerada, 
compreensivelmente, fisiológica. Contudo, existe o tempo normal para o íleo 
adinâmico, sendo que quando ultrapassa-o (persiste após 5 dias), o processo 
passa a ser patológico por hipofunção intestinal 
Após cirurgia:
- Durante um período de 48h após, cessam os movimentos instestinais, não ocorre 
flato e pode ocorrer distensão e vomito
- Motilidade do intestino delgado se recupera dentro de 24h
- Motilidade do estômago se recupera dentro de 48h

Motilidade do cólon se recupera em torno de 3-5 dias
- O intestino delgado mantém sua motilidade e capacidade absortiva
- O íleo espástico (incomum) surge em consequência de uma hiper-reatividade do 
intestino. Pode ocorrer na intoxicação por metais pesados, na porfiria e, às vezes, 
quando existe uremia. Depende de contração da musculatura intestinal
- O íleo com oclusão vascular caracteriza-se por uma incapacidade de 
coordenação da motilidade intestinal, em consequência da morte celular resultante 
da isquemia
QUADRO CLÍNICO 
ANAMNESE:
- Dor visceral em cólica e difusa em todo abdome (dor mais localizada e constante 
pode indicar irritação peritoneal secundária a complicações, como necrose)
- Distensão abdominal (mais intensa quanto mais distal for a obstrução no trato 
digestivo, podendo ser assimétrica ou simétrica — dependendo se a válvula 
ileocecal for continente ou não, respectivamente, quando for obstrução no colo 
esquerdo) 
- Parada de eliminação de gases e fezes, náuseas e vômitos consequentes à 
obstrução
- Diarreia paradoxal: é meio que a liberação de muco e resíduos. Na obstrução 
parcial podemos encontrar um quadro de diarreia paradoxal, que encontra 
justificativa na intensa hiperproliferação bacteriana, geralmente iniciada sempre que 
há estase do bolo alimentar na luz intestinal (o excesso de bactérias no delgado 
atrapalha de diversas maneiras os processos absortivos, culminando em diarreia) 
- Diferenciação entre obstrução alta e baixa:
- Alta: náuseas e vômitos (biliosos) precedem a parada de eliminação de fezes e 
gases, pois o paciente continua a eliminar o conteúdo intestinal a jusante do 
obstáculo, cólicas frequentes e leve distensão abdominal
- Baixa: parada de eliminação de gases e fezes precede os vômitos (fecaloides), 
pois esses só acontecem quando todo o intestino delgado a montante da 
obstrução estiver distendido, cólicas esparsas e distensão pronunciada
- Pode ser complicado ou não, na dependência de a obstrução ter determinado (ou 
não) isquemia e/ou perfuração de víscera intraperitoneal
- Soluços — irritação do diafragma, a distensão comprime o diafragma
- Pergunta-se: Cirurgias previas? Opioides? Neoplasias?
EXAME FÍSICO GERAL:
- Alteração do estado geral
- Desidratação, fundamentalmente, devida aos vômitos e ao sequestro de líquidos 
nas alças intestinais; os vômitos podem acarretar, além da perda líquida, perda 
hidroeletrolítica, determinando, às vezes, alcalose hipocalêmica
- Taquisfigmia (aceleração do pulso), devida à desidratação
- Geralmente, o quadro não é acompanhado de febre; ela aparece quando temos 
uma complicação do quadro (peritonite bacteriana)
- Hipotensão arterial pode estar presente em quadros prolongados — podendo ser 
causada por desidratação, peritonite ou ambos
- Mucosas descoradas: aponta para um quadro mais avançado. Está relacionada a 
perda de sangue 
- A presença de febre muitas vezes indica a possibilidade de estrangulamento
Ádila Cristie Matos Martins 	 UCXIV 	 	 	 	 Problema 2, TUTORIA
t
EXAME FÍSICO ABDOMINAL:
- Distensão abdominal (simétrica ou assimétrica) 
- Em alguns casos, a peristalse de luta pode ser visualizada
- Ruídos hidroaéreos aumentados em número e com alteração do timbre (timbre 
metálico) intercalados com silêncio abdominal; com o evoluir do processo e, 
portanto, com a isquemia da alça intestinal envolvida, os ruídos tendem a diminuir 
e, até, se tornar ausentes
- Na percussão, pela distensão abdominal, encontra-se um hipertimpanismo
- Discreto desconforto à palpação, não caracterizando sinais de irritação peritoneal, 
a não ser quando há complicação do quadro
- Quando identificado descompressão dolorosa e defesa localizada, a possibilidade 
de estrangulamento com peritonite nos vem à mente
- O toque retal obrigatoriamente deve ser realizado na busca de massas 
intraluminais. Uma ampola retal totalmente livre de fezes (sinal de Hochemberg) 
aumenta a suspeita de obstrução
- A presença de sangue na luva nos faz suspeitar de carcinoma ou intussuscepção
- Fecalomas também podem ser encontrados (especialmente em idosos e 
acamados) e removidos 
DIAGNÓSTICO 
LABORATORIAL: 
- Aconselha-se realizar a dosagem da concentração sérica de eletrólitos, a dosagem 
do

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