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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO UNIDADE 01 UNIDADE 02 UNIDADE 03 UNIDADE 05 UNIDADE 04 FECHAMENTO ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS E GESTÃO DE PESSOAS 10 RECRUTANDO E SELECIONANDO PESSOAS 37 77 FERRAMENTAS TÁTICAS DE GESTÃO DE PESSOAS 119 CAPACITANDO PESSOAS 154 MODELOS E FERRAMENTAS DE GESTÃO DE PESSOAS E O PAPEL ESTRATÉGICO DO GESTOR DE PESSOAS 187 CONCLUSÃO GERAL U N IC E S U M A R 13 Essa colocação, em última análise, significa que desconsiderar a individuali- dade dos seres humanos e suas necessidades transforma as organizações em máquinas, que não resistirão a competição dos tempos pós-modernos. Cada indivíduo é único, assim como cada organização é única, com as mais variadas formas de atendimento de suas necessidades. As organizações, necessariamente, precisam de uma estrutura planeja- da para obterem um bom desempenho, de acordo com as demandas que se apresentam em face da tecnologia, circunstâncias do mercado, diversidade de produtos e velocidade de mudanças. Cria-se, sem dúvida, uma interdepen- dência entre as pessoas e as organizações onde elas trabalham. Como bem coloca Chiavenato (2014), não é possível separar a existência das pessoas do seu trabalho, visto que elas precisam dele não apenas para subsistir, mas para atingir os mais diversos objetivos pessoais e profissionais, terem sucesso e serem bem-sucedidas. Nessa interdependência, as organi- zações dependem inevitavelmente das pessoas para atingir seus objetivos globais e estratégicos, produzir bens e serviços, atender os clientes e competir nos mercados. Ambas as partes dependem uma da outra. No entanto, atenção, caro(a) aluno(a): falar de interdependência entre organizações e pessoas exige que se esclareça que ambas têm objetivos pró- prios e diferentes, os quais nem sempre coincidem e nem sempre são de fácil ajuste. A figura a seguir demonstra essas diferenças: Figura 1 - Objetivos organizacionais e objetivos individuais das pessoas / Fonte: Chiavenato (2014). U N ID A D E 1 14 Para Lacombe (2005), os fatores tecnologia, situação mercadológica, diversidade e tamanho da organização geram graus de incerteza e complexidade que variam e exigem que se desenvolvam estratégias com estruturas apropriadas para que sejam estimulados comportamentos e atitudes adequados ao alcance dos objetivos, tanto nos administradores quanto nos trabalhadores. Lacombe (2005, p. 8)denomina or- ganização como “um grupo de pessoas que se constitui de forma organizada para atingir objetivos comuns”. Surge a questão: como administrar para produzir resul- tados positivos, para que cada trabalhador tenha o conhecimento do seu papel, seja cooperador, enfim, “vista a camisa” para produzir bons resultados? Nessa linha de pensamento, Batitucci (2000, p. 32) inicia sua discussão sobre as organizações e seus recursos humanos questionando: “como criar e manter um ‘sis- tema social integrado’ (a organização) se ele é estruturalmente formado por compo- nentes de extrema variabilidade e diferenciação?”. Como unir, direcionar e delimitar as energias tão singulares dos seres humanos? Para Batitucci (2000), quatro elementos são essenciais: 1. Pessoas e suas individualidades. 2. Um objetivo comum: a integração só é possível quando se consegue reunir pessoas em torno de um objetivo comum, conhecido e abraçado, para que o paradoxo Individualidade x Trabalho Cooperativo seja resolvido. 3. Divisão do trabalho: segundo aptidões, expectativas e motivações, cada pes- soa fará a sua parte do todo. 4. Coordenação e liderança: que organizará a divisão do trabalho e ajustará as possíveis disfunções. “As duas coisas mais importantes de uma empresa não aparecem nos seus demonstrati- vos inanceiros: sua reputação e suas pessoas.” (Henry Ford) pensando juntos Tanto as empresas quanto as pessoas precisam determinar seus objetivos. Para as empresas, a falta de objetivos as deixarão à deriva, sem conseguir elaborar um plano estratégico. Para as pessoas, a falta de objetivos levará à geração da ansiedade, doen- ças e desorganizações (LACOMBE, 2005). Assim, cabe aos gestores procurar iden- tificar os objetivos das pessoas e da organização, conciliando as metas de ambos. U N ID A D E 1 16 Em muitas organizações, a expressão Administração de Recursos Humanos (ARH) está sendo substituída por Gestão de Pessoas (GP) Gestão do Talento Hu- mano, Gestão de Parceiros ou Colabora- dores, Gestão de Competências, Gestão do Capital Humano, entre outros ter- mos. São terminologias diferentes, com tendências ideológicas nítidas, mas todas procuram atender às demandas do atual contexto globalizado. Nesta primeira unidade, consideramos importante que fiquem esclareci- dos os diferentes sentidos que os termos Recursos Humanos (RH) ou Gestão de Pessoas (GP) podem assumir. Segundo Chiavenato (2014): 1. RH/GP como função ou departamento: refere-se à unidade operacional como prestadora de serviços de recrutamento e seleção, treinamento, remu- neração, higiene e segurança, benefícios, entre outros. Assume, aqui, a chama- da função de staff, ou seja, é uma área prestadora de serviços de consultoria interna, aconselhamento e informação. 2. RH/GP como um conjunto de práticas de recursos humanos: refere-se aos procedimentos, ao modo como a organização realiza as atividades de recru- tamento, seleção, treinamento, remuneração, benefícios, entre outras. 3. RH/GP como profissão: refere-se aos profissionais que trabalham com as pessoas nas organizações: selecionadoras, treinadoras, administradoras, en- genheiros de segurança etc. A seguir, apresentaremos um pouco a história da crescente importância dada ao fator humano nas organizações, por intermédio de um retrospecto da visão sobre as pessoas no trabalho. Tal importância, apesar de ainda não ser totalmente estabelecida na prática, pelo menos, em tese, já tem reconhecida a sua relevância. Histórico da área de recursos humanos A relevância atribuída atualmente ao fator humano não se deu de forma natural. Ela foi sendo construída ao longo do tempo e de acordo com as ações coletivas que deram novas perspectivas às relações de trabalho. U N IC E S U M A R 17 No século XVIII, com a industrialização, houve a substituição do modelo artesanal pelo modelo industrial de produção, o que provocou grandes mu- danças ao longo do século XIX e que se acentuaram no século XX. Desde a Revolução Industrial, a eficiência e a produtividade foram, por muito tempo, os únicos critérios para a otimização dos recursos de produção. A sincro- nização do trabalho passou a ocorrer de acordo com os ritmos e os tempos ditados pelos das máquinas (HANASHIRO; TEIXEIRA; ZACARELLI, 2008). O surgimento da Escola de Administração Científica no início do sécu- lo XX, preconizada por Taylor, Ford e Fayol, promoveu a racionalização do trabalho em termos nunca antes vistos. Essa escola de pensamento concebe a organização como uma organização formal, em que a relação entre a ad- ministração e os empregados é tratada simplesmente como uma relação de interesses. Além disso, o funcionário é visto como homo economicus, que, em troca da compensação monetária, buscará os resultados máximos em seu trabalho (MOTTA, 1974 apud MARRAS, 2011). A administração cientíica é um modelo de administração criado pelo americano Fre- derick Winslow Taylor (1856 – 1915) no im do século XIX e início do século XX. Esse modelo se baseia na aplicação do método cientíico na administração, com o intuito de garantir o melhor custo/benefício aos sistemas produtivos. O objetivo de Taylor era o de encontrar um modo de aumentar a produtividade, fazendo que o trabalha- dor produzisse mais em menos tempo, sem elevar os custos de produção. Na admi- nistração cientíica, o conceito de homo economicus é fundamental, pois, segundo essa concepção, o homem produzirá mais e melhor quanto mais for recompensado materialmente. Fonte: asautoras. explorando Ideias Nesse contexto de racionalização do trabalho, pode-se localizar o início das atividades de recursos humanos pela necessidade de “contabilizar” as horas trabalhadas, faltas e atrasos dos trabalhadores para a efetivação de pagamen- tos ou descontos. No Brasil, nos Estados Unidos, na Itália e entre outros países, a industrialização foi ditando o ritmo do desenvolvimento das atividades dos recursos humanos. U N ID A D E 1 18 Posteriormente, novas concepções foram surgindo, como o movimento das relações humanas, na década de 20, que indicava a mudança da relação entre empregadores e empregados, passando a defender o aumento da pro- dutividade pela eliminação dos conflitos, em oposição ao uso da força e do autocratismo proposto pela escola clássica. Abordaremos, em seguida, como se deu esse movimento histórico nas relações de trabalho em nosso país. As cinco fases evolutivas na Administração de Recursos Humanos No Brasil, embora não tenha se dado de forma linear, a evolução na admi- nistração de recursos humanos é especificada de forma didática por Marras (2011), que, baseado em um estudo da professora Marília Tose, destaca cinco fases na evolução do perfil do profissional de Recursos Humanos (RH), fa- zendo-nos conhecer como essa atividade organizacional ganhou relevância ao longo do século passado e culminou na proposta de gestão estratégica de pessoas na atualidade. A figura seguinte nos permite uma visualização esquemática das cinco fases evolutivas da função do RH: Figura 2 - Fases evolutivas da gestão de pessoal / Fonte: Marras (2011). Vejamos as cinco fases propostas por Tose (1997 apud MARRAS, 2011)sobre o desenvolvimento da área de Recursos Humanos no Brasil e suas respectivas épocas: U N IC E S U M A R 19 a) Fase Contábil (antes de 1930): a fase pioneira na “gestão de pessoal” centra- lizava as suas preocupações nos custos da organização, em contabilizar as horas trabalhadas, as faltas e os atrasos. Não existia uma legislação trabalhista. O trabalhador era visto exclusivamente de forma contábil: a mão de obra era comprada e o trabalho era sistematicamente registrado, para se pagar ou descontar, de acordo com presenças e faltas. Ainda hoje, essa prática se mantém, porém o “capataz” ou “feitor” dessa época em muito ampliou as suas responsabilidades desde então. Não havia um pensamento sobre realizar uma gestão estruturada (DUTRA, 2009). b) Fase Legal – Estado Novo (1930 a 1950): fase em que foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 1930. Nessa fase, surge a figura do chefe de pessoal, para acompanhar o cumprimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituída por Getúlio Vargas em 1943. Segundo Tose (1997 apud MARRAS, 2011), o poder dos chefes de produção sobre os funcionários passa para o chefe de pessoal, por seu domínio das regras e normas jurídicas impostas pela CLT. c) Fase Tecnicista (1950 a 1965): nesta época, o modelo americano de gestão de pessoal é implantado no Brasil durante o governo de Juscelino Kubitschek, que instaurou a indústria automobilística em território nacional. A figura do Gerente de Relações Industriais (GRI) foi introduzida nos organogramas e esse profissional foi o responsável por grandes mudanças nas relações entre capital e trabalho. O GRI dividia funções com o Gerente de Recursos Hu- manos (GRH). O primeiro cuidava das questões puramente administrativas, enquanto o segundo tratava das questões “humanas” (MARRAS, 2011). As- sim, a função dos Recursos Humanos passa a ser dividida em subáreas, com maior abrangência no espaço das organizações. Foram operacionalizadas atividades, tais como os serviços de recrutamento e seleção, treinamento, cargos e salários, higiene e segurança, entre outros. d) Fase Administrativa ou Sindicalista (1965 a 1985): fase que, segundo Tose (1997 apud MARRAS, 2011), pode-se caracterizar como revolucionária nas relações capital e trabalho. O movimento novo sindicalismo,com suas rei- vindicações, implementado pelas bases trabalhadoras, teve um grande papel nas mudanças ocorridas nesse período. A denominação e a responsabilidade do Gerente de Relações Industriais passam por uma grande mudança e esse profissional passa a ser denominado Gerente de Recursos Humanos, com funções não apenas burocráticas e operacionais, mas voltadas para indiví- U N ID A D E 1 20 duos e suas relações, incluindo os sindicatos e a sociedade, de forma geral. e) Fase Estratégica (1985 – atual): fase em que foram implementados os pri- meiros programas de planejamento estratégico, com preocupações de longo prazo. O cargo de Gerente de Recursos Humanos passou do terceiro escalão para o nível estratégico de diretoria dentro das empresas. Pela primeira vez na história do capital e do trabalho, as empresas começaram a ter preocu- pações de longo prazo com os seus funcionários. Nesta fase, especialmente a partir do final da década de 90, o profissional de RH passa a ter um papel de consultor dentro da empresa, com uma visão generalista, em parceria com outros setores, lidando com assuntos estratégicos relacionados com as pessoas, promovendo ações que buscam o desenvolvimento pessoal e a mo- tivação do pessoal para o alcance de resultados (FIDELIS; BANOV, 2007). O Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (criado em 1930), a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), antes denominada Carteira Proissional, e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) (criada em 1942) foram vitórias dos trabalhadores, efetivadas no governo de Getúlio Vargas. Na página do MTE, você encontrará várias notícias sobre os temas: FGTS, carteira de trabalho, seguro desemprego etc. Para saber mais, acesse o link disponível em: https://empregabrasil.mte.gov.br/. Fonte: as autoras. explorando Ideias É importante que você perceba, caro(a) aluno(a), ao analisar criticamente a evolução da gestão de recursos humanos, que muitas empresas que nós conhecemos ainda estão “congeladas” em algumas práticas consideradas ul- trapassadas. É inegável, também, que o modelo de gestão autocrática, centra- lizada, com decisões tomadas por quem está no topo da hierarquia organi- zacional, ainda oferece bons resultados para muitas organizações, em termos econômicos e financeiros (ROCHA-PINTO et al., 2003). De qualquer forma, as empresas que alcançam posição de destaque no cenário mundial atual já descobriram que práticas de comando exagerado, hierarquias e controles rígidos, além da burocracia, são extremamente ne- gativos quando se quer alcançar comprometimento da força de trabalho ou, como se diz hoje, o comprometimento dos colaboradores ou parceiros da organização, para que se alcancem resultados de destaque no mercado. U N IC E S U M A R 21 Pessoas como recursos ou pessoas como parceiras das organizações Chiavenato (2010) discute as mudanças que foram se estabelecendo com a evolução da gestão de pessoas e esclarece a diferença que há entre tratar as pessoas como recursos ou como parceiras. Para o autor, em um grande pe- ríodo da administração, as pessoas foram, e ainda são, em muitos contextos, tratadas como recursos produtivos, padronizados, uniformes e inertes, sendo consideradas sujeitos passivos, parte do patrimônio físico organizacional que precisa de controle para se obter o máximo rendimento. Essa abordagem implica em “coisificar” as pessoas. Ainda, segundo Chiavenato (2010), é uma escolha da organização adotar uma abordagem em que as pessoas sejam parceiras, fornecedoras de conhe- cimentos, habilidades e competências, que imprimam significado e rumo aos objetivos do negócio. Na figura seguinte, o autor sistematiza as diferenças entre as abordagens tradicionais e as novas abordagens quanto à visão das pessoas, antes encaradas como recursos e, atualmente, como colaboradoras ou parceiras da organização: Figura 3 - As pessoas são recursosou colaboradoras e parceiras da organização? Fonte: Chiavenato (2014). U N IC E S U M A R 23 Em face desse contexto e considerando a velocidade acelerada com que o mundo vem mudando, as organizações que pretendem se manter no mercado precisam encorajar e desenvolver o pensamento estratégico em seus gerentes e funcionários. Mais do que nunca, é percebido o valor das pessoas nas organizações. Embora seja uma visão bastante propalada hoje, nem sempre ela é reconhe- cida por quem dirige as organizações. As duas frases apresentadas a seguir, retiradas de Lacombe (2005), refletem, em grande parte, a relevância que uma gestão estratégica deveria dar ao seu pessoal. O futuro dos seus negócios está nas mãos dos seus empregados (MORITA apud LACOMBE, 2005, p. 239). “ Uma empresa é uma entidade do meio social. É constituída de pessoas. O resultado de uma empresa depende muito mais do desempenho das pessoas do que da excelência de seus manuais ou estruturas de organização (BELTRÃO apud LACOMBE, 2005, p. 239). A necessidade de um novo modelo de gestão de pessoas ocorreu devido às pressões tanto externas quanto internas às organizações. Em termos externos, a globalização dos sistemas financeiros, de comercialização e de produção exigiram das empresas a adoção de novos pensamentos e modos de lidar com o fator humano. O sistema globalizado de produção, com uma concorrência acirrada entre produtos e preços, busca parcerias com fornecedores, clientes e concorrentes em termos globais, fazendo que as organizações fiquem mais flexíveis a mudanças para atenderem às demandas. A necessidade de flexibilidade exigiu uma postura de descentralização das decisões, tornando os gestores responsáveis pelos recursos de forma ge- ral, humanos, financeiros, materiais, tecnológicos e de informação (DUTRA, 2009), para conseguirem manter as suas vantagens competitivas em termos não apenas regionais, mas também internacionais. Nesse movimento, mu- da-se o perfil dos gestores, que devem ser capazes de atuar em um contexto em que a dependência da empresa é cada vez maior em relação ao grau de envolvimento e comprometimento de seus colaboradores. U N ID A D E 1 24 O fator humano como estratégico para as organizações Nas fases regidas pela administração científica, ainda segui- da por grande parte das organizações no mercado brasileiro atual, a preocupação das empresas e dos administradores era em relação à focalização no aperfeiçoamento individual por processos mecânicos, sendo a qualidade e a produtivi- dade vistas como sinônimos de competência e habilidades. Todavia, as céleres mudanças mercadológicas exigiram que novos modelos de gestão de pessoas surgissem. As pressões externas e internas no contexto atual descortinaram , para as organizações, a necessidade do planejamento e da orga- nização com base nas pessoas, se desejam alcançar compro- metimento e motivação por meio de seus colaboradores (FI- DELIS; BANOV, 2007). Nesse sentido, o trabalho vem deixando de ser percebido apenas como um meio para a sobrevivência ou acúmulo de riquezas, passando a ser visto como um meio de autodesenvolvimento pessoal e profissional. As organizações não podem mais ignorar essa mudança de perspectiva. Dutra (2009, p. 25) indica alguns aspectos para os quais o envolvimento e com- prometimento dos colaboradores passou a ser crucial: ■ Produtividade e qualidade dos produtos e serviços. ■ Velocidade na internalização de novas tecnologias. ■ Otimização da capacidade instalada. ■ Criação de oportunidades para a aplicação das competências organizacionais. ■ Velocidade de resposta para o ambiente/mercado. É possível perceber, caro(a) aluno(a), que, diante desses fatores cruciais, as empresas foram obrigadas a se preocupar com as necessidades e expectativas de seus funcio- nários. Se o mercado globalizado se apresenta como forte pressão externa, os fun- cionários e suas necessidades se constituem como uma pressão vinda de dentro da própria organização, exigindo reflexões sobre a gestão de pessoas, mudando o foco do pensamento tradicional para um pensamento estratégico: do controle de pessoas para o desenvolvimento de pessoas (DUTRA, 2009). Estamos falando da necessidade do Planejamento Estratégico de Recursos Humanos. U N ID A D E 1 26 Alinhado ao planejamento estratégico da empresa como um todo, está o planeja- mento estratégico de RH, com a função de contribuir para o alcance dos objetivos organizacionais em cada uma de suas áreas e para o alcance dos objetivos indivi- duais dos funcionários. Em outras palavras, o planejamento estratégico procura uma sintonia entre a busca pelas metas dos negócios e o comprometimento e satisfação das pessoas. Sobre o RH estratégico, Sheppeck e Militello (2000 apud DESSLER, 2003, p. 15) sustentam que: “ RH estratégico significa admitir a função de RH como uma parceira estratégica na formulação das estratégias da empresa, assim como na implementação dessas estratégias por meio de uma série de atividades consistentes de RH realizadas internamente, como recrutamento, sele- ção, treinamento e remuneração de pessoal. Marras (2011) indica algumas variáveis contextuais que devem ser motivo de transformação das tradicionais práticas de recursos humanos para práticas es- tratégicas de recursos humanos, ou seja, de ARH para AERH. São elas: a globa- lização dos mercados e seus desdobramentos nas organizações, e a mudança na filosofia de vida das pessoas, em todos os sentidos da existência humana. Para o autor, não é mais possível ao empresário, pensando na lógica do lucro, ignorar as seguintes constatações nos dias de hoje: ■ Para otimizar a produtividade, é necessária a “vontade” do trabalhador. ■ Para influir nessa “vontade”, não cabe mais o “capitalismo selvagem”. ■ O trabalhador precisa ter possibilidade financeira de consumir, para não quebrar o ciclo produtivo. ■ O querer fazer, o saber fazer e o poder fazer são fatores essenciais para manter vantagem competitiva no mercado. ■ É preciso investir a longo prazo em todos os recursos organizacionais, espe- cialmente os recursos humanos. O lema da estratégia competitiva é ser diferente. Signiica escolher, de forma deliberada, um conjunto de atividades para proporcionar um mix único de valores. (Michael Eugene Porter) pensando juntos U N IC E S U M A R 29 Na figura seguinte, estão indicadas as atividades ou subprocessos referentes a cada um dos seis processos: Figura 4 - Processos básicos de gestão de pessoas / Fonte: Chiavenato (2014). Marras (2011) afirma que o sistema de ARH é composto por um conjunto de subsistemas que, individualmente, será responsável por cada uma das funções da ARH e que, dependendo do formato de cada organização, cada uma desenvolverá o desenho do seu sistema, que poderá conter os seguintes subsistemas: 1. Recrutamento e Seleção (R&S). 2. Treinamento e Desenvolvimento (T&D). 3. Remuneração ou Cargos e Salários (C&S). 4. Higiene e Segurança do Trabalho (HST). 5. Departamento de Pessoal (DP). 6. Relações Trabalhistas (RT). 7. Serviços Sociais e Benefícios (SSB). 8. Serviços Gerais (SG) etc. Nas próximas unidades, trataremos de alguns desses subsistemas, especialmente daqueles que, sob a nossa perspectiva, são essenciais para o desenvolvimento de políticas e práticas de gestão de pessoas em uma empresa organizada. U N ID A D E 1 30 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao fim da Unidade 1. Esperamos ter conseguido atingir os objeti- vos de aprendizagem propostos, que, de forma geral, procuraram situá-lo(a) contextualmente e teoricamente no campo da administração de pessoas. O papel das pessoas nas organizações e o histórico do RH apresentados indicaram uma evolução na visão de ser humano que se pretende ter nas empresas, no sentido de atender aos objetivos organizacionais e pessoais. Acreditamos que seja possível, a cadaum de nós, observar em nossos locais de trabalho algumas das características citadas nas fases de desenvolvimen- to do RH nas organizações e constatar que a visão e a valorização do ser humano ainda não se dão de forma satisfatória em todas as empresas. En- tretanto, verifica-se que o caminho já está sendo trilhado por muitas delas. A compreensão das pressões externas existentes no contexto globaliza- do e das pressões internas, decorrentes do significado que o trabalho tem, hoje, na vida das pessoas, o qual ultrapassa a simples necessidade de sobre- vivência, mostrou a necessidade de adoção do planejamento estratégico de recursos humanos. Esse planejamento contém uma preocupação de longo prazo com os colaboradores, fator reconhecidamente responsável pela manutenção de vantagens competitivas necessárias para as organizações que queiram ser bem-sucedidas. Esperamos ter deixado claro que o ser humano é visto como principal fator de competitividade, pelo fato de ser o responsável por fazer a diferença: recursos materiais e financeiros podem ser acessíveis, mas sem as pessoas não serão geradas riquezas pelas organizações. Terminamos a unidade apresentando uma breve sistematização das ati- vidades inerentes à área de recursos humanos, indicando os seus processos e subprocessos que devem ser implementados pelas empresas, dependendo do seu histórico, necessidades e forma de organização. Nas próximas unida- des, vamos detalhar algumas dessas atividades, de forma a contribuir com a sua prática atual ou futura na gestão de pessoas. U N IC E S U M A R 41 A cultura organizacional Você já deve ter percebido a diferença na formalidade no modo de se vestir das pessoas que trabalham em instituições financeiras e na informalidade das que trabalham em instituições de design ou tecnologias de modo geral. Embora mui- tas vezes se pense que são escolhas pessoais, na verdade, essas características são um reflexo da cultura da organização em que trabalham. De forma abreviada, podemos abordar o tema cultura organizacional analisando duas definições de grandes autores que se aprofundaram no estudo do tema. Vejamos as duas definições seguintes: “ Cultura organizacional é um conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com problemas de adaptação externa e integração interna e que funciona- ram bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos membros como forma correta de perceber, pensar e sentir com relação a esses problemas (SCHEIN, 1991 apud CARVALHO, 2008). Cultura organizacional é um conjunto de valores e pressupostos básicos expresso em elementos simbólicos que, em sua capacidade de ordenar, atribuir significações, construir identidade organizacional, tanto age como elemento de comunicação e consenso, como oculta e instrumenta- liza as relações de dominação (FLEURY, 1989 apud CARVALHO, 2008). Para auxiliá-lo(a) em sua compreensão, vejamos os aspectos ressaltados no pri- meiro conceito: 1. A cultura reflete as escolhas e as preferências que os criadores ou as li- deranças da empresa foram desenvolvendo e compartilhando com os demais membros que a foram formando ao longo de sua história. 2. A partir das demandas, problemas e situações do dia a dia, foram sendo testadas soluções que, se positivas em seus resultados, foram assimiladas e, se negativas, foram eliminadas. 3. A adaptação externa diz respeito ao que acontece no mercado e aos meios usados para o alcance dos objetivos organizacionais. Estrategicamente falando, diz respeito ao atendimento das demandas do mercado altamente competitivo e aos ajustamentos necessários para a sobrevivência da em- presa nesse ambiente. U N ID A D E 2 42 4. Os problemas de adaptação interna dizem respeito à busca por uma co- municação eficaz e de membros que se adaptem. Assim, ficam bem esta- belecidos os critérios de quem deve fazer parte ou ser excluído do grupo – critérios de admissão e demissão. Todas as organizações, grandes ou pequenas, encontram problemas de adaptação externa e interna. Para tanto, as peculiaridades, valores e crenças das pessoas que as compõem vão dar o direcionamento das respostas aos problemas que vão aparecendo e o direcionamento da forma como a empresa deve funcionar. Compare as definições de Schein e Fleury e perceba que o que as diferencia é a dimensão de poder que Fleury acrescenta. Segundo essa autora, para se com- preender a cultura organizacional, é preciso mapear as relações hierárquicas da organização. Outras definições poderiam ser citadas, mas agora que você já tem uma noção sobre o que é a cultura organizacional, vejamos como ela interfere nas questões relacionadas ao recrutamento e seleção de pessoas. A cultura de uma organização delineia os comportamentos, atitudes e as formas de pensar dos indivíduos. Esse é um dos motivos pelos quais as culturas organizacionais precisam ser geridas. pensando juntos Relembremos que as empresas buscam vantagem competitiva e que seu fator humano seja, talvez, a principal fonte. Podemos analisar, mediante um exemplo apresentado por Zacarelli e Teixeira (2008), como a cultura interfere nos processos de captação de pessoas. O exemplo é de uma empresa de médio porte, distribuidora de derivados de farinha, cujos clientes principais são padarias. Os motoristas de caminhão e seus ajudantes são as principais vantagens competitivas dessa empresa, pois, ao entregarem as mercadorias, eles próprios fazem o armazenamento nas sedes dos clientes, por data de entrega. Esse serviço não é oferecido pelos concorrentes. Uma forte relação de confiança é estabelecida entre clientes e entregadores, os quais, embora ocupem cargos simples, são estratégicos para a empresa. Um dos principais valores verificados na cultura da empresa é a confiança e que nenhum empregado deve se sentir superior ao outro, independentemente do cargo, nível de instrução ou salário. Os próprios donos da empresa se empe- nham em tratar todos de igual para igual. U N IC E S U M A R 43 Os reflexos dos valores dessa cultura aparecem nos processos de captação. Quan- do os candidatos demonstram que se sentem superiores, não são admitidos e, se forem, caso demonstrem que não conseguem compartilhar os valores de igualdade, eles não permanecem na empresa (ZACARELLI; TEIXEIRA, 2008). As indicações e admissões de candidatos feitas por funcionários da empresa também indicam elementos da cultura organizacional. Muitas vezes, as indicações pesam mais que outros aspectos da seleção, pela crença de que o funcionário não indicaria uma pessoa que não seja confiável e que não considere competente e capaz de se adaptar à cultura da empresa. As relações de poder O aspecto político – além dos aspectos estratégicos e da cultura da organização – também é fundamental na escolha das pessoas que farão parte do quadro de co- laboradores, influencia métodos e técnicas empregados, assim como determina a escolha das pessoas. Dependendo do nível hierárquico e de responsabilidades, essas decisões ficam a cargo do gestor de RH, das gerências, das diretorias ou até mesmo da presidência da empresa. Existe um jogo político em qualquer organização, redes de relacionamentos, pes- soas que apoiam outras e grupos e subgrupos que possuem níveis diferentes de poder formal ou informal. Dessa forma, a entrada de novas pessoas pode vir a alterar esse jogo, razão pela qual muitas vezes esse jogo determinará a aprovação, ou não, de um candidato, ficando em segundo plano a sua competência técnica. A estrutura organizacional A estrutura organizacional está intimamente ligada às relações de poder que nela existem. Segundo Banov (2012), as estruturas mais encontradas nas empresas brasi- leiras são as mecanicistas e as orgânicas. Estruturas mecanicistas: no Brasil, são encontradas em grande escala. Caracteri-zam-se pela sua rigidez, controle, especialização do trabalho (modelo industrial me- canicista), muitas regras a serem seguidas pelos funcionários (formalização), grande departamentalização e níveis hierárquicos, pequena participação dos membros de baixo escalão na tomada de decisões e comunicação do tipo descendente. U N ID A D E 2 44 Estruturas orgânicas: são encontradas em menor escala no Brasil. Utili- zam equipes de trabalho, poucos níveis hierárquicos, pouca formalização e com comunicação lateral, ascendente e descendente, com tomada de decisões que envolvem todos os níveis de colaboradores. Essas características das estruturas direcionam as práticas de gestão, que se refletem nas gerências e nos funcionários. Claramente, você pôde perceber que, no primeiro tipo, a margem do gestor ou colaborador para adotar postu- ras comprometidas, com satisfação pessoal, autonomia e participação na to- mada de decisão é muito menor do que no segundo. Assim, todas as decisões referentes ao recrutamento e seleção de colaboradores serão influenciadas pelas contingências externas e pela estrutura organizacional. O mercado de trabalho O mercado de trabalho apresenta condições que influenciam o processo de captação e escolha de colaboradores. As transações, negociações e relaciona- mentos que ocorrem no mercado incluem o mercado de trabalho (MT), que é composto pelas oportunidades de trabalho oferecidas pelas diversas em- presas. Segundo Chiavenato (2014), o MT, em seu dinamismo, sofre diversas regulações e restrições devido a diferentes fatores, dentre eles: 1. Redução do nível de emprego industrial: por criação de novas tecno- logias e expansão do setor de serviços. 2. Gradativa sofisticação do emprego: trabalho industrial cada vez mais automatizado e menos braçal. 3. Conhecimentos como o recurso mais importante: aplicação e renta- bilização do conhecimento. 4. Tendência à globalização: mercado cada vez mais mundial e menos local. Zacarelli e Teixeira (2008) enfatizam a internet como a responsável por trans- formar o mercado de trabalho em um verdadeiro mercado aberto, não restrito a áreas geográficas específicas e não controlado pelas empresas isoladamente. O mercado de trabalho ganha, assim, novas configurações, por ser possível contratar pessoas em qualquer parte do mundo. U N IC E S U M A R 45 Uma característica importante, ainda, a ressaltar, prezado(a) aluno(a), é que o mercado de trabalho funciona em termos de oferta e procura, havendo, segundo Chiavenato (2014), três possíveis situações: oferta maior do que a procura, procura e oferta equivalente, oferta menor do que a procura. Figura 5 - Situações do mercado de trabalho / Fonte: adaptada de Chiavenato (2010; 2014). A figura anterior mostra as duas situações extremas. De um lado, uma situação de oferta de empregos e, do outro, uma situação de procura de empregos. Na posição central, haveria uma situação de equilíbrio em termos da situação do mercado. Para as organizações, as situações de oferta e procura se refletem nas suas práticas de gestão, especialmente nos processos de recrutamento e seleção. Observe, a seguir, as diferenças de atuação das empresas em ambas as situações: Mercado de trabalho em oferta: ■ Excessiva quantidade de vagas. ■ Critérios de seleção mais flexíveis e menos rigorosos. ■ Competição entre empresas para obter candidatos. ■ Intensificação de investimentos em recrutamento. ■ Ênfase no recrutamento interno. ■ Políticas de fixação do pessoal (retenção do capital humano). ■ Orientação para as pessoas e para seu bem-estar. ■ Intensificação dos investimentos em benefícios sociais. Mercado de trabalho em procura: ■ Insuficiente quantidade de ofertas de vagas. ■ Falta de competição entre as empresas para obter candidatos. ■ Redução dos investimentos em recrutamento. ■ Aumento das exigências aos candidatos. ■ Redução dos investimentos em treinamento. U N ID A D E 2 46 ■ Ênfase no recrutamento externo. ■ Políticas de substituição do pessoal (melhora do capital humano). ■ Orientação para o trabalho e para a eficiência. ■ Redução ou congelamento dos investimentos em benefícios sociais (CHIA- VENATO, 2014). Você pôde perceber, ao comparar as duas situações, que, quando o mercado de tra- balho está em situação de procura, tende a haver uma estagnação das atividades de recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, bem como da implemen- tação de benefícios aos trabalhadores. Essa situação poderia ser vista como positiva para a empresa e, de certa forma é, por diminuir custos. No entanto, em médio e longo prazo isso pode significar a estagnação da economia, o que não interessa a ninguém. Influência de outros processos de gestão de pessoas Os processos de recrutamento e seleção estão diretamente ligados aos outros processos de gestão de pessoas. Fatores, tais como o investimento planejado para treinamento, a política de remunerações, planos de carreira e avaliação de de- sempenho, estão ligados a esses processos, porque impactam a captação de can- didatos, tanto positivamente quanto negativamente (ZACARELLI; TEIXEIRA, 2008). No entanto, como isso se dá? Positivamente, quando a empresa consegue captar colaboradores que se alinham às suas expectativas no que diz respeito à possibilidade de que eles se tornem vantagens competitivas, com competências para alcançar as metas da organização, e negativamente quando são atraídos candidatos com qualificações abaixo das desejadas, o que se reflete na demora em contratar, com prejuízo no alcance dessas metas. Para Baron e Kreps (1993 apud ZACARELLI; TEIXEIRA, 2008, p. 118), “a consistência entre as práticas de RH é desejável por vários motivos, entre eles, o recrutamento e seleção”. Isso se deve, porque, para esses autores, o processo de escolha no recrutamento e seleção é uma via de duas mãos: o candidato escolhe a empresa e a empresa escolhe o candidato. Tradicionalmente, essa reciprocidade não é visualizada, mas, em se tratando de ações estratégicas, essa constatação é seriamente considerada. Sendo assim, as políticas devem ser suficientemente atrativas para que as pessoas qualificadas, que se constituirão em vantagens com- petitivas, sejam atraídas e queiram permanecer na empresa. U N ID A D E 2 48 “ O recrutamento refere-se aos meios utilizados pelas organiza- ções para a divulgação de suas vagas com o objetivo de atrair candidatos desejados por elas (BANOV, 2012, p. 38). Recrutamento é o processo de identificação e atração de um grupo de candidatos entre os quais serão escolhidos alguns para posteriormente serem contratados para o emprego (MILKOVI- CH; BOUDREAU, 2000 apud ARAÚJO; GARCIA, 2010, p. 17). Essas duas definições delimitam o processo de recrutamento como específico e seguido de outro processo: o processo de seleção. A definição de Banov (2012) ressalta a divulgação das vagas e a atração de pessoas qualificadas para as necessidades da organização. Já a definição de Milkovich e Boudreau (2000 apud ARAUJO; GARCIA, 2010) ressalta a identificação de pessoas, para deixar claro que recrutar não significa simplesmente atrair pessoas, mas atrair pessoas qualificadas às necessidades da empresa, fornecendo potenciais candidatos a serem avaliados no processo de seleção. Etapas do recrutamento Segundo Banov (2012), o recrutamento envolve, basicamente, quatro etapas: a coleta de dados, o planejamento, a execução e a avaliação. Vejamos: ■ Coleta de dados: é definido o tempo disponível para preencher a vaga, os recursos financeiros destinados ao recrutamento, a situação do mercado de trabalho e o perfil desejado do profissional. Tudo isso se dá por meio do conhecimento das competências individuais necessárias, incluindo valores, atitudes, habilidades, conhecimentos e experiência. ■ Planejamento: são tomadas decisões sobre o tipo de recrutamento a ser utilizado e a data emque ocorrerá. Não só, mas também são refletidos os meios de divulgação, previsão de custos, responsabilidades sobre o processo, entre outras decisões pertinentes. ■ Execução do recrutamento: divulgação da vaga. U N IC E S U M A R 49 ■ Avaliação do recrutamento: é verificada pelo número de candidatos que responderam ao anúncio, quantos desses eram qualificados para a vaga, se as vagas foram preenchidas e se os meios foram eficazes na captação. A escolha do perfil do cargo Quando um gerente ou outra pessoa em cargo de comando requisitam um profissional, inicia-se um trabalho em conjunto com o profissional de recrutamento e seleção para o levantamento do perfil do cargo. Resu- midamente, podemos dizer que esse perfil se refere aos dados necessários sobre o cargo em si e sobre as características da pessoa que irá ocupá-lo. De início, é necessário obter as seguintes informações: nome do cargo, posição do cargo no organograma da empresa, descrição das atribuições e responsabilidades, requisitos exigidos, supervisão exercida, relaciona- mentos e condições oferecidas pela empresa. Nos últimos anos, as compe- tências comportamentais passaram a fazer parte dos requisitos do cargo para atender ao contexto mais dinâmico e competitivo que se apresenta na atualidade. Na atualidade, as competências comportamentais são vistas como equivalentes ou até maior que as competências técnicas, para que um funcionário demonstre estar prepa- rado para ingressar em uma empresa e consiga buscar os seus objetivos pessoais em consonância com a missão, visão e valores da empresa. Fonte: a autora. explorando Ideias Encerramos, aqui, os conceitos gerais a respeito do recrutamento. Trataremos, na sequência, dos tipos de recrutamento que podem ser realizados. U N ID A D E 2 52 Adaptação dos funcionários à cultura da empresa, a ponto de se fixarem em “ideias viciadas” (ARAÚJO; GARCIA, 2010), que podem comprometer o sucesso da empresa. As pessoas podem ficar “bitoladas” às políticas e diretrizes da organização (CHIAVENATO, 2009). Geração de conlitos nos relacionamentos, que se desenvolvem por ocorrências comuns nas relações humanas: sentimento de desprestígio, favorecimentos indevi- dos, falta de empenho recompensada em detrimento de outros que se esforçaram, chefias que sufocam as aspirações de subordinados por insegurança e muitos outros fatores geradores de conflito de interesses. Excesso nas promoções (princípio de Peter), que leva uma pessoa a um cargo para o qual ela é incompetente e acaba por estacionar, não conseguindo ir em frente. Isso deixa a empresa em uma situação difícil, pois a própria legislação dificulta que ela volte a uma posição inferior (ARAÚJO; GARCIA, 2010). Risco de se colocar pessoas com menor competência simplesmente por já serem da empresa, em detrimento de candidatos externos com maior qualificação e com- petência para o cargo. Recrutamento externo Esse tipo de recrutamento se refere à captação de candidatos vindos de fora da orga- nização, os quais podem estar disponíveis no mercado de trabalho ou em atividade em outra organização. Vantagens do recrutamento externo São as seguintes as vantagens oferecidas por esse tipo de recrutamento: Traz “sangue novo” para a empresa, com a possibilidade de introdução de ideias novas, novas soluções para antigos problemas, atualização com o mercado externo e com o que ocorre em outras empresas. Renovação e enriquecimento dos recursos humanos, quando há a política de buscar por melhor capital intelectual do que o existente na empresa. U N IC E S U M A R 53 Aproveitamento dos investimentos em treinamento e desenvolvimento de pessoal realizado por outras empresas ou pelo próprio candidato, ocasião em que a empresa não apenas economiza, mas também pode obter alto desempenho em curto prazo. Desvantagens do recrutamento externo Também vale pontuar algumas das desvantagens do recrutamento externo: Geralmente é mais demorado que o recrutamento interno. Despende-se tempo com escolha das técnicas mais adequadas, com recepção e triagem inicial, entre outros. É mais caro e demanda despesas imediatas com anúncios, jornais, honorários de agências, despesas operacionais relativas a salários e encargos sociais da equipe de recrutamento, material de escritório, formulários etc. Gera menos segurança na contratação que o recrutamento interno, pois os candidatos externos são desconhecidos, sendo necessário contratá-los por um período de experiência. Pode ser visto como barreira por quem espera uma promoção, uma vez que os funcionários podem perceber o monopólio do recrutamento externo como uma política de deslealdade da empresa com seu pessoal. Pode afetar a política salarial da empresa, influenciando faixas salariais in- ternas, principalmente quando a oferta e a procura de recursos humanos estão em situação de desequilíbrio. Recrutamento misto Segundo Chiavenato (2009), dificilmente uma empresa realiza somente recruta- mento interno ou externo. De fato, ambos se complementam, pois, ao fazer um recrutamento interno, uma vaga será aberta e precisará ser preenchida. No caso de admissões externas, alguma perspectiva de crescimento deverá ser oferecida ao novo funcionário, para que ele se sinta incentivado a permanecer e buscar o melhor desempenho. Assim, a maioria das empresas opta por utilizar o recruta- mento misto, utilizando fontes internas e externas de recursos humanos. U N ID A D E 2 58 Ao selecionar pessoas, precisamos ter claro que não há um método ideal. Sempre há elementos objetivos e subjetivos a serem analisados e a diversi- dade de pessoas e circunstâncias é infinita. Seja qual for o perfil desejado, até podemos aplicar técnicas mais ou menos objetivas, mas o fato de sermos pessoas selecionando pessoas incluirá sempre um nível de subjetividade. De qualquer forma, para que o processo de seleção seja eficaz, temos que ter em mente, assim como sustenta Robbins (2009, p. 242), que: “ […] a qualidade da força de trabalho de uma organização resul- ta, em ampla medida, dos profissionais que são contratados para trabalhar nela. Se a empresa contratar pessoas com habilidades inadequadas, o desempenho não será bom, independente dos esforços da administração em proporcionar motivação e lide- rança, criar grupos eficazes ou projetar atividades desafiadoras. Essa afirmação traduz o desafio da seleção de pessoal, que buscará, por meio de inúmeras ferramentas, obter informações que possam ajudar a deter- minar se um candidato possui, ou não, as competências adequadas para o trabalho em questão. Algumas dessas ferramentas serão abordadas na sequência. Definições de seleção de pessoas A seleção de pessoas é uma atividade de responsabilidade de ARH que vem em seguida do recrutamento. Analisemos duas definições: “A seleção abrange o conjunto de práticas e processos usados para esco- lher, dentre os candidatos disponíveis, aquele que parece ser o mais adequa- do para a vaga existente” (LACOMBE, 2005, p. 79). “ A seleção busca entre os vários candidatos recrutados aqueles mais adequados aos cargos existentes na organização ou que possuam as competências requeridas pelo negócio, visando a manter ou aumentar a eficiência do desempenho humano, bem como a eficácia da organização (CHIAVENATO, 2014, p. 118). U N IC E S U M A R 59 É observável que ambas as definições pressupõem que, para iniciar a seleção de pessoal, se disponha de candidatos já captados pelo recrutamento. As duas definições também falam em “candidatos mais adequados”. O que isso significa? Se você já participou de processos seletivos pode ter passado pela experiência de se sentir o melhor e mais preparado para o cargo ao qual concorreu e, apesar disso, não ter sido o candidato escolhido. Se a seleção foi um processo pautado pela ética e profissionalismo, isso provavelmente se deveu aos critérios utilizadospelo selecio- nador, tais como: aspectos específicos do cargo e do setor a que a vaga se refere, além da cultura da empresa. Por mais que você se sentisse preparado, provavelmente, você não era o candidato mais adequado para aquele lugar e naquele momento. Em uma seleção bem feita, nem sempre o candidato escolhido é o que revela aptidões e habilidades em seus índices mais elevados. França (2008) explica que deve ser escolhido o candidato que mais demonstre conciliar as suas competên- cias e potencialidades com as expectativas e necessidades desejadas pela empresa para o ocupante do cargo a ser preenchido. Por um lado, admitir um funcionário cujo potencial é maior do que a capacidade da empresa em oferecer oportunidade de desenvolvimento e crescimento pode levar ao desinteresse e sentimento de desvalorização profissional. Por outro, admitir um funcionário sem qualificações e competências necessárias poderá gerar ansiedade e estresse, fraco desempenho e, por vezes, gastos com treinamento e capacitação que nem sempre surtirão o efeito desejado. Em ambos os casos, a seleção terá falhado em seus objetivos. A análise de currículos A análise de currículo (Curriculum Vitae – curso de vida, em latim) é um pro- cesso de triagem que começa por analisar os aspectos eliminatórios. Por exemplo, se for exigência para o cargo o inglês fluente, já serão eliminados todos os cur- rículos que não mencionam a fluência naquele idioma e assim sucessivamente. Dessa forma, em função dos aspectos eliminatórios, os CVs devem ser analisados realizando-se uma classificação de acordo com os pré-requisitos para o preen- chimento da vaga (ZACARELLI; TEIXEIRA, 2008). Lembramos que, em geral, os currículos são solicitados aos cargos médios e altos na hierarquia organizacional. Para os cargos de mais baixa hierarquia ou de menor prestígio social, solicita-se que o candidato compareça à empresa para preencher a ficha de solicitação de emprego. U N ID A D E 2 60 Mesmo com um cuidadoso levantamento realizado para estabelecer o perfil de- sejado, análise de currículos, criteriosa escolha de técnicas de seleção e o envol- vimento de diferentes profissionais da organização, ressaltamos que nunca se encontrará o candidato perfeito, mas o mais adequado. Para isso, existem diferentes ferramentas, denominadas por alguns de: métodos de seleção (LACOM- BE, 2005); técnicas de seleção (CHIAVENATO, 2014; FRAN- ÇA, 2008); ou etapas do proces- so de seleção (BANOV, 2012). Escolhemos a denominação téc- nicas para tratar dos instrumen- tos a serem utilizados na seleção de pessoas. Falaremos a seguir sobre as técnicas de seleção. Critérios informais As empresas se baseiam no peril do cargo e nas competências (que comportam não somente habilidades técnicas, mas também comportamentais e adequadas a sua cultura) para estabelecerem os critérios de seleção. Por exemplo: um determinado hotel tinha muitos problemas com suas camareiras, em decorrência do assédio por parte dos seus hóspedes. Tal hotel começou a contratar mulheres menos atraentes: resolveu o seu pro- blema, diminuiu signiicativamente o assédio. Esse dado jamais foi divulgado oicialmente (por questões legais), mas os selecionadores sabiam de tal critério. Fonte: Banov (2012). explorando Ideias U N ID A D E 2 62 A entrevista de seleção A entrevista de seleção é “um pro- cesso de comunicação entre duas ou mais pessoas que interagem entre si e no qual as partes es- tão interessadas em se conhecer mutuamente” (CHIAVENATO, 2014, p. 129). Ambas as partes são tomadoras de decisão: o entrevis- tador decidirá sobre a escolha e o candidato decidirá se quer ou não trabalhar na empresa. A entrevista é, provavelmen- te, a técnica mais utilizada em qualquer processo de seleção e pode ser realizada em vários momentos desse processo: entrevista de triagem ou preliminar; en- trevista com o selecionador ou de avaliação; entrevista com o gerente do setor requisitante; entrevista de admissão e outras, conforme as circunstâncias. Na atualidade, as entrevistas podem ser realizadas face a face, pelo tele- fone ou pela internet. A entrevista face a face, ainda a mais comum, pode ser realizada de várias formas, dependendo do impacto que os fatores compor- tamentais e de competência do futuro funcionário terão para a organização: poderá ser realizada por um entrevistador, dois ou mais, e até mesmo em formato de mesa redonda. Quanto ao número de candidatos, ela pode ser realizada individualmente ou de forma coletiva. Para Chiavenato (2014), a construção do processo de entrevista e o treinamento dos entrevistadores são providências básicas para o sucesso de sua aplicação. Assim, a construção do processo de entrevista implica em decidir o grau de liberdade do entrevistador na sua condução. Dependendo do tipo de questões e de respostas requeridas, as entrevistas podem ser de quatro tipos: a) Entrevista totalmente padronizada: é estruturada com um roteiro preesta- belecido, com perguntas padronizadas que apresentam respostas definidas, tais como verdadeiro ou falso, sim e não, agrada ou desagrada. Segundo Chiavenato (2014), esse tipo de entrevista se torna limitada por não ter flexi- bilidade para aprofundamento em questões importantes. Não exige grande experiência do entrevistador, sendo usada, geralmente, por iniciantes. U N IC E S U M A R 63 b) Entrevistas padronizadas apenas nas perguntas: são perguntas previa- mente elaboradas, mas que permitem a resposta livre do candidato. c) Entrevista diretiva: o entrevistador deve ter claro o tipo de informações e respostas que deseja, mas deverá formular as questões conforme o an- damento da entrevista. Exige bastante experiência por parte do entrevis- tador para que alcance os resultados esperados. d) Entrevista não diretiva: é, também, denominada exploratória, informal ou não estruturada, pois não estão previamente especificadas nem as ques- tões, nem as respostas requeridas. O entrevistador não segue um roteiro e o objetivo maior é o aprofundamento em alguns aspectos abordados. Exi- ge grande experiência do entrevistador, que, mesmo assim, pode esquecer assuntos ou informações importantes. Por esse motivo, é considerada por muitos uma técnica de baixa consistência. O currículo do candidato também pode ser usado como roteiro de entre- vistas, ampliando informações que ele traz e agregando informações não mencionadas. França (2008) chama a atenção para a observação da linguagem do corpo, pois gestos e posturas podem indicar o estado emocional, o grau de interesse e reações a diferentes situações que podem trazer importantes informações sobre o candidato. Na Quadro 2, estão indicados os principais campos de análise que se deve pesquisar em uma entrevista: Campos de pesquisa Principais itens a pesquisar 1. Idade 2. Estado civil 3. Grau motivacional atual 4. Nível de Q.I. e Q.E. 5. Peril psicológico de personalidade 6. Principais aptidões e potencialidades 7. Peril das empresas anteriores 8. Cargos ocupados 9. Estabilidade 10. Realizações ou resultados obtidos 11. Responsabilidades ou tarefas mais importantes 12. É membro de alguma associação ou sindicato? U N ID A D E 2 64 Campos de pesquisa Principais itens a pesquisar 13. Qualidade das escolas básicas frequentadas 14. Nível de formação superior 15. Pós-graduação (lato ou strictu senso) 16. Trabalhos ou pesquisas concluídos 17. Idiomas 18. Cultura geral: leituras, cursos, viagens culturais etc. 19. Clubes e igreja que frequenta 20. Esportes praticados 21. Hobbies 22. É membro de alguma associação para ins sociais? 23. Tem amigos? Quantos? Qual a frequência dos encontros? 24. Qual o seu im de semana predileto? 25. Como planejou e efetivou as últimas três férias? Quadro 2 - Campos de pesquisa em uma entrevista / Fonte: Marras (2011). Observamos, no quadro, alguns pontos importantes que podem ser levados emconsideração durante a entrevista, de modo a dar ao entrevistador mais subsídios. Segundo Banov (2012, p. 70), é comum, na entrevista, o entrevistado: ■ Falar sobre o que ele acha que é. ■ Falar sobre o que ele gostaria de ser, como se assim o fosse. ■ Falar o que pensa que o entrevistador quer ouvir. ■ Falar sobre si mesmo baseado no perfil da mídia. Assim, vale a pena ressaltar a importância da experiência do entrevistador, para que seja capaz de se atentar para a coerência entre a fala e as demais informações e com- portamentos apresentados pelo candidato em todas as etapas do processo seletivo. Testes Os testes que podem compor o processo seletivo são inúmeros e serão escolhidos de acordo com o cargo a ocupar, os objetivos que se quer alcançar em termos de verificação de competências e, por fim, de acordo com a experiência e qualificação da pessoa responsável por sua aplicação. Vejamos alguns desses testes, segundo classificação de Banov (2012): U N IC E S U M A R 65 a) Teste de conhecimentos gerais: Podem se apresentar em forma de questionários a serem respondidos por escrito ou de forma oral. As questões são relacionadas à área de atuação de forma genérica, com conteúdos de cultura geral. b) Testes de conhecimentos específicos: Tratam-se de um instrumento para avaliar conhecimentos específicos para o cargo em questão, como uma prova com questões de informática para um técnico em computação. c) Testes de capacidade ou prova prática: Procurarão medir o grau de habilidade para a realização de tarefas. Por exemplo, para um professor, poderá ser solicitada a elaboração de um plano de aula; já para um guia turístico, a elaboração de um roteiro de passeio. d) Testes psicológicos: Podem ser classificados em testes de aptidão e testes de personalidade. Os de aptidão pretendem avaliar tendências de capacidades para a realização de determinadas tarefas. Entre eles, estão os testes de inteligência, que me- dem inteligências específicas, como lógico-matemáticas, verbal, musical, espacial, interpessoal, assim como os testes de memória e atenção. Já os testes de personalidade procuram identificar certos traços das caracte- rísticas superficiais das pessoas, como equilíbrio emocional, interesses, motivações e outras características que definem o perfil comportamental de cada indivíduo. No Brasil, esses testes só podem ser aplicados e inter- pretados por psicólogos. É perceptível, assim, que existem diferentes testes que podem ser utilizados no processo seletivo. A seguir, falaremos de uma nova ferramenta para esse processo, que é o uso de dinâmica de grupo. Dinâmicas de grupo A dinâmica de grupo (DG) é uma técnica que vem sendo utilizada por algumas empresas no processo seletivo quando se pretende analisar como a pessoa inte- rage em grupo, ou seja, como ela assume papéis e atitudes ao interagir com outras pessoas. A DG também pode ser usada para perceber como as pessoas expressam suas emoções em grupo. U N ID A D E 2 66 O procedimento consiste em propor ao grupo uma atividade e observar como cada candidato se comporta em termos de cooperação, competitividade, flexibi- lidade ou outras características que sejam importantes para o cargo ao qual está concorrendo. Essas atividades podem ser histórias do cotidiano, análise de filmes, jogos, discussão de temas. Segundo Banov (2012), pelo desempenho da pessoa na DG é possível veri- ficar, por exemplo, se ela é capaz de mudar um ponto de vista ou se é inflexível ao se sentir ameaçada, se sabe liderar e de que maneira lidera. No planejamento da seleção, deverão estar muito claras quais as características dos candidatos a serem observadas e avaliadas para que se faça a escolha da técnica mais adequada. Durante a aplicação da DG, o requisitante do cargo pode participar como observador, podendo contribuir na tomada de decisão sobre qual o melhor can- didato para suprir a vaga. É importante compreender que na dinâmica de grupo não há vencedores, mas sim pessoas que demonstrem possuir as competências necessárias definidas no perfil do cargo e que passem para a próxima etapa do processo de seleção. A experiência do facilitador também é imprescindível, pois uma dinâmica de grupo mal conduzida pode resultar em situações constrangedoras para os candidatos. Atualmente, é possível encontrar inúmeros cursos presenciais, vasto material e cursos on-line sobre dinâmicas de grupo. Exame médico Algumas empresas incluem o exame médico como parte do processo seletivo e, nesses casos, ele é sempre eliminatório, por estar ligado à função a desem- penhar. Banov (2012) cita o exemplo de exames auditivos para operadores de telemarketing. Na maioria dos casos, apenas o candidato aprovado em todas as etapas do processo seletivo e escolhido pelo setor requisitante é que será encaminhado para a realização do exame médico. A examinação é realizada por um clínico geral, de preferência um especialista em medicina do trabalho, que solicitará uma bateria de exames laboratoriais e radiografia do tórax ou outros exames específicos para complementar os exames clínicos. O laudo final do médico poderá indicar o can- didato, contraindicar o candidato ou indicar com restrições. Caberá à empresa a decisão final sobre a contratação, ou não, do candidato (MARRAS, 2011). U N IC E S U M A R 69 Para Banov (2012), é de extrema importância definir as competências, habili- dades e aptidões necessárias, assim como conhecer as armadilhas que envolvem a profissão. Para a autora, conhecer processos e técnicas é imprescindível, porém não é suficiente para garantir o bom trabalho do profissional de recrutamento e seleção. Formação, conhecimento, posicionamento ético serão decisivos nessa prática. Ve- jamos o que a autora expõe sobre as competências necessárias que se referem aos conhecimentos, habilidades e atitudes esperados: Conhecimentos: incluem o domínio de processos e instrumentos utilizados no recrutamento e seleção, conhecimento da cultura organizacional, do mercado de trabalho e do negócio da empresa. Habilidades: envolvem habilidades para descrição de cargos, mapeamento de competências, observação, atenção, escolha adequada de instrumentos, elaboração e aplicação de entrevistas e dinâmicas de grupo, trabalhar em conjunto com o re- quisitante do cargo. Atitudes: incluem adaptar, experimentar e testar novas práticas, fazer networ- king com outros profissionais da área, buscar atualização constante, ser sigiloso, ético com a empresa, com as pessoas envolvidas no processo e com os candidatos. Tanto Banov (2012) quanto Dessler (2003) indicam algumas “armadilhas” ou erros comuns que podem acontecer durante as entrevistas e ao longo do processo de seleção. Resumiremos algumas dessas armadilhas: Ênfase na subjetividade: é o deixar-se levar pela simpatia, e não pelos fatores objetivos ligados às necessidades da vaga. Efeito halo: é a tendência a atribuir características positivas, sem bases objetivas, em pessoas que tiveram resultados positivos, da mesma forma no caso negativo. As crenças e valores do selecionador podem levá-lo a uma distorção na percepção do candidato, apegando-se a uma característica positiva ou negativa deste, neutralizando os demais. Confundir o melhor candidato com o candidato mais qualiicado para o cargo: é preciso lembrar que nem sempre o melhor candidato é o mais indicado para o cargo em questão. As competências de uma pessoa podem estar aquém ou além do que se necessita: dependerá da posição a ocupar. Desconhecimento do cargo: não saber exatamente o que o cargo exige e qual tipo de candidato é mais adequado pode fazer o selecionador se guiar por estereótipos do que ele acha que seja um bom candidato. O selecionador precisa conhecer em profundidade as competências e requisitos humanos necessários ao bom desempe- nho do cargo. U N ID A D E 2 70 É perceptível, assim, que é necessáriaatenção nesse processo. Não temos garantias de que dará certo, mas podemos conduzi-lo de forma mais alinhada e adequada. Ética profissional No que diz respeito às questões éticas, podemos atentar, de acordo com Zacarelli e Teixeira (2008), para o cuidado em não tentar passar uma imagem irreal da empresa, no sentido de convencer o candidato a aceitar a proposta de trabalho. Lembre-se que não é apenas a empresa que escolhe o candidato, mas este também escolhe a empresa. Portanto, a contratação tem que ser boa para ambas as partes. A consideração apropriada deve ser dada ao candidato, sendo necessário dar- -lhe o feedback das várias etapas do processo e informá-lo da sua aprovação, ou não, no processo seletivo. Muitos profissionais esquecem desse ato essencial de respeito a uma pessoa que respondeu a um anúncio que procurava suprir a uma necessidade da empresa. Segundo Banov (2008), existem quatro virtudes que permeiam a ética profis- sional e devem ser buscadas constantemente por qualquer profissional que queira realizar seu trabalho de forma ética e competente (SÁ, 2005 apud BANOV, 2008). Entre as que se relacionam ao exercício do recrutamento e seleção, estão: 1. A Virtude do Zelo: refere-se aos cuidados com a imagem da empresa, do profissional de recrutamento e seleção, e do processo seletivo em geral. Desde os cuidados em não usar linguagem discriminatória no anúncio da vaga, esclarecer aos candidatos as etapas do processo, dar feedback ao candidato sobre a sua aprovação, ou não, até os meios de comunicação utilizados para os contatos são fatores importantes para a construção de uma imagem negativa ou positiva da empresa no mercado de trabalho. 2. A Honestidade: refere-se à igualdade de oportunidades oferecidas a todos os candidatos, estabelecimento de critérios objetivos para a seleção, recusa de qualquer tipo de suborno e escolha do candidato, de fato, mais competente em termos técnicos e comportamentais. 3. A Virtude da Competência: refere-se aos conhecimentos sólidos do pro- fissional sobre políticas, práticas, instrumentos e técnicas de recrutamento e seleção, e busca constante de atualização. 4. A Virtude do Sigilo: refere-se ao respeito às informações dos candidatos, das empresas e das instituições, quando são confiadas ao profissional, sendo U N IC E S U M A R 71 sua discrição obrigatória. Não fazer perguntas íntimas ou constrangedoras ao candidato, não fazer piadas ou comentários maldosos e não fazer gravações sem autorização fazem parte dessa virtude. Conhecidos esses elementos, caro(a) aluno(a), espero ter contribuído para o seu processo de formação e desenvolvimento do conhecimento. Continue a pesquisar e a estudar a respeito. CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao fim desta unidade e esperamos ter conseguido trazer até você informa- ções importantes e pertinentes sobre alguns dos processos mais centrais em gestão de pessoas, recrutamento e seleção. Com o apoio dos vários autores citados, iniciamos por elencar esses processos como estratégicos na estrutura da empresa. Com isso, esperamos que você tenha compreendido que a estratégia visa contribuir para que a empresa alcance seus ob- jetivos diante do mercado competitivo e de mudanças aceleradas que se apresentam. A realização de um processo de recrutamento e seleção com critério e rigor (e não entenda isso como inflexibilidade!) exige planejamento e elaboração de um programa que envolva todas as etapas do processo seletivo, analisando seus custos, riscos e recursos da organização. Tanto o planejamento adequado das técnicas de recrutamento e seleção quanto o preparo do profissional responsável por esses pro- cessos foram apresentados como essenciais para que se alcancem os seus objetivos organizacionais: o de atrair e manter talentos na empresa. Seguimos a mesma lógica na apresentação de definições, técnicas e avaliação dos dois processos. A intenção foi contribuir para o seu conhecimento formal sobre esses tópicos, sobre as vantagens e desvantagens em adotar um ou outro procedimento, sempre em consonância com os objetivos da empresa. Ao falarmos sobre o perfil profissional do recrutador e selecionador, a intenção foi levá-lo(a) a pensar sobre a prática profissional, refletindo sobre a importância da prática baseada não apenas na competência, mas também em princípios éticos. Podemos concluir esta unidade lembrando uma vez mais da importância da flexibilidade desse profissional para lidar com o mercado sempre em mudança, atua- lizando-se e conhecendo novos processos e novas ferramentas para a competente realização da sua função em Recursos Humanos. U N ID A D E 3 80 que, quanto mais maleável e flexível for uma estrutura organizacional, mais os cargos e tarefas poderão ser modificados e haverá uma presença marcante de equipes mul- tidisciplinares e autogeridas. Nas estruturas rígidas, ao contrário, prevalecem órgãos permanentes e definitivos. As empresas que possuem uma visão atual e estratégica procuram a flexibilidade e a participação das pessoas envolvidas para a realização do desenho de cargos. Em uma visão tradicional, linear e cartesiana, procura-se dispor os cargos na estrutura organizacional, atendendo a preceitos racionais e lógicos, com forte especia- lização vertical (muitos níveis hierárquicos) e horizontal (departamentalização). Esse modelo burocrático vem sendo substituído por uma visão sistêmica e contingencial, que busca a maior integração ao invés da fragmentação de tarefas e atividades. Provavelmente, você seja capaz de observar se a sua empresa se encontra em um ou outro extremo desses modelos ou se já se encontra em uma fase de transição entre o modelo tradicional e as tendências estratégicas atuais. O desenho adequado da estrutura de cargos em uma organização inluencia também na motivação e desempenho dos empregados. pensando juntos Em relação à divisão do trabalho, Chiavenato (2014) aponta as diferenças de alguns aspectos no modelo tradicional e nas novas tendências que são adota- das pelas empresas. Observe o quadro seguinte: ASPECTOS MODELO TRADICIONAL NOVAS TENDÊNCIAS Estruturas Altas, com muitos níveis administrativos. Achatadas, com poucos níveis administrativos. Autoridade Centralizada na cúpula da administração. Descentralizada em todos os níveis: empowerment. Desenho de cargos Simpliicado e estreito. Os gerentes pensam e as pes- soas fazem e executam. Multifuncional e amplo. As pessoas pensam e melho- ram continuamente. Grupos de trabalho Importantes apenas como unidades administrativas formais. Sistemas sociotécnicos inte- grados e com ampla utiliza- ção de equipes. U N IC E S U M A R 81 ASPECTOS MODELO TRADICIONAL NOVAS TENDÊNCIAS Compensação Salário ixo, conforme a classiicação do cargo e desempenho individual. Salário lexível deinido por metas e pelo desempenho individual e grupal. Treinamento Limitado apenas ao cargo. Ocupante é descartável Amplo e conceitual. Ocupan- te é valioso e é encorajado a aprender novas habilidades e competências Quadro 1 - Novas tendências quanto ao trabalho / Fonte: adaptado de Chiavenato (2014). Tendo exposto esses dois modelos, analisemos algumas definições importantes no Quadro 2, para que você compreenda como se realiza a descrição e análise de cargos em uma organização: TERMOS DEFINIÇÃO Tarefa É a atividade executada por um indivíduo na organização. Exemplo: atendimento telefônico ao cliente, arquivo de docu- mentos, manutenção de equipamentos. Função É o agregado de tarefas atribuídas a cada indivíduo na organi- zação. Exemplo: serviços de secretaria da área comercial, serviços de secretaria da área de marketing. Cargo É o conjunto de funções substancialmente idênticas quanto à natureza das tarefas executadas e às especiicações exigi- das dos ocupantes. Análise de cargo É o estudo que se faz para reunir informações sobre as tare- fas componentes doscargos e as especiicações exigidas do seu ocupante. Da análise, resultam a descrição e a especii- cação do cargo. Descrição de cargo É o relato das tarefas descritas de forma organizada. Especiica- ção do cargo É o relato dos requisitos, responsabilidades e incômodos impostos aos ocupantes do cargo. Quadro 2 - Deinições dos principais termos empregados na análise de cargos Fonte: adaptado de Pontes (2011). U N ID A D E 3 82 Podemos concluir que um cargo é composto por funções e tarefas. A maioria das empresas divide os cargos em grupos ocupacionais, agrupando os que se assemelham quanto à natureza do trabalho: grupo ocupacional gerencial, grupo ocupacional de nível superior, grupo ocupacional de nível médio técnico e admi- nistrativo, grupo ocupacional administrativo e grupo ocupacional operacional. Na figura seguinte, temos um exemplo do cargo de comprador, com suas respectivas funções e exemplos de tarefas: Figura 1 - Exemplo do desdobramento do cargo em funções e tarefas Fonte: Chiavenato (2014). Um cargo deve ter uma posição definida no organograma. Essa posição indica o seu nível hierárquico, a subordinação e os subordinados, departamento ou divisões em que está localizado. Veja a figura seguinte: U N IC E S U M A R 83 Figura 2 - Posicionamento do cargo no organograma / Fonte: Chiavenato (2014). Chiavenato (2014) considera que o conceito de cargo é imutável e faz parte da concepção burocrática, tradicional, por não levar em conta as mudanças ambientais e a capacidade de adaptação e flexibilidade das organizações no mundo globalizado. Para o autor, o conceito de cargo está com os dias conta- dos na Era da Informação, pois as empresas vêm substituindo cargos e depar- tamentos por equipes multifuncionais, na busca por flexibilidade, agilidade, integração, coordenação e inovação. Descrição de cargo Para realizar uma descrição de cargo, é importante ter sempre em mente que a descrição é do cargo, e não do seu ocupante. Para descrever um cargo, é ne- cessário produzir um documento escrito, com os deveres e responsabilidades de quem o ocupa. Essa descrição deve responder às seguintes questões: U N ID A D E 3 84 1. O que o ocupante faz. 2. Quando o ocupante faz. 3. Como o ocupante faz. 4. Onde o ocupante faz. 5. Por que o ocupante faz. Assim, podemos dizer que a descrição deverá conter em detalhes as atribuições ou tarefas do cargo, a periodicidade da execução das atribuições ou tarefas, os métodos empregados para a sua execução, em que condições são realizadas e, ainda, quais são os objetivos do cargo. Análise de cargos A análise de cargos pode ser definida como o processo para determinar os requisitos de deveres e responsabilidades de um cargo e o tipo de pessoa que deverá ocupá-lo (CHIAVENATO, 2014). O essencial, nessa análise, é que ela deverá determinar as exigências para o desempenho do ocupante: os requisitos mentais, os requisitos físi- cos, as responsabilidades e as condições de trabalho, com seus respectivos fatores de especificações. Vejamos esses requisitos e a que fatores de especificações se referem: 1. Requisitos mentais: instrução essencial; experiência anterior essencial; adap- tabilidade ao cargo; iniciativa necessária; aptidões necessárias. 2. Requisitos físicos: esforço físico necessário; concentração mental/visual; des- treza ou habilidade; compleição física necessária. 3. Responsabilidades: por subordinados; por material, produtos, ferramentas ou equipamentos; por dinheiro, títulos ou documentos; por contatos internos ou externos; por informações confidenciais. 4. Condições de trabalho: ambiente de trabalho e riscos (PONTES, 2011; CHIAVENATO, 2014). Todas as informações devem ser colhidas com o máximo de cuidado pelo profissional, observando possíveis falseamentos ou alteração de informações. Essa é a razão pela qual é necessário obter informações de várias fontes, e não apenas do ocupante do cargo. U N IC E S U M A R 87 Entrevista A entrevista é considerada o método mais produtivo e flexível, por permitir a obtenção de informações sobre todos os aspectos do cargo. Por ser uma interação face a face, permite esclarecimento imediato de dúvidas. Requer contato direto, bem como colaboração e participação. Vantagem: permite aceder às pessoas que desempenham a função logo que melhor a conhecem e pode ser aplicada a qualquer tipo ou nível de cargo. Desvantagem: exige grande experiência do entrevistador, para evitar a falta de compreensão e não aceitação de seus objetivos, e evitar a possibilidade de confusão entre opinião e fatos. Além disso, o custo operacional é elevado. As entrevistas sobre cargos são estruturadas mediante a uma lista de questões que, em geral, o entrevistador vai preenchendo durante a entrevista. Vejamos alguns exemplos de questões: 1. Qual é o cargo que você ocupa? 2. O que faz? 3. Quando faz: diária, semanal e mensalmente? 4. Como você faz? Quais são os métodos e processos utilizados? 5. Por que você faz? Quais são os objetivos e resultados do seu trabalho? 6. Quais são os principais deveres e responsabilidades? 7. Em que condições físicas você trabalha? Quais são as demandas de saúde e de segurança? 8. Qual é a escolaridade, experiência, habilidades que seu cargo requer? 9. Quais os requisitos físicos que o cargo exige? E quais são requisitos mentais? 10. Quem é o seu fornecedor interno (entradas) e o seu cliente externo (saídas)? 11. Quem é o seu superior imediato? O que você reporta a ele? 12. Quem são os seus subordinados? Explique. Vale ressaltar que essas perguntas servem de orientação. Outras questões podem ser feitas, como também algumas podem ser adaptadas à realidade da organiza- ção. Procure sempre, caro(a) aluno(a), analisar o ambiente em que está inserido para depois desenvolver essas práticas. U N ID A D E 3 88 Questionário No questionário, são solicitadas respostas por escrito acerca das especificidades do cargo diretamente ao ocupante. É um método indicado para todos os grupos ocupacionais, embora se deva atentar para a capacidade de leitura e interpretação de quem os vai responder. O Quadro 3 apresenta um modelo de questionário para análise de cargos gerenciais. Vantagem: pode ser preenchido por funcionários de vários escalões. É o mé- todo mais econômico e abrangente, podendo ser aplicado na totalidade dos fun- cionários, com relativa rapidez. Desvantagem: o preenchimento pode ser incorreto ou incompleto por necessi- tar de interpretação para ser respondido. Exige rigor no seu planejamento para não se tornar superficial e distorcido, o que comprometeria a qualidade das respostas. INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO DO QUESTIONÁRIO DE ANÁLISE DE CARGOS GERENCIAIS 1. Este formulário visa colher informações a respeito das funções gerenciais em nossa organização e dele resultará o catálogo de descrição e especiica- ção de cargos. 2. Em caso de dúvida, ao preencher o questionário, consulte nosso pessoal de Recursos Humanos. 3. O questionário não se refere à sua pessoa, mas ao cargo que você está ocupando. 4. Não use siglas ou abreviaturas. 5. Caso alguma pergunta não se aplique ao seu cargo, escreva “não aplicável”. 6. Caso os espaços destinados às respostas não sejam suicientes, utilize as folhas complementares. 7. Após o preenchimento, assine-o e devolva-o à unidade de Recursos Huma- nos até __ /__ /__ . 8. Este questionário poderá ser complementado, após sua devolução à uni- dade de Recursos Humanos, por uma entrevista entre você e um de nossos analistas. QUESTIONÁRIO PARA ANÁLISE DE FUNÇÕES GERENCIAIS Nome do colaborador:____________________________________________________________ Unidade:___________________________________________________________________________ U N IC E S U M A R 89 PARTE A - Descrição do cargo Objetivo do cargo (descreva brevemente o objetivo principal do seu cargo na organização). ____________________________________________________________________________________Descrição do cargo (descreva separadamente cada tarefa e em cada uma delas coloque “do que é feito”, “como é feito” – recursos ou julgamento e decisões – e “para que é feito” objetivo da tarefa). Descreva suas tarefas em ordem de importância. ____________________________________________________________________________________ PARTE B - Especiicação do cargo 1. Instrução Qual é o nível de instrução que você considera como mínimo necessário para ocupar o seu cargo? Não mencione o seu nível de instrução, mas aquele ne- cessário para o exercício satisfatório do cargo (assinale uma ou mais alterna- tivas). Superior completo em____________________________________________________________ Pós-graduação em________________________________________________________________ Especialização em_________________________________________________________________ 2. Quais são os conhecimentos exigidos ao ocupante do cargo para realizar as tarefas previstas? ____________________________________________________________________________________ 3. Experiência Qual é o tempo mínimo de experiência para treinar alguém, com o nível de instrução e habilitação apontados, a desempenhar de modo satisfatório as tarefas do cargo? (Não especiique a sua experiência). __________anos no próprio cargo, além de___________________anos nos seguintes cargos anteriores da carreira: ________________________________anos no cargo:_____________________________________ ________________________________anos no cargo:_____________________________________ ________________________________anos no cargo:_____________________________________ 4. Posição do cargo no organograma U N ID A D E 3 90 5. Responsabilidades Total da folha de pagamento sem encargos (anual)________R$_____ Total do seu orçamento (anual)_____________________________R$_____ Total da receita operacional (anual)_________________________R$_____ 6. Complexidade das tarefas Indique sua tarefa mais complexa. Por quê? ____________________________________________________________________________________ 7. Autonomia Indique as decisões mais importantes que você toma sem necessidade de levar à apreciação de seu superior. ____________________________________________________________________________________ 8. Contatos Informe as inalidades dos contatos mantidos para a realização do seu trabalho. ____________________________________________________________________________________ Data da elaboração:_/_/_ Assinatura:__________________________ Quadro 3 - Modelo de questionário para análise de cargos gerenciais Fonte: adaptado de Pontes (2011). O quadro apresentado nos serve de orientação para a realização desse tipo de questionário. A seguir, trataremos do método misto ou combinado. Método misto ou combinado Trata-se de utilizar os métodos da observação, da entrevista e do questioná- rio combinados entre si. A escolha dependerá das particularidades de cada empresa, dos objetivos e do pessoal disponível para a sua execução. U N ID A D E 3 92 Veja, caro(a) aluno(a), um exemplo de descrição e especificações do cargo de Analista de Cargos e Salários: TÍTULO DO CARGO: Analista de Cargos e Salários UNIDADE: Recursos Humanos DESCRIÇÃO SUMÁRIA Executa trabalhos de descrição e especiicação de cargos, pesquisas salariais e extra-salariais, e processamento de aumentos e reajustes salariais. DESCRIÇÃO DETALHADA 1. Descreve e especiica cargos, baseando-se nos planos de avaliação previamente estabelecidos, de conformidade com anotações constan- tes em questionários e/ou entrevistas com ocupantes do cargo. 2. Elabora levantamentos diversos sobre o comportamento do merca- do salarial, consultando publicações especíicas e/ou pesquisas, para análise e comparações internas. 3. Desenvolve pesquisas salariais e extra-salariais, deinindo formulá- rios, rol de cargos e empresas. Tabula e apresenta os resultados aos órgãos superiores. 4. Analisa solicitações de aumentos salariais por promoção ou mérito, veriicando se estão condizentes com o estabelecido na política de administração salarial. 5. Confere ichas de solicitação de pessoal e de aprovação de admissão, veriicando se os cargos e salários iniciais estão condizentes com o estabelecido no plano de administração salarial. 6. Acompanha a evolução das negociações coletivas para reajustamentos salariais, acordos sindicais ou dissídios das categorias proissionais. Interpreta os textos dos acordos e efetua os cálculos necessários para o reajuste salarial dos colaboradores envolvidos. U N IC E S U M A R 93 TÍTULO DO CARGO: Analista de Cargos e Salários ESPECIFICAÇÃO 1. Instrução Formação escolar: Conhecimentos formais equivalentes aos adquiridos em curso superior completo. 2. Conhecimentos Técnicas de Administração de Salários. Estatística aplicada à Administração Salarial. Microinformática. 3. Experiência Quatro anos, adquirida no exercício do próprio cargo. 4. Iniciativa/complexidade Tarefas, em geral, não padronizadas, exigindo iniciativa para a solução de problemas diversiicados. Exige discernimento e desembaraço para tomar decisões mais convenientes. Trabalho que exige ação independente. 5. Responsabilidade por dados conidenciais O responsável pelo cargo tem acesso a informações conidenciais (salários de todos os colaboradores), cuja divulgação inadvertida pode provocar embaraços internos. 6. Responsabilidade por erros Trabalho que envolve recomendações de política salarial, que, se cometi- dos erros de julgamento, podem implicar dispêndios consideráveis para a companhia. 7. Responsabilidade por contatos Contatos frequentes com colaboradores, gerentes e representantes de outras companhias, exigindo tato e discernimento para levar a termo en- trevistas de tipos variados. 8. Condições de trabalho Normais de escritório. DATA DA ELABORAÇÃO: __/__/__ REVISÃO: Quadro 4 - Descrição de cargo / Fonte: Pontes (2011). Mais uma vez, caro(a) aluno(a), o formulário apresentado é uma sugestão. Ana- lise, reflita sobre e veja quais elementos são importantes para a realização da análise de cargos e salários. U N IC E S U M A R 95 zacional em que o trabalho é realizado. Para esses autores, o bom desempenho do trabalhador dependerá da relação positiva entre essas três variáveis. Por exemplo, se um indivíduo é criativo, o trabalho exige criatividade e o am- biente de trabalho é adequado à expressão dessa criatividade, o bom desempenho será alcançado. Falhando um desses elementos, o bom desempenho estará compro- metido. Quanto mais se conhecer essas variáveis, melhores serão os resultados de um processo de avaliação de desempenho. Evita-se, assim, o risco de responsabilizar apenas o funcionário, a empresa ou o ambiente de trabalho quando forem apontadas as falhas no desempenho. Nessa e em outras perspectivas atuais, é inerente à avaliação de desempenho a busca pelo reconhecimento, nos resultados da avaliação, as contribuições que as pessoas podem trazer como respostas eficazes à empresa. Nesse sentido, para Nassif (2008), é adequado falar em Gestão do Desempenho Humano. Bergamini e Beraldo (2007) defendem que a atitude humana é até mais impor- tante que a técnica, para permitir que as pessoas tenham oportunidade de enten- dimento entre si, com tranquilidade para rever o seu próprio comportamento. Os autores, defendendo uma re-humanização da avaliação, afirmam que, assim, “ [...] a avaliação de desempenho deixa de ser um veículo do medo, da insegurança e das frustrações, para ser a mensageira do otimismo, da esperança e da realização pessoal, a valorizadora dos pontos fortes de cada um, como redutos de força e sinergia humana para o trabalho (BERGAMINI; BERALDO, 2007, p. 13). Quando se examina a prática da avaliação, sabemos que nem sempre é essa realidade que se apresenta, visto que esse processo é um dos mais difíceis de serem implantadoscom sucesso e com continuidade nas organizações. Definições de avaliação de desempenho Vejamos, no quadro seguinte, como alguns autores conceituam a avaliação de desempenho, para, depois, passarmos a outras considerações sobre esse instru- mento: U N ID A D E 3 96 Autor(a) Conceito Pontes (2014) Avaliação de Desempenho ou Administração do Desem- penho é uma metodologia que visa, continuamente, estabelecer um contrato com os funcionários referente aos resultados desejados pela organização, acompanhar os desaios propostos, corrigir os rumos, quando neces- sário, e avaliar os resultados conseguidos. Chiavenato (2014) Avaliação do desempenho é a maneira pela qual os fornecedores e clientes internos avaliam as competên- cias individuais de uma pessoa com a qual mantêm um relacionamento de trabalho e que fornece dados e infor- mações a respeito de seu desempenho e competências individuais. Spector (2002) São procedimentos formais que uma organização utiliza para a avaliação das competências e do desempenho de seus funcionários. Quadro 5 - Conceitos de avaliação de desempenho / Fonte: a autora. Os conceitos expostos apresentam pontos em comum, alguns mais simples e diretos e outros mais abrangentes. É possível apontar como ponto convergente o fato que a avaliação procura determinar as competências e os desempenhos das pessoas, as quais podem ser avaliadas por diferentes agentes. Por que avaliar? Os objetivos de um programa de avaliação de desempenho A avaliação de desempenho é um processo que utiliza instrumentos ou ferra- mentas para obter resultados que orientem as ações de cada pessoa na empresa, das equipes de trabalho e da própria empresa na gestão de seu pessoal. Podem ser inúmeros os objetivos de uma avaliação de desempenho. Dessler (2003) resume esses objetivos em três principais: ■ Produzir informações sobre o desempenho e competências que subsi- diem promoções e aumentos salariais. ■ Produzir informações para que lideranças e funcionários desenvolvam planos para corrigir deficiências reveladas na avaliação. U N IC E S U M A R 97 ■ Produzir informações para o planejamento de carreira, oferecendo a oportunidade de revisar os planos dos funcionários, a fim de detectar e corrigir fraquezas, e valorizar as competências. Pontes (2014) observa que os objetivos da avaliação nem sempre são alcançados, mas que seus resultados podem tornar dinâmico o planejamento da empresa. Não só mas também podem melhorar as competências das pessoas e da empresa, servir como instrumentos para o levantamento de necessidades de treinamento, dar orientações constantes sobre o desempenho das pessoas, entre muitos outros. Quem deve avaliar o desempenho Dependendo do método de avaliação escolhida, da cultura da empresa e dos objetivos da avaliação, muitos podem ser os sujeitos responsáveis por avaliar: ■ O gerente ou líder. ■ O próprio funcionário (autoavaliação). ■ O gerente e o funcionário em parceria. ■ A equipe de trabalho. ■ O gerente, colegas, pares, clientes internos e externos – avaliação de 360 graus. ■ O subordinado, avaliando sua liderança. ■ Uma comissão de avaliação. ■ O órgão de gestão de pessoas. Em relação a quem avalia o desempenho, consideramos importante comentar a avaliação de 360 graus, cuja origem se deu nos anos 80. Inicialmente, as múltiplas fontes de feedback que ela traz visavam unicamente ao desenvolvimento do pro- fissional. Todavia, mais recentemente, vem sendo empregada como ferramenta de avaliação (PONTES, 2014). Além disso, a avaliação tem como pressuposto o desenvolvimento da com- petência das pessoas por meio de feedbacks múltiplos que poderão comparar a sua autoavaliação com a avaliação feita pelo líder, colegas e clientes. Também possibilita que o subordinado avalie o seu superior e realize avaliações recíprocas com seus colegas de trabalho. As avaliações são feitas por meio de instrumentos que procuram mensurar comportamentos, atitudes ou competências, como: pos- tura profissional, relacionamento interpessoal, capacidade analítica, qualidade do trabalho, motivação, entre muitos outros fatores. U N IC E S U M A R 99 Vantagem: forma simples de aplicação. Desvantagem do método: é unidirecional, aplicado de supervisor para funcionário. No quadro seguinte, encontra-se um exemplo de formulário para check-list: Itens Satisfatório Insatisfatório Não se aplica 1.Pontualidade 2.Assiduidade 3.Produtividade 4.Relacionamento com os colegas 5.Relacionamento com a cheia Quadro 6 - Formulário de avaliação - Check-list / Fonte: Nassif (2008). Observa-se, no quadro, um exemplo de formulário de check-list. Na sequência, conheceremos algumas das especificidades do método de escalas gráficas. Vamos lá! Escalas gráficas A escala gráfica tem sido o método mais divulgado e empregado pelas empresas. A avaliação é realizada por meio de fatores ou características previamente estabe- lecidas que são graduadas de ruim a excepcional (escala Likert). São aplicadas, em geral, dez características a um conjunto de cargos, que servirão de parâmetro para a avaliação dos seus ocupantes. São inumeráveis os fatores que podem ser utili- zados nesse tipo de avaliação, tais como: administração do tempo, assiduidade, atendimento às normas da empresa, atitude no trabalho, comunicação, liderança, pontualidade, produtividade, sociabilidade, tomada de decisão etc. Vantagem do método: simplicidade, o que facilita o entendimento e utilização. Há uma visão gráfica e global dos fatores de avaliação utilizados, fácil feedback de resultados aos funcionários. Desvantagem do método: não há flexibilidade, os fatores de avaliação foram pre- viamente estabelecidos. Além disso, só verifica o passado, obrigando o líder a ser um juiz. Não só, mas dificulta o feedback quando o resultado não foi bom, pela subje- tividade no julgamento, por melhor que tenha sido a redação e escolha dos fatores. U N ID A D E 3 100 Você provavelmente já teve contato com escalas que graduam fatores de avaliação em cursos ou eventos em que tenha participado. Aqui, trata-se de avaliar o desempenho no trabalho. O quadro seguinte apresenta um excerto de uma escala como exemplo: Fatores Grau de Avaliação 1 Muito insatis- fatório 2 Pouco insatis- fatório 3 Pouco satis- fatório 4 Satis- fatório 5 Muito satis- fatório Pontos Pontualidade O funcionário não se atrasa e nem sai mais cedo. Segue irmemente os horários deter- minados. Assiduidade O funcionário nunca falta. Quando neces- sita, avisa ante- cipadamente a cheia e repõe a falta em ou- tro horário. Integração O funcionário está integrado às normas e regras da em- presa. Quadro 7 - Exemplo de escala gráica / Fonte: adaptado de Nassif (2008). Por meio do quadro apresentado, identificamos um exemplo do método de escala gráfica como avaliação de desempenho. Ele poderá nortear o desenvolvimento de trabalhos nesse campo. U N IC E S U M A R 101 Incidentes críticos Esse método tradicional se preocupa com características extremas (incidentes críticos), sejam positivas ou negativas, avaliando pontos fortes e fracos de cada funcionário sem ser subjetivo e sem analisar os traços de personalidade. O de- sempenho normal ou regular é deixado de lado. Para tanto, são realizados registros escritos dos fatos, podendo-se adotar uma tabela com duas colunas, uma ao lado da outra, para facilitar a comparação dos registros positivos e negativos. Vantagens do método: focaliza nos comportamentos específicos a avaliar, permite maior acordo entre os avaliadores e enfatiza a melhora do desempenho e o alcance de resultados. Não só, mas também permite maior aprofundamento na avaliação e é um método de fácil elaboração e utilização. Desvantagens do método: ignora aspectos normais do comportamento, bem como pode se tornar tendencioso e parcial, por fixar-se em poucos fatores do desempenho (NASSIF,2008; CHIAVENATO, 2014). Limitações dos métodos tradicionais de desempenho Para Chiavenato (2014), considerando-se as novas práticas empresariais, os métodos tradicionais apresentam aspectos burocráticos, negativos, rotineiros e repetitivos, tratando as pessoas como homogêneas e padronizadas. Neles, não há liberdade de forma ou conteúdo. Nassif (2008) aponta como uma das limitações desses métodos o fato de que podem levar os superiores a julgar os seus subordinados pela personalidade, perdendo o foco do desempenho. Métodos contemporâneos De acordo com as perspectivas estratégicas das empresas, na atualidade, pro- curam-se desenvolver métodos de avaliação capazes de atender aos objetivos das pessoas e das empresas, colocando a avaliação não como geradora de U N ID A D E 3 102 conflitos, mas como um importante meio para aperfeiçoar comportamentos. Nessa perspectiva, o desempenho individual é conectado às estratégias da organização, valorizando-se o desempenho passado e atual, além do estabe- lecimento de metas a alcançar no futuro (NASSIF, 2008). Algumas soluções criativas e inovadoras têm sido desenvolvidas, com maior participação das pessoas, com foco no futuro e na melhora do desempenho (CHIAVENATO, 2014). Comentaremos dois métodos atualmente utilizados: a avaliação participativa por objetivos (APPO) e a avaliação de desempenho centrada no grupo ou avaliação de 360 graus. Avaliação participativa por objetivos (APPO) A avaliação se caracteriza pela formulação de objetivos consensuais, compro- metimento pessoal quanto ao alcance dos objetivos, negociação sobre a aloca- ção de recursos e meios necessários para o alcance dos objetivos, com constante monitoramento, retroação intensiva (feedback) e contínua avaliação, conjunta e interativa (CHIAVENATO, 2014). A figura seguinte apresenta o ciclo da APPO: Figura 3 - O processo de APPO / Fonte: Chiavenato (2014). Podemos dizer que, nesse sistema de administração do desempenho, o cola- borador e seu gerente participam ativamente, de forma democrática, partici- pativa e motivadora. U N IC E S U M A R 103 Avaliação de 360 graus Assim como já foi comentado, a avaliação de 360 graus é feita de modo circular por todas as pessoas que mantêm alguma forma de contato com o avaliado: seus superiores, colegas, clientes internos e externos. Ela traz informações muito amplas e relevantes, vindas de todos os lados, fazendo que o avaliado reflita e procure se aperfeiçoar, a partir de diferentes demandas do seu contexto de trabalho. A figura seguinte demonstra a amplitude desse tipo de avaliação: Gerente Subordinado Colega do mesmo nível Colega do mesmo nível Subordinado Executivos Outros gerentes Subordinado Avaliado (autoavaliação) Figura 4 - Avaliação 360º ou circular / Fonte: Chiavenato (2014). É preciso admitir que não é fácil ficar sob a mira de todos os olhares se não estiver preparado, com a mente aberta e atitude flexível para esse tipo de abordagem. Nassif (2008) analisa que, se a atitude for positiva, a avaliação de 360 graus serve de base para a construção de um plano de desenvolvimento profissional e pessoal que, consequentemente, contribuirá para o crescimento da organização. Muito interessante, não é mesmo? U N IC E S U M A R 105 Quando os resultados são positivos, as dificuldades em dar feedback são mais reduzidas, mas quando os resultados são negativos, as dificuldades se multipli- cam, afinal, são poucas as pessoas que gostam de dar ou receber críticas. É pre- ciso maturidade para fornecê-las e para percebê-las como construtivas. Assim a preparação adequada da entrevista é essencial. Dessler (2003) indica três passos importantes na preparação da entrevista para uma adequada devolução de resultados. São eles: 1. Avisar o colaborador com, pelo menos, uma semana de antecedência, para que tenha tempo de rever a sua descrição de cargo, analisar possíveis problemas e elaborar perguntas e comentários. 2. Estudar a descrição de cargos, os objetivos e metas que deveriam ser al- cançados pelo colaborador e compará-los com o seu desempenho. Revi- sar avaliações anteriores. 3. Escolher o local certo para a realização da entrevista, garantindo privaci- dade e evitando interrupções, com tempo suficiente. Na condução da entrevista, é preciso deixar claro que o seu objetivo principal pode ser o de reforçar o desempenho satisfatório ou diagnosticar e melhorar o desempenho insatisfatório. O estabelecimento de metas é obrigatório, identifi- cando passos e resultados esperados, em acordo com o funcionário sobre como e quando as coisas irão melhorar. Podemos dizer que o feedback é uma ferramenta estratégica da gestão de pessoas. O seu uso é de fundamental importância para gestores das mais diversas áreas, devendo ser realizado adequadamente. Em muitos momentos, ouvimos falar sobre feedback positivo e feedback ne- gativo. Assim sendo, precisamos conhecer um pouco mais as suas características e execução. Para saber mais, acesse o link disponível em: http://www.ibccoaching.com.br/portal/ coaching-carreira/feedback-positivo-negativo-sempre-importante/. Fonte: as autoras. explorando Ideias É possível observar que a avaliação de desempenho é uma ferramenta que pode auxiliar a organização, também, no alcance de seus objetivos e melhoria nos resultados. Como isso acontece? pensando juntos U N ID A D E 3 106 É necessário, ao entrevistador, preparar-se para o momento de diálogo que ocor- rerá na entrevista, atentando-se em: enfatizar os pontos positivos do avaliado; não fazer falsos elogios; ser franco, objetivo e específico ao falar das deficiências; conversar sobre o desempenho e nunca sobre o indivíduo; saber ouvir; pedir ao colaborador a própria avaliação e depois fornecer a sua; não fazer julgamentos. A figura seguinte sistematiza esses cuidados a serem tomados: Figura 5 - Roteiro para retorno eicaz sobre desempenho / Fonte: Davis e Newstron (2001). Podemos dizer, ainda, que as reações emocionais das pessoas, como negação e defesa, são comuns nesses processos. Dessa forma, o entrevistador precisa estar preparado para lidar com elas. Distorções a evitar na avaliação de desempenho São considerados “vícios da avaliação” (BERGAMINI; BERALDO, 2007) os desvios cometidos por avaliadores influenciados por uma percepção distorcida ou, por vezes, preconceituosa das pessoas avaliadas. Estão entre as distorções que se deve evitar: U N IC E S U M A R 107 ■ Subjetivismo: atribuir à pessoa avaliada qualidades e defeitos que são próprios do avaliador. Exemplo: projeção de antipatias ou simpatias, sem razões objetivas. ■ Unilateralidade: valorizar aspectos que apenas o avaliador julga impor- tantes. Exemplo: gostar apenas de quem trabalha da mesma forma que o avaliador. ■ Tendência central: por não querer prejudicar colegas ou assumir respon- sabilidade pelos excelentes, não avalia nos extremos positivos ou negati- vos. Exemplo: todos estão na média, nem tão bons, nem tão maus. ■ Efeito de halo: o avaliador se apega em uma característica positiva ou negativa mais marcante para ele mesmo e contamina todas as outras ca- racterísticas avaliadas. Exemplo: assume a mesma classificação para uma pessoa, em todos os aspectos avaliados. ■ Falta de memória: ater-se aos últimos acontecimentos, esquecendo o que ocorreu durante o período que está sendo avaliado. Exemplo: próximo ao período de avaliação, o desempenho pode melhorar de maneira incomum. ■ Supervalorização da avaliação: acreditar que uma avaliação vai corrigir os defeitos das pessoas. Exemplo: esperar mudanças radicais nas pessoas por causa da avaliação. ■ Desvalorização da avaliação: não acreditar no valor da avaliação, em ter- mos de contribuir para o melhor desempenho dos avaliados. Exemplo: informações incorretas ou incompletas, por não julgar importante relatar. ■ Falta de técnica: falta de conhecimento dastécnicas de utilização e uso apenas do senso comum. Exemplo: avaliações de dados irrelevantes e gerais. ■ Força de hábito: avaliar sempre da mesma forma uma pessoa ao longo dos anos. Exemplo: não considerar as mudanças para melhor ou para pior de uma pessoa ao longo dos anos. Essa lista não esgota os tipos de distorção que podem ocorrer no processo de avaliação de desempenho. Elas ocasionam distorções de julgamento que precisam ser reconhecidas e administradas, desde a escolha e treinamento dos avaliadores até controles estatísticos sistemáticos dos resultados obtidos. U N ID A D E 3 110 Remuneração básica Incentivos salariais Incentivos não �nanceiros Benefícios Salário mensal Salário por hora Bônus Prêmios Participação nos lucros Remuneração variável Distribuição de ações Opção de compra de ações Participação em metas e resultados Prêmios em viagens Prêmios em bens Seguro de vida Seguro saúde Refeições subsidiadas Transporte subsidiado Etc. Remuneração total Figura 6 - Os quatro componentes da remuneração total / Fonte: Chiavenato (2014). Os quatro componentes da remuneração são enfatizados diferentemente pelas em- presas, de acordo com as particularidades de cada uma. Na maioria das empresas, a maior parte do que o funcionário recebe é a remuneração básica, o pagamento fixo que recebe como salário mensal por hora ou por tarefa. O salário é o principal componente da remuneração e pode ser definido como: “ a quantia que o empregado recebe do empregador, em dinheiro ou equivalente, pelos serviços que prestou durante um determinado perío- do. O salário pode ser por hora, por mês, por tarefa (FIDELIS; BANOV, 2007, p. 123). Os incentivos salariais, o segundo componente da remuneração total, visam recom- pensar os funcionários com elevado desempenho e podem se apresentar em forma de bônus, prêmios, participação nos lucros ou outras formas. Podemos dizer, ainda, que os incentivos não financeiros e os benefícios acabam por compor a remuneração total e serão comentados mais à frente. “Satisfação e autorrealização” ou “Maior salário, maior motivação”? Ainal, qual é o valor da remuneração para as pessoas? E, no seu caso pessoal, o que o(a) motiva? pensando juntos U N IC E S U M A R 111 Recompensas financeiras e não financeiras Uma empresa pode oferecer aos colaboradores, como retribuição ao trabalho prestado, as recompensas financeiras e não financeiras. As recompensas finan- ceiras podem ser diretas ou indiretas. Recompensa inanceira direta: são os salários, bônus, prêmios e comissões. Recompensa inanceira indireta: são as decorrentes de convenções coletivas de trabalho, plano de benefícios e serviços sociais. As recompensas não financeiras são as possibilidades de desenvolvimento, reconhecimento, segurança no emprego, qualidade de vida no trabalho, auto- nomia e entre outras inúmeras possibilidades. Benefícios sociais Os benefícios sociais são considerados salário indireto ou recompensas não financeiras. Podem ser compulsórios ou espontâneos. Benefícios compulsórios: quando são oferecidos por exigência da lei. Por exemplo: 13º salário, salário-família, auxílio-doença, auxílio maternidade etc. Benefícios espontâneos: quando a empresa os oferece por decisão pró- pria. Por exemplo: cesta básica, restaurante, seguro de vida, assistência médica e odontológica, creche para os filhos, horário móvel, transporte próprio, entre outros. Certos benefícios, como creche, por exemplo, podem ser espontâneos em algumas empresas e compulsórios em outras. Esse último caso ocorre quando um acordo coletivo o torna obrigatório (FIDELIS; BANOV, 2007). Vamos conhecer, a seguir, algumas concepções a respeito da remuneração estratégica. Remuneração estratégica: No sistema de remuneração tradicional, as pessoas são compensadas pelo seu tra- balho, com base no cargo que ocupam. No sistema de remuneração estratégica, os colaboradores que se destacam recebem uma remuneração diferenciada. As remu- nerações são denominadas variáveis ou por competências. U N ID A D E 3 112 Remuneração fixa ou variável: A remuneração pode ser paga com base fixa, em salários mensais ou por hora, sendo a forma mais comum encontrada nas empresas brasileiras. Tem a vantagem de redu- zir riscos tanto para a empresa quanto para o trabalhador. A remuneração variável vem sendo utilizada por algumas empresas no Brasil, especialmente a partir de 1994, devido a uma medida provisória que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros. Essa prática instituiu legalmente o que já acontecia em alguns contextos: vincular o desempenho individual aos resultados alcançados pela organização. Na perspectiva da gestão estratégica, o pressuposto da remuneração variável é a partilha dos riscos e dos sucessos entre colaboradores, que serão parceiros no negócio. Entre essas estratégias, estão a participação nos lucros, participação nos resultados, paga- mento por mérito, remuneração de equipes, prêmio especial de reconhecimento e bônus (HANASHIRO, 2008). Remuneração por competência: Esse tipo de remuneração é focado nas contribuições que as competências de uma pessoa trazem para a organização. Pode ser considerada uma remuneração estra- tégica, pois, ao contrário do sistema tradicional, estabelece o salário não pelo cargo ocupado, mas pelas competências e contribuições trazidas pelo ocupante do cargo. Nesse caso: “ A remuneração aumenta na medida em que a pessoa adquire compe- tências e se torna capaz de desempenhar atividades complexas com sucesso. A remuneração baseada no indivíduo é indicada quando a força de trabalho é educada e possui capacidade e vontade de apren- der novas tarefas, a tecnologia e a estrutura organizacional mudam, as oportunidades para mobilidade vertical são limitadas, a participação e o espírito de equipe são encorajados e os custos de rotatividade e absenteísmo em termos de perda de produção são elevados (CHIA- VENATO, 2014, p. 246). Ao tratar de remuneração variável, é possível trazer para a discussão o assunto para o qual temos chamado a atenção ao longo desse texto, em termos de gestão de pessoas U N IC E S U M A R 113 na atualidade: a tentativa das empresas de alinhar seus interesses aos interesses de seus colaboradores, transformando o seu sistema de remunerações em mais uma vantagem competitiva para a empresa. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, tratamos de três processos essenciais em recursos humanos: a análise e descrição de cargos, a avaliação de desempenho e o sistema de remunerações. Em termos da análise e descrição de cargos, expusemos alguns conceitos imprescindíveis, como objetivos, métodos de análise e descrição, para dis- cutir sobre a importância desses processos nas várias atividades da gestão de pessoas. Esses processos servem como balizamento para a definição das responsabilidades, competências e metas a serem atingidas pelos colabora- dores e para a divisão e organização do trabalho, essencial para o alcance dos objetivos organizacionais e estabelecimento de metas pessoais. Ao apresentar o processo de avaliação de desempenho, inicialmente, tratamos sobre a dificuldade que a maioria das pessoas tem para lidar com avaliações e sobre as dificuldades que uma empresa poderá enfrentar para implantar esse sistema. Em seguida, apresentamos seus objetivos, métodos e a importância do feedback. No último tópico da unidade, versamos sobre o sistema de remunerações e seus conceitos, sua forma tradicional e estratégica, esperando ter suscitado uma reflexão sobre a importância, para a empresa, de desenvolver um ade- quado plano de remuneração que motive os colaboradores e contribua não apenas para a produtividade e lucratividade da empresa, mas também para o alcance da satisfação e dos objetivos pessoais de cada pessoa que faz parte da organização. Nosso objetivo é que você consiga refletir e analisaro que foi discutido para a compreensão do seu próprio contexto de trabalho: se já trabalha na área, poderá iniciar a elaboração para possíveis mudanças; se não trabalha ainda, fica desde já com um conhecimento necessário a um futuro trabalhador da área de recursos humanos. Esperamos que você busque as obras referenciadas para aprofundar os seus conhecimentos! U N IC E S U M A R 123 Organizações que aprendem têm a “capacidade para criar, adquirir e transferir conhecimento, bem como para modificar seu comportamento para refletir novos conhecimentos e discernimentos” (LACOMBE, 2005, p. 345). Atente-se para a definição do autor: aprendizagem, tanto individual quanto organizacional, indica aquisição de conhecimento e consequente mudança de comportamento. No mundo atual, em que os competidores se multiplicam, o fato de produ- zir, disseminar e conseguir transformar conhecimentos em práticas, tecnolo- gias e produtos indica que a organização é uma organização que aprende e se desenvolve comprometida com a contínua inovação. Para alguns autores, tais como França (2008) e Lacombe (2005), a organização de sucesso é aquela que aprende e se caracteriza por ser competente em cinco atividades: ■ Resolução sistemática de problemas. ■ Experimentação de novas abordagens. ■ Aprendizagem por meio de sua própria experiência e história. ■ Aprendizagem por meio da experiência e prática dos outros (o que faz de melhor a concorrência). ■ Transferência de conhecimento rápida e eficiente em todos os níveis da organização. Essas atividades pressupõem e exigem da organização flexibilidade e grande capacidade de adaptação, as quais, para serem desenvolvidas, obviamente, de- penderão de aprendizagens e desenvolvimento de habilidades fundamentais por parte das pessoas envolvidas. Atualmente, as empresas que pretendem se manter no mercado e crescer precisam oferecer possibilidades de treinamento e valorização dos profissio- nais, com boas condições para atrair e reter os melhores. Para Lacombe (2005), atrair, reter e desenvolver, provavelmente, são os pontos mais importantes nos quais uma organização precisa investir. A globalização e a alta competitividade demandam que a empresa se dife- rencie da concorrência pela “capacidade, conhecimento e comprometimento dos que nela trabalham” (PFEFFER apud LACOMBE, 2005) e, para tais, eis o grande papel do treinamento e desenvolvimento de colaboradores para o sucesso da empresa. Bittencourt (2010) ressalta que a capacidade de aprender e adquirir novas competências deve ser o grande diferencial sustentável a ser perseguido pelas empresas. U N ID A D E 4 124 Aprendizagem e competência individual A empresa com capacidade organizacional é aquela que possui competências para combinar e integrar habilidades, recursos e atividades nas suas rotinas, com geração de valor para os clientes, ou seja, aquela que cria vantagem com- petitiva. Observa-se, aqui, a importância do conceito de competências, crucial nesse contexto. Inúmeros autores discutem competências e apresentam conceitos distin- tos. Consideramos que, para nossos objetivos, o conceito apresentado por Parry (1996) é bastante esclarecedor. Para o autor, competência é: “ [...] um agrupamento de conhecimentos, habilidades e atitudes correlacionados, que afeta parte considerável da atividade de al- guém, que se relaciona com o desempenho, que pode ser medi- do segundo padrões preestabelecidos e que pode ser melhorado por meio de treinamento e desenvolvimento (PARRY, 1996 apud GOMES et al., 2007). Percebemos a importância das competências no contexto do trabalho, ressal- tando que, em termos organizacionais, as competências individuais serão úteis se o trabalhador estiver disposto a dar o seu potencial para agregar valor. De nada valerá o desenvolvimento de competências se as pessoas não estiverem dispostas a dar de si mesmas, o que agregaria valor econômico à organização e valor social a si mesma (GOMES et al., 2007). Novamente, sustentamos que as atividades de recursos humanos devem trabalhar de forma integrada, não valendo a pena investir em treinamento e desenvolvimento de pessoas se as outras atividades, como remuneração e benefícios, programas para qualidade de vida, planos de carreira, entre outras, deixarem a desejar. Se não se integrarem boas condições organizacionais para a retenção de talentos, a área de treinamento e desenvolvimento (T&D) se transformará simplesmente em área de custos que não vislumbra o lucro. Muitas empresas deixam de investir na capacitação de seus funcionários pelo receio de serem trocadas por outras assim que esses sujeitos adquiram novas qualificações e competências, o que certamente ocorrerá se as outras condições citadas não estiverem condizentes com as expectativas dos colaboradores. U N IC E S U M A R 127 no conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes pessoais necessárias para a realização de um trabalho. Suficientemente abrangente nos parece a definição apresentada a seguir para o desenvolvimento: “ Desenvolvimento é o processo de longo prazo para aperfeiçoar as capacidades e motivações dos empregados a fim de torná-los futu- ros membros valiosos da organização. O desenvolvimento inclui não apenas o treinamento, mas também a carreira ou outras experiências (MILKOVICH; BOUDREAU, 2000 apud FIDELIS; BANOV, 2007). Verifica-se, no desenvolvimento, ao contrário do treinamento, uma preocupação com o crescimento pessoal do colaborador em direção à carreira futura, e não somente para atendimento a necessidades atuais. Para diferenciar treinamento e desenvolvimento vale ressaltar que, embora ambos sejam processos de aprendizagem e façam uso de técnicas similares, seus objetivos são diferentes. O treinamento: “ [...] está voltado para o condicionamento da pessoa no sentido da execução de tarefas, as quais devem ser muito bem definidas. Já o desenvolvimento está dirigido ao crescimento da pessoa no nível do conhecimento, da habilidade, atitudes e valores éticos, de modo que possa desempenhar seu papel da melhor forma e com níveis crescentes de complexidade (ARAÚJO; GARCIA, 2010, p. 98). No quadro seguinte, você pode visualizar a diferença entre as duas práticas de capacitação de pessoas: Treinamento Desenvolvimento Processo de aprendizagem. Processo de aprendizagem. Voltado para o condicionamento da pessoa e para a execução de tarefas. Voltado para o crescimento da pessoa em nível de conhecimento, habilidade e atitude. Pontual, atende a necessidades do momento. Curto prazo. Projeção de necessidades futuras. Médio e longo prazo. Quadro 1 - Similaridade e distinção entre treinamento e desenvolvimento Fonte: adaptado de Araújo e Garcia (2010). U N ID A D E 4 128 Esperando ter deixado clara a distinção entre as duas práticas, passemos a es- pecificação de cada uma delas. Iniciemos pelo treinamento. Tipos de treinamento O treinamento pode ser formal ou informal. O informal ocorre de forma não estruturada, a qualquer momento, por exemplo, quando um colaborador mais experiente explica a um novo como realizar suas tarefas. O treinamento formal é planejado e realizado seguindo metodologias específicas para o alcance dos objetivos. Quanto ao público-alvo, o treinamento pode ser realizado aos diferentes níveis de colaboradores. Dessa forma, de acordo com Tachizawa, Ferreira e Fortuna (2001 apud ARAÚJO; GARCIA, 2010), eles podem ser: ■ Gerencial ou de gestão: direcionado a executivos e gerentes. ■ Técnico: direcionado aos profissionais de nível técnico. ■ Médio: direcionado a atender deficiências de escolaridade. ■ Amplo: direcionado a todos os níveis, por exemplo, na área de relações interpessoais. Objetivos do treinamento As razões para realizar processos de treinamento podem ser inúmeras. Destaca- mos algumas delas, dentre as várias que nos informamAraújo e Garcia (2010): ■ Adequar a pessoa à cultura da organização. São realizadas atividades de treinamento tanto na admissão de novos colaboradores quanto para pessoas que ainda se encontram “fora de sintonia” com a cultura da empresa. ■ Mudar atitudes. A alteração de atitudes antiquadas para adaptação ao contexto atual, procurando tornar as pessoas inovadoras, modernas. ■ Adaptar pessoas para lidar com a modernização da empresa, capacitan- do-as para o uso de novas tecnologias e processos. ■ Preparar pessoas para serem remanejadas. ■ Fazer circular informações sobre normas, políticas e regulamentos para que sejam de conhecimento geral. U N IC E S U M A R 129 Chiavenato (2014) elenca alguns indicadores que sinalizam a necessidade de trei- namento: ■ Na admissão de pessoal. ■ Na redução de funcionários. ■ Na atualização de equipamentos e tecnologias. ■ No lançamento de novos produtos ou serviços. ■ Quando há desperdício. ■ Na elevação do número de acidentes de trabalho. ■ Quando há queixas no atendimento ao cliente. Essa lista não esgota todas as possibilidades, mas traz indicadores que dire- cionam as atividades de treinamento, buscando as respectivas mudanças de comportamento. A figura seguinte detalha como se caracterizam os conteúdos do treinamento e as mudanças comportamentais que se espera que ocorram nos treinandos: Treinamento Desenvolver/modi�car comportamentos Mudança de atitudes negativas para atitudes favoráveis, conscientização e sensibilidade com as pessoas, com os clientes internos e externos Melhorar as habilidades e as destrezas Habilitar para a execução e a operação de tarefas, manejar equipamentos, máquinas e ferramentas Aumentar o conhecimento das pessoas Informações sobre a organização, seus produtos/serviços, políticas e diretrizes, regras e regulamentos e seus clientes Elevar o nível de abstração Desenvolver ideias e conceitos para ajudar as pessoas a pensar em termos globais e amplos Criar competências individuais Criar e desenvolver competências individuais alinhadas com os objetivos da organização Transmissão de informações Desenvolvimento da habilidade Desenvolvimento de conceitos Desenvolvimento de atitudes Construção de competências Figura 2 - Tipos de mudança de comportamento decorrentes do treinamento Fonte: Chiavenato (2014). U N ID A D E 4 130 Etapas do treinamento e desenvolvimento Esperamos ter deixado claro até aqui, prezado(a) aluno(a), a diferença que há entre treinamento e desenvolvimento. Apesar das diferenças apresen- tadas, diversos autores concordam que as etapas que devem ser seguidas para a realização dessas atividades são semelhantes. Utilizaremos, para nos auxiliar nessa exposição, especialmente o que nos sustentam Marcondes (2008), Araújo e Garcia (2010) e Chiavenato (2014). Primeira etapa: Levantamento de Necessidades As necessidades de treinamento nem sempre estão claras e é preciso rea- lizar pesquisas internas para se definirem as reais necessidades de apren- dizagem. Os relatórios de avaliação de desempenho dos colaboradores, processo que já comentamos na Unidade 3, também são uma fonte impor- tante de levantamento de necessidades por demonstrarem as deficiências apresentadas pelos avaliados. Essas deficiências ou carências profissionais das pessoas vão determinar as necessidades de treinamento. Podemos dizer que uma necessidade de treinamento “é uma área de informação ou de habilidades que um indivíduo ou grupo precisa desen- volver para melhorar ou aumentar sua eficiência, eficácia ou produtividade no trabalho” (CHIAVENATO, 2014 , p. 199). Nessa etapa, além das habili- dades a desenvolver, deve-se, ainda, conhecer o planejamento estratégico da empresa, as metas dos setores em que atuam as pessoas a serem treinadas e o perfil dessas pessoas. As pesquisas para levantamento de necessidades de treinamento podem utilizar diferentes técnicas, como: entrevistas com os colaboradores de ma- neira geral; com as chefias e gerentes imediatos; questionários; avaliação de desempenho dos funcionários; observação direta da atuação das pessoas; pesquisa de clima organizacional; discussões em grupo; reuniões interde- partamentais; testes de conhecimentos; análise de índices de rotatividade e absenteísmo, entre outros (MARCONDES, 2008). U N IC E S U M A R 131 Segunda etapa: Planejamento Nesta etapa, elaboram-se os planos e os programas, bem como são definidos os objetivos e os recursos a serem utilizados, procurando fazer um programa inte- grado e coerente com as necessidades de treinamento anteriormente levantadas. O programa de treinamento precisa definir algumas diretrizes essenciais, como: ■ Quem deve ser treinado. ■ Como treinar: quais métodos ou recursos serão utilizados. ■ Em que treinar: quais assuntos ou conteúdos serão tratados. ■ Quem serão os instrutores. ■ Onde será o treinamento. ■ Quando se realizará o treinamento. ■ Para que será realizado. Depois de elaboradas essas diretrizes, poderão ser definidos os recursos finan- ceiros necessários e submetê-los à aprovação para posterior implementação. In- cluem-se, entre os custos, desde os salários da equipe de treinamento até equipa- mentos para ensino à distância, quando for o caso. Há necessidade de se fazer o cálculo estimado do benefício que retornará à empresa para se justificar o custo e conseguir a aprovação das instâncias responsáveis (MARCONDES, 2008). Terceira etapa: Implementação É a mais importante etapa do processo, quando são executadas as ações plane- jadas. A arrumação do local, o material instrucional, o conforto e a organização de horário são detalhes essenciais para o sucesso do treinamento. Ele poderá ser desenvolvido no trabalho, na classe, pelo telefone ou pelo computador, depen- dendo das condições e objetivos propostos. Não entraremos em detalhes agora, mas apresentaremos, mais adiante, os métodos e técnicas a serem utilizados na execução do treinamento. Um aspecto a ressaltar é a importância da figura de um coordenador, que deverá acompanhar todas as etapas do programa. É comum, atualmente, a contratação de empresas especializadas em T&D para elaboração e execução do programa de treinamento. U N ID A D E 4 132 Quarta etapa: Avaliação Esta etapa procurará levantar se os objetivos do treinamento foram atingi- dos, ou seja, serão confrontados os resultados esperados do treinamento e o aproveitamento dos participantes. A razão de ser do treinamento é a melhora no desempenho do colaborador e, para saber se isso ocorreu, é preciso men- surar, o que se mostra bastante complexo e de difícil realização, uma vez que os elementos que ajudam ou prejudicam o desempenho das pessoas no tra- balho são inúmeros e a avaliação do treinamento poderá chegar a resultados objetivos e subjetivos. Chiavenato (2014) apresenta o que considera as principais medidas para avaliar o treinamento: ■ Custo: qual foi o valor investido? ■ Qualidade: como o programa atendeu às expectativas? ■ Rapidez: como o programa se ajustou aos novos desafios oferecidos? ■ Resultados: quais foram os resultados do programa? A resposta para essas questões indicará se o programa foi bem ou malsucedido. Para Marcondes (2008), a avaliação precisa ser realizada mesmo sendo imperfeita, pois irá revelar indícios que ajudarão no julgamento dos fatores influenciadores dos resultados, especialmente nos seguintes pontos: ■ Percepção ou reação dos participantes: os participantes expressam suas impressões por meio de questionários apropriados. ■ Aprendizado: avaliará novos conhecimentos adquiridos e até que pon- to eles se refletiram em mudanças de comportamento. ■ Comportamento ou impacto no desempenho: serão avaliados por meio de observação do desempenho no trabalho. ■ Mudança ou impacto dos resultados na organização: fará a relação custo x benefício, verificando se houve redução decustos operacio- nais, aumento de lucratividade, redução de rotatividade, entre outros aspectos que pudessem fazer parte dos objetivos do treinamento. Apenas com a definição bem clara dos objetivos antes da execução será pos- sível realizar satisfatoriamente o processo de avaliação do treinamento. U N ID A D E 4 134 Simulação ou aprender imitando a realidade Dramatização, com uso de técnicas teatrais, com tema especíico, em que treinandos interpretam personagens reais ou ictícios. Jogos de empresa. Idealizam-se empresas que competem entre si, com um vencedor ao inal. Estudos de caso, utilizando experiências reais ou ictícias. Jogos diversos: vão desde pegadinha a desaios físicos e psicológicos. Comporta- mental ou aprender por desen- volvimento psicológico Aconselhamento psicológico por um especialista. Psicodrama, uma técnica para romper bloqueios psicológicos, espe- cialmente de relacionamento. Grupos T, discussão e negociação interpessoal para aprendizado do trabalho em equipe. Dinâmicas de grupo, para o aprendizado de negociação, liderança, cooperação, comunicação, entre outros aspectos. Quadro 2 - Técnicas utilizadas no treinamento e desenvolvimento / Fonte: Marcondes (2008). O quadro localiza, de forma bastante ampla, as metodologias e técnicas utili- zadas por um grande número de empresas em seu processo de treinamento. Gostaríamos, porém, de ressaltar a utilização da tecnologia da informação e de novas tecnologias que estão mudando o cenário, não apenas o treinamento e desenvolvimento, mas o cenário educacional no Brasil e no mundo. Araújo e Garcia (2010) apresentam exemplos de uso da tecnologia em processos de aprendizagem: Workshops (oficina): reunião de pessoas para troca de experiências por meio de dinâmicas para internalização de conhecimentos. Podem ser rea- lizados em salas, miniauditórios na empresa ou fora dela, em dias úteis ou finais de semana. Coaching: é uma forma de buscar resultados desenvolvendo as habilidades dos componentes de uma equipe e da equipe como um todo. Aconselhamento e orientação são utilizados para a busca pessoal de resultados. Considera-se que este método baseia-se no ditado popular “não dê somente o peixe, ensine a pescar”. Mentoring: é estabelecida uma cumplicidade e parceria baseada no com- promisso com a verdade entre o mentor e a pessoa orientada. O objetivo é potencializar o ser humano em busca da excelência pessoal. Atende mais a objetivos de desenvolvimento do que de treinamento. Teleconferências/videoconferências: utilizadas por empresas dispersas no território, pelo Brasil e pelo mundo. Diminui os gastos e amplia a difusão de conhecimento. Feita antes por telefone, hoje a internet é o seu principal meio de difusão. U N IC E S U M A R 135 Os meios são os mais diversos e cabe a cada empresa reconhecer o seu papel no aprendizado de seus colaboradores. Felizmente, esse reconhecimento está se ampliando. Mais do que o treinamento tradicional, para suprir necessidades imediatas, as empresas passaram a reconhecer, também, a importância de investir no desenvolvimento, processo cujos resultados ocorrem em longo prazo. Ainda mais do que isso, está se fortalecendo, na administração, a noção de gestão do conhecimento, a qual trataremos a seguir. Gestão do conhecimento e universidades corporativas A necessidade de administração do conhecimento vem ganhando importân- cia no cenário empresarial devido à necessidade de flexibilização e adapta- ção às realidades do mercado, especialmente nas últimas três décadas. Essa flexibilização e plasticidade necessária requerem conhecimento, afinal, ele é essencial para se pensar, raciocinar, decidir e fazer. “Conhecimento é informação estruturada e capaz de agregar valor e gerar riqueza” (CHIAVENATO, 2014). Nessa colocação do autor, é possível explicar a nossa afirmação inicial: se o conhecimento agrega valor e gera riqueza, então, ele precisa ser administrado, planejado, dirigido e monitorado. Nesse caso, gerar valor significa compartilhar e aproveitar os ativos inte- lectuais entre colaboradores, gerentes e dirigentes, transformando esse co- nhecimento em resultados concretos. Para muitos líderes, treinar é sinônimo de despesas, custos e perda de tempo. Para ou- tros, já se constitui investimento. Ainal, o treinamento e desenvolvimento em uma em- presa são despesas ou investimentos? pensando juntos Intranet/Internet: são mais usadas pelas empresas para troca de informações e também são utilizadas para educação a distância, tanto para treinamento quanto desenvolvimento. Muitas instituições de ensino e outras instituições independentes oferecem cursos de extensão, técnicos, de capacitação, de especialização, entre outros. U N ID A D E 4 136 A gestão do conhecimento trata das pessoas, relações de trabalho e comunicação, fazendo uso intensivo de recursos tecnológicos. Ela é uma filosofia administra- tiva que combina boas práticas com cultura de aprendizagem organizacional, buscando melhorar o desempenho nos negócios. Considerando a complexidade das demandas do mercado a que as empresas têm de responder, podemos perceber que as atividades de T&D não conseguem suprir a exigência do desenvolvimento de competências necessárias aos colabo- radores que nela trabalham. Entre os inúmeros elementos que envolvem a gestão do conhecimento pelas organizações, optamos por comentar um dos meios pelos quais algumas grandes empresas vêm tentando suprir a necessidade de desenvolver competências espe- cíficas em profissionais que fazem parte do seu quadro de colaboradores, envol- vendo-os em processos de educação continuada, para que possam responder e enfrentar situações novas e inesperadas: as universidades corporativas. Essas ins- tituições pretendem desenvolver e disseminar conhecimentos e aprendizagens de seu próprio interesse, ou seja, para prover as necessidades da própria organização. Marcondes, comenta acerca do surgimento das universidades corporativas: A criação do termo Universidade Corporativa é atribuído a Jeanne Meister, presidente da University Corporate Xchange, empresa americana de consultoria em educação corporativa. Para Meister, o conhecimento e as qualiicações das pessoas só são ade- quados por um período de 12 a 18 meses, exigindo que sejam renovadas constan- temente para fazer frente à competição na economia global. A autora defende uma interferência direta das empresas nas instituições educacionais formais, com a impo- sição de conteúdos e práticas conectados às necessidades dos mercados. Apesar de reconhecer a diferença entre as universidades corporativas e as universidades acadê- micas formais, Meister airma ter atribuído o termo pela força e nobreza necessária concedida por essa denominação para a conquista de adeptos, uma vez que serve como demonstração de que a empresa que a implanta tem interesse em transformar- -se em um polo permanente de educação. Uma visão crítica sobre as universidades corporativas nos é apresentada pela profes- sora Célia Regina Otranto, da UFRRJ, que pode ser acessada em: http://www.anped11.uerj.br/30/GT11-2852--Int.pdf. Fonte: adaptado de Otranto (2007). explorando Ideias U N IC E S U M A R 137 “ O surgimento da universidade corporativa foi, assim, motivado pela necessidade de se obter a eficácia nos resultados da prepa- ração de pessoas com competências distintivas, capazes de criar e manter vantagens competitivas para as empresas baseadas no fator humano. É importante esclarecer que a universidade corporativa não se localiza pro- priamente em um local físico, mas é um conceito que envolve toda a organi- zação e deve ser um centro gerador de resultados para a empresa. Marcondes (2008) explicita as diferenças e semelhanças entre a universidade corporativa e a universidade acadêmica. Em termos de semelhanças, ambas têm um com- promisso com a educação e a aprendizagem das pessoas, utilizando estratégiasespecíficas, como o ensino presencial ou a distância. As diferenças são muitas e podemos citar o que conside- ramos primordial: a universidade acadêmica se ba- seia no ensino, pesquisa e extensão para a produção de conhecimentos, com valor para a comunidade, enquanto a univer- sidade corporativa tem como interesse imediato os negócios da empresa. U N IC E S U M A R 139 No foco dessas preocupações estão os acidentes de trabalho e as doenças profissionais que geram grandes prejuízos humanos, sociais e financeiros. Essa é a razão pela qual, nas últimas décadas, foram alcançados muitos progressos nas práticas das empresas e na legislação, as quais visam à prevenção. Tal feito não se deve apenas por iniciativa das empresas e do governo, mas principalmente por reinvindicações dos trabalhadores. No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), cujo papel nas relações de trabalho e na gestão de pessoas já foi comentado na Unidade 1, e, posterior- mente, a Portaria nº 3.214/78 de 1978 aprovaram as Normas Regulamentadoras (NR), que dispõem sobre equipamentos e máquinas de proteção, insalubridade e outros elementos, visando à proteção do trabalhador. Apresentamos, a seguir, alguns conceitos que direcionam as ações em Saúde, Segurança e Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) Saúde e segurança no trabalho Para entender melhor a prática da saúde e segurança no trabalho é primordial que você conheça algumas definições e conceitos. Falar em saúde e segurança im- plica falar em aspectos relaciona- dos entre si, os quais, na prática cotidiana, fazem parte do mesmo processo. No entanto, para facilitar a compreensão dos conceitos, va- mos apresentá-los sistematizados em duas áreas: saúde do trabalho e segurança no trabalho. Em relação à saúde, vamos iniciar pelo próprio termo utilizado para de- signar esses processos. Chiavenato (2014), Fidelis e Banov (2007) e Carvalho, Nascimento e Serafim (2012) empregam o termo higiene no trabalho. Opta- mos por utilizar o termo saúde no trabalho, ao invés de higiene, concordando com Araújo e Garcia (2010), que o consideram mais esclarecedor e coerente com os desenvolvimentos alcançados na área. U N ID A D E 4 140 A saúde no trabalho pode ser definida como o processo que “preocupa-se em manter e assegurar que a estrutura da organização e os procedimentos executados durante a jornada de trabalho estejam corretos, ou seja, garantir que as pessoas se encontram em um ambiente seguro” (ARAÚJO; GARCIA, 2010, p. 196). A segurança no trabalho é definida por Chiavenato (2014, p. 477) como “conjunto de medidas de ordem técnica, educacional, médica e psicológica utilizado para prevenir acidentes, eliminando as condições inseguras do am- biente e instruindo ou convencendo as pessoas da implantação de práticas preventivas”. Preste atenção inicialmente em três conceitos que definem os objetivos de um programa de saúde no trabalho, os quais são abrangentes, no sentido de fornecerem os critérios básicos para se atender às questões de saúde do trabalhador. São eles: ■ Promoção adequada das condições ambientais, tais como iluminação, ruídos, temperatura, ventilação, conforto. ■ Controle dos fatores causadores de doenças, os riscos à saúde, tais como riscos psicológicos, físicos, químicos ou biológicos. ■ Prevenção, redução e eliminação das causas prejudiciais, com ações de orientação às pessoas, baseadas na utilização adequada das condições ambientais e controle dos fatores causadores de doença. A segurança no trabalho tem seus objetivos definidos a partir de três critérios básicos: ■ Identificação das principais causas de acidentes de trabalho. ■ Correção e manutenção das estruturas físicas. ■ Prevenção, redução e eliminação de acidentes. Pelos objetivos indicados, podemos concluir que o compromisso da saúde e da segurança no trabalho é o de reduzir ou eliminar a ocorrência de acidentes e das doenças ocupacionais. Saúde no trabalho É importante frisar que, quando se fala em saúde, não se trata apenas da ausência U N IC E S U M A R 141 de doenças, mas sim do estado físico, emocional e social de bem-estar, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Nesse sentido, pode-se dizer que doenças, acidentes ou estresse emocional podem prejudicar a saúde de uma pessoa, o que exige da empresa, por meio de seus gestores, a responsabilidade de cuidar do bem-estar geral dos seus colaboradores. A Lei 24/94 criou o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que tem, como exigências, a realização, por parte do trabalhador, sob a responsabilidade da empresa, de vários tipos de exames médicos: ■ Exame médico pré-admissional. ■ Exame médico periódico. ■ Exame de retorno ao trabalho (no caso de afastamento superior a 30 dias). ■ Exame de mudança de função. ■ Exame demissional. O programa de medicina ocupacional inclui os exames citados e, ainda, a exe- cução de programas preventivos de proteção à saúde do trabalhador, como: palestras de medicina preventiva, elaboração do mapa de riscos ambientais, relatório anual e arquivos de exames médicos com avaliação clínica, e exames. Tudo isso visando à qualidade de vida dos colaboradores e, consequentemen- te, maior produtividade para a organização. As organizações têm implantado cada vez mais os programas de saúde devido a perdas financeiras e humanas evidentes: aumento de pagamentos de indenizações, afastamentos por doenças, custos com seguros, alto absenteís- mo e rotatividade de pessoal, baixa produtividade, baixa qualidade e pressões sindicais (CHIAVENATO, 2014). Ergonomia A ergonomia, também designada engenharia dos fatores humanos tem sido de grande importância na busca pela saúde no trabalho, pois é um proces- so que procura “diminuir ao máximo o esforço do empregado no manuseio de seus instrumentos de trabalho – máquinas, equipamentos, ferramentas, mobiliários, etc.” (CARVALHO; NASCIMENTO; SERAFIM, 2012, p. 303), procurando a adaptação do instrumento ao trabalhador para seu conforto e manutenção de sua saúde. U N ID A D E 4 142 Saúde mental na organização Muito ainda precisa ser estudado sobre a saúde mental do trabalhador brasileiro. Apesar de muito estar se falando sobre o tema, são escassos os dados oficiais. O que se pode verificar é que o alcoolismo, o consumo de drogas, as fobias e doenças psicossomáticas – úlceras, gastrites, hérnias de hiato, problemas cardíacos etc. – são alguns dos distúrbios que podem se manifestar devido a aspectos ligados ao ambiente de trabalho (CARVALHO; NASCIMENTO; SERAFIM, 2012). Entre muitas causas que podem influenciar desajustes na saúde mental das pessoas no trabalho está o estresse, que provoca ansiedade e angústia. O estresse pode ter inúmeras origens: dificuldades de relacionamento entre os colegas e entre níveis hierárquicos, autoritarismo, desconfiança, pressão das exigências e cobranças, limitação da criatividade no trabalho, monotonia de tarefas, falta de perspectiva profissional, insatisfação no trabalho, entre outras. Causas am- bientais e pessoais estão na origem do estresse e de outros distúrbios mentais. Chiavenato (2014) considera que a organização, os gerentes de linha e es- pecialistas de RH podem contribuir para identificar e reduzir o estresse no trabalho, o que inclui ações, tais como a monitoração e a identificação de sin- tomas, a identificação de fontes de estresse, a adequação entre pessoa e cargo e planejamento de carreiras. As dez doenças que mais afastam as pessoas do trabalho Dores e depressão lideram Uma pesquisa jornalística do Grupo iG realizou um levantamento inédito e elaborou o ran- king das dez doenças que mais afastaram os trabalhadores do serviço em 2010. Como con- seguinte, chegaram ao resultado de 571.042 licenças trabalhistas, uma média de 65 por hora. Dor nas costas, joelhos machucados, hérnia inguinal, depressão, miomauterino, varizes, doença isquêmica do coração, hemorragia no início da gravidez, câncer de mama e bexiga caída são líderes – nesta ordem – em fazer as pessoas se afastarem de seus cargos. Esses problemas também podem ser relexo das más condições do ambiente de trabalho. Para ler a reportagem completa, acesse: http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+- doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html. Fonte: Aranda ([2020], on-line)¹.. explorando Ideias http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html http://saude.ig.com.br/minhasaude/as+dez+doencas+que+mais+afastam+as+pessoas+do+trabalho/n1238166888474.html U N IC E S U M A R 143 Etapas para a implantação de um programa de saúde ocupacional Para implantar um programa adequado de saúde ocupacional, Chiavenato (2014) propõe as seguintes etapas: ■ Estabelecimento de um sistema de indicadores, com estatísticas de afas- tamentos e acompanhamento de doenças. ■ Desenvolvimento de sistemas de relatórios médicos. ■ Desenvolvimento de regras e procedimentos para prevenção médica. ■ Recompensas aos gerentes e supervisores pela administração eficaz da função de saúde ocupacional. Considerações legais sobre saúde e segurança no trabalho A proteção à saúde do trabalhador e a redução dos riscos inerentes ao trabalho são direitos constitucionais e “compete ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), entre outras atribuições, a fiscalização do trabalho, a aplicação de sanções previstas em normas legais ou coletivas sobre esta área, bem como as ações de segurança e saúde no trabalho” (BRASIL, 2003 apud SANTOS, 2011, p. 22). Em se tratando da saúde e segurança do trabalhador, muitas mudanças vêm ocorrendo na CLT para acompanhar as demandas do mercado de trabalho atual. As Normas Regulamentadoras Com a sanção da Lei nº 6.514/1977, em 8 de junho de 1978, foi publicada a Portaria MTb nº 3.214, que foi composta de 28 Normas Regulamentadoras ini- cialmente conhecidas como NRs. Hoje, existem 36 NRs, resultantes de revisões permanentes que buscam adequar as exigências legais às mudanças ocorridas no mundo do trabalho, principalmente no que se refere aos novos riscos ocupa- cionais e às medidas de controle, e são realizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). As NRs estão, em grande parte, baseadas em normas semelhan- tes, existentes em países economicamente mais desenvolvidos (SANTOS, 2011). No portal do MTE, é possível ter acesso a todas as NRs. U N ID A D E 4 144 A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes A norma regulamentadora nº 5, a NR-5, estabelece a obrigatoriedade da Comis- são Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) para todas as empresas com mais de 50 funcionários. A NR-5 indica como objetivo da CIPA: “ A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA - tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do tra- balho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 1999, on-line). A CIPA é uma comissão eleita pelo voto dos funcionários para os cargos de vice- -presidente, suplente e membros, e a indicação do presidente está a cargo do em- pregador. Cabe à CIPA verificar as condições do ambiente de trabalho, apontando as condições inseguras que possam causar acidentes, e realizar palestras preventivas e campanhas de conscientização sobre as condições de saúde e segurança no traba- lho, especialmente com a realização da Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SIPAT), que deve ser promovida anualmente. A CIPA não tem poder de decisão: a ela cabe fiscalizar e informar a unidade responsável pela saúde e segurança do trabalho, de onde devem surgir as soluções para os problemas detectados. A segurança no trabalho e a prevenção de acidentes Segundo dados do Ministério da Previdência Social (MPS) durante o ano de 2013, foram registrados, no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), cerca de 717,9 mil acidentes do trabalho, tendo aumentado 2,30% de 2012 para 2013. Vejamos as definições de acidente de trabalho e doenças profissionais. Para a Previdência Social, as doenças profissionais e as doenças do trabalho são consideradas acidentes de trabalho. Ainda, segundo o MPS, equiparam-se também ao acidente do trabalho:“ [...] o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a ocorrência da lesão; certos acidentes sofridos pelo segurado no local e no horário de trabalho; U N IC E S U M A R 145 a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade; e o acidente sofrido a serviço da empresa ou no trajeto entre a residência e o local de trabalho do segurado e vice-versa (SECRETARIA DE PREVIDÊNCIA, 2019, on-line)². A prevenção de acidentes, incêndios e de roubos fazem parte das atividades em segurança do trabalho. Vamos nos ater, aqui, a comentar sobre a prevenção de acidentes. Os dados apresentados sobre os acidentes de trabalho indicam a necessi- dade de minimizar as condições de insegurança nas empresas. Atos inseguros, atribuídos a características individuais, como imperícia e agressividade, po- dem predispor a acidentes, mas as condições ambientais também são cruciais. Assim, qualquer programa de prevenção deverá focalizar a eliminação das condições inseguras e a redução dos atos inseguros. Pode-se indicar , segundo Chiavenato (2014), como medidas preventivas: ■ Educação, com várias ações que visem desenvolver a consciência sobre segurança no trabalho. ■ Treinamento em habilidades, com a realização de treinamentos com colaboradores e gerentes para incorporar medidas de segurança ao cotidiano de trabalho. ■ Engenharia, ou seja, prevenir acidentes por meio do desenho de equipa- mentos ou de tarefas, eliminando fatores de fadiga, sono ou monotonia. ■ Mapeamento de riscos, ou seja, a localização de áreas de risco e a tomada de providências para a sua eliminação, com contínuo acompanhamento. ■ Proteção, mediante o proporcionamento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), tais como: sapatos, botas, capacetes, luvas, óculos, más- caras. Manutenção de equipamentos de acordo com as especificidades. ■ Reforço de informações, ou seja, regulamentos e regras devem ser con- tinuamente reforçados, aplicados e cobrados. O setor de RH, em conjunto com os gerentes de linha e a CIPA, tem o seu papel no desenvolvimento de programas de saúde e segurança no trabalho. Contudo, vale ressaltar que esse trabalho não terá efetividade sem a atenção devida da alta administração da organização. U N ID A D E 4 146 Qualidade de vida no trabalho No ambiente competitivo e globalizado, em que as organizações empreendem cons- tantes esforços de mudança, as pessoas são mobilizadas em todos os seus aspectos: biológicos, psicológicos e sociais. Novos desempenhos, aprendizagens e adaptações são demandados para atender às necessidades do mercado. Entretanto, onde fica a necessidade das pessoas? Podemos dizer que a competi- tividade e a produtividade passam obrigatoriamente pela qualidade de vida das pessoas . Isso se deve, pois, para bem atender o cliente externo, a organização precisa atender ao cliente interno, ou seja, garantir um investimento no colaborador para investir indiretamente no cliente (CHIAVENATO, 2014). Com a preocupação sobre o bem-estar geral e a saúde dos colaboradores no desempenho de suas atividades, Louis Davis cunhou, na década de 70, o termo Quali- dade de Vida no Trabalho (QVT). Depois disso, muitos desenvolvimentos conceituais e práticos foram feitos na área, os quais basicamente se preocupam com o bem-estar psicológico e social das pessoas no trabalho. Sendo um conceito complexo, a QVT é constituída por vários fatores, como: a satisfação com o trabalho executado; as possibilidades de futuro na organização; o reconhecimento pelos resultados alcançados; o salário percebido; os benefícios au- feridos; o relacionamento humano dentro da equipe e da organização; o ambiente psicológico e físico do trabalho; a liberdade de atuar e a responsabilidade de tomar decisões; e as possibilidades de estar engajado e participar ativamente (CHIAVENA- TO, 2014 ). Esses fatores nos indicam que aspectos intrínsecos e extrínsecos do cargo estão presentes, afetando atitudes e comportamentos individuais relevantes para a produtividade individual e em grupo: “ No trabalho, qualidade de vida representa hoje a necessidade de valorização das condições de trabalho, da definição de procedimen- tos da tarefa em si, do cuidado com o ambiente físico e dos bons padrões de relacionamento (FRANÇA, 2008, p. 168). U N IC E S U M A R 147 Indicadores de Qualidade de Vida no Trabalho No Brasil, o conjunto de critérios de QVT mais utilizado é o proposto por Walton (1975 apud FRANÇA, 2008). Esses critérios e suas dimensões são apre- sentados no quadro seguinte: Fatores de QVT Dimensões Compensação justa e adequada Renda (salário) adequada ao trabalho Equidade interna Equidade externa Condições de trabalho Jornada de trabalho Ambiente físico seguro e saudável Utilização e desenvolvimento de capacidades Autonomia Signiicado da tarefa Identidade da tarefa Variedade de habilidades Retroação e retroinformação Oportunidades de crescimento e segurança Possibilidades de carreira Crescimento proissional Segurança do emprego Integração social na organização Igualdade de oportunidades Relacionamentos interpessoais e grupais Senso comunitário Garantias constitucionais Respeito às leis e direitos trabalhistas Privacidade pessoal Liberdade de expressão Normas e rotinas claras da organização Trabalho e espaço total de vida Papel balanceado do trabalho na vida pessoal Relevância social da vida no trabalho Imagem da empresa Responsabilidade social pelos produtos/serviços Responsabilidade social pelos empregados Quadro 3 - Modelo de QVT de Walton / Fonte: Chiavenato (2014). U N IC E S U M A R 149 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, apresentamos alguns tópicos que consideramos primordiais para que você conheça conceitos, aspectos técnicos e legais de processos en- volvidos na capacitação de pessoas. Esperamos ter conseguido não apenas trazer informações, mas também ter sido capazes de levá-lo(a) a refletir sobre a relevância social de colocar em prática esses processos que visam ao aprimoramento, à saúde e ao bem-estar das pessoas no trabalho. Perceba o quanto é difícil e complexa a tarefa do administrador para tornar realidade a capacitação adequada e a transformação do ambiente de trabalho em um local confortável, agradável e seguro. Para quem é gestor de pessoas, essa tarefa requisita capacidade de apresentar propostas e con- vencer a alta administração da empresa sobre a relevância dessas propostas de construção de um ambiente agradável ao trabalho, com a preparação de talentos adequados aos objetivos organizacionais que queiram se manter na organização, pelo bem-estar que encontram nesse ambiente em termos da manutenção de sua saúde física e psicológica e da sua segurança. Tudo envolve gastos, investimentos, e essa construção nem sempre traz resultados imediatos. Aqui, reside uma grande questão: gastos são necessá- rios antecipadamente e, se não forem feitos, como comprovar a relevância do treinamento e desenvolvimento e ações que visem à prevenção de doenças e acidentes, fatores essenciais para um ambiente de trabalho seguro e agradável para todos? O gestor de pessoas deverá, para vender essas dificuldades, ser um profissional competente em termos de flexibilidade, conhecimento teórico e técnico, com habilidades interpessoais para exercer as suas funções. Esperamos ter contribuído, com mais esta unidade que se encerra, para a sua formação, pois procuramos trazer conhecimentos e informações perti- nentes, visando capacitá-lo(a) para o enfrentamento do desafio que já se apre- senta (se você já atua na área) ou se apresentará na sua prática profissional. https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 https://www.youtube.com/watch?v=ruDptbQ5_s4 U N IC E S U M A R 157 Modelo de gestão diretiva A utilização da autoridade formal e a burocracia são as principais características desse modelo. Nele, a estrutura administrativa centralizada dirige as pessoas, pra- ticamente sem dar espaço para que as decisões da direção e chefia sejam questio- nadas. A utilização de instrumentos coercitivos faz parte da administração. Quanto menos autonomia das pessoas e mais autoridade do chefe, mais diretivo é o modelo. As organizações que seguem esse modelo são, também, denominadas me- canicistas, com práticas rotinizadas que procuram a precisão e a racionalização dos processos seguindo um modelo autocrático, de cima para baixo, em que indivíduos que estão no topo da hierarquia decidem o destino de muitos. Você deve perceber, caro(a) aluno(a), que esse tipo de gestão ainda não pode ser considerado totalmente ultrapassado, inútil ou obsoleto. Devemos reconhecer que ele ainda traz bons resultados para muitas organizações, dependendo de seus objetivos. Não é à toa que esse “modelo do chicote” ainda não foi abandonado. Se a organização dispuser de chefes autocráticos e competentes, basta que se coloquem as pessoas certas no lugar certo, ou seja, subordinados que se sintam à vontade sob o poder autoritário e coercitivo, para que a organização tenha bons resultados econômico-financeiros. Não só, mas isso também explica o motivo pelo qual as ideias da Escola de Administração Científica de Taylor, que comen- tamos na Unidade 1, ainda hoje são utilizadas em larga escala (FRANÇA, 2008; ROCHA-PINTO et al., 2003). O certo é que, em grande parte das empresas, hoje, é possível encontrar práticas e relações caracterizadas pelo autoritarismo. Modelo de gestão flexibilizada ou participativa As características do mercado globalizado do mundo de hoje têm encontrado, em gestões flexibilizadas, um caminho para as demandas constantes, devido à compe- tividade e mudanças aceleradas. A gestão flexibilizada ou participativa é um modelo em que a liderança, a disciplina e a autonomia são primordiais, e as próprias pessoas são responsáveis por seu desempenho. Espera-se que as pessoas internalizem a disciplina, sem ne- cessidade de imposição por regulamentos. Quanto maior a autonomia e a tomada de decisão sobre o seu trabalho, mais participativo é o modelo. U N ID A D E 5 158 Em empresas de vários portes e organizações de vários tipos (agremiações, par- tidos políticos etc.), essas técnicas podem ser adotadas com caráter mais ou me- nos diretivas, mais ou menos participativas (FRANÇA, 2008). Rocha-Pinto et al. (2003, p. 24) apresentam a seguinte definição: “ A gestão flexibilizada de pessoas pode ser definida como um mode- lo de gestão no qual os funcionários podem influenciar as decisões, exercer controle e compartilhar poder. Nos seus limites superiores ou na sua plenitude, a administração participativa pode elevar os funcionários a uma situação paritária em relação aos empresários, permitindo que venham a ser aquinhoados com uma parcela do capital da empresa. Segundo Mclagan e Christo (2000 apud ROCHA-PINTO et al., 2003), há alguns grandes desafios na implantação de uma gestão participativa, os quais podemos resumir da seguinte forma: ■ Conseguir o envolvimento emocional das pessoas, para que se alcance intensa cooperação, para atuação em grupos de trabalho e equipes. ■ Desenvolver uma comunicação envolvente, multidirecionada e abrangente. ■ Realizar a tomada de decisão em nível consensual, integrado de forma descentralizada. Esses aspectos citados, se bem trabalhados, fortalecem a responsabilidade e a lealdade dos colaboradores à organização. Você pode estar pensando que esse Em uma vertente da gestão estratégica de pessoas, a gestão lexibilizada ou participativa surge como uma proposta para a condução das equipes de trabalho, sendo considera- da, também, uma possibilidade para reter e atrair os talentos, de maneira a viabilizar o sucesso organizacional. Pensa-se que, sentindo-se integrantes da tomada de decisão estratégica nos níveis mais altos da organização, as pessoas atuam diretamente e de ma- neira empenhada na obtenção de resultados otimizados. Para saber mais, acesse o link disponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/gestao-de-pessoas- -uma-visao-estrategica/68929/. Fonte: as autoras. explorando Ideias U N IC E S U M A R 159 modelo está apenas na idealização, mas muitas empresas bem-sucedidas têm procurado implantar os seus preceitos. O processo de desenvolvimento de equipes pressupõe uma série de mudanças signii- cativas individuais e interpessoais, no que diz respeito a conhecimentos, sentimentos, atitudes, valores, motivação, postura e comportamento. (Fela Moscovici) pensando juntos No Brasil, um exemplo clássico da adoção desse modelo é dado pela empresa Semco, do empresário Ricardo Semler. Após implantado esse tipo de gestão, fo- ram necessários dez anos para que os resultados surgissem e o lucro da empresa aumentasse em dez vezes, segundo publicações do próprio Semler. Autores, como o brasileiro Semler e o americano Welch, que colocaram em prática esse tipo de gestão flexibilizada com sucesso, alertam para os obstáculos presentes no período de transição de modelo de gestão. São eles: ■ O convencimento e a motivação do indivíduo, pois não basta ordenar, assim como na gestão autocrática. ■ O despreparo de executivos para lidar com a redistribuição de poder. Nem todos estão dispostos ou preparados. ■ A cultura autoritária das instituições em que as pessoas foram criadas dificulta a passagem, de uma hora para outra, para um modelo demo- crático e participativo. ■ A desconfiança que as pessoas tendem a ter das intenções da alta admi- nistração em qualquer empresa. A confiança gerada por relações trans- parentes deve ser conquistada. ■ Por ser um caminho pouco trilhado, cada organização construirá os seus próprios mecanismos, de acordo com suas necessidades e pecu- liaridades culturais. Como comentado, na maioria das empresas, pode-se perceber características de uma gestão mais ou menos participativa. Há, hoje, várias técnicas, ou ferramentas de gestão, assim como denominam alguns autores, que possuem diferentes maneiras de lidar com o fator humano, as quais veremos nos tópicos a seguir. U N IC E S U M A R 161 mundo todo por produtos de alto padrão de qualidade. A GQT é uma forma de gestão que, partindo sempre da observação da concorrência e do mercado, procura utilizar o conhecimento e o aprimoramento contínuo dos processos de trabalho, incentivando e aplicando o trabalho em equipe para atender e exceder os dese- jos, exigências e expectativas dos clientes. Para tal, é primordial o envolvimento e comprometimento da alta direção e de todos os colaboradores da organização. Qualidade, nesse tipo de gestão, significa a busca pela perfeição, com estratégias voltadas para os clientes externos e internos da organização. De acordo com Araújo e Garcia (2010), podem-se indicar quatro direções estratégicas principais da GQT: ■ Encantamento dos clientes. ■ Não ao retrabalho e ao desperdício. ■ Sensibilização das pessoas da organização, oferecendo autoridade, reco- nhecimentos e prêmios. ■ Continuidade, sendo um compromisso para sempre. Como você pode perceber, a GQT está fundamentada nas pessoas, com o esforço dos gestores sendo direcionado sempre para a motivação e a internalizaçãodos pro- pósitos da excelência e da qualidade total por parte dos funcionários da organização. Empowerment A ferramenta empowerment (que, usualmente, é traduzido para o português como empoderamento ou energização) não foi criada especificamente para a gestão de pessoas, porém é muito grande a sua afinidade. Percebe-se, ao longo deste livro, que as pessoas se constituem na força motriz de uma organização e a gestão moderna recomenda que todos os esforços sejam dispensados para que se busquem e desenvolvam talentos para fazer frente às exigências do mercado. Assim, a gestão baseada no empowerment das pessoas se assenta no princípio de que a motivação é capaz de conduzir as pessoas a resultados excepcionais. Para isso, é necessário conceder-lhes poder, autoridade e res- ponsabilidade, minimizando hierarquias e diminuindo a distância entre as unidades organizacionais. O maior valor é dado para quem está na base da pirâmide organizacional, ou seja, quem está em contato com o cliente. Dorsey (2000, apud ARAÚJO; GARCIA, 2010 ) indica três pilares sobre os quais se assenta a perspectiva do empowerment: U N ID A D E 5 162 ■ Visão do futuro: desejar, imaginar o amanhã ideal e lutar por isso. ■ Assumir o poder: acreditar que todos podem contribuir para a melhoria e ajudar na construção desse futuro. ■ Apropriar-se: sentir-se responsável por tudo que diga respeito às metas traçadas. Com a ferramenta do empowerment ganham todos, a empresa, as pessoas e o corpo funcional como um todo. Isso se deve, porque há crescimento profissional à medida que as pessoas se sentem aptas a aceitar novos desafios, expondo ideias, sugestões e opiniões livremente. Reengenharia A reengenharia é utilizada para reprojetar sistematicamente toda uma organiza- ção. Essa ferramenta/estratégia de gestão é bastante criticada, pois sua imagem, no Brasil, foi construída como um tipo de gestão direcionada ao corte de pessoal, o que não está tão longe da verdade. Essa ferramenta propõe mudanças radicais na organização do trabalho, rompendo com estruturas tradicionais, ou seja, elimi- nando costumes obsoletos. Sua implementação não se dá de forma gradual, mas imediata, razão pela qual seus principais autores indicam como suas caracterís- ticas principais: o repensar fundamental, a mudança radical, a melhoria drástica e o aperfeiçoamento de processos. Algumas das grandes mudanças propostas pela reengenharia em termos das pessoas são: ■ A diminuição dos níveis hierárquicos, para desburocratizar processos e decisões. ■ A criação de equipes multifuncionais. ■ A aplicação sistemática de inovações tecnológicas – informatização dos processos. A reengenharia encontra grandes dificuldades para sua implementação: a re- sistência à mudança por parte dos colaboradores, já que são exigidas mudanças radicais nos processos de trabalho, e a resistência causada pelo receio do cola- borador em perder o seu posto de trabalho, pela necessária reestruturação no quadro de funcionários, com consequente redução nesse número. U N IC E S U M A R 163 Coaching O coaching é uma forma utilizada pelas lideranças para obter os resultados espe- rados, desenvolvendo as habilidades do colaborador e das equipes. Por meio dessa ferramenta, procura-se provar às pessoas que elas são capazes de irem além de seus horizontes e alcançar a excelência. É mui- to utilizada no meio esportivo, mas muitas empresas já a utilizam não apenas para a evolução organizacional, mas também para a evolução individual. É um modo de ges- tão em que ambos os lados se beneficiarão de sua aplicação: pessoas e organização. Araújo (2008) explicita algumas vantagens da utilização do coaching. São elas: ■ Facilita o gerenciamento do desempenho pessoal. ■ Promove a formação e o aperfeiçoamento de competências. ■ Promove o desenvolvimento integrado – pessoal e profissional – das pes- soas e da organização. ■ Promove o fortalecimento da confiança, via parceria. ■ Auxilia nos aspectos que geram motivações nos treinandos. Vale ressaltar, nesta breve apresentação do coaching, o imperativo de ser estabe- lecida uma relação humana forte entre o coach/treinador e seu(s) orientando(s). Mentoring A ferramenta de mentoring muito se assemelha ao coaching, com algumas diferenças importantes. Nesse caso, pode-se dizer que o mentor acaba por criar uma cumplicidade como indivíduo, colaborando para o seu desen- volvimento, o que potencializa o seu lado humano e profissional. Diz-se, ainda, que nesse processo é estabelecida uma parceria de sucesso, diante de um contexto apoiador ao desenvolvimento das capacidades do outro (ARAÚJO, 2008). U N ID A D E 5 164 A diferença primordial entre o coaching e o mentoring é que, no primeiro, a relação é de natureza totalmente profissional, com uma relação de autoridade visível. Já no segundo, a relação é sempre amiga: apesar de haver uma grande preocupação com a tarefa, a preocupação central é com a pessoa. O ponto forte do coaching é “construir uma cultura onde todas as pessoas possam ser coaches umas das outras” (BRETZ apud ARAÚJO, 2008, p. 364), o que condiz com a era do conhecimento que estamos vivendo. Terceirização (Outsourcing) É um termo comum e você já deve ter ouvido falar dessa ferramenta. Ela promove um enxugamento da estrutura, com redução dos funcionários contratados direta- mente, ou seja, promove uma redução expressiva de atividades menos relevantes para o negócio principal da organização. Assim como define Queiroz (1992 apud ARAÚJO, 2008, p. 139), a terceirização “é uma tecnologia que viabiliza a criação de um processo articulado de transferência a terceiros, das atividades chamadas acessórias e de apoio à finalidade maior da empresa”. Segundo Cadernos IDC (1999 apud ARAÚJO, 2008), são algumas vantagens que podem ser destacadas no uso da terceirização: ■ Razões de ordem financeira: redução dos custos passíveis de enxugamen- to e economia dos recursos da empresa. ■ Razões de ordem tecnológica: quando a empresa entrega um serviço es- pecializado para uma terceirizada, significa que ela espera que esta dis- ponibilize as inovações tecnológicas da área de sua especialidade. A con- tratante não gastará recursos próprios para ter acesso a essas inovações. ■ Razões competitivas: a empresa reverte mais tempo ao seu objetivo prin- cipal, ao negócio da empresa – o core bussines – tornando-se mais ágil. ■ Excelência operacional: a empresa exige que a contratada responsabili- ze-se pela qualidade dos serviços prestados nas atividades de apoio ao seu negócio. ■ Competência no negócio: a maior dedicação ao seu próprio negócio, so- mada que à qualidade dos serviços prestados pelas prestadoras de serviço, possibilitará que a gestão organizacional foque no objetivo de produzir e vender bens ou prestar serviços aos seus clientes com maior competência. U N IC E S U M A R 165 Como podemos verificar, as vantagens são grandes, especialmente a última – competência no negócio –, para um número expressivo de organizações. Gestão e organização horizontal Essa ferramenta se caracteriza por se reduzirem os níveis hierárquicos existen- tes, ficando todos os empregados mais próximos dos clientes. Apresenta, ain- da, a vantagem de diminuir a burocracia para a tomada de decisões, elevando o nível de comprometimento e responsabilização das pessoas na organização. A gestão organizacional surge para fazer frente à problemas que a estru- tura organizacional tradicional apresenta com muitos níveis hierárquicos. De acordo com Araújo (2008): ■ A base não consegue fazer chegar, até os mais altos cargos diretivos, as informações, muitas vezes, cruciais para a saúde organizacional. ■ Quem está no topo da hierarquia não consegue fazer suas ordens e instruções chegarem de forma clara e compreensível para quem está na base. ■ A informação pode ficar restrita a determinados níveis depoder, o que deixa as pessoas dos níveis hierárquicos mais baixos com pouco envolvimento na dinâmica organizacional. Araújo (2008) considera que a organização horizontal pode ter um percurso de muito sucesso no contexto brasileiro, devido à nossa cultura, que faz o comportamento do brasileiro, de forma geral, ser muito flexível em relação ao próximo e menos preocupado em seguir regulamentos preestabelecidos. Isso faz da gestão horizontal um modelo já adotado por várias empresas brasileiras. A gestão organizacional horizontal envolve e exige dos profissionais uma atuação participante, o talento, a intuição e a competência. A exigência pela profissionalização constante é muito maior que na tradicional gestão baseada na hierarquia. Para a implantação da gestão, a ação de todos os gestores é indispensável, porém a do gestor de recursos humanos é crucial, pelo fato de estar direta- mente relacionado à gestão das mudanças junto às pessoas. Algumas linhas de ação que os gestores deverão observar são elencadas por Araújo (2008): U N ID A D E 5 166 ■ Promover mudanças no desenho das tarefas da organização como um todo, e não apenas setorialmente. ■ Designar proprietários (owners): cada colaborador pode ser o proprietá- rio de um processo importante para o alcance das metas da empresa, não apenas o chefe, mas qualquer pessoa que se mostre competente para tal. ■ Trabalhar com equipes/times: promover o talento para a ação em equipes eficazes, e não para desempenhos individuais. ■ Reduzir a hierarquia: reduzindo a verticalização, com um mínimo de níveis hierárquicos. ■ Promover o empowerment: dando poder, instrumentos e capacitação, para que as decisões sejam tomadas com responsabilidade por cada mem- bro pelo sucesso organizacional. ■ Usar a tecnologia da informação (TI): para uso interno e externo, para que todos ofereçam suas contribuições aos consumidores dos produtos ou serviços da empresa. ■ Dar ênfase a competências múltiplas: não apenas a uma especialidade de cada profissional, mas promover o desenvolvimento de competências de cada um para o desempenho de múltiplas atividades na organização. ■ Pensar, ousar, enfrentar desafios: habilidades essenciais, especialmente aos gestores. ■ Treinar pessoal em funções específicas: é necessário atentar para o fato de que nem todos os setores de uma empresa possuem processos complexos. Tarefas simples e específicas de um setor precisarão de profissionais que as desempenhem, promovendo o trabalho em parceria. ■ Medir resultados: dos consumidores, do corpo funcional e dos resultados financeiros. ■ Aperfeiçoar e promover a construção de uma cultura organizacional: com a construção e aperfeiçoamento de valores que foquem a cooperação e a colaboração, o empowerment, a responsabilidade e o bom relacionamento entre as pessoas. Analisando essa ferramenta de gestão, você já imaginou o esforço que será neces- sário ao gestor de pessoas para desenvolver não apenas a gestão horizontal, mas também as outras aqui apresentadas? Aparentemente, algumas são apenas sonhos muito distantes, porém, assim como já comentado, muitas empresas brasileiras já adotam esses tipos de gestão com mais ou menos sucesso. U N ID A D E 5 168 Já Pilares (2009, p. 46) define o clima organizacional como: “ [...] um conjunto de atributos da empresa, como um filtro através do qual passam os dados objetivos e com o qual não se pretende medir a realidade tal qual ela é, mas sim com que forma ela é percebida. [...] os indivíduos percebem de maneira distinta a mesma realidade; contudo, se os aspectos psicológicos individuais influenciam a percepção, esses também são influenciados pelos aspectos organizacionais de grupo. Notamos, nesses conceitos de clima organizacional, algumas características que merecem ser comentadas. Por exemplo, quando se fala em “estado momentâneo e passível de alteração”, percebemos que o clima não é permanente: ele sofre in- fluências contínuas e precisa ser gerenciado. Outro ponto que o autor expõe, o “decorre das decisões e ações pretendidas da empresa”, quer dizer que o clima de uma organização é o reflexo de suas ações sobre as pessoas e sobre o ambiente. Todavia, a que corresponde o clima? Podemos dizer, caro(a) acadêmico(a), que o clima organizacional corresponde à percepção que as pessoas têm da or- ganização, no que diz respeito ao seu ambiente de trabalho. Em alguns casos, o clima também pode ser avaliado a partir da percepção de clientes, fornecedores e outros públicos com os quais a organização se relacione: tudo isso dependerá da forma de avaliação e dos objetivos almejados. Segundo Chiavenato (2014), o clima organizacional manifesta os sentimentos que os indivíduos têm e a maneira como eles interagem entre si, com os clientes ou elementos externos à organização. Esses sentimentos são manifestados por meio de comportamentos que se voltam a estados de satisfação ou insatisfação, repercutindo na produtividade e na percepção a respeito da empresa. Complementando a ideia exposta, Luz (2012) afirma que o clima organizacio- nal reflete a atmosfera psicológica que envolve a organização e os seus funcionários, ou seja, a situação psicológica do ambiente interno no qual convivem os membros da organização, relacionando-se, ainda, com o seu grau de motivação e satisfação. Na perspectiva de Johann (2013), que reforça o que foi tratado pelos autores anteriores, o clima organizacional é formado pelo somatório de influências no que diz respeito ao dia a dia das pessoas e às suas percepções sobre salário, sorrisos do chefe, relacionamento com colegas, atendimento médico, comunicação, condições de trabalho, reconhecimento e tantos outros que podem ser explorados. U N IC E S U M A R 169 Procurando identificar alguns sinalizadores da situação do clima organiza- cional, Luz (2012) destaca: ■ Rotatividade: pode representar uma “pista” de que algo vai mal. Quan- do muito alta, pode significar que as pessoas não têm comprometi- mento com a empresa ou a empresa não tem comprometimento com o colaborador. Falta algo na empresa para satisfazê-las. ■ Absenteísmo: da mesma forma, o excessivo número de faltas e atrasos pode ter o mesmo significado que o apresentado sobre a rotatividade. ■ Programa de sugestões: programas de sugestões malsucedidos e mal planejados também podem revelar a falta de comprometimento dos funcionários, que reagem à empresa, não apresentando em número ou em qualidade as sugestões que ela esperava. ■ Avaliação de desempenho: quando a empresa utiliza um procedimen- to para avaliar o desempenho de seus empregados, as informações encontradas vão confirmar que o baixo desempenho de determina- dos colaboradores decorre de seu estado de ânimo, da sua apatia em relação à empresa ou, até mesmo, de problemas pessoais que estejam afetando o desempenho. Por isso, é importante que a empresa, por meio de seus gestores, ouça seus empregados. ■ Conflitos interpessoais e interdepartamentais: essa é a forma mais aparente do clima de uma empresa. A intensidade dos conflitos in- terpessoais e entre os diferentes departamentos da empresa é que vai determinar um clima agradável ou desagradável. Além desses elementos, Gasparetto (2008) comenta a respeito de outras in- fluências sobre o empregado e que podem repercutir no clima organizacional: Quando se trata das formas de classiicação do clima organizacional, Luz (2012) res- salta que o clima pode ser considerado bom, prejudicado ou ruim. É bom quando prevalecem atitudes positivas e satisfação no ambiente de trabalho; prejudicado não só quando há aspectos negativos, mas também positivos; ruim quando os aspectos negativos prevalecem. pensando juntos U N ID A D E 5 170 ■ Fatores externos: têm, como exemplos, a situação econômica do país, o au- mento do desemprego, a realidade política, a ação dos sindicatos, novas legis-lações, entre outros. Todos eles podem modificar o estágio motivacional dos colaboradores, causando-lhes insegurança, entusiasmo, receios ou satisfações. ■ Fatores internos: são os mais influentes no clima organizacional. São con- dições presentes dentro da organização que vão atuar diretamente no relacionamento da empresa com seus colaboradores. ■ Clima momentâneo: é a dinâmica do clima organizacional. Assim, é uma decisão da empresa visando, por exemplo, a introdução de um programa de redução de custos, de remuneração participativa, de demissões volun- tárias ou de redução de quadro. Pode mudar o ambiente da empresa de um dia para o outro. As questões da satisfação no trabalho e da motivação dos indivíduos são muito importantes para os assuntos empresariais. Dificilmente uma organização conse- guirá controlar eficazmente as questões da satisfação no trabalho e da motivação, se pouco conhecer a sua gestão de pessoas e percebê-la como uma área estratégica (MARRAS, 2011). Observamos assim, caro(a) acadêmico(a), que o gerenciamento do clima organizacional é fundamental para que as pessoas se desenvolvam adequa- damente no ambiente organizacional. Entretanto, de que forma os gestores/ administradores podem levar as informações a respeito do clima de maneira acertada? É sobre esse assunto que vamos tratar agora sobre a Pesquisa de Clima Organizacional, também conhecida como PCO. Pesquisa de Clima Organizacional (PCO) Primeiramente, vamos conceber a PCO como uma ferramenta de avaliação de cunho estratégico para a organização. Para Johann (2013, p. 185), a pesquisa de clima organizacional é definida como: “ Um processo destinado a identificar aspectos que interferem na satisfação/insatisfação dos empregados em relação à empresa. É o mapeamento da percepção das pessoas que atuam em uma mesma organização sobre a satisfação quanto ao ambiente interno – at- U N IC E S U M A R 171 mosfera psicológica decorrente de aspectos emocionais e fatores materiais – que predomina na organização. Assim sendo, notamos que a PCO tem por função principal permitir um levanta- mento dos aspectos que envolvem a percepção dos empregados sobre a empresa. Para tanto, é importante que as etapas de execução da pesquisa sejam bem pla- nejadas e delineadas, de modo que os resultados obtidos realmente representem a realidade organizacional. Ressalta Johann (2013) que a pesquisa de clima envolve a aplicação de ques- tionário junto aos empregados da organização. Essa aplicação pode ser realizada por formulários eletrônicos ou impressos. A forma de aplicação escolhida deve ser aquela que melhor se adeque à realidade e à necessidade da organização. Sobre as dimensões que podem ser pesquisadas, elas também variam. Johann (2013) sugere as seguintes: remuneração, oportunidade de crescimento profissio- nal/reconhecimento, grau de autonomia/delegação/participação, relacionamento entre equipes, local de trabalho/ambiente/segurança e saúde, relacionamento chefia/subordinado, comunicação interna e orgulho de trabalhar na empresa. A partir disso, serão elaboradas questões que permitam uma classificação de respostas, por parte dos respondentes, a respeito dessas dimensões. O importante, caro(a) acadêmico(a), é que o formulário de pesquisa de clima seja um instru- mento construído de maneira alinhada aos elementos presentes no contexto organizacional e que demonstre necessidade de avaliação. Os autores Oliveira (2010) e Luz (2012) têm a mesma percepção no que diz respeito às formas de aplicação da PCO. Para tanto, segundo os autores, as aplica- ções se dão por meio de entrevista individual, painel de debates e/ou questionários: “ A entrevista individual não é recomendada para grandes organiza- ções, frente ao dispêndio de tempo que isso causaria, mas seria uma técnica válida para pequenas empresas. O painel de debates é um processo similar à entrevista em grupo, relativamente rápido, mas que pode gerar informações não confiáveis devido à exposição a outros membros da empresa, enquanto que os questionários per- mitem a aplicação a várias pessoas ao mesmo tempo, sendo assim o método mais utilizado independente do tamanho da organização, principalmente por preservar o anonimato dos respondentes (OLI- VEIRA, 2010; LUZ, 2012). U N ID A D E 5 174 De qualquer forma, independentemente da terminologia utilizada nas empre- sas – administração de recursos humanos ou gestão de pessoas –, é importante apresentarmos as responsabilidades e o perfil dos titulares das áreas de pessoas, no sentido de clarificar o trabalho desse profissional. Utilizaremos, na maioria das vezes, o termo gerente de recursos humanos, por ser o mais usual nas empresas brasileiras. Responsabilidades e competências do gerente de recursos humanos Snell e Bohlander (2013), quando falam em responsabilidades do Gerente de Recursos Humanos (GRH), fazem questão de frisar a necessidade dele trabalhar em parceria com os gerentes de linha para tratar de qualquer assunto referente ao pessoal da empresa, mesmo com as dificuldades que possam surgir nessa relação, por vezes, devido ao desconhecimento do gerente de linha sobre o papel do titular de recursos humanos e devido à falta de uma delimitação clara do seu próprio papel pelo profissional de RH. Vejamos, a seguir, segundo os mesmos autores, as quatro principais responsabilidades do GRH: orientação e aconselhamento, serviços, formulação e implementação da política e defesa do funcionário. a) Orientação e aconselhamento Devido ao conhecimento sobre as questões internas (como políticas, acordos trabalhistas e necessidades dos funcionários) e externas (como dados econômicos do mercado de trabalho e questões legais), o GRH serve, muitas vezes, como consultor interno de supervisores, gerentes, executivos e dos próprios funcionários, auxiliando na tomada de decisão em diferentes questões organizacionais e individuais. b) Serviços O GRH está engajado nos vários processos de RH, como recrutamen- to e seleção, treinamento e desenvolvimento, avaliação de desempenho, planejamento estratégico, saúde e segurança no trabalho, entre outros tratados neste texto, além de ouvir preocupações e queixas de gerentes e funcionários. Ele utiliza suas habilidades interpessoais e conhecimento técnico para ganhar a confiança e equilibrar os diferentes interesses pre- sentes na organização de maneira geral. U N IC E S U M A R 175 c) Formulação e implementação da política Elaborar e propor novas políticas ou revisões da política de pessoal para a resolução de problemas recorrentes ou para evitar problemas futuros; moni- torar o desempenho dos setores e departamentos para assegurar a conformi- dade com as políticas, procedimentos e práticas de RH e responsabilizar-se pelo esclarecimento aos gerentes de questões referentes às políticas adotadas. d) Defesa do funcionário Ouvir as preocupações e necessidades dos funcionários, e comunicá-las aos gerentes e alta administração, atuando em favor dos funcionários, é tarefa primordial, assim como fornecer uma estrutura de suporte sempre que mudanças drásticas interferirem nas atividades comumente desenvolvidas. Diante de tanta diversidade de temas a tratar, especialmente se for assumir um papel estratégico na empresa, o titular de RH deverá adquirir inúmeras compe- tências, as quais Snell e Bohlander (2013) resumem em quatro competências: domínio do negócio, domínio do RH, domínio das mudanças e credibilidade pessoal. A figura seguinte ilustra graficamente essas competências: CONTROLE CORPORATIVO • Perspicácia corporativa • Orientação aos clientes • Relacionamentos externos CREDIBILIDADE PESSOAL • Con�ança • Relações pessoais • Valores obtidos com a experiência • Coragem CONTROLE DE RH • Seleção de pessoal • Avaliação de desempenho • Remuneração • Comunicação • Estrutura da organização CONTROLE DAS MUDANÇAS• In�uência e habilidades interpessoais • Capacidade de resolução de problemas • Sistema de compensação • Capacidade de inovação e criatividade Figura 1- Modelo de competência de recursos humanos / Fonte: Snell e Bohlander (2013). U N ID A D E 5 176 Observa-se, assim, que o preparo do GRH para lidar com inúmeras questões sociais deve ser amplo, uma vez que pode lidar com: questões levantadas pela cobrança da responsabilidade social por parte da empresa; a diversidade; direitos iguais para as mulheres e minorias sociais, pessoas com deficiências físicas ou mentais, idosos; todas as questões referentes à contratação, treinamento, pro- moção e remuneração dessas pessoas; negociações com sindicatos, entre outras tantas questões internas e externas à empresa. Domínio do negócio O GRH precisa conhecer profundamente o negócio da empresa, entendendo suas capacidades econômicas e financeiras para fazer parte da equipe que formula as estratégias gerais, além de desenvolver habilidades para lidar com o público externo. Domínio do RH Esse fator Chiavenato (2014) designa de competência em capital humano, que é necessário para transformar pessoas em talentos e estes em capital humano para as empresas. Os profissionais de RH devem ser especialistas em comportamento organizacional, que envolve os comportamentos das pessoas, dos grupos e da empresa como um todo. Esses conhecimentos, aliados a habilidades pessoais, são essenciais à sua atuação nos diferentes processos de RH, como recrutamento e seleção, avaliações de desempenho e vários outros. Domínio das mudanças O GRH deve desenvolver competências para gerenciar processos de mudança, alinhando as atividades de RH às necessidades da organização e dos funcionários. Habilidades interpessoais e em resolução de problemas, bem como criatividade e capacidade para inovação são imprescindíveis. U N IC E S U M A R 177 a) Credibilidade pessoal Estabelecer a credibilidade e confiança pessoal com clientes internos e externos, demonstrando os valores da empresa, defendendo suas ideias e sendo justo ao lidar com os outros são competências essen- ciais a serem desenvolvidas pelo GRH. Como você pode perceber, é difícil classificar essas competências em mais ou menos importantes. Na verdade, todas são igualmente importantes para promover resultados positivos para as pessoas e para as organizações. Considerando o lado das organizações, elas objetivam alcançar resultados globais positivos, como valor econômico agregado, crescimento, maior par- ticipação no mercado e lucratividade. Dessa forma, para alcançar todos esses propósitos, deverá desenvolver competências organizacionais decorrentes do fator humano, ou seja, das habilidades e competências que as pessoas invistam no seu trabalho dentro dela. Diante de tantas ferramentas de gestão, será possível, futuro(a) gestor(a) ou empresá- rio(a), a aplicação de qualquer uma delas a qualquer tipo de empresa? pensando juntos Segundo Chiavenato (2014), para se alcançar resultados positivos no negócio, é necessário aperfeiçoar os processos de gestão de talentos. Verifica-se, assim, a importância da atuação do GRH nesse processo. U N IC E S U M A R 179 possa perceber a complexidade de competências necessárias para implementá- -las, seja qual for o modelo ou técnica escolhida. Esperamos que tenham ficado esclarecidas as diferenças entre o modelo mais flexível, o participativo e o modelo diretivo. Lembre-se que não, necessariamente, você os encontrará em estado puro nas organizações, mas que haverá grandes diferenças no modo como cada uma irá equilibrar a autoridade, a obediência, a liderança, a disciplina e a autonomia dos seus colaboradores. Tratamos, também, do gerenciamento do clima organizacional, evidenciando a fase em que os gestores/administradores têm a oportunidade de conhecer a percepção das pessoas (empregados) sobre a organização. Com isso, foi destacada a principal ferramenta de mensuração do clima, que é a Pesquisa de Clima Orga- nizacional (PCO), instrumento que precisa ser devidamente pensado, planejado e elaborado, para que os resultados obtidos representem com veracidade o todo organizacional. Embora não tenhamos esgotado (e nem poderíamos) a apresentação das ferramentas de gestão utilizadas atualmente, esperamos ter exposto pelo menos as mais usuais no Brasil, para que você possa iniciar ou dar continuidade aos seus estudos para a atuação na área de pessoas de forma estratégica, conhecendo os vários ângulos de atuação de um gerente de recursos humanos dentro da empresa. Apresentamos, na sequência, as responsabilidades e competências exigi- das por parte do gerente de recursos humanos e você pôde verificar como são complexos os conhecimentos, habilidades e competências que se exigem atualmente desse profissional. Escolhemos, para encerrar a nossa abordagem, alguns comentários de autores que corroboram o que defendemos ao longo do texto: a necessidade de desenvol- vimento de talentos, de profissionalização constante de todos os profissionais e a sua, principalmente, que quer se tornar um gestor de pessoas ou um empresário. Acreditamos que, com a abordagem feita, juntamente com todo o conjunto de informações e conhecimentos que apresentamos, você possa ter clareza e ob- jetividade ao refletir sobre o desafio que o(a) aguarda, tanto agora durante a sua formação (na verdade, uma formação que nunca acaba, como vimos ao longo do texto!) quanto na sua prática profissional. Continue sua trajetória aproveitando o aprimore-se e o material que indica- mos para a sua formação. http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html http://www.capecanaveral4045.com/nr05nova021999.html ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS E GESTÃO DE PESSOAS RECRUTANDO E SELECIONANDO PESSOAS FERRAMENTAS TÁTICAS DE GESTÃO DE PESSOAS CAPACITANDO PESSOAS MODELOS E Ferramentas DE GESTÃO DE PESSOAS e o papel estratégico do gestor de pessoas conclusão geral _GoBack