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ANOTAÇÕES DE ESTUDOS SOBRE METODOLOGIAS ATIVAS Lucineia Jonat Lourenço lujonat@yahoo.com.br PRESENÇA PEDAGÓGICA - Antes: O exercício do acolhimento e da abertura para construir uma relação de confiança com os estudantes. - Durante: A mediação do professor nas situações de conflitos relacionais, bus- cando envolver os estudantes na reflexão sobre os diferentes aspectos e na resolução do problema, ao invés de agir como o único “resolvedor”. - Depois: O compromisso do professor com relação à aprendizagem e ao de- senvolvimento de competências pelos alunos, traduzido na confiança no potencial de cada um, nas expectativas elevadas sobre suas capacidades de aprender e na persistência e investimento em ensinar. DESAFIA-OS! Mostra as qualidades e acertos de cada estudante e faz disso ponte segura para a superação de dificuldades e erros. Valoriza o esforço envolvido no processo de aprendizagem, deixando claras as altas expectativas que possui para cada jovem e sua crença no potencial dele. APRENDIZAGEM COLABORATIVA Antes: Organiza os espaços, de acordo com a proposta de aprendizagem do momento, faz combinados, estabelece e compartilha objetivos. Ajuda os alunos a conectarem a atividade com o contexto maior do que estão vivendo, orienta a organização dos agrupamentos (duplas, trios, quartetos, times). Orienta a organização do espaço físico para que os times e a roda de conversa coletiva possam ser formados adequadamente. Planeje a melhor maneira de agrupar os estudantes nas diversas atividades a serem realizadas durante a aula: Leitura de texto individual ou coletiva? Realização de exercícios individuais ou em duplas? Busca de informações na internet em trios ou times? Debate de ideias em times ou com toda a turma? Etc. Planeje formas de envolver aqueles estudantes que estão demonstrando pouca abertura para as atividades coletivas, mas sem expô-los. Uma conversa individual antes da aula pode ser muito eficaz. Outra ação possível é pensar em “provocações” à participação deles, como questões que dialogam com os seus interesses e experiências anteriores. Uma terceira possibilidade é contar com a força mobilizadora dos jovens da própria turma, que podem apoiar os colegas que ainda não se engajara Durante: Promove interação – aluno x aluno – aluno x professor – aluno x grupo – Acompanha o desenvolvimento do trabalho (colaborando com perguntas, dicas, sugestões, conhecimentos, mas sem fazer pelos estudantes as atividades propostas). O professor acompanha o trabalho dos estudantes, circulando pelos times, orientando-os quando se desviam da tarefa, estimulando que persistam nos momentos de frustação, provocando-os a pensarem soluções antes de ouvirem a sua opinião, potencializando a aprendizagem. Estimula para que haja rodízio na troca de liderança, promove respeito a diversidade, incentiva a participação de todos. Apoie a organização e dinâmica dos agrupamentos de trabalho, no caso da realização de atividades que envolvam a colaboração entre os alunos. Nesse caso, medeie o trabalho dos grupos quanto à construção de regras de convivência e pautas de trabalho e as reitere sempre que necessário. No caso dos times, é preciso ter atenção a papéis que dão suporte ao trabalho, como a responsabilidade pelo registro, o controle do tempo e a liderança. Esse último papel é fundamental: todos os membros do time devem aprender a liderar e a serem liderados. O líder não pode ser confundido com o papel de “quem manda ou toma as decisões sozinho”. É preciso relacioná-lo à função de organizar o trabalho coletivo, dividir as tarefas, motivar a participação de todos, assegurar a conclusão das ações Depois: Promove avaliação coletiva, feed back. Avalia o processo, o resultado e as aprendizagens. Cada estudante é avaliado pelo próprio desempenho e pelo progresso dos demais. A partir dessa avaliação, os membros do time devem são estimulados a motivar e a apoiar aqueles que demonstrem algum tipo de dificuldade. PROBLEMATIZAÇÃO Antes: Tem boas expectativas em relação as aprendizagens dos alunos. Elabora perguntas que acionam conhecimentos prévios, estimulam o pensar, exigem articulação de saberes, ampliação de repertório e investigação. Constrói o conhecimento por meio de perguntas Em todos os campos de conhecimento, a questão do erro é importante, pois qualquer processo de aprendizagem prevê aproximações aos conceitos, ideias ou procedimentos em estudo, em um movimento constante de ensaios e erros. Isso quer dizer que o erro não deve ser visto como algo nocivo, ele é um “trampolim” para a aprendizagem. Durante: Articula entre o que os estudantes já sabiam e o que aprenderam na escola. Promove atividades desafiadoras que colocam os estudantes em situação de resolução de problemas. Valoriza o erro como oportunidade de aprender. Orienta os alunos com informações, dicas de fontes de pesquisa, sugestões de métodos, de maneira a incentivar a autonomia dos estudantes no processo. Em sua mediação, o professor provoca o confronto de opiniões e abre espaço para dúvidas, despertando a curiosidade sem, no entanto, fazer explicações detalhadas. O importante aqui é conhecer o ponto em que os alunos se encontram, o que eles conseguem fazer ou perceber por si mesmos, como mobilizam seus conhecimentos prévios, para, depois, configurar melhor a situação problematizadora sobre a qual se desenvolverá a aula ou as aulas seguintes a essa. Permite que diversos alunos possam participar oralmente durante os momentos de discussão e rodas de conversa, de modo que a palavra circule e a resolução do problema ou construção de conhecimentos não fique sempre de posse do mesmo grupo de estudantes. Apresente referências de conceitos, aportes teóricos e procedimentos que apoiarão os alunos no percurso de resolução de problemas. Depois: Engaja os estudantes para pensar e agir como resolvedores de problemas. FORMAÇÃO DE LEITORES E PRODUTORES DE TEXTOS, NA PERSPECTIVA DO MULTILETRAMENTO. Antes: Repensa o trabalho a ser feito com as linguagens, contemplando textos de diferentes esferas, gêneros, linguagens e valores culturais. Garante variedade de textos, de circulação social, em seu planejamento. Com base no que avaliou sobre a complexidade que a leitura pode trazer, decida qual é a forma mais interessante de promover a leitura: individual, com mais autonomia discente, em duplas, times ou com a turma toda. Nessas últimas modalidades, a colaboração permitirá que os sentidos para os textos sejam construídos de forma processual e compartilhada. Contextualize os objetivos da leitura para os alunos, relacionando-os com a situação de aprendizagem em expectativa (sistematizar um conceito, construir uma contextualização, apreciar esteticamente, formar opinião, entre outras finalidades) Durante: Envolve uma ampla gama de textos, em situações significativas de aprendizagem, estimulando a inserção crítica dos jovens nas situações sociais de usos das diferentes linguagens que envolvem os textos. Tematiza o contexto de produção do texto, finalidades e metas da atividade de leitura, a percepção de diálogos entre diferentes textos e das relações entre os discursos produzidos (percepção dos valores que sustentam as ideias dos textos), percepção de outras linguagens, elaboração de apreciações estéticas e/ou afetivas, elaboração de apreciações relativas a valores éticos e/ou políticos. Orienta os jovens a utilizarem procedimentos de leitura para estudo (como o grifo, por exemplo), que implicam o uso de gêneros escritos de apoio à compreensão, como anotações, paráfrases, resumos, fichamentos e esquemas, mas sempre cuidando para tomar esses procedimentos e gêneros como matéria de ensino. Faça intervenções que apoiem os estudantes na construção de sentidos dos textos, com questões que os ajudem a operacionalizar as capacidades de leitura, em especial as capacidades críticas de apreciação. Depois: Promove momentosde vivências significativas de produção textual, para leitores/ouvintes/espectadores reais, garantindo uma visão plural de mundo, com textos e produções que remetam a diferentes grupos sociais e seus valores culturais. ENSINO POR PROJETOS Antes: Mobiliza interesses, conhecimentos e engaja os estudantes; Discute e toma as decisões sobre a iniciativa a ser realizada; Planeja e organiza as ações a serem realizadas, os prazos e as atribuições na equipe. Acolhe interesses e conhecimentos dos alunos, aporta novos conhecimentos, orienta em relação ao percurso a ser vivido. Estimule que os alunos explicitem seus interesses e anseios, conectando com as necessidades da escola e seu entorno. Desafie os alunos a transformarem ideias em ações concretas, vivendo um processo estruturado, com começo, meio e fim. Durante: Envolve os estudantes em todas as etapas do projeto, desde a elaboração, execução até a avaliação das ações propostas, mobiliza os interesses e o envolvimento dos estudantes com as ações, estimulando o desenvolvimento de competências como o trabalho em equipe (na perspectiva do comprometimento individual e da capacidade de lidar com questões relacionais, frustrações e problemas inesperados; bem como de exercitar e compartilhar a liderança), a abertura para aprender novos conhecimentos (tendo a curiosidade como força motriz) a responsabilidade (na faceta da autogestão dos processos). Problematiza os pontos de vista e escolhas dos alunos e estimula à aprendizagem. Estimula os times e oriente-os a registrar os processos vividos e os conhecimentos aprendidos, bem como a elaborar produtos como relatórios, vídeos, ensaios, artigos, revistas, blogs, apresentações etc., com a intenção de sistematizar o percurso de investigação vivenciando e/ou as transformações implementadas no contexto. Apoie os alunos na “calibragem” entre o planejamento e a execução das ações que pretendem realizar, de modo que os objetivos sejam factíveis, os esforços dos times sejam organizados e as ações sejam ajustadas, sempre que necessário Depois: Promove relação ativa diante do conhecimento, ganhando progressiva autonomia para aprender. Integra os conhecimentos aprendidos aos diferentes componentes curriculares, potencializando a aprendizagem dos alunos. Mostra as qualidades e acertos de cada estudante e faz disso ponte segura para a superação de dificuldades e erros. Valoriza o esforço envolvido no processo de aprendizagem, deixando claras as altas expectativas que possui para cada jovem e sua crença no potencial dele.