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ETAPA 2 - A construção da ideia de Direitos Humanos as lutas da Sociedade Civil Organizada

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TEMA: A CONSTRUÇÃO DA IDEIA DE DIREITOS HUMANOS: AS 
LUTAS DA SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA E OS DIREITOS 
CONSTITUCIONAIS
DIREITOS HUMANOSDIREITOS HUMANOS
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Direitos Humanos
Centro Universitário Leonardo da Vinci
Conteudista
Thiago Rodrigo da Silva
Reitor da UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch
Pró-Reitora de Graduação a Distância
Prof.ª Francieli Stano Torres
Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância
Prof. Hermínio Kloch
Diagramação e Capa
Eloisa Amanda Rodrigues
Revisão:
José Roberto Rodrigues
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1A Construção da Ideia de Direitos Humanos: As Lutas da Sociedade Civil 
Organizada e os Direitos Constitucionais
1 INTRODUÇÃO
Direitos Humanos deixou de ser uma carta de proposição e passou a 
se transformar em um conceito fi losófi co-jurídico. Este é um dos principais 
motivadores a pontuar certas perspectivas normativas no mundo ocidental no 
que tange aos direitos das minorias (sociais, culturais, étnicas, etc.) e pessoas em 
situação de risco social. O princípio básico da Declaração Universal dos Direitos 
Humanos é que todo ser humano é igual. Esta foi a grande novidade imposta 
pela declaração de direitos. Todavia, podemos traçar alguns antecedentes 
históricos que explicam a construção do conceito de direitos humanos. Um 
conceito formado na história do Ocidente, em suas tensas relações com os 
povos de culturas distintas daquelas de raiz greco-romana. 
 Os principais conceitos utilizados no mundo ocidental, no que tange 
ao direito e à política, são de inspiração greco-romana. A ideia de cidadania, 
a exemplo das ideias de política e república, possui esta origem. Porém, as 
sociedades da antiguidade clássica não são exemplos de direitos igualitários 
entre todos os seres humanos. A escravidão era a base de toda a produção 
econômica. Assim, a desigualdade era profunda em sociedades altamente 
hierarquizadas. O poder máximo era o do chefe de família, extremamente 
respeitado na Roma Antiga. Este poder chegava ao ponto de um pai poder 
matar seu fi lho, sem ser importunado legalmente por tal atitude. 
 O cristianismo, surgido no interior da sociedade romana, foi uma das 
primeiras ideologias a pregar uma igualdade inerente a todos os seres humanos. 
As pregações de Jesus, em sua utopia de paz, amor e solidariedade entre as 
pessoas, foram amplamente divulgadas. Segundo as palavras do apóstolo 
Paulo: “Destarte, não pode haver nem judeu nem grego; nem escravo nem 
liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” 
(Gálatas: 3: 28).
Em outras passagens, o apóstolo dos gentios afi rma ser a Igreja um único 
corpo, cuja cabeça é Jesus Cristo (Coríntios: 12: 27). No cristianismo primitivo, 
uma noção de igualitarismo entre os membros de mesma fé foi uma tônica. 
Tônica que se transforma com algumas ideias de teólogos dos séculos IV e V, que 
pregavam que fora da igreja não haveria salvação. “Aos poucos, o carisma religioso 
igualitário cedeu espaço para a construção de uma sociedade fundamentada na 
ideia de uma natureza desigual dos indivíduos” (GOMES, 1997, p. 3-60). 
 A sociedade medieval e moderna, de profunda inspiração em 
ideologias do cristianismo ocidental, tinha como princípio fundamental 
que todos os indivíduos são naturalmente diferentes. Esta noção era 
tradicionalmente mantida através de uma sociedade estamental. Isto é, o 
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2 Direitos Humanos
status conferido pelo nascimento garantiria aos indivíduos uma posição fi xa na 
sociedade. Havia os oratores, bellatores e laboratores. Isto é, os sacerdotes 
religiosos (padres e freiras), os nobres guerreiros, além dos servos. Neste tipo 
de organização social, denominado como feudal ou patrimonialista, a relação 
entre os indivíduos não é a de portadores de direitos, mas sim de portadores 
de deveres. Os deveres não eram perante a lei, mas perante o seu superior 
hierárquico na sociedade. Assim, os castigos físicos e as humilhações várias 
ocorriam entre mestres e aprendizes nas escolas e corporações de ofício, 
entre acadêmicos e professores nas universidades, entre maridos e esposas 
ou entre pais e fi lhos nos lares. A sociedade do Antigo Regime, também 
denominada Sociedade Estamental ou Feudal, foi uma forma de organização 
social na qual as barbáries poderiam ocorrer. A escravidão, que inicia no 
começo da expansão ibérica (portuguesa e espanhola) para o sul da península 
e posteriormente para a África, acabou por ser uma extensão das ideias e 
práticas europeias para outras regiões do mundo (DOYLE, 1991).
FIGURA 1 – CRISTIANISMO
 FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo>. Acesso em: 2 out. 2012.
A Reforma Protestante e a Descoberta da América foram eventos 
responsáveis por um início de transformação nas sensibilidades dos homens 
no Ocidente. A Reforma Protestante teve como um de seus princípios a 
ideia de sacerdócio universal dos seres humanos (DELUMEAU, 1989). Isto é, 
todos os cristãos tinham condições de entender o que estava escrito na Bíblia. 
Com isto, todos devem ser dignamente tratados e alfabetizados, para que 
possam viver de acordo com os ditames do Evangelho. Durante o processo 
de descoberta e conquista da América se desenvolveu a chamada Escolástica 
Ibérica Quinhentista, na qual os autores se esforçaram por compreender e 
defender o direito dos indígenas. Estudiosos como Francisco de Vitória, além 
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3A Construção da Ideia de Direitos Humanos: As Lutas da Sociedade Civil 
Organizada e os Direitos Constitucionais
do frei Bartolomeu de Las Casas, defendiam o chamado direito dos gentios. 
Isto é, o direito dos povos que não são cristãos. Em grande parte, as teorias 
elaboradas pelos teólogos em muito pouco foram postas em prática no 
processo de conquista americana, pois a intolerância foi uma das marcas do 
verdadeiro genocídio que vitimou as populações ameríndias.
Podemos compreender estas ações como representantes de um 
período da história do mundo conhecido como Absolutismo. Isto é, um tempo 
no qual o poder da nobreza era absoluto. O poder absoluto era legitimado 
pela religião. Não somente em teóricos como Jean Bodin, que em O poder real 
segundo as sagradas escrituras afi rmava ser o rei um enviado de Deus, como as 
relações cotidianas dos indivíduos eram regidas pelos ditames da fé cristã. 
Com o Iluminismo, em meados do século XVII e no Século 
XVIII, considerado o Século das Luzes na França, outros 
ideais passaram a permear os imaginários. A ideia de um 
mundo no qual os ditames sociais e morais não seriam ditados 
pela religião, mas sim pelo poder do Estado, foi a principal 
formulação dos fi lósofos iluministas. Voltaire, no livro Tratado 
sobre a tolerância, no qual criticava os costumes sociais que 
diferenciavam católicos e protestantes. Montesquieu, em 
O Espírito das Leis, pode ser considerado como um dos 
principais formuladores de limites ao poder real. Sua principal 
formulação é o conceito de um poder tripartite, composto 
pelo Legislativo, Executivo e Judiciário. Outra formulação 
iluminista importante é que todo o poder emana do povo, e 
por ele deve ser exercido (CORVISIER, 1976, p. 368-374). 
FIGURA 2 – VOLTAIRE
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Voltaire>. Acesso em: 2 out. 2012.
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