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GASTRITE E ÚLCERAS
O estômago é formado por várias partes
anatômicas importantes. As quatro principais
divisões do estômago são: cárdia, fundo, corpo e
piloro.
CÁRDIA: A a cárdia circunda o orifício cárdico, que
é a abertura entre o esôfago e o estômago. É a
primeira parte do estômago que comida que
ingerimos alcança, representando a região de
entrada.
FUNDO: O fundo é a dilatação superior do
estômago, que está localizada superiormente a um
plano horizontal a nível do orifício cárdico.
CORPO GÁSTRICO: É a maior parte do órgão.
PARTE PILÓRICA: representa a saída do
estômago, passando o conteúdo alimentar dali para
o duodeno. O piloro ainda é dividido em duas áreas
distintas - o antro pilórico conectado ao estômago e
o canal pilórico, conectado ao duodeno. O conteúdo
do canal pilórico entra no duodeno via orifício
pilórico, que tem sua abertura e fechamento
controlados pelo esfíncter pilórico (piloro), uma
camada circular de musculatura lisa.
● Antro: o antro é a cópia da cárdia; células
produtoras de mucina - glândulas foveolares
(células foveolares). O antro também produz
células G (pHmetro)- gastrina - determinando
o pH do estômago. Aumenta a gastrina,
estimulando a secreção de pepsina e ácido
clorídrico e então consegue digerir o alimento.
Com isso aumenta a quantidade de ácido
clorídrico e de pepsina, e esse ácido começa a
prejudicar, sendo necessário um mecanismo
de pausa, e assim o Hcl (ácido clorídrico) inibe
a gastrina, através da diminuição do pH.
Tanto no fundo do corpo como na parte pilórica
acontece a digestão proteínas;
- Célula rosa (eosinofílica): ácido - são
células que produzem ácido clorídrico do
suco gástrico - são chamadas de células
parietais ou oxíntica.
- Célula azul (hematoxifilicas) - proteína -
pepsina - chamadas de células principais.
- Glândulas fúndicas: junção das células
parietais e das células principais.
CASO CLÍNICO:
Gertrudes, 55 anos, procura atendimento na UBS
por quadro de “gastura” na boca do estômago há
meses. Refere azia e queimação há 3 meses, além
do empachamento pós-prandial há 2 meses, nega
outros sintomas. Refere uso de diclofenaco
(antiinflamatório não esteroidal) para aliviar as
dores dos ombros. Paciente mora em uma
comunidade onde não há saneamento adequado e
divide sua casa de 1 cômodo com mais 5 pessoas
da família. nao apresenta alterações do exame
física. A endoscopia apresenta região hiperemiada
em antro com teste de urease positivo.
a. Qual a hipótese diagnóstica?
- GASTRITE POR H PYLORI
- SÍNDROME DISPÉPTICA (dor epigástrica com
duração maior ou igual há 1 mês.
- HD: gastroenterite; gastrite; DRGE; úlcera; câncer.
b. Qual melhor exame para avaliação?
- ENDOSCOPIA COM BIÓPSIA DE ANTRO.
c. O que significa os sintomas da pobre dona
gertrudes?
- AUMENTO DO PH - TEM UMA HIPERCLOREMIA.
GASTRITE AGUDA: Gastrite aguda é uma
condição inflamatória comum que afeta o
revestimento interno do estômago. A gastrite pode
ser causada por bactérias ou por agentes que
irritam o revestimento do estômago, como álcool,
nicotina e alguns medicamentos para a dor. Os
principais sintomas são dor de estômago e
náuseas. Os sintomas em geral vêm rapidamente e
duram alguns dias. O tratamento pode incluir
antiácidos ou outros medicamentos para reduzir a
produção de ácido no estômago.
- É atacada por células inflamatórias aguda -
neutrófilos.
- Atinge o epitélio gástrico, onde os neutrófilos
atingem.
FISIOPATOLOGIA:
ETILISMO + TABAGISMO → lesão direta.
AINEs → inibe a COX2 (diminui a produção da
prostaglandina E2 e I2 - e consequentemente
diminui a produção de bicarbonato, muco,
fosfolípide → lesão).
Psicológico → gastropatia→ gastrite sem alteração
morfológica.
Queimados: produzem em grande quantidade
endotelina e baixa quantidade de óxido nítrico →
ocorre vasoconstrição → diminui o fluxo sanguíneo
(baixa quantidade de O2, tem uma baixa produção
de ATP) → glândulas foveolares diminuem a
produção de muco → ocorre lesão.
SINTOMAS: Os sintomas típicos incluem dor de
estômago, náusea, vômitos e azia. A dor estômago
em geral se apresenta como uma dor ardente na
parte superior da barriga.
HISTOLOGIA:
- Muito neutrófilo - soltam enzimas digestivas,
podendo lesar o epitélio.
- Hiperemia
- Gastrite hemorrágica erosiva aguda
OBS: a hemorragia é por lesão na parede devido
aos neutrófilos.
GASTRITE CRÔNICA: Gastrite crônica é uma
condição em que a mucosa do estômago fica
inflamada por longos períodos de tempo (meses ou
anos). Esta inflamação ocorre tipicamente devido a
uma infecção do estômago por bactérias
conhecidas como Helicobacter pylori em
combinação com o uso constante de analgésicos,
que degradam o revestimento do estômago. O
principal sintoma é uma dor na área acima do
estômago.
- Células inflamatórias crônicas - linfócitos,
macrófagos, eosinófilos).
- Causas: H.pylori (bactéria); autoimune e outras.
H. pylori
→ transmissão: fecal-oral
→ fatores de risco: falta de saneamento, baixa
escolaridade, hiper habitação.
→ fatores de virulência: flagelo (motilidade); urease
(produz amônia - básico - aumenta o pH); adesinas
(promove adesão); toxinas (provoca inflamação).
→ Essa bactéria não gosta de ácido!!! - então essa
bactéria fica no antro (local menos ácido do
estômago e onde tem o alimento já digerido) →
ficam dentro da glândula foveolar (local onde tem
mais mucina) → pH de dentro da glândula
aumenta (diminui a acidez) → como está
aumentando o pH vai aumentar a produção de
gastrina e essa gastrina vai ativar as células
parietais a produzir mais ácido (Hcl) e agora fica em
um ciclo vicioso (aumento da produção de gastrina
- aumento da produção de ácido - gerando uma
lesão por aumento da acidez, redução do pH).
OBS: a gastrina é o nosso sensor de pH.
OBS: o H.pylori pode dar a louca (não se sabe
porque isso acontece) e daí ao invés de ele infectar
as glândulas foveolares (antro) ele infecta as
glândulas fúndicas (corpo e fundo do estômago)
(20%), provocando a destruição das glândulas, por
um processo inflamatório - ocasionando atrofia do
epitélio devido devido a destruição celular
(GASTRITE ATRÓFICA MULTIFOCAL).
IMPORTANTE!!!
H.pylori (revisando)
- Antro (estômago como um todo: aumenta acidez,
diminui o pH)
- Corpo/fundo→ (diminui a acidez, aumenta o pH)
→ destruição da proteção gástrica - lesão do
epitélio.
GASTRITE ATRÓFICA AUTOIMUNE
METAPLÁSICA: ela consiste em doença hereditária
autoimune que ataca as células parietais, causando
hipocloridria e diminuição da produção de fator
intrínseco. São suas consequências a gastrite
atrófica, a má absorção de vitamina B12 e, com
frequência, a anemia perniciosa.
- Produção de auto-anticorpos contra as células
parietais.
- Mata às células parietais (diminui a produção
de ácidos/diminui fator intrínseco).
OBS: fator intrínseco: faz parte da digestão da
vitamina B12 - anemia megaloblástica.
- O epitélio se atrofia, devido a destruição das
células parietais.
- As glândulas fúndicas ficam mais rasas -
sofrendo um processo de metaplasia.
- Corpo - sofre metaplasia intestinal e atrofia
das glândulas, isso altera o ph do suco
gástrico e em resposta a isso às células do
fundo sofrem uma modificação, ocasionando
uma hiperplasia das glândulas foveolares, e
essas glândulas ficam num aspecto mais
“fundo”. E também às células G sofrem
hiperplasia, perdendo a sua função;
- Hiperplasia: devido a alteração do sulco
gástrico.
- Na célula parietal em sua membrana tem uma
bomba de potássio e hidrogênio, ela puxa
potássio para dentro e joga H+ para fora,
ficando mais ácido. Na autoimune tem
anticorpos contra essa bomba e aí ela destrói,
daí a célula perde o sentido da vida e morre.
ÚLCERAS GÁSTRICAS (PÉPTICA):
● Úlceras pépticas podem resultar de
infecções por Helicobacter pylori ou da ação
de medicamentos que enfraquecem o
revestimento do estômago ou do duodeno.
● O desconforto causado pelas úlceras
aparece e desaparece e tende a ocorrer
depois das refeições, porque ocorre
produção de ácido gástrico em resposta à
ingestão de alimentos.
● O diagnóstico da úlcera péptica é baseado
nos sintomas de dores gástricas e nos
resultados de um exame do estômago
realizado pela inserção de um tubo flexível
para visualização (endoscopia digestiva
alta).
● Antiácidos e outros medicamentos são
utilizados para reduzir a acidez do estômago
e antibióticos para eliminar a bactéria
Helicobacter pylori.
-> Diminui o pH (infecção antro - hipercloremia →
provoca lesão do epitélio por baixo pH → úlcera
duodenal (principal úlcera).
-> Aumenta o pH (infecção de corpo/fundo -
hipoclorêmica) → provoca lesão por falta de
mecanismos de defesa → úlceras gástricas.
● Quanto temos um aumento da acidez →
redução do pH → ÚLCERAS
HIPERCLORÊMICAS → acontecem no corpo
(glândulas fúngicas), antro ou duodeno→ tipo
2, tipo 3 e úlcera duodenal.
● Quando tem um diminuição da acidez →
aumento do pH → diminuição da proteção →
acontecem na cárdia e na pequena incisura
(incisura angular)→ tipo 1 (pequena curvatura
- incisura) e tipo 4 (cárdia). - úlcera
hiperclorêmica.
- Imagem (úlcera no corpo/fundo) →
H.pylori no corpo e no fundo na pequena
curvatura (redução da acidez, perda da
proteção - devido a destruição das células)
→ úlcera hipoclorêmica.
- Úlcera eu só considero lesões acima de
meio centímetro.
- Histologia: sem mucosa.
- Se a úlcera sangra pode ocorrer anemia
ferropriva, hemorragia, melema, choque
hipovolêmico.
- Outras células que promovem proteção do
estômago: células foveolar; células D
(somatostatina - estimula a produção de
bicarbonato que neutraliza o ácido e
estimula a produção de fosfolípide que dá
aspecto mucóide).
PATOLOGIAS GASTROINTESTINAIS:
1: Mucosa (cripta; células foveolares).
2: Camada musculatura da mucosa
3: Submucosa
4: Muscular
COMPONENTES CELULARES DO ESTÔMAGO:
- Cripta: células mucosa (produção de muco)
- Região do colo: células mucosas
- Região do colo/corpo: células mucosas e células
parietais.
NEOPLASIAS GÁSTRICAS:
PÓLIPOS:
- São nódulos ou massas que se projetam
acima do nível da mucosa do estômago. Esse
pólipos podem ser pediculados (como se fosse
uma “folha” que se ligou ao caule - tem uma
pequena base ligada a mucosa) ou sésseis
(base mais larga e achatada na mucosa).
- Hipótese: resposta exagerada da mucosa à
lesão e inflamação começando com
hiperplasia foveolar, que se torna polipóide e
eventualmente se desenvolve em um pólipo
discreto.
Ex: gastrite crônica; gastropatia reativa;
refluxo gastroesofágico; esôfago de Barrett;
gastrite autoimune.
- TIPOS: pólipos hiperplásicos (muito associado
à gastrite crônica); pólipos na região de fundo
gástrico, pode ser derivado (glândula fúndica
- NÃO abusar o omeprazol {inibidor de bomba
de prótons}) e pólipos adenomatosos.
OBS: PAF - polipose adenomatosa familiar:
leva ao surgimento de muitos pólipos tanto no
estômago quanto no intestino
(principalmente), é uma condição genética
(mutação do gene APC), para retirar
normalmente tira parte do intestino.
- Imagem slide (um pólipo hiperplásico):
aspecto irregular; estroma do pólipo é muito
vascularizado;
ADENOMAS GÁSTRICOS
deno = glândula
Oma = benigno
OBS: adenocarcinoma (processo maligno)
- São lesões solitárias (< 2 cm) mais comumente
localizadas no antro.
- A maioria dos adenomas é composta pelo epitélio
colunar do tipo intestinal, o qual apresenta diversos
graus de displasia (baixo ou alto grau).
- Os adenomas gástricos são lesões neoplásicas
pré malignas.
Pacientes com PAF aumenta a chance de
adenomas e é risco para adenocarcinoma.
- Há risco de transformação para um câncer
invasivo é muito maior nos adenomas gástricos.
- Displasia e adenoma gástricos são lesões
precursoras reconhecíveis associadas ao
adenocarcinoma gástrico.
IMAGEM: A lesão é composta por estruturas
túbulo-papilares revestidas por células epiteliais
colunares displásicas. Com base no tipo de
epitélio de revestimento, eles são subdivididos em
tipo gástrico e tipo intestinal . O tipo intestinal é
mais comum e é idêntico à sua contraparte vista
no cólon.
ADENOCARCINOMA GÁSTRICO:
Obs : a chance do adenoma evoluir para
adenocarcinoma é muito grande.
MORFOLOGIA:
Localização: antro gástrico
Morfologia:
Intestinal: massas volumosas com estrutura
glandulares ( é derivado do epitélio metaplásico ) ;
- mais relacionado com o H.pylori.
- Via Wnt (promove diferenciação,
polarização e migração celular)
- Mais localizado no antro gástrico.
- Bem diferenciado (bem roxinho)
Difuso: infiltra difusamente a parede gástrica ( é
originado do epitélio gástrico ) – células em anel de
sinete;
- Relacionado com a perda de função
germinativa do gene supressor de tumor
CDH1 (caderina 1); mutações do BRCA2 e
mutações do TP53).
- Ele é mais invasivo. Tem perda de
E-caderinas que são as moléculas de
adesão célula-célula, além disso por ser
difuso, as células ficam soltas e tem maior
potencial metastático.
- Pacientes que têm úlcera gástrica tem
menor chance de ter um adenocarcinoma
gástrico.
- Geralmente a gastrite por H. pylori
acontece no antro gástrico, quando
acontece nessa região tem um aumento
na secreção de Hcl (gastrite
hipersecretora), o Hcl danifica as células
do epitélio gástrico, então a chance de
úlcera é muito grande.
***H. pylori no antro --> aumento da
secreção de HCL --> Hipersecreçao -->
úlcera gástrica.***
- Quando se fala da região do corpo e fundo
gástrico, tem uma pangastrite, vai ter
geralmente uma secreção de Hcl normal
ou com o tempo tem uma secreção
diminuída (gastrite hiposecretora),
podendo causar uma atrofia - neste caso o
estômago fica mais básico, favorecendo a
conversão de certos produtos causando
produção de nitrosaminas por exemplo,
danificando o epitélio gástrico - maior
chance de ter adenocarcinoma nesse tipo
de gástrica.
ASPECTO MORFOLÓGICO:
-> Adenocarcinomatipo intestinal consistindo em
uma massa elevada com bordas amontoadas e
ulceração central.
-> A, Adenocarcinoma tipo intestinal, composto de
células colunares e formadoras de glândulas,
infiltrando o estroma desmoplásico. B, As células
em anel de sinete podem ser reconhecidas por seus
grandes vacúolos citoplasmáticos de mucina e
pelos núcleos em formato de lua crescente,
deslocados perifericamente.
QUADRO CLÍNICO:
• Perda de peso.
• Dor abdominal.
• Anemia ferropriva.
• Disfagia (em casos de obstrução da cárdia).
• Síndrome paraneoplásicas (Neuropatía periférica,
acantose nigricans, queratosis seborreica difusa).
DIAGNÓSTICO:
• EDA com biópsia, escovado e lavado gástrico .
• “Toda úlcera gástrica tem indicação para biópsia”
• Exame de imagem (seriografia
esofagogastroduodenal).