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Cursos Online EDUCA www.CursosOnlineEDUCA.com.br Acredite no seu potencial, bons estudos! Curso Gratuito Atendimento Educacional Especializado – AEE Carga horária: 60 hs Conteúdo programático: Inclusão educacional e a necessidade de formação continuada Deficiência intelectual: algumas reflexões sobre o processo de ensino- aprendizagem Principais tipos de deficiência intelectual Deficiência intelectual x doença mental Características da deficiência intelectual Diagnóstico O aluno com deficiência intelectual Orientações para professores Deficiência visual: práticas pedagógicas Deficiência auditiva Oralismo Comunicação total Bilinguismo Centro de atividades e áreas de conteúdos Surdocegueira Considerações sobre surdocegos Características dos surdocegos Deficiência múltipla: práticas pedagógicas Transtornos globais do desenvolvimento Sintomas em diferentes faixas-etárias Referências Inclusão educacional e a necessidade de formação continuada Quando se fala em educação, sabe-se que ela é a ferramenta básica para a inserção de qualquer pessoa em seu meio social. Ela transmite a cultura, é fundamental na construção do indivíduo enquanto cidadão, amplia conhecimentos visando à construção de um mundo melhor para todos. Sendo considerada o fundamento para a participação, independência, conhecimento e autorrealização, a educação torna-se, assim, imprescindível para a realização plena de todos os cidadãos, sem qualquer discriminação. Durante muito tempo o diferente foi excluído da sociedade, tempo esse marcado por atitudes e pensamentos absurdos, tendo consequências consideradas atualmente desumanas. Pessoas com deficiência não podiam participar dos espaços sociais onde se transmitiam conhecimento nem conviver com os seus iguais; não tinham direitos mínimos e, muitas vezes, eram consideradas aberrações e castigos divinos. Com o passar dos séculos, essas visões e pensamentos foram se reformulando, repensados pela sociedade, pelos políticos e pelas políticas públicas, as quais passaram a incluir em suas leis e decretos o direito de ser diferente. Inicia- se, no mundo, um movimento pela igualdade de direito, onde todos possam ser cidadãos participativos. No que tange à área educacional, grandes mudanças também ocorreram e ocorrem. O movimento mundial pela educação tornou-se, inclusive, uma luta de TODOS para TODOS, sendo considerado uma ação política, cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do direito de todos no sentido de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação. Portanto, a ideia de inclusão caracteriza mudança de paradigma, fundamentada na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação aos conceitos de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão nas relações sociais. A educação inclusiva passa a perceber a escola como um espaço de todos, no qual alunos possam construir seus conhecimentos segundo suas capacidades, expressando livremente suas ideias, participando efetivamente das atividades propostas pelos professores, e se desenvolvam como cidadãos, nas suas diferenças. Segundo Silva, a diferença (vem) do múltiplo e não do diverso. Tal como ocorre na aritmética, o múltiplo é sempre um processo, uma operação, uma ação. A diversidade é estática, é um estado, é estéril. A multiplicidade é ativa, é fluxo, é produtiva. A multiplicidade é uma máquina de produzir diferenças – diferenças que são irredutíveis à identidade. A diversidade limita-se ao existente. A multiplicidade estende e multiplica, prolifera, dissemina. A diversidade é um dado da natureza ou da cultura. A diversidade reafirma o idêntico. A multiplicidade estimula a diferença que se recusa a se fundir com o idêntico . Pode-se perceber, através das palavras do autor, que a diversidade no contexto escolar comporta a criação de grupos de idênticos, formados por alunos que têm uma mesma característica, selecionada para reuni-los e separá-los. Ao referir-se a uma escola inclusiva como aberta à diversidade existente, passa-se a ratificar o que se quer extinguir com a inclusão; em outras palavras, elimina-se a possibilidade de agrupar alunos e identificá-los por suas especificidades. Consequentemente, a construção de uma sociedade e de uma educação inclusiva é um processo de fundamental importância para o desenvolvimento e a manutenção de um estado democrático. A inclusão é a garantia, a todos, do acesso contínuo ao espaço comum da vida em sociedade, que deve estar preparada para o acolhimento à diversidade humana, à aceitação das diferenças individuais, do esforço coletivo na equiparação de oportunidades de desenvolvimento com qualidade em todas as dimensões. O objetivo das referidas colocações a seguir é uma sucinta demonstração de que a temática em questão não pode ser considerada – tanto pela sociedade quanto pela família e a escola – como algo recentemente discutido e implantado, mas, sim, como algo conquistado no decorrer dos séculos e que o pano de fundo para essa realidade à formação continuada de docentes é um dos pontos fundamentais. Paradigma da eliminação x abandono Na realização e análise de questões históricas da Educação Especial, em diversos países, encontram-se estudiosos como Mendes, 1994; 1995; Sassaki, 1997, dentre outros, os quais se debruçam a investigar sobre alguns dos aspectos históricos que perpassam o tempo e influenciaram a educação que se almeja para TODOS. Por meio desses estudos, identifica-se que a Idade Pré-Cristã foi fortemente marcada pela negligência e pelo abandono, pois as pessoas com deficiência eram consideradas seres diabólicos e sub-humanos. As crianças, quando nasciam com alguma deficiência já identificada, eram “eliminadas” de forma brutal, na maioria das vezes asfixiadas após o nascimento; já as que se tornavam adultos eram abandonadas por suas famílias. Em seguida, encontra-se um período marcado pela segregação social do deficiente, que passou a receber atendimento em instituições assistenciais especiais, com fins filantrópicos ou religiosos, ganhando status de ser humano e criatura de Deus, o qual deveria ter sua vida preservada. A importância dessa fase é o registro de que, apesar da segregação institucional imposta ao deficiente, esse indivíduo surge, no contexto social, como alguém com direitos e possibilidades. No final do século XIX e em meados do século XX, identifica-se uma “nova” fase, caracterizada por uma busca de redução da segregação imposta ao indivíduo deficiente e pela ênfase nos direitos sociais, culturais, educacionais, dentre outros. Em meados dos anos 70, surge um movimento mundial marcado pela integração social de todas as pessoas com deficiência, cuja ideia era integrar esses indivíduos em ambientes educacionais, os mais próximos possíveis daqueles oferecidos para as pessoas consideradas “normais”. Esse momento de integração vivenciado pelos indivíduos deficientes ancorava-se no pressuposto de que a criança devia ser educada até os limites de sua capacidade. Segundo Mendes, a defesa das possibilidades ilimitadas do ser humano e o conceito de que a educação poderia produzir uma diferença significativa no desenvolvimento e na vida das pessoas era uma perspectiva relativamente recente, o que tornava a ideia uma real possibilidade. (1995). Diante dessa nova visão, o conceito de educabilidade do potencial do ser humano passou a ser aplicado também à educação dos indivíduos com deficiência, tornando-os seres capazes de aprender e conviver em sociedade. Especificamente no Brasil, pensava-se, segundo Jannuzzi, que a organização do atendimento escolar para o deficiente, ao longo da história, poderia revelar-se, tanto na prática como no discurso dosprofissionais da área, nas expectativas sociais de cada época; não só mostrava a preocupação de tornar possível a vida dos menos favorecidos, dentro das comunidades escolares, como a de deixar de lado a segregação imposta aos mesmos. A evolução e a conquista por direitos e oportunidades passam a ser o “lema” adquirido e anunciado por todo um grupo que conquistou – através dos tempos – sua dignidade e o reconhecimento de suas potencialidades. Essas conquistas podem ser identificadas através da Declaração de Salamanca (1994), pela qual 92 países e 25 organizações internacionais se comprometeram a pôr em prática o princípio fundamental das escolas inclusivas: O princípio fundamental das escolas inclusivas consiste em todos aos alunos aprenderem juntos, sempre que possível, independentemente das dificuldades e das diferenças que apresentem. Estas escolas devem reconhecer e satisfazer as necessidades diversas dos seus alunos, adaptando-se aos vários estilos e ritmos de aprendizagem, de modo a garantir um bom nível de educação para todos, através de currículos adequados, de uma boa organização escolar, de estratégias pedagógicas, de utilização de recursos e de uma cooperação com as respectivas comunidades. É preciso, portanto, um conjunto de apoios e de serviços para satisfazer o conjunto de necessidades especiais dentro da escola Nesta perspectiva, observa-se a grande conquista de uma luta que perpassou décadas de exclusão, alienação e segregação de um grupo que só precisava de oportunidades para desenvolver e mostrar suas potencialidades. Seres humanos, dotados de especificidades, coragem e vontade de serem reconhecidos e percebidos como cidadãos de direitos. No que se refere à educação inclusiva, o que pode ser percebido é que, inicialmente, se teve a compreensão de que os alunos deveriam ser preparados para sair da segregação e, assim, adaptar-se às exigências da escola. Já, no atual cenário, finalmente se caminha para a percepção de que a escola é a protagonista que deve se adaptar às necessidades dos seus alunos, buscando atender à diversidade existente. Entretanto, essa percepção não é generalizada: ainda se encontram escolas com pensamentos ultrapassados sobre o que é de fato um processo de inclusão escolar. A garantia do acesso, participação de todos os alunos dentro dos contextos social e escolar contribui, sem sombra de dúvidas, para a construção de uma nova cultura de valorização das diferenças e de reflexão de possibilidades futuras. Nesse sentido, a preparação, a capacitação e a formação continuada dos docentes que “atuam” nesse contexto escolar são consideradas por muitos autores de fundamental necessidade e importância. Métodos novos, os quais possam contemplar a inclusão de todos, vêm sendo discutidos no decorrer dos últimos anos para que, assim, a escola possa cumprir o seu papel de ensino e aprendizagem respeitando as especificidades de todos. Investigação-ação: uma possibilidade de formação continuada de docentes no contexto da inclusão escolar A educação é feita de paradigmas, ou seja, modos de conceber e compreender a realidade existente no contexto escolar. Atualmente, o mais novo desafio posto à educação e aos seus docentes é a inclusão escolar, que defende a escola regular como espaço educacional de todos os alunos sem exclusões de raça, cor ou especificidade – conforme a representação da imagem. Este é um contraponto ao paradigma da exclusão escolar, no qual alguns alunos são segregados da escola regular por apresentarem características diferentes das esperadas pela instituição. Nesse sentido, encontra-se, na colocação de Tardif, um dos pontos relevantes para a necessidade de formação de docentes nesse novo contexto, “tanto em suas bases teóricas quanto em suas consequências práticas, os conhecimentos profissionais são progressivos e evolutivos e necessitam, por conseguinte, uma formação continuada e contínua” (2000, p. 6-7). Pensando nisso, percebe-se que, no atual cenário de transformações, a formação continuada dos docentes é, sem sobra de dúvidas, uma das grandes necessidades que devem ser pensadas pelas políticas públicas e pelos responsáveis que cuidam das mudanças educacionais. Considerando o atual cenário da educação, e os debates em torno das grandes dificuldades existentes, as quais devem contemplar essa nova realidade, apresenta-se como uma possibilidade para que as transformações necessárias, no que tange à formação continuada dos docentes – a metodologia de investigação- ação –, sejam pertinentes, pois, como afirma Elliott, “el objetivo fundamental de lainvetigación-acción consiste en mejorar la práctica en vez de generar conocimientos” (1991, p. 67). Busca-se entender, com base nesses ensinamentos, portanto, que a melhora da prática consiste em implantar valores que constituem seus fins. Por exemplo, a justiça na prática legal, a atenção ao paciente na medicina, a educação no ensino, dentre outros. Esses fins não se manifestam, entretanto, apenas nos resultados da prática, mas na qualidade intrínseca dessa mesma prática, tornando o ensino o mediador do acesso dos alunos ao currículo e à aprendizagem. Certamente um dos fatores que mais comprometem a qualidade educativa e a inclusão de todos na educação escolar diz respeito à precariedade da formação pedagógica dos seus docentes. A tarefa educativa de socializar e produzir conhecimentos é, por definição, uma atividade complexa e pluridimensional que exige dos envolvidos uma ampla e profunda compreensão do sentido e do significado de educar. Mais do que uma técnica ou uma estratégia de transmissão, o ato de educar implica a mobilização de um conjunto de saberes e a incorporação de atitudes que extrapolam a prática mecânica de hábitos convencionais. Nesse sentido, o processo de formação do professor, sobretudo no âmbito da formação continuada, é uma atividade difícil e complexa, que exige muito mais do que o domínio de conteúdos e de técnicas de ensino e de avaliação do aprendizado. Em seu estudo “Formação de professores: identidade e saberes da docência”, Selma Garrido Pimenta ressalta que a identidade profissional do professor se constrói a partir de um conjunto de saberes que, didaticamente, podem ser classificados em três tipos: saberes da experiência, saberes do conhecimento e saberes pedagógicos. Os saberes da experiência são todos aqueles provindos das vivências pessoais que cada professor obteve, tanto na condição de aluno quanto do seu cotidiano como docente. Trata-se de um saber tácito que raramente é problematizado, mas que exerce uma enorme influência na identidade e no modo de ser de cada professor. Os saberes do conhecimento dizem respeito ao sistemático processo de assimilação de conteúdos adquiridos no processo de profissionalização e que, muitas vezes, são transmitidos de forma mecânica no exercício da docência. Os saberes pedagógicos referem-se ao complexo processo de mediação entre os saberes da experiência e os saberes do conhecimento. (PIMENTA, 2008, p. 20-28) Não se trata de uma simples aplicação automática de um saber didático, mas de um complexo processo que envolve “a problematização, a intencionalidade para encontrar soluções, a experimentação metodológica, o enfrentamento de situações de ensino complexas, as tentativas mais radicais, mais ricas e mais sugestivas de uma didática inovadora” (PIMENTA, 2008, p. 27). O saber pedagógico trata da ação do docente, ou seja, não é um saber que pode ser incorporado com o domínio de técnicas ou tecnologias pedagógicas. Ele exige um processo permanente de reflexão do professor sobre o seu próprio fazer pedagógico, sobre suas atitudes diante de conflitos e situações-problema que surgem no dia a dia da sala de aula. Não é um saber da experiência (senso comum) incorporado acriticamente; tampouco é um saber científico incorporado norol de conhecimentos da ciência pedagógica e é por isso que os saberes pedagógicos são tão difíceis de serem assimilados, constituídos eressignificados. Nesse sentido, os saberes pedagógicos, dentro do contexto da formação continuada de professores no cenário da educação inclusiva, acabam se tornando um elemento frágil de ser desenvolvido e aperfeiçoado pelos docentes em seu dia a dia em sala de aula, pois exigem reflexão, auto-avaliação e transformação da própria docência em objeto de pesquisa. Referindo-se a essa condução de reflexões é que se percebe que a metodologia de investigação-ação trata de forma especial os saberes pedagógicos apresentados por Pimenta (2008), pois, por intermédio do conhecimento e da implantação desse método, os docentes terão a possibilidade de problematizar, de encontrar novos caminhos para os problemas decorrentes do ensino e de aprendizagem, sendo capazes de refletir sobre as ações práticas desenvolvidas por eles mesmos. Cabe ressaltar que há uma grande resistência por parte dos docentes em tornar sua prática pedagógica um possível objeto de investigação. Essa resistência dos docentes em compreender sua prática pedagógica refletindo sobre ela acaba tornando-se fator negativo para uma efetiva formação continuada na qual se almeja a qualidade do ensino para todos e, por conseguinte, uma eficácia da aprendizagem. Sabe-se que, dentro do cenário das instituições de ensino, muitos são os fatores que conduzem ou que possibilitam que o trabalho do próprio docente seja precarizado. Pode-se dizer que os docentes, dentre tantos outros fatores e categorias, podem se caracterizar como aqueles que dão a possibilidade de iniciar a renovação dos processos de inclusão escolar. Buarque já lhes fazia um apelo, dizendo que: Por favor, aceitem o risco de ser professores num tempo que o conhecimento muda a cada instante, exigindo dedicação para acompanhar as mudanças contínuas. Aceitem com audácia esse desafio, e sigam rumo à criação de novas maneiras de conhecer, por mais efêmeras que sejam . Baseando-se no pedido do autor, percebe-se a reafirmação da importância do docente nesse contexto da inclusão escolar, bem como sua audácia em encarar ou buscar novos desafios, novos caminhos a serem trilhados para que seu ensino alcance uma determinada qualidade – abrangendo a todos. Pensando nisso, a metodologia de investigação-ação apresenta-se como um dos possíveis caminhos que poderá conduzir à renovação da formação continuada dos docentes das instituições dentro desse cenário globalizado e de inclusão. Diante desses desafios, inerentes à profissão docente, efetivar as inovações na maneira de realizar o ensino implica investir na formação continuada, na formação pedagógica dos professores. Cabe ressaltar, sobre a investigação-ação, que seus esforços não estão voltados para a redução do processo educativo à mera instrução, à transmissão de certos conteúdos já pré- selecionados. Sua implantação está relacionada a um trabalho investigativo, buscando estratégias através de atos reflexivos, os quais são capazes de contribuir para a permanente construção da identidade dos docentes. Portanto, a metodologia de investigação-ação poderá ser a impulsionadora da renovação dos paradigmas de inclusão, sendo essa uma proposta desafiadora, mas, ao mesmo tempo, oportunizadora de conhecimentos novos e da percepção das ações realizadas no dia a dia em sala de aula, tornando o docente um investigador, um observador das suas próprias ações, tendo a reflexão como uma das principais ferramentas a ser utilizada na sua reprofissionalização para que a inclusão aconteça de fato. Deficiência intelectual: algumas reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem Acreditava-se que pessoas com deficiência intelectual não aprendiam os conteúdos acadêmicos ensinados na escola. Por isso, a educação delas era pautada na crença de que só teriam acesso a aprendizagens relacionadas a atividades da vida diária (autocuidado e segurança), algumas habilidades sociais, de lazer e de trabalho supervisionado, ou pouco mais. Aos poucos, felizmente, a ideia e a vergonha do deficiente foram sendo substituídas pela esperança e possibilidade de aprendizagem. Portanto, este estudo tem como objetivo refletir sobre a importância de desenvolver um trabalho eficaz com a criança com deficiência intelectual para que ela tenha sucesso no processo ensino-aprendizagem. Visa, também: a) mostrar que o processo de inclusão ainda representa um desafio para toda a comunidade escolar; b) possibilitar ao professor um melhor entendimento sobre sua imprescindível tarefa no processo de construção do conhecimento. Sendo assim, o professor tem que se predispor a criar novas aprendizagens, aceitar este novo desafio, e, acima de tudo, amar sua tarefa de educar e participar ativamente do processo de aprender a apreender. O que é deficiência intelectual A deficiência intelectual resulta, na maioria das vezes, de uma alteração no desempenho cerebral, provocada por fatores genéticos, distúrbios na gestação, problemas no parto ou na vida após o nascimento. Um dos maiores desafios enfrentados pelos pesquisadores da área é que, em grande parte dos casos estudados, essa alteração não tem uma causa conhecida ou identificada. Muitas vezes não se chega a estabelecer claramente a origem da deficiência. Os fatores de risco e causas que levam à deficiência intelectual podem acontecer em três fases: pré-natal, perinatal e pós-natal. Na fase pré-natal, os fatores que acometem o bebê, desde o momento da concepção até o início do trabalho de parto, podem ser: genéticos, alterações cromossômicas (numéricas ou estruturais) que provocam a Síndrome de Down, ou alterações gênicas (erros inatos do metabolismo), provocando fenilcetonúria, entre outras. O tabagismo, o alcoolismo, o consumo de drogas, efeitos colaterais de medicamentos teratogênicos (capazes de provocar danos nos embriões e fetos) também são fatores que afetam o complexo materno-fetal. Há, também, doenças maternas crônicas ou gestacionais (como diabetes mellitus), doenças infecciosas na mãe que podem comprometer o feto: sífilis, rubéola, toxoplasmose e desnutrição materna. Na fase perinatal, os fatores que acometem o bebê do início do trabalho de parto até o seu 30º dia de vida incluem hipóxia ou anoxia (oxigenação cerebral insuficiente), prematuridade e baixo peso (pequeno para idade gestacional - PIG) e icterícia grave do recém-nascido (kernicterus). Do 30º dia de vida do bebê até o final da adolescência (fase pós-natal), os fatores incidentes são desnutrição, carência de estimulação global, infecções: meningites, sarampo, intoxicações exógenas (envenenamentos provocados por remédios, inseticidas, desidratação grave, produtos químicos como chumbo, mercúrio) ou, ainda, acidentes de trânsito, afogamento, asfixia, choque elétrico, quedas, etc. Principais tipos de deficiência intelectual Há inúmeros fatores que podem causar a deficiência intelectual. Entre eles destacam-se as desordens do desenvolvimento embrionário, as alterações cromossômicas e gênicas, assim como outros distúrbios estruturais e funcionais que reduzem a capacidade do cérebro. social comportamento comprometimento ocular atípico. b) Síndrome do X-Frágil – alteração genética que provoca atraso mental. A criança apresenta orelhas grandes ou salientes, face alongada. Apresenta, também, a) Síndrome de Down – alteração genética que ocorre na formação do bebê, no início da gravidez. O grau de deficiência intelectual provocado pela síndrome é variável, e o coeficiente de inteligência (QI) pode variar e chegar a valores inferiores a 40. As interações sociais podem se desenvolver bem, no entanto, podem aparecer distúrbios como hiperatividade, depressão, entre outros. A linguagem fica mais comprometida, masa visão é relativamente preservada. Síndrome de Prader-Willi – a idade do paciente pode variar o quadro clínico. No período neonatal, a criança apresenta severa hipotonia muscular, baixo peso e pequena estatura. Em geral, são verificados nela problemas de aprendizagem e dificuldade para pensamentos e conceitos abstratos. Síndrome de Angelman – este distúrbio neurológico causa deficiência intelectual, epilepsia, comprometimento ou ausência de fala, atraso psicomotor, andar desequilibrado, com as pernas afastadas e esticadas, sono entrecortado e difícil, alterações no comportamento, entre outras. e) Síndrome de Williams – é a alteração genética que causa deficiência intelectual de leve à moderada. Compromete a capacidade visual e espacial em contraste com um bom desenvolvimento da linguagem oral e na música. f) Erros inatos de metabolismo (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, etc.) – são alterações metabólicas, em geral enzimáticas, que normalmente não apresentam sinais nem sintomas sugestivos de doenças. Detectadas pelo Teste do Pezinho, quando tratadas adequadamente, podem prevenir o aparecimento de deficiência intelectual. Alguns achados clínicos ou laboratoriais que sugerem esse tipo de distúrbio metabólico: falha de crescimento adequado, doenças recorrentes e inexplicáveis, convulsões, atoxia, perda de habilidade psicomotora, hipotonia, sonolência anormal ou coma, anormalidade ocular, sexual, de pelos e cabelos, surdez inexplicada, acidose láctea e/ou metabólica, distúrbios de colesterol, entre outros. Deficiência intelectual X doença mental Muitos confundem deficiência intelectual e doença mental. Cabe, aqui, esclarecer que são duas coisas bem diferentes. Na deficiência intelectual existe um comprometimento cognitivo que acomete a pessoa antes dos 18 anos e que prejudica suas habilidades adaptativas. Ou seja, é observado um atraso no seu desenvolvimento, dificuldades para aprender e realizar tarefas do dia a dia e interagir com o meio em que vive. A doença mental engloba uma série de condições que causam alteração de humor e comportamento, as quais podem afetar o desempenho da pessoa na sociedade. Essas alterações acontecem na mente da pessoa e causam uma alteração na sua percepção da realidade. É, resumidamente, uma doença psiquiátrica que deve ser tratada com uso de medicamentos específicos para cada situação – receitados por um especialista. Características da deficiência intelectual As principais características são, segundo Rodrigues, a falta de concentração, entraves na comunicação e na interação, além de uma menor capacidade para entender a lógica de funcionamento das línguas, por não compreender a representação escrita ou necessitar de um sistema de aprendizado diferente. Na área motora, se a deficiência intelectual for leve, o aluno apresentará apenas algumas alterações na motricidade fina; já, em casos mais graves, pode apresentar dificuldades no equilíbrio, coordenação, locomoção e em manipular objetos. Enquanto que, na área cognitiva, por sua vez, o aluno possui mais dificuldades para se concentrar, para memorizar e para solucionar problemas. O processo de aprendizagem será mais lento do que o de colegas sem deficiências, mas pode atingir os mesmos objetivos escolares. Outra área afetada pode ser a da comunicação, através de dificuldades para falar e ser compreendido. Este fator pode ocorrer por falta de estímulos ambientais. A área sócio educacional também pode ser comprometida. A diferença entre idade mental e cronológica faz com que a capacidade de interagir socialmente diminua. Esse fato piora quando o aluno é colocado em turmas com igual idade mental, porém, é por meio da interação com pessoas com idade cronológica igual que se desenvolverá mais, adquirindo valores, comportamentos e atitudes de seu grupo. Diagnóstico De acordo com Almeida, deficiência intelectual ou atraso cognitivo diagnostica-se segundo a observação do funcionamento cognitivo ou intelectual, capacidade do cérebro da pessoa para aprender, pensar, resolver problemas, encontrar um sentido no mundo e o funcionamento ou comportamento adaptativo: competência necessária para viver com autonomia e independência na comunidade em que se insere. O aluno com deficiência intelectual Cerca de 2,5 milhões de brasileiros têm alguma deficiência intelectual. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a limitação da inteligência não impede essas pessoas de estudarem, trabalharem e terem uma vida normal. O responsável por isso, na maioria das vezes, é o preconceito. A inclusão da pessoa com deficiência na escola é, sem dúvidas, um grande desafio que envolve pais, alunos e todos os profissionais de educação que fazem parte do contexto do aluno. Por causa da legislação que obriga as escolas a aceitarem qualquer estudante no ato da matrícula, uma série de professores enfrenta questões completamente novas em sala de aula – para atender às demandas específicas de um aluno com deficiência e, ao mesmo tempo, dividir a atenção com o restante da classe. Pessoas com deficiência intelectual também são educáveis, apesar de pensamentos contrários que lhes atribuem apenas uma educação voltada para desenvolverem hábitos de autonomia e independência. Neste caso, definir bem o papel que cada um tem na interação com o deficiente intelectual é fundamental para que favoreça sua educação integral, ou seja, proporcione a essas pessoas possibilidades de se desenvolverem por si mesmas, sem que haja superproteção, o que é comum entre familiares que, no intuito de auxiliar e acolher, acabam por torná-los dependentes e com pouca iniciativa. É necessário, também, definir o papel da escola – de propiciar condições de aprendizagem sem levar em conta a gravidade do déficit. Fierro entende que certas aprendizagens, em especial de autonomia, as crianças costumam adquirir por meio de uma aprendizagem casual e espontânea, mas, para crianças com deficiência, é preciso cooperação da escola para que a aprendizagem seja mais eficaz, ou seja, um complementar o outro em benefício do desenvolvimento do deficiente. Orientações para professores Segundo Rodrigues, alunos que apresentam dificuldade de concentração precisam de um espaço organizado, do estabelecimento de uma rotina, atividades lógicas e regras. Como a sala de aula tem muitos elementos, fica mais difícil manter o foco. Por isso, o ideal é que as aulas tenham um início prático e instrumentalizado. O ponto de partida deve ser algo que mantenha o aluno atento, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeça, jogo da memória e imitações de sons ou movimentos do professor ou dos colegas. Também é importante adequar a proposta à idade e, principalmente, aos assuntos trabalhados em classe. A tarefa deve começar tão fácil quanto seja necessário para que ele perceba que consegue executá-la, mas sempre com algum desafio. Quanto à integração escolar de pessoas com déficit mental, as aprendizagens são raramente abordadas conforme o que é próprio à idade cronológica normal. A valorização dos papéis sociais compreende o aprimoramento da imagem social e o desenvolvimento de habilidades pessoais. Dificilmente a educação das pessoas com deficiência intelectual adapta o objeto de aprendizagem às características do funcionamento mental que são próprias desses alunos. Devem corresponder, como as pessoas normais de sua idade, às expectativas da escola, ou seja, de um meio cognitivo que não está previsto para eles e, às vezes, nem mesmo para seus pares, sem deficiências. O educador deve buscar promover a autonomia das pessoas com deficiência, usando habilidades intelectuais alternativas, ou seja, comportamentos que são compatíveis com a capacidade intelectiva de cada sujeito, em um dado momento e perante um determinado conteúdo. Não se trata de selecionar habilidades intelectuaisdentre aquelas que são comuns às que as pessoas empregam para se ajustar aos desafios da vida acadêmica, social, do trabalho e do lazer. O importante é valorizar todo e qualquer nível de desempenho cognitivo e considerar o processo pelo qual a habilidade é exercida, para atingir um determinado fim. Deficiência visual: práticas pedagógicas Para incluir um aluno com deficiência visual (DV) em uma escola regular, necessita-se, primeiramente, conhecer como é essa deficiência e quais as estratégias que deverão ser utilizadas para facilitar a vida desse sujeito. Esse aluno precisa de um atendimento especial devido ao fato de possuir limitações que o impedem de levar uma vida normal. Por isso, as escolas devem estar preparadas para atender a esse público, possuindo materiais e espaços adequados e, ainda, contar com profissionais especializados que viabilizem a construção do conhecimento e do desenvolvimento de suas potencialidades, preparando esse educando para a vida e para a convivência em sociedade. Conceito Define-se deficiência visual (DV) como perda parcial ou total da visão. Por existirem diferentes graus da perda da visão, é importante esclarecer que o termo “cegueira completa” é a deficiência que envolve a ausência total visão, ou seja, a pessoa não consegue mais visualizar nada, nem mesmo a luz, e essa deficiência não pode ser corrigida nem com o uso de lentes, enquanto que a pessoa que ainda possui algum resquício de visão pode ser denominada pessoa com cegueira parcial, baixa visão ou com visão subnormal. De acordo com o Decreto nº 3.298/99 e o Decreto nº 5.296/04, a cegueira é a acuidade visual igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; já, na baixa visão, a acuidade visual fica entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica. As pessoas com baixa visão são aquelas que possuem um comprometimento do seu funcionamento visual e, mesmo usando óculos comuns, lentes de contato, ou implantes de lentes intraoculares, não conseguem ter uma visão nítida. Podem, também, ter sensibilidade ao contraste, percepção das cores e intolerância à luminosidade, dependendo da patologia causadora da perda visual. Segundo o Censo Demográfico 2010, mais de 45,6 milhões de brasileiros declararam ter alguma deficiência, o que representa 23,9% do total da população do país. Esse número é bastante elevado, considerando que grande quantidade dessas pessoas está frequentando as escolas. (IBGE) Dentre os percentuais de pessoas com alguma deficiência, a deficiência visual foi a que mais se destacou, apresentando maior ocorrência e – num total de 35,7 milhões de pessoas –, afetando 18,6% da população brasileira que afirmaram ter dificuldade para enxergar, mesmo com óculos ou lentes de contato. A importância da visão A visão é um dos sentidos que nos ajuda a compreender o mundo à nossa volta, ao mesmo tempo em que nos dá significado/e permite significar os objetos, conceitos e ideias. As informações são captadas pelo olho, que envia para o cérebro, o qual processa a informação recebida pelo sistema nervoso central. Dessa forma, é interpretada, codificada e assimilada, proporcionando o acúmulo de conhecimentos que serão associados a outras experiências vividas. Com isso, podemos concluir que a visão é uma das formas de adquirirmos conhecimento e, para isso, utilizamos a memória visual, da qual nos apropriamos quando absorvemos informações do mundo exterior através de imagens ou elementos visuais. Para Gesell e Amatruda, a percepção visual está profundamente integrada a todos os sistemas infantis, influenciando na postura, aquisição de habilidades motoras, cognição e personalidade da criança. O autor considera também que o sinergismo entre as ações globais da criança é fundamental para o seu desenvolvimento harmônico. Quando somos desprovidos da visão, necessitamos aguçar os outros sentidos para compreender o mundo que nos cerca. Geralmente a pessoa cega tem sua audição e o tato bem mais desenvolvidos, pois esses, entre outros sentidos remanescentes, é que auxiliarão no processo de aprendizagem e reabilitação. Causas Como já foi mencionado anteriormente, a deficiência visual é a perda total ou parcial da visão. Pode ser de origem congênita ou adquirida por causas orgânicas ou acidentais. São muitas as doenças que podem provocar algum dano na acuidade visual. As doenças congênitas mais frequentes são: - a retinopatia (imaturidade da retina); - corioretinite (ocorre por causa da toxoplasmose na gestação); - catarata congênita (devido a infecções na gestação, rubéola, ou, ainda, à hereditariedade); - glaucoma hereditário); congênito (por infecção ou - atrofia ótica por problemas no parto (infecções perinatais); Outra forma de adquirir deficiência visual é devido ao fato de a pessoa ter uma doença que provoca essa perda, como: diabetes, descolamento da retina, glaucoma, catarata, degeneração senil ou traumas oculares. Diabetes Acontece porque o pâncreas não pode mais produzir o hormônio insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo. O descontrole da diabetes provoca fissuras (microaneurismas) nos vasos da retina, por onde passam líquidos ou gorduras e o próprio sangue, sendo que se depositam entre as camadas da retina, comprometendo as funções visuais até provocar a cegueira. Glaucoma - deficiência visual cortical (encefalopatias ou alteração no sistema nervoso). - degenerações retinianas (doenças hereditárias ou diabetes); Na maioria das vezes o glaucoma está relacionado aos danos causados no nervo óptico, causando o aumento da pressão ocular. A parte frontal do olho é preenchida por um fluido claro, chamado de humor aquoso. Esse fluido é constantemente produzido na parte posterior do olho. Qualquer evento que diminua ou bloqueie o fluxo desse fluido para fora do olho provoca o aumento da pressão ocular, que irá causar muito desconforto e a perda gradativa da visão. Deslocamento da retina É a separação da retina da parte subjacente que a sustenta. É a separação da membrana fotossensível na parte de trás do olho (a retina), das suas camadas de suporte. Quando houver o deslocamento da retina, o sangramento dos pequenos vasos sanguíneos que a drenam pode obstruir o interior do olho, que, normalmente, é preenchido com o gel vítreo e, com isso, a visão central fica gravemente afetada. Catarata Caracteriza-se pela opacidade total ou parcial do cristalino do olho. Pode, assim, provocar: - acuidade visual; - sensação de visão nublada; - sensibilidade à luz; - alteração na visão das cores; - mudanças frequentes na refração. Essa doença pode ter origem congênita; pode ser provocada por alguma doença que a mãe adquiriu na gestação, como é o caso da rubéola, ou devido à falta de nutrientes suficientes para o bebê. Porém, a catarata mais comum é a que ocorre na fase senil do ser humano, geralmente após os 55 anos de idade. Nesse período também pode surgir a degeneração macular, que provoca: - visão borrada; - manchas no centro da visão; - enxergar as cores desbotadas ou linhas distorcidas; - dificuldades para a leitura. Se essas doenças não forem diagnosticadas a tempo, podem provocar a perda total da visão, porém, se forem detectadas precocemente, existem os tratamentos curativos. A deficiência visual e a escola Historicamente as pessoas com deficiência passaram por um processo discriminatório e foram excluídas da sociedade, nem sempre podendo frequentar as escolas. Esse quadro felizmente vem mudando através dos tempos e, por meio de diversas lutas, elas vêm conquistando seus espaços, seus direitos e, principalmente, o respeito, sendo valorizadas pelo seu potencial e pelas suas habilidades.Para que, cada vez mais, as pessoas com deficiência conquistem seu espaço, as escolas vêm contribuindo, dando apoio, estimulando e incentivando essas pessoas, especialmente para adquirirem conhecimentos profissionalizantes. Segundo a Cartilha das Diretrizes Nacionais, a educação é o principal alicerce da vida social. Ela transmite e amplia a cultura, estende a cidadania, constrói saberes para o trabalho. Hoje em dia é mais comum às escolas receberem alunos com alguma dificuldade visual ou com cegueira total, por isso deverão estar preparadas com Tecnologias Assistivas e equipamentos especiais, bem como possuir profissionais especializados nessa área para prestar atendimento aos alunos com essa necessidade específica. A seguir serão dadas algumas dicas e métodos que poderão auxiliar na tarefa de ensinar os alunos que possuem DV. É sempre importante que, ao pensar em práticas e atividades pedagógicas que serão desenvolvidas no ambiente escolar, o professor converse com a família e observe quais são as necessidades do aluno com essa deficiência. Se o aluno estiver ingressando no período escolar, realize testes com diferentes recursos, métodos e materiais. Com o passar do tempo, o estudante com deficiência visual indicará qual a melhor abordagem para seu aprendizado. Cegueira: práticas pedagógicas Vimos que a cegueira é caracterizada como sendo a ausência total da visão até a perda da projeção de luz, por isso o processo de ensino-aprendizagem ocorre estimulando os demais sentidos remanescentes (audição, tato, olfato e paladar). Para a pessoa aprender a ler e escrever, existe o sistema braille, que é o principal meio de aprendizagem e comunicação escrita. Percebe-se que os alunos cegos se beneficiam demais desse recurso, pois, após adquirir habilidades nesse sistema de escrita, tornam-se independentes no processo da aprendizagem, bastando apenas que lhes seja fornecido o material adaptado. Recursos pedagógicos Os recursos pedagógicos servem para auxiliar as pessoas com deficiência em sua aprendizagem, proporcionando-lhes autonomia, garantindo-lhes a independência na realização das tarefas rotineiras. O sistema braille foi desenvolvido por um jovem francês – Louis Braille – a partir de um sistema sonográfico de leitura e escrita utilizado pelo exército francês para a comunicação noturna entre os soldados. Em 1825, Louis Braille apresentou sua primeira proposta da adaptação desse sistema, porém, somente em 1837, após muitos anos de estudo e adaptações, a versão definitiva foi aceita e é a que vendo sendo utilizada atualmente. O sistema braille é um sistema de leitura e escrita tátil constituído por 63 sinais formados a partir da combinação de 6 pontos em relevo dispostos em duas colunas de 3 pontos, configurando não apenas as 26 letras do alfabeto, como todos os acentos, a pontuação, números ou símbolos matemáticos e químicos. Cada sinal ocupa um espaço denominado cela braille e é percebido e identificado pelo tato. Alfabeto Para a produção do braille são utilizados alguns recursos tecnológicos como: regletes e punções, máquina de escrever, impressoras. A reglete é composta por duas placas de metal ou plástico, do tamanho de pequenas réguas escolares, fixas uma na outra por meio de uma dobradiça na lateral esquerda e com um espaço entre elas para permitir a introdução de uma folha de papel. A punção é composta de uma ponta côncava de metal apoiada em uma haste de madeira ou plástico e serve para dar o relevo aos pontos. Por ser de pequeno porte é fácil de ser conduzida e, por isso, dizemos que esses instrumentos são comparados com o lápis ou a caneta das pessoas cegas. O sistema de escrita braille se processa da seguinte forma: ao introduzir a punção dentro de cada retângulo vazado da placa superior da reglete, pressiona- se a folha de papel entre as duas placas contra os pontos côncavos dispostos na placa inferior para formar o símbolo braille correspondente às letras, números ou qualquer outro caractere que se deseja escrever. Com a folha virada do lado contrário ao que foi inserido na reglete, os deficientes visuais conseguem identificar, por meio da leitura tátil, os pontos em relevo formados com a pressão exercida pela punção na folha de papel. A dificuldade encontrada nesse sistema de escrita é que cada ponto deve ser executado um a um e de forma inversa à leitura. Reglete e punção A máquina Perkins é constituída de nove teclas, sendo uma tecla de espaço, uma tecla de retrocesso, uma de avanço de linha e seis teclas equivalentes aos pontos. Nessa máquina, a pressão dos pontos é de baixo para cima e a combinação dos pontos de cada caractere é executada simultaneamente, facilitando, assim, o processo da escrita. Máquina de escrever em braille A impressora braille serve para a reprodução dos documentos em braille. O processo de impressão é rápido e preciso, pois todo o documento que está em formato de texto é transferido para essa impressora. Os dados são transmitidos para um papel com textura mais grossa e, geralmente, são utilizados em formulários contínuos. Existem impressoras braille que permitem a impressão em tinta e em braille ao mesmo tempo, o que facilita aos usuários videntes e não videntes identificar o conteúdo dos documentos. Também há as impressoras que imprimem nos dois lados do papel; essa impressão é chamada de interpontos, sendo que o ponto impresso de um lado não coincide com o ponto saliente do outro. Impressoras em braille Para a leitura em braille, as pessoas cegas utilizam a ponta do dedo indicador e a leitura se faz da esquerda para a direita. Esse processo requer habilidade nas mãos, sensibilidade e destreza. Leitura em braille O sorobã – ou ábaco – é outro recurso que auxilia as pessoas com DV nas questões educacionais. É um aparelho de cálculo, formado por contas, usado já há muitos anos no Japão pelas escolas, casas comerciais e engenheiros. Com esse aparelho podemos realizar as operações matemáticas com rapidez e eficiência. É uma ferramenta muito importante para as pessoas com deficiência visual aprenderem matemática, pois, além de ser de baixo custo, pode ser facilmente operada. Os professores estão utilizando esse recurso para a complementação dos cálculos matemáticos em suas aulas. A portaria nº 1.1010 de maio de 2006, publicada no Diário Oficial da União em 11 de maio de 2006, institui o sorobã “[...] como um recurso educativo específico como imprescindível para a execução de cálculos matemáticos para alunos com deficiência visual” (2006). Sorobã Necessidades estudantis de um aluno com DV Para facilitar o processo de ensino-aprendizagem dos alunos com DV, deve- se entender que a pessoa cega não vive isolada. Elas percebem e interpretam as informações como qualquer outra pessoa a partir dos demais sentidos remanescentes, portanto, sempre lhes forneça materiais táteis com diferentes tipos de texturas, que facilitam a identificação do objeto de estudo através do toque dos dedos. Para que o aluno se sinta confortável em sala de aula, a primeira atitude a ser tomada é indicar-lhe as distâncias dos objetos e ambientes em metros quando houver necessidade e sempre identificar de modo claro as direções que o aluno cego deve seguir, como, por exemplo, “à direita”, “à esquerda”, “para cima”, “para baixo”, etc. Evite termos vagos, como: “por aqui”, “por ali”, “lá”, “aqui”, etc. O aluno cego deve participar de todas as atividades propostas. Sempre que precisar, o professor deve consultá-lo sobre suas dificuldades. Fale diretamente com o aluno cego, não utilize intermediários. A pessoa cega pode ouvir e compreender normalmente as informações. As atividades práticas são muito importantes para o aprendizado dos alunos; no caso de alunos cegos, essas atividades devem ser descritase todo o material elaborado deve ser tateado pelo aluno para que possa identificar os objetos que estão sendo estudados. Como o aluno cego tem dificuldades de se situar dentro de um ambiente, é necessário deixar claro para ele todas as atividades propostas. Dessa forma, verbalize de forma clara e audível todos os procedimentos e conteúdos desenvolvidos. - Desenvolva a percepção tátil dos estudantes cegos, pois essa característica é indispensável para que eles consigam desenvolver habilidades de receber, organizar, compreender, transferir e abstrair conceitos. - Para que ele se sinta mais seguro, realize tarefas colaborativas entre os alunos, como atividades em grupos ou em duplas. Atividades desse tipo promovem a socialização e segurança do aluno em sala de aula. - Cabe ressaltar, ainda, que o aluno cego necessita de mais tempo para realizar suas tarefas, por isso disponibilize esse tempo para ele, principalmente na realização de provas ou tarefas mais elaboradas. - Sempre adapte as atividades escolares de modo a torna-las divertidas, proporcionando a oportunidade de descoberta e estímulo dos vários sentidos, como o tato, o olfato, a audição e o paladar. - Verbalizar o que ocorre ajuda a situar o aluno cego, proporcionando maior assimilação do que está sendo estudado. Alguns alunos sentem-se mais independentes se fizerem uso das Tecnologias Assistivas. Essas ferramentas/alternativas lhe darão o suporte necessário para que realize as tarefas sem a necessidade de um acompanhante; permita, então, que o aluno cego utilize em aula os recursos de tecnologia necessários à sua aprendizagem, como gravador, máquina de escrever em braille, calculadoras sonoras e recursos de informática como computador com leitores de tela ou ampliadores de tela (no caso da pessoa com visão subnormal). Orientação e mobilidade Para que as pessoas consigam ter uma percepção espacial do local em que estão inseridas, precisam da orientação para melhor compreender como é este espaço e, ao se locomoverem, necessitam da mobilidade. No caso das pessoas cegas, são utilizados os sentidos remanescentes para adquirir mais confiança e segurança. Como define Weishaln, orientação é o processo de utilizar os sentidos remanescentes para estabelecer a própria posição e o relacionamento com outros objetos significativos no meio ambiente, enquanto que a mobilidade é a habilidade de locomover-se com segurança, eficiência e conforto no meio ambiente, através da utilização dos sentidos remanescentes . Felippe possui a mesma opinião, dizendo que “a orientação é a capacidade de perceber o ambiente, saber onde estamos, enquanto que a mobilidade é a capacidade de nos movimentar. A visão, normalmente, é o sentido que mais diretamente colabora para a nossa orientação e mobilidade”. Esse mesmo autor afirma que a orientação para o deficiente visual é o aprendizado no uso dos sentidos para obter informações do ambiente. Saber onde está, para onde quer ir e como fazer para chegar ao lugar desejado. A pessoa pode usar a audição, o tato, a cinestesia (percepção dos seus movimentos), o olfato e a visão residual (quando tem baixa visão) para se orientar. A mobilidade é o aprendizado para o controle dos movimentos de forma organizada e eficaz . - Na avaliação de seu desempenho, possibilite diferentes instrumentos avaliativos, como provas em braille, provas orais, trabalhos expositivos. Para o deficiente visual ter uma mobilidade segura é importante e necessária uma boa orientação e, para que isso ocorra, deve ter percepção de espaço, como: distinguir os pontos cardeais, saber a distância e posição dos pontos de referência e conhecer bem o ambiente em que circula, entre outros. Segundo Gil, o desenvolvimento das habilidades de orientação e mobilidade, parte essencial do processo educacional de qualquer criança deficiente visual, precisa começar desde cedo, em casa, com o apoio dos pais. Depois, o treinamento continuará na escola, com o professor especializado. Algumas técnicas são necessárias para que a pessoa que não enxerga possa se orientar espacialmente e a introdução da bengala o mais cedo possível é essencial, pois, assim, o indivíduo pode ter mais segurança e ter uma melhor postura. Com a bengala, o cego pode fazer a varredura de onde está se locomovendo, perceber objetos no meio do caminho, ter a noção da dimensão de portas e, ainda, subir ou descer uma escada com o auxílio desse recurso. Segundo Bruno, “na escola, o professor poderá auxiliar o aluno a se tornar mais independente com a utilização de técnicas básicas de proteção, de coleta de informações, de rastreamento, alinhamento e a utilização de um guia vidente” (1997). Gil destaca que, se o sujeito nasce com o sentido da visão e vem a perdê- lo mais tarde, ainda retém lembranças visuais de cores, luzes e imagens, o que é muito bom para a readaptação. Baixa visão: práticas pedagógicas É um certo comprometimento das funções visuais, desde a percepção de luz até a redução da acuidade e do campo visual, as quais interferem ou limitam a execução de tarefas e o desempenho geral. Os alunos com baixa visão, apesar de possuírem algum resquício visual, também possuem bastante dificuldade para executar as tarefas e estudar. Para esses alunos, as práticas pedagógicas diferenciam-se um pouco daquelas utilizadas para os alunos cegos. O processo educativo de alunos com baixa visão ocorre, principalmente, por meios visuais, ainda que seja necessária a utilização de recursos específicos, como lupas manuais e eletrônicas, controle da iluminação dos ambientes, materiais adaptados, com ampliação ou mudanças no contraste. Podemos dizer que cada aluno com baixa visão tem uma visão funcional variada; logo, as adaptações e recursos utilizados são específicos para ele. Os casos não são iguais. Na questão da leitura e escrita, as dificuldades encontradas são a do tamanho das letras e das figuras, as quais devem possuir cores contrastantes e contornos perceptíveis. Utilize melhor relação de contraste na elaboração do material escrito (Ex.: preto no branco, amarelo no azul...) e sempre providencie material impresso com letras ampliadas, de acordo com as necessidades estabelecidas pelo aluno. Procure utilizar sempre fontes limpas e sem serifa. Fontes com serifa possuem prolongamentos que dificultam a leitura por quem possui baixa visão. Exemplo: Fonte com Serifa Fonte sem Serifa Podemos dizer que as aulas se tornaram mais agradáveis com a introdução das mídias e a informatização dos conteúdos, porém se deve prever quais as adaptações precisam ser feitas para que o aluno com baixa visão acompanhe essas aulas expositivas. Nesse caso, na apresentação de material audiovisual (vídeos, cartazes, apresentações...), verifique o que o estudante consegue enxergar; do contrário, forneça informações para que ele possa compreender o conteúdo e realizar as atividades. Uma das estratégias para facilitar que o aluno veja com maior nitidez é posicioná-lo em um local à frente, próximo ao professor ou à localização dos recursos/ferramentas, na sala de aula, para que ele visualize melhor o quadro e o professor. Permita ao aluno escolher se prefere sentar no centro ou nos cantos frontais da sala. Procure deixar claro para o aluno que ele pode se aproximar da lousa, tirar dúvidas ou pedir para diminuir o ritmo sempre que for necessário. Escreva no quadro em tamanho grande e dê preferência para letra de fôrma, já que a letra cursiva tende a ocasionar dificuldades aos alunos com baixa visão. Caso for necessário, sugira que um colega dite o conteúdo apresentado na lousa. Isso auxilia a socialização do aluno, permite que ele acompanhe o ritmo da turma e melhore a assimilação do conteúdo. Alguns recursos de Tecnologia Assistiva podem auxiliar esses alunos a visualizar melhoro conteúdo, como: o uso de lupas manuais ou os ampliadores de tela para suas leituras no papel e no computador. E se a sala possuir uma boa iluminação, isso facilitará a visualização do material escrito, por isso atente em disponibilizar a luminosidade necessária, de maneira que a mesma não seja insuficiente ou provoque reflexo. Como realizado com os alunos cegos, verbalize de forma clara e audível todos os procedimentos e conteúdos desenvolvidos. Verbalizar o que ocorre ajuda a situar o aluno com baixa visão, proporcionando maior assimilação do que está sendo explicado. Forneça ao aluno material diferenciado quando necessário, como, por exemplo, lápis 6B ou 4B, canetas pretas, cadernos com pautas mais escuras e largas. Todo o material que for entregue para esse aluno deve ter a letra ampliada, inclusive as avaliações escritas, textos didáticos e livros. A ampliação adequada dos materiais reduz a necessidade do aluno de ter de forçar seu resíduo visual ou ter de se curvar para realizar a leitura. Quando necessário, ofereça mais tempo ou duas etapas para que o estudante possa realizar as tarefas propostas. A acessibilidade deve estar presente em todos os espaços da escola, por isso, se os recados gerais da instituição forem disponibilizados em murais, esses devem ser ampliados e posicionados em uma certa altura próxima aos olhos (contato visual direto) para que o aluno consiga enxergar sem precisar de ajuda. A acessibilidade das escolas é necessária para todos os alunos, mas, ao se tratar de aluno com baixa visão, as indicações devem ser bem visuais/nítidas. Se a escola possuir portas de vidro transparente, sinalize-as com faixas adesivas de cor marcante, para que o estudante perceba a existência do vidro e não esbarre nele. Porta de vidro com tarja Deficiência auditiva A audição é um dos sentidos responsáveis pela aquisição da fala, como também pelo reconhecimento das pessoas, dos objetos, das letras e fonemas, devido à sua especialização em detectar sons. (TIENSOLI, 2007, p. 1431). Santarosa comenta que as dificuldades de comunicação e as limitações motoras constroem uma interação social marcada por obstáculos e privações, acarretando um atraso no desenvolvimento, gerando um sentimento de frustração e de confiança bastante reduzido, no entanto esses sentimentos são supridos conforme a estimulação dada a cada indivíduo, pois assim como os sentimentos, a aprendizagem varia conforme o estímulo recebido. No caso do surdo são necessários muitos estímulos, tanto externos (sociedade) como internos (família), para que a pessoa sinta-se útil e capaz, desenvolvendo, assim, sua autonomia e, consequentemente, aprimorando seus conhecimentos de vida. O surdo na escola A deficiência auditiva refere-se à perda gradativa da audição; a pessoa pouco a pouco vai perdendo sua audição até alcançar o grau da surdez, ou seja, a perda total da percepção dos sons. Segundo Rinaldi, denomina-se deficiência auditiva a diminuição da capacidade de percepção normal dos sons, sendo considerado surdo o indivíduo cuja audição não é funcional na vida comum, e parcialmente surdo, aquele cuja audição, ainda que deficiente, é fundamental com ou sem prótese auditiva. Em suma, “deficiente auditivo” e “surdez” serão conceitos utilizados para se referir a pessoas que utilizam a língua de sinais e que possuem sua própria cultura, a denominada “cultura surda”. As pessoas que optam pelo aparelho auditivo para se comunicarem são denominadas DA, consequentemente, conforme Salerno, “já escrevem ou falam bem a língua portuguesa e, por conseguinte, não usam ou não querem optar pela língua de sinais – LIBRAS” (2005, apud VALENTINI, 2009, p. 19) pelo fato de não se aceitarem como pessoa surda, e querer se igualar aos ouvintes. Essa situação é de uma forma estimulada, devido ao fato de “[...] as identidades do sujeito-surdo serem culturalmente construídas a partir da perspectiva do sujeito ouvinte. Parece haver uma intenção de inclusão do surdo na sociedade ouvinte, mas sempre no sentido de tornar o surdo um falante, [...]”, sendo que a sociedade enfatiza as diferenças e, por conseguinte, os pontos positivos e negativos dentro de um grupo social. Pensar no processo de aquisição da língua escrita por alunos surdos implica pensar na aquisição de uma segunda língua, pois, para os surdos, a língua escrita não é a mesma utilizada em sua comunicação corriqueira. Os surdos estão incluídos em outra cultura, a denominada “cultura dos surdos”, e utilizam como base a língua de sinais. A leitura da língua portuguesa para os surdos como a segunda língua é muito importante para a aprendizagem da escrita e deve estar vinculada com a língua de sinais. Conforme Farias, sendo a língua um dos principais instrumentos de identidade das pessoas, em seu sentido cultural e psicossocial, pode-se afirmar que a língua de sinais é essencial aos surdos, pois ela identifica a sua comunidade, além de permitir-lhes a aquisição de conhecimentos sobre o mundo e de fornecer- lhes toda a base linguística para a aprendizagem de qualquer outra língua. Farias afirma também que somente depois de a criança ter aprendido e ter certo domínio sobre a língua de sinais, ela poderá aprender a língua portuguesa, devido à estrutura linguística e à integração desses dois códigos linguísticos. (2004) Com isso, Perlin comenta que “devemos propor a construção de alternativas pedagógicas que se constituam em abordagens apropriadas a este espaço educacional, uma vez que o mesmo tende à diferença cultural” Práticas em sala de aula Toda pessoa tem direito à Educação. No entanto, quando falamos em aluno incluso, primeiramente devemos ter conhecimento sobre sua deficiência e buscar informações sobre as especificidades da mesma, para podermos interagir e adaptar o plano de aula e, consequentemente, a maneira de ministrarmos oralmente ou visualmente as aulas. No caso específico do aluno surdo, algumas observações no ato de ministrar as aulas são de grande valia para a contribuição do entendimento e no desenvolvimento de sua aprendizagem. Pinto traz as três metodologias utilizadas para o ensino do aluno surdo: o oralismo, a comunicação total e o bilinguismo. Oralismo Tem como foco o entrosamento do aluno surdo com crianças ouvintes, favorecendo, assim, o desenvolvimento da linguagem, com a utilização das técnicas relacionadas ao treinamento auditivo – reconhecimento e discriminação de sons ambientais e da fala; o desenvolvimento da fala – exercícios com lábios, língua, mandíbula, respiração e relaxamento; e a leitura labial – treino para a leitura labial aliado à expressão facial, valorizando a utilização da prótese auditiva (aparelho de ampliação do som de maneira individual). Comunicação total Enfatiza a utilização de qualquer forma de comunicação por uma pessoa surda, que contribua para o desenvolvimento da língua, como gestos naturais, português sinalizado, Libras, leitura labial e alfabeto datilológico. No entanto, conforme Goldfeld, “na comunicação total, o desenvolvimento da língua oral da criança surda é importante”, mas se deve levar em conta os aspectos cognitivos, emocionais e sociais na interação da criança com esse sistema, pois não se pode utilizar uma metodologia em prol da exclusão da outra, e, sim, “utilizar a linguagem oral, de sinais, datilologia ou a combinação destas”. Bilinguismo Assume a língua de sinais como primeira língua e a língua oficial do país como segunda, havendo o uso dessas duas línguas simultaneamente no processo educacional. No entanto, o ensino da língua de sinais com o da língua portuguesa escrita deve estar baseado na visão (desenho), na escrita (língua oficial do país) e nos sinais (língua de sinais), conforme figuras 1 e 2. Para contribuir para a compreensão da abordagem bilinguista, Dizeu e Caporali trazembreves explicações e diferenças sobre a aquisição da linguagem pelas crianças ouvintes e surdas, sendo que, em relação à criança ouvinte, desde seu nascimento, está exposta à língua oral, adquirindo, dessa maneira, a língua naturalmente, realizando trocas comunicativas, vivenciando situações do seu ambiente, desenvolvendo uma língua efetiva, o que não ocorre com a criança surda exposta somente à língua oral. Ambas apresentando uma aprendizagem diferenciada devido às relações e trocas comunicativas no seu ambiente, levando em conta também a estimulação interna (família) e externa (sociedade) O Decreto 5.626/2005 assinala que a educação de surdos no Brasil deve ser bilíngue, garantindo acesso à educação por meio da língua de sinais como língua de instrução e o ensino da língua portuguesa, do grupo ouvinte majoritário, como segunda língua. Portanto, conforme o Decreto, a língua de sinais deve ser aprendida em primeiro momento e, após, a língua portuguesa. Outras ações simples também podem facilitar. Segundo Ampudia, traga-o para as primeiras carteiras e fale com clareza, evitando cobrir a boca ou virar de costas para a turma, para permitir a leitura orofacial no caso dos alunos que sabem fazê-lo. Dê preferência ao uso de recursos visuais nas aulas, como projeções e registros no quadro negro. Para os alunos com perda auditiva severa ou surdez, a aquisição da Língua Brasileira de Sinais é fundamental para a comunicação com os demais e para o processo de alfabetização inicial. […]. É importante que professores da escola solicitem treinamento para aprender Libras ou peçam o acompanhamento de um intérprete em sala. Isso garante a inclusão mais efetiva dos alunos Outras possibilidades de aprendizagem, tanto para o aluno surdo, quanto para o ouvinte, seriam os Centros de atividades, ou seja, salas de aula onde são oferecidos materiais baseados em uma área de conteúdo. Lima cita alguns centros: Centro de atividades e Áreas de conteúdos - Centro de jogos dramáticos: atividades relacionadas a brinquedos que foquem a vida social da criança. - Centro de jogos e quebra-cabeça: nos seus diferentes níveis de dificuldade, baseados nas cores e formas, levando-se em conta as habilidades motoras e cognitivas. - Centro de blocos: jogos de construção. - Centro de matemática: materiais que contribuam para a interação da criança com as operações matemáticas. - Centro de ciências: experimentos simples, ligados a fenômenos da natureza, cuidados com os animais, entre outros. - Centro de água e areia: ao ar livre. - Centro de som e música: utilização de instrumentos musicais e outros, que possibilitem a emissão de sons e vibrações. - Centro de artes: pinturas e explorações de diferentes texturas. - Centro de educação física: exploração corporal. - Centro de culinária: envolvimento em projetos de culinária. Para auxiliar a aprendizagem da metodologia Bilinguista, ou seja, Libras (L1) e português (L2), será citado a questão do jogo da memória, que também pode ser utilizado no Centro de jogos, pois o jogo da memória é uma alternativa para exercitar a memorização dos sinais, relacionados com as figuras, e também a questão da escrita na língua portuguesa. O propósito do jogo é trazer o lúdico ao aluno, proporcionando uma aprendizagem significativa e, ao mesmo tempo, divertida, fazendo com que ele se concentre nessas tarefas e não disperse sua atenção. Como afirma Viana, “as situações lúdicas podem dispersar o medo de errar e a obrigação de saber, fazendo com que a aprendizagem ganhe um aliado”. Após o aluno conhecer bem a língua de sinais e se apropriar dela como sendo sua primeira língua, poderá aprender a língua portuguesa e a escrita com maior facilidade, pois, com essa interação, é fácil perceber se está havendo a troca de informações e a assimilação do conteúdo transmitido, além de que, por já haver conhecimento de uma língua, se tornam mais fáceis a compreensão e a comunicação. Conforme Veloso, “é preciso alfabetizar e letrar o surdo em Libras, para que ele adquira habilidade na escrita do português e vá além de sua mera decodificação”. Não faz parte discutir qual prática de ensino é a mais apropriada, uma vez que cada ser humano é único, e também porque a deficiência auditiva envolve muitos graus, desde o mais severo ao mais leve. Cabe ao professor, dentro de sala de aula, analisar o caso de seu aluno, buscar e adaptar estratégias junto aos Núcleos de apoio e também as salas de recursos e, se for o caso, a contratação de um Intérprete de Libras. Surdocegueira O objetivo é conceituar, com a ajuda de diversos autores, o que é a surdocegueira. Sabemos que a inclusão é um dos grandes temas da educação em nosso século e, por isso, entender e poder ajudar na educação de uma pessoa surdocega é um dos principais papéis dos educadores. Inicialmente, iremos caracterizar a deficiência, explicando de que forma pode estar presente em determinada pessoa e quais as suas implicações físicas. Será apresentado, em seguida, um pouco da história de Helen Keller, surdocega e ativista do bem-estar de deficientes, que se tornou famosa por sua determinação e força de vontade. Na quarta parte, serão abordados quais são os tipos de surdocegueira e quais são as causas, sendo elas desde doenças contraídas pela mãe durante a gravidez até doenças obtidas após o nascimento da criança. Por fim, veremos a importância da comunicação para a interação com outras pessoas e também para o aprendizado pessoal. Vários métodos podem ser utilizados, após uma breve avaliação sobre qual proporciona melhor resultado e eficácia na comunicação do surdocego. Características da surdocegueira A surdocegueira é, para Nascimento, a mistura de duas deficiências, a auditiva e a visual, mesmo não havendo uma certeza sobre qual o grau dessas deficiências em uma criança ou um adulto. Segundo Rocha, a terminologia surdocegueira ou surdocego, quando se refere à pessoa, “vem sendo frequentemente utilizada, no intuito de dissociar do conceito de múltipla deficiência que, entende ser uma associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (mental/visual/auditiva/física)”. Porém, com o objetivo de reconhecer que não se trata de um acúmulo de deficiências e, sim, de uma deficiência múltipla, novas diretrizes estão sendo instituídas junto ao Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), pois “se pressupõe que o indivíduo com deficiência múltipla constitui-se de forma diferente, singular” Uma última denominação, também utilizada por Rocha, é a do Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial, que possui sede em São Paulo e foi criado em 1997, promovendo o aprendizado de deficientes com o atendimento de profissionais especializados, surdocegos e familiares.Para o Grupo Brasil, denomina-se surdocega uma pessoa que apresente “perdas auditivas e visuais concomitantes e em diferentes graus”, fazendo, assim, com que a pessoa surdocega aprenda a “desenvolver diferentes formas de comunicação para entender e interagir com as pessoas e o meio ambiente; proporcionando-lhes o acesso a informações, uma vida social com qualidade, orientação, mobilidade, educação e trabalho”. Ou seja, nenhum surdocego é considerado igual ao outro, justamente pela diferença dos níveis das deficiências apresentadas, visto que uma pessoa pode ter uma visão muito limitada e uma perda auditiva complexa, ou alguma visão útil e nenhuma audição, ou, ainda, nenhuma visão útil e uma audição pouco útil. De acordo com Cader-Nascimento, a combinação da perda ou o comprometimento da audição e da visão conjugados, ao mesmo tempo, “acarretam sérios problemas de comunicação, mobilidade, informação e, consequentemente, a necessidade de estimulação e de atendimentos educacionais específicos”. Também para McInnes e Treffy,“a criança surdocega não é uma criança surda que não pode ver e nem um cego que não pode ouvir”. Os autores defendem que não se trata exclusivamente desse somatório de deficiências, “nem é só um problema de comunicação e percepção, ainda que englobe todos esses fatores e alguns mais” (Idem), e, sim, o agravamento dos problemas quando relacionados à “aprendizagem dos comportamentos socialmente aceitos e a adaptação ao meio” (Idem). Consoante Nascimento, “a falta dessas percepções limita a criança surdocega na antecipação do que vai ocorrer à sua volta”. A entrada da mãe no quarto do bebê, por exemplo, pode não significar tranquilidade, comida ou carinho, mas pode promover instabilidade e insegurança. Sua dificuldade na antecipação dos fatos faz com que cada experiência possa parecer nova e assustadora, como ser transportada de um lugar para o outro, sentir na boca a introdução de um alimento novo ou ser tocado repentinamente. Ainda como resultado da privação da audição e da visão, sua motivação na exploração do ambiente é proporcionalmente diminuída. Seu mundo se limita ao que por casualidade está ao alcance de sua mão e, sobretudo, a si mesmo. Outro exemplo, citado por Rocha, é o de um aceno. A forma como é chamada uma pessoa surda, que diferentemente das pessoas ouvintes, por não ouvirem, não se deve gritar e sim, tocá-la levemente no braço ou no ombro, ou acenar para ela, chamando sua atenção. Para uma pessoa surdocega, por exemplo, o fato de acenar diante dela ou somente a tocando ainda é insuficiente ou sem valor. O toque deve ser de acordo com a intenção comunicativa, se suave ou com mais precisão, e sempre precedido de uma apresentação, do interlocutor, para que ela possa antecipar e “desenhar” a imagem de quem esteja se comunicando com ela. Podemos ver que o indivíduo surdocego possui deficiência visual e auditiva, estando as duas deficiências em diferentes escalas. No próximo item, conheceremos um pouco mais sobre Helen Keller, uma das surdocegas mais famosas do mundo e ativista pelo bem-estar das pessoas com deficiência. A história de Helen Keller Helen Adams Keller nasceu no estado do Alabama, nos Estados Unidos, e aos dezoito meses de idade ficou cega e surda. Mal sabia ela que se tornaria uma das personagens famosas pelo incessante trabalho no desenvolvimento do bem- estar para pessoas com deficiência. Ela, que era descendente de uma família tradicional da região Sul dos Estados Unidos, viveu alguns anos de sua vida sem orientação, ou alguém que pudesse auxiliar na sua formação, entendendo os problemas por ela vivenciados. Pouco antes de completar sete anos de idade, Anne Sullivan, uma professora de 21 anos que havia estudado na Escola Perkins para Cegos (Perkins School for the Blind), devido à cegueira em sua infância, chegou à casa dos Keller para iniciar o processo de aprendizagem com Helen Keller. Por não possuir ensino adequado, Helen, até a chegada de Anne Sullivan, não falava e ainda não compreendia o significado das coisas. (ROSENFELD, 2012) No dia 5 de abril de 1887 Helen e sua professora estavam no quintal da casa perto de um poço, bombeando água. A professora Sullivan colocou a mão de Helen na água fria e sobre a outra mão soletrou a palavra "água", primeiro vagarosamente, depois rapidamente. De repente, os sinais atingiram a consciência de Helen, agora com um significado. A partir de então, segundo Rosenfeld, “ela aprendeu que „água‟ significava algo frio e fresco que escorria em suas mãos. A seguir, tocou a terra e pediu o nome daquilo e ao anoitecer já haviam relacionado trinta palavras aos seus significados” (2012). Depois desse grande avanço na educação de Helen, a jovem menina aprendeu os alfabetos braille e manual, o que facilitaria o processo de avanço do conhecimento da jovem surdocega. Em 1890, após surpreender sua professora, Helen deu um grande passo em sua carreira. Pediu para Anne Sullivan lhe ensinar a falar. De acordo com Rosenfeld, “sob orientação de Anne Sullivan, matriculou-se no Instituto Horace Mann para surdos, de Boston, e depois na Escola Wright-Eumason Oral, de Nova Iorque, onde, durante dois anos, recebeu lições de linguagem falada e de leitura pelos lábios”. O progresso de Helen Keller depois de frequentar as escolas de Boston e Nova Iorque foi tão expressivo, que ela escreveu um livro e passou a escrever artigos em um jornal. Segundo Rosenfeld: “Antes de formar-se, ela fez sua estreia na literatura escrevendo a sua autobiografia „A História de Minha Vida‟, publicada em 1902, e, em seguida, no jornalismo, com uma série de artigos no Ladies Home Journal”. Ainda, de acordo com Rosenfeld: Helen Keller foi, por si mesma, uma grande obra de educação, pois se dedicou ao trabalho para o bem-estar das pessoas cegas e surdocegas, influenciando na criação de legislação e serviços especializados. E por tudo isso ela foi chamada por seus amigos americanos “A primeira mulher de coragem do mundo”. Nesta seção, vimos a importância do trabalho, dos ensinamentos e, também, podemos dizer, do ativismo produzido por Helen Keller com o bem-estar e a independência dos jovens e adultos que fossem diagnosticados surdocegos. Além de ter ao seu lado os melhores educadores, vimos que a persistência e a coragem dela foram essenciais para que tudo ocorresse da maneira como ocorreu. No próximo capítulo, veremos quais são os principais causadores da surdocegueira e de que maneiras podemos lidar com essa deficiência após o diagnóstico. Tipos e causas da surdocegueira No início conceituamos o que é a surdocegueira. Vimos que não existe um surdocego que possua a deficiência com as mesmas características de outra pessoa, pois a surdez e a falta de visão podem existir em níveis diferentes. Isso varia de indivíduo para indivíduo. De acordo com Ferreira, uma das causas da surdocegueira é a rubéola contraída pela mãe durante a gravidez. Essa doença pode comprometer principalmente o sistema auditivo da criança. Além disso, conforme Silva, pode ser que a criança também “apresente catarata congênita, que pode ser corrigida cirurgicamente logo nos primeiros meses de vida. Nesse caso, a criança poderá fazer uso da visão mesmo que essa seja considerada visão sub-normal. Se bem estimulada, a visão poderá adquirir funcionalidade”. A Síndrome de Usher também tem sido uma das principais causadoras da surdocegueira pós-linguística, “que se caracteriza pela perda auditiva congênita ou logo nos primeiros anos de vida e perda visual na adolescência, ou mais tarde, como consequência da retinose pigmentar”. Outros causadores da surdocegueira, mas não tão frequentes, são: - Origem genética – Associação charge. - Origem pré-natal – incompatibilidade sanguínea. Toxoplasmose; drogas teratogênicas; - Lesões neonatais – Prematuridade; anóxia; drogas ototóxicas. - Adquiridas – Infecções; meningite; sarampo; otites graves; sífilis. - Outras – Acidentes; tumorações. Agora, veremos que a surdocegueira pode ser dividida em dois grandes grupos, também com características diversas: o surdocego prélinguístico e o surdocego pós-linguístico. Surdocego pré-linguístico O surdocego pré-linguístico se refere àqueles “que adquiriram a surdocegueira antes da aquisição de uma linguagem, seja oral ou gestual”. Para entendermos, o termo pode ser aplicado a crianças que já nasceram com deficiência visual e auditiva. Essa criança não possuía esses sentidos no processo de aprendizagem da linguagem e da fala. O surdocego pré-linguístico, conforme Silva, “pode vir a isolar-se de tal forma do meio ambiente, fugindo também da interação pessoal, o que faz surgir graves problemas de desenvolvimento global, sendo o mais importante deles o da comunicação”. Outras considerações importantes são: Considerações sobre surdocegos - Não conhecem o que está ao seu redor.- Não entendem o que se passa neste mundo. - Não entendem que fazem parte dele [do mundo]. - Precisam de uma intervenção. - Deve-se proporcionar a esta criança as informações necessárias de forma que tenham sentido para ela. - Sem esta intervenção é bem provável que o seu mundo se resuma ao seu corpo. - Não conseguem ter uma imagem real do mundo em que vivem. Ferreira acrescenta algumas características que a pessoa surdocega pré- linguística pode apresentar: Características dos surdocegos - Movimentos estereotipados de mãos e dedos. - Balanceio. - Isolamento. - Desinteresse pelo ambiente e por formas convencionais de comunicação. - Atração por locais com claridade intensa (janelas, luz solar, lâmpada, etc.). - Desinteresse por objetos e brinquedos. - Defensibilidade sensorial. - Indiferença a sons. - Levar objetos perto dos olhos. - Dificuldade na locomoção (tropeça, se bate nos móveis e pessoas). - Dificuldade para se locomover em lugares que não conhecem, ou ambiente escuro. - Contração de pálpebras na tentativa de enxergar melhor. - Dificuldade em perceber quando lhe entregam algo ou acenam ao lado. - Inclina a cabeça para olhar. - Comportamento de auto e heteroagressão. - Distúrbios na alimentação (rejeição a algumas texturas e a alimentos sólidos). Surdocego pós-linguístico O surdocego pós-linguístico se refere ao indivíduo que adquiriu a surdocegueira após já ter aprendido uma forma de linguagem. Ou seja, um indivíduo que foi acometido pela perda da visão e da audição em diferentes níveis, depois de já ter aprendido uma forma de se comunicar com as pessoas e que, portanto, já possuía uma linguagem. De acordo com Silva, outras dificuldades enfrentadas pelos surdocegos pós- linguísticos são a “locomoção e outras dificuldades para sua vida diária, quer seja na família, no estudo e em sua integração social; sendo que o mais importante, inicialmente, será a escolha da nova forma de comunicação” . Para Ferreira, alguns aspectos possuem relevância na hora da avaliação de uma pessoa surdocega pós-linguística: - Surgimento da surdocegueira; - Se as perdas são progressivas; - Existência de resíduos visuais ou auditivos; - Aceitação da nova condição – aspecto emocional; - Idade; - Nível de escolaridade; - Ambiente familiar. Formas de comunicação A comunicação para as pessoas surdocegas tem importante papel não só no relacionamento interpessoal, mas também na adaptação dela com o ambiente em que vive. Assim, a comunicação permite que ela se adapte e se integre com qualquer pessoa. Existem dois tipos de comunicação, quando tratamos de pessoas surdocegas. De acordo com Ferreira: Comunicação receptiva - Processo de recepção e compreensão da mensagem. - Permite o início da compreensão dos significados das coisas e como elas funcionam. - Com o tempo, permite à criança “prever” o que vai acontecer. - Difícil de identificar. Comunicação expressiva - Forma como expressa desejos, necessidades e sentimentos. - Formas não verbais: sorrisos, movimentos, mudanças de posição. - Compreendido por pessoas com quem tenham familiaridade. - Adultos devem comunicação. ter conhecimentos específicos sobre esse tipo de Mas, e na prática, como ocorre a comunicação de pessoas surdocegas? Primeiro, é importante avaliar a situação de cada deficiente, lembrando que a surdocegueira atinge de maneiras e formas diferentes cada ser humano. Se a pessoa surdocega ainda possui algum tipo de resíduo visual, tendo a audição comprometida completamente, e conhece os sinais ou soletra manualmente, “deve-se continuar usando como antes [os sinais], perguntado à pessoa surdocega em que posição nos vê melhor para fazer os sinais ou soletrar, levando em conta a luz e a localização do interlocutor dentro do seu campo visual”. Pensando em outra possível situação, se antes de ser surdocega a pessoa foi somente surda e, portanto, teria conhecimento da linguagem dos sinais, porém, pela atual condição da surdocegueira, não possuísse resíduo visual, “devem ser feitos os mesmos sinais descritos anteriormente e usados pelos surdos de forma tátil” . Vale lembrar que esse processo pode ocorrer tanto na mão do surdocego como de quem faz os sinais ou está soletrando. Outra possibilidade é de que a pessoa, antes de ser surdocega, tenha sido somente cega, conhecer a língua braille e “não ter resíduo auditivo funcional”; neste caso, pode ocorrer a adaptação do sistema de leitura em uma forma tátil. Duas formas são sugeridas por Serpa: - Que escreva cada ponto do braille nas três primeiras falanges dos dedos índice e médio da mão dominante, tomando cada falange como um compartimento do braille. - Pode, também, escrever na palma da mão em compartimentos imaginários. Conforme Serpa, “se a pessoa, antes de ser surdocega, foi ouvinte e vidente e conhece a leitura/escrita em tinta, recomenda-se o ensino do sistema denominado internacional ou universal descrito como alfabeto de escrita manual” (2002). De acordo com Alvarez, “este é um sistema simples que pode ser utilizado por todos e permite uma comunicação imediata, com pouca aprendizagem, só se a pessoa surdocega não conhece as letras ordinárias, como acontece com alguns cegos congênitos”. Conhecendo essas possíveis variações, convém conhecer algumas formas de comunicação para pessoas surdocegas: Alfabeto dactilológico – “Formam-se as letras do alfabeto através de diferentes posições dos dedos da mão. É similar ao alfabeto manual dos surdos, com algumas variações para uma melhor percepção tátil ao ser soletrado na palma da mão” (SERPA, 2002). É considerada uma das maneiras mais rápidas e, de acordo com Alvarez, é o modo habitual com que os surdocegos se comunicam com familiares ou conhecidos. Exemplo de dicionário dactilológico Alfabeto de escrita manual – “Consiste em usar o dedo índice da pessoa surdocega como lápis, para escrever cada letra sobre uma superfície do corpo (palma da mão) ou sobre um material externo” (SERPA, 2002). A sistemática pode ocorrer, também, segundo Serpa, por meio da “mão do interlocutor para escrever cada letra e a pessoa surdocega colocando sua mão sobre a mão de quem escreve sobre a superfície”. Comunicação através do alfabeto de escrita manual Tablitas alfabéticas – Atualmente existem dois modelos de tablitas: uma em que o contorno da letra está em relevo ou outra em que a letra está em braille. De acordo com Serpa, “o processo consiste em que o interlocutor vá indicando cada letra para formar uma palavra com o dedo do surdocego e serve tanto para transmitir mensagens como para a recepção tátil, colocando o dedo índice sobre cada letra procurada” (2002). Tablita com alfabeto e braille Meios técnicos com saída em braille – “São máquinas utilizadas pela pessoa surdocega que conhece braille. A mais conhecida é a Tellatouch, que tem na frente um teclado comum e as barras da escrita braille e, na parte de trás, um compartimento de onde sai cada letra pressionada na frente pelo interlocutor”. Assim, pode “ser lida pelo surdocego no compartimento, como um símbolo gerador em braille” (SERPA, 2002). Exemplo de Tellatouch Linguagem de símbolos ou sinais – É a linguagem construída a partir de diferentes movimentos feitos pelas mãos, “especialmente que representem palavras, números e outros códigos. É comumente usada pela população surda” Linguagem de símbolos ou sinais Tadoma – Esse método de comunicação consiste na colocação das mãos da pessoa surdocega nos chamados órgãos fono-articuladores, que são os que produzem a fala, como boca, bochechas e garganta. Dessa forma, serve “para que sintam as vibrações e as diferentes posições que estes órgãos adquirem para a produção da linguagem oral”. Geralmente é mantido um dos dedos no lábio superior de quem está falandoe outro dedo próximo às cordas vocais, para que seja sentido, através do tato, o movimento delas. Tadoma Deficiência múltipla: práticas pedagógicas Acerca da Legislação referente à deficiência múltipla, o Decreto nº 5.296, Art. 5º, determina que a deficiência múltipla é compreendida como a associação de duas ou mais deficiências simultaneamente em um indivíduo. Essa é uma definição especificamente jurídica para fins de documentações necessárias onde se pode comprovar o diagnóstico, assim como usufruir de benefícios assegurados por lei. Mas, como sabemos, cada pessoa tem suas peculiaridades e especificidades. O diagnóstico pode ser o mesmo para muitos, mas cada deficiente é único e o seu desenvolvimento vai depender de vários fatores, como outras enfermidades associadas, o seu cognitivo, o social (ambiente em que vive, família, escola), enfim, um grande número de fatores influencia na interação do deficiente múltiplo com o ambiente. Quanto às categorias da deficiência múltipla, define: FÍSICA E PSÍQUICA – são exemplos dessa condição: (a) deficiência física associada à deficiência intelectual; (b) deficiência física associada a transtorno mental. SENSORIAL E PSÍQUICA – exemplificam essa condição: (a) deficiência auditiva ou surdez associada à deficiência intelectual; (b) deficiência visual ou cegueira associada à deficiência intelectual; (c) deficiência auditiva ou surdez associada a transtorno mental. SENSORIAL E FÍSICA – são exemplos dessa condição: (a) deficiência auditiva ou surdez associada à deficiência física; (b) deficiência visual ou cegueira associada à deficiência física. FÍSICA, PSÍQUICA E SENSORIAL – são ilustrativas dessa condição: (a) deficiência física associada à deficiência visual ou cegueira e à deficiência intelectual; (b) deficiência física associada à deficiência auditiva ou surdez e à deficiência intelectual; (c) deficiência física associada à deficiência visual ou cegueira e à deficiência auditiva ou surdez. A epidemiologia da DM é originada de fatores pré- natais, perinatais ou natais e pós-natais, além de situações ambientais tais como: acidentes e traumatismos cranianos, intoxicação química, irradiações, tumores e outras . O Ministério da Educação (MEC) também se posiciona quanto aos variados sintomas e limitações que o deficiente múltiplo apresenta, bem como a preocupação que o profissional deve ter em como interagir pedagogicamente com o mesmo. Segundo o MEC: O termo deficiência múltipla tem sido utilizada, com frequência, para caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. No entanto, não é o somatório dessas alterações que caracteriza a múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas (2004). Sendo assim, deve-se obter o maior número de informações possíveis acerca das limitações das pessoas com deficiência múltipla e suas peculiaridades, não se posicionando somente de acordo com as definições preestabelecidas; precisamos conhecê-los verdadeiramente. Faz-se necessário observar e identificar as necessidades reais, inteirar-se do estado físico e psíquico do aluno, bem como interagir com os familiares. Práticas pedagógicas O desempenho e as competências de crianças com deficiência múltipla são heterogêneos e variáveis. Alunos com níveis funcionais básicos e possibilidades de adaptação ao meio podem e devem ser educados em classe comum, mediante a necessária adaptação e suplementação curricular. Outros, entretanto, com mais dificuldades, poderão necessitar de processos especiais de ensino, apoios intensos, contínuos e currículo alternativo que correspondam às suas necessidades na classe comum. O avanço das crianças com deficiência múltipla no processo de desenvolvimento e aprendizagem compreende uma ação coletiva maior e responsabilidade social compartilhada. Requer colaboração entre educação, saúde e assistência social: ação complementar dos profissionais nas diferentes áreas do conhecimento (neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia escolar) quando necessário, fornecendo informações e orientações específicas para o atendimento às peculiaridades decorrentes de cada deficiência. Os alunos com deficiência múltipla podem apresentar alterações significativas no processo de desenvolvimento, aprendizagem e adaptação social. Eles possuem variadas potencialidades, possibilidades funcionais e necessidades concretas que necessitam ser compreendidas e consideradas. Demonstram, ainda, algumas vezes, interesses inusitados, diferentes níveis de motivação, formas incomuns de agir, comunicar e expressar suas necessidades, desejos e sentimentos. Há alguns apoios que podem ser oferecidos na escola, como: promover o atendimento especializado quando necessário; estimular e apoiar a aquisição de habilidades adaptativas que contribuem para a independência e autonomia; provisão de equipamentos e materiais para atender às necessidades especiais, tais como: próteses auditivas, bengalas longas, lupas, cadeiras adaptadas, dentre outros; encorajar e ajudar nas realizações de tarefas escolares; realizar modificações no ambiente escolar e nos procedimentos diários didáticos pedagógicos que propiciem a aprendizagem dos conteúdos curriculares; posicionamento e manejo correto para evitar dores e complicações posturais. Outras questões são igualmente relevantes no processo de desenvolvimento e aprendizagem do portador de deficiência múltipla: Posicionamento: O posicionamento adequado do aluno permitirá que ele veja, ouça, alcance objetos e movimente-se nas diversas atividades. Escolha: Oportunizar o aluno a fazer escolhas proporcionará a sua maior e melhor autonomia. Comunicação: Todas as formas de comunicação devem ser usadas. Estímulo: Estimulação constante, de pessoas que se comuniquem de forma adequada e que proporcionem situações de interação. Planejamento: Planejamento de toda a aprendizagem, incluindo aspectos simples e básicos da vida diária. Contexto: Interação em ambientes naturais, incluindo pessoas e objetos; oportunidades de aprendizagem centradas em experiências de vida real; organização e estruturação dos ambientes para lhe trazer segurança. Ferramentas de apoio O aluno com múltipla deficiência ou todo aluno com uma e/ou mais necessidades específicas necessita que certas adaptações sejam feitas para que tenha um melhor desempenho na sala de aula e em outras atividades propostas. Essas ferramentas de apoio podem ser utilizadas para melhorar o desenvolvimento motor e servem, muitas vezes, como extensão do próprio corpo, possibilitando uma maior autonomia, independência e participação efetiva na aprendizagem. A esses acessórios damos o nome de Tecnologia Assistiva ou TA. O termo Tecnologia Assistiva é definido de várias maneiras, de acordo com a linha de trabalho de cada pesquisador da área. No Brasil, este termo começou a ser utilizado em 2006, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República – SEDH/PR, através da portaria nº 142, que instituiu o Comitê de Ajudas Técnicas – CAT. Dentre as diversas definições para TA, temos: Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (BRASIL – SDHPR. – Comitê de Ajudas Técnicas – ATA VII). Dentro das dificuldades e limitações do aluno com deficiência múltipla, a comunicaçãoé a mais prejudicada, e deve ser trabalhada sem descanso, para que ao menos nosso aluno possa, de alguma forma, expressar o que sente e dar um retorno quanto ao aprendizado. Estimular a comunicação, não necessariamente a fala, é de extrema importância para que o aprendizado seja efetivo e proveitoso. Como já mencionado, devemos conhecer bem nosso aluno e suas necessidades para que possamos adaptar e selecionar o recurso de TA mais adequado para suas especificidades. Há exemplos de alguns apoios que podem ser oferecidos na escola. Recursos de TA – Comunicação Aumentativa e Alternativa (Baixa Tecnologia) Estes recursos são utilizados com o intuito de proporcionar ao aluno a oportunidade de expressar o que quer e o que sente através de símbolos, gestos, fotografias, desenhos e escrita. Segundo Nunes, os Sistemas de Comunicação Alternativa (SCA) podem ser divididos em recursos de baixa e de alta tecnologia. Como exemplo de recursos SCAs de baixa tecnologia, temos os materiais mais acessíveis, como cartões, as pranchas, as pastas e outras alternativas manuais. Há SCAs de baixa tecnologia que podem ser feitos com qualquer tipo de material: os desenhos e figuras devem fazer parte do cotidiano do aluno. Para utilizálas no ambiente escolar, começamos com o que for considerado indispensável para iniciar qualquer atividade e, posteriormente, com itens mais específicos – essa questão é bem livre e muito pessoal. Quadro de fichas simbolizando atitudes rotineiras na sala de aula Conjunto de fichas simbolizando as emoções Prancha de comunicação com fichas simbolizando a rotina diária na escola Recursos de TA – Comunicação Alternativa (Alta Tecnologia) Os recursos de Alta Tecnologia são os sistemas de comunicação utilizados através de computadores; são mais elaborados, assim como as pranchas vocálicas, sistemas computadorizados com síntese de voz e demais softwares de comunicação. Existem vários equipamentos e softwares excelentes no mercado atual, como o Go Talk, que se trata de um equipamento para gravação e reprodução de áudio, muito simples e eficiente. O usuário e/ou acompanhante pode levar este equipamento para qualquer lugar. Os desenhos que visualizamos na prancha da Figura 4 com o Go Talk foram confeccionados com o software Boardmaker, um programa para criar e editar as pranchas de comunicação, que possui inúmeras funcionalidades e opções de imagens, permitindo, também, que o usuário insira suas próprias imagens. Trata-se de um software pago. GoTalk. Para o aluno que apresentar limitação no movimento das mãos, por exemplo, pode ser usado outro recurso de TA junto com as pranchas de comunicação, como a pulseira de peso, a ponteira de cabeça, o mouse de sopro, mouse de nariz. Tudo vai depender do convívio com o aluno, para perceber suas necessidades, limitações. A partir da observação, podemos identificar, selecionar e testar uma TA adequada para o seu caso. Deficiência física: enfocando a paralisia cerebral e as práticas pedagógicas A inclusão já se faz presente na maioria das escolas nos dias de hoje. Várias são as necessidades especiais que estão inseridas nesse contexto. Cada uma delas requer um estudo cuidadoso, de modo a proporcionar os melhores resultados. A partir de sua definição e classificação, apresentadas no segundo item, forma-se um quadro mais claro sobre o que se pode trabalhar nas escolas para que o aluno com DF consiga receber um atendimento adequado. Nesse mesmo sub- tema, a paralisia cerebral recebe um destaque especial. No terceiro tópico, algumas práticas pedagógicas são comentadas, abordando, principalmente, a Educação Física, bem como são sugeridas atividades que ajudam a tornar as aulas mais produtivas e agradáveis para o aluno com deficiência física. Além das orientações pedagógicas, esta parte também orienta quanto às adequações do espaço físico que se fazem necessárias. Deficiência física A deficiência física (DF) pode ser definida como “diferentes condições motoras que acometem as pessoas comprometendo a mobilidade, a coordenação motora geral e da fala, em consequência de lesões neurológicas, neuromusculares, ortopédicas, ou má formações congênitas ou adquiridas” (MEC, 2006). Segundo o Decreto 5.296, Art. 4º, deficiência física é: Alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Deficiência física é, portanto, não apenas alguma limitação na movimentação dos membros, mas também inclui casos de pessoas que tiveram que amputá-lo(s) por algum motivo. Ainda, segundo o Decreto 5.296, há pessoas com mobilidade reduzida, que não se enquadram dentro das deficiências, mas acabam por ter necessidades especiais: Pessoa com mobilidade reduzida: aquela que, não se enquadrando no conceito de pessoa portadora de deficiência, tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção (BRASIL, 2004). Segundo Maciel, a deficiência física (DF) é definida, atualmente, “como uma desvantagem, resultante de um comprometimento ou de uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho motor de determinada pessoa” (1998). A autora explica que, nos adultos, a deficiência física pode ser decorrente de um “acidente vascular cerebral de traumatismo craniano, de lesão medular ou de amputação” (1998). No que diz respeito a crianças, as causas podem ser: Pré-natais, problemas durante a gestação, como, por exemplo, remédios ingeridos pela mãe, tentativas de aborto mal-sucedidas, perdas de sangue durante a gestação, crises maternas de hipertensão, problemas genéticos e outras; perinatais, problema respiratório na hora do nascimento, prematuridade, bebê que entra em sofrimento por passar da hora do nascimento, cordão umbilical enrolado no pescoço e outras; pós-natais, o bebê sofre uma parada cardíaca, pega infecção hospitalar, tem meningite ou outra doença infectocontagiosa, ou seu sangue não combina com o da mãe (se esta for Rh negativo) (MACIEL, 1998, p. 58). Pode ser classificada como: hereditária, transmitida por genes; congênita, quando já está presente no nascimento; adquirida, quando ocorre após o nascimento; aguda (manifestação intensa) ou crônica (manifestação de longa duração, sem quadro intenso); permanente (não vai mais desaparecer ou curar) ou temporária (presente por certo período, depois do qual pode desaparecer ou ser curada); progressiva (que evolui) ou não progressiva (que não progride). Considerando que a terminação plegia significa ausência total de movimentos, e a terminação paresia significa existência de movimentos residuais, quanto ao comprometimento da função física, temos o seguinte em relação à deficiência física: Tetraplegia: envolvimento dos quatro membros. Triplegia: envolvimento de três membros. Diplegia: envolvimento de dois membros. Monoplegia: envolvimento de um membro. Paraplegia: envolvimento dos membros inferiores. Hemiplegia: envolvimento de um lado do corpo (direito ou esquerdo). Sendo assim, Maciel explica que a deficiência física acarreta danos nas funções motoras, mas, na grande maioria dos casos, conserva-se o cognitivo. (1998). No entanto, existem alguns casos em que o cognitivo é afetado porque as células responsáveis pelo intelecto são atingidas. De modo geral, a parte cognitiva do cérebro funciona normalmente,deixando a pessoa com deficiência física com plenas condições de aprendizagem e socialização. A paralisia cerebral A Associação Brasileira de Paralisia Cerebral define-a da seguinte forma: A Paralisia Cerebral (PC) descreve um grupo do desenvolvimento e da postura, causando limitações nas atividades. São atribuídas a distúrbios não progressivos que ocorrem no cérebro em desenvolvimento. As desordens motoras da PC são geralmente acompanhadas por alterações na sensação, percepção, cognição, comunicação e comportamento, podendo também ser acompanhadas por crises convulsivas (ABPC, 2012). Portanto, a paralisia cerebral é uma deficiência física. Silva explica que se trata de uma “lesão não progressiva do cérebro em desenvolvimento” (2006). A falta de oxigênio no cérebro muitas vezes é a responsável por provocar essas lesões. A paralisia cerebral se manifesta de forma bem diferenciada de uma pessoa para outra. Algumas apresentam pequenas perturbações, que as tornam diferentes ao andar, falar ou utilizar as mãos; outras apresentam limitações motoras graves, que as impedem de andar, falar ou realizar pequenas tarefas sozinhas, como, por exemplo, levar um garfo à boca ou virar as páginas de um livro. As consequências são bem diferenciadas, dependendo da localização da lesão e de quais as áreas do cérebro foram afetadas por essa lesão. A pessoa com paralisia cerebral pode ter uma inteligência normal ou apresentar algum atraso intelectual, mas a parte cognitiva só apresentará alterações se a lesão afetar as áreas do cérebro responsáveis pelo pensamento e pela memória. Na maioria das vezes, as pessoas confundem as dificuldades motoras, principalmente a dificuldade de falar, com um atraso intelectual que, na verdade, não existe. Importante ressaltar que, em consequência da paralisia cerebral, muitas dessas pessoas acabam tendo cerceado seu direito de conviver em sociedade, ficando à margem das atividades sociais e tendo uma vida restritiva e dependente de seus familiares que, por falta de conhecimento, têm receio de que, ao tentar inseri-los no convívio social, sejam rejeitados. Ela pode ou não causar deficiência intelectual; é irreversível, mas não é progressiva. Muitas vezes, a paralisia cerebral vem associada a outros problemas, que incluem epilepsia, problemas cognitivos, problemas de visão, problemas de audição, dificuldades na alimentação, constipação intestinal. Na definição de Maciel, a “paralisia cerebral é um distúrbio do movimento e da postura em consequência de uma lesão que pode ter ocorrido no cérebro durante a gestação, na hora do parto, ou logo após o nascimento” (1998, p. 56). Em algumas ocasiões, também afeta a região do cérebro que regula as funções cognitivas e é responsável pela inteligência. A autora resume a paralisia cerebral dizendo que “é qualquer transtorno motor ocasionado por uma lesão cerebral nas fases de gestação, parto ou pós-parto. Dependendo da área afetada, pode comprometer também a linguagem e a inteligência”. Com relação aos aspectos educacionais, Silva comenta que a principal dificuldade para diagnosticar uma criança com paralisia cerebral e distúrbios de aprendizagem é estabelecer parâmetros para o comportamento incomum, distingui-los das limitações de outras crianças com necessidades educacionais específicas semelhantes e definir quais as adaptações curriculares devem ser realizadas para auxiliar no desenvolvimento desse aluno e ajudá-lo a atingir todo o seu potencial. Práticas pedagógicas Práticas pedagógicas para deficiência física A seguir, vamos conhecer algumas dicas para trabalhar com alunos com deficiência física. A deficiência física se refere ao comprometimento do aparelho locomotor que compreende o sistema Osteoarticular, o Sistema Muscular e o Sistema Nervoso. As doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas, isoladamente ou em conjunto, podem produzir grandes limitações físicas de grau e gravidades variáveis, segundo os segmentos corporais afetados e o tipo de lesão ocorrida. Os alunos com deficiência física podem apresentar as seguintes características: atraso no desenvolvimento neuropsicomotor; perda total, parcial ou alteração dos movimentos, da força muscular, ou de sensibilidade nos membros superiores ou inferiores; dificuldades ou incapacidade na realização de atividades da vida diária, como comer, pular, sentar, pegar, arremessar, etc. Alguns alunos com deficiência física podem apresentar dificuldades na comunicação oral ou escrita. É relevante que o professor busque conhecer o aluno e diferenciar lesões neurológicas não evolutivas (como a paralisia cerebral ou traumas medulares) de outros quadros progressivos, como distrofias musculares ou tumores que agridem o Sistema Nervoso. Lesões neurológicas não evolutivas São limitações do aluno que, às vezes, regridem a partir do uso de recursos e estimulações específicas. Quadros progressivos De acordo com a limitação física apresentada pelo aluno, torna-se indispensável fazer uso de recursos didáticos e equipamentos especiais para a sua educação e participação nas situações vivenciadas no ambiente escolar, de forma que o estudante possa desenvolver sua autonomia e suas potencialidades configurando melhor qualidade de vida. A grande maioria das crianças com deficiência física não apresenta comprometimento cognitivo; sendo assim, a maior parte dos alunos que possuem alguma deficiência física necessita apenas de algumas modificações no ambiente físico, nos materiais e equipamentos utilizados para a atividade escolar. Crianças que não apresentam deficiência intelectual podem aprender através dos mesmos métodos empregados com crianças sem deficiência. Portanto, métodos especiais de ensino geralmente são utilizados apenas com alunos portadores de deficiências físicas que envolvam dificuldades de aprendizagem ocasionadas de lesões neurológicas. Na maioria dos casos, alunos com deficiência física não precisam de mudanças radicais no currículo. No entanto, muitas vezes é preciso realizar algumas adaptações nos planos de ensino, principalmente quando se trata de uma deficiência perene que pode influenciar no desenvolvimento das capacidades e, futuramente, na escolha vocacional. Problemas como a falta de experiências partilhadas, infrequência nas aulas e a morosidade na produção e realização das atividades podem requerer o acréscimo do tempo demandado para completar as atividades previstas. Para atender a certas necessidades dos alunos é preciso um currículo flexível. (MEC/SEESP, 2006) É importante ressaltar que a habilidade e a flexibilidade dos professores e administradores educacionais podem resultar em soluções satisfatórias para a maioria das dificuldades escolares desses alunos. Algumas alterações na escola podem ser necessárias, tais como: comprometimento das funções corporais, sendo que ambos se encontram associados aos demais problemas de saúde. maior sistemático e aumento ao respeito Dizem - adaptações nos recursos e instalações físicas da escola (rampas, corrimões, modificação de mobiliário, portas largas, etc.); - alterações da sala de aula e das ferramentas e instrumentos utilizados em aula (adaptação do mobiliário, dos espaços, dos instrumentos escolares como lápis, tesoura, recursos de informática, etc.). “Para que o educando com deficiência física possa acessar o conhecimento escolar e interagir com o ambiente frequentado por ele, faz-se necessário criar as condições adequadas à sua locomoção, comunicação, conforto e segurança” . A finalidade da educação é a mesma, em princípio, tanto para alunos com ou sem deficiência. Pode, entretanto, ser necessária a preparação específica de planos de ensino para alguns alunos, devido à sua condição física, caso essa situação venha a limitar de alguma forma a sua capacidade de desenvolveras atividades. O professor deve manter-se atento, observando o processo de ensino e aprendizagem para identificar as necessidades peculiares do aluno com deficiência física. Nenhum caso é igual. O professor pode buscar, analisar e adaptar os objetos educacionais, conteúdos a serem estudados e trabalhados com o aluno, visando estimular e favorecer a sua participação no debate de ideias e no processo de opinar, proporcionando-lhe espaços que oportunizem a interação na escola, estímulo à criatividade, liderança e demais habilidades. As atividades de leitura devem ser estimuladas, com respeito às adequações necessárias, de modo a proporcionar uma atividade de prazer, estímulo do pensamento e da criatividade, já que a leitura é via de acesso a ilimitadas experiências pessoais para o aluno que possui dificuldades motoras ou de comunicação oral. O professor deve identificar as crianças com deficiência física que apresentam dificuldades de comunicação oral funcional e procurar métodos de comunicação alternativa, para que o aluno consiga interagir com os demais colegas. Nesse caso, cita-se como exemplo a comunicação escrita, o uso de quadros de conversação, pranchas e cartões de comunicação, dentre outras. Os alunos que necessitam de cuidados na alimentação, na locomoção e no uso de aparelhos ou equipamentos médicos, com sérios comprometimentos motores, requerem a presença de um monitor no período em que estão frequentando a classe regular. Em atividades em que a criança ou aluno apresente dificuldades ou limitações motoras, como no caso de atividades de recorte, desenho, colagem, ou que necessitem de coordenação motora fina, é importante, sempre que possível, transformar a atividade que era individual em uma atividade coletiva, a fim de que todos os alunos trabalhem juntos, ou, ainda, disponibilizar um colega ou “ajudante” para auxiliar a criança nessas atividades. É importante conhecer o aluno, quais são suas dificuldades, disponibilizar recursos de Tecnologia Assistiva existentes na escola ou buscar descobrir quais tecnologias e materiais podem ser adaptados para melhorar e promover a autonomia do aluno nas atividades escolares. É possível usar diferentes jogos relacionados com o conteúdo a ser aprendido. Os jogos podem ser adaptados ou construídos com diferentes materiais, de modo a estimular a participação e melhorar a aprendizagem do aluno com deficiência física. Bons exemplos são os jogos com cores ou que estimulem e desenvolvam a leitura e escrita. Esses jogos podem ser confeccionados com diferentes materiais de fácil manipulação como EVA, figuras impressas, papelão, etc. No caso de alunos que possuam dificuldades de escrita, ou demandem maior tempo para a realização dessa atividade, mesmo com as adaptações dos instrumentos utilizados, torna-se necessário pensar em formas alternativas de escrita, como disponibilizar um acompanhante ou ajudante durante as aulas, e também proporcionar atividades orais. Educação Física A Educação Física para alunos com deficiência física necessita de algumas adequações, de modo a adequar uma atividade motora adaptada. Essas atividades buscam enfatizar as necessidades, potencialidades e vivências relacionadas ao movimento corporal na escola, de modo a integrar esse aluno no meio escolar e proporcionar continuidade do trabalho psicomotor que ocorre em todos os ambientes frequentados pela criança com deficiência. A prática de atividades físicas pelos alunos com essa deficiência tem como principais finalidades estimular a autonomia e prevenir possíveis doenças. Também melhora a socialização com os colegas e o grupo, bem como o equilíbrio, a força, a flexibilidade, a resistência muscular e a coordenação motora global, desenvolvendo habilidades motoras e funcionais. Durante as aulas de Educação Física, os professores devem buscar conhecer o aluno e suas necessidades, buscando trabalhar com as potencialidades que o mesmo apresenta. Sempre devem ser observadas as potencialidades e limitações do aluno, como a infraestrutura e os materiais disponíveis na escola. As atividades devem ser organizadas para atender às necessidades físicas, mas precisam, na mesma medida, proporcionar a integração do aluno com deficiência física junto ao grupo. É indicado o uso de jogos com diversos materiais, como bolas, bambolês, cordas, etc. As atividades devem ser bem estruturadas. Dessa forma, será possível desenvolver as habilidades de puxar, agarrar, arremessar, lançar, receber, chutar, movimentar-se, entre outras. Com alunos que utilizam cadeira de rodas, mas não possuem ainda total controle do equipamento, torna-se necessário desenvolver atividades do cotidiano que auxiliem a criança na manipulação do mesmo. São importantes atividades que estimulem o movimento do aluno para frente, para trás, em curvas, com obstáculos e em diferentes terrenos. Alunos que apresentam o domínio desse equipamento podem e devem ser incluídos nas atividades e modalidades esportivas, de maneira a realizá-las de forma bastante semelhante aos demais colegas. Se a escola possuir infraestrutura com piscinas, pode-se realizar atividades aquáticas supervisionadas, pois as atividades na água ajudam a desenvolver e ampliar gradativamente os movimentos do aluno com deficiência física. Atividades aquáticas são recomendadas, uma vez que estimulam a circulação sanguínea, aumentam a flexibilidade corporal, melhoram o condicionamento respiratório e proporcionam momentos de interação e lazer. São igualmente indicadas atividades aeróbicas de baixa intensidade que estimulem o movimento da pessoa com deficiência física, como, por exemplo, a dança e atividades rítmicas. É importante estimular os alunos para que eles adquiram gosto por um esporte ou atividade física. Algumas modalidades esportivas que podem ser realizadas nas escolas são arco e flecha, basquete, ciclismo, esgrima, natação, tênis de mesa, voleibol, judô e bocha. Dicas para trabalhar com alunos com paralisia cerebral Inicialmente, aconselhamos que o professor permita ao aluno gravar as aulas sempre que desejar. Assim, ele poderá retomar os estudos e atividades quando estiver em casa. Disponibilize um “ajudante do dia” para que auxilie o aluno sempre que ele precisar escrever textos muito longos. O professor deve se certificar de que o aluno não está se sentindo pressionado com relação ao tempo demarcado para cada atividade. Elimine a necessidade de ele ter que realizar tarefas com limite de tempo, e deixe-o tranquilo, informando que não tem problema se a aula chegar ao fim e ele não tiver conseguido terminar tudo. Deixe claro para ele que vocês retomarão essa atividade em outro momento e que ele terá oportunidade de concluí- la. Não cobre do aluno uma escrita perfeita; isso não é essencial, principalmente porque é bem provável que ele tenha dificuldades motoras. É muito mais importante focar na aprendizagem do conteúdo, se dedicar a que ele compreenda a sua explicação. Se o aluno não tiver dificuldade com a fala, procure realizar atividades orais ao invés de escritas. Se a escola dispõe de recursos de Tecnologia Assistiva, como softwares de comunicação alternativa e softwares educativos, utilize-os sempre que acreditar que eles poderão auxiliar em alguma atividade, que poderão auxiliar no desenvolvimento do seu aluno. Se for realizar atividades manuais com a classe, como recortar e colar, não exclua o aluno com paralisia cerebral da atividade. Peça que um colega se voluntarie para ajudar o aluno. Essa também é uma ótima forma de promover a socialização do aluno com os colegas de sala. Faça uso de jogos, brinquedos e materiais táteis, como letras magnéticas para a formação de palavras, caça-palavras, blocos, etc., sempre que possível. O lúdico é uma excelente ferramenta de ensino! Por fim, busque adaptar os materiais conforme a necessidadede cada aluno. E lembre-se de que aprendemos com as tentativas. Com o tempo, você saberá o que funciona e o que não é tão efetivo para seu aluno. Transtornos globais do desenvolvimento As pesquisas e os estudos de caso sobre os Transtornos Globais do Desenvolvimento são realizados desde muito antes de existir esta denominação. Em separado foram relatados os diferentes tipos de transtornos que compõem esta conceituação. Ao longo dos anos, além da evolução da abordagem sobre o assunto, o que se pode observar é a crescente busca por novas informações e, principalmente, por métodos eficazes no tratamento e acompanhamento escolar de crianças com Necessidades Educacionais Específicas (NEEs). Atualmente, muitos profissionais da área de educação trabalham no aperfeiçoamento e na incessante procura por qualificação na área, com o intuito de desenvolver o trabalho adequado ao nível de exigência que um aluno com NEE precisa. Veremos um pouco sobre os tipos de TGDs e as práticas pedagógicas que são utilizadas com os alunos que possuem algum tipo deste transtorno. Conceito Quando se fala em Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) é comum associá-los ao Autismo e seus tipos, o que está certo, porém o conceito de TGD não diz respeito somente a este distúrbio, vai um pouco mais além. De acordo com Belisário Filho e Cunha: O conceito de Transtornos Globais do Desenvolvimento surge no final dos anos 60, derivado especialmente dos trabalhos de M. Rutter e D. Cohen. Ele traduz a compreensão do autismo como um transtorno do desenvolvimento. O autismo é explicado e descrito como um conjunto de transtornos qualitativos de funções envolvidas no desenvolvimento humano. Além disso, o modelo permite uma compreensão adequada de outras manifestações de transtornos dessas funções do desenvolvimento que, embora apresentem semelhanças, constituem quadros diagnósticos diferentes. A compreensão dos transtornos classificados como TGD, a partir das funções envolvidas no desenvolvimento, aponta perspectivas de abordagem, tanto clínicas quanto educacionais, bastante inovadoras, além de contribuir para a compreensão dessas funções no desenvolvimento de todas as crianças Conforme Tamanaha, Perissinoto e Chiari, na décima revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID), os TGDs foram classificados como: Grupo de alterações, caracterizadas por alterações qualitativas da interação social e modalidades de comunicação, e por um repertório de interesses e atividades restrito e estereotipado. Essas anomalias qualitativas constituem uma característica global do funcionamento do indivíduo (2008, p. 298). Além do já citado Autismo, quais seriam, então, os outros tipos de Transtornos Globais do Desenvolvimento? Podemos classificar diferentes transtornos que, em comum, apresentam afetadas as funções de desenvolvimento do indivíduo e sobre os quais falaremos a seguir: Síndrome de Rett; Transtorno ou Síndrome de Asperger; Transtorno Desintegrativo da Infância; Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação. Autismo Sintomas em diferentes faixas-etárias O Autismo é cientificamente chamado de Distúrbio do Espectro do Autismo (Autistic Spectrum Disorder – ASD). Aparece comumente nos três primeiros anos de vida e vai de grau leve a severo. Caracteriza-se por ser um distúrbio de desenvolvimento, trazendo prejuízos de comunicação, interação, imaginação e de comportamento da criança. De acordo com Mello, as causas desta síndrome são desconhecidas e podem estar associadas a anormalidades em alguma parte do cérebro, porém não existe uma explicação científica conclusiva. (2007) Os sintomas do Autismo podem variar e, pelo fato de uma criança apontar o que aqui será descrito, não quer dizer que ela seja autista; são apenas sintomas observados por pais e profissionais da saúde em crianças diagnosticadas com a síndrome. Lembre-se de que o diagnóstico de Autismo ou qualquer outra síndrome deve ser realizado por um especialista na área: médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, entre outros terapeutas. Até os seis meses de vida – Passividade ou inquietude em demasia, contudo, pode variar e também estar ligada a questões de comportamento. De seis meses a um ano de vida – Atraso no desenvolvimento, ligado à linguagem, fala e aspectos físicos/mobilidade. De um a 1,5 anos – Perdas de linguagem, aptidão e comportamentos que podem ser observados por volta dos 18 meses (1,5 anos) em diante, como listado a seguir: - Falta de contato visual com os pais; - Desinteresse pelas pessoas; - Demora ou não atende quando é chamado; - Atraso no desenvolvimento da linguagem; - Vive isolado, em um mundo à parte; - Gesticula pouco; - Faz movimentos pouco comuns; - Dispõe objetos e brinquedos em filas. De três a cinco anos – É quando fica mais fácil de perceber que existe algo de diferente com a criança. É comum um comportamento de exclusão com as pessoas, limitando-se a viver em seu próprio mundo, fazendo movimentos repetidos, como o balançar do corpo e das mãos. Em ambientes de socialização, como em grupo de crianças e na escola, ficam evidentes as dificuldades do autista. Alguns exemplos desses comportamentos: a) falta de contato visual; b) pouco interesse pelas pessoas e brincadeiras em grupo; c) fala muito ou pouco, copia e repete frases que ouviu; d) dificuldades de compreensão. De seis a 11 anos – Por tratar-se da faixa etária onde a criança começa a ser alfabetizada, é comum que os professores observem alguns comportamentos como a falta ou pouco contato visual, a não utilização de gestos, a ausência de amigos, não mostra as tarefas que realizou na aula aos professores e tem dificuldades de compartilhamento; é repetitivo. De 12 a 17 anos – Na adolescência é comum que o jovem tenha um comportamento diferenciado, típico da idade. Isso não quer dizer que ele seja autista; a pessoa com autismo não irá desenvolver a síndrome nesta faixa etária e, sim, antes. Os sintomas apresentados pelo autista nesta idade continuam sendo o pouco contato visual, expressões faciais neutras ou incomuns, dificuldade de socialização e manter amigos, falta de empatia. A formalidade e a Síndrome de Rett A Síndrome de Rett é uma doença neurológica e está associada a uma mutação genética (gene MECP2 ou methyl-CpG-bindingprotein2) que se localiza no cromossomo X e afeta, em sua maioria, o sexo feminino. De acordo com a Associação Brasileira de Síndrome de Rett (Abre-Te), esta Síndrome pode ser definida como “uma desordem do desenvolvimento neurológico relativamente rara tendo sido reconhecida pelo mundo no início da década de 1980” (2014). Ainda conforme dados da Abre-te, 99,5% dos casos desta Síndrome são esporádicos, sem antecedentes familiares. Os sintomas mais comuns são a perda progressiva das funções neurológicas e motoras. Geralmente se manifestam entre os seis e 18 meses de vida, após um período de desenvolvimento aparentemente normal. Podem ser observadas a desaceleração nas medidas da cabeça a partir dos três meses de vida, mas sempre durante o primeiro ano de vida e também menos ganho de peso durante este mesmo período. São afetadas a fala, a capacidade de andar e o controle do uso das mãos. As palavras aprendidas são esquecidas e a comunicação se dá apenas pelo olhar. A partir do primeiro ano a criança se torna ansiosa e irritada, fica mole, apresenta retardo no crescimento, distúrbios respiratórios e de sono. Depois dos 10 anos é comum o surgimento de escolioses e de rigidez muscular, o que acarreta, muitas vezes, a perda de mobilidade. A criança pode apresentar deficiência intelectual em níveis variados. O diagnóstico clínico leva em conta a análise dos critérios descritos acima; já o diagnóstico molecular é realizado a partir de exames de sangue, onde é possível observar se existem mutações do gene MECP2, entretanto,de acordo com a Abra-te, “nem todas as meninas que preenchem os critérios clínicos para a Síndrome de Rett de fato apresentam alguma dessas mutações, e, ainda assim, são, com certeza, portadoras da Síndrome de Rett”. compulsividade também são tendências comportamentais. Sintomas da Síndrome de Rett Transtorno ou Síndrome de Asperger O Transtorno ou Síndrome de Asperger é também conhecido como a doença dos gênios. Muitas personalidades famosas que receberam notoriedade por algum dom ou feito portavam o transtorno. Podemos citar: Albert Einstein, Charles Darwin, Isaac Newton, Leonardo da Vinci, Sócrates, Ludwig van Beethoven, Michelangelo, entre outros. Descrita em 1944, somente em 1994 foi incluída no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM) - Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, e, mesmo nos tempos atuais, muitos profissionais ainda têm dificuldade em fazer o diagnóstico preciso deste transtorno. Não raro é confundido com Autismo e, a exemplo deste, é diagnosticado pela observação do comportamento da criança. Algumas das características mais apresentadas pelas pessoas com esta síndrome, segundo Mello, são: atraso na fala, mas com desenvolvimento fluente antes dos cinco anos e geralmente com: dificuldades na linguagem, linguagem pedante e rebuscada, repetição de palavras ou frases dos outros, voz pouco emotiva e sem entonação; interesses restritos por coleções e cálculos; habilidades pouco comuns como memorização de grandes sequências; dificuldade de interpretar ironias, metáforas, mentiras; dificuldade para entender e expressar emoções; falam tudo o que pensam; apego a rotinas e rituais; atraso no desenvolvimento motor e na coordenação motora, inclusive na escrita; hipersensibilidade sensorial; dificuldade na organização e planejamento de tarefas. Transtorno Desintegrativo da Infância o transtorno desintegrativo da infância (tdi) é também conhecido como síndrome de heller, em alusão ao educador Theodore Heller, que, no ano de 1908, relatou os primeiros casos de crianças, entre três e quatro anos de idade, que apresentaram perda de habilidades sociais e comunicativas, depois de um desenvolvimento aparentemente normal. Há também outros termos que denominam o Transtorno, como Psicose Infantil, Psicose Desintegrativa e Demência Infantil. De acordo com o CID 10 F84.312, define-se o Transtorno Desintegrativo da Infância como: Transtorno global do desenvolvimento caracterizado pela presença de um período de desenvolvimento completamente normal antes da ocorrência do transtorno, sendo que este período é seguido de uma perda manifesta das habilidades anteriormente adquiridas em vários domínios do desenvolvimento no período de alguns meses. Estas manifestações se acompanham tipicamente de uma perda global do interesse com relação ao ambiente, condutas motoras estereotipadas, repetitivas e maneirismos e de uma alteração do tipo autístico da interação social e da comunicação. Em alguns casos, a ocorrência do transtorno pode ser relacionada com uma encefalopatia; o diagnóstico, contudo, deve tomar por base as evidências de anomalias do comportamento. O estudo realizado por Mercadante, Van der Gaag e Schwartzman revela que o TDI é uma condição extremamente rara e não se caracteriza por progressos ou continuadas deteriorações. O que acontece é que, no início, há uma severa regressão que tende a se estabilizar em determinado ponto, entretanto, ao longo da vida é possível observar um impacto no desenvolvimento da pessoa, como: dificuldade de controle intestinal ou vesical, problemas de habilidades motoras, déficits sociais e comunicacionais. A criança com TDI geralmente apresenta disfunções neurológicas; um exemplo é a incidência de epilepsia e retardo mental de nível grave a profundo. Não existe tratamento para este Transtorno. Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação O Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação (TGD- SOE) ou, ainda, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem outra especificação (TID-SOE), é uma categoria diagnóstica de exclusão sem regras específicas. A pessoa pode ser diagnosticada com TGD-SOE se preencher critérios nos domínio social, comportamental e de comunicação. Conforme Mercadante, Van der Gaag e Schwartzman, “é possível considerar a condição mesmo se a pessoa possuir menos do que seis sintomas no total (o mínimo requerido para o diagnóstico do Autismo), ou idade de início maior do que 36 meses”. Práticas pedagógicas para alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento É muito importante termos claro que os alunos com Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD) apresentam características específicas que os fazem diferentes entre si e, principalmente, dos demais, todavia, por apresentarem características distintas e exigirem uma atenção especial, não devem ser tratados de forma preconceituosa. Os educandos devem frequentar as turmas com crianças da mesma faixa etária. O principal é que a estrutura seja apropriada e a criança respeitada por todos. O ideal é que os professores que forem trabalhar com os alunos sejam qualificados para exercer a função e tenham conhecimento nas áreas que compõem os TGDs ou contem com o auxílio de um profissional responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE). É de suma importância que os professores, ao perceberem um comportamento diferenciado por parte do estudante, fiquem atentos a estes casos, pois pode se tratar de uma criança sem diagnóstico, que, a exemplo de autistas, apresentem dificuldades de socialização ou, ainda, em se tratando de uma criança ou adolescente com Síndrome de Asperger, mostre-se petulante. Segundo Missaglia e Fernández, “a construção dos objetivos do plano de ensino individualizado e a aplicação de pressupostos da análise do comportamento são bons suportes para o processo de ensino e aprendizagem”. Não menos importantes neste processo de ensino e aprendizagem, os pais também devem acompanhar a vida escolar dos filhos e procurar incentivá- los também fora deste ambiente para que seu desenvolvimento seja frequente e contínuo. Mas, e quais seriam os métodos ideais para educar as crianças com TGD? Ainda conforme Missaglia e Fernández: as pessoas com TGD beneficiam-se de um método que preconize a organização, intervenção contínua, adaptação do ambiente, rotina e tarefas estruturadas, que envolvem intervenções específicas baseadas em suas necessidades e que através de sua constituição possibilite: desenvolvimento, aquisição de autonomia, ganho de competências para vida prática e diária, e independência. A exemplo de uma criança sem TGD, a criança com Autismo também necessita que as pessoas interajam com elas. Mesmo parecendo difícil, devido ao comportamento que apresentam, existem algumas dicas apresentadas por Williams, Chris e Wright que podem ser bastante úteis: o adulto deve tentar se envolver com as atividades – no ambiente que a criança ocupa; utilizar suas aptidões – se ela for boa com números, a recomendação são jogos com números; contemplar seus interesses – se ela gostar de animais, ler juntos livros com animais; realizar atividades e brincadeiras em conjunto. A música também pode ser utilizada no processo de interação. Através de exercícios com música a criança pode aprender a revezar e a desenvolver a imaginação. Um estudo de caso realizado por Castro, Leite, Vitorino e Prado com uma criança com idade cronológica de cinco anos e motora de um ano, portadora da Síndrome de Rett, que foi submetida à hidroterapia, com sessões de 30 minutos, três vezes por semana, durante dois meses e meio apontou algumas melhoras: antes a criança não conseguia realizar uma série de atividades como pentear os cabelos, vestir-se e lavar as mãos; depois do tratamento houve evolução nestas atividades. (2004)este exemplo demonstra a complexidade que possuem alunos com esta Síndrome, pois, em razão das suas limitações motoras, exigem bastante atenção e podem, sim, apresentar quadros de evolução. Conforme Drago a criança com síndrome de Rett, diante de todas as suas deficiências, porém diante de todas as suas possibilidades como ser humano infindável e imensurável, ao estar na escola precisa entrar em contato com o maior número possível de atividades e objetos que possam enriquecer seu arcabouço de informações. O primeiro passo é avaliar as necessidades individuais da criança com Síndrome de Rett, pois ela varia de acordo com o estágio em que a criança está. Os estímulos podem ser através de sons, imagens, livros, brinquedos, de forma que ela possa tocar e, assim, interagir. O processo pode ser lento, por isso é preciso que o educador tenha muita paciência e compreenda que cada aluno tem o seu tempo. Para o estudante com Síndrome de Asperger recomenda-se que ele sente próximo ao professor; atue como ajudante do dia na classe; utilize agendas, calendários, listas de tarefas e verificação; receba ajuda para realizar as tarefas e conseguir se concentrar; seja estimulado a trabalhar em grupo e a esperar sua vez; aprenda a pedir ajuda; sempre que bem-sucedido, seja elogiado. Por ser considerado um retardo mental, é necessário que se tenha uma abordagem multidisciplinar com as crianças que possuem TDI. Os pais devem estar atentos para que o filho receba uma psicoeducação focada na condição de seus filhos. É bastante comum que pais de crianças com TDI fiquem desapontados ao conhecer e até mesmo frequentar ambientes como escolas e associações de crianças com Autismo por perceber que existe progresso das crianças com este transtorno e que o mesmo não ocorre com seu filho. Não há uma fórmula mágica para trabalhar as práticas pedagógicas com as crianças que apresentam algum tipo de TGD. O que existem são diversos casos de sucesso quanto à evolução de um estudante que chega à escola sem conseguir desenvolver uma série de atividades e, após muito esforço, persistência e dedicação de professores, profissionais especializados, familiares e, claro, do próprio aluno, consegue evoluir no aprendizado e apresentar resultados muito bons. São anos de pesquisas feitas por profissionais dedicados que possuem em sua expertise a prática do ensino e aprendizagem com crianças com Autismo, Síndrome de Rett, Transtorno ou Síndrome de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância e Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação. Apresentamos, aqui, algumas dicas, histórias e formas que são utilizadas e que têm dado certo, entretanto, nenhum resultado é definitivo e novas formas de trabalhar com estas crianças estão sempre sendo pensadas e desenvolvidas. Logo, é preciso estar em constante pesquisa e incentivo para que as práticas sigam apresentando bons resultados. Introdução a Tecnologia Assistiva Tecnologia Assistiva (TA) é um termo utilizado para identificar toda gama de recursos e serviços que contribuem para proporcionar, ampliar ou potencializar habilidades funcionais de pessoas com deficiência, pessoas idosas ou com alguma limitação, a fim de proporcionar aos seus usuários maior independência, qualidade de vida e inclusão social. O conceito de Tecnologia Assistiva, segundo o Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), é: Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. As Tecnologias Assistivas, dessa forma, são utilizadas para proporcionar ou facilitar a comunicação, a mobilidade, o controle sobre o ambiente, potencializar as habilidades de aprendizado, assim como melhorar a interação com família, amigos e sociedade. O objetivo primordial da Tecnologia Assistiva é proporcionar às pessoas com necessidades especiais maior independência, melhoria na qualidade de vida e inclusão social, por meio da ampliação das possibilidades de sua comunicação, mobilidade e/ou aprendizagem. Segundo Sartoretto e Bersch, existem outras terminologias que possuem finalidades em comum à Tecnologia Assistiva, tais como “Ajudas Técnicas”, “Tecnologia de Apoio”, “Tecnologia Adaptativa” e “Adaptações”. As Ajudas Técnicas, por exemplo, segundo o artigo 61 do Decreto nº 5.296 (2004), é a nomenclatura utilizada, que engloba produtos, instrumentos e equipamentos ou tecnologias adaptadas ou especialmente projetadas para melhorar a funcionalidade da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida, favorecendo a autonomia pessoal total ou assistida. Portanto, “Ajudas Técnicas” e “Tecnologia Assistiva” são expressões sinônimas quando se referem aos recursos desenvolvidos e disponibilizados às pessoas com deficiência, pois ambas visam ampliar suas habilidades no desempenho das funções pretendidas. Contudo, o conceito da Tecnologia Assistiva é mais abrangente, uma vez que também diz respeito aos serviços destinados ao desenvolvimento, indicação e ensino relativo à utilização da tecnologia. Entende-se por recursos da Tecnologia Assistiva quaisquer equipamentos (hardware ou software especiais) que contribuem para a acessibilidade e uma vida mais autônoma para o seu usuário, independente da área de utilização. Estes podem variar de uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado, tendo aplicações diversas como o lazer, estudo, trabalho e comunicação em geral. Cita-se como exemplos: brinquedos e roupas adaptadas, dispositivos para adequação da postura sentada, recursos para mobilidade manual e elétrica, aparelhos auditivos, auxílios visuais, materiais protéticos, entre outros. Os serviços da TA, por sua vez, referem-se ao auxílio dado por profissionais à pessoa deficiente para a seleção, uso ou compra de equipamentos que vão favorecer a acessibilidade na vida desses usuários. Também é atribuição do prestador de serviço conhecer e orientar o usuário quanto ao acesso público e particular aos recursos de Tecnologia Assistiva. Eles incluem a avaliação individualizada para seleção de recursos apropriados; o apoio e orientações legais para concessão da TA; a coordenação da utilização da TA com serviços de reabilitação, educação e formação para o trabalho; a formação de usuários para conhecimento e uso da TA; a assistência técnica e a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. De acordo com Bersch e Pelosi, “os serviços de Tecnologia Assistiva terão por objetivo a avaliação do usuário, a seleção do recurso apropriado, o ensino relativo à utilização do equipamento e sua implementação na sala de aula e em outros ambientes” (2006). Para Schirmer, os serviços de TA são aqueles cujo objetivo está em resgatar o maior grau de funcionalidade e autonomia de indivíduos deficientes. Para isso, o autor comenta que os serviços envolvem uma equipe que avalia, prescreve, confecciona e capacita o usuário na utilização do recurso indicado. (2007) De acordo com Sartoretto e Bersch e Its Brasil; Microsoft Educar, esses serviços são transdisciplinares, envolvendo profissionais de diversas áreas, tais como: fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia, enfermagem, medicina, engenharia, arquitetura, design, educação e técnicos de várias outras especialidades. Categorias de Tecnologia Assistiva A classificação abaixo foi construída com base nas diretrizes gerais da American with Disabilities Act (ADA), que regula os direitos dos cidadãos com deficiência nos Estados Unidos. Deve-se salientar, porém, que ainda não há um consenso na literatura sobre esta classificação, podendo, destaforma, haver variação entre os autores. Auxílios para a vida diária Esta categoria, visando ao melhor desempenho e independência, desenvolve materiais e produtos que auxiliam o indivíduo a realizar tarefas pessoais rotineiras, tais como: cozinhar, alimentar-se (figura 1), vestir-se, escovar os dentes, tomar banho, executar necessidades pessoais, realizar a manutenção da casa (varrer, lavar a louça, arrumar as roupas), realizar ligações com um telefone, passar batom (figura 2), escrever (figura 3), etc. Alimentação (fixador de talher à mão) e garfo adaptada Adaptador para passar batom Escrever com caneta encaixada na aranha-mola Órteses e próteses Este grupo abrange o ajuste ou troca de partes do corpo, faltantes ou de funcionamento comprometido, por membros artificiais (próteses) ou outros equipamentos ortopédicos (órteses) colocados junto a um segmento do corpo. Estes recursos têm a finalidade de obter melhor posicionamento, estabilidade, e facilitar a função do membro. Servem de auxílio à mobilidade e às funções manuais, como escrita, digitação, utilização de talheres, manejo de objetos para higiene pessoal, correção postural, entre outros. A figura 4 ilustra um exemplo de prótese de membro inferior, enquanto que a figura 5 se refere a uma órtese de mão e punho. Outros exemplos de órteses são: talas, apoios, aparelhos ortopédicos, órteses extensor de cotovelo (vide figura 6), etc. Prótese de membro inferior Órteses de mão e punho Órtese extensor de cotovelo Comunicação Aumentativa e Alternativa - CAA Esta área utiliza recursos, eletrônicos ou não, que permitem a comunicação expressiva e receptiva das pessoas sem a fala ou com limitações da mesma, sem a escrita funcional ou algum distúrbio na sua habilidade de fala e/ou escrita, necessitando de uma forma alternativa de se comunicar com as outras pessoas. São muito utilizados sistemas de símbolos gráficos como as pranchas de comunicação, cartões de comunicação, mesa com símbolos, avental, agenda de comunicação, carteira de comunicação, vocalizadores e softwares dedicados para este fim. A comunicação alternativa envolve o uso de gestos manuais, expressões faciais e corporais, símbolos gráficos, fotografias, gravuras, desenhos, linguagem alfabética e, ainda, objetos reais, miniaturas, voz digitalizada, dentre outros, como meio de efetuar a comunicação face a face de indivíduos incapazes de usar a linguagem oral. Observa-se que, na literatura, também são utilizados os termos “Comunicação Ampliada e Alternativa”, “Comunicação Suplementar e Alternativa”, ou apenas “Comunicação Alternativa – CA” para referenciar os recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa. Para desenvolver uma comunicação alternativa e/ou suplementar é necessário integrar num mesmo sistema de comunicação: símbolos, recursos, técnicas e estratégias. Os símbolos são representações de um conceito, sejam visuais, táteis ou auditivos. Os recursos são objetos ou equipamentos usados para transmitir a mensagem desejada a seu interlocutor Abaixo, segue uma lista com alguns tipos de recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa. Comunicação com símbolos Conforme Schirmer, existem várias técnicas de comunicação através de escolhas de objetos e símbolos. A pessoa pode fazer as suas escolhas apontando para objetos reais que ela deseja (tal como apontar para uma roupa que deseja vestir), ou através do toque em miniaturas para reconhecer um objeto (muito utilizado com pessoas cegas ou com baixa visão), ou por meio do uso de fotografias para expressar algum desejo, sentimento, pessoas ou lugares. Há vários sistemas de símbolos gráficos que são conhecidos internacionalmente e utilizados para a confecção de algum sistema de comunicação com símbolos gráficos. Entre eles há o Blissymbols, o PictogramIdeogram Communication Symbols (PIC) e o Picture Communication Symbols (PCS), sendo este último bastante utilizado. Portanto, desses, destaca-se o PCS (em português: Símbolos de Comunicação Pictórica), que é um sistema simbólico de fácil reconhecimento composto por milhares de símbolos que representam uma grande variedade de vocabulário. São muito utilizados por crianças ou indivíduos que apresentam dificuldades em compreender representações mais abstratas. Pode-se encontrar os PCS em livro (Combination Book) e em programas de computador (Boardmaker e Escrevendo com Símbolos) disponíveis comercialmente no Brasil. Para Flauzino, Rodrigues e Zenha, o sistema de comunicação Picture Communication System (PCS) é uma possibilidade de comunicação alternativa e/ou suplementar de fácil compreensão, visto que as crianças conseguem identificar e compreender os significados com grande facilidade. A seguir, são apresentados alguns exemplos de aplicação destes recursos de tecnologia voltados para a comunicação com símbolo. Prancha de comunicação: São pranchas para facilitar a comunicação com a pessoa que possui alguma limitação. Nelas são colocados vários símbolos gráficos que representam mensagens (figura 8) ou letras (figura 9). O vocabulário de símbolos deverá ser escolhido de acordo com as necessidades comunicativas de seu usuário e, portanto, as pranchas são personalizadas. A prancha de comunicação apresenta a vantagem de expor vários símbolos ao mesmo tempo. Cada prancha deve ser feita do tamanho e formato necessários e, na confecção, são utilizados materiais variados como folhas de papel, cartolina, isopor, madeira. Além das pranchas personalizadas (prancha de comunicação pessoal), existem outras para múltiplos usuários (ambientes escolares, biblioteca, jogo, etc.). As pranchas de comunicação podem ser confeccionadas de acordo com o contexto e as necessidades de comunicação de cada pessoa. O profissional pode criar pranchas de rotina, horário, de atividade escolar, de escrita, para montagem de histórias, com estímulos removíveis, temática fixa na parede dentre outras. As pranchas de comunicação podem ser construídas utilizando-se objetos ou símbolos, letras, sílabas, palavras, frases ou números. As pranchas são personalizadas e devem considerar as possibilidades cognitivas, visuais e motoras de seu usuário. Essas pranchas podem estar soltas ou agrupadas em álbuns ou cadernos. O indivíduo vai olhar, apontar ou ter a informação apontada pelo parceiro de comunicação – dependendo de sua condição motora. Prancha de comunicação Prancha de comunicação alfabética Cartões de comunicação: Os cartões são geralmente organizados em fichários, presos em argolas ou em porta-cartões (vide figura 10). Segundo Schirmer, os símbolos, disponibilizados em formato de cartões, são bastante úteis para realizar atividades organizadas e sequências. Cartões de comunicação Carteira de comunicação: Também é chamada de porta-pranchas tipo carteira (figura 11). Tem capa plástica flexível, contendo bolsas em plástico transparente antirreflexivo. É útil porque cabe facilmente no bolso e é fácil de manusear. Carteira de comunicação Mesa com símbolos: Este recurso é uma mesa fixa onde os símbolos são colocados sobre ela para que a pessoa possa apontar para eles, se comunicando com as demais (figura 12). Esta mesa/prancha é normalmente plastificada com papel contact, para proteger e impermeabilizar os símbolos, e também para facilitar o uso da mesa para outras finalidades (alimentação, escrita, pintura). Mesa com símbolo Avental: Este recurso é um avental confeccionado em tecido que facilita a fixação de símbolos, letras ou objetos que possuem uma parte em velcro (figura 13). No avental, o parceiro de comunicação prende os símbolos e utiliza-os, se posicionando na frente da pessoa que necessita de auxílio na comunicação. Assim sendo, o indivíduo pode sinalizar o símbolo desejado apontando ou olhando paraele. Este acessório proporciona a vantagem da mobilidade dos símbolos. Avental Vocalizadores: São recursos eletrônicos de gravação e reprodução de voz que ajudam a comunicação das pessoas com limitações em seu dia a dia. É um recurso que contém uma prancha de comunicação (com figuras, fotos, símbolos ou palavras) à qual o usuário, ao pressionar um botão, emitirá uma mensagem de voz referente àquela imagem (vide figura 14 e figura 15). Através dele, a pessoa expressa pensamentos, sentimentos e desejos devido às mensagens pré- gravadas. É interessante ressaltar, conforme a mesma fonte, que as figuras e as gravações de voz do aparelho podem ser trocadas por outras, pois cada usuário tem uma estratégia de comunicação própria, onde as imagens e mensagens serão totalmente personalizadas. Vocalizador com varredura Vocalizador portátil. Softwares dedicados à comunicação com símbolos Esses programas de computador (softwares) são utilizados para a confecção das pranchas de comunicação (figura 16) ou qualquer outro método que utiliza símbolos. Alguns desses softwares são: Boardmake, Boardmaker com Speaking Dynamically Pro (SDP) e Comunicar com Símbolos (CCS) (que é uma nova versão do consagrado Escrevendo com Símbolos). Prancha de comunicação com símbolos PCS Recursos de acessibilidade ao computador Esta categoria relaciona tanto hardware como software que facilita/possibilita o acesso das pessoas com alguma limitação ao computador e seus recursos. Tratam-se de equipamentos alternativos ou modificados de entrada do computador como, por exemplo: - O teclado modificado (Máscara de teclado – ou Colmeia), que é uma placa de plástico ou acrílico com perfurações correspondentes a cada tecla do teclado - Teclado adaptado: lâminas que são adaptadas ao teclado tradicional - Mouses especiais e acionadores diversos, sendo que alguns são conectados ao mouse (figura 19) e são utilizados por pessoas com deficiência física. Teclado com Colmeia Teclado adaptado Acionador de pressão conectado ao mouse Os equipamentos de saída do computador são: a síntese de voz, monitores especiais, impressoras Braille e linha Braille. Os equipamentos de auxílio referentes ao acesso ao hardware do computador incluem o capacete com ponteira (figura 20) e órteses de mão (figura 21), que são utilizadas para o auxílio da pessoa na digitação no computador, entre outros que também fazem parte desta categoria. Há, também, para facilitar o acesso e o manuseio do computador, softwares especiais, como os de reconhecimento de voz, de leitores de texto, leitor de tela, teclado virtual (que auxiliam na edição de textos), prancha dinâmica, ampliadores de tela, controle do mouse por meio de movimentos da cabeça, etc. Capacete com ponteira Órtese para a mão Sistemas de controle de ambiente Sistemas eletrônicos de ambiente permitem que as pessoas com limitações locomotoras, através de controle remoto, consigam ligar, desligar ou ajustar remotamente aparelhos elétricos, eletrônicos como: ventiladores, luz do ambiente, aparelhos de televisão e som, executar aberturas de portas e janelas, etc. (figura 22). Esses sistemas também permitem que sistemas de segurança localizados em seu quarto, sala, escritório, casa e arredores sejam controlados – entre outras funcionalidades. Representação esquemática de controle de ambientes a partir do controle remoto Projetos arquitetônicos para acessibilidade Os projetos arquitetônicos para acessibilidade são adaptações estruturais e reformas na casa e/ou ambiente de trabalho e ambientes públicos, a fim de garantir o acesso, funcionalidade e mobilidade a todas as pessoas, independente de sua condição física e sensorial. Isto se garante através de piso tátil (figura 23), rampas, elevadores (figura 24), adaptações em banheiros (figura 25), entre outras que retiram ou reduzem as barreiras físicas, facilitando a locomoção da pessoa com deficiência. Projetos de acessibilidade arquitetônica em calçadas Elevadores adaptados para cadeirantes Projetos de acessibilidade arquitetônica em banheiros Adequação postural A adequação postural é uma categoria que aborda recursos que garantem uma postura confortável, alinhada, estável e com boa distribuição do peso corporal. Essas adaptações são feitas em cadeira de rodas (figura 26) ou outro sistema de postura como, por exemplo: almofadas especiais, assentos e encostos anatômicos, bem como posicionadores e contentores que propiciam maior estabilidade e postura adequada do corpo através do suporte e posicionamento de tronco/cabeça/membros. Poltrona postural no carrinho para transporte Auxílios de mobilidade Auxílios de mobilidade englobam recursos que visam ajudar as pessoas com necessidades físicas a se locomoverem de maneira mais independente. Dentre os auxílios, se enquadram as cadeiras de rodas manuais (figura 27) e motorizadas (figura 28), bases móveis, andadores, bengalas, muletas, scooters de três (3) rodas, e outros veículos utilizados na melhoria da mobilidade pessoal, suporte e posicionamento de tronco/cabeça/membros. Cadeira de rodas manual Cadeiras de rodas motorizadas Auxílios para cegos ou com visão subnormal Esta categoria inclui recursos que auxiliam uma pessoa cega ou com visão subnormal a ter uma vida mais autônoma, realizando tarefas de seu dia a dia de maneira mais independente possível, como, por exemplo: ler, escrever, utilizar o computador, ter mobilidade independente. Esses auxílios incluem bengalas com sensores, lupas e lentes (auxílios ópticos para leitura) (figura 29), Braille para equipamentos com síntese de voz (figura 30), grandes telas de impressão, sistema de TV com aumento para leitura de documentos, assim como softwares leitores de tela (navegadores textuais), softwares leitores de texto, softwares ampliadores de tela, hardwares (acessórios) conectados ao computador que ajudam o seu manuseio, como, por exemplo, linha Braille (dispositivo de saída do computador com agulhas táteis) (figura 31) e as impressoras Braille (figura 32), entre outros recursos. Lupas auxiliares Computador portátil em braille com síntese de voz Linha Braille Impressão em braille Auxílios para surdos ou com déficit auditivo Esta área aborda recursos que auxiliam a pessoa surda ou com déficit auditivo a ser mais independente e autônoma na sua comunicação. Esses auxílios incluem vários equipamentos (infravermelho, FM), aparelhos para surdez (figura 33), telefones com teclado-teletipo (TTY) (figura 34), sistemas com alerta tátil- visual, softwares que auxiliam o usuário a utilizar o computador, entre outros. Equipamento para surdez Telefone com teclado (TTY) Adaptações em veículos Adaptações veiculares abordam recursos referentes a acessórios e adaptações em veículos que possibilitam a uma pessoa com deficiência física dirigir e ter fácil acesso ao seu interior. Pode-se citar pino auxiliar no volante (figura 35), facilitadores de embarque e desembarque como, por exemplo, os elevadores para cadeiras de rodas (figuras 36 e 37), carros modificados para facilitar o acesso aos cadeirantes (figura 38), e outros veículos automotores usados no transporte pessoal. Pino auxiliar no volante Elevador para cadeira de rodas em transporte público Elevador para cadeira de rodas em transporte particular Carro modificado para facilitar o acesso aos cadeirantes REFERÊNCIAS SANTOS, Meirisvalda. Pranchas de comunicação e cartões de comunicação,2014. SARTORETTO, Mara Lúcia; BERSCH, Rita. Assistiva – Tecnologia e Educação, 2014. SCHIRMER, Carolina R. (org). Atendimento educacional especializado: deficiência física. Brasília: MEC/SEESP, 2007. SHARON,J. Family-centered assistive technology assessment and intervention practices for early intervention. Infants and young children, v. 15, n. 1, 2002, p. 60- 68. TECNOLOGIA Assistiva. 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Inclusão educacional e a necessidade de formação continuada Paradigma da eliminação x abandono Investigação-ação: uma possibilidade de formação continuada de docentes no contexto da inclusão escolar Deficiência intelectual: algumas reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem O que é deficiência intelectual Principais tipos de deficiência intelectual Deficiência intelectual X doença mental Características da deficiência intelectual Diagnóstico O aluno com deficiência intelectual Orientações para professores Deficiência visual: práticas pedagógicas Conceito A importância da visão Causas A deficiência visual e a escola Cegueira: práticas pedagógicas Recursos pedagógicos Alfabeto Reglete e punção Máquina de escrever em braille Impressoras em braille Leitura em braille Sorobã Orientação e mobilidade Baixa visão: práticas pedagógicas Deficiência auditiva O surdo na escola Práticas em sala de aula Oralismo Comunicação total Bilinguismo Centro de atividades e Áreas de conteúdos Surdocegueira Características da surdocegueira A história de Helen Keller Tipos e causas da surdocegueira Surdocego pré-linguístico Considerações sobre surdocegos Características dos surdocegos Formas de comunicação Exemplo de dicionário dactilológico Comunicação através do alfabeto de escrita manual Tablita com alfabeto e braille Exemplo de Tellatouch Linguagem de símbolos ou sinais Tadoma Deficiência múltipla: práticas pedagógicas Práticas pedagógicas Ferramentas de apoio Recursos de TA – Comunicação Aumentativa e Alternativa (Baixa Tecnologia) Quadro de fichas simbolizando atitudes rotineiras na sala de aula GoTalk. Deficiência física: enfocando a paralisia cerebral e as práticas pedagógicas Deficiência física A paralisia cerebral Práticas pedagógicas Lesões neurológicas não evolutivas Educação Física Dicas para trabalhar com alunos com paralisia cerebral Transtornos globais do desenvolvimento Conceito Autismo Sintomas da Síndrome de Rett Transtorno ou Síndrome de Asperger Transtorno Desintegrativo da Infância Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação Práticas pedagógicas para alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento Introdução a Tecnologia Assistiva Categorias de Tecnologia Assistiva Auxílios para a vida diária Alimentação (fixador de talher à mão) e garfo adaptada Prótese de membro inferior Comunicação com símbolos Prancha de comunicação Cartões de comunicação Carteira de comunicação Mesa com símbolo Avental Vocalizador com varredura Prancha de comunicação com símbolos PCS Teclado com Colmeia Capacete com ponteira Representação esquemática de controle de ambientes a partir do Projetos de acessibilidade arquitetônica em calçadas Poltrona postural no carrinho para transporte Auxílios de mobilidade Cadeira de rodas manual Lupas auxiliares Equipamento para surdez Pino auxiliar no volante