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Homem, Cultura e Sociedade 
1 
 
Homem, Cultura e 
Sociedade 
Luara Carvalho Ribeiro da Motta 
1
ª 
e
d
iç
ã
o
 
Homem, Cultura e Sociedade 
2 
 
DIREÇÃO SUPERIOR 
Chanceler Joaquim de Oliveira 
Reitora Marlene Salgado de Oliveira 
Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira 
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira 
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira 
Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira 
Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira 
Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves 
 
DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA 
Gerência Nacional do EAD Bruno Mello Ferreira 
Gestor Acadêmico Diogo Pereira da Silva 
 
FICHA TÉCNICA 
Texto: Luara Carvalho Ribeiro da Motta 
Revisão Ortográfica: Rafael Dias de Carvalho Moraes 
Projeto Gráfico e Editoração: Antonia Machado, Eduardo Bordoni, Fabrício Ramos e Victor Narciso 
Supervisão de Materiais Instrucionais: Antonia Machado 
Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos 
Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos 
 
COORDENAÇÃO GERAL: 
Departamento de Ensino a Distância 
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br 
 
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus 
Niterói 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bibliotecária: ELIZABETH FRANCO MARTINS – CRB 7/4990 
 
Informamos que é de única e exclusiva responsabilidade do autor a originalidade desta obra, não se responsabilizando a ASOEC 
pelo conteúdo do texto formulado. 
© Departamento de Ensino a Distância - Universidade Salgado de Oliveira 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de 
nenhuma forma ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de 
Educação e Cultura, mantenedora da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). 
Homem, Cultura e Sociedade 
3 
 Palavra da Reitora 
 
Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo, 
exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de 
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSOEAD, que reúne os diferentes 
segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi 
desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do 
gênero bem-sucedidas mundialmente. 
São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio 
dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço 
presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu 
próprio tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, 
tornando-se responsável pela própria aprendizagem. 
O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que 
permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a 
todo o momento, ligados por ferramentas de interação presentes na Internet 
através de nossa plataforma. 
Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores 
especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade 
são fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos. 
A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação 
a distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o 
bem-sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante 
processo de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de 
atualização, graduação ou pós-graduação. 
Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e 
compartilhando as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu 
alunado a conhecer o programa e usufruir das vantagens que o estudar a 
distância proporciona. 
Seja bem-vindo à UNIVERSOEAD! 
Professora Marlene Salgado de Oliveira 
Reitora. 
Homem, Cultura e Sociedade 
4 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
5 
 
 
Sumário 
 
 
Apresentação da disciplina ....................................................................................................... 6 
Plano da disciplina ........................................................................................................................ 7 
Objeto de Aprendizagem – Etapa 1 ...................................................................................... 9 
Objeto de Aprendizagem – Etapa 2 ...................................................................................... 46 
Objeto de Aprendizagem – Etapa 3 ...................................................................................... 69 
Conhecendo o autor .................................................................................................................... 94 
Homem, Cultura e Sociedade 
6 
 
 
Apresentação da Disciplina 
 
Olá, estudante! Essa disciplina é nomeada como Homem, Cultura e 
Sociedade e tem como objetivo instrumentalizar vocês a respeito desse 
assunto. Cabe apontar que discutir questões sobre cultura e sociedade é de 
grande importância em diversos cursos de graduação. Isso pode ser afirmado 
devido às grandes mudanças que temos vivido no nosso país e no mundo, no 
que diz respeito aos aspectos culturais e comportamentais da sociedade. Ao 
longo da disciplina, iremos então, conversar sobre essas questões, sobretudo 
em alguns pontos fundamentais, tais como: (1) A antropologia cultural 
aplicada ao estudo das sociedades complexas, bem como alguns dos seus 
objetos de análise; (2) A construção das identidades sociais e da memória 
coletiva; (3) A sociedade capitalista contemporânea; (4) A antropologia 
cultural e a mudança de paradigma; (5) As relações entre indivíduo e 
sociedade, além de entre processo de individualização e socialização; (6) 
Aspectos políticos na contemporaneidade; (7) Caracterização da sociedade 
humana; (8) Cultura e diversidade: uma temática antropológica e 
contemporânea; (9) Identidade, temperamento, personalidade e caráter; (10) 
Indivíduo e autoconhecimento; (11) Introdução às três áreas das ciências 
sociais: antropologia, sociologia e psicologia (12) O evolucionismo social e a 
abordagem da diversidade cultural: história, evolução e progresso; (13) 
Processo grupal; (14) Processos psicológicos; (15) Psicopatologias; (16) 
Relação entre psicologia, sociologia e antropologia; (17) Relações entre o 
significado de cultura, de diversidade cultural e da desigualdade social no 
mundo contemporâneo; (18) Ser humano como produtor de conhecimento, 
significados sociais e simbólicos; (19) Sociologia clássica; e, por fim, (20) 
Subjetividade humana. Todos os 20 tópicos aqui apresentados serão 3 etapas 
da disciplina. Cabe salientar, também, que todos os conteúdos terão 
indicações de referências bibliográficas para que vocês possam acompanhar 
de maneira didática e científica os estudos que estão sendo desenvolvidos 
sobre tais temáticas. 
Bons estudos! 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
7 
 
 
Plano da Disciplina 
 
O Plano da disciplina Homem, Cultura e Sociedade é composto de 6 
unidades divindades em 3 etapas, que juntas, buscam englobar o objetivo 
geral de toda disciplina. Assim, cabe ressaltar que as unidades estão em 
separado, no entanto, possuem uma interligação entre elas, ao passo que é 
necessário ir evoluindo o estudo do conteúdo para que se alcance o objetivo 
final. 
A primeira unidade faz parte da primeira etapa, que é a inicial e composta 
dos quatros primeiros pontos da disciplina: (1) A antropologia cultural 
aplicada ao estudo das sociedades complexas, bem como alguns dos seus 
objetos de análise; (2) A construção das identidades sociais e da memória 
coletiva; (3) A sociedade capitalista contemporânea; e (4) A antropologia 
cultural e a mudança de paradigma. Essa composição tem como objetivo 
principal instrumentalizar vocês acerca dos estudos da antropologia cultural e 
da sociedade atual. Esse conceito é importante para que se entendao campo 
contemporâneo e como os processos identitários dos indivíduos são 
construídos mediante a isso. 
A segunda unidade, também faz parte da primeira etapa, que 
complementa a unidade anterior. É composta de mais quatro pontos da 
disciplina: (5) As relações entre indivíduo e sociedade e o processo de 
individualização e socialização; (6) Aspectos políticos na contemporaneidade; 
(7) Caracterização da sociedade humana; e (8) Cultura e diversidade: uma 
temática antropológica e contemporânea. O principal objetivo dessa unidade 
é complementar a primeira parte da disciplina caracterizando as relação 
indivíduo-sociedade no contexto cultural da atual realidade nacional. 
Já a terceira unidade, faz parte da segunda etapa, e apresenta três 
principais pontos: (9) Identidade, temperamento, personalidade e caráter; (10) 
Indivíduo e autoconhecimento; e (11) Introdução às três áreas das ciências 
sociais: antropologia, sociologia e psicologia O objetivo dessa unidade é 
Homem, Cultura e Sociedade 
8 
agora avançar um pouco mais nos conceitos teóricos-científicos acerca das 
variáveis até então estudadas, e entender em maiores detalhes as três grandes 
áreas das ciências sociais. 
A quarta unidade, também faz parte da segunda etapa, e é composta por 
mais dois pontos relevantes da disciplina: (12) O evolucionismo social e a 
abordagem da diversidade cultural: história, evolução e progresso; e (13) 
Processo grupal. O objetivo dessa unidade é o de evoluir o estudo para os 
conceitos grupais que tanto caracterizam a sociedade brasileira, sendo um dos 
fenômenos que merecem maior atenção dos pesquisadores e estudiosos da 
área. 
A quinta e penúltima unidade, portanto, faz parte da terceira etapa da 
disciplina. É composta por mais quatro tópicos da disciplina, respectivamente: 
(14) Processos psicológicos; (15) Psicopatologias; (16) Relação entre 
psicologia, sociologia e antropologia; e (17) Relações entre o significado de 
cultura, de diversidade cultural e da desigualdade social no mundo 
contemporâneo. O objetivo dessa unidade, em que já vamos caminhando 
para o final da disciplina, é então trazer alguns conceitos-chave dos processos 
psicológicos, bem como apresentar a sua relação com a sociologia e com a 
antropologia que já foram bem difundidas nas primeiras unidades. 
Por último, a sexta unidade é responsável por fechar a terceira etapa, e é 
composta dos três últimos pontos de aprendizagem, nomeadamente: (18) Ser 
humano como produtor de conhecimento, significados sociais e simbólicos; 
(19) Sociologia clássica; e (20) Subjetividade humana. O objetivo dessa última 
unidade é coroar o aprendizado de vocês sobre o assunto, com uma 
abordagem sistemática em que o homem é produtor de conhecimento e 
significados e enfatizar os aspectos da subjetividade nesse contexto. 
Assim, encerramos a disciplina Homem, Cultura e Sociedade abordando 
todos os tópicos relevantes e deixando clara a importância de estudar esses 
conceitos em diferentes áreas de atuação profissional, sobretudo de nível 
superior. Nesse sentido, a disciplina alcança o seu objetivo com as três etapas 
aqui propostas. 
Seja bem-vindo e aproveite os novos conhecimentos! 
Homem, Cultura e Sociedade 
9 
Objeto de Aprendizagem 
Etapa 1 1 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
10 
 
Bem, pessoal. Nessa primeira etapa nós vamos abordar as duas unidades 
iniciais da disciplina, em busca de entender melhor a antropologia cultural 
aplicada ao estudo das sociedades atuais, para que então, possamos entender 
um pouco mais sobre a construção de identidades sociais e memória coletiva. 
Além disso, faremos uma reflexão sobre as relações entre indivíduo e 
sociedade, bem como acerca dos aspectos políticos na contemporaneidade. 
Fecharemos essas duas primeiras unidades, portanto, com a apresentação de 
uma mudança de paradigma. 
Objetivos 
 Analisar a antropologia cultural e seus estudos no campo da sociedade; 
Entender os processos construtivos identitários e memória coletiva; 
Compreender o conceito de sociedade capitalista; 
Avaliar as mutações paradigmáticas da antropologia cultural. 
Refletir sobre as relações sobre o processo de individualização e socialização; 
Compreender os aspectos políticos e antropológicos na contemporaneidade; 
Planejamento 
Seção 1: A antropologia cultural aplicada às sociedades complexas 
Seção 2: A construção das identidades sociais e da memória coletiva 
Seção 3: A sociedade capitalista contemporânea 
Seção 4: A antropologia cultural e a mudança de paradigma 
Seção 5: O processo de individualização e socialização 
Seção 6: Aspectos políticos na contemporaneidade 
Seção 7: Caracterização da sociedade humana 
Seção 8: Cultura e diversidade: uma temática antropológica e contemporânea. 
 
Bons estudos! 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
11 
 
 Seção 1: A antropologia cultural aplicada ao estudo 
 das sociedades complexas 
 
Diante do exposto no plano dessa unidade, temos alguns objetivos 
propostos para serem esclarecidos ao fim da leitura. Para atingir tal objetivo, 
os conteúdos serão divididos assim como apresentados no plano de aula. Essa 
estratégia será adotada para que vocês, estudantes, consigam apreender os 
conteúdos de uma maneira mais didática. Assim, ao final dessa unidade 
teremos alguns exercícios que serão à nossa maneira de mensurar o quanto o 
conteúdo proposto foi apreendido por vocês. Tudo bem até aqui? Então 
vamos lá, seguiremos ao primeiro tópico da nossa primeira etapa. Espero que 
façam um bom proveito! 
Para começar, deixo a seguinte questão para vocês, afinal o que é 
antropologia? Se formos seguir à risca o que é descrito no nosso dicionário 
cotidiano, podemos entender a antropologia como a ciência do homem no 
sentido mais lato, que engloba origens, evolução, desenvolvimento físico, 
material e cultural, além também da fisiologia, psicologia, características 
raciais, costumes sociais, crenças, e não paramos por aí. A antropologia é sim 
uma ciência que engloba todos esses aspectos, no entanto é preciso ir um 
pouco mais além do que o nosso querido amigo dicionário nos informa. 
Para uma contextualização mais etimológica, cabe ressaltar que a palavra 
advinda de origem grega, tem como o seu prefixo “anthropos” que significa 
homem, e o seu sufixo logos ou logia que significa razão, pensamento, ou 
estudo. Eu, particularmente, gosto de pensar sempre o estudo, porque o 
estudo está para além da razão ou do pensamento. Sempre que virem o 
sufixo “logia”, vocês podem associar ao estudo e se perguntarem: estudo 
sobre o quê?. Esse questionamento os levará para o entendimento mais 
etimológico do nome da ciência, e consequentemente, ao entendimento mais 
profundo da proposição de estudo. Vamos a um exemplo: ao pensarmos 
sobre a psicologia, já sabemos que o sufixo quer dizer estudo, certo? Mas 
então, é o estudo de quê? Psico no grego quer dizer mental, logo, podemos 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
12 
inferir que é o estudo da mente ou dos processos mentais. Essa mesma 
articulação pode ser utilizada para o entendimento de qualquer outra ciência 
que segue esses mesmos padrões. 
Agora voltando a falar exclusivamente da antropologia, que é a ciência 
que tem como objeto o estudo sobre o homem e a humanidade de maneira 
totalizante, bem como abrangendo todas as suas dimensões, é possível 
pensar algumas subdivisões para melhor compreensão. A divisão clássica da 
antropologia distingue a antropologia cultural da antropologia física ou 
biológica). No entanto, a divisão norte-americana, conhecida como Four Fields 
(quatro campos), divide a antropologia em arqueologia, linguística, 
antropologia física e antropologia cultural. Cada uma destas, em sua 
construção, abrigou diversas correntes de pensamento. Cabe destacar em 
maiores detalhes, a área de maior interesse dessa unidade, que é a 
antropologia cultural. A Antropologia Cultural estuda a diversidadecultural humana, tanto de grupos contemporâneos, como extintos. 
Pode-se afirmar que há poucas décadas a antropologia conquistou seu 
lugar entre as ciências. Primeiramente, foi considerada como a história natural 
e física do homem e do seu processo evolutivo, no espaço e no tempo. Se por 
um lado essa concepção vinha satisfazer o significado literal da palavra, por 
outro restringia o seu campo de estudo às características físicas do homem. 
Essa postura marcou e limitou os estudos antropológicos por largo tempo, 
privilegiando a antropometria, ciência que trata das mensurações das 
propriedades físicas do ser humano. 
Segundo o Museu de Antropologia Cultural da Universidade de 
Minnesota localizada na região norte dos Estados Unidos, a antropologia 
cultural abrange três tópicos gerais, que se constituem como especialidades. 
O primeiro é a etnografia ou etnologia, o segundo é a linguística aplicada à 
antropologia, e o terceiro ponto é a arqueologia. 
Para pensar as sociedades humanas, a antropologia preocupa-se em 
detalhar os seres humanos que as compõem e com elas se relacionam, seja 
nos seus aspectos físicos, na sua relação com a natureza, seja na sua 
especificidade cultural. Para o saber antropológico o conceito de cultura 
abarca diversas dimensões: universo psíquico, os mitos, os costumes e rituais, 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
13 
suas histórias peculiares, a linguagem, valores, crenças, leis, relações de 
parentesco, política, economia, arte, entre outros tópicos. 
Como não é objetivo da disciplina, não vamos entrar em todo o aparato 
histórico da antropologia, mas nesse tópico conseguimos entender o que é a 
antropologia, por que tem esse nome, quais são os seus principais objetos de 
estudo, e as perspectivas referente a antropologia cultural, certo? 
Um dos maiores nomes da antropologia, quer seja no Brasil, quer seja no 
mundo inteiro é Claude Lévi-Strauss que foi um antropólogo, professor e 
filósofo belga. Lévi-Strauss é até hoje considerado o fundador da antropologia 
estruturalista, em meados da década de 1950, e um dos grandes intelectuais 
do século XX. Não podemos falar de antropologia nessa unidade, sem ao 
menos explicar um pouco quem foi esse importante nome para essa ciência. 
As ideias de Lévi-Strauss são muito diferentes do pensamento da época 
em que viveu, porque rompem com a ideia de que índios são somente índios, 
pois não concordava com a divisão em civilizados e selvagens ou a divisão em 
superiores e inferiores, além de possuir uma visão ambientalista radical. 
Embora as obras de Lévi-Strauss em certo ponto descrevam os índios do 
Cerrado brasileiro de forma colonialista, ideias assim só apareceram a partir 
do final da década de 1960 com o surgimento da contracultura marxista 
cultural e ambientalista radical. 
Os estudos mais aprofundamos de Lévi-Strauss podem ser encontrados 
nos livros do próprio autor ou em trabalhos acadêmicos de outros grandes 
pesquisadores do assunto. Um exemplo são os estudos de outros autores 
brasileiros publicados em diversas revistas científicas no país. Deixo para vocês 
como um exemplo mais prático um artigo publicado por Francisco Salzano em 
2016 que disserta sobre a antropologia no brasil e faz o seguinte 
questionamento: é a interdisciplinaridade possível? Lembro que tudo que 
referenciarmos aqui constará na nossa lista de referências bibliográficas finais 
que estará anexada ao final de cada unidade. 
Salzano (2016) aponta que a história da antropologia no Brasil foi dividida 
em três fases: 1. Os pioneiros; 2. Período formativo; e 3. Fase contemporânea. 
Os principais eventos e exemplos de figuras paradigmáticas foram 
apresentados com relação aos dois primeiros períodos, enquanto para o 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
14 
terceiro foi fornecida uma lista de todos os presidentes da Associação 
Brasileira de Antropologia. A seguir desenvolveu-se abordagem similar para as 
quatro subáreas em que a Antropologia é tradicionalmente subdividida: 
Antropologia Social/Cultural; Arqueologia; Linguística; e Antropologia 
Física/Biológica. A pergunta feita no final do artigo de Salzano (2016) é se a 
interação entre essas subáreas é possível. A resposta é de que uma 
abordagem verdadeiramente interdisciplinar é difícil, mas parece ser o melhor 
caminho para pesquisas de ponta. Sugere-se, portanto, uma abertura maior 
dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia brasileiros à contratação 
de especialistas nas quatro subáreas, através de montagens de projetos de 
cunho nitidamente interdisciplinares. 
Assim, atingimos o nosso primeiro objetivo que foi analisar a 
antropologia, sobretudo a antropologia cultural, bem como seus estudos 
no campo da sociedade atual. Nesse sentido, cabe destacarmos que tal 
fenômeno corresponde ao desejo do homem de conhecer a sua origem, assim 
como produz um modo de autoconhecimento que é a identidade, 
diferenciando os grupos em função de suas idiossincrasias e adaptação em 
ambientes distintos. É nesse ponto que destacamos o próximo tópico dessa 
unidade, tal como apresentado no plano anterior. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
15 
 
 Seção 2: A construção das identidades sociais 
 e da memória coletiva 
Nessa seção buscaremos entender os processos construtivos identitários 
dos sujeitos e a memória coletiva. Mas antes, pergunto: o que é identidade?. 
No nosso amigo dicionário, a identidade é o conjunto de características 
próprias e exclusivas com os quais podemos diferenciar pessoas, animais, 
plantas e objetos inanimados uns dos outros, quer diante do conjunto das 
diversidades, quer ante seus semelhantes. 
Assim, sua conceituação interessa a vários ramos do conhecimento, tais 
como a antropologia, a psicologia, a sociologia, e outras áreas da ciência. 
Cada área em particular, possui definições, conforme o foco, podendo ainda 
haver uma identidade individual ou coletiva, falsa ou verdadeira, presumida 
ou ideal, perdida ou resgatada. Para a sociologia, por exemplo, a identidade é 
o compartilhar de várias ideias e ideais de um determinado grupo. Alguns 
autores, como Karl Mannheim, elaboram um conceito em que o indivíduo 
forma sua personalidade, mas também a recebe do meio onde realiza sua 
interação social, como podemos verificar nos estudos mais recentes de Weller 
(2010). 
Já para o nosso contexto específico dessa unidade, que é a antropologia, 
a identidade consiste na soma nunca concluída de um aglomerado de 
signos, referências e influências que definem o entendimento relacional 
de determinada entidade, humana ou não humana, percebida por 
contraste, ou seja, pela diferença ante as outras, por si ou por outrem. 
Portanto, a identidade está sempre relacionada à ideia de alteridade, ou seja, 
é necessário existir o outro e seus caracteres para se definir então por 
comparação e diferença. É nesse sentido que destacamos o aspecto social, e 
assim conseguimos pensar na construção da identidade social. Além desse 
aspecto a identidade cultural também merece destaque, uma vez que é 
um conceito da antropologia, que indica a cultura em que o indivíduo 
está inserido. É assim que determinados fatores de identidade são decisivos 
para que um grupo faça parte de tal cultura, por exemplo, a história, o local, a 
raça, a etnia, o idioma e a crença religiosa. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
16 
Nesse mesmo contexto, podemos esclarecer também a definição da 
memória coletiva. Tal memória coletiva é a memória de um grupo de pessoas, 
tipicamente passadas de uma geração para a seguinte, ou ainda a memória 
compartilhada de um grupo, família, grupo religioso, étnico, classe social ou 
nação. Segundo Lavabre (1998), o sociólogo francês Maurice Halbwachs 
cunhou o termo memória coletiva para designar o fenômeno que surge da 
interação social. O autor concordou com a sociologia tradicional de Durkheim 
que observou como as representações coletivas do mundo,incluindo as do 
passado. Assim, tinham suas origens na interação de entidades coletivas 
desde o início e não poderiam ser reduzidas a contribuições de indivíduos à 
parte de outros ou de seu grupo social. 
Assim, caminhamos para o terceiro tópico, que só é possível ser 
compreendido após as presentes considerações apontados nos dois tópicos 
anteriores. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
17 
 
 Seção 3: A sociedade capitalista contemporânea 
 
Nessa terceira seção vamos compreender o conceito de sociedade 
capitalista à luz do que já vimos e aprendemos nos tópicos anteriores. O 
estágio de desenvolvimento contemporâneo do capitalismo caracteriza-se 
pelo fortalecimento, sem precedentes, de ser contra a tendência fundamental 
de expansão da produção de mercadorias, o próprio coração do 
desenvolvimento capitalista. Em seu primeiro estágio de desenvolvimento, o 
assalariamento da força de trabalho, primeiro incipiente, foi se estendendo, 
mediante a eliminação das terras comunais e sua transformação em 
propriedade. Por isso esse estágio é denominado estágio extensivo. 
Quando o estágio de desenvolvimento extensivo se esgotou, não 
havendo mais espaço para a extensão da produção de mercadorias, o 
capitalismo entrou em seu estágio intensivo. No estágio intensivo, 
portanto, a expansão da produção de mercadorias se restringiu ao aumento 
da produtividade do trabalho, que por sua vez dependeu do progresso das 
técnicas de produção e da elevação do nível de subsistência da força de 
trabalho, necessária para permitir a operação das técnicas de produção 
crescentemente complexas. 
Assim, cabe destacar que o processo de globalização proporcionou 
mudanças no mundo do consumo mediante estratégias que reorganizam as 
formas de acesso a uma diversidade crescente de produtos através da 
extensão do crédito e da materialização de equipamentos urbanos. Todo esse 
aporte se dá de forma articulada através de redes constituídas em torno de 
centros de interesse que unem forças específicas de mercado. 
Essas metamorfoses socioeconômicas e culturais que vão para além de 
sua aparência funcional e objetiva, contribuem para a identificação de um 
novo período que chamamos de capitalismo contemporâneo. A consagração 
deste período é abordada por Costa e Godoy (2008) a partir de um viés 
interpretativo que ressalta um aspecto que se julga pertinente para a 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
18 
compreensão das mudanças nas relações de consumo: (i) a apropriação e 
controle da subjetividade. 
Os principais dilemas do trabalho no capitalismo contemporâneo são 
salientados pelas autoras Navarro e Padilha (2007) em seu estudo publicado 
na Revista Psicologia & Sociedade. As autoras, partindo da concepção 
marxiana de trabalho que compreende a atividade laboral como uma 
atividade vital, autodeterminada, dotada de sentido – o que não ocorre sob a 
lógica do capital –, buscaram apontar algumas das principais mudanças 
ocorridas no universo do trabalho no século XX e suas consequências para a 
classe trabalhadora. O que as autoras destacam é que ao longo do 
desenvolvimento do processo de trabalho – do taylorismo ao toyotismo – as 
transformações não significaram ruptura com o caráter capitalista do modo de 
produção e com seu complexo plano ideológico de controle da subjetividade 
do trabalhador. Exemplos disso são a apologia do individualismo, o aumento 
do desemprego, da intensificação e da precarização do trabalho, que marcam 
o mundo do trabalho na sociedade contemporânea. 
Assim, em uma perspectiva ainda mais atual da articulação dos conceitos 
identitários e da sociedade capitalista contemporânea, é válido destacar o 
estudo de Lara-Junior e Lara (2017) sobre a identidade, seguindo uma lógica 
de colonização do mundo da vida e os desafios para a emancipação. O 
objetivo dos autores ao abordar esse tema foi apresentar toda uma 
apresentação teórica do conceito de identidade na obra de Antonio da Costa 
Ciampa e demonstrar como a colonização do mundo da vida causa entraves 
para que ocorra o sintagma (identidade, o processo de metamorfose, e a 
emancipação) para, então, propor um debate contemporâneo sobre o mundo 
da vida e sua colonização, processo no qual as dificuldades criadas podem 
constituir identidades fetichizadas. 
Por fim, para fecharmos esse tópico e sua articulação com os anteriores 
não podemos deixar de apresentar o papel da teoria Marxista ao capitalismo 
contemporâneo, como bem aponta os estudos de La Grassa (1991), que foram 
traduzidos e revisados por Aguiar e Frederico (2010). Karl Marx representa, 
sem dúvida, o ponto culminante da maior crítica da sociedade burguesa e do 
modo de produção capitalista. Marx se interessou pelo estudo do 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
19 
funcionamento do modo de produção capitalista e concebeu uma maneira de 
superá-lo a fim de estabelecer as bases de uma futura sociedade comunista. 
Os principais argumentos é o de que trabalhadores sofrem a progressiva 
exclusão dos benefícios da enorme riqueza material que é produzida por eles 
mesmos, mas que fica concentrada nas mãos de uma minoria. 
Marx, ainda ressaltava que o desenvolvimento cada vez maior das 
forças produtivas capitalistas geraria infindáveis crises econômicas e, 
consequentemente, conflitos sociais cada vez mais intensos, que levariam 
à derrocada da ordem social burguesa. No capitalismo, portanto, o 
proletariado é considerado por Marx a classe revolucionária. Ela deve 
desempenhar seu papel histórico de supressão da classe burguesa e a 
construção de uma ordem social igualitária, baseada no comunismo, isto é, 
uma sociedade em que inexista a propriedade privada e onde cada indivíduo 
trabalhe segundo suas capacidades e receba segundo suas necessidades. 
Nesse sentido, encerramos esse tópico com a apresentação de tais ideias, 
que podem ser encontradas facilmente em uma busca rápida no maior 
indexador de trabalhos formais e informais do mundo. Fica então, salientado 
que tais ideias servem para que os estudantes reflitam sobre tais questões, e 
de forma alguma, expresse algum tipo de melhor ou pior forma ideal de 
sociedade. Por fim, partiremos para a próxima seção dessa primeira etapa. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
20 
 
 Seção 4: A antropologia cultural e a mudança 
 de paradigma 
 
Essa seção tem como objetivo central avaliar as mutações paradigmáticas 
da antropologia cultural. Para isso, utilizo como suporte teórico o livro do 
Roque Laraia (disponível na nossa lista de referências que estão no final de 
cada unidade), chamado “Cultura: um conceito antropológico”. Laraia 
apresenta o conceito antropológico de cultura através da articulação dos 
principais antropólogos. Para a nossa unidade, vamos dar prioridade por 
evidenciar alguns desses pesquisadores. 
Assim, cabe voltar um pouco para explicitar que a primeira definição de 
cultura formulada do ponto de vista antropológico pertence a Edward Tylor. O 
autor publicou diversas obras sobre tal questão, sobretudo seu livro chamado 
“Primitive Culture” que em 1871. Edward Tylor demonstrou que cultura pode 
ser objeto de um estudo sistemático, pois trata-se de um fenômeno natural 
que possui causas e regularidades, o que permite um estudo objetivo e uma 
análise capaz de proporcionar a formulação de leis sobre o processo cultural e 
a evolução. 
Para entender Taylor, é necessário compreender a época em que viveu. O 
seu livro foi produzido nos anos em que a Europa sofria o impacto da Teoria 
da origem das espécies, de Charles Darwin, e que a nascente antropologia foi 
dominada pela estreita perspectiva do evolucionismo unilinear. A década de 
60 do século XIX foi rica em trabalhos desta orientação. Estudiosos analisaram 
o desenvolvimento das instituições sociais, buscando no passado as 
explicações para os procedimentos sociais da atualidade. 
A principal reação ao evolucionismo, entãodenominado método 
comparativo, inicia-se com Franz Boas, que provocou uma ruptura nos 
Estados Unidos, onde foi responsável pela formação de toda uma geração de 
antropólogos. O autor atribuiu a antropologia a execução de duas tarefas: (1) 
a reconstrução da história de povos ou regiões particulares; (2) a comparação 
da vida social de diferentes povos, cujo desenvolvimento segue as mesmas 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
21 
leis. Além disso, Franz Boas propôs em lugar do método comparativo puro 
e simples, a comparação dos resultados obtidos através dos estudos 
históricos das culturas simples e da compreensão dos efeitos das 
condições psicológicas e dos meios ambientes. A partir daí a explicação 
evolucionista da cultura só tem sentido quando ocorre em termos de uma 
abordagem multilinear. 
Já segundo o antropólogo Felix Keesing (1961) não existe correlação 
significativa entre a distribuição das características genéticas e a distribuição 
dos comportamentos culturais. O autor aponta que qualquer criança humana 
pode ser educada em qualquer cultura, se for colocada desde o início em 
situação conveniente de aprendizado. Assim, um exemplo é: imaginemos 
que um bebê brasileiro, logo após seu nascimento seja adotado por uma 
família americana, ele crescerá como um americano e em nada será 
diferente mentalmente dos seus irmãos de criação. É dessa maneira que o 
meio era evidenciado por Keesing. 
Outro antropólogo americano Alfred Kroeber (1960) enfatizava que é por 
meio da cultura a humanidade se distância do mundo animal, considerando o 
homem como um ser que está acima de suas limitações orgânicas. Kroeber é 
um dos grandes contribuintes para a ampliação do conceito de cultura, pois 
ressaltava que a cultura é mais do que a herança genética, é ela que 
determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações. 
Assim, foi por meio da cultura, que o homem passou a depender muito mais 
do aprendizado do que a agir através de atitudes apenas geneticamente 
determinadas. 
Nesse sentido, o autor salientava que as pessoas ditas superdotadas ou 
gênios, são pessoas altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar 
o conhecimento existente ao seu dispor, construído pelos participantes de seu 
sistema cultural e criar diferentes e novos objetos ou técnicas profissionais. 
Assim é que estão classificadas as pessoas que fizeram as primeiras 
invenções, tais como o primeiro homem que produziu o fogo através do 
atrito da madeira seca ou o homem que fabricou a primeira máquina 
capaz de ampliar a força muscular, o arco e a flecha, o avião e outras 
tantas invenções ou descobertas, que impactam o mundo até hoje. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
22 
Outros antropólogos também foram de grande importância para os 
avanços dos estudos teóricos e metodológico da área. Mas no que tange ao 
objetivo de nossa unidade vamos agora destacar apenas mais alguns nomes. 
No entanto, os estudantes que tiverem o interesse em se aprofundar nos 
estudos particulares das contribuições para a área podem ter acesso ao livro 
do Laraia, no qual está referenciado na nossa lista de referências ao final da 
unidade. 
Em suma, os antropólogos concordam que a tecnologia, a economia de 
subsistência e os elementos da organização social diretamente ligada à 
produção constituem o domínio mais adaptativo da cultura. É neste domínio 
que usualmente começam as mudanças adaptativas que depois se ramificam. 
Existem, entretanto, divergências sobre como opera este processo., que 
podem ser referenciadas nas teorias idealistas de cultura, que subdivide em 
três diferentes abordagens. Dentre essas, a que merece maior destaque para a 
nossa unidade é aquela que considera cultura como sistemas estruturais, que 
é a perspectiva desenvolvida por Claude Lévi-Strauss. O autor define cultura 
como um sistema simbólico que é uma criação acumulativa da mente 
humana. 
O seu trabalho tem sido o de descobrir na estruturação dos domínios 
culturais, tais como mito, arte, parentesco e linguagem e os princípios da 
mente que geram essas elaborações culturais. Lévi-Strauss, a seu modo, 
formula uma nova teoria da unidade psíquica da humanidade. Assim, os 
paralelismos culturais são por ele explicados pelo fato de que o pensamento 
humano está submetido a regras inconscientes que controlam as 
manifestações empíricas de um dado grupo. 
Por fim, cabe apontar que David Schneider, por outro lado, define que a 
cultura é um sistema de símbolos e significados, em que compreende 
categorias ou unidades e regras sobre relações e modos de comportamento. 
O status epistemológico das unidades ou coisas culturais não depende da 
observação, uma vez que mesmo imaginação, “fantasmas” ou pessoas que já 
faleceram podem ser categorias culturais. Assim, um exemplo é: no Brasil 
todo dia 2 de novembro milhares de pessoas vão ao cemitério para 
celebrar o Dia de finados, e já os americanos celebram o Halloween. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
23 
 
Seção 5: O processo de individualização 
e socialização 
 
Nessa seção, iremos abordar um pouco sobre o processo de 
individualização e de socialização. Caros estudantes, se tem um aspecto que 
trabalha fortemente nesse contexto, é o aspecto laboral. Em outras palavras, o 
aspecto do trabalho humano e o significado do mesmo, sobretudo na 
contemporaneidade. 
Em uma perspectiva mais histórica, Borges e Yamamoto (2014) destacam 
o mito de Homero e a interpretação dada por Albert Camus (2000). Homero 
conta que por ter desafiado os deuses, Sísifo foi condenado a empurrar 
eternamente montanha acima uma rocha que, por seu próprio peso, rolava de 
volta tão logo atingisse o cume. Para Camus (2000), o auge do desespero de 
Sísifo não está na subida, uma vez que o imenso esforço despendido não 
deixa lugar para outros pensamentos. 
Já a descida, ao contrário, não exigindo esforço, é o momento em que 
Sísifo é confrontado com seu destino, em que o aspecto trágico é conferido 
pela consciência de sua condição. Não sem razão, o mito de Sísifo tem sido 
considerado o epítome do trabalho inútil e da desesperança. Uma curiosidade 
é que termos como “tripalium”, “trabicula”, que são termos latinos associados 
à tortura, estão na origem da palavra “trabalho”. Mas então, estudantes, eu 
questiono: trabalho deve ser necessariamente associado a sofrimento? 
Vocês que estão cursando a graduação muito possivelmente já trabalham 
ou pensam em trabalhar futuramente. Se assim não fosse, não “perderiam” o 
seu útil tempo estudando para ser um profissional, e consequentemente 
trabalhar na área da formação atual. Muitas vezes no dia a dia ouvimos frases 
como “primeiro o trabalho, depois o prazer”. Essa frase, ao mesmo tempo 
que exalta a importância do trabalho, tomando-o como uma prioridade de 
vida no processo de socialização, supõe-no oposto ao prazer. Assim, ressalta 
que o prazer só existe fora do âmbito laboral ou do ambiente de trabalho. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
24 
Do mesmo modo ouvimos pessoas que contam o que fazem em seus 
empregos com muito orgulho. Há situações em que as pessoas falam tanto de 
suas próprias atividades que às vezes até nos aborrecemos. Há também 
aqueles que vivem se queixando das condições de trabalho. Uns sonham com 
um mundo no qual não precisem trabalhar, outros se aposentam e 
reinventam um trabalho para si mesmos, porque não conseguem viver sem 
uma ocupação. 
Reclamamos dos nossos empregos e das condições de trabalho, mas 
continuamos exercendo nossas atividades. Portanto, e possível entendermos 
que trabalho é objeto de múltipla e ambígua atribuição de significados e 
sentidos. Existe uma linha de pesquisas no campo da psicologia estudando a 
variedade de significados e sentidos que as pessoas atribuem ao trabalho. 
Embora haja um dinamismo dessa área de estudo, porém, o caráter múltiplo e 
ambíguo das atribuições de significados tende a ser consensual.Assim é que 
o trabalho passa a ser um agente do processo de socialização. 
Borges e Yamamoto (2014) apontar que o processo complica ainda mais 
quando substituímos a atribuição de significados por outros aspectos que 
sirvam de critérios para diferenciar os âmbitos do trabalho. Assim, se 
considerarmos as relações de poder dentro das empresas, podemos distinguir 
o trabalho subordinado das chefias intermediárias, dos gerentes, dos 
diretores, dos proprietários, entre outros. 
 Portanto, quando utilizamos a palavra “trabalho” para dar ênfase ao 
processo de socialização do indivíduo, não estamos necessariamente 
falando do mesmo objeto. Na psicologia do trabalho e das organizações, 
por exemplo, falamos em construtos como motivação para o trabalho, 
comprometimento no trabalho, envolvimento no trabalho, aprendizagem no 
trabalho, socialização no trabalho, satisfação no trabalho, treinamento em 
trabalho, aconselhamento no trabalho, estresse no trabalho, qualidade de vida 
no trabalho, e assim por diante. A repetição da palavra “trabalho” foi 
proposital, para ajudar a ilustrar a frequência com que a empregamos. Mas 
então, de que trabalho estamos falando? 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
25 
Quando o leitor se debruça sobre as diversas teorias referentes a algum 
fenômeno (p. ex., satisfação, motivação, estresse), se é capaz de se dar conta 
do conceito de trabalho implícito nelas, terá sua capacidade crítica ampliada. 
Algumas fronteiras precisam ser delineadas, por exemplo, pensar o processo 
de socialização da pessoa por meio do trabalho, já podemos pensar que 
pesquisas nesse campo não lidam com o trabalho dos animais, mas com o 
trabalho humano. Mas, então, e o que diferencia esses dois tipos de 
trabalho? 
Embora não seja simples distinguir as atividades de primatas não 
humanos das de nossos ancestrais nas suas tarefas de caça e coleta, ou 
mesmo de algumas que os humanos até hoje fazem, existe um elemento 
distintivo fundamental: a intermediação da cultura (ARGYLE, 1990; BORGES; 
YAMAMOTO, 2014). E, de forma mais pontual, o critério frequentemente 
utilizado é o da intencionalidade, que foi explicitado pela primeira vez por 
Marx (1983), ao distinguir o “pior arquiteto” da “melhor aranha”. 
No fim do processo de trabalho, obtém-se um resultado 
que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador, 
e portanto idealmente. Ele não apenas efetua uma 
transformação da forma da matéria natural; realiza, ao 
mesmo tempo, na matéria natural seu objetivo, que ele 
sabe que determina, como lei, a espécie e o modo de sua 
atividade e ao qual tem de subordinar sua vontade. (Marx, 
1983, p. 149-150). 
Assim, a reflexão de Lívia Borges e de Oswaldo Yamamoto (2014) 
salientam que uma forma de exercer o trabalho tenta eliminar a necessidade 
da intencionalidade humana ou suas capacidades cognitivas, tenta 
descaracterizar o próprio trabalho na sua condição humana. E essa 
compreensão está por trás de muitas críticas e análises que se fazem sobre a 
forma de planejar e organizar o trabalho. A maior parte dos indivíduos hoje 
no Brasil e no mundo lidam com o trabalho de forma remunerada. Por isso, os 
aspectos socioeconômicos são aqui considerados importantes e delimitadores 
do mundo do trabalho. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
26 
Brief e Nord (1990), por exemplo, destacam a sua opção em adotar a 
definição econômica do trabalho, que consiste em dizer que ele é o que se faz 
para ganhar a vida ou o que se é pago para fazer. Isso não significa reduzir o 
trabalho à sua dimensão econômica, mas que ele é objeto de seus estudos, se 
essa dimensão é incluída. 
Outra fronteira comum na literatura do campo é aquela posta pelo 
contrato de trabalho, que diferencia trabalho de emprego. Alguns autores, 
como Jahoda (1987), têm-se preocupado com tal diferenciação. Para a autora 
Jahoda, o emprego é uma forma específica de trabalho econômico (que 
pressupõe a remuneração), regulado por um acordo contratual (de caráter 
jurídico). Blanch (1996) acentuou que o emprego implica a redução do 
trabalho a um valor de troca, portanto, a uma mercadoria, salientando a 
evolução e os problemas do mundo do trabalho a partir do surgimento do 
capitalismo. 
Assim, tais diferenciações têm implicações diretas na forma de analisar os 
problemas do processo de socialização no mundo do trabalho na 
contemporaneidade. Atualmente, o uso dos termos “trabalho” e “emprego”, 
como sinônimos, está enraizado em nossos hábitos linguísticos, o que 
contribui para continuarmos desatentos a tal engano. 
Agora pensamento um pouco mais sobre essas questões do papel do 
trabalho no processo de individualização e socialização, podemos partir para a 
próxima seção com o objetivo de entender os aspectos políticos na 
contemporaneidade. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
27 
 
 
Seção 6: Aspectos políticos na contemporaneidade 
 
Para compreender os aspectos políticos atuais é preciso, mesmo que em 
síntese, compreender a construção histórica do conceito de trabalho, bem 
como identificar as principais mudanças, tendências e desafios no mundo do 
trabalho, considerando as nuances e especificidades do Brasil. Além disso, 
falar da história do trabalho nos permite segmentar a partir do surgimento do 
capitalismo. Portanto, a curta passagem do conteúdo aos tempos que 
antecedem o capitalismo tem como finalidade contrastar as especificidades 
do mundo capitalista. 
Segundo Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2014), o conceito do trabalho 
passou a ocupar um lugar privilegiado no espaço da reflexão teórica nos dois 
últimos séculos. Embora o trabalho humano já ser existente desde os 
primórdios da humanidade, sendo exemplos, as comunidades de caçadores e 
coletores 8.000 anos a.C., a incipiente agricultura no Oriente Médio, na China, 
na Índia e no norte da África, o trabalho escravo nas civilizações antigas e a 
relação servil na Idade Média. 
As ideias sobre o trabalho na antiguidade, de acordo com o pensamento 
de Platão e de Aristóteles, a exaltação estava na ociosidade. O cidadão, para 
Platão, deveria ser poupado do trabalho. Aristóteles valorizava a 
atividade política e referia-se ao trabalho como atividade inferior que 
impedia as pessoas de terem virtude. Todo cidadão deveria abster-se de 
profissões mecânicas e da especulação mercantil: a primeira limita 
intelectualmente, e a segunda degrada eticamente. 
A filosofia clássica caracterizava o trabalho como degradante, inferior e 
desgastante e competia aos escravos. Era realizado sob um poder baseado na 
força, de modo que o senhor dos escravos detinha o direito sobre a vida 
deles. Essa organização de valores era possível em razão da extrema 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
28 
concentração de riquezas, da submissão dos povos dos territórios 
conquistados e da legitimação da escravidão. 
A política, atividade superior e dos cidadãos, não era considerada 
trabalho. Aristóteles entendia a escravidão como um fenômeno natural, pois 
sustentava que havia pessoas destinadas a fazer uso exclusivo da força 
corporal e que deveriam satisfazer suas necessidades no âmbito restrito das 
atividades manuais. Para Aristóteles, o escravo jamais estaria apto para as 
descobertas e para os inventos, e seria essa condição que determinaria a 
perda da liberdade. 
Mudanças foram acontecendo paulatinamente durante a Idade Média no 
que se refere à economia e à estrutura das sociedades, de forma que as ideias 
mais influentes na antiguidade foram se tornando inadequadas. É com o 
surgimento do capitalismo que se constrói e se consolida uma mudança 
mais visível na reflexão sobre o trabalho. Assim, podemos questionar: por 
quê? 
Para Marx (1983), as novidades na concepção do trabalho refletem as 
mudanças concretas na organização do trabalho e na sociedade. Para ele, dois 
fatos principais demarcaram o surgimento da produção capitalista: a 
ocupação pelo mesmo capital individualde um grande número de operários, 
estendendo seu campo de ação e fornecendo produtos em grande 
quantidade, e a eliminação (dentro de certos limites) das diferenças 
individuais, passando o capitalista a lidar com o operário médio ou abstrato. 
Esses fenômenos ocorreram com o surgimento da manufatura, que, por 
sua vez, pressupõe um adiantado processo de acumulação do capital. Quem 
detém os meios de produção é o capitalista. O indivíduo desprovido desses 
meios não tem como reproduzir sua existência. Essa situação, que põe de 
um lado o dono do capital e, de outro, os detentores da força de 
trabalho, não é um fato natural, mas resultado de um processo histórico. 
É essa condição “livre” e desprovida dos meios de produção do trabalhador 
que proporciona a venda da força de trabalho como uma mercadoria – a 
única que o trabalhador detém. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
29 
Ser mercadoria significa representar um valor de uso e um valor de 
troca. Em outras palavras, a situação socioeconômica tornou necessário ao 
indivíduo, desprovido de tudo, vender seu trabalho, e, ao capitalista, adquiri-
lo, como meio de dar prosseguimento à produção de outras mercadorias, o 
que, sendo valor de troca, permite crescer seu capital. Nessa realidade, 
fundou-se a noção de contrato de trabalho, recriando-o na forma de 
emprego assalariado. 
Se nos abstraímos do valor de uso de cada mercadoria, percebemos que 
permanece uma propriedade: a de produto do trabalho humano. Portanto, 
um bem tem valor em virtude do trabalho humano nele materializado. Os 
meios de produção pertencem ao capitalista, logo, o produto é sua 
propriedade. O trabalhador, que vende sua força de trabalho como 
qualquer mercadoria, realiza no ato de venda o valor de troca, alienando 
o valor de uso no que produziu. O capitalista prolonga o uso da força de 
trabalho em seu benefício, obtendo o lucro da diferença do que pagou e a 
quantidade de trabalho recebida do trabalhador. Assim, a mais-valia é o 
prolongamento do processo de formação de valor, ou seja, resulta de um 
excedente quantitativo de trabalho na duração prolongada do processo de 
produção. 
Ao capitalista interessa, pois, ampliar a mais-valia. De início, assim o faz 
por meio do prolongamento da jornada de trabalho, ou seja, exploração 
extensiva. Esse prolongamento, porém, é limitado concretamente pelo tempo 
que um indivíduo pode trabalhar e pelas reações sociais. Por isso, o capitalista 
busca modos de aumentar a produção de mercadorias, exigindo menor 
quantidade de trabalho. 
Além da transformação do trabalho em mercadoria, estabelecida pelo 
capitalismo emergente, surgiu uma concepção de instrumentalidade 
econômica do trabalho, em que o trabalho valia tanto mais quanto 
aumentavam os rendimentos do detentor do capital (ANTHONY, 1977). O 
novo modo de produção afetou vários aspectos da organização da vida e da 
sociedade, por exemplo: 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
30 
 separou os ambientes doméstico e de trabalho; 
 reuniu um número imenso de pessoas em um mesmo lugar ( 
fábricas) em torno de uma única atividade econômica; 
 intensificou o crescimento das cidades e sua separação do 
campo. 
No contexto da fábrica, a “cooperação” introduziu novidades no 
planejamento, na organização e na execução do próprio trabalho, como a 
necessidade de padronizar a qualidade dos produtos e dos procedimentos, 
bem como de adotar uma disciplina. Essas novidades justificaram o 
surgimento das funções de direção e supervisão (gerência), para fiscalizar 
e controlar o trabalho. A adaptação do trabalhador a tal realidade não 
ocorreu de forma simples, sendo um desafio submetê-lo a tais condições. 
Assim, Borges e Yamamoto (2014) salientam que a situação era 
contraditória, em razão do fato de se almejar mais produtividade e, pelo 
modo de produção adotado, provocar um esvaziamento do conteúdo do 
trabalho, bem como, por consequência, o desgosto com as tarefas por parte 
do trabalhador, de quem se exigia mais produtividade. A sobrevivência da 
noção do “livre contrato” do modelo capitalista, por consequência, 
demandou uma concepção do trabalho, valorizando-o em oposição ao 
ócio. 
É nesse sentido, depois de vocês, caros, estudantes, compreenderem de 
uma forma histórica esses aspectos que cabe apontar o conceito de trabalho 
hoje no Brasil. 
Borges-Andrade e Pagotto (2010) atribuíram que pensar o trabalho, por 
exemplo, em um campo de saber específicos para se pensar sobre ele se 
tornou emergente. Assim, a própria Psicologia se subdividiu em uma subárea 
de pesquisa e atuação chamada de Psicologia Organizacional e do Trabalho 
(PO&T) ou Psicologia do Trabalho e das Organizações (PT&O). Esse é um 
campo de aplicação de conhecimentos ou de intervenção, justamente na área 
do trabalho, ou melhor, do trabalhador. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
31 
Como subárea do conhecimento, tem o fazer humano enquanto objeto 
de estudo e os contextos do trabalho e das organizações como locais desse 
estudo. Como campo de aplicação ou intervenção, precisa dar respostas a 
questões práticas concernentes a interações entre o comportamento 
humano, o trabalho e as organizações onde este comportamento pode 
ocorrer. 
Assim é que precisamos periodicamente estabelecer contatos que 
permitam que produção e utilização do conhecimento caminhem mais ou 
menos juntas e que mútuos benefícios possam emergir. A pesquisa brasileira 
raramente ocorre no campo profissional e na pós-graduação lato sensu. 
Portanto, o lócus para que os mencionados contatos ocorram é a pós-
graduação stricto sensu e sua produção está disponível em periódicos 
científicos. 
O campo de aplicação ou de intervenção em PT&O deve utilizar o 
conhecimento gerado pela pesquisa, para solucionar problemas relacionados 
ao comportamento humano no trabalho, à interação entre esse 
comportamento e a organização onde ocorre, e às práticas utilizadas para 
organizar a ação individual e a coletiva, visando atingir determinados 
objetivos. Portanto, é por essa razão que atualmente se encontrem uma ampla 
gama de pesquisas no que diz respeito às variáveis psicológicas na ciência 
organizacional contemporânea, tais como satisfação no trabalho, performance, 
turnover, comprometimento organizacional e resiliência. 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
32 
 
Seção 7: Caracterização da sociedade humana 
 
Caminhando para a nossa penúltima seção, cabe apontar que o fato de 
haver toda uma construção ideológica não eliminou, entretanto, as reais 
contradições nem as insatisfações e a capacidade de reação dos trabalhadores 
(BORGES & YAMAMOTO, 2014). Antes contribuiu à exploração radical da 
classe trabalhadora, registrada por Marx. 
Por isso, a história do desenvolvimento capitalista é, também, a 
história da resistência dos trabalhadores, que caracteriza a sociedade 
humana. Os embates em torno da regulamentação da jornada de trabalho 
nas leis fabris da segunda metade do século XIX são exemplos da luta do 
proletariado para impor um limite à exploração capitalista. 
O sistema de “cooperação”, ao mesmo tempo que engendrou todas as 
novidades já assinaladas, também reuniu as pessoas em grandes massas 
trabalhadoras, criando as condições necessárias à construção da consciência 
de classe dos próprios trabalhadores, estimulando o desenvolvimento da 
organização trabalhista. Nos países desenvolvidos, o fim do século XVIII e o 
século XIX foram marcados pelo desenvolvimento do movimento sindical, e as 
principais ideias que abasteceram as críticas ao regime capitalista foram 
reflexões marxistas e anarquistas sobre esse sistema. 
A transformação do modo de produção manufatureira para o modo de 
produção capitalista da “cooperação” exige um parcelamento progressivo do 
trabalho em suas operações, simplificando a atuação de cada um (BORGES & 
YAMAMOTO, 2014). Um conjunto de trabalhadores atua lado a lado, sob um 
plano geral em um mesmoprocesso de produção. Tal tipo de organização do 
trabalho possibilita a massificação da produção. Introduz a noção de operário 
coletivo. O trabalhador não detém os meios de produção, não tem controle 
sobre o produto nem sobre o processo de trabalho, e, portanto, são 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
33 
suprimidos seu saber fazer e suas possibilidades de identificação com a tarefa 
e com o produto. 
A exploração é um dos pontos centrais na teoria marxiana porque, 
segundo Marx, o regime capitalista caracteriza-se por tomar “[...] a produção 
da mais-valia como finalidade direta e móvel determinante da produção [...]” 
(Marx, 1980, p. 78). Assim, a exploração, antes de ser uma distorção do 
capitalismo, é uma característica inerente a ele. Em síntese, concluímos 
que, para Marx, o trabalho, que deveria ser humanizador, sob o capitalismo, é 
o contrário, pois na forma de mercadoria é: 
1. alienante, porque o trabalhador desconhece o próprio processo 
produtivo e o valor que agrega ao produto, além de não se 
identificar com os produtos de seu trabalho; 
2. explorador, devido aos objetivos de produção da mais-valia vinculada 
ao processo de acumulação do capital; 
3. humilhante, porque afeta negativamente a autoestima; 
4. monótono em sua organização e conteúdo da tarefa; 
5. discriminante, porque classifica os homens, na medida em que 
classifica os trabalhos; 
6. embrutecedor, porque, longe de desenvolver as potencialidades, 
inibe ou nega sua existência por meio do conteúdo pobre, repetitivo 
e mecânico das tarefas; 
7. submisso, pela aceitação “passiva” das características do trabalho e 
do emprego, pela imposição da organização interna do processo de 
trabalho, pelas relações sociais mais amplas e, especialmente, pela 
força do exército industrial de reserva. 
Portanto, observamos que a obra marxiana não se constitui em uma 
mera crítica ao trabalho sob o capitalismo, mas cria valores e novas 
expectativas em torno do trabalho. O trabalho deve ser humanizador, não 
alienado. Deve ser digno, que garanta ao ser humano a satisfação de suas 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
34 
necessidades, racional (com uma divisão baseada em critério de igualdade 
entre os homens), e que se constitui na principal força na vida dos indivíduos. 
A ética do trabalho, associada à primeira Revolução Industrial, e o 
marxismo exaltam o trabalho. No entanto, tal importância se funda em 
valores sociais distintos, na caracterização da sociedade humana. Entre 
outras diferenças, a defesa do tratamento do trabalho como mercadoria 
desvaloriza a identificação do trabalhador com o produto e o processo de seu 
trabalho, ou seja, dignifica ganhar a vida trabalhando, mas não interessa em 
quê. A defesa da superação da alienação no trabalho permite compreendê-lo 
como uma categoria que contribui na construção da própria identidade do 
sujeito. O trabalho é, ao mesmo tempo, estruturante para a caracterização 
da sociedade e para o indivíduo. 
Em síntese, com a história contada até aqui, expusemos de maneira breve 
e sucinta formas distintas de conceber o trabalho. Na Tabela 1, foi resumido 
ainda mais o que discutimos até aqui à luz da revisão realizada por Borges e 
Yamamoto (2014) para que de uma maneira mais didática, vocês, caros 
estudantes, possam assimilar as diferenças nas maneiras de caracterização da 
sociedade humana por meio do trabalho. Assim, fechamos com as três 
principais concepções. 
Concepções Influências Contexto Papel do trabalho 
Clássica Filosofia clássica Antiguidade: trabalho 
escravo 
Conceito restrito: trabalho 
braçal e exaltação do ócio 
Capitalista 
tradicional 
Economia 
clássica (liberal) 
Surgimento do 
capitalismo e do 
contrato de trabalho 
(emprego) 
Glorificação do trabalho como 
o único meio digno de ganhar a 
vida 
Marxista Marxismo Oposição entre: 
interesses do capital e 
dos trabalhadores 
Estruturante da vida das 
pessoas e das sociedades 
 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
35 
 
Seção 8: Cultura e diversidade: 
uma temática antropológica e contemporânea 
 
Tudo bem até aqui, caros estudantes? Partiremos agora para o último 
tópica da nossa etapa 1. Agora iremos fechar tudo que estudamos 
conversando um pouco sobre a cultura e diversidade existente no mundo. 
Chamamos de uma temática antropológica e contemporânea exatamente por 
na caracterização da sociedade atual essas questões serem cada vez mais 
presentes. 
Podemos falar de uma cultura universal? Ou é melhor falarmos de uma 
cultura diversa? Se por um breve momento pensarmos nos diferentes estilos 
de roupas e diferentes alimentos (no almoço por exemplo) consumidos no 
mundo, já é possível ter uma dimensão do quão diversa a sociedade é, não é 
mesmo? 
Ao pensar no trabalho também é possível identificar suas diversidades 
culturais. Enquanto em algumas culturas, na execução, o trabalhador deve ser 
poupado de pensar para que possa repetir os movimentos ininterruptamente, 
ganhando em rapidez e exatidão; Em outras, por sua vez, é por meio do 
pensamento e reflexão que o trabalho é realizado de modo satisfatório. 
Assim é que as pesquisas cada vez mais têm como elementos centrais a 
formulação de hipóteses ou suposições, em busca de explicar relações entre 
desempenhos das pessoas no trabalho (por ser uma característica 
fundamental da sociedade contemporânea) e atributos individuais, das 
equipes, da organização ou da sociedade. Além disso, também como 
elemento central é a identificação das variáveis de pesquisa, quer seja aquelas 
que se quer explicar (por exemplo, desempenho, bem-estar, satisfação no 
trabalho etc.), quer seja as que são as explicações plausíveis para as questões 
que queremos explicar (ZANELLI et al., 2014). 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
36 
Agora eu pergunto: Quem precisa da pesquisa acerca das 
características dos trabalhadores sobre tais diversidades culturais na 
sociedade contemporânea? 
Inicialmente se beneficiam os profissionais ou estudantes que necessitem 
conhecer os fundamentos e as suposições inerentes ao processo de 
conhecimento científico na área. Assim, os interessados não estão dispostos a 
confiar na especulação ou em evidência baseada em histórias, contos ou 
ficção, para tomar decisões. Mas em evidências científicas de pesquisas 
realizadas, sendo essa a principal base da sociedade contemporânea. 
Se há algumas décadas para se buscar um número de telefone a pessoa 
demorava horas, até dias. Ou então para buscar uma referência da literatura 
passava-se semanas dentro das bibliotecas... Na sociedade contemporânea é 
possível ter todas essas e outras informações em minutos. Assim é que as 
características culturais e diversas também estão inseridas, ao passo que tudo 
se torna possível e rápido ao alcance das mãos. 
Assim, é que se o trabalho é uma das características principais das 
sociedades contemporâneas é preciso que as áreas da Psicologia, Sociologia e 
Antropologia, privilegiam esse campo com os estudos dos principais 
fenômenos nesse sentido, tais como: 
• Comportamentos; 
• Relações entre pessoas e grupos; 
• Disposições; 
• Motivos; 
• Percepções; 
• Crenças; 
• Reações; 
• Atitudes; 
• Significados; 
• Valores; 
• Sentimentos 
Portanto, o que torna o estudo nesse segmento único é o seu foco de 
interesse estar nos contextos de trabalho, trabalhadores e organizações. 
Assim, não estamos apenas interessados em mensurar e descrever estes 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
37 
fenômenos. O interesse não é apenas no como essas coisas acontecem, mas, 
de fato, o interesse é no porquê. 
Nesse sentido, estamos interessados em conhecer os antecedentes e 
consequentes desses fenômenos, ou como eles dependem de 
características: (1) do indivíduo; (2) da sua equipe; (3) da sua 
organização; e (5) da sociedade. 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
38 
 
Referências Bibliográficas 
 
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ARGYLE, M. The social psychology of work. 2nd ed. London: Penguin, 1990. 
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1996. 
BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; DO PRADO PAGOTTO, Cecília. O estado 
da arte da pesquisa brasileira em psicologia do trabalho e organizacional. 
Psicologia: teoria e pesquisa, p. 37-50, 2010. 
BRIEF, A. P.; NORD, W. R. Meaning of occupational work: a collection of 
essays. Massachusetts: Lexington Books, 1990. 
BORGES, L. D. O.; YAMAMOTO, O. H. (2014). Mundo do trabalho: construção 
histórica e desafios contemporâneos. In: José Carlos Zanelli; Jairo Eduardo 
Borges-Andrade; Antonio Virgílio Bastos. Psicologia, organizações e 
trabalho no Brasil. (pp. 25-72). AMGH Editora. 
COSTA, P. H. F.; GODOY, P. R. T. O capitalismo contemporâneo e as 
mudanças no mundo do consumo. XI Coloquio Internacional de Geocrítica: 
La Planificación Territorial y el Urbanismo desde el Diálogo y la Participación. 
Universidade de Barcelona, v. 30, 2008. 
JAHODA, M. Empleo y desempleo: un análisis socio-psicológico. Madrid: 
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LA GRASSA, Gianfranco. O capitalismo contemporâneo e o papel da teoria 
marxista. Publicado originalmente na revista italiana Critica Marxista, n 1, 1991. 
Traduzido e revisado por Carlos Roberto Aguiar e Enid Frederico, 2010. 
Disponívelhttps://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/arti
go267Artigo6.pdf 
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico — 14.ed. — 
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
39 
LAVABRE, Marie-Claire. Maurice Halbwachs et la sociologie de la mémoire. 
Raison présente, v. 128, n. 1, p. 47-56, 1998. 
LÉVI-STRAUSS, Claude. Antropologia estrutural. Ubu Editora LTDA-ME, 2018. 
MARX, K. O capital. São Paulo: Abril Cultural, 1983. 
MARX, K. Sociologia. São Paulo: Ática, 1980. (Grandes Cientistas Sociais, n. 
10). 
NAVARRO, Vera Lucia; PADILHA, Valquíria. Dilemas do trabalho no 
capitalismo contemporâneo. Psicologia & Sociedade, v. 19, n. 1, p. 14-20, 
2007. 
SALZANO, Francisco M. A antropologia no Brasil: é a interdisciplinaridade 
possível?. Amazônica-Revista de Antropologia, v. 1, n. 1, 2016. 
WELLER, Wivian. A atualidade do conceito de gerações de Karl Mannheim. 
Sociedade e Estado, v. 25, n. 2, p. 205-224, 2010. 
ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antonio 
Virgílio Bittencourt. Psicologia, Organizações e Trabalho no Brasil. AMGH 
Editora, 2014. 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
40 
 
Leitura Complementar 
 
Como leitura complementar para essa unidade cabe apontar, sobretudo as 
obras elaboradas pelos antropólogos e grandes pesquisadores aqui 
evidenciados. Nesse espaço de leitura complementar não será citado 
nenhuma das referências utilizadas para a construção da unidade. Mas lembro 
que todas referências utilizadas, inclusive o livro do Laraia, em que estão 
especificados os principais trabalho dos principais antropólogos estão na lista 
de referências finais. Além disso, abaixo deixo algumas referências como 
leituras complementar do assunto abordado. 
FRÚGOLI Jr, H. (2005). O urbano em questão na antropologia: interfaces com a 
sociologia. Revista de Antropologia, 48(1), 133-165. 
LUKÁCS, G. História e consciência de classe. Londres: Merlin, 1967. 
LUKÁCS, G. Para uma ontologia do ser social I. São Paulo: Boitempo, 2012. 
MALVEZZI, S. O psicólogo organizacional, peregrinação na sociedade e a 
formação do agente econômico reflexivo [Resumo]. In: SOCIEDADE 
Brasileira de Psicologia (Org.). XXX Reunião Anual de Psicologia: resumos. 
Brasília: [s.n.], 2000. p. 33-34. 
MANDEL, E. O capitalismo tardio. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985. 
MARGLIN, S. A. Origens e funções do parcelamento das tarefas. In: GORZ, A. 
(Org.). Crítica da divisão do trabalho. São Paulo: Martins Fontes, 1980. p. 38-
80. 
VELHO, G. (1987). Individualismo e cultura: notas para uma antropologia da 
sociedade contemporânea. Zahar. 
VELHO, G. (1994). Projeto e metamorfose: antropologia das sociedades 
complexas. Zahar. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
41 
 
 Finalizando a Etapa 1 
 
Caros estudantes, 
Teste seus conhecimentos realizando algumas atividades de 
autoavaliação disponíveis no seu ambiente virtual de aprendizagem. Elas irão 
ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo 
de ensino-aprendizagem. 
Diante do exposto, podemos destacar que os principais objetivos 
propostos para essa primeira etapa foram alcançados. Como uma etapa 
introdutória, entendemos que é um pouco mais exaustiva por se tratar de 
tantos conteúdos novos que suscitam profundas reflexões. Assim, 
especificadamente, foi possível analisar a antropologia cultural, bem como 
seus estudos no campo da sociedade; além de entender os processos 
construtivos identitários dos sujeitos e a memória coletiva; compreender o 
conceito de sociedade capitalista; e ainda, avaliar as mutações paradigmáticas 
da antropologia cultural em uma perspectiva histórica. 
Além disso, vimos as relações entre indivíduo e sociedade e o processo de 
individualização e socialização; os aspectos políticos na contemporaneidade; a 
caracterização da sociedade humana; e encerraremos o tema cultura e 
diversidade: uma temática antropológica e contemporânea. 
É nesse contexto, caro estudante, que encerramos a nossa primeira etapa 
e convidamos os estudantes para embarcar em mais uma jornada rumo ao 
próximo Objeto de Aprendizagem. 
Na próxima etapa (Etapa 2) iremos complementar o estudo com o 
objetivo de avançar um pouco mais nos conceitos teóricos-científicos acerca 
das variáveis até então estudadas, e entender em maiores detalhes as três 
grandes áreas das ciências sociais. Além disso, enfatizar os conceitos grupais 
que tanto caracterizam a nossa sociedade nacional. 
 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
42 
 
Exercícios – Etapa 1 
 
1) A antropologia pode ser definida como: 
a) Estudo das ciências humanas por se tratar de perspectivas genéticas 
b) Estudo sobre o homem e a humanidade em todas as suas dimensões 
c) Estudo filosófico e sociológico dos mais diferentes grupos brasileiros 
d) Estudo dos singulares comportamentos dos índios, como aponta Lévi-
Strauss 
e) Campo interdisciplinar que articula a “psico” com o “anthropos” 
2) A divisão clássica da antropologia distingue: 
a) A antropologia cultural da antropologia física ou biológica 
b) A antropologia grupal da antropologia individual 
c) A antropologia cultural com a evolução das espécies 
d) A antropologia física do ser humano e a antropologia do campo 
psicológico 
e) Apenas em antropologia cultural 
3) Quem é um dos maiores nomes da antropologia estruturalista no 
mundo? 
a) Claude Lévi-Strauss 
b) Francisco Salzano 
c) Maurice Halbwachs 
d) Karl Marx 
e) Edward Taylor 
4) De acordo com a antropologia, a identidade pode ser definida como: 
a) Uma soma concluída e independente das relações sociais 
b) Um conglomerado de pessoas com a mesma cultura e comportamentos 
sociais 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
43 
c) Uma soma concluída de signos e influências nunca relacionada à alteridade 
d) Uma soma nunca concluída de signos e referências sempre relacionada 
com a ideia de alteridade 
e) Um documento que registra individualmente todas as pessoas no mundo 
5) Qual o conceito de memória coletiva? 
a) Uma memória que não é passada de uma geração para a seguinte 
b) Memória individual caracterizada por aspectos pessoais como a idade 
da pessoa 
c) É a memória de um grupo de pessoas que surge da interação social 
d) Memória simples que não é compartilhada com todos os membros do 
grupo 
e) Nenhuma das anteriores 
6) A maior crítica ao modo de produção capitalista é realizada por: 
a) Claude Lévi-Strauss 
b) Francisco Salzano 
c) Maurice Halbwachs 
d) KarlMarx 
e) Edward Taylor 
7) Assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso: 
a) A cultura é um conceito antropológico ( ) 
b) A antropologia é o estudo da mente e do comportamento ( ) 
c) Edward Tylor foi o primeiro antropólogo a definir o conceito de cultura ( ) 
d) A antropologia nunca refutou a teoria da evolução e Charles Darwin ( ) 
e) A maior preocupação da antropologia está no componente genético 
que afeta as relações sociais ( ) 
8) Qual a principal característica da sociedade humana contemporânea? 
a) A observação das coisas culturais 
b) O trabalho e o seu papel 
c) A quantidade de filhos que é maior 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
44 
d) A inclusão dos animais como integrantes da sociedade humana 
e) Nenhuma das opções anteriores 
9) A partir dos conceitos estudados, defina antropologia? 
10) Diante do conteúdo, como podemos explicar o conceito de 
identidade social? 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
45 
GABARITO 
1. B 
2. A 
3. A 
4. D 
5. C 
6. D 
7. V, F, V, F, F 
8. B 
9. O estudante deverá dissertar sobre o conceito de antropologia com base na 
definição de que a antropologia é a ciência que tem como objeto o estudo 
sobre o homem e a humanidade de maneira totalizante, bem como 
abrangendo todas as suas dimensões. Pode também apontar sobre as 
divisões da antropologia e salientar que antropologia cultural estuda a 
diversidade cultural humana, tanto de grupos contemporâneos, como 
extintos. 
10. O estudante deve abarcar o conceito de identidade no que tange à 
antropologia, que conceituam a identidade como uma soma nunca concluída 
de um aglomerado de signos, referências e influências que definem o 
entendimento relacional de determinada entidade, humana ou não humana, 
percebida por contraste, ou seja, pela diferença ante as outras, por si ou por 
outrem. Assim, a identidade está sempre relacionada à ideia de alteridade, 
porque é necessário existir o outro e seus caracteres para se definir então por 
comparação e diferença. É nesse sentido que destacamos o aspecto social. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
46 
2 Objeto de Aprendizagem Etapa 2 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
47 
 
Olá, estudantes! Agora, vamos para a nossa segunda etapa de estudos. 
Animados? 
Bem, nessa segunda etapa, iremos dar continuidade ao nosso tema 
central, mas o foco agora é avançar um pouco mais nos conceitos teóricos-
científicos das três grandes áreas das ciências sociais, que se enquadra no 
Colégio de Humanidades estabelecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento 
de Pessoal de Nível Superior – Capes. Assim, poderemos evoluir o estudo para 
os conceitos grupais que tanto caracterizam a sociedade brasileira, sendo um 
dos fenômenos que merecem maior atenção dos estudantes da área. 
Objetivos 
Analisar os aspectos de identidade, temperamento, personalidade e caráter; 
Entender os processos do indivíduo e o seu autoconhecimento; 
Compreender as três áreas das ciências sociais: antropologia, sociologia e 
psicologia. 
Refletir sobre o evolucionismo social e a abordagem da diversidade cultural: 
história, evolução e progresso. 
Enfatizar o processo grupal, principalmente ligado ao trabalho. 
Planejamento 
Seção 9: Identidade, temperamento, personalidade e caráter. 
Seção 10: Indivíduo e o seu autoconhecimento. 
Seção 11: Antropologia, sociologia e psicologia. 
Seção 12: Evolucionismo social e a abordagem da diversidade cultural: 
história, evolução e progresso. 
Seção 13: Processo grupal. 
 
Bons estudos! 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
48 
 
Seção 9 - Identidade, temperamento, 
Personalidade e caráter 
 
O nosso primeiro fenômeno a ser apresentado é a identidade. A 
identidade do sujeito é um fenômeno relacional, e é possível afirmar que as 
identidades são continuamente reafirmadas e redefinidas ao longo da vida 
(Ciampa, 1996). 
Antonio Ciampa já salientava que o indivíduo está sempre inserido na 
tensão entre a afirmação a um determinado grupo no qual compartilha 
crenças, valores e significados, e a oposição, que é caracterizada pelo 
distanciamento de um determinado grupo. Assim, a identidade se subdivide 
em identidade pessoal e identidade social. 
A identidade pessoal é influenciada pelas experiências subjetivas 
incorporadas ao autoconceito (quem sou eu?). Já a identidade social é 
implicada no exercício de papéis e pertencimento a grupos sociais. Assim, 
Sônia Gondim e outros pesquisadores em 2016 afirmam que não se nasce 
com uma identidade, mas que cada pessoa tem um papel ativo e reflexivo no 
processo de construção de sua identidade e que tal processo se dá por meio 
da interação social durante a trajetória de vida. 
Dessa maneira a depender do meio em que o sujeito está inserido e as 
trocas que estabelece, fazem com que as identidades se atualizem 
continuamente. É nesse contexto que tendo em vista os inúmeros papéis 
sociais e grupos de pertencimento, Stryker e Serpe (1994) salientaram que as 
identidades se organizam em uma hierarquia que passa por mudanças a 
depender das fases da trajetória de cada um. 
O nosso segundo fenômeno a ser apresentado é o temperamento. Essa 
palavra é de origem latina, sendo sua forma literal “temperaramentum” que 
significa medida. Assim, o temperamento representa a peculiaridade e 
intensidade individual dos afetos psíquicos e da estrutura dominante de 
humor e motivação. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
49 
Algumas características do temperamento são decorrentes de processos 
fisiológicos do sistema linfático e da ação endócrina de certos hormônios, ou 
seja, de cunho biológico. Fazendo um breve paralelo histórico, há 2500 anos 
ocorreu a primeiro estudo do comportamento humano, classificando o 
temperamento em 4 tipos básicos: (1) Sanguíneo: excesso de sangue. Típico 
de pessoas com humor variado; (2) Melancólico: excesso de fluido nervos. 
Característico de pessoas tristes e nervosas; (3) Colérico: excesso de bílis. 
Peculiar de pessoas mais impulsivas e de humor variado; (4) Fleumático: 
excesso de muco (fleuma). Encontrado em pessoas de sangue frio. 
Assim é que o temperamento é uma disposição inata e particular de 
cada pessoa, pronta para reagir aos estímulos ambientais. É a maneira de 
ser e agir da pessoa, geneticamente determinada. Como se fosse, então, o 
aspecto somático da personalidade (que veremos mais sobre mais a frente). 
É entendido como especial combinação de caracteres físicos e funcionais. 
Os estudos das estruturas do Sistema Nervoso Central, são sede de alguns 
componentes do temperamento, tais como: Emotividade, Agressividade, 
Sexualidade, Humor, Sociabilidade e Impulsividade. Conclui-se, portanto, 
que o temperamento pode ser transmitido de pais para filhos, porém, 
não é aprendido, nem pode ser educado (VOLPI, 2004). 
Nesse sentido, passamos para o próximo fenômeno, que é a 
personalidade. Podemos afirmar que, a mesma, é formada durante as etapas 
do desenvolvimento psicoafetivo. 
A personalidade recebe influência tanto dos elementos 
geneticamente herdados, como dos adquiridos do meio ambiente. Pode 
ser definida como uma organização integrada de todas as características 
cognitivas, afetivas e físicas de um indivíduo, como se manifesta em distintas 
situações e atribui significado especial para outras (VOLPI, 2004). 
O que diferencia o temperamento da personalidade? 
(1) O temperamento é biologicamente determinado e a personalidade é 
um produto do ambiente social. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
50 
(2) Características temperamentais podem ser identificadas já cedo, ao 
passo que a personalidade é moldada durante os períodos do 
desenvolvimento infantil. 
(3) A personalidade é prerrogativa dos seres humanos, nos animais 
podemos identificar traços de temperamentos. 
(4) O temperamento apresenta aspectos estilísticos. A personalidade 
contém aspectos do comportamento. 
(5) Ao contrário do temperamento, a personalidade se refere à função 
integrativa docomportamento humano. 
Partindo desse pressuposto, o próximo fenômeno a ser apresentado é o 
caráter. Tal termo é originário de grego charakter e refere-se a sinal ou marca. 
No estudo da personalidade denota aqueles aspectos que foram gravados, 
inscritos em cada indivíduo durante seu desenvolvimento. 
O caráter, portanto, é o modo habitual e global, o modo próprio de um 
indivíduo reagir no ambiente social que está inserido (VOLPI, 2004). Assim, é a 
diferente e típica atitude assumida pela pessoa diante de valores como o 
estético, o econômico, o político, o social e o religioso. 
Diante disso, podemos afirmar que o caráter é o conjunto de reações 
e hábitos de comportamento que vão sendo adquiridos ao longo da vida 
e que especificam o modo individual de cada pessoa em particular. Além 
disso, afirmamos que ele vai se estruturando gradativamente no curso da vida, 
sob influência de fatores ambientais (família, educação, condição social), os 
quais atuam de maneira variada, modificando tendências iniciais. 
O caráter não se manifesta de forma definitiva na infância, vai se 
formando enquanto atravessa as distintas fases do desenvolvimento 
psicossexual, até alcançar sua completa expressão ao final da adolescência. 
Assim é que concluímos apontando que a estrutura familiar, clima 
psicológico no ambiente, tipo de educação estão diretamente 
relacionados com estruturação do caráter. Sigmund Freud salientava em 
seus estudos que o caráter de um homem é formado pelas pessoas que ele 
escolheu para conviver. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
51 
 
Seção 10 - Indivíduo e o seu 
 autoconhecimento 
 
Ao falar de indivíduo, logo pensamos em indivíduos, não é mesmo? Afinal, 
não construímos nada sozinho. Mesmo que não fisicamente, dependemos de 
pessoas a todo o momento, quer seja, para consumir algo que foi fabricado 
por outros, quer seja para ler um conteúdo escrito por outros. 
Assim, para conversarmos sobre o processo de autoconhecimento dos 
indivíduos, recorreremos à ideia de gestão de pessoas, porque dessa forma 
estaremos intimamente ligados a esse processo. De acordo com Gondim, 
Souza e Peixoto (2013) há dois tipos de racionalidades a serem consideradas 
quando pensamos na gestão de pessoas. 
(1) Racionalidade Instrumental: Prioriza o alcance dos fins a partir da 
escolha dos melhores meios. Visa a eficiência do processo. Prioriza o 
alcance dos objetivos no menor tempo possível. 
(2) Racionalidade Substantiva: Baseia-se nos valores para atingir os fins 
pretendidos. Visa eficácia do processo. Prioriza o alcance dos 
objetivos levando em conta os valores pessoais e coletivos. 
O Modelo de gestão de pessoas é a maneira mais eficaz de compreender 
processos da sociedade contemporânea. Além disso, conseguimos abarcar 
uma de suas principais características, que é o aspecto do trabalho. Assim, é 
possível compreender como uma organização se estrutura e se organiza para 
gerenciar e orientar o comportamento humano no contexto de trabalho 
(característico do homem, de sua cultura, e da sociedade em geral). 
Na literatura da área, há três grandes modelos que sintetizam e mostram 
os caminhos percorridos ao longo do tempo: o instrumental, o político e o 
estratégico. Embora falemos deles em separado, na prática, eles influenciam-
se mutuamente e unem-se compondo modelos híbridos, dependendo dos 
valores da organização, do setor de atuação e das concepções de pessoas 
daqueles profissionais que atuam na área de gestão. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
52 
O modelo instrumental atribui uma maior ênfase no resultado e na 
dimensão técnica (Descrição de cargos, recrutamento, seleção, qualificação e 
avaliação de desempenho). O modelo político já evidencia a solução 
negociada de conflitos de interesses por meio da participação (Definição de 
políticas e práticas de gestão de pessoas contingenciais e mutáveis). Por fim, o 
modelo estratégico enfatiza no alinhamento entre objetivos organizacionais e 
políticas e práticas de gestão de pessoas (A atuação na área de gestão de 
pessoas é ampla, envolvendo todos os processos organizacionais). 
Assim, caros estudantes, entendendo os modelos de gestão de pessoas 
passamos então para os três eixos desse segmento, que são: (1) ingresso de 
pessoas, no qual ocupa-se da entrada de pessoas em uma estrutura em que 
possui uma dinâmica social e principalmente cultural específica; (2) O 
desenvolvimento profissional, que são ações de aprendizagem que visam 
melhorar a qualidade de vida das pessoas no ambiente; e por fim, (3) A 
valorização, que são um conjunto de práticas que visam a recompensar as 
pessoas como contrapartida do trabalho realizado. 
É nesse sentido que o conceito de ergonomia se aplica à vivência do 
indivíduo de acordo com o seu autoconhecimento. Voltando a destacar que 
raras são as pessoas que vivem sozinhos e independente de quaisquer outras 
pessoas. Assim, já que vivemos em um mundo relacional, e que o trabalho é 
um dos principais fatores que caracterizam a sociedade contemporânea, a 
ergonomia está aí justamente para ampliar a qualidade de vida e bem-
estar das pessoas nesse lugar. Muitas vezes passamos a maior parte de 
nossas vidas no trabalho, seja ele interno ou externo ao ambiente que 
significamos como casa. 
É por isso que pensar esses fenômenos relacionados ao trabalho é de 
extrema importância para compreensão holística do homem, cultura e 
sociedade à luz da esfera atual. A ergonomia, portanto, pode ser definida 
como a adaptação do trabalho ao homem ou, mais precisamente, como 
aplicação de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários para 
conceber ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com 
o máximo de conforto, segurança e eficácia (Sociedade de Ergonomia de 
Língua Francesa – SELF em FERREIRA; ALMEIDA; GUIMARAES, 2013). 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
53 
Portanto, os fenômenos relacionados à ergonomia podem ser 
caracterizados em três grandes eixos, uma vez que a ergonomia lida de modo 
invariável com tensões e conflitos de interesse. Assim, temos a Ergonomia do 
Indivíduo, que está ligada a anatomia, antropometria, fisiologia e biomecânica. 
A Ergonomia Cognitiva, que é um aspecto psicológico ligado a percepção, 
memória, raciocínio e respostas motoras. E, por fim a Ergonomia 
Organizacional, que se preocupada com a otimização dos sistemas 
sóciotécnicos, mais ligada ao quesito social. Esses três grandes eixos serão 
mais bem explicados na próxima seção, cujo objetivo é trazer os conceitos da 
antropologia, psicologia e sociologia a esse contexto. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
54 
 
Seção 11 - Antropologia, sociologia e psicologia 
 
Os três grandes eixos aqui apresentados são os fundamentos teóricos 
para conversarmos sobre o homem, quer seja o indivíduo ou a equipe, as 
diversas culturas que permeiam os 193 países no mundo, e a partir disso a 
sociedade contemporânea. 
Considerando o papel do trabalho a esse contexto, é possível apresentar 
que a Ergonomia da Atividade pode ser definida como o “espaço” existente 
entre o que é prescrito e o que é real. É uma estratégia de adaptação às 
situações reais de trabalho, e a distância entre o prescrito e o real constitui-se 
na manifestação concreta das contradições sempre presentes nos contextos 
das sociedades. 
A concepção de ser humano estabelecida é a de que o ser humano é 
como um ser singular, único, que só pode ser compreendido na inter-relação 
que se estabelece no contexto de trabalho. O respeito à variabilidade e à 
diversidade humana (inter e intraindividuais) devem ser elencados. Assim, o 
homem é um ser inteligente que interpreta, organiza, antecipa procedimentos 
e utiliza estratégias a fim de dar conta das exigências, imposições e 
imprevisibilidades de sua atividade (FERREIRA et al., 2013). A compreensão 
de ser humano em seu vínculo com o real e não com o abstrato faz parte 
desse conceito,e o caracteriza como ator social que sente, age, pensa e 
modifica o ambiente e é por ele modificado. 
As atividades de trabalho, por exemplo, demandam e exigem do 
trabalhador o emprego de esforços e competências. Estas exigências são 
denominadas Custo Humano no Trabalho (CHT), e podem ser Físicas, 
Cognitivas e Afetivas. Em consequência, os trabalhadores empregam 
Estratégias de Mediação Individual e Coletiva (EMIC’s), que são modos de 
pensar, sentir e agir próprios de cada pessoa ou do grupo. Isso é posto a fim 
de superarem e transformarem as contradições vivenciadas no contexto 
produtivo. Assim, estas estratégias visam à manutenção da saúde do homem-
trabalhador. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
55 
Os três grandes eixos que se dedicam a essas temáticas, quer seja 
antropologia, sociologia ou a psicologia, é consenso que o trabalho é 
uma atividade central na experiência do ser humano com o mundo. E 
que, o mesmo, é importante tanto no plano objetivo como no subjetivo. 
No plano objetivo o trabalho é a principal fonte de sobrevivência, tanto 
pessoal como da espécie. Já sua importância subjetiva diz respeito à 
capacidade de produzir significados. Com as pessoas que trabalhamos unimos 
conhecimento e então, surge a necessidade de organizar o trabalho. Envolve o 
próprio indivíduo que trabalha, fazendo parte da construção de identidade, 
por exemplo, sou antropólogo, sou psicólogo, sou sociólogo, sou médico. 
Assim, surge a ideia de carreira como forma pessoal de construir 
significados na experiência de trabalho e um meio social de organizar 
esse trabalho. 
Considerando os estudos nos três grandes eixos aqui apresentados 
(antropologia, sociologia e psicologia), a ideia comum de cargos interligados e 
regidos por uma “racionalidade instrumental” (foco na eficiência e na eficácia 
dos procedimentos) é elaborada como um dos primeiros pilares do campo de 
estudos das carreiras (GUNZ; PEIPERL, 2007). 
Whyte em 1956 criticou o que chamou de “homem organização”. Esse 
seria um indivíduo obcecado pela ideia de ascensão na carreira e pela 
devoção à organização. Whyte observou que os jovens de sua época não 
pareciam interessar-se por uma vida autônoma e auto decidida, mas sim pelo 
caminho de carreira oferecido pelas organizações. 
Hughes (1937) assim como Durkheim, se interessava nas consequências 
sociais da divisão do trabalho, o que implicaria tanto no eixo da sociedade, 
quanto no eixo individual e psicológico do sujeito. Hughes, portanto, foi um 
dos pioneiros a realizar uma distinção conceitual entre carreira objetiva e 
carreira subjetiva. 
A carreira objetiva reflete a sequência das posições e dos papéis 
ocupados pelo indivíduo ao longo da vida de trabalho. Esses papéis ditam o 
status social do indivíduo. A carreira subjetiva refere-se à interpretação 
pessoal dos papéis e das experiências de trabalho. A carreira, por sua vez, é 
definida como uma perspectiva dinâmica pela qual a pessoa concebe sua vida 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
56 
como um conjunto e interpreta o significado de suas diversas características, 
das ações e das coisas que lhe ocorrem (MAGALHÃES; BENDASSOLLI, 2013). 
Assim, o trabalho continua sendo uma dimensão central da experiência 
humana, e as carreiras têm um papel psicossocial decisivo ao funcionar como 
forma de mediação entre o trabalho, como papel social e como vivência 
psicológica de construção de significados, de autodesenvolvimento e 
autorrealização. Nessa seção, portanto, foi possível verificar uma interligação 
dos três grandes eixos aqui apresentados no contexto do homem e seu 
trabalho. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
57 
 
 Seção 12 - Evolucionismo social e a abordagem da 
 diversidade cultural: história, evolução e progresso 
 
Bem, estudantes, nessa seção continuaremos com nosso foco nos aspectos 
que caracterizam a sociedade contemporânea, no entanto, apresentando um 
pouco mais da história, evolução e progresso nesse contexto. 
Na ótica da antropologia, o evolucionismo social é um processo 
epistemológico pelo qual se tem como forma de desenvolvimento pleno, a 
ideia de um processo de aculturamento com base nas chamadas teorias 
evolucionistas. Assim, refere-se às teorias antropológicas e econômicas de 
desenvolvimento social que consideram que as sociedades têm início em um 
estado primitivo e gradualmente tornam-se mais civilizadas com o passar do 
tempo. 
Essa mesma concepção evolutiva é vista no homem quando se trata de 
seu trabalho ou carreira. É nesse contexto que os pontos de vista de trabalho 
e carreira também foram transformados ao longo do tempo. 
Há uma quebra das fronteiras, em que as carreiras não são mais “lineares” 
como eram no contexto do emprego. O enfraquecimento dos papéis 
ocupacionais deu margem à emergência da iniciativa e dos valores pessoais, 
mudando o posicionamento do indivíduo no campo do trabalho. Isso levanta 
a necessidade de uma definição de carreira compatível com o novo momento 
sócio-histórico. 
Assim é que alguns pesquisadores como Mark Savickas, autor da Teoria de 
Construção da Carreira, considera a carreira não mais como uma sequência de 
empregos ou promoções ao longo da vida, mas como um processo 
construtivo, pessoal e social dos significados atribuídos às escolhas 
profissionais (DUARTE et al., 2010). 
É nesse sentido que a carreira é aqui conceituada, como uma construção 
subjetiva formada pelas experiências passadas, atuais e expectativas futuras 
relacionadas ao trabalho a partir das decisões tomadas pelo próprio 
trabalhador. Considerando os aspectos culturais, sociais e individuais. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
58 
 
Seção 13 - Processo grupal 
 
De uma forma bem ampla, o processo grupal ou, ainda, os processos 
grupais são experiências fundamentais para as nossas formações, 
estruturações de convicções e para o desenvolvimento de nossas capacidades. 
Interligado com as seções anteriores é possível identificar a real necessidade o 
ser humano em se manter em grupo. 
O próprio conceito de identidade, temperamento, personalidade e caráter 
salientam essa teoria. Além disso, ao enfatizarmos também os aspectos do 
trabalho e do trabalhador, novamente estamos diante dos processos grupais. 
Assim, com toda a carga das experiências anteriormente vividas que nós 
jogamos em novas experiências de relacionamentos grupais, a nossa inserção 
grupal pode ser realizada de uma forma consciente ou não. 
Temos consciência de que participamos de alguns grupos, ou seja, 
aqueles que aderimos por uma opção pessoal ou identificação. Já a 
participação nos demais é feita, geralmente, de maneira rotineira e sem nos 
darmos conta, e muitas vezes somos carregados pelo grupo. Assim, esses são 
os chamados grupos "espontâneos" ou "naturais" (CARLOS, 1998). 
Há também os grupos estruturados com finalidades específicas, 
organizados e coordenados pelos próprios participantes, ou por profissionais 
das mais variadas formações, por exemplo os grupos de anônimos (Aas e 
Nas), os grupos ligados às Igrejas que atuam nas comunidades, grupos que 
atuam nos partidos políticos, nos sindicatos, nas escolas, nas fábricas, nas 
praças, e diversos outros grupos. 
Todos os grupos podem estar a serviço da transformação social 
quanto da sua manutenção. Nesse sentido, estamos rodeados de grupos e 
participando ou negando participar deles em todos os momentos de nossas 
vidas. Historicamente, sabe-se que o vocábulo "groppo" ou "grupo" surgiu no 
século XVII e referia-se ao ato de retratar, artisticamente, um conjunto de 
pessoas. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
59 
Regina Duarte Benevides de Barros (1994), doutora em Psicologia, diz que 
foi somente no século XVIII que o termo passou a significar "reunião de 
pessoas". Assim, Regina Barros afirma que o termo pode estar ligado tanto a 
ideia de "laço, coesão", quanto a de "círculo". 
Tanto a Sociologia quanto a Psicologia têm demonstradointeresse no 
estudo dos pequenos grupos sociais, pensando o "grupo" como uma 
intermediação entre o "indivíduo" e a "massa". Na Psicologia, portanto, o 
estudo sistemático dos pequenos grupos sociais, busca compreender a 
dinâmica dos mesmos, tendo início na década de 30 e 40, com Moreno e Kurt 
Lewin. Moreno inicia com o "teatro da espontaneidade" que depois vai levar 
ao Psicodrama. 
Na área de pesquisa cria a Sociometria para o estudo de relações de 
aproximação e afastamento entre as redes de preferência e rejeição, tanto nos 
grupos quanto na comunidade como um todo. Lewin cria o termo "dinâmica 
de grupo", que foi utilizado pela primeira vez em 1944. 
Além disso, cabe salientar para a nossa disciplina que a preocupação com 
grupos, de Moreno e de Lewin aparecem em seguida às inovações tayloristas 
e fordistas que levam à elevação dos lucros mas também à deterioração das 
relações tanto dos operários entre si quanto em relação a chefias e patrões. 
Ponto que discutimos em seções anteriores acerca do capitalismo 
contemporâneo, lembram? 
Assim é que vemos as interligações existentes nas nossas seções dentro 
de cada Objeto de Aprendizagem. Sobre os grupos, portanto, há uma tradição 
no estudo e na intervenção com pequenos grupos que privilegia o 
treinamento em busca da produtividade. 
Os especialistas em grupos se voltam à aplicação de técnicas grupais que 
desenvolvem a cooperação entre os participantes e não levam o grupo a se 
autocriticar e buscar o seu caminho para o funcionamento, pois uma das 
possibilidades é não mais se constituir enquanto grupo. Neste caso, portanto, 
a constituição do grupo está a serviço da instituição, como instrumento de 
controle sobre os indivíduos, problema essa que já estamos discutindo à luz 
da contemporaneidade. Conclui-se, por fim ,que a função do grupo é 
definir papéis, o que leva a definição da identidade social dos indivíduos. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
60 
 
Referências Bibliográficas 
 
BARROS, Regina Duarte Benevides. Grupo: a afirmação de um simulacro. 
1994. 1994. Tese de Doutorado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 
São Paulo. 
CIAMPA, A. D. C., & estória do Severino, A. (1996). A História da Severina: um 
ensaio de Psicologia Social. São Paulo: Brasiliense. 
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Psicologia Social Contemporânea: livro-texto. Petrópolis: Vozes, 1998. P. 
199-206 
DUARTE, Maria Eduarda et al. A construção da vida: Um novo paradigma para 
entender a carreira no século XXI. Interamerican Journal of Psychology, v. 
44, n. 2, 2010. 
FERREIRA, M. C.; ALMEIDA, C. P.; GUIMARAES, M. C. Ergonomia da atividade: 
uma alternativa teórico-metodológica no campo da psicologia aplicada aos 
contextos de trabalho. In: Lívia de Oliveira Borges; Luciana Mourão. (Org.). O 
Trabalho e as Organizações: atuações a partir da Psicologia. 1ed.Porto 
Alegre: Artmed, 2013, v. Único, p. 557-580. 
GONDIM, S. M. G.; BENDASSOLLI, P.; PEIXOTO, L. S. A. A Construção da 
Identidade Profissional na Transição Universidade-Mercado de Trabalho. O 
Estudante Universitário Brasileiro: Características Cognitivas, Habilidades 
Relacionais e Transição para o Mercado de Trabalho, p. 219-234, 2016. 
GONDIM, Sônia Maria G.; SOUZA, Janice Janissek de; PEIXOTO, Adriano de 
Lemos A. Gestão de pessoas. O trabalho e as organizações: atuações a 
partir da Psicologia. Porto Alegre: Artmed, p. 343-375, 2013. 
GUNZ, Hugh P.; PEIPERL, Maury. Handbook of career studies. SAGE 
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HUGHES, Everett C. Institutional office and the person. American journal of 
sociology, v. 43, n. 3, p. 404-413, 1937. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
61 
MAGALHÃES, M. O.; BENDASSOLLI, P. F. Desenvolvimento de carreiras nas 
organizações. In: L. de O. Borges; L. Mourão. (Org.). O Trabalho e as 
Organizações: atuações a partir da Psicologia. 1ed.Porto Alegre: Artmed, 2013, 
v. Único, p. 433-464. 
STRYKER, Sheldon; SERPE, Richard T. Identity salience and psychological 
centrality: Equivalent, overlapping, or complementary concepts?. Social 
psychology quarterly, p. 16-35, 1994. 
VOLPI, José Henrique. Particularidades sobre o temperamento, a 
personalidade e o caráter, segundo a psicologia corporal. Curitiba: Centro 
Reichiano, p. 3-5, 2004. 
WHYTE, William F.; HOLMBERG, Allan R. Human problems of US enterprise in 
Latin America. Human Organization, v. 15, n. 3, p. 1, 1956. 
ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antonio 
Virgílio Bittencourt. Psicologia, Organizações e Trabalho no Brasil. AMGH 
Editora, 2014. 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
62 
 
Leitura Complementar 
 
BRUBAKER, Rogers; COOPER, Frederick. Para além da “identidade”. 
Antropolitica Revista Contemporanea de Antropologia, n. 45, 2019. 
CARNEIRO, Clarisse; BINDÉ, Pitágoras José. A psicologia ecológica e o estudo 
dos acontecimentos da vida diária. Estudos de Psicologia, v. 2, n. 2, 1997. 
CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. Editora Paz e Terra, 2018. 
DE MELO, Armando Sérgio Emerenciano; MAIA FILHO, Osterne Nonato; 
CHAVES, Hamilton Viana. Conceitos básicos em intervenção grupal. Encontro: 
Revista de Psicologia, v. 17, n. 26, p. 47-63, 2015. 
GONÇALVES, Camila Salles; WOLFF, José Roberto; DE ALMEIDA, Wilson 
Castello. Lições de psicodrama: introdução ao pensamento de JL Moreno. 
Editora Agora, 1988. 
LEITE, Dante Moreira. O caráter nacional brasileiro: história de uma 
ideologia. Unesp, 2002. 
NOGUEIRA, Vanessa Trindade et al. A importância do grupo como apoio no 
processo de reinserção no mercado de trabalho. Disciplinarum Scientia| 
Ciências Humanas, v. 19, n. 1, p. 53-63, 2018. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
63 
 
 Finalizando a Etapa 2 
 
Caros estudantes, 
Mais uma vez ressalto para a importância de testar seus conhecimentos 
realizando algumas atividades de autoavaliação disponíveis no seu ambiente 
virtual de aprendizagem. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. 
Diante do exposto, os principais objetivos propostos para essa primeira 
etapa foram alcançados, em que abordamos todos os tópicos previsto para 
essa segunda etapa. Cada seção teve sua particularidade, mas ficou clara a 
relação existente em cada uma delas. 
É nesse contexto, caro estudante, que encerramos a nossa segunda etapa 
e embarcaremos para a nossa última viagem rumo ao próximo Objeto de 
Aprendizagem. Na próxima etapa (Etapa 3) iremos complementar o estudo 
com o objetivo de avançar um pouco mais nos conceitos dos processos 
psicológicos, bem como apresentar a sua relação com a sociologia e com a 
antropologia que já foram bem difundidas nas primeiras unidades. Assim, 
encerraremos a última etapa com uma abordagem sistemática em que o 
homem é produtor de conhecimento e significados e enfatizar os aspectos da 
subjetividade nesse contexto. 
 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
64 
 
Exercícios – Etapa 2 
 
1) Diante do estudado, a identidade se subdivide em: 
a) Identidade genética e Identidade humana 
b) Identidade social e Identidade espiritual 
c) Identidade pessoal e Identidade social 
d) Identidade pessoal e Identidade individual 
e) Identidade social e Identidade grupal 
2) Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso: 
a) O Modelo de gestão de pessoas é a maneira mais eficaz de compreender 
processos da sociedade contemporânea ( ) 
b) Pensar fenômenos relacionados ao trabalho não contribui para a reflexão 
do comportamento do homem ( ) 
c) A Ergonomia busca ampliar a qualidade de vida e bem-estar do homem ( ) 
d) Antropologia é a única área que estuda o homem e seu comportamento ( ) 
e) O indivíduo é dependente de outros indivíduos para sobreviver ( ) 
3) Antropologia, sociologia e psicologia são consideradas três grandes 
eixos para o estudo da sociedade. É consenso entre as três áreas que: 
a) O trabalho é uma atividade centralna experiência do ser humano com o 
mundo 
b) O trabalho não é necessário para o desenvolvimento humano 
c) O ser humano e os demais seres vivos possuem a mesma interação social 
d) Podemos estudar a sociedade apenas com base em uma cultura, pois todas 
são iguais 
e) Nenhuma das anteriores 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
65 
4) A concepção evolutiva que estamos nessa etapa 2 pode ser vista no 
homem quando: 
a) Quando se trata de seus aspectos físicos peculiares 
b) Quando se trata de seu trabalho ou carreira 
c) Quando se trata de seu nível grupal 
d) Quando se trata do tipo de cultura e família está inserido 
e) Quando se trata de sua faixa etária 
5) O que é Racionalidade Substantiva? 
a) Baseia-se nos valores para atingir os fins pretendidos 
b) Visa eficácia do processo 
c) Prioriza o alcance dos objetivos levando em conta os valores pessoais 
d) Considera os valores coletivos de todo o grupo 
e) Todas as alternativas estão corretas 
6) Sobre a definição de caráter, é possível afirmar que: 
a) É um conjunto de reações e hábitos de comportamento que são adquiridos 
ao longo da vida 
b) É um conjunto de comportamento que nasce com o sujeito 
c) É a maneira de ser da pessoa que foi herdada geneticamente pelos pais 
d) O caráter não é construído 
e) O caráter não tem definição exata porque se trata de algo muito abstrato 
7) Assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso: 
a) A carreira é uma sequência de empregos ( ) 
b) Ter uma carreira é ser promovido na empresa ( ) 
c) A carreira é uma construção subjetiva ( ) 
d) Experiências passadas e atuais contribuem para a construção da carreira ( ) 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
66 
e) É preciso considerar os aspectos culturais, sociais e individuais ( ) 
8) Sobre o temperamento, assinale a alternativa incorreta: 
a) O temperamento é uma disposição inata e particular de cada pessoa 
b) O temperamento é totalmente construído ao longo da vida e nada 
depende dos aspectos genéticos 
c) O temperamento pode ser transmitido de pais para filhos 
d) O temperamento não é aprendido, nem pode ser educado 
e) O temperamento é a maneira de ser e agir da pessoa geneticamente 
determinada 
9) A partir dos conceitos estudados, como podemos definir a identidade, 
temperamento, personalidade e caráter? 
10) Diante do conteúdo, qual a principal diferente entre carreira objetiva 
e carreira subjetiva? 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
67 
GABARITO 
1. C 
2. V, F, V, F, V 
3. A 
4. B 
5. E 
6. A 
7. F, F, V, V, V 
8. B 
9 – A identidade se subdivide em identidade pessoal e identidade social. A 
identidade pessoal é influenciada pelas experiências subjetivas incorporadas 
ao autoconceito (quem sou eu?). Já a identidade social é implicada no 
exercício de papéis e pertencimento a grupos sociais. O temperamento é uma 
disposição inata e particular de cada pessoa, pronta para reagir aos estímulos 
ambientais. É a maneira de ser e agir da pessoa, geneticamente determinado e 
pode ser transmitido de pais para filhos, porém, não é aprendido, nem pode 
ser educado. Já a personalidade recebe influência tanto dos elementos 
geneticamente herdados, como dos adquiridos do meio ambiente. Por fim, o 
caráter é o conjunto de reações e hábitos de comportamento que vão sendo 
adquiridos ao longo da vida. 
10 – A carreira objetiva reflete a sequência das posições e dos papéis 
ocupados pelo indivíduo ao longo da vida de trabalho. Esses papéis ditam o 
status social do indivíduo. A carreira subjetiva refere-se à interpretação 
pessoal dos papéis e das experiências de trabalho. 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
68 
3 Objeto de Aprendizagem Etapa 3 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
69 
Olá, estudantes! Agora, vamos para a nossa última etapa de estudos. 
Fecharemos todo o conteúdo da disciplina para realizar um paralelo sobre 
tudo que foi estudado até aqui. Damos início a nossa última etapa com o 
objetivo de trazer alguns conceitos-chave dos processos psicológicos, bem 
como apresentar a sua relação com a sociologia e com a antropologia que já 
foram bem difundidas nas duas etapas anteriores. Assim, fecharemos o 
processo de aprendizagem de vocês acerca do homem, cultura e sociedade, 
com uma abordagem sistemática em que o homem é produtor de 
conhecimento e significados, além de enfatizar os aspectos da subjetividade 
nesse contexto. 
Objetivos 
Entender os principais processos psicológicos; 
Compreender os conceitos de psicopatologias; 
Avaliar a relação existente entre Psicologia, Sociologia e Antropologia; 
Refletir sobre diversidade cultural e desigualdade social; 
Compreender os aspectos principais da Sociologia clássica; 
Analisar o ser humano como produtor de conhecimento e significados; 
Planejamento 
Seção 14: Processos psicológicos 
Seção 15: Psicopatologias 
Seção 16: Relação entre psicologia, sociologia e antropologia 
Seção 17: Relações entre o significado de cultura, de diversidade cultural e da 
desigualdade social no mundo contemporâneo 
Seção 18: Ser humano como produtor de conhecimento, significados sociais e 
simbólicos 
Seção 19: Sociologia clássica 
Seção 20: Subjetividade humana 
Bons estudos! 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
70 
 
Seção 14 - Processos psicológicos 
 
Para pensarmos nos processos psicológicos básicos, é preciso entender 
que o desenvolvimento das funções psicológicas superiores já vem sendo alvo 
de estudos há décadas. Um dos grandes nomes nesse campo de estudo foi o 
psicólogo Vygotski, que é reconhecido como um pioneiro da psicologia do 
desenvolvimento (NEVES; DAMIANI, 2006) 
Existem algumas funções mentais consideradas básicas do ser 
humano, entre elas estão: (1) emoção; (2) percepção; (3) atenção; (4) 
memória; (5) pensamento; (6) linguagem; (7) motivação; e (8) 
aprendizagem. Todas essas funções aqui apresentadas são caracterizadas 
na psicologia como os Processos Psicológicos Básicos. 
Tais funções podem derivar tanto das interações de processos inatos 
quanto de processos adquiridos na experiência e vivência do sujeito com o 
meio. Apesar das distinções desses processos é por meio de sua relação e 
influência que vocês, caros, estudantes, poderão entender melhor a dinâmica 
da mente, pois eles interagem entre si o tempo todo. 
Assim, esses oito processos básicos salientados são os recursos que nós 
temos para nos adaptarmos ao mundo, ou seja, o que chamamos na 
psicologia de comportamento humano. Tais fenômenos mentais internos nos 
permitem modificar nosso ambiente e nossa realidade para a adaptação ao 
meio. Assim, cabe destacar em maiores detalhes um pouco mais desses oito 
processos psicológicos básicos elencados. 
O primeiro processo é a emoção. A emoção é considerada como um 
estado mental subjetivo associado a uma variedade de sentimentos, 
comportamentos e pensamentos (DE CAMARGO, 1999). A emoção pode 
desempenhar um papel central nas atividades do ser humano, já que são as 
responsáveis pela alteração de outros fenômenos. Alguns pesquisadores a 
consideram como resultante de influências aprendidas e inatas. Assim é que 
são definidas como reações aos estímulos externos que nos permitem guiar o 
comportamento e agir rapidamente em resposta às demandas do ambiente. É 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
71 
importante entender que qualquer decisão é mediada por nossas emoções 
em maior ou menor grau. 
O segundo processo é a percepção. A percepção é a encarregada de 
que tenhamos uma imagem da realidade do nosso meio. É esta que nos dá a 
informação dos estímulos externos através dos sentidos, por exemplo a 
percepção dos bebês como salientado por Tristão e Feitosa (2003). Isto posto, 
destaca-se que a percepção é a responsável por organizar e dar significado a 
qualquer estímulo sensorial. A sua função, portanto, é adaptativa, pois nos 
permite conhecer o ambiente e interagirmos com ele. Em suma, a percepção 
nos capacita a captar os estímulos do meio paraprocessamento da 
informação. Os órgãos dos sentidos são responsáveis pela captação das 
informações, ou seja, o processamento cerebral depende da visão, olfato, tato, 
entre outros sentidos. 
O terceiro processo é a atenção. A atenção é o processo encarregado de 
concentrar os recursos em uma série de estímulos e ignorar o restante. Em 
outras palavras é o que ocorre quando recebemos uma grande quantidade de 
estímulos que não podemos atender ao mesmo tempo (BARBOSA et al., 
2013). O processo de atenção é adaptativo porque, se não existisse, ficaríamos 
perdidos sem saber a que estímulo deveríamos reagir. 
O quarto processo é a memória. A memória é o que permite a 
codificação das informações para armazená-las e depois recuperá-las (DE SÁ, 
2007). Este é um dos mais importantes processos, pois está totalmente 
relacionado com todos os outros processos (por exemplo o pensamento, a 
linguagem e a aprendizagem). É a memória que nos permite lembrar 
informações explícitas (exemplo: qual o seu nome?) ou informações 
procedimentais (como andar de bicicleta). É de extrema importância termos 
informações sobre nossas experiências passadas para, então, criar expectativas 
futuras. 
O quinto processo é o pensamento. O pensamento é a capacidade de 
compreender, formar conceitos e organizá-lo. Estabelece relações entre os 
conceitos por meio de elementos de outras funções mentais e constroem 
novas representações (VYGOTSKY, 2008). O pensamento possibilita a 
associação de dados e sua transformação em informação estando 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
72 
consequentemente associado com a resolução de problemas, tomadas de 
decisões e julgamentos. Na Psicologia esse é um dos processos mais 
complexos, por ser o responsável por transformar a informação para organizá-
la e lhe dar sentido. A função do pensamento é atuar como mecanismo de 
controle diante das situações que nos são apresentadas. 
O sexto fenômeno é a linguagem. A linguagem é o que nos fornece a 
capacidade de nos comunicarmos uns com os outros, porque somo seres 
sociais (MIRANDA; SENRA, 2012). Esta comunicação, no caso dos humanos, é 
realizada através de um código simbólico complexo, que é a língua. A 
complexidade de nosso idioma nos permite descrever com precisão quase 
qualquer coisa, seja no passado, no presente ou no futuro. A linguagem 
reflete a capacidade de pensamento, que se uma pessoa tiver um transtorno 
de pensamento, imediatamente a sua linguagem poderá ser prejudicada. 
Junto aos processos cognitivos é que a linguagem se desenvolve e se as 
habilidades das funções mentais são crescentes assim os recursos linguísticos 
também serão. 
O sétimo processo é a motivação. A motivação é a responsável por 
fornecer ao corpo recursos para desempenhar comportamentos. Assim, ativa 
o corpo e o coloca no estado ideal. A motivação não apenas prepara o corpo, 
mas também se encarrega de dirigir a conduta entre as opções possíveis 
(TODOROV; MOREIRA, 2005). A sua principal função é fazer com que o 
indivíduo direcione a conduta em direção a suas metas e objetivos. 
O oitavo e último processo é a aprendizagem. A aprendizagem é o 
processo pelo qual modificamos e adquirimos conhecimentos, habilidades, 
experiências, comportamentos, entre outros fenômenos (OLIVEIRA, 2010). A 
aprendizagem está totalmente ligada à memória. O estudo da aprendizagem, 
portanto, muitas vezes é dado pelo ramo psicológico comportamental, o qual 
nos fornece as teorias do condicionamento clássico e operante, que explicam 
os mecanismos por meio dos quais aprendemos. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
73 
 
Seção 15 - Psicopatologias 
 
Bem, vamos iniciar essa seção apresentando a etimologia da palavra 
Psicopatologia. Psique, significa mente (como já vimos lá na nossa primeira 
etapa). Já Pathos, significa sofrimento ou doença. E por fim, Logo ou Logia, 
significa conhecimento. 
Assim, podemos investigar um pouco sobre as Psicopatologias. A 
Psicopatologia é foco de muitos estudos nas áreas da Psicologia, Psiquiatria e 
Psicanálise. No campo Psicológico, por sua vez, faz parte da Psicologia Clínica, 
Psicologia Geral e Psicologia ligada às neurociências e pode ser caracterizada 
como o estudo descritivos dos fenômenos psíquicos não normais. É a 
responsável por estudar estudando comportamentos, expressões e relatos 
autodescritivos da pessoa diagnosticada. 
Tal junção de palavras aqui apresentadas resulta então na significação de 
que o paciente adoece de uma causa que ele mesmo desconhece e que faz 
com que reaja na maioria das vezes de forma imprevista. Assim é que essa á 
uma disciplina que estuda o sofrimento da mente e as doenças psíquicas. 
Se para os romanos, posição significava lugar onde uma pessoa ou coisa 
estaria colocada, para os gregos, a noção de posição é de natureza muito 
mais relacional. Da posição determinada pela postura do corpo, diferenciavam 
pelo menos duas outras: a do historiador, que não inventa, apenas ouviu falar 
por aí, e a do teatro, que mostrava o corpo humano em um estado natural de 
pathos (sofrimento). 
Em estudo recente, Manoel Tosta Berlinck em 2018 publicou um artigo 
salientando que se pensar o psiquismo e o aparelho psíquico como 
prolongamentos do sistema imunológico e já que, pathos é sempre somático, 
a psique é, seguindo a tradição socrática, estritamente corporal. É próprio da 
Psicopatologia Fundamental, reconhecer a existência de múltiplas posições 
corporais-discursivas e reconhecer que aqueles que ocupam outras posições 
reconheçam a especificidade de sua posição. A partir do conceito de posição, 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
74 
e seus desdobramentos em pathos e logos, Berlinck (2018) desenvolve sua 
concepção de Psicopatologia Fundamental. 
Essa área do conhecimento, busca estudar os estados psíquicos 
relacionados ao sofrimento mental do indivíduo e pode ser 
compreendido por diferentes objetivos, métodos e questões, pois além 
de ter como base disciplinas como a biologia e a neurociências, ainda se 
constitui de outras áreas de conhecimento como psicologia, 
antropologia, sociologia, filosofia, linguística e história. Portanto, o 
sofrimento mental é compreendido pela combinação desses saberes. 
Paulo Dalgalarrondo é um dos principais estudiosos sobre essa área. 
Professor Titular de Psicopatologia da Faculdade de Ciências Médicas da 
Unicamp e Doutor em Medicina pela Universidade de Heidelberg, Alemanha. 
Dalgalarrondo é o responsável pela construção do livro Psicopatologia e 
Semiologia dos Transtornos Mentais. Esse livro é referência nacional na área e 
já está em sua segunda edição. É considerado como uma fonte introdutória 
de reflexão sobre a psicopatologia e auxilia o leitor no aprendizado do exame 
acurado do paciente, ajudando-o na identificação dos diversos transtornos 
psiquiátricos. 
Para quem quiser se aprofundar na temática esse livro-texto irá ajudar 
muito. Há transtornos comumente conhecidos, por exemplo: 
 transtorno de ansiedade 
 ataques de pânico 
 transtorno fóbicos 
 fobia social 
 agorafobia 
 transtorno obsessivo compulsivo (TOC) 
 transtorno de humor e bipolar 
 transtorno alimentar 
 transtorno depressivo 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
75 
 esquizofrenia 
 transtornos de personalidade borderline (TPB) 
Embora tenhamos alguns transtornos mais comuns, o livro avança em 
aspectos detalhados de cada um deles e de suas especificidades. Assim é que 
o homem, sua cultura e a sociedade está no engendro de tais questões, sendo 
todo, sobremaneira, afetados pelas concepções da Psicopatologia. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
76 
 
Seção 16 - Relação entre psicologia, 
 sociologia e antropologia 
 
Alguns autores como Christina Toren salientam a relação existente entre 
esses campos de saberes. Segundo Toren (2012), os antropólogos que 
trabalham na interface entre psicologia e antropologia, por exemplo, estão de 
modo geral comprometidos coma antropologia como ciência. 
O problema para nós, entretanto, é que, no final do século XIX e início de 
século XX, o desenvolvimento institucional das ciências humanas segmentou 
entre diferentes disciplinas os diversos aspectos do que deve ser considerado 
o humano. Em face dos domínios epistemológicos separados da antropologia, 
psicologia, sociologia, linguística, filosofia e biologia, os cientistas da última 
metade do século XX viram-se na necessidade de trabalhar arduamente para 
de novo reunir essas peças - corpo e mente, por exemplo. 
Contudo, Toren (2012) destaca que como ocorre com frequência, novos 
domínios subdisciplinares concebidos para superar dificuldades conceituais 
serviram mais propriamente para entrincheirá-las. Os anos de 1970 assistiram 
à invenção da antropologia psicológica e a década seguinte trouxe-nos a 
psicologia cultural. 
Assim, nos anos de 1990 redescobrimos o corpo e a fenomenologia e, ao 
mesmo tempo, testemunhamos o ressurgimento da antropologia cognitiva, a 
qual durante a primeira década do século XXI parece dominar o campo, 
contribuindo para o desenvolvimento do que hoje se chama ciência cognitiva. 
Nas próximas décadas, a antropologia cognitiva continuará dominando nosso 
entendimento da mente se seu projeto intelectual for capaz de enfrentar as 
reais implicações políticas do conceito a-histórico de ser humano que se 
encontra em seu âmago. 
Toren (2012) argumenta exatamente ao oposto aos modelos 
cognitivistas, tendo em vista a incapacidade destes em lidar com a 
realidade histórica humana, em geral, e com sua própria natureza 
histórica, em particular. Assim, não obstante o trabalho muitas vezes 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
77 
fascinante realizado nos vários subcampos da antropologia, e apesar da 
explosão do conhecimento em outros domínios subdisciplinares - a 
neurobiologia e a neurociência, por exemplo -, a interface entre a 
antropologia e a psicologia continua a destacar uma questão que permanece 
fundamental para as ciências humanas, incluindo a antropologia: como 
devemos conceber os seres humanos? A resposta que dermos a essa questão 
é importante, porque ela estrutura não somente o que conhecemos 
atualmente sobre nós mesmos e os outros, mas também o que somos 
capazes de descobrir. 
O reconhecimento de nossa natureza histórica, portanto, proporciona 
uma resolução dos debates concernentes à validade relativa de modelos 
representacionais, socioconstrutivistas e neurofenomenológicos da mente 
(TOREN, 2012). Assim é que a relação entre os campos de saberes é estreita e 
merece maior atenção dos pesquisadores ao falarmos da complexa tríade 
homem-cultura-sociedade. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
78 
 
 Seção 17 - Relações entre cultura, diversidade 
 cultural e desigualdade social 
 
Se pesquisarmos de uma maneira bem breve no maior indexador de 
pesquisas acadêmicas do mundo Google Scholar, o significado de cultura é 
apresentado como um complexo que inclui o conhecimento, arte, crenças, lei, 
moral, costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano 
em uma sociedade. Nesse contexto, destaca-se a diversidade cultural, uma vez 
que cada país tem a sua própria cultura, que muitas vezes é influenciada por 
diferentes fatores. 
A nossa cultura, por exemplo, a cultura brasileira é marcada por 
características singulares na música, na alimentação, no estilo de 
vestimenta, cor de cabelos, e até a escolha da profissão. Todo o 
desenvolvimento do país está intimamente ligado aos aspectos culturais 
que possui. 
Assim é que destacamos as divergências culturais como esse conjunto de 
ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais, aprendidos de geração 
em geração através da vida em sociedade. Tal como uma herança social da 
humanidade ou ainda, de forma específica, uma determinada variante da 
herança social. A cultura é também um mecanismo cumulativo porque as 
modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, onde vai 
se transformando, perdendo e incorporando outros aspetos procurando assim 
melhorar a vivência das novas gerações. 
Assim, podemos dizer, caros estudantes, que a cultura é um conceito que 
está sempre em desenvolvimento, porque com o passar do tempo ela é 
influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do 
ser humano. Além disso, ao enfatizar esses aspectos culturais ratifica a 
desigualdade social existente nas múltiplas culturas (ALVES, 2010). 
Por isso, eu lhe pergunto: Você já pensou porque o comportamento dos 
indivíduos varia de lugar para lugar? Assim como varia também ao longo do 
tempo? 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
79 
É muito comum ouvirmos alguém falar, por exemplo, “lá no meu país, isto 
não aconteceria” ou “quando eu era criança, isto não era aceito desse jeito”. 
Esses questionamentos só nos levam a refletir sobre diferenças culturais, 
tomando, como referência, a ideia de que todo grupo social possui uma 
maneira própria de viver, marcada, sobretudo, pela diversidade cultural. Assim 
é que os grupos humanos vivem de maneira diferente e apresentam 
comportamentos bastante diversos, em variados tempos e lugares. 
A rica diversidade cultural do Brasil, em particular, em muitos momentos, 
tais diferenças podem se transformar em objeto de desigualdade social 
preconceito, discriminação ou racismo. É por isso que refletir melhor sobre 
essas questões na nossa disciplina é de ímpar importância no estudo do 
homem, cultura e sociedade. 
Portanto, concluímos essa seção destacando que diversidade cultural e 
desigualdade social são completamente diferentes. Desigualdade social faz 
referência à diferença entre as classes sociais e aos rendimentos de cada 
classe. Diversidade cultural faz referência à vasta quantidade de culturas 
diferentes existentes em um nosso território. 
No Brasil, a associação entre os termos desigualdade social e diversidade 
cultural é possível, pois apesar de nossa diversa formação cultural, a exclusão 
social apresenta-se como um fator de exclusão que se manifesta, 
majoritariamente, por meio da diferença entre as diversas culturas que 
formam a população brasileira. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
80 
 
Seção 18 - Ser humano como produtor de 
conhecimento, significados sociais e simbólicos 
 
O fato é que, caros, estudantes, estamos caminhando em uma discussão 
árdua sobre os seres humanos e seus aspectos culturais e sociais. No entanto, 
de igual modo aos outros animais, o homem também reproduziu meios de 
convivência em comunidade, além de ter desenvolvido formas de 
sobrevivência e defesa. Em outras palavras, a sociedade. 
 Contudo, fez isso da forma mais complexa possível, produzindo 
sociedades, valores, costumes, e culturas. Se por um lado existem 
habilidades humanas que podem ser dadas por instinto, há outras que 
requerem treino e muito aprendizado. 
Os conhecimentos adquiridos pelo homem, os significados sociais e 
simbólicos criaram formas específicas de interagir com a natureza e entre si 
para suprimento de sua própria necessidade. Assim é que tal aprendizado é 
transmitido através das gerações, por meio dos processos de socialização e de 
interação social. Isso significa dizer que uma condição de isolamento total de 
qualquer um de nós, desde o nascimento, impediria o desenvolvimento de 
características consideradas de fato humanas. Já conversamos sobre indivíduo 
e indivíduos, não é mesmo? 
O filme do menino lobo, po exemplo, nos mostra todo conhecimento, 
significados sociais e simbólico adquirido por ele. Isso mostra que a 
habilidade em poder se comunicar com o mundo a sua volta é de extrema 
importância para o ser humano. Isso nos faz pensar na enorme importância da 
linguagem, assim como nos sistemas de símbolos como um todo. Os símbolos 
e as interações são importantes para a transmissão do conhecimento através 
da comunicação. 
Nessa vertente, a cultura é entendida comouma teia de significado 
produzida dentro um sistema compartilhado pelos membros de cada 
sociedade. Cada indivíduo não compreende ou representa a totalidade de 
uma dada cultura, mas ela é representada mediante mitos, rituais, símbolos. 
Assim, a cultura é um sistema de símbolos. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
81 
 
Símbolos são veículos da cultura. O símbolo não se limita às 
representações pictóricas de um objeto, mas compreendem todas 
representações atribuídas por um grupo sociocultural. Um símbolo resulta da 
associação de um objeto com outro. Comportamentos, imagens, a 
organização social, rituais e a percepção do mundo são associados entre si, 
gerando significados. 
Como sistema, portanto, os símbolos são construídos socialmente por um 
processo contínuo e são dependentes dos contextos e de outras variáveis, 
inclusive materiais e mesmo simbólicas. A origem dos símbolos seriam, 
portanto, sociais, não oriundas de processos mentais como queriam os 
psicanalistas ou estruturalistas. 
Por fim, cabe nos enfatizar que tais questões impactam todas as áreas de 
desenvolvimento de nossa vida, sobretudo às práticas pedagógicas que são 
responsáveis por todo o desenvolvimento humano desde a educação infantil 
até a pós-graduação. Assim é que Candau (2011) salienta a relação das 
Diferenças culturais, cotidiano escolar e práticas pedagógicas. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
82 
 
 Seção 19 - Sociologia clássica 
 
Não se assustem com o nome estudante. Mesmo falando da Sociologia 
clássica, a comunidade é um dos conceitos de maior importância, desde o 
seu nascimento. A Sociologia volta-se o tempo todo para os problemas que 
o homem enfrenta na rotina diária. Ela pretende ser um conhecimento 
científico sobre a realidade social e, enquanto tal, visa estabelecer teorias, bem 
como confrontá-las com a realidade. 
Em uma perspectiva histórica, a primeira corrente teórica sistematizada de 
pensamento sociológico foi o positivismo. Seu primeiro representante foi 
Auguste Comte. Tinha a crença no poder exclusivo e absoluto da razão 
humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob forma de leis naturais. Seu 
conhecimento pretendia substituir as explicações teológicas, filosóficas e de 
senso comum por meio das quais – até então – o homem explicava a 
realidade. 
A própria sociedade foi concebida como um organismo constituído de 
partes integradas e coesas que funcionavam, harmonicamente, segundo um 
modelo físico ou mecânico. Por isso o positivismo também foi chamado de 
organicismo. 
Nesse ínterim, para o filósofo francês Émile Durkheim, na vida em 
sociedade o homem defronta com regras de conduta que não foram 
diretamente criadas por ele, mas que existem e são aceitas na vida em 
sociedade, devendo ser seguidas por todos. Seguindo essas ideias, Durkheim 
afirma que os fatos sociais, ou seja, o objeto de estudo da Sociologia, são 
justamente essas regras e normas coletivas que orientam a vida dos 
indivíduos em sociedade. 
Diferentemente de Durkheim, Karl Marx considerava que não se pode 
pensar a relação indivíduo-sociedade separadamente das condições materiais 
em que essas relações se apoiam. Para viver, os homens têm de, inicialmente 
transformar a natureza Para Marx, a produção é a raiz de toda a estrutura 
social. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
83 
 
Assim é que entendendo um pouco da perspectiva histórica, 
podemos afirmar que sua relevância permanece tal que o debate em 
torno de sua definição é contínuo, adentrando a teoria social 
contemporânea. 
De acordo com Alan Delazeri Mocellim em seu artigo publicado na 
Revista de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo, recorrente nesse 
debate é a dicotomia entre comunidade e sociedade e entre a forma de vida 
tradicional e a moderna. Neste artigo, o autor debate algumas das principais 
teorizações clássicas e contemporâneas sobre a ideia de comunidade, 
enfocando principalmente as teorias que contrapõem as relações sociais 
comunitárias e a individualização característica da vida moderna demarcando 
divergências e similitudes entre as diferentes abordagens. 
 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
84 
 
Seção 20 - Subjetividade humana 
 
Chegamos na nossa última seção, estudante. Que bom que você veio até 
aqui. Bem o nosso último tópico a ser abordado é sobre a subjetividade 
humana. 
A Subjetividade é caracterizado como algo que varia de acordo com o 
julgamento de cada pessoa, consistindo num tema que cada indivíduo pode 
interpretar da sua maneira, ou seja, o que é subjetivo. 
Assim, a subjetividade humana diz respeito ao sentimento de cada pessoa, 
como a sua opinião sobre determinado assunto. Aita e Facci (2011) realizaram 
uma investigação que ocorreu por meio de pesquisa bibliográfica sobre a 
concepção de subjetividade na perspectiva da Psicologia histórico-cultural e 
pela análise de 51 artigos selecionados na biblioteca eletrônica Scielo pelas 
palavras-chave "subjetividade" e "educação". 
Os autores apresentaram considerações sobre as diversas formas de 
compreender a subjetividade presentes nos artigos consultados e a análise 
acerca da compreensão da subjetividade. Por meio desta pesquisa, portanto, 
pôde-se observar que existem várias compreensões acerca do conceito de 
subjetividade, mesmo entre aqueles autores que abordam o tema sob uma 
mesma perspectiva teórica. Diante disso, destaca-se a importância de se 
compreender o que é subjetividade, valendo-se da lógica dialética, 
considerando o quanto esta é constituída por meio das relações sociais de 
produção. 
De acordo com a análise de Aita e Facci (2011) estamos ainda muito 
longe de ter como guia a lógica dialética para compreender a 
subjetividade. Confirma Saviani (2004), a solução do impasse entre 
individualidade e universalidade está na dialética. Segundo ele, a Psicologia 
não deveria ter como objeto de estudo o indivíduo empírico e sim o indivíduo 
concreto. É preciso compreender o indivíduo como fruto de relações sociais, 
como um indivíduo sócio-histórico, conforme anunciamos anteriormente. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
85 
 
A essência humana não é abstrata e nem algo interior de cada 
indivíduo isolado, mas consiste no conjunto de relações sociais (AITA; 
FACCI, 2011). Dessa forma, não é universal e desligada da existência, e sim, 
fundamentalmente, um produto das relações sociais de produção, uma 
essência construída tomando-se por base uma existência prática. 
Os homens não são todos iguais, e as enormes diferenças existentes entre 
eles não se devem fundamentalmente às suas diferenças corporais, aos seus 
aspectos exteriores e biológicos, e sim são decorrentes das enormes 
diferenças e condições do modo de vida, da riqueza da atividade material e 
mental, do nível de desenvolvimento das formas e aptidões intelectuais. 
Por fim, as consideráveis diferenças existentes entre os homens se dão 
pela desigualdade econômica existente entre as classes sociais. Por isso, 
destaca que destruição das relações sociais assentes na exploração do homem 
pelo homem, que engendram esse processo, só ela pode pôr fim e restituir a 
todos os homens a sua natureza humana, em toda a sua simplicidade e 
diversidade. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
86 
 
Referências Bibliográficas 
 
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pautada na Psicologia histórico-cultural. Psicologia em Revista Belo 
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ALVES, Elder Patrick Maia. Diversidade cultural, patrimônio cultural material e 
cultura popular: a Unesco e a construção de um universalismo global. 
Sociedade e Estado, v. 25, n. 3, p. 539-560, 2010. 
BARBOSA, Antônio Carlos et al. Prática do processo psicológico básico 
atenção em jovens da comunidade. Cippus, v. 2, n. 2, p. 191-204, 2013. 
BERLINCK, Manoel Tosta. O que é Psicopatologia Fundamental. Revista 
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46-59, Mar. 1998. 
CANDAU, Vera Maria Ferrão. Diferenças culturais, cotidiano escolar e práticas 
pedagógicas. Currículo sem fronteiras, v. 11, n. 2, p. 240-255, 2011. 
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos 
mentais. Artmed Editora, 2018. 
DE CAMARGO, Denise. Emoção, primeira forma de comunicação. Interação 
em Psicologia, v. 3, n. 1, 1999. 
DE SÁ, Celso Pereira. Sobre o campo de estudo da memória social: uma 
perspectiva psicossocial. Psicologia: Reflexão & Crítica, 2007. 
MIRANDA, Josete Barbosa; SENRA, Luciana Xavier. Aquisição e 
desenvolvimento da linguagem: contribuições de Piaget, Vygotsky e 
Maturana. O portal dos psicólogos, p. 1-16, 2012. 
MOCELLIM, Alan Delazeri. A comunidade: da sociologia clássica à sociologia 
contemporânea. Plural-Revista de Ciências Sociais, v. 17, n. 2, p. 105-128, 
2010. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
87 
NEVES, Rita de Araujo; DAMIANI, Magda Floriana. Vygotsky e as teorias da 
aprendizagem. 2006. 
OLIVEIRA, Maria Margarida Gomes de. Processos cognitivos básicos 
implicados nas dificuldades de aprendizagem específicas. 2010. 
Dissertação de Mestrado. Universidade Fernando Pessoa. Portugal, Porto. 
SAVIANI, Dermeval. Perspectiva marxiana do problema subjetividade-
intersubjetividade. Crítica ao fetichismo da individualidade. Campinas: 
Autores Associados, p. 21-52, 2004. 
TODOROV, João Cláudio; MOREIRA, Márcio Borges. O conceito de motivação 
na psicologia. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. 
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TOREN, Christina. Antropologia e psicologia. Revista Brasileira de Ciências 
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TRISTÃO, Rosana Maria; FEITOSA, Maria Angela Guimarães. Percepção da fala 
em bebês no primeiro ano de vida. Estudos de psicologia, v. 8, n. 3, p. 459-
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VYGOTSKY, Lev Semenovich et al. Pensamento e linguagem. 2008. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
88 
 
Leitura Complementar 
 
ALVES, Giovanni. Trabalho e subjetividade: o espírito do toyotismo na era 
do capitalismo manipulatório. Boitempo Editorial, 2015. 
DURKHEIM, Emile. Educação e sociologia. Leya, 2019. 
LEÃO, Rodrigo Augusto. Teoria Sociológica Clássica: o fenômeno religioso em 
Durkheim, Marx e Weber. Revista Brasileira de História das Religiões, v. 8, n. 
22, p. 09-23, 2015. 
MANSANO, Sonia Regina Vargas. Sujeito, subjetividade e modos de 
subjetivação na contemporaneidade. Revista de Psicologia da UNESP, v. 8, n. 
2, 2018. 
MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. Ubu Editora LTDA-ME, 2018. 
MAUSS, Marcel; HUBERT, Henri. Esboço de uma teoria geral da magia:(in 
Sociologia e antropologia). Ubu Editora LTDA-ME, 2018. 
RAMOS, FRANCICLEO CASTRO. Socialização e cultura escolar no Brasil. 
Revista Brasileira de Educação, v. 23, 2018. 
PANSANI, Clóvis. Pequeno dicionário de sociologia. Autores Associados, 
2018. 
VIANA, Nildo. Introdução à sociologia. Autêntica, 2017. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
89 
 
Finalizando a Etapa 3 
 
Caros estudantes, 
Mais uma vez ressalto para a importância de testar seus conhecimentos 
realizando algumas atividades de autoavaliação disponíveis no seu ambiente 
virtual de aprendizagem. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. 
Diante disso, finalizamos a nossa terceira etapa e fechamos a disciplina 
atingindo o objetivo geral proposto para essa etapa que foi o de avançar um 
pouco mais nos conceitos-chave dos processos psicológicos, bem como 
compreender a sua relação com a sociologia e com a antropologia. 
Portanto, caros estudantes, encerramos a última etapa com uma 
abordagem sistemática em que o homem é produtor de conhecimento e 
significados e dando ênfase aos aspectos da subjetividade nesse contexto. 
Assim, concluímos o processo de aprendizagem acerca do homem, cultura e 
sociedade com essa disciplina, mas quem quiser se aprofundar ainda mais em 
tais conceitos pode recorrer ao estudo das bibliografias principais e 
bibliografias complementares. 
Por último, deixo minha gratidão por terem acompanhado a disciplina 
Homem, Cultura e Sociedade, no qual abordando todos os tópicos relevantes, 
deixamos clara a importância de estudar esses conceitos em diferentes áreas 
de atuação profissional, sobretudo de nível superior. Foi um prazer trabalhar 
com vocês, caros estudantes. 
 
 
Um grande abraço, 
 
Bons estudos! 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
90 
 
Exercícios – Etapa 3 
 
1) Sobre os Processos Psicológicos Básicos, é correto afirmar que: 
a) Os Processos podem derivar das interações inatas e adquiridos na 
experiência e vivência com o meio 
b) Os Processos podem derivar apenas das interações inatas 
c) Os Processos derivam somente na vivência com o meio, pois é totalmente 
construtivo 
d) Os Processos são iguais para todas as pessoas porque todos nascem com 
ele já desenvolvidos 
e) Os Processos dos animais e dos seres humanos são os mesmos, só mudam 
a nomenclatura 
2) Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso: 
a) Não há relação entre a Psicologia e a Antropologia ( ) 
b) É possível pensar fenômenos sociais e psicológicos ( ) 
c) É importante o reconhecimento de nossa natureza histórica para construção 
da sociedade( ) 
d) A ciência cognitiva está ligada a antropologia cognitiva ( ) 
e) A antropologia psicológica está ligada a psicologia cultural. ( ) 
3) Como podemos definir as Psicopatologias? 
a) Psique, significa mente, por isso é o estudo do córtex frontal responsável 
pela mente humana 
b) Pathos, significa sofrimento ou doença 
c) Significa estudar o papel do psiquiatra acerca das doenças psicológicas 
d) É o estudo dos estados psíquicos relacionados ao sofrimento mental 
d) Tem como objetivo curar a sociedade 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
91 
e) Nenhuma das anteriores 
4) Sobre os aspectos culturais, é correto afirmar que: 
a) A cultura é individual, cada indivíduo tem a sua e não pode ser 
compartilhada 
b) A cultura é um conceito que está sempre em desenvolvimento 
c) A cultura não pode ser influenciada por novas maneiras de pensar 
d) A cultura não está ligada ao desenvolvimento do ser humano 
e) A cultura é um aspecto exclusivamente inato 
5) Estudamos que o ser humano é produtor de conhecimento, nesse 
sentido, é possível afirmar que: 
a) Os conhecimentos adquiridos pelo homem, os significados sociais e 
simbólicos criaram formas específicas de interagir com a natureza e entre si 
b) Isso ocorre para suprimento de sua própria necessidade 
c) Assim é que o conhecimento é transmitido através das gerações, por meio 
dos processos de socialização e de interação social 
d) Isso significa que uma condição de isolamento total, desde o nascimento 
da pessoa, impediria o desenvolvimento de características humanas 
específicas 
e) Todas as alternativas estão corretas 
6) O filósofo francês Émile Durkheim foi um grande contribuinte para: 
a) Sociologia Clássica, em seu estudo sobre os fatos sociais 
b) Sociologia contemporânea, após a sua primeira publicação científica em 
2015 
c) Psicologia, quando desenvolveu as fases do desenvolvimento cognitivo 
infantil 
d) Antropologia Clássica, pois estuda os homens em particular e não sua 
interação social 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
92 
e) Medicina, pois ele compreendia bem os aspectos das doenças mentais 
7) De acordo com a subjetividade humana, assinale (V) para verdadeiro e 
(F) para falso: 
a) A essência humana não é abstrata, mas consiste no conjunto de relações 
sociais ( ) 
b) A essência do ser humano não é algo interior de cada indivíduo isolado ( ) 
c) A subjetividade humana diz respeito ao sentimento de cada pessoa ( ) 
d) Experiências passadas não contribuem para a subjetividade humana ( ) 
e) Os aspectos culturais não podem influenciar a subjetividade de uma pessoa 
( ) 
8) É possível pensar sobre diferençasculturais? 
a) Não, porque cada pessoa tem a sua cultura em particular 
b) Sim porque a cultura depende exclusivamente dos aspectos genéticos 
c) Não, porque só existe uma cultura internacional para todos 
d) Sim, porque todo grupo social possui uma maneira própria de viver 
e) Não, porque essas diferenças não existem são apenas a maneira de agir da 
pessoa 
9) A partir dos conceitos estudados, qual a importâncias dos oito 
processos psicológicos básicos? 
10) Diante do conteúdo, explique as divergências culturais? 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
93 
GABARITO 
1. A 
2. F, V, V, V, V 
3. D 
4. B 
5. E 
6. A 
7. V, V, V, F, F 
8. D 
9 – Os oito Processos Psicológicos Básicos do ser humano estudados na 
disciplina foram emoção; percepção; atenção; memória; pensamento; 
linguagem; motivação; e aprendizagem. A importância de tais funções é a de 
que são básicas para a vivência do ser humano, uma vez que podem derivar 
tanto das interações de processos inatos quanto de processos adquiridos na 
experiência e vivência do sujeito com o meio. Apesar das distinções desses 
processos é por meio de sua relação e influência que podemos entender 
melhor a dinâmica da mente, pois eles interagem entre si o tempo todo. 
10 – As divergências culturais são um conjunto de ideias, comportamentos, 
símbolos e práticas sociais, aprendidos de geração em geração através da vida 
em sociedade. Tal como uma herança social da humanidade ou ainda, de 
forma específica, uma determinada variante da herança social. Assim, 
podemos dizer que a cultura é um conceito que está sempre em 
desenvolvimento, porque com o passar do tempo ela é influenciada por novas 
maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano. 
Homem, Cultura e Sociedade 
 
94 
 
 
Conhecendo o autor 
 
 
Olá, pessoal. 
Meu nome é Luara Carvalho, e aproveito para salientar que foi um prazer 
trabalhar com vocês. 
Sou Psicóloga e Mestre em Psicologia na linha de pesquisa Cognição Social, 
Organizações e Trabalho pela Universidade Salgado de Oliveira com foco na 
satisfação de trabalhadores brasileiros com ou sem vínculo empregatício. 
Também curso Doutorado em Psicologia, nessa mesma linha, e sou Pós-
Graduada em Docência do Ensino Superior. Trabalhei na Rede de Saúde 
Mental do Município de Niterói e atualmente atuo como Docente na 
Graduação e Pós-Graduação na área de Ciências Humanas. Sou Associada da 
Associação Brasileira de Orientação Profissional – ABOP e tenho pesquisado 
os temas: planejamento de carreira; identidade profissional; educação 
superior; e satisfação no trabalho. 
 
Um grande abraço, 
 
Profª. Luara Carvalho. 
 
 
 
nexos A

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