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ALEITAMENTO_LIVRO

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não protráteis, que não se alongam ou 
não se espicham;
• sucção não nutritiva prolongada;
• uso inadequado de bombas de extração de leite;
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Bombas de extração de leite podem 
causar fissuras e contaminar o leite se 
não estiverem adequadamente este-
rilizadas, além de poderem diminuir a 
autoconfiança materna, uma vez que 
extração manual ou bomba sempre re-
tiram menos leite do que o bebê conse-
gue ordenhar na mama. Ao verificar o 
que conseguiu retirar com a bomba, a 
mulher tende a achar que está produ-
zindo pouco.
• interrupção inadequada da mamada, puxando a 
criança do peito antes de finalizar;
Início da lactação.
Fonte: BRASIL, 2015c.
 
64 Promoção do aleitamento materno na Atenção Básica
eficazes, podem ser a causa do trauma mamilar.
Uma vez instalado o trauma mamilar, discuta com a 
mulher sobre o que está acontecendo, para que haja 
melhor compreensão. Examine as mamas, verifique a 
mamada e identifique se há problemas na pega. Carac-
terize o tipo de lesão, para indicar o melhor tratamento 
e as condutas corretas.
Medidas de conforto que podem minimizar o estí-
mulo aos receptores da dor localizados na derme do 
mamilo e da aréola (BRASIL, 2015c; SANTIAGO, LB, 
2013; UNICEF, 2009):
• iniciar a mamada pela mama menos afetada;
• ordenhar um pouco de leite antes da mamada, o 
suficiente para desencadear o reflexo de ejeção 
de leite, evitando dessa maneira que a criança 
tenha de sugar muito forte no início para desen-
cadear o reflexo;
• explorar as diferentes posições de amamentar, 
reduzindo a pressão nos pontos dolorosos ou 
áreas machucadas;
• considerar o uso alternativo de um protetor para 
o mamilo, como um coador de plástico pequeno 
e sem o cabo, entre as mamadas. Isso permite di-
minuir o contato da área machucada com a rou-
pa. Esses dispositivos devem ter buracos de ven-
tilação, pois a inadequada circulação de ar para 
o mamilo e a aréola pode reter umidade e calor, 
tornando o tecido mais vulnerável a macerações 
e infecções;
• usar algum analgésico sistêmico por via oral, em 
caso de dor importante. Não deve haver dor no 
amamentar, assim, nesse caso, a mulher poderá 
ser temporariamente medicada.
Você, como profissional de saúde, deve trabalhar a 
prevenção da ocorrência de traumas mamilares e dis-
cutir com a mulher alguns cuidados específicos (BRA-
SIL, 2015c):
• verifique o que ocorre e oriente-a para a técnica 
adequada, ou seja, o posicionamento e a pega 
corretos;
• oriente-a quanto aos cuidados para que os ma-
milos mantenham-se secos, expondo-os ao ar 
livre e à luz solar e trocando frequentemente 
os forros utilizados, quando houver vazamento 
de leite;
• informe-a para não usar produtos que retiram a 
proteção natural do mamilo, como sabões, ál-
cool ou qualquer produto secante;
• fale sobre amamentação em livre demanda, 
pois a criança que é colocada no peito assim que 
dá os primeiros sinais de que quer mamar vai ao 
peito com menos fome, por isso, com menos 
chance de sugar com força excessiva;
• esclareça os cuidados necessários para evitar in-
gurgitamento mamário;
• oriente a mulher a realizar, quando necessário, 
a extração ou ordenha manual da aréola antes 
da mamada, se ela estiver ingurgitada, a fim de 
deixar a aréola e o mamilo mais flexíveis, o que 
permitirá uma pega adequada;
• instrua a mulher a, se for preciso interromper 
a mamada, introduzir o dedo indicador ou mí-
nimo pela comissura labial (canto) da boca do 
bebê, de maneira que a sucção seja interrompi-
da antes de a criança ser retirada do seio;
• recomende que ela não use protetores (interme-
diários) de mamilo, pois esses, além de não serem 
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Se a dor for intensa e a mãe não conseguir manter a 
mamada, ela poderá suspender temporariamente a 
sucção na mama afetada, podendo retirar o leite ma-
nualmente e dar ao bebê com copo ou colher, até que o 
mamilo melhore ou cicatrize. 
Existem ainda algumas controvérsias em relação ao 
tratamento para traumas mamilares. A melhor inter-
do a uma melhora da barreira na pele danificada (BRA-
SIL, 2015c). Um estudo experimental identificou que a 
lanolina pode ser indicada para tratar os traumas ma-
milares e contribuir para diminuir as dificuldades apre-
sentadas pela puérpera no processo de amamentação 
(COCA, K.P.; ABRÃO, A.C.F.V., 2008).
Se existir algum sinal de infecção (a mais comum é por 
estafilococo), antibioticoterapia tópica (ou sistêmica, em 
casos mais graves) está indicada (mupirocina a 2%), sen-
do avaliada a indicação e a prescrição por profissional 
médico ou, caso haja protocolos estabelecidos, também 
podem ser prescritos por profissional de enfermagem.
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Uma questão bem definida e recomen-
dada abrange o tratamento seco das le-
sões mamilares (banho de luz, banho de 
sol, secador de cabelo), procedimento 
muito popular nas últimas décadas. Essa 
prática não tem sido mais recomendada, 
pois se evidenciou que a cicatrização de 
feridas é mais eficiente se as camadas in-
ternas da epiderme (expostas pela lesão) 
mantiverem-se úmidas (BRASIL, 2015c).
Ressaltamos a importância da abordagem da mulher e 
da família nos atendimentos nas Unidades Básicas de 
Saúde ou em qualquer lugar no âmbito do território de 
abrangência, tendo em vista a necessidade de interven-
ção e apoio, acolhimento à família que vivencia alguma 
venção, nas pesquisas de aleitamento, tem sido o po-
sicionamento adequado e a pega correta para diminuir 
a dor nos mamilos (LOCHNER et al, 2009, citado por 
BRASIL, 2015).
Quando não houver infecção no mamilo, a lanolina 
purificada poderá diminuir o desconforto da mulher. O 
uso tópico de ácidos graxos essenciais está relaciona-
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intercorrência no processo de amamentar, pois o risco 
de desmame é grande. Segundo a PNAB, a porta pre-
ferencial de entrada para o SUS é a Unidade Básica de 
Saúde. Portanto, a responsabilidade do acompanha-
mento da mulher em todas as fases da vida é da equipe 
de saúde da família do território onde a pessoa reside.
Pesquisa desenvolvida por Montrone e colaboradores 
(2006) apontou a necessidade imediata de implemen-
tar estratégias de apoio e auxílio à mulher com trauma 
mamilar. Essas estratégias envolvem a capacitação da 
equipe de saúde, de modo que esteja preparada para 
atuar na prevenção e resolução dos traumas mamila-
res, assim como na promoção de ações educativas que 
disponibilizem à população informações atualizadas 
sobre amamentação. 
3.1.3 Ingurgitamento mamário – 
bloqueio de ductos
O ingurgitamento mamário tem sido uma das princi-
pais dificuldades na amamentação. Inicialmente, você 
precisa compreender a diferença entre o ingurgitamen-
to fisiológico e o patológico.
No processo de lactogênese (produção do leite), a apo-
jadura, também conhecida como descida do leite, é de-
signada como ingurgitamento fisiológico (SOUSA et al, 
2012). Por sua vez, o ingurgitamento patológico carac-
teriza-se pela distensão tecidual excessiva, em que as 
mamas ficam excessivamente distendidas, o que cau-
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k.sa dor, hiperemia local e edema mamário. As mamas 
ficam brilhantes e os mamilos, achatados, dificultando 
a pega do recém-nascido.
A puérpera pode apresentar grande desconforto, febre 
e mal-estar. Quando não ocorre intervenção de alívio 
do ingurgitamento, a produção de leite é interrompida 
e inicia-se um processo de reabsorção, associado ao 
desmame precoce. 
O ingurgitamento mamário

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