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88 H S M M a n a g e m e n t 1 9 m a r ç o - a b r i l 2 0 0 0 A estrutura estratégica mais influente no mundo empresarial atual, defendida por Michael Porter, baseia-se em duas maneiras excludentes de competir no mercado: baixo custo e diferenciação. Uma empresa pode atingir a primeira ao reduzir drasticamente seus custos ou escolher a segunda criando algo que seja percebido como singular em todo o setor. Conforme o professor Arnoldo Hax e o consultor de empresas Dean Wilde II, essa estrutura não explica as bem-sucedidas estratégias de duas empresas atuais: 1) a estratégia da Microsoft, que, até 1998, criou US$ 270 bilhões de valor de mercado, além da dívida e do patrimônio, com um posicionamento competitivo diferenciado, sustentado pelo universo econômico de seu sistema como um todo, e 2) a estratégia da MCI WorldCom, que em pouco mais de dez anos atingiu US$ 100 bilhões de valor de mercado, com cerca de US$ 30 bilhões de faturamento anual, com uma política de aquisições dedicada à criação de soluções para seus clientes –desde sua fundação em 1985, ela adquiriu mais de 30 empresas, entre as quais a brasileira Embratel. Pensando nisso, Hax e Wilde fizeram uma pesquisa com cem empresas dos EUA durante quatro anos e concluíram: a estrutura de Porter não abrange todas as maneiras pelas quais as empresas competem no ambiente atual. Elaboraram um novo modelo estratégico, que batizaram de “Modelo Delta”, baseado em três opções estratégicas –a Microsoft teria o posicionamento estratégico de lock-in de sistema, a MCI se enquadraria em soluções para os clientes e há a opção de melhor produto. O Modelo Delta tem grandes diferenças em relação às teorias anteriores, afirmam seus criadores, tais como o fato de definir posicionamentos estratégicos que refletem fundamentalmente novas fontes de lucratividade, alinhar essas opções de estratégia às atividades (aos processos) de uma empresa e introduzir processos de adaptação capazes de responder continuamente a um ambiente de incertezas. O quadro da página 96 mostra os quatro estágios de adoção da estratégia, válidos para qualquer uma das três opções de posicionamento. Uma estrutura que alinha as atividades do dia-a-dia à estratégia e prevê a capacidade de adaptação atende melhor o mundo em transformação. Por Arnoldo C. Hax e Dean L. Wilde II ES TR AT ÉG IA Há quatro anos, demos início a um diálogo com diretores de empresas e professores da Sloan School of Management para identificar os principais desafios que viam pela frente. Em resultado, obtivemos um retrato consistente de um mundo que vem exigindo definições mais precisas, já que os modelos empresariais atuais deixaram de oferecer os subsídios necessários para a tomada de decisões. O único denominador comum é a mudança, constante e inexorável. Chamadas de “Projeto Delta”, as discussões sedimentaram nossas reflexões sobre como responder efetivamente a esses desafios e encontrar um novo padrão de empresa, batizado de “Modelo Delta”. Ele se baseia em uma estrutura diferente de negócios e apresenta processos de adaptação que podem ajudar os executivos a lidar com os novos desafios de complexidade, incerteza e mudanças. Esse novo modelo é representa- do por um triângulo, que reflete as muitas maneiras de competir na economia atual (veja quadro na página 91), oferecendo três opções de estratégia: Opção 1: melhor produto; Opção 2: soluções para o cliente; Opção 3: lock-in do sistema, ou do sistema fechado. Melhor produto. Relaciona-se com as formas clássicas de concorrência Modelo Delta Arnoldo C. Hax é professor de administração de empresas da Sloan School of Management do Massachusetts Institute of Technology (MIT), de Cambridge, Massachusetts, EUA. Dean L. Wilde II é presidente da firma de consultoria empresarial Dean & Company, dos EUA. 89 ➙ H S M M a n a g e m e n t 1 9 m a r ç o - a b r i l 2 0 0 0 S to ck P ho to s Essa companhia pode diferen- ciar-se ao aprimorar as característi- cas do produto, a fim de agregar valor para o cliente. E pode conse- guir a diferenciação por meio de tecnologia, imagem da marca, características adicionais ou servi- ços especiais. Toda opção de estratégia procura o estreitamento de laços com o cliente, que se reflete num custo de mudança significativo. Optando pela estraté- gia de melhor produto, as empre- sas criam laços com os clientes por meio da superioridade intrínseca de seu produto ou serviço. Ações importantes com esse fim são o lançamento rápido de produtos e o estabelecimento do chamado desenho dominante. Soluções para o cliente. Essa opção baseia-se em uma oferta mais ampla de produtos e serviços que satisfaça a maioria das necessidades do cliente, quando não todas elas. O foco aqui está no universo econômi- co do cliente e não do produto. A empresa pode oferecer uma ampla gama de produtos e serviços perso- nalizados de acordo com as necessi- dades específicas do cliente. Nesse sentido, a medição de desempenho mais relevante dessa opção é a participação do cliente no merca- do. Os laços com o cliente, obtidos pela grande proximidade com ele, permitem à empresa prever as necessidades e trabalhar conjunta- mente com o cliente para desen- volver novos produtos. O relacio- namento é aprimorado com o aprendizado e a personalização. O aprendizado tem duas conse- quências: 1) o investimento que o cliente faz para aprender como usar um produto ou serviço pode representar um custo de mudança significativo e 2) o conhecimento das necessidades do consumidor aumenta a capacidade da compa- nhia de satisfazer os desejos dele. Ambos possuem um impacto positivo sobre o relacionamento final. Frequentemente, essa opção de estratégia exige o desenvolvi- mento de parcerias e alianças, que podem incluir outros fornecedores, concorrentes e clientes, unidos por por meio de baixo custo ou dife- renciação. Seus impulsionadores econômicos relevantes concen- tram-se em um produto ou serviço. A empresa pode conseguir custos menores ao se lançar em uma economia de escala, na simplifica- ção dos produtos e processos e em uma participação no mercado significativa a ponto de lhe permi- tir explorar os efeitos da experiên- cia e do aprendizado. 90 H S M M a n a g e m e n t 1 9 m a r ç o - a b r i l 2 0 0 0 sua capacidade de complementar uma oferta ao cliente. Lock-in do sistema. Esta opção abrange um espectro o mais amplo possível. Em vez de concentrar-se no produto ou no cliente, a empre- sa leva em consideração todos os participantes importantes do sistema que contribuem para a criação do valor econômico. Nesse posicionamento estratégico, os laços entre fornecedor e cliente desempenham seu papel mais fundamental. A empresa preocupa- se particularmente em estimular, atrair e manter os chamados “complementares”, assim como os participantes normais do setor (o complementar não é um concor- rente, mas um fornecedor de produtos e serviços que aprimoram a oferta de uma empresa). É o caso das empresas de hardware e software, dos fabricantes de equipamentos de som de alta fidelidade etc. O crucial aqui é Na posição lock-in do sistema, em vez de concentrar-se no produto ou no cliente, a empresa leva em conta todos que contribuem para a criação do valor MELHOR PRODUTO SOLUÇÕES PARA O CLIENTE LOCK-IN DO SISTEMA CARACTERÍSTICAS DAS 3 OPÇÕES DE POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO Descaracterizado: Baixo custo Cheio de qualidades: Diferenciado Produto: Participação no mercado Conexão com o produto: O primeiro no mercado Projeto dominante Ampla gama de produtos: Pacotes Desenvolvimento conjunto Terceirização Cliente: Participação do cliente Conexão com os clientes: “Captação” do cliente Aprendizado Personalização Estimular os complementares: Variedade e número Arquitetura aberta Sistema: Participação do complementar Conexão com o sistema: Afastamento do concorrente Padrões próprios A lc an ce Es ca la L aç os CARACTERÍSTICAS DAS 3 OPÇÕES DE POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO observar a arquitetura geral do sistema: como a empresa pode ganhar ao se complementara fim de manter afastados os con- correntes e atrair os clientes? O ponto máximo dessa iniciativa é tornar-se a dona do padrão vigente no mercado, ou, no jargão dos negócios, ser detentora do padrão. Embora essas opções, na reali- dade, não sejam excludentes e a empresa possa decidir adotar uma estratégia mista, é útil considerá- las maneiras distintas de competir, com diferentes alcances, escalas e laços de relacionamento (veja também quadro abaixo). Alcance. Aumenta significativa- mente à medida que passamos da opção de melhor produto para lock-in do sistema. Em um extremo da opção de melhor produto, que é a tradicional escolha do baixo custo, o alcance é reduzido ao mínimo. O alcance aumenta para incluir características no produto à medida que a empresa encontra o melhor posicionamento deste. Expande-se ainda mais além do produto incluindo as atividades do cliente na opção de soluções voltadas para este. A empresa finalmente atinge o espectro mais amplo possível, com a opção de lock-in do sistema, quando inclui os complementares. Escala. É um fator estratégico importante, cuja medida normal- mente é o nível de participação do produto no mercado, o que é adequado quando se avalia o posi- cionamento do melhor produto. No caso de soluções para o consu- midor, a empresa deve levar em conta sua participação nas compras desse cliente. Para um posiciona- mento de lock-in do sistema, a participação da empresa com- plementar é a consideração mais crucial. Laços de relacionamento. Fundamentalmente, dizem respei- to às forças que unem o produto ou serviço ao cliente. Na opção de melhor produto, eles ocorrem de acordo com as características do produto em si. O posicionamento de soluções para o cliente chega a eles por meio do aprendizado e da personalização. No posiciona- mento de lock-in do sistema, o 91 ➙ H S M M a n a g e m e n t 1 9 m a r ç o - a b r i l 2 0 0 0 importante é o padrão próprio, que é uma força fundamental para impulsionar a lucratividade e a sustentabilidade. Processos de adaptação: da estratégia à execução Ao descrever as três posições estratégicas fundamentais, apre- sentamos o mecanismo para definir a visão de uma empresa –o primeiro grande desafio do mundo atual. O segundo grande desafio é ir da estratégia à execução. O fracas- so das estratégias deve-se mais a uma execução ineficaz do que ao mau delineamento. É comum os processos básicos da atividade empresarial não condizerem com a estratégia. Nos últimos dez anos, proliferaram as chamadas “melho- res práticas” de negócios –inclusive qualidade total, reengenharia, melhoria contínua, benchmarking, competição baseada no tempo e produção flexível–, voltadas basicamente para o aumento da eficácia operacional da empresa. Na teoria e na realidade, essas práticas estão desvinculadas da estratégia. Em decorrência disso, contribuem para criar um padrão de “commoditização”, na medida em que as empresas imitam umas às outras, impedindo assim uma posição estratégica verdadeiramen- te diferenciada. O Modelo Delta começa pela escolha de uma posição estratégica diferenciada e depois exige a integração dos processos coletivos, e não por determinado processo empresarial, como a eficácia operacional. É o restante dos processos fundamentais que cria uma posição competitiva singular e sustentável. tarefas operacionais primárias; 2. alinhar o papel desses processos à posição estratégica desejada; 3. buscar a integração desses processos para gerar uma ação unificada, e 4. incorporar mecanismos de feedback como parte central de cada processo, a fim de assegurar a flexibilidade e a mudança em um mercado incerto. Os três processos de adaptação Identificamos três processos fundamentais sempre presentes no dia-a-dia da empresa: 1. Eficácia operacional. Forneci- mento de produtos e serviços ao cliente. Em seu sentido mais amplo, este processo inclui todos os elementos da cadeia de forneci- mento. Seu foco principal é produ- zir a infra-estrutura de custos e ativos mais eficaz para sustentar a posição estratégica desejada da empresa. É o cerne da máquina produtiva e a fonte de capacidade e eficiência. Embora seja comum a todas as empresas, assume grande O TRIÂNGULO: TRÊS OPÇÕES DIFERENTES DE ESTRATÉGIATRÊS OPÇÕES DIFERENTES DE ESTRATÉGIA Estratégia de melhor produto Concorrência baseada na microeconomia do produto: baixo custo ou posicionamento diferenciado Estratégia de soluções para o cliente Concorrência baseada na microeconomia do cliente: redução dos custos do cliente ou aumento dos lucros Estratégia de lock-in do sistema Concorrência baseada na microeconomia do sistema: amarração dos complementares, afastamento do concorrente, padrão próprio A complexidade e a incerteza do mercado são um problema para a implantação de qualquer plano. A única premissa que permanece válida ao longo do tempo é a de que as outras premis- sas mudarão. A estratégia necessita uma adaptação contínua e, portan- to, a implantação em si precisa ser resultado das mudanças do mercado e de uma compreensão melhor do mercado. Essa com- preensão torna-se clara somente durante a implantação. No Modelo Delta, os processos de adaptação ligam a estratégia à execução ao: 1. descobrir os processos-chave do negócio que são o repositório das Essas três opções devem ser vistas como maneiras distintas de competir, com diferentes alcances, escalas e laços de relacionamento 92 H S M M a n a g e m e n t 1 9 m a r ç o - a b r i l 2 0 0 0 S to ck P ho to s importância quando uma empresa escolhe a posição estratégica de melhor produto. 2. Foco no cliente. É representado pelas atividades que atraem, satisfazem e mantêm o cliente. Este processo assegura o gerenciamento das relações com o cliente da maneira mais eficaz, além de identificar e selecionar clientes atraentes e melhorar o desempe- nho do cliente, quer reduzindo sua base de custos, quer aumentando seu fluxo de receitas. No fundo, este processo estabelece a melhor infra-estrutura de receitas para a empresa. Embora o foco no cliente seja crítico para todas as empresas, é importantíssimo quando a posição estratégica for a de solu- ções totais para o cliente. 3. Inovação. Um fluxo contínuo de novos produtos e serviços para manter a viabilidade futura do negócio. Este processo mobiliza todos os recursos criativos da em- presa, inclusive capacitação técni- ca, de produção e de marketing, para desenvolver uma infra-estru- tura inovadora. O cerne deste processo é a renovação da empresa para manter sua vantagem compe- titiva e um desempenho financeiro superior. Embora a preservação da capacidade inovadora seja fundamental para todas as empre- sas, torna-se crucial quando a posição estratégica for a de lock-in do sistema. Alinhamento dos processos de adaptação à estratégia O triângulo que abordamos anteriormente é o motor que aciona a seleção do posicionamen- to estratégico, que, por sua vez, define o papel de cada processo adaptativo. As atitudes da empresa precisam ser condizentes com sua posição estratégica e os resultados devem dar um feedback para que a estratégia seja adaptada. Essa é a essência do gerenciamento adapta- tivo. Coerência, adequação e feedback são os princípios norteado- res. Não só o papel de cada proces- so precisa ser adaptado a cada opção de estratégia, como também as prioridades em relação a cada um são afetadas. Em seguida, examinaremos o papel de cada processo de adaptação na sustenta- ção de cada posição estratégica da empresa. Eficácia operacional Quando a eficácia operacional sustenta uma estratégia de melhor produto, é imperativo reduzir os custos do produto prestando-se atenção especial nos impulsiona- dores desses custos. Contudo, no caso de soluções para o cliente, a eficácia operacional também O Modelo Delta atende bem a complexidade ao fornecer uma rica estrutura às empresas que associam as opções de estratégia a suas atividades, sem o risco de simplificar as decisões 94 H S M M a n a g e m e n t 1 9 m a r ç o - a b r i l 2 0 0 0 S to ck P ho to s O que é importanteé o valor do sistema com a criação de padrões, os investimentos feitos pelos complementares e sua integração para melhorar o desempenho geral. Foco no cliente Ao sustentar uma posição de soluções para o cliente, as empre- sas procuram concentrar-se em clientes-chave –oferecendo um pacote de soluções, sozinhas ou por meio de alianças. Isso frequen- temente as obriga a concentrar-se em mercados verticais e a recorrer a produtos personalizados, confor- me necessário. A propriedade do canal em si torna-se uma questão importante, a fim de se adquirir maior conheci- mento do cliente e ter mais acesso a ele. Por exemplo, em 1993, a Merck, companhia farmacêutica líder em pesquisas, adquiriu a Medco, importante distribuidora de medicamentos genéricos. Isso fez com que a Merck obtivesse a maior lista de encomendas por correio, tivesse acesso a uma distribuição singular e conseguisse um banco de dados com pacientes, médicos e listas de fórmulas registradas. Ao integrar um sistema, os principais clientes-alvo são os complementares, para que a empresa possa consolidar a posição de integração e neutralizar as iniciativas dos concorrentes. Em suma, o cliente visado é fundamen- talmente diferente nessas três opções. Às vezes, o consumidor final ou usuário do produto, embora importante, não é o alvo estratégico. Por exemplo, todos nós sabemos que os clientes da Micro- soft não a amam unanimemente. O poder do detentor dos padrões de sistemas dá ao usuário final poucas escolhas. Inovação Na hora de sustentar a estraté- gia de melhor produto, a renova- ção do negócio é vista como um modo de se obter um fluxo contí- nuo de produtos, normalmente abrange as ligações horizontais entre produtos no pacote ofereci- do. A meta fundamental é melho- rar a microeconomia do cliente, mesmo que isso possa aumentar os custos do produto. O respectivo foco no custo é o impacto combi- nado sobre o negócio do cliente e da empresa. Na estratégia de lock-in do sistema, o custo do produto talvez seja o de menor relevância entre todas as posições. 95 ➙ H S M M a n a g e m e n t 1 9 m a r ç o - a b r i l 2 0 0 0 compartilhando uma plataforma comum. Se realmente bem- sucedida, essa inovação levará ao estabelecimento de um projeto dominante que representa a base mais forte para a vantagem tos conjuntos com os principais clientes. Nesse sentido, o processo de adaptação tem importância central não só para criar futuros clientes, como também para manter os atuais. Além disso, As medições são fundamentais para o Modelo Delta; elas mapeiam o caminho para a implementação da posição estratégica desejada e são o cerne da adaptação. Infeliz- mente, a maioria das empresas tem limitações para identificar e rastrear medições eficazes de desempenho, por duas razões básicas: Primeiramente, as medições dependem demasiadamente de dados financeiros e contábeis, que explicam como foi o desempenho da empresa, mas dão poucos MELHOR PRODUTO SOLUÇÕES PARA O CLIENTE LOCK-IN DO SISTEMA subsídios a respeito do desempe- nho futuro –para prevê-lo, é necessário rastrear o desempenho levando em conta os processos de adaptação, que são as iniciativas que possibilitam a estratégia. Mais importante ainda, as medi- ções precisam estar claramente comprometidas com a posição estratégica. A agregação é a segunda razão pela qual as medições convencio- nais são inadequadas. A maioria dos altos executivos possui infor- mações baseadas em valores agregados e médias de caráter muito amplo. Contudo, a pesquisa mostra que a variação existente por trás das médias aponta a causa básica ou os impulsionadores fundamentais de custos, receitas e lucros. Administrar pela média leva a um desempenho abaixo da média. Por isso, a solução está nas me- dições granulares, ou seja, nas avaliações sob medida para cada posicionamento estratégico confor- me o processo de adaptação. Veja a seguir: S E G M E N T A Ç Ã O G R A N U L A R Desempenho de custo Custo unitário Custo de ciclo de vida Custo variável e total Impulsionadores de custo Desempenho de qualidade Grau de diferenciação Participação do produto no mercado Custo do canal Lucro do produto Por tipo de produto Por oferta, por canal Impulsionadores de lucro Ritmo de lançamento de produtos Tempo até chegar ao mercado Porcentagem das vendas dos produtos novos Custo do desenvolvimento do produto P&D como porcentagem das vendas Cadeia de valor do cliente: custo total Receita total e lucro Impulsionadores econômicos do cliente Impacto sobre o lucro do cliente devido a atendimento versus concorrentes Participação do cliente Retenção do cliente Lucratividade por cliente, por produto e segmento Ligação com o cliente, custos da mudança Envolvimento relativo na cadeia de valor do cliente Porcentagem de desenvolvimento do produto Desenvolvimento conjunto Personalização Grau de âmbito do produto Pacote atual versus potencial Descrição da infra-estrutura do sistema Custos/receitas totais do sistema Investimentos e lucros do complementar Custos do complementar para adotar o padrão Impulsionadores do desempenho do sistema Participação do sistema no mercado Participação dos complementares Porcentagem do investimento comprometida com o padrão próprio Lucro por complementar Custos da mudança para os complementares e os clientes Ritmo de desenvolvimento de produtos Custo para os concorrentes para reproduzir o padrão Ef ic ác ia o pe ra ci on al (Im pu lsi on ad or es d e cu st o) Fo co n o c lie n te (Im p u ls io n ad o re s d e lu cr o ) In o va çã o (Im p u ls io n ad o re s d e re n o va çã o ) competitiva sob a estratégia de melhor produto. No caso da estratégia de soluções para o cliente, a inovação desempenha um papel importante no desenvol- vimento bem-sucedido de produ- S E G M E N T A Ç Ã O G R A N U L A R 96 H S M M a n a g e m e n t 1 9 m a r ç o - a b r i l 2 0 0 0 o cliente é a principal fonte de inovação e não os laboratórios convencionais de pesquisa e desenvolvimento. O papel da inovação no lock-in do sistema é, talvez, mais crítico do que em qualquer outra opção de estratégia. Normalmente, a tecno- logia é responsável pelo projeto da arquitetura que gerará o padrão do sistema, permitirá a propriedade desse padrão e impedirá que ele seja copiado ou se torne obsoleto. Como já mencionamos, é mais provável obter um padrão se a arquitetura se basear em interfaces abertas. Nesse caso, é a inovação dos complementares que sustenta o padrão. A Hitachi e a NEC, por exem- plo, estão entre os principais produtores de semicondutores para memórias de pronto acesso dinâmicas (DRAM), segmento que se caracteriza por ciclos curtos de vida do produto e preços cada vez mais baixos. Para ter sucesso, a cada um ou dois anos essas empre- sas desenvolvem novos chips que utilizam tecnologia quatro vezes melhor do que os da geração anterior, em instalações que custam mais de US$ 1 bilhão para ser � Cada uma das três posições estratégi- cas passa por quatro estágios: Estágio 1: projeto dominante Os clientes são atraídos por um produto porque ele realmente se destaca de modo singular nos requisitos que mais lhes im- portam. Se o posicionamento for de baixo custo, o baixo custo leva à fidelidade. Se o posicionamento for de diferenciação, as características ou os serviços que acompa- nham o produto podem reter o cliente. Estágio 2: reter o cliente Pode-se, por exemplo, aprimorar as características inerentes do produto ao oferecer assistência adicional, o que o torna mais adequado e atraente e, assim, mais difícil de abandonar, dessa maneira retendo o cliente com a empresa. Estágio 3: afastar a concorrência Quatro forças contribuem para o afastamento dos concorrentes. A primeira baseia-se nas restrições dos canais de distribuição. A segunda está nas marcas, que criam uma demanda, o que faz com que os varejistas estoquem o produto da marca em detrimento dos produtos concorrentes. A terceira éestabelecer um fluxo contínuo de novos produtos que possam resultar na própria obsolescência e criar obstáculos enormes à imitação ou à entrada de outros. A quarta é o registro de patentes. Estágio 4: ser detentora do padrão Se uma empresa conseguir obter e manter padrões próprios, as recompensas são imensas. Há duas exigências nessa posição. Primeiro, os custos de mudar de fornece- dor precisam ser altos para o cliente. Segundo, deve ser difícil –ou muito caro– para os concorrentes copiar o produto. OS QUATRO ESTÁGIOS DA ESTRATÉGIAOS QUATRO ESTÁGIOS DA ESTRATÉGIA O feedback é um componente essencial do Modelo Delta, importante por ajudar na execução da estratégia, e os três processos de adaptação do Modelo Delta têm os seguintes mecanis- mos de obtenção de feedback: 1. Estabelecer hipóteses no contexto da visão expressa pelo Modelo Delta e do papel de cada processo de adaptação baseado na posição estratégica do negócio. 2. Identificar variações que reflitam os impulsionadores de custo, receita e lucros do negócio. Cada processo de adaptação possui um conjunto próprio de impulsio- nadores, que mudam de acordo com o papel do processo à medida que a empresa passa de “melhor produto” para “soluções para o cliente” e para “lock-in do sistema”. 3. Admitir que o futuro é imprevisível ao realizar experiências e testes. Basicamen- te, a otimização representa um ideal inatingível, que pode ser mais destrutivo do que construtivo; em vez disso, estamos comprometidos com um fluxo contínuo de experimentação. 4. Medir e classificar o desempenho para permitir que a empresa distinga o sucesso do fracasso e aprenda com ambos. As medições em profundidade são essenciais. construídas. Essas duas empresas escolheram a posição de melhor produto e buscam a inovação para sustentar sua vantagem competitiva. Por uma administração adaptativa Com isso, vemos que o Modelo Delta responde aos grandes desa- fios atuais e futuros. Ele faz isso ao expandir o espectro dos posiciona- mentos estratégicos disponíveis e reconhecer as opções centradas no cliente e o surgimento de padrões próprios para criar uma vantagem competitiva inabalável. As atividades diárias de uma empresa precisam mudar para que ela consiga implementar sua estratégia. Para tanto, ela precisa adequar os processos de adaptação a seus posicionamentos estratégi- cos. Os fatores inerentes aos processos de adaptação são as recompensas e as diferentes prioridades que devem ser estabe- lecidas para uma implantação inteligente. O feedback é importan- te para que as capacidades de adaptação possam competir em um mundo incerto, que passa por mudanças radicais (veja quadro ao lado). A segmentação granular é necessária para medir a eficácia dos processos de adaptação (veja quadro na página 95). Na medida em que a complexi- dade permeia o ambiente dos negócios, é perigoso dar respostas simples a questões difíceis. O Mo- delo Delta atende bem a complexi- dade ao fornecer uma rica estrutura às empresas que associam as opções de estratégia a suas atividades, sem correr o risco de simplificar exces- sivamente o contexto em que elas tomam suas decisões. © Reproduzido de The Delta Model: adaptive management for a changing world, de Arnoldo C. Hax e Dean L. Wilde II. Sloan Management Review, inverno de 1999, páginas 11–28, com permissão do editor. Copyright 1999 da Sloan Management Review Association. Todos os direitos reservados. O F E E D B A C KO F E E D B A C K