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Prévia do material em texto

Hieróglifos Egípcios
Um curso de introdução à leitura e escrita do Antigo Egito
 
 
 
Antonio Fontoura
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio e para qualquer fim, sem
autorização prévia, por escrito, do autor. Obra protegida pela Lei dos Direitos Autorais. 
 
Todas as referências das imagens utilizadas nesse livro podem ser encontradas ao final da obra.
 
Os hieróglifos desse livro foram escritos com o editor JSesh, v. 6.5.5. Disponível em
<https://jsesh.qenherkhopeshef.org/>.
 
A fonte de transliteração foi baseada na CMU Serif, desnhada por Donald Knuth, compilada por
Christian Perfect (http://checkmyworking.com) a partir da Computer Modern Unicode fonts por
Andrey V. Panov (http://cm-unicode.sourceforge.net/).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
www.patolalivros.com.br
 
 
Curitiba, 2017
2ª edição.
 
Estela de Pepi, XIIª dinastia, atualmente no museu de São Petersburgo.
INTRODUÇÃO
 
Esta estela foi colocada aqui como um desafio a você. Se, neste momento, ela
parece um documento indecifrável e impossível de ser compreendida, ao final
deste livro você será capaz de retornar aqui, olhar para o texto e decifrá-lo.
Este é o objetivo deste livro e deve ser também o seu.
Mantenha a lembrança de ver a estela de nosso amigo Pepi como algo
intransponível. E, aos poucos – lendo e estudando – perceba como as
informações contidas nestes hieróglifos vão sendo, gradualmente,
compreendidas.
Estudar hieróglifos egípcios não é uma tarefa simples. Estamos estudando
uma língua que não é mais falada ou escrita, nativamente, há cerca de dois
mil anos.
Exige atenção, paciência e a noção de que se está estudando uma língua
estrangeira – e não um código. Ou seja: para que você possa entender os
textos hieroglíficos, demandará tanto tempo quanto o estudo de qualquer
outra língua, antiga ou moderna. Com um agravante: não se pode falar em
egípcio – pois, como não escreviam vogais, não se conhece a pronúncia
completa das palavras – e, portanto, não se pode treinar pela fala. Apenas
pela escrita.
E o que estaremos estudando, exatamente?
A escrita hieroglífica, como você deve imaginar, é a representação gráfica de
um idioma, o egípcio antigo. Porém, os egípcios não mantiveram o mesmo
idioma durante toda a sua história. Como um povo dinâmico e vivo – e
considerando que sua história compreende mais de 2.000 anos – sua língua,
sua escrita, suas concepções religiosas, mudavam.
E embora buscassem manter uma ligação com o próprio passado, a escrita do
chamado Antigo Império[1] (época de construção das grandes pirâmides) é
bem diferente do final de sua história, por exemplo.
E mesmo os hieróglifos, que para nós é a escrita representativa da cultura
egípcia, haviam deixado de ser uma escrita viva já no Novo Império, para se
tornar uma escrita ritualizada, reservada para documentos religiosos e
monumentos. A escrita do dia-a-dia passou a ser o hierático e, depois, o
demótico, acompanhando inclusive as mudanças no próprio idioma.
Por isso, os egiptólogos costumam chamar o chamado Médio Império de
“Egito clássico”: é o período em que a escrita hieroglífica atinge o seu auge
enquanto representação escrita viva, de um idioma também vivo.
Neste livro você poderá reviver um pouco desta história, e ter acesso a um
sistema de escrita que, mesmo no período do Antigo Egito, era restrito a
poucos membros das classes sociais superiores.
Aqui você começa a sua jornada para se tornar um escriba. Contemporâneo, é
claro. Ainda assim, um escriba.
SUMÁRIO
PRINCÍPIOS GERAIS DA ESCRITA
Desafio
Seu caderno de hieróglifos
A sua escrita manuscrita
Disposição dos sinais
Exercícios
IDEOGRAMAS E FONOGRAMAS
Determinativos
Exercícios
OS SONS E O ALFABETO
Fonogramas
Sons
A transliteração
Para que serve a transliteração?
Os sinais unilíteros
Convenção de pronúncia
Exercícios
Desafio: escrevendo seu nome em hieróglifos
INICIANDO A GRAMÁTICA EGÍPCIA
Desafio
Outras preposições
Adjetivos
Os sinais bilíteros
Complementos fonéticos
Trilíteros
Mais complementos fonéticos
Exercícios
Desafio: Nomes de faraós
Exercícios
A REVERÊNCIA AO FARAÓ
As palavras “Todo” e “Senhor”
Títulos reais
Elogios ao rei
Desafio: O painel de Nefertari
Exercícios
OS NÚMEROS E O CALENDÁRIO
O calendário egípcio
Pronomes
Tabelas de pronomes
Exercícios
OS TEXTOS RELIGIOSOS
Os elementos da fórmula de oferenda
Profissões
Nomes próprios
Exercícios
Desafio
OS TEXTOS NOS TEMPLOS
As palavras da divindade
A fórmula de proteção
Exercícios
COMO CONTINUAR OS ESTUDOS
Sites
Livros
Software
Respostas das atividades
Lista de sinais
Referências das imagens
Cronologia
 
CAPÍTULO 1
Princípios gerais da escrita
 
Neste texto, retirado da tumba da Rainha Nefertari, os hieróglifos estão escritos em colunas, e devem
ser lidos da direita para a esquerda.
A escrita egípcia é composta de sinais figurativos. Ela pode ser escrita em
linhas ou em colunas, tanto da direita para a esquerda quanto da esquerda
para a direita.
A grande maioria dos textos produzidos no período dos faraós era escrita da
direita para a esquerda. Esta era, sem dúvida, a direção mais comum da
escrita.
Porém, por conta da influência da escrita ocidental, quase a totalidade dos
livros sobre hieróglifos procura apresentar os textos da esquerda para a
direita.
Neste livro procuraremos seguir esta orientação. Usaremos outras direções
apenas quando estivermos estudando um texto original egípcio.
De toda forma, quando olhamos para um texto original, escrito em
hieróglifos, é relativamente simples descobrir a direção correta da leitura.
Basta estudar os sinais que aparecem no texto. As figuras humanas e de
animais – e mesmo os objetos – estarão sempre voltados para o início do
texto.
Observe a seguinte frase, escrita em hieróglifos.
Observe que, no texto acima, a pessoa e os animais estão voltados para a
direita. Portanto, esta frase deve ser lida da direita para a esquerda.
Lembre-se:
Os hieróglifos estão sempre voltados para o início do texto.
Observe o seguinte texto, extraído do templo em Abu Simbel, em que
aparece o nome do faraó Ramsés II. Em que direção você acredita que o texto
deva ser lido?
Observe a imagem da pessoa sentada (na verdade a deusa Maat), bem como o
cetro, que tem a figura de uma cabeça de chacal. Estão ambos voltados para a
esquerda. E como você já sabe que os sinais hieroglíficos estão sempre
voltados para o início do texto, podemos concluir que este texto deve ser lido
da esquerda para a direita.
Além disso, os textos hieroglíficos podem estar dispostos em linhas, ou em
colunas.
Observe, abaixo, a imagem de um pequeno vaso canópico[2]. Estes vasos
eram utilizados em cerimônias fúnebres, guardavam os órgãos internos do
falecido e eram colocados junto ao corpo, em sua tumba.
Observe que estes hieróglifos apresentam uma escrita um pouco mais
simplificada. Em tais objetos, ou em papiros, o escriba não tinha um cuidado
em detalhar os sinais como quando, por exemplo, escrevia em templos ou nas
paredes das tumbas.
A primeira questão: qual a direção de leitura deste texto?
No destaque, alguns dos sinais que nos indicam a direção de leitura deste texto.
As imagens dos pássaros, dos perfis humanos, da cobra com chifres (todos
voltados para a direita), são alguns dos sinais que nos indicam que este texto
deve ser lido da direita para a esquerda.
E, com relação às colunas? Sendo um texto que deve ser lido da direita para a
esquerda, a leitura das colunas respeita esta ordem. Lê-se, em primeiro lugar,
a coluna da extrema direita e segue-se coluna a coluna, até o final do texto.
Ordem da leitura das colunas.
A mesma regra serve para os textos escritos em linhas.
No detalhe da estela funerária a seguir, os textos devem ser lidos da direita
para a esquerda (observe a direção para onde estão voltados os pássaros, o
trono, o olho, por exemplo).
A ordem da leitura das linhas, por sua vez, é igual à nossa: em primeiro lugar
leem-se as linhas superiores e continua-se, até o final do texto, passando para
as linhas de baixo.
É bastante comum que ummesmo objeto contenha diferentes direções de
leitura. Observe o pequeno vaso abaixo, que contem o nome do faraó
Amenhotep e de sua esposa Tyi.
Você consegue identificar a direção de leitura dos hieróglifos neste objeto?
Podemos identificar dois grupos de textos neste objeto. A coluna da direita
deve ser lida da esquerda para a direita. A coluna da esquerda, deve ser lida
da esquerda para a direita.
Observe, na imagem a seguir, como são vários os hieróglifos que nos
fornecem pista da direção de leitura de cada uma das colunas.
É importante observar a direção em que as figuras de pessoas e de deuses
aparecem nos textos. Como regra geral, os personagens estão sempre
voltados na direção dos textos a que se referem. Observe na estela funerária
abaixo.
O deus, sentado, está voltado para a direita. O texto que se refere a ele
também está voltado para a direita. O falecido, por sua vez, está voltado para
a esquerda. Assim, o texto que se refere a ele deve ser lido da esquerda para a
direita.
DESAFIO
O texto abaixo foi retirado de um papiro funerário, escrito pelo escriba Hunefer. Esses papiros eram
colocados junto ao falecido, para que sua alma viajar, com segurança, até o “outro mundo”. Os papiros
com esse tema são conhecidos como “Livros dos Mortos”.
Este papiro é interessante como desafio por dois motivos. Em primeiro lugar, pelo estilo dos desenhos
dos hieróglifos. Repare como foram desenhados mais rapidamente, adequados à “caligrafia” do escriba.
São menos detalhados que os hieróglifos que existem em templos, por exemplo. A segunda razão é que
são vários texto diferentes; e, nesse caso, são também vários sentidos de leitura diferentes. Você
consegue identificar todos?
Concentre-se na imagem antes de ver a resposta a seguir. Se encontrar dificuldades, não se preocupe.
Lembre-se que estamos apenas começando nossa viagem.
▪ Em que direção este texto deve ser lido?
▪ Há apenas um texto? Como você sabe disso?
▪ Se houver mais de um texto, quantos textos você acha que existem?
▪ Qual a relação que existe entre as figuras e os textos em hieróglifos?
Tente formular as respostas a estas questões. A seguir, confira se você acertou.
Há vários textos diferentes nesta imagem. Na parte superior do papiro (bloco 1), o texto deve ser lido
da direita para a esquerda. É o texto que se refere ao homem ajoelhado (o próprio Hunefer), aliás. O
segundo grupo (bloco 2) deve ser lido da esquerda para a direita, e referem-se às figuras sentadas.
Tratam-se de deuses, e nos textos estão escritos cada um dos seus nomes.
 
SEU CADERNO DE HIERÓGLIFOS
Na parte principal do papiro o conjunto à esquerda (bloco 3) refere-se a
Anúbis, e deve ser lido da esquerda para a direita. Já o grupo da direita (em
que Hórus está adiante de Hunefer) deve ser lido da direita para a esquerda.
Caso você ainda não tenha o seu “caderno de hieróglifos” está na hora de
comprar um. Nele, você irá treinar a escrita e além de traduzir os textos deste
livro. Qualquer caderno serve – com pauta ou sem pauta. A escolha é sua.
O texto a seguir está escrito da direita para a esquerda. Em um caderno copie
o mesmo texto, só que escreva da esquerda para a direita.
A propósito, no texto está escrito “o sol brilha no céu”.
 
A SUA ESCRITA MANUSCRITA
Se esta é sua primeira vez escrevendo hieróglifos (e se está lendo este livro,
devo presumir que é), você deve ter achado que seus sinais ficaram horríveis.
E provavelmente ficaram.
Sinais desalinhados, um hieróglifo maior que o outro, quarenta minutos para
desenhar onze sinais, e aquela questão que sempre existe quando iniciamos o
aprendizado de outro tipo de escrita: o que é importante retratar neste sinal, e
o que é apenas um detalhe que poderia ser omitido?
Apenas com o treinamento, tanto da escrita quanto da leitura, você
conseguirá fazer com que seus olhos, e sua mão, saibam identificar e
reproduzir os sinais de uma forma mais harmônica.
Este é um detalhe de um de meus primeiros cadernos de hieróglifos. Com a
prática, aprendi a simplificar alguns sinais, a desenhar rapidamente outros.
Há aqueles, porém, que sempre serão feios e tortos, comparados com os
impressos em livros.
Com você deverá ocorrer a mesma coisa. É o treino que lhe dará a habilidade
de escrever os hieróglifos mais correta e rapidamente. De toda forma, é
importante que você entenda o que escreveu.
Afinal, caso um dia você queira escrever um texto em hieróglifos para
alguém – em uma carta, para seu namorado, para seus alunos, em uma
apresentação, etc. – você usará um software específico para a edição de
hieróglifos egípcios.
Software, aliás, que discutiremos também neste livro.
 
DISPOSIÇÃO DOS SINAIS
Os escribas não dispunham os sinais aleatoriamente dentro de um texto. Para
decidir de que forma os sinais deveriam ser agrupados, havia uma
preocupação estética. Em qualquer texto, você poderá perceber que os
egípcios buscavam a harmonia na disposição dos sinais.
Ao buscar escrever “Eu fiz a minha tumba com a bênção do Rei”, os escribas
não escreviam
Na verdade, procuravam organizar os sinais de forma que a frase formasse
um conjunto harmônico. Desta maneira, a mesma frase, escrita por um
escriba, apareceria assim:
 
Diante de uma palavra, ou de uma frase, os escribas se esforçavam para
agrupar os sinais em conjunto, adequando as suas proporções. Buscava-se
organizar o texto de forma que cada conjunto ficasse contido em um
quadrado imaginário, cujas faces corresponderiam aos sinais maiores e mais
longos.
Veja alguns exemplos:
 
EXERCÍCIOS
1. Estude com atenção os textos abaixo. Depois, identifique a direção de
leitura de cada um dos textos.
Repare que um mesmo documento pode apresentar textos com diferentes
direções. As respostas aos exercícios estão no final do livro.
a)
 
 
b)
2. Os sinais seguintes estão colocados lado a lado. Claramente, não seria
assim que um escriba escreveria. Reescreva as frases abaixo, reagrupando os
sinais de forma harmônica, à maneira egípcia.
 
a) “Adorar Amon na escadaria”
 
b) “Oferendas dadas pelo rei a Osíris Khemtimentu, grande deus”
 
 
c) “Que ele dê oferendas invocadas de pão, de cerveja, boi e pássaro”.
 
 
d) “Oferendas dadas por Anúbis em sua Montanha, ele que é o preparador de
múmias, o senhor da Terra Sagrada.”
 
 
3. Abaixo você encontra dois textos egípcios. Sua tarefa é escrever os
números ao lado de cada hieróglifo, indicando a ordem em que cada sinal
deve ser lido.
Não se esqueça de verificar a direção da leitura de cada texto.
a) Boi Ápis, em imagem presente em sarcófago, de cerca de 1000 a.C.
 
 
b) Recipiente de produtos cosméticos, datado entre 663 e 332 a.C.
 
 
CAPÍTULO 2
Ideogramas e fonogramas
 
Nos cartuchos, nomes de faraós. As palavras egípcias eram formadas tanto por sinais que podiam
representar tanto ideias quanto sons.
 
A escrita hieroglífica possui, em primeiro lugar, sinais com valor fonético,
que exprimem sons (semelhante às letras do nosso alfabeto). Estes sinais são
chamados fonogramas.
Além disso, há sinais que representam objetos ou ideias. Estes sinais são os
ideogramas, e servem para indicar, com precisão, o significado das palavras
que as acompanham.
Como na maioria das escritas semitas, também os fonogramas egípcios
representam apenas consoantes e semi-consoantes.
A escrita egípcia não contém vogais.
O ideograma é um sinal que identifica uma palavra, como os nossos números:
escrever “7” significa pronunciar sete, sem recorrer às letras S, E, T, E.
Atualmente utilizamos muitos sinais que tem função semelhante àquela dos
ideogramas egípcios.
No Egito, para expressar, por exemplo, a palavra “água”, são escritas três
ondas pequenas
que transmitem a ideia de “água”. 
Os fonogramas, por sua vez, são sinais usados para identificar um ou vários
sons. Estes sons, unidos, formam a grande maioria das palavras egípcias.
Historicamente, os fonogramas egípcios surgiram dos ideogramas. Porém,
com o desenvolver de sua escrita, passaram a significar apenas o som,
independentemente daquilo que representavam.
Por exemplo, o sinalque é a representação de uma boca, passou a ter o significado fonético de r.
Assim, é um sinal utilizado para escrever a palavra “casa”:
Aqui, o sinal
significa apenas r, compondo assim a palavra pr, ou seja, “casa”.
DETERMINATIVOS
No final da maioria das palavras egípcias aparecem sinais denominados
determinativos, que têm a única função de revelar, aproximadamente, a qual
categoria uma palavra pertence.
Para entender melhor o papel que os determinativos desempenhavam na
escrita egípcia, vamos supor que a escrita portuguesa seguisse algumas regras
dos hieróglifos.
Por exemplo: se na língua portuguesa não escrevêssemos vogais, como saber
que palavra é esta?
LVR
Poderíamos supor, por exemplo, que estivesse escrito LiVRo (já que as
vogais estão omitidas). Ou, então, LouVoR. Poderia, até mesmo, indicar o
nome de uma pessoa, como áLVaRo.
Como diferenciar?
Se pudéssemos usar determinativos, esta dúvida poderia ser resolvida
facilmente: colocaríamos, ao final da palavra, um determinativo, indicando a
categoria à qual a palavra pertence.
Por exemplo, o que significaria esta palavra?
LVR
E esta?
LVR
Desta maneira, o leitor pode identificar qual o significado exato de cada
palavra.
Uma brincadeira interessante (e útil): que determinativo você poderia colocar,
para indicar que LVR significa Álvaro?
Use a sua imaginação e crie um determinativo:
LVR?
Depois, compare o sinal que você criou, com aquele utilizado pelos egípcios,
para a mesma função (iremos discutir esse determinativo futuramente).
A maioria das palavras egípcias é construída desta forma: um conjunto de
sinais que indicam o som da palavra e, ao final, um ou mais determinativos
que indicam a categoria à qual a palavra pertence.
Por exemplo, o sinal
é um determinativo para “deus”. Sabendo disso você pode imaginar que as
seguintes palavras representem nomes de deuses:
 
E de fato são. Na ordem, Amon, Ptah, e Temu. A própria palavra “deus”, em
egípcio ntr, por vezes pode utilizar o determinativo de “deus”.
Neste texto, a palavra em destaque é deus. O machado (ntr) representa o som, acompanhado do
determinativo de deus. Há outros determinativos para “deus” nesse trecho; você consegue encontrá-
los?
 
Repare nos seguintes nomes de árvores, indicados pelo determinativo
.
 
 Jujubeira
 Figueira
 Acácia
Já as palavras a seguir são nomes de locais, indicados pelo determinativo
 Abidos
 Assiout
 Egito.
Convém abrir um parêntesis, antes de prosseguirmos. Você vê, acima,
palavras que utilizam uma grafia estranha, em nosso alfabeto:
Trata-se da transliteração das palavras, ou seja, da representação fonética dos
sinais hieroglíficos. Por enquanto não se preocupe, pois você irá aprender o
significado desta transliteração e sua importância.
Fecha parêntesis.
Muitas palavras têm um duplo determinativo: em
 
que significa recompensa, o sinal
 (pão)
e o sinal
 (rolo de papiro)
remetem, respectivamente às ideias de vantagem material e de conceito
abstrato, evocados em conjunto pelos dois determinativos.
Um outro exemplo é a palavra
, criança,
em que os sinais
e
dão, respectivamente, as ideias de infância e de pessoa.
Os determinativos permitem, além disso, distinguir termos de significados
diferentes, mas escritos pelos mesmos sinais fonéticos:
, estabilidade,
 , ganso do Nilo.
Há quanto tempo você não brinca de “ligue os pontos”? Na primeira coluna
você encontra palavras escritas em hieróglifos. Na segunda coluna, você tem
uma lista de significados.
Analisando os determinativos, descubra qual o significado das seguintes
palavras:
A resposta você encontra no final do livro.
EXERCÍCIOS
1. Abaixo você encontra imagens de textos egípcios em que aparecem nomes
de alguns deuses.
Todos os deuses, aqui, utilizam o símbolo
como determinativo.
Identifique e circule, nos textos abaixo, os nomes dos deuses
Osíris - 
Hapi 
Duamutef - 
Geb - 
 
E da deusa Hequet - 
Não se esqueça de considerar a direção em que o texto foi escrito.
a) Jarros canópicos, do Terceiro Período Intermediário.
b) Trecho de uma estela de Amenotep I.
 
c) Papiro de Nesitanebtashru.
 
d) Templo de Abidos 
2. Por questões de economia de espaço, ou por razões de estilo, muitos nomes
de deuses eram representados sem o seu determinativo.
Era bastante comum, também, a opção de colocar, como determinativo, um
sinal específico para um deus.
Por exemplo, o deus Anúbis, representado por vezes como um chacal, ou
como um homem com cabeça de chacal, tinha um determinativo próprio para
seu nome.
Poderia aparecer como
ou como
.
a) Identifique, abaixo, a direção em que o texto foi escrito.
b) Encontre o nome do deus Anúbis.
c) O escriba, por questões de espaço (provavelmente) ou por descuido,
deixou de escrever um dos sinais que fazem parte do nome de Anúbis. Qual o
sinal deixou de ser representado?
d) Com o auxílio do vocabulário abaixo, traduza o texto do monumento.
É recomendável que você copie o texto original em seu caderno de
hieróglifos (em colunas ou em linhas) e apenas depois realize a tradução.
Vocabulário:
 - Senhor - Terra Sagrada
 
3. Era comum que a própria imagem do deus funcionasse como
determinativo.
Por exemplo: uma das formas completas de se escrever o nome deusa Néftis
era assim:
Repare, no artefato a seguir, como o nome da deusa aparece representado.
Abaixo você encontra a imagem de um peitoral (espécie de adorno, comum
entre os egípcios). Você consegue encontrar os dois locais em que aparece o
nome da deusa Néftis, nesse texto? Onde se encontra o determinativo, nesse
caso?
4. Já vimos, anteriormente, um trecho do Livro dos Mortos do escriba
Hunefer. O trecho abaixo foi extraído de outro texto semelhante mas, desta
vez, escrito por Ani. Veja o texto com atenção.
Abaixo você tem uma ampliação do texto sobre as pequenas figura dos
deuses.
a) Nestes textos você encontra o nome de quatro deuses diferentes que já
vimos anteriormente. Procure identificá-los.
b) Você já sabe o que significa o sinal
pois já o vimos anteriormente em outro exercício. Sabendo, agora, que os
sinais
significam “eternidade”, traduza, especificamente, o seguinte trecho do
papiro de Ani.
c) Copie o seguinte trecho em seu caderno de hieróglifos. Depois, com ajuda
do vocabulário a seguir, realize a tradução do texto.
 - Escriba - Ani
Trata-se do trecho de uma oração e, por isso, seu significado poder ser
obscuro. Nomes dos deuses, quando acompanham o nome de um falecido,
serviam como invocação e proteção.
 
CAPÍTULO 3
Os sons e o alfabeto
 
Ao lado de uma representação do deus, o nome Ptah, aparece, nesse anel, escrito apenas com
fonogramas alfabéticos.
 
Já sabemos que as palavras egípcias são formadas por uma combinação de
fonogramas e ideogramas. Fonogramas são símbolos que representam sons.
Os ideogramas, por sua vez, representam ideias. Podem ser usados tanto para
representar uma palavra (o sinal boca
poderá representar a palavra boca), quanto funcionar como determinativos,
mostrando a que grupo determinada palavra pertence.
Neste capítulo iremos nos aprofundar no estudo dos fonogramas, que são a
base de construção das palavras egípcias. E começar a entrar, realmente, na
língua egípcia e nas traduções de textos.
FONOGRAMAS
Os fonogramas representam apenas consoantes. Como foi visto no capítulo
anterior, a escrita hieroglífica não representava vogais.
( Aliás, esta regra é importante, caso desejemos escrever nomes não egípcios.
Como escrever João? Pedro? Cleópatra? – que, aliás, é um nome grego.
Vamos ver como os próprios egípcios acharam uma solução para isso).
Existem três tipos de sinais fonéticos (ou seja, fonogramas) no egípcio antigo.
▪ Os sinais unilíteros, ou seja, que representavam apenas um som.
Estes sinais são também conhecidos como alfabéticos. Três exemplos são os
sinais
que representa o som ;
que representa o som .
que representa um h aspirado, semelhante ao h de house, em inglês.
Este som é representado por .
Como foi mostrado no início deste capítulo, é com estas letras que é escritoo
nome do deus que hoje se convencionou pronunciar-se Ptah.
▪ Os sinais bilíteros[3] representam dois sons. Como, por exemplo,
que representa os sons ;
que representa os sons .
▪ Os sinais trilíteros, que representam três sons. Alguns exemplos de
trilíteros são
 que representa os sons ;
 que representa os sons ;
Porém, o sinal trilítero mais conhecido da escrita hieroglífica é
 cujos sons que representa são grafados .
Com estes conjuntos de sinais, os egípcios escreviam seus textos.
Nesta imagem, retirada de uma das salas da tumba da tainha Nefertari, tem-se
a representação da própria rainha, em posição de adoração. É possível
encontrar, neste trecho, o nome do deus Osíris, que já vimos tantas vezes nos
textos anteriores.
Além disso, esse trecho nos revela como um texto escrito em hieróglifos é
uma soma de ideogramas, e dos vários tipos de fonogramas.
Afinal, você pode encontrar, no texto, ideogramas, como
;
fonogramas unilíteros ou alfabéticos, como
, , , ;
bilíteros, como
 e ;
trilíteros como
 e .
SONS
Se os egípcios escreviam apenas consoantes, como sabemos a forma que eles
pronunciavam as palavras? Não sabemos. Não há como saber. Uma palavra
como ganso
era escrita com
, e ,
mais o determinativo de ganso. Quantas vogais poderiam ter entre as letras?
Não se pode ter certeza. Assim, atualmente, é impossível “falar” egípcio
antigo. Afinal, a forma de pronúncia das palavras está perdida.
Porém, pode-se ter, ao menos, uma ideia de como poderia soar,
aproximadamente, a língua egípcia. Há algumas pistas que os egiptólogos
usam para descobrir como as palavras eram faladas no Egito Antigo.
▪ O Copta é uma língua que descende do antigo egípcio e é, ainda hoje,
utilizada em rituais da igreja cristã copta. Trata-se de uma língua morta (é
falada apenas no contexto dos cultos), mas se conhece a pronúncia das
palavras. Como se trata de uma língua que é herdeira da língua egípcia antiga
sabe-se que as suas sonoridades devem ser semelhantes.
Na verdade, várias palavras do copta são exatamente iguais às do antigo
Egito, o que mostra a permanência da língua.
▪ Uma outra pista é dada pelos textos escritos em outras línguas, pelos
próprios egípcios. Como o Egito mantinha relações comerciais com várias
outras regiões da antiguidade, os textos eram escritos em língua estrangeira.
Estudando-se a aproximação fonética para escrever em outra língua, pode-se
ter uma ideia dos sons que os egípcios buscavam representar.
▪ Pode-se estudar os textos de outros povos da antiguidade que escreveram
sobre os egípcios. Da mesma forma, ao escreverem nomes e palavras egípcias
em sua própria língua, cria-se uma fonte de comparação para buscar entender
a sonoridade do antigo egípcio.
A TRANSLITERAÇÃO
Embora seja impossível saber como as palavras egípcias eram pronunciadas,
os egiptólogos desenvolveram uma forma de escrever as palavras egípcias,
com caracteres ocidentais. Isso é chamado de transliteração.
Na transliteração, são representados os sons de cada um dos sinais que
aparecem em uma palavra egípcia.
Por exemplo, céu
é uma palavra transliterada
Isso porque:
 representa o som ;
representa o som .
Por fim,
é determinativo de céu. E por ser um determinativo, não tem som. Portanto,
não se translitera.
Um outro exemplo: a palavra senhor
é transliterada
Isso porque
é um sinal bilítero que representa as consoantes
 e ,
enquanto
é um determinativo para ações realizadas por homens.
Porém, sabe-se que o egípcio tinha consoantes cujos sons não existem em
português. Ou seja, fonemas que não existem em nossa língua.
Para representar estes sinais, usam-se sinais de transliteração diferentes, que
buscam indicar o som aproximado destes diferentes fonemas.
Por exemplo, o hieróglifo alfabético
tem o som de um h bastante aspirado, produzido no fundo da garganta. Ele é
transliterado com o símbolo
.
PARA QUE SERVE A TRANSLITERAÇÃO?
É muito comum que, quando começamos a estudar hieróglifos, sejamos
resistentes quanto a transliterar as palavras. Mas este é um procedimento que
você deve ter desde o começo de seus estudos. Transforme em hábito
transcrever (para seu caderno de hieróglifos) e transliterar palavras e frases,
antes de traduzi-las.
Encontrou uma palavra ou uma frase?
1. Copie a frase em seu caderno (em hieróglifos)
2. Translitere a palavra e a frase
3. Se possível, traduza a frase
Veja a seguir uma página meu caderno de traduções. Eu costumo escrever a
lápis, pois facilita na hora das correções. Não digo que este seja o melhor
método. Mas é aquele que melhor serviu para mim.
E por que, a afinal, a transliteração é importante?
Por várias razões:
▪ Memória: Porque se você não estudar a transliteração, terá que decorar a
“imagem” de cada palavra em egípcio. Com a transliteração, além desta
memória visual, você terá uma memória mecânica (a cópia e a
transliteração) e sonora (as palavras passam a ter um som). Todas
importantes para auxiliar na fixação das palavras e na compreensão da língua.
▪ Dicionários: Porque é pela transliteração que os dicionários de hieróglifos
estão organizados. Quando utilizar um dicionário de hieróglifos, você terá
que ter a transliteração em sua cabeça. Caso contrário, não conseguirá achar
palavra nenhuma.
▪ Gramática: Porque as regras gramaticais (plural, possessivo, genitivo,
tempos verbais, etc., etc. etc.) são explicadas a partir das transliterações.
▪ Nomes: Como saber nomes de pessoas, reis, lugares e deuses se você não
sabe transliterar, ou seja, não conhece o som que cada um dos sinais
representa?
O símbolo w nos restos de um monumento egípcio.
OS SINAIS UNILÍTEROS
Também chamados de alfabéticos, estes sinais representam apenas um som.
Por exemplo, a imagem da codorna
que representa o som
.
Os sinais alfabéticos são os sinais mais comuns da escrita hieroglífica.
Vamos conhecer agora o alfabeto egípcio, os sons que cada sinal representa,
e a transliteração de cada um deles.
Abutre
egípcio
Som que vem da laringe.
Alef.
Junco
florescente
Som ambíguo
 ou 
Dois juncos
florescentes
Som de “i” como no inglês
Yes.
Braço Som que vem da faringe.
ou 
Filhote de
codorna
U, como no inglês, war.
Pé B, como em português.
Esteira P, como em português.
Cobra com
chifre
F, como em português.
 ou 
Coruja M, como em português.
 ou 
Água ou
coroa
vermelha
N, como em português.
Boca R, como em português.
Planta de
casa
H, som da laringe, como no
inglês how.
Corda
torcida
Som surdo, da faringe.
Placenta (?) Som de ch como no
escocês loch.
Úbere Som de ch como no alemão
ich.
Fecho S, como em rosa. (Há
autores que transliteram
este sinal como z).
Roupa
dobrada
S, como em santo.
Piscina Sh.
Colina C, como em casa.
Cesto com
alça
C mais aspirado.
Base para
vaso
G, como em gato.
Pão T, como em português.
Amarras Tsh.
Mão D, menos sonoro que em
português.
Cobra Som intermediário entre G
(de gelo) e o D.
CONVENÇÃO DE PRONÚNCIA
De toda forma, ainda que não se possa saber a pronúncia das palavras, tal
como os egípcios, criou-se uma convenção para que se possam falar as
palavras. A utilidade desta convenção é permitir que se falem as palavras
egípcias, para que se possa melhor estudá-las e lê-las. Por exemplo, a palavra
“casa”
é composta pelos sinais
 e .
Os egiptólogos convencionaram pronunciar “casa” como per – ou seja,
inserindo um “e” entre as consoantes, para que fosse possível “falar” casa.
As regras desta convenção são fáceis.
▪ Os sinais de transliteração
 e 
são pronunciados “a”;
▪ O som
é pronunciado “u”;
▪ A transliteração
é pronunciada “i”;
▪ e quando não houver outra indicação, coloca-se a letra “e” entre as
consoantes.
Usando esta mesma convenção, a palavra “ganso”,
é pronunciada seru.
Lembre-se, porém, que se trata apenas de uma convenção para facilitar o
estudo. Esta pronúncia não tem qualquer relação com aquela que os egípcios
davam às palavras.
EXERCÍCIOS
1. Os hieróglifos abaixo revelam a espécie do animal representado. Como os
egípcios denominavam este animal?
Não esqueça de transliterar a palavra e apresentar,ainda, uma possível forma
de pronúncia, baseada na convenção utilizada pelos egiptólogos.
2. No texto abaixo, o nome da pessoa representada na estela aparece em
destaque. Consultando o alfabeto egípcio, descubra o nome do proprietário
desta estela.
3. O relevo abaixo, existente no templo de Luxor, foi dedicado a um deus,
cujo nome aparece duas vezes no texto.
A seguinte imagem é um destaque do painel anterior. Você consegue traduzir
o trecho que foi destacado? Abaixo está reproduzido o nome desse deus.
Os últimos sinais de seu nome são determinativos. Os primeiros sinais são os
fonogramas. A que deus aquele relevo foi dedicado? Translitere o seu nome.
4. Como muitos outros animais, os babuínos eram considerados sagrados
para os egípcios. E podiam representar deuses diferentes, dependendo do
contexto em que eram invocados.
a) Os nomes reproduzidos a seguir foram retirados de uma das paredes da
tumba de Tutancâmon, e representam os nomes de alguns deuses,
apresentados em sua forma como babuínos. Translitere os nomes dos deuses;
repare que são três nomes, escritos em colunas.
b) Translitere o nome do que aparece na tumba do faraó Ay, sucessor de
Tutancâmon.
5. Aquenaton foi um faraó egípcio da XVIIIª dinastia, e
governou durante 17 anos até, aproximadamente, 1336 a.C. Seu governo foi
marcado por muitas controvérsias, principalmente de cunho religioso.
A sua principal medida enquanto governante foi elevar um único deus à
categoria de divindade principal. As centenas de outros deuses egípcios –
bem como seus sacerdotes e templos – tiveram sua força e sua influência
bastante reduzidos.
Nos textos abaixo aparecem em destaque o nome do deus que foi elevado à
categoria de principal divindade egípcia. O último sinal de seu nome é o
determinativo , que representa o sol (no caso, significava tratar-se de uma
divindade ligada ao sol).
Analisando os fragmentos, translitere o nome deste deus.
6. Translitere o nome do faraó da sexta dinastia, responsável pela construção
de uma das mais antigas pirâmides egípcias, totalmente decorada de textos.
7. Os egípcios costumam divulgar o sucesso de suas campanhas militares
narrando, em templos, as batalhas e descrevendo o nome dos povos
conquistados.
A imagem representa um cativo (ele está amarrado pelos cotovelos, com os
braços para trás) e o texto indica o povo ao qual ele pertence.
O sinal
é um determinativo usado para indicar povos e lugares estrangeiros. Outro
sinal que você não conhece é
.
Trata-se de um bilítero, e representa as consoantes
.
Estude o texto e translitere o nome do povo representado.
7. O sinal
é um determinativo bastante comum, utilizado especialmente para designar
nomes de vilas e cidades.
Eventualmente, era utilizado para designar toda uma região. Inclusive, para
designar o próprio país, os egípcios utilizavam esse sinal.
Considere, para esse exercício[4], que o hieróglifo
seja transliterado como
.
Como os egípcios denominavam o próprio país?
DESAFIO: ESCREVENDO SEU NOME EM HIERÓGLIFOS
Desde o final da história do Egito antigo independente, quando a antiga língua egípcia (e, com ela, sua
escrita) deixou de ser utilizada, a interpretação dos hieróglifos caiu no esquecimento.
Foi apenas no século XIX que Jean François Champollion, estudando um texto escrito em hieróglifos,
hierático (uma versão simplificada dos hieróglifos) e em grego, conseguiu decifrar a antiga língua
egípcia.
O curioso é descobrir que a primeira palavra que Champollion conseguiu traduzir, corretamente, não
era egípcia. Era grega. Mais precisamente o nome de uma rainha: Cleópatra.
De 305 a 30 a.C. o Egito foi governado por uma família estrangeira, descendente de Ptolomeu, general
de Alexandre, o Grande.
Os governantes da dinastia Ptolomaica, como ficou conhecida, embora estrangeiros, buscaram manter
as tradições egípcias. E, com elas, os hieróglifos.
Porém, com isso surgiu um problema para os escribas: como escrever nomes de estrangeiros, com os
caracteres hieroglíficos?
Não era muito comum o uso apenas de letras alfabéticas para a escrita de nomes egípcios. Em geral, os
nomes tinham determinados significados: eram pequenas frases e, portanto, os nomes egípcios usavam
sinais alfabéticos, além de bilíteros, trilíteros e ideogramas.
Como Ramsés, por exemplo,
que significava nascido de Rá. Ou Tutancâmon,
“imagem viva de Amon”.
Porém, isso não era possível de ser feito com nomes estrangeiros. Para eles, deveriam ser usados apenas
os símbolos alfabéticos. E, mais: determinados sinais egípcios deveriam ser modificados, para
representar vogais, além de sons que os egípcios não conheciam – especialmente o “L” e o “O”.
Para representar o “L” os egípcios passaram a utilizar o símbolo bilítero :
 .
Já a vogal “O” passaria a ser representada pelo bilítero :
As demais vogais seriam:
, para “A”;
 para “E”;
 para “I” e
 para “U”.
Estas regras só servem para a escrita de nomes estrangeiros. Quando
traduzir textos hieroglíficos, os sinais voltam a seus valores originais.
Desta maneira, os egípcios poderiam escrever (e Champollion, séculos depois, decifrar) o nome grego
“Cleópatra”:
(note que o sinal não tem valor fonético: é escrito apenas para melhorar a estética das palavras).
O nome, escrito dentro de um “cartucho”, usado para reis e rainhas (o sinal
representava eternidade) pode ser lido: kleopadrat, que é a forma grega de Cleópatra. A letra 
,
ao final, era um sinal de palavra feminina, segundo as regras egípcias.
Usando a mesma regra, Champollion pode também decifrar o nome de Ptolomeu:
Também em grego, Ptolmis.
E é utilizando estas regras, inventadas pelos egípcios, que podemos escrever nomes estrangeiros em
hieróglifos. Por exemplo, podemos escrever
para “Cristiane”. E, se você quiser seguir estritamente a regra egípcia para nomes femininos, poderá
escrever
adicionando um 
ao final.
Lembre-se que os egípcios seguiam o valor fonético das palavras – não faziam substituições letra-a-
letra. Desta forma, para escrever “Rogério”, o correto seria
utilizando-se o
ao invés do
.
A pronúncia seria “Rodjério”, mas é o mais próximo de “J” que os egípcios dispunham. Lembre-se que
o sinal
tem o valor fonético de “g” como na palavra “gato” (veja sua tabela de sinais alfabéticos). Se utilizar
esse sinal para escrever Rogério, a pronúncia será “Roguério”.
Escrever nomes estrangeiros em hieróglifos é uma diversão e, além disso, treina nosso conhecimento
dos sinais alfabéticos. Mas não é muito mais do que isso: dificilmente você utilizará estas regras em
suas traduções de textos originais egípcios.
Agora é sua vez: como você escreveria o seu nome, além dos nomes de amigos em parentes, com
hieróglifos egípcios?
CAPÍTULO 4
Iniciando a gramática egípcia
 
Em destaque, o trilítero nfr, sinal egípcio para
o adjetivo “bom” ou “belo”.
As preposições estão entre as palavras mais utilizadas em uma língua. Em
português, preposições são palavras que aparecem antes de outras para
indicar lugar EM, direção PARA, acompanhamento COM, modo POR, etc.
As preposições, em egípcio, são palavras bastante curtas, e escritas com
sinais alfabéticos.
Observe, por exemplo, a seguinte frase
A frase é formada por dois substantivos,
que significa “mulher”, e
que significa “criança”. Já
é uma preposição, que significa “com” ou “e”. “A mulher e a criança” ou
“Uma mulher e uma criança” seriam traduções possíveis para esse trecho.
Outra preposição comum é
 ,
que significa “por”, no sentido de algo feito “por” alguém.
DESAFIO
Senbi era um nobre egípcio que, como todo nobre, procurou construir uma tumba bela e refinada, para
que seu Ka pudesse estar neste mundo por toda a eternidade.
Uma das várias cenas que estão pintadas na tumba de Senbi aparece, redesenhada, na imagem a seguir.
Infelizmente, a imagem original não está bem preservada. Então, vamos reproduzir, a seguir, os
hieróglifos que aparecem neste trecho:
a) Encontre a preposição
no trecho anterior.
b) O nome de Senbi – sua transliteração é
– é escrito apenas com caracteres alfabéticos. Assim, vocêmesmo pode encontrar onde está escrito, no
texto acima, o nome de Senbi.
c) A expressão Maa-kheru – transliterada mAa-Xrw
– é uma das expressões mais comuns em textos funerários egípcios. Sua versão completa, em
hieróglifos é
O significado desta expressão é “verdadeiro da palavra”. Para os egípcios, ser verdadeiro da palavra era
algo religioso e muito importante: apenas quem fosse
poderia entrar no outro mundo.
Significava que havia tido uma vida sem vícios, correta, digna.
Como era hábito dos egípcios, expressões muito comuns, eram constantemente abreviadas. Isso
acontecia com mAa-xrw , que possuía muitas variações:
 
A versão mais comum de ser encontrada é a última desta lista.
No texto de Senbi também aparece a expressão
Procure e encontre no texto esta expressão.
d) Veremos com mais detalhes que os egípcios possuíam várias formas de escrever o plural. Uma das
mais comuns era a colocação de três traços ao final de uma palavra:
Desta maneira, peixe,
 
se transforma em “peixes”, quando são adicionados os traços:
 
Repare que, na transliteração, é adicionado um w na palavra. Este w é o fonema de plural.
Encontre esta palavra – peixes – no texto que estamos estudando.
e) Sabendo que
significa arpoar (ou arpoando; acertando como arpão), translitere as palavras e traduza a cena completa.
OUTRAS PREPOSIÇÕES
 – “em”, como na expressão “em casa”:
 
 – “para”, “até a” (relacionado a lugares):
 – para casa.
 – “por”, “para” (relacionado a pessoas).
Observe o uso do
no texto em destaque:
Para (o) Ka do venerado administrador Senusert.
Note que artigos (o, a, os, as) não são escritos.
ADJETIVOS
Adjetivos são palavras usadas para descrever um substantivo. Casa feia,
garoto magro, computador velho. Para o Egito Antigo, a regra da gramática
própria dos adjetivos é semelhante à que existe para o português:
O adjetivo sempre vem depois do substantivo e concorda com
ele.
Em português dizemos casa feia. O adjetivo feia vem depois do substantivo
casa. Além disso, o adjetivo concorda com o substantivo (no caso, os dois
são femininos).
Se fosse masculino, poderíamos dizer menino feio. Repare que o adjetivo foi
modificado, para que concorde com o substantivo – agora, os dois são
masculinos.
Mas, como sabemos se uma palavra é feminina ou masculina em egípcio?
Não é difícil: quase todas as palavras egípcias femininas terminam com t .
Assim, se escrevemos
 – homem,
Deveremos escrever
 – mulher.
Note a adição do t , para palavras femininas; e a modificação do
determinativo, para o de uma mulher sentada.
Sabendo identificar as palavras femininas podemos, agora, ler e escrever
corretamente os adjetivos em egípcio. Por exemplo, se temos no masculino
 – homem mal
teremos, para o feminino
 – mulher má
Repare na adição do
 
tanto para a palavra mulher quando para o adjetivo má.
OS SINAIS BILÍTEROS
Os sinais bilíteros, como o próprio nome diz, são sinais que representam duas
consoantes. São muito comuns na escrita hieroglífica e os mais utilizados são
em cerca de uma centena.
Há palavras que são escritas com ajuda de bilíteros, outras com ajuda de
unilíteros. Muitas vezes, misturando uma e outra.
Em geral, porém, a presença de bilíteros ou de unilíteros é convencionada, e
não pode ser alterada. A palavra “senhor”, por exemplo, é escrita da seguinte
forma:
É uma palavra formada pelo bilítero nb. Você, porém, não irá encontrar a
mesma palavra escrita com unilíteros:
 
(Aliás, e aproveitando, um pequeno desafio. Se “Senhor” se escreve desta
maneira, como se escreve “Senhora”?)
Outra palavra comum é o adjetivo “grande”
que é formada pelo bilítero wr. E, da mesma forma, você não verá esta
palavra escrita
 
A imagem seguinte foi retirada de um famoso painel, presente à tumba da
Rainha Nefertari. Já sabendo como escrever “grande” e “senhora”, ambos no
feminino, encontre essas duas palavras no trecho a seguir.
Há algumas páginas atrás, você viu a seguinte frase, quando estudava
preposições:
Para (o) Ka do venerado administrador Senusert.
Aqui, o sinal
 
– um bilítero, portanto – representa a palavra Ka – um dos tipos de almas que
os egípcios acreditavam.
O mesmo sinal, porém, pode fazer parte de uma palavra como
– turquesa.
Repare que, aqui, o sinal bilítero é somado aos sinais alfabéticos para formar
a palavra completa.
Representação do Ka em estátua do faraó Hor.
COMPLEMENTOS FONÉTICOS
Quando começamos a estudar hieróglifos, é comum acharmos que a
quantidade de sinais bilíteros é bastante grande e, por isso, difícil de decorar.
E realmente é difícil.
Mas os escribas egípcios tinham um costume que facilitava a identificação
dos sinais bilíteros e trilíteros (como veremos a seguir): este costume era o de
fazer os sinais bilíteros e trilíteros serem acompanhados de sinais alfabéticos,
como se “soletrassem” as palavras.
Veja, por exemplo, o sinal
 
Trata-se de um sinal bilítero, representando as consoantes pr . Porém, era
muito comum os egípcios escreverem
Repare que o símbolo alfabético
 
foi adicionado à palavra.No entanto – isso é importante – a palavra continua
sendo pr .
Aquele
 
a mais é denominado de “complemento fonético”. Os complementos
fonéticos são usados para reforçar um sinal bilítero (e trilítero também, como
veremos a seguir). E, como regra, não devem ser transliterados.
Um outro exemplo.
Como vimos há pouco, é
é um sinal bilítero. É muito comum encontrarmos este sinal escrito com
complemento fonético.
No caso,
Por mais que haja uma letra a mais – novamente um
 
, a palavracontinua sendo transliterada wr .
Algumas regras deste complemento:
▪ são usados sempre para representar a segunda consoante do sinal bilítero;
Por exemplo, no sinal bilítero
 ,
o complemento fonético será o n . Assim, poderá ser escrito
 ;
▪ um sinal alfabético após um sinal bilítero é quase sempre um complemento
fonético e não uma letra adicional. Por isso, se os egípcios quisessem
escrever
escreveriam
; se quisessem escrever
escreveriam
.
▪ apenas em situações raras, um complemento fonético vem antes do sinal
bilítero. Assim, tome como regra prática: o complemento fonético é escrito
depois do bilítero.
O nome do deus Amon é escrito:
 
 - é um sinal alfabético, de valor .
 - é formado por um sinal bilítero e seu complemento
fonético.
 - é o determinativo para deus.
Os complementos fonéticos desempenham também uma função estética.
Imagine que em uma mesma inscrição temos que escrever várias vezes a
palavra Servo. Caso, ao final de uma linha, haja bastante espaço disponível,
podemos escrever a palavra inteira, usando o seu complemento fonético:
 
Porém, se em outro momento houver pouco espaço, podemos diminuir o
complemento fonético, e escrever simplesmente
ou mesmo apenas
sem complemento ou determinativo. Mas não se esqueça. Em cada um destes
casos a palavra continua sendo bAk .
TRILÍTEROS
Os sinais trilíteros representam três consoantes. Como os bilíteros, também
os trilíteros são escritos com muita frequência acompanhados de
complementos fonéticos.
O mais conhecido sinal trilítero, sem dúvida, é
 
que significa vida. Os sinais trilíteros são bem menos comuns que os
bilíteros. Além disso, eles são emblemáticos: seu significado é facilmente
reconhecido, pela frequência com que aparecem:
 – vida
 – bom
 - deus
são tão comuns que se tornam quase ideogramas.
Quase ideogramas. Saliente-se o quase. Não são, afinal, ideogramas. O sinal
por exemplo, é a representação de uma sandália, vista de cima. Se fosse um
ideograma, seu significado seria de sandália. Mas como é um sinal trilítero,
representa os sons
que formava a palavra vida para os egípcios.
MAIS COMPLEMENTOS FONÉTICOS
Os sinais trilíteros são frequentemente acompanhados de complementos
fonéticos. E, como manda a regra, são colocados após o sinal trilítero.
Por exemplo:
 
 
 
Repare que, nestes exemplos, cada sinal trilítero apresenta dois
complementos fonéticos. Este número pode variar: podem aparecer três
complementos, dois, um ou mesmo nenhum. Assim, as palavras egípcias,
quando escritas em papiros,templos e objetos podem variar.
Esta imagem foi retirada do templo de Karnak, e foi dedicado ao deus Khepra
(ou Khepri), usualmente representado como um deus com a cabeça de
escaravelho.
Em sua forma completa, o nome do deus é assim escrito:
O sinal
é um trilítero e representa as letras xpr . Sabendo isso, o nome do deus pode
ser assim transliterado:
 
 - 
 - complemento fonético;
 - ;
 - determinativo de deus.
Sua transliteração será, portanto,
Já no texto acima, o deus Osíris (você consegue encontrar o nome deste deus
no texto?) é apresentado como aquele que está diante, ou à frente do outro
mundo.
Em destaque pode-se identificar a expressão “estar à frente”
 
O hieróglifo
é um trilítero que representa as letras
Por isso, tanto o
 
quanto o
 
são complementos fonéticos. O
 
finaliza a transliteração da palavra.
EXERCÍCIOS
Para a realização destes exercícios, você irá utilizar muito as tabelas de sinais
bilíteros e trilíteros, que estão ao final de seu livro.
1. Qual o nome do deus representado na imagem abaixo?
2. Translitere e traduza a palavra em destaque.
3. Nos hieróglifos abaixo, você encontra a representação, no templo de
Karnak, de três povos diferentes conquistados pelos egípcios. Note como são
representados com os cotovelos amarrados às costas, como prisioneiros.
Translitere o nome desses três povos.
4. Abaixo lado você tem, em detalhe, o nome de uma cidade
sagrada egípcia. Que cidade é essa? Translitere o nome.
DESAFIO: NOMES DE FARAÓS
É bastante simples identificar o nome de um faraó em um texto hieroglífico. Afinal, são as únicas
palavras que estão escritas dentro de cartuchos.
Estela com o nome do faraó Senusert II.
Os nomes dos faraós eram escritos com sinais alfabéticos, bilíteros e trilíteros, além de ideogramas.
Como foi dito anteriormente, os nomes egípcios tinham significado: em geral, eram frases de força ou
orações.
Para que se possa traduzir corretamente o nome de um faraó, você deve conhecer duas regras da
gramática egípcia. A primeira delas é a chamada inversão honorífica.
Os egípcios eram um povo profundamente religioso, e isso era expresso, também, em seus textos. Por
conta disso – por razões de respeito e devoção – era bastante comum que o nome de deuses fossem
colocados à frente em uma oração, mesmo que não fossem lidos em primeiro lugar.
Tome-se, por exemplo, o seguinte prenome, do faraó Senusert I (também conhecido como Sesótris I).
A partir da disposição dos hieróglifos, podemos transliterar o nome:
 - 
- 
 - 
Portanto, a transliteração seria
Porém,
está colocado em primeiro lugar apenas por respeito ao deus Rá. Sabendo disso, deveremos transliterar
o texto colocando-o na forma que seria correta:
.
 
assim, é colocado ao final, onde ficaria naturalmente para a escrita da frase. Aliás, o prenome
significa algo como “a forma do Ka de Rá”.
Observe, no trecho da chamada Lista de Abidos, os prenomes de alguns faraós da sexta dinastia.
Observe que todos estes nomes começam, também, com
 
E, da mesma forma, em todos a transliteração deve colocar como a última palavra do nome.
A segunda regra que se deve conhecer para a transliteração correta dos nomes – e sobre a qual já
falamos rapidamente –, é a formação do plural.
Há duas formas básicas de se escrever uma palavra egípcia no plural. A primeira é a repetição da
mesma palavra três vezes. Assim, por exemplo, escreve-se casas:
 
A segunda forma de formação do plural é através da adição de três traços. Portanto, pode-se também
escrever casas da seguinte forma.
 
Outro exemplo. Se temos a palavra
 belo
Teremos
 belos ou belos
Lembre-se que, ao transliterar o plural, é adicionado um w ao final da palavra. nfr é belo, nfrw é
belos; nTr é deus, nTrw é deuses.
Existe ainda uma forma de plural que é específica dos egípcios: o dual. Esta forma de escrita refere-se,
especificamente, a palavras que aparecem, normalmente, em duplas, como dois olhos, duas pernas,
dois obeliscos, etc.
Na transliteração, adiciona-se wy ao dual. Se braço é
 
dois braços será
 
Vejamos como estas duas regras – a inversão honorífica e o plural – nos ajudam na tradução do nome
de um faraó.
Você tem, nos cartuchos acima, o prenome e o nome do faraó Tutancâmon. Podemos começar
transliterando o prenome, da seguinte forma:
 
 - (que aqui tem o significado de todos, todas)
 - . ( significa forma – além de ser o nome do deus Khepra.
Como está no plural, deve ser transliterado )
A princípio temos
Recolocando a palavra na ordem correta, corrigindo a inversão honorífica teremos, portanto,
O significado do prenome de Tutancâmon é Todas as formas de Rá.
Agora, o segundo cartucho. Começamos com
– que é o nome do deus Amon. Atenção apenas ao que tem a
função de complemento fonético e, portanto, não se translitera.
 , formando a palavra imagem, apenas com sinais alfabéticos.
– vida.
Repare que aqui não é o deus Rá, mas sim o deus Amon que está submetido à regra da inversão
honorífica. Desta maneira, devemos rearranjar a transliteração da seguinte forma:
Forma-se, assim, o nome de Tutancâmon, Imagem viva de Amon.
Por fim, ao final do cartucho, temos não os nomes, mas sim abreviações de frases e títulos comuns de
reis.
 
Sendo que
é governante;
é o nome egípcio para Heliópolis, uma das cidades mais importantes da região do delta do Nilo; e
significa sul.
Assim, Tutancâmon também é o Governante da Heliópolis do Sul.
Nos exemplos acima, além de transliterar, também foi feita a tradução dos nomes dos faraós. Porém,
em geral, não é feita esta tradução – apenas a transliteração.
EXERCÍCIOS
1. A lista de reis de Abidos
A reverência aos antigos faraós fazia parte das concepções religiosas dos
egípcios.
Seti I leva seu filho, Ramsés II, diante da lista dos antigos reis do Egito: a lista de Abidos.
Ao se adorar um antigo rei, não apenas a sua memória era relembrada, mas
também, o novo rei era legitimado no poder.
Buscava-se, assim, a construção de uma ligação entre o passado (os antigos
reis) e o presente (o atual faraó).
São poucas as listas de faraós que os egípcios nos legaram. A lista de Abidos
é uma das mais completas e interessantes, pelo que revela e pelo que esconde.
Revela um conjunto de nomes de faraós que são conhecidos até hoje pela
história, e outros que são considerados míticos, e que não deixaram vestígios
arqueológicos.
Esconde, também, nomes de faraós importantes – como Aquenaton e
Tutancâmon – associados com uma revolução religiosa que os faraós
posteriores quiseram apagar da lembrança – e da história.
A seguir, você irá transliterar duas listas de reis do Médio Império e Novo
Império. E irá diretamente à fonte; ou seja, procurará transliterar os nomes
dos faraós diretamente da lista de Abidos. Utilize o glossário, que aparece ao
final deste desafio, para auxiliá-lo na transliteração.
I. Reis do Médio Império
a) b)
 
c) d)
 
e) 
 
 
2. Reis do Novo Império
a) b)
 
c) d)
 
e) 
 
 
2. Os nomes, à esquerda, são adaptações modernas dos nomes pelos quais
estes reis do Novo Império são conhecidos. Translitere os nomes dos faraós
e, para isso, utilize o glossário a seguir.
Nebpehtyra Ahmose
Dyeserkare Amenhotep (I)
Aakheperkara Tutmés (I)
Aakheperenra Tutmés (II)
Maatkara Hatshepsut-Khenmetamon
Menkheperra Tutmés (III)
Aakhperura Amenhotep hekaiunu (II)
Menkheperura Tutmes (IV)
Nebmaatra Amenhotep hekawaset (III)
 
Neferkheperura-waenra Akhenaton
Nebkheperura Tutankhamon-hekaiiunushema
Dyeserkheperura-setepenra Horemheb-meriamun
Menpehtyra Ramesse (Ramsés I)
Menmaatra Seti-meryenptah
Usermaatra-setepenra Ramesse-meryamun (Ramsés II)
 
Glossário
 
CAPÍTULO 5
A reverência ao faraó
 
Um trecho do nome completo de Ramsés II, seguido da fórmula “dotado de vida, como Rá”. Os faraós
possuíam vários nomes e títulos especiais.
 
A palavra faraó, que hoje usamos corriqueiramente como sinônimo de
governante do Egito, só passou a ser usada pelos próprios egípcios a partir da
XVIIIª dinastia.
A palavra
é a origemda palavra faraó, e significa palácio (literalmente casa grande) era
um dos inúmeros títulos e epítetos destinados aos faraós. Veja o nome
completo do faraó Sesóstris I, como aparece em um obelisco em Heliópolis.
O nome completo de um faraó – ou seja, o nome que envolve todos os seus
títulos – é composto por cinco “grandes nomes”. Cada um destes, que
poderiam ou não aparecer em sua forma completa, nos diversos textos, eram
precedidos de determinados sinais específicos.
O nome de Hórus aparece escrito dentro do sinal
Este hieróglifo representa o deus Hórus – uma divindade associada à figura
do faraó – pousado sobre o muro do palácio real.
Acima pode-se ler, no destaque, o nome de
Ou seja, Hórus Semataui, o nome de Hórus do faraó Mentuhotep II.
O nome Nebty é precedido pelo título
A expressão Nebty significa, literalmente, “as duas damas” e representa duas
divindades ligadas ao governante. Estas duas divindades são
 
Nekhbet, deusa protetora do alto Egito (ou seja, do sul do Egito) e
Uadjet, deusa protetora do baixo Egito (ou seja, do norte do Egito).
O nome Hórus de Ouro é precedido pelo título
 
O nome
(costuma-se pronunciar nesu biti) é precedido pelos sinais
E se traduz como “rei do Alto e do Baixo Egito”. Em geral, este título
precede o prenome do faraó. É um dos títulos mais comuns e aparece com
frequência especialmente em templos.
Na imagem, pode-se ler o nome nsw bity de Ramsés II:
São vários os sinais, expressões e títulos que se referem ao fato de o faraó ser
governante de “dois Egitos” – Alto e Baixo Egito, Senhor das Duas Terras,
Senhor das Duas Coroas, etc. Isto ocorre porque os próprios egípcios viam o
nascimento de sua história quando Narmer – considerado o primeiro faraó –
teria unido dois reinos, um ao norte e outro ao sul e, assim, criado o reino
unificado de
 
ou seja, do Egito.
O nome
(ou filho de Rá) é um dos mais comuns do Antigo Egito.
Em geral, precede o nome do faraó.
Os faraós não eram vistos exatamente como deuses, mas eram consideradas,
sem dúvida, pessoas ligadas diretamente a eles. A justificativa do poder
faraônico estava no relacionamento que mantinha com o divino. Por isso, os
faraós se descreviam como filhos de Rá para, deixando clara esta
identificação. Abaixo você encontra os nomes nsw bity e filho de Rá de
Tutmés III.
No texto, pode-se ler
e que se traduz como Filho de Ra, Djehyti-mes Nefer-Kheper.
AS PALAVRAS “TODO” E “SENHOR”
A palavra nb tem dois significados muito diferentes em egípcio. E como é
uma palavra de uso bastante comum, é importante diferenciá-los.
Em primeiro lugar, há o significado de todo, toda. Por exemplo:
 – todas as coisas.
E há o sentido de “Senhor”. Por exemplo, a mulher egípcia era
frequentemente descrita como
 – Senhora da Casa.
Ou, ainda, aparece quando Osíris é descrito como
 – Senhor de Abidos.
A regra para determinar o significado correto é simples. Caso nb venha antes
da palavra a que se refere, o seu significado é de senhor, dono; caso venha
depois, é todo, toda.
Por isso, podemos ter:
 – Todos os deuses
E
– Senhor dos Deuses.
TÍTULOS REAIS
Havia várias expressões para denominar o faraó. A mais comum, que
usualmente se traduz como rei, era
Perdeu-se na história a razão de por que esta palavra, ainda que escrita com o
bilítero sw e os sinais alfabéticos t e n , era pronunciada nsw .
Outra forma de se referir ao faraó era utilizando a palavra
 governante.
E, em alguns casos, utilizava-se simplesmente a palavra “Senhor” 
nb , por vezes escrita simplesmente nb .
Além do nome composto de cinco partes, os reis possuíam, ainda, uma série
de títulos, que se repetiam nas inscrições, como verdadeiras fórmulas.
 – Bom deus (ou deus perfeito);
 – Senhor das duas terras (ou seja, do Alto e
do Baixo Egito);
 
 ou - Senhor das coroas
 – Senhor celebrante dos rituais (ou, mestre dos rituais).
Observe com atenção o trecho destacado da seguinte imagem:
O trecho começa com
 
Bom deus (referindo-se ao próprio rei), e continua com seus títulos
Senhor das duas terras, Senhor dos rituais.
A partir deste momento, aparecem duas partes do nome do faraó, o nome nsw
bity :
E o nome Filho de Rá
 
Filho de Rá, Djehuti-mes Nefer-Kheper.
Observe a imagem a seguir.
No trecho temos:
Ou:
Senhor das duas terras , Senhor das Coroas, 
.
Nome e prenome de Ramsés II, que significa “A justiça de Rá é poderosa –
escolhido por Rá” e “Ramsés (nascido de Rá), amado de Amon.
ELOGIOS AO REI
Ao final do nome, é bastante comum a presença de uma série de elogios e o
destaque do que seriam qualidades do faraó. São frases escritas de forma
bastante simplificada, e por vezes sua variação na escrita é grande. Porém,
como se repetem com constância, torna-se relativamente comum identificar
trechos
Assim, os egípcios constantemente diziam que seu faraó era:
 – vivo (ou vivente);
 – vivo, próspero e saudável;
– dotado de vida;
 – dotado de vida, prosperidade e
saúde;
 – dotado de vida, estabilidade e
poder;
 – para sempre;
 – para sempre na
eternidade;
 –
como Rá, para sempre na eternidade.
Observe como os nomes, títulos e elogios, apresentados na imagem anterior,
podem ser traduzidos.
O trecho começa com
 
Sendo que Hr nbw é a transliteração de Hórus de Ouroe wADy significa
verde – palavra usada, aqui, em seu sentido metafórico de renascimento.
A seguir tem-se, dentro do cartucho
 
nome do faraó conhecido atualmente como Unas. Os últimos hieróglifos
referem-se a qualidades do faraó:
 
Repare que nb , aqui, segue as palavras a que se refere. Portanto, tem o
significado de todo, toda. Sabendo-se disso, e consultando-se o glossário das
duas páginas anteriores, tem-se: dotado de toda vida, toda estabilidade e
poder.
Pode ser lido no pequeno texto acima, extraído de uma imagem do faraó
Tutmés III em Karnak:
Os primeiros hieróglifos são:
Ou seja, filho de Rá, seu amado.Iremos ver com mais cuidado o significado
da cobra com chifres nestes textos; mas, aqui, ela está funcionando como
pronome “dele”; sendo mr , neste contexto, “amado”, torna-se, então “amado
dele”
Segue-se o nome do faraó
 ou Tutmés.
O texto é finalizado com uma série de elogios e qualidades do faraó:
Ou seja, dotado de vida, como Rá, para sempre.
É comum aparecerem versões mais completas desta fórmula, como:
 
Dotado de toda vida, estabilidade e poder, como Rá, para sempre.
Repare o sinal nb , que aparece aqui. Literalmente, o início do trecho
apresenta: “dotado [de] vida, estabilidade, poder, toda”. O todo/toda, vem ao
final do conjunto a que se refere.
Observe, aqui, o nome completo de Hatshepsut, uma das poucas mulheres a
se tornarem faraós do Egito.
Viva Hórus feminino Usert-kau, Nebty Uadjetrenput, Hórus de ouro
Netchertkhau, rei (ela não transformou para o feminino) do alto e baixo Egito
maat-kA-ra, filha de Ra, Hatshepsut-khenemetamon, viva para sempre na
eternidade, filha de Amon-ra, que está em seu coração.
DESAFIO: O PAINEL DE NEFERTARI
Se você acompanhou este capítulo com cuidado, e fez os exercícios dos capítulos anteriores, irá
perceber que sua capacidade de traduzir textos aumentou consideravelmente.
 
Você já deve ser capaz, por exemplo, de traduzir o famoso painel que aparece na tumba da rainha
Nefertari.
Por incrível que pareça, as únicas palavras que aparece neste texto, e que você não conhece, são
 – perante, diante de;
 – Rainha (literalmente, esposa do Rei)
Assim, translitere e traduza o texto do painel. Mas, lembre-se: este é um desafio. Não se preocupe se
você não conseguir traduzir o texto inteiro, e ficar com dúvidas sobre determinados sinais e palavras.
Isto é normal e faz parte do processo de aprendizagem.
E, para evitar que você possa colar – ou, ao menos, para evitar a tentação de dar uma “olhadinha” – a
resposta a este desafio está no final do livro.
EXERCÍCIOS
1. Com ajuda do glossário a seguir, translitere e traduza o seguinte texto,
encontrado na lateral de um sarcófago datado do Novo Império egípcio.
– Touro vitorioso que vive na
verdade. Trata-se de um título real: o rei era frequentementeassociado à
imagem de touro.
 – Viva Hórus.
2. Você já conseguirá traduzir textos completos de determinadas peças
egípcias antigas. A seguir, por exemplo, há a estátua de um faraó. Translitere
e traduza os textos que aparecem na estátua. Identifique, ainda, qual faraó a
estátua estaria representando.
3. O que diz o pequeno texto, referente ao faraó Ramsés III?
4. Em 2014 foi descoberta a tumba de um faraó da época da história egípcia
conhecida como “Segundo Período Intermediário”. Se você trabalhasse nas
escavações desta tumba, e se deparasse com o seguinte texto, como você o
traduziria?
5. Translitere e traduza as frases que aparecem neste pequeno vaso.
A última palavra do texto é – saúde.
6. Translitere e traduza os textos que aparecem neste pequeno vaso. Nós já o
vimos anteriormente, e traduzimos o nome do faraó que aparece nele. Agora,
você poderá traduzir todo o texto.
 
 
 
CAPÍTULO 6
Os números e o calendário
Em um relevo do templo de Edfu aparecem referências a números, quantidades e marcações de
passagem do tempo.
 
Os egípcios são conhecidos pelo desenvolvimento de sua matemática, que
permitiu, especialmente, a evolução de sua arquitetura monumental.
Construções como as grandes pirâmides só foram possíveis devido ao
conhecimento que possuíam da matemática e, em especial, da geometria.
O sistema numérico egípcio era decimal, como o nosso. O número 1 era
escrito com um traço simples: . Este símbolo era repetido até chegar à
representação do número desejado. Por exemplo, o número 5 era
representado
Este processo era repetido até o número 10, quando se mudava o sinal: .
Somando-se as repetições destes sinais, tinha-se o número desejado.
No exemplo acima, tem-se a representação do número 27.
Os egípcios conheciam e utilizavam os seguintes números:
 – 1
– 10
– 100
– 1000
– 10 000
– 100 000
 
 
– 1 000 000. Este era o maior valor que os egípcios conheciam.
Era usado mais para exprimir uma quantidade muito maior do que um
número real.
 
Somando e repetindo, adequadamente, estes símbolos, os egípcios
representavam as quantidades. Que número está representado abaixo?
O CALENDÁRIO EGÍPCIO
Os egípcios registravam as datas de acordo com o ano de reinado do
monarca. Seria como se disséssemos Ano 1 do governo de Lula, ou Ano 5 do
governo de Fernando Henrique Cardoso. Tratava-se, portanto, de uma forma
variável de marcação do tempo, e não fixa como a que usamos hoje em dia.
Assim, a palavra Ano
 
era, na verdade, o ano real. Ou seja, o ano em que determinado rei estava
governando.
A fórmula para escrever datas seguia um determinado modelo fixo. Sempre
se dizia Ano x sob o reinado de... .
 “x” “...”
Observe um exemplo: 
Na primeira linha temos a indicação do ano
 3
Ou seja, ano 3.
Na segunda linha, e curiosamente, não apenas o nome do faraó, mas também
alguns de seus títulos foram colocados dentro do cartucho.
A primeira parte da segunda linha segue a fórmula de produção de datas:
– Sob o reinado de
Esta estrutura anuncia o nome do faraó que reinava ao tempo da produção
desta estela. No caso:
Rei do Alto e do Baixo Egito dotado de vida, como Rá.
Por vezes, a fórmula pode aparecer abreviada. Observe o trecho selecionado
de uma estela do século VI a.C.
A estela se inicia com
Repare como a fórmula “sob o reinado” foi reduzida a , enquanto 
substitui todo conjunto . Qual é, aliás, a tradução deste trecho?
O ano egípcio era dividido em três grandes estações, ligadas diretamente ao
funcionamento das cheias do rio Nilo e da agricultura.
Estação
 Aquet.
Era a estação da inundação e ia de meados de julho a meados de novembro.
A estação
 Pert
era a estação da germinação e ia de meados de novembro a meados de março.
E, por fim, a estação Shemu, a estação da
colheita, ia de meados de março a meados de julho.
Estas estações eram divididas em meses:
usualmente representados simplesmente .
E cada mês tinha 30 dias, formando um total 360 dias. O dia era escrito
O ano egípcio era complementado com os chamados dias adicionais, no total
de 5, formando o total de 365 dias.
Ano Estações Mês Dia
(usualmente 
)
Ou
PRONOMES
Pronomes são palavras que substituem nomes. Assim, se dizemos
CASA DO JOÃO
Podemos dizer
CASA DELE
O pronome mais utilizado em egípcio é o pronome f que significa ele,
dele. Assim, podemos dizer em hieróglifos
 – casa dele.
Repare no sinal = que aparece na transliteração. Este sinal é utilizado para
indicar que a palavra seguinte é um pronome e que, por isso, ambas estão
diretamente relacionadas.
Um título bastante comum do deus Anúbis, e que aparece com bastante
frequência em textos hieroglíficos, é este:
 
Que significa Anúbis em sua montanha – a montanha sagrada na qual o deus
habitaria. Decompondo esta frase, teríamos
 - – O nome do deus
Anúbis
 - – Sobre
– Montanha
 – Sua, dele.
Como ocorre em português, também no egípcio antigo os pronomes
flexionam. Ou seja, mudam, conforme a pessoa a que se referem esteja no
masculino ou no feminino. Assim, se dizemos
 – casa dele
deveremos mudar o pronome ao dizer
 – casa dela.
Como seria de se esperar, há pronomes para o singular e para o plural. E
também para o feminino e o masculino.
Temos ainda, gramaticamente, três pessoas. Ou seja, a primeira pessoa do
singular, a segunda e a terceira pessoa do singular. Além disso, temos a
primeira, segunda e terceira pessoas do plural.
Tudo isso para que possamos dizer corretamente minha casa, casa dele,
nossa casa, etc.
TABELAS DE PRONOMES
Eu , = Eu feminino = ;
Tu, Você = ; Tu, você feminino = 
Ele =
Ela ou = 
Nós = 
Vós, vocês = ou = 
Eles ou = 
O uso destes pronomes é bastante simples. Após o substantivo, é adicionado
o pronome:
 – Sua esposa (literalmente, “mulher de
ele”).
Uma estela funerária era um objeto relativamente caro, no Egito Antigo.
Assim, vários membros da família eram representados, ou ao menos citados,
em uma mesma estela.
Repare, acima, que você pode encontrar “sua esposa” (sem o determinativo 
), além de “seu filho” e “sua filha” (você consegue diferenciar ambos pelo
uso do , próprio das palavras femininas).
Outro exemplo:
 – Seu escriba (literalmente, “escriba de ela”).
E uma expressão comum em textos egípcios
Seu filho, seu amado (ou, se você desejar, seu filho amado)
Observe este outro texto.
Ele começa com a palavra
que significa pai. Repare que o f não é transliterado. Na verdade, o f
cumpre, aqui, uma dupla função:
▪ como determinativo: não se sabe a razão, mas desde o período pré-
dinástico da história do Egito, a cobra com chifres é um determinativo para a
palavra pai.
▪ como pronome, no caso, com o significado de = f. Assim, temos:
Sabendo que intf é o nome de uma pessoa, você mesmo consegue traduzir
este texto. Tente por um instante, antes de prosseguir.
Traduzindo a frase, tem-se: seu pai amado, Intef, verdadeiro da palavra.
EXERCÍCIOS
1. Em que ano, e sob o reinado de qual faraó, o seguinte texto foi escrito?
2. Translitere e traduza a primeira linha da seguinte estela.
3. Translitere e traduza os dois trechos selecionados da seguinte estela.
 – pata de boi; força.
O nome Hórus de Ouro do faraó é 
4. Translitere e traduza o seguinte trecho selecionado, de uma reprodução da
estela de Sehetepib.
– Amado de – Abidos
5. Qual o significado do texto em destaque?
6. Será que você consegue traduzir a seguinte frase? Note a presença do dual.
Uma dica: é mais simples do que pode parecer a princípio.
CAPÍTULO 7
Os textos religiosos
Estela com uma fórmula de oferenda aos mortos – garantia ao falecido de vida eterna.
 
Quando se afirma que os egípcios utilizavam-se de várias fórmulas para
escrever seus textos, isso se refere ao uso de expressões que se repetem.
Utilizam-se, portanto, de um modelo estereotipado, ao qual eram adicionados
diferentes elementos.
Você viu, por exemplo, que os elogios feitos aos faraós repetiam-se com
frequência. Por isso, pode-se falar de fórmulas para escrever sobre o rei.
A vida religiosa era muito importante paraos egípcios. Muitos aspectos de
seu cotidiano eram direcionados à religião. Por isso, muitos textos religiosos
eram produzidos e, considerando-se seus objetivos comuns, muitas vezes
repetiam-se.
As estelas funerárias, especialmente, repetiam uma fórmula conhecida como
fórmula de oferenda. São, basicamente, orações, em que se pedem que as
oferendas dedicadas pelos familiares ao falecido, sejam divididas com os
deuses.
Repare nos trechos selecionados destas estelas:
 
 
Todas as estelas começam seus textos da mesma forma, utilizando os sinais
 
A seguir estudaremos os elementos que fazem parte desta fórmula, aprender
seus significados e, claro, sua tradução.
OS ELEMENTOS DA FÓRMULA DE OFERENDA
1. 
É o elemento que caracteriza e que inicia a fórmula de oferenda. Já no Médio
Império havia se tornado uma expressão estereotipada.
Note que
 
rei, é a primeira frase da fórmula, mas lê-se ao final, aparecendo em primeiro
lugar devido à inversão honorífica, como acontece com o nome de deuses.
A palavra
 
significa oferendas, enquanto
 é uma abreviação de dar.
Curiosamente, e embora seja repetida aos milhares em estelas egípcias, o
significado deste início da fórmula é incerto. É provável que seu significado
exato tivesse se perdido mesmo para os egípcios, sendo repetido nos textos
por conta da tradição.
De toda forma, usualmente se traduz Htp di nsw como “Oferendas dadas
pelo rei”, considerando o faraó, aqui, como um intermediário entre o mundo
dos homens e o mundo dos deuses. 
2. Nome da divindade
A segunda parte da fórmula indica o nome da divindade (ou divindades) que
irá receber as oferendas.
No caso, a oferenda deve ser dirigida a Osíris Khentimentu.
Em hieróglifos, seria:
O nome do deus
 
você já conhece.
▪ A segunda parte de seu nome significa Aquele que está à frente dos
ocidentais. Sendo:
 estar à frente
 do ocidente
O sol se põe no oeste (ocidente); por isso, os egípcios acreditavam que os
mortos iriam para o ocidente, acompanhando a “morte” do sol. Osíris, por sua
vez, é o deus ligado aos mortos; é o seu faraó, aquele que os lidera. Ele é,
portanto, portanto, o que está “à frente dos ocidentais”.
Osíris, neste texto, é ainda identificado como
 
(esta última palavra é uma contração de )
Ou seja, ele é Senhor de AbDw , Senhor de Abidos.
Outro deus ao qual é muito comum o oferecimento de estelas funerárias é o
deus Anúbis
E, especialmente, uma das formas do deus,
 
Upuaut, ou Anúbis que abre os caminhos.
Porém, vários outros deuses podem receber homenagens pela fórmula de
oferenda como, por exemplo,
 – Ísis
 - Ptah
 – Geb
 - Rá
As oferendas podem ser feitas a outros desses, como
Sokar, divindade funerária, representada como um falcão mumificado
 
Hathor, senhora do ocidente
3. Que ele dê; que lhe sejam dadas.
As oferendas que a família do falecido apresenta serão, por sua vez (e por
intermédio do faraó), ofertadas aos deuses citados no texto.
Este trecho, portanto, indica o desejo do falecido de apresentar estas
oferendas. Para isso, usa-se a expressão
 – que ele dê.
Outros tipos de ações podem ser descritas: que ele diga, que eles beijem, etc.
Mas, sem dúvida, é a mais comum.
4. As oferendas invocadas
Este trecho da fórmula de oferenda é também conhecido como.
Nesta parte da estela são listados todos os itens que devem ser oferecidos ao
deus (ou deuses). Note que na própria expressão abreviada já aparecem
os sinais de
 pão
e
 bebida (cerveja)
que devem ser lidos, transliterados e traduzidos.
Vejamos a lista de oferendas que é apresentada nesta estela. Temos:
– Boi (significando a oferenda de carne boi);
 – Pássaro (da mesma forma, com o significado de oferenda de
carne de pássaro);
 – Alabastro, uma pedra utilizada pelos egípcios para construção
de pequenos objetos, como estátuas;
 – Linho, o tecido mais nobre conhecido pelos egípcios.
Além disso, devem ser oferecidas ainda,
Que se pode traduzir como Todas as coisas boas e puras de que um deus
vive.
A palavra
 
coisa, coisas, aparece aqui abreviada. Com a adição de nb temos, então,
Todas as coisas.
A seguir o texto coloca os adjetivos para estas coisas. Elas são:
– boas e
- – puras.
Esta frase é comumente acompanhada da expressão
que significa de que um deus vive.
Assim, se fôssemos traduzir as oferendas invocadas, do texto que estamos
estudando, teríamos:
 
Oferendas invocadas de pão, cerveja, boi, pássaro, alabastro, linho (e)
todas as coisas boas e puras de que um deus vive.
São, ainda, expressões comuns das oferendas invocadas:
[5] – que dá o céu
 
 – que cria a terra
 –
que chega a inundação
 
ou – que
vem e que vão
 – (de um) espírito do céu (a
outro)
 – poderoso sobre a terra
 – que atravessa o
firmamento
 
5. “Para o Ka de”
Este trecho indica que as oferendas, oferecidas aos deuses, são também em
benefício do morto.
Mais, especialmente, de sua alma kA : a alma relacionada à presença terrena
do falecido.
Quanto maior o número de oferendas – e, em geral, quanto mais o egípcio era
lembrado – melhor era para seu Ka.
6. Títulos e nome do dono da estela
Trata-se de uma estela mortuária. Seu objetivo era garantir ao falecido, na
eternidade, a lembrança entre os homens e o apreço dos deuses.
Por isso, quase todas as pessoas descreviam a si mesmas como alguém
 – venerado
PROFISSÕES
Usualmente, após esta expressão segue-se o título ou a profissão que a pessoa
tinha em vida. Muitos dos títulos começam com
 ou 
que significa estar com a palavra, usando-se no sentido que damos hoje à
palavra chefe.
No caso desta estela, em particular, o seu proprietário se declara
 – Chefe da casa.
Uma posição que poderíamos traduzir melhor como administrador.
Algumas profissões que você pode encontrar em suas traduções:
 – governador
 – supervisor
da câmara (do rei)
 – supervisor do exército
Há ainda, títulos religiosos, como
 – sacerdote
 – sacerdote
 – sacerdote leitor
NOMES PRÓPRIOS
Deixando claro que é uma pessoa venerada, e sua profissão – ou títulos que
possui – é apresentado o nome do dono da estela. Neste caso, seu proprietário
é
Senusert – note a inversão honorífica na transliteração de seu nome.
Senusert, neste caso, faz questão ainda de dizer que é
 
ou seja, nascido de
 
Que vem a ser o nome de sua mãe. Sabemos que é o nome de uma mulher
pelo t ao final do nome e pelo determinativo de mulher.
Pode aparecer, por vezes, a expressão
que significa gerado por. Esta expressão, ao contrário de ir-n , é usada apenas
para se referir a mulheres.
Por fim, as duas últimas palavras do texto indicam que Senusert é mAa-xrw , 
ou seja, verdadeiro da palavra.
EXERCÍCIOS
1. Estudamos que a fórmula de oferenda, em geral, é composta por seis
grandes partes:
1. 
2. Nome da divindade ou divindades
3. Que ele dê; que eles deem.
4. Oferendas invocadas
5. Para o Ka de
6. Nome do dono da estela
Identifique, na estela abaixo, cada uma dessas partes. A parte mais difícil será
você encontrar o nome do proprietário da estela. Uma dica: é formado por
apenas três hieróglifos alfabéticos (ou unilíteros).
2. Um detalhe interessante sobre essa estela. Como você deve ter notado, ela
não possui a expressão
“que ele dê”. Como se trata de uma estela que, ainda que tenha um
proprietário principal, é dividida por várias outras pessoas da mesma família,
foi utilizada a expressão “que eles deem”. Relembre os pronomes pessoais no
capítulo anterior, traduza, na estela, como essa expressão foi escrita pelo
escriba.
3. Observe a seguinte estela. Ela possui todos os elementos da fórmula de
oferenda.
a) A qual deus é dedicada a estela? Quais são os títulos deste deus?
b) Encontre a expressão Que ele dê, na primeira linha da estela.
c) Encontre a expressão
 De que um deus vive, no texto.
d) Identifique todas as oferendas listadas no texto que você conseguir
e) Encontre a expressão Para o Ka de, no texto.
f) Você consegue encontrar a frase “que chega a inundação”, no texto? Se
tiver dúvidas, retorne ao texto do capítulo e relembre como essa expressão é
escrita.
g) Encontrea expressão “venerável escriba”, no texto.
h) O nome do falecido, Senbi, foi escrito apenas com hieróglifos alfabéticos
(unilíteros). Encontre esse nome.
4. Observe o trecho selecionado da seguinte estela: a que deuses ela é
dedicada?
5. Este tipo de estátua funerária é conhecido como estátua bloco e unia a
representação do falecido à escrita de textos funerários.
Observe com atenção a primeira linha desta estátua
a) Encontre a expressão
que classifica este texto como uma fórmula de oferenda.
b) O texto é oferecido a uma das formas do deus Osíris,
.
Encontre este nome na frase.
c) Sabendo que
significa aquele que está sobre, que habita, translitere e traduza o texto em
destaque.
 
6. A fórmula de oferenda do texto abaixo é dedicada a três deuses.
a) Quais são estes três deuses?
b) Que deus é chamado de governante da eternidade
 ?
c) Que deus está diante do templo
 ?
 
7. A estela abaixo, de cerca de 1944 a.C., encontra-se no Metropolitan
Museum of Art, dos Estados Unidos. Iremos analisar um longo trecho desta
estela, que está em destaque.
a) Encontre, em primeiro lugar, a expressão “venerado”: assim, você irá
identificar, logo a seguir, a profissão do falecido, bem como seu nome:
Mentu-user.
b) O nome da mãe de Mentu-user é transliterado
Encontre o nome dela no texto.
c) Com auxílio do vocabulário a seguir, traduza o texto em destaque.
 – “Eu sou”
 – necessitados.
 – Dizer
 – “aquele que vê” (cuida).
7. Observe com atenção a seguinte estela da XIIª dinastia, que se encontra no
Museu do Louvre.
São várias frases diferentes, referindo-se a orações específicas. Utilize o
esquema abaixo como guia para as frases.
a) Translitere e traduza a frase. Atente que:
▪ – Beijar
▪ A palavra terra usualmente é escrita tA , mas pode aparecer, também,
sem os três pontos: .
▪ – procissão
▪ – ver. Este é um dos
poucos verbos egípcios em que o determinativo aparece no meio da palavra.
Já usamos este verbo, de maneira figurada, em exercícios anteriores.
▪ – Esta palavra é um falso plural. Temos a tendência de
querer traduzi-la como belezas, mas seu significado real é perfeição.
▪ – Upuaut, ou Anúbis
que abre os caminhos.
▪ A parte de baixo da estela está danificada. Ali está escrito
 . Sendo que
significa primeiro, primeira.
 – chanceler.
b) Sabendo que
 
significa a palavra nome, translitere e traduza a legenda da imagem acima.
c) Observe o seguinte detalhe da estela.
O trecho assinalado refere-se à pequena mulher, que aparece na parte de
baixo da imagem. O que diz o texto? Lembre-se que
 – gerado por.
d) O pequeno personagem à esquerda tem o seu nome mencionado na estela.
Qual o seu nome?
DESAFIO
A maioria dos textos funerários egípcios não se refere apenas ao falecido, mas estende-se também aos
membros da família. Não apenas pelo desejo de que todos compartilhassem a vida no outro mundo
mas, também, porque a produção de estelas era um empreendimento caro – assim, buscava-se
minimizar os custos inserindo vários membros da família em um mesmo texto de proteção divina.
Nesta estela, por exemplo, não são apresentados apenas os nomes: foram adicionadas pequenas
representações dos parentes.
Você já conhece algumas palavras do vocabulário relacionado ao parentesco.
Você sabe que filho é
 
como aparece, por exemplo, no nome
 filho de Rá
do faraó. Filha, pelas regras de escrita do egípcio antigo, é
 
com a adição de um t e a mudança no determinativo (caso este apareça).
Já trabalhamos, também, com a palavra
 
pai, e seu estranho determinativo.
A palavra mãe, por sua vez, é
 
o mesmo nome de uma divindade egípcia.
Temos ainda as palavras para
 – irmão
 – irmã
Sendo que esta palavra é, por vezes, utilizada como sinônimo de esposa.
De toda forma, há uma palavra específica para esposa, em egípcio antigo:
 
Nefertari, como você viu em sua tradução do painel em sua tumba, é apresentada como
 
ou seja, esposa do rei: rainha.
Observe, por exemplo, a seguinte estela.
Observe como diversos parentes aparecem neste texto, cada um em uma linha. Em primeiro lugar, o pai
(Intef-iker-nb-iri-r-au), a mãe (Hetepet), o irmão (Imeny), a irmã (Sat-Hathor), outra irmã (Senet-
Aamet), mais um irmão (Intef), e a esposa (Satipi).
O texto abaixo foi extraído de uma estela funerária dedicada a quatro pessoas diferentes. Observe que
os hieróglifos são apresentados como aparecem originalmente no texto. Assim, certas frases podem
começar em uma linha, e continuar na seguinte. Veja, a princípio, o que você consegue entender desse
texto. 
Das várias pessoas apresentadas, a primeira é assim descrita:
Guardião do templo de Amon, iu-f-r-bA-k , verdadeiro da palavra
Procure traduzir as funções, o parentesco e os nomes das demais pessoas representadas. Lembre-se que
 
era um título comum para mulheres, e significa Senhora da casa. Além disso
 
é um título religioso e significa Sacerdote de Amon (literalmente, “o puro de Amon”).
Além disso,
 
é um nome próprio (e que, se fôssemos traduzir, significaria Senhora de Iwnw, ou seja, Senhora de
Heliópolis).
As respostas, como sempre, encontram-se ao final do livro.
De toda forma, não é este o seu desafio. Este foi, digamos, um treino. Lembra-se da estela do começo
do livro? Aquela, da página 2, que foi colocada como uma meta para seu aprendizado de tradução? Pois
é. Ela é seu desafio. Você já deve ter aprendido e treinado o suficiente para conseguir traduzi-la.
Talvez você não tenha reparado que, ao longo do livro, já traduzimos algumas partes da estela do nosso
amigo Pepi. Mas, agora, você deverá traduzi-la por completo.
Vamos ao primeiro trecho.
Não há muitas palavras, neste texto, com as quais você já não tenha entrado em contato. Porém, utilize-
se do vocabulário a seguir para os termos mais complicados. Mais uma dica: no livro, estamos nos
referindo ao dono dessa estela como “Pepi”, mas o nome completo dele é Nehy-Ptah-Sokar-en-Pepi.
 – incenso;
 – óleo;
 – Upuaut (ou Wepwawet), “Que abre os caminhos”.
 – Chefe dos oleiros
 é o hieróglifo que se segue à profissão de Pepi. Translitere como .
 
Considere como .
Essa é a parte inferior da estela. A numeração ajudará você a organizar as frases a serem traduzidas.
 é um nome, e deve ser transliterado .
Por fim, repare que o escriba cometeu alguns erros quando produziu esta estela. Por vezes, um filho é
referenciado como “verdadeira da palavra”. E há um momento em que, ao invés de escrever
simplesmente
ele escreve
CAPÍTULO 8
Os textos nos templos
Ramsés III é representado oferecendo incenso ao deus Amon.
As paredes dos templos egípcios eram utilizadas, pelos faraós, com uma
dupla função: religiosa e política. Textos e imagens com narrações de suas
conquistas (militares ou não) dividiam espaço com imagens de sua presença
diante de deuses e deusas. Como se sabe, o relacionamento do faraó com os
deuses egípcios era fonte da legitimação de seu poder.
Quando as representações do rei envolvem seu relacionamento com
divindades, determinadas fórmulas e padrões eram utilizados tanto na
representação das imagens, quanto na criação dos textos.
Estas cenas são, em geral, delimitadas pelos hieróglifos da terra,
 
do céu
 
sustentados por pilares que, por vezes, têm a forma do centro
 
Nestas cenas, o rei aparece fazendo oferendas a um ou mais deuses que, por
sua vez, falam em favor do monarca.
O nome do rei é geralmente escrito acima dele, e os hieróglifos são
orientados na mesma direção para a qual olha. Além disso, são colocadas
uma ou mais divindades protetoras – o disco solar alado, o falcão, etc. –
sobre o rei.
 
Observe, neste exemplo, a disposição dos elementos.
Neste caso, a deusa protetora que aparece nesta cena é Behedety, uma deusa
do Médio Império associada a Hórus.
No texto ao lado do faraó, pode-se ler:
Ou seja, dotado de vida, como Rá.
Nos templos, as ações costumam ser apresentada a partir de pequenas
legendas inscritas entre os personagens. Em geral, a ação é expressa no
infinitivo (dar libações, oferecer vinho, etc.). Algumas dasações mais
comuns:
 – oferecer libações
 – oferecer vinho
 – oferecer a cerveja forte
– oferecer incenso
 – consagrar o pão branco
– adorar Amon sobre a escadaria
 – oferecer o pão Shat a Amon Ra.
Observe um exemplo no relevo a seguir, que apresenta o faraó Sobekemsaf I
fazendo oferendas a um deus.
No texto em destaque está escrito:
– Oferecer dois pães Shat
(um tipo de pão dos antigos egípcios).
E, na parte de cima, temos a identificação do rei:
Rei do Alto e do Baixo Egito, Senhor dos Rituais , Sxm-ra-wAd-xaw dotado
de vida, estabilidade e poder, como Ra.
AS PALAVRAS DA DIVINDADE
Nas imagens dos templos, a divindade responde à oferenda do rei, garantindo
a ele vida, estabilidade, poder, sobre o Egito. Ou então, ações mais concretas,
como a vitória contra países estrangeiros.
A frase dita pela divindade é também uma fórmula, no caso iniciada por
 – Diz as palavras.
O pronome sufixo ou – (eu) nunca é escrito. Afinal, a imagem do
próprio deus funciona como pronome.
Acima temos outro trecho da oferenda de Sobekemsaf, diante do deus Montu
(aliás, que tal encontrar o nome do deus no texto?).
Neste texto, as duas linhas em destaque são palavras da divindade (o deus
Montu) para o faraó.
Na primeira coluna (lendo-se da direita para a esquerda, acompanhando a
direção da leitura), tem-se a fórmula que começa com
 – Diz as palavras
A seguir, afirma:
 
O hieróglifo
 
como vimos várias vezes, especialmente na fórmula de oferenda, é traduzido
como dar. Dentro da gramática egípcia, quando um n que não seja um
pronome é colocado após o verbo, a ação é apresentada no passado.
Assim se é eu dou, é eu dei.
O segundo n faz o papel de pronome (para) enquanto o k é um
pronome sufixo: tu, você.
Juntando todo este conjunto temos que
 – Dei para ti.
A partir daqui, a tradução da primeira coluna torna-se simples:
Diz as palavras: eu dei para ti toda vida e poder.
A segunda coluna mantém a mesma estrutura e a mesma fórmula. O texto diz
Diz as palavras: eu dei para toda estabilidade.
Muitas vezes, logo após a expressão (diz as palavras) surge a
preposição por in , indicando o nome da divindade que está falando as
palavras.
Já o trecho seguinte foi extraído da chamada Capela Branca, um pequeno
templo construído em Karnak, pelo faraó Sesóstris I.
Palavras ditas por Montu, Senhor de Tebas (e senhor) de todos os deuses.
A FÓRMULA DE PROTEÇÃO
É comum aparecer, nas cenas de oferendas, uma fórmula de proteção ao
faraó. Esta fórmula, bastante abreviada, costuma ser escrita atrás do
personagem.
 
O hieróglifo
 
é traduzido como proteção, e muitas vezes substituído pelo sinal
.
Já o conjunto
 
tem o significado de que o cerca.
Assim, no texto apresentado acima, temos a seguinte tradução:
Toda proteção, toda vida, que o cercam, como Rá.
 
EXERCÍCIOS
 
1. Vamos estudar o seguinte painel, que se encontra em Deir-El-Bahari, no
qual o faraó Tutmés III aparece fazendo oferendas ao deus Sokar. Algumas
partes deste painel já traduzimos em outras partes do livro. Anteriormente já
lemos, por exemplo, os títulos e o nome do faraó. Vamos complementar a
tradução deste painel, e compreender seu significado como um todo.
a) Translitere e traduza a oferenda que o faraó apresenta ao deus.
Saiba que
 
significa para que ele possa dar a vida. Abaixo os hieróglifos da oferenda
aparecem ampliados.
b) Translitere e traduza os títulos e elogios do deus
 - .
 – felicidade.
c) Por fim, translitere e traduza as palavras do deus. Para traduzir este trecho
você deve saber que:
▪ – festivais, festas religiosas;
▪ – muitos.
Os hieróglifos aparecem ampliados a seguir. Note que o texto foi quebrado
em duas partes, apenas para que pudesse aparecem sem problemas na página.
CAPÍTULO 9
Como continuar os estudos
Um sarcófago no museu egípcio de Milão: o treino e a busca por textos a traduzir levam ao
aprendizado.
 
Os estudos dos hieróglifos egípcios são infindáveis. Sempre haverá novos
textos, novos períodos, novas palavras para ler e traduzir. Nos museus de
todo o mundo há, literalmente, milhões de peças a serem traduzidas. E, ainda
hoje, descobertas arqueológicas revelam mais artefatos da antiga sociedade
egípcia.
Mas, como continuar o aprendizado? Embora eu espere que você tenha
aprendido muito com este livro, ele é, certamente, apenas uma introdução à
leitura e tradução dos antigos hieróglifos.
Para que você possa realizar este aprofundamento – e ter uma vida inteira de
estudos (pois ninguém, nunca, poderá dizer que sabe tudo sobre hieróglifos) –
há boas e más notícias.
A boa notícia é que existe uma quantidade de recursos muito grande, boa
parte deles gratuitos (na internet), para quem deseja estudar mais sobre o
Egito e a escrita egípcia.
A má notícia é que a maioria destes recursos está em língua estrangeira e,
especialmente, em inglês.
A seguir, um pequeno guia que poderá servir para você como ponto de
partida para seus estudos em hieróglifos egípcios.
SITES
▪ Em patolagames.com.br/nefertari você poderá fazer o download de uma
reprodução em 3D da tumba da rainha Nefertari. Este simulador é gratuito e
permite a você que caminhe pelo interior da tumba, observando e analisando
todas as pinturas e inscrições.
Todas as pinturas e inscrições possuem explicações complementares.
Uma boa forma de você treinar a sua leitura e escrita, passeando pela tumba e
buscando traduzir as inscrições, como se estivesse no Egito.
▪ O site Wikimedia Commons, bem como seu site irmão, Wikipedia,
possuem uma grande quantidade de imagens, de todas as épocas do Antigo
Egito, que permite que você procure os mais diferentes tipos de artefatos para
traduzir. Desde imagens bastante gerais como Arte Egípcia até bem
específicos como Hieróglifos, você tem no site uma fonte de estudos
praticamente inesgotável.
Lembre-se de realizar as suas buscas no site com palavras em inglês. A
maioria das imagens está indexada com termos nesse idioma.
LIVROS
Não há muitos livros que façam um adequado aprofundamento do estudo de
hieróglifos. Recomendo aqui dois, para que você possa escolher.
▪ Egyptian Grammar, de Sir Alan Gardiner. Ainda hoje o melhor e mais
profundo livro para estudo da língua egípcia antiga. Trata-se, como o nome
diz, de uma gramática, então não espere ver imagens de textos originais –
você irá se deparar com questões áridas de formas verbais, pronomes,
tempos, etc.
Ainda assim, se você quiser ser considerado um estudioso sério da língua
egípcia, deve ter este livro.
O grande problema desta obra é que ela não possui respostas para as centenas
de exercícios que propõe. Isto não é exatamente uma grande dificuldade, pois
o conteúdo é bem explicado e, de toda forma, a internet possui uma grande
quantidade de soluções aos exercícios para você comparar suas respostas.
▪ Middle Egyptian: An Introduction to the Language and Culture of
Hieroglyphs, de James Allen. Este livro vem substituindo o livro de Gardiner
na preferência dos cursos de egiptologia no exterior.
Basicamente, trata das mesmas questões, e é também uma grande gramática
do antigo egípcio. Porém, a leitura é um pouco mais agradável (o que não
afeta sua profundidade), além de possuir respostas a todos os exercícios
apresentados.
De todas as formas, ambos os livros são uma boa compra e você os encontra
na livraria virtual Amazon.com. Antes de considerar a compra, lembre-se de
dar uma olhada nas bibliotecas de sua cidade. É possível que você encontre
uma destas obras nas prateleiras.
▪ Caso você procure um bom dicionário de hieróglifos, está preso a
praticamente uma única opção: Concise Dictionary of Middle Egyptian de
Raymond Faulkner.
Todas as outras opções são incompletas ou profundamente equivocadas.
SOFTWARE
Este livro foi todo escrito com a utilização do software JSesh, que você deve
ter em seu computador (jsesh.qenherkhopeshef.org, ou simplesmente digite
JSesh no Google).
É um programa de fácil utilização e fácil aprendizado. Considerando-se, é
claro, as peculiaridades de você transpor, para o teclado, todas as centenasde
hieróglifos conhecidos.
Produzido por egiptólogos, é um programa gratuito e mantido por doações
(considere seriamente ajudar). Possui, ainda, um fórum para iniciantes, que
pode ajudá-lo em seus primeiros passos no programa.
 
RESPOSTAS DAS ATIVIDADES
Capítulo 1
EXERCÍCIOS
1. a) Todos os textos devem ser lidos da direita para a esquerda.
b) O trecho 1 deve ser lido da direita para a esquerda; o trecho 2, da esquerda
para a direita.
 
2. Atente, para essa atividade, que outras configurações de hieróglifos podem
ser possíveis.
a) 
b) 
c) 
d) 
3. a)
b)
 
Alguns hieróglifos são únicos, mas compostos por vários sinais, como ocorre
com o 4, o 10, ou com o 39.
Capítulo 2
EXERCÍCIOS
1.
a) Duamutef e Hapi
b) Osíris
c) Geb
d) Hequet
 
2. a) Da direita para a esquerda.
b) 
c) 
d) Anúbis, Senhor da Terra Sagrada.
 
3. A própria imagem da deusa faz o papel de determinativo.
4. a) Osíris, Néftis (note a deusa atrás de Osíris, e o hieróglifo sobre sua
cabeça), Duamutef e Hapi.
b) Osíris, Senhor da eternidade.
c) Osíris, Escriba Ani.
Capítulo 3
EXERCÍCIOS
1. (Nia)
2. (Pepi)
3. (Hapi)
4. a) (Benty); (Ifu); (Djedjeh)
b) (Besy).
5. (Aton).
6. (Teti).
7. (Kaftiu).
7. (Kemet).
Capítulo 4
Desafio
a) 
b) 
c) 
d) 
e) stt rmw in snbi mAa xrw Arpoando peixes para Senbi, verdadeiro da palavra.
EXERCÍCIOS
1. (Montu)
2. (Vida)
3. .
4. 
Desafio: Nomes dos faraós
Reis do Médio Império
Reis do Novo Império
 
Nebpehtyre Ahmose
Dyeserkare
Amenhotep (I)
Aakheperkare
Tutmés (I)
Aakheperenre
Tutmés (II)
Maatkare
Hatshepsut-Khenmetamon
Menkheperre
Tutmés (III)
Aakhperure
Amenhotep hekaiunu (II)
Menkheperure
Tutmés (IV)
Nebmaatre
Amenhotep
hekawaset (III)
Neferkheperure-waenre
Aquenaton
Nebkheperure
Tutancâmon-hekaiiunushema
Dyeserkheperure-setepenre
Horemheb-meriamun
Menpehtyre
Ramesse (Ramsés I)
Menmaatre
Seti-meryenptah
Usermaatre-setepenre
Ramesse-meryamun (Ramsés II)
 
Usermaatre-meryamun
Ramesse-hekaiunu
Capítulo 5
Desafio: O painel de Nefertari
(Note que o “ wy” é adicionado, ao final da primeira linha, porque se trata de
um dual).
Osíris, grande rainha, Senhora das Duas Terras, Nefertari, Merit-en-Mut,
verdadeira da palavra perante Osíris, grande deus.
EXERCÍCIOS
1. 
Hórus vivo, touro vitorioso que vive na verdade, bom deus, Neb-Maat-Ra,
filho de Rá, Imenhotep, dotado de vida.
2. 
Bom deus, senhor das duas terras, Djeser-Ka-Ra, senhor das coroas,
Amenhotep, dotado de vida.
3. 
Bom deus, Senhor das duas Terras, User-Maat-Ra Imn-mer, Senhor das
coroas, Ramses, governante de Heliópolis, dotado de vida.
4. Filho de Rá, Senbikay (a transliteração do nome é ).
5. 
Bom deus Neb-Maat-Ra, filho de Ra, Amenhotep Governante de Tebas,
dotado de vida, para sempre.
Rainha Tyi, saúde.
6. 
Bom deus, Senhor das duas terras, Neb-Kheperu-Ra, filho de Rá, Senhor das
Coroas, Tutâncamon. Dotado de vida, como Rá, para sempre.
Capítulo 6
- Está representado o número 152.123.
- Tradução do trecho: Ano 21, no reinado do faraó (Psamético).
EXERCÍCIOS
1. Ano 22, faraó Aakheperenra (Tutmés II).
2. 
Ano 23 da estação Shemu, dia 5, sob o reinado do Rei do Alto e baixo Egito,
Khenem-ib-Ra.
3.
I. 
HerHerib Rei do Alto e do Baixo Egito Aawyibra, bom deus, senhor das duas
terras, senhor dos rituais, dotado de vida, estabilidade, poder, saúde, para
sempre.
II. 
Ano 12, mês 2 da estação Shemu, dia 21, sob sua majestade, o Rei do Sul e
no Norte, protegido das duas Damas, senhor da força, Hórus de Ouro
Swadjy-tawy-hawir-ra, Filho de Rá, Sekibra.
4. 
Ano 19 sob sua majestade, bom deus, rei do Alto e do Baixo Egito, Nebu-
raw-ra, amado de Osíris, grande deus, senhor de Abidos, dotado de vida,
estabilidade, poder, como Rá, para sempre.
5. - Anúbis em sua montanha
6. Teus dois olhos.
Capítulo 7
EXERCÍCIOS
1.
2. “Que eles deem”; ou “que lhes sejam dados”.
3. a) Osíris, senhor de Djedu (Busíris), que está diante dos ocidentais.
b) 
c) 
d) Pão, henquet (cerveja), boi, pássaros, alabastro, linho são as oferendas
apresentadas no livro e que aparecem aqui. Estão escritas ainda, incenso e
óleos (que você verá posteriormente).
e) 
f) 
g) 
h) 
3. A Anúbis que está em sua montanha, e a Osíris, que está à frente dos
Ocidentais.
4. a) 
b) 
c) 
O rei dá oferendas a Osíris Unefer, grande deus, que habita Abidos.
5. a) Osíris, Anúbis e Hator.
b) Osíris
c) Anúbis
 
6. a)
b)
c) O rei dá oferendas a Osíris, grande deus, senhor de Abidos. Que ele dê as
oferendas invocadas de pão, henquet, boi, pássaro, linho, alabastro, e todas as
coisas boas e puras de que um deus vive; para o ka do venerado
administrador Mentu-user, nascido de Ibihew. Ele diz: eu sou aquele que
cuida dos necessitados.
7. a) 
Beijar a terra de Khentimentu, na grande procissão, ver a perfeição de Upuaut
na primeira procissão, pelo venerado chanceler mry , verdadeiro da palavra.
b) – Seu belo nome.
c) – Gerado por Hetpet, verdadeira da palavra.
d) (Senusert).
Desafio
Guardião do templo de Amon, Iuferbak, verdadeiro da palavra; sua irmã[6],
senhora da casa, Nebet-iwnut, verdadeira da palavra; seu filho, guardião do
templo de Amon, Nefer-Hetep, verdadeiro da palavra; seu filho, sacerdote de
Amon, Nekht.
Estela de Pepi:
▪ Parte superior da estela:
O rei dá oferendas a Osíris que está à frente dos Ocidentais, grande deus,
senhor de Upuaut, senhor da Terra sagrada; que lhes sejam dadas as
oferendas invocadas de pães, henquet, bois e pássaro, vinho e alabastro,
incenso e óleos, e todas as coisas boas e puras para o ka do chefe dos oleiros
Nehy-Ptah-Sokar-en-Pepy, nascido da senhora da casa Itit, verdadeira da
palavra.
▪ Parte inferior da estela:
1) - Seu filho Ra-dedi, verdadeiro da
palavra.
2) – Seu filho Iy, verdadeiro da palavra.
3) – Sua filha Sat-Ptah, verdadeira da
palavra.
4) – Sua filha amada Ity, verdadeira da
palavra.
5) 
– Sua esposa, Hepi, Senhora da casa, verdadeira da palavra
Capítulo 8
EXERCÍCIOS
 
1. a) irp ir=f di anx –Vinho, para que ele possa dar a vida.
b) 
– Ele dá toda vida, toda estabilidade e poder, toda saúde, toda felicidade,
Sokar, grande deus, senhor do céu.
c) 
– Diz as palavras: dou para ti milhões de rituais, muitos grandes festivais,
como Rá, para sempre.
LISTA DE SINAIS: LISTA DE SINAIS BILÍTEROS MAIS USADOS
Lista de sinais trilíteros mais usados
 
REFERÊNCIAS DAS IMAGENS
Capa: Estátua bloco de Amenotep. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:StatueOfOverseerAmenhotep-August19-08.jpg>.
Estela de Pepi, Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:%D0%A1%D1%82%D0%B5%D0%BB%D0%B0_%D0%BD%D0%B0%D1%87%D0%B0%D0%BB%D1%8C%D0%BD%D0%B8%D0%BA%D0%B0_%D0%B3%D0%BE%D0%BD%D1%87%D0%B0%D1%80%D0%BE%D0%B2_%D0%9F%D0%B5%D0%BF%D0%B8.jpg>.
Painel da rainha Nefertari. Wikimedia Commons. Disponivel em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Maler_der_Grabkammer_der_Nefertari_003.jpg>
Monumento de Abu Simbel, com o nome de Ramsés II. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flickr_-_Gaspa_-
_Abu_Simbel,_cartigli_di_Ramses_II.jpg>.
Vaso canópico. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Canopic_jar_Depicting_Qebehsenuef.jpg>.
Estela de Padiouiset. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_047_stele.jp>.
Ankh-auf-mut adorando Osíris. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ankh-auf-
Mut_Adoring_a_Seated_Osiris,_Egyptian,_Third_Intermediate_Period,_painting_on_wood_-
_Worcester_Art_Museum_-_IMG_7538.JPG>.
Papiro de Hunefer. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_judgement_of_the_dead_in_the_presence_of_Osiris.jpg>.
Caderno de hieróglifos. Reprodução.
Estela dedicada a Chia. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_116_stele.jpg>.
Boi Ápis, imagem de sarcófago. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Apis_bull_on_coffin.jpg>.
Recipiente de produtos cosméticos.Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egyptian_-
_Cosmetic_Container_with_Round_Receptacles_and_Inscriptions_-_Walters_481381.jpg>
Lista de nomes de faraós. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:British_Museum_Egypt_050.jpg>
Ícones. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Wheelchair_symbol.svg>,
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Ícone para louvor. Public Domain Files. Disponível em
<http://www.publicdomainfiles.com/show_file.php?id=13526046019596>;
Livro dos mortos de Nesitanebtashru. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Geb,_Nut,_Shu.jpg>.
Jarros canópicos do Terceiro Período Intermediário. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egyptian_-_A_Complete_Set_of_Canopic_Jars_-
_Walters_41171,_41172,_41173,_41174_-_Group.jpg>
Estela de Amenotep I. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Stele_of_Amenhotep_I.jpg>.
Heket, templo de Abidos. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f1/Abydos_Tempelrelief_Ramses_II.jpg>
Anúbis, templo de Abidos. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Abydos_Tempelrelief_Ramses_II._22.JPG>
Ani perante Osíris. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:BD_Ani_before_Osiris.jpg>.
Anel com o nome do deus Ptah. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egyptian_-_Finger_Ring_with_a_Representation_of_Ptah_-
_Walters_42387_-_View_A.jpg>.
Estela de granito com o nome do faraó Khufu. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:GraniteSlabWithNameOfKhufu-BritishMuseum-August19-
08.jpg>.
Animal egípcio. Criado pelo autor.
Relevo do templo de Luxor. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Luxor_temple_relief_2008LX.jpg>.
Interior da tumba de Ay. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://en.wikipedia.org/wiki/File:WV23_by_Mutnedjmet.jpg>.
Balaustrada do período do governo Aquenaton. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Dynasty_18_balustrade_decorated_with_royal_cartouches_REM.JPG>.
Fragmento em baixo relevo do período do governo Aquenaton. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fragment-IMG_0212.JPG>.
Texto das pirâmides com o nome de Teti. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Limestone_wall_block_fragment_showing_the_cartouche_of_king_Teti_and_funerary_pyramid_texts._6th_Dynasty._From_the_Pyramid_of_Teti,_Saqqara,_Egypt._The_Petrie_Museum_of_Egyptian_Archaeology,_London.jpg>.
Keftiu no templo de Abidos. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Name-Keftiu-at-Abydos-Ramses-Temple.jpg>.
Obelisco da Praça da Concórdia. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Paris_Concorde_ob%C3%A9lisque_2.jpg>.
Champollion. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Leon_Cogniet_-_Jean-Francois_Champollion.jpg>.
Detalhe do tempo de Karnak. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Karnak_temple,_Gro%C3%9Fer_S%C3%A4ulensaal_9504.JPG>.
Reprodução do texto de Senbi; recriado pelo autor.
Estela de Senusert. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_272_stele.jpg>.
Ka do faraó Hor. Egypt Archive. Disponível em <http://www.egyptarchive.co.uk/>. Reproduzido com
autorização.
Deus Khepra em Karnak. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Karnak_Tempel_Skarab%C3%A4us_01.jpg>.
Estela de Ra-Horakhty. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Stele_Ra-Horakhty_Louvre_N3795.jpg>.
Detalhe do templo de Montu. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Menthu_in_Medamud.jpg>.
Tumbas de Assuã. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aswan,_Egypt_WestBankTombs_2007jan15.jpg>.
Baixo relevo de prisioneiros no templo de Karnak. Pixabay. Disponível em
<https://pixabay.com/pt/egito-luxor-templo-de-karnak-1344335/>.
Pedaço de estela com o nome de Senusert II. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Limestone_slab_showing_the_cartouche_of_Senusret_II_and_name_and_image_of_goddess_Nekhbet._From_Mastaba_4,_north_side_of_Senusret_II_Pyramid_at_Lahun,_Egypt._The_Petrie_Museum_of_Egyptian_Archaeology,_London.jpg>.
Lista de reis de Abidos. Wikimedia Commons. Disponível em
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Vaso de calcita do faraó Tutancamon. Wikimedia Commons. Disponível em
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Seti leva seu filho, futuro Ramsés II, diante da lista de reis de Abidos. Wikimedia Commons.
Disponível em <>.
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SetiIAbydosKingList.PNG>.
Relevo com o nome de Ramsés II, em Abidos. Wikimedia Commons. Disponível em
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Obelisco de Sesóstris I em Heliópolis. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Altes_Reich._Dynastie_XII._a_-
_c_Felseninschriften_von_Assuan_(Asw%C3%A2n)_und_d._von_Hammam%C3%A2t;_e._f._Fragmente_zweier_Statuen_und_g._einer_S%C3%A4ule_aus_Krokodilopolis;_h._Obelisk_von_Heliopolis;_I._(NYPL_b14291191-
38130).jpg>.
Nome de Hórus do Faraó Dyet. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_290.jpg>.
Cartucho com o Nome de Montuhotep II. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:MentuhotepII-Tempel-Pfeiler.JPG>.
Templo de Ramsés II em Bubastis. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bubastis_003.JPG>.
Cartuchos de Tutmés III em Deir el Bahari. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Deir_el-Bahari_TIII.JPG>.
Tutmés III diante do deus Sokar. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Deir_el-Bahari_0537.JPG>.
Nomes de Ramses II em Tebas. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ramesseum_42.JPG>.
Detalhe de relevo de Tutmés III em Karnak. Disponível em Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Thutmosis-sedfestlauf.jpg>.
Estátua de Amenotep I. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://en.wikipedia.org/wiki/File:58_I_Amenhotep_I.jpg>.
Pequeno vaso da rainha Tiye. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_182.jpg>.
Relevo de Ramsés III. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://en.wikipedia.org/wiki/File:KhonsuTemple-Karnak-RamessesIII-2.jpg>.
Cartucho de Senbekay. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cartouche-of-king-Senebkay.jpg>.
Relevo do templo de Edfu. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Edfu_Egyptian_numerals_2.JPG>.
Detalhe da estela de Horoudja. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Louvre_stele_portier_temple_Horoudja.JPG>.
Estela de Amásis II. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://en.wikipedia.org/wiki/File:Louvre_122006_008.jpg>.
Estela de Apries (Haaibra Wahibra). Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Louvres-antiquites-egyptiennes-p1020065.jpg>.
Reprodução da estela de Sehetepib. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Stele_EA583_Budge.png>.Estela de Mey. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egypte_louvre_275_stele.jpg>.
Estela Ra-Horakhty. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Stele_Ra-Horakhty_Louvre_E5789.jpg>.
Estátua bloco de Amenotep. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:StatueOfOverseerAmenhotep-August19-08.jpg>.
Estela de Mentuwoser. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Stela_of_the_Steward_Mentuwoser_MET_DP322064.jpg>.
Estela de Tembu. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Egyptian_-_Funerary_Stele_of_Tembu_-
_Walters_2292.jpg>.
Família de Amenemat. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:British_Museum_by_room>.
Relevo em Medinet-Abu. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Medinet_Haboe_Reli%C3%ABf.jpg>.
Relevo de templo de Sesóstris. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:KarnakOAMLintelSenusretI.jpg>.
Baixo relevo, capela mortuária Ramsés III. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bas-
relief_at_the_mortuary_temple_of_Ramesses_III_6.jpg>.
Relevo de Sobekemsaf em Karnak. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:KarnakOAMOintmentRightWall2.jpg>.
Detalhe da Capela Branca, em Karnak. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://en.wikipedia.org/wiki/File:Chapelle_blanche-detail-5.JPG>.
Tutmés III diante do deus Sokar. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Deir_el-Bahari_09.jpg>.
Sarcófago do museu egípcio de Milão. Wikimedia Commons. Disponível em
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:1807_-_Milano_-_Museo_egizio_-
_Coperchio_sarcof._di_Pa-di-Khonsu_(22-24_din.)_-_Foto_Giovanni_Dall%27Orto_-_14-Feb-
2008.jpg>.
Reprodução virtual da tumba da Rainha Nefertari. Disponível em <PatolaGames.com.br/nefertari>.
Reproduzido com autorização.
 
 
CRONOLOGIA
[1] Caso você não esteja familiarizado com os períodos da história egípcia, ao final do livro há uma
cronologia, que você poderá consultar.
[2] Vasos que guardavam os órgãos internos do falecido, retirados para o processo de mumificação.
[3] Ao final do livro você encontra uma tabela com os sinais bilíteros e trilíteros mais importantes.
[4] Na verdade, como veremos adiante, esse sinal é bilítero, transliterado como km. O símbolo m, aqui,
seria um acompanhamento do último “m” de km – uma repetição que não deve ser transliterada.
Veremos essa curiosa regra da escrita egípcia mais adiante nesse livro.
[5] As letras que aparecem entre parêntesis referem-se a hieróglifos que deveriam aparecer no texto,
mas que foram omitidos pelo escriba.
[6] Aqui, no sentido de esposa.
	Princípios gerais da escrita
	Desafio
	Seu caderno de hieróglifos
	A sua escrita manuscrita
	Disposição dos sinais
	Exercícios
	Ideogramas e fonogramas
	Determinativos
	Exercícios
	Os sons e o alfabeto
	Fonogramas
	Sons
	A transliteração
	Para que serve a transliteração?
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	Convenção de pronúncia
	Exercícios
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	Iniciando a gramática egípcia
	Desafio
	Outras preposições
	Adjetivos
	Os sinais bilíteros
	Complementos fonéticos
	Trilíteros
	Mais complementos fonéticos
	Exercícios
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	As palavras “Todo” e “Senhor”
	Títulos reais
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	Desafio: O painel de Nefertari
	Exercícios
	Os números e o calendário
	O calendário egípcio
	Pronomes
	Tabelas de pronomes
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	Os textos religiosos
	Os elementos da fórmula de oferenda
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	Exercícios
	Desafio
	Os textos nos templos
	As palavras da divindade
	A fórmula de proteção
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	Como continuar os estudos
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	Cronologia

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