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APOSTILA Historia da Moda

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O SURGIMENTO DA ROUPA E O ATO DE SE COBRIR 
1 - Indumentária na pré-história 
A pré-história é o extenso período que antecede o aparecimento da escrita e do uso dos metais. 
A primeira descoberta cultural importante do homem foi a invenção da arte. Na pintura, na 
gravura, na escultura foram expressos pensamentos por meio de símbolos. As mais antigas 
obras primas da arte surgiram há milhares de anos na era da pedra lascada, no Paleolítico, em 
cavernas no centro da Europa. 
O período posterior chamado Neolítico, foi relativamente curto em relação a toda pré-história, ele 
começou de fato na mesopotâmia e estendeu-se lentamente, em suas evoluções por meio da 
navegação, ao Egito e à Anatólia, chegando ao sul da Europa. 
Os grupos pré-históricos eram nômades e se deslocavam de acordo com a necessidade de obter 
alimentos. Durante o período neolítico essa situação sofreu mudanças, desenvolveram-se as 
primeiras formas de agricultura e consequentemente o grupo humano passou a se fixar por mais 
tempo em uma mesma região, mas ainda utilizavam-se de abrigos naturais ou fabricados com 
fibras vegetais ao mesmo tempo em que passaram a construir monumentos de pedras colossais, 
que serviam de câmaras mortuárias ou de templos. Raras as construções que serviam de 
habitação. Essas pedras pesavam mais de três toneladas, fato que requeria o trabalho de muitos 
homens e o conhecimento da alavanca. 
As roupas do homem da pré-história eram feitas de pele de animais e era necessário trabalhar 
a pele para que ela ficasse viável de ser usada e não prejudicasse os movimentos dos homens 
que iam à caça. Era necessário tentar dar-lhes forma e torná-las maleáveis, uma vez que secas 
também ficavam muito duras e de difícil trato. 
Ambas as técnicas não eram eficientes e com o tempo foram evoluindo. O primeiro passo foi o 
uso de óleos de animais que mantinham as peles maleáveis por mais tempo, pois demoravam 
mais para secar. Até que finalmente se descobriu as técnicas de curtimento, quando se passou 
a usar o ácido tânico (tanino) contido na casca de determinadas árvores (carvalho e salgueiro) 
para tornar as peles permanentemente maleáveis e também impermeáveis. Essas peles eram 
presas ao corpo com as próprias garras dos animais, usando-se nervos, tendões e até fios da 
crina ou do rabo do cavalo. Neste período, as peles que eram colocadas no ombro do homem 
primitivo impediam-lhe os movimentos. 
Ainda no período da pré-história, se tem início a fabricação de tecidos, mesmo que ainda de 
forma artesanal e primitiva. 
Com o tempo os avanços e aprimoramentos foram surgindo tornando possível a produção de 
peças como saiotes adornados com franjas, conchas, sementes, pedras coloridas, garras e 
dentes de animais. E foi a partir das necessidades físicas humanas que as diferentes formas do 
vestuário evoluíram. 
2 - O período paleolítico superior e o neolítico: em busca da forma. 
2.1 Localização temporal do paleolítico superior e neolítico. A historiografia propõe que a pré-
história seja dividida em três períodos: 
Paleolítico Inferior (cerca de 500.000 a. c.) 
Paleolítico Superior (aproximadamente 30.000 a. c.) 
Neolítico (aproximadamente 10.000 a. c. a 1.000 a.C.) 
2.2 Paleolítico Superior (ou Pedra Lascada): características socioculturais e artísticas 
- Pinturas encontradas nas cavernas de Niaux, Font- de-Gaume e Lacaux (França) e 
Altamira (Espanha) 
- Primeiras expressões extremamente simples: traços nas paredes ou "mãos em 
negativo". 
- Principal característica: Naturalismo (Pintavam do modo como viam) 
- Primeiras manifestações estão impregnadas de magia e ligadas à religião. 
- Pinturas rupestres seriam manifestações de caçadores, o pintor-caçador acreditava 
ter poder sobre o animal desde que? possuísse? sua imagem. 
- Capacidade de interpretação da natureza: imagens que representam animais temidos 
estão carregadas de traços que revelam força e movimento enquanto que animais 
como a rena e o cavalo revelam beleza e fragilidade. 
- As esculturas e pinturas produzidas no Paleolítico Superior retratavam figuras 
femininas, como as Vênus encontradas na França, Itália e Rússia. 
2.3 Neolítico (ou Idade da Pedra Polida): características socioculturais e artísticas 
- Descoberta do Fogo 
- Regime de comunidades primitivas 
- Descoberta da agricultura (de subsistência) permitiu o sedentarismo e daí a 
domesticação de animais (Rev. Neolítica) 
- Desenvolvimento de técnicas para construção de utensílios (armas, vasos etc.) 
- Surgimento da cerâmica: usada para revestir os utensílios e impermeabilizá-los 
- Aumento da densidade populacional e existência de uma organização social para 
controle das atividades comunitárias. 
- Técnica de tecer e construção das primeiras moradas
 
3 - Mesopotâmia 
Mesopotâmia é a denominação dada a um grande planalto localizado no Oriente Médio, 
delimitado entre os vales do Tigre e Eufrates. Seu nome significa entre dois rios, e corresponde 
ao atual território do Iraque. 
Vários povos habitaram essa região entre os séculos V e I a.C.. Sua permanência foi 
ajudada pelas cheias constantes dos rios, que tornavam as terras ao redor férteis, 
proporcionando a agricultura, além disso, desfrutavam de água para o consumo, pesca e uma 
via de transporte muito útil. 
Essa região, chamada de Crescente fértil, está situada numa área aonde a maior parte 
das terras é muito árida para qualquer cultivo. Uma espécie de oásis no deserto. 
Todo esse contexto, fez desse local um terreno ideal para migrações e alvo de disputas, 
causando o fim e aparecimento de novos povos decorrentes das invasões, entre eles: os 
Sumérios, os Babilônios e Assírios. 
A Mesopotâmia é considerada um dos berços da humanidade, pois aí que surgiram as 
primeiras civilizações. A partir do século III a.C., cidades como Ur, Uruk, Nipur, Kish, Lagash se 
desenvolvem e a atividade comercial entre elas se torna mais intensa. 
Elas são parte integrante da civilização sumeriana, tida como a primeira do espaço 
mesopotâmico. Seu crescimento foi acompanhado por um desenvolvimento de um complexo 
sistema hidráulico, que evitava inundações nas cheias e garantia o armazenamento de água, o 
que criou uma ferramenta de irrigação avançada para as plantações. 
Com grande autonomia, os mesopotâmicos não se caracterizavam pela construção de 
uma unidade política. Predominavam os pequenos Estados, que tinham seu centro político, 
formando as Cidades-Estado. Cada uma controlava seu próprio território, com burocracias e 
governos independentes. 
Sempre monárquicos, os governos tinham o poder real de origem divina, num misto de 
religião e política. Devido à algumas limitações de vestígios arqueológicos, uma das fontes de 
pesquisa para o estudo da região, vem de documentos não encontrados nessa área e de trechos 
da Bíblia. 
Pequena cronologia da região: 
•De 6.000 a.C. à 5.000 a.C. -> Primeiras ocupações, início da agricultura, desenvolvimento de 
técnicas para a fixação no local. 
•De 3.500 a.C. à 3.000 a.C. -> Surgem as primeiras cidades, início da civilização Sumeriana e a 
criação do primeiro sistema de escrita e numérico 
•2.000 a.C. -> Consolidação da civilização Assíria 
•De 1.900 a.C. à 1.200 a.C. -> Primeiro Império Babilônico e a criação do Código de Hamurabi 
•1.200 a.C. -> Dominação Assíria sobre a Babilônica 
•1.100 a.C. -> Segundo Império Babilônico 
3.1 - Religião 
Os povos mesopotâmicos eram politeístas (acreditavam em vários deuses), que 
poderiam praticar tanto o bem quanto o mal. Geralmente atribuídos à elementos da natureza 
(chuva, vento, água, Sol, Lua) eram representados com uma imagem semelhante a dos seres 
humanos. 
O líder político-religioso recebia o nome de Patesi. 
Cada cidade possuía seus próprios deuses, porém existiam algumas divindades aceitas 
por todas. 
O centro religioso era o Templo, que era a casa dos deuses na cidade. Nele, só podiam 
entrar os sacerdotes, que eram responsáveis pelo seu cuidado e trabalhavam como 
intermediários entre os deuses