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2017 mArKetinG Prof.ª Liliane de Souza Vieira da Silva Prof. Tulio Kléber Vicenzi Copyright © UNIASSELVI 2017 Elaboração: Prof.ª Liliane de Souza Vieira da Silva Prof. Tulio Kléber Vicenzi Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfi ca elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 658.8 V632mVicenzi, Tulio Kléber Marketing / Tulio Kléber Vicenzi e Liliane de Souza Vieria da Silva. Indaial: UNIASSELVI, 2017. 227 p. : il. ISBN 978-85-515-0107-8 1.Marketing. I. Centro Universitário Leonardo da Vinci. Impresso por: III ApresentAção Prezado acadêmico! Em mais uma disciplina do seu curso, o marketing possui um papel fundamental nas organizações e que, muitas vezes, não é levado em consideração. No entanto, é uma ferramenta essencial para promover produtos ou serviços de uma empresa, até mesmo o marketing pessoal, no caso, em busca de um emprego, ou o marketing eleitoral, em que uma pessoa o utiliza para buscar votos para sua eleição, independentemente de qual seja o cargo a que esteja concorrendo. Nesta unidade o assunto abordado de marketing é sua evolução e revolução, necessárias para que a organização busque aumentar a participação de mercado, bem como, acompanhar as tendências que mudam com o passar do tempo, criando novas demandas, e o marketing deve estar preparado para essa transformação. Os detalhamentos dos assuntos estão disponibilizados de forma que seja importante ter primeiramente o conhecimento inicial, seus conceitos, e após, inicia-se o entendimento para o marketing, buscando a necessidade de evolução, conhecimento e aplicação. Um conteúdo muito interessante e que está presente em qualquer situação do marketing são os 4 Ps, 4 Cs e os 4 As, sendo de muita relevância, ainda hoje, em relação ao mercado em que a organização esteja presente. Outra situação é o entendimento para uma pesquisa. Qual a necessidade de pesquisar o mercado? Igualmente quando estamos comprando algum produto, fazemos pesquisas de preço. As empresas utilizam a pesquisa para buscar o entendimento do consumidor ou verificar tendências do mercado, pois é sabido que muitos produtos são cíclicos, por exemplo, as roupas: no passado, o xadrez era da época das décadas de 50 e 60, logo houve uma mudança de postura do consumidor e esse tipo de estilo era mal visto, já nos dias de hoje o xadrez voltou e mostrou o seu potencial de vendas. Muitos empresários ainda pensam que o marketing é apenas a imagem da empresa ou a instalação de propaganda e publicidade, porém, ao contrário, o marketing vai muito mais além da configuração de uma embalagem. Temos que vivenciar o momento e verificar a vantagem ou uma oportunidade identificada através da pesquisa. Importante e necessário para iniciar um projeto é o plano de marketing, presente em nosso livro didático. IV Agora no século 21, as tendências ocorrem mais rapidamente e o marketing deverá estar preparado para essa mudança tão generalizada, que podemos perceber em todos os ramos de negócios, principalmente o de consumo. Os clientes, consumidores natos, estão cada vez mais críticos nas suas escolhas e gostos, bem como no estilo de compra. Outro assunto importantíssimo é o Marketing Digital, como consequência da globalização. Caberá ao gestor de marketing buscar inovações através de sistemas de informação do marketing, conhecidos como SIM e, dessa forma, tomar decisões possíveis para conquistar os consumidores. Por meio de leituras e atividades, você terá a oportunidade de vivenciar o mundo do marketing na prática, tomando decisões e tendo a chance de opinar em todo o processo do seu desenvolvimento. Tenho certeza de que esta unidade de estudos trará novas oportunidades para tomadas de decisão e para que seja possível utilizar o marketing nos diversos ramos de negócio. Bom estudo e um grande abraço. Prof. Tulio Kléber Vicenzi Prof.ª Liliane de Souza Vieira da Silva V Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfi m, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, que é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa facilidade para aprimorar seus estudos! UNI VI VII UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING .............. 1 TÓPICO 1 – OS CONCEITOS DO MARKETING ............................................................................ 3 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3 2 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE MARKETING .................................................................... 3 2.1 O QUE É MARKETING? ................................................................................................................ 8 2.2 ERAS DO MARKETING ................................................................................................................. 10 2.3 MARKETING 1.0, 2.0 E 3.0 ............................................................................................................. 12 3 O MARKETING E A GLOBALIZAÇÃO.......................................................................................... 15 4 A ORGANIZAÇÃO E O MARKETING ........................................................................................... 17 5 IDENTIFICANDO O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR ............................................ 19 5.1 TIPOS DE TOMADA DE DECISÃO ............................................................................................. 20 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 23 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 27 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 28 TÓPICO 2 – ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO ....................................... 29 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................29 2 O AMBIENTE DE MARKETING, MACROAMBIENTE, MICROAMBIENTE ....................... 29 3 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO DO MARKETING ........................................................... 33 3.1 PLANEJAMENTO DE MARKETING .......................................................................................... 33 4 A ESTRATÉGIA DE MARKETING .................................................................................................. 38 4.1 ESTRATÉGIAS DE CRESCIMENTO............................................................................................. 42 4.2 ESTRATÉGIA DA FORÇA DO NEGÓCIO .................................................................................. 45 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 50 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 51 TÓPICO 3 – O PLANEJAMENTO DOS COMPOSTOS DE MARKETING (MIX DE MERCADO) ...................................................................................................... 53 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 53 2 A GESTÃO DO PRODUTO E SERVIÇOS ...................................................................................... 54 2.1 O PRODUTO .................................................................................................................................... 54 2.2 O SERVIÇO ...................................................................................................................................... 56 2.3 CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO E SERVIÇO .......................................................................... 57 3 Os 4 Ps, os 4 Cs e os 4 As ...................................................................................................................... 59 3.1 OS 4 PS ............................................................................................................................................... 59 3.2 OS 4 CS .............................................................................................................................................. 61 3.3 OS 4 AS .............................................................................................................................................. 62 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 64 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 65 TÓPICO 4 – A COMUNICAÇÃO, PROPAGANDA E PUBLICIDADE ....................................... 67 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 67 2 A COMUNICAÇÃO ............................................................................................................................. 67 sumário VIII 2.1 COMUNICAÇÃO INTEGRADA ................................................................................................. 59 3 PROPAGANDA ................................................................................................................................... 70 3.1 MERCHANDISING ....................................................................................................................... 75 4 PUBLICIDADE ..................................................................................................................................... 77 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 78 RESUMO DO TÓPICO 4....................................................................................................................... 81 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 82 UNIDADE 2 – AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO ....................... 83 TÓPICO 1 – PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO ..................................................... 85 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 85 2 PESQUISA DE MARKETING ........................................................................................................... 85 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 89 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 93 3 O MÉTODO SIM NA PESQUISA DE MERCADO ...................................................................... 95 4 SEGMENTAÇÃO DO MERCADO .................................................................................................. 97 4.1 POSICIONAMENTO DE MERCADO ......................................................................................... 98 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 100 RESUMO DO TÓPICO 1....................................................................................................................... 103 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 104 TÓPICO 2 – PLANO DE MARKETING ............................................................................................. 107 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 107 2 O QUE É UM PLANO DE MARKETING ....................................................................................... 107 2.1 ESTRUTURA DO PLANO DE MARKETING ............................................................................ 109 2.2 COLETA DE DADOS E INFORMAÇÕES ................................................................................... 114 2.3 QUESTIONÁRIO ............................................................................................................................ 117 2.4 ENTREVISTAS ................................................................................................................................ 120 2.5 DADOS SECUNDÁRIOS A PARTIR DE BANCO DE DADOS .............................................. 122 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 123 2.6 POTENCIALIDADES E FRAGILIDADES ................................................................................. 125 2.7 METAS E OBJETIVOS DE MARKETING ................................................................................... 126 RESUMO DO TÓPICO 2....................................................................................................................... 127 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 128 TÓPICO 3 – PROTEGENDO O NEGÓCIO E AS OPORTUNIDADES ...................................... 129 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 129 2 FRANQUIAS ........................................................................................................................................ 129 2.1 MARCA E PATENTE ..................................................................................................................... 132 RESUMO DO TÓPICO 3.......................................................................................................................134 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 135 TÓPICO 4 – RELACIONAMENTO COM O MERCADO, FOCO NO CONSUMIDOR ......... 137 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 137 2 MARKETING DE RELACIONAMENTO ....................................................................................... 138 RESUMO DO TÓPICO 4....................................................................................................................... 140 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 141 IX UNIDADE 3 – O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING.......................................................................................................143 TÓPICO 1 – OS CONTEXTOS DO MARKETING .........................................................................145 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................145 2 MARKETING PESSOAL ...................................................................................................................145 2.1 MARKETING ESPORTIVO ..........................................................................................................148 2.2 OS RISCOS DO MARKETING ESPORTIVO .............................................................................150 2.3 OS BENEFÍCIOS DO MARKETING ESPORTIVO ....................................................................151 3 MARKETING SOCIAL E ÉTICO ....................................................................................................155 3.1 UMA NOVA PERSPECTIVA SOCIAL ........................................................................................159 4 MARKETING POLÍTICO ELEITORAL .........................................................................................160 5 MARKETING INSTITUCIONAL ...................................................................................................164 6 MARKETING AMBIENTAL ............................................................................................................167 7 MARKETING TURÍSTICO .............................................................................................................170 8 ENDOMARKETING ..........................................................................................................................173 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................175 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................179 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................180 TÓPICO 2 – MARKETING DIGITAL ...............................................................................................183 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................183 2 O MARKETING DIGITAL ...............................................................................................................183 2.1 A INTERNET E O CONSUMIDOR .............................................................................................185 2.2 E-COMMERCE ...............................................................................................................................188 3 ESTRATÉGIAS NO MARKETING DIGITAL .............................................................................191 3.1 ESTRATÉGIAS DE MARKETING DE INBOUND E CONTENT ............................................191 3.2 A PUBLICIDADE EM MÍDIAS DIGITAIS .................................................................................192 3.3 MARKETING DE BUSCA ............................................................................................................196 3.4 MARKETING VIRAL ....................................................................................................................197 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................199 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................203 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................204 TÓPICO 3 – O MARKETING E O SEU FUTURO ...........................................................................205 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................205 2 MARKETING GLOBAL ....................................................................................................................205 2.1 A IMPORTÂNCIA DO MARKETING GLOBAL ......................................................................207 2.2 O SISTEMA DE COMÉRCIO GLOBAL ......................................................................................209 3 OS ESFORÇOS DO PROFISSIONAL DE MARKETING E SUAS FUNÇÕES ......................211 4 O FUTURO DO MARKETING ........................................................................................................212 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................214 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................216 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................217 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................219 X 1 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer a introdução dos conceitos de marketing; • analisar a evolução e revolução do marketing; • identificar e analisar a estratégia de marketing; • conhecer e identificar os mixes de mercado; • analisar o segmento e o posicionamento do mercado; • diagnosticar as variáveis do marketing; • planejar a gestão do produto. Esta unidade está dividida em quatro tópicos. Ao final de cada um deles, você encontrará atividades visando a compreensão dos conteúdos apresentados. TÓPICO 1 – OS CONCEITOS DO MARKETING TÓPICO 2 – ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO TÓPICO 3 – O PLANEJAMENTO DOS COMPOSTOS DE MARKETING TÓPICO 4 – A COMUNICAÇÃO, PROPAGANDA E A PUBLICIDADE 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 OS CONCEITOS DO MARKETING 1 INTRODUÇÃO Neste tópico estudaremos os principais conceitos da introdução de marketing. A necessidade do marketing vai muito além da embalagem, no entanto, muitas organizações ainda possuem, em sua cultura, que o marketing tem como foco a embalagem e a propaganda, mas, além das duas situações, existem outros objetivos, como: buscar informações no mercado que sejam de interesse da organização para alavancar o crescimento, bem como identificar o perfil do consumidor e as tendências do mercado, mas, para isso é importante que o gestor tenha conhecimento para alcançar um modelo moderno de gestão com a utilização da informação que tanto influencia o marketing. Além disso, é necessário também conhecer o passado, e como o marketing encontrou o seu lugar no mercado, pois a necessidade de evolução e inovação não é somente do produto ou serviço em si, mas em toda acadeia e em todos os ambientes dos mercados que possam gerar novas estratégias para as organizações. 2 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE MARKETING O marketing pode ser usado em vários contextos, como o de relacionamento, o de pesquisa, o eleitoral, entre outros, no entanto, depende do ramo de negócio em que a organização está inserida. A seguir são apresentados alguns conceitos do marketing: Para Kotler (2011 p. 27), “marketing é um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outro”. Kotler (2011), em sua definição de marketing, tem como base as necessidades dos consumidores, bem como os desejos e as demandas por produtos, bens e serviços, e também a busca pela satisfação, em que se agregam os valores, bem como o relacionamento e as transações efetuadas por empresas e consumidores. Observe na Figura 1 o conceito que Kotler atribui para o marketing. FIGURA 1 – CONCEITO DE MARKETING FONTE: Adaptado de Kotler (2011) Necessidades, desejos e demandas. Produtos (Bens, serviços e ideias). Valor, custo e satisfação. Troca e transações. Relacionamento e redes. Mercados Empresas e consumidores potenciais. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 4 Podemos perceber na Figura 1 os conceitos centrais e que existem várias situações em que o marketing está presente, para tanto é necessário buscar a inovação e identificar o que o cliente ou consumidor está sentindo falta no mercado. Kotler (2011 p. 28) apresenta os conceitos fundamentais do marketing que se pode verificar a seguir, vejamos: a) Necessidades, desejos e demandas: as pessoas em si possuem muitas necessidades, principalmente de alimentos, ar, água, abrigo para sobreviver, são as necessidades básicas. No entanto, também possuem necessidades de lazer, educação, entre outros serviços, e buscam, através de suas preferências, por versões e marcas específicas conforme seus desejos. Para isso temos que ter em mente e distinguir corretamente o que são necessidades, desejos e demandas. • Necessidades: São as coisas básicas para a sobrevivência humana, ou seja, alimentos, água, ar, moradia, vestimentas, segurança, autoestima e sentimento de posse, mas que se distinguem de uma pessoa para outra, pois muitas vezes o que é necessidade para uma pessoa é obrigação para outra, visto que estamos em um mundo onde as necessidades de alguns são diferentes das de outros, mesmo que sejam as mais básicas. • Desejos: é uma situação específica de carência por um determinado produto, ou seja, você tem a necessidade da compra de um tênis, mas tem o desejo de comprar uma marca específica, por exemplo, tem o desejo de comprar da marca Nike ao invés da Ortopé. Outro exemplo seria a necessidade de alimentar-se, no entanto, prefere comer um hambúrguer do McDonalds ao invés de ir a um Food truck. Esses desejos dependem muito da sociedade, ou do meio em que as pessoas convivem, pois, muitas vezes, nossos desejos vêm através da observação em querer estar no mesmo nível das outras pessoas. Por isso é bom lembrar que na maioria das vezes os desejos são oriundos da classe social das pessoas. • Demanda: são desejos em possuir algum produto ou serviço com uma especificidade diferente, em que é possível alcançar dependendo da classe social em que esteja e pela disposição em pagá-lo. Esses desejos se tornam demandas quando se possui poder de compra. Um exemplo bem simples, ou seja, tenho a necessidade de um automóvel, mas meu desejo é ter uma BMW, no entanto, apenas uma classe social poderá adquiri-lo. Percebe-se que a demanda surge através dos desejos das pessoas, mas desde que elas estejam dispostas a pagar pelo produto ou serviço oferecido (KOTLER, 2011 p. 28). NOTA O marketing influencia a demanda ao oferecer um produto ou serviço apropriado, atraente, adquirível e facilmente disponível aos consumidores-alvo. (KOTLER, 2011, p. 28) b) Produtos (bens, serviços e ideias): é sabido que nossos desejos e necessidades nos satisfazem no momento da aquisição de um produto ou a solicitação de um serviço, ou seja, para um entendimento melhor, o produto é oferecido para a satisfação das necessidades ou desejos TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 5 NOTA Segundo Kotler (2011), os vendedores que focam ou têm uma grande concentração apenas no produto, ao invés dos desejos e necessidades das pessoas, sofrem de miopia de marketing, isso leva muitas vezes o cliente a desistir de realizar a compra naquela loja ou departamento. c) Valor, custo e satisfação: Sabemos que possuímos desejos e necessidades completamente diferentes, e isso é um grande problema para os marqueteiros, ou seja: como alcançar a satisfação dos consumidores? Ou ainda, uma certa necessidade? Vamos a um exemplo: suponhamos que uma pessoa de 30 anos, casada e com dois filhos, tem a necessidade de ir ao trabalho, que fica mais ou menos a dez quilômetros da sua casa, para isso ela tem a necessidade de um meio de transporte; pode ser por transporte público, táxi, Uber, veículo próprio, bicicleta ou outros meios que sejam sustentáveis, dessa forma ela tem um grande número de opções para satisfazer sua necessidade. Agora vamos supor que a pessoa gostaria de satisfazer outras necessidades, por exemplo, a segurança, a velocidade, o bem- estar, a economia e a sustentabilidade. Podemos perceber que existe um grande número de situações para satisfazê-la, no entanto, quem vai escolher é ela, levando em conta quais suas condições em adquirir um produto e o que mais a deixará satisfeita. • Valor: qual o pressuposto de cada produto ou serviço que poderá satisfazer um conjunto das nossas necessidades. O valor é o montante que o cliente dará para satisfazer as suas exigências e necessidades ao menor custo possível de aquisição, propriedade e de uso. • Custo: até qual custo poderá pagar para adquirir um bem e realizar sua satisfação. Este é o preço do produto ou serviço e é levado em consideração quando existe uma necessidade. Mas qual é o valor que dará para a sua satisfação, é necessário pagar um preço alto para satisfazer sua necessidade ou um desejo? A escolha faz com que a pessoa tenha a decisão final: ou vai pagar o preço para ter o que lhe interessa, ou dará mais valor à sua satisfação de algo sustentável. Isso é bem genérico e existem muitas situações em que o desejo é maior que a necessidade, e o cliente pagará por aquele produto mesmo que tenha de fazer outros cortes para conseguir pagar pela sua satisfação. d) Troca e transação: Esse modelo de necessidade já vem desde os primórdios do tempo e existem quatro formas de obter algum produto, sendo a primeira a autoprodução, como a caça, pesca ou coleta de frutas para minimizar a fome, nesse caso não existe mercado e, assim, sem a necessidade de marketing; a segunda forma é a coerção, em extrema necessidade as pessoas podem retirar à força de outras pessoas, imaginem o desencadeamento da fome, nesse caso não existe benefício, apenas a exceção de alguém sair dos consumidores. Independentemente de serem bens físicos, serviços ou ideias, o desejo das pessoas é adquirir e consumir coisas, não importa a classe social, todos terão a oportunidade de buscar seus desejos e necessidades, levando em consideração o alcance em possuir condições para pagar pelo produto ou serviço. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 6 ferido; a terceira é a mendicância: continuando com o exemplo da fome, as pessoas, por estarem famintas, podem implorar por comida; e, por fim, a quarta forma é a troca, pessoas com a necessidade de alimentação podem trocar algum produto, serviço e até mesmo com moedas, para a aquisição de alimentos. Para ficar claro, o marketing surge quando as pessoas propiciam a necessidade de satisfazer suas necessidades e desejos através da troca. Sendo assim, a troca é o ato de obter um produto desejado que pertence a alguém, lhedando em permuta algo em contrapartida. A transação tem algumas variações e várias dimensões, sendo essas: a necessidade de estar protegida por um contrato e com ao menos dois objetos de valores; condições de acordo; tempo e local para a negociação, de outra forma, as pessoas veriam como desconfiança e ambas sairiam perdendo. Também pode ser levada em consideração uma transação de presentes por gratidão, recebemos um presente em troca de gratidão com a pessoa. Para ficar claro, transação pode ser considerada como uma negociação consensual entre duas ou mais partes, e uma dessas partes propõe uma compensação por um serviço prestado ou uma composição a um dano causado pela outra, e, ao mesmo tempo, esta outra parte aceita receber esta compensação. Observe na Figura 2 um modelo de troca entre duas empresas (KOTLER, 2011, p. 29). FIGURA 2 – MÉTODO DE TROCA Fornecedora Cliente Lista de desejos da Transportadora - Alta qualidade, como equipamentos duráveis. - Preço justo. - Pontualidade na entrega. - Condições financeiras favoráveis. - Peças e serviços bons. Lista de desejos da empresa prestadora de serviço: - Preço consideravelmente bom. - Pontualidade no pagamento. - Recomendação favorável. FONTE: Adaptado de Kotler (2011) NOTA Nesta situação, pode-se perceber que existe uma troca mútua, ou seja, uma empresa oferece o serviço ou produto com qualidade, e a outra empresa espera por qualidade e confiabilidade no produto ou serviço oferecido. TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 7 e) Relacionamento e redes: Neste item, o marketing tem a necessidade de um relacionamento entre as pessoas, ou consumidores e empresas para a construção de um relacionamento duradouro. Esse relacionamento entre a empresa e o consumidor é quase que uma troca, de um lado tem a necessidade ou desejo (cliente) e em contrapartida (empresa) a entrega de um produto ou serviço com qualidade, preço justo e pontualidade. A satisfação do consumidor será garantida com essas transações e consequentemente tornará uma parceria entre cliente e empresa por um longo período. O intuito do marketing de relacionamento é a construção de um relacionamento entre consumidores e fornecedores a longo prazo. f) Mercados: é um local onde se trocavam produtos, sejam eles através de moeda ou mesmo a “troca por troca” com outros produtos, sendo um negócio pequeno e local. Hoje, mercado é algo muito mais abrangente, levando em consideração até o que chamamos de mercado internacional, em que um grupo de consumidores potenciais que possuem desejos específicos ou uma necessidade compartilham entre eles recursos e trocas. No entanto, o tamanho desse mercado depende da quantidade de pessoas interessadas na troca desses produtos ou serviços em contrapartida através de outros recursos e necessidades. (Troca por outros produtos por pagamento em moedas, ou ainda a troca por serviços, na maioria das vezes esta é realizada através de pagamentos.) g) Empresas e consumidores potenciais: Aqui cabe identificar consumidores com potencial poder de compra, desejos ou necessidades, dispostos e engajados na transferência de valores. O marketing pode ser usado instantaneamente por ambas as partes, por exemplo: Vamos supor que um grupo de pessoas deseja comprar um apartamento na praia de frente para o mar que acabou de ser posto à venda. Nesse caso, como existe um número grande de pessoas, cada uma delas tentará fazer seu marketing para o comprador com vistas à aquisição do apartamento, isso é considerado marketing de reciprocidade, quando ambas as partes estão dispostas ativamente a fazer o negócio. Não podemos confundir a situação, pois, muitas vezes, quem possui mais vantagem econômica poderá comprar o apartamento sem a necessidade de concorrência e negociação (KOTLER, 2011, p. 30). Para Boone (2011 p. 8), “marketing é o processo de planejar, executar a concepção, a fixação de preço, a promoção e distribuição de ideias, produtos, serviços, organizações e eventos para criar e manter relacionamentos que satisfarão objetivos individuais e organizacionais”. Para que haja um entendimento mais aproximado do que é marketing, outro conceito, muito persistente de Las Casas (2009, p. 7) através da Associação Americana de Marketing, define o seguinte: O marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação, a comunicação e a entrega de valor para o cliente, bem como a administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e seu público interessado. Como podemos perceber, o marketing possui conceitos muito amplos, pois incorpora um conjunto de ideias. Se você pedir para quatro ou cinco pessoas o conceito de marketing, cada uma delas irá responder de uma forma diferente, mas o intuito será o mesmo, ou seja, as ideias serão direcionadas na satisfação, valores, desejos, necessidades, entre outros, para o consumidor (LAS CASAS, 2009). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 8 Observe na Figura 3 um sistema simples de marketing e mercado, apresentado por Kotler (2011). FIGURA 3 – CICLO DO MARKETING E MERCADO Mercados produtores Mercados de recursos Mercados consumidores Mercados intermediários • Recursos e dinheiro • Recursos e dinheiro • Dinheiro, bens e serviços • Dinheiro, bens e serviços FONTE: Adaptado de Kotler (2011) O ciclo do marketing abrange todo o sistema de mercado e dos consumidores, no desenvolvimento de uma troca pelas suas necessidades e desejos, observando a classificação e o poder de compra dos consumidores para adquirir produtos e serviços. 2.1 O QUE É MARKETING? O marketing é uma ferramenta que busca apresentar informações referentes às preferências dos consumidores em quatro tipos de utilidades, apresentadas, no Quadro 1, por Boone (2011). QUADRO 1 – TIPOS DE UTILIDADE DO MARKETING Tipo Descrição Exemplos Forma Transformação de insumos para produtos acabados e/ ou serviços. Realização rápida de um serviço, ou a necessidade de uma alimentação mais eficiente no momento de cozinhar (macarrão instantâneo, controle da conta corrente, serviços de terceiros). Tempo Disposição de produtos e serviços quando o consumidor desejar. Serviços imediatos e pronto atendimento (imagens digitalizadas, saque de dinheiro, garantia, seguro). Lugar Disposição de produtos e serviços em locais convenientes. Equipamentos de produtos como chocolates e refrigerantes no lado de fora de um posto de combustível, caixa eletrônico nos supermercados, escola e creche próximo a casa ou trabalho. TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 9 FONTE: Adaptado de Boone (2011) Segundo Las Casas (2009), o marketing em si é “ação no mercado”, na tradução do inglês. Na década de 60, quando foi traduzido, tinha outro significado, como “mercadológica”, no entanto ainda usada, mas de forma mais branda, mas que possui o mesmo entendimento, portanto, quando for utilizada essa nomenclatura, ambas estão corretas. NOTA Vale lembrar que marketing possui muitos conceitos, mas o foco está no consumidor, em seus desejos, necessidades e satisfação. O marketing pode ser usado para alavancar algum produto, serviço ou até mesmo o turismo de uma cidade, o exemplo de Boone (2011) apresenta muito bem esse modelo. Gestores de marketing da cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos, tinham como ideia atrair mais turistas para a cidade, então inventaram um lema para tentar buscar focar a imagem de diversão que a cidade apresentava. “O que acontece aqui, fica aqui”. Apenas com esse slogan acreditaram que seriam capazes de melhorar o turismo. Dito e feito, um recorde de 35 milhões de turistas na cidade foi apresentado. Muitas vezes, um marketing de apresentação, como um slogan, uma frase, uma palavra, pode mudar por completo a movimentação de consumidores, tanto em cidades e até mesmo de um estabelecimento, como shopping, supermercado ou um parque de diversão. Para auxiliar no entendimento do que é marketing,ou seja, o que ele pode fazer pelas pessoas e para empresas, Boone (2011) apresenta algumas situações que têm o envolvimento do significado do marketing, vejamos: • buscar identificar o que os consumidores estão necessitando; • desenvolver produtos ou serviços que possam satisfazer as necessidades dos consumidores; • apresentar as informações necessárias sobre os produtos ou serviços para os consumidores em potencial; • disponibilizar os produtos e serviços nos lugares e tempos que vão ao encontro das necessidades dos consumidores; Propriedade (posse) Capacidade de transferir título de produtos e serviços do profissional de marketing para o comprador. Vendas no varejo (é a troca do produto com o pagamento em moeda ou cartão). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 10 • fixar o preço dos produtos e serviços conforme a capacidade de compra do consumidor; • o fornecimento dos serviços e produtos com garantia para satisfazer o cliente pós-compra. Podemos observar que o marketing é muito abrangente e que considera muitas variáveis para a satisfação do consumidor, conforme a explicação de Boone (2011). No entanto, cabe ao gestor de marketing identificar e presumir quais as necessidades importantes para as pessoas, dependendo do local que estejam frequentando, ou seja, de nada adianta colocar uma livraria dentro de um parque de diversões, ou vender bicicletas em uma rua onde apenas existe a venda de veículos. NOTA O marketing é um modelo em que o gestor deverá buscar identificar a satisfação do cliente no local que ele esteja frequentando, portanto é importante estar bem informado das necessidades e desejos, através de pesquisas, que iremos aprender a realizar nas próximas unidades. 2.2 ERAS DO MARKETING Como qualquer situação desde os primórdios da evolução humana, o marketing também teve sua alavancagem evolutiva, ou seja, desde que existe a troca por alguma coisa, seja ela por dinheiro na aquisição de um produto tangível, um serviço não tangível e até a doação de sangue, é uma combinação na busca para satisfazer uma necessidade em que duas ou mais pessoas dão algo de valor em troca de outro (BONNE, 2011). Como o marketing está sempre fazendo parte de um negócio, sua importância tem variado muito durante os anos. Assim, desde a era da produção o marketing está dividido em quatro fases: 1º da produção; 2º das vendas; 3º do marketing e, por fim, o 4º do relacionamento. O Quadro 2 a seguir apresenta uma adaptação dos conceitos de Boone (2011) e Kotler (2011). QUADRO 2 – ERAS DO MARKETING FASES ProduçãoAntes de 1920 Vendas Antes de 1950 Marketing A partir de 1950 Relacionamento (mercado) A partir de 1990 Atitude dominante do período. Um bom produto se vende sozinho. Propaganda e vendas criativas ultrapassarão a resistência do consumidor e irão convencê-lo a comprar. O consumidor domina! Encontre uma necessidade e a satisfação. Relacionamento de longo prazo com consumidores e outros sócios leva ao sucesso. FONTE: Adaptado de Boone (2011) e Kotler (2011) TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 11 Como se pode perceber, o marketing passou por uma evolução que durou muitos anos, apesar de em alguns este tempo foi menor, mas esta ocorreu em virtude da necessidade das empresas se adaptarem aos seus clientes (BOONE, 2011, KOTLER, 2011). a) Era da produção: No início, a produção era quase que artesanal, e a partir da Revolução Industrial, nos países desenvolvidos o foco era produzir um produto com qualidade, que por si só iria vender sozinho, pela necessidade do consumidor em adquiri-lo. Um bom exemplo foi quando Henry Ford decidiu produzir um automóvel de fácil aquisição pelas pessoas, no entanto a escolha era única, um Ford T da cor preta. A produção em massa garantia um custo de produção baixo e vendas elevadas. Funcionou muito bem naquela ocasião, nesse período a produção tinha o foco principal do negócio muito aplicado na escola científica de Taylor. Eram poucas as escolhas que os clientes podiam fazer, no entanto, os consumidores não demonstravam necessidades específicas como nos dias atuais, antigamente seus interesses eram por produtos em massa e não sentiam a necessidade de diferenciação como agora, em que os desejos e necessidades são levados muito em consideração pelas empresas. b) Era das vendas: nessa época, o marketing ainda estava engatinhando, muitas empresas ainda consideravam que vendas e marketing eram a mesma coisa. No entanto, são coisas totalmente diferentes, seria a mesma coisa que dizer: jogar xadrez é o mesmo que jogar damas, ou ainda dizer que biomedicina é igual a biologia, mas o marketing vai além do que vender. Nesse período, observou- se que a produção estava maior que a oferta, assim houve a necessidade de uma maior persistência nas vendas para convencer os clientes a comprarem o que não necessitavam. As abordagens eram tão grandes nos clientes, que eles simplesmente compravam produtos ou serviços sem a sua real necessidade de utilização, atitude hoje conhecida como “compras desnecessárias”. c) Era do marketing: Como é natural, as culturas das pessoas mudam e as empresas foram obrigadas a mudar. Com o pós-guerra, muitos produtos estavam em falta no mercado, ou descobriu-se a sazonalidade nas vendas, pois produtos que vendiam no verão não vendiam no inverno e vice-versa. Nesse período, então, foi que o marketing começou a surgir com maior ênfase, pois a necessidade era de manter o negócio a longo prazo, e buscar a necessidade, desejos e satisfação do cliente, mesmo estando ele sem dinheiro, desde que tivesse a convicção de comprar produtos e serviços. O cliente passou a ser considerado o “rei”. Estudo de caso da Coca-Cola: Quando a empresa resolveu fazer uma mudança do seu produto, em 1981, para um novo sabor com o objetivo de oferecer a coca dietética, os executivos da Coca-Cola insistiram em não atribuir a mudança do sabor mais doce à Pepsi, mas os resultados das pesquisas indicavam a preferência pelo novo sabor, de 55% contra 45%. Porém ocorreu algo diferente, os consumidores iniciaram um protesto depois da introdução do novo sabor. O protesto foi de proporção nacional, em que todos pediam a volta do sabor centenário. A empresa foi obrigada a recuar, pois as vendas caíram, verificando-se a necessidade de retornar o antigo sabor. Foi um problema clássico de marketing, UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 12 mas no fim, após pesquisas, a marca Coca-Cola ainda era a mais lembrada (KOTLER, 2011). d) Era do Relacionamento (mercado): Com esse novo paradigma e a mudança na cultura das pessoas a partir da era do marketing, o foco fica no relacionamento de valorização e de longo prazo, com os consumidores e fornecedores. Nessa era, é o cliente que está ditando o ritmo de consumo e de seus desejos e necessidades, respeitando-se os aspectos preferenciais dos consumidores. Nesse caso, o que prepondera é a satisfação, que envolve a qualidade, o atendimento e a responsabilidade social. Em relação ao pós-venda, não havia muita preocupação pelas organizações, mas com essa transformação cultural foi necessário realizar mudanças para garantir que o cliente voltasse a comprar os produtos de determinada empresa e não do seu concorrente. Portanto, marketing de relacionamento, no que diz respeito às empresas, é garantir a satisfação do cliente para que volte a utilizar e comprar seus produtos, surgindo daí uma relação de longo prazo. NOTA Podemos perceber que o marketing foi evoluindo durante as décadas e que até a Coca-Cola errou mudando a fórmula do seu refrigerante. Portanto, nos dias atuais é indispensável promover uma pós-venda adequada e que os produtos busquem a satisfação dos consumidores. 2.3 MARKETING 1.0, 2.0 E 3.0 Com uma denominação diferente do tópico anterior, mas que trata da mesma classificação da evolução do marketing, em relação à evolução, o marketing passou por três fases, que segundoKotler (2012) são chamadas de Marketing 1.0, Marketing 2.0 e Marketing 3.0. Como aconteceu nas Eras do Marketing, as fases também foram sendo alteradas conforme os desejos, necessidades e satisfação dos consumidores. As empresas tinham a necessidade de promover mudanças para que seus produtos fossem bem vistos e consumidos pelos clientes (KOTLER, 2012). Em relação ao passado, quando a principal tecnologia ainda era referente ao equipamento industrial, o papel do marketing era vender produtos para quem desejava comprá-los, mesmo produtos básicos eram disponibilizados em massa para servir ao mercado. Nesse caso, o maior objetivo da organização era produzir em um número de escala relativamente grande para redução de custos, diminuindo o preço final do produto para que um número maior de consumidores pudesse adquiri-lo. TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 13 Esse exemplo de grande escala foi protagonizado por Henry Ford com seu famoso modelo T, ocasião em que o empresário afirmava: “O carro pode ser de qualquer cor, desde que seja preto”, portanto essa era a fase do Marketing 1.0, ou seja, o marketing centrado no produto (KOTLER, 2012). Quando iniciou a era da informação, nasceu o Marketing 2.0. A partir dessa fase, passou-se a observar mais os consumidores, pois com a tecnologia e a informação, estes estavam muito mais decididos e informados dos seus desejos e, com isso, podendo facilmente comparar preços com produtos semelhantes. Foi nessa época que começou a mudança na percepção na compra dos clientes, ou seja, ninguém mais queria apenas a cor preta do modelo T de Henry Ford, e assim, outras empresas, já mais avançadas, passam a disponibilizar automóveis em outras cores. O valor do produto passou a ser definido pelo consumidor, e suas preferências são muitíssimo variadas. Assim, o Marketing 2.0 era orientado para o cliente, onde a regra era o “cliente é o rei”. E nos dias atuais o profissional de marketing tenta chegar ao coração e mente do consumidor, tratando-o com uma abordagem centrada implicitamente, ou seja, oculta, nas campanhas de marketing. Somos induzidos a comprar (KOTLER, 2012). Nos dias atuais, o surgimento do Marketing 3.0 se tornou necessário, pois está voltado para os valores. Os profissionais de marketing passam a olhar para os consumidores como seres humanos plenos: com mente, coração e espírito. Percebe-se que o consumidor está buscando seus anseios de transformação do mundo globalizado, tornando-o mais apresentável e melhor para se viver. Os consumidores pesquisam por empresas que abordam as necessidades de justiça social, econômica e ambiental em sua missão, visão e valores. Resumindo, o Marketing 1.0: o consumidor buscava o que o produto entregava; Marketing 2.0: o consumidor buscava o que o produto entregava, de uma marca que tivesse um bom relacionamento com ele; e o Marketing 3.0: o consumidor busca o que o produto entrega, de uma marca que tenha um bom relacionamento e que contribua de forma positiva para o planeta e as pessoas. NOTA Os consumidores buscam não apenas satisfação funcional e emocional, mas também satisfação espiritual, nos produtos e serviços que escolhem. (KOTLER, 2012, p. 16) Igualmente ao Marketing 2.0, orientado para o consumidor, o Marketing 3.0 tem sua preferência em satisfazer o consumidor, mas a percepção dos valores, missão e visões é muito mais aparente nessa fase, tendo como objetivo oferecer soluções para os problemas da sociedade (KOTLER, 2012). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 14 TABELA 1 – COMPARAÇÃO ENTRE O MARKETING 1.0, 2.0 E 3.0 Marketing 1.0 centrado no produto Marketing 2.0 voltado ao consumidor Marketing 3.0 voltado aos valores Objetivo Vender produtos. Satisfazer e reter os consumidores. Fazer do mundo um lugar melhor. Forças propulsoras Revolução Industrial. Informação. Nova transformação da tecnologia e informação. Como as empresas veem o mercado Compradores em massa, com necessidades físicas. Consumidores inteligentes dotados de mente e coração. Ser humano pleno, com coração, mente e espírito. Conceito de marketing Desenvolvimento de produto. Diferenciação. Valores. Diretrizes de marketing da empresa Especificação do produto. Posicionamento do produto e da empresa. Missão, valores e visão da empresa. Posição de valor Funcional. Funcional e emocional. Funcional, emocional e espiritual. Interação com os consumidores Transação do tipo um-para-um. Relacionamento um- para-um. Colaboração, um- para-muitos. FONTE: Adaptado de Kotler (2012, p. 18) O marketing, ao passar por suas fases, teve que buscar mudanças para que as organizações pudessem continuar a sobreviver. Existem muitos exemplos de empresas que, com o passar dos anos, continuaram no marketing 1.0, consequentemente, hoje elas não existem mais. Já as empresas que entenderam a mudança do comportamento do consumidor estão cada vez mais prósperas e cresceram, promovendo uma importante mudança em seus valores, missão e visão, como exemplo: McDonalds, Coca-Cola, Nike, Samsung, entre outras empresas estrangeiras. Entre as empresas nacionais que fizeram uso do Marketing 3.0 estão a WEG e a Malwee, situadas na cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. Kotler (2012) afirma que em momentos de crises econômicas globais, o Marketing 3.0 agrega uma maior relevância na vida dos clientes, geralmente quando são afetadas diretamente as esferas sociais, econômicas e ambiental. As empresas que praticam o Marketing 3.0 normalmente possuem respostas rápidas para enfrentar esses problemas e, consequentemente, fazem com que os consumidores, com suas esperanças, tendem a se espelharem nos valores e missão dessas organizações. Esse modelo de marketing é um diferencial muito eficiente e eficaz nas épocas turbulentas. Para um entendimento melhor, a Tabela 1 apresenta uma comparação entre as fases do Marketing. TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 15 NOTA Não deixe de pesquisar as empresas de sua região que buscam valorizar o cliente através dos valores, missão e visão. 3 O MARKETING E A GLOBALIZAÇÃO Por mais que seja necessário ter conhecimento do passado, é importante que as organizações detenham informações, visto que estas são importantes para analisar esse ciclo em virtude da ocorrência de altos e baixos, uma vez que são situações que podem acontecer em qualquer modelo de negócio. Portanto, é necessário que as empresas estejam preparadas para qualquer tipo de mudança no mercado, pois este é um fato comum no mundo globalizado. Para um entendimento melhor, no Quadro 3 é apresentado o conceito de globalização por alguns autores, vejamos: QUADRO 3 – CONCEITOS DE GLOBALIZAÇÃO Conceito de globalização Autor A globalização implica, em primeiro lugar e acima de tudo, uma prorrogação das diversas atividades nos meios social, político e principalmente econômico, através das fronteiras, de modo que os acontecimentos, decisões e atividades em uma determinada região do mundo podem ter significados distintos para indivíduos e atividades em regiões do globo. Também se pode dizer que é uma força central que conduz a uma velocidade as mudanças sociais, políticas e econômicas que remodelam as sociedades modernas e a ordem mundial. David Held (1999) A globalização é um processo que tem conduzido ao condicionamento crescente das políticas econômicas nacionais pela esfera econômica mundial, e ao mesmo tempo possui uma participação nas relações de interdependência, dominação e dependência entre os atores internacionais e nacionais, incluindo os próprios governos nacionais que procuram colocar em prática suas estratégias no mercado global. Mário Murteira (2003) É a integração entre os países e os povos que tem como resultado uma grande diferença na redução dos custos, principalmente os do transporte e da comunicação, e a exclusão das barreiras artificiais à circulação de produtos, matéria-prima, agronegócios, serviços, capitais, conhecimentose pessoas. Joseph Stiglitz (2004) FONTE: O autor A partir do momento da globalização, o marketing foi obrigado a acompanhar as mudanças do mercado com esse novo modelo de comércio, sendo que cada país possui uma cultura, dessa forma, não era possível utilizar um modelo padronizado. Cada esfera, cada cultura, cada país possui suas diferenças, UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 16 dessa forma será necessária uma abordagem diferente de marketing para cada região geográfica do planeta. É sabido que a globalização iniciou pela década de 90 com o surgimento da internet (veremos mais adiante), pois a rápida globalização dos negócios permitiu que o profissional de marketing se tornasse internacional. Para quem acredita que o profissional de marketing tem a vida fácil, está muito enganado, pois enquanto algumas empresas possuem um orçamento grande para o marketing, outras encontram grandes dificuldades para colocar em prática estratégias para alavancar os negócios (BOONE, 2011). Os benefícios com a globalização são muito importantes para as empresas, pois ao invés de apenas fazer negócio no país nativo, a abertura do mercado expande para todos os outros continentes, trazendo uma receita adicional com suas operações. Com a abertura de novos escritórios em outros países, os profissionais de marketing encontram novos modelos de negócios, produtos, abordagens para distribuição, comunicação inteligente, podendo esse conhecimento ser aplicado com sucesso em seu mercado doméstico e até em outros mercados internacionais. É importante levar em consideração os mercados internacionais, a cultura de cada povo. Um exemplo apresentado por Boone (2011) aconteceu na China. A Toyota Motor Corp. teve que retirar um anúncio dos jornais, televisão e revistas de circulação durante uma campanha de marketing de um SUV (Sport Utility Vehicle ou “veículo utilitário esportivo) com o nome de Prado Land Cruiser, pois esse nome lembrava uma situação no tempo em que o Japão havia invadido a China em 1937. A palavra Prado, em sua tradução, significa “governar pela força” ou “excesso de força” em chinês. Como a Toyota é japonesa, isso passava uma péssima impressão. NOTA É importante que o profissional de marketing tenha conhecimento da cultura de cada país, região e até a religião de um determinado local em que pretende estabelecer negócios. É interessante lembrar que o profissional de marketing deve conhecer os costumes de cada país, e a utilização da etiqueta internacional se torna uma maneira de agradar o negociador, visto que as culturas são muito importantes para a realização do negócio. Um exemplo: no Japão não se deve cumprimentar com as mãos e nem a esposa do primeiro-ministro ou imperador, a não ser que ele tome a preferência. No passado houve um embaraço com o ex-presidente Barak Obama no Japão, pelo simples movimento de tirar seu casaco e emprestá-lo para a primeira dama. Podemos perceber que é muito complexa a cultura de alguns países. No Quadro 4 são apresentadas algumas etiquetas para um bom negócio global. TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 17 QUADRO 4 – ETIQUETA PARA UM BOM NEGÓCIO China • Relógios, guardanapos e as cores branca, azul e preta são associadas a morte, em hipótese alguma devem ser dados como presentes. • Refeições à noite são as ocasiões mais populares para entretenimento de negócio. Aguarde um local para sentar e não espere discutir negócio durante a refeição. • Experimente tudo o que é servido (mesmo que não goste) como uma cortesia, mas coma pouco, pois pode haver vários pratos. • Seja pontual, é extremamente importante. África do Sul • Vista-se bem em público em nome de seu anfitrião. • Oferecer presentes de negócio não é a regra. • Aperto de mão varia conforme os grupos étnicos. • Esteja preparado para um churrasco na piscina, principalmente se for um jantar na casa de um sul-africano branco. FONTE: Adaptado de Boone (2011) No quadro anterior foram apresentadas apenas algumas considerações e cuidados com as maneiras como devem ser tratadas as pessoas em cada país, no entanto, o profissional de marketing precisa pesquisar sobre cada cultura onde for realizar o negócio, isso é imprescindível. 4 A ORGANIZAÇÃO E O MARKETING A empresa deve estar preparada para quando começar a crescer, por isso é importante a organização dentro de toda a estrutura, pois irá demandar novas contratações, criação de funções e, no caso da falta de organização, a tendência será um total descontrole de todos os processos, dificultando alcançar os objetivos do negócio (LAS CASAS, 2009). A estrutura da organização tem variações conforme o crescimento que está demandando. Pode-se dizer que nas empresas de pequeno porte, o próprio proprietário toma as decisões mais importantes, centralizando na sua pessoa as operações principais da empresa, voltadas para o setor de vendas, pois é importante a busca por receitas. No entanto, quando o negócio se inicia com um grande crescimento, as demandas são outras e o proprietário não terá mais condições de organizar sozinho, ele se distancia do setor de vendas e busca se preocupar com um planejamento e com as tomadas de decisão que poderão levar a empresa a alavancar seus negócios. Dessa forma, é norma a exigência de uma reestruturação na estrutura organizacional (LAS CASAS, 2009). Geralmente, em pequenas empresas não existe um setor específico de marketing, muitas vezes este é adicionado ao setor de vendas. É importante salientar que não existe um trabalho que busca o entrosamento do marketing com o mercado, muitas empresas pequenas apenas têm em mente um único pensamento: “Estou vendendo e dessa forma não preciso de um setor de marketing”. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 18 FIGURA 4 – ORGANOGRAMA PADRÃO FONTE: Las Casas (2009) Nos novos modelos de organograma, as organizações já em crescimento demandaram um setor ou departamento próprio para o marketing. Lógico que depende de cada empresa desenhar o seu organograma da melhor maneira. Na Figura 5, o modelo apresentado é uma hipótese do que as empresas podem usar em seu organograma, pois algumas delas levam em consideração o marketing como uma estratégia e não apenas como mais um setor administrativo. FIGURA 5 – NOVO MODELO DE ORGANOGRAMA Gerente de Produção Gerente de marketing Gerente Financeiro Gerente Administrativo Gerente de Vendas Diretor FONTE: O autor Muito pelo contrário, empresas que desejam crescer têm, sim, necessidade de criar no organograma da empresa um setor ou departamento chamado Marketing. É nesse lugar que serão tomadas decisões para o crescimento de uma empresa. Imaginem se a maior empresa de refrigerante, a Coca-Cola, não tivesse um setor de marketing nos dias atuais, com certeza seria atropelada pela Pepsi e, quem sabe, por outras marcas menos conhecidas ou conhecidas localmente e regionalmente. Na Figura 4, a seguir, Las Casas (2009) apresenta um organograma padrão de empresas que não possuem um departamento ou setor de marketing. TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 19 Com essa nova nomenclatura, foram necessárias algumas mudanças internas na organização, ou seja, antes eram de responsabilidade do setor de vendas a pesquisa e a propaganda, que passam a ser responsabilidade do setor de marketing, pois é nele que serão tomadas decisões conforme forem realizados estudos de mercado e demanda. Lógico que o setor de vendas tem muito a auxiliar, como demonstrar a sazonalidade e as tendências de mercado, ou seja, ambos os setores devem trabalhar de forma conjunta e contínua, mas cada um com suas responsabilidades estratégicas. No organograma ainda podemos organizar a hierarquia interna do setor de marketing, adicionando outros departamentos, como: departamento de pesquisa, de propaganda e publicidade, de produtos, entre outros. Cada empresa busca o melhor organograma possível para si, algumas alteram o seu organograma adicionandoo setor de vendas logo abaixo do setor de marketing, sendo de sua responsabilidade, e não um setor em separado, como é apresentado na Figura 5. NOTA O organograma da organização depende da(s) pessoa(s) que toma(m) a decisão final da empresa, os modelos apresentados são hipotéticos, mas podem ser levados em consideração na maioria das pequenas e médias empresas. 5 IDENTIFICANDO O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR O comportamento do consumidor possui inúmeras situações que podem ser identificadas a partir das suas necessidades, no entanto, geralmente é através de alguma influência que ele passa a querer adquirir algum produto ou serviço. É importante ter a compreensão de que o consumidor possui atitudes diferentes, ou seja, quando compra um chocolate, a satisfação é bem diferente de quando irá adquirir um veículo, um eletrodoméstico ou um eletrônico. Na Figura 6 é possível perceber fatores que desencadeiam um processo de compra. FIGURA 6 – PROCESSO DE DECISÃO Necessidade Informações Avaliação Decisão Pós-compra FONTE: Adaptado de Las Casas (2009) Pode-se inferir que o consumidor irá adquirir um produto pela necessidade, a partir dessa situação. Por exemplo, uma oficina mecânica tem a necessidade de comprar um elevador de veículos para facilitar a manutenção da UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 20 parte inferior, o passo seguinte será buscar informação do modelo do elevador (marca), custo, os benefícios que serão propostos com a aquisição desse novo equipamento. Em seguida, a avaliação, este caso não é propor uma nota, e sim avaliar um grande número de situações, como a oferta (preço e fornecedores), condições de pagamento, características e os benefícios adquiridos. Para finalizar, cabe a decisão de adquirir o melhor produto encontrado no mercado, no entanto, após a compra, o consumidor poderá sentir um complexo de culpa, sendo isto algo psicológico, lembrando que muitas pessoas têm arrependimento na compra efetuada. Para alguns é só a devolução, para outros é um processo de procurar elementos que buscam justificar a confirmação da escolha. Na pós-venda o consumidor espera um atendimento adequado quando necessitar tirar alguma dúvida ou solucionar algum problema que possa ocorrer (LAS CASAS, 2009). NOTA Os comportamentos das pessoas são diferentes, independentemente da situação. Tanto que o consumidor poderá arrepender-se da compra. Segundo Las Casas (2009), quando ocorre um desequilíbrio psicológico com o arrependimento da compra, o consumidor tenta diminuí-lo da seguinte forma: a) Busca informações que reforçam a decisão da compra. b) Percebe outras informações reforçando a sua decisão. c) Reforça os aspectos positivos e tenta minimizar os aspectos negativos. O processo de decisão do consumidor deverá ser encarado com extrema importância por parte dos profissionais de marketing, pelo motivo de que esse passa por várias etapas até chegar à decisão de adquirir ou não o produto ou serviço. Para que se compre o produto da empresa, o marketing reforça os procedimentos no consumo, benefícios, características que fortaleçam a escolha no processo de avaliação. É sabido que temos gostos diferentes, mas as empresas tentarão, de todas as formas, convencer o indivíduo a escolher o seu produto e não o do concorrente. 5.1 TIPOS DE TOMADA DE DECISÃO É interessante identificar os tipos de decisão para cada compra, ou seja, dependendo do produto, a situação de compra tem significativas alterações, sendo dividida em três modelos de decisão. Las Casas (2009) apresenta estes modelos no Quadro 5. TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 21 QUADRO 5 – TIPOS DE DECISÃO Tipos de decisão Envolvimento do indivíduo com a compra Características do conjunto considerado Fontes de informações consultadas Tempo investido Rotineiras Baixo Poucas opções de marca, vendedores e características dos produtos avaliados. Ex.: extrato de tomate, leite, pão, gasolina etc. Internas, pois são ligadas a preço, conveniência e do gosto do consumidor, já sabe o que deseja. O mínimo possível, pois já tem em mente o que deseja adquirir. Limitadas Moderado Várias marcas, vendedores e características de produtos avaliados. Ex.: roupas, calçados, artigos esportivos. É importante o desenvolvimento da marca para a escolha do consumidor. Internas e algumas externas, através de comparação com outros produtos, sendo ofertas e marcas, mas em um esforço exagerado. Ex.: prefere o refrigerante da Pepsi ao invés da Coca-Cola. Pouco. Extensivas Alto Muitas marcas, vendedores e características de produtos avaliados. Geralmente produtos caros, especiais e pouco conhecidos, mas de extrema relevância para o consumidor. Ex.: veículos, casas, notebook etc. Algumas internas e muitas externas (muitas vezes, depende da tática do vendedor para finalizar a compra). Muito (produtos que demandam muito tempo e às vezes anos para se efetuar a compra, como no caso de um imóvel). FONTE: Adaptado de Las Casas (2009) O processo de compra pode ser levado a duas considerações, ou seja, por dois tipos de influências: a interna e a externa. As influências internas geralmente são levadas por fatores psicológicos, como a percepção, a satisfação, motivação, atitudes e a personalidade do indivíduo. Já as influências externas são geralmente levadas por fatores como a classe social, família, grupos étnicos e a cultura em si. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 22 NOTA Quando induzido a uma compra e, já na sua residência, ocorre o fator psicológico de uma depressão pelo fato de o consumidor não estar satisfeito com a aquisição. No entanto, muitas pessoas não fazem a devolução por simples timidez e pela perda de tempo em retornar à loja. O comportamento dos consumidores também leva em consideração a classe social. Muitas vezes, uma pessoa que tem muito dinheiro prefere comprar coisas simples e, muitas vezes, pessoas de classe mais baixa preferem comprar produtos com uma marca mais conhecida e mais cara. Las Casas (2009) apresenta no Quadro 6 o perfil de famílias brasileiras em diferentes classes sociais. QUADRO 6 – PERFIL DE COMPRA DO MERCADO BRASILEIRO Classe Participação total Característica Padrões de consumo A 30% Classe alta: Gerentes executivos, proprietários de empresas, profissionais liberais, grandes proprietários rurais. Grupo de consumo mais sofisticado: acesso aos bens importados, consumo tipo substituição de modelos, consumidores de juros pela aplicação na poupança. B1 20% Classe média urbana: Profissionais liberais, altos funcionários, empresários médios, proprietários rurais médios. Núcleo fundamental de expansão do setor moderno de mercado. Compra a curto e médio prazo. B2 22,5% Pequenos comerciantes. Base do mercado moderno, compras a médio e longo prazo. C 15% Classe assalariada. Principal suporte do mercado tradicional e dos bens de consumo não duráveis de baixo preço, poder de compra flutua com o salário mínimo real. D 12,5% Trabalhadores rurais, trabalhadores urbanos, marginalizados, marginais sociais em geral. Fora do mercado consumidor moderno e penetrando no tradicional. FONTE: Las Casas (2009, p. 166) TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 23 No quadro apresentado por Las Casas (2009) pode-se perceber que existem várias classes sociais no Brasil, mas, a princípio, o consumo geralmente depende do poder de compra de cada classe. No entanto, não quer dizer que uma pessoa de outra classe não pode comprar um produto do seu gosto, mas terá que pagar o valor que está na “vitrine”. O profissional de marketing terá muitos desafios para identificar as classes sociais e apresentar um produto para aquele indivíduo sem passar por constrangimento, pois cada pessoa tem uma personalidade e poderá ficar decepcionada com a marca ou loja, por estar sendo comparada com classessociais mais baixas do que aquela a que realmente pertence. NOTA O profissional de marketing deverá levar em consideração as atitudes, percepções e a satisfação dos consumidores e perceber o seu comportamento conforme a satisfação e aquisição de um produto, buscando o cuidado para não generalizar as classes sociais. LEITURA COMPLEMENTAR A limonada da crise é a mudança de comportamento do consumidor Estela Benetti O empreendedor Romero Rodrigues, fundador da Buscapé Company, empresa líder em digital commerce na América Latina, foi palestrante no primeiro Meetup Startup SC 2016, realizado quinta-feira à noite no Centro de Inovação Acate Primavera, em Florianópolis. O evento reuniu mais de 600 pessoas, foi uma iniciativa do Sebrae/SC e da incubadora Midi Tecnológico. Romero, que no final do ano passado assumiu a presidência do conselho da Buscapé e se tornou sócio do fundo de investimento em startups Redpoint eventures, conversou comigo sobre o futuro da busca de preços pela web, crise e o cenário do setor de TI de Florianópolis. Graduado em engenharia pela USP, Romero fundou a Buscapé em 1999 com os colegas de universidade Ronaldo Takahashi, Rodrigo Borges e Mário Letelier. Em 2009, eles venderam a companhia para a empresa Naspers, da África do Sul, por US$ 342 milhões. Como vocês fundaram a Buscapé e como foi a evolução dela? UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 24 A Buscapé começou em 1998. Eu já vinha com amigos de faculdade de Engenharia fazendo exercícios para criar uma empresa. Depois de várias tentativas que deram errado, o Rodrigo (um dos fundadores) estava tentando comprar uma impressora e começou a procurar em sites de busca pela internet. Ele procurou em todos da época – Cadê, Zaz e Uol – e não encontrou nada sobre informação de compra daquele produto. Aí veio a ideia de criar um site em que só se encontrasse produto e preço. Este site nós lançamos em junho de 1999, com 35 lojas e 30 mil produtos, que era 100% da internet brasileira na época. O projeto era inovador, fomos o segundo site de busca de preços no mundo (existia o mySimon no exterior) e até então não tinha havido investimento em empresa de internet noticiado pela mídia, não havia venture capital no Brasil. A gente foi pego de surpresa pela onda que teve. Foi uma onda grande, boa, mas uma só, curta, de 1999 a 2000, de investimentos em internet. Primeiro a gente conseguiu levantar recurso numa rodada Seed, bem pequena, depois conseguimos uma rodada maior com o Merrill Lynch e Unibanco, que foi de US$ 3 milhões. Esse dinheiro foi fundamental para a gente levar a empresa para a lucratividade, crescer e transformar a Buscapé no que acabou virando depois. Que conselhos você dá para quem quer empreender na área de tecnologia, abrir um startup? Primeiro eu brinco que empreendedorismo se quebra (divide) em três palavras: em resiliência, consistência e estar disposto a fracassar. Consistência porque você precisa realmente ter consistência no discurso e bater várias vezes até ser bem-sucedido. Há histórias maravilhosas, como a do Airbnb, que vale mais do que qualquer rede de hotel e não tem um prédio. Tiraram sarro quando eles apresentaram o projeto. Você não pode aceitar um não. Tomou um não, deve seguir para frente, continuar com a sua mensagem, criar uma cultura forte. E a resiliência de aguentar os tapas. Você vai tomar tapas e, mesmo assim, tem que seguir. E sobre o fracasso, uma vez ouvi uma analogia boa. O que um startup faz é que você tem hoje todas as grandes empresas. Imagina que elas são esferas. Então, tem gente que olha e fala que não tem espaço – há o Google encostado no Facebook. Mas há quem vê todo o volume que tem embaixo dessas esferas para poder crescer e empurrar para o lado as esferas grandes. Você tem que estar disposto a fazer testes e fracassar, tem que encontrar um ângulo, tem que ter essa teimosia de ficar testando até que o usuário goste do seu produto e passe a usá-lo. Você tem que estar disposto a fazer esses testes e arriscar fracassar. Qual é a tendência para o mercado de busca de preços pela internet? Eu acho que este é um momento muito especial, porque o smartphone está mudando tudo. Quando a gente criou o Buscapé, a ideia original era ter preço de produtos de lojas de rua. Para poder sair para fazer a compra sem perder tempo e gastar muita gasolina. Não era e-commerce. O smartphone muda tudo porque o consumidor tem no bolso, dentro da loja, todos os produtos e preços. Apesar de ser extremamente poderoso para o consumidor e fantástico para o Buscapé, tem outro problema, porque o modelo de negócio muda. O Buscapé, que está acostumado a cobrar para levar o consumidor até a loja on-line e cobrar dela, agora se depara com TÓPICO 1 | OS CONCEITOS DO MARKETING 25 boa parte das pessoas usando o aplicativo, mas não necessariamente fechando a compra pelo celular na loja on-line ou comprando nessa loja. Ele pode comprar na loja do shopping. Então, apesar de a gente ter as lojas, os preços e o consumidor, o modelo de negócios para esse novo futuro precisa ser reinventado. O que mudou no uso do aplicativo? Temos dois grupos de usuários do aplicativo. Um é o dos que usam para decidir o que vão comprar. As pessoas decidem a compra pelo celular no Buscapé e quando vão comprar pelo computador, não digitam o endereço do portal, só o do Walmart. Muitas lojas acreditam que o tráfego orgânico está aumentando. Mas, na verdade, são pessoas que usam o Buscapé ou o Google para obter a informação e depois vão comprar direto no site. Eu estou gerando valor, mas não estou capturando valor. Tenho um problema de monetização. O segundo grupo é o mais difícil. É o cliente que está na Casas Bahia ou no Ponto Frio e diz ao lojista que no Walmart está mais barato. Aí o Ponto Frio diz que vai fazer o mesmo preço. Ele usou a ferramenta, mas a monetização, a nossa receita é zero. O celular é um desafio e uma oportunidade. Uma opção é recomendar lojas mais perto da residência de quem compra. Começamos os serviços em 1999 e começamos a cobrar pela primeira vez em 2002. O Buscapé só ficou grande porque estávamos três anos à frente. Se for a mesma coisa, três ou quatro anos é mais fácil porque a empresa é maior. A gente não fala mais de 10 mil usuários, são 20 milhões por mês. Toda vez que você gera valor grande para o usuário, você vai ter um modelo de negócios. O que preocupa é como eu respondo as perguntas dos consumidores. É como o filme do Facebook. Não tem como você ter 500 milhões de pessoas entrando todo dia e não tirar valor disso. Como a crise impacta o setor de tecnologia? O ambiente de crise é uma oportunidade para todo mundo que está aqui neste evento (mais de 600 pessoas), porque a limonada da crise é a mudança de comportamento do consumidor. A receita do Buscapé não está essas coisas porque todos os clientes são varejistas e essas empresas estão supermal. Imagina quem está vendendo geladeira, máquina de lavar, televisão num Brasil como está hoje. Em compensação, a audiência do Buscapé está crescendo 45%, o que não acontecia desde 2009. Isso porque aquele pai de família que ia ao shopping almoçar, comprava uma TV numa loja e voltava para casa assistir ao jogo do seu time não faz mais isso. Ele pesquisa muito mais. A crise fez o consumidor mudar de comportamento. Ele cancela a TV a cabo e contrata o Netflix, cancela o seguro da corretora e vai para o Minuto Seguro procurar um preço mais acessível, em vez de ir direto para o shopping, dá uma olhada no Buscapé antes. Em SP, ao invés de ir ao aeroporto de táxi, que custa R$ 150, ele vai de Uber, que custa R$ 60. Há algumas frases que eu adoro. Uma delas não tem dono: "Hábitos antigos nunca morrem". "Mas se eles morrem, é durante a crise", acrescento. E a segunda é do Winston Churchill, que eu adoro: "Nunca desperdice uma boa crise". O melhor momento para criar uma nova cultura é durante uma crise. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTODE MARKETING 26 Você ingressou no fundo Redpoint eventures que investe inclusive em empresa catarinense. Como vê o cenário de empresas de SC, oportunidades de investimentos? A gente tem a Resultados Digitais que está no nosso portfólio. Acho que há duas análises. Uma é a fotografia. Vejo um ecossistema de inovação pujante, como raríssimos lugares no Brasil. Há algo em São Paulo, em Recife e Joinville está se mexendo um pouco... Mas não vai muito além disso. Mas o mais interessante é o filme e não a foto. O engenheiro sabe usar bem a derivada. O físico adora, mas não sabe usar. A gente vê a derivada muito positiva. Infelizmente, não venho tanto a Floripa como gostaria. Mas é uma derivada muito positiva. Olhando num espaço como este (A Acate Primavera), a qualidade das empresas, os empreendedores, os números e as métricas das empresas são muito fortes. O que o Redpoint está mirando mais? O Redpoint tem foco em investimentos série A e série B. Quando a gente pensa em setores, há alguns que a gente mantém um estudo ativo. O que a gente faz é investir em empreendedores incrivelmente bons que vão mudar o mundo. Eu, particularmente, tenho uma visão sempre contrária. Quando todo mundo está olhando para um lado, acho que há uma grande oportunidade atrás de todo mundo. Eu sempre gosto de ter um olhar contraditório. Fonte: Disponível em: <http://dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/estela-benetti/noticia/2016/02/a- limonada-da-crise-e-a-mudanca-de-comportamento-do-consumidor-4979288.html>. Acesso em: 07 abr. 2017. 27 Nesse tópico, você estudou que: • As Eras do Marketing, começando a partir da Revolução Industrial, que iniciou na Inglaterra, e nas demais décadas foi se transformando para buscar um consumidor mais fiel à marca e ao produto. • Foi necessário criar uma organização específica para o marketing dentro das empresas, com a implementação de um gestor de marketing para o gerenciamento de toda a estrutura a fim de apresentar solução como a propaganda, comunicação e fidelização para o consumidor. • Com a chegada da globalização, o “setor de marketing” criado dentro da organização teve a obrigação de promover mudanças nos produtos e serviços para melhorar a imagem perante os novos mercados e sempre conferindo a cultura de cada país, pois muitas vezes o que é feito em um país, em outro pode ser considerado ofensa ou algo inapropriado. • Por fim, foram incluídas no tópico as premissas do comportamento do consumidor, cada qual com sua classe social, e qual nível de poder de compra esses consumidores podem atingir conforme sua faixa salarial e social. RESUMO DO TÓPICO 1 28 1 Com a leitura efetuada do livro didático, é importante salientar a importância do marketing para as organizações, pois este é de fato a porta de entrada para a imagem e vendas dos produtos ou serviços que a empresa oferece. Diante dessa importância, com suas palavras apresente o conceito de Marketing. 2 O marketing não é algo recente, sua existência vem desde o tempo dos reis e rainhas, os faraós do antigo Egito. Os romanos influenciaram com sua religião aos demais povos quando esses lugares eram invadidos e adquiridos e muitas vezes pela força, ou mesmo o famoso “Alexandre, o Grande”. Todos esses indivíduos usavam modelos de marketing, precário em comparação com os dias atuais, porém prevalecendo o poder e a geração de medo nas pessoas. Há mais ou menos 100 anos iniciou-se uma evolução do marketing, e a partir dessa nova filosofia ele foi se transformando durante as décadas. Apresente quais foram as eras do marketing. 3 Relacione as colunas referentes à evolução do marketing: a) Produção ( ) Relacionamento de longo prazo. b) Vendas ( ) O consumidor domina! c) Marketing ( ) Um bom produto se vende sozinho. d) Relacionamento ( ) Propaganda e vendas criativas. 4 Nós, consumidores, possuíamos alguns desejos e necessidades, temos em mente a satisfação de nossas ansiedades sendo realizada, muitas vezes, por meio da compra, do consumo, por aquisição, lazer ou desfrutar de uma boa alimentação. É uma situação que acontece com todas as pessoas, ou seja, a decisão. Em cada ato que fazemos temos a necessidade de decidir alguma coisa, por exemplo: comprar um carro popular ou de luxo, ter uma alimentação saudável ou não, adquirir um perfume importado ou não, e assim seguimos nossas decisões, sejam elas corretas ou não. Apresente qual é a sequência para uma decisão que desencadeia o processo de compra. AUTOATIVIDADE 29 TÓPICO 2 ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Para o profissional de marketing, uma situação muito importante que possa agregar os valores, missão e a visão de uma organização para o mercado é o processo de planejamento estratégico, pois é a partir de um planejamento ou plano de marketing (que veremos mais à frente) que ocorre o fortalecimento da imagem da empresa e, com isso, o aumento de suas vendas. No entanto, é importante que esse profissional de marketing tenha os conhecimentos teóricos para assim realizar estratégias a fim de alavancar as vendas através de inovações, tanto administrativas como tecnológicas, e alcançar os objetivos da organização. É lógico que para obter essa diferenciação perante os concorrentes, o desafio para o profissional de marketing é muito grande, pois existem acertos e erros. Cabe identificar o mais rápido possível um deslize acontecido, antes que a situação fique pior, portanto é importante a geração de conhecimento, troca de conhecimentos e experiências e, assim, colocá-los em prática, sempre visualizando as necessidades e desejos do consumidor. 2 O AMBIENTE DE MARKETING, MACROAMBIENTE, MICROAMBIENTE Antes de iniciar e avaliar um planejamento estratégico de marketing é importante identificar o que são os ambientes de marketing e, a partir dessa interpretação, traçar um caminho para o desenvolvimento do produto ou serviço que a organização pretende produzir ou oferecer. O ambiente nada mais é que o posicionamento em que a empresa está inserida no mercado, a partir disso são tomadas decisões para verificar a viabilidade econômica, traçar objetivos para ser competitiva em um mercado cada vez mais crítico pelo favorecimento da informação, também constituído pelas forças internas e externas de uma organização. Cabe ao profissional de marketing estar monitorando diretamente as mutações no ambiente e tomar decisão para adaptar- se conforme for observando as mudanças e a cultura das pessoas (KOTLER; ARMSTRONG, 2007). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 30 O ambiente de marketing está relacionado a tudo o que está à sua volta, tanto internamente como externamente, ou seja, existem dois tipos de ambientes, o microambiente e o macroambiente. Sabendo disso, o profissional de marketing deve estar atento às mudanças que ocorrem a fim de criar estratégias e assegurar a vida da organização em mercados cada vez mais acirrados e concorridos. Kotler e Armstrong (2007, p. 56) apresentam os conceitos do ambiente de marketing. • Microambiente: é constituído pelos agentes próximos à empresa que afetam diretamente a sua capacidade de atender seus clientes (a empresa, fornecedores, intermediários de marketing, mercado de clientes, concorrentes e público). • Macroambiente: é constituído pelas forças societais mais amplas que afetam o microambiente (forças demográficas, econômicas, naturais, tecnológicas, políticas e culturais). FIGURA 7 – AMBIENTE INTERNO, MACROAMBIENTE E MICROAMBIENTE MACROAMBIENTE - Social Geográfica - Cultural - Econômico - Natural - Tecnológico - Políticas MICROAMBIENTE - Fornecedores - Intermediários - Concorrentes - Clientes - Públicos AMBIENTE INTERNO (Empresa) - Produção - Financeiro - Recursos Humanos - Comercial - MKT, 4 Ps. FONTE: Adaptado de Kotler e Armstrong (2007) Conforme se pode observar na Figura 7, o ambiente interno está ligado à estrutura interna da empresa, ou seja, são as variáveis quepodem ser controladas, podem ser alteradas mais facilmente quando ocorrem mudanças no ambiente externo da organização. Já o microambiente e o macroambiente são variáveis em que não temos o controle, pois vão depender do comportamento dos TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 31 consumidores, sendo que quando ocorrem é necessário a empresa estar atenta a essa transformação (KOTLER; ARMSTRONG, 2007). O ambiente interno é considerado o ambiente incorporado, ou seja, o que está dentro da organização, e geralmente existem conflitos entre os setores/ departamentos na administração da organização, mas que são normalmente resolvidos com rapidez, pois estão sob o controle da empresa (TAVARES, 2010). • Produção: é o produto que a empresa possui como ramo de negócio para vender aos consumidores, por exemplo: fabricar eletrônicos, como celulares, televisão, aparelhos de som etc. • Financeiro: é a parte da organização que controla as finanças, ou seja, cuida do dinheiro, contas a pagar e receber. • Recursos Humanos: responsável pela contratação e desenvolvimento da mão de obra, tem como finalidade cuidar e observar os funcionários. • Comercial: conhecido como departamento ou setor de vendas, tem a responsabilidade de vender os produtos que a empresa produz. • Marketing: responsável por adquirir novos clientes e aumentar o alcance dos produtos da organização (muitas empresas ainda misturam comercial com marketing). O microambiente em uma organização está sob a responsabilidade da administração de marketing, que possui como objetivo buscar e atrair novos clientes, relacionando-se com eles e buscando manter os já existentes, garantindo a satisfação pelo serviço prestado. Para tanto é necessário o envolvimento de toda a organização e a dependência de outros atores do microambiente, como pode ser visualizado na Figura 7. O sucesso depende do conhecimento e da interpretação que poderá ocorrer, pois não temos controle dessas variáveis, sendo elas (KOTLER; ARMSTRONG, 2007): • Empresa: no momento em que iniciar um plano de marketing, a gerência de marketing deve levar em consideração outros setores/departamentos da empresa, tais como: a diretoria estratégica, finanças, pesquisa e desenvolvimento, suprimentos (compras), produção e contabilidade, formando assim o ambiente interno que, por sua vez, traz impactos aos planos e às ações de marketing. (A empresa é uma variável controlável). • Os fornecedores: responsáveis pela matéria-prima para a organização ter condições de agregar valor em seus produtos, são uma conexão muito importante e podem afetar seriamente o marketing, ou seja, podendo atrasar a entrega da matéria-prima e, consequentemente, criar um efeito dominó, sendo a organização capaz de não entregar o produto no tempo programado. • Os intermediários: são considerados empresas que prestam serviços à organização, têm por finalidade auxiliar na promoção em vender e distribuir os produtos (bens) aos consumidores finais. • Clientes: são todos aqueles que podem adquirir os produtos da organização e a eles deve-se concentrar toda a atenção. Deve-se identificar quais são os possíveis clientes: o mercado consumidor, o mercado industrial, o mercado revendedor, o mercado governamental e o mercado internacional. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 32 • Concorrentes: é importante que os profissionais de marketing estejam atentos aos seus concorrentes, buscando vantagens competitivas e não apenas direcionar-se às necessidades e desejos dos consumidores-alvo. • Os públicos: é considerado qualquer grupo que tenha vantagem tangível ou potencialidade que cause impacto na capacidade da organização em alcançar seus objetivos. São considerados públicos: financeiro, mídia, governamental, defesa do consumidor, local e o geral. O macroambiente da empresa e todos os outros atores que operam fora da organização também são considerados variáveis, pois não se tem controle dessas forças, que possuem o objetivo de oferecer oportunidades e ameaças. Kotler e Armstrong (2007) apresentam as principais forças do macroambiente: • Ambiente social demográfico: pode ser considerado como estudo da população humana em divisão da extensão, localização, densidade, idade, sexo, raça, ocupação, entre outros vários dados estatísticos. De interesse dos profissionais de marketing pelo motivo do envolvimento de pessoas, pois são as pessoas (consumidores) que constituem os mercados. • Ambiente econômico: outra variável muito importante, pois os mercados são dependentes dos consumidores pelo poder de compra que possuem. Quando a economia não está bem, a tendência dos consumidores é diminuir o consumo, consequentemente apenas adquirem o que é necessário, seus desejos irão retornar apenas quando a economia estiver em crescimento. • Ambiente natural: a tendência em todo o mundo é de as pessoas pensarem no meio ambiente, isto é, nos recursos naturais e a importância que estes têm para elas. O profissional de marketing deve estar preparado para essa tendência do mercado, pois com o alto grau de poluição, se as empresas não tomarem conhecimento dessa mudança de cultura, terão grandes prejuízos, pois os consumidores não irão mais adquirir produtos poluentes e que não sejam sustentáveis. • Ambiente tecnológico: é o ambiente que mais traz mudanças, ou seja, está constantemente evoluindo, pois cada vez mais estamos dependentes da tecnologia. Hoje é considerada, talvez, a maior força significativa que molda nosso destino. A tecnologia pode ser tanto benéfica como maléfica, pois por um lado apresenta grandes perspectivas com a saúde, remédios, operações financeiras, de produção e consumo, mas também como perspectiva na combinação com armas letais, bombas etc. • Ambiente político/legal: outra variável que apresenta grandes problemas para a organização são as decisões no desenvolvimento do ambiente político. Temos alguns exemplos de políticas na América Latina que mostram a decadência de uma república quando existe o autoritarismo. Em um ambiente constituído de leis, agências governamentais e grupos de pressão, estes tendem a influenciar e restringir as empresas e consumidores na sociedade em que estejam inseridos. • Ambiente cultural: normalmente constituído por instituições não governamentais, são forças que tendem a afetar os valores básicos, as percepções, as preferências e os comportamentos da sociedade. Os valores culturais, dependendo da região em que a organização está inserida, são muito relevantes, por exemplo: religião, crenças, escola, ou seja, é aquilo em que as pessoas acreditam. TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 33 Em um ambiente, seja ele macro ou micro, o profissional de marketing deve estar preparado para criar estratégias em que o foco seja levar em consideração as variáveis apresentadas, principalmente estimando os valores e as crenças dos consumidores. De nada adianta à organização vender roupa para o verão em países em que a temperatura máxima não passa de 15 graus Celsius, ou vender terrenos para agricultores no deserto do Saara. O profissional dessa área deve levar em conta todas as variáveis, pois apenas dessa forma poderá montar um plano de marketing eficiente, capaz de alavancar o produto ou serviço que deseja implantar em determinada região. NOTA O microambiente e o macroambiente jamais poderão deixar de ser percebidos e observados pelo profissional de marketing, pois só assim a chance de sucesso da organização poderá ser alcançada. 3 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO DO MARKETING No planejamento de qualquer que seja o ramo de negócio da organização, independentemente do seu tamanho, deve-se desenvolver um modelo ou método para alcançar um objetivo. Antes de qualquer situação, deve-se identificar quais são os valores e a missão da empresa, ou seja, até onde ela quer chegar a partir de um ponto inicial para a sobrevivência do seu negócio em um ambiente com concorrentes. 3.1 PLANEJAMENTODE MARKETING Em qualquer empresa, de qualquer ramo, é importante criar um planejamento dentro da estrutura para se chegar a um ponto determinado. O mesmo acontece com as pessoas, temos que planejar o quanto podemos gastar do nosso salário com lazer, aluguel, água, telefone, energia elétrica, escola dos filhos, entre outros, e muitas vezes sabemos que não é suficiente, somos obrigados a cortar “aqui e ali” para não ficar no negativo. Nas organizações, sejam elas grandes, médias ou pequenas, não é muito diferente, pois quando algo de errado acontece, esse planejamento deverá ser revisto e feitas alterações para acompanhar o que está acontecendo no momento no mercado. O planejamento estratégico é o processo administrativo de desenvolver e manter uma viabilidade entre os objetivos organizacionais e os recursos e as oportunidades de mercado em constante mutação. O alvo do planejamento estratégico é configurar e reconfigurar o negócio da empresa e seus produtos de forma que eles combinem produção de lucros e crescimento (KOTLER, 2011, p. 73). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 34 QUADRO 7 – TIPOS DE PLANEJAMENTO Nível administrativo Tipos de planejamento Exemplos Diretoria, presidentes (CEOs), diretores operacionais, vice-presidentes de divisão, gerentes intermediários. Estratégico Objetivos organizacionais, estratégias fundamentais, planos de longo prazo, orçamento total. Gerente geral de vendas, gerente de unidades de negócios, diretor de pesquisa de marketing. Tático Planos trimestrais, semestrais e anuais, procedimentos e política de divisão. Gerentes de venda local, supervisor de telemarketing Operacional Planos diários e semanais, orçamentos das unidades, procedimentos e regras dos departamentos. FONTE: Adaptado de Boone (2011, p. 45) Ao ser distribuído o tipo de planejamento conforme o nível administrativo, é importante salientar que cada CEO, diretores, gerentes e supervisão estão claramente identificados com suas funções, assim, nenhum interfere no planejamento do outro, apenas é seguido o planejamento principal, no caso, o “estratégico”. Segundo Boone (2011), planejamento é seguir os objetivos da organização, sendo eles de curto prazo (seis meses) ou longo prazo (cinco anos), em constante movimentação conforme as mudanças econômicas e as tendências dos consumidores. Para seguir a sequência do planejamento estratégico voltado para o marketing, é importante a organização definir o negócio, sempre ligado aos seus objetivos, valores e missão, respeitando o grupo de consumidores a serem atendidos, as necessidades desses consumidores e a tecnologia necessária para satisfazer suas necessidades (COBRA, 1992). No Quadro 8, a seguir, Cobra (1992) apresenta exemplos de empresas com definições em relação aos seus objetivos, tanto orientados para o produto como para o mercado. Os exemplos, apesar de antigos, com exceção da Xerox e Os Trapalhões, a ideia é mostrar que, se o planejamento não for eficiente e eficaz, o negócio poderá extinguir, como no caso dos comediantes. Infelizmente não vivemos para sempre, e no caso da empresa, uma má administração é fonte para o seu declínio no mercado. Boone (2011) vai além quando se trata de planejamento, em seus estudos o autor apresenta diferentes níveis administrativos para enfatizar os procedimentos através da missão, objetivos e valores que a organização defende para o seu crescimento. No Quadro 7 ele apresenta os três modelos de planejamento em diferentes níveis administrativos. TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 35 QUADRO 8 – OBJETIVOS DAS EMPRESAS Organização Definição: Orientação para o produto Definição: Orientação para o mercado Petrobrás Nós produzimos derivados de petróleo. Nós buscamos soluções energéticas. Xerox Nós fazemos copiadoras. Nós ajudamos a desenvolver a produtividade nos escritórios. Os Trapalhões Nós fazemos cinema, televisão e shows. Nós proporcionamos entretenimento. Avon Nós fazemos cosméticos. Nós vendemos esperanças. Coca-Cola Nós fazemos refrigerantes para matar a sede. Nós fazemos comunicação. FONTE: Adaptado de Cobra (1992, p. 53) NOTA Nos dias atuais, para quem é da década de 90 ainda é comum usar em alguns lugares a marca Xerox para se referir a tirar cópia em uma máquina da HP, Epson e Samsung (etc.), esse tipo de marketing é o que todas as empresas desejam, ou seja, serem lembradas pelo que fazem. Podemos perceber que cada organização apresenta um modelo dos objetivos que deseja alcançar conforme o seu ramo de negócio, ou seja, até comédia, que é representada por pessoas, tem sua missão, os seus valores e os objetivos que deseja buscar e tornar excelência no que faz. Para alcançar seus objetivos, missão, valores e visão, é necessário que as empresas façam um planejamento estratégico adequado em que busquem equilíbrio, tanto pessoal, profissional e empresarial, todos deverão trabalhar de forma que garantam o sucesso da organização. É importante ter um diferencial dos seus concorrentes com metas gerais com relação à filosofia da organização, e assim satisfazer os desejos e as necessidades dos consumidores. Peter Drucker, o guru da administração, afirma que a missão deverá caber em uma camisa, sendo breve e de fácil lembrança para todas as pessoas que fazem parte da organização. Mesmo assim, algumas empresas ainda preferem usar modelos maiores, podemos verificar nos exemplos: • Empresa Pro Shops: “Ser o melhor comerciante de produtos recreativos para espaços ao ar livre, inspirar pessoas a amar, a aproveitar e a preservar o espaço externo” (BOONE, 2011). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 36 • Avon: “Ser a companhia que melhor entende e satisfaz as necessidades de produtos, serviços e autorrealização das mulheres no mundo todo” (AVON, 2011). • Natura: “Nossa razão de ser é criar e comercializar produtos e serviços que promovam o Bem-Estar/Estar Bem. Bem-Estar é a relação harmoniosa, agradável, do indivíduo consigo mesmo, com seu corpo. Estar bem é a relação empática, bem-sucedida, prazerosa, do indivíduo com o outro, com a natureza da qual faz parte e com o todo” (NATURA, 2011). • Coca-Cola: Refrescar o mundo – em corpo, mente e espírito. Inspirar momentos de otimismo – através de nossas marcas e ações. Criar valor e fazer a diferença – onde estivermos, em tudo o que fizermos. (COCA-COLA, 2015) • Nike: "Trazer inspiração e inovação para todos os atletas do mundo" (NIKE, 2017). • McDonald’s: Trabalhamos, diariamente, para sermos o restaurante favorito dos nossos consumidores. Para atingir esta missão, os nossos valores estão na base daquilo que somos, daquilo que fazemos e de como trabalhamos. (MCDONALD’S, 2017) Apesar da maioria das organizações ter preferência por frases longas, cabe ao profissional de marketing observar qual é o melhor slogan para a missão da empresa. Vale lembrar que não estamos discutindo se o modelo da missão está correto ou não, mas sim, fazer uma apresentação de modelos que as organizações utilizam. Como dificilmente as pessoas irão lembrar, o interessante é criar um slogan com uma frase menor para descrever a missão. Kotler (2011) apresenta um modelo para iniciar o processo de planejamento estratégico para uma organização, pois, como já se sabe, após a criação da missão vêm os objetivos e os valores da organização. O modelo apresentado é genérico, podendo ser usado em qualquer empresa. No entanto, dependendo do ramo do negócio, é importante fazer algumas modificações. Pode-se perceber na Figura 8 a sequência para iniciar um processo, ou seja, o planejamento, a implementação e o controle. FIGURA 8 – PLANEJAMENTO, IMPLEMENTAÇÃO E CONTROLE Planejamento Implementação Controle Planejamento corporativo. Planejamento divisional. Planejamento do negócio. Planejamento do produto. Organização. Implementação. Mensuração dos resultados. Diagnósticos dos resultados. Adoção de ações corretivas. FONTE:Adaptado de Kotler (2009) TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 37 O processo para um planejamento estratégico, conforme a Figura 8, obedece a uma sequência e, assim, muitas vezes há necessidade de modificá-la, conforme as alterações do mercado com os produtos que a organização esteja oferecendo. (KOTLER, 2009) • Planejamento Corporativo: é a visão total de toda a organização. • Planejamento Divisional: é a divisão das operações que serão realizadas, ou seja, a definição de quem vai realizar o que foi planejado. • Planejamento do Negócio: é até onde a empresa deseja chegar com o seu negócio, ampliar ou apenas a sequência de um tipo do ramo em que a empresa está inserida. • Planejamento do Produto: é a formação e o desenvolvimento de um ou mais produtos para serem inseridos em um mercado. • Implementação: é o momento em que o planejamento é colocado em prática. • Controle: é a verificação dos resultados com a necessidade, algumas vezes, de realizar a correção no planejamento. NOTA O desenvolvimento do planejamento está inserido nos valores, visão e objetivos da organização. Boone (2011) apresenta um modelo de planejamento com objetivos e metas para serem alcançados. O exemplo apresentado é apenas hipotético. • Gerar lucros de 10% nos próximos 12 meses. • Conseguir 20% de participação no mercado até 2010. • Introduzir 50 novas lojas no próximo ano. • Desenvolver 12 novos produtos em 24 meses. NOTA Caso desejar, pesquise o desenvolvimento estratégico das lojas Havan, o estudo de caso dessa empresa é muito promissor e apresenta o seu plano para o crescimento. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 38 4 A ESTRATÉGIA DE MARKETING Quando se fala em estratégia, muitas vezes é considerado como planejar algo para introduzir algum bem ou serviço no mercado, no entanto vai mais além do que apenas essa situação. A estratégia de marketing pode ser considerada como um programa geral que abrange toda a estrutura da organização, ou seja, desde o porteiro até o presidente da empresa, pois tem como objetivo a seleção de um mercado-alvo, específico para buscar satisfazer os consumidores, desde o produto, distribuição, comunicação e preço, e consequentemente agregar esse conjunto de situações em uma estratégia geral do marketing (BOONE, 2011). O intuito dessa estratégia é monitorar e elaborar mudanças assim que forem identificadas alterações no mercado, pois sabe-se que empresas que não têm informações estão propícias a perder mercado e até muitas vezes ocorre o seu fechamento, por isso é muito importante saber o que está acontecendo com os consumidores, identificando suas necessidades e desejos. Quando se tem a necessidade de criar estratégias, é preciso obter ferramentas para que se possa identificar as mudanças que giram em torno de um produto ou serviço, para tanto, é fundamental estar informado. Porter (1980) apresenta um modelo estratégico de força que é utilizado por muitas empresas dos mais diversos segmentos, mas é importante salientar que cada ramo de negócio deverá ser adaptado, lembrando que não existe uma receita pronta, cada empresa é única, e, portanto, é importante o profissional de marketing estar É sabido que de tempos em tempos é necessário rever o planejamento estratégico. Diante dos fatos, é importante a empresa realizar pesquisas periodicamente para identificar mudanças na estrutura da organização, bem como no mercado. Drucker (1998) apresenta algumas perguntas que os gestores devem realizar para uma autoanálise do que pode estar acontecendo no mercado. a) Qual é o nosso negócio hoje? b) Quem é o nosso cliente hoje? c) Qual é o valor do nosso negócio para os nossos clientes? d) Qual será o nosso cliente amanhã? e) Qual deveria ser nosso negócio hoje? f) Qual será nosso negócio amanhã? As perguntas acima é importante fazê-las de tempos em tempos, pois as mudanças nos dias atuais são consideravelmente muito mais rápidas que no passado, ou seja, hoje é o cliente quem manda. E temos que levar em consideração em qual país estamos inseridos, devido ao protecionismo, monopólio e barreiras comerciais, ou seja, não podemos generalizar, e nem todas as situações que o marketing realiza em um país desenvolvido poderão ser aplicadas em um país em desenvolvimento. TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 39 atento com as mais diversas situações e mudanças que poderão ser enfrentadas nas mais diferentes áreas da indústria, comércio e serviços. Na Figura 9 pode-se verificar o modelo que devemos tomar como iniciativa para criar uma estratégia de mercado, ou seja, são situações para as quais se deve prestar atenção para tomar decisões no futuro, e esse futuro pode ser amanhã. FIGURA 9 – MODELO ESTRATÉGICO DE PORTER Novos concorrentes Poder de barganha dos compradores Poder de barganha dos fonecedores Rivalidade entre concorrentes Ameaça de produtos substitutivos A internet transfere maior poder para os consumidores finais. A internet tende a aumentar o poder de barganha dos fornecedores. A internet minimiza diferenças entre concorrentes A internet diminui barreiras de entrada. A internet cria novas ameaças substitutas. FONTE: Adaptado de Porter (1980) Nesse modelo apresentado por Porter na Figura 9 pode-se perceber que mesmo em 1980, quando a internet ainda era apenas usada para fins militares, já podia ser igualada ao sistema de internet para os dias atuais. Portanto, organizações de grande porte que não estão ligadas à internet tendem a ver suas vendas caírem, e caso não tomarem uma mudança estratégia radical segundo o modelo apresentado, terão sérios problemas e, consequentemente, poderão desaparecer do mercado. NOTA Fique atento aos consumidores, pois, ao perceberem que o seu concorrente possui um produto ou serviço melhor, é provável que irão trocar de fornecedores. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 40 Boone (2011), em suas análises, salienta que o consumidor tem todo o direito de trocar seu fornecedor, independentemente do que esteja buscando. Quando os profissionais de marketing percebem essa atitude, devem tomar providências para que esse consumidor não deixe de adquirir seus produtos ou serviços. Cabe ao profissional de marketing buscar novos mercados, alteração de preços, ou ainda, competir com outras formas e garantir sua sobrevivência ou vantagem competitiva. Por exemplo, assim que os clientes percebem que o açúcar está demasiadamente elevado para sua dieta e que pode ser prejudicial à saúde, as empresas de açúcar tiveram que tomar mudanças rápidas e eficazes, como a introdução de adoçantes. Nem sempre uma estratégia que deu certo para uma organização poderá dar certo para outra, pois, como já foi informado, cada organização tem sua personalidade, um produto ou serviço específico, e assim, cada qual deverá realizar alterações em suas receitas estratégicas. Boone (2011) apresenta uma estratégia em que ser o primeiro a entrar no mercado terá chances de garantir sua superioridade em relação às outras empresas. Existe, também, a estratégia do seguidor, mas qual é a melhor? Indiferentemente de qual estratégia é seguida, é importante salientar que ambas têm seus prós e contras, vejamos nos exemplos: • Primeiro a entrar: a empresa Ebay foi a pioneira a criar leilões on-line e obteve um grande sucesso. A Amazon, que apenas vendia livros, passou a vender joias com preços de U$ 45,00 até U$ 93.000,00, outro sucesso de vendas. Por outro lado, a Apple, com seu palmtop Newton, não obteve o mesmo efeito, trazendo um grande prejuízo para a organização. • Seguidoras: por outro lado, as seguidoras têm como estratégia verificar o que seus concorrentes estão fazendo, analisando os sucessos e fracassos, sempre atentas à inovação para permanecer no mercado e ganhar vantagens com os erros das outras organizações. Um exemplo é a Microsoft, uma das maiores empresas de software do mundo. A partirdas necessidades das organizações, muitas estão utilizando a análise SWOT (Strenghts – Pontos fortes, Weaknesses – Pontos fracos, Opportunities – Oportunidades, Threats – Ameaças), sendo esta uma ferramenta de extrema importância para que os gestores das mais diversas áreas da organização obtenham uma visão crítica dos ambientes tanto internos como externos, o que auxilia no cumprimento da missão da empresa (BOONE, 2011). Na Figura 10 pode-se visualizar um procedimento para análise SWOT, sendo que é importante interpretar as informações que estão sempre em constante mutação, e é imprescindível que a empresa realize as alterações o mais rápido possível, de forma eficiente e eficaz, para não perder mercado, quando já inserida nele, ou ainda na abertura de novos mercados. TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 41 FIGURA 10 – ANÁLISE SWOT - Vantagens de custo. - Recursos financeiros. - Fidelidade dos clientes. - Patentes. - Instalações de produção modernas. PONTOS FORTES: - Linha de produtos muito limitada. - Falta de gestão aprofundada. - Operação de alto custo pelo motivo dos custos elevados com a mão de obra e instalações obsoletas. - Capacidade financeira limitada. - Imagem fraca no mercado. PONTOS FRACOS: - Mudança do gosto dos clientes. - Políticas de governo adversas. - Provável entrada de novos competidores. AMEAÇAS: - Entrada em novos mercados. - Aquisição de firmas com tecnologias necessárias. - Novidade em uma linha de produtos. OPORTUNIDADES: Restrições Vulnerabilidades Alavancagem Problemas FONTE: Adaptado de Boone (2011) O profissional de marketing deverá estar atento à questão da análise SWOT, pois é uma ferramenta de grande utilidade para a organização traçar uma estratégia identificando as oportunidades e ameaças, para assim garantir a sobrevivência da empresa, independentemente do ramo de negócio em que esteja inserida no mercado. A janela da estratégia acontece em períodos limitados, ou seja, é como um velho ditado: aquele que deixa para amanhã, aí poderá ser tarde demais. Dessa forma, é a escolha do melhor momento para inserir um novo produto no mercado, mas isso requer uma análise completa, como: a) Condições ambientais externas atuais e futuras. b) Capacidades interna atual e planejada da empresa. c) Como e quando a organização poderá conciliar as condições ambientais e suas capacidades com a implantação de uma ou mais estratégias de marketing (BOONE, 2011). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 42 NOTA Percebe-se que a escolha de uma estratégia de marketing leva muito em consideração as variáveis, e, portanto, é necessário que se tenha informações e dados suficientes para uma tomada de decisão correta, para isso é importante a pesquisa, que veremos na segunda unidade do livro. 4.1 ESTRATÉGIAS DE CRESCIMENTO Assim como as pessoas pretendem crescer profissionalmente, as empresas também têm essa consciência de sobrevivência e crescimento no mercado, para tanto devem tomar decisões, muitas vezes, por meio de variáveis, no entanto pode-se ter ideias de promover estratégias que, talvez no meio do caminho, seja necessário alterá-las. NOTA Quando se faz um planejamento estratégico, muitas vezes pelo motivo de diversas variedades, a organização é obrigada a rever suas decisões. Cabe a ela estar sempre buscando informações através de pesquisas e monitorando o mercado. Para auxiliar o gestor de marketing, a BCG (Boston Consulting Group), empresa especializada em consultorias, desenvolveu um modelo matriz de crescimento e participação do mercado, conforme se pode observar na Figura 11. TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 43 FIGURA 11 – MATRIZ DE CRESCIMENTO DA BCG Estrelas Oportunidade Vacas Leiteiras Abacaxi Alta - Participação relativa do mercado - Baixa Ba ix a - C re sc im en to d e m er ca do - A lta • Geradores de recursos financeiros; • Sem exigência de muitos recursos financeiros; • Recursos realocáveis. • Gera poucos recursos financeiros; • Não há crescimento no mercado; • Melhor mudar de negócio. • Inicialmente gera pouco recursos financeiros; • Perspectiva de crescimento; • Decisão de risco. • Altamente atrativo; • Gera muitos recursos; • Investimentos constantes e significativos. FONTE: Adaptado de Kotler (2011, pág. 79) Em relação ao BCG, existem muitas variáveis que devem ser levadas em consideração para o crescimento da organização, bem como ter um desempenho melhor que seus concorrentes. Para isso é necessário observar em qual estágio o produto ou serviço se encontra, ou seja, diagnosticar as vantagens e desvantagens que possam dar continuidade no processo em que a organização está inserida no mercado. Kotler (2011) apresenta as quatro fases da ferramenta Matriz da BCG que poderão auxiliar nas tomadas de decisão ao profissional de marketing. a) Oportunidade: Nesse caso, o produto ainda está com um mercado em baixa. Deve-se lembrar que para iniciar uma nova oportunidade, a necessidade de investimento é muito alta, como de infraestrutura, pessoal e equipamentos para acompanhar o mercado caso o produto tenha uma alavancagem além do planejado. Outro detalhe das organizações, mas que não é uma regra, é tentar introduzir um produto ou um segmento no mercado que não esteja pulverizado; é interessante fazer um investimento em mercados pouco saturados pois, consequentemente, o crescimento se torna mais rápido com maiores lucros. b) Estrelas: Pode-se dizer que as estrelas são os produtos bem-sucedidos, ou seja, um líder com alto crescimento, no entanto, não significa que esse produto gere receitas positivas para a organização. Dessa forma, a empresa deve alocar recursos para manter a alta taxa de crescimento no mercado e tentar se defender de todas as formas dos concorrentes. Um exemplo que ocorreu por anos foi o VW Gol, ele era a estrela da Volkswagen, apesar de vender muito gerava pouca lucratividade. Após a empresa deixar em segundo plano e investir em outro produto, no caso o Up, percebeu que a estratégia não foi acertada, visto que o consumidor resolveu mudar de hábitos e gostos e passou a buscar veículos como os SUVs. Toda empresa precisa ter uma estrela, ou seja, um produto que vende muito, mesmo que não tenha muita lucratividade. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 44 c) Geradora de caixa: Um produto que é o carro forte da empresa, ou seja, a vaca leiteira que gera muito lucro devido à grande quantidade em números de venda e pelo período que está no mercado, e que quando em determinado momento perde cerca de 10% do mercado, ainda são consideradas geradoras de caixa, no entanto, mesmo que ocorra uma baixa maior no mercado, a organização tem sua receita focada na quantidade produzida, ou seja, está ganhando dinheiro pela escala de produção. Quando esse gerador de caixa iniciar um declínio, a organização deverá ficar preocupada, em virtude de não poder mais injetar recursos nesse produto, caso contrário, colocará em risco a saúde financeira do negócio e o produto poderá se tornar um abacaxi. d) Abacaxis: Aqui os abacaxis são identificados como produtos com baixa participação de mercado, baixo crescimento e geram pouco lucro, ou, às vezes, dão prejuízo, embora auxiliem com alguma receita financeira. Muitas vezes, quando uma organização está inserida no mercado, mas a demanda por um produto (abacaxi) seja de pouca procura, a empresa percebe que é necessário estar presente nesse mercado, continua com essa estratégia para manter um determinado cliente. Um exemplo que muito acontece são as montadoras de carros, um veículo pode ter um giro de vendas baixo, mas está em um segmento que, mesmo em baixa, tira consumidores das outras montadoras de veículos. Por exemplo, por mais que a Ford tem baixas vendas com o Focus Sedan, ela tira consumidores do Toyota Corolla. No entanto, quando o giro de vendas é muito baixo, ocorreto é se desfazer desse abacaxi, foi o que a Fiat fez com o Línea, descontinuando a produção. NOTA Ao perceber que um produto se torna abacaxi no mercado, as empresas têm duas opções: ou investem no produto para verificar se em algum momento ele gera crescimento novamente, ou apenas descontinuam o produto. Cabe aos gestores estratégicos decidirem a sequência a ser dada para o futuro da organização. O modelo BCG também pode ser considerado como o ciclo de vida de um produto, muitos conhecem como: introdução, crescimento, maturidade e declínio. No entanto, iremos utilizar a nomenclatura a seguir: Oportunidade, Estrela, Vacas leiteiras e Abacaxi. No Quadro 9, a seguir, apresenta-se um modelo do ciclo de vida de um produto. TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 45 QUADRO 9 – O CICLO DE VIDA DO PRODUTO Introdução – Oportunidade É quando o produto é inserido no mercado, tem baixo consumo e volume de produção. Crescimento – Estrelas Produto já caracterizado no mercado, alto consumo e vendas, aceitação dos consumidores. Percepção para possíveis concorrentes. Maturação – Vacas Leiteiras É quando o produto está iniciando sua saturação no mercado, as vendas e os lucros ficam estabilizados. Esse processo inicia quando a empresa tem a necessidade de investimento alto para manter o produto no mercado. Declínio – Abacaxi É quando o produto inicia o seu declínio, ou seja, começa a perder participação no mercado, geralmente pela queda das vendas e dos lucros. As situações são as mais variadas para isso acontecer, ou seja, o surgimento de produtos mais modernos, substituição de linha, falta de necessidade, entre outras. FONTE: Adaptado de Kotler (2011) 4.2 ESTRATÉGIA DA FORÇA DO NEGÓCIO Como foi possível observar anteriormente, um produto ou serviço de qualquer tipo de ramo de negócio possui um ciclo de vida, e o importante para a organização é identificar o momento em que está se vivendo para tomar novas decisões, mudar as estratégias e, consequentemente, alavancar com novos produtos, novas inserções no mercado, promoções e, muitas vezes, a necessidade de gerar uma nova estratégia para o crescimento e a sobrevivência da empresa. O consumidor, muitas vezes, tem por costume seguir novidades. Isso, é claro, depende de cultura para cultura, por exemplo: o brasileiro está cada vez comprando mais automóveis SUVs (Sport Utility Vehicle, que significa “veículo utilitário esportivo”), deixando de lado carros de porte médio. Com essa mudança de cultura foi necessário que as empresas investissem nesse segmento para não perder seus clientes, já que outras estavam incorporando esse modelo de veículo em seu portfólio e, consequentemente, mantendo a mesma quantidade de clientes. No entanto, outros modelos de automóveis cada vez mais estão perdendo mercado, pois o consumidor tem o desejo de obter um SUV, em virtude de ser um carro mais alto, mas não quer dizer que seja mais confortável e espaçoso. Para o profissional de marketing é importante identificar essa mudança de postura ou cultura dos consumidores, para assim tomar novas estratégias de crescimento. Kotler (2011, p. 81) apresenta no Quadro 10 estratégias para atratividade do mercado, no entanto é importante ter informações como a localidade, cultura, poder aquisitivo para identificar qual a melhor estratégia a ser implantada. Lógico que, muitas vezes, no meio do caminho é necessário mudá-las. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 46 QUADRO 10 – A FORÇA DO NEGÓCIO FONTE: Adaptado de Kotler (2011, p. 81) O Quadro 10 demonstra algumas estratégias que o gestor deverá realizar para que possa alavancar seu negócio, no entanto, não é regra, tudo depende do comportamento dos consumidores se irão ou não atender às expectativas da organização, portanto é crucial estar sempre pesquisando, buscando informações para saber qual caminho seguir. NOTA Lembre-se de que não existe uma receita pronta, tem-se a estrutura, os ingredientes, mas a quantidade deverá sempre estar em constante mudança, buscar o crescimento e alavancagem da organização. Força do Negócio Forte Média Fraca A tr at iv id ad e da in dú st ri a Alta Proteger a Posição: - Investir para crescer ao máximo. - Concentrar esforços para manter a força. Investir para crescer: - Desafiar pela liderança. - Crescer seletivamente nos pontos fortes. - Reforçar as áreas vulneráveis. Crescer seletivamente: - Reforçar as forças limitadas. - Procurar meios de superar as fraquezas. - Retirar-se se não houver indicadores de crescimento sustentável. Média Crescer seletivamente: - Investir fortemente nos segmentos mais atraentes. - Crescer em habilidade para deter os concorrentes. - Enfatizar a rentabilidade via aumento da produtividade. Seletividade/Administrar para o lucro: - Proteger os programas existentes. - Concentrar os investimentos em segmentos de boa rentabilidade e de riscos relativamente baixos. Expansão limitada ou desaceleração: - Procurar maneiras de expandir sem alto risco, caso contrário, minimizar os investimentos e racionalizar operações. Baixa Proteger: - Administrar os ganhos atuais; - Concentrar em segmentos atraentes; - Proteger forças. Administrar para o lucro: - Proteger a posição nos segmentos mais rentáveis; - Ampliar a linha de produtos; - Minimizar o investimento. Abandonar: - Vender no momento certo para maximizar o capital investido; - Cortar custos fixos e evitar investimentos. TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 47 Cobra (1992) tem uma fórmula para criar uma estratégia de mercado. Apesar do contexto inserido na década de 90, ainda é utilizada nos dias atuais, portanto nem tudo que é antigo é obsoleto, muito pelo contrário, pode mostrar qual ou quais as mudanças realizadas anteriormente para inserir com alterações propostas para a força do crescimento do negócio, e observa-se a seguir no Quadro 11. QUADRO 11 – ESTRATÉGIAS DE MERCADO Produtos Mercados Produtos atuais Novos produtos Mercado atual Penetração de mercado: utiliza os produtos atuais para ampliar a participação nos mercados já existentes. Diferenciação do produto: tem por objetivo inserir novos produtos nos mercados atuais. Novos mercados Desenvolvimento do mercado: tem por finalidade inserir produtos atuais aos novos mercados. Diversificação: tem por finalidade inserir novos produtos em novos mercados. FONTE: Adaptado de Cobra (1992, p. 71) Esse modelo de estratégias apresentado por Cobra (1992) é muito comum as empresas realizarem, pois quando um mercado já está saturado, ou seja, chegou ao limite das vacas leiteiras, é necessário buscar novas oportunidades em outros mercados, a fim de que a empresa sobreviva e contenha o crescimento de seus concorrentes com seus produtos. Dessa forma, é importante a organização estar preparada para expandir, lembrando que existem as necessidades financeiras que devem ser levadas em consideração, ou seja, investimentos com novos portfólios, novos mercados, observando as necessidades e desejos dos consumidores. A organização sempre deverá estar preparada para quando surgirem novas oportunidades, pois é importante identificar as mutações que ocorrem no mercado. Para tanto, Kotler (2011) sugere algumas estratégias para ampliação das vendas e para a busca de novos mercados, novos segmentos com outros produtos, uma diferenciação perante seus concorrentes. O autor apresenta três estratégias para o crescimento da organização. • Estratégia de penetração de mercado: para a penetração do mercado, existem três abordagens: (1) Estimular seus consumidores atuais a comprar um maior número de produtos por períodos. (2) Atrair novos consumidores dos seus concorrentes. (3) Convencer os consumidores das concorrentes a adquirir seus produtos. • Estratégia de desenvolvimento de mercado: (1) Identificar grupos de usuários com potencialidade de interesse em seus produtos.(2) Buscar outros canais de distribuição além dos seus mercados atuais. (3) Aumentar o mercado para outras regiões do país e/ou até mesmo utilizar a exportação. • Estratégia de desenvolvimento do produto: (1) Desenvolver novas características dos mesmos produtos (inovar). (2) Aumentar o nível de qualidade divergente para classes diferentes, com maior ou menor tecnologia embutida. (3) Criar novos portfólios, diversificando os produtos. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 48 NOTA Além da estratégia do produto, é importante salientar a criação de estratégias de preços, no entanto esse processo você irá aprender na disciplina Planejamento Estratégico. Considerando ainda estratégias de crescimento, pode-se levar em conta mais três modelos para aplicação no desenvolvimento dos mercados e produtos atuais ou, ainda, em novos mercados e produtos. Assim, Kotler (2011) e Lambin (2000) definem como: • Estratégia de crescimento intensivo: pode ser através da penetração de mercado, com possibilidades do desenvolvimento de produto e de mercado, procurando a inserção o mais rápido possível, antes que seus concorrentes antecipem a introdução de seus produtos. • Estratégia de crescimento integrada: esse modelo de estratégia pode ser recomendado para empresas que procuram melhorar sua rentabilidade. Assim, há três formas de integração: 1) “Para frente” - quando ocorrem operações localizadas na cadeia de suprimentos entre a organização e o cliente, tem por finalidade ser altamente rentável (atacadistas e varejistas), 2) “Para trás” - geralmente ocorre quando a organização compra operações da cadeia de valor que estão localizadas entre a empresa e a matéria-prima, ou seja, incorpora fornecedores, componentes, entre outros, para gerar mais lucros, 3) “Horizontal” - geralmente se dá no momento em que a organização resolve adquirir uma empresa concorrente. • Estratégia de diversificação: esse modelo geralmente se dá quando a organização insere em novas oportunidades, sem preocupação com relação às atividades habituais, tem como intuito a diversificação do seu portfólio de negócios. A necessidade é sempre aumentar a lucratividade, portanto é preciso buscar as oportunidades, mas lembrando das ameaças que podem ocorrer durante a trajetória na introdução de um produto, ou seja, muitas vezes, sem que percebamos, nossos concorrentes inserem um produto da mesma natureza muito além da nossa organização. Observe o exemplo de Kotler (2011) referente às oportunidades e ameaças: Oportunidades: a) A empresa desenvolve um sistema de iluminação muito poderosa. b) Produz um equipamento para controlar os gastos de energia a qualquer sistema de iluminação. c) Desenvolve um equipamento para medir o grau de luminosidade. d) Cria um programa de computador sobre iluminação para treinar o pessoal que trabalha em estúdios de televisão. TÓPICO 2 | ORIENTAÇÃO DO MARKETING PARA O MERCADO 49 Ameaças: a) O concorrente desenvolve um sistema de iluminação superior. b) Depressão econômica mais prolongada. c) Custos mais elevados. d) Legislação para reduzir o número de estúdios de TV. Pode-se observar no exemplo apresentado que temos inúmeras oportunidades e ameaças. As organizações devem prestar atenção quando estão se inserindo em novos mercados, portanto é importante que os gestores de marketing, juntamente com todos os demais gestores, estejam cientes de que qualquer atitude não controlada pode acarretar uma perda financeira substancial, podendo levar a organização a ter prejuízos. Cabe levar em consideração todas as ameaças que podem ocorrer em determinado tempo, e também as variáveis econômicas, políticas, clima, entre outras, para que a estratégia esteja no caminho certo, lembrando que qualquer mudança deve ser feita para toda a estratégia. A exemplo do que ocorre no nosso dia a dia, no caso de uma possível diminuição do salário, quando devemos mudar nossas necessidades e desejos e alterar nossas estratégias para garantir o mínimo necessário à sobrevivência, assim também ocorre com as organizações, por isto sempre se deve estar em constante modificação. NOTA Lembre-se de que para o sucesso da organização existem muitas variáveis que devem ser levadas em consideração no momento da realização de uma estratégia, de curto, médio ou longo prazo, ou seja, estar sempre preparado para fazer mudanças quando surgir alguma ameaça. 50 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você estudou que: • Toda organização sempre deve estar atenta ao mercado, buscando novas oportunidades, desenvolvimento de produtos e identificar as necessidades e desejos dos consumidores. Um planejamento estratégico é a base para transformar a empresa para produzir lucratividade, e a organização deve estar atenta, principalmente, nas oscilações que ocorrem no mercado, tanto politicamente e economicamente, pois é sabido que apenas podemos prever o futuro através de indicadores e informações e, assim, criar uma estratégia eficiente. • O tópico apresenta algumas situações e exemplos de procedimentos que devem ser levados em consideração em relação ao produto ou serviço, sempre visualizando o mercado. Para tanto, é importante estar bem informado do que ocorre com o consumo, isso se faz por meio de pesquisas. • O crescimento do negócio só acontece a partir da criação de estratégias eficientes na busca da eficácia para sobreviver em um mercado sempre em constante mutação. Apenas pode-se prever o futuro, não sabemos realmente o que irá acontecer. • Fica claro que o profissional em marketing tem muitas barreiras que devem ser vencidas por meio de estratégias, para assim desenvolver o crescimento da organização. Também é importante que todos os gestores que fazem parte da organização devem estar em constante troca de informação, para que em qualquer mudança, seja ela inesperada ou calculada, a empresa esteja pronta para efetuar as alterações necessárias no momento certo, para não perder o mercado para os concorrentes. 51 1 Para qualquer ramo de negócio é importante identificar as oportunidades que o mercado está apresentando, no entanto, sabe-se que não é nada fácil identificá-las, pois as mudanças podem ser radicais ou mais relevantes. Com suas palavras, descreva o que é estratégia em marketing. AUTOATIVIDADE 2 Vamos utilizar uma empresa de sorvetes e criar as oportunidades e identificar as ameaças que podem ocorrer quando se resolve abrir um empreendimento. Descreva ao menos três oportunidades e três ameaças que possam ocorrer. 3 Para quase todo produto, com exceção da Coca-Cola, que é um exemplo de produto no mercado, existe um ciclo de vida. Vamos supor que um produto esteja em declínio, até se transformar em um abacaxi. Quando o produto chega a esse estágio, qual é a melhor estratégia a ser realizada? 4 Ligue as colunas conforme o que está sendo solicitado. a) Estrelas ( ) Produto está em seu melhor momento. b) Vaca Leiteira ( ) Produto está em crescimento. c) Abacaxi ( ) Produto novo no mercado. d) Oportunidade ( ) Produto chegou ao fim do seu ciclo. 52 53 TÓPICO 3 O PLANEJAMENTO DOS COMPOSTOS DE MARKETING (MIX DE MERCADO) UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Desde os primórdios da antiguidade, quando se deu início às atividades humanas e era necessário criar grupos de pessoas, hoje conhecidos como cidades, o comércio começou a se desenvolver. Naquela época, quando não havia dinheiro em espécie, a forma de adquirir outros produtos e serviços era na base da troca, ou seja, caso se desejava maçãs trocava por limões, caso desejava leite trocava por ovos, por exemplo, e assim sucessivamente. Neste tópico são apresentados os conceitos de produtos e serviços, bem como os 4 Ps (Produto, Preço, Praça e Promoção), os 4 Cs (Cliente, Comunicação, Custo e Conveniência) e os 4 As (Análise, Adaptação, Ativação e Avaliação), que fazem parte do composto do marketing (mix de mercado). O profissional de marketing deverá identificare transformar um produto ou serviço em sucesso através de sistemas que apresentam um caminho, mas lembrando que devem ser consideradas todas as variáveis. A gestão de produtos e serviços é importante para que a empresa possa empregar seus investimentos de maneira que consiga garantir a alavancagem de vendas, porém deve-se tomar o cuidado de não introduzir um produto no mercado que possa trazer prejuízos ou que a operação de vendas não alcance o que foi planejado pela organização. Muitas vezes, é necessário descontinuar o produto ou fazer revoluções para aplicar um novo formato a esse produto ou serviço que é oferecido. Produtos descontinuados são mercadorias ou serviços que não agradaram aos consumidores ou que não alcançaram os objetivos da organização, para isso é necessário aprender a identificar o que o cliente realmente quer, para tanto é preciso ter um produto ou serviço que agrade a esse consumidor. NOTA Nos dias atuais o cliente não aceita mais o chamado TGA (Tudo goela abaixo). O cliente é quem decide o que quer. Apesar, ainda, de que alguns produtos os consumidores são obrigados a comprar por motivo de monopólio ou escassez de fornecedores. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 54 2 A GESTÃO DO PRODUTO E SERVIÇOS Para o profissional de marketing é imprescindível saber o que a empresa está oferecendo, para tanto é necessário conhecer os conceitos de produtos e serviços e, assim, criar um planejamento estratégico que possa alavancar as vendas de um determinado bem, ou, no caso, o fornecimento de um serviço que garanta a satisfação do consumidor. 2.1 O PRODUTO Para Boone (2011, p. 377), “produto é um conjunto de atributos simbólicos, físicos e serviços, desenhados para satisfazer a necessidade e os desejos de um consumidor”. Já para Kotler e Armstrong (2007, p. 200), “o produto é algo que pode ser oferecido a um mercado para apreciação, aquisição, uso ou consumo e que pode satisfazer um desejo ou necessidade”. E para finalizar os conceitos, Las Casas (2009, p. 196) define o produto como “objeto principal das relações de troca, que pode ser oferecido em um mercado para pessoas físicas ou jurídicas, visando proporcionar satisfação a quem o adquire ou consome”. Pode-se perceber que o que os conceitos têm em comum é gerar a satisfação das necessidades e desejos que o consumidor quer quando está adquirindo um produto para seu consumo. Não importa o que esteja sendo oferecido, as organizações desejam é satisfazer esse consumidor. Os produtos apenas serão vendáveis se possuírem algum diferencial para motivar o consumidor a querer aquiri-los. Por exemplo, quando o cliente vai a um verdureiro, ele sempre irá pesquisar por frutas ou verduras que estejam com a aparência satisfatória, porque ninguém irá comprar aquela verdura ou fruta que contém uma batida. Isso também se aplica a eletrodomésticos, eletrônicos, entre outros produtos, buscando sempre o diferencial, ou seja, podendo ser o custo, a sua utilidade e benefícios, e a partir dessas situações é que o cliente irá escolher. Las Casas (2009) apresenta quatro modelos de produtos que dependem muito dos benefícios a oferecer ao consumidor, bem como das expectativas dos clientes e as ofertas dos concorrentes no mercado: • Produto básico: levando em consideração o conjunto de benefícios, pela sua utilidade é considerado o básico do que os clientes necessitam, ou seja, é o mínimo que se pode aguardar de uma oferta. Por exemplo, você vai ao teatro, mas apenas poderá comprar o ingresso para uma cadeira um pouco distante do palco, e mesmo assim irá satisfazer a sua necessidade. O produto básico é muito utilizado em veículos, pois existem inúmeras versões, proporcionando valores e ofertas diferentes. TÓPICO 3 | O PLANEJAMENTO DOS COMPOSTOS DE MARKETING (MIX DE MERCADO) 55 • Produto ampliado: considerado como benefício extra ao do produto básico. Por exemplo, na compra de um notebook básico é oferecido apenas o sistema operacional, e nesse caso o ampliado é a instalação de outros softwares, como o de edição de textos e gráficos, a garantia estendida. Portanto, é um esforço enorme do vendedor para propor ao cliente que observe a diferença entre um produto básico e um produto ampliado, pois o preço geralmente é maior. É o mesmo caso dos automóveis, que, pelas suas versões mais caras, trazem muitos outros benefícios para o conforto do consumidor. Vale lembrar do caso do teatro, na aquisição do ingresso: mesmo que o valor seja maior, pode-se escolher um local com melhor visualização do palco. Em certos casos deve-se tomar cuidado, pois o excesso de ofertas indevidas ou incompletas pode deixar o cliente insatisfeito, ou ainda, espera sempre ter benefícios na compra que está realizando. • Produto esperado: é uma situação em que os consumidores recebem algo a mais do que apenas os benefícios dos produtos básicos e ampliados, ou seja, o cliente não está acostumado a receber. Vamos lembrar do exemplo do teatro: o cliente está em um lugar muito interessante para assistir e o atendente vem lhe trazer água, ou seja, era algo que não estava esperando. No caso do veículo, o cliente não estava esperando a presença de um câmbio de marcha automático pelo mesmo preço do modelo intermediário que tem câmbio de marcha manual. • Produto diferenciado: as organizações têm a tendência de criar produtos únicos, ou seja, que tenham um diferencial aos demais concorrentes, incluindo benefícios relevantes para os clientes visados. Produtos diferenciados não são sinônimo de produtos com valores elevados, mas no caso de uma Ferrari, com certeza a diferenciação está no preço, pois poucos consumidores poderão adquirir, na verdade esse tipo de veículo é considerado um desejo e não uma necessidade. Produtos como o diferencial de um automóvel mais econômico fazem com que o cliente tenda a escolher, mas que deverá ter um motor mais forte que os 1.0. Na verdade, sabe-se que motores de baixa cilindrada, sem auxílio de turbo, não são considerados veículos econômicos, pois dependem muito da agressividade do motorista no acelerador. Outro exemplo vem da Danone: para diferenciar seu produto, propôs o lançamento do “Bom Dia”, oferecendo quatro tipos de café da manhã, observando o desjejum do consumidor. No entanto, na década de 80 a mesma empresa implantou o iogurte como substituto da sobremesa, mas foi logo retirado do mercado por não alcançar as expectativas da organização. O problema foi o posicionamento (veremos adiante) em duas ocasiões, tanto no café da manhã como sobremesa depois do almoço, com isso o consumidor ficou confuso em relação a qual momento deveria consumir o produto. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 56 NOTA O tipo de produto que a empresa irá oferecer no mercado irá depender também de qual o posicionamento em que será inserido, deve-se levar muito em consideração as alterações tanto do preço, a distribuição e os compostos mercadológicos, para assim definir em qual classe atender à demanda das necessidades e desejos dos consumidores. 2.2 O SERVIÇO O serviço, embora sendo não tangível, diferentemente do produto tangível, possui a mesma finalidade, sendo a satisfação do cliente pelo que é oferecido. Esse modelo de prestação de serviço não pode ser cheirado, não se pode ouvir, degustar ou armazenar. São produtos como: corte de cabelo, consertos de automóveis e equipamentos eletrônicos, e até a visita ao médico (BOONE, 2011) Ao contrário da produção de um bem, os serviços são vistos pelo consumidor com maior ênfase, pois geralmente são serviços efetuados para si próprio. Muitas vezes, também o serviço é considerado uma sequência do produto que esteja sendo adquirido. Vamos ao exemplo do automóvel: ao efetuar a compra, é necessário fazer as revisões, nesse caso a concessionária oferece ao cliente os serviços mecânicos, como a troca de óleo, filtros, entre outros. Pode-se verificar o mesmo exemplo com a aquisiçãode um produto eletrônico, no caso do produto apresentar algum defeito é necessário consertar, para isso existem os serviços técnicos para efetuar o reparo. Por mais que os consumidores não toleram comprar um produto que em questão de dias ou semanas possa vir a estragar, e caso o serviço não for realizado efetivamente, a marca do produto corre sério risco de perder o cliente. NOTA Os setores de prestação de serviços devem realizar o conserto do produto o mais rápido possível para não desagradar o cliente, mesmo que esse já tenha ficado insatisfeito com a marca. Os serviços estão divididos em quatro características básicas que os diferenciam do produto. Cobra (1992) apresenta de forma simples essas características: 1. Intangibilidade: pelo motivo de o serviço não ser palpável, ele é considerado intangível. 2. Inseparabilidade: os produtos são feitos e consumidos no mesmo momento e geralmente não podem ser estocados, não é como guardar um pedaço de pizza TÓPICO 3 | O PLANEJAMENTO DOS COMPOSTOS DE MARKETING (MIX DE MERCADO) 57 na geladeira para ser consumido no dia seguinte, por exemplo, não tem como estocar o corte de cabelo. 3. Variabilidade: com alta taxa variável, os serviços dependem de quem irá realizá-los e onde são realizados. 4. Perecibilidade: serviços que não são estocados podem ser perecíveis, pois quando a demanda está em baixa torna-se um problema, como o exemplo do transporte público em massa: caso não tenham sido preenchidos todos os assentos, esse tipo de serviço tem hora marcada de saída e chegada, apresentando assim possibilidades de ociosidade, e mesmo com a parada no próximo ponto ela não poderá mais ser suprida. NOTA Lembre-se de que os serviços não podem ser estocados, ou seja, eles são realizados ao mesmo tempo. Os serviços são considerados o pós-venda de um produto adquirido por um consumidor, pois é quando ele receberá o retorno da sua satisfação pela sua necessidade ou desejo realizado. Sabe-se que muitas empresas pecam no atendimento pós-venda, gerando muita decepção ao consumidor, e este, por sua vez, irá trocar de fornecedor caso não for atendido. Um exemplo muito comum de prestação de serviço aos consumidores é a troca constante de operadoras de telefonia móvel. A empresa, no caso, não está atendendo adequadamente às necessidades e é provável que esse consumidor irá trocar de operadora. E muitas vezes, sejam elas boas ou ruins, não atendem 100% das necessidades (BOONE, 2011). 2.3 CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO E SERVIÇO Produtos e serviços estão baseados no que o consumidor está necessitando naquele momento ou, ainda, o tipo de consumo que deseja efetuar. Kotler e Armstrong (2007) apresentam dois tipos de classificação, os produtos de consumo e os produtos organizacionais. • Os produtos de consumo são os adquiridos pelos consumidores para seu consumo próprio. • Os produtos organizacionais são adquiridos para processamento posterior ou para uso na gestão de negócios. A necessidade da diferenciação para o gestor de negócio é importante para direcionar o seu produto, ou seja, de nada adianta vender transformadores (utilizados em postes de energia elétrica) para o consumidor final, pois nesse caso os clientes são as empresas que distribuem energia elétrica. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 58 Kotler e Armstrong (2007) apresentam no Quadro 12 os modelos de consumo especificados conforme o tipo de consumidor. QUADRO 12 – CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Considerações de Marketing Tipos de produto de consumo Conveniência Compra comparada Especialidade Não procurada Comportamento de compra do cliente Compra frequente e de impulso, pouco planejamento, pouca comparação ou esforço na compra, baixo envolvimento do cliente. Compra menos frequente, muito planejada e esforço na compra, comparação de marcas quanto ao preço, qualidade e estilo, são homogêneos e heterogêneos. Forte preferência e fidelidade da marca, esforço especial na compra, pouca comparação de marcas, baixa sensibilidade ao preço. Pouca conscientização e conhecimento do produto (ou quando há conscientização, pouco interesse ou até interesse negativo). Preço Preço baixo. Preço mais alto. Preço alto. Variável. Distribuição Amplas localizações convenientes. Seletiva em menos pontos de vendas. Distribuição exclusiva em um único ou poucos pontos, pontos de pós- venda por área de mercado. Variável. Promoção Promoção em massa pelo fabricante. Propaganda e venda pessoal feitas tanto pelo fabricante quanto pelos revendedores. Promoção mais cuidadosamente dirigida feita tanto pelo fabricante quanto pelos revendedores. Propaganda agressiva e venda pessoal pelo fabricante e pelos revendedores. Exemplos Leite, bebidas, detergente, revistas, utensílios, abastecimento de combustível, reparos domésticos. Eletrônicos, eletrodomésticos, móveis, vestuários, voos aéreos, instrutor de pilates ou ioga. Bens de luxo, como relógios Rolex, cristais finos e veículos exclusivos de luxo. Seguro de vida, doações de sangue para a Cruz Vermelha, produtos inovadores que não poluem, planos funerários. FONTE: Adaptado de Kotler e Armstrong (2007) A organização deverá estar ciente da classificação dos produtos e serviços, pois é necessário criar um planejamento estratégico para cada nível de consumo, assim a vantagem competitiva com as outras empresas pode ser o diferencial em qualidade e atendimento, ou arcar com prejuízos em caso da não observação da classificação em que a empresa está inserida. TÓPICO 3 | O PLANEJAMENTO DOS COMPOSTOS DE MARKETING (MIX DE MERCADO) 59 3 Os 4 Ps, os 4 Cs e os 4 As A organização deve estar integrada com todo o seu ambiente, tanto interno como externo, e esse sistema é realizado através do composto de marketing. Essa interação é importante, pois envolve algumas ferramentas do marketing para execução dos objetivos da organização, que por sua vez deverá estar em concordância com a missão que ela busca para o seu negócio, esclarecem Cobra (1992) e Kotler (2012). O composto de marketing é necessário para satisfazer a busca pelas necessidades e desejos dos consumidores. É preciso que a empresa esteja orientada para que os produtos e serviços que são ofertados no mercado possuam qualidade, design e estilo, bem como um nome que chame a atenção, tanto nas embalagens como nos variados tamanhos, para que tragam o retorno financeiro desejado para a organização, afirmam Cobra (1992) e Kotler (2012). 3.1 OS 4 PS Para o entendimento do composto de marketing, Cobra (1992) e Kotler (2012) apresentam um modelo quando há necessidade de criar um papel fundamental no processo de ofertas aos consumidores. Trata-se do conceito dos 4 Ps, que fornecem para o profissional de marketing condições de criar formas diferenciadas e com criatividade para o desenvolvimento do negócio, seja ele com a venda de produtos ou com prestação de serviços. Na Figura 12 pode-se visualizar o composto de marketing dos 4 Ps. FIGURA 12 – O COMPOSTO DE MARKETING: 4 PS Produto qualidade, características, opções, estilos, nome da marca, embalagem, tamanhos, serviços, garantias, retornos. propaganda, venda pessoal, promoção de vendas, relações públicas e merchandising. lista de preços, descontos, subsídios, período de pagamentos, termos de crédito. PreçoPromoção canais, cobertura, localização, inventário, transporte, distribuição Praça Composto de Marketing FONTE: Adaptado de Cobra (1992) e Kotler (2012) Produto UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 60 A composição de marketing deverá estar estruturada e desenvolver estratégias que possam oferecer o retorno financeiro desejado pela organização, mas precisam ser considerados os 4 Ps demonstrados na Figura 11. • Produto: tudo começa com um produto, ou seja, é o bem ou serviço que uma organizaçãoirá oferecer ao consumidor. O que o consumidor quer do produto? Quais as particularidades e características que o produto deverá ter? Qual sua real utilização? Que aparência precisará ter? Qual sua cor, tamanho? • Preço: é o que vai custar esse produto ou serviço, ou seja, é o valor a ser cobrado. Qual o preço a ser oferecido? Se possui um produto igual no mercado, qual o preço de referência? Seu produto será comparado apenas pelo preço? O consumidor é sensível ao preço? • Praça: em que lugar será oferecido esse produto ou serviço? Pode-se dizer que é onde a empresa irá oferecer e distribuir. Onde o consumidor busca e procura o seu produto? Onde os concorrentes estão? Qual a força de vendas do produto ou serviço? Em que lugar está situado no mercado seu produto ou serviço? • Promoção: como será vendido e anunciado? Quais os canais de anúncio do produto ou do serviço? Qual é o melhor momento para apresentar a promoção? Qual o nível de padronização em que o produto ou serviço está inserido no mercado? Para tanto, após décadas os 4 Ps estão ainda no mercado, pois são a base do composto de marketing, e assim é o pontapé inicial para que a organização crie estratégias para alavancar seus produtos ou serviços em um mercado muito pulverizado e de grande competitividade. Kotler (2012) apresenta um novo formato para os tradicionais 4 Ps, observe no Quadro 13 a seguir. QUADRO 13 – A MODERNIZAÇÃO DOS 4 PS Os 4 Ps do composto de marketing Os 4 Ps do composto de marketing moderno Descrição Produto Pessoas Compreender a vida e as atitudes tanto dos funcionários como dos consumidores e compreender que o consumidor não é somente alguém que compra seus produtos e/ou serviços. Praça Processo Utilizar inovações com criatividade integrada na administração do marketing, para o desenvolvimento de ideias e conceitos que possam alavancar a organização. Promoção Programas Atividades relacionadas à organização que buscam modelos e sistemas como ferramenta e melhorar o desempenho e a competitividade. TÓPICO 3 | O PLANEJAMENTO DOS COMPOSTOS DE MARKETING (MIX DE MERCADO) 61 FONTE: Adaptado de Kotler (2012) NOTA É importante compreender que os 4 Ps, apesar de antigos, devem desenvolver melhorias para conquistar os clientes, pois organizações que não buscarem a modernização têm uma grande perspectiva de perder mercado e, consequentemente, irem à falência. Preço Performance Através de indicadores, busca a performance, como a lucratividade e saúde financeira, agregando simultaneamente a ética, responsabilidade social e comunitária que a organização deverá adquirir e oferecer. 3.2 OS 4 CS A partir dos 4 Ps observados pelo lado das organizações, iniciou uma necessidade de visão para o mercado em virtude da constante mudança no perfil dos consumidores, assim tem-se a nomenclatura criada de 4 Cs (Clientes, Conveniência, Comunicação e Custo). Os 4 Cs estão direcionados para o cliente, ou seja, surgiu a necessidade de identificar o que ele realmente deseja. Kotler (2012) apresenta as seguintes teorias referentes aos 4 Cs: • Cliente: este é o consumidor na busca de produtos e serviços para suprir suas necessidades e/ou desejos, considerado relevante ao processo de vendas de uma organização, pois na ausência dos consumidores não existirá consumo. É muito importante o profissional de marketing conhecer seus clientes, sempre em consistente contato, pelos mais variados meios de comunicação. • Conveniência: o consumidor, de certa forma, irá buscar pontos de distribuição de determinado produto ou serviço que lhe convenha e geralmente que estejam próximo de sua residência, ou retorno ou caminho para o local de trabalho/ escola dos filhos, e também, muitas vezes, pelo fácil acesso, especialmente aquele que demonstra o melhor atendimento. O profissional de marketing deve ter o cuidado de identificar o melhor local para distribuir seus produtos, ou efetuar seus serviços em caso de um modelo de negócio físico, em que o cliente vá até ele. • Comunicação: papel importante na apresentação dos seus produtos ou serviços, ou seja, de nada adianta realizar a produção e a distribuição sem comunicação. É fundamental o cliente saber da existência do produto de sua organização. Utilizar ferramentas de comunicação, como revista, jornal, internet, e-mail e até o telemarketing etc. 62 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 3.3 OS 4 AS É outro modelo utilizado pelas organizações como uma ferramenta de interação com os consumidores, mas com uma visão da organização voltada para o ambiente interno focado nos objetivos e na missão. Cobra (1992) tem as referências dos 4 As para que o profissional de marketing atente ao consumidor, mas não deixando de lado os objetivos da organização: • Análise: tem como objetivo analisar e identificar os efeitos que estão ocorrendo no mercado, como a política, a sociedade, concorrência, economia, legislação e tecnologia, que interagem com a organização. A ferramenta mais utilizada é a pesquisa (veremos na Unidade 2), observando: o que, como, onde, quando, por que e quem compra, para identificar demandas e potenciais consumos dos clientes. Essa análise é importante para identificar necessidades não satisfeitas pelo consumidor e, assim, procurar a produção de bens ou serviços que atendam a essas expectativas de mercado. • Adaptação: a partir das análises, a organização deverá desenvolver um processo de adequação das linhas dos produtos ou serviços que está oferecendo. Muitas vezes, há necessidade de mudar o design, características, qualidade, denominação da marca, embalagem, preço sugerido aos clientes e até mesmo a distribuição. É aqui que deverá ser observado o ciclo de vida de um produto ou serviço. • Ativação: conhecido como composto promocional, e juntamente com o composto de produtos, ambos se tornam o composto de marketing. Nessa fase são observados a distribuição, canais de escoamento e a venda dos produtos, que incluem todo o processo logístico (armazenamento e transporte). • Avaliação: é uma forma de a gestão de marketing buscar avaliar onde estão as principais forças e fraquezas no ambiente organizacional, ou seja, suas oportunidades e os possíveis problemas, pela análise dos resultados operacionais. Assim, tem a função de neutralizar possíveis impactos ao negócio da empresa, observando o poder de força dos concorrentes e o poder de forças macroambientais. • Custo: a organização deverá estar ciente de que o consumidor, em hipótese alguma, irá pagar um valor muito alto, visto que para a empresa é o preço, já para o cliente é o custo. O preço dos produtos ou serviços deve estar no mesmo patamar dos seus concorrentes, mas que, por algum diferencial, o cliente esteja disposto a pagar. Com o foco voltado para o consumidor, o modelo dos 4 Cs tornou- se mais moderno nos dias atuais, pois é muito mais eficaz na fidelização para com sua empresa. É importante identificar possíveis mudanças de hábitos dos consumidores, bem como novos produtos e/ou serviços no mercado, muito mais eficientes e com menor custo. TÓPICO 3 | O PLANEJAMENTO DOS COMPOSTOS DE MARKETING (MIX DE MERCADO) 63 No Quadro 14, Kotler (2012) apresenta um resumo dos 4 As, para o desenvolvimento do profissional na observação dos compostos de marketing a fim de introduzir um serviço ou produto no mercado, bem como desenvolver mudanças conforme as alterações no macroambiente: QUADRO 14 – OS COMPOSTOS DE MARKETING - 4 AS Análise Adaptação Ativação Avaliação - Forças vigentes no mercado. - Pesquisa de hábito de consumo. - Potencial de mercado. - Produtos e serviços. - Design. - Embalagem. - Marca. - Preço. - Serviço ao cliente. - Distribuição. - Propaganda. - Promoção de vendas - Merchandising. - Força de vendas. - Assessoria de imprensa. - Relações públicas. - Controle de vendas de propaganda. - Prioridade de vendas em relação ao potencial de mercado. - Relação de custo de venda e marketing.- Retorno de investimento publicitário. - Internet, retorno e meios remotos. FONTE: Adaptado de Kotler (2012) NOTA O assunto sobre 4 Ps, 4 Cs e 4 As tem como referência ao profissional de marketing observar as variáveis que podem ocorrer quanto à inserção de um produto e/ou serviço no mercado, bem como observar as necessidades e desejos dos consumidores não atendidos. Deve-se ficar atento através de informações para propor ao mercado o que ele realmente quer, e isto será visto na Unidade 2. 64 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico você estudou que: • Cabe ao profissional de marketing, através dos modelos apresentados, buscar o desenvolvimento da organização para apresentar ao cliente o serviço e/ou produto que está procurando. Nos dias atuais, empresas que não buscam identificar as necessidades do consumidor correm sérios riscos de ficar pelo caminho e assistir outras empresas adentrando no mercado. • Nesse tópico foi observado o que é um produto e um serviço, ambos são diferentes, mas em determinados estabelecimentos têm convivência, sempre na necessidade de agradar ao consumidor. • Os compostos de marketing conhecidos como 4 Ps, 4 Cs e 4 As têm a finalidade de desenvolver a criatividade do profissional de marketing para identificar as mudanças do macroambiente e consequentemente usá-las como uma oportunidade e não como um problema. • É sabido que as necessidades e desejos dos consumidores alteram conforme o tempo, bem como o ciclo de vida de um produto não é para sempre (há exceções). Dessa forma, o profissional de marketing deverá estar preparado para realizar transformações necessárias para manter a empresa no mercado tão competitivo, buscando variar o seu mix de mercado, para agradar ao consumidor. 65 1 Referente aos 4 As do composto de marketing, associe os itens conforme o código apresentado. 1 - Análise ( ) Propaganda 2 - Adaptação ( ) Potencial de mercado 3 - Ativação ( ) Retorno do investimento 4 - Avaliação ( ) Design AUTOATIVIDADE 2 Os consumidores têm como característica a busca por suas necessidades e desejos para a sua satisfação, dessa forma é importante o profissional de marketing estar preparado para apresentar essa procura, mas é importante o conhecimento dos conceitos antes de aplicá-los. Sabendo disso, apresente a diferença entre produtos e serviços. 3 Observe as sequências a seguir e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas: a) ( ) Uma compra comparada é uma compra frequente e por impulso. b) ( ) Produto básico é o mínimo necessário que uma pessoa necessita. c) ( ) O merchandising faz parte da ativação (4 As). d) ( ) Serviço é considerado tangível pelos profissionais de marketing. 4 Apresente com suas palavras o que é um produto ampliado. 66 67 TÓPICO 4 A COMUNICAÇÃO, PROPAGANDA E PUBLICIDADE UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Apesar do marketing ir além do que só a propaganda, publicidade e comunicação, é importante para o profissional de marketing obter o conhecimento com o auxílio dessas ferramentas, pois será possível apresentar de forma eficiente os produtos ou serviços que a empresa oferece. A necessidade de utilizar essas ferramentas que fazem parte do composto promocional é para demonstrar ao consumidor quais as vantagens, lembrá-lo e persuadir sobre o que o produto ou serviço possa oferecer para satisfação das suas necessidades ou desejos, bem como, de certa forma, trará benefícios a este consumidor e assim fazê-lo retornar a comprar na empresa. 2 A COMUNICAÇÃO Segundo Bordenave (1995), a comunicação entre as pessoas compreende a troca de informações, com a utilização de modelos simbólicos como ferramentas para esse propósito, o qual é uma via de mão dupla, ou seja, ela vai e vem. A linguagem utilizada depende muito da interação no meio social em que está centrada, ela é sistêmica, pois pode ser influenciada. A linguagem possui palavras e/ou expressões que podem significar as mais diferenciadas coisas, pois depende muito do ambiente em que se está inserido. A comunicação inicia-se quando duas ou mais pessoas conseguem conversar enviando, recebendo e principalmente entendendo a mensagem utilizando símbolos e códigos para interação. É preciso ter o cuidado principalmente quando for para comunicar ou apresentar um novo produto, com nomes que em um país pode ser algum termo inofensivo e em outro país pode gerar constrangimento por ser uma palavra ofensiva. Um exemplo muito simples foi a escolha da Ford por usar o nome do veículo popular sedan como Ka+ ao invés de Ka Sedan, a escolha foi pelo motivo de brincadeiras desagradáveis que poderiam ocorrer com o nome sedan seguido do nome Ka. O profissional de marketing deve estar preparado e conhecer a cultura do país onde pretende lançar a marca, pois, dependendo do nome, poderá gerar constrangimento para a organização. 68 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING A comunicação está sendo usada de uma forma que faça com que o consumidor busque através daquele meio escolhido adquirir o serviço ou produto. Algo muito comum ultimamente é você acessar a internet, navegando pelos sites, e aparecer um grande número de mensagens através de pop-ups piscando, chamando atenção. No passado esses pop-ups se tornaram tão inconvenientes que as pessoas começaram a ficar irritadas, e empresas como o Chrome, Firefox e Internet Explorer instalaram um dispositivo para bloqueá-los, pois se tornaram algo muito incômodo. Apesar de ser uma ferramenta barata de se utilizar, deve-se tomar cuidado, pois pode fazer com que o consumidor tenha uma péssima imagem da organização, levando-o muitas vezes a desistir de realizar a compra. O papel da comunicação deve levar em consideração a identificação do público-alvo para a elaboração de um programa promocional bem coordenado a fim de despertar nas pessoas uma reação além do esperado. Com o passar dos anos, os profissionais de marketing perceberam que a comunicação deve ser considerada como uma gestão de relacionamento a longo prazo e não mais apenas para conscientização ou lembrança do produto que esteja sendo oferecido (BOONE, 2011). O processo de comunicação eficaz precisa respeitar uma sequência, para isso é necessário saber como ela funciona. Na Figura 13, Boone (2011) apresenta os elementos do processo de comunicação. FIGURA 13 – ELEMENTOS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Emissor Receptor RespostaFeedback Ruídos Codificação Decodificação Mensagem (mídia) FONTE: Adaptado de Boone (2011) • Emissor: é a parte que encaminha a mensagem a outra parte (receptor). • Codificação: o processo de transformação dos pensamentos em linguagem simbólica (palavras e/ou ilustrações em um anúncio para transmitir a mensagem pretendida). TÓPICO 4 | A COMUNICAÇÃO, PROPAGANDA E PUBLICIDADE 69 • Mensagem: conjunto de símbolos que o emissor transmite (ideias que o emissor pretende passar para o receptor). • Mídia: os canais de comunicação para o qual enviará a mensagem. • Decodificação: processo pelo qual o receptor atribui significado aos símbolos recebidos do emissor (entendimento da ideia passada pelo emissor). • Receptor: a parte que recebe a mensagem enviada pela outra parte (o emissor). • Resposta: são as reações do receptor ao receber a mensagem. • Feedback: a parte da resposta do receptor que é comunicada de volta ao emissor (retorno do que foi solicitado). • Ruídos: possíveis distorções não planejadas que ocorrem durante o processo de comunicação (podem não entender o que a organização está informando, ou ainda se distrair e não perceber o anúncio apresentado). O processo de comunicação deverá ter muita importância no momento em que a organização decide criar uma mensagem, mesmo independentemente do canal de comunicação utilizado para apresentar o conteúdo, a fim de não gerar transtornos com interpretações não coerentes do que a empresa pretende informar. 2.1 COMUNICAÇÃO INTEGRADA Quando é necessária a realização de uma promoção ouo marketing de uma organização, existem algumas ferramentas da comunicação que são necessárias para promover pessoas, produtos, serviços, empresas, entre outras situações. Ogden (2002) descreve a necessidade de um mix de comunicação para promover uma situação e, muitas vezes variáveis, que estão divididas da seguinte forma: 1) Relações públicas e publicidade, 2) Marketing direto, 3) Propaganda, 4) Venda pessoal, 5) Marketing na internet e 6) Promoção e vendas. 1. Relações públicas e publicidade: levando em consideração que são atividades diferentes, elas geralmente estão agrupadas por desenvolverem a mesma função, sendo executadas pelo mesmo indivíduo, grupos ou departamentos. Para ficar claro, a publicidade, da mesma maneira que a propaganda, utiliza a mídia de massa, no entanto o modo de pagamento é diferenciado. Enquanto que na propaganda tradicional o pagante tem o total controle do que está sendo direcionado ao anúncio, a publicidade é considerada gratuita ou utiliza espaços não pagos, mas a mensagem precisa ser direcionada. Mais adiante veremos os conceitos de propaganda e publicidade. As relações públicas têm a função de gerar nas pessoas um bom relacionamento dos produtos ou serviços das empresas, aqui concentram-se os relacionamentos criados entre uma organização e seus vários públicos. Assim, de modo geral, as relações públicas têm o objetivo de formar, manter ou resgatar a boa imagem de uma organização na sociedade, e não vender produtos ao seu público-alvo. 2. Marketing direto: essa ferramenta está sendo muito usada pelos profissionais de marketing em virtude de sua popularidade, pois estabelece um relacionamento direto com o consumidor, buscando respostas rápidas para o desenvolvimento de uma melhora, tanto no produto como no relacionamento entre ambas as 70 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING partes. Utilizado para a comunicação direta, o telemarketing é muito usado nesse modelo, mas deve-se levar em consideração que as pessoas não estão mais tolerando receber telefonemas a qualquer hora do dia. Muita coisa mudou, apesar de ser popular, existem tendências de haver uma mudança na abordagem direta com o cliente, devendo ser levadas em consideração outras ferramentas de comunicação. 3. Propaganda: esse modelo de comunicação tem muitas vantagens quando uma organização deseja expor seus produtos, mas para ser eficaz a empresa deverá seguir os objetivos, ou seja, precisa saber até onde deseja alcançar o público-alvo para demonstrar seus serviços ou produtos. A propaganda deverá ser flexível, dinâmica, criativa, persuasiva e informativa. Deve-se observar que a empresa, em uma propaganda, não pode aplicar promessas inconsistentes (não realizar o que está propondo para o consumidor). Mais adiante será apresentado um tópico apenas sobre propaganda. 4. Venda pessoal: independentemente do modelo como o consumidor será alcançado, seja pessoalmente ou por telefone, a organização utiliza essa ferramenta para persuadir o indivíduo a comprar os produtos ou serviços que são oferecidos. Por mais que esse modelo, na prática, deveria ser cara a cara, as organizações estão usando outros tipos de comunicação, como o telefone e o viva-voz com auxílio da internet. 5. Marketing na internet: conhecido também como marketing digital, essa ferramenta está cada vez mais sendo utilizada pelas empresas, sendo um dos motivos por ser barata. A tecnologia está cada vez mais auxiliando as empresas nesse sentido, pois com informações de onde o consumidor está navegando, acessando páginas, são realizados relatórios de acessos e assim se tem um histórico daquele usuário. Não entrando muito no mérito do assunto a seguir, esse modelo de busca de informações está apresentando alguns problemas, pois muitas pessoas não sabem que estão sendo monitoradas e, muitas vezes, elas acessam sites e desejam que ninguém saiba dos assuntos que estão pesquisando. A internet é uma ótima ferramenta para o profissional de marketing utilizar, desde que seja utilizada com ética e responsabilidade. Na Unidade 3 apresentaremos o assunto referente ao marketing digital. 6. Promoção e vendas: por fim, essa ferramenta é muito utilizada na comunicação integrada do marketing, além de ser bem vista pelo consumidor, pois apresenta um modelo de vendas com descontos e assim auxilia a alavancar as vendas de um determinado produto ou serviço que a empresa esteja oferecendo. Esse modelo de comunicação geralmente é usado em curto prazo para esvaziar um estoque, promover um produto ou serviço novo ou exclusivo da empresa, e se for bem planejado, auxilia nas vendas do produto para longo prazo, assim que o tempo da promoção finalizar. 3 PROPAGANDA Quando uma organização deseja divulgar um produto ou seus serviços, um dos meios mais utilizados é a propaganda, porém, muitas vezes, dependendo de como ela é apresentada, corre-se o risco de manchar a imagem da organização. TÓPICO 4 | A COMUNICAÇÃO, PROPAGANDA E PUBLICIDADE 71 Portanto, é imprescindível que o profissional de marketing tenha certeza de como irá realizar essa apresentação. Já ocorreu de empresas serem obrigadas a retirar a propaganda dos meios de comunicação por situações racistas e indesejáveis para uma minoria, por mais que o enfoque da propaganda não tenha essa relação de constrangimento ou de ofensa. Os conceitos de propaganda são os mais diversos, os autores apresentam suas teorias conforme a seguir: Para Kotler (2011, p. 554) e Las Casas (2009, p. 286), a propaganda “é qualquer forma paga de apresentação impessoal e de promoção de ideias, bens ou serviços por um patrocinador identificado”. Já para Cobra (1992, p. 595), propaganda “é uma comunicação impessoal em que a venda face a face é excluída. É uma comunicação persuasiva, para levar as pessoas a comprarem um produto, um serviço, ou mesmo uma ideia”. E segundo Boone (2011, p. 562), propaganda “consiste na comunicação não pessoal paga em várias mídias com o propósito de informar e persuadir os membros de um público específico”. A propaganda é usada pelos profissionais de marketing para alcançar nichos de mercado com apresentação ou mensagens para atrair as pessoas e empresas a adquirirem seus produtos. Visando fazer com que seus produtos e/ou serviços sejam adquiridos pelos consumidores, o foco principal da propaganda, segundo os autores Kotler e Armstrong (2007) e Boone (2011), tem os seguintes objetivos: • Informativa: é apresentar ou informar preços, novos produtos, mudanças, serviços disponíveis, explicação de produtos, correção de falsas impressões e ampliar a imagem da organização. A informação é necessária principalmente quando se está oferecendo um produto no seu início do ciclo de vida. Um exemplo é a promoção do lançamento de um veículo novo de uma determinada montadora, ou a introdução de um novo modelo de smartphone. • Persuasiva: voltada para o estágio de crescimento do ciclo de vida e a parte inicial da maturidade de um produto ou serviço, ela é usada para persuadir, ou seja, estimular a compra, incentivar a troca por outra marca, mudar percepções e o convencimento dos clientes a falar sobre a marca aos outros. • Recordatórios: fazer o consumidor lembrar do produto ou serviço que a empresa esteja oferecendo. Geralmente esse objetivo é usado no final da maturidade ou início do declínio de um produto ou serviço. Também é levada em consideração para manter os relacionamentos com o cliente, manter a marca na mente das pessoas. 72 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING FIGURA 14 – OS 5 MS DA PROPAGANDA FONTE: Adaptado de Kotler e Armstrong (2007) e Boone (2011) Para que a propaganda alcance os objetivos para o produto ou serviço que esteja sendo oferecido, são necessárias tomadas de decisão. Kotler e Armstrong (2007) recomendam algumas questões necessárias para alcançar os objetivos para uma tomada de decisão estratégica. Vejamos: • Quais são os objetivos da propaganda?(Missão) • Quanto se pode investir? (Moeda) • Que mensagem deveria ser enviada? (Mensagem) • Que mídia deveria ser usada? (Mídia) • Qual deveria ser o resultado esperado? (Medição) Para a administração de uma propaganda, a organização deverá saber antes quais são seus objetivos na aplicação dessa ferramenta, pois sabe-se que o custo é elevado e nem sempre ela é eficiente para o retorno financeiro da empresa, e muitas vezes o produto pode ser identificado como um mico, muito comum no meio automotivo. Kotler e Armstrong (2007) e Boone (2011) apresentam os 5 Ms da propaganda, seguindo os objetivos traçados estrategicamente pela organização, vejamos na Figura 14. Mensagem: - Geração. - Avaliação e seleção. - Execução. - Revisão da responsabili- dade social. Missão: - Metas de Vendas. - Objetivos de propaganda. Moeda / Dinheiro: - Estágio no ciclo de vida do produto. - Participação de mercado e base de consumidores. - Concorrência e mensagens concorrentes. - Frequência da propaganda. - Grau de substituição do produto. Mídia: - Geração. - Avaliação e seleção. - Execução. - Revisão da responsabili- dade social. Mensuração: - Impacto de comunicação. - Impacto de vendas. TÓPICO 4 | A COMUNICAÇÃO, PROPAGANDA E PUBLICIDADE 73 NOTA O objetivo da propaganda é persuadir, lembrar e informar um produto ou serviço de uma organização para o consumidor, seja ele pessoa física, uma indústria ou comércio. Há muitas ferramentas para promoção de uma propaganda, para tanto, existem vantagens e desvantagens. Mas deve-se ter o cuidado de saber, principalmente, qual é o OBJETIVO da organização, levando em consideração qual o posicionamento e segmentação do mercado em que ela esteja inserida. Vamos ao exemplo: o dono de uma loja de materiais de construção instalada em uma cidade de 50 mil habitantes resolve investir em uma propaganda para alavancar suas vendas realizando promoções semanais ou mensais para que o consumidor vá até sua loja comprar artigos para fazer alguma manutenção na casa, como pintura, melhorar o design, trocar os azulejos da calçada, cozinha ou banheiro. Assim, lembrando da quantidade de habitantes que a cidade possui, e que a loja é somente naquela cidade, resolve contratar por conta própria a realização de uma mídia por televisão. Nesse caso, estaria o dono do comércio utilizando a melhor propaganda para seu negócio? A resposta desse processo é que está sendo efetuado errado, pois como a loja está apenas instalada em um bairro da cidade, o custo para a realização de uma propaganda pela televisão, mesmo que seja local, é muito alto. Dessa forma, o dono da loja investiu em uma mídia caríssima e o retorno não compensa o investimento. Para esse exemplo o melhor investimento é em redes sociais da cidade (geralmente as cidades têm grupos nas redes sociais ou páginas de internet), rádio, jornais e outdoor. O exemplo apresentado pode ser simples, mas a má escolha de uma mídia para a promoção de uma propaganda pode trazer grandes prejuízos e, muitas vezes, nem alcançar os consumidores potenciais clientes da loja de materiais de construção. No Quadro 15, Las Casas (2009) e Kotler e Armstrong (2007) apresentam sugestões das principais mídias de propaganda e suas vantagens e desvantagens. Para melhor usar, caberá ao profissional de marketing desenvolver qual a estratégia mais adequada para promoção da loja e de seus produtos, seja ela local ou nacional. 74 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING QUADRO 15 – VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS PRINCIPAIS MÍDIAS Vantagens Desvantagens Jornais • Flexível. • Cobertura intensa de mercados locais. • Boa credibilidade. • Razoavelmente barato. • Vida curta. • Qualidade de impressão geralmente inferior. • Leitura geralmente muito rápida. • Muitos anunciantes. Rádio • Mais fácil para produzir/custo menor. • Uso massificado (muitos aparelhos de rádio no mercado). • Possibilidade de selecionar audiência (regional). • Atinge melhor a população brasileira devido ao alto índice de analfabetismo. • Pode atingir ouvintes enquanto estão fazendo outras coisas. • Boa aceitação local. • Recebe menor atenção dos ouvintes. • Apresentação somente via áudio, sendo a única mídia não visual. • Vida curta. • Grande concorrência da TV. Outdoor • Flexível a seletividade de localização. • Relativamente barato. • Possibilidade de uso de cores chamativas. • Exige pouco em termos de esforço e tempo das audiências. • Baixa concorrência. • Pode distrair motoristas e causar acidentes. • Invade a natureza (outdoor em estradas). • Não tem possibilidade de selecionar audiência. • Limitação de criatividade. Televisão • Combinação de som, vídeo e movimentos. • Apela aos sentidos. • Cobertura em massa. • Pode causar maior impacto. • Audiência não seletiva (exceto TV paga). • Vida curta. • Mídia cara. • Rápida passagem no vídeo. • Alto custo. • Alto nível de saturação. Revistas • Grande seletividade demográfica e geográfica. • Possibilidade de usar boa qualidade de reprodução. • Audiência indireta. • Vida maior (revistas quinzenais ou mensais). • Fidelidade à revista facilita receptividade dos anúncios. • Período maior para veiculação do anúncio (preparo do layout, impressão da revista). • Comunicação com clientes somente eventualmente (revistas mensais e bimensais). • Alto custo. Mala Direta (carta) • Seletividade. • Flexibilidade. • É personalizada. • Custo elevado por unidade de circulação. • Sofre de baixo índice de interesse do leitor. Cinema • Custo menor. • Bom índice de atenção. • Possibilidade de causar bom impacto audiovisual. • Audiência limitada. • Audiência crítica (olham comerciais negativamente). • Maiores dificuldades em encontrar técnicos realmente habilitados para boas produções. Internet • Alta seletividade. • Baixo custo. • Instantaneidade. • Recursos interativos. • Público pequeno, com viés demográfico. • Impacto relativamente baixo. • Exposição controlada pelo público. FONTE: Adaptado de Las Casas (2009), Kotler e Armstrong (2007) TÓPICO 4 | A COMUNICAÇÃO, PROPAGANDA E PUBLICIDADE 75 Como se pôde perceber, as vantagens, desvantagens e limitações de uma mídia devem ser levadas em consideração quando for realizado um plano de marketing. No que se refere à internet, esta é cada vez mais utilizada pelas empresas, apesar de ser ainda limitada para a grande massa da população. O Google, por sua vez, possui ferramentas para identificar possíveis compradores através de fornecimento de informações em que o internauta esteja navegando (caso ele autorizou o monitoramento). Podemos perceber que, quando fazemos alguma pesquisa de um produto, rapidamente inicia uma configuração em que aparecem informações de outras empresas com o produto que foi pesquisado. Esse tipo de propaganda auxilia muito o navegador a buscar o melhor preço, qualidade, informações dos produtos, confiabilidade do fornecedor, porém muitas vezes se torna incômodo, pois as informações aparecem por diversos dias seguidos. NOTA Cabe ao profissional de marketing buscar na sua criatividade para implementar a melhor propaganda aos consumidores e na escolha da ferramenta de mídia que melhor alcançará o objetivo e missão da organização. De nada adianta investir em mídias que não atendem às necessidades da empresa, portanto é importante realizar estudos e pesquisas para identificar onde está esse cliente para utilizar a mídia. 3.1 MERCHANDISING Outra ferramenta usada para a promoção de uma propaganda é o merchandising, geralmente muito usada de uma forma simples, mas com um impacto muitas vezes melhor que o uso de uma propaganda direta. Segundo Cobra (1992) e Las Casas (2009), merchandising é considerado como uma operação tática em um ponto de vendas, para se colocar no mercado um produto ou serviço, na quantidade certa, no tempo certo, com o preço certo, com um impacto visual adequado e na exposição correta. Se no conceito de marketingé “ação no mercado”, no merchandising é “ação na mercadoria”. O merchandising faz parte do composto promocional, portanto cabe ao profissional de marketing identificar quando é o melhor momento para se aplicar esse modelo promocional. Vejamos alguns exemplos: 76 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 1. Um modelo de promoção de um produto muito utilizado pelas empresas é o merchandising, pois seu objetivo é a promoção para a venda de algum produto ou serviço, exibindo-o para os possíveis consumidores. A grande maioria de organizações oferece camisetas, canetas com o seu logotipo ou marca para sensibilizar o consumidor, ou seja, mexer com sua atenção criando um conceito mental positivo, efetuando uma possível compra do produto ou serviço. 2. Outro modelo muito usado em mídias como a televisão é algum autor, esportista, apresentador usando um produto de uma marca qualquer. O merchandising direto é aquele em que a marca do produto fica em um local sempre visível pelo cliente sem que seja aplicada uma propaganda informando o produto. O merchandising indireto é aquele que muitas vezes existe em uma entrevista e o entrevistado esteja usando uma camisa, boné, ou ao fundo uma marca de uma empresa, porém muitas vezes as mídias de televisão desfocam a imagem para não promover o merchandising sem pagamento desse tipo de propaganda. O entendimento de merchandising pode levar a uma certa confusão de conceitos, mas para alguns profissionais de propaganda, aplica-se somente na criação e produção de peças a algum tipo de material no ponto de venda das lojas e departamentos, ou seja, a inclusão de faixas, cartazes, bandeirolas, displays, móbiles, entre outros. Farracciù (2007) apresenta de uma forma simples outras definições de merchandising que vão muito além de apenas folhetos. • É um planejamento necessário para a colocação de um produto ou serviço, no tempo, lugar, quantidade e preço certos. • É uma prestação de serviço, seja ela planejada ou improvisada. • É uma técnica usada para adequar o produto para o mercado consumidor. • É uma estratégia de marketing. • É uma exploração no ponto de vendas de um determinado local, ou seja, loja ou departamento. O merchandising é a parte que executa o planejamento de uma propaganda, está mais ligado à promoção de vendas, geralmente indiretamente para o consumidor. Os exemplos citados acima apresentam bem o conceito. De certa forma, uma ferramenta muito usada para o merchandising sempre foi a televisão, quando aparecem por trás de esportistas várias marcas de empresas que estão patrocinando o evento, isso acontece em qualquer país quando uma marca deseja alcançar o público e fazer as pessoas lembrarem dela. NOTA Para quem desejar ir além dos conceitos, faça uma pesquisa no Youtube por modelos de merchandising, que o ajudará na criatividade ao profissional de marketing na execução de uma promoção de vendas. TÓPICO 4 | A COMUNICAÇÃO, PROPAGANDA E PUBLICIDADE 77 4 PUBLICIDADE A publicidade também é um modo de apresentar os produtos ou serviços de uma organização, mas ela é diferente da propaganda. A seguir, alguns autores apresentam a definição de publicidade: Para Cobra (1992 p. 75), publicidade são “estímulos não pessoais para criar a demanda de um produto ou unidade de negócio através de meios de comunicação como rádio, televisão e outros veículos, teoricamente com matérias não pagas pelo patrocinador”. Segundo Silva (2005), a publicidade tem como objetivo despertar nas pessoas o desejo pelo produto ou serviço anunciado, criando prestígio ao anunciante. Para melhor diferenciar propaganda de publicidade, seguem alguns exemplos apresentados por algumas empresas: • Um exemplo interessante de publicidade simples e eficaz é a rede canadense de táxis, Taxi Mike. Ao invés de publicar folhetos sobre a própria empresa, a Taxi Mike publica guias sobre cafés, bares e outros estabelecimentos da cidade. Ou seja, todos os lugares interessantes onde pode chegar o Taxi Mike. • A campanha de publicidade da HBO antes do lançamento da terceira temporada de Game of Thrones foi bem elaborada e elevada a grande escala. O tema principal foi uma sombra enorme de um dragão que frequentemente marcava presença na vida cotidiana dos personagens. No início, a publicavam em capas de revistas, depois em páginas de jornais, e inclusive chegaram a projetar a sombra em edifícios, criando uma sensação real. • A Redbul vende seu produto através de uma ideia, ou seja, “Beber Redbul te dá asas”. • A Disney segue o mesmo conceito, ao invés de vender o produto que são os parques, ela vende a felicidade, que é uma ideia focada no divertimento das pessoas (INCRÍVEL, 2017, [s.p]). Parece um pouco confuso o que é uma propaganda e uma publicidade, mas existem diferenças, apesar de promoverem a mesma coisa. Kotler e Armstrong (2007) afirmam o seguinte: • Propaganda – Qualquer forma paga de apresentação e promoção não pessoal de ideias, bens ou serviços efetuados por um patrocinador identificado. • Publicidade – Atividade para promover uma empresa, ou seus produtos, pela inserção de notícias gratuitas na mídia. A escolha da promoção de vendas entre uma propaganda ou publicidade é observada pelos objetivos da organização, esse modelo depende muito da missão e valores que ela deseja agregar em seu produto, portanto é necessário ter em mente até onde a organização deseja alcançar a fidelidade dos consumidores. 78 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING LEITURA COMPLEMENTAR WALT DISNEY: “O exemplo mais bem-acabado de alguém que ousou sonhar” O que falar de uma empresa na qual 70% dos seus frequentadores retornam para apreciar novos momentos tendo a certeza de que encontrarão algo novo? Simplesmente um case de sucesso em retenção e fidelização de seu público. Conheci a história do Reino Encantado primeiramente pelos desenhos e, posteriormente, na leitura do livro “Nos bastidores da Disney”, de Tom Connellan. História formidável e única: conhecimento, técnica, meios, exemplos, estratégia, enfim, algo que me cativou e despertou o interesse em escrever algo sobre este mundo chamado Disneyworld. Começo destacando algumas lições de sucesso do Reino Encantado, conforme Tom Connellan em seu livro: • Como avaliar a satisfação dos clientes obtendo dados concretos com rapidez. • Como usar métodos poderosos com os cartões Guest Service Fanatic e Spirit of Disney Award para reconhecer, celebrar e recompensar o trabalho eficiente. • Como responder a perguntas do tipo: “A que horas começa o desfile das três da tarde?” • Como adequar o recrutamento e o treinamento de sua empresa baseando-se em programas bem-sucedidos. • Como produzir em seus vendedores externos a sensação de parceria, fazendo com que se tornem parte de sua equipe. Vamos pensar nesta abordagem de uma forma dinâmica e constante, para isso criei o seguinte fluxo: • Proporcionar satisfação constante aos clientes • Motivar e inspirar a eficiência • Ser acima de tudo, uma eterna criança • Buscar a melhoria contínua • Despertar a emoção em fazer parte do show Atenção Reconhecimento Humildade Treinamento Encantamento Notam-se características simples, nas quais a grande parcela das empresas já desenvolve em seus ambientes e políticas organizacionais. O que existe de diferente, então? TÓPICO 4 | A COMUNICAÇÃO, PROPAGANDA E PUBLICIDADE 79 É a eficácia aplicada em cada momento! É o que propicia uma característica pouco mencionada nas literaturas acadêmicas de aprendizagem organizacional, exatamente, o Encantamento. Encantar vai muito além de tornar algo único, é superar as expectativas e agradar seu público. A Apple é outro exemplo deste conceito, com seu slogan “Think Different” tornou-se referência a empresas já conceituadas no mercado que agora adotam modelos similares em suas estratégias. Basicamente, funciona como uma engrenagem, na qual três peças/ conceitos fundamentais fazem girara máquina do encantamento, são elas: A Disney trabalha muito bem um termo criado por Jan Carlzon, a chamada “A hora da verdade”. Este termo refere-se diretamente ao momento de contato com seu cliente: a flexibilização, a dinâmica, a predisposição e preocupação em atendê-lo bem. Carlzon ainda comenta: “Toda pessoa precisa saber e sentir que é necessária.” “Todos gostam de ser tratados como indivíduos.” “Dar a alguém a liberdade para assumir responsabilidades libera recursos que de outra maneira permaneceriam ocultos.” “Um indivíduo sem informações não pode assumir responsabilidades, um indivíduo que recebeu informações não pode deixar de assumir responsabilidades.” Segundo Connellan, vamos entender agora as 7 lições adotadas na Disney que a tornam simplesmente magnífica: 1. Concorrente é qualquer empresa com a qual o cliente o compara. 2. Fantástica atenção aos detalhes. 3. Todos mostram entusiasmo. Para esta lição destaco a seguinte frase: “Toda vez que um cliente entra em contato com sua empresa, você tem a oportunidade de criar valor”. 80 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MARKETING 4. Tudo mostra entusiasmo. 5. Múltiplos postos de escuta. Saber escutar e agir de forma eficiente: “Se deixarmos de lado as informações coletadas pelos funcionários, estaremos menosprezando a fonte de informação mais valiosa de que dispomos”. 6. Recompensa, reconhecimento e comemoração. 7. Todas as pessoas são importantes. Essas lições deixam nítida uma estratégia orientada ao cliente, trabalhar o AGORA é o que caracteriza a prática em oferecer um serviço único. Outras empresas poderão ser assim? Claro, a partir do momento em que entenderem que seu maior capital é humano, tudo fica mais nítido. O custo de buscar um novo e bom cliente é mais do que o dobro em manter o já existente, isso vale também para os funcionários. Walter Elias Disney (Chicago, 5 de dezembro de 1901 – Los Angeles, 15 de dezembro de 1966), homem visionário, enxergou não uma empresa, mas um sonho! Educou, conscientizou, fidelizou gerações, simplesmente alcançou o sucesso ousando sonhar. Por fim, destaco uma frase dele que traduz a sua obra: “Todos nossos sonhos podem se realizar, se tivermos a coragem de persegui-los.” Você já perseguiu seu sonho? http://www.ideiademarketing.com.br/2012/04/26/walt-disney-o-exemplo-mais-bem-acabado- de-alguem-que-ousou-sonhar/ Acesso em 05/05/2017 81 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico você estudou que: • Quando uma empresa deseja informar seus produtos ou serviços, é necessário que o profissional de marketing saiba quais ferramentas utilizar para apresentação, porém, muitas vezes são utilizadas mídias que não trazem um retorno eficaz para a organização. • Quando se fala em propaganda, para alguns é apenas fazer com que o produto apareça em mídias como jornais, televisão, rádio, internet, porém caso seja escolhido o modelo errado, não trará nenhuma vantagem para a empresa. • Lembrando que propaganda é venda de produto e publicidade é a venda de uma ideia, mas ambas têm a mesma finalidade, apresentar ao público-alvo o que de melhor a empresa oferece, cabe a ela (empresa) escolher a melhor mídia para apresentar o seu produto. • As ferramentas usadas dependem do público-alvo, do tamanho e da segmentação em que a empresa estará inserida, de nada adianta apresentar uma padaria em um bairro em rede de televisão nacional. • Para finalizar, é necessário passar uma mensagem precisa para o receptor, e esta deve ser de forma simples e de fácil compreensão por parte do público, pois, dependendo da complexidade, o consumidor não fica interessado no que a empresa está oferecendo, portanto é indispensável um planejamento estratégico eficiente para alcançar os objetivos e a missão que a empresa pretende. 82 AUTOATIVIDADE 1 Uma loja de ferramentas agrícolas resolveu abrir suas portas para vendas de produtos em uma cidade de 25 mil habitantes. Sabendo que o giro financeiro da cidade é basicamente a agricultura e que existem apenas dois concorrentes na cidade, apresente uma estratégia de propaganda que seja viável para apresentar os seus produtos. 2 Analise as mídias a seguir e associe os itens conforme o código apresentado: I - Jornais ( ) Seletividade e baixo índice de interesse. II - Internet ( ) Não seletiva e vida curta. III - Televisão ( ) Público restrito e crítico. IV - Mala direta ( ) Razoavelmente barato. V - Cinema ( ) Alta seletividade e interativo. 3 Assinale a alternativa correta que representa a propaganda: a) ( ) Propaganda e Publicidade são sinônimos, sendo considerados como formas gratuitas de comunicação. b) ( ) Propaganda é uma forma paga de comunicação, financiada por um patrocinador identificado. c) ( ) Toda propaganda deve ter cunho promocional. d) ( ) O Telemarketing é considerado uma forma de propaganda. 4 Quando uma empresa bem estruturada possui um canal de comunicação eficiente para que seus consumidores possam fazer contatos, sejam críticas positivas ou negativas, qual a importância do feedback? 83 UNIDADE 2 AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade você será capaz de: • entender os objetivos e finalidades da pesquisa de marketing; • conhecer ferramentas que auxiliam na elaboração da pesquisa de marketing; • elaborar uma pesquisa de marketing; • aplicar uma pesquisa de mercado; • diferenciar dados de informações; • conhecer ferramentas que auxiliam na elaboração do plano de marketing; • elaborar um plano de marketing; • compreender a importância do relacionamento com o mercado para apro- veitamento das oportunidades de crescimento organizacional. Esta unidade está estruturada em quatro tópicos. Ao final de cada um deles, você encontrará o resumo dos conteúdos e as autoatividades que reforçarão o seu aprendizado. Em cada tópico você encontrará sugestões de leituras complementares para aprimorar seus conhecimentos, bem como será apre- sentado um resumo com os principais conceitos elencados. E ao final de cada tópico, você encontrará exercícios para a sua avaliação crítica. TÓPICO 1 – PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO TÓPICO 2 – O PLANO DE MARKETING TÓPICO 3 – PROTEGENDO O NEGÓCIO E AS OPORTUNIDADES TÓPICO 4 – RELACIONAMENTO COM O CONSUMIDOR E O MERCADO 84 85 TÓPICO 1 PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Com a globalização e o avanço da tecnologia acompanhar as mudanças e as transformações que ocorrem na sociedade tornou-se uma tarefa demasiadamente complexa para as corporações, sobretudo, devido à velocidade com que tais mudanças ocorrem. Neste ambiente em constante transformação, a magnitude dos riscos a que se expõem as organizações é altíssima e seus gestores precisam continuamente lidar com o processo de tomada de decisão (DANTAS, 2013). Tanto a segmentação quanto o posicionamento de mercado fazem parte do processo de planejamento de marketing, só podendo ocorrer após a realização de uma boa pesquisa de mercado, para que assim os gestores possam tomar decisões seguras pautadas em dados e informações confiáveis. O setor de marketing é o responsável por munir os líderes organizacionais com tais dados e informações, e conseguem isso por meio da pesquisa de mercado, também chamada de pesquisa de marketing. Caro acadêmico, neste estudo vamos tratar da pesquisa de marketing, como ela ocorre e seus principais benefícios. É a partir das informações obtidas pela pesquisa de mercado que as organizações se capacitam para atender às expectativas e necessidades do mercado. Não restam dúvidas de que se uma empresa deseja se manter competitiva deve pesquisar o mercado, a fim de verificar novas tendências, aproveitar oportunidades, entender como o consumidor pensa, age, e assim descobrir os fatores que o levam à efetivação da compra e quais os benefícios que considera mais significativos em determinado produto ou serviço que consome. É sobre essese demais aspectos que vamos tratar neste livro, aproveite este conteúdo preparado especialmente para você e bons estudos! 2 PESQUISA DE MARKETING No presente século observamos que os consumidores estão cada vez mais exigentes, isso se deve a inúmeros fatores, como a ascensão social e o acesso a informações. Consequentemente, esses consumidores possuem maiores expectativas quanto aos produtos e serviços disponíveis no mercado. Não obstante, as organizações possuem o desafio de suprir tais necessidades e ainda lidar com a acirrada concorrência. É neste contexto que a UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 86 UNI Constatamos então que a pesquisa de marketing é desenvolvida tanto para tomadas de decisões internas quanto externas, pois trata-se de um processo inter- relacionado. E tais decisões sofrem influências de fatores controláveis e incontroláveis. Sendo os fatores controláveis relacionadas ao marketing da empresa: produto, preço, promoção e distribuição. E os fatores incontroláveis, relativos ao ambiente externo, por exemplo, economia, política, fatores sociais e culturais, legislações, tecnologia etc. pesquisa de marketing se faz necessária. Dessa forma, a pesquisa de marketing tornou-se fundamental para as organizações que possuem foco direcionado para os clientes, trata-se de uma das principais ferramentas de marketing utilizadas a fim de conhecer, identificar e monitorar o mercado consumidor. A pesquisa de marketing é comumente utilizada para identificar as ameaças e as oportunidades do ambiente externo e os pontos fortes e fracos da empresa do ambiente interno. Conforme aponta Maximiano (2010, p. 52-53): As ameaças e oportunidades do mercado devem ser objeto de constante preocupação de um empresário. O mercado é apenas uma parte do ambiente, que compreende a conjuntura econômica, a ação do governo, as mudanças tecnológicas e muitos outros fatores que o empresário deve monitorar. Quanto mais complexos esses fatores ou mais rápida sua mudança, mais atento o empresário deve estar. O mercado compreende o “alvo”, que são os consumidores, e o inimigo, que é a concorrência. Ambos são as razões mais importantes do planejamento estratégico. Estude simultaneamente os movimentos e as tendências desses dois participantes. Escolha o que deve ser enfrentado e o que deve servir de inspiração, focalizando os seguintes aspectos: Concorrência ● Dados sobre as empresas que atuam no mercado: participação nas vendas, volume de produção, faturamento, número de funcionário etc. ● Linhas e características dos produtos das empresas que atuam no mercado. ● Pontos fortes e fracos dos concorrentes. ● Facilidade de entradas de novos concorrentes. ● Possibilidade de entrada de produtos ou serviços substitutos. Compradores ● Dados sobre os clientes: quantidade, distribuição geográfica, poder aquisitivo, sazonalidade das compras etc. ● Poder dos clientes sobre as empresas que atuam no mercado. ● Comportamento dos compradores: atitudes e preferências, estilos de vida, expectativas e medos coletivos, tendências e hábitos. ● Tendências sociais. A partir da concepção proposta por Maximiano (2010), observamos que o processo de tomada de decisão não pode ser realizado isento de reflexão, caso contrário, isso poderá gerar inúmeros prejuízos à organização, dessa forma, o empresário ou gestor de marketing necessita estar munido de dados reais e consistentes. É neste contexto que a pesquisa de marketing se insere, pois, visa a identificação, coleta, análise e a disseminação sistemática e objetiva das informações, com a finalidade de serem utilizadas nas decisões de marketing (MALHOTRA, 2011). TÓPICO 1 | PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO 87 Toda a organização deve estar envolvida nesse processo, pois quando se elabora um projeto para a fabricação de um determinado produto a fim de atender necessidades e desejos identificados na pesquisa de marketing, deve-se verificar os processos tecnológicos necessários (setor de produção), a capacidade operacional (máquinas e equipamentos), mão de obra disponível (Recursos Humanos – RH), recursos necessários no desenvolvimento do design do novo produto, tipos de embalagens necessários (setor de compras) etc. Ademais, deve-se identificar um meio de distribuir o produto (Logística). Isto certamente envolverá uma série de decisões estratégicas, como localização dos pontos de venda, tipo de lojas que comercializarão o produto, armazéns para os estoques, entre outras decisões estratégicas. Após a determinação dos principais aspectos para a comercialização dos produtos, é necessário que o gestor de marketing pense em formas de divulgá- los (Publicidade e Propaganda), pois assim há uma conscientização por parte dos consumidores e as vendas serão mais rápidas. Dessa forma, são quatro ingredientes principais para a comercialização, a saber: • ter um produto; • estabelecer preço; • decidir sobre um sistema de distribuição; • promover o produto. Formando assim a base da comercialização, a essência de uma oferta comercial conhecida como composto de marketing (Marketing Mix), formado pelos 4 Ps (Produto, Preço, Distribuição e Promoção) (LAS CASAS, 2010). A pesquisa de marketing busca desvendar os pensamentos e as motivações, identifica desejos e necessidades do público-alvo, a fim de munir o gestor de marketing de informações relevantes e confiáveis, para que assim este possa tomar decisões estratégicas visando o crescimento e fortalecimento da organização (ZIKMUND, 2006). O processo de pesquisa de Marketing deve ser realizado em seis etapas, conforme se evidencia na figura a seguir. FIGURA 15 – PROCESSO DE PESQUISA DE MARKETING Etapa 1: Definir o problema Etapa 2: Desenvolver uma abordagem para o problema UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 88 Roteiro para uma pesquisa de marketing É possível observar com mais clareza na figura a seguir o papel fundamental que a pesquisa de marketing exerce na tomada de decisão. FIGURA 16 – O PAPEL DA PESQUISA DE MARKETING NA TOMADA DE DECISÃO Grupo de Clientes • Consumidores • Funcionários • Acionistas • Fornecedores Variáveis Controláveis de Marketing • Produto • Preço • Promoção • Distribuição Pesquisa deMarketing Avaliando Necessidade Informação Promovendo Informação Tomada de Decisão de Marketing Administração de Marketing • Segmentação de Mercado • Seleção de mercado-alvo • Programas de Marketing • Desempenho & Controle Fatores Ambientais Incontroláveis • Economia • Tecnologia • Legislação • Fatores Social & Cultural • Fatores Políticos FONTE: Adaptado de Malhotra (2011, p. 9) Observamos então que a Pesquisa de Mercado ou Pesquisa de Marketing é uma das principais ferramentas para responder a uma série de questões que possam surgir, em sua essência a pesquisa de marketing atende à necessidade de conhecimento de mercado pelos gerentes de marketing. Dessa forma, a tarefa da pesquisa de marketing é ajudar a especificar e a fornecer informação precisa para reduzir a incerteza na tomada de decisão (ZIKMUND, 2006). FONTE: Adaptado de Malhotra (2011, p. 7) Etapa 3: Formular um projeto de pesquisa Etapa 4: Fazer o trabalho de campo e coletar os dados Etapa 5: Preparar e analisar os dados Etapa 6: Preparar e apresentar o relatório TÓPICO 1 | PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO 89 LEITURA COMPLEMENTAR Como a Reebok calça o tênis A Reebok, comprada pela Adidas em 2006, desenvolve, comercializa e distribui roupas, calçados e equipamentos esportivos. Para proporcionar "total conforto" a atletas e consumidores, a empresa investe muito esforço em pesquisa de mercado. Embora o slogan pertença à Nike, quando o assunto é pesquisa de mercado, a Reebok se garante. A Reebok utiliza a pesquisa de 'uso do tempo' para determinar como os consumidores gastam seu tempo livre. Esse tipo de informação permite que a empresa identifique oportunidades para novos produtos e mercados e, então, desenvolvaseu programa de marketing para tirar proveito deles, conforme ilustrado pela linha recém-introduzida de calçados personalizados Ventilator. A empresa utiliza uma variedade de métodos para pesquisar as tendências de uso do tempo, incluindo a análise de dados secundários (dados coletados para outras finalidades, por exemplo, dados disponíveis de outras publicações, Internet e fontes comerciais). Também emprega a pesquisa qualitativa, como discussões em grupo (entrevistas em grupo de oito a 12 pessoas); e levantamentos quantitativos por meio de entrevistas por telefone, nos shopping centers e na Internet, e na casa dos consumidores. A gerência queria identificar maneiras de a Reebok aumentar sua participação de mercado. Uma análise de dados secundários mostrou que o número de membros preocupados com uma vida saudável aumentou em 10 por cento no início dos anos 2000. As discussões em grupo indicaram que a nova atividade física do momento era o step aeróbico (a aeróbica-padrão intensificou-se com a adição de uma plataforma de 3 a 7 polegadas, o 'step'). A Reebok, então, realizou um levantamento para determinar o potencial de mercado do step aeróbico e descobriu que os membros da academia estavam gastando menos tempo nelas, uma média de 12 por cento. A Pesquisa de Marketing é definida como o processo sistemático e objetivo de geração de informação para ajudar na tomada de decisões de marketing. Esse processo inclui a especificação de como a informação é desejada, o desenho do método de coleta da informação, o gerenciamento e a implementação da coleta da coleta de dados, a análise dos resultados e a comunicação das descobertas e suas implicações. É importante ressaltar que uma decisão equivocada e sem fundamento plausível pode desencadear uma série de prejuízos à organização, como a perda de mercado, exposição da imagem e reputação da organização, podendo levar até mesmo a sua falência. Obviamente, quanto maior a responsabilidade de um gestor, maior será o impacto de suas decisões dentro e fora da organização. Assim, a pesquisa de marketing pode reduzir a incerteza de uma decisão e, portanto, diminuir o risco de tomada da decisão errada (ZIKMUND, 2006). UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 90 A pesquisa também demonstrou que a porcentagem de adultos que se exercitava em casa havia crescido de 20 por cento, em 1990, para mais de 30 por cento em 2006. Em resposta a esses resultados, diversas questões da pesquisa foram levantadas sobre exercícios em casa. Com base nos resultados dessa pesquisa, a Reebok desenvolveu uma linha de step aeróbico para se fazer em casa, incluindo step domésticos, fitas de vídeo, calçados aeróbicos e pesos. A pesquisa do produto indicou uma forte preferência do consumidor pela linha aeróbica para se fazer em casa, e a linha foi lançada nacionalmente nos Estados Unidos. Essa linha foi um sucesso, e a popularidade desses produtos resultou em um programa de exercícios com step da Reebok na ESPN. Especialistas em pesquisa de marketing interno da Reebok envolveram-se ativamente na definição e no desenvolvimento dela. Entretanto, a empresa contratou a coleta e a análise de dados de fornecedores externos, que coletaram e analisaram os dados utilizando técnicas estatísticas adequadas. Os fornecedores externos podem também escrever o relatório, mas a apresentação dos resultados para a gerência e o auxílio na implementação são responsabilidade do departamento de pesquisas de marketing interno da Reebok. A empresa utiliza fornecedores de serviço completo que dão assistência em todas as etapas do processo de pesquisa de marketing, bem como fornecedores de serviço limitado que podem cuidar apenas de uma ou poucas etapas do processo. O departamento de pesquisas de marketing interno ajudou a Reebok a inserir muitos produtos de sucesso e permitiu que se tornasse a empresa principal em roupas e calçados esportivos. FONTE: Malhotra (2011, p. 2). UNI A Reebok utilizou a pesquisa de “uso do tempo” a fim de descobrir o que seus clientes e consumidores fazem em seu tempo livre. Neste caso o problema de pesquisa de marketing da Reebok era: “o que devemos fazer para aumentar a participação no mercado?” MATRIZ BCG O sucesso de uma organização se dará em função de um portfólio de produtos equilibrados que permita à organização aproveitar suas oportunidades de crescimento. Mas como saber se uma empresa possui um portfólio equilibrado? E como aproveitar as oportunidades de crescimento? A matriz BCG pode ajudar. Caro acadêmico! Esse é um assunto muito importante, pois a matriz BCG é uma ferramenta comumente utilizada hodiernamente. Ela foi desenvolvida em 1970 a partir de estudos da Boston Consulting Group (BCG), sua funcionalidade se destaca por avaliar um produto pelo seu ciclo de vida, o que possibilita diversas ações de Marketing e Planejamento Estratégico (GHEMAWAT, 2002). TÓPICO 1 | PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO 91 Essa ferramenta tem como objetivo encontrar o portfólio ideal de produtos e serviços de uma organização, os quais são classificados segundo sua participação no mercado (market-share) e a taxa de crescimento da indústria à qual pertencem (SCHEWE; HIAM, 2000 apud JOIA; FERREIRA, 2005). A Matriz BCG é composta por dois eixos: na horizontal tem-se a “Participação relativa de mercado” e na vertical tem-se “Crescimento do mercado”, cada eixo é composto pelos índices de baixo ou alto, o que indica maior ou menor crescimento do mercado ou participação relativa de mercado em comparação à sua maior concorrente. O portfólio de produtos de uma organização é assim dividido em quatro categorias: Estrela, Ponto de Interrogação, Vaca Leiteira e Abacaxi. Conforme exposto na figura a seguir. FIGURA 17 – MATRIZ BCG FONTE: Adaptado de Kotler (2000, p, 91) Uma empresa pode estabelecer seus planos estratégicos a partir da identificação do posicionamento do produto em uma das categorias (estrela, ponto de interrogação, vaca leiteira e abacaxi) da matriz BCG, pois a partir daí é possível identificar em qual estágio o produto se encontra. Vejamos a explicação de como estabelecer o posicionamento de um produto nas categorias que compõem a matriz BCG: • Em questionamento/ponto de interrogação: o produto que se encontra nesta categoria é geralmente relacionado a mercados nascentes. Possui baixa participação em mercado com alto crescimento. Constitui-se em apostas da empresa. • Estrela: produtos ideais. Com altas margens de lucros, contudo necessitam de considerável investimento, possui alta participação em um mercado com alto crescimento. Refere-se a negócios ou produtos de alto crescimento e de grande participação no mercado. É líder em um mercado de alto crescimento. • Vaca leiteira: o produto aqui posicionado é aquele que gera muito lucro com baixo investimento e possui alta participação em mercado com baixo UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 92 crescimento. A taxa de crescimento do mercado já diminuiu. • Abacaxi ou cachorro: produto com baixa participação em mercado com baixo crescimento. Produtos que geram pouco lucro ou até mesmo prejuízo, neste caso há que se considerar a descontinuidade do produto. Em suma, os pontos de interrogação envolvem decisões de retirada do produto de mercado ou maiores investimentos nestes. Já para os produtos estrela, nesta estratégia, recomenda-se investimento. Para os produtos vaca leiteira a recomendação da estratégia é aproveitar a alta lucratividade e investir em outros produtos. Os produtos abacaxi não geram mais lucro e uma retirada deles do portfólio é necessária. Assim, a estratégia recomenda o desinvestimento (WEISE et al., 2010 apud SCHRIPPE et al., 2013). A partir do posicionamento dos produtos na Matriz BCG podem-se definir quatro estratégias: penetração de mercado, desenvolvimento de mercado, desenvolvimento de produto ou diversificação, conforme vamos ver a seguir. MATRIZ ANSOFF ou MATRIZ DE PRODUTO/MERCADOO professor e consultor Igor Ansoff (1918-2002), diferentemente de alguns estudiosos que possuíam seu foco nos processos internos à organização, entendeu que o ambiente externo é tão importante para as organizações quanto sua estrutura interna, pensando nisso ele desenvolveu a matriz Ansoff, também conhecida como matriz de produto/mercado. A matriz Ansoff é utilizada no Planejamento de Marketing, por meio dessa ferramenta é possível determinar as estratégias de produto e de crescimento de mercado. Conforme exposto no quadro a seguir, a matriz é dividida em dois eixos: na horizontal “produtos” e na vertical “mercados”, com dois valores para cada um, existentes e novos. QUADRO 16 – MATRIZ DE ANSOFF FONTE: Adaptado de Ansoff (1979, p. 92) TÓPICO 1 | PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO 93 Vejamos a explicação de cada quadrante da matriz de Ansoff: • Penetração de mercado: envolve a direção de crescimento por meio do aumento da participação relativa da empresa no mercado em que ela já atua. Identificação de ações que demonstrem a busca da ampliação das vendas em mercados existentes e com produtos existentes. Ou seja, vender mais para os clientes atuais sem alterar os produtos. • Desenvolvimento de produtos: identificação de ações que demonstrem a busca pela ampliação das vendas em mercados existentes, porém com produtos novos. Produtos modificados ou novos em mercados atuais, o objetivo básico é alcançar a materialização dos requerimentos (desejos, necessidades já existentes) dos consumidores em novos produtos ou serviços. • Desenvolvimento de mercado: identificação de ações que demonstrem a busca da ampliação das vendas em mercados novos, porém com produtos existentes. A empresa busca novos segmentos de mercado para seus produtos atuais. • Diversificação: identificação de ações que demonstrem a busca da ampliação das vendas em mercados novos e com produtos novos. Abrir ou comprar negócios que não têm a ver com seu produto ou mercado atual. Essa técnica de análise ambiental revela-se numa excelente ferramenta para tomada de decisão, o modelo é útil para colocar em gráficos as opções de uma empresa em termos de produtos e mercados com o objetivo de unir os fatores produto e mercado, gerando assim um desempenho superior para a organização. LEITURA COMPLEMENTAR Um case, da multinacional Walmart, ilustra como uma má combinação dos vetores produto e mercado pode prejudicar a estratégia de uma organização. Em seus primeiros anos no Brasil, em uma das primeiras lojas inauguradas havia itens para vendas, como: equipamentos para beisebol e casacos para neve. Obviamente esta combinação deu errado, pois combinaram produtos existentes de seu portfólio em um mercado novo, mas que não possui demanda nenhuma para estas mercadorias. Para utilizar a matriz produto/mercado, o gestor deve conhecer a fundo as características do seu negócio. Erros grotescos, como o do Walmart, podem ocorrer mediante a aplicação das estratégias sugeridas pela matriz. Dessa forma, o professor Ansoff sugere a existência de quatro estratégias capazes de gerar ganhos significativos ao seu empreendimento, as quais são: Produto Existente + Mercado Existente = Penetração de Mercado. Produto Novo + Mercado Existente = Desenvolvimento de Produto. Produto Existente + Mercado Novo = Desenvolvimento de Mercado. Produto Novo + Mercado Novo = Diversificação. FONTE: Disponível em: <http://certificacaoiso.com.br/serie-planejamento-estrategico-matriz- de-ansoff/>. Acesso em: 30 maio 2017. UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 94 UNI Observamos na leitura complementar supracitada que apesar do Walmart ter inserido seus produtos existentes em um novo mercado como sugere um dos quadrantes da matriz de Ansoff, essa estratégia não foi adequada. Dessa forma, podemos constatar que uma decisão não deve ser pautada apenas em informações isoladas. Continuando nossos estudos, vamos conhecer as estratégias alternativas de crescimento. Sabemos que a busca pela maximização do lucro tem levado empresas a implementar estratégias que possibilitem cada vez mais o seu crescimento organizacional. Tal crescimento pode ser representado e analisado por diversos fatores, tais como: participação no mercado; volume de produção; variedade de produtos ofertados; tamanho do mercado atingido; valor acionário; tamanho do patrimônio, lucro e/ou faturamento; número de empregados, dentre outros (CORREA et al., 2009). Ao se apropriar do estudo de Ansoff, o pesquisador Aaker (2007) argumenta que as empresas, para obterem um maior desempenho e crescimento, devem estabelecer estratégias alternativas de crescimento conforme se evidencia no quadro que segue. QUADRO 17 – ESTRATÉGIAS ALTERNATIVAS DE CRESCIMENTO Mercados Atuais I- Crescimento de mercado produtos existentes. Aumentar a participação de mercado. Aumentar a utilização do produto. Aumentar a frequência de uso. Revitalizar a marca. Encontrar novas aplicações para os usuários atuais. II- Desenvolvimento de produto. Extensões de linha. Expandir escopo do produto. Desenvolver um produto de nova geração. Desenvolver novos produtos para o mesmo mercado. Novos Mercados III- Desenvolvimento de mercado. Expandir-se geograficamente. Visar a novos segmentos. V- Diversificação e envolvendo vários produtos e vários mercados. Relacionada. Não relacionada. IV- Estratégia de integração vertical. FONTE: Aaker (2007, p. 247) Vejamos a explicação de cada quadrante, segundo Aaker (2007): • Crescimento de mercado produtos existentes: nesse quadrante, as ações realizadas visam aumentar a participação de mercado e/ou aumentar o uso do TÓPICO 1 | PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO 95 produto. A empresa necessita de experiência, conhecimento e recursos para aumentar a sua participação em mercados de produtos já existentes. • O desenvolvimento de produto: ocorre de várias formas, como adição de características ao produto, desenvolvimento de produtos de nova geração, e desenvolvimento de vários produtos para mercado existente. • Desenvolvimento de mercado: o terceiro quadrante refere-se ao desenvolvimento de mercado usando produtos existentes. A empresa pode expandir-se geograficamente ou estender-se para novos segmentos de mercado. • Diversificação e envolvendo vários produtos e vários mercados: o quarto quadrante registra as estratégias de integração vertical, estas, por sua vez, podem acontecer para frente, quando a empresa compra outra, que está a jusante do fluxo do produto, ou para trás, quando a empresa compra outra que está a montante do fluxo da cadeia produtiva. • Diversificação: ocorre quando a empresa diversifica os seus negócios de forma relacionada ou não relacionada. A diversificação será relacionada quando a empresa trabalhar com competências semelhantes no negócio existente e no negócio recém-adquirido. A diversificação não será relacionada quando as competências para tocar o negócio existente e o adquirido forem distintas. 3 O MÉTODO SIM NA PESQUISA DE MERCADO Como vimos anteriormente, a pesquisa de marketing visa à identificação, coleta, análise e a disseminação sistemática e objetiva das informações, com a finalidade de serem utilizadas nas decisões de marketing. Nesta seção vamos aprender que combinar as informações externas de mercado com o faturamento, a produção e outros registros internos resulta em um poderoso Sistema de Informação de Marketing chamado de SIM, veja na figura a seguir como isso ocorre. FIGURA 18 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE MARKETING FONTE: Kotler (2000) Gerência de Marketing Análise Planejamento Implementação Controle Ambiente de Marketing Mercados - alvo Canais de Marketing Concorrentes Públicos Forças Macro - ambientais Sistema de Informações de Marketing Desenvolvimento de Informações Avaliação das necessidades de informação Distribuição das informações Registro interno Inteligência de marketing Análise de apoio às deci- sões demkt Pesquisa de marketing UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 96 O Sistema de Informação de Marketing (SIM) é um conjunto formalizado de procedimento para gerar, analisar, armazenar e distribuir as informações àqueles que tomam as decisões na coordenação e no controle da organização, reduzindo o fluxo de informação e burocracia, bem como riscos no processo decisório, custos e procedimentos, além de criar novos produtos e alimentar a inovação e o relacionamento com fornecedores e com clientes e auferir receitas adicionais (LAUDON; LAUDON, 2004; MALHOTRA, 2011). Sabemos que obter informação tornou-se primordial para as empresas modernas. Segundo Hooley, Saunders e Piercy (2005, p. 133), “a informação é matéria-prima para a tomada de decisão”. A partir desse entendimento, fica fácil compreender a importância do SIM. É importante salientar que esse sistema difere da pesquisa de marketing, pois seus dados estão constantemente disponíveis, o poder do SIM está no acesso que concede aos gerentes, às vastas quantidades de informações, combinando as informações sobre produção, fatura e faturamento com a inteligência de marketing, conforme exposto na figura a seguir. FIGURA 19 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE MARKETING FONTE: Adaptado de Malhotra (2011, p. 17) Para Kotler (1998), o modelo de Sistema de Informações de Marketing possui os seguintes componentes: • sistema de registros internos, que inclui informações sobre o ciclo de pedidos e o sistema de relatórios de vendas; • sistema de inteligência de marketing, composto de um conjunto de procedimentos e fontes usados por administradores para a obtenção de informação diária sobre desenvolvimentos pertinentes no ambiente de marketing • sistema de pesquisa de marketing, que permite o projeto, a coleta, a análise, o relatório de dados e a apresentação dos resultados relevantes para uma situação de marketing específica e; • sistema computadorizado de apoio à decisão de marketing, que ajuda os administradores a interpretar dados e informações relevantes e a transformá- los em uma base para a ação de marketing. Faturamento Interno, produção e outros registros Informações de Mercado externo Informações de Mercado externo Sistema de Suporte à decisão Sistema especialista + = TÓPICO 1 | PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO 97 4 SEGMENTAÇÃO DO MERCADO Caro acadêmico! Sabemos que cada público possui suas características, especificidades e preferências, dessa forma, seria demasiadamente difícil para uma organização atender com qualidade a todos os públicos em mercados diversos, por isso a segmentação de mercado é realizada antes de se estabelecer estratégias de marketing. FIGURA 20 – MERCADO SEGMENTADO FONTE: Disponível em: <http://miti.com.br/blog/wp-content/ uploads/2015/07/Client-segmentation.png>. Acesso em: 10 set. 2017. A segmentação do mercado é parte primordial do marketing, sendo a gestão de marketing a arte e a ciência de escolher os mercados-alvos e de conquistar, reter e cultivar clientes, por meio da criação, comunicação e fornecimento de valor superior para os clientes (KOTLER, 2003). Por meio da segmentação do mercado será possível identificar grupos com características e comportamento semelhantes, possibilitando um desenvolvimento de uma estratégia específica de acordo com as necessidades de cada cliente. Ademais, é por meio da segmentação do mercado que os mercados-alvos são estipulados. Assim, a escolha dos mercados-alvos é feita a partir da segmentação do mercado e é um dos pilares do marketing estratégico. A segmentação de mercado pode ser compreendida como o processo de identificação de grupos de consumidores, homogêneos em relação às características, comportamentos, necessidades ou desejos, que permite à empresa obter vantagem competitiva mediante a maior entrega de valor a esses consumidores. De acordo com Kotler (1994), segmentação de mercado é o ato de identificar e agrupar grupos distintos de compradores que podem exigir produtos e/ou compostos de marketing separados. De acordo com Westwood (1996) diferentes clientes têm diferentes necessidades. Nem todos exigem o mesmo produto ou benefícios de produtos, e nem todos os clientes vão comprar um determinado produto pelas mesmas razões. A segmentação de mercado permite que se considerem os mercados em que a empresa se encontra e em qual deveria estar. • O mercado consumidor: do qual fazem parte os clientes que comprarão suas mercadorias ou utilizarão os serviços prestados por sua empresa. Para obter UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 98 dados sobre o mercado consumidor é necessário fazer pesquisas. • O mercado concorrente: que produz e vende mercadorias ou presta serviços idênticos ou similares aos que o empreendedor pretende oferecer. Preste atenção em características como qualidade, preço, acabamento, durabilidade, funcionalidade, embalagem, porte, qualidade no atendimento, facilidade de acesso, forma de apresentação da mercadoria. • O mercado fornecedor: que oferece equipamentos, matéria-prima, embalagens e outros itens que o empresário necessita. Informações sobre fornecedores podem ser encontradas em listas telefônicas, anuários setoriais e revistas especializadas e, ainda, pela internet. A partir deste entendimento podemos considerar os mercados um ambiente onde compradores diferem entre si em um ou mais aspectos. Podem diferir em termos de desejos, poder de compra, localização geográfica, atitudes e práticas de compra. Qualquer dessas variáveis pode ser usada para segmentar um mercado (KOTLER, 1994). A partir destas distinções, a segmentação pode ser realizada: • De acordo com as características dos consumidores: informações demográficas, geográficas (bairro, cidade, região) e psicográficas, (atividade, interesse e opinião). • Pela relação dos consumidores com o produto: por benefícios e pela lealdade de marca. É só a partir da segmentação do mercado que será possível aproveitar as oportunidades que surgiram. De acordo com Kotler (1999), as principais fontes de oportunidade no mercado são: 1 - Fornecer algo escasso. 2 - Fornecer, de maneira nova ou melhor, um produto ou serviço existente. 3 - Fornecer um novo produto ou serviço. 4.1 POSICIONAMENTO DE MERCADO Caro acadêmico! Vamos tratar agora do posicionamento de mercado, sabemos que com a adoção de estratégias de crescimento como fusões, aquisições, o ambiente em que as empresas competem tem se tornado cada vez mais complexo e hostil. Frente a esse mercado tão competitivo, o posicionamento surge como uma estratégia de marketing sobremodo eficaz e sua implementação pode representar a chave para o sucesso organizacional. Pelo senso comum, muitos têm dado à palavra posicionamento um significado errôneo. De acordo com Serralvo e Furrier (2004), o termo posição é definido na literatura como um lugar ocupado por um produto/serviço em relação a seus concorrentes. Mas se questionarmos a cinco gerentes de marketing o que é posicionamento, provavelmente, cada uma terá uma resposta diferente. Nesta seção vamos compreender que não há na literatura uma definição universalmente TÓPICO 1 | PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO 99 aceita de posicionamento (BLANKSON, 2001 apud SERRALVO; FURRIER, 2004). Provavelmente, isso se deve aos vários conceitos que geralmente abarcam o tema. O posicionamento é conhecido como um termo recente que evoluiu das discussões de segmentação de mercado, público-alvo e estruturas de marketing durante as décadas de 1960 e início da década de 1970 (SERRALVO; FURRIER, 2004). É importante destacar que na literatura encontramos conceitos relacionados ao posicionamento de mercado, concebido como a estratégia relacionada a qual abordagem adotar em relação à segmentação de mercado e à seleção dos segmentos nos quais a companhia quer participar (GREENLEY, 1989 apud BLANKSON, 2001, p. 4), também há conceitos relacionados ao posicionamento de produto,marca etc. Segundo Hooley e Saunders (1996, p. 238), “A estratégia de posicionamento trata-se de agrupar clientes e concorrentes e isto é, portanto, um problema multidimensional, que atinge também percepções, crenças e atitudes em relação aos clientes, relacionadas ao entendimento de como as pessoas percebem os mercados”. Dessa forma, as empresas necessitam ganhar um significado exclusivo frente ao mercado e usam suas marcas para isso. Afinal, existem dois tipos de marcas: as que justificam seu preço, e as que não o justificam. Marcas são consequências diretas da estratégia de segmentação de mercado e diferenciação de produto (SERRALVO; FURRIER, 2004). Observamos que quando uma empresa consegue alcançar um posicionamento diferenciado no mercado, seu produto atinge um nível superior aos demais, consequentemente seu preço também é elevado. Como exemplo podemos citar o iphone. FIGURA 21 – APPLE FONTE: Disponível em: <https://d3nevzfk7ii3be. cloudfront.net/igi/1LwJZB43mh1IuVF3.large>. Acesso em: 10 set. 2017. De acordo com Serralvo e Furrier (2004, p. 5), “a profundidade da consciência de marca está relacionada à probabilidade de que a marca seja lembrada, enquanto sua amplitude refere-se à lembrança em diferentes situações de uso”. Conforme argumenta Aaker (1996, p. 221), uma identidade e uma posição de marca bem concebidas e implementadas trazem uma série de vantagens à organização, a saber: UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 100 LEITURA COMPLEMENTAR Estudo de caso: Havaianas, por que todo mundo usa? FONTE: Disponível em: <http://www.cafecomgalo.com.br/wp- content/uploads/2013/10/Havianas-logo.jpg>. Acesso em: 10 set. 2017. • orientam e aperfeiçoam a estratégia de marca; • proporcionam opções de expansão da marca; • melhoram a memorização da marca; • dão significado e concentração para a organização; • geram uma vantagem competitiva; • ocupam uma posição sólida contra a concorrência; • dão propriedade sobre um símbolo de comunicação; • provêm eficiências em termos de custos de execução. Para Serralvo e Furrier (2004, p. 3), o posicionamento de marca é um “processo de estudo, definição e implementação de uma oferta diferenciada cujos atributos proporcionem uma posição vantajosa sustentável de uma marca em relação à concorrência numa categoria, do ponto de vista da percepção de um público-alvo”. Caro acadêmico! Podemos afirmar que a estratégia de posicionamento adotada pela empresa possui relação direta com sua performance financeira. Agora vamos ver na prática como o uso da estratégia de posicionamento pode alavancar os negócios de uma organização. Acompanhe na leitura complementar a seguir o caso das “Havaianas”. A posição de marca líder do segmento e desejada pelas pessoas só foi alcançada pelas Havaianas depois de um forte processo de gestão da marca a partir de 1994. A sandália começou a ser produzida em 1962. “Foi inspirada em uma típica sandália japonesa chamada Zori, feita com tiras em tecido e solado de palha de arroz”. De onde veio a criação do solado de borracha, com uma textura que reproduz grãos de arroz e que distingue o produto de sua concorrência. TÓPICO 1 | PESQUISA E SEGMENTAÇÃO DO MERCADO 101 O posicionamento de marca, adotado pela Havaianas, era popular. Sua comunicação se dirigia ao mercado de massa, utilizando somente publicidade nos veículos de mídia eletrônica – TV – de consumo da população de baixa renda. A Havaianas foi a primeira marca a fazer merchandising na TV brasileira, patrocinando, na década de 1960, o programa humorístico “A família Trapo” com Ronald Golias e Jô Soares no elenco. A partir de 1970, em função do número de cópias de sandálias existentes no mercado, a campanha publicitária focou as qualidades da sandália original com o garoto-propaganda Chico Anysio, dizendo: “não deformam, não soltam as tiras e não têm cheiro”. E o slogan “Havaianas. As legítimas” foi então lançado. Foi uma parceria de sucesso, o sucesso da TV dando força à marca e a campanha da Havaianas gerando maior índice do Ibope ao programa. Durante a década de 1980, foram vendidos mais de 80 milhões de pares de sandálias por ano. Segundo Gomes, no período de 1988 a 1993, a Alpargatas começou a verificar uma forte queda no volume de vendas das Havaianas, que foi apontado como resultado de seu posicionamento de mercado: bom, barato e voltado ao consumidor de baixa renda. O prestígio da marca estava em queda. As Havaianas têm um produto de qualidade superior no segmento de sandálias. A composição de sua borracha é um segredo muito bem guardado. As concorrentes diretas – Ipanema e Grendha – da Grendene, não conseguiram reproduzir uma borracha deste nível de qualidade. Todos os concorrentes deste mercado estavam disputando seus clientes com base em preço baixo e qualidade do produto. Um mercado de commodities. A década de 1990 caracterizou-se pela supervalorização da marca, que passou a ser ostentada na identificação de grupos sociais. O jovem e o cool apontam neste contexto como tendência de linguagem usada da comunicação da marca. No início dos anos 90, a comunicação da Havaianas passava longe desta tendência, enfocando a valorização da qualidade do produto (abordagem racional) e a linguagem popular. Havia uma oposição entre a fórmula narrativa da marca, que continuava sendo a mesma desde o início dos anos 1970, e a nova noção de narrativa cool, desejada pelos jovens de classe média no final dos anos 1980 e início dos 1990 no Brasil. Sandália de borracha é o tipo de calçado de menor valor que há (pelo menos era até aquele momento), de forma que a população de baixa renda a usava em seu cotidiano. Achatada pela crise econômica, a classe média a calçava para os momentos de limpeza da casa e tolerava ou já não via muita graça em usá- la para ir à praia, pois remetia à cultura popular ou ao “brega”; afinal, um patrão não poderia se confundir com seu empregado. “Eram uma espécie de atestado de pobreza, a tal ponto que até os pobres passaram a rejeitar o produto”, lembra Paulo Lalli, diretor da Havaianas. O produto, apesar de funcional, estava sendo abandonado pela distinção social. UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 102 A empresa, diante da queda contínua no consumo de seu produto, começou a investir em marketing e pesquisa, dando início ao processo de gestão da marca. Em 1994, a empresa tomou a decisão de sair da competição por commodities, cuja gestão se baseia na redução de custos de produção e resolveu conferir um “valor agregado” ao produto. Começou, então, o branding da Havaianas. A área de marketing da marca passou a observar o hábito do consumidor de classe média, a fim de encontrar uma forma de retomada do crescimento das vendas. Para Ricardo Palmari, gerente de marketing da empresa Alpargatas, a empresa sabia que a classe média gostava das sandálias, mas tinha vergonha de usar em público por serem usadas por classes sociais mais baixas. Segundo o executivo, tomou-se a decisão estratégica de investir em novo posicionamento para atingir o consumidor de classe média. Em 1994, foram lançadas as Havaianas Top, “modelos monocolores que foram desenvolvidos com base na observação do comportamento dos próprios consumidores, que viravam a palmilha para deixar o chinelo de uma cor só”. Esse hábito teve início com os jovens de classe média na praia, que usavam a sandália por ser de qualidade, mas tentavam diferenciar o produto para não parecer o mesmo que a massa de despossuídos calçava. Surge a nova linha de produto – Havaianas Top – monocromática com as cores da moda. Com a nova sandália, foi lançada uma nova fórmula narrativa na sua publicidade. A comunicação com o mercado passou por uma grande transformação, substituindo o slogan “Havaianas. As legítimas” para “Havaianas. Todo mundo usa” e contratando várias celebridades como garotos-propaganda da marca. [...] A fórmula narrativa prosseguiu em mostrar celebridades usando asandália, não só em sua vida privada, mas, também, em momentos sociais como ir ao restaurante, shopping, festas. A campanha, na TV, com artistas usando e dizendo que adoravam e que sempre usaram, inculca o slogan “todo mundo usa” e torna natural, à classe média, o consumo da marca Havaianas. Paulo Lalli, diretor responsável pela unidade Havaianas, descreve que, no primeiro ano de gestão da marca (1994), a empresa atingiu seus objetivos, recuperando o volume de vendas das sandálias tradicionais e tendo boa aceitação na linha Top, com mídia espontânea e aceitação em lojas especializadas. [...] “Com isso, a marca conseguiu quebrar um paradigma; o chinelo passou a ser usado não somente em casa ou na praia, mas também em outras ocasiões do dia a dia das pessoas”. FONTE: Disponível em: <https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/21727/21727_6.PDF>. Acesso em: 26 jun. 2016. 103 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico nós vimos que: • A Pesquisa de Mercado, também chamada de Pesquisa de Marketing, trata-se de uma das principais ferramentas de marketing utilizada a fim de conhecer, identificar e monitorar o mercado consumidor. • Uma das funções da Pesquisa de Marketing é coletar dados a fim de munir os gestores de marketing de informações confiáveis e plausíveis para que possam tomar as decisões plausíveis. • A Matriz BCG é uma ferramenta que avalia um produto pelo seu ciclo de vida, o que possibilita diversas ações de Marketing e Planejamento Estratégico. • A Matriz BCG é uma ferramenta que auxilia a organização a encontrar o portfólio ideal de produtos e serviços. • A Matriz de Produto e Mercado é uma ferramenta que auxilia no estabelecimento de estratégias de produto e de crescimento de mercado. • Por meio da segmentação do mercado a empresa pode identificar grupos com características e comportamento semelhantes, possibilitando assim o desenvolvimento de estratégias específicas. • O posicionamento de marca é um processo de estudo, definição e implementação de uma oferta diferenciada cujos atributos proporcionem uma posição vantajosa sustentável de uma marca em relação à concorrência. 104 AUTOATIVIDADE 1 Qual é a importância da Pesquisa de Marketing para as organizações? a) ( ) A produção e a comercialização de sanduíches requerem alto investimento e apresentam baixa perspectiva de retorno, pois trata-se de produto que se classifica como do tipo vaca leiteira. b) ( ) Os produtos do tipo abacaxi, como os comercializados em docerias, têm reduzido potencial de crescimento, apesar de apresentarem grande participação no mercado e serem bem conhecidos por clientes. 2 Pesquisas e experiências realizadas pela Copernicus Marketing Consulting and Research, dos Estados Unidos, revelam que, em mercados competitivos, as decisões tomadas apenas com base na intuição, ditadas pelo “bom senso”, raramente levam a resultados positivos. A partir deste contexto, descreva quais são as consequências em se tomar uma decisão sem a realização de uma pesquisa de marketing? 3 Um empreendedor deseja montar um food truck, automóvel que comercializa comida, ou seja, restaurante sobre rodas que leva a consumidores cozinhas itinerantes, oferecendo pratos elaborados a preços acessíveis. Para tanto, buscou na Matriz BCG (Boston Consulting Group) – representada na figura a seguir – uma ferramenta de tomada de decisão e estratégia de vendas, para, a partir de análises e informações, escolher o produto em que irá investir. Considerando a relação entre produto escolhido e a respectiva estratégia de venda, o empreendedor deve ponderar que: 105 c) ( ) Os investimentos em pizzas e massas artesanais – produtos do tipo ponto de interrogação – têm grande potencial de crescimento, ainda que apresentem pequena participação no mercado no início do negócio. d) ( ) O investimento na comercialização de comidas asiáticas é uma boa opção, pois em mercados inovadores, como é o caso do food truck, esse tipo de produto – estrela – tem grande participação, mesmo que as taxas de crescimento sejam baixas. e) ( ) Os produtos dos tipos vaca leiteira e estrela têm pequena participação no mercado, embora apresentem grande potencial de crescimento e atinjam público diversificado, sendo, portanto, aconselhável o investimento em sanduíches ou comida asiática. Fonte: ENADE (2015) 4 A partir da análise do posicionamento do produto na Matriz BCG, uma organização pode estabelecer quatro estratégias: Penetração de Mercado, Desenvolvimento de Mercado, Desenvolvimento de produto ou Diversificação. Descreva qual ferramenta é utilizada para desenvolver essas estratégias. 5 Qual é a relação existente entre a matriz BCG e a matriz de Ansoff? 6 O profissional de marketing de uma empresa de cosméticos foi encarregado de redesenhar o aparelho de depilação feminino comercializado por essa empresa. Para tanto, o profissional fez uma pesquisa de mercado utilizando entrevistas e discussões em grupo (grupo focal) com mulheres de segmentos diferentes do mercado- alvo potencial do produto, tendo em vista que a depilação é considerada uma experiência pessoal pelas mulheres. Essa técnica de entrevistas permite investigação extensa de sentimentos. A partir do texto apresentado, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I - Pesquisas qualitativas baseiam-se em amostras pequenas do mercado- alvo, cujos dados não são analisados estatisticamente, sendo adequadas para entender as necessidades de depilação das mulheres. PORQUE II - A discussão em grupo, realizada por intermédio de um moderador treinado, é uma técnica de pesquisa cujo principal objetivo é obter percepções das questões de interesse do pesquisador. 106 A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a ll é uma justificativa correta da I. b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. Fonte: ENADE (2015) 7 Explique qual é a diferença entre dados e informações. 107 TÓPICO 2 PLANO DE MARKETING UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Uma organização é composta de uma estrutura complexa que internamente desenvolve e transforma processos. Seja ela pública, privada ou sem fins lucrativos, de alguma forma, produz bens ou serviços para servir a um determinado público a fim de entregar valor a ele. A fim de cumprir seus objetivos, as empresas estabelecem metas, objetivos e desenvolvem planos, políticas, procedimentos, estratégias e táticas. É neste contexto que o plano de marketing se insere, pois possui a função de orientar a empresa em seu progresso (WESTWOOD, 1996). Sabemos que o planejamento é primordial para o alcance do sucesso empresarial, definir um ponto de partida, os recursos necessários, as metas e objetivos que se desejam alcançar, tudo isso faz parte do Plano de Marketing. Toledo, Campomar e Toledo (2006, p. 61) argumentam que “é consenso entre os gestores de marketing que a ação de planejar representa parte indissociável das atividades das empresas. E o plano de marketing é um componente fundamental desse processo”. Caro acadêmico! Nesta seção vamos conhecer o Plano de Marketing, sua estrutura e finalidades. 2 O QUE É UM PLANO DE MARKETING O que é exatamente um plano de marketing? O plano de marketing é um documento que estabelece os objetivos de uma organização, referente a um próximo período de atividades e define programas de ação necessárias ao atingimento destes objetivos (CAMPOMAR; SIQUEIRA, 1997). O plano de marketing é um documento desenvolvido pelo empreendedor, gerente de marketing ou pelo CEO da organização e geralmente cobre o período de um ano, mas alguns envolvem um período mais longo. Os planos também variam em extensão, podendocompreender um número reduzido de páginas ou constituir um documento com mais de 50 páginas (WESTWOOD, 1996 apud TOLEDO, CAMPOMAR; TOLEDO, 2006). UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 108 O plano de marketing tem como função não só ser um facilitador no dia a dia dos executivos, como também oferecer uma contribuição valiosa para a estratégia de marketing de uma empresa, identificando as oportunidades promissoras e esboçando, assim como conquistar e manter posições em mercados identificados (WESTWOOD, 1996). O plano de marketing está inserido num plano corporativo mais amplo, ou seja, plenamente alinhado com os objetivos gerais da organização e irá definir os objetivos de marketing, sugerindo estratégias de como atingir tudo que ficou pré- estabelecido no plano. Ele ainda limitará as potencialidades e desafios do segmento de mercado em que a organização está inserida, abordando suas vantagens e até mesmo desvantagens que tenha frente à concorrência (WESTWOOD, 1996). “O plano de marketing é como um mapa – ele mostra à empresa aonde ela está indo e como vai chegar lá. Ele é tanto um plano de ação como um documento escrito. Um plano de marketing deve identificar as oportunidades de negócio mais promissoras para a empresa e esboçar como penetrar, conquistar e manter posições em mercados identificados. É uma ferramenta de comunicação que combina todos os elementos do composto mercadológico num plano de ação coordenado. Ele estabelece quem fará o que, quando, onde e como, para atingir sua finalidade” (WESTWOOD, 1996, p. 5). O plano de marketing é usado para segmentar mercados, identificar a posição no mercado, prever a dimensão do mercado e planejar uma participação viável no mercado dentro de cada um de seus segmentos. O processo de planejamento de marketing compreende: • realizar pesquisas de mercado dentro e fora da empresa. • observar os pontos fortes e fracos da empresa. • fazer suposições. • fazer previsões. • estabelecer objetivos de marketing. • gerar estratégias de marketing. • definir programas. • estabelecer orçamentos. • analisar os resultados e revisar os objetivos, estratégias ou programas. O planejamento de marketing auxilia a: • fazer melhor uso dos recursos da empresa para identificar oportunidades de marketing. • encorajar o espírito de equipe e identidade da empresa. • ajudar a empresa a prosseguir na realização de suas metas. Podemos encontrar na internet e em outras fontes, diversas estruturas que compõem o plano de marketing, mas em nossos estudos vamos nos apropriar da estrutura a seguir, composta por sete tópicos: TÓPICO 2 | O PLANO DE MARKETING 109 I - SUMÁRIO EXECUTIVO II - ANÁLISE DE SITUAÇÃO III - ANÁLISE SWOT IV - METAS E OBJETIVOS DE MARKETING V - ESTRATÉGIA DE MARKETING VI - IMPLEMENTAÇÃO DE MARKETING VII - AVALIAÇÃO E CONTROLE Não se trata apenas de seguir a estrutura supracitada, um bom plano de marketing deve ser bem organizado, claro, completo, coerente, honesto, racional, persuasivo e atual (DIAS, 2003). Vejamos agora o que deve conter em cada tópico do Plano de Marketing. 2.1 ESTRUTURA DO PLANO DE MARKETING I - SUMÁRIO EXECUTIVO a) Sinopse b) Principais aspectos do plano de marketing O sumário executivo é o resumo do seu plano de marketing. Nele devem constar as características principais do seu negócio, incluindo situação presente, objetivos e estratégias a alcançar, principais definições do projeto e esforços necessários. A ideia geral do seu negócio deve ser clara para orientá-lo quando necessário (SEBRAE, 2013). II - ANÁLISE DA SITUAÇÃO a) Análise do ambiente externo b) Análise do ambiente do consumidor c) Análise do ambiente interno A análise da situação ou análise do ambiente, além de ser o primeiro passo do plano de marketing, resume todas as informações pertinentes à empresa. O ambiente externo que a envolve e a influencia de maneira positiva ou negativa é composto pelos concorrentes, consumidores, fatores políticos, econômicos, sociais, culturais, legais e tecnológicos. Quando analisamos esses fatores, estamos analisando as ameaças e oportunidades do negócio. O ambiente interno da empresa também deve ser levado em consideração na análise, pois envolve aspectos fundamentais sobre o seu bom ou o mau funcionamento, como os equipamentos disponíveis, a tecnologia, os recursos financeiros e humanos utilizados, os valores e objetivos que norteiam as suas ações. A partir daí, consegue-se ter uma visão maior das forças e fraquezas que também poderão afetar positiva ou negativamente o desempenho da sua empresa. Essa análise é muito importante, pois ela determinará os caminhos do Plano de Marketing e as importantes decisões para o sucesso do seu negócio (SEBRAE, 2013). UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 110 III - ANÁLISE SWOT Caro acadêmico! Se realizássemos uma pesquisa a fim de saber os motivos que levaram empresas ao sucesso, diversos fatores seriam listados. Em suma, os estudos sobre estratégias empresariais revelam que o sucesso de uma organização ocorre quando há diferenciação, exploração de novos mercados ou produtos, ou ainda redução dos custos operacionais, o que faz com que a empresa oferte produtos/serviços com preços menores que o da concorrência (PORTER, 1995). É possível afirmar que as organizações trabalham a fim de alcançar ou potencializar vantagens competitivas. A vantagem competitiva pode ser alcançada quando a empresa é capaz de gerar maior valor econômico do que as empresas rivais (BARNEY; HESTERLY, 2007). Mas como alcançar vantagem competitiva? Como traçar estratégias? Algumas ferramentas podem auxiliar as organizações nesse processo, conhecemos a matriz BCG e a matriz de Ansoff, agora vamos conhecer a matriz SWOT. A matriz SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities e Threats), traduzida para o português como FOFA (Força, Oportunidade, Fraqueza e Ameaça), é uma ferramenta estratégica que analisa quais são as forças e fraquezas da empresa no ambiente interno e quais são suas oportunidades e ameaças no ambiente externo. A análise SWOT é um modelo simples e direto que fornece direção e serve como um catalisador para o desenvolvimento de plano de marketing viável. Permite aos gestores que determinem o potencial e as limitações da sua oferta de produtos dentro de um mercado em questão (WESTWOOD, 1996). FIGURA 22 – MATRIZ SWOT FONTE: Adaptado de: Gomes, Dias e Trindade (2012) FORÇAS OPORTUNIDADES AMEAÇASFRAQUEZAS A m bi en te In te rn o Am biente Externo TÓPICO 2 | O PLANO DE MARKETING 111 Os quatro quadrantes apresentados na matriz SWOT identificam a situação em que se encontra a organização perante o ambiente interno e externo. Para Barney e Hesterly (2007), qualquer análise das ameaças e oportunidades com que uma empresa se depara deve começar com um entendimento do ambiente geral em que ela opera, os autores citam seis elementos inter-relacionados que podem gerar impactos: (1) Tendências demográficas; (2) Tendências culturais; (3) Clima econômico; (4) Condições legais e políticas; (5) Acontecimentos internacionais específicos e (6) Mudanças tecnológicas. Assim, Lacombe e Heibom (2003) argumentam que os fatores que compõem o ambiente interno são: Consumidores: usuários dos produtos e serviços da organização. Fornecedores: supridores de recursos, capital, mão de obra, materiais, equipamentos, serviços e informações. Concorrentes: produzem bens ou serviços iguais, semelhantes ou sucedâneos visando aos mesmos consumidores ou usuários, competem pelos mesmos recursos junto aos mesmos fornecedores. Regulamentadores: entidades que impõem controle, limites e restrições à ação da organização: governo, meios de comunicação de massa, sindicatos, associações empresariais e de classe e organizações não governamentais. Já os fatores externos, conforme Lacombe e Heibom (2003), são: Científicos e tecnológicos: conhecimentos acumulados pela humanidade que influenciam a maneira de realizar as tarefasoperacionais. Políticos: padrões de organização e funcionamento do estado e da sociedade civil e dos seus mecanismos de interação e regulação (inclusive opinião pública). Econômicos: organização do sistema econômico, política econômica, produto nacional bruto e per capita, perfis de distribuição e riqueza, taxas inflacionárias e níveis de emprego. Institucionais: contexto de normas legais que regulam o comportamento individual e coletivo. Sociais: tradições culturais, valores, ideologias, pressões sociais e mitos. Demográficos: crescimento demográfico, densidade demográfica, distribuição espacial, composição etária e étnica. UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 112 Ecológicos: meio ambiente físico e natural que circunda o sistema organizacional. O resultado da análise SWOT de uma organização soma uma série de decisões sobre quais oportunidades serão aproveitadas, quais são as ameaças e como serão enfrentadas, quais nossos pontos fracos e como consertá-los ou minimizá-los (ANSOFF; McDONNELL, 1993). A função da análise SWOT é compreender fatores influenciadores e apresentar como eles podem afetar a iniciativa organizacional; ao confrontar os pontos fortes e fracos internos da organização com as oportunidades e ameaças do ambiente externo, a empresa consegue elaborar estratégias que possibilitem maior desempenho organizacional e, consequentemente, maior competitividade. QUADRO 18 – MATRIZ SWOT Análise do Ambiente Externo Análise do ambiente Interno Oportunidades Ameaças Pontos Fortes Política de ação ofensiva ou Aproveitamento área de domínio da empresa Política de Ação defensiva ou Enfrentamento área de risco enfrentável Pontos Fracos Política de manutenção ou Melhoria área de aproveitamento potencial Política de Saída ou Desativação: área de risco acentuado FONTE: Adaptado de Chiavenato e Sapiro (2003, p. 188) Pontos fortes: refere-se a tudo aquilo que a empresa faz e que a diferencia positivamente de seus concorrentes. Pontos fracos: o que a empresa faz que de alguma forma não está entregando valor aos seus clientes de forma competitiva. Oportunidades: é um reflexo do ambiente externo. Ameaças: é um reflexo do ambiente externo. Desta forma, a organização deve se organizar a fim de maximizar as forças de olho nas oportunidades, trabalhando para minimizar e evitar as fraquezas e ameaças. Observe o quadro a seguir: TÓPICO 2 | O PLANO DE MARKETING 113 QUADRO 19 – MATRIZ SWOT FORÇAS Combinar OPORTUNIDADES Combinar FRAQUEZAS Minimizar/Evitar AMEAÇAS Minimizar/ Evitar FONTE: Ferrel et al (2000) UNI Após essas explicações, você seria capaz de elencar mais oportunidades, ameaças, pontos fortes e pontos fracos? Faça a análise de uma empresa real e discuta os resultados com os seus colegas. IV - METAS E OBJETIVOS DO MARKETING Após a análise SWOT, a próxima seção do plano de marketing trata das metas e objetivos do marketing. Metas de marketing Objetivos de marketing Aqui devem ser estabelecidos os objetivos e metas, os resultados que a empresa espera alcançar. Eles estão relacionados à missão da empresa e orientarão as suas ações (SEBRAE, 2013). V - ESTRATÉGIAS DE MARKETING Nesta seção são delineados: Mercado-alvo primário e composto de marketing Mercado-alvo secundário e composto de Marketing (4 Ps) A estratégia de marketing permite definir como sua empresa atingirá seus objetivos e metas e gerenciará seus relacionamentos com o mercado de maneira que obtenha vantagens sobre a concorrência. Ela consiste nas decisões necessárias para determinar a maneira pela qual o composto de marketing, isto é, os cinco principais elementos de marketing (produto, preço, praça, promoção, pessoas) são combinados simultaneamente (SEBRAE, 2013). UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 114 VI - IMPLEMENTAÇÃO DE MARKETING Nesta seção são estabelecidas: Questões estruturais Atividades de marketing tático A implementação do plano trata do processo de executar as estratégias de marketing, que assegurarão a realização dos objetivos de marketing. Para implementar a estratégia de marketing é preciso traçar um Plano de Ação. (SEBRAE, 2013). VII - AVALIAÇÃO E CONTROLE Nesta última seção do plano de marketing são delineados: Controle formal de marketing Controle informal de marketing Avaliação Financeira A avaliação e o controle de um plano de marketing permitem reduzir a diferença entre o desempenho esperado e o desempenho real, garantindo sua eficácia. Por isso, devem ser realizados antes, durante e após a implementação do plano. Os controles de marketing geralmente utilizados são compostos por ações corretivas e preventivas. O ideal é que a empresa direcione seus esforços para se trabalhar com controles preventivos, pois garantem maior satisfação do cliente e menos investimentos (SEBRAE, 2013). 2.2 COLETA DE DADOS E INFORMAÇÕES A coleta de dados é parte primordial da pesquisa de marketing. Seu objetivo é coletar e identificar opiniões, interesses e expectativas a respeito de alguma situação, produto ou evento. Uma pesquisa de marketing bem elaborada é capaz de solucionar problemas levantados pela administração de marketing e até salvar uma empresa de uma eventual crise. Como dito anteriormente, constantemente, os gestores se deparam com o processo de tomada de decisão, que envolve uma série de fatores. É necessário obter dados confiáveis e depois disso analisá-los, verificar as possibilidades consoantes à realidade da empresa para só então tomar as decisões. A pesquisa de marketing não é realizada baseada no senso comum, o marketing se apropria de métodos científicos para realizar a coleta dos dados a fim de maximizar a confiabilidade dos dados obtidos. TÓPICO 2 | O PLANO DE MARKETING 115 Antes de falar sobre o método científico é preciso compreender que existem diferenças significativas entre dados e informações. Dado é o elemento inicial, fundamental para alcançar informações. Seu conceito inicial restringe o termo a registros ou indícios relacionáveis a algum objeto e que lhe atribuem um valor semântico elementar, que pode ser tanto qualitativo ou quantitativo. Seguindo este raciocínio, um algarismo pode ser um dado, o gênero (masculino ou feminino), cidade, idade etc. Vejamos a definição de dados proposta por Barbosa (2013, p. 80): [...] os dados são os elementos contidos nas informações e identificados em seu estado natural ou em sua forma bruta, e que, por si só, não traduzem uma compreensão definida de um determinado problema a ser solucionado. Portanto, o administrador deve sempre procurar obter os dados já selecionados e transformados em informações, de acordo com os objetivos predefinidos. O que permite aos gestores das empresas, através das informações decodificadas, tomarem uma posição diante da situação ou de um problema apresentado. No entanto, não devemos confundir dados com informação. Os dados precisam ser identificados, lapidados e utilizados pelo sistema de informações gerenciais, ou seja, é o fenômeno da transformação dos dados identificados que fornecem as informações, gerando novos dados, que vão auxiliar nas decisões gerenciais. Portanto, o termo “dado” pode ser entendido como a menor unidade que expressa uma quantidade ou qualidade a fim de ser agregada a outras unidades de modo a constituir uma informação (CORREA et al, 2009, p. 38). Com efeito, um dado pode se tornar uma informação, já que a informação em sua forma primária é apenas um dado empírico, mas em sua forma mais elaborada transforma-se em conhecimento (HORTON, 1979 apud GONÇALVES; JAMIL; TAVARES, 2002). Com efeito, uma informação é o significado produzido pelo agrupamento de dados. Assim, informações geram conhecimentos. Observe a figura a seguir: FIGURA 23 – CONTÍNUO DO ENTENDIMENTO FONTE: Adaptado de Diller, Shedroff e Darrel (2005, p. 24) A importância da coleta de dados se dá justamente por se tratar da fase inicial do processo de tomadade decisão, que fornece por meio do agrupamento dos dados, informações fundamentais utilizadas para elaborar as estratégias de marketing da organização. UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 116 Agora que você já entendeu as diferenças existentes entre dados e informações, vamos falar sobre o método científico. Definindo de forma ampla, “o método científico se refere a técnicas e procedimentos utilizados para reconhecer e compreender os fenômenos de marketing” (ZIKMUND, 2006, p. 5). Em outras palavras, o método científico são procedimentos ou técnicas sistemáticos usados para analisar evidências empíricas em uma tentativa não enviesada de confirmar ou refutar concepções anteriores. Na pesquisa de marketing, os dados podem ser primários ou secundários. Os dados primários, como o próprio nome sugere, provêm de fontes primárias, e são obtidos tanto pela realização de pesquisas de campo como pela contratação de uma consultoria ou empresa de pesquisa de mercado (WESTWOOD, 1996). Por exemplo, se um empresário deseja saber que itens de sua loja agradaM mais seus clientes, e elabora um questionário para realizar tal investigação, ao indagar seus clientes no término de uma compra, ele está coletando dados primários. Já os dados secundários não são obtidos diretamente do campo de trabalho e a pesquisa de mercado baseada em fontes de dados secundários está relacionada à pesquisa pura (WESTWOOD, 1996). Podemos citar como exemplo de dados secundários: • Estatísticas do Governo, como IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). • Informações empresariais de Federações e Serviços como FIESP, SESI, SESC etc. • Associações Comerciais, industriais, sindicatos. • Relatórios de Consultorias especializadas. UNI Nos tempos hodiernos, a utilização de dados secundários pelas empresas nunca foi tão intensa, posto que, com o advento da internet, nunca foi tão fácil ter acesso a registros sobre localização, preferência e atividades dos usuários. Tais dados são gerados quando fazemos chek-in em algum local ou estabelecimento, realizamos cadastros em lojas, sites ou quando realizamos buscas pela internet. Exemplo de banco de dados muito requerido pelas organizações é o Big Data, que vamos conhecer mais à frente. Conforme é possível observar na figura a seguir, a natureza do problema de marketing influencia a escolha dos métodos. A natureza do problema determinará se a pesquisa é exploratória, descritiva ou causal. TÓPICO 2 | O PLANO DE MARKETING 117 FIGURA 24 – TIPOS DE PESQUISA DE MARKETING FONTE: Adaptado de Zikmund (2006, p. 54) Vejamos a definição das pesquisas exploratória e descritiva, segundo a concepção de Zikmund (2006): Pesquisa exploratória: é conduzida para esclarecer a natureza de problemas ambíguos. Embora a gerência possa ter descoberto um problema geral, poderá precisar da pesquisa para ter melhor compreensão das dimensões do problema e para ajudar a análise. Pesquisa descritiva: o principal propósito da pesquisa descritiva, como o próprio nome sugere, é descrever características de uma população ou de um fenômeno. Ex.: um gerente de marketing frequentemente necessita determinar quem compra um produto, levantar com precisão o tamanho do mercado, identificar ações do consumidor etc. Diferentemente da pesquisa exploratória, estudos descritivos são baseados em uma compreensão prévia da natureza do problema de pesquisa. Pesquisa causal: o principal objetivo da pesquisa causal é identificar as relações de causa e efeito entre variáveis. Em estudos causais, os pesquisadores tipicamente têm uma expectativa sobre a relação a ser explicada, como a previsão da influência do preço, da embalagem, da propaganda e etc. sobre as vendas. Dessa forma, os pesquisadores precisam ter bastante conhecimento sobre o assunto. Na prática, a coleta de dados pode ser realizada com a utilização de vários métodos. Vamos abordar três deles: questionários, entrevistas e grupos focais. 2.3 QUESTIONÁRIO Por meio de questionários obtêm-se informações mais representativas por meio de entrevistas de amostras mais amplas da população-alvo. Compõe-se a amostra com base em técnicas estatísticas e alcançam-se os indivíduos pessoalmente, por telefone ou ainda pelas redes sociais, e-mails etc. (KOTLER, 2003). UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 118 UNI Caro acadêmico, é possível criar e distribuir questionários on-line por meio de plataformas como: Qualtrics, google drive e survey Monkey. Existem versões gratuitas e você pode divulgar sua pesquisa nas redes sociais e também via e-mail. Esta é uma oportunidade de aprimorar seus conhecimentos. Acesse os links e explore essas ferramentas: Survey Monkey: <https://pt.surveymonkey.com/>. Qualtrics: <https://www.qualtrics.com/homepage/>. Google Forms: <https://www.google.com/forms/about/>. O Google Forms é uma ótima ferramenta para elaborar enquetes e, claro, criar um questionário, o primeiro passo é criar uma conta Google. Após criar sua conta, você acessa o site, clica em “ir para formulários Google” e cria sua pesquisa. FONTE: Disponível em: <https://www.google.com/forms/about/>. Acesso em: 25 set. 2017. Nós vimos que o primeiro passo é estabelecer uma pergunta de pesquisa, ou seja, o que você quer saber por meio da pesquisa. Após esse passo, você precisa elaborar as perguntas que irão compor seu questionário, escolher a melhor forma de distribuir sua pesquisa. Posterior a isso, você deve estabelecer o público que deseja alcançar (quem será entrevistado). FIGURA 25 – PLATAFORMA GOOGLE FORMS TÓPICO 2 | O PLANO DE MARKETING 119 FIGURA 26 – COLETA DE DADOS FONTE: Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/-0MEr83WhEqo/ TmNdZcH_kNI/AAAAAAAAAYM/MsfRX4z4ZFE/s1600/ FMUBertioga2011+020.jpg>. Acesso em: 25 set. 2017. É importante que se forneçam instruções antes de iniciar o questionário, assim o pesquisador deve elaborar perguntas claras e objetivas, evitando o uso de questionários longos. O ideal é que você faça um pré-teste a fim de captar possíveis falhas antes de aplicar a pesquisa. Dessa forma, as etapas de uma pesquisa constituem-se em: 1 - Elaborar um problema de pesquisa. 2 - Estabelecer que tipo de pesquisa será mais adequado para atingir os objetivos da pergunta de pesquisa estabelecida: pesquisa qualitativa, quantitativa ou mista. 3 - Escolher o instrumento de pesquisa (questionário, roteiro, formulário etc.) Forneça instruções antes de iniciar o questionário, elabore perguntas claras e objetivas, evite questionários longos. O ideal é que você faça um pré-teste a fim de captar possíveis falhas antes de aplicar a pesquisa. 4 - Qual será a forma de distribuição da pesquisa (on-line, impresso, via telefone etc.). 5 - Determinar a amostra: quem são as pessoas que participarão da pesquisa, qual é o seu público-alvo. Obviamente, quanto maior for a amostra, maior será o índice de veracidade e acertos. 6 - Análise dos dados: como esses dados serão analisados, utilizam-se de software, programa, Excel, análise estatística. O ideal é que a pesquisa tenha em seu cabeçalho uma breve apresentação e que o questionário seja enxuto, composto de perguntas claras e objetivas, de modo que o respondente não desanime de preencher. Veja o exemplo da pesquisa a seguir: UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 120 FIGURA 27 – EXEMPLO DE QUESTIONÁRIO FONTE: A autora O resultado final de um questionário bem construído será composto por dados confiáveis e válidos. Um questionário é um conjunto de perguntas (ou medidas) cujas respostas são registradas pelos correspondentes ou entrevistadores. Um questionário pode ser composto por perguntas fechadas, abertas ou ambas. Vejamos exemplos de cada um, assim como as vantagens e desvantagens. Perguntas fechadas: englobam todas as respostas possíveis, sendo melhor de tabular. Perguntas abertas: são perguntas que o usuário responde com suas próprias palavras, ou seja, são de respostas livres.Exemplo de pergunta aberta: Como nossa loja pode atender melhor às suas necessidades? Perguntas mistas: composto de perguntas fechadas e perguntas abertas. 2.4 ENTREVISTAS As entrevistas colaboram na investigação dos aspectos afetivos e valorativos dos informantes, que determinam significados pessoais de suas atitudes e comportamentos (BONI; QUARESMA, 2005). TÓPICO 2 | O PLANO DE MARKETING 121 FIGURA 28 – ENTREVISTA FONTE: Disponível em: <https://1.bp.blogspot. com/-EGRqH-RAMys/V9_WjP2p7OI/AAAAAAAAInI/ BlQw5BY35kAfnB7L5etMzHJCyOelclpiACLcB/s1600/entrevista-3. png>. Por meio de entrevistas, os pesquisadores conseguem uma maior interação e aproximação com o entrevistado, conseguem ainda tocar em assuntos mais complexos e delicados Vejamos alguns tipos de entrevistas: • Entrevista em profundidade: o pesquisador constantemente interage com o informante. Sua principal função é retratar as experiências vivenciadas por pessoas, grupos ou organizações (BONI; QUARESMA, 2005). • Entrevistas abertas: utilizadas quando o pesquisador deseja obter o maior número possível de informações sobre determinado tema. • As entrevistas estruturadas: elaboradas mediante questionário totalmente estruturado. • Entrevistas semiestruturadas: combinam perguntas abertas e fechadas, onde o informante tem a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto. • Entrevistas com grupos focais: o termo Focus Group é denominado como um tipo de entrevista com uma certa profundidade, realizada em grupo e tratando de um tema específico. Na referida técnica, também chamada de grupo focal, um moderador registra as opiniões-síntese do debate promovido com o grupo, diante das questões estimuladas pelo Orientador/moderador (MARTINS; THEÓPHILO, 2009). As empresas formam com frequência um ou mais grupos de foco para conversar sobre determinado produto ou serviço, sob a orientação de um moderador qualificado. Os grupos de foco compõem-se de seis a dez membros, que passam algumas horas respondendo às perguntas do moderador e aos comentários uns dos outros. A sessão, geralmente, é filmada para depois ser analisada por uma equipe gerencial. Embora os grupos de foco sejam uma importante medida inicial para analisar o tema em questão, os resultados não podem ser extrapolados para a população em geral e devem ser tratados com cuidado (KOTLER, 2003). Antes de entrevistar alguém ou conduzir um grupo focal, o pesquisador deve se preparar, e seguir algumas orientações: UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 122 • Saber qual o tipo de entrevista será realizado; • Roteiro da entrevista: levar um plano de entrevista, ter cuidado para não sair do roteiro. Uma entrevista bem-sucedida depende muito do domínio do entrevistador sobre as questões previstas no roteiro. Também é dever do pesquisador a legibilidade, ou seja, aliviar o texto de certas frases confusas de redundâncias verbais ou tiques de linguagem (né, bom, daí, pois é etc.) (BOURDIEU, 1999). • Quem é o entrevistado: escolher a pessoa certa. • Contato prévio: no contato inicial, o pesquisador deve se apresentar com respaldo da instituição a que pertence. • Objetivos da entrevista: o pesquisador deve ter em mente o que quer saber com a entrevista. • Viés do pesquisador: não deixar que a situação pessoal, motivação e interesse do pesquisador afetem sua entrevista. • Agendar: dia, hora e local: escolher e marcar, mas não forçar. • Verificar os equipamentos de gravação da entrevista (pilha, bateria, memória), caso algum equipamento falhe, pode ser que você não tenha a oportunidade de entrevistar aquela pessoa novamente. 2.5 DADOS SECUNDÁRIOS A PARTIR DE BANCO DE DADOS Segundo Gonçalves, Jamil e Tavares (2002, p. 25), um banco de dados pode ser definido como um conjunto de dados relacionados a um assunto ou propósito específico. Ele armazenará informações usadas pelos diversos subsistemas ou unidades de uma organização. Todos os dados necessários podem ser mantidos em um conjunto de arquivos de fácil acesso, de forma que se minimize sua duplicação e redundância e, consequentemente, a inconsistência de informações. Uma organização, constantemente, faz uso de bancos de dados, um artigo publicado pelo site Bretzke informa que o fator decisivo quanto ao uso de banco de dados diz respeito à capacidade de primeiramente segmentar com precisão o mercado, e depois mensurar os resultados, proporcionando uma forma de comparar e acompanhar o custo por nome gerado, taxa de conversão, e o custo total por unidade vendida, bem como o número gerado de nomes por mídia, por tipo de oferta, por tipo de mensagem publicitária etc. Isso é possível por meio de Sistemas Gerenciadores de Base de Dados (SGBDS), em inglês DataBase Manager, BigData, o que possibilita trabalhar de diversas formas com a base de dados disponível. Diversas são as utilidades do banco de dados e sua importância é indiscutível, vejamos algumas das vantagens para aplicação de banco de dados em ambiente empresarial: • Compactar dados. • Facilidade de consulta. • Diminui o esforço braçal. • Aumento da segurança das informações. • Facilidade de atualização. • Facilidade de compartilhamento das informações, que ficam acessíveis a qualquer pessoa que estiver utilizando o sistema e com a devida permissão. TÓPICO 2 | O PLANO DE MARKETING 123 O ponto crucial é como criar um banco de dados eficaz, ou seja, não basta ter um banco de dados, mas, sobretudo selecionar quais as informações que devem constar neste banco de dados, ou seja, não basta ter informações, é necessário ter informações plausíveis e organizadas, para tanto a organização deve: • Manter o Banco de Dados organizado. • O Banco de Dados deve ser constantemente alimentado. • O Banco de Dados deve ser constantemente atualizado. • Manter no Banco de Dados apenas informações pertinentes ao programa de relacionamento que será desenvolvido. • Trabalhar o Banco de Dados com uma visão dinâmica. BIG DATA COMO ALIADO NA ESTRATÉGIA DE MARKETING LEITURA COMPLEMENTAR FONTE: Disponível em: <http://marketingdeconteudo.com/wp- content/uploads/2016/09/03-09-big-data-620x316.png>. Acesso em: 17 fev. 2017. Big Data (BD) é o conjunto de informações presentes nos bancos de dados de servidores e empresas, que pode ser acessado por meio da rede mundial de computadores. Simplificando, o BD é uma coleção de informações de fontes tradicionais e digitais internas e externas à empresa, que representam uma fonte de descoberta e análise contínuas. Para ficar mais claro, o Youtube é um exemplo de BD, disponibilizando diversos vídeos presentes em um banco de dados disponível para usuários acessarem. O conceito ganhou força no início dos anos 2000, quando um analista famoso deste setor, Doug Laney, articulou a definição de big data como os 5 Vs: volume, velocidade, variedade, variabilidade e vínculo. Volume: Organizações coletam dados de uma grande variedade de fontes, incluindo transações comerciais, redes sociais e informações de sensores ou dados transmitidos de máquina a máquina. No passado, armazenar tamanha quantidade de informações teria sido um problema – mas novas tecnologias (como o Hadoop) têm aliviado a carga. UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 124 Velocidade: Os dados fluem em uma velocidade sem precedentes e devem ser tratados em tempo hábil. Tags de RFID, sensores, celulares e contadores inteligentes estão impulsionando a necessidade de lidar com imensas quantidades de dados em tempo real, ou quase real. Variedade: Os dados são gerados em todos os tipos de formatos - de dados estruturados, dados numéricos em bancos de dados tradicionais, até documentos de texto não estruturados, e-mail, vídeo, áudio, dados de cotações da bolsa e transações financeiras. Variedade: Dados aparecem com todas as formas, cores e tamanhos. Podem ser planilhas, dados estruturados, ou somente documentos de texto, vídeos e imagens. É preciso entender as variedades existentes e comocada uma deve ser analisada e armazenada. Variabilidade: A velocidade e variedade dos dados crescem constantemente, mas, adicionalmente, esses elementos mudam e não são necessariamente consistentes. Imagine as mídias sociais, como elas vão gerar informações de forma regular? Elas são totalmente dependentes das ações dos usuários e, mesmo parecendo, não ficamos 24 horas por dia conectados na web. A ideia de variabilidade também pode ser aplicada a dados diários, sazonais e relativos a eventos específicos, o que gera um grande volume de informações e traz desafios no gerenciamento. Vínculo: Com um volume tão grande de dados, é muito provável que você perca o controle de tudo na hora que realmente precisar. Um dos principais motivos disso é a dificuldade de conectar e transformar informações através de diferentes plataformas. Portanto, é preciso conectar e correlacionar os elementos, criar hierarquias e ligações múltiplas para os dados, ou seja, criar vínculos entre eles. FONTE: Disponível em: <http://marketingdeconteudo.com/big-data/>. Acesso em: 19 abr. 2017. Caro acadêmico! Vimos por meio da leitura complementar que o Youtube é um exemplo de Banco de Dados, pois disponibiliza diversos vídeos presentes em um banco de dados disponível para usuários acessarem. Dessa forma, trata- se de dados secundários, pois, diferente dos dados primários (que são coletados para atender a uma pesquisa de marketing específica, portanto são dados que ainda não foram antes coletados, sendo necessária sua coleta com o objetivo de atender a necessidades específicas). Os dados secundários, como o Big Data, são aqueles que já foram coletados, tabulados, ordenados e, às vezes, até analisados, com outros propósitos de atender às necessidades de pesquisas em andamento. A própria empresa possui dados secundários, disponíveis a partir de seu sistema. São dados e informações importantes que, se reunidas, relacionadas e bem utilizadas, podem virar instrumentos para a tomada de decisões. Podem-se extrair informações do sistema de pedidos da empresa e de seus vendedores, como: TÓPICO 2 | O PLANO DE MARKETING 125 - Detalhamento do número de vendas efetuadas. - Características dos clientes. - Informações sobre a concorrência, tais como: preços, formas de pagamento, novos produtos. FONTE: Disponível em: <http://www.leticiacapelao.com/Webquest_Pesquisa_Mercado/ fontesparteItiposdedados.htm>. Acesso em: 28 jun. 2017. 2.6 POTENCIALIDADES E FRAGILIDADES Foi-se o tempo em que a apropriação de uma nova tecnologia ou a identificação de um nicho de mercado ainda pouco explorado significava garantia de perpetuação empresarial. O avanço e sobretudo o barateamento da tecnologia facilitaram, dentre outras coisas, a imitação de produtos, serviços, marcas, conceitos etc. Em muitos casos, a imitação tornou-se a estratégia de muitas empresas. A chamada estratégia de imitação criativa é adotada por muitas empresas e consiste no aproveitamento da novidade criada por alguém, trabalhando sobre a mesma de forma a torná-la útil para o mercado, aproximando-a daquilo que os clientes efetivamente querem, em muitos casos, essa estratégia possibilita que os “imitadores” alcancem um sucesso comercial superior aos precursores (VENTURA, 2013). Outra definição proposta por Kotler e Keller (2006) descreve por cópia ou imitação produtiva a fabricação e comercialização de produtos semelhantes a outros preexistentes no mercado, sem que haja a intenção por parte do fabricante de que o produto se passe pelo copiado. Diferentemente, a falsificação ou pirataria tem elemento central na busca da identificação plena com outros produtos, utilizando- se, inclusive, de maneira indevida dos direitos de marca (JACOB et al., 2014). Parece algo desleal, mas se observarmos na indústria de confecção de vestuário, o fenômeno da cópia é constantemente praticado. As principais grifes lançam designs inovadores e ditam as tendências que servem de inspiração para as demais empresas que não se arriscam nesse sentido. Essas empresas se beneficiam de uma característica fundamental dos produtos têxteis, a predominância do conhecimento codificado, isto é, o que transmite explicitamente o modo de se obter o produto final (LASTRES; FERRAZ, 1999 apud JACOB et al., 2014). Esse fenômeno de imitação e cópia não é recente e já vem sendo apontado por estudiosos como Schumpeter (1911) e Nelson e Winter (1982), o fato é que, em muitos casos, imitar tornou-se mais fácil e mais rentável do que desenvolver inovações. Neste contexto, pensar nas potencialidades e fragilidades ao se desenvolver um plano de marketing torna-se complexo e desafiador. Consiste num processo de reflexão, um olhar para dentro e sobretudo para fora do ambiente organizacional. UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 126 2.7 METAS E OBJETIVOS DE MARKETING Com o avanço do e-commerce, que inclui a venda pela internet, imaginou-se que as lojas físicas estavam com seus dias contados, mas a princípio não foi o que aconteceu. Os clientes passaram a se utilizar dos vários canais de comunicação (on-line e/ou off-line) existentes como uma forma de pesquisa para só então efetivar a compra em uma loja física. Neste aspecto, como já dito anteriormente, a facilidade de acesso à internet, os dispositivos móveis e a TV digital proporcionam informação ao consumidor sobre os produtos e preços – o que produz um aumento da expectativa por parte dos clientes, e uma consequente dificuldade em retê-los (COHEN, 2015). O marketing se adaptou a esta nova realidade e criou o que chamamos de marketing multicanal, que se utiliza dos múltiplos canais a fim de atingir a audiência. Conforme pesquisa divulgada no E-commerce News (2013) com mais de 200 fabricantes, a integração entre os diferentes canais resultou num aumento significativo do faturamento das empresas. No entanto, a pesquisa aponta a importância da decisão de canais ser embasada na estratégia de negócios, em sintonia com os produtos e a criação de valor para o cliente (COHEN, 2015). Neste contexto, as metas e objetivos do marketing se estabelecem com propósito de não apenas acompanhar essas novas tendências, mas também criar novas tendências a fim de estar à frente de seu tempo. É notório que toda empresa vende não apenas produtos, mas também serviços. Para Rigopoulou et al (2008), a satisfação do cliente emerge como um dos aspectos mais importantes da estratégia empresarial em ambientes de intensa concorrência e crescente exigência dos clientes. 127 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O plano de marketing é um documento que estabelece os objetivos de uma organização, referente a um próximo período de atividades e define programas de ação necessários ao atingimento destes objetivos. • O plano de marketing é composto por sete seções, a saber: sumário executivo; análise de situação; análise SWOT; metas e objetivos de marketing; estratégia de marketing; implementação de marketing e, por fim, avaliação e controle. • A matriz SWOT é uma ferramenta estratégica amplamente utilizada, que analisa quais as forças e fraquezas da empresa no ambiente interno e quais suas oportunidades e ameaças no ambiente externo. Essa ferramenta auxilia a organização a maximizar seus pontos fortes, enquanto monitora oportunidades e ameaças no ambiente competitivo. • A coleta de dados é parte primordial da pesquisa de marketing, seu objetivo é coletar e identificar opiniões, interesses e expectativas a respeito de alguma situação, produto ou evento. • Existem diferenças significativas entre dados e informações. O dado pode ser entendido como a menor unidade que expressa uma quantidade ou qualidade a fim de ser agregada a outras unidades de modo a constituir uma informação. • A coleta de dados pode ser realizada por meio de questionários, entrevistas e banco de dados. • Enquanto os dados primários constituem-se de dados que não foram antes coletados, sendo necessária suacoleta com o objetivo de atender às necessidades específicas, os dados secundários são aqueles que já foram coletados, ou seja, estão disponíveis para acesso, com propósitos de atender às necessidades de pesquisas em andamento. 128 AUTOATIVIDADE 1 Descreva em que consiste um plano de marketing e sua função para a organização. Ajuda Atrapalha Fatores Forças Fraquezas Fatores internos Oportunidades Ameaças Fatores externos As forças analisam os diferenciais da empresa e as fraquezas, os pontos falhos, ambos relacionados aos fatores internos da empresa. As oportunidades são os aspectos externos sobre os quais a empresa não tem controle, mas a favorecem; as ameaças são fatores externos que ameaçam seu posicionamento e estratégia. Assinale a opção que corresponde ao objetivo principal da Análise SWOT. a) Tornar a organização capaz de integrar as decisões administrativas e operacionais com as estratégicas. b) Reconhecer as limitações da organização, maximizando seus pontos fortes, enquanto monitora oportunidades e ameaças no ambiente competitivo. c) Dar ênfase às pessoas, enquanto os equipamentos são utilizados como ferramentas de apoio. d) Criar um grupo de trabalho com profissionais de diversas áreas relacionadas ao tema em questão que forneçam informações para elaborar um relatório de potenciais impactos. e) Orientar uma sequência de atividades para gerenciamento de tarefa, processo ou organização. FONTE: ENADE (2011) 2 Descreva quais seções compõem o Plano de Marketing. 3 A análise SWOT (Strengths-forças, Weaknesses-fraquezas, Opportunities- oportunidades, Threats-ameaças) é uma ferramenta de análise gerencial frequentemente utilizada na Gestão Ambiental, tanto da esfera pública como da privada, dada sua natureza estratégica. Alguns campos dessas análises podem ser observados na tabela a seguir. 129 TÓPICO 3 PROTEGENDO O NEGÓCIO E AS OPORTUNIDADES UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! Nesta seção iremos dissertar sobre opções para proteger o negócio e também oportunidades encontradas por empresas para expandir seus negócios. Como exemplo temos o sistema de franquias, que tem despertado o interesse de muitos empresários. As franquias são vistas como uma opção de empreendimento e criação de novos negócios por empreendedores e empresários (franqueados e franqueadores) (RISNER, 2001). E ao contrário do que se imagina, o sistema de franquias surgiu há muito tempo, tendo sua origem em 1863, nos Estados Unidos. Foi empregado pela primeira vez pela empresa Singer Sewing Machine Company, que visando ampliar sua participação no mercado, franqueou aos comerciantes independentes sua marca. Em 1898 foi a vez da General Motors, que adotou o modelo para sua rede de distribuição de automóveis (RISNER, 2001). Também em 1899, a Coca-Cola adotou o modelo, podemos citar ainda como exemplo as companhias de petróleo, que na década de 1930 adotaram o sistema para seus postos de gasolina. Ressalta-se que nesta fase o sistema de franquias era visto apenas como um sistema de distribuição (RISNER, 2001). 2 FRANQUIAS Para o novo e pequeno empresário, o sistema de franquia tornou-se uma opção de empreendimento, pois este usufrui de um sistema já formatado, com marca consolidada no mercado e know-how desenvolvido. Do outro lado, o franqueador, por meio desse sistema, pode expandir sua rede (RISNER, 2001; TAKAHASHI, 2003). O Franchising trata-se de um acordo contratual entre duas companhias legalmente independentes em que o franqueador concede ao franqueado o direito de vender o produto do franqueador ou fazer negócios utilizando sua marca registrada em determinado local durante um intervalo de tempo especificado. Outra definição é disposta na Lei nº 8.955 (BRASIL,1994): Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício. 130 UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO UNI Caro acadêmico! Você pode acessar a Lei nº 8.995 por meio do site: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8955.htm> e explorar as demais questões que abarcam a lei. Vejamos o papel do franqueado e do franqueador dentro desse sistema: Franqueado: indivíduo, pessoa física ou pequeno empresário que deseja iniciar um negócio, visando minimizar os riscos de fracasso, dessa forma licencia a marca/ produto ou serviço a partir de um modelo já homologado, uma marca forte, e o suporte técnico e operacional de quem tem o know-how do negócio escolhido. Geralmente, o franqueado é uma pessoa da classe média, que obtém o capital para investir no empreendimento através de poupança pessoal, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, herança ou endividamento (ROCHA; GIMENEZ, 2011). Franqueador: empresa fabricante do produto/serviço ou proprietário da marca, que visa expandir seus pontos de venda, rapidamente, fazendo uso de capital de terceiros (ROCHA; GIMENEZ, 2011). Em síntese, o sistema de franquias é entendido como um modelo cooperativo, no qual existem dois indivíduos empreendedores (franqueador e franqueado), que mesmo com objetivos distintos, encontram na colaboração uma forma de juntos atingirem suas metas. É importante salientar que o sistema de franquias possui vantagens, mas também desvantagens. Vejamos algumas das vantagens e desvantagens desse sistema se comparado aos negócios independentes, no quadro a seguir. QUADRO 20 – VANTAGENS E DESVANTAGENS DO FRANCHISING PARA O FRANQUEADO Vantagens Desvantagens Menor risco de falência Menor autonomia Reduz incertezas Risco vinculado à performance do franqueador Compartilhar competências Limitações quanto à escolha de produtos e fornecedores Facilidade de se obter financiamento Inibe o surgimento de inovações FONTE: A autora (2017) TÓPICO 3 | PROTEGENDO O NEGÓCIO E AS OPORTUNIDADES 131 Ao observar o quadro acima percebemos que, se por um lado o franchising oferece ao franqueado um modelo de negócio previamente testado e com uma marca já consolidada no mercado, por outro, pode dificultar o surgimento de inovações, na medida em que o grau de padronização nas redes é muito alto. O próprio "pacote" determinado pelo business format franchising implica a transferência de tecnologia administrativa, além de todo o projeto arquitetônico e engenharia, concentrando a geração de quaisquer inovações nas mãos dos franqueadores, já que normalmente os franqueados não têm poder para desenvolver novos produtos ou determinar o mix (SANTOS, 1999; RODRIGUES, 2010). O empreendedor pode optar ainda por duas formas de franquias, a saber: Franquia de produto-marca: nesse modelo o franqueado adota a imagem da empresa franqueadora, tornando-se distribuidor preferencial de seus produtos e/ou serviços (ELANGO; FRIED, 1997 apud VANCE; FAVERO; LUPE, 2007). Engloba a concessão de direitos de uso de marca e de comercialização de produto e/ou serviço. Nesse modelo, a intensidade do suporte prestado ao franqueado pela franqueadora é menor (FOSTER 1994; VANCE; FAVERO; LUPE, 2007). Franquia de formato de negócio: nesse modelo, o suporte prestado pela franqueadora ao franqueado é mais intenso, pois além da marca exclusiva, o franchising de formato de negócio diferencia-se pela transferência de conhecimento sobre a operação do negócio, incluindo, por exemplo, um programa formal de treinamento, um manual operacional, com a descrição do processo, com as especificações técnicas e dos padrões de qualidade, e uma estrutura que ofereça apoio operacional ao franqueado. (FOSTER 1994; VANCE; FAVERO; LUPE, 2007). QUADRO 21 – TIPOS DE FRANQUIAS E FINALIDADES DE UTILIZAÇÃO Tipo de Franquias Finalidade ExemploFranquias de Serviço Envolve franquias de prestação de serviços, requerem treinamentos constantes aos franqueados e suas equipes visam à manutenção dos padrões de atendimento e do formato do negócio. Hotelaria (Acoor), Tinturaria (Sapataria e tinturaria do Futuro), Manutenção de Automóveis (Martelinho de Ouro), Aluguel de Carros (Localiza), Academia de Ginástica (Curves). Franquias de produção e Distribuição O franqueado produz todos os produtos que serão comercializados pela rede. A função do franqueado é revender os produtos que são em grande parte de fabricação do franqueador. Cosméticos e Perfumaria (O Boticário), Alimentação (McDonalds), Vestuário e Acessório (Hering). 132 UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO Franquias de Distribuição O franqueador desenvolve as suas franquias com a intenção de utilizá- las como um canal de distribuição de produtos. Estes produtos são em grande parte de fabricação terceirizada. Os franqueados assumem o papel de revendedor de produtos onde o franqueador possui o papel de atacadista. Vestuário e Acessórios (Chilli Beans), Móveis e decoração (Porto Belo), Entretenimento (UZ Games). FONTE: Adaptado de Simão (1993) O empreendedor que deseja entrar no mercado de franquias deve estar atento a diversos fatores. Confira dez dicas para quem almeja investir no sistema franchising: 1. Conhecer a si mesmo: a escolha por determinada franquia pode ser feita com base nas experiências profissionais do futuro empreendedor, sempre observando as normas e padrões estipulados pelo franqueador. 2. Avalie o mercado: ou seja, faça uma pesquisa de mercado na região em que deseja montar a franquia. 3. Defina suas possibilidades: avalie seus recursos e calcule os riscos. 4. Estude alternativas: atualmente, no Brasil, há diversas possibilidades de se investir em franquias em vários segmentos (saúde, beleza, alimentação, lazer) com variedades de investimento financeiro. O ideal é visitar feiras, trocar experiências com empreendedores que já são franqueados. 5. Conheça o histórico da franquia: a decisão de se investir em uma franquia envolve tempo e recursos, por isso, saber o tempo de mercado, quem são os sócios e fundadores é fundamental. 6. Converse com franqueados e se possível também ex-franqueados, aproveite essa oportunidade e tire dúvidas com quem já trabalha ou trabalhou no ramo. 7. Estude a circular de oferta da franquia. 8. Analise o contrato: 9. Entenda o papel de cada parte. 10. Dedicação: uma franquia que serve para uma determinada pessoa pode não ser a mais indicada para outra, por isso, os franqueadores devem fazer uma avaliação consistente do perfil do franqueado antes de fechar o negócio. FONTE: Disponível em: <franquia.com.br>. Acesso em: 17 fev. 2017. 2.1 MARCA E PATENTE Conforme aponta Dornelas (2008), qualquer pessoa física ou jurídica, que esteja exercendo atividade legalizada e efetiva–profissionais liberais, produtores rurais, sociedade civil, sociedade limitada, autarquias, estatais, artesãos etc. pode requerer o registro de uma marca. Trata-se de uma forma de proteger e diferenciar um produto. Vejamos as distinções entre esses dois termos: TÓPICO 3 | PROTEGENDO O NEGÓCIO E AS OPORTUNIDADES 133 Marca: é todo sinal distintivo (palavra, figura, símbolo etc.) visualmente perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços de seus concorrentes, de origens diversas, bem como certifica a conformidade com determinadas normas ou especificações técnicas (Lei nº 9.279/96). Dessa forma, a marca é o principal elo entre o negócio e o cliente, pois é a identificação do negócio e como ele se diferencia dos demais. Com o passar do tempo, a marca passa a ser o referencial da qualidade daquele produto ou serviço. Por isso, é muito importante registrar a marca, é a única forma de protegê-la legalmente contra os prováveis imitadores. Patente: é um documento formal, expedido por uma repartição pública, por meio do qual se reconhecem direitos de propriedade e uso exclusivo para uma invenção ali descrita amplamente. É um privilégio concedido pelo Estado aos inventores (pessoa física ou jurídica) detentores do direito de invenção de produtos e processos de fabricação, ou aperfeiçoamento de algum já existente. (SEBRAE, 2011). No Brasil, o pedido de concessão de patente deve ser feito ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que julgará sua validade com base nas disposições da Lei da Propriedade Industrial, nº 9.279, de 14 de maio 1996 (INPI, 2011). 134 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você estudou que: • O franchising trata-se de um acordo contratual entre duas companhias legalmente independentes, em que o franqueador concede ao franqueado o direito de vender o produto do franqueador ou fazer negócios utilizando sua marca registrada em determinado local durante um intervalo de tempo especificado. • O franchising é um modelo de negócio em crescimento no Brasil, que assim como qualquer outro negócio, possui vantagens e desvantagens, tanto para o franqueado quanto para o franqueador. • Marca significa todo sinal distintivo (palavra, figura, símbolo etc.) visualmente perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços de seus concorrentes, trata-se de uma forma de proteção do negócio, que no Brasil é obtido por meio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). • Patente é um documento formal, expedido por uma repartição pública, por meio do qual se reconhecem direitos de propriedade e uso exclusivo para uma invenção ali descrita amplamente. • No Brasil, o pedido de concessão de patente deve ser feito ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). 135 1 Descreva em que consiste o sistema de franquias. AUTOATIVIDADE 2 Descreva os pontos positivos e negativos do sistema de franquias para o franqueado. 3 No Brasil, qual é a lei que dispõe sobre o sistema de franquias? 4 O que é marca? Qual é sua importância? 136 137 TÓPICO 4 RELACIONAMENTO COM O MERCADO–FOCO NO CONSUMIDOR UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! Sabemos que a globalização e a intensificação do uso da tecnologia propiciaram transformações intensas na sociedade, sobretudo, na forma como nos comunicamos e, consequentemente, na forma como nos relacionamos. Foi devido à expansão da internet, por exemplo, que a população passou a ter mais acesso à informação, tornando-se consumidores mais exigentes. Simultâneo a este processo, questões que antes eram negligenciadas pela maior parte dos consumidores passaram a fazer parte das novas exigências do consumidor do século XXI. Hodiernamente, preocupações referentes à qualidade de vida, ética, sustentabilidade, responsabilidade socioambiental, ao sentido da vida em si, estão em voga e se sobrepõem ao consumo desenfreado e isento de reflexividade. (LIPOVETSKY, 2007). Num mercado altamente competitivo, com consumidores cada vez mais exigentes, não basta apenas vender produtos e serviços, mas, sobretudo, gerar valor através dos produtos e serviços ofertados. Com efeito, para que isso ocorra, as corporações devem interagir com o seu público a fim de conhecer o perfil de seus clientes, suas exigências, expectativas e assim estabelecer estratégias de relacionamento que viabilizem a sustentação de seu negócio. Neste contexto, o marketing de relacionamento busca entender, criar e gerenciar a troca de relacionamentos entre parceiros, fabricantes, provedores de serviços e consumidores finais (MÖLLER; WILSON, 1995). Dessa forma, o marketing de relacionamento se destaca como área que possui o desafio de compreender e gerir com eficiência e eficácia o relacionamento da empresa com o mercado. Neste tópico vamos conhecer um pouco mais sobre o marketing de relacionamento. 138 UNIDADE 2 | AS OPORTUNIDADES PARA O CONSUMO DO MERCADO 2 MARKETING DE RELACIONAMENTOSegundo Alves e Tiergarten (2008), o marketing de relacionamento refere-se a todas as atividades de marketing voltadas para o estabelecimento, desenvolvimento e para manutenção de trocas relacionais. Já D’Angelo et al. (2006, p. 73) argumentam que “O marketing de relacionamento é uma filosofia empresarial que prevê a construção e a manutenção de relacionamentos individuais com os clientes, vislumbrando um horizonte de longo prazo”. Outra definição é proposta em artigo publicado no site Bretzke (2017, s. p.): “O Marketing de Relacionamento é uma filosofia de administração empresarial baseada na aceitação da orientação para o cliente e para o lucro por parte de toda a empresa, e no reconhecimento de que se deve buscar novas formas de comunicação para estabelecer um relacionamento profundo e duradouro com os clientes, prospects, fornecedores e todos os intermediários, como forma de obter uma vantagem competitiva sustentável”. Observamos, então, que o relacionamento com o mercado envolve todos os tipos de interações que a empresa possui com o ambiente interno e externo à organização. Devemos, portanto, considerar o mercado como algo muito mais abrangente do que simplesmente clientes, prospects e concorrentes. Pode-se inferir que uma das funções do marketing de relacionamento é justamente trabalhar para manter um bom relacionamento com os diversos stakeholders da organização. E que, portanto, o setor de marketing possui o desafio de estreitar o relacionamento da empresa com o mercado, desenvolvendo estratégias, criando e selecionando canais de comunicação que facilitem a comunicação e interação com seus stakeholders. UNI Stakeholder é um termo em inglês amplamente utilizado para designar cada parte interessada, ou seja, qualquer grupo ou indivíduo que possa afetar ou ser afetado pelos objetivos da organização, incluindo tanto aqueles que investem financeiramente na organização, como aqueles que influenciam, de outras formas, ou sofrem as consequências das ações da organização (GONZÁLEZ, 2012). Ou seja, quando falamos em stakeholder englobam-se todos que afetam ou que são afetados pela organização, desse modo, incluem-se a comunidade, os clientes, fornecedores, sócios, clientes, sindicatos etc. Vejamos a Figura 1: TÓPICO 4 | RELACIONAMENTO COM O MERCADO–FOCO NO CONSUMIDOR 139 FIGURA 29 – STAKEHOLDERS DA ORGANIZAÇÃO Clientes Fornecedores SindicatosGoverno Grupos Religiosos Competidores Sócios / Acionistas Sociedade ONGs e AmbientalistasEmpresas FONTE: Elaborado pela autora (2017) Uma das vertentes do marketing é a Gestão de Relacionamento com o Cliente (GRC), ou em inglês, Customer Relationship Management (CRM). Trata-se de um conceito relativamente novo e, como o próprio nome diz, tem seu foco na criação de valor para o cliente e na satisfação de suas necessidades. A gestão do relacionamento com o cliente é parte essencial das funções do marketing, que busca o desenvolvimento, a prospecção e retenção de clientes. É importante destacarmos que o relacionamento com o cliente não termina com efetivação da compra do produto ou serviço, na verdade é apenas uma das etapas da gestão do relacionamento com o cliente. E quando falamos em relacionamento com o cliente, precisamos compreender que a venda é apenas o começo e não o fim desse relacionamento. Dessa forma, o marketing de relacionamento consiste na atração, manutenção e, no caso de organizações multisserviços, no aumento dos relacionamentos a longo prazo com os clientes (BERRY, 1995; BERGER; BECHWATI, 2001). Segundo Kotler e Keller (2006, p. 34-35), “o dever de qualquer negócio é fornecer valor ao cliente mediante o lucro, dessa forma, muito mais do que fabricar e entregar produtos e serviços, as empresas devem criar valor para o cliente”. 140 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você estudou que: • O marketing de relacionamento se destaca como área que possui o desafio de compreender e gerir com eficiência e eficácia o relacionamento da empresa com o mercado. • O relacionamento com o mercado engloba todos os públicos e entidades que influenciam e que são influenciados pela organização, denominados stakeholders. • Stakeholders é qualquer grupo ou indivíduo que possa afetar ou ser afetado pelos objetivos da organização, incluindo tanto aqueles que investem financeiramente na organização, como aqueles que influenciam, de outras formas, ou sofrem as consequências das ações da organização. • Os clientes, a comunidade, os sindicatos, os sócios, o governo são exemplos de stakeholders de uma organização. • O marketing de relacionamento consiste na atração, manutenção e, no caso de organizações multisserviços, no aumento dos relacionamentos a longo prazo com os clientes. • O relacionamento com o cliente não termina com a efetuação da compra do produto ou serviço, na verdade, essa é apenas uma das etapas do relacionamento com o cliente. 141 1 A internet mudou a forma como trabalhamos, fazemos compras, contatamos nossos amigos ou procuramos novos relacionamentos, lemos, escrevemos, nos informamos. Sobretudo afetou drasticamente o sentido e a possibilidade de privacidade. Em suma, a internet mudou radicalmente nosso cotidiano. A partir deste contexto, descreva como a internet tem auxiliado os consumidores no processo de compra. FONTE: Disponível em: <http://www.institutocpfl.org.br/cultura/programa-anual/como-a- internet-esta-mudando-nossas-vidas/>. Acesso em: 3 abr. 2017. 2 O marketing de relacionamento é uma das tendências mais focadas do marketing atual, pois tem o objetivo de estabelecer relacionamentos mutuamente satisfatórios com stakeholders, como clientes, fornecedores e distribuidores, com a finalidade de atrair e manter os clientes de sua preferência e seus negócios a longo prazo. A comunicação tem um papel essencial para a criação desse diálogo e fidelização entre as partes; por isso, algumas empresas investem em programas de fidelização, em eventos que aproximam a marca dos seus stakeholders por meio de experiências sensoriais, a fim de gerar empatia, vínculo e relacionamento de longo prazo. FONTE: Adaptado de: <http://revistas.es.estacio.br>. Acesso em: 9 jul. 2015. Com base nas informações apresentadas, avalie as afirmações a seguir. I - A utilização do marketing de relacionamento implica o desenvolvimento de ações a partir da análise de banco de dados, por meio de CRM (Customer Relationship Management), a fim de se entender o perfil dos clientes. II - Considerar o marketing de relacionamento como estratégia de retenção de clientes significa ignorar a orientação para o longo prazo. III - O marketing de relacionamento compreende a construção de vínculos emocionais com os stakeholders e o desenvolvimento de confiança e comprometimento entre as partes. IV - Uma das ferramentas operacionais utilizadas como estratégia de marketing de relacionamento é o programa de fidelização, que deve atender às necessidades e aos desejos dos envolvidos na ação. É correto o que se afirma em: a) ( ) I e II. b) ( ) I e III. c) ( ) II e IV. d) ( ) I, III e IV. e) ( ) II, III e IV. FONTE: ENADE (2015) AUTOATIVIDADE 142 143 UNIDADE 3 O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Esta unidade tem por objetivos: • conhecer e aplicar os vários contextos do marketing; • analisar a evolução da era do marketing digital; • entender e diagnosticar os mercados globais; • desenvolver e planejar o marketing nas organizações. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você en- contrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – OS CONTEXTOS DO MARKETING TÓPICO 2 – MARKETING DIGITAL TÓPICO 3 – O MARKETING E O SEU FUTURO 144 145 TÓPICO 1 OS CONTEXTOS DO MARKETING UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO O marketing não é apenas apresentação de propagandas, vai muito mais além disso. É aplicado em vários contextos, sejam eles pessoais,esportivos, sociocultural, eleitoral, institucional, ético e ambiental, todas eles possuem grande importância no momento em que são aplicados. Existem casos em que o marketing pode ser usado para desfazer uma má imagem, podendo ser pessoal ou empresarial. Muitas empresas podem passar por algum tipo de constrangimento, por exemplo: a Volkswagen, referente aos veículos movidos a diesel, e a mineradora Samarco, que efetuou a maior tragédia ambiental dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, despejando o seu mar de lama que chegou ao oceano. Para essas empresas o marketing terá um grande papel de melhorar sua imagem perante a nação, buscando apresentar as melhorias, e muitas vezes, até o pedido de desculpas para todos os envolvidos, quem quer que sejam os afetados. Cada contexto que será apresentado neste tópico servirá para que o profissional de marketing busque em seu perfil qual o modelo que mais chama atenção ou que mais possui familiaridade, no entanto deve-se conhecer todos. 2 MARKETING PESSOAL Esse tipo de marketing, por mais que seja pessoal, ele é importante para o crescimento profissional. Esse assunto é mais focado na disciplina de Carreira profissional, mas é importante para o profissional de marketing obter alguns conceitos, pois para ser um bom profissional de marketing, primeiramente, você deve saber como vender sua imagem. Segundo Gehringer (2008), marketing pessoal é quando um funcionário tem que aparecer, sem ser chato, buscando a simpatia dos seus supervisores sem ser puxa-saco. As pessoas que conseguem seguir essas normas têm dez vezes mais chances de serem promovidas do que pessoas que são apenas competentes. No quadro a seguir, Gehringer (2008) apresenta alguns mandamentos que são necessários seguir para alcançar o marketing pessoal, que podem possibilitar uma promoção futura. Vejamos: UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 146 QUADRO 22 – MANDAMENTOS PARA ALCANÇAR O MARKETING PESSOAL Liderança Esse é um formador de opinião, e as empresas percebem rapidamente esse estilo de liderança, é o caso do funcionário influenciar seus colegas muito mais do que ser influenciado. Confiança A partir do momento em que os supervisores consultam seus funcionários referente a algum assunto do trabalho, isso demonstra a confiança que eles possuem naquele indivíduo, que geralmente dará suas sugestões, enquanto que outros apenas irão informar que não entendem do assunto ou simplesmente baixarão a cabeça. Visão É aquele que percebe, muitas vezes, a necessidade de mudanças, sejam elas pequenas ou grandes, que melhoram o próprio trabalho e até dos seus colegas. É um visionário, enxerga muito além do que está ao seu redor. Espírito de equipe É o indivíduo que está preocupado com o trabalho dos colegas sem ser inconveniente, ou seja, ele próprio se oferece para ajudar os outros para que os serviços sejam realizados, bem-sucedidos. Maturidade É aquele que sabe acalmar discussões entre colegas, ou seja, sabe solucionar conflitos sem gerar novos conflitos, e que propõe soluções que ambos os lados consideram apropriadas. Integridade É fazer seus serviços sem prejudicar seus colegas. O indivíduo não deverá ser ambicioso e principalmente, atropelar as pessoas que estejam a sua frente. Geralmente, esse tipo de personalidade será um funcionário isolado pelos colegas, pelo motivo de provocar medo. Visibilidade É o primeiro a erguer a mão ou se oferecer para fazer alguma tarefa solicitada pelo supervisor. É se apresentar para compor grupos de trabalho, para ajudar ou implantar um programa novo na organização. Empatia É saber elogiar os trabalhos dos colegas, reconhecimento e os méritos dos outros. Geralmente quem elogia é elogiado, e quem critica geralmente sempre é criticado. Otimismo, entusiasmo Mesmo que tudo esteja ruim, é conseguir enxergar o lado bom de qualquer cenário, estar sempre bem- humorado, estar aberto para as eventuais críticas. Pessoas bem-humoradas auxiliam o bem-estar do local de trabalho. Paciência Esse quesito é importante, pois você deve saber o momento certo para pedir uma oportunidade ao invés de ficar reclamando que a empresa não oferece a oportunidade. FONTE: Adaptado de Gehringer (2008) TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 147 É importante para o profissional de marketing saber o momento certo de buscar suas oportunidades de crescimento, ou seja, aquele que faz a diferença, resolve problemas, apresenta soluções e resultados no curto prazo. Gehringer (2008) informa que, muitas vezes, depende da empresa ser séria ou não, àquele que sabe fazer marketing pessoal, a chefia sempre dará atenção e receberá o apoio dos colegas, caso contrário, é mais sábio trocar de empresa. Quando estamos falando em marketing pessoal, devemos levar em consideração que somos um produto, nesse caso é importante criar uma marca, ou seja, nós somos a marca, que deve estar pautada em fatos concretos (RITOSSA, 2012a). NOTA Você sabia que a primeira impressão é processada nos primeiros sete segundos, quando somos apresentados a alguém? (RITOSSA, 2012a) Linkemer (1991, p. 20-21) argumenta que “a imagem profissional ou pessoal – deve ser genuína expressão do que a pessoa é, e não um pacote de truques elaborados para enganar alguém que se está tentando impressionar; e essa expressão deve ser adequada à situação, ao ambiente ou à cultura em que a pessoa está envolvida”. NOTA Nossa marca pessoal é o reflexo do que somos e do que acreditamos: ela se manifesta por meio do que fazemos e de como fazemos. (MCNALLY; SPEAK, 2001) O marketing pessoal pode ser interagido com todas as pessoas que estejam em um único ambiente, é o momento que tem condições de vender o produto. De forma alguma consegue-se satisfazer a todas as pessoas, mas é o momento mais propício de fazer o marketing pessoal, pois essas pessoas têm expectativas referente, à nossa pessoa/imagem e ao nosso comportamento (RITOSSA, 2012a). Na Unidade 2 foi apresentado o assunto Segmentação de mercado, no caso do marketing pessoal, também é necessário fazer essa segmentação, pois é preciso buscar um público-alvo que desejamos influenciar. UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 148 Pode-se perceber que para a promoção do marketing pessoal, o profissional, seja qual for o ramo de negócio em que esteja envolvido, deverá seguir os mesmos critérios que a empresa, seguindo, principalmente, pela ética e seus valores. Gehringer (2008) informa que o profissional deverá criar seu slogan, pois as empresas de sucesso atingem seus objetivos a partir do momento em que acreditam em seu próprio slogan, e para os profissionais aqueles que desejam subir na vida é a mesma coisa. NOTA Para um maior conhecimento referente ao seu marketing pessoal, faça uma leitura do Livro de Max Gehringer – Empregos de A a Z. 2.1 MARKETING ESPORTIVO Dentro do marketing temos várias segmentações, e uma delas é o marketing esportivo. Como se pode observar, esse modelo é voltado para o esporte, principalmente não apenas para a venda de uma marca, mas sim de uma equipe, de uma pessoa, de um time. Vamos imaginar um jogo de futebol clássico: Fla/Flu, Brasil e Argentina, Barcelona e Real Madrid, um NBA, ou uma corrida: da Nascar ou Fórmula 1, imagine quantas milhares de pessoas estão assistindo a esses eventos, e nestes, empresas estão patrocinando para apresentar sua marca ou produto. Apenas para ilustrar o quanto é importante esse veículo de comunicação, segue um exemplo: um superball nos Estados Unidos tem custo para um marketing na televisão de US$ 70 mil por segundo. As empresas perceberam que o marketing esportivo é uma grande ferramenta para alavancar suas marcas e principalmente receita, tanto para os times quanto para os jogadores, ou seja, todos que estão inseridos no mundo esportivo. O marketing esportivo está inserido no composto da promoção, e consequentemente, a necessidade de arranjode patrocinadores para eventos esportivos, sejam eles individuais ou coletivos (RITOSSA, 2012b). Geralmente o setor de marketing da empresa busca um profissional nessa área para promover o seu produto, nesse caso time, ou uma marca ligada ao esporte. Por exemplo, a Nike é uma marca que patrocina inúmeros eventos esportivos, sejam eles individuais ou coletivos, ou onde quer que você for que possua eventos esportivos, a Nike estará presente, e não apenas ela, mas muitas outras marcas, como a Olímpicos, Puma, Reebok, RedBull, Monster, entre outras. TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 149 O trabalho desse profissional é buscar o melhor patrocínio para a equipe, ou individual, que possa alavancar uma promoção a um evento esportivo. Para isso é necessário utilizar o básico do marketing, como a segmentação do mercado, ou seja, nada adianta apresentar em um evento esportivo uma promoção de roupas sociais ou brinquedos. O profissional de marketing deverá identificar qual é o público-alvo, e isso segue os conceitos fundamentais do marketing. O principal desse modelo de marketing são as empresas que buscam através da adrenalina, das emoções, alegrias, vibração e conquista do seu time ou do seu esportista individual, alavancar sua marca ou produto utilizando esses elementos como força de venda (RITOSSA, 2012b). Um detalhe que não se pode esquecer é que a vontade e os desejos das pessoas estão sempre mudando. É importante para o profissional de marketing buscar ferramentas inovadoras para assim sobreviver em um mercado tão competitivo. Segundo Morgan e Summer (2008, p. 288), “o marketing usado no esporte é uma ferramenta poderosa usada por diversas organizações para alavancar ou criar marcas e oportunidades com novos mercados, além de fidelizar os clientes existentes”. As organizações que usam o esporte para apresentar seus produtos possuem algumas estratégias pretendidas com a utilização do marketing esportivo. Morgan e Summer (2008) e Pozzi (1998) apresentam algumas estratégias que são usadas para alavancar sua marca utilizando o marketing esportivo: Conceber e aumentar o reconhecimento da marca. Transformar ou reforçar a imagem corporativa. Expandir a fidelidade da marca. Classificar a organização em segmentos de mercado mais específicos. Fortalecer os canais de distribuição. Desenvolver novos produtos em novos mercados. Impulsionar as vendas através do merchandising. Combater a concorrência. Criar vantagens com exclusividades competitivas. Exteriorizar a responsabilidade da organização para a comunidade. Manter os funcionários motivados no local de trabalho. Recrear os clientes-chave e/ou clientes potenciais. Simpatizar consecutivamente com o público e a mídia. Ganhar reconhecimento em um mercado em que empresas maiores possuem prestígio. Envolvimento da empresa com a comunidade. Propiciar exposição na mídia. UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 150 Esses itens, apesar de apresentarem o modo simples de fazer marketing, são importantes para que a organização alcance seus objetivos através dos eventos esportivos, pois é sabido que existe uma legião de pessoas que assiste aos mais diversos tipos de jogos esportivos nos mais diferentes modos de mídia, e são as recomendações quando a organização deseja tomar a decisão para patrocinar um atleta, ou evento desportivo, sempre se baseando em fatos mercadológicos. Os atributos que devem ser levados em consideração à idade, referindo- se a jovens e adultos mais conservadores, são: vender os produtos em sites ou eventos e criar afinidades com os torcedores, essas questões devem ser levadas em consideração pela organização no momento em que for entrar no mundo esportivo (RITOSSA, 2012a). O marketing esportivo faz parte de um grande evento que as empresas buscam para apresentar seus produtos, novos ou para manter seu produto principal, sempre na memória das pessoas, com isso apresentam-se algumas características apresentadas por Melo Neto (2007) apud Ritossa (2012a, p. 43): • Entender o marketing esportivo como um tipo de marketing promocional. • Considerar como um tipo de mídia que pode alcançar todos os níveis de pessoas de forma rápida, direta e prática. • É um elemento considerado de fixação, pois evolve o sentimento de alegria das pessoas, ou seja, uma emoção positiva (ao menos para o desportista que estiver ganhando). • Deve-se levar em consideração o risco pelo motivo das mais diversas modalidades esportivas existentes. • Reforça a imagem das empresas patrocinadoras. 2.2 OS RISCOS DO MARKETING ESPORTIVO Para qualquer tipo de marketing, mesmo o esportivo, deve-se levar em consideração os riscos que podem ocorrer, ou seja, um exemplo hipotético no caso de um acidente de grandes proporções em um evento esportivo, como a ocorrência de uma queda de uma arquibancada. Muitas vezes, o nome da empresa que estava exatamente naquele local onde ocorreu o problema, poderá ser lembrado de forma negativa. A mídia apresenta situações que podem afetar a imagem da organização de uma forma que oferece um grande desgaste e, consequentemente, haverá prejuízos financeiros. Outro exemplo muito simples para quem acompanha o esporte a motor, enquanto a Honda faz um grande sucesso na Fórmula Indy, na Fórmula 1 está com sua imagem comprometida por não alcançar a performance desejada e sempre andar no final do pelotão, ou às vezes, nem consegue largar ou terminar a corrida por quebra de motor. TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 151 O mesmo acontece com um patrocinador de futebol, que investiu alguns milhares de reais e seu time cai para a série B, a empresa pode ser lembrada de forma negativa por ter despencado para a “segundona”, na gíria popular. Apesar das mais diversas piadas que ocorrem entre os times do futebol brasileiro, para as empresas patrocinadoras é um grande problema de marketing. NOTA O marketing esportivo busca, através da alta adrenalina dos torcedores, apresentar os benefícios dos seus produtos em um momento das emoções, independentemente da modalidade esportiva. 2.3 OS BENEFÍCIOS DO MARKETING ESPORTIVO Muitos são os benefícios para as organizações que utilizam o marketing esportivo para alavancar seus produtos ou serviços, pois a percepção do cliente é vista como uma parceria e não como apenas mais uma empresa fazendo sua propaganda na mídia, portanto o marketing esportivo se apropria das emoções e da popularidade que o esporte proporciona nas pessoas. Existem algumas partes envolvidas que devem ser levadas em conta, e além dos atletas e clube, estão envoltas as empresas patrocinadoras, o público, o governo e a imprensa. Para cada um deles existem os benefícios e vantagens a serem consideradas individualmente, que se apresentam, a seguir, pelos autores Melo Neto (2007), Morgan e Summer (2008) e Pozzi (1998). 1 Para a empresa patrocinadora: Caso utilizar o marketing esportivo de forma precisa, a empresa poderá atingir vários objetivos de comunicação, e assim agregar força à sua imagem e à sua marca. Os benefícios esperados, de maneira geral, são a cobertura de algum evento local e nacional através da mídia, antes, durante e no final do evento, tendo como principal motivo o entretenimento com os clientes e potenciais clientes, convidando-os como VIPs aos eventos que estão sendo patrocinados pela organização. Esses convidados VIPs têm a oportunidade de visitar o estande da empresa e até estar perto do seu atleta preferido. Outro benefício muito importante é a possibilidade de segmentar o mercado em que se deseja interagir, pelo motivo de que empresas que têm interesse em patrocinar eventos mais luxuosos ou tecnológicos geralmente irão buscar um evento mais apropriado para o produto que se esteja oferecendo. Por exemplo: uma marca de autopeças dificilmente irá patrocinar um evento de moda, agora uma empresa de moda tem interesse em patrocinar um evento de veículos, por mais que sejamroupas que estejam sendo vendidas, as pessoas podem assimilar o carro com a roupa. Um caso foi a empresa de moda Benetton, que esteve presente nos anos 90 na Fórmula 1, em que seu UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 152 piloto foi campeão duas vezes nessa década. Nesse tipo de evento, que é mais globalizado, a tendência sempre será maior de montadoras de veículos do que outro tipo de patrocinador, mas nada impede de outros setores estarem nesse tipo de evento esportivo, apenas deverá saber qual posição deseja-se alcançar. 2 Para o atleta: para atletas de início de carreira, geralmente têm a necessidade do “paitrocínio”, uma vez que é necessária uma dedicação exclusiva ao esporte, pois a maioria das vezes o corpo deverá estar preparado para o evento que for praticar, ou seja, quem irá a um evento de triátlon é diferente para quem participa de eventos automotores, portanto o patrocínio de empresas é o principal desafio desses desportistas conforme a carreira progride. Quando o atleta prospera conforme for desenvolvendo no esporte em que esteja inserido, novas situações são colocadas à prova, como a expectativa de desempenho, representação idônea e aparições em público que são vinculadas à empresa patrocinadora. Esse modelo de marketing é conhecido como endorsement, que nada mais é que a utilização de uma celebridade em atos públicos para divulgação do produto ou marca de uma organização. Esse modelo de marketing é muito comum no esporte, no entanto, dependendo de situações profissionais e pessoais, o contrato poderá ser quebrado caso lesione a imagem da empresa. Para quem não é muito adepto do golfe, um exemplo, que ocorreu com o esportista Tiger Woods, que por um envolvimento de adultério, muitas empresas quebraram o contrato, pois não querem sua imagem envolta de escândalos. Empresas querem estar ao lado de campeões éticos e carismáticos. É comum as empresas buscarem esportes que mais chamam a atenção do público, no caso dos EUA, o basquete, o baseball e a Nascar são os esportes que mais audiência possuem naquele país. Observando o Brasil, o futebol, a Fórmula 1 e voleibol são os considerados que mais possuem audiência no país. Antes de investirem em patrocínio, as empresas observam a audiência de cada esporte. Vamos focar em um esporte local, na cidade de Jaraguá do Sul (SC), para quem não lembra, estava o Falcão, o melhor jogador de futsal, com isso a empresa Malwee obteve vários campeonatos, e também, como o jogador estava no time do Brasil, ele era lembrado pela marca Malwee. Na região norte de Santa Catarina, o pessoal é muito aficionado por futsal, e quando ocorre um jogo entre Jaraguá e Joinville a emoção é maior, pois ambas as cidades têm um grande grau de competição, com isso quem ganha são as empresas particionadoras, mesmo que local, assim o atleta se torna o foco da propaganda sendo o marketing da organização. 3 Para o clube ou time: com os valores dos atletas cada vez mais estratosféricos, o clube não consegue mais mantê-los em seu time, pois é comum as pessoas quererem ganhar um melhor salário, ou seja, apenas com o ingresso da entrada para ver jogos, não era mais suficiente para sobreviver e manter um time de futebol. Dessa forma, os clubes passaram a ganhar uma maior receita através da venda de espaços dentro da arena do jogo, por exemplo: aqueles balões inflados na saída do vestiário quando os jogadores passam por eles, nas laterais do campo de futebol, na própria roupa dos jogadores, tudo isso é conhecido como merchandising, pois apenas é visualizado diretamente sem ser pronunciado. A TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 153 televisão foi o modo encontrado para garantir receitas maiores, no entanto, não fica apenas nisso, a venda de suvenires dentro da arena do time, alimentação, fotos dos jogadores e entre tantas outras opções é que garantem a sobrevivência do time. E quando se fala em vender jogadores, os valores são muito maiores, nesse caso, é comum os times brasileiros venderem seus jogadores para o exterior. Há outras opções, como venda de camarote, um exemplo: nos EUA, para uma temporada, muitas vezes, o valor chega em torno de U$ 500 mil dólares, ou seja, são inúmeras as receitas que um time de qualquer natureza, seja ele, futebol, futebol americano, NBA, entre outros, é comum utilizar essas receitas para sobreviver e na aquisição dos melhores jogadores do mercado. 4 Para a mídia: nesse caso, leva-se em consideração a televisão, o meio eletrônico em que está cada vez maior sua audiência, pela facilidade, pela comodidade, pois você poderá assistir a um evento em qualquer lugar desde que tenha acesso à internet. A mídia se tornou uma das maiores receitas, visto que as organizações procuram os maiores eventos esportivos para apresentar sua marca e/ou produto, com isso é constante uma briga entre gigantes para adquirir o patrocínio em uma determinada rede de televisão, pois muitas ainda possuem o monopólio de alguns esportes, no caso do Brasil, a Globo possui o monopólio do Brasileirão e Fórmula 1, sendo assim, as empresas buscam onde haja maior audiência para apresentar seus produtos. Os valores nem sempre são anunciados, mas chegam aos milhões de reais. Imagine a guerra que ocorre nos EUA referente ao patrocínio do NBA, os valores são estratosféricos, a FOX tem o monopólio de vários jogos que passam nos EUA, portanto, é uma das redes de televisão que mais se assiste naquele país. A internet também já está concorrendo com a televisão, pois nem sempre a rede de tevê tem o monopólio do esporte na internet, por serem sistemas de franquia diferentes; por um lado é muito bom, pois dá opção de escolha para o consumidor. Por fim, observamos que o esporte e a mídia dependem um do outro, com isso ambos ganham e o consumidor também. 5 Para o governo: de forma geral, o governo é o responsável para sediar megaeventos esportivos e a indústria do esporte tem como papel importante estimular o torcedor nas mais variadas atividades esportistas a assistir aos eventos que patrocinam emoção, adrenalina e provocam a aproximação do fã com o seu esportista. O governo, com o auxílio do esporte, busca desenvolver na população a diminuição do sedentarismo, pois com os eventos esportistas, as pessoas têm o costume de buscar realizar o esporte do seu jogador. Foi o caso do tenista Gustavo Kuerten, muitas pessoas passaram a jogar tênis nas horas vagas; ou com o nadador Gustavo Borges, que pessoas começaram a buscar academias que possuem piscina de natação, desenvolvendo alguns hábitos de melhorar o condicionamento físico. Temos outros inúmeros exemplos, como o futebol, chamado das famosas “peladas”, mas de nada adianta praticar um esporte e logo após seguir para o barzinho da esquina tomar uma cerveja, lógico, deve-se levar em consideração a moderação. O governo, com a prática do esporte, percebe uma queda de internações, pessoas sedentárias ou com problemas cardíacos, e a grande arrecadação de impostos UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 154 que são adquiridos com esse tipo de consumo. Outro detalhe, por exemplo, quando foram realizadas a Copa e a Olímpiadas no Brasil, os estádios foram construídos e percebemos que tudo em suas redondezas recebeu investimentos de infraestruturas. Deixando de lado a corrupção que envolveu quase todas as arenas de futebol, o que é apresentado é o melhoramento do transporte público e um embelezamento na área em que foram construídos, portanto, levando para o lado positivo, o esporte traz muito investimento para a população, lógico que é de responsabilidade do governo realizar esses eventos para a população. Devemos lembrar que o esporte é uma forma de lazer para o torcedor, seja ele comparecendo aos estádios, assistindo em casa ou com amigos em algum barzinho da esquina, praticantes profissionais ou não do esporte, mas o importante é estar satisfeito com o que é apresentado. 6 Para o público:de forma geral, quem sai ganhando é o público com esses eventos; para os torcedores que preferem ir ao estádio, encontraram maior qualidade na estrutura e preferivelmente segurança, infelizmente só ocorre em eventos internacionais; já aquele que prefere estar em casa, em sua poltrona com sua família ou com amigos, tem a opção de conhecer outros modelos de esportes. O torcedor poderá, com isso, ser sócio do clube, ele poderá ganhar descontos nos maiores eventos esportivos que possam ocorrer na arena do seu time e, assim, esse envolvimento trará outros benefícios, como descontos em lojas conveniadas, participação de sorteio de prêmios, bem como estar ao lado do seu jogador preferido. Dependendo do modelo de cartão, a mensalidade que esteja pagando, para quem tem um maior valor, benefícios a mais que os que possuem um cartão com uma mensalidade menor. Esse tipo de comércio é muito comum em qualquer país, quem paga mais tem a oportunidade de ganhar mais opções quando se trata de disposição de benefícios. O plano tem suas variações, dependendo de qual grau se deseja adquirir. Para que o marketing esportivo seja um sucesso, temos que levar em consideração a ética esportiva. Já foram presenciados muitos fatos em que o juiz ou o esportista foi comprado para alterar o resultado de qualquer esporte que possa ocorrer, ou seja, o atleta utiliza de entorpecentes para ter maior vantagem do que os demais concorrentes. Outra situação é quando tenta atrapalhar o time para perder, ou o juiz usa do seu poder no campo para modificar o resultado. É importante estar atento aos resultados, pois existe uma máfia de jogos que tenta mudar o resultado. Por fim, é muito complicado resolver esse problema, a não ser a ética de todos os envolvidos nesse maravilhoso evento esportivo. NOTA Para saber mais sobre Marketing esportivo, faça a leitura do livro “Marketing esportivo”, de Bernard J. Mullin, que apresenta todas as sequências que devem ser seguidas para alavancar o esporte e a empresa que deseja patrocinar o evento. TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 155 3 MARKETING SOCIAL E ÉTICO Embora interpretada de várias maneiras diferentes, a expressão “marketing social” surgiu nos Estados Unidos da América, em meados de 1971, os autores Philip Kotler e Gerald Zaltman iniciaram a usar essa nomenclatura para estudar as aplicações do marketing como meio de buscar os resultados desejados nas diversas questões sociais. Naquele ano os autores publicaram um artigo sobre Social Marketing intitulado de “Approach to Planned Social Change”, em que apresentaram os conceitos de marketing social, sendo como um processo de criação, controle e implantação de programas para influenciar as ideias sociais ao planejamento de produto (cliente), comunicação, conveniência e pesquisa de marketing (KOTLER; ZALTMAN, 1971). O marketing social engloba o aproveitamento de todas as ferramentas do marketing, tendo em vista provocar mudanças de comportamento nos indivíduos, dessa forma sugerindo que o estudo do marketing social deverá aprofundar o estudo do marketing tradicional na medida em que analisa o contexto do indivíduo, ou seja, a vivência na sociedade. Com esses estudos, a partir das análises contextuais, há possibilidade de que ocorram diversas transformações, sendo elas positivas, que talvez possam alterar a realidade do próprio indivíduo e da sociedade local, em um desenvolvimento muito melhor (KOLTLER; ROBERTO 1992). Segundo Vaz (2003, p. 281), o marketing social pode ainda ser compreendido como a “modalidade de ação mercadológica institucional que tem como objetivo principal atenuar ou eliminar os problemas sociais, as carências da sociedade relacionadas principalmente às questões de higiene e saúde pública, de trabalho, educação, habitação, transportes e nutrição”. No Brasil, a expressão marketing social é usada para apresentar e explicar a atuação das organizações no que diz respeito às ações sociais, ou seja, é um ato que tem como objetivo alcançar um diferencial competitivo, mas observando que não haja necessidade de influenciar o comportamento coletivo das pessoas. É muito normal as organizações promoverem ações sociais associando a sua imagem para promover o aumento das vendas e/ou, agregar valor à sua imagem institucional (MENDONÇA; SCHOMMER, 2000). Muitas vezes, as empresas têm como concepção o marketing social apenas com os benefícios em relação à sua imagem e pouco se importam com as mudanças no comportamento das pessoas ou seu bem-estar, no entanto, é um erro que deveria ser evitado. (MENDONÇA; SCHOMMER, 2000). Souza, Santos e Silva (2008, p. 2) ressaltam que o problema das organizações é “identificar aquela causa de interesse social mais relevante para seu público”, e que os valores e marcas sejam coerentes com a própria organização. É importante, em um primeiro momento, identificar quais são os valores da marca UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 156 e o valor do consumidor a essa marca, em um segundo momento, diferenciar entre as diversas causas sociais, a melhor que tem relacionamento com os valores existentes identificados. Essas escolhas se dão pelo motivo de evitar ações sociais que não têm nada a ver com a imagem que os clientes possuem da organização, no entanto, certas causas podem representar um maior esforço da empresa para aumentar o valor da sua marca. As empresas sabendo que as pessoas aspiram condições de vida melhores, incluindo as necessidades básicas representadas pela pirâmide de Maslow apresentada no primeiro capítulo, e seus desejos. É muito normal as organizações promoverem ações sociais para alavancar sua marca e serem aceitas e mais conhecidas pelas pessoas. Na busca por resultados esperados, as empresas focam nos processos de marketing, e é nesse momento que o marketing social é indispensável, principalmente quando a relação entre o consumidor e a organização está mais desenvolvida. Para as corporações é o momento da busca do desenvolvimento do marketing social, ou seja, está geralmente fundamentado nos valores que moldam os movimentos cooperativistas, como: • Equidade: mesmo dentro ou fora da organização, é importante ser justo e imparcial nos negócios. • Liberdade: direito de participar das decisões e ações cooperativistas. • Fraternidade: respeitar os negócios dos outros, sejam eles internos ou externos da cooperação. Crúzio (2003) afirma que ao buscar no marketing social os seus valores, a cooperativa tende a criar o cooperativismo agregando os valores nos estatutos sociais, que possam influenciar nas decisões que agregam o seu desenvolvimento. Pode-se dizer que o conceito de marketing social é: A arte de dirigir, gerenciar e executar o composto de marketing (4 Ps: produto, preço, praça e promoção) e, ao mesmo tempo, promover o desenvolvimento social, político e econômico dos associados, empregados, familiares e membros da comunidade local. Compete ao Conselho de Administração (CA) construir relacionamento de longo prazo com os consumidores, revendedores, contratantes de serviços, agentes financeiros, representantes de classe etc. (CRÚZIO, 2003, p. 23). Segundo Ribeiro (2015), marketing social é um conjunto de benefícios que são propostos para a sociedade, considerando fatores como a educação, economia, saúde, meio ambiente, moradia, transporte e governo. No que se refere ao marketing social cooperativista, tem algumas diferenças em relação ao marketing empresarial em vários aspectos, que podem ser observados no quadro a seguir: TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 157 QUADRO 23 – MARKETING EMPRESARIAL X MARKETING SOCIAL COOPERATIVISTA Marketing Empresarial Marketing Social Cooperativista No que se refere à concepção do marketing Fundamentada no reativo, ou seja, busca encontrar um segmento de necessidade no mercado. Fundamentada no proativo, ou seja, procura antecipar as necessidades, interesses ou percepções dos mercados internos ou externos.No que se refere às ideias e veículos de mídia Utiliza para inserir no mercado-alvo produtos ou serviços da empresa. Utiliza para inserir ideias para que os associados criem relações produtivas e comerciais de longo prazo com os consumidores, contratantes de serviços, revendedores entre outros. No que se refere à propaganda Induz ao consumo possíveis mercados-alvo. Auxiliam os associados a divulgarem seus produtos entre os consumidores, revendedores, entre outros. No que se refere ao lucro Emprega o composto de marketing (4 Ps) para aumentar as vendas e melhorar o rendimento dos investidores dependendo do capital investido. O gerenciamento do composto de marketing (4 Ps) para atender às necessidades e preferências dos associados, consumidores, fornecedores, revendedores, comunidade local, entre outros, sendo o lucro as sobras líquidas que serão distribuídas entre os associados. FONTE: Adaptado de Crúzio (2003) Como pode-se perceber no quadro acima, a diferença entre os dois tipos de marketing (empresarial e cooperativista) deve seguir os conceitos do composto de marketing, ou seja, os 4 Ps, no entanto, cada qual busca em sua clientela desenvolver o que melhor lhe proporciona, no caso da empresarial o lucro, no caso do cooperativismo, as necessidades. Na necessidade de seguir os objetivos para a prática do marketing social, é importante seguir diretrizes ou temas que devem ser tratados de forma a agregar valores para as organizações, sejam elas cooperativistas ou empresariais. Ribeiro (2015) apresenta alguns objetivos e cria metas para a sociedade cooperativista, vejamos: Impactos sociais da cadeia de valor: aspectos sociais conquistados pela rotina dos procedimentos cooperativos. Questões sociais genéricas: fatores que não são modificados pelas operações empresariais, não afetando sua competitividade de longo prazo. Dimensões sociais do contexto competitivo: princípios sociais externos que inspiram fortemente elementos convidativos da competitividade cooperativa. UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 158 Em qualquer ramo de negócio, seja social ou empresarial, com ou sem fins lucrativos, tem como ênfase a busca por stakeholders (pessoas que possuem algum interesse estratégico em algum tipo de organização), no entanto é importante salientar que esse tipo de marketing é garantir as necessidades das pessoas de uma forma mais simples e eficiente, pois, como o próprio nome “social”, tem como princípio a comunidade de baixa renda em geral. NOTA O marketing social não é algo novo, no entanto, ele é pouco apresentado ao público, pois é voltado para produtos e serviços em geral, mas não agrega a necessidade da comunidade, e sim a busca por lucros, fazendo o marketing social ser apenas superficial. Para saber mais sobre marketing social, os autores Crúzio (2003) e Ribero (2015) apresentam as fases desse tipo de marketing. Uma segunda fase do marketing social, seja empresarial ou cooperativista, corresponde à necessidade da ética. Uma organização que deseja ser o centro das atenções necessita tomar todos os cuidados possíveis para não manchar sua reputação e imagem, para isso é preciso a necessidade do marketing ético. Para Crúzio (2003 p. 37), marketing ético “é a técnica de dirigir, gerenciar e executar os compostos de marketing e, ao mesmo tempo, promover a honestidade nas relações de troca produtivas e comerciais da cooperativa com seus associados, dirigentes, empregados e terceiros”, ou seja, é a parte que remete ao bom senso das organizações na sua conduta, promovendo a veracidade, integridade e confiabilidade à comunidade em geral. Diferentemente de quaisquer aspectos em que a ética esteja inserida, cabe a nós desenvolver o bem-estar da nossa nação, a começarmos por nós para desenvolver essa mudança de cultura, com certeza é difícil, mas inicie por você. As prescritivas da ética em função dos princípios da autonomia e da independência fazem com que empresas e cooperativas devam usar esse código prescrevendo a sua imagem perante a comunidade. Todos sabem do grande caos político que nosso país enfrenta durante muitos anos, e é preciso buscar alternativas para encerrar esse tipo de situação. Crúzio (2003) apresenta alguns códigos de ética que todos devem seguir, não importa quem seja, todos devem estar inteirados a realizar e seguir normas, direitos e deveres, o foco são as cooperativas, vejamos: TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 159 • Manter um cordial relacionamento com partidos políticos, sindicatos, ou outras representações do gênero. • Permitir que candidatos de qualquer nível governamental possam apresentar sua plataforma social, política e econômica, desde que aprovada pela maioria da associação. • Recusar qualquer doação feita por interesses político-eleitoreiros. • É permitido aceitar doações financeiras desde que não comprometam a missão social, política e econômica da associação. • Rejeitar qualquer doação de infratores locais ou internacionais e punir os associados que recebam esse tipo de doação em nome da cooperativa. • Apoiar as iniciativas dos governos ligadas à criação de cooperativas (incubadoras), desde que não tenham finalidades políticas ou eleitoreiras. • Manter um estreito relacionamento com outras cooperativas singulares, centrais, federações e confederações de cooperativas, com o intuito de discutir o futuro das políticas governamentais, sobretudo das necessidades sociais e econômicas. • Fiscalizar as decisões dos dirigentes das centrais, federações e confederações cooperativas, principalmente no que se refere aos acordos que atendam a interesses políticos que possam comprometer a independência social, política e econômica da cooperativa. • Manter um cordial relacionamento com o Conselho Nacional do Cooperativismo e os órgãos do Ministério Público do Trabalho, visando combater as faltas cooperativas. NOTA Esses códigos de conduta são referentes ao cooperativismo social, para os códigos de condutas éticas pessoais são apresentados em outra disciplina do curso. Como se pode perceber, é necessário que as cooperativas sociais busquem agregar a ética para manter o seu marketing empresarial, sendo muito importante que haja transparência quando um novo associado resolva usufruir das vantagens que esse modelo de negócio ofereça a ele. 3.1 UMA NOVA PERSPECTIVA SOCIAL É fato que as empresas, sejam as de cooperativismo e as tradicionais, têm como tendência buscar as ações sociais através de suas metas e objetivos definidos por quatro mecanismos: a) a emergência, determinada por fatos e/ou acontecimentos externos e que por isso estão fora do controle das organizações sociais, b) a capacidade física dos equipamentos sociais disponíveis, c) as necessidades identificadas na população considerada como “alvo” das intervenções e d) os recursos financeiros disponíveis (FONTES, 2001). UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 160 Os trabalhos sociais dessas empresas, conhecidas como Terceiro Setor, buscam atender às demandas das populações, principalmente as excluídas, no entanto, depende da disponibilidade e a capacidade dos equipamentos e serviços sociais públicos e serviços efetivos. No marketing social do Terceiro Setor, existem alguns obstáculos que deverão ser superados, para que as propostas das organizações sejam atendidas pela população menos favorecida, seja pela privação do paternalismo cultural, políticas populistas, políticas voltadas para a economia como prioridade que possuem déficit social, dificultando o desenvolvimento para uma nova concepção de mercado social (FONTES, 2001). As empresas buscam no marketing social melhorar sua imagem no relacionamento com as pessoas, dessa forma é importante para a organização saber identificar quais as necessidades dos indivíduos, para que assim possam impor suas ações sociais à sua marca, e consequentemente isso ficana memória das pessoas, que ao identificar aquela prestação de serviço, ligarão à marca. NOTA As organizações usam o marketing social para melhorar sua imagem criando uma ponte da sua marca para com a sociedade nos aspectos sociais. 4 MARKETING POLÍTICO–ELEITORAL Segundo Teixeira (2006 p. 21), marketing político é “um conjunto de conceitos e procedimentos que, interagindo adequadamente, procura adequar as ações de uma campanha eleitoral e/ou de uma contínua comunicação entre o político como líder público e seus liderados”. No entanto, deverá ser de modo contínuo, com um planejamento adequado, buscando a máxima eficiência nos recursos disponíveis, com o foco de buscar o maior número de votos possíveis por meio de uma intensa credibilidade conquistadora. O marketing político está cada vez mais demandando recursos, pois o eleitorado está cada vez mais exigindo retorno dos candidatos e não apenas promessas. No caso do Brasil, em décadas atrás, com uma população com nível de ensino menor, era uma maioria fácil para buscar o voto, no entanto, nos dias atuais isso mudou e os eleitores estão muito mais exigentes com as promessas dos candidatos. Pode-se dizer que o marketing político é muito complexo e possui suas peculiaridades, mas a propaganda é o meio mais utilizado para a comunicação em massa como principal meio de informação (TEIXEIRA, 2006). TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 161 Por outro lado, os candidatos buscam fazer alianças políticas e partidárias para estabelecer o fortalecimento da sua imagem, buscando conquistar os eleitores através das tendências que são adquiridas por meio da informação e não mais por promessas. Sabe-se que o marketing moderno busca, através do cliente, identificar suas necessidades e desejos, e a partir disso, criar estratégias para enfatizar os atributos que mais elas valorizam. O marketing político deverá buscar nos seus eleitores as qualidades que eles esperam de seus políticos, ou seja, a imagem deverá estar fundamentada em crenças, ideias e impressões (TEIXEIRA, 2006). Segundo Teixeira (2006), como um produto ou serviço, o candidato também tem seu ciclo de vida, ou seja, a carreira política está ligada a uma curva do lançamento, crescimento, maturidade e declínio: • Lançamento: na maioria das vezes o candidato se apoia pela tradição da família, ou por apoio de outro político. • Crescimento: a necessidade de grandes esforços para que sua imagem seja divulgada. • Maturidade: quando ocupa um cargo importante, sua imagem já está consolidada e já possui uma identidade própria. • Declínio: quando sua credibilidade cai, e sua ideologia não faz sentido para os eleitores, devido, na maioria das vezes, pela má gestão ou mesmo pela insatisfação das pessoas pelo mesmo de sempre e que nada muda. Como se pode perceber, o candidato é comparado a um produto ou serviço, caso não inova ou não apresente soluções para satisfazer os eleitores, é um sério candidato a ficar pelo caminho na próxima eleição, independente do cargo a concorrer, seja vereador, prefeito, deputado, senador, governador ou Presidência da República. O marketing político-eleitoral é muito utilizado nesse ambiente, pois é preciso criar uma personalidade para o candidato que apresente de forma simplificada ao eleitor o que está em jogo naquele momento. Um exemplo foi o do Barack Obama, presidente eleito da maior potência do planeta, os Estados Unidos da América, ele conseguiu na primeira candidatura derrubar a esposa de um ex- presidente, Bill Clinton, e posteriormente um célebre herói de guerra, John McCain. No case do Barack Hussein Obama II, uma pergunta que simplesmente muitos fazem: como uma pessoa desconhecida, negro e com o nome de um dos maiores inimigos dos EUA, conseguiu se tornar o 44º presidente desse país? Segundo Ferreira Junior (2012), foi muito antes de iniciar sua candidatura para presidente, usando três pontos-chave: a imagem do candidato, a campanha on-line e a metodologia de arrecadação. Lembra-se de que a apresentação dos pontos-chave está voltada para as leis daquele país, diferentemente do que acontece no Brasil, que ainda não foi autorizado o uso on-line para realizar campanhas, apesar de existirem, é proibido. UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 162 A seguir, Ferreira Junior (2012, p. 89) descreve como foram realizados e usados os três pontos-chave para a candidatura e vitória de Barack Obama: • A imagem do candidato: é sabido que Barack Obama é filho de negro e muçulmano, viveu boa parte na Indonésia, portanto, sua imagem iniciou a ser trabalhada em meados de 2007, um ano antes das eleições presidenciais dos EUA. Por esses termos, em um país muito racista como são os EUA, poderiam oferecer barreiras para sua candidatura, no entanto, sua ascensão foi evoluindo conforme foi usando estratégias eleitorais para fazer de um negro uma imagem perfeita para presidente. Por ser uma pessoa carismática, filho de pai negro e mãe branca e um padrasto asiático, Obama tinha muito crédito pelas mais variadas etnias, e principalmente uma ótima oratória, muito importante para pessoas que desejam ser um líder. Também havia uma comparação dos eleitores mais velhos com o concorrente John McCain. Mas como nada é perfeito, existia um ponto fraco em Barack Obama, por mais que era um senador, possuía pouca experiência política. Outra oportunidade de estar em quase todos os lugares foi o envolvimento de sua esposa Michele Obama, tão carismática quanto Barack, que esteve fortemente presente em eventos, e ouvindo eleitores em todos os cantos daquele país. • A campanha on-line: por que essa ferramenta foi tão fundamental para o sucesso de Obama? Segundo Ferreira Junior (2012), foi a atenção do candidato na evolução dos meios de comunicação, das mídias e tecnologias a serem usadas em seu favor, muito antes que seus concorrentes tivessem a chance de usá-las. A estratégia on-line usada pelo profissional de marketing de Barack Obama foi tentar usar a internet da melhor forma possível e viável, ao alcance de todos os nichos, e criar um ambiente que favorecesse a visualização da campanha. A estratégia com sites e redes sociais tinha a função de estar onde o eleitor estava, usando o mesmo formato dos comícios que eram realizados em todos os cantos do país. Lembrando que camisetas, bottons, bonés, folders, copos e outros materiais eram usados para divulgação do site. • Metodologia de arrecadação: nos EUA, o sistema de arrecadação é diferente do modelo brasileiro, lá você possui uma escolha, ou é 100% pública ou 100% privada, portanto, foi obrigado a fazer uma escolha, confiando no poder financeiro dos seus eleitores. Barack Obama arrecadou milhões de dólares em sua campanha, fazendo com que tivesse um diferencial em relação ao seu concorrente, aumentando sua vantagem financeira. NOTA O marketing político trouxe inúmeras vantagens para o candidato, mostrando que muitas vezes não importa a cor, raça ou religião. Existe um modelo de diferencial que pode alavancar a candidatura de qualquer pessoa. TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 163 A comunicação é um ponto-chave para a apresentação do candidato, indiferentemente de qual seja a forma de divulgação, o candidato tem no voto o feedback do eleitor, o resultado da sua campanha eleitoral. Na figura a seguir, Torquato (2014) apresenta uma forma do envolvimento do candidato com o eleitor. FIGURA 30 – ENVOLVIMENTO DO CANDIDATO COM O ELEITOR • Feedback/ voto ou busca de novas informações • Marketing Político/ Eleição Candidato Eleitor Ideias, programas, promessas, favores, busca de vínculos e aproximação Recebe, processa e assimila os diferentes estímulos recebidos FONTE: Adaptado de Torquato (2014) O candidato deverá estar atento, pois sua empatia ocorrerá através de sua postura, ou seja, da forma como ele irá se apresentar ao público, que pode interpretar das mais variadas formas o seu comportamento, mesmoassim não tem certeza de que irá votar nesse candidato, e consequentemente buscará mais informações sobre ele (TORQUATO, 2014). NOTA Seria normal os eleitores buscarem informações sobre em quem desejam votar, no entanto, poucas pessoas fazem isso e infelizmente estamos muito distantes dessa realidade. Na maioria das vezes, muitos votam pela aparência, carisma ou entre outras qualidades, sendo que essas escolhas são feitas pelo impulso ou por uma gratificação, podendo ser um tanque de combustível ou uma caçamba de pedras para a rua em que o eleitor reside. É a triste realidade brasileira. O desenvolvimento da campanha se dá pelos quatro 4 Ps do marketing (produto, preço, praça e promoção), visto que o candidato pode ser considerado como um produto, ou seja, um produto que tenta vender sua imagem, vejamos: (KOTLER; ARMSTRONG 2007). UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 164 Produto: o próprio candidato. Preço: são as promessas do candidato que apresentará aos seus eleitores. Praça: é a distribuição das propostas e promessas do candidato. Promoção: divulgação da imagem do candidato. Devemos levar em consideração que o marketing eleitoral tem suas próprias normas, pois é necessário seguir as leis que regem a promoção da política eleitoral, cumprir para que posteriormente não haja nada errado que possa cassar o candidato pelo Tribunal Superior Eleitoral. NOTA Para saber das normas e políticas eleitorais, é necessário acessar o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para seguir as leis que regem o sistema de eleição. 5 MARKETING INSTITUCIONAL Muitas empresas utilizam esse novo contexto de marketing para apresentar e fixar junto ao público uma ideia através de uma imagem positiva. No entanto, buscam associar seu nome a determinados valores e conceitos consagrados pela opinião pública (VAZ, 2003). O marketing institucional é usado de uma forma mais abrangente e que se concentra na imagem da organização e através de uma ideia ou um conceito que é associado a um produto geralmente específico para o cliente. O objetivo do marketing institucional, segundo Curry e Stora (1993, p. 12), “é convencer os diversos grupos, de uma determinada empresa ou associação e pessoas a criar uma parceria comercial”. Geralmente a organização em uma promoção de vendas tenta apresentar o produto principal, ou seja, mesmo que o consumidor utilize (ou não) esse produto ou serviço principal, mas que em um determinado momento poderá utilizá-lo, com isso, mesmo não utilizando no passado, vai lembrar da marca quando sua necessidade surgir e assim irá adquiri-lo (RITOSSA, 2012b). O principal objetivo das organizações é criar bens e serviços para o consumidor com qualidade, durabilidade, preço justo, design interessante, entre outros aspectos, no entanto, não é apenas isso e, sim, aparentar uma boa imagem desses bens e serviços. Os consumidores, por muitas vezes, deixam de consumir produtos com uma qualidade excelente, no entanto, por motivos de uma má impressão referente à organização, não são consumidos do modo apropriado como a empresa deseja, TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 165 ou muitas vezes, de um produto duvidoso. Porém quando a organização possui uma boa imagem, tem consumo do serviço ou produto muito maior, por isso a imagem da organização é levada em consideração na compra de um produto (RITOSSA, 2012b). Um problema muito grande foi referente à manipulação de um software que regula a emissão de gases dos veículos da Volkswagen, a imagem da empresa ficou muito abalada por esse problema identificado. Apesar dos milhões de euros que foi necessário pagar pelas multas adquiridas, muitas pessoas deixaram de comprar o seu produto, no entanto, a queda das vendas não representou um prejuízo tão grande, pois a empresa mantém uma imagem de qualidade nos seus produtos. Por mais que houve essa manipulação, a imagem ficou preservada. Muitas vezes, a imagem da empresa não é afetada, mas o produto em si. Um exemplo clássico foi o modelo Fiat Tipo na década de 1990. Esse modelo de veículo era importado da Itália, e tinha um problema de incêndio, mesmo com a fabricação mais tarde nacionalizada, o modelo ficou aquém das vendas, pelo motivo de os consumidores evitarem adquirir um veículo que poderia se incendiar. No entanto, as vendas de outros modelos da marca Fiat estavam em alta e consequentemente sua imagem não foi afetada, o problema apenas foi a de um produto do seu mix. Para que o marketing institucional alcance seus objetivos são necessárias algumas estratégias, é normal em qualquer organização, seja ela com ou sem fins lucrativos, apresentar sua imagem para a sociedade. Vaz (1995) apud Ritossa (2012b) apresenta alguns caminhos para a estratégia que podem manter, reparar ou criar percepções nos consumidores e conduzir uma aproximação da ação da empresa (timing), proativa e reativa, dependendo das ações do mercado. No Quadro 24 são apresentados os objetivos e o timing que uma organização segue para o marketing institucional. QUADRO 24 – OBJETIVOS E O TIMING DO MARKETING INSTITUCIONAL Timing Proativo Reativo Objetivos da organização Criar Inovação Renovação Reparar Explicação Conserto Manter Conservação Recuperação FONTE: Adaptado de Vaz (2003) apud Ritossa (2012b) Os objetivos das organizações sempre estão dispostos nos valores e missão, dessa forma, conforme o quadro anterior, é importante elaborar estratégias para criar, reparar e manter uma imagem de qualidade perante a sociedade. Nos itens a seguir, Ritossa (2012b) apresenta as estratégias referente ao marketing institucional. UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 166 • Estratégia de inovação: geralmente está associada à criação de um novo produto ou serviço, que é antecipar um novo conceito de produto ou serviço para a sociedade. É um diferencial que a organização busca para superar seus concorrentes. • Estratégia de renovação: usada quando a imagem da organização está num prejuízo eminente, ou seja, a maioria de empresas, a partir do momento em que alcançam um patamar, simplesmente param no tempo. Dessa forma os concorrentes têm a oportunidade de apresentar inovações, melhorando seu produto e, por sua vez, passam à frente da empresa que ficou estabilizada sem novos produtos ou serviços. Esse modelo de estratégia aparenta um esforço tardio, observando que seu concorrente está à frente, busca apresentar que também está inovando, mas que muitas vezes a organização irá patinar para alcançar o status anterior de imagem, ou seja, “eu também sou inovador” ou “estamos nos adequando à nova situação”. • Estratégia de explicação: há que se concordar que nós, humanos, podemos errar, como máquinas e equipamentos também possam quebrar, esse modelo de estratégia visa explicar o mais rápido possível uma situação indesejada que ocorreu em determinado momento na organização, sendo a transparência o melhor caminho a ser tomado e para minimizar os prejuízos o máximo possível. Resolver os eventuais problemas do consumidor para não o prejudicar o mais breve. • Estratégia de conserto: é um meio de resolver um problema ocorrido, não por algo efetivamente de propósito, mas porque aconteceu por algo técnico. Essa estratégia tem como tomar uma medida emergencial que a organização faz para resolver algo que ocorreu sem uma previsão. Muitas vezes, mesmo sendo uma fatalidade e não uma responsabilidade explícita, essa imagem fica na cabeça dos consumidores, portanto é um meio de minimizar os prejuízos futuramente, bem como é um meio de manter a credibilidade da organização. • Estratégia de conservação: muito usada para manter a imagem de uma organização, que, segundo Kotler & Armstrong (2007), é tão mais difícil construir uma imagem do que mantê-la. É feito um esforço contínuo para que a organização não seja incluída em algum escândalo, portanto é necessária essa estratégia de conservação para que as oscilaçõesou problemas que venham a ocorrer sejam resolvidas, sendo realizada essa manutenção o mais rápido possível para manter a imagem aos consumidores. As ferramentas mais usadas para manter essa imagem são o patrocínio no esporte, programas sociais, programas ambientais, programas culturais, para que sua reputação não seja esquecida pelo público-alvo. • Estratégia de recuperação: é usada para restaurar a imagem de uma organização, seja ela por falta de investimentos ou por algum incidente ocorrido anteriormente, o fato é que é necessário restaurar ou recuperar a imagem junto aos consumidores. Quando a empresa tem a primordialidade desse modelo de estratégia para recuperar sua imagem, este tem um custo de investimentos elevado e é necessário para minimizar os prejuízos. Mesmo após inúmeros projetos de divulgação apresentando a resolução da situação, os consumidores ainda possuem lembranças do ocorrido. Mesmo com a resolução e vários pedidos de desculpas, indenizações, entre outros, os consumidores ainda ficam com dúvidas se realmente a empresa fez as alterações necessárias nos produtos ou serviços que possam garantir novamente a confiança. TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 167 Essas estratégias, para um modelo de marketing institucional, não garantem sucesso, pois, muitas vezes, a imagem está tão manchada e mesmo com grandes investimentos poderá ser que não haja uma recuperação satisfatória e a percepção do público-alvo não altera. Portanto, para garantir que a empresa tenha sucesso é importante usar da ética, planejamento antecipado, organização, focar em detalhes e prestar o melhor serviço possível aos consumidores, pois depende única e exclusivamente das atitudes da organização para o seu sucesso. 6 MARKETING AMBIENTAL As novas gerações de pessoas estão muito preocupadas com o meio ambiente do nosso planeta, com o aumento do aquecimento global. Alguns governos de países desenvolvidos ainda insistem em informar que esse aumento da temperatura não é causado pela queima de combustível fóssil. Não considerando o mérito de quem esteja falando a verdade, sejam os governos ou os cientistas, a questão é que alguma coisa está acontecendo em nosso planeta. Percebendo que a cultura das pessoas está mudando, e a preocupação está cada vez maior, as organizações estão desenvolvendo estratégias para essa mudança de hábito. O marketing ambiental, conhecido como marketing verde, está sendo usado como uma ferramenta de diferencial para o consumo, ou seja, passa para os consumidores uma visão de responsabilidade ecológica, mesmo que sejam necessários novos produtos, inovações para buscar uma oportunidade diferencial de que seu produto é sustentável. Um conceito de marketing ambiental apresentado pelos autores Churchill e Peter (2000), é considerado uma atividade que minimiza os efeitos negativos, ou ainda, para melhorar a qualidade do produto ou serviço. Assim, as organizações tomam como princípio a busca por uma imagem junto à comunidade de que estão preocupadas com o ambiente. É importante que as empresas estejam reagindo às mudanças conforme as necessidades dos clientes, com novas regulamentações a um novo espírito de tempo que tem como reflexo o aumento da preocupação com os impactos sociais nos negócios (BAKER, 2005). Dessa forma pode-se levar em consideração que o marketing ambiental é uma resposta das organizações para os consumidores verdes, portanto é necessário, através desse pensamento, refletir e buscar soluções para tentar minimizar ao máximo os impactos ambientais, visto que cada vez mais os hábitos dos consumidores estão mudando conforme acontecem as catástrofes, que estão relacionadas às mudanças da temperatura (KINLAW, 1997). É normal as organizações buscarem novas estratégias conforme forem mudando os hábitos dos consumidores, ou seja, as mudanças do mercado, para isso é basicamente usar da inovação, desenvolver uma maior qualidade, mas não UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 168 esquecendo da responsabilidade ambiental com a comunidade, esse é um meio de a organização criar uma imagem positiva sabendo que está preocupada com a sustentabilidade do planeta. NOTA O marketing ambiental está cada vez mais sendo utilizado pelas organizações, também pela preocupação com o meio ambiente. Na verdade, muitas organizações estão mudando mesmo antes dos governos tomarem alguma decisão, pois a comunidade em si está mudando seus hábitos, e as empresas, para sobreviverem, precisam identificar essa mudança de mercado. É fato que a questão ambiental está cada vez mais presente na vida das pessoas, que exigem produtos sustentáveis e que sejam o menos poluente possível, portanto as relações entre as empresas e a sociedade buscam melhorar o desenvolvimento da sustentabilidade. A tendência do marketing é “mais do que uma forma de sentir o mercado e adaptar produtos ou serviços – é um compromisso com a busca da melhoria da qualidade de vida das pessoas [...] (COBRA 1992, p. 29). Esse novo marketing deverá satisfazer todas as necessidades da sociedade com o mínimo de impacto possível que seja prejudicial ao meio ambiente (DIAS, 2007). Dias (2007) afirma que o marketing ambiental está forçando o profissional de marketing a buscar qualidade de vida no desenvolvimento sustentável, e não apenas olhar para os processos internos da produção ou externos em relação à sociedade. A preocupação com os efeitos ou impactos ambientas decorrentes da ação do homem no ambiente natural passou a merecer maior atenção a partir da década de 1950, motivada pela queda da qualidade de vida em algumas regiões do planeta. Surgiram movimentos ambientalistas em diversos países e foram criadas entidades não governamentais voltadas para a proteção ambiental. O tema poluição passou a ser discutido em conferências nacionais e internacionais (NASCIMENTO; LEMOS; MELLO, 2008, p. 57). De certa forma o marketing verde ou ambiental, seguindo os valores da sociedade em si, poderá garantir muitos benefícios para a organização, pois a preocupação está cada vez maior para diminuir os custos ambientais que muitas vezes são irreversíveis (NASCIMENTO, LEMOS; MELLO, 2008, p. 42). No quadro a seguir são apresentados alguns benefícios econômicos e estratégicos que uma gestão de marketing ambiental poderá favorecer a organização. TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 169 QUADRO 25 – BENEFÍCIOS ECONÔMICOS E ESTRATÉGICOS AO ADOTAR A GESTÃO AMBIENTAL Benefícios econômicos para a organização Economia de custos: • economias devido à redução do consumo de água, energia e outros insumos. • economias devido à reciclagem, venda e aproveitamento de resíduos e diminuição de efluentes. redução de multas e penalidades por poluição. • incremento de receitas. • aumento da contribuição marginal de "produtos verdes" que podem ser vendidos a preços mais altos. • aumento da participação no mercado devido à inovação dos produtos e menos concorrência. • linhas de novos produtos para novos mercados. • aumento da demanda para os produtos que contribuam para a diminuição da poluição. Benefícios estratégicos • melhoria da imagem institucional. • renovação do "portfólio" de produtos. • aumento da produtividade. • alto comprometimento do pessoal. • benefícios nas relações de trabalho. • benefícios e criatividade para novos desafios. • benefícios nas relações com os órgãos governamentais, comunidade e grupos ambientalistas. • acesso garantido ao mercado externo. • melhor adequação aos padrões ambientais. FONTE: Adaptado de North (1992) apud Donaire (1999) O marketing e as empresas estão vivendo um momento com ênfase na busca por um diferencial no mercado, estão envolvendo a necessidade de projetos sociais e ambientais. Os consumidores esperam encontrar qualidade ambiental nos produtos ou serviços que desejam adquirir (LAS CASA; GARCIA, 2007). No Marketing verde, os consumidores desejam encontrar a qualidade ambiental nos produtos e serviçosque adquirem. Percebemos assim que nenhum esforço por parte das empresas tem sentido, se os consumidores insistirem em continuar determinados bens que agridam a natureza (KOTLER, 2002, p. 94). Segundo Teixeira (2002) o marketing verde ou ambiental pode incorporar a preocupação ambiental em sua abordagem e contribuir para: • a conscientização ambiental por parte do mercado, • a preservação das espécies e seus habitats naturais, • a preservação dos recursos escassos, • a incorporação de características ambientais nos produtos. Em um mundo cada vez mais competitivo e com tendências que ocorrem de tempos em tempos, as organizações possuem a necessidade de reciclar, ou seja, o marketing deverá estar voltado para o que a sociedade deseja, principalmente quando a nova lei é a sustentabilidade, que está cada vez mais presente nos produtos e serviços que os consumidores demandam. A conscientização com o UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 170 cuidado com o meio ambiente cresce cada vez mais, no entanto, ainda existem países com governantes que pensam apenas no lucro, mas a certeza é que as pessoas estão mudando seus conceitos e muitas vezes retaliando empresas que não possuem valores com a sustentabilidade: As portas do mercado e do lucro se abrem cada vez mais para as empresas que não poluem, poluem menos ou deixam de poluir – e não para as empresas que desprezam as questões ambientais na tentativa de maximizar seus lucros e socializar o prejuízo (NOVAES, 1991, apud DONAIRE, 1999, pág. 34) É fato que as empresas, no futuro bem próximo, em que o lucro através da venda de produtos sustentáveis será uma mudança de valores tanto pelas empresas como pelos consumidores, compreenderão que a eco-qualidade será o diferencial para as organizações, e o marketing ambiental terá maior participação para promover produtos e serviços. 7 MARKETING TURÍSTICO O turismo é um dos serviços de marketing que mais tem crescido no mundo todo, portanto, é visto como um potencial modelo de negócio. Países que possuem história são visitados constantemente, principalmente na Ásia e na Europa. O turismo também tem como foco não apenas a visita em outros países, mas viagens de navio são modelos de negócio de turismo. Países pequenos, principalmente os caribenhos, têm em sua economia principal o turismo, e a visitação ocorre o ano todo por estarem na linha do equador e lá o verão dura o ano todo. Middleton (2002 p. 3) salienta que “turismo é qualquer atividade relacionada ao movimento temporário e de curto prazo de pessoas a destinos fora dos locais em que normalmente moram ou trabalham, e suas atividades durante a estada nesses destinos”. Segundo Dias (2005), o turismo tem grande potencialidade de crescimento, mas existem muitas variáveis que podem afetar o seu desenvolvimento, por exemplo: políticas, ambientais, sociais, culturais, psicológicas, entre outras. Por serem difíceis de serem controladas, o fluxo de visitantes, dependendo do que está ocorrendo, poderá aumentar, como poderá diminuir esse fluxo de pessoas. O turismo está integrado em diferentes setores do mercado que demandam interesse de visitação de outras culturas e pessoas. Middleton (2002) apresenta os diferentes setores: • Visitantes internacionais: residentes de países que não seja aquele sendo visitado e que viajam para fins de turismo, conhecido também como turismo receptivo. • Visitantes internacionais: Residentes de um país que viajam para visitar outros países para fins de turismo, também conhecido como turismo exportativo. TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 171 • Residentes: aqueles que visitam destinos dentro do seu próprio país e que viajam para fins de turismo, conhecido como turismo doméstico. Como se pode perceber, o turismo está empregado nas pessoas que escolhem seus destinos para fazer uma viagem, seja ela internacional, doméstica, com fins de lazer ou algo relacionado a negócios, no entanto, existem cinco setores principais para que o turismo de fato existe, sendo apresentados na figura a seguir: FIGURA 31 – SETORES DO TURISMO • Hotéis, motéis • Pensões • Fazendas • Apartamentos, casas, chalés, flats • Condomínios, resort • Lugarejos para veraneio/locais de férias • Centro de convenções/exposições • Locais de camping, com trailer móvel e ou estático • marinas • Parques temáticos • Museus e galerias • Parques nacionais • Parque de vida selvagem • Jardins • Centro de locais históricos • Centro de atividades de esporte • Centro de entretenimento/lazer, varejo temático • Festivais e eventos • Companhias aéreas • Companhia naval/barcas • Transporte ferroviário • Operadores de ônibus de turismo • Locadoras de automóveis • Operadoras de turismo • Atacadista/consórcio de viagens • Agentes de viagens varejistas • Organizadores de eventos • Escritórios de reservas (acomodoções) • Agências de viagens de incentivo • Organismos nacionais de turismo • Organizações de marketing de destino • Escritórios de turimso, estaduais e regionais • Escritórios locais de turismo • Associações turísticas FONTE: Adaptado de Middleton (2002, p. 12) Apesar de toda essa estrutura do mercado de turismo, um exemplo que ocorre em alguns países é a existência das ameaças terroristas, um dos países muitos prejudicados com essa situação é o Egito. No passado, o fluxo de visitantes era muito maior do que nos dias atuais. Outro país com problema que está passando no momento é a Turquia, e o turismo é uma atividade econômica muito comum nesses países. Às vezes, conflitos em países vizinhos também causam debandada do fluxo de pessoas. Existem grandes demandas para o turismo, muitas pessoas buscam para o seu lazer, negócios, descanso, entretenimento, recreação e cultura por um determinado período, geralmente em época de férias. UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 172 Boullón (2002) apresenta cinco modelos da demanda do turismo, como pode-se verificar a seguir: • A demanda real: tem como princípio perceber a quantidade real de turistas naquele local e momento, geralmente relacionado com o consumo dos serviços disponíveis que está sendo solicitado em dado momento. • A demanda turista real-consumidor potencial: está relacionada à adição dos gastos normais dos turistas, ou seja, o consumo vai além do que está pago com antecedência. • Demanda histórica: são os registros passados, com o intuito de identificar as tendências dos futuros visitantes. • A demanda futura: tem como relação observar os dados passados, e a partir dos dados presentes, prever o aumento, diminuição ou estagnação do movimento de visitantes em dado período. • Demanda potencial: possibilidade de iniciar um serviço de turismo em uma segmentação não explorada, e possibilitando o aumento do número de visitantes nos hotéis ou cruzeiros marítimos. O consumidor que vê no turismo uma forma de buscar suas necessidades e desejos envolve uma grande quantidade de características complexas de escolhas, observadas por Dias (2005 p. 108). • Envolve o deslocamento para fora do lugar de residência habitual do consumidor. • Envolve a disponibilidade financeira do consumidor que deseja consumir. • O produto envolve no consumidor um grau de importância e complexidade na escolha do destino. • Ao final da compra o grau da decisão equivale a algo desconhecido que envolve elementos como as incertezas e expectativas. Para o profissional de marketing é importante conhecer todos os aspectos do consumidor que deseja fazer turismo, pois ele, o turista, está comprando um serviço em que acredita que será uma excelente viagem, porém, muitas vezes, o local escolhido não irá agradá-lo ou que suas expectativas foram maiores do que a realidade. Um exemplo de turismo que dá certo é visitar os parques da Disney nos Estados Unidos, quem foi uma vez irá outras vezes. NOTA O turismo é uma parte do marketing que dá certo desde que seja bem feito, e que a visita que o consumidorirá fazer seja além das suas expectativas, TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 173 8 ENDOMARKETING As organizações sempre estão preocupadas em serem competitivas, no entanto, muitas estão apenas focalizando no produto ou serviço e geralmente esquecem do ambiente interno. O endomarketing é uma das atividades internas das empresas que são consideradas muito competitivas para auxiliar no crescimento, e que transformam funcionários e colaboradores em um modelo que apresenta a imagem institucional da organização, sendo muito saudável e com probabilidades positivas de sucesso. Segundo Matos (2014), a palavra endomarketing é originária do grego visto que “endo” tem o significado de “ação no interior”, ou seja, ação para dentro. Portanto, endomarketing é uma ferramenta do marketing institucional usada para ações da comunicação para consolidar uma boa imagem aos funcionários e seus familiares. No quadro a seguir são apresentados alguns conceitos e objetivos que estão geralmente em função do endomarketing nas organizações, visando ao marketing para dentro da empresa. QUADRO 26 – CONCEITOS E OBJETIVOS DO ENDOMARKETING Autores Conceitos Palavra-Chave Boone e Kurtz (2011, p. 52) ‘Ações administrativas que ajudam todos os funcionários da empresa a compreender e aceitar seus respectivos papéis na implementação da estratégia de marketing’. Atividades administrativas Brum (1994, p. 22) ‘Endomarketing é, portanto, uma das principais estratégias de gestão de pessoas nas empresas que buscam não apenas sucesso em termos de mercado, mas a preservação da imagem’. Gestão estratégica nas pessoas Dalpiaz (2002, p.9) ‘No endomarketing essa forma de retenção e de atração do cliente interno da empresa (funcionário) é feita da mesma forma que no marketing externo, as ações são direcionadas para a massa, isto é, para o grande público’. Permanência e continuidade em atrair os funcionários. FONTE: O autor UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 174 Como se pode perceber no quadro anterior, o endomarketing está focado no ambiente interno da organização, principalmente, nos funcionários e colaboradores, buscando estratégias para minimizar conflitos, melhorando as atividades administrativas em prol da satisfação dos colaboradores e funcionários. O gerenciamento do pessoal tem o intuito de manter e atrair esses funcionários, para auxiliar na imagem da organização, no entanto, para isso a empresa deverá ter uma gestão de pessoal e cargos e salários que faça o funcionário estar satisfeito no ambiente da empresa, e consequentemente, haverá um retorno benéfico para o consumidor final. NOTA O endomarketing é usado para melhorar a imagem interna das organizações juntamente a seus funcionários, para tanto, são necessários treinamentos, ações para motivação, gestão de pessoas, entre outras ferramentas para manter os funcionários motivados, essa questão é tratada na disciplina de Gestão de Pessoas. Esse título fui incluído para o profissional de marketing ter ideia de que, além da criação marketing externo, ele também deverá ter a preocupação em manter uma harmonia no ambiente interno da organização. Além de melhorar a comunicação do público interno da organização, o endomarketing é um processo que auxilia no desenvolvimento do atendimento ao mercado externo, melhorando sua competitividade a partir da inserção dos colaboradores à estrutura organizacional. Com o endomarketing, o objetivo da organização é estabelecer um processo de motivação aos funcionários transferindo dignidade, responsabilidade e, principalmente, liberdade de iniciativa (BEKIN, 1995). Para que o processo de motivação seja eficiente são necessários alguns instrumentos, conforme apresentado a seguir: • criar parcerias, com a cooperação e a lealdade. • reconhecimento do funcionário dentro de seu grupo. • assimilar os valores baseados nos objetivos da empresa. • contribuir ao contínuo de uma atitude baseada em valores compartilhados. • gratificações e prêmios dirigidos ao grupo para que todos se beneficiem dos resultados positivos. • criar um ambiente dentro da empresa que gera interação. • comprometimento dos colaboradores no planejamento e na tomada de decisões. • encorajar a iniciativa e a atitude criativa. • conceder poderes de acordo com a natureza da função exercida. • remuneração adequada. Bekin (1995) apresenta três premissas que a organização deverá seguir para conquistar seu cliente externo com o endomarketing. TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 175 • O consumidor somente será conquistado e retido através de uma prestação de serviço excelente. • Os colaboradores perspicazes e valiosos constituem o primeiro mercado para a organização, logo, também devem ser tratados como consumidores e principalmente valorizados. • A execução com qualidade na realização dos serviços significa um gerenciamento de recursos humanos que envolve e compromete os colaboradores com os objetivos e decisões da empresa. A valorização do funcionário é o primeiro passo para que os processos de atendimento com qualidade sejam realizados de forma eficiente e eficaz, portanto, o endomarketing é necessário em qualquer ramo de negócio, e para um atendimento externo de excelência é necessário garantir a satisfação do cliente interno, no caso o funcionário. LEITURA COMPLEMENTAR Quatro exemplos de ações de endomarketing utilizadas por grandes empresas Por: Katie Fachini, postado em 6 de outubro de 2015 em Planejamento de Marketing 0 1 Ações de engajamento, campanhas motivacionais, palestras educativas, treinamentos direcionados, café da manhã com o presidente da empresa, eventos, comemorações de resultados… São exemplos de ações de endomarketing que as empresas utilizam. Para muitas organizações, estas atividades fazem parte da estratégia em busca de melhorar o relacionamento com seu principal público: os funcionários. No entanto, o endomarketing não se resume a ações isoladas ou apenas motivacionais e, de maneira alguma, deve ser utilizado só em momentos de dificuldades. O planejamento de endomarketing deve ser elaborado a partir dos valores da companhia e ser muito bem estruturado para alcançar seu real objetivo. Grandes empresas como Citibank, Google, Apple e Best Buy, têm ótimos exemplos de ações de Endomarketing e percebem a importância de desenvolver ações ligadas ao seu DNA e que contribuam para a construção de um bom ambiente para se trabalhar, estimulando os funcionários e aumentando a produtividade. Veja quatro exemplos de ações de Endomarketing que demonstram como é possível, com criatividade e um pouco de simplicidade, realizar grandes mudanças e produzir resultados extraordinários. UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 176 1 – Portobello – Divulgação lúdica e transparente do Plano de Carreira A Portobello, uma das maiores fabricantes de revestimentos cerâmicos da América Latina, com sede em Tijucas, Santa Catarina, precisava mostrar de forma clara e lúdica o novo plano de carreira da empresa e as possibilidades de desenvolvimento. Desta forma, criou um planejamento de endomarketing para esta divulgação. A seguir, o relato do case. O Programa de desenvolvimento e crescimento promove a cultura de desenvolvimento e crescimento pessoal e profissional dentro da empresa, com transparência e clareza no processo. O programa esclarece os passos de desenvolvimento e pré-requisitos para o crescimento na carreira. Para o seu lançamento, em 2010, a área de endomarketing realizou uma campanha de divulgação com o objetivo de sensibilizar os colaboradores, mostrando de forma lúdica os benefícios práticos da qualificação. No lançamento foram criados gibis. As histórias em quadrinhos narraram todo o processo do programa e as ações para evoluir no plano de carreira, onde a base para o crescimento é o desenvolvimento. Os personagens da história interagiam com os próprios líderes da empresa,que foram desenhados em caricaturas e transformados em personagens de quadrinhos. A cada novo gibi, novos líderes e novas histórias eram selecionados. Para complementar, foram elaboradas também cartilhas explicativas e um grande jogo de tabuleiro, contendo as regras das carreiras, com os degraus de crescimento, comportamentos positivos e negativos. O tabuleiro foi usado com as próprias pessoas jogando, em treinamentos em grupos para todos os funcionários. Desta forma, os objetivos e o funcionamento do programa foram traduzidos em linguagem simples, interativa e vivencial, reforçando o comportamento da transparência. No período de 2010 a 2014, após a implantação do programa, a produtividade da mão de obra apresentou um crescimento de 31%”. FONTE: Carolina Neotti, coordenadora da comunicação durante a implantação do programa. 2 – A Best Buy cria rede social interna e reduz o turnover A Best Buy, empresa norte-americana de venda virtual de produtos eletrônicos, criou um canal de comunicação interna para que os funcionários, a maioria jovens, se comunicassem entre si, como uma grande rede social interna. O resultado agradou a todos e o turnover da empresa baixou significativamente. A companhia desenvolveu um canal de comunicação de duas vias, no qual o funcionário pode se comunicar livremente com todos, independentemente da hierarquia. Ao mesmo tempo, o espaço se tornou um canal informativo e motivacional para todos os funcionários. Veja o case. TÓPICO 1 | OS CONTEXTOS DO MARKETING 177 A Best Buy batalhava para reduzir o índice de rotatividade de colaboradores, que rondava os 60%. Analisando que grande parte dos profissionais que abandonavam a companhia eram jovens, a empresa começou a traçar um caminho que levou a uma grande ação de endomarketing. Depois de investir em pesquisas internas para conhecer melhor suas equipes e entender seus anseios, a companhia criou uma rede social chamada Blue Shirt Nation, um espaço virtual para que todos os colaboradores se relacionassem de forma direta e integrada. Como resultado, conquistou uma queda significativa em seu índice de rotatividade: de 61% para uma média que varia entre 8% e 12%. Depois da criação desta rede na web, todos os funcionários passaram a ser chamados de Blue Shirt e a produtividade só aumentou. Com participação bastante ativa, a rede tornou-se o local ideal para trocar informações, experiências, dicas de vendas e negócios, resolver pequenos problemas, dar e receber feedbacks e muito mais. Uma ação de endomarketing que cresceu de forma orgânica agradando os colaboradores e, assim, fazendo com que eles sentissem orgulho em trabalhar para a Best Buy. FONTE: site – atabuleiro.com.br 3 – Citibank – Campanha “orgulho de pertencer” O Citibank, empresa global com mais de 200 anos e atendimento a clientes em qualquer parte do mundo, realizou uma campanha de motivação com o objetivo de expressar o orgulho de pertencer de seus funcionários. Com a campanha de endomarketing intitulada “Sou Mais Citi”, a empresa recebeu o prêmio global Citi Marketing Award 2009. A campanha foi eleita a melhor entre 136 inscritas. Durante um período de dez dias, mais de 400 funcionários foram fotografados com a mão sobre o peito, local onde posteriormente se aplicou o arco do Citibank. Junto à imagem, o slogan: Sou Mais Citi. As fotos foram usadas em materiais de comunicação interna do banco e provocaram surpresas nos funcionários ao se verem na campanha e nos materiais publicitários. A ação, que era para ser apenas no Brasil, fez tanto sucesso que foi implantada em mais quatro países: Colômbia, Honduras, Equador e Peru. FONTE: rsdirect.com.br 4 – MRS Logística – reestruturação no processo de comunicação interna A MRS Logística, operadora ferroviária de carga que administra uma malha de 1.643 quilômetros nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo e está entre as maiores ferrovias de carga do mundo, realizou um diagnóstico UNIDADE 3 | O PERFIL ATUAL DO MARKETING E O NOVO PERFIL DO MARKETING 178 para levantar a percepção e o sentimento dos colaboradores em relação à forma como estava se comunicando com eles. O diagnóstico de endomarketing foi realizado por meio de grupos focais entre diversas equipes de colaboradores, em diferentes unidades e níveis de hierarquias. O objetivo era verificar um novo processo de comunicação com os funcionários, mais eficiente, que promovesse o interesse pela informação e que despertasse o orgulho de pertencer. Como resultado, foi criado um Planejamento de endomarketing, com diversas ações ao longo do ano. Foi definido um posicionamento interno que representasse o objetivo do processo. O slogan “Seu orgulho, nossa força” passou a assinar todos os canais de comunicação interna e novas campanhas. Além disso, foram criados novos canais de comunicação interna e revisados os canais existentes, estabelecendo atributos para cada um deles e definindo qual segmento do público interno deveriam atingir. Como resultado, em menos de um ano os índices de satisfação e de felicidade no trabalho, medidos na pesquisa “As Melhores Empresas para Você Trabalhar”, das revistas Você S/A e Exame, aumentaram em média sete pontos percentuais. Também decorrente das estratégias adotadas em endomarketing, em dois anos a empresa comemora a redução em 47% dos acidentes ferroviários e em 58% nos de trabalho. Hoje o Planejamento de Endomarketing faz parte das estratégias fundamentais da companhia. Fonte: Sorria, você trabalha aqui, de Analisa de Medeiros Brum <http://www.yannismarketing. com.br/4-exemplos-de-acoes-de-endomarketing-utilizadas-por-grandes-empresas/> Acesso em 26 out 2017 Conclusão Mostramos quatro exemplos de ações de endomarketing com diagnósticos e soluções diferenciadas. No endomarketing, a criatividade não tem limite e tudo precisa estar interligado com a cultura e os valores da empresa. Escrito por: Equipe Yannis FONTE: Disponível em: <http://www.yannismarketing.com.br/4-exemplos-de-acoes-de- endomarketing-utilizadas-por-grandes-empresas/> Acesso em: 2 jul. 2017 179 Neste tópico, você aprendeu que: • Como se pode observar, nesse tópico foram apresentados os contextos de vários modelos de, ou seja, o profissional de marketing poderá atuar em várias áreas do marketing, dependendo da sua afinidade com os mais diversificados conceitos. • Vale lembrar que cada contexto apresentado possui suas exclusividades, para tanto, o profissional de marketing deverá fazer uma escolha e buscar qual melhor segmento se encaixa, dependendo dos seus gostos. • Tudo começa com seu marketing pessoal, pois trata da pessoa, do seu “eu” e é quando tudo começa a levar em relação à busca por networking para alavancar a vida profissional, seja ela dentro de uma organização ou a convite para outra. • Temos o marketing esportivo, que busca melhorar a imagem de um determinado evento esportivo, ou de um esportista. Esse modelo de marketing é muito importante para grandes eventos, como Olimpíadas, Copa do Mundo de Futebol, Fórmula 1 e os mais variados esportes dos EUA que o povo americano aprecia, como no Brasil o futebol, nesse caso o “Brasileirão”, como conhecemos. • A partir disso temos ainda o marketing cultural, ambiental, institucional, ético, entre outros, que fazem parte de todo um processo que busca melhorar a imagem da organização, portanto, pode-se perceber que o marketing não é apenas a apresentação de um produto ou serviço, mas sim na busca pela competitividade, necessidades e desejos, sustentabilidade que agregará na comunidade em geral o bem-estar e com a finalidade de estar fazendo a coisa certa para as pessoas. • Por fim, o endomarketing trata das pessoas que fazem parte da organização. Por mais que o processo esteja dentro da organização, é importante, pois nenhum consumidor deseja ser atendido por uma pessoa com má vontade. Portanto, para a organização ter sucesso é importante a empresa estar ciente de que para crescer e manter sua imagem