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SEMINÁRIO III - DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA - Lidiane de Mello Giordani

Seminário sobre exigibilidade do crédito tributário: trata decadência e prescrição, com perguntas e respostas definindo conceitos, diferenciação prática entre institutos, contagem de prazos e aplicação do CTN (arts.150,153,173,174), menção ao art.146 CF e Súmula Vinc.8.

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MÓDULO: EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
SEMINÁRIO III - DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA
SEMINÁRIO DE CASA
SEMINÁRIO III - DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA
Questões
1.
Defina o conceito “decadência” no âmbito do direito tributário.
(a) Com base na bibliografia indicada para desenvolvimento deste seminário apresente as diferentes acepções do conceito “decadência”. 
(b) Construa a respectiva estrutura normativa para cada acepção (ex. NGA, NIC, antecedente, consequente...), indicando quai(is) dessa(s) estrutura(s) normativa(s)) são norma em sentido estrito. 
(c) É correta a afirmação de que a decadência opera-se automática e infalivelmente? Justifique sua resposta.
(d) Quanto aos efeitos da decadência em relação ao crédito tributário (arts. 150 e 173, do CTN), pode-se afirmar que sejam: (i) extintivos ou (ii) impeditivos? Justifique sua resposta. 
A decadência, prevista no Art. 173 do CTN, representa a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, através do lançamento, em razão do decurso do prazo de 5 anos, contado nos termos do referido artigo:
Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados:
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;
II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
A norma segundo a teoria da regra matriz é composta por uma consequente e uma antecedente, dentre as quais tem em sua estrutura 5 critérios: (i) critério material (o que?); (ii) critério temporal (quando?); (iii) critério espacial (onde?); (iv) critério pessoal (quem?); (v) critério quantitativo (quanto?). 
A decadência não se opera de forma automática e infalivelmente, pois no mundo jurídico existem pré-requisitos a serem preenchidos (constatação + pré-requisitos + declaração por agente competente). Mas, insta salientar, que a contagem do prazo decadencial não se interrompe nem se suspende.
O efeito da decadência é a extinção do crédito tributário, vide texto legal do Art. 153, V, do CTN.
(e) Diferençar, se possível: (i) decadência do direito de lançar, (ii) prescrição do direito do Fisco cobrar o crédito tributário, (iii) decadência do direito do contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário e (iv) prescrição do direito de ação do contribuinte repetir o indébito tributário.
Decadência do direito de lançar: quando o fisco não constitui o crédito tributário (Art. 173, CTN);
Prescrição do direito do Fisco cobrar o crédito tributário: quando não executa o crédito tributário definitivamente constituído (Art. 174, CTN);
Decadência do direito do contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário: quando o contribuinte não requer seu direito à restituição no prazo quinquenal do pagamento indevido, ou a maior. 
Prescrição do direito de ação do contribuinte repetir o indébito tributário: quando o contribuinte não ajuíza a demanda competente dentro do prazo quinquenal do pagamento indevido, ou a maior.
2.
Conjugando o art. 146, III, “b”, da CF e o princípio da autonomia dos entes federativos, responda: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, por meio de lei ordinária, podem estabelecer prazo diverso do constante no CTN para a decadência e prescrição de seus créditos? E mediante lei complementar estadual ou municipal? (Vide anexo I e Súmula Vinculante n. 8 do STF).
Não podem, pois de acordo com o Art. 146, III, CF/88, cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária.
3.
Quando começa a contar o prazo de decadência para o Fisco lançar nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício? E nos tributos sujeitos ao “lançamento por homologação”? Se não houver o que homologar, o prazo passa a ser o dos tributos sujeitos ao lançamento de ofício (vide anexos II e III)? E no caso de fraude (vide anexo IV)? 
Nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, o primeiro dia do exercício seguinte (Art. 173, CTN). 
Nos tributos sujeitos ao “lançamento por homologação” é a data da ocorrência do fato gerador (Art. 150, §4º, CTN).
Se não houver o que homologar, o prazo não passa a ser o dos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, posto que se considera da data da ocorrência do fato gerador.
Em caso de fraudo, dolo ou simulação, a contagem do prazo é a do Art. 173, I, do CTN.
4.
Como deve ser interpretado o parágrafo único do art. 173 do CTN? Que se entende por “medida preparatória indispensável ao lançamento”? Tal medida tem apenas o condão de antecipar o termo inicial da contagem do prazo prescrito no inciso I ou pode também postergá-lo? Trata-se de causa de interrupção do prazo decadencial? (Vide anexo V e VI).
Deve ser interpretado, nos termos em que, a contagem do prazo decadencial não se interrompe nem se suspende. “Medida preparatória indispensável ao lançamento” é qualquer medida tomada para que seja efetivado o lançamento. Porém, nem antecipa e nem posterga o termo inicial da contagem do prazo decadencial.
5.
A Lei n. 11.051/04 trouxe previsão de prescrição intercorrente no processo judicial. Quanto ao processo administrativo fiscal, existe prescrição intercorrente no seu curso? E no decorrer do processo executivo fiscal? Qual é o tratamento mais adequado em caso de falta de intimação da Fazenda Pública sobre o despacho que determina sua manifestação antes da decisão que decreta a prescrição intercorrente? É possível que a decretação da prescrição intercorrente seja ilidida? Justificar (vide anexos VII, VIII e IX e X).
Vide Súm. 11, CARF: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Na execução fiscal, sim, nos termos do Art. 40, da LEF. Segundo o RE 1.340.553 RS, “A Fazenda Pública , em sua primeira oportunidade de falar nos autos (art. 245 do CPC⁄73, correspondente ao art. 278 do CPC⁄2015), ao alegar nulidade pela falta de qualquer intimação dentro do procedimento do art. 40 da LEF, deverá demonstrar o prejuízo que sofreu (exceto a falta da intimação que constitui o termo inicial - 4.1., onde o prejuízo é presumido) , por exemplo, deverá demonstrar a ocorrência de qualquer causa interruptiva ou suspensiva da prescrição”, caso não haja prejuízo, não haverá nulidade.
6.
Qual o marco inicial da contagem do prazo para redirecionamento da execução fiscal contra os sócios? Trata-se de prazo decadencial ou prescricional? É possível compreender que o mesmo fato jurídico “dissolução irregular” seja considerado ilícito suficiente ao redirecionamento da execução fiscal de débito tributário e não o seja para a execução fiscal de débito não-tributário. (Vide anexos XI, XII e XIII)
O prazo para redirecionamento da execução fiscal contra os sócios é de cinco anos, contados da citação da pessoa jurídica, vide Tema 444 do STJ.
Trata-se de prazo prescricional, pois para haver o redirecionamento da execução fiscal o crédito deve estar devidamente constituído. 
“Não há como compreender que o mesmo fato jurídico ‘dissolução irregular’ seja considerado ilícito suficiente ao redirecionamento da execução fiscal de débito tributário e não o seja para a execução fiscal de débito não tributário”, afirmou o relator no RE 1.371.128 .
7.
Sobre a decadência/prescrição do direito de repetir o indébito tributário pergunta-se:
a) Quais indébitos estão sujeitos ao art. 3º da LC n. 118/05: todos, independente da data do pagamento indevido; aqueles cuja restituição seja requerida depois do termo inicial de sua vigência; ou somente os pagamentos efetuados após iniciada sua vigência? Justificar (vide anexos XIV e XV).
Nos termos do artigo 165 do CTN, os contribuintes têm o direito de solicitar junto ao ente tributante, a restituição total ou parcial de todos os tributos pagos indevidamente, posto que a norma implementada é meramente interpretativa (Art. 106, I, CTN). 
b) No caso de lei tributária julgada inconstitucional em ADIN (sem modulação de efeitos), como fica o prazo para repetir o indébitotributário? Conta-se do pagamento indevido ou o termo inicial seria a “data da declaração de inconstitucionalidade da lei que fundamentou o gravame”? (Vide anexos XVI e XVII).
Prazo prescricional de 05 anos a contar do recolhimento indevido, prazo este que fica suspenso nos decurso da ADIN.
�. Súmula Vinculante n. 8: “São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do Dec.-lei 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam da prescrição e decadência de crédito tributário.”
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