políticas públicas e organização da educação básica
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políticas públicas e organização da educação básica


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DEFINIÇÃO
Apresentação das diferentes Constituições brasileiras e suas formas de abordagem da Educação ao
longo da história, destacando a Constituição Cidadã de 1988 e a Lei 9394/96 (LDB), que estabelece os
princípios, as normas e as recomendações para a estrutura e o funcionamento da educação nacional.
Análise da educação laica e do ensino religioso no Brasil, da formação geral e profissional, suas
contradições históricas e possibilidades.
PROPÓSITO
Reconhecer a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e suas normas e recomendações a
respeito dos níveis e modalidades de ensino, compreendendo sua importância para a educação nacional
e seu papel estruturante e organizador no Sistema Nacional de Educação com base nos princípios
emanados da Constituição Federal.
PREPARAÇÃO
Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos um exemplar (físico ou digital) da Constituição
Federal de 1988 e do texto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96)
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devidamente atualizados.
OBJETIVOS
MÓDULO
Analisar as Constituições brasileiras, com destaque para a de 1988, e suas relações com a Educação
MÓDULO
Identificar os princípios da Educação, seus níveis e suas modalidades na LDB (Lei 9394/96)
MÓDULO
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Reconhecer, na LDB, os temas mais relevantes do cenário educacional brasileiro historicamente
INTRODUÇÃO
É correto afirmar que o tema Educação está presente em todas as Constituições brasileiras
apresentadas a seguir. A cada uma dessas Constituições correspondeu uma perspectiva diferente de
percepção e de abordagem da Educação, situadas não só localmente no cenário nacional como também
na sociedade em cada período histórico.
Para tratarmos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), precisamos recuar às
Constituições, às perspectivas políticas mais ou menos democráticas que a inspiraram e a como isso foi
feito, tanto por questões políticas locais quanto por compreensões sociais mais amplas do papel da
Educação no desenvolvimento da nação e de seus sujeitos.
Assim sendo, trabalharemos o tema da atual LDB e dos princípios e normas que a integram a partir das
concepções de nação e de Educação que habitaram nossas leis maiores desde a Independência.
\uf192 Analisar as Constituições brasileiras, com destaque para a de 1988, e suas relações com a
Educação
APRESENTAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES
Historicamente, o país contou com sete Constituições, a saber: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e
1988. Alguns historiadores consideram a Emenda n. 1 à Constituição Federal de 1967 como a
Constituição de 1969, outorgada pela Junta Militar.
1824
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A primeira Constituição brasileira, chamada de Constituição Política do Império do Brasil, foi
outorgada em 1824 por D. Pedro I e vigorou por 65 anos. Já a atual Constituição da República
Federativa do Brasil foi promulgada em 5 de outubro de 1988 pela Assembleia Nacional
Constituinte. É considerada uma das mais modernas, complexas e extensas do mundo.
OUTORGADA
\u201cOutorgada\u201d é o termo utilizado para caracterizar as Constituições impostas de maneira unilateral
pelo agente revolucionário (grupo ou governante) que não recebeu do povo a legitimidade para em
nome dele atuar. No Brasil, as Constituições outorgadas foram a de 1824, do Império, a de 1937,
na era Vargas, e a de 1967, na época da ditadura militar. Uma Constituição promulgada, também
chamada de democrática, votada ou popular, é fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional
Constituinte eleita diretamente pelo povo para atuar em nome dele, nascendo, portanto, da
deliberação e da representação legítima popular.
1824 \u2013 CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO DO BRASIL
Vigorou por 65 anos. Foi elaborada por um Conselho de Estado e outorgada em 1824 por D. Pedro I
(1798-1834).
1891 \u2013 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS
UNIDOS DO BRASIL
Promulgada em 24 de fevereiro de 1891, criou a República Federalista, com a autonomia dos estados.
Tem como fonte influenciadora a Constituição norte-americana, presidencialista com federalismo.
1934 \u2013 CONSTITUIÇÃO DE 1934
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Promulgada pelo Congresso Nacional eleito após a Revolução de 1930, reafirmou o compromisso com
a República e com os princípios federativos. Estabelecia que \u201ctodos os poderes emanam do povo e em
nome dele são exercidos\u201d. Essa Constituição durou apenas três anos.
1937 \u2013 CONSTITUIÇÃO DO ESTADO NOVO
Suprimiu direitos e garantias e foi inspirada nos regimes totalitários em ascensão na Europa no período
que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Foi outorgada por Getúlio Vargas (1882-1954).
1946 \u2013 CONSTITUCIONALISTA
Promulgada pelo Congresso Nacional no início do governo de Eurico Gaspar Dutra (1883-1974). De
caráter democrático, retomou os preceitos da Carta Liberal de 1934, além de restabelecer os direitos
individuais, a independência dos poderes da República e a harmonia entre eles, a autonomia dos
estados e municípios, a pluralidade partidária, os direitos trabalhistas e a instituição de eleição direta
para presidente da República.
1967 \u2013 CONSOLIDAÇÃO DO REGIME MILITAR
Após a instalação do Regime Militar, em 1964, foi mantido, simbolicamente, o funcionamento do
Congresso Nacional com poderes e prerrogativas limitados \u201cem nome da segurança nacional\u201d. Apesar
de parecer promulgada, essa Constituição consolidou o autoritarismo e a reversão dos princípios
democráticos, ao concentrar os poderes na União, além de adotar a eleição indireta para a escolha do
presidente da República.
Em 1968, foi editado o famoso Ato Institucional n. 5, no dia 13 de dezembro, que levou ao fechamento
do Congresso Nacional, à supressão de direitos e garantias dos cidadãos, à proibição de reuniões, à
imposição da censura aos meios de comunicação e às expressões artísticas, à suspensão do habeas
corpus para os chamados crimes políticos, à autorização para intervenção federal em estados e
municípios e decretação de estado de sítio.
Essa outorga de todos os poderes ao governo federal trouxe tantas mudanças à Constituição que os
historiadores consideram a Emenda n. 1 à Constituição de 1967 como a \u201cConstituição de 1969\u201d.
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1988 \u2013 CONSTITUIÇÃO CIDADÃ
Essa Constituição, em vigor atualmente, foi promulgada em 5 de outubro de 1988 pela Assembleia
Nacional Constituinte. É considerada uma das mais modernas do mundo, uma vez que reafirma os
direitos individuais e coletivos, além de consagrar a proteção ao meio ambiente, à família, aos direitos
humanos, à cultura, à educação e à saúde. Além disso, essa Constituição reafirma a separação dos
três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), confirma o regime federativo e os direitos individuais,
restabelecendo o voto direto, secreto, universal e periódico.
A EDUCAÇÃO NAS CONSTITUIÇÕES
\uf073
\uf030 Juramento de Sua Majestade o Imperador D. Pedro I à Constituição do Império. Fonte: Domínio
público / Acervo Arquivo Nacional
A CONSTITUIÇÃO DO IMPÉRIO (1824)
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Outorgada por D. Pedro I, sem qualquer participação da nação, era curta e dedicava somente um artigo
e dois incisos para a Educação, conforme reproduzido a seguir:
Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos Cidadãos Brasileiros, que tem por base a
liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do Império, pela
maneira seguinte:
XXXII. A Instrução primária, e gratuita a todos os Cidadãos.
XXXIII. Colégios, e Universidades, aonde serão ensinados os elementos das ciências, Belas Letras, e
Artes.
CONSTITUIÇÃO REPUBLICANA DO BRASIL (1891)
A escravidão, nesse período, era comum no país, sendo a noção de cidadania ainda muito restrita;
portanto, quando a Constituição estabelecia \u201cpara todos os cidadãos\u201d, tratava-se de um grupo muito
limitado de pessoas, com inúmeras exclusões. Logo após a Proclamação da República, em 15 de
novembro de 1889, foi criada a primeira Constituição Republicana do Brasil , em 1891, elaborada por
Rui Barbosa (1849-1923) e com a participação do Congresso Constituinte. Essa Constituição