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1 Filosofia / Sociologia Instituições Sociais Resumo Se há uma coisa que qualquer estudante de sociologia rapidamente aprende e passa a perceber é que todo ser humano é profundamente moldado pela sociedade em que vive. Naturalmente, isto não significa que não somos livres ou que não fazemos nossas próprias escolhas. Significa apenas que nossa liberdade não é absoluta e ilimitada, mas sim situada e contextual. Em suma, nós não somos determinados pela sociedade, mas somos radicalmente influenciados por ela. Em sociologia, dá-se o nome técnico de socialização a esse processo de integração do indivíduo na vida social, no qual o sujeito é profundamente moldado pelos padrões de funcionamento da sua sociedade. Naturalmente, o processo de socialização não se dá rapidamente e de imediato, mas gradualmente e por etapas. Os principais agentes responsáveis pela socialização são as chamadas instituições sociais, isto é, aquelas estruturas e organizações básicas que sustentam e organizam o funcionamento da vida coletiva Tradicionalmente, os sociólogos consideram cinco instituições sociais como as mais importantes. São elas a família, a língua, a educação, a política e a religião. Tais instituições sociais são consideradas as mais relevantes por serem universais, isto é, estão presentes em toda e qualquer cultura, não há registro de sociedade humana sem a sua presença. A família é a instituição social mais básica e inicial, responsável pela chamada socialização primária, isto é, pela primeira integração do indivíduo em sociedade, através do ensino da língua, da transmissão de valores, do ensinamento das normas básicas de convívio social, etc. Sua importância é essencial, uma vez que ela é quem torna o sujeito apto a viver socialmente. Não à toa, famílias desestruturadas tendem a formar pessoas desajustadas na sociedade. Há, nas diversas culturas, os mais diferentes modelos de família: patriarcais, nas quais a liderança compete ao homem, e matriarcais, nas quais a chefia cabe à mulher; monogâmicas, nas quais os dois cônjuges são casados apenas entre si, poligâmicas, nas quais um homem é casado com várias mulheres, e poliândricas, nas quais uma mulher é casada com vários homens; etc. Na sociedade ocidental contemporânea, o papel desta instituição é cumprido pela família nuclear, ou seja, pai, mãe e filhos. Nas sociedades tradicionais, por sua vez, a função da instituição familiar era exercida por toda a chamada família extensa, que inclui avós, tios, primos, etc. Daí a importância das clãs, das tribos, etc. A língua é a instituição social que tem como papel garantir a comunicação entre os membros da sociedade. Sua existência é indispensável, uma vez que, sem comunicação, a sociedade não teria como se organizar e sobreviver. Há, nas variadas culturas humanas, os mais diversos tipos de língua: umas são ágrafas, isto é, apenas orais, faladas; outras possuem escrita. Nesta última categoria, a variedade também é grande: há aquelas que usam alfabetos, as que usam hieróglifos, as que se valem de ideogramas, etc. O que não há é registro de sociedade humana sem linguagem. 2 Filosofia / Sociologia A educação não é a única, mas é a principal instituição responsável pela chamada socialização secundária, isto é, por todos aqueles processos de integração social que se dão para além do nível familiar. De fato, seu papel é precisamente transmitir às gerações mais novas os conhecimentos disponíveis em sociedade, herdados das gerações passadas através da tradição e que a família não tem condições de transmitir por si só. Neste ponto, é importante, para entendermos bem esta instituição social, não confundirmos educação com escola. De fato, é claro que há sociedades humanas sem escolas, ou seja, sem estabelecimentos de ensino voltados para a transmissão de um conhecimento intelectual e acadêmico, cujo aprendizado é verificado através da aplicação de provas. Há, efetivamente, sociedades sem esse tipo de educação formal. O que não é sociedade sem educação: sem transmissão de valores, tradições e cultura adquirida. Um velho cacique que ensina os pequenos indiozinhos a caçar os está educando, ainda que sua prática de ensino não seja escolar. A política é a instituição social responsável pela organização e regulação da vida coletiva. Seu papel é administrar os conflitos sociais e zelar pelo bem daqueles que estão sob sua autoridade. Tal como não há sociedade sem língua, sem família e sem educação, também não há sociedade sem política. Podem existir talvez (discute-se muito sobre isso), sociedades sem Estado, isto é, sem uma autoridade burocrática, impessoal e formal. Não há, no entanto, sociedades sem liderança política, sem chefes que guiem a vida em comum. Com efeito, o próprio bom funcionamento da sociedade exige a existência dessa autoridade. Existem, na realidade, os mais diversos tipos de regimes políticos, tradicionalmente agrupados em três gêneros: os democráticos, nos quais a autoridade política pertence a todo o povo, seja exercendo-a diretamente, seja mediante a eleição periódica de representantes seus; os aristocráticos, nos quais o poder pertence a uma pequena elite, seja ela intelectual, religiosa, financeira, militar ou o que for; e os monárquicos, nos quais a autoridade política cabe a apenas um indivíduo isoladamente, homem ou mulher, normalmente dono de um título especial, como rei, imperador, príncipe, arquiduque, xá, sultão, etc. Por fim, a religião é a instituição social que tem como propósito central oferecer um sentido e explicação para a vida humana, fazendo-o através do apelo ao sagrado, isto é, a uma instância superior, divina, sobrenatural. O vínculo do homem como o sagrado, por sua vez, usualmente se dá através da fé, da oração, da prática de certas normas morais e do cumprimento de determinados ritos religiosos. Evidentemente, há, ao longo da história, diversos registros de indivíduos não religiosos e mesmo anti-religiosos. O que não há é caso conhecido de uma sociedade na qual a religião de maneira geral não exista. Existem os mais diversos tipos de religiosidade, dentre as quais se destacam o politeísmo, que é a crença em vários deuses; o monoteísmo, que é a crença em um único Deus; o henoteísmo, que é a crenças em vários deuses, mas existindo um deus supremo, base de todos demais; o panteísmo, crença de que não há um deus pessoal, mas sim que Deus é a própria natureza e que, portanto, todas as coisas são parte de Deus; etc. Cabe lembrar aqui um dado curioso: apesar de ser assim na quase totalidade dos casos, não é necessário, para uma pessoa ser religiosa, que ela acredite em um Deus ou em deuses. Certos ramos do 3 Filosofia / Sociologia budismo são ateus, isto, é não creem em qualquer forma de divindade, mas não deixam de ser correntes religiosas, uma vez que propõem o vínculo do homem com uma instância sagrada. 4 Filosofia / Sociologia Exercícios 1. A Escola é considerada pela Sociologia uma instituição, pois se trata de um conjunto de relações entre indivíduos mediadas por normas e procedimentos padronizados de comportamento, aceitos pela sociedade como importantes para a socialização dos sujeitos e para a transmissão de determinado conhecimento compartilhado pela cultura. Assinale a alternativa que NÃO indica uma das funções das instituições escolares. a) Preparar os sujeitos para os papéis profissionais e ocupacionais. b) Transmitir a herança cultural do grupo. c) Promover a mudança social por meio de pesquisas. d) Estimular a sociabilidade entre os sujeitos. e) Desenvolver o senso crítico-reflexivo para questionar a autoridade dos adultos e romper com as regras sociais. 2. O rapaz que pretende se casar não nasceu com esse imperativo. Ele foi insuflado pela sociedade, reforçado pelas incontáveis pressões de históriasde família, educação, moral, religião, dos meios de comunicação e da publicidade. Em outras palavras, o casamento não é um instinto, e sim uma instituição. BERGER, P. Perspectivas sociológicas: uma visão humanística. Petrópolis: Vozes, 1986 (adaptado). O casamento, conforme é tratado no texto, possui como característica o(a) a) consolidação da igualdade sexual. b) ordenamento das relações sociais. c) conservação dos direitos naturais. d) superação das tradições culturais. e) questionamento dos valores cristãos. 5 Filosofia / Sociologia 3. Leia o texto a seguir: Amor Menino rejeitado por casais heterossexuais por ser feio e negro demais é adotado por casal homossexual. O garoto de quatro anos havia sido rejeitado por outros três casais heterossexuais Atualmente, um dos debates mais acirrados da sociedade brasileira diz respeito à capacidade de casais homossexuais fornecerem estrutura familiar para o desenvolvimento de uma criança. Ao contrapor o senso comum de que apenas a família constituída por um homem e uma mulher pode oferecer essa estrutura, ganhou repercussão, nas redes sociais, o caso do garoto de quatro anos que foi adotado por um casal homossexual após ser rejeitado por três casais heterossexuais com as justificativas de ser feio e negro demais . (...) Disponível em: <http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/brasil/2015/02/27/> Adaptado. Acesso em: junho 2015 O tema apresentado no texto se refere ao conceito sociológico de a) Comunidade. b) Instituição social. c) Indicadores políticos. d) Igualdade de gênero. e) Democratização das classes trabalhadoras. 4. Um dos fenômenos sociais de destaque nos estudos sociológicos são as instituições sociais. Conceituadas como toda forma ou estrutura social estabelecida, constituída, sedimentada na sociedade e com caráter normativo – ou seja, ela define regras e exerce formas de controle social . Por isso, mudanças nas instituições sociais geralmente envolvem disputas entre conservadores e progressistas. OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. São Paulo: Ática, 2008. A situação que tem gerado disputa ideológica na sociedade brasileira tanto no discurso de senso comum como nas instâncias de poder, em virtude do processo de mudança na formatação da instituição social denominada de família, é a) a comemoração ao divórcio. b) o casamento religioso entre viúvos. c) a união estável para os casais idosos. d) a adoção de crianças por casais do mesmo sexo. e) a perda da guarda dos filhos por abandono de incapaz. 6 Filosofia / Sociologia 5. Instituição social é definida pela Sociologia como um conjunto de relações sociais relativamente permanentes, que absorve valores e procedimentos comuns e atende as necessidades básicas da sociedade. A Educação é um exemplo de instituição social, cujo papel é o de socializar os indivíduos no grupo comunitário. Nesse contexto, NÃO é função da educação a) transmitir a herança cultural. b) promover mudanças por meio do engajamento na pesquisa. c) familiarizar os indivíduos com os vários papéis da sociedade. d) prover a preparação para os papéis ocupacionais e profissionais. e) preparar os indivíduos para os papéis sociais exigidos exclusivamente pela família. 6. O estudo da religião é uma atividade desafiadora, que impõe demandas muito especiais à imaginação sociológica. Ao analisar práticas religiosas, temos que compreender as muitas crenças e rituais diferentes encontrados nas diversas culturas humanas. GIDDENS, A. Sociologia. 6ª edição. Porto Alegre: Penso, 2012, p. 483. A abordagem sociológica acerca do fenômeno da religião é bastante variada. Karl Marx, ao analisar a função da religião na sociedade capitalista, faz uma interpretação bem diferente daquele de Durkheim e de Weber. Que abordagem é essa adotada por Marx? a) Marx relaciona a religião com a alienação e a ideologia. Segundo ele, a religião conforma os homens no regime de dominação no qual eles vivem, destituindo-os da sua capacidade de transformação da realidade e justificando desigualdades e injustiças em nome de deuses que são, na verdade, fruto da criação humana. b) Marx faz uma abordagem otimista acerca da religião. Segundo ele, todas as religiões, em um sistema capitalista mundial, tendem a se sincretizar em um único modelo religioso de valorização do homem enquanto ser fundamental. c) Marx considera a religião como elemento fundante do capitalismo moderno. Para ele, a religião oferece a base sobre a qual a moral burguesa irá se constituir. A essa base ele deu o nome de espírito do capitalismo. d) Marx analisa a religião a partir do totemismo australiano. É desse modelo religioso que ele extrai a importância da religião para a solidariedade orgânica no capitalismo. e) Marx compreende a religião como um produto da indústria cultural. Tal como os produtos culturais de massa, a religião tem a característica de inebriar a população, fazendo com que ela não perceba os problemas sociais. É por isso que ele afirmou que a religi o é o ópio do povo . 7 Filosofia / Sociologia 7. Leia. Escola pública do DF começa a testar chip para monitorar alunos Por meio de um chip fixado no uniforme, uma turma de 42 estudantes do primeiro ano do ensino médio tem suas entradas e saídas monitoradas no CEM (Centro de Ensino Médio) 414 de Samambaia, cidade- satélite do Distrito Federal. O projeto, que começou a funcionar no dia 22 de outubro, manda mensagem por celular aos pais ou responsáveis pelos alunos, informando o horário de entrada e saída da escola. Segundo a diretora do CEM, a medida foi tomada para aumentar a permanência dos alunos nas salas de aula. "Os professores dos últimos horários reclamam que muitos alunos costumam sair antes do término das aulas. Por mais que a escola tente manter o controle, eles dão um jeito de sair da escola". Folha on-line. 30 out. 2012. Adaptado. Disponível em: <http://folha.com/no1177555>. Acesso em 30 out. 2012. O texto apresenta uma forma de controle de estudantes dentro da instituição escolar. Esse tipo de instrumento está vinculado a qual lógica apresentada pelo filósofo Michel Foucault? a) Emancipação, que tem como fundamento tornar os estudantes sujeitos autônomos. b) Panoptismo, que tem intenção de controlar, mas também de tornar mais produtivos os corpos observados. c) Regime de verdade, que faz com que a Escola esteja comprometida com a emancipação humana. d) Luta de Classes, que torna tensa a relação entre estudantes e professores. e) Violência simbólica, que agride o sujeito através da linguagem. 8 Filosofia / Sociologia 8. A respeito dos estudos sobre instituições familiares, assinale V nas afirmativas verdadeiras e F, nas falsas. ( ) O conceito sociológico de família é definido como a uni o entre um homem e uma mulher, ligados por laços de sangue, de matrimônio ou de adoção. ( ) As relações desiguais de poder dentro da família revelam que certos membros tendem a ter mais benefícios que outros. ( ) Os casamentos, atualmente, têm caráter voluntário, não sendo mais orientados apenas por interesses econômicos e familiares, o que ocasionou liberdades, mas também novas coerções. ( ) Os primeiros casos de casamento entre pessoas do mesmo sexo, no Brasil, é amparado pelo princípio de isonomia, para o qual todos são iguais perante a lei. A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a a) F V F V b) V F F F c) F V V V d) V F F V e) V F V F 9 Filosofia / Sociologia 9. O casamentonão é objeto de nenhuma cerimônia, e a acelerada circulação matrimonial dos jovens faz dele um negócio corriqueiro. No entanto, sempre que uma união se torna pública com a mudança de domicílio de alguém, produz-se uma sutil comoção na aldeia. O novo casal começa imediatamente a ser visitado por outros casais, seu pátio é o mais alegre e bulhento à noite; ali se brinca, os homens se abraçam, as mulheres cochicham e riem. Dentro de alguns dias, nota-se uma associação frequente entre o recém-casado e um outro homem, bem como entre sua mulher e a mulher deste. Os dois casais começam a sair juntos à mata, a pintar-se e decorar-se no pátio do casal mais novo. Está criada a relação de apihi-pihã. Fonte: Instituto Socioambiental. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arawete/106> Acesso em 13 dez. 2012. O texto acima descreve como se constroem as alianças matrimoniais e as relações de amizade entre os Araweté, grupo indígena que vive atualmente no estado do Pará. A respeito da instituição do casamento, assinale a alternativa correta sociologicamente. a) O casamento deve ser sempre constituído por pessoas de sexos opostos. b) O casamento, por ser uma construção social, pode existir de formas diversas. c) O casamento existe somente na sociedade ocidental. d) Todo casamento pressupõe um rito de passagem. e) O casamento é desejado somente pelas mulheres. 10 Filosofia / Sociologia 10. A instituiç o familiar é essencialmente din mica, e este dinamismo tornou-se muito visível na segunda metade do século XX, não só no Brasil, mas em praticamente todo o mundo ocidental. A família tradicional foi adquirindo contornos nunca antes imaginados. As novas configurações da família levaram a sociedade, e inclusive os cientistas sociais, a anunciarem a falência desta instituição social. Mas, não era o fim, e sim a prova da imensa capacidade criativa do ser humano de adequar-se a novas necessidades e novos valores. PARANÁ. Livro didático de Sociologia. Curitiba, 2006, p.110 Segundo o texto é correto afirmar que a) a instituição familiar se caracteriza por ser, essencialmente, matrilinear, dinâmica e imutável. b) atualmente, as famílias se configuraram de maneiras distintas. c) existe uma estrutura familiar que deve ser seguida por toda sociedade tida como correta. d) não se configura como família onde não há a presença de um pai ou de uma mãe. e) a família tradicional é imutável e estática. 11 Filosofia / Sociologia Gabarito 1. E Ainda que a escola tenha como função desenvolver o senso crítico-reflexivo nos estudantes, ela também tem uma função de reprodução da sociedade: a de transmitir o legado cultural através das gerações. Assim sendo, ela não pode ser absolutamente revolucionária, pois isso faria com que ela deixasse de existir. 2. B As instituições sociais são importantes, entre outras coisas, para que a sociedade tenha uma estabilidade. O casamento, por exemplo, tem importante função social ao criar laços mais ou menos duradouros e que permitem aos indivíduos constituírem famílias e educar os seus filhos de acordo com as regras sociais que compartilham. 3. B Implicitamente, o texto faz referência à família como instituição social. Podendo variar historicamente e culturalmente, a família pode ter diversas configurações, tal como apresenta o texto da questão. 4. D A família é uma das instituições sociais fundamentais da sociedade. Por esse motivo, ela corresponde a uma arena de disputa política acerca de sua definição. A demanda por adoção de crianças por parte de casais do mesmo sexo põe em questão o modelo tradicional de família, baseada em relações heterossexuais. 5. E A alternativa [E] é claramente incorreta. A educação faz uma mediação entre o ambiente público e privado de socialização. Sendo assim, preparar os indivíduos para os papéis exigidos pela família seria uma função da própria família, e não da educação. 6. A Somente a alternativa [A] está correta. Marx enxergava a religião como um elemento ideológico e alienante. Entretanto, é importante considerar que isso não significa que, para ele, a religião seja fruto da indústria cultural. Esse próprio conceito de indústria cultural não foi elaborado por Karl Marx, mas por seus sucessores da Teoria Crítica. 7. B Somente a alternativa [B] está de acordo com a argumentação de Michel Foucault. O controle sobre os corpos não tem intenção somente de vigiar os indivíduos, mas também te torná-los mais úteis e produtivos. É por isso que a instituição escolar se apropria desse instrumento para fazer os alunos ficarem na sala de aula. 8. C Somente a primeira afirmativa é falsa. O conceito de família varia conforme a sociedade e o período histórico, devido à multiplicidade das formas de relações sociais. O conceito apresentado na afirmativa é, na verdade, a definição popular de família. 9. B A instituição do casamento é uma construção social. Por isso, pode assumir formas bastante diversas, como, por exemplo, aquela apresentada no texto do enunciado. 12 Filosofia / Sociologia 10. B Afirmações como a instituiç o familiar é essencialmente din mica e a família tradicional foi adquirindo contornos nunca antes imaginados deixam entrever como a instituiç o familiar tem-se modificado, assumindo formas várias na sociedade brasileira contemporânea. Sendo assim, somente a alternativa [B] está correta. 1 Filosofia / Sociologia Ideologia Resumo Definição geral de ideologia O conceito geral de ideologia diz respeito a um conjunto de ideias, crenças e opiniões que um sujeito ou um grupo social possuem e que expressa o seu ponto de vista em relação a um determinado assunto. Assim podemos diferenciar, por exemplo, tomando a política e a economia como exemplo de temas sujeitos à discussão, ideologia liberal de ideologia socialista . Nesse exemplo temos pontos de vista ou ideias diferentes no que diz respeito à política e a economia: O conjunto de ideias ou crenças que norteia uma política/economia liberal é bastante diferente do conjunto de ideias ou crenças que fundamenta uma política/economia socialista. Outro exemplo, ainda no campo da política, é o que comumente chamamos de ideologia de esquerda ou ideologia de direita , em que cada uma dessas duas expressões designa um conjunto diferente de ideias, crenças, valores, opiniões. O conceito geral de ideologia pode designar, além disso, a teoria ou conjunto de teorias que fundamentam a prática de uma determinada instituição, como, por exemplo, uma escola. Quando nos perguntamos, por exemplo, Qual a ideologia dessa escola? , o que queremos saber é justamente qual teoria pedagógica que justifica a prática de ensino daquela escola. Quando perguntamos, Qual a ideologia da sua Igreja? , o que queremos saber é: Quais são os pontos de vista que fundamentam a conduta dos seus fiéis. Em suma: O conceito geral de ideologia significa um conjunto de crenças, valores, opiniões, teorias que uma pessoa, um grupo social ou uma instituição possui e que representa o seu ponto de vista sobre um determinado assunto. Esse conceito, no entanto, foi apropriado por diversos pensadores como Durkheim, Weber, Marx, entre outros. Em cada um deles, o conceito de ideologia possui diferentes significações. Falaremos agora sobre o conceito de ideologia segundo o filósofo, sociólogo e economista Karl Marx. 2 Filosofia / Sociologia Definição de ideologia para Marx Karl Marx (1818 - 1883), juntamente com Friedrich Engels (1820 - 1895), são os fundadores do que chamamos de socialismo científico e, também de maneira conjunta, elaboraram um dos conceitos mais conhecidos de ideologia, que agora iremosexplicitar. Em Marx o conceito de ideologia assume um sentido negativo, pois se refere ao conhecimento ilusório que mascara, por assim dizer, os conflitos sociais. Nesse sentido, a ideologia é entendida como instrumento de dominação de uma classe sobre a outra . Segundo Marx, existem duas classes sociais: A burguesia (que é dona dos meios de produção) e o proletariado (que precisa vender sua força de trabalho em troca de salário). O proletário ou operário perde sua autonomia na medida em que não pode intervir no seu salário, no ritmo e no horário de trabalho e etc… Assim, ele é comandado por uma força que lhe é externa, tornando-se alheio a si próprio , ou seja, alienado. Aqui poderíamos nos perguntar: Mas o que faz com que os trabalhadores não se rebelem contra a situação de exploração? É aqui justamente que será de extrema importância a ideologia para que seja possível manter a coesão social sem o recurso à violência. Nesse sentido, ideologia, segundo Marx, é o conjunto de ideias ou representações através das quais um indivíduo é levado a pensar da forma que é conveniente à classe dominante, à classe de detém o poder. Assim, a ideologia distorce a realidade na medida em que esconde os conflitos existentes na sociedade, fazendo-a parecer una e harmônica, como se todas as pessoas compartilhassem das mesmas crenças e interesses. O conceito marxista de ideologia possui cinco características principais, nomeadamente: A naturalização, a universalização, a abstração, a lacuna e a inversão. vejamos cada um deles em separado. A naturalização se refere à aceitação de certas situações como se fossem naturais, ou seja, como se não fossem fruto de uma deliberação humana. É justamente esse o caso quando certas pessoas dizem: Sempre existiram ricos e pobres, portanto é assim que as coisas são, não podendo ser modificadas . Observe como se trata da naturalização de algo que, na realidade, é fruto de escolhas e ações humanas. Já a universalização trata da imposição dos valores das classes dominantes para as classes dominadas. Assim, as crenças dos patrões, por exemplo, acabam sendo estendidas para seus empregados. Já no que se refere à abstração, podemos dizer que as ideias e valores das classes dominantes só acabam se tornando universais na medida em que há uma abstração, isto é, o esquecimento dos conflitos que são típicos da sociedade de classes em prol da fantasia de uma sociedade una e harmônica . A lacuna é aquele espaço vazio deixado pela ideologia, um certo ocultamento que, se for explicitado, pode acabar revelando as ilusões presentes na ideologia. Quando, por exemplo, um trabalhador reconhece que o salário paga o seu trabalho, percebemos a lacuna quando entendemos o que é a mais valia . Por fim, a inversão é uma das marcas da ideologia, que apresenta uma realidade invertida. Trata-se da confusão criado pela ideologia entre causa e efeito. 3 Filosofia / Sociologia Exercícios 1. O ser humano é explicado por diversas abordagens sociológicas e filosóficas que propõem diferentes concepções de natureza humana, chegando mesmo a negá-la. Em relação a tais concepções, tem-se o seguinte: a) Marx compreendia a natureza humana a partir das necessidades humanas, especialmente o desenvolvimento de sua sociabilidade, e que, com o surgimento das classes sociais e da alienação, essa natureza seria negada. b) a sociologia recusa totalmente a ideia de natureza humana, pois essa natureza seria metafísica, já que o ser humano é um produto social e histórico e o indivíduo nasce como uma folha em branco, na qual a cultura escreve seu texto. c) Durkheim concebia a existência de uma dupla natureza humana, sendo que uma natureza humana seria caracterizada pela violência e a outra pela razão, cabendo à socialização o papel de superar ambas pela solidariedade. d) para Kant e Hegel, a natureza humana era uma criação ideológica do iluminismo, que deveria ser superada por uma filosofia racionalista que reconhecesse que o ser humano é um projeto gestado pela razão. e) Nietzsche considerava que a essência do ser humano é a racionalidade, e cuja existência é comprovada pelo fato de que somente os seres pensantes possuem certeza de sua existência a partir do próprio ato de pensar. 2. O dinheiro alterou enormemente as relações sociais e, no desenvolvimento da história econômica da sociedade, atingiu o seu ápice com o modo de produção capitalista. Com base nos conhecimentos sobre os estudos de Karl Marx, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, as explicações sobre a produção da riqueza na sociedade capitalista. a) A mercantilização das relações de produção e de reprodução, por intermédio do dinheiro, possibilita a desmistificação do fetichismo da mercadoria. b) Enquanto mediação da relação social, o dinheiro demonstra as particularidades das relações entre indivíduos, como as políticas e as familiares. c) O dinheiro tem a função de revelar o valor de uso das mercadorias, ao destacar a valorização diferenciada entre os diversos trabalhos. d) O dinheiro é um instrumento técnico que facilita as relações de troca e evidencia a exploração contida no trabalho assalariado. e) O dinheiro caracteriza-se por sua capacidade de expressar um valor genérico equivalente, intercambiável por qualquer outro valor. 4 Filosofia / Sociologia 3. A história da cultura brasileira é pontuada pelo jeitinho brasileiro e pela cordialidade, frutos da colonização portuguesa. Sérgio Buarque sugere que nossa cultura tem algumas singularidades, tais como: aversão à impessoalidade, forte simpatia e rejeição ao formalismo nas relações sociais. Tais singularidades se refletem no ordenamento da sociedade expresso no fragmento da música Minha história de João do Vale e Raimundo Evangelista, que trata da educação como base da estratificação social na sociedade burguesa. E quando era noitinha, a meninada ia brincar. Vige como eu tinha inveja de ver Zezinho contar: o professor ralhou comigo, porque eu não quis estudar (bis) Hoje todos são doutor, E eu continuo um João Ninguém Mas, quem nasce pra pataca nunca pode ser vintém. Ver meus amigos doutor basta pra mim sentir bem (bis)... João do vale; Chico Evangelista. Minha história . In: álbum, João do Vale. Rio de Janeiro: Sony, 1981. Conforme a contribuição de Karl Marx sobre a análise da sociedade capitalista, os conceitos sociológicos expressos nessa música são a) superestrutura, anomia social, racionalidade, alienação. b) ação social, infraestrutura, solidariedade orgânica, coesão social. c) divisão do trabalho, mais valia, solidariedade mecânica, burocracia. d) sansão social, relações de produção, organicismo, forças produtivas. e) ideologia, classe social, desigualdade social, relações sociais de trabalho. 5 Filosofia / Sociologia 4. Um amigo da área de RH de uma multinacional disse que não sabia onde enfiar a cara quando chamou um homem muito, muito simples para informar que ele seria descontinuado. O senhorzinho não entendia nem por um decreto que estava sendo demitido'', diz ele – que teve que apelar para o método antigo, quando foi claramente compreendido. Aliás, as empresas não falam mais em empregados''. Agora são colaboradores . Há várias razões que explicam, muitas delas traçando um resgate da ação coletiva de sinergias voltadas à construção de um objetivo comum… Zzzzzz… Prefiro a explicação mais simples que surgiu de outro colega, do RH de uma grande empresa brasileira: isso foi para botar no mesmo pacote o pessoal que é contratado como CLT e quem é terceirizado ou integrado mas, na prática, também é empregado nosso''. Enfim, todos colaboram com o lucro do patrão, portanto faz sentido. SAKAMOTO, Leonardo. Palavras podem cair em desuso. Mas idiota continuarásempre na moda. Blog do Sakamoto. 11 mar. 2014. Adaptado. Disponível em: <http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/...na-moda/> Acesso em 11 mar. 2014. A frase Enfim, todos colaboram com o lucro do patrão, portanto faz sentido revela uma adesão ideológica. Qual foi o sociólogo abaixo que desenvolveu a compreensão de mundo adotada pelo autor do texto acima? a) Max Weber. b) Anthony Giddens. c) Émile Durkheim. d) Karl Marx. e) Pierre Bourdieu. 5. E se, em toda ideologia, os homens e suas relações aparecem invertidos como numa câmara escura, tal fenômeno decorre de seu processo histórico de vida, do mesmo modo porque a inversão dos objetos na retina decorre de seu processo de vida diretamente físico. MARX, Karl, A ideologia alemã. São Paulo: Hucitec, 1987. p. 37. Com essa famosa metáfora, Marx realiza a definição de ideologia como inversão da realidade, da qual decorre para ele a) a alienação da classe trabalhadora. b) a consciência de classe dos trabalhadores. c) a existência de condições para a práxis revolucionária. d) a definição de classes sociais. 6. Não é uma característica da ideologia, segundo Marx: a) Uma inversão da realidade. b) Uma naturalização das desigualdades sociais. c) Uma forma de dominação da classe burguesa sobre a proletária. d) Uma forma de representação política do proletariado. e) Uma representação distorcida da realidade. 6 Filosofia / Sociologia 7. Entenda o que é obsolescência programada Conforme usamos um produto, é natural que este sofra desgastes e se torne antigo com o passar do tempo. O que não é natural é que a própria fabricante planeje o envelhecimento de um produto, ou seja, programar quando determinado objeto vai deixar de ser útil e parar de funcionar, apenas para aumentar o consumo. Apesar do avanço tecnológico, que resultou na criação de uma diversidade de materiais disponíveis para produção e consumo, hoje nossos eletrodomésticos são piores, em questão de durabilidade, do que há 50 anos. Os produtos são fáceis de comprar, mas são desenhados para não durar. Por esta razão, o consumidor sofre para dar a eles uma destinação final adequada e ainda se vê obrigado a comprar outro produto. Fonte: <http://www.idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/entenda-o-que-e-obsolescencia-programada> Acesso em 21 fev. 2013. A obsolescência programada está vinculada à forma de funcionar do sistema capitalista. Qual dos autores abaixo analisou esse tipo de necessidade econômica? Qual era a grande preocupação desse autor ao analisar esse tipo de fenômeno? a) Max Weber. b) Karl Marx. c) Émile Durkheim. d) Immanuel Kant. e) Machado de Assis. 7 Filosofia / Sociologia 8. A figura Mapa Mundi é composta por lixo eletrônico. Com base nessa figura e na crítica de Marx à sociedade capitalista, assinale a alternativa correta. a) A cada nova tecnologia desenvolvida pelo capital, maior é a qualificação necessária aos trabalhadores. b) A existência de mercadorias é o que distingue o capitalismo de outros modos de produção no transcurso da história do homem. c) A produção do desperdício é parte constitutiva do processo de acumulação de capital e realização da lei do valor. d) No capitalismo contemporâneo, o valor de uso foi substituído pelo valor de troca, do qual resultam as mercadorias. e) Produzir mercadorias com pouca durabilidade é prática momentânea para que o capitalismo supere suas crises periódicas. 8 Filosofia / Sociologia 9. A ideologia, como consciência invertida, teria o papel de amparar o domínio de uma classe ou grupo social sobre as demais. Por meio da ideologia, essa classe ou grupo social se faria hegemônica, como que convencendo as outras de que seus interesses e valores seriam universais . RICUPERO, Bernardo. Sete lições sobre as interpretações do Brasil. São Paulo: Alameda, 2008, p. 32-33. A partir da definição acima e dos seus conhecimentos sobre classe social no sentido pensado por Karl Marx, quais das frases abaixo podem ser consideradas de cunho ideológico? I. Todo homem tem seu preço . II. Antes tarde do que nunca . III. Quem não trabalha também não deve comer . IV. Diga-me com quem andas e eu te direi quem és . V. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura . a) Somente I e II. b) Somente I e III. c) Somente III e IV. d) Somente IV e V. e) Somente I, II e III. 10. Segundo Karl Marx, a sociedade capitalista conhece basicamente duas classes: a burguesia e o proletariado. Na abordagem marxista, como se dá a relação entre elas? a) As duas classes estão em harmonia. Ambas se complementam em um processo produtivo: os burgueses oferecem empregos, enquanto os proletários trabalham contribuindo para o progresso da civilização. b) Elas estão em constantes disputas políticas. Tais disputas aparecem, no Brasil, na polarização entre PT e PSDB, sendo o PT o partido dos trabalhadores (proletários) e o PSDB o partido dos empresários (burgueses). A alternância entre esses dois partidos no poder é o que definirá o modelo econômico da nação. c) Essas duas classes estão em luta. Enquanto os burgueses tentam exercer sua dominação sobre o proletariado, estes procuram resistir e fugir dessa relação de opressão. d) As duas classes estão em relação de solidariedade orgânica. O capitalismo surge em uma sociedade moderna, marcada por uma complexa divisão do trabalho. Longe de produzir desagregações, essa complexidade favorece a coesão social devido à dependência mútua de todos os indivíduos. e) As classes sociais estão em processo de fusão. Devido à mundialização do capital, não haverá mais classes sociais. Todos serão híbridos de empreendedores e trabalhadores, em uma sociedade regulada pelo mercado. 9 Filosofia / Sociologia Gabarito 1. A [Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia] A alternativa [B] está incorreta porque a sociologia não recusa totalmente a natureza humana. Já a alternativa [C] está incorreta porque apresenta de forma incorreta a ideia durkheimiana de solidariedade. Com relação à alternativa [A], vale salientar que Marx considera o ser humano como resultado de relações de produção, podendo ter sua humanidade negada em situações de exploração. [Resposta do ponto de vista da disciplina de Filosofia] Para Marx, é da natureza humana que os indivíduos, a partir da ação concreta na natureza, criem suas condições materiais de existência de modo a satisfazer suas necessidades básicas, ao mesmo tempo em que criam formas de sociabilidade, o que implica no estabelecimento de relações sociais. No entanto, os conflitos de classe e a alienação do trabalho podem, para o autor, negar essa natureza na medida em que apresentam uma interpretação distorcida da mesma. 2. E Para Marx, no capitalismo, o dinheiro oculta a relação de exploração existente no processo de produção de mercadorias. Isso porque se torna um equivalente genérico de troca entre coisas, e não de trabalho humano materializado. Desta maneira, somente a alternativa [E] está correta. 3. E A alternativa [E] é a única que apresenta somente conceitos marxistas. Todas as outras questões, além de apresentarem alguns conceitos elaborados por Marx, também citam conceitos de Max Weber e de Émile Durkheim. Ainda que alguns sejam úteis para compreender a cordialidade do brasileiro, não é isso que a questão buscava identificar. 4. D A frase destacada revela uma concepção de luta de classes, entre o trabalhador (proletário) e o patrão (burguês). Tal concepção é claramente marxista. 5. A A ideologia contribui para a alienação da classe trabalhadora. Essa alienação é dupla: tanto material,do trabalhador que está alienado do fruto do seu trabalho, quanto simbólica, do trabalhador que não se dá conta das condições de exploração a que é submetido. 6. D Somente a alternativa [D] não está de acordo com a noção marxista de ideologia. A ideologia acaba por oprimir o proletariado, e não corresponde a uma forma de representação ou de consciência dessa classe de trabalhadores. 7. B Karl Marx foi quem se preocupou com esse tipo de necessidade econômica. O capitalismo força a comercialização dos produtos para sustentar o constante aumento da produção de mercadorias. Marx analisa todos esses fenômenos atentando para a estrutura de exploração do homem pelo homem neste processo produtivo. Seu grande intuito, portanto, é desvelar o modo de funcionamento do capitalismo para criticá-lo e superá-lo. 10 Filosofia / Sociologia 8. C A partir do momento em que o capitalismo exige uma produção e mercadorias e de lucro cada vez maior, o desperdício também começa a aumentar. Isso é uma característica vinculada ao próprio desenvolvimento capitalista, tal como afirma a alternativa [C]. 9. B Somente as frases I e III são ideológicas no sentido marxista. Isso porque elas carregam uma ética burguesa de valorização do trabalho e de transformação das relações sociais em relações mercantis. Todas as outras dizem somente a frases do senso comum, que possuem outros tipos de origem. 10. C Somente a alternativa [C] apresenta a relação entre burguesia e proletariado na concepção marxista. Segundo Marx, o motor da história é a luta de classes que, no sistema capitalista, ocorre entre a burguesia e o proletariado. 1 Sociologia Materialismo histórico Resumo Tese central de toda a filosofia marxista, o materialismo histórico consiste na afirmação de que todos os elementos da vida de uma sociedade se reduzem, em última análise, às suas condições materiais. Em outras palavras, para Marx, toda sociedade humana se explica, no fim das contas, por sua estrutura econômica, pelo modo como é organizado seu sistema produtivo. Assim, todos os fenômenos sociais de uma dada civilização, como a arte, a política, a religião, a cultura, a medicina, o direito, o vestuário, etc., seriam tão somente reflexos, diretos ou indiretos, do modo de produção vigente em tal sociedade. Sendo o trabalho a atividade mais fundamental do homem, já que ligada à sua própria sobrevivência, também a economia, que é a organização do trabalho em sociedade, seria a atividade mais básica do corpo social. Não à toa, Marx é tachado como um pensador economicista O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu de fio condutor aos meus estudos, pode resumir-se assim: na produção social da sua vida, os homens contraem determinadas relações necessárias e independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta a superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social que determina a sua consci ncia (Prefácio para a Crítica da Economia Política) 2 Sociologia Exercícios 1. Assim como no Egito, na Mesopotâmia, a agricultura foi a principal atividade econômica praticada pela população. O Estado era responsável pelas obras hidráulicas necessárias para a sobrevivência da população, bem como pela administração de estoques de alimentação e pela cobrança de impostos (...). (Vicentino, Claudio. História Geral e do Brasil / Claudio Vicentino, Gianpaolo Dorigo. 1a Ed. São Paulo: Scipione. 2010. p. 60-455.) ... a base da economia Inca estava nos Ayllu, espécie de comunidade agrária. Todas as terras do império pertenciam ao Inca, logo, ao Estado. Através da vasta rede de funcionários, essas terras eram doadas aos camponeses para sua sobrevivência. Os membros de cada Ayllu deveriam, em troca, trabalhar nas terras do Estado e dos funcionários, nas obras públicas e pagar impostos. (Moraes, Jose Geraldo Vinci de. 1960. Caminhos das Civilizações – história integrada: Geral e do Brasil. São Paulo: Atual, 1998.) De acordo com o materialismo histórico preconizado por Marx e Engels, o modo de produção que aparece descrito parcialmente nos trechos anteriores, é o a) feudal. b) asiático. c) primitivo. d) escravista. 3 Sociologia 2. Leia o texto a seguir. Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da natureza orgânica, Marx descobriu a lei do desenvolvimento da história humana. A produção dos meios imediatos de vida, materiais e, por conseguinte, a correspondente fase de desenvolvimento econômico de um povo ou de uma época é a base a partir da qual tem se desenvolvido as instituições políticas, as concepções jurídicas, as ideias artísticas. A descoberta da mais-valia clareou estes problemas. (Adaptado de: ENGELS, F. Discurso diante do túmulo de Marx. 1883. Disponível em: <http://www.marxists.org/espanol/m- e/1880s/83-tumba.htm>. Acesso em: 11 set. 2017.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a concepção materialista da história, assinale a alternativa correta. a) Existem leis gerais e invariáveis na história, que fazem a vida social retornar continuamente ao ponto de partida, isto é, a uma forma idêntica de exploração do homem sobre o homem. b) A mais-valia, ou seja, uma maneira mais eficaz de os proprietários lucrarem por meio da venda dos produtos acima de seus preços, é uma manifestação típica da sociedade capitalista e do mundo moderno. c) O darwinismo social é a base da concepção materialista da história na medida em que esta teoria demonstra cientificamente que somente os mais aptos podem sobreviver e dominar, sendo os capitalistas um exemplo. d) A partir de intercâmbios na infraestrutura da vida social, desenvolve-se um conjunto de relações que passam a integrar o campo da superestrutura, com uma interdependência necessária entre elas. e) A sociedade burguesa, por intensificar a exploração dos homens através do trabalho assalariado, constitui-se em forma de organização social menos desenvolvida que as anteriores. 3. A teoria do Materialismo Histórico, desenvolvida por Karl Marx, engloba um conjunto de conceitos que perpassam um novo entendimento do sistema capitalista, das classes sociais e do Estado. Sobre os principais conceitos que compõem a teoria do Materialismo Histórico, é CORRETO afirmar que a) não há na teoria do Materialismo Histórico uma preocupação sobre o processo de circulação de mercadorias no capitalismo. b) no processo de formação do capital, o prejuízo nasce no momento em que o produtor fabrica sua mercadoria. c) Marx define a mais-valia como o excedente do valor produzido pelo empresário que é apropriado pelo trabalhador. d) segundo Marx, as mercadorias nada mais são do que a materialização do trabalho que foi pago ao empregado. e) o empresário, ao pagar o salário aos trabalhadores, nunca paga a esses o que eles realmente produziram. 4 Sociologia 4. O Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels no ponto de inflexão entre as reflexões de juventude e a obra de maturidade, sintetiza os resultados da concepção materialista da história alcançados pelos dois autores até 1848. A dinâmica do desenvolvimento histórico é então concebida como resultante do aprofundamento da tensão entre forças produtivas e relações de produção, que se expressaria através da luta política aberta. Com base na concepção materialistada história defendida por Marx e Engels no Manifesto, selecione a alternativa correta. a) A história das sociedades humanas até agora existentes tem sido o resultado do agravamento das contradições sociais que, uma vez maturadas, explode através da luta de classes. b) A história das sociedades humanas é o resultado dos desígnios da providência que atuam sobre a consciência dos homens e forjam os rumos do desenvolvimento social. c) A história das sociedades humanas é o resultado de acontecimentos fortuitos e casuais, independentes da vontade dos homens, que acabam moldando os rumos do desenvolvimento social. d) A história das sociedades humanas é o resultado inevitável do desenvolvimento tecnológico, que não só aumenta a produtividade do trabalho, como elimina o antagonismo entre as classes sociais. e) A história das sociedades humanas é o resultado da ação desempenhada pelos grandes personagens que, através de sua emulação moral, guiam as massas no sentido das transformações sociais pacíficas. 5. Segundo a concepção materialista da história, na produção da vida os homens geram também outra espécie de produtos que não têm forma material: as ideologias políticas, concepções religiosas, códigos morais e estéticos, sistemas legais, de ensino, de comunicação, o conhecimento filosófico e científico, representações coletivas de sentimentos, ilusões, modos de pensar e concepções de vida diversos e plasmados de um modo peculiar. QUITANEIRO, T. Um toque de clássicos: Marx, Weber e Durkheim. 2.ed. rev. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002, p. 37. Na abordagem marxista, essa outra espécie de produtos imateriais que são derivados da produção da vida material humana corresponde à: a) Infraestrutura da sociedade. b) Superestrutura da sociedade. c) Ideologia. d) Luta de classes. e) Representação coletiva. 5 Sociologia 6. Observe a charge. Com base na charge e nos conhecimentos sobre a teoria de Marx, é correto afirmar: a) A produção mercantil e a apropriação privada são justas, tendo em vista que os patrões detêm mais capital do que os trabalhadores assalariados. b) Um dos elementos constitutivos da acumulação capitalista é a mais-valia, que consiste em pagar ao trabalhador menos do que ele produziu em uma jornada de trabalho. c) A mercadoria, para poder existir, depende da existência do capitalismo e da substituição dos valores de troca pelos valores de uso. d) As relações sociais de exploração surgiram com o nascimento do capitalismo, cuja faceta negativa está em pagar salários baixos aos trabalhadores. e) Sob o capitalismo, os trabalhadores se transformaram em escravos, fato acentuado por ter se tornado impossível, com a individualização do trabalho e dos salários, a consciência de classe entre eles. 6 Sociologia 7. As sociedades modernas são complexas e multifacetadas. Mas, é com o capitalismo que as divisões sociais se tornam mais desiguais e excludentes. Marx já observara que só o conflito entre as classes pode mover a história. Assim sendo, para o referido autor, em qual das opções se evidencia uma característica de classe social? a) O status social e cultural dos indivíduos. b) A função social exercida pelos indivíduos na sociedade. c) A ação política dos indivíduos nas sociedades hierarquizadas. d) A identidade social, cultural e coletiva. e) A posição que os indivíduos ocupam nas relações de produção. 8. Teria orgulho, sim, e estava seguro de que um dia teria mesmo esse orgulho, se a luta e o sofrimento fossem não para preservar um Brasil onde muitos trabalhavam e poucos ganhavam, onde o verdadeiro povo brasileiro, o povo que produzia, o povo que construía, o povo que vivia e criava, não tinha voz e nem respeito, onde os poderosos encaravam sua terra apenas como algo a ser pilhado e aproveitado sem nada darem em troca, piratas de seu próprio país; [...] teria orgulho se essa luta tivesse sido, como poderia ser, para defender um Brasil onde o povo governasse, um grande país, uma grande Pátria, em que houvesse dignidade, justiça e liberdade! RIBEIRO, J. U. Viva o povo brasileiro. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1984. Os escritos de Karl Marx refletem o seu interesse pelas mudanças do tempo moderno, principalmente as ligadas ao desenvolvimento do capitalismo e a seus principais elementos: o capital e a mão de obra assalariada. Nesse sentido, pode-se utilizar esse recorte de texto do clássico de João Ubaldo Ribeiro para exemplificar o conceito de a) mais-valia, que, ao desvalorizar o trabalho, aumenta o valor do produto e gera diferenças sociais. b) luta de classes, as quais, no capitalismo, estabelecem desigualdades e relações de antagonismo e exploração. c) dominação, em que a economia mecanicamente determina todas as demais esferas da sociedade. d) trabalho visto como a única força capaz de fazer um grupo se sobrepor ao outro, impondo a sua vontade como verdade. e) alienação, em que os operários não percebem o produto final como resultado do seu trabalho por causa das desigualdades sociais. 9. O comunismo rondava a Europa. Em meados do século XIX, o Manifesto Comunista é publicado. As lutas entre as forças conservadoras da nobreza e do clero contra a burguesia se acirram. Aumenta também a tensão entre liberais e socialistas. É neste contexto que Karl Marx ganha força com seu a) espiritualismo histórico dialético. b) materialismo histórico dialético. c) positivismo histórico dialético. d) criticismo histórico dialético. 7 Sociologia 10. A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais . (MARX, K; ENGELS, F. O Manifesto Comunista 150 anos depois. Rio de Janeiro: Contraponto; São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1998). O trecho reproduzido acima destaca uma característica fundamental da burguesia no desenvolvimento do capitalismo, marque a alternativa correta. a) O dinamismo social da burguesia. b) O caráter estático da burguesia. c) O caráter restrito da produção sob a condução da burguesia. d) O tradicionalismo da burguesia. e) A negação da inovação tecnológica por parte da burguesia. 8 Sociologia Gabarito 1. B Somente a alternativa [B] está correta. Karl Marx e F. Engels elaboraram o Materialismo Histórico e Dial tico e desenvolveram o conceito de modos de produção afirmando que a história da humanidade é a história dos modos de produção. Os modos de produção são o comunismo primitivo, o asiático ou hidráulico, escravista, germânico, feudal, capitalista e o comunismo. O socialismo consiste na transição do capitalismo para o comunismo. O modo de produção asiático ou hidráulico se caracteriza pelo Estado Despótico, Monarquia Teocrática, servidão coletiva, sociedade estratificada e agricultura de regadio. Assim o Ayllu, comunidade agrícola inca, pode ser concebido como modo de produção asiático. 2. D A alternativa [D] é a única que apresenta, de forma correta, conceitos marxistas. De acordo com Karl Marx, a superestrutura (o Estado, o Direito e as relações simbólicas) são um reflexo da infraestrutura (as relações materiais de produção). Assim, esses dois níveis se tornam interdependentes na manutenção do sistema de produção capitalista. 3. E Todas as alternativas, com exceção da alternativa [E], apresentam inversões conceituais de Marx. Com relação à alternativa correta, vale ressaltar que o excedente de trabalho que não é pago aos trabalhadores está na origem do surgimento da mais-valia que, posteriormente, se transformará no lucro do capitalista. 4. A Segundo o Manifesto do Partido Comunista, a história das sociedades humanas corresponde à história da lutade classes que, na sociedade capitalista, se sintetiza na luta entre a burguesia e o proletariado. Ou seja, somente a alternativa [A] está correta. 5. B Esses produtos imateriais, numa abordagem marxista, correspondem à superestrutura da sociedade. Eles são originados através das relações de produção e são, de certa forma, reflexo das contradições próprias da sociedade capitalista. 6. B A mais-valia é a base da exploração do sistema capitalista e a charge mostra perfeitamente a diferença entre o valor produzido pelo trabalho do operário e o valor pago por seu patrão. 7. E As relações sociais, segundo Marx, são dadas a partir das relações de produção. Com base nestas, se constituíram na sociedade capitalista duas classes: a burguesia (formada por aqueles que detêm os meios de produção) e o proletariado (formada por aqueles que não detêm tais meios e que são obrigados a vender sua força de trabalho para poderem sobreviver). 9 Sociologia 8. B O texto apresenta uma insatisfação daqueles que muito trabalhavam contra os poucos que ganhavam e conclama uma luta para que o povo governe a pátria. Na medida em que a sociedade brasileira é vista como dividida entre os poderosos e o povo trabalhador, tal concepção se associa à divisão no sistema capitalista entre proletários e burgueses. 9. B A questão faz referência ao contexto sociopolítico da publicação do Manifesto Comunista, texto de Karl Marx com Friedrich Engels. Nele estão presentes elementos da teoria política marxista, fundamentada no materialismo histórico dialético, ou seja, em uma concepção histórica baseada na dialética da luta de classes e nas condições materiais de existência das classes. 10. A O texto de Marx e Engels faz uma referência clara ao dinamismo social da burguesia ao considerar a necessidade desta em renovar continuamente seus instrumentos de produção visando incessantemente ao lucro. 1 Filosofia/Sociolgia Movimentos sociais Resumo De uma forma simples, o conceito de movimento social se refere à ação coletiva de um grupo organizado que possui o objetivo de alcançar mudanças sociais através de reivindicações, que podem ser voltadas para causas políticas, trabalhistas ou identitárias. Os movimentos sociais buscam mudança, às vezes até a transformação completa de um cenário hostil a um determinado grupo ou classe social, tornando-se porta-voz de um grupo de pessoas que, em muitos casos, encontram-se nesta situação por séculos. Neste sentido, a existência dos movimentos sociais é de fundamental importância para a sociedade civil enquanto meio de manifestação e reivindicação, possibilitando que os cidadãos sejam ouvidos, ou que pelo menos tentem. Podemos citar como alguns exemplos de movimentos o da causa operária, o movimento negro (contra racismo e segregação racial), o movimento estudantil, o movimento de trabalhadores do campo, movimento feminista, movimentos ambientalistas, da luta contra a homofobia, separatistas, movimentos marxistas, socialista, comunista, entre outros. Alguns destes movimentos possuem atuação centralizada em algumas regiões (como no caso de movimentos separatistas na Europa). Outros, porém, com a expansão do processo de globalização (tanto do ponto de vista econômico como cultural) e disseminação de meios de comunicação e veiculação da informação, rompem fronteiras geográficas em razão da natureza de suas causas, ganhando adeptos por todo o mundo, a exemplo do Greenpeace, movimento ambientalista de forte atuação internacional. Os movimentos sociais exigem muita organização e dedicação, o que demanda a mobilização de recursos e pessoas que se comprometam com a causa. Os movimentos sociais não se limitam a manifestações públicas esporádicas, são organizações que insistentemente atuam para atingir seus objetivos, o que significa haver uma luta constante e a longo prazo dependendo da natureza da causa. Dito de outra forma, os movimentos sociais possuem uma ação organizada de caráter permanente, sempre lutando por diferentes ideais, diferentes demandas. 2 Filosofia/Sociolgia Exercícios 1. Os movimentos sociais têm como uma de suas características surgir de um princípio norteador e um problema social, que orientam o projeto coletivo dos envolvidos. Assinale a alternativa que contém o princípio norteador comum dos movimentos brasileiros, Revolta de Porecatu no Paraná (1950-1951), Ligas Camponesas (1954-1964) e Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (1984): a) Organizar o agronegócio, modernizando as relações capitalistas no campo através da incorporação dos trabalhadores rurais. b) Conservar as relações patriarcais no latifúndio, mas modernizando as relações de produção baseadas no trabalho assalariado. c) Articular os sindicatos de trabalhadores rurais e de proprietários de terras, formando cooperativas sem alterar a estrutura fundiária do país. d) Transformar a estrutura fundiária do país, fortalecendo os grandes proprietários a partir da coalizão com os médios e pequenos no sentido de ofertarem mais postos de trabalho em suas propriedades. e) Realizar a reforma agrária alterando a secular estrutura latifundiária, distribuindo terra para famílias de trabalhadores rurais. Todos os movimentos citados têm como temática comum a luta pela reforma agrária, com vistas a corrigir as fortes distorções que a distribuição das terras no Brasil apresenta. A afirmativa A está errada, esses movimentos lutam pela posse de pequenas propriedades, voltadas para a agricultura familiar ou sistema cooperativista; a B está errada, eles combatem as relações de patriarcalismo no campo; C está errada, não lutam pela união sindical entre trabalhadores e proprietários rurais ou cooperativismo entre eles; D está errada porque combatem justamente a grande propriedade. 2. Leia o trecho a seguir. Dezenas de milhares de pessoas marcharam, dia 1 de Abril [2006], pela ponte de Brooklyn até a baixa de Manhattan, exigindo respeito e legalização para os cerca de 12 milhões de trabalhadores imigrantes não documentados. Esta foi a última iniciativa de uma onda de manifestações de massas que varreram o país, de San Diego a Boston, desde que foi aprovada na Câmara dos Representantes, no passado dia 16 de dezembro, a xenófoba lei HR-4437. Disponível em http://.galizacig.com/index.html. Acesso em 19 out. 2007. A partir desse trecho, podemos perceber a articulação e a organização de imigrantes para exigirem alguns direitos. Sob a ótica dos movimentos sociais, é CORRETO afirmar que a) a reivindicação por direito ao trabalho, entre outros, pode promover a ação coletiva e propiciar a articulação de interesses diversos de imigrantes em uma única bandeira de luta, capaz de dar-Ihe alguma unidade, característica necessária a um movimento social. b) a organização e a manifestação desses imigrantes não podem constituir um movimento social, pois esses imigrantes estão em situação ilegal. c) na luta por cidadania, a problemática de trabalhadores imigrantes traz à tona a incapacidade de os movimentos sociais lidarem com a relação entre diferença cultural, necessidade de mão de obra para um mercado globalizado e criação de novos direitos. d) frente a demandas diversas, os movimentos sociais são inviabilizados, pois a homogeneidade é característica indispensável à unidade de qualquer movimento. 3 Filosofia/Sociolgia 3. Leia o texto a seguir. Com vestidos de noivas e ternos, três casais gays [...] se apresentaram nesta quarta-feira no cartório de registro civil de Montevidéu para uma simulação de casamento, no lançamento de uma campanha em favor do casamento homossexual. (Folha de S. Paulo, 19 maio 2010, Caderno Mundo. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp>. Acesso em: 19 maio 2010.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre os novos movimentos sociais,considere as afirmativas a seguir. I. Desde a segunda metade do século XX, o Ocidente vivencia a explosão de variados movimentos sociais cujo eixo são as políticas identitárias. II. Movimentos sociais são expressão de demandas do cotidiano que se transformam em reivindicações coletivas para a ampliação dos direitos de cidadania. III. O que diferencia o movimento gay em relação ao antigo movimento operário é a negação da instância política enquanto elemento mediador da ação reivindicativa. IV. Dentre as condições para a existência de movimentos sociais está o respeito aos valores morais tradicionais, como a aceitação da união heterossexual e a negação da homossexual. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 4 Filosofia/Sociolgia 4. "Neste maio de 2014, o sujeito dominante das manifestações coletivas tem cara, nome e até endereço. Não usa máscara porque ele é a própria máscara. São entidades sindicais e corporativas, as das reivindicações previsíveis e compreensíveis. Não raro são cúmplices do que questionam, como os desmandos que culminam na inflação alta, na corrosão dos salários, nas carências que não são as do catálogo do Fome Zero. Em 2013, o povo supostamente manso, diluído no sistema de cooptações que enquadrou a sociedade inteira nas conveniências do poder e do partido que governa, deu o primeiro aviso que mansidão tem limite. A surpresa é que, em 2014, a forma é outra, mas o recado é o mesmo: a cumplicidade tem seu dia de basta." MARTINS, J. S. O variável humor das ruas. In: O Estado de S. Paulo, Caderno Geral, 24 maio 2014. De acordo com as teorias sociológicas sobre movimentos sociais e participação política e com base no texto acima, assinale o que for correto: (01) O Movimento do Passe Livre, que ganhou as ruas de várias cidades brasileiras em 2013, não era legítimo e, por isso, os sindicatos tomaram a frente nas negociações em 2014. (02) Tanto as manifestações de entidades sindicais e corporativas como as manifestações populares são expressões coletivas e políticas legítimas. (04) Em sociedades democráticas, mesmo que os governos recebam apoio popular, não significa que os movimentos sociais e populares devam abandonar as manifestações públicas de suas críticas e insatisfações. (08) O Programa Fome Zero solucionou os problemas sociais do Brasil e, por isso, não há necessidade de manifestação dos movimentos sociais e populares. (16) Aqueles sindicatos que apoiaram candidatos que foram eleitos nas eleições presidenciais não têm direito de se manifestar criticamente em relação às decisões do governo atual. Soma: ( ) 5. Sobre o tema movimentos sociais e participação política, assinale o que for correto. (01) Os movimentos sociais exercem papel importante na tarefa de exigir do Estado o reconhecimento de direitos de grupos minoritários e a redistribuição de recursos econômicos que minimizem as injustiças sociais. (02) Movimentos sociais e partidos políticos têm a mesma tarefa na ordem democrática. Ambos disputam o poder e o controle do Estado. (04) Os movimentos sociais, por mais distintas que sejam as suas reivindicações, utilizam todos um mesmo repertório, ou seja, as mesmas práticas de ação. (08) Mobilizações com ajuda da internet são formas de ativismo que escapam das formas legítimas de participação reconhecidas nas sociedades democráticas. (16) O voto constitui o único instrumento legítimo de participação política nas democracias representativas. Soma: ( ) 5 Filosofia/Sociolgia 6. Leia o texto a seguir: Tendo em vista que um dos principais sujeitos da sociedade civil organizada são os movimentos sociais, é importante registrar que os movimentos pela educação têm caráter histórico, são processuais e ocorrem, portanto, dentro e fora de escolas e em outros espaços institucionais. As lutas pela educação envolvem a luta por direitos e são parte da construção da cidadania. Movimentos sociais pela educação abrangem questões tanto de conteúdo escolar quanto de gênero, etnia, nacionalidade, religiões, portadores de necessidades especiais, meio ambiente, qualidade de vida, paz, direitos humanos, direitos culturais etc. Esses movimentos são fontes e agências de produção de saberes. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362006000100003 Acesso em: junho 2015. A Educação é considerada um aspecto integrador do indivíduo com o grupo social e funciona como um instrumento de transmissão do patrimônio cultural de uma sociedade. No texto, a forma de transmissão da educação é denominada de a) Revolucionária. b) Sistemática. c) Burocrática. d) Informal. e) Isolada. 7. O vídeo Kony 2012 tornou-se o maior sucesso da história virtual, independente da polêmica causada por ele. Em seis dias, atingiu a espantosa soma de 100 milhões de espectadores, aproximadamente. No primeiro dia na internet, o vídeo foi visto por aproximadamente 100.000 visitantes. PETRY, A. O mocinho vai prender o bandido... e 100 milhões de jovens querem ver. Veja, ano 45, n. 12, 2.261. ed. 21 mar. 2012. Adaptado. A internet revelou-se um poderoso instrumento para a ação política de ONGs e de movimentos sociais. A respeito das formas de expressão de necessidades coletivas no mundo globalizado, assinale a alternativa correta. a) As ONGs e os novos movimentos sociais têm como característica comum a construção de estruturas hierarquizadas e rígidas para a realização das lutas coletivas. b) Como toda luta política, a conquista do poder de Estado é o referencial a partir do qual se constroem as ações das novas reivindicações coletivas de ONGs e movimentos sociais. c) Demandas ligadas ao trabalho perderam sua importância para as novas lutas coletivas expressas pelas ONGs e pelos recentes movimentos sociais. d) Nas novas lutas coletivas há o predomínio dos novos sujeitos sociais, os grupos sociologicamente minoritários, com um projeto definido e uniforme de construção da sociedade. e) O ativismo de ONGs e de movimentos sociais nas redes virtuais diversifica as agendas políticas e as práticas que buscam inovar o modo de fazer política. 6 Filosofia/Sociolgia 8. Que tipo de movimento social está retratado na foto a seguir? Disponível em: <http://ame-sua-missao.blogspot.com/2011/03/jornada-de-lutas-em-recife-cobra.html>. Acesso em: 8 ago. 2011. a) Regressivo. b) Reformista. c) Progressista. d) Migratório. e) Conservacionista. 9. Assinale o que for correto sobre a temática dos movimentos sociais. (01) Os movimentos sociais são ações coletivas que visam ao confronto político, objetivando mudar ou manter uma situação. (02) Os camponeses, os negros, os jovens e as mulheres estão entre os vários grupos de sujeitos históricos que realizam movimentos de resistência. (04) O movimento zapatista não pode ser classificado como um movimento social, pois suas ações são pontuais, restritas à luta contra um acordo de livre comércio da América do Norte. (08) A organização dos movimentos sociais pode ser local, regional, nacional ou internacional e está relacionada à luta por acesso aos direitos civis, políticos e sociais. (16) A estruturação dos movimentos sociais pode criar uma identidade coletiva para os seus agentes. Soma: ( ) 7 Filosofia/Sociolgia 10. Leia o texto a seguir: A história do século XX apresenta outros conflitos de interesses que vão além da divisão da sociedade em classes: conflitos entre homens e mulheres, entre adultos e jovens, entre heterossexuais ehomossexuais, entre brancos e não brancos e/ou minorias étnicas. OLIVEIRA, L. F.; COSTA, R. C. R. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2007. p. 115-116. Atualmente, no Brasil, existe um número significativo de grupos que reivindicam direitos sociais e políticos importantes para a formação de cidadania, identidade e pertencimento no contexto nacional. Com base nas desigualdades apresentadas no texto e nas reflexões sobre os grupos sociais que as vivenciam, assinale a alternativa correta. a) A opressão sofrida pelas mulheres é conhecida como desigualdade de gênero. Ela se refere às normas sociais que são aceitas pelas mulheres como forma de reconhecimento do seu papel transformador das condições sociais desiguais. b) A homossexualidade é representada no Brasil como um desvio de conduta e, por isso, deve ser tratada como doença psíquica e social. Para isso, há no país leis que garantem a intervenção médica de indivíduos que apresentam traços do comportamento homossexual. c) O racismo no Brasil é considerado pelos sociólogos como um preconceito disfarçado. Assim, as piadas, brincadeiras e frases de duplo sentido com relação a grupos étnicos são consideradas formas sutis de racismo. d) Os conflitos entre adultos e jovens têm como base as vivências socioculturais. Todavia, um fator fundamental para formação e manutenção desses conflitos é a diferença financeira, pois os jovens recebem menos que os adultos na sua vida profissional. e) "A marcha das vadias" é um movimento social que tem como objetivo conscientizar a sociedade acerca da opressão que as mulheres vivenciam diariamente. Isso representa um avanço, pois todas as reivindicações do movimento são aceitas e acatadas imediatamente pelas instituições sociais como forma de melhorar a condição das mulheres. 8 Filosofia/Sociolgia Gabarito 1. E Todos os movimentos citados têm como temática comum a luta pela reforma agrária, com vistas a corrigir as fortes distorções que a distribuição das terras no Brasil apresenta. A afirmativa A está errada, esses movimentos lutam pela posse de pequenas propriedades, voltadas para a agricultura familiar ou sistema cooperativista; a B está errada, eles combatem as relações de patriarcalismo no campo; C está errada, não lutam pela união sindical entre trabalhadores e proprietários rurais ou cooperativismo entre eles; D está errada porque combatem justamente a grande propriedade. 2. A A afirmativa B está errada, a legalidade não é pressuposto básico para a definição de um movimento social. A afirmativa C está errada porque os movimentos sociais lutam justamente nos segmentos apontados, conseguindo diversas conquistas. A afirmativa D está errada porque não existe essa obrigatoriedade de homogeneização dos movimentos sociais. Eles se caracterizam justamente pela diversidade e pelas estratégias para lidar com ela. 3. A A afirmativa III é incorreta porque o movimento gay não abandona a ação política. Por mais que em algumas situações o movimento se valha de ações voltadas à concientização da própria sociedade civil (como as passeatas LGBT), é na esfera política que ele se articula (e tem de se articular) para transformar em lei os direitos que reivindicam da sociedade. A afirmativa IV está incorreta porque os movimentos sociais são articulados justamente na contestação dos valores morais, da tradição e dos costumes conservadores que se instituiram com o passar do tempo. Sua ideia é justamente revolver essas camadas de conservadorismo social em busca da aceitação de novas demandas decorrentes do desenvolvimento da sociedade. 4. 02 + 04 = 06 (01) Incorreta. Uma característica dos movimentos sociais é que não existe um órgão externo que lhe confira legitimidade. Esta advém de sua própria capacidade de mobilização dos atores sociais. (08) Incorreta. A eficácia de um programa social não anula motivações para mobilização, pois a complexidade da vida social sempre traz novas demandas que estão reprimidas. (16) Incorreta. O apoio a um determinado candidato ou grupo político não é motivo deslegitimador para a propositura de críticas. 5. 1 correta (02) Incorreta. Os partidos políticos são instituições constituídas para o exercício da política oficial. Os movimentos sociais por sua vez, são heterogêneos, representando anseios bem claros ou difusos da sociedade, não lutando pela obtenção do poder no Estado, mas sim de que o poder constituído os escutem e atendam às suas demandas. (04) Incorreta. A prática de ação dos movimentos sociais é muito ampla, podendo ser pela arte, pela religião, pela manifestação pública etc. (08) Incorreta. A internet na cultura contemporânea virou mais um espaço de participação social e o ativismo digital é legítimo. 9 Filosofia/Sociolgia (16) Incorreta. A participação política pode se dar de diversas formas, que não necessariamente pelo voto. A vida em sociedade pressupõe política, a capacidade de dialogar, mediar e mesmo disputar espaços de força que terão implicações posteriores na política institucional. 6. D O texto fala em movimentos sociais, que são agrupamentos da sociedade civil com um interesse comum e capacidade de mobilização e organização. Normalmente os movimentos voltam-se contra realidades adversas aos anseios do grupo ou pelo estimulo a um foco de interesse dele. Um grande estudioso dos movimentos sociais foi o sociólogo francês Alain Tourane. No exemplo apresentado no texto, temos uma situação de movimento social voltado para a educação e que pratica estas atividades fora do sistema convencional de ensino, ou seja, fora da forma institucional. A alternativa correta é a D. 7. E a) Incorreta. A emergência dos novos movimentos sociais e, posteriormente, das ONGs, foi caracterizada especialmente pela organização de estruturas de poder relativamente horizontalizadas e fluidas, em comparação com as antigas formas de lutas coletivas. A redução das hierarquias e a fluidez das mesmas estão entre as razões para se falar sobre um novo modo de fazer política. b) Incorreta. A conquista do poder estatal diz respeito aos partidos políticos. Os novos movimentos sociais e as ONGs, diferentemente, buscam ampliar a noção de política para além do Estado, e suas reivindicações condensam tal perspectiva, como se observa, por exemplo, nos movimentos de contracultura. Os referenciais culturais formam uma importante base a partir da qual se configuram os novos sujeitos, o que é parte integrante das teorizações sobre os novos movimentos sociais. c) Incorreta. Apesar de uma marcante presença das questões culturais nas novas lutas coletivas, os novos sujeitos não descartam as reivindicações associadas ao trabalho. Considerem-se, por exemplo, as demandas das mulheres, dos negros e dos gays ligadas às lutas pelo direito ao trabalho decente. d) Incorreta. O surgimento dos novos sujeitos sociais coloca em questão qualquer pretensão de um projeto definido e uniforme de construção da sociedade. Diferentemente das pretensões hegemônicas, o político define-se pela diversificação, ou fragmentação, dos projetos e dos ideais de sociedade. e) Correta. Em comparação com os modos tradicionais de fazer política, por exemplo, por intermédio dos partidos políticos, o ativismo das ONGs e dos movimentos sociais possibilita ampla diversificação da agenda e das práticas políticas. Essa diversificação é favorecida, nos últimos anos, pela difusão do uso das redes virtuais. O tema da reportagem é um exemplo desse atual estado das ações coletivas. 8. B Como podemos perceber pelas requisições das faixas, os estudantes estão fazendo reivindicações, portanto, trata-se de um movimento reformista. Movimento regressivo pede o retorno a uma situação anterior; o progressista, propõe novas formas de soluções; o migratório, como o nome diz, está relacionado à migração; eo conservacionista, à conservação, que pode ser tanto de um status social como do meio ambiente, do patrimônio histórico etc. 9. 01 + 02 + 08 + 16 = 27 (01) Correto. (02) Correto. 10 Filosofia/Sociolgia (04) Incorreto. O movimento zapatista pode ser classificado como um movimento social, pois dentre suas principais bandeiras, desde o início de sua formação, está a luta pela reforma agrária e pelos direitos dos indígenas. (08) Correto. (16) Correto. 10. C a) Incorreta. As desigualdades de gênero atuam no sentido de perpetuação do papel da mulher como submissa e inferior ao homem. b) Incorreta. A sociedade brasileira passa por um processo de aceitamento da homossexualidade como natural e como direito das pessoas. A legislação ampara esse entendimento. c) Correta. O racismo no Brasil se apresenta de forma velada, aparecendo por meio dos elementos apontados na afirmativa. d) Incorreta. A questão financeira não é motivadora dos conflitos entre adultos e jovens, mas diferentes visões de mundo. e) Incorreta. A marcha é importante para afirmar o papel feminino e chamar atenção para as condições de tratamento das mulheres, mas não consegue alcançar todas as reivindicações. 1 Filosofia/Sociologia Sociologia no Brasil: Década de 30 Resumo O que significa ser brasileiro? Será isto apenas um fato jurídico, condição daqueles que nasceram em determinado território, sob a autoridade de certo Estado? Ou haverá talvez algo mais profundo que nos define e nos constitui como povo? Qual é o cerne da identidade nacional? Qual é a nossa essência como pátria, aquilo que nos singulariza e nos diferencia de todos os outros povos do mundo? De maneira geral, as questões acima foram aquelas que mobilizaram o surgimento da sociologia no Brasil, na década de 30 do século passado. De fato, impressionados com os sucessos da recém-criada ciência sociológica, fundada na Europa cerca de cem anos antes pelo francês Augusto Comte, muitos intelectuais brasileiros convenceram-se da necessidade de se criar um pensamento sociológico autenticamente nacional, cujo principal objetivo seria precisamente revelar a verdadeira identidade pátria. Naturalmente, os membros da chamada geração de 30 não consideravam a essência do ser brasileiro como uma realidade abstrata, absoluta e permanente, estabelecida por Deus ou pela natureza. Ao contrário, sendo autênticos sociólogos, acreditavam eles que o modo de ser brasileiro foi histórico-socialmente construído e que, portanto, só o conhecimento e a compreensão adequada da história do Brasil pode nos permitir entender porque somos tal como somos. Em suma, só a formação social do Brasil poderia explicar nossa identidade. Essa busca pelas raízes históricas do nosso país como um meio de se esclarecer seu passado e também seu futuro é o que une os chamados pensadores da geração de 30, fundadores da sociologia nacional. Há, porém, também entre eles notáveis diferenças, que iremos explorar a partir de agora. Gilberto Freyre Maior e mais importante sociólogo da geração de 30, Gilberto Freyre deixou não apenas um legado teórico importantíssimo, como também uma influência muito grande no imaginário social brasileiro. Com efeito, como veremos a seguir, todo nós somos um tanto intuitivamente freyreanos. Mas vamos com calma e analisemos com calma o pensamento do autor de Casa Grande e Senzala. Segundo Freyre, a característica central da formação social do Brasil, verdadeira raiz de sua identidade, é a miscigenação, isto é, a mistura de diferentes grupos étnicos e sociais. Mais: o grande fato definidor do modo de ser brasileiro foi o modo como essa miscigenação aconteceu. De fato, iniciada com a colonização portuguesa sobre os indígenas, aprofundada com a vinda dos escravos africanos e depois com os sucessivos processos de imigração, a miscigenação brasileira não teve, de acordo com Freyre, o caráter essencialmente conflitivo e violento que teve em outros países. Diferente, por exemplo, da África do Sul e seu apartheid, dos Estados Unidos e seu conhecido histórico de segregação explícita, presente em boa parte do país até os anos de 60 do século passado, no Brasil, segundo Freyre, a miscigenação jamais envolveu um confronto racial explícito ou radical. Pelo contrário. Sem negar que obviamente houve inúmeras opressões, explorações e injustiças na história do Brasil para com grupos como negros e indígenas, Freyre acreditava que a essência da 2 Filosofia/Sociologia pátria brasileira é a sua capacidade integradora, o seu poder de conciliar as diferenças, de unir os diferentes. Não à toa, os traços distintivos do brasileiro típico são a criatividade, a inventividade, o jeitinho. Sérgio Buarque de Holanda Pai do famoso cantor Chico Buarque, Sérgio Buarque de Holanda é uma figura central na história do pensamento brasileiro. Historiador e sociólogo exemplar, ele é o autor de Raízes do Brasil, obra na qual procurou explicar nossa identidade nacional. Para começo de conversa, Sérgio Buarque concorda com o diagnóstico de Freyre a respeito do temperamento tipicamente brasileiro. Com efeito, segundo ele, o brasileiro médio é, acima de tudo, um homem cordial. Cordialidade aqui, porém, não significa exatamente simpatia ou hospitalidade. Trata-se antes do significado original na língua latina, onde cordial é aquele que se guia pelo coração (cor). Dito de modo direto, a tese de Buarque é de que o comportamento tipicamente nacional é aquele que coloca o sentimento acima da razão, o desejo pessoal acima da norma comum, a intimidade acima das regras impessoais. O ponto central é que, ao contrário da análise freyreana, Buarque tinha uma visão severamente pessimista desse jeitinho brasileiro. Para Sérgio, é justamente a cordialidade que impede a modernização e democratização do Brasil - e isto por dois motivos essenciais. Em primeiro lugar, porque a cordialidade incentiva o autoritarismo (em sociedades muito emocionais, de tendências irracionalistas, comanda o mais forte). Não à toa, Dom Pedro I e Vargas, reconhecidos usualmente como os maiores líderes políticos brasileiros, são ambos de perfil autoritário. Em segundo lugar, porque a cordialidade gera o patrimonialismo, isto é, a confusão entre a esfera pública e a privada, entre os interesses do Estado e os desejos pessoais dos indivíduos; confusão esta da qual a corrupção é um grande exemplo. Caio Prado Júnior Intelectual marxista, vinculado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), Caio Prado Júnior seguiu verdadeiramente as lições de Marx aos conflitos de classe. Segundo ele, o que explica a identidade brasileira é estrutura econômica historicamente construída no país pelos portugueses. Comparando o Brasil aos EUA, Caio Prado dizia que, enquanto a América foi uma colônia de povoamento, dividida em minifúndios e voltada para a policultura - o que explicaria seu alto grau de desenvolvimento -, o Brasil, tal como a América Espanhola, foi uma colônia de exploração, dotada de enormes latifúndios monocultores - o que explicaria nossas misérias. Depois do fim da geração de 30, muitos intelectuais marxistas deram continuidade ao legado de Caio Prado Júnior e à sua ênfase nas questões econômicas. O mais famoso desses foi Florestan Fernandes, um radical crítico de Gilberto Freyre. De fato, segundo Florestan, Freyre criou um mito - o mito da democracia racial -, o qual busca mascarar, por mais que o negue, todo o histórico de explorações e opressões da história brasileira. Buscando legitimar sua visão de Freyre, Florestan realizou extensos estudos sobre a população negra brasileira, mostrando como ela, longe de viver integrada à sociedade, esteve sempre numa posição subalternada e de exclusão. Isso, inclusive, mesmo depois da escravidão, uma vez que, apesar de libertar os escravos, o Estado brasileiro nada fez para compensar todos os prejuízos etodas as desvantagens adquiridas pelos negros ao longo de séculos de sujeição. 3 Filosofia/Sociologia Exercícios 1. Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. SETTI, A. Disponível em: http://colunas.revistaepoca.globo.com. Acesso em: 21 maio 2013 (fragmento). A diferença entre os costumes assinalados no texto e os da classe média brasileira é consequência da ocorrência no Brasil de a) automação do trabalho nas fábricas, relacionada à expansão tecnológica. b) ampliação da oferta de empregos, vinculada à concessão de direitos sociais. c) abertura do mercado nacional, associada à modernização conservadora. d) oferta de mão de obra barata, conjugada à herança patriarcal. e) consolidação da estabilidade econômica, ligada à industrialização acelerada. 2. Analise a tabela a seguir: Os dados sobre a pobreza e a indigência segundo a cor ilustram os argumentos dos estudos a) de Gilberto Freyre sobre a natural integração dos negros na sociedade brasileira, que desenvolveu a democracia racial. b) de Caio Prado Junior sobre a formação igualitária da sociedade brasileira, que desenvolveu o liberalismo racial. c) de Sérgio Buarque de Holanda sobre a cordialidade entre as raças que formam a nação brasileira: os negros, os índios e os brancos. d) de Euclides da Cunha sobre a passividade do povo brasileiro, ordeiro e disciplinado, que desenvolveu a igualdade de oportunidades para todas as raças. e) de Florestan Fernandes sobre a não integração dos negros no mercado de trabalho cem anos após a abolição da escravidão. 4 Filosofia/Sociologia 3. Nunca o Brasil recolheu tanto imposto. Creio que a corrupção nunca foi tão alta. Alguma relação? Claro que sim! Os impostos financiam a corrupção. Esmagamos o nosso corpo, retorcemos a nossa estrutura para financiar a mordomia de poucos sortudos. Isso sempre existiu em toda parte do mundo. No Brasil, então, é condição essencial para o convívio entre os agentes sociais. Entretanto, somos obrigados a conviver com um elemento muito particular nosso: o respeito às autoridades. Além de pagar imposto, o brasileiro sabe respeitar alguém que usa terno. Além do terno, tem a farda, a beca e o avental. O brasileiro sabe respeitar. Aí está o seu erro: a adulação às autoridades. Dizem que a autoridade só é autoridade para servir ao coletivo. Não existe autoridade sem função de serviçal. http:congressoemfoco.uol.com.br/autor/rodolfo. Com relação ao significado do respeito às autoridades, conforme o texto afirma, identificamos que a formação do povo brasileiro foi-se construindo por meio de práticas silenciosas com base no respeito. Decorre dessas práticas a intenção de formar cidadãos, caracterizando-os como a) críticos. b) atentos. c) atuantes. d) submissos. e) politizados. 4. Para Gilberto Freire, a família, não o indivíduo, nem tampouco o Estado nem nenhuma companhia de comércio, é, desde o século XVI, o grande fator colonizador no Brasil, a unidade produtiva, o capital que desbrava o solo, instala as fazendas, compra escravos, bois, ferramentas, a força social que se desdobra em política, constituindo-se na aristocracia colonial mais poderosa da América. Sobre ela, o rei de Portugal quase reina sem governar. Os senados de Câmara, expressões desse familismo político, cedo limitam o poder dos reis e mais tarde o próprio imperialismo ou, antes, parasitismo econômico, que procura estender do reino às colônias os seus tentáculos absorventes. (Gilberto Freire. Casa Grande & Senzala. Rio de Janeiro: José Olympio. 1994, p. 19). Assinale a afirmativa CORRETA. a) Para Freire, o Estado Brasileiro foi o grande impulsionador do desenvolvimento brasileiro. b) Para Freire, o rei de Portugal mantinha o total controle sobre o processo de colonização no Brasil. c) Para Freire, a família não pode ser considerada o agente colonizador do Brasil. d) Para Freire, a família foi predominante no desenvolvimento da sociedade brasileira, sua existência relacionou-se, desde o início, ao domínio das grandes propriedades, tanto na zona rural como posteriormente no meio urbano. e) Para Freire, a família manteve-se longe da aristocracia colonial brasileira. 5 Filosofia/Sociologia 5. A incivilidade gourmet (...) Em entrevista à Folha de S. Paulo, o sociólogo espanhol Manuel Castells chegou a tempo de enfiar o dedo nas escancaradas escaras da sociedade brasileira. (...) A imagem mítica do brasileiro simp tico só existe no samba. Na relação entre pessoas, sempre foi violento. A sociedade brasileira não é simpática, uma sociedade que se mata . Continua a mat ria, para os leitores de Sergio Buarque de Holanda, o sociólogo espanhol apenas redescobre as raízes da sociedade brasileira plantadas nos terraços da escravidão, entre a casa-grande e suas senzalas. (...) Sob a capa do afeto, o cordialismo esconde as crueldades da discriminação e da desigualdade. BELLUZZO, Luiz Gonzaga. A incivilidade gourmet. Carta Capital, Ano XXI, Nº 854. A matéria retratada aponta como ilusória a ideia de que o brasileiro teria como característica a cordialidade, sendo, ao contrário, preconceituoso e agressivo. As frases expressivas da arrogância discriminativa presente no cotidiano da sociedade brasileira estão indicadas em a) Voc n o pode discutir comigo porque n o fez faculdade. Quem poderia resolver essa situaç o? b) E voc , quem mesmo? Um momento enquanto verifico o seu processo. c) A culpa da Princesa Isabel. Este o número do seu protocolo, agora só esperar . d) Eu sou o doutor Fulano de Tal. O senhor ser o próximo a ser atendido. e) O senhor sabe com quem est falando? Coloque-se no seu lugar. 6. Leia o fragmento abaixo. [...] Se a supress o do nexo colonial n o se refletiu na condiç o de escravo nem afetou a natureza da escravidão mercantil, ela alterou a situação econômica do senhor que deixou de sofrer o peso da ‘espoliaç o colonial‘ e passou a contar, por conseguinte, com todas as vantagens da ‘espoliaç o escravista‘ que n o fossem absorvidas diretamente pelos mecanismos secularizados do comércio internacional . Fonte: FERNANDES, Florestan. Circuito Fechado: quatro ensaios sobre o poder institucional . São Paulo: Globo, 2010. Baseando-se no fragmento de Florestan Fernandes, pode-se afirmar que a independência do Brasil a) dificultou o fortalecimento da economia nacional. b) fortaleceu o setor econômico escravista nacional. c) extinguiu o tráfico de pessoas escravizadas ao país. d) rompeu com a estrutura econômica baseada na escravidão. e) aumentou a dependência brasileira aos interesses portugueses. 6 Filosofia/Sociologia 7. Observe a tabela a seguir: Diferença entre as populações de brancos e negros no Brasil (em médias) Ela apresenta as principais dimensões que caracterizam a desigualdade racial no Brasil. Com base nas médias nela apresentadas, é CORRETO afirmar que a) a proporção de negros analfabetos é menor que a média nacional. b) os domicílios com banheiro e água encanada representam a dimensão mais desigual, mostrando a proximidade do negro em relação ao branco. c) a desigualdade social no Brasil aumentou significativamente, pois a proporção de pobres negros foi maior que a de brancos e a da média nacional juntas. d) as formas de perseguição étnica e racial no Brasil são relações sociais, que refletem a desigualdade existente, apresentada na tabela. e) há uma desigualdade forte no país entre brancos e negros, e os dados são insuficientes para perceber todas as dimensõessociais que tornam os indivíduos desiguais. 8. A população negra teve que enfrentar sozinha o desafio da ascensão social, e frequentemente procurou fazê-lo por rotas originais, como o esporte, a música e a dança. Esporte, sobretudo o futebol, música, sobretudo o samba, e dança, sobretudo o carnaval, foram os principais canais de ascensão social dos negros até recentemente. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis, mas negada na prática. Ainda hoje, apesar das leis, aos privilégios e arrogâncias de poucos correspondem o desfavorecimento e a humilhação de muitos. CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006 (adaptado). Em relação ao argumento de que no Brasil existe uma democracia racial, o autor demonstra que a) essa ideologia equipara a nação a outros países modernos. b) esse modelo de democracia foi possibilitado pela miscigenação. c) essa peculiaridade nacional garantiu mobilidade social aos negros. d) esse mito camuflou formas de exclusão em relação aos afrodescendentes. e) essa dinâmica política depende da participação ativa de todas as etnias. 7 Filosofia/Sociologia 9. Em sociedade de origens tão nitidamente personalistas como a nossa, é compreensível que os simples vínculos de pessoa a pessoa, independentes e até exclusivos de qualquer tendência para a cooperação autêntica entre os indivíduos, tenham sido quase sempre os mais decisivos. As agregações e relações pessoais, embora por vezes precárias, e, de outro lado, as lutas entre facções, entre famílias, entre regionalismos, faziam dela um todo incoerente e amorfo. O peculiar da vida brasileira parece ter sido, por essa época, uma acentuação singularmente enérgica do afetivo, do irracional, do passional e uma estagnação ou antes uma atrofia correspondente das qualidades ordenadoras, disciplinadoras, racionalizadoras. HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1995. Um traço formador da vida pública brasileira expressa-se, segundo a análise do historiador, na a) rigidez das normas jurídicas. b) prevalência dos interesses privados. c) solidez da organização institucional. d) legitimidade das ações burocráticas. e) estabilidade das estruturas políticas. 10. Considere o gráfico a seguir: O fenômeno representado no gráfico é fruto das seguintes características da sociedade brasileira: a) racismo e desigualdade econômica. b) nacionalismo e desigualdade étnica. c) autoritarismo e desigualdade política. d) capitalismo e desigualdade educacional. e) patriarcalismo e desigualdade de gênero. 8 Filosofia/Sociologia Gabarito 1. D Esfria a barriga no tanque e a esquenta no fog o representa o trabalho dom stico. Na Europa ( Do outro lado do Atl ntico ) a m o de obra mais cara do que no Brasil, fazendo com que os indivíduos, independentemente da profissão, realizem as tarefas da casa. No Brasil, por outro lado, há grande número de trabalhadores domésticos, além de uma herança patriarcal que mant m o ser servido como status social. 2. E A tabela mostra a diminuição da quantidade de pobres e de indigentes no Brasil entre os anos 1992 e 1999. Como se pode perceber, a diminuição da quantidade de pobres e indigentes brancos foi proporcionalmente mais acentuada que a dos afrodescendentes. Ou seja, os afrodescendentes tiveram mais dificuldade de sair da pobreza. Esta disparidade pode, sem grandes problemas, ser enquadrada na teoria de Florestan Fernandes sobre a (não) integração do negro na sociedade brasileira. 3. D Pertencente a fase "B" da implantação da sociologia Brasileira Sergio Buarque de Holanda desenvolve o conceito de "cordialidade do Brasileiro", que o brasileiro é cordial quase que por natureza (exemplo do tipo ideal Weberiano) e que devemos entender essa "cordialidade" não como alguém educado, mas como alguém subserviente. 4. D A única alternativa correta é aquela representada pela letra (d), pois Gilberto Freyre considera que a família tem um caráter fundamental para o desenvolvimento da sociedade brasileira. 5. E A única alternativa que possui duas afirmações cotidianas de caráter discriminatório é a representada pela letra e. Tanto a express o O senhor sabe com quem est falando? , quanto a express o Coloque-se no seu lugar , denotam a desigualdade e a discriminaç o fortemente presentes na realidade brasileira. 6. B De acordo com o fragmento de Florestan Fernandes, o processo de independência do Brasil fortalece a economia baseada na escravid o. Nesse sentido, o senhor, j sem o peso da espoliaç o colonial, passa a receber as vantagens advindas da espoliaç o escravista . 7. E Há uma grande desigualdade entre brancos e negros no Brasil, o que é representado claramente na tabela presente nesta questão. 8. D Dentre as opções oferecidas verifica-se que o mito é um a narrativa de caráter simbólico, imagético, relacionada a uma dada cultura, que procura explicar e demonstrar, por meio da ação e do modo de ser das personagens, a origem das coisas, e tal argumentação fantasiosa permite iludir as pessoas sobre a realidade de seus reais problemas. O mito da democracia racial foi criado pelo sociólogo Gilberto Freyre dizia que não haveria racismo no Brasil dado a miscigenação racial desde os primeiros anos dos europeus 9 Filosofia/Sociologia aqui, esse pensamento foi adotado em grande escala tanto por parte do poder público quanto pela população camuflando diversas desigualdades sociais entre brancos e negros. 9. B O Historiador Sérgio Buarque de Holanda, ícone no estudo da História no Brasil, disserta sobre a característica da sociedade brasileira de prezar mais pelas importâncias privadas e pessoais do que pelo vínculo e importâncias coletivas, públicas. O autor não sugere uma origem específica para isso, porém, nos permite uma grande reflexão acerca do tema. 10. E O fenômeno da desigualdade de salários entre homens e mulheres no Brasil é fruto do patriarcalismo e da desigualdade de gêneros presentes na sociedade brasileira. 1 Sociologia Sociologia no Brasil: década de 40 Resumo Sociologia brasileira: Década de 40 O pensamento sociológico brasileiro da década de 40, enquanto forma de pensar a realidade social do nosso país e de desenvolver uma consciência crítica sobre ela, ganhou uma importância muito grande a partir de diversos temas relevantes como, por exemplo, as desigualdades sociais, os regionalismos, as políticas indigenistas, tradições, preconceito, mobilidade social e assim por diante. Falaremos brevemente sobre as principais contribuições de três grandes sociólogos desta época, são eles: Octavio Ianni (1906 – 2004), Florestan Fernandes (1920 – 1995) e Darcy Ribeiro (1922 – 1997). Octavio Ianni Octavio Ianni formou-se em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo em 1954, passando a integrar a cadeira de Sociologia I como professor assistente. A vaga de titular era ocupada pelo colega Florestan Fernandes. Seu pensamento esteve voltado, fundamentalmente, para a questão das diferenças e das injustiças sociais, assim como dos meios através dos quais poderíamos superá-las. Ianni fez parte da escola de sociologia paulista, abordando o assunto do preconceito racial no Brasil de maneira original. Ianni é considerado um dos principais sociólogos do Brasil, ao lado de Fernando Henrique Cardoso e Florestan Fernandes. As principais obras de Ianni foram "Cor e Mobilidade Social em Florianópolis" (1960, em colaboração), "Homem e Sociedade" (1961), "Metamorfoses do Escravo" (1962); "Industrialização e Desenvolvimento Social no Brasil" (1963), "Política e Revolução Social no Brasil" (1965), "Estado e Capitalismo no Brasil" (1965), "O Colapso do Populismo noBrasil" (l968). Florestan Fernandes Florestan Fernandes formou-se em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo na década de 40, tendo se tornado doutor nessa mesma instituição após realizar o seu mestrado na Escola Livre de Sociologia e Política. Nesses estudos deu uma grande contribuição para a etnologia brasileira ao abordar a sociedade indígena dos Tupinambás. O sociólogo permaneceu na USP até o período da Ditadura Militar. Após esse momento viaja para lecionar no exterior. Florestan Fernandes escreveu algumas obras importantes para a própria compreensão do saber sociológico, tais como: Fundamentos empíricos da explicação sociológica , Ensaios de sociologia geral aplicada e A natureza Sociológica . Sobre a questão das transformações sociais, tema recorrente na obra do autor, podemos citar: A sociologia numa era de revolução social , A revolução burguesa no Brasil e Da guerrilha ao socialismo: a Revolução Cubana. 2 Sociologia Darcy Ribeiro Darcy Ribeiro foi um importante sociólogo, escritor, político e educador brasileiro, fundador de duas Universidades, a UNB e a UENF, feito único na história da cultura brasileira. O sociólogo brasileiro começou o trabalho de etnólogo em 1947 no antigo serviço de proteção ao índio em 1947 e criou o museu do índio em 1953. Além disso, ele foi o autor da Lei de Diretrizes Básicas da Educação aprovada pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1996. Seus estudos antropológicos se concentram, fundamentalmente, na questão dos índios. Ao contrário de Gilberto Freyre (1900 – 1987), que considerava que a miscigenação que largamente se praticou aqui corrigiu a distância social que de outro modo se teria conservado enorme entre a casa-grande e a senzala , Ribeiro não compreendia essa miscigenação como sinônimo de democracia racial. Do seu ponto de vista, só se poderia viver uma democracia racial na medida em que houvesse democracia social. Essa compreensão de Darcy Ribeiro aparece claramente em seu importante livro O povo brasileiro – A formação e o sentido do Brasil , editado em 1995. Na obra, o autor considera a miscigenação como principal fator que caracteriza a diversidade no Brasil. Esse processo teria se iniciado assim que os primeiros portugueses chegaram ao país, tendo se desenvolvido a gestação étnica brasileira em todo o período colonial (1530 – 1815). 3 Sociologia Exercícios 1. O antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, em sua obra O Povo Brasileiro, afirma: Nós, brasileiros, somos um povo sem ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela, fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos oriundos da mestiçagem viveu por séculos sem consciência de si, afundada na ninguendade. Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros. RIBEIRO, D. O Povo Brasileiro. 1995, p.453. Partindo da análise do texto transcrito acima, assinale a alternativa INCORRETA. a) A identidade nacional brasileira nasceu do encontro e mestiçagem entre diversos grupos étnicos. b) A miscigenação do povo brasileiro se deu fisicamente e principalmente no seu modo de ser e agir. c) A mestiçagem no Brasil foi um erro histórico e um obstáculo para a construção de uma identidade nacional. d) As identidades não são coisas com as quais nascemos, são formadas e transformadas no interior das representações coletivas. e) O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado, é herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e as experiências adquiridas pelas numerosas gerações que o antecederam. 2. Na segunda metade do s culo XX, a tend ncia superação das ideias racistas permitiu que diferentes povos e culturas fossem percebidos a partir de suas especificidades. Grupos de negros pressionaram pela adoção de medidas legais que garantissem a eles igualdade de condições e combatessem a segregação racial. Chegamos então ao ponto em que nos encontramos, tendo que tirar o atraso de d cadas de descaso por assuntos referentes África . Marina de Mello e Souza. A descoberta da África. RHBN, ano 4, n. 38, novembro de 2008, p.72-75. A partir deste texto e do conhecimento da sociologia a respeito da questão racial em nosso país, é possível afirmar que a) autores como Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Darcy Ribeiro, entre outros tantos autores, são importantes por chamarem a atenção do país para o papel dos negros na construção do Brasil e da brasilidade, e as formas de exclusão explícitas e implícitas que sofreram. b) apesar de relevante a luta contra o preconceito racial, o estudo da África só diria respeito ao conhecimento do passado, do período do Descobrimento do Brasil até a abolição da escravidão entre nós. c) estudar a África só nos indicaria a captura e a escravidão de diferentes povos africanos, tendo em vista que raça e o racismo são categorias ideológicas as quais servem para encobrir as fortes tensões sociais existentes entre a imensa classe de pobres e o seu oposto a dos ricos. d) a autora quer dizer que devemos hoje operar cada vez mais com categorias tais como a especificidade da raça negra, da raça branca, da raça amarela e outras mais. e) nenhuma das alternativas está correta. 4 Sociologia 3. Tendo por base o texto abaixo, do antropologo brasileiro Darcy Ribeiro, assinale o(s) item(s) que melhor corresponde(m) as suas ideias. Nessa confluência, que se dá sob a regência dos portugueses, matrizes raciais díspares, tradições culturais distintas, formações sociais defasadas se enfrentam e se fundem para dar lugar a um povo novo (...), num novo modelo de estruturação societária. Novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras, fortemente mestiçada, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais dela oriundos. Também novo porque se vê a si mesmo e é visto como uma gente nova, um novo gênero humano diferente de quantos existem (...) A conflu ncia de tantas e tão variadas matrizes formadoras poderia ter resultado numa sociedade multiétnica, dilacerada pela oposição de componentes diferenciados e imiscíveis. Ocorreu justamente o contrário, uma vez que, apesar de sobreviverem na fisionomia somática e no espírito dos brasileiros os signos de sua múltipla ancestralidade, não se diferenciaram em antagônicas minorias raciais, culturais ou regionais, vinculadas a lealdades étnicas próprias e disputantes de autonomia frente à nação (RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, 19-20 [1995]). I. O Brasil é um país fundamentalmente multicultural, evidenciando-se no cotidiano o antagonismo entre os diferentes povos que migraram para cá e os povos nativos. II. O povo brasileiro na realidade é uma ficção, pois sob a aparência de um apaziguamento de etnias e culturas diferentes, o que se tem são etnias minoritárias em luta para sobreviverem. III. A teoria da miscigenação, que o autor compõe, expressa que, apesar dos vários e acentuados embates que as diferentes etnias experimentaram, surgiu uma nova realidade cultural, na qual as culturas e povos foram misturados de forma única e inseparável, originando os atuais brasileiros. IV. Quaisquer das pr ticas de distinção entre os brasileiros, seja por raça , regionalismo , origem , bem como práticas como ações afirmativas para grupos étnicos minoritários, corresponderiam às características próprias do modo de ser do povo brasileiro. V. O povo brasileiro, em seus tipos regionais, expressaria modos de ser que têm suas raízes no encontro de índios, negros e brancos, e, posteriormente, nas novas etnias migrantes, sem contudo perder a sua unidade e especificidade ou deixar deser uma única gente. Assinale a alternativa correta. a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. b) Apenas as afirmativas III e IV estão corretas. c) Apenas as afirmativas III e V estão corretas. d) Apenas a afirmativa IV está correta. e) Todas as afirmativas estão corretas. 5 Sociologia 4. Desde o surgimento das Ciências Sociais (antropologia, política e sociologia) no Brasil, autores como: Gilberto Freyre (Casa Grande & Senzala), Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil), Florestan Fernandes (A organização social dos Tupinambá), Darcy Ribeiro (O povo brasileiro), e vários outros, pensaram e estudaram o Brasil e o ser brasileiro. Os principais temas abordados até os anos 1960 nestes estudos foram: I. Mundo rural brasileiro e transformação do rural para urbano II. Povos indígenas; população negra III. Movimentos sociais e partidos políticos IV. Migração; identidade nacional e religião V. Participação popular e organizações não governamentais. Assinale a alternativa que contém todas as alternativas corretas. a) I, II e III. b) IV e V. c) I, II e IV. d) I, II, III e IV. e) III e V. 5. De acordo com Darcy Ribeiro: [...] o primeiro processo civilizatório humano fundado na Revolução Industrial vai impondo tamanhas alterações nos modos de ser das sociedades humanas que acaba por integrá-las todas num só sistema interativo e por configurar uma nova formação sócio cultural, também bipartida em dois complexos tecnologicamente defasados e economicamente contrapostos, mas complementares: o superior, constituído pela aceleração evolutiva de algumas nações capitalistas- mercantis à condição de centros de dominação imperialista industrial; o inferior, constituído através de movimentos de atualização histórica que provocam tanto a redistribuição de áreas coloniais entre as novas pot ncias como o surgimento de uma nova forma de depend ncia: o Neocolonialismo . RIBEIRO, D. O processo civilizatório. Petrópolis: Vozes, 1978, p. 152-153. São exemplos de países pertencentes ao primeiro grupo citado pelo autor: a) Alemanha e Japão. b) Inglaterra e França. c) Brasil e África do Sul. d) Estados Unidos e Rússia. e) Portugal e Espanha. 6 Sociologia 6. A fúria do tirano, o terrorismo de Estado, a guerra, o massacre, o escravismo, o racismo, o fundamentalismo, o tribalismo, o nazismo, sempre envolvem alegaçoÞes racionais, humanitárias, ideais, ao mesmo tempo que se exercem em formas e técnicas brutais, irracionais, enlouquecidas. Em geral, a fúria da viol ncia tem algo a ver com a destruição do outro , diferente , estranho , com o que busca a purificação da sociedade, o exorcismo de dilemas difíceis, a sublimação do absurdo embutido nas formas da sociabilidade e nos jogos das forças sociais. Oct vio Ianni, A violência na sociedade contempor nea , em Estudos de Sociologia. Araraquara, v. 7, n. 12, p. 8, 2002. Assinale a alternativa correta. a) Os atos de violência sempre implicam alegações irracionais e práticas racionais que transformam os jogos das forças sociais e as tramas de sociabilidade que envolvem as coletividades. b) A violência nasce como técnica de poder, exercita-se como modo de preservar, ampliar ou conquistar a propriedade, adquirindo desdobramentos psicológicos desprezíveis para agentes e vítimas. c) Os atos de violência não têm excepcional significação, porque mantêm as mesmas formas e técnicas, razões e convicções conforme as configurações e os movimentos da sociedade. d) A violência entra como elemento importante da cultura política com a qual se ordenam ou se transformam as relações entre os donos do poder e os setores sociais tornados subalternos. 7. Sobre o sentido da ditadura militar brasileira, Octavio Ianni faz a seguinte análise: O que est em questão, no período da ditadura militar, a ostensiva entrada de militares no processo político e no aparelho estatal, de modo a realizar uma eficaz recuperação do Estado burguês em crise. Trata-se de instaurar, por via militar, as condições de ordem e progresso , ou segurança e desenvolvimento , que as burguesias não estavam em condições de criar por meio dos partidos. Diante do ascenso político do povo, de operários e camponeses, funcionários e empresários, estudantes e intelectuais, as burguesias nacional e estrangeira apelaram a determinados setores militares, policiais, da Igreja, latifundiários e outros, para quebrar a mesma ordem constitucional burguesa que as lutas de classe estavam fazendo avançar. Diante do ascenso político do povo, no sentido de fazer avançar a democracia, a grande burguesia prefere destruir inclusive as poucas conquistas democrático- burguesas alcançadas em 1946-64: voto secreto, partidos, habeas corpus, liberdade de imprensa, liberdade de reunião e discussão. IANNI, Octavio. Populismo e militarismo. In: Pensamento social no Brasil. Bauru, SP: EDUSC, 2004, p.289. Segundo o texto acima, o golpe militar de 1964, no Brasil, resultou de a) parceria entre militares e burguesia, sendo, portanto, civil e militar. b) fortalecimento da política constitucional brasileira, alcançada em 1946-64. c) manutenção da segurança e o desenvolvimento econômico do operariado. d) comprometimento das elites econômicas com o avanço da democracia radical. e) desejo da cúpula militar na ascensão política do povo excluído. 7 Sociologia 8. De acordo com Octavio Ianni: Para melhor compreender o processo de estratificação social, enquanto processo estrutural, convém partirmos do princípio. Isto é, precisamos compreender que a maneira pela qual se estratifica uma sociedade depende da maneira pela qual os homens se reproduzem socialmente . IANNI, O. Estrutura e História. In IANNI, Octavio (org). Teorias da Estratificação Social: leitura de sociologia. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1978, p. 11. Com base no texto e nos conhecimentos sobre estratificação social, considere as afirmativas a seguir. I. Os estamentos são formas de estratificação baseadas em categorias socioculturais como tradição, linhagem, vassalagem, honra e cavalheirismo. II. As classes sociais são formas de estratificação baseadas em renda, religião, raça e hereditariedade. III. As mudanças sociais estruturais ocorrem quando há mudanças significativas na organização da produção e na divisão social do trabalho. IV. As castas são formas de estratificação social baseadas na propriedade dos meios de produção e da força de trabalho. A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é: a) I e II b) I e III c) II e III d) I, II e IV e) II, III e IV 9. Um dos traços marcantes do atual período histórico é, pois, o papel verdadeiramente despótico da informação. Conforme já vimos, as novas técnicas deveriam permitir a ampliação do conhecimento do planeta, dos objetos que o formam, das sociedades que o habitam e dos homens em sua realidade intrínseca. Todavia, nas condições atuais, as técnicas de informação são principalmente utilizadas por um punhado de atores em função de seus objetivos particulares [...] aprofundando assim os processos de criação de desigualdades. Milton Santos. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro, Record, 2000. O fragmento de texto critica as redes informacionais surgidas com a globalização, por quê? a) Difundem a ideologia da classe dominante, contribuindo dessa forma para a acumulação capitalista. b) Favorecem discordâncias entre as elites. c) Contrapõem interesses políticos e econômicos. d) Difundem e ampliam o conhecimento favorecendo a inclusão. e) Estão nas mãos das grandes empresas midi ticas e são utilizadas por um punhado de atores . 8 Sociologia 10. Penso, pois, que o Carnaval põe o Brasil de ponta-cabeça. Num país onde aliberdade é privilégio de uns poucos e é sempre lida por seu lado legal e cívico, a festa abre nossa vida a uma liberdade sensual, nisso que o mundo burguês chama de libertinagem. Dando livre passagem ao corpo, o Carnaval destitui posicionamentos sociais fixos e rígidos, permitindo a fantasia , que inventa novas identidades e d uma enorme elasticidade a todos os papéis sociais reguladores. DAMATTA, R. O que o Carnaval diz do Brasil. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com. Acesso em: 29 fev. 2012. Ressaltando os seus aspectos simbólicos, a abordagem apresentada associa o Carnaval ao(à) a) inversão de regras e rotinas estabelecidas. b) reprodução das hierarquias de poder existentes. c) submissão das classes populares ao poder das elites. d) proibição da expressão coletiva dos anseios de cada grupo. e) consagração dos aspectos autoritários da sociedade brasileira. 9 Sociologia Gabarito 1. C O texto demonstra exatamente a importância da mestiçagem para a construção da identidade nacional. É o inverso disso que a alternativa [C] apresenta, sendo, por isso, a única incorreta. 2. A Somente a alternativa [A] está correta. O estudo da África passou a fazer sentido quando o racismo e as ideias de raça deixaram de fazer parte da linguagem científica, sendo considerados como mera construção ideológica. Para tanto, os sociólogos elencados na alternativa foram de grande importância, pois deram novo significado à forma como a população negra é compreendida na sociedade brasileira. 3. C Com uma boa leitura do texto é possível ao aluno responder de maneira correta à questão. Darcy Ribeiro defende o argumento de que, apesar de possuir tanto matrizes raciais quanto tradições culturais distintas, o Brasil se constituiu em um povo com uma cultura nova, sincrética e singularizada. Somente as afirmativas III e V estão de acordo com esse argumento. 4. C A questão faz uma abordagem geral a respeito da bibliografia produzida pelos autores apresentados na questão. Buscando compreender problemas enfrentados pela sociedade brasileira em geral e procurando definir no que consistia essa brasilidade , esses autores trabalharam com a transição do mundo rural para o urbano, com povos indígenas e população negra, com questões relacionadas à imigração, identidade nacional e religião. Somente as alternativas III e V não correspondem a temas abordados pelas Ciências Sociais no Brasil até 1960. Esses são temas mais recentes, que exigiram um desenvolvimento maior dessas para se tornarem objeto de estudo. 5. B Darcy Ribeiro, ao tratar do Neocolonialismo, enfatiza tanto a questão de desenvolvimento tecnológico quanto a de dependência econômica. Neste período, nações industrializadas da Europa Ocidental exerceram seu poderio econômico sobre os territórios da Ásia e da África, constituindo-se em grandes potências coloniais. Dentre as alternativas, somente Inglaterra e França correspondiam a este tipo de nações industrializadas do período. 6. D A alternativa [D] é a mais correta. A violência é sempre relacional e serve como forma de organizar relações políticas entre o dominador e o dominado. 7. A Segundo o argumento do autor, a ditadura militar recolocou bases para a constituição de uma economia burguesa no Brasil. Sendo assim, não se tratava de um simples movimento político militar, mas também civil no sentido de camadas da população que se beneficiaram e participaram do projeto político militar. 10 Sociologia 8. B Somente as afirmações I e III são corretas. Os estamentos são uma forma de estratificação social típica da Idade Média, quando justamente predominavam relações de vassalagem, honra, tradição, linhagens e cavalheirismo. A afirmação III também é correta e um exemplo de mudanças significativas na organização da produção é a revolução socialista. Em contrapartida, as alternativas II e IV são erradas. As classes sociais são formas de estratificação baseadas nas relações de produção. Já as castas são formas de estratificação social tradicionais, baseadas, por exemplo, na raça. 9. A A última frase do texto de Milton Santos revela a forma ideológica e intensificadora de desigualdades pela qual as técnicas de informação são utilizadas na atualidade. Isso demonstra a difusão da ideologia da classe dominante, que tende a manter seu poder no sistema de acumulação capitalista. 10. A O carnaval modifica, ainda que temporariamente, os papéis sociais tradicionalmente estabelecidos em nosso país. Assim, somente a alternativa [A] está correta. Powered by TCPDF (www.tcpdf.org) http://www.tcpdf.org