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Homem, Cultura e Sociedade 1 Homem, Cultura e Sociedade Luara Carvalho Ribeiro da Motta 1 ª e d iç ã o Homem, Cultura e Sociedade 2 DIREÇÃO SUPERIOR Chanceler Joaquim de Oliveira Reitora Marlene Salgado de Oliveira Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA Gerência Nacional do EAD Bruno Mello Ferreira Gestor Acadêmico Diogo Pereira da Silva FICHA TÉCNICA Texto: Luara Carvalho Ribeiro da Motta Revisão Ortográfica: Rafael Dias de Carvalho Moraes Projeto Gráfico e Editoração: Antonia Machado, Eduardo Bordoni, Fabrício Ramos e Victor Narciso Supervisão de Materiais Instrucionais: Antonia Machado Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos COORDENAÇÃO GERAL: Departamento de Ensino a Distância Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói Bibliotecária: ELIZABETH FRANCO MARTINS – CRB 7/4990 Informamos que é de única e exclusiva responsabilidade do autor a originalidade desta obra, não se responsabilizando a ASOEC pelo conteúdo do texto formulado. © Departamento de Ensino a Distância - Universidade Salgado de Oliveira Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Homem, Cultura e Sociedade 3 Palavra da Reitora Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo, exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSOEAD, que reúne os diferentes segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero bem-sucedidas mundialmente. São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se responsável pela própria aprendizagem. O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo o momento, ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de nossa plataforma. Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos. A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização, graduação ou pós-graduação. Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona. Seja bem-vindo à UNIVERSOEAD! Professora Marlene Salgado de Oliveira Reitora. Homem, Cultura e Sociedade 4 Homem, Cultura e Sociedade 5 Sumário Apresentação da disciplina ....................................................................................................... 6 Plano da disciplina ........................................................................................................................ 7 Objeto de Aprendizagem – Etapa 1 ...................................................................................... 9 Objeto de Aprendizagem – Etapa 2 ...................................................................................... 46 Objeto de Aprendizagem – Etapa 3 ...................................................................................... 69 Conhecendo o autor .................................................................................................................... 94 Homem, Cultura e Sociedade 6 Apresentação da Disciplina Olá, estudante! Essa disciplina é nomeada como Homem, Cultura e Sociedade e tem como objetivo instrumentalizar vocês a respeito desse assunto. Cabe apontar que discutir questões sobre cultura e sociedade é de grande importância em diversos cursos de graduação. Isso pode ser afirmado devido às grandes mudanças que temos vivido no nosso país e no mundo, no que diz respeito aos aspectos culturais e comportamentais da sociedade. Ao longo da disciplina, iremos então, conversar sobre essas questões, sobretudo em alguns pontos fundamentais, tais como: (1) A antropologia cultural aplicada ao estudo das sociedades complexas, bem como alguns dos seus objetos de análise; (2) A construção das identidades sociais e da memória coletiva; (3) A sociedade capitalista contemporânea; (4) A antropologia cultural e a mudança de paradigma; (5) As relações entre indivíduo e sociedade, além de entre processo de individualização e socialização; (6) Aspectos políticos na contemporaneidade; (7) Caracterização da sociedade humana; (8) Cultura e diversidade: uma temática antropológica e contemporânea; (9) Identidade, temperamento, personalidade e caráter; (10) Indivíduo e autoconhecimento; (11) Introdução às três áreas das ciências sociais: antropologia, sociologia e psicologia (12) O evolucionismo social e a abordagem da diversidade cultural: história, evolução e progresso; (13) Processo grupal; (14) Processos psicológicos; (15) Psicopatologias; (16) Relação entre psicologia, sociologia e antropologia; (17) Relações entre o significado de cultura, de diversidade cultural e da desigualdade social no mundo contemporâneo; (18) Ser humano como produtor de conhecimento, significados sociais e simbólicos; (19) Sociologia clássica; e, por fim, (20) Subjetividade humana. Todos os 20 tópicos aqui apresentados serão 3 etapas da disciplina. Cabe salientar, também, que todos os conteúdos terão indicações de referências bibliográficas para que vocês possam acompanhar de maneira didática e científica os estudos que estão sendo desenvolvidos sobre tais temáticas. Bons estudos! Homem, Cultura e Sociedade 7 Plano da Disciplina O Plano da disciplina Homem, Cultura e Sociedade é composto de 6 unidades divindades em 3 etapas, que juntas, buscam englobar o objetivo geral de toda disciplina. Assim, cabe ressaltar que as unidades estão em separado, no entanto, possuem uma interligação entre elas, ao passo que é necessário ir evoluindo o estudo do conteúdo para que se alcance o objetivo final. A primeira unidade faz parte da primeira etapa, que é a inicial e composta dos quatros primeiros pontos da disciplina: (1) A antropologia cultural aplicada ao estudo das sociedades complexas, bem como alguns dos seus objetos de análise; (2) A construção das identidades sociais e da memória coletiva; (3) A sociedade capitalista contemporânea; e (4) A antropologia cultural e a mudança de paradigma. Essa composição tem como objetivo principal instrumentalizar vocês acerca dos estudos da antropologia cultural e da sociedade atual. Esse conceito é importante para que se entendao campo contemporâneo e como os processos identitários dos indivíduos são construídos mediante a isso. A segunda unidade, também faz parte da primeira etapa, que complementa a unidade anterior. É composta de mais quatro pontos da disciplina: (5) As relações entre indivíduo e sociedade e o processo de individualização e socialização; (6) Aspectos políticos na contemporaneidade; (7) Caracterização da sociedade humana; e (8) Cultura e diversidade: uma temática antropológica e contemporânea. O principal objetivo dessa unidade é complementar a primeira parte da disciplina caracterizando as relação indivíduo-sociedade no contexto cultural da atual realidade nacional. Já a terceira unidade, faz parte da segunda etapa, e apresenta três principais pontos: (9) Identidade, temperamento, personalidade e caráter; (10) Indivíduo e autoconhecimento; e (11) Introdução às três áreas das ciências sociais: antropologia, sociologia e psicologia O objetivo dessa unidade é Homem, Cultura e Sociedade 8 agora avançar um pouco mais nos conceitos teóricos-científicos acerca das variáveis até então estudadas, e entender em maiores detalhes as três grandes áreas das ciências sociais. A quarta unidade, também faz parte da segunda etapa, e é composta por mais dois pontos relevantes da disciplina: (12) O evolucionismo social e a abordagem da diversidade cultural: história, evolução e progresso; e (13) Processo grupal. O objetivo dessa unidade é o de evoluir o estudo para os conceitos grupais que tanto caracterizam a sociedade brasileira, sendo um dos fenômenos que merecem maior atenção dos pesquisadores e estudiosos da área. A quinta e penúltima unidade, portanto, faz parte da terceira etapa da disciplina. É composta por mais quatro tópicos da disciplina, respectivamente: (14) Processos psicológicos; (15) Psicopatologias; (16) Relação entre psicologia, sociologia e antropologia; e (17) Relações entre o significado de cultura, de diversidade cultural e da desigualdade social no mundo contemporâneo. O objetivo dessa unidade, em que já vamos caminhando para o final da disciplina, é então trazer alguns conceitos-chave dos processos psicológicos, bem como apresentar a sua relação com a sociologia e com a antropologia que já foram bem difundidas nas primeiras unidades. Por último, a sexta unidade é responsável por fechar a terceira etapa, e é composta dos três últimos pontos de aprendizagem, nomeadamente: (18) Ser humano como produtor de conhecimento, significados sociais e simbólicos; (19) Sociologia clássica; e (20) Subjetividade humana. O objetivo dessa última unidade é coroar o aprendizado de vocês sobre o assunto, com uma abordagem sistemática em que o homem é produtor de conhecimento e significados e enfatizar os aspectos da subjetividade nesse contexto. Assim, encerramos a disciplina Homem, Cultura e Sociedade abordando todos os tópicos relevantes e deixando clara a importância de estudar esses conceitos em diferentes áreas de atuação profissional, sobretudo de nível superior. Nesse sentido, a disciplina alcança o seu objetivo com as três etapas aqui propostas. Seja bem-vindo e aproveite os novos conhecimentos! Homem, Cultura e Sociedade 9 Objeto de Aprendizagem Etapa 1 1 Homem, Cultura e Sociedade 10 Bem, pessoal. Nessa primeira etapa nós vamos abordar as duas unidades iniciais da disciplina, em busca de entender melhor a antropologia cultural aplicada ao estudo das sociedades atuais, para que então, possamos entender um pouco mais sobre a construção de identidades sociais e memória coletiva. Além disso, faremos uma reflexão sobre as relações entre indivíduo e sociedade, bem como acerca dos aspectos políticos na contemporaneidade. Fecharemos essas duas primeiras unidades, portanto, com a apresentação de uma mudança de paradigma. Objetivos Analisar a antropologia cultural e seus estudos no campo da sociedade; Entender os processos construtivos identitários e memória coletiva; Compreender o conceito de sociedade capitalista; Avaliar as mutações paradigmáticas da antropologia cultural. Refletir sobre as relações sobre o processo de individualização e socialização; Compreender os aspectos políticos e antropológicos na contemporaneidade; Planejamento Seção 1: A antropologia cultural aplicada às sociedades complexas Seção 2: A construção das identidades sociais e da memória coletiva Seção 3: A sociedade capitalista contemporânea Seção 4: A antropologia cultural e a mudança de paradigma Seção 5: O processo de individualização e socialização Seção 6: Aspectos políticos na contemporaneidade Seção 7: Caracterização da sociedade humana Seção 8: Cultura e diversidade: uma temática antropológica e contemporânea. Bons estudos! Homem, Cultura e Sociedade 11 Seção 1: A antropologia cultural aplicada ao estudo das sociedades complexas Diante do exposto no plano dessa unidade, temos alguns objetivos propostos para serem esclarecidos ao fim da leitura. Para atingir tal objetivo, os conteúdos serão divididos assim como apresentados no plano de aula. Essa estratégia será adotada para que vocês, estudantes, consigam apreender os conteúdos de uma maneira mais didática. Assim, ao final dessa unidade teremos alguns exercícios que serão à nossa maneira de mensurar o quanto o conteúdo proposto foi apreendido por vocês. Tudo bem até aqui? Então vamos lá, seguiremos ao primeiro tópico da nossa primeira etapa. Espero que façam um bom proveito! Para começar, deixo a seguinte questão para vocês, afinal o que é antropologia? Se formos seguir à risca o que é descrito no nosso dicionário cotidiano, podemos entender a antropologia como a ciência do homem no sentido mais lato, que engloba origens, evolução, desenvolvimento físico, material e cultural, além também da fisiologia, psicologia, características raciais, costumes sociais, crenças, e não paramos por aí. A antropologia é sim uma ciência que engloba todos esses aspectos, no entanto é preciso ir um pouco mais além do que o nosso querido amigo dicionário nos informa. Para uma contextualização mais etimológica, cabe ressaltar que a palavra advinda de origem grega, tem como o seu prefixo “anthropos” que significa homem, e o seu sufixo logos ou logia que significa razão, pensamento, ou estudo. Eu, particularmente, gosto de pensar sempre o estudo, porque o estudo está para além da razão ou do pensamento. Sempre que virem o sufixo “logia”, vocês podem associar ao estudo e se perguntarem: estudo sobre o quê?. Esse questionamento os levará para o entendimento mais etimológico do nome da ciência, e consequentemente, ao entendimento mais profundo da proposição de estudo. Vamos a um exemplo: ao pensarmos sobre a psicologia, já sabemos que o sufixo quer dizer estudo, certo? Mas então, é o estudo de quê? Psico no grego quer dizer mental, logo, podemos Homem, Cultura e Sociedade 12 inferir que é o estudo da mente ou dos processos mentais. Essa mesma articulação pode ser utilizada para o entendimento de qualquer outra ciência que segue esses mesmos padrões. Agora voltando a falar exclusivamente da antropologia, que é a ciência que tem como objeto o estudo sobre o homem e a humanidade de maneira totalizante, bem como abrangendo todas as suas dimensões, é possível pensar algumas subdivisões para melhor compreensão. A divisão clássica da antropologia distingue a antropologia cultural da antropologia física ou biológica). No entanto, a divisão norte-americana, conhecida como Four Fields (quatro campos), divide a antropologia em arqueologia, linguística, antropologia física e antropologia cultural. Cada uma destas, em sua construção, abrigou diversas correntes de pensamento. Cabe destacar em maiores detalhes, a área de maior interesse dessa unidade, que é a antropologia cultural. A Antropologia Cultural estuda a diversidadecultural humana, tanto de grupos contemporâneos, como extintos. Pode-se afirmar que há poucas décadas a antropologia conquistou seu lugar entre as ciências. Primeiramente, foi considerada como a história natural e física do homem e do seu processo evolutivo, no espaço e no tempo. Se por um lado essa concepção vinha satisfazer o significado literal da palavra, por outro restringia o seu campo de estudo às características físicas do homem. Essa postura marcou e limitou os estudos antropológicos por largo tempo, privilegiando a antropometria, ciência que trata das mensurações das propriedades físicas do ser humano. Segundo o Museu de Antropologia Cultural da Universidade de Minnesota localizada na região norte dos Estados Unidos, a antropologia cultural abrange três tópicos gerais, que se constituem como especialidades. O primeiro é a etnografia ou etnologia, o segundo é a linguística aplicada à antropologia, e o terceiro ponto é a arqueologia. Para pensar as sociedades humanas, a antropologia preocupa-se em detalhar os seres humanos que as compõem e com elas se relacionam, seja nos seus aspectos físicos, na sua relação com a natureza, seja na sua especificidade cultural. Para o saber antropológico o conceito de cultura abarca diversas dimensões: universo psíquico, os mitos, os costumes e rituais, Homem, Cultura e Sociedade 13 suas histórias peculiares, a linguagem, valores, crenças, leis, relações de parentesco, política, economia, arte, entre outros tópicos. Como não é objetivo da disciplina, não vamos entrar em todo o aparato histórico da antropologia, mas nesse tópico conseguimos entender o que é a antropologia, por que tem esse nome, quais são os seus principais objetos de estudo, e as perspectivas referente a antropologia cultural, certo? Um dos maiores nomes da antropologia, quer seja no Brasil, quer seja no mundo inteiro é Claude Lévi-Strauss que foi um antropólogo, professor e filósofo belga. Lévi-Strauss é até hoje considerado o fundador da antropologia estruturalista, em meados da década de 1950, e um dos grandes intelectuais do século XX. Não podemos falar de antropologia nessa unidade, sem ao menos explicar um pouco quem foi esse importante nome para essa ciência. As ideias de Lévi-Strauss são muito diferentes do pensamento da época em que viveu, porque rompem com a ideia de que índios são somente índios, pois não concordava com a divisão em civilizados e selvagens ou a divisão em superiores e inferiores, além de possuir uma visão ambientalista radical. Embora as obras de Lévi-Strauss em certo ponto descrevam os índios do Cerrado brasileiro de forma colonialista, ideias assim só apareceram a partir do final da década de 1960 com o surgimento da contracultura marxista cultural e ambientalista radical. Os estudos mais aprofundamos de Lévi-Strauss podem ser encontrados nos livros do próprio autor ou em trabalhos acadêmicos de outros grandes pesquisadores do assunto. Um exemplo são os estudos de outros autores brasileiros publicados em diversas revistas científicas no país. Deixo para vocês como um exemplo mais prático um artigo publicado por Francisco Salzano em 2016 que disserta sobre a antropologia no brasil e faz o seguinte questionamento: é a interdisciplinaridade possível? Lembro que tudo que referenciarmos aqui constará na nossa lista de referências bibliográficas finais que estará anexada ao final de cada unidade. Salzano (2016) aponta que a história da antropologia no Brasil foi dividida em três fases: 1. Os pioneiros; 2. Período formativo; e 3. Fase contemporânea. Os principais eventos e exemplos de figuras paradigmáticas foram apresentados com relação aos dois primeiros períodos, enquanto para o Homem, Cultura e Sociedade 14 terceiro foi fornecida uma lista de todos os presidentes da Associação Brasileira de Antropologia. A seguir desenvolveu-se abordagem similar para as quatro subáreas em que a Antropologia é tradicionalmente subdividida: Antropologia Social/Cultural; Arqueologia; Linguística; e Antropologia Física/Biológica. A pergunta feita no final do artigo de Salzano (2016) é se a interação entre essas subáreas é possível. A resposta é de que uma abordagem verdadeiramente interdisciplinar é difícil, mas parece ser o melhor caminho para pesquisas de ponta. Sugere-se, portanto, uma abertura maior dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia brasileiros à contratação de especialistas nas quatro subáreas, através de montagens de projetos de cunho nitidamente interdisciplinares. Assim, atingimos o nosso primeiro objetivo que foi analisar a antropologia, sobretudo a antropologia cultural, bem como seus estudos no campo da sociedade atual. Nesse sentido, cabe destacarmos que tal fenômeno corresponde ao desejo do homem de conhecer a sua origem, assim como produz um modo de autoconhecimento que é a identidade, diferenciando os grupos em função de suas idiossincrasias e adaptação em ambientes distintos. É nesse ponto que destacamos o próximo tópico dessa unidade, tal como apresentado no plano anterior. Homem, Cultura e Sociedade 15 Seção 2: A construção das identidades sociais e da memória coletiva Nessa seção buscaremos entender os processos construtivos identitários dos sujeitos e a memória coletiva. Mas antes, pergunto: o que é identidade?. No nosso amigo dicionário, a identidade é o conjunto de características próprias e exclusivas com os quais podemos diferenciar pessoas, animais, plantas e objetos inanimados uns dos outros, quer diante do conjunto das diversidades, quer ante seus semelhantes. Assim, sua conceituação interessa a vários ramos do conhecimento, tais como a antropologia, a psicologia, a sociologia, e outras áreas da ciência. Cada área em particular, possui definições, conforme o foco, podendo ainda haver uma identidade individual ou coletiva, falsa ou verdadeira, presumida ou ideal, perdida ou resgatada. Para a sociologia, por exemplo, a identidade é o compartilhar de várias ideias e ideais de um determinado grupo. Alguns autores, como Karl Mannheim, elaboram um conceito em que o indivíduo forma sua personalidade, mas também a recebe do meio onde realiza sua interação social, como podemos verificar nos estudos mais recentes de Weller (2010). Já para o nosso contexto específico dessa unidade, que é a antropologia, a identidade consiste na soma nunca concluída de um aglomerado de signos, referências e influências que definem o entendimento relacional de determinada entidade, humana ou não humana, percebida por contraste, ou seja, pela diferença ante as outras, por si ou por outrem. Portanto, a identidade está sempre relacionada à ideia de alteridade, ou seja, é necessário existir o outro e seus caracteres para se definir então por comparação e diferença. É nesse sentido que destacamos o aspecto social, e assim conseguimos pensar na construção da identidade social. Além desse aspecto a identidade cultural também merece destaque, uma vez que é um conceito da antropologia, que indica a cultura em que o indivíduo está inserido. É assim que determinados fatores de identidade são decisivos para que um grupo faça parte de tal cultura, por exemplo, a história, o local, a raça, a etnia, o idioma e a crença religiosa. Homem, Cultura e Sociedade 16 Nesse mesmo contexto, podemos esclarecer também a definição da memória coletiva. Tal memória coletiva é a memória de um grupo de pessoas, tipicamente passadas de uma geração para a seguinte, ou ainda a memória compartilhada de um grupo, família, grupo religioso, étnico, classe social ou nação. Segundo Lavabre (1998), o sociólogo francês Maurice Halbwachs cunhou o termo memória coletiva para designar o fenômeno que surge da interação social. O autor concordou com a sociologia tradicional de Durkheim que observou como as representações coletivas do mundo,incluindo as do passado. Assim, tinham suas origens na interação de entidades coletivas desde o início e não poderiam ser reduzidas a contribuições de indivíduos à parte de outros ou de seu grupo social. Assim, caminhamos para o terceiro tópico, que só é possível ser compreendido após as presentes considerações apontados nos dois tópicos anteriores. Homem, Cultura e Sociedade 17 Seção 3: A sociedade capitalista contemporânea Nessa terceira seção vamos compreender o conceito de sociedade capitalista à luz do que já vimos e aprendemos nos tópicos anteriores. O estágio de desenvolvimento contemporâneo do capitalismo caracteriza-se pelo fortalecimento, sem precedentes, de ser contra a tendência fundamental de expansão da produção de mercadorias, o próprio coração do desenvolvimento capitalista. Em seu primeiro estágio de desenvolvimento, o assalariamento da força de trabalho, primeiro incipiente, foi se estendendo, mediante a eliminação das terras comunais e sua transformação em propriedade. Por isso esse estágio é denominado estágio extensivo. Quando o estágio de desenvolvimento extensivo se esgotou, não havendo mais espaço para a extensão da produção de mercadorias, o capitalismo entrou em seu estágio intensivo. No estágio intensivo, portanto, a expansão da produção de mercadorias se restringiu ao aumento da produtividade do trabalho, que por sua vez dependeu do progresso das técnicas de produção e da elevação do nível de subsistência da força de trabalho, necessária para permitir a operação das técnicas de produção crescentemente complexas. Assim, cabe destacar que o processo de globalização proporcionou mudanças no mundo do consumo mediante estratégias que reorganizam as formas de acesso a uma diversidade crescente de produtos através da extensão do crédito e da materialização de equipamentos urbanos. Todo esse aporte se dá de forma articulada através de redes constituídas em torno de centros de interesse que unem forças específicas de mercado. Essas metamorfoses socioeconômicas e culturais que vão para além de sua aparência funcional e objetiva, contribuem para a identificação de um novo período que chamamos de capitalismo contemporâneo. A consagração deste período é abordada por Costa e Godoy (2008) a partir de um viés interpretativo que ressalta um aspecto que se julga pertinente para a Homem, Cultura e Sociedade 18 compreensão das mudanças nas relações de consumo: (i) a apropriação e controle da subjetividade. Os principais dilemas do trabalho no capitalismo contemporâneo são salientados pelas autoras Navarro e Padilha (2007) em seu estudo publicado na Revista Psicologia & Sociedade. As autoras, partindo da concepção marxiana de trabalho que compreende a atividade laboral como uma atividade vital, autodeterminada, dotada de sentido – o que não ocorre sob a lógica do capital –, buscaram apontar algumas das principais mudanças ocorridas no universo do trabalho no século XX e suas consequências para a classe trabalhadora. O que as autoras destacam é que ao longo do desenvolvimento do processo de trabalho – do taylorismo ao toyotismo – as transformações não significaram ruptura com o caráter capitalista do modo de produção e com seu complexo plano ideológico de controle da subjetividade do trabalhador. Exemplos disso são a apologia do individualismo, o aumento do desemprego, da intensificação e da precarização do trabalho, que marcam o mundo do trabalho na sociedade contemporânea. Assim, em uma perspectiva ainda mais atual da articulação dos conceitos identitários e da sociedade capitalista contemporânea, é válido destacar o estudo de Lara-Junior e Lara (2017) sobre a identidade, seguindo uma lógica de colonização do mundo da vida e os desafios para a emancipação. O objetivo dos autores ao abordar esse tema foi apresentar toda uma apresentação teórica do conceito de identidade na obra de Antonio da Costa Ciampa e demonstrar como a colonização do mundo da vida causa entraves para que ocorra o sintagma (identidade, o processo de metamorfose, e a emancipação) para, então, propor um debate contemporâneo sobre o mundo da vida e sua colonização, processo no qual as dificuldades criadas podem constituir identidades fetichizadas. Por fim, para fecharmos esse tópico e sua articulação com os anteriores não podemos deixar de apresentar o papel da teoria Marxista ao capitalismo contemporâneo, como bem aponta os estudos de La Grassa (1991), que foram traduzidos e revisados por Aguiar e Frederico (2010). Karl Marx representa, sem dúvida, o ponto culminante da maior crítica da sociedade burguesa e do modo de produção capitalista. Marx se interessou pelo estudo do Homem, Cultura e Sociedade 19 funcionamento do modo de produção capitalista e concebeu uma maneira de superá-lo a fim de estabelecer as bases de uma futura sociedade comunista. Os principais argumentos é o de que trabalhadores sofrem a progressiva exclusão dos benefícios da enorme riqueza material que é produzida por eles mesmos, mas que fica concentrada nas mãos de uma minoria. Marx, ainda ressaltava que o desenvolvimento cada vez maior das forças produtivas capitalistas geraria infindáveis crises econômicas e, consequentemente, conflitos sociais cada vez mais intensos, que levariam à derrocada da ordem social burguesa. No capitalismo, portanto, o proletariado é considerado por Marx a classe revolucionária. Ela deve desempenhar seu papel histórico de supressão da classe burguesa e a construção de uma ordem social igualitária, baseada no comunismo, isto é, uma sociedade em que inexista a propriedade privada e onde cada indivíduo trabalhe segundo suas capacidades e receba segundo suas necessidades. Nesse sentido, encerramos esse tópico com a apresentação de tais ideias, que podem ser encontradas facilmente em uma busca rápida no maior indexador de trabalhos formais e informais do mundo. Fica então, salientado que tais ideias servem para que os estudantes reflitam sobre tais questões, e de forma alguma, expresse algum tipo de melhor ou pior forma ideal de sociedade. Por fim, partiremos para a próxima seção dessa primeira etapa. Homem, Cultura e Sociedade 20 Seção 4: A antropologia cultural e a mudança de paradigma Essa seção tem como objetivo central avaliar as mutações paradigmáticas da antropologia cultural. Para isso, utilizo como suporte teórico o livro do Roque Laraia (disponível na nossa lista de referências que estão no final de cada unidade), chamado “Cultura: um conceito antropológico”. Laraia apresenta o conceito antropológico de cultura através da articulação dos principais antropólogos. Para a nossa unidade, vamos dar prioridade por evidenciar alguns desses pesquisadores. Assim, cabe voltar um pouco para explicitar que a primeira definição de cultura formulada do ponto de vista antropológico pertence a Edward Tylor. O autor publicou diversas obras sobre tal questão, sobretudo seu livro chamado “Primitive Culture” que em 1871. Edward Tylor demonstrou que cultura pode ser objeto de um estudo sistemático, pois trata-se de um fenômeno natural que possui causas e regularidades, o que permite um estudo objetivo e uma análise capaz de proporcionar a formulação de leis sobre o processo cultural e a evolução. Para entender Taylor, é necessário compreender a época em que viveu. O seu livro foi produzido nos anos em que a Europa sofria o impacto da Teoria da origem das espécies, de Charles Darwin, e que a nascente antropologia foi dominada pela estreita perspectiva do evolucionismo unilinear. A década de 60 do século XIX foi rica em trabalhos desta orientação. Estudiosos analisaram o desenvolvimento das instituições sociais, buscando no passado as explicações para os procedimentos sociais da atualidade. A principal reação ao evolucionismo, entãodenominado método comparativo, inicia-se com Franz Boas, que provocou uma ruptura nos Estados Unidos, onde foi responsável pela formação de toda uma geração de antropólogos. O autor atribuiu a antropologia a execução de duas tarefas: (1) a reconstrução da história de povos ou regiões particulares; (2) a comparação da vida social de diferentes povos, cujo desenvolvimento segue as mesmas Homem, Cultura e Sociedade 21 leis. Além disso, Franz Boas propôs em lugar do método comparativo puro e simples, a comparação dos resultados obtidos através dos estudos históricos das culturas simples e da compreensão dos efeitos das condições psicológicas e dos meios ambientes. A partir daí a explicação evolucionista da cultura só tem sentido quando ocorre em termos de uma abordagem multilinear. Já segundo o antropólogo Felix Keesing (1961) não existe correlação significativa entre a distribuição das características genéticas e a distribuição dos comportamentos culturais. O autor aponta que qualquer criança humana pode ser educada em qualquer cultura, se for colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado. Assim, um exemplo é: imaginemos que um bebê brasileiro, logo após seu nascimento seja adotado por uma família americana, ele crescerá como um americano e em nada será diferente mentalmente dos seus irmãos de criação. É dessa maneira que o meio era evidenciado por Keesing. Outro antropólogo americano Alfred Kroeber (1960) enfatizava que é por meio da cultura a humanidade se distância do mundo animal, considerando o homem como um ser que está acima de suas limitações orgânicas. Kroeber é um dos grandes contribuintes para a ampliação do conceito de cultura, pois ressaltava que a cultura é mais do que a herança genética, é ela que determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações. Assim, foi por meio da cultura, que o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes apenas geneticamente determinadas. Nesse sentido, o autor salientava que as pessoas ditas superdotadas ou gênios, são pessoas altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor, construído pelos participantes de seu sistema cultural e criar diferentes e novos objetos ou técnicas profissionais. Assim é que estão classificadas as pessoas que fizeram as primeiras invenções, tais como o primeiro homem que produziu o fogo através do atrito da madeira seca ou o homem que fabricou a primeira máquina capaz de ampliar a força muscular, o arco e a flecha, o avião e outras tantas invenções ou descobertas, que impactam o mundo até hoje. Homem, Cultura e Sociedade 22 Outros antropólogos também foram de grande importância para os avanços dos estudos teóricos e metodológico da área. Mas no que tange ao objetivo de nossa unidade vamos agora destacar apenas mais alguns nomes. No entanto, os estudantes que tiverem o interesse em se aprofundar nos estudos particulares das contribuições para a área podem ter acesso ao livro do Laraia, no qual está referenciado na nossa lista de referências ao final da unidade. Em suma, os antropólogos concordam que a tecnologia, a economia de subsistência e os elementos da organização social diretamente ligada à produção constituem o domínio mais adaptativo da cultura. É neste domínio que usualmente começam as mudanças adaptativas que depois se ramificam. Existem, entretanto, divergências sobre como opera este processo., que podem ser referenciadas nas teorias idealistas de cultura, que subdivide em três diferentes abordagens. Dentre essas, a que merece maior destaque para a nossa unidade é aquela que considera cultura como sistemas estruturais, que é a perspectiva desenvolvida por Claude Lévi-Strauss. O autor define cultura como um sistema simbólico que é uma criação acumulativa da mente humana. O seu trabalho tem sido o de descobrir na estruturação dos domínios culturais, tais como mito, arte, parentesco e linguagem e os princípios da mente que geram essas elaborações culturais. Lévi-Strauss, a seu modo, formula uma nova teoria da unidade psíquica da humanidade. Assim, os paralelismos culturais são por ele explicados pelo fato de que o pensamento humano está submetido a regras inconscientes que controlam as manifestações empíricas de um dado grupo. Por fim, cabe apontar que David Schneider, por outro lado, define que a cultura é um sistema de símbolos e significados, em que compreende categorias ou unidades e regras sobre relações e modos de comportamento. O status epistemológico das unidades ou coisas culturais não depende da observação, uma vez que mesmo imaginação, “fantasmas” ou pessoas que já faleceram podem ser categorias culturais. Assim, um exemplo é: no Brasil todo dia 2 de novembro milhares de pessoas vão ao cemitério para celebrar o Dia de finados, e já os americanos celebram o Halloween. Homem, Cultura e Sociedade 23 Seção 5: O processo de individualização e socialização Nessa seção, iremos abordar um pouco sobre o processo de individualização e de socialização. Caros estudantes, se tem um aspecto que trabalha fortemente nesse contexto, é o aspecto laboral. Em outras palavras, o aspecto do trabalho humano e o significado do mesmo, sobretudo na contemporaneidade. Em uma perspectiva mais histórica, Borges e Yamamoto (2014) destacam o mito de Homero e a interpretação dada por Albert Camus (2000). Homero conta que por ter desafiado os deuses, Sísifo foi condenado a empurrar eternamente montanha acima uma rocha que, por seu próprio peso, rolava de volta tão logo atingisse o cume. Para Camus (2000), o auge do desespero de Sísifo não está na subida, uma vez que o imenso esforço despendido não deixa lugar para outros pensamentos. Já a descida, ao contrário, não exigindo esforço, é o momento em que Sísifo é confrontado com seu destino, em que o aspecto trágico é conferido pela consciência de sua condição. Não sem razão, o mito de Sísifo tem sido considerado o epítome do trabalho inútil e da desesperança. Uma curiosidade é que termos como “tripalium”, “trabicula”, que são termos latinos associados à tortura, estão na origem da palavra “trabalho”. Mas então, estudantes, eu questiono: trabalho deve ser necessariamente associado a sofrimento? Vocês que estão cursando a graduação muito possivelmente já trabalham ou pensam em trabalhar futuramente. Se assim não fosse, não “perderiam” o seu útil tempo estudando para ser um profissional, e consequentemente trabalhar na área da formação atual. Muitas vezes no dia a dia ouvimos frases como “primeiro o trabalho, depois o prazer”. Essa frase, ao mesmo tempo que exalta a importância do trabalho, tomando-o como uma prioridade de vida no processo de socialização, supõe-no oposto ao prazer. Assim, ressalta que o prazer só existe fora do âmbito laboral ou do ambiente de trabalho. Homem, Cultura e Sociedade 24 Do mesmo modo ouvimos pessoas que contam o que fazem em seus empregos com muito orgulho. Há situações em que as pessoas falam tanto de suas próprias atividades que às vezes até nos aborrecemos. Há também aqueles que vivem se queixando das condições de trabalho. Uns sonham com um mundo no qual não precisem trabalhar, outros se aposentam e reinventam um trabalho para si mesmos, porque não conseguem viver sem uma ocupação. Reclamamos dos nossos empregos e das condições de trabalho, mas continuamos exercendo nossas atividades. Portanto, e possível entendermos que trabalho é objeto de múltipla e ambígua atribuição de significados e sentidos. Existe uma linha de pesquisas no campo da psicologia estudando a variedade de significados e sentidos que as pessoas atribuem ao trabalho. Embora haja um dinamismo dessa área de estudo, porém, o caráter múltiplo e ambíguo das atribuições de significados tende a ser consensual.Assim é que o trabalho passa a ser um agente do processo de socialização. Borges e Yamamoto (2014) apontar que o processo complica ainda mais quando substituímos a atribuição de significados por outros aspectos que sirvam de critérios para diferenciar os âmbitos do trabalho. Assim, se considerarmos as relações de poder dentro das empresas, podemos distinguir o trabalho subordinado das chefias intermediárias, dos gerentes, dos diretores, dos proprietários, entre outros. Portanto, quando utilizamos a palavra “trabalho” para dar ênfase ao processo de socialização do indivíduo, não estamos necessariamente falando do mesmo objeto. Na psicologia do trabalho e das organizações, por exemplo, falamos em construtos como motivação para o trabalho, comprometimento no trabalho, envolvimento no trabalho, aprendizagem no trabalho, socialização no trabalho, satisfação no trabalho, treinamento em trabalho, aconselhamento no trabalho, estresse no trabalho, qualidade de vida no trabalho, e assim por diante. A repetição da palavra “trabalho” foi proposital, para ajudar a ilustrar a frequência com que a empregamos. Mas então, de que trabalho estamos falando? Homem, Cultura e Sociedade 25 Quando o leitor se debruça sobre as diversas teorias referentes a algum fenômeno (p. ex., satisfação, motivação, estresse), se é capaz de se dar conta do conceito de trabalho implícito nelas, terá sua capacidade crítica ampliada. Algumas fronteiras precisam ser delineadas, por exemplo, pensar o processo de socialização da pessoa por meio do trabalho, já podemos pensar que pesquisas nesse campo não lidam com o trabalho dos animais, mas com o trabalho humano. Mas, então, e o que diferencia esses dois tipos de trabalho? Embora não seja simples distinguir as atividades de primatas não humanos das de nossos ancestrais nas suas tarefas de caça e coleta, ou mesmo de algumas que os humanos até hoje fazem, existe um elemento distintivo fundamental: a intermediação da cultura (ARGYLE, 1990; BORGES; YAMAMOTO, 2014). E, de forma mais pontual, o critério frequentemente utilizado é o da intencionalidade, que foi explicitado pela primeira vez por Marx (1983), ao distinguir o “pior arquiteto” da “melhor aranha”. No fim do processo de trabalho, obtém-se um resultado que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador, e portanto idealmente. Ele não apenas efetua uma transformação da forma da matéria natural; realiza, ao mesmo tempo, na matéria natural seu objetivo, que ele sabe que determina, como lei, a espécie e o modo de sua atividade e ao qual tem de subordinar sua vontade. (Marx, 1983, p. 149-150). Assim, a reflexão de Lívia Borges e de Oswaldo Yamamoto (2014) salientam que uma forma de exercer o trabalho tenta eliminar a necessidade da intencionalidade humana ou suas capacidades cognitivas, tenta descaracterizar o próprio trabalho na sua condição humana. E essa compreensão está por trás de muitas críticas e análises que se fazem sobre a forma de planejar e organizar o trabalho. A maior parte dos indivíduos hoje no Brasil e no mundo lidam com o trabalho de forma remunerada. Por isso, os aspectos socioeconômicos são aqui considerados importantes e delimitadores do mundo do trabalho. Homem, Cultura e Sociedade 26 Brief e Nord (1990), por exemplo, destacam a sua opção em adotar a definição econômica do trabalho, que consiste em dizer que ele é o que se faz para ganhar a vida ou o que se é pago para fazer. Isso não significa reduzir o trabalho à sua dimensão econômica, mas que ele é objeto de seus estudos, se essa dimensão é incluída. Outra fronteira comum na literatura do campo é aquela posta pelo contrato de trabalho, que diferencia trabalho de emprego. Alguns autores, como Jahoda (1987), têm-se preocupado com tal diferenciação. Para a autora Jahoda, o emprego é uma forma específica de trabalho econômico (que pressupõe a remuneração), regulado por um acordo contratual (de caráter jurídico). Blanch (1996) acentuou que o emprego implica a redução do trabalho a um valor de troca, portanto, a uma mercadoria, salientando a evolução e os problemas do mundo do trabalho a partir do surgimento do capitalismo. Assim, tais diferenciações têm implicações diretas na forma de analisar os problemas do processo de socialização no mundo do trabalho na contemporaneidade. Atualmente, o uso dos termos “trabalho” e “emprego”, como sinônimos, está enraizado em nossos hábitos linguísticos, o que contribui para continuarmos desatentos a tal engano. Agora pensamento um pouco mais sobre essas questões do papel do trabalho no processo de individualização e socialização, podemos partir para a próxima seção com o objetivo de entender os aspectos políticos na contemporaneidade. Homem, Cultura e Sociedade 27 Seção 6: Aspectos políticos na contemporaneidade Para compreender os aspectos políticos atuais é preciso, mesmo que em síntese, compreender a construção histórica do conceito de trabalho, bem como identificar as principais mudanças, tendências e desafios no mundo do trabalho, considerando as nuances e especificidades do Brasil. Além disso, falar da história do trabalho nos permite segmentar a partir do surgimento do capitalismo. Portanto, a curta passagem do conteúdo aos tempos que antecedem o capitalismo tem como finalidade contrastar as especificidades do mundo capitalista. Segundo Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2014), o conceito do trabalho passou a ocupar um lugar privilegiado no espaço da reflexão teórica nos dois últimos séculos. Embora o trabalho humano já ser existente desde os primórdios da humanidade, sendo exemplos, as comunidades de caçadores e coletores 8.000 anos a.C., a incipiente agricultura no Oriente Médio, na China, na Índia e no norte da África, o trabalho escravo nas civilizações antigas e a relação servil na Idade Média. As ideias sobre o trabalho na antiguidade, de acordo com o pensamento de Platão e de Aristóteles, a exaltação estava na ociosidade. O cidadão, para Platão, deveria ser poupado do trabalho. Aristóteles valorizava a atividade política e referia-se ao trabalho como atividade inferior que impedia as pessoas de terem virtude. Todo cidadão deveria abster-se de profissões mecânicas e da especulação mercantil: a primeira limita intelectualmente, e a segunda degrada eticamente. A filosofia clássica caracterizava o trabalho como degradante, inferior e desgastante e competia aos escravos. Era realizado sob um poder baseado na força, de modo que o senhor dos escravos detinha o direito sobre a vida deles. Essa organização de valores era possível em razão da extrema Homem, Cultura e Sociedade 28 concentração de riquezas, da submissão dos povos dos territórios conquistados e da legitimação da escravidão. A política, atividade superior e dos cidadãos, não era considerada trabalho. Aristóteles entendia a escravidão como um fenômeno natural, pois sustentava que havia pessoas destinadas a fazer uso exclusivo da força corporal e que deveriam satisfazer suas necessidades no âmbito restrito das atividades manuais. Para Aristóteles, o escravo jamais estaria apto para as descobertas e para os inventos, e seria essa condição que determinaria a perda da liberdade. Mudanças foram acontecendo paulatinamente durante a Idade Média no que se refere à economia e à estrutura das sociedades, de forma que as ideias mais influentes na antiguidade foram se tornando inadequadas. É com o surgimento do capitalismo que se constrói e se consolida uma mudança mais visível na reflexão sobre o trabalho. Assim, podemos questionar: por quê? Para Marx (1983), as novidades na concepção do trabalho refletem as mudanças concretas na organização do trabalho e na sociedade. Para ele, dois fatos principais demarcaram o surgimento da produção capitalista: a ocupação pelo mesmo capital individualde um grande número de operários, estendendo seu campo de ação e fornecendo produtos em grande quantidade, e a eliminação (dentro de certos limites) das diferenças individuais, passando o capitalista a lidar com o operário médio ou abstrato. Esses fenômenos ocorreram com o surgimento da manufatura, que, por sua vez, pressupõe um adiantado processo de acumulação do capital. Quem detém os meios de produção é o capitalista. O indivíduo desprovido desses meios não tem como reproduzir sua existência. Essa situação, que põe de um lado o dono do capital e, de outro, os detentores da força de trabalho, não é um fato natural, mas resultado de um processo histórico. É essa condição “livre” e desprovida dos meios de produção do trabalhador que proporciona a venda da força de trabalho como uma mercadoria – a única que o trabalhador detém. Homem, Cultura e Sociedade 29 Ser mercadoria significa representar um valor de uso e um valor de troca. Em outras palavras, a situação socioeconômica tornou necessário ao indivíduo, desprovido de tudo, vender seu trabalho, e, ao capitalista, adquiri- lo, como meio de dar prosseguimento à produção de outras mercadorias, o que, sendo valor de troca, permite crescer seu capital. Nessa realidade, fundou-se a noção de contrato de trabalho, recriando-o na forma de emprego assalariado. Se nos abstraímos do valor de uso de cada mercadoria, percebemos que permanece uma propriedade: a de produto do trabalho humano. Portanto, um bem tem valor em virtude do trabalho humano nele materializado. Os meios de produção pertencem ao capitalista, logo, o produto é sua propriedade. O trabalhador, que vende sua força de trabalho como qualquer mercadoria, realiza no ato de venda o valor de troca, alienando o valor de uso no que produziu. O capitalista prolonga o uso da força de trabalho em seu benefício, obtendo o lucro da diferença do que pagou e a quantidade de trabalho recebida do trabalhador. Assim, a mais-valia é o prolongamento do processo de formação de valor, ou seja, resulta de um excedente quantitativo de trabalho na duração prolongada do processo de produção. Ao capitalista interessa, pois, ampliar a mais-valia. De início, assim o faz por meio do prolongamento da jornada de trabalho, ou seja, exploração extensiva. Esse prolongamento, porém, é limitado concretamente pelo tempo que um indivíduo pode trabalhar e pelas reações sociais. Por isso, o capitalista busca modos de aumentar a produção de mercadorias, exigindo menor quantidade de trabalho. Além da transformação do trabalho em mercadoria, estabelecida pelo capitalismo emergente, surgiu uma concepção de instrumentalidade econômica do trabalho, em que o trabalho valia tanto mais quanto aumentavam os rendimentos do detentor do capital (ANTHONY, 1977). O novo modo de produção afetou vários aspectos da organização da vida e da sociedade, por exemplo: Homem, Cultura e Sociedade 30 separou os ambientes doméstico e de trabalho; reuniu um número imenso de pessoas em um mesmo lugar ( fábricas) em torno de uma única atividade econômica; intensificou o crescimento das cidades e sua separação do campo. No contexto da fábrica, a “cooperação” introduziu novidades no planejamento, na organização e na execução do próprio trabalho, como a necessidade de padronizar a qualidade dos produtos e dos procedimentos, bem como de adotar uma disciplina. Essas novidades justificaram o surgimento das funções de direção e supervisão (gerência), para fiscalizar e controlar o trabalho. A adaptação do trabalhador a tal realidade não ocorreu de forma simples, sendo um desafio submetê-lo a tais condições. Assim, Borges e Yamamoto (2014) salientam que a situação era contraditória, em razão do fato de se almejar mais produtividade e, pelo modo de produção adotado, provocar um esvaziamento do conteúdo do trabalho, bem como, por consequência, o desgosto com as tarefas por parte do trabalhador, de quem se exigia mais produtividade. A sobrevivência da noção do “livre contrato” do modelo capitalista, por consequência, demandou uma concepção do trabalho, valorizando-o em oposição ao ócio. É nesse sentido, depois de vocês, caros, estudantes, compreenderem de uma forma histórica esses aspectos que cabe apontar o conceito de trabalho hoje no Brasil. Borges-Andrade e Pagotto (2010) atribuíram que pensar o trabalho, por exemplo, em um campo de saber específicos para se pensar sobre ele se tornou emergente. Assim, a própria Psicologia se subdividiu em uma subárea de pesquisa e atuação chamada de Psicologia Organizacional e do Trabalho (PO&T) ou Psicologia do Trabalho e das Organizações (PT&O). Esse é um campo de aplicação de conhecimentos ou de intervenção, justamente na área do trabalho, ou melhor, do trabalhador. Homem, Cultura e Sociedade 31 Como subárea do conhecimento, tem o fazer humano enquanto objeto de estudo e os contextos do trabalho e das organizações como locais desse estudo. Como campo de aplicação ou intervenção, precisa dar respostas a questões práticas concernentes a interações entre o comportamento humano, o trabalho e as organizações onde este comportamento pode ocorrer. Assim é que precisamos periodicamente estabelecer contatos que permitam que produção e utilização do conhecimento caminhem mais ou menos juntas e que mútuos benefícios possam emergir. A pesquisa brasileira raramente ocorre no campo profissional e na pós-graduação lato sensu. Portanto, o lócus para que os mencionados contatos ocorram é a pós- graduação stricto sensu e sua produção está disponível em periódicos científicos. O campo de aplicação ou de intervenção em PT&O deve utilizar o conhecimento gerado pela pesquisa, para solucionar problemas relacionados ao comportamento humano no trabalho, à interação entre esse comportamento e a organização onde ocorre, e às práticas utilizadas para organizar a ação individual e a coletiva, visando atingir determinados objetivos. Portanto, é por essa razão que atualmente se encontrem uma ampla gama de pesquisas no que diz respeito às variáveis psicológicas na ciência organizacional contemporânea, tais como satisfação no trabalho, performance, turnover, comprometimento organizacional e resiliência. Homem, Cultura e Sociedade 32 Seção 7: Caracterização da sociedade humana Caminhando para a nossa penúltima seção, cabe apontar que o fato de haver toda uma construção ideológica não eliminou, entretanto, as reais contradições nem as insatisfações e a capacidade de reação dos trabalhadores (BORGES & YAMAMOTO, 2014). Antes contribuiu à exploração radical da classe trabalhadora, registrada por Marx. Por isso, a história do desenvolvimento capitalista é, também, a história da resistência dos trabalhadores, que caracteriza a sociedade humana. Os embates em torno da regulamentação da jornada de trabalho nas leis fabris da segunda metade do século XIX são exemplos da luta do proletariado para impor um limite à exploração capitalista. O sistema de “cooperação”, ao mesmo tempo que engendrou todas as novidades já assinaladas, também reuniu as pessoas em grandes massas trabalhadoras, criando as condições necessárias à construção da consciência de classe dos próprios trabalhadores, estimulando o desenvolvimento da organização trabalhista. Nos países desenvolvidos, o fim do século XVIII e o século XIX foram marcados pelo desenvolvimento do movimento sindical, e as principais ideias que abasteceram as críticas ao regime capitalista foram reflexões marxistas e anarquistas sobre esse sistema. A transformação do modo de produção manufatureira para o modo de produção capitalista da “cooperação” exige um parcelamento progressivo do trabalho em suas operações, simplificando a atuação de cada um (BORGES & YAMAMOTO, 2014). Um conjunto de trabalhadores atua lado a lado, sob um plano geral em um mesmoprocesso de produção. Tal tipo de organização do trabalho possibilita a massificação da produção. Introduz a noção de operário coletivo. O trabalhador não detém os meios de produção, não tem controle sobre o produto nem sobre o processo de trabalho, e, portanto, são Homem, Cultura e Sociedade 33 suprimidos seu saber fazer e suas possibilidades de identificação com a tarefa e com o produto. A exploração é um dos pontos centrais na teoria marxiana porque, segundo Marx, o regime capitalista caracteriza-se por tomar “[...] a produção da mais-valia como finalidade direta e móvel determinante da produção [...]” (Marx, 1980, p. 78). Assim, a exploração, antes de ser uma distorção do capitalismo, é uma característica inerente a ele. Em síntese, concluímos que, para Marx, o trabalho, que deveria ser humanizador, sob o capitalismo, é o contrário, pois na forma de mercadoria é: 1. alienante, porque o trabalhador desconhece o próprio processo produtivo e o valor que agrega ao produto, além de não se identificar com os produtos de seu trabalho; 2. explorador, devido aos objetivos de produção da mais-valia vinculada ao processo de acumulação do capital; 3. humilhante, porque afeta negativamente a autoestima; 4. monótono em sua organização e conteúdo da tarefa; 5. discriminante, porque classifica os homens, na medida em que classifica os trabalhos; 6. embrutecedor, porque, longe de desenvolver as potencialidades, inibe ou nega sua existência por meio do conteúdo pobre, repetitivo e mecânico das tarefas; 7. submisso, pela aceitação “passiva” das características do trabalho e do emprego, pela imposição da organização interna do processo de trabalho, pelas relações sociais mais amplas e, especialmente, pela força do exército industrial de reserva. Portanto, observamos que a obra marxiana não se constitui em uma mera crítica ao trabalho sob o capitalismo, mas cria valores e novas expectativas em torno do trabalho. O trabalho deve ser humanizador, não alienado. Deve ser digno, que garanta ao ser humano a satisfação de suas Homem, Cultura e Sociedade 34 necessidades, racional (com uma divisão baseada em critério de igualdade entre os homens), e que se constitui na principal força na vida dos indivíduos. A ética do trabalho, associada à primeira Revolução Industrial, e o marxismo exaltam o trabalho. No entanto, tal importância se funda em valores sociais distintos, na caracterização da sociedade humana. Entre outras diferenças, a defesa do tratamento do trabalho como mercadoria desvaloriza a identificação do trabalhador com o produto e o processo de seu trabalho, ou seja, dignifica ganhar a vida trabalhando, mas não interessa em quê. A defesa da superação da alienação no trabalho permite compreendê-lo como uma categoria que contribui na construção da própria identidade do sujeito. O trabalho é, ao mesmo tempo, estruturante para a caracterização da sociedade e para o indivíduo. Em síntese, com a história contada até aqui, expusemos de maneira breve e sucinta formas distintas de conceber o trabalho. Na Tabela 1, foi resumido ainda mais o que discutimos até aqui à luz da revisão realizada por Borges e Yamamoto (2014) para que de uma maneira mais didática, vocês, caros estudantes, possam assimilar as diferenças nas maneiras de caracterização da sociedade humana por meio do trabalho. Assim, fechamos com as três principais concepções. Concepções Influências Contexto Papel do trabalho Clássica Filosofia clássica Antiguidade: trabalho escravo Conceito restrito: trabalho braçal e exaltação do ócio Capitalista tradicional Economia clássica (liberal) Surgimento do capitalismo e do contrato de trabalho (emprego) Glorificação do trabalho como o único meio digno de ganhar a vida Marxista Marxismo Oposição entre: interesses do capital e dos trabalhadores Estruturante da vida das pessoas e das sociedades Homem, Cultura e Sociedade 35 Seção 8: Cultura e diversidade: uma temática antropológica e contemporânea Tudo bem até aqui, caros estudantes? Partiremos agora para o último tópica da nossa etapa 1. Agora iremos fechar tudo que estudamos conversando um pouco sobre a cultura e diversidade existente no mundo. Chamamos de uma temática antropológica e contemporânea exatamente por na caracterização da sociedade atual essas questões serem cada vez mais presentes. Podemos falar de uma cultura universal? Ou é melhor falarmos de uma cultura diversa? Se por um breve momento pensarmos nos diferentes estilos de roupas e diferentes alimentos (no almoço por exemplo) consumidos no mundo, já é possível ter uma dimensão do quão diversa a sociedade é, não é mesmo? Ao pensar no trabalho também é possível identificar suas diversidades culturais. Enquanto em algumas culturas, na execução, o trabalhador deve ser poupado de pensar para que possa repetir os movimentos ininterruptamente, ganhando em rapidez e exatidão; Em outras, por sua vez, é por meio do pensamento e reflexão que o trabalho é realizado de modo satisfatório. Assim é que as pesquisas cada vez mais têm como elementos centrais a formulação de hipóteses ou suposições, em busca de explicar relações entre desempenhos das pessoas no trabalho (por ser uma característica fundamental da sociedade contemporânea) e atributos individuais, das equipes, da organização ou da sociedade. Além disso, também como elemento central é a identificação das variáveis de pesquisa, quer seja aquelas que se quer explicar (por exemplo, desempenho, bem-estar, satisfação no trabalho etc.), quer seja as que são as explicações plausíveis para as questões que queremos explicar (ZANELLI et al., 2014). Homem, Cultura e Sociedade 36 Agora eu pergunto: Quem precisa da pesquisa acerca das características dos trabalhadores sobre tais diversidades culturais na sociedade contemporânea? Inicialmente se beneficiam os profissionais ou estudantes que necessitem conhecer os fundamentos e as suposições inerentes ao processo de conhecimento científico na área. Assim, os interessados não estão dispostos a confiar na especulação ou em evidência baseada em histórias, contos ou ficção, para tomar decisões. Mas em evidências científicas de pesquisas realizadas, sendo essa a principal base da sociedade contemporânea. Se há algumas décadas para se buscar um número de telefone a pessoa demorava horas, até dias. Ou então para buscar uma referência da literatura passava-se semanas dentro das bibliotecas... Na sociedade contemporânea é possível ter todas essas e outras informações em minutos. Assim é que as características culturais e diversas também estão inseridas, ao passo que tudo se torna possível e rápido ao alcance das mãos. Assim, é que se o trabalho é uma das características principais das sociedades contemporâneas é preciso que as áreas da Psicologia, Sociologia e Antropologia, privilegiam esse campo com os estudos dos principais fenômenos nesse sentido, tais como: • Comportamentos; • Relações entre pessoas e grupos; • Disposições; • Motivos; • Percepções; • Crenças; • Reações; • Atitudes; • Significados; • Valores; • Sentimentos Portanto, o que torna o estudo nesse segmento único é o seu foco de interesse estar nos contextos de trabalho, trabalhadores e organizações. Assim, não estamos apenas interessados em mensurar e descrever estes Homem, Cultura e Sociedade 37 fenômenos. O interesse não é apenas no como essas coisas acontecem, mas, de fato, o interesse é no porquê. Nesse sentido, estamos interessados em conhecer os antecedentes e consequentes desses fenômenos, ou como eles dependem de características: (1) do indivíduo; (2) da sua equipe; (3) da sua organização; e (5) da sociedade. Homem, Cultura e Sociedade 38 Referências Bibliográficas ANTHONY, P. D. The ideology of work. London:Tavistock, 1977. ARGYLE, M. The social psychology of work. 2nd ed. London: Penguin, 1990. BLANCH, J. M. Psicología social del trabajo. In: ALVARO, J. L.; GARRIDO, A.; TORREGROSA, J. R. (Org.). Psicología social aplicada. Madrid: McGraw-Hill, 1996. BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; DO PRADO PAGOTTO, Cecília. O estado da arte da pesquisa brasileira em psicologia do trabalho e organizacional. Psicologia: teoria e pesquisa, p. 37-50, 2010. BRIEF, A. P.; NORD, W. R. 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ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antonio Virgílio Bittencourt. Psicologia, Organizações e Trabalho no Brasil. AMGH Editora, 2014. Homem, Cultura e Sociedade 40 Leitura Complementar Como leitura complementar para essa unidade cabe apontar, sobretudo as obras elaboradas pelos antropólogos e grandes pesquisadores aqui evidenciados. Nesse espaço de leitura complementar não será citado nenhuma das referências utilizadas para a construção da unidade. Mas lembro que todas referências utilizadas, inclusive o livro do Laraia, em que estão especificados os principais trabalho dos principais antropólogos estão na lista de referências finais. Além disso, abaixo deixo algumas referências como leituras complementar do assunto abordado. FRÚGOLI Jr, H. (2005). O urbano em questão na antropologia: interfaces com a sociologia. Revista de Antropologia, 48(1), 133-165. LUKÁCS, G. História e consciência de classe. Londres: Merlin, 1967. LUKÁCS, G. 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Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Diante do exposto, podemos destacar que os principais objetivos propostos para essa primeira etapa foram alcançados. Como uma etapa introdutória, entendemos que é um pouco mais exaustiva por se tratar de tantos conteúdos novos que suscitam profundas reflexões. Assim, especificadamente, foi possível analisar a antropologia cultural, bem como seus estudos no campo da sociedade; além de entender os processos construtivos identitários dos sujeitos e a memória coletiva; compreender o conceito de sociedade capitalista; e ainda, avaliar as mutações paradigmáticas da antropologia cultural em uma perspectiva histórica. Além disso, vimos as relações entre indivíduo e sociedade e o processo de individualização e socialização; os aspectos políticos na contemporaneidade; a caracterização da sociedade humana; e encerraremos o tema cultura e diversidade: uma temática antropológica e contemporânea. É nesse contexto, caro estudante, que encerramos a nossa primeira etapa e convidamos os estudantes para embarcar em mais uma jornada rumo ao próximo Objeto de Aprendizagem. Na próxima etapa (Etapa 2) iremos complementar o estudo com o objetivo de avançar um pouco mais nos conceitos teóricos-científicos acerca das variáveis até então estudadas, e entender em maiores detalhes as três grandes áreas das ciências sociais. Além disso, enfatizar os conceitos grupais que tanto caracterizam a nossa sociedade nacional. Homem, Cultura e Sociedade 42 Exercícios – Etapa 1 1) A antropologia pode ser definida como: a) Estudo das ciências humanas por se tratar de perspectivas genéticas b) Estudo sobre o homem e a humanidade em todas as suas dimensões c) Estudo filosófico e sociológico dos mais diferentes grupos brasileiros d) Estudo dos singulares comportamentos dos índios, como aponta Lévi- Strauss e) Campo interdisciplinar que articula a “psico” com o “anthropos” 2) A divisão clássica da antropologia distingue: a) A antropologia cultural da antropologia física ou biológica b) A antropologia grupal da antropologia individual c) A antropologia cultural com a evolução das espécies d) A antropologia física do ser humano e a antropologia do campo psicológico e) Apenas em antropologia cultural 3) Quem é um dos maiores nomes da antropologia estruturalista no mundo? a) Claude Lévi-Strauss b) Francisco Salzano c) Maurice Halbwachs d) Karl Marx e) Edward Taylor 4) De acordo com a antropologia, a identidade pode ser definida como: a) Uma soma concluída e independente das relações sociais b) Um conglomerado de pessoas com a mesma cultura e comportamentos sociais Homem, Cultura e Sociedade 43 c) Uma soma concluída de signos e influências nunca relacionada à alteridade d) Uma soma nunca concluída de signos e referências sempre relacionada com a ideia de alteridade e) Um documento que registra individualmente todas as pessoas no mundo 5) Qual o conceito de memória coletiva? a) Uma memória que não é passada de uma geração para a seguinte b) Memória individual caracterizada por aspectos pessoais como a idade da pessoa c) É a memória de um grupo de pessoas que surge da interação social d) Memória simples que não é compartilhada com todos os membros do grupo e) Nenhuma das anteriores 6) A maior crítica ao modo de produção capitalista é realizada por: a) Claude Lévi-Strauss b) Francisco Salzano c) Maurice Halbwachs d) KarlMarx e) Edward Taylor 7) Assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso: a) A cultura é um conceito antropológico ( ) b) A antropologia é o estudo da mente e do comportamento ( ) c) Edward Tylor foi o primeiro antropólogo a definir o conceito de cultura ( ) d) A antropologia nunca refutou a teoria da evolução e Charles Darwin ( ) e) A maior preocupação da antropologia está no componente genético que afeta as relações sociais ( ) 8) Qual a principal característica da sociedade humana contemporânea? a) A observação das coisas culturais b) O trabalho e o seu papel c) A quantidade de filhos que é maior Homem, Cultura e Sociedade 44 d) A inclusão dos animais como integrantes da sociedade humana e) Nenhuma das opções anteriores 9) A partir dos conceitos estudados, defina antropologia? 10) Diante do conteúdo, como podemos explicar o conceito de identidade social? Homem, Cultura e Sociedade 45 GABARITO 1. B 2. A 3. A 4. D 5. C 6. D 7. V, F, V, F, F 8. B 9. O estudante deverá dissertar sobre o conceito de antropologia com base na definição de que a antropologia é a ciência que tem como objeto o estudo sobre o homem e a humanidade de maneira totalizante, bem como abrangendo todas as suas dimensões. Pode também apontar sobre as divisões da antropologia e salientar que antropologia cultural estuda a diversidade cultural humana, tanto de grupos contemporâneos, como extintos. 10. O estudante deve abarcar o conceito de identidade no que tange à antropologia, que conceituam a identidade como uma soma nunca concluída de um aglomerado de signos, referências e influências que definem o entendimento relacional de determinada entidade, humana ou não humana, percebida por contraste, ou seja, pela diferença ante as outras, por si ou por outrem. Assim, a identidade está sempre relacionada à ideia de alteridade, porque é necessário existir o outro e seus caracteres para se definir então por comparação e diferença. É nesse sentido que destacamos o aspecto social. Homem, Cultura e Sociedade 46 2 Objeto de Aprendizagem Etapa 2 Homem, Cultura e Sociedade 47 Olá, estudantes! Agora, vamos para a nossa segunda etapa de estudos. Animados? Bem, nessa segunda etapa, iremos dar continuidade ao nosso tema central, mas o foco agora é avançar um pouco mais nos conceitos teóricos- científicos das três grandes áreas das ciências sociais, que se enquadra no Colégio de Humanidades estabelecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes. Assim, poderemos evoluir o estudo para os conceitos grupais que tanto caracterizam a sociedade brasileira, sendo um dos fenômenos que merecem maior atenção dos estudantes da área. Objetivos Analisar os aspectos de identidade, temperamento, personalidade e caráter; Entender os processos do indivíduo e o seu autoconhecimento; Compreender as três áreas das ciências sociais: antropologia, sociologia e psicologia. Refletir sobre o evolucionismo social e a abordagem da diversidade cultural: história, evolução e progresso. Enfatizar o processo grupal, principalmente ligado ao trabalho. Planejamento Seção 9: Identidade, temperamento, personalidade e caráter. Seção 10: Indivíduo e o seu autoconhecimento. Seção 11: Antropologia, sociologia e psicologia. Seção 12: Evolucionismo social e a abordagem da diversidade cultural: história, evolução e progresso. Seção 13: Processo grupal. Bons estudos! Homem, Cultura e Sociedade 48 Seção 9 - Identidade, temperamento, Personalidade e caráter O nosso primeiro fenômeno a ser apresentado é a identidade. A identidade do sujeito é um fenômeno relacional, e é possível afirmar que as identidades são continuamente reafirmadas e redefinidas ao longo da vida (Ciampa, 1996). Antonio Ciampa já salientava que o indivíduo está sempre inserido na tensão entre a afirmação a um determinado grupo no qual compartilha crenças, valores e significados, e a oposição, que é caracterizada pelo distanciamento de um determinado grupo. Assim, a identidade se subdivide em identidade pessoal e identidade social. A identidade pessoal é influenciada pelas experiências subjetivas incorporadas ao autoconceito (quem sou eu?). Já a identidade social é implicada no exercício de papéis e pertencimento a grupos sociais. Assim, Sônia Gondim e outros pesquisadores em 2016 afirmam que não se nasce com uma identidade, mas que cada pessoa tem um papel ativo e reflexivo no processo de construção de sua identidade e que tal processo se dá por meio da interação social durante a trajetória de vida. Dessa maneira a depender do meio em que o sujeito está inserido e as trocas que estabelece, fazem com que as identidades se atualizem continuamente. É nesse contexto que tendo em vista os inúmeros papéis sociais e grupos de pertencimento, Stryker e Serpe (1994) salientaram que as identidades se organizam em uma hierarquia que passa por mudanças a depender das fases da trajetória de cada um. O nosso segundo fenômeno a ser apresentado é o temperamento. Essa palavra é de origem latina, sendo sua forma literal “temperaramentum” que significa medida. Assim, o temperamento representa a peculiaridade e intensidade individual dos afetos psíquicos e da estrutura dominante de humor e motivação. Homem, Cultura e Sociedade 49 Algumas características do temperamento são decorrentes de processos fisiológicos do sistema linfático e da ação endócrina de certos hormônios, ou seja, de cunho biológico. Fazendo um breve paralelo histórico, há 2500 anos ocorreu a primeiro estudo do comportamento humano, classificando o temperamento em 4 tipos básicos: (1) Sanguíneo: excesso de sangue. Típico de pessoas com humor variado; (2) Melancólico: excesso de fluido nervos. Característico de pessoas tristes e nervosas; (3) Colérico: excesso de bílis. Peculiar de pessoas mais impulsivas e de humor variado; (4) Fleumático: excesso de muco (fleuma). Encontrado em pessoas de sangue frio. Assim é que o temperamento é uma disposição inata e particular de cada pessoa, pronta para reagir aos estímulos ambientais. É a maneira de ser e agir da pessoa, geneticamente determinada. Como se fosse, então, o aspecto somático da personalidade (que veremos mais sobre mais a frente). É entendido como especial combinação de caracteres físicos e funcionais. Os estudos das estruturas do Sistema Nervoso Central, são sede de alguns componentes do temperamento, tais como: Emotividade, Agressividade, Sexualidade, Humor, Sociabilidade e Impulsividade. Conclui-se, portanto, que o temperamento pode ser transmitido de pais para filhos, porém, não é aprendido, nem pode ser educado (VOLPI, 2004). Nesse sentido, passamos para o próximo fenômeno, que é a personalidade. Podemos afirmar que, a mesma, é formada durante as etapas do desenvolvimento psicoafetivo. A personalidade recebe influência tanto dos elementos geneticamente herdados, como dos adquiridos do meio ambiente. Pode ser definida como uma organização integrada de todas as características cognitivas, afetivas e físicas de um indivíduo, como se manifesta em distintas situações e atribui significado especial para outras (VOLPI, 2004). O que diferencia o temperamento da personalidade? (1) O temperamento é biologicamente determinado e a personalidade é um produto do ambiente social. Homem, Cultura e Sociedade 50 (2) Características temperamentais podem ser identificadas já cedo, ao passo que a personalidade é moldada durante os períodos do desenvolvimento infantil. (3) A personalidade é prerrogativa dos seres humanos, nos animais podemos identificar traços de temperamentos. (4) O temperamento apresenta aspectos estilísticos. A personalidade contém aspectos do comportamento. (5) Ao contrário do temperamento, a personalidade se refere à função integrativa docomportamento humano. Partindo desse pressuposto, o próximo fenômeno a ser apresentado é o caráter. Tal termo é originário de grego charakter e refere-se a sinal ou marca. No estudo da personalidade denota aqueles aspectos que foram gravados, inscritos em cada indivíduo durante seu desenvolvimento. O caráter, portanto, é o modo habitual e global, o modo próprio de um indivíduo reagir no ambiente social que está inserido (VOLPI, 2004). Assim, é a diferente e típica atitude assumida pela pessoa diante de valores como o estético, o econômico, o político, o social e o religioso. Diante disso, podemos afirmar que o caráter é o conjunto de reações e hábitos de comportamento que vão sendo adquiridos ao longo da vida e que especificam o modo individual de cada pessoa em particular. Além disso, afirmamos que ele vai se estruturando gradativamente no curso da vida, sob influência de fatores ambientais (família, educação, condição social), os quais atuam de maneira variada, modificando tendências iniciais. O caráter não se manifesta de forma definitiva na infância, vai se formando enquanto atravessa as distintas fases do desenvolvimento psicossexual, até alcançar sua completa expressão ao final da adolescência. Assim é que concluímos apontando que a estrutura familiar, clima psicológico no ambiente, tipo de educação estão diretamente relacionados com estruturação do caráter. Sigmund Freud salientava em seus estudos que o caráter de um homem é formado pelas pessoas que ele escolheu para conviver. Homem, Cultura e Sociedade 51 Seção 10 - Indivíduo e o seu autoconhecimento Ao falar de indivíduo, logo pensamos em indivíduos, não é mesmo? Afinal, não construímos nada sozinho. Mesmo que não fisicamente, dependemos de pessoas a todo o momento, quer seja, para consumir algo que foi fabricado por outros, quer seja para ler um conteúdo escrito por outros. Assim, para conversarmos sobre o processo de autoconhecimento dos indivíduos, recorreremos à ideia de gestão de pessoas, porque dessa forma estaremos intimamente ligados a esse processo. De acordo com Gondim, Souza e Peixoto (2013) há dois tipos de racionalidades a serem consideradas quando pensamos na gestão de pessoas. (1) Racionalidade Instrumental: Prioriza o alcance dos fins a partir da escolha dos melhores meios. Visa a eficiência do processo. Prioriza o alcance dos objetivos no menor tempo possível. (2) Racionalidade Substantiva: Baseia-se nos valores para atingir os fins pretendidos. Visa eficácia do processo. Prioriza o alcance dos objetivos levando em conta os valores pessoais e coletivos. O Modelo de gestão de pessoas é a maneira mais eficaz de compreender processos da sociedade contemporânea. Além disso, conseguimos abarcar uma de suas principais características, que é o aspecto do trabalho. Assim, é possível compreender como uma organização se estrutura e se organiza para gerenciar e orientar o comportamento humano no contexto de trabalho (característico do homem, de sua cultura, e da sociedade em geral). Na literatura da área, há três grandes modelos que sintetizam e mostram os caminhos percorridos ao longo do tempo: o instrumental, o político e o estratégico. Embora falemos deles em separado, na prática, eles influenciam- se mutuamente e unem-se compondo modelos híbridos, dependendo dos valores da organização, do setor de atuação e das concepções de pessoas daqueles profissionais que atuam na área de gestão. Homem, Cultura e Sociedade 52 O modelo instrumental atribui uma maior ênfase no resultado e na dimensão técnica (Descrição de cargos, recrutamento, seleção, qualificação e avaliação de desempenho). O modelo político já evidencia a solução negociada de conflitos de interesses por meio da participação (Definição de políticas e práticas de gestão de pessoas contingenciais e mutáveis). Por fim, o modelo estratégico enfatiza no alinhamento entre objetivos organizacionais e políticas e práticas de gestão de pessoas (A atuação na área de gestão de pessoas é ampla, envolvendo todos os processos organizacionais). Assim, caros estudantes, entendendo os modelos de gestão de pessoas passamos então para os três eixos desse segmento, que são: (1) ingresso de pessoas, no qual ocupa-se da entrada de pessoas em uma estrutura em que possui uma dinâmica social e principalmente cultural específica; (2) O desenvolvimento profissional, que são ações de aprendizagem que visam melhorar a qualidade de vida das pessoas no ambiente; e por fim, (3) A valorização, que são um conjunto de práticas que visam a recompensar as pessoas como contrapartida do trabalho realizado. É nesse sentido que o conceito de ergonomia se aplica à vivência do indivíduo de acordo com o seu autoconhecimento. Voltando a destacar que raras são as pessoas que vivem sozinhos e independente de quaisquer outras pessoas. Assim, já que vivemos em um mundo relacional, e que o trabalho é um dos principais fatores que caracterizam a sociedade contemporânea, a ergonomia está aí justamente para ampliar a qualidade de vida e bem- estar das pessoas nesse lugar. Muitas vezes passamos a maior parte de nossas vidas no trabalho, seja ele interno ou externo ao ambiente que significamos como casa. É por isso que pensar esses fenômenos relacionados ao trabalho é de extrema importância para compreensão holística do homem, cultura e sociedade à luz da esfera atual. A ergonomia, portanto, pode ser definida como a adaptação do trabalho ao homem ou, mais precisamente, como aplicação de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários para conceber ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficácia (Sociedade de Ergonomia de Língua Francesa – SELF em FERREIRA; ALMEIDA; GUIMARAES, 2013). Homem, Cultura e Sociedade 53 Portanto, os fenômenos relacionados à ergonomia podem ser caracterizados em três grandes eixos, uma vez que a ergonomia lida de modo invariável com tensões e conflitos de interesse. Assim, temos a Ergonomia do Indivíduo, que está ligada a anatomia, antropometria, fisiologia e biomecânica. A Ergonomia Cognitiva, que é um aspecto psicológico ligado a percepção, memória, raciocínio e respostas motoras. E, por fim a Ergonomia Organizacional, que se preocupada com a otimização dos sistemas sóciotécnicos, mais ligada ao quesito social. Esses três grandes eixos serão mais bem explicados na próxima seção, cujo objetivo é trazer os conceitos da antropologia, psicologia e sociologia a esse contexto. Homem, Cultura e Sociedade 54 Seção 11 - Antropologia, sociologia e psicologia Os três grandes eixos aqui apresentados são os fundamentos teóricos para conversarmos sobre o homem, quer seja o indivíduo ou a equipe, as diversas culturas que permeiam os 193 países no mundo, e a partir disso a sociedade contemporânea. Considerando o papel do trabalho a esse contexto, é possível apresentar que a Ergonomia da Atividade pode ser definida como o “espaço” existente entre o que é prescrito e o que é real. É uma estratégia de adaptação às situações reais de trabalho, e a distância entre o prescrito e o real constitui-se na manifestação concreta das contradições sempre presentes nos contextos das sociedades. A concepção de ser humano estabelecida é a de que o ser humano é como um ser singular, único, que só pode ser compreendido na inter-relação que se estabelece no contexto de trabalho. O respeito à variabilidade e à diversidade humana (inter e intraindividuais) devem ser elencados. Assim, o homem é um ser inteligente que interpreta, organiza, antecipa procedimentos e utiliza estratégias a fim de dar conta das exigências, imposições e imprevisibilidades de sua atividade (FERREIRA et al., 2013). A compreensão de ser humano em seu vínculo com o real e não com o abstrato faz parte desse conceito,e o caracteriza como ator social que sente, age, pensa e modifica o ambiente e é por ele modificado. As atividades de trabalho, por exemplo, demandam e exigem do trabalhador o emprego de esforços e competências. Estas exigências são denominadas Custo Humano no Trabalho (CHT), e podem ser Físicas, Cognitivas e Afetivas. Em consequência, os trabalhadores empregam Estratégias de Mediação Individual e Coletiva (EMIC’s), que são modos de pensar, sentir e agir próprios de cada pessoa ou do grupo. Isso é posto a fim de superarem e transformarem as contradições vivenciadas no contexto produtivo. Assim, estas estratégias visam à manutenção da saúde do homem- trabalhador. Homem, Cultura e Sociedade 55 Os três grandes eixos que se dedicam a essas temáticas, quer seja antropologia, sociologia ou a psicologia, é consenso que o trabalho é uma atividade central na experiência do ser humano com o mundo. E que, o mesmo, é importante tanto no plano objetivo como no subjetivo. No plano objetivo o trabalho é a principal fonte de sobrevivência, tanto pessoal como da espécie. Já sua importância subjetiva diz respeito à capacidade de produzir significados. Com as pessoas que trabalhamos unimos conhecimento e então, surge a necessidade de organizar o trabalho. Envolve o próprio indivíduo que trabalha, fazendo parte da construção de identidade, por exemplo, sou antropólogo, sou psicólogo, sou sociólogo, sou médico. Assim, surge a ideia de carreira como forma pessoal de construir significados na experiência de trabalho e um meio social de organizar esse trabalho. Considerando os estudos nos três grandes eixos aqui apresentados (antropologia, sociologia e psicologia), a ideia comum de cargos interligados e regidos por uma “racionalidade instrumental” (foco na eficiência e na eficácia dos procedimentos) é elaborada como um dos primeiros pilares do campo de estudos das carreiras (GUNZ; PEIPERL, 2007). Whyte em 1956 criticou o que chamou de “homem organização”. Esse seria um indivíduo obcecado pela ideia de ascensão na carreira e pela devoção à organização. Whyte observou que os jovens de sua época não pareciam interessar-se por uma vida autônoma e auto decidida, mas sim pelo caminho de carreira oferecido pelas organizações. Hughes (1937) assim como Durkheim, se interessava nas consequências sociais da divisão do trabalho, o que implicaria tanto no eixo da sociedade, quanto no eixo individual e psicológico do sujeito. Hughes, portanto, foi um dos pioneiros a realizar uma distinção conceitual entre carreira objetiva e carreira subjetiva. A carreira objetiva reflete a sequência das posições e dos papéis ocupados pelo indivíduo ao longo da vida de trabalho. Esses papéis ditam o status social do indivíduo. A carreira subjetiva refere-se à interpretação pessoal dos papéis e das experiências de trabalho. A carreira, por sua vez, é definida como uma perspectiva dinâmica pela qual a pessoa concebe sua vida Homem, Cultura e Sociedade 56 como um conjunto e interpreta o significado de suas diversas características, das ações e das coisas que lhe ocorrem (MAGALHÃES; BENDASSOLLI, 2013). Assim, o trabalho continua sendo uma dimensão central da experiência humana, e as carreiras têm um papel psicossocial decisivo ao funcionar como forma de mediação entre o trabalho, como papel social e como vivência psicológica de construção de significados, de autodesenvolvimento e autorrealização. Nessa seção, portanto, foi possível verificar uma interligação dos três grandes eixos aqui apresentados no contexto do homem e seu trabalho. Homem, Cultura e Sociedade 57 Seção 12 - Evolucionismo social e a abordagem da diversidade cultural: história, evolução e progresso Bem, estudantes, nessa seção continuaremos com nosso foco nos aspectos que caracterizam a sociedade contemporânea, no entanto, apresentando um pouco mais da história, evolução e progresso nesse contexto. Na ótica da antropologia, o evolucionismo social é um processo epistemológico pelo qual se tem como forma de desenvolvimento pleno, a ideia de um processo de aculturamento com base nas chamadas teorias evolucionistas. Assim, refere-se às teorias antropológicas e econômicas de desenvolvimento social que consideram que as sociedades têm início em um estado primitivo e gradualmente tornam-se mais civilizadas com o passar do tempo. Essa mesma concepção evolutiva é vista no homem quando se trata de seu trabalho ou carreira. É nesse contexto que os pontos de vista de trabalho e carreira também foram transformados ao longo do tempo. Há uma quebra das fronteiras, em que as carreiras não são mais “lineares” como eram no contexto do emprego. O enfraquecimento dos papéis ocupacionais deu margem à emergência da iniciativa e dos valores pessoais, mudando o posicionamento do indivíduo no campo do trabalho. Isso levanta a necessidade de uma definição de carreira compatível com o novo momento sócio-histórico. Assim é que alguns pesquisadores como Mark Savickas, autor da Teoria de Construção da Carreira, considera a carreira não mais como uma sequência de empregos ou promoções ao longo da vida, mas como um processo construtivo, pessoal e social dos significados atribuídos às escolhas profissionais (DUARTE et al., 2010). É nesse sentido que a carreira é aqui conceituada, como uma construção subjetiva formada pelas experiências passadas, atuais e expectativas futuras relacionadas ao trabalho a partir das decisões tomadas pelo próprio trabalhador. Considerando os aspectos culturais, sociais e individuais. Homem, Cultura e Sociedade 58 Seção 13 - Processo grupal De uma forma bem ampla, o processo grupal ou, ainda, os processos grupais são experiências fundamentais para as nossas formações, estruturações de convicções e para o desenvolvimento de nossas capacidades. Interligado com as seções anteriores é possível identificar a real necessidade o ser humano em se manter em grupo. O próprio conceito de identidade, temperamento, personalidade e caráter salientam essa teoria. Além disso, ao enfatizarmos também os aspectos do trabalho e do trabalhador, novamente estamos diante dos processos grupais. Assim, com toda a carga das experiências anteriormente vividas que nós jogamos em novas experiências de relacionamentos grupais, a nossa inserção grupal pode ser realizada de uma forma consciente ou não. Temos consciência de que participamos de alguns grupos, ou seja, aqueles que aderimos por uma opção pessoal ou identificação. Já a participação nos demais é feita, geralmente, de maneira rotineira e sem nos darmos conta, e muitas vezes somos carregados pelo grupo. Assim, esses são os chamados grupos "espontâneos" ou "naturais" (CARLOS, 1998). Há também os grupos estruturados com finalidades específicas, organizados e coordenados pelos próprios participantes, ou por profissionais das mais variadas formações, por exemplo os grupos de anônimos (Aas e Nas), os grupos ligados às Igrejas que atuam nas comunidades, grupos que atuam nos partidos políticos, nos sindicatos, nas escolas, nas fábricas, nas praças, e diversos outros grupos. Todos os grupos podem estar a serviço da transformação social quanto da sua manutenção. Nesse sentido, estamos rodeados de grupos e participando ou negando participar deles em todos os momentos de nossas vidas. Historicamente, sabe-se que o vocábulo "groppo" ou "grupo" surgiu no século XVII e referia-se ao ato de retratar, artisticamente, um conjunto de pessoas. Homem, Cultura e Sociedade 59 Regina Duarte Benevides de Barros (1994), doutora em Psicologia, diz que foi somente no século XVIII que o termo passou a significar "reunião de pessoas". Assim, Regina Barros afirma que o termo pode estar ligado tanto a ideia de "laço, coesão", quanto a de "círculo". Tanto a Sociologia quanto a Psicologia têm demonstradointeresse no estudo dos pequenos grupos sociais, pensando o "grupo" como uma intermediação entre o "indivíduo" e a "massa". Na Psicologia, portanto, o estudo sistemático dos pequenos grupos sociais, busca compreender a dinâmica dos mesmos, tendo início na década de 30 e 40, com Moreno e Kurt Lewin. Moreno inicia com o "teatro da espontaneidade" que depois vai levar ao Psicodrama. Na área de pesquisa cria a Sociometria para o estudo de relações de aproximação e afastamento entre as redes de preferência e rejeição, tanto nos grupos quanto na comunidade como um todo. Lewin cria o termo "dinâmica de grupo", que foi utilizado pela primeira vez em 1944. Além disso, cabe salientar para a nossa disciplina que a preocupação com grupos, de Moreno e de Lewin aparecem em seguida às inovações tayloristas e fordistas que levam à elevação dos lucros mas também à deterioração das relações tanto dos operários entre si quanto em relação a chefias e patrões. Ponto que discutimos em seções anteriores acerca do capitalismo contemporâneo, lembram? Assim é que vemos as interligações existentes nas nossas seções dentro de cada Objeto de Aprendizagem. Sobre os grupos, portanto, há uma tradição no estudo e na intervenção com pequenos grupos que privilegia o treinamento em busca da produtividade. Os especialistas em grupos se voltam à aplicação de técnicas grupais que desenvolvem a cooperação entre os participantes e não levam o grupo a se autocriticar e buscar o seu caminho para o funcionamento, pois uma das possibilidades é não mais se constituir enquanto grupo. Neste caso, portanto, a constituição do grupo está a serviço da instituição, como instrumento de controle sobre os indivíduos, problema essa que já estamos discutindo à luz da contemporaneidade. Conclui-se, por fim ,que a função do grupo é definir papéis, o que leva a definição da identidade social dos indivíduos. Homem, Cultura e Sociedade 60 Referências Bibliográficas BARROS, Regina Duarte Benevides. Grupo: a afirmação de um simulacro. 1994. 1994. Tese de Doutorado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo. CIAMPA, A. D. C., & estória do Severino, A. (1996). A História da Severina: um ensaio de Psicologia Social. São Paulo: Brasiliense. CARLOS, Sergio Antonio. O Processo Grupal. In: Strey, Marlene et al (org.) Psicologia Social Contemporânea: livro-texto. Petrópolis: Vozes, 1998. P. 199-206 DUARTE, Maria Eduarda et al. A construção da vida: Um novo paradigma para entender a carreira no século XXI. Interamerican Journal of Psychology, v. 44, n. 2, 2010. FERREIRA, M. C.; ALMEIDA, C. P.; GUIMARAES, M. C. Ergonomia da atividade: uma alternativa teórico-metodológica no campo da psicologia aplicada aos contextos de trabalho. In: Lívia de Oliveira Borges; Luciana Mourão. (Org.). O Trabalho e as Organizações: atuações a partir da Psicologia. 1ed.Porto Alegre: Artmed, 2013, v. Único, p. 557-580. GONDIM, S. M. G.; BENDASSOLLI, P.; PEIXOTO, L. S. A. A Construção da Identidade Profissional na Transição Universidade-Mercado de Trabalho. O Estudante Universitário Brasileiro: Características Cognitivas, Habilidades Relacionais e Transição para o Mercado de Trabalho, p. 219-234, 2016. GONDIM, Sônia Maria G.; SOUZA, Janice Janissek de; PEIXOTO, Adriano de Lemos A. Gestão de pessoas. O trabalho e as organizações: atuações a partir da Psicologia. Porto Alegre: Artmed, p. 343-375, 2013. GUNZ, Hugh P.; PEIPERL, Maury. Handbook of career studies. SAGE publications, 2007. HUGHES, Everett C. Institutional office and the person. 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Homem, Cultura e Sociedade 62 Leitura Complementar BRUBAKER, Rogers; COOPER, Frederick. Para além da “identidade”. Antropolitica Revista Contemporanea de Antropologia, n. 45, 2019. CARNEIRO, Clarisse; BINDÉ, Pitágoras José. A psicologia ecológica e o estudo dos acontecimentos da vida diária. Estudos de Psicologia, v. 2, n. 2, 1997. CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. Editora Paz e Terra, 2018. DE MELO, Armando Sérgio Emerenciano; MAIA FILHO, Osterne Nonato; CHAVES, Hamilton Viana. Conceitos básicos em intervenção grupal. Encontro: Revista de Psicologia, v. 17, n. 26, p. 47-63, 2015. GONÇALVES, Camila Salles; WOLFF, José Roberto; DE ALMEIDA, Wilson Castello. Lições de psicodrama: introdução ao pensamento de JL Moreno. Editora Agora, 1988. LEITE, Dante Moreira. O caráter nacional brasileiro: história de uma ideologia. Unesp, 2002. NOGUEIRA, Vanessa Trindade et al. A importância do grupo como apoio no processo de reinserção no mercado de trabalho. Disciplinarum Scientia| Ciências Humanas, v. 19, n. 1, p. 53-63, 2018. Homem, Cultura e Sociedade 63 Finalizando a Etapa 2 Caros estudantes, Mais uma vez ressalto para a importância de testar seus conhecimentos realizando algumas atividades de autoavaliação disponíveis no seu ambiente virtual de aprendizagem. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Diante do exposto, os principais objetivos propostos para essa primeira etapa foram alcançados, em que abordamos todos os tópicos previsto para essa segunda etapa. Cada seção teve sua particularidade, mas ficou clara a relação existente em cada uma delas. É nesse contexto, caro estudante, que encerramos a nossa segunda etapa e embarcaremos para a nossa última viagem rumo ao próximo Objeto de Aprendizagem. Na próxima etapa (Etapa 3) iremos complementar o estudo com o objetivo de avançar um pouco mais nos conceitos dos processos psicológicos, bem como apresentar a sua relação com a sociologia e com a antropologia que já foram bem difundidas nas primeiras unidades. Assim, encerraremos a última etapa com uma abordagem sistemática em que o homem é produtor de conhecimento e significados e enfatizar os aspectos da subjetividade nesse contexto. Homem, Cultura e Sociedade 64 Exercícios – Etapa 2 1) Diante do estudado, a identidade se subdivide em: a) Identidade genética e Identidade humana b) Identidade social e Identidade espiritual c) Identidade pessoal e Identidade social d) Identidade pessoal e Identidade individual e) Identidade social e Identidade grupal 2) Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso: a) O Modelo de gestão de pessoas é a maneira mais eficaz de compreender processos da sociedade contemporânea ( ) b) Pensar fenômenos relacionados ao trabalho não contribui para a reflexão do comportamento do homem ( ) c) A Ergonomia busca ampliar a qualidade de vida e bem-estar do homem ( ) d) Antropologia é a única área que estuda o homem e seu comportamento ( ) e) O indivíduo é dependente de outros indivíduos para sobreviver ( ) 3) Antropologia, sociologia e psicologia são consideradas três grandes eixos para o estudo da sociedade. É consenso entre as três áreas que: a) O trabalho é uma atividade centralna experiência do ser humano com o mundo b) O trabalho não é necessário para o desenvolvimento humano c) O ser humano e os demais seres vivos possuem a mesma interação social d) Podemos estudar a sociedade apenas com base em uma cultura, pois todas são iguais e) Nenhuma das anteriores Homem, Cultura e Sociedade 65 4) A concepção evolutiva que estamos nessa etapa 2 pode ser vista no homem quando: a) Quando se trata de seus aspectos físicos peculiares b) Quando se trata de seu trabalho ou carreira c) Quando se trata de seu nível grupal d) Quando se trata do tipo de cultura e família está inserido e) Quando se trata de sua faixa etária 5) O que é Racionalidade Substantiva? a) Baseia-se nos valores para atingir os fins pretendidos b) Visa eficácia do processo c) Prioriza o alcance dos objetivos levando em conta os valores pessoais d) Considera os valores coletivos de todo o grupo e) Todas as alternativas estão corretas 6) Sobre a definição de caráter, é possível afirmar que: a) É um conjunto de reações e hábitos de comportamento que são adquiridos ao longo da vida b) É um conjunto de comportamento que nasce com o sujeito c) É a maneira de ser da pessoa que foi herdada geneticamente pelos pais d) O caráter não é construído e) O caráter não tem definição exata porque se trata de algo muito abstrato 7) Assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso: a) A carreira é uma sequência de empregos ( ) b) Ter uma carreira é ser promovido na empresa ( ) c) A carreira é uma construção subjetiva ( ) d) Experiências passadas e atuais contribuem para a construção da carreira ( ) Homem, Cultura e Sociedade 66 e) É preciso considerar os aspectos culturais, sociais e individuais ( ) 8) Sobre o temperamento, assinale a alternativa incorreta: a) O temperamento é uma disposição inata e particular de cada pessoa b) O temperamento é totalmente construído ao longo da vida e nada depende dos aspectos genéticos c) O temperamento pode ser transmitido de pais para filhos d) O temperamento não é aprendido, nem pode ser educado e) O temperamento é a maneira de ser e agir da pessoa geneticamente determinada 9) A partir dos conceitos estudados, como podemos definir a identidade, temperamento, personalidade e caráter? 10) Diante do conteúdo, qual a principal diferente entre carreira objetiva e carreira subjetiva? Homem, Cultura e Sociedade 67 GABARITO 1. C 2. V, F, V, F, V 3. A 4. B 5. E 6. A 7. F, F, V, V, V 8. B 9 – A identidade se subdivide em identidade pessoal e identidade social. A identidade pessoal é influenciada pelas experiências subjetivas incorporadas ao autoconceito (quem sou eu?). Já a identidade social é implicada no exercício de papéis e pertencimento a grupos sociais. O temperamento é uma disposição inata e particular de cada pessoa, pronta para reagir aos estímulos ambientais. É a maneira de ser e agir da pessoa, geneticamente determinado e pode ser transmitido de pais para filhos, porém, não é aprendido, nem pode ser educado. Já a personalidade recebe influência tanto dos elementos geneticamente herdados, como dos adquiridos do meio ambiente. Por fim, o caráter é o conjunto de reações e hábitos de comportamento que vão sendo adquiridos ao longo da vida. 10 – A carreira objetiva reflete a sequência das posições e dos papéis ocupados pelo indivíduo ao longo da vida de trabalho. Esses papéis ditam o status social do indivíduo. A carreira subjetiva refere-se à interpretação pessoal dos papéis e das experiências de trabalho. Homem, Cultura e Sociedade 68 3 Objeto de Aprendizagem Etapa 3 Homem, Cultura e Sociedade 69 Olá, estudantes! Agora, vamos para a nossa última etapa de estudos. Fecharemos todo o conteúdo da disciplina para realizar um paralelo sobre tudo que foi estudado até aqui. Damos início a nossa última etapa com o objetivo de trazer alguns conceitos-chave dos processos psicológicos, bem como apresentar a sua relação com a sociologia e com a antropologia que já foram bem difundidas nas duas etapas anteriores. Assim, fecharemos o processo de aprendizagem de vocês acerca do homem, cultura e sociedade, com uma abordagem sistemática em que o homem é produtor de conhecimento e significados, além de enfatizar os aspectos da subjetividade nesse contexto. Objetivos Entender os principais processos psicológicos; Compreender os conceitos de psicopatologias; Avaliar a relação existente entre Psicologia, Sociologia e Antropologia; Refletir sobre diversidade cultural e desigualdade social; Compreender os aspectos principais da Sociologia clássica; Analisar o ser humano como produtor de conhecimento e significados; Planejamento Seção 14: Processos psicológicos Seção 15: Psicopatologias Seção 16: Relação entre psicologia, sociologia e antropologia Seção 17: Relações entre o significado de cultura, de diversidade cultural e da desigualdade social no mundo contemporâneo Seção 18: Ser humano como produtor de conhecimento, significados sociais e simbólicos Seção 19: Sociologia clássica Seção 20: Subjetividade humana Bons estudos! Homem, Cultura e Sociedade 70 Seção 14 - Processos psicológicos Para pensarmos nos processos psicológicos básicos, é preciso entender que o desenvolvimento das funções psicológicas superiores já vem sendo alvo de estudos há décadas. Um dos grandes nomes nesse campo de estudo foi o psicólogo Vygotski, que é reconhecido como um pioneiro da psicologia do desenvolvimento (NEVES; DAMIANI, 2006) Existem algumas funções mentais consideradas básicas do ser humano, entre elas estão: (1) emoção; (2) percepção; (3) atenção; (4) memória; (5) pensamento; (6) linguagem; (7) motivação; e (8) aprendizagem. Todas essas funções aqui apresentadas são caracterizadas na psicologia como os Processos Psicológicos Básicos. Tais funções podem derivar tanto das interações de processos inatos quanto de processos adquiridos na experiência e vivência do sujeito com o meio. Apesar das distinções desses processos é por meio de sua relação e influência que vocês, caros, estudantes, poderão entender melhor a dinâmica da mente, pois eles interagem entre si o tempo todo. Assim, esses oito processos básicos salientados são os recursos que nós temos para nos adaptarmos ao mundo, ou seja, o que chamamos na psicologia de comportamento humano. Tais fenômenos mentais internos nos permitem modificar nosso ambiente e nossa realidade para a adaptação ao meio. Assim, cabe destacar em maiores detalhes um pouco mais desses oito processos psicológicos básicos elencados. O primeiro processo é a emoção. A emoção é considerada como um estado mental subjetivo associado a uma variedade de sentimentos, comportamentos e pensamentos (DE CAMARGO, 1999). A emoção pode desempenhar um papel central nas atividades do ser humano, já que são as responsáveis pela alteração de outros fenômenos. Alguns pesquisadores a consideram como resultante de influências aprendidas e inatas. Assim é que são definidas como reações aos estímulos externos que nos permitem guiar o comportamento e agir rapidamente em resposta às demandas do ambiente. É Homem, Cultura e Sociedade 71 importante entender que qualquer decisão é mediada por nossas emoções em maior ou menor grau. O segundo processo é a percepção. A percepção é a encarregada de que tenhamos uma imagem da realidade do nosso meio. É esta que nos dá a informação dos estímulos externos através dos sentidos, por exemplo a percepção dos bebês como salientado por Tristão e Feitosa (2003). Isto posto, destaca-se que a percepção é a responsável por organizar e dar significado a qualquer estímulo sensorial. A sua função, portanto, é adaptativa, pois nos permite conhecer o ambiente e interagirmos com ele. Em suma, a percepção nos capacita a captar os estímulos do meio paraprocessamento da informação. Os órgãos dos sentidos são responsáveis pela captação das informações, ou seja, o processamento cerebral depende da visão, olfato, tato, entre outros sentidos. O terceiro processo é a atenção. A atenção é o processo encarregado de concentrar os recursos em uma série de estímulos e ignorar o restante. Em outras palavras é o que ocorre quando recebemos uma grande quantidade de estímulos que não podemos atender ao mesmo tempo (BARBOSA et al., 2013). O processo de atenção é adaptativo porque, se não existisse, ficaríamos perdidos sem saber a que estímulo deveríamos reagir. O quarto processo é a memória. A memória é o que permite a codificação das informações para armazená-las e depois recuperá-las (DE SÁ, 2007). Este é um dos mais importantes processos, pois está totalmente relacionado com todos os outros processos (por exemplo o pensamento, a linguagem e a aprendizagem). É a memória que nos permite lembrar informações explícitas (exemplo: qual o seu nome?) ou informações procedimentais (como andar de bicicleta). É de extrema importância termos informações sobre nossas experiências passadas para, então, criar expectativas futuras. O quinto processo é o pensamento. O pensamento é a capacidade de compreender, formar conceitos e organizá-lo. Estabelece relações entre os conceitos por meio de elementos de outras funções mentais e constroem novas representações (VYGOTSKY, 2008). O pensamento possibilita a associação de dados e sua transformação em informação estando Homem, Cultura e Sociedade 72 consequentemente associado com a resolução de problemas, tomadas de decisões e julgamentos. Na Psicologia esse é um dos processos mais complexos, por ser o responsável por transformar a informação para organizá- la e lhe dar sentido. A função do pensamento é atuar como mecanismo de controle diante das situações que nos são apresentadas. O sexto fenômeno é a linguagem. A linguagem é o que nos fornece a capacidade de nos comunicarmos uns com os outros, porque somo seres sociais (MIRANDA; SENRA, 2012). Esta comunicação, no caso dos humanos, é realizada através de um código simbólico complexo, que é a língua. A complexidade de nosso idioma nos permite descrever com precisão quase qualquer coisa, seja no passado, no presente ou no futuro. A linguagem reflete a capacidade de pensamento, que se uma pessoa tiver um transtorno de pensamento, imediatamente a sua linguagem poderá ser prejudicada. Junto aos processos cognitivos é que a linguagem se desenvolve e se as habilidades das funções mentais são crescentes assim os recursos linguísticos também serão. O sétimo processo é a motivação. A motivação é a responsável por fornecer ao corpo recursos para desempenhar comportamentos. Assim, ativa o corpo e o coloca no estado ideal. A motivação não apenas prepara o corpo, mas também se encarrega de dirigir a conduta entre as opções possíveis (TODOROV; MOREIRA, 2005). A sua principal função é fazer com que o indivíduo direcione a conduta em direção a suas metas e objetivos. O oitavo e último processo é a aprendizagem. A aprendizagem é o processo pelo qual modificamos e adquirimos conhecimentos, habilidades, experiências, comportamentos, entre outros fenômenos (OLIVEIRA, 2010). A aprendizagem está totalmente ligada à memória. O estudo da aprendizagem, portanto, muitas vezes é dado pelo ramo psicológico comportamental, o qual nos fornece as teorias do condicionamento clássico e operante, que explicam os mecanismos por meio dos quais aprendemos. Homem, Cultura e Sociedade 73 Seção 15 - Psicopatologias Bem, vamos iniciar essa seção apresentando a etimologia da palavra Psicopatologia. Psique, significa mente (como já vimos lá na nossa primeira etapa). Já Pathos, significa sofrimento ou doença. E por fim, Logo ou Logia, significa conhecimento. Assim, podemos investigar um pouco sobre as Psicopatologias. A Psicopatologia é foco de muitos estudos nas áreas da Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise. No campo Psicológico, por sua vez, faz parte da Psicologia Clínica, Psicologia Geral e Psicologia ligada às neurociências e pode ser caracterizada como o estudo descritivos dos fenômenos psíquicos não normais. É a responsável por estudar estudando comportamentos, expressões e relatos autodescritivos da pessoa diagnosticada. Tal junção de palavras aqui apresentadas resulta então na significação de que o paciente adoece de uma causa que ele mesmo desconhece e que faz com que reaja na maioria das vezes de forma imprevista. Assim é que essa á uma disciplina que estuda o sofrimento da mente e as doenças psíquicas. Se para os romanos, posição significava lugar onde uma pessoa ou coisa estaria colocada, para os gregos, a noção de posição é de natureza muito mais relacional. Da posição determinada pela postura do corpo, diferenciavam pelo menos duas outras: a do historiador, que não inventa, apenas ouviu falar por aí, e a do teatro, que mostrava o corpo humano em um estado natural de pathos (sofrimento). Em estudo recente, Manoel Tosta Berlinck em 2018 publicou um artigo salientando que se pensar o psiquismo e o aparelho psíquico como prolongamentos do sistema imunológico e já que, pathos é sempre somático, a psique é, seguindo a tradição socrática, estritamente corporal. É próprio da Psicopatologia Fundamental, reconhecer a existência de múltiplas posições corporais-discursivas e reconhecer que aqueles que ocupam outras posições reconheçam a especificidade de sua posição. A partir do conceito de posição, Homem, Cultura e Sociedade 74 e seus desdobramentos em pathos e logos, Berlinck (2018) desenvolve sua concepção de Psicopatologia Fundamental. Essa área do conhecimento, busca estudar os estados psíquicos relacionados ao sofrimento mental do indivíduo e pode ser compreendido por diferentes objetivos, métodos e questões, pois além de ter como base disciplinas como a biologia e a neurociências, ainda se constitui de outras áreas de conhecimento como psicologia, antropologia, sociologia, filosofia, linguística e história. Portanto, o sofrimento mental é compreendido pela combinação desses saberes. Paulo Dalgalarrondo é um dos principais estudiosos sobre essa área. Professor Titular de Psicopatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e Doutor em Medicina pela Universidade de Heidelberg, Alemanha. Dalgalarrondo é o responsável pela construção do livro Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Esse livro é referência nacional na área e já está em sua segunda edição. É considerado como uma fonte introdutória de reflexão sobre a psicopatologia e auxilia o leitor no aprendizado do exame acurado do paciente, ajudando-o na identificação dos diversos transtornos psiquiátricos. Para quem quiser se aprofundar na temática esse livro-texto irá ajudar muito. Há transtornos comumente conhecidos, por exemplo: transtorno de ansiedade ataques de pânico transtorno fóbicos fobia social agorafobia transtorno obsessivo compulsivo (TOC) transtorno de humor e bipolar transtorno alimentar transtorno depressivo Homem, Cultura e Sociedade 75 esquizofrenia transtornos de personalidade borderline (TPB) Embora tenhamos alguns transtornos mais comuns, o livro avança em aspectos detalhados de cada um deles e de suas especificidades. Assim é que o homem, sua cultura e a sociedade está no engendro de tais questões, sendo todo, sobremaneira, afetados pelas concepções da Psicopatologia. Homem, Cultura e Sociedade 76 Seção 16 - Relação entre psicologia, sociologia e antropologia Alguns autores como Christina Toren salientam a relação existente entre esses campos de saberes. Segundo Toren (2012), os antropólogos que trabalham na interface entre psicologia e antropologia, por exemplo, estão de modo geral comprometidos coma antropologia como ciência. O problema para nós, entretanto, é que, no final do século XIX e início de século XX, o desenvolvimento institucional das ciências humanas segmentou entre diferentes disciplinas os diversos aspectos do que deve ser considerado o humano. Em face dos domínios epistemológicos separados da antropologia, psicologia, sociologia, linguística, filosofia e biologia, os cientistas da última metade do século XX viram-se na necessidade de trabalhar arduamente para de novo reunir essas peças - corpo e mente, por exemplo. Contudo, Toren (2012) destaca que como ocorre com frequência, novos domínios subdisciplinares concebidos para superar dificuldades conceituais serviram mais propriamente para entrincheirá-las. Os anos de 1970 assistiram à invenção da antropologia psicológica e a década seguinte trouxe-nos a psicologia cultural. Assim, nos anos de 1990 redescobrimos o corpo e a fenomenologia e, ao mesmo tempo, testemunhamos o ressurgimento da antropologia cognitiva, a qual durante a primeira década do século XXI parece dominar o campo, contribuindo para o desenvolvimento do que hoje se chama ciência cognitiva. Nas próximas décadas, a antropologia cognitiva continuará dominando nosso entendimento da mente se seu projeto intelectual for capaz de enfrentar as reais implicações políticas do conceito a-histórico de ser humano que se encontra em seu âmago. Toren (2012) argumenta exatamente ao oposto aos modelos cognitivistas, tendo em vista a incapacidade destes em lidar com a realidade histórica humana, em geral, e com sua própria natureza histórica, em particular. Assim, não obstante o trabalho muitas vezes Homem, Cultura e Sociedade 77 fascinante realizado nos vários subcampos da antropologia, e apesar da explosão do conhecimento em outros domínios subdisciplinares - a neurobiologia e a neurociência, por exemplo -, a interface entre a antropologia e a psicologia continua a destacar uma questão que permanece fundamental para as ciências humanas, incluindo a antropologia: como devemos conceber os seres humanos? A resposta que dermos a essa questão é importante, porque ela estrutura não somente o que conhecemos atualmente sobre nós mesmos e os outros, mas também o que somos capazes de descobrir. O reconhecimento de nossa natureza histórica, portanto, proporciona uma resolução dos debates concernentes à validade relativa de modelos representacionais, socioconstrutivistas e neurofenomenológicos da mente (TOREN, 2012). Assim é que a relação entre os campos de saberes é estreita e merece maior atenção dos pesquisadores ao falarmos da complexa tríade homem-cultura-sociedade. Homem, Cultura e Sociedade 78 Seção 17 - Relações entre cultura, diversidade cultural e desigualdade social Se pesquisarmos de uma maneira bem breve no maior indexador de pesquisas acadêmicas do mundo Google Scholar, o significado de cultura é apresentado como um complexo que inclui o conhecimento, arte, crenças, lei, moral, costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano em uma sociedade. Nesse contexto, destaca-se a diversidade cultural, uma vez que cada país tem a sua própria cultura, que muitas vezes é influenciada por diferentes fatores. A nossa cultura, por exemplo, a cultura brasileira é marcada por características singulares na música, na alimentação, no estilo de vestimenta, cor de cabelos, e até a escolha da profissão. Todo o desenvolvimento do país está intimamente ligado aos aspectos culturais que possui. Assim é que destacamos as divergências culturais como esse conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais, aprendidos de geração em geração através da vida em sociedade. Tal como uma herança social da humanidade ou ainda, de forma específica, uma determinada variante da herança social. A cultura é também um mecanismo cumulativo porque as modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, onde vai se transformando, perdendo e incorporando outros aspetos procurando assim melhorar a vivência das novas gerações. Assim, podemos dizer, caros estudantes, que a cultura é um conceito que está sempre em desenvolvimento, porque com o passar do tempo ela é influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano. Além disso, ao enfatizar esses aspectos culturais ratifica a desigualdade social existente nas múltiplas culturas (ALVES, 2010). Por isso, eu lhe pergunto: Você já pensou porque o comportamento dos indivíduos varia de lugar para lugar? Assim como varia também ao longo do tempo? Homem, Cultura e Sociedade 79 É muito comum ouvirmos alguém falar, por exemplo, “lá no meu país, isto não aconteceria” ou “quando eu era criança, isto não era aceito desse jeito”. Esses questionamentos só nos levam a refletir sobre diferenças culturais, tomando, como referência, a ideia de que todo grupo social possui uma maneira própria de viver, marcada, sobretudo, pela diversidade cultural. Assim é que os grupos humanos vivem de maneira diferente e apresentam comportamentos bastante diversos, em variados tempos e lugares. A rica diversidade cultural do Brasil, em particular, em muitos momentos, tais diferenças podem se transformar em objeto de desigualdade social preconceito, discriminação ou racismo. É por isso que refletir melhor sobre essas questões na nossa disciplina é de ímpar importância no estudo do homem, cultura e sociedade. Portanto, concluímos essa seção destacando que diversidade cultural e desigualdade social são completamente diferentes. Desigualdade social faz referência à diferença entre as classes sociais e aos rendimentos de cada classe. Diversidade cultural faz referência à vasta quantidade de culturas diferentes existentes em um nosso território. No Brasil, a associação entre os termos desigualdade social e diversidade cultural é possível, pois apesar de nossa diversa formação cultural, a exclusão social apresenta-se como um fator de exclusão que se manifesta, majoritariamente, por meio da diferença entre as diversas culturas que formam a população brasileira. Homem, Cultura e Sociedade 80 Seção 18 - Ser humano como produtor de conhecimento, significados sociais e simbólicos O fato é que, caros, estudantes, estamos caminhando em uma discussão árdua sobre os seres humanos e seus aspectos culturais e sociais. No entanto, de igual modo aos outros animais, o homem também reproduziu meios de convivência em comunidade, além de ter desenvolvido formas de sobrevivência e defesa. Em outras palavras, a sociedade. Contudo, fez isso da forma mais complexa possível, produzindo sociedades, valores, costumes, e culturas. Se por um lado existem habilidades humanas que podem ser dadas por instinto, há outras que requerem treino e muito aprendizado. Os conhecimentos adquiridos pelo homem, os significados sociais e simbólicos criaram formas específicas de interagir com a natureza e entre si para suprimento de sua própria necessidade. Assim é que tal aprendizado é transmitido através das gerações, por meio dos processos de socialização e de interação social. Isso significa dizer que uma condição de isolamento total de qualquer um de nós, desde o nascimento, impediria o desenvolvimento de características consideradas de fato humanas. Já conversamos sobre indivíduo e indivíduos, não é mesmo? O filme do menino lobo, po exemplo, nos mostra todo conhecimento, significados sociais e simbólico adquirido por ele. Isso mostra que a habilidade em poder se comunicar com o mundo a sua volta é de extrema importância para o ser humano. Isso nos faz pensar na enorme importância da linguagem, assim como nos sistemas de símbolos como um todo. Os símbolos e as interações são importantes para a transmissão do conhecimento através da comunicação. Nessa vertente, a cultura é entendida comouma teia de significado produzida dentro um sistema compartilhado pelos membros de cada sociedade. Cada indivíduo não compreende ou representa a totalidade de uma dada cultura, mas ela é representada mediante mitos, rituais, símbolos. Assim, a cultura é um sistema de símbolos. Homem, Cultura e Sociedade 81 Símbolos são veículos da cultura. O símbolo não se limita às representações pictóricas de um objeto, mas compreendem todas representações atribuídas por um grupo sociocultural. Um símbolo resulta da associação de um objeto com outro. Comportamentos, imagens, a organização social, rituais e a percepção do mundo são associados entre si, gerando significados. Como sistema, portanto, os símbolos são construídos socialmente por um processo contínuo e são dependentes dos contextos e de outras variáveis, inclusive materiais e mesmo simbólicas. A origem dos símbolos seriam, portanto, sociais, não oriundas de processos mentais como queriam os psicanalistas ou estruturalistas. Por fim, cabe nos enfatizar que tais questões impactam todas as áreas de desenvolvimento de nossa vida, sobretudo às práticas pedagógicas que são responsáveis por todo o desenvolvimento humano desde a educação infantil até a pós-graduação. Assim é que Candau (2011) salienta a relação das Diferenças culturais, cotidiano escolar e práticas pedagógicas. Homem, Cultura e Sociedade 82 Seção 19 - Sociologia clássica Não se assustem com o nome estudante. Mesmo falando da Sociologia clássica, a comunidade é um dos conceitos de maior importância, desde o seu nascimento. A Sociologia volta-se o tempo todo para os problemas que o homem enfrenta na rotina diária. Ela pretende ser um conhecimento científico sobre a realidade social e, enquanto tal, visa estabelecer teorias, bem como confrontá-las com a realidade. Em uma perspectiva histórica, a primeira corrente teórica sistematizada de pensamento sociológico foi o positivismo. Seu primeiro representante foi Auguste Comte. Tinha a crença no poder exclusivo e absoluto da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob forma de leis naturais. Seu conhecimento pretendia substituir as explicações teológicas, filosóficas e de senso comum por meio das quais – até então – o homem explicava a realidade. A própria sociedade foi concebida como um organismo constituído de partes integradas e coesas que funcionavam, harmonicamente, segundo um modelo físico ou mecânico. Por isso o positivismo também foi chamado de organicismo. Nesse ínterim, para o filósofo francês Émile Durkheim, na vida em sociedade o homem defronta com regras de conduta que não foram diretamente criadas por ele, mas que existem e são aceitas na vida em sociedade, devendo ser seguidas por todos. Seguindo essas ideias, Durkheim afirma que os fatos sociais, ou seja, o objeto de estudo da Sociologia, são justamente essas regras e normas coletivas que orientam a vida dos indivíduos em sociedade. Diferentemente de Durkheim, Karl Marx considerava que não se pode pensar a relação indivíduo-sociedade separadamente das condições materiais em que essas relações se apoiam. Para viver, os homens têm de, inicialmente transformar a natureza Para Marx, a produção é a raiz de toda a estrutura social. Homem, Cultura e Sociedade 83 Assim é que entendendo um pouco da perspectiva histórica, podemos afirmar que sua relevância permanece tal que o debate em torno de sua definição é contínuo, adentrando a teoria social contemporânea. De acordo com Alan Delazeri Mocellim em seu artigo publicado na Revista de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo, recorrente nesse debate é a dicotomia entre comunidade e sociedade e entre a forma de vida tradicional e a moderna. Neste artigo, o autor debate algumas das principais teorizações clássicas e contemporâneas sobre a ideia de comunidade, enfocando principalmente as teorias que contrapõem as relações sociais comunitárias e a individualização característica da vida moderna demarcando divergências e similitudes entre as diferentes abordagens. Homem, Cultura e Sociedade 84 Seção 20 - Subjetividade humana Chegamos na nossa última seção, estudante. Que bom que você veio até aqui. Bem o nosso último tópico a ser abordado é sobre a subjetividade humana. A Subjetividade é caracterizado como algo que varia de acordo com o julgamento de cada pessoa, consistindo num tema que cada indivíduo pode interpretar da sua maneira, ou seja, o que é subjetivo. Assim, a subjetividade humana diz respeito ao sentimento de cada pessoa, como a sua opinião sobre determinado assunto. Aita e Facci (2011) realizaram uma investigação que ocorreu por meio de pesquisa bibliográfica sobre a concepção de subjetividade na perspectiva da Psicologia histórico-cultural e pela análise de 51 artigos selecionados na biblioteca eletrônica Scielo pelas palavras-chave "subjetividade" e "educação". Os autores apresentaram considerações sobre as diversas formas de compreender a subjetividade presentes nos artigos consultados e a análise acerca da compreensão da subjetividade. Por meio desta pesquisa, portanto, pôde-se observar que existem várias compreensões acerca do conceito de subjetividade, mesmo entre aqueles autores que abordam o tema sob uma mesma perspectiva teórica. Diante disso, destaca-se a importância de se compreender o que é subjetividade, valendo-se da lógica dialética, considerando o quanto esta é constituída por meio das relações sociais de produção. De acordo com a análise de Aita e Facci (2011) estamos ainda muito longe de ter como guia a lógica dialética para compreender a subjetividade. Confirma Saviani (2004), a solução do impasse entre individualidade e universalidade está na dialética. Segundo ele, a Psicologia não deveria ter como objeto de estudo o indivíduo empírico e sim o indivíduo concreto. É preciso compreender o indivíduo como fruto de relações sociais, como um indivíduo sócio-histórico, conforme anunciamos anteriormente. Homem, Cultura e Sociedade 85 A essência humana não é abstrata e nem algo interior de cada indivíduo isolado, mas consiste no conjunto de relações sociais (AITA; FACCI, 2011). Dessa forma, não é universal e desligada da existência, e sim, fundamentalmente, um produto das relações sociais de produção, uma essência construída tomando-se por base uma existência prática. Os homens não são todos iguais, e as enormes diferenças existentes entre eles não se devem fundamentalmente às suas diferenças corporais, aos seus aspectos exteriores e biológicos, e sim são decorrentes das enormes diferenças e condições do modo de vida, da riqueza da atividade material e mental, do nível de desenvolvimento das formas e aptidões intelectuais. Por fim, as consideráveis diferenças existentes entre os homens se dão pela desigualdade econômica existente entre as classes sociais. Por isso, destaca que destruição das relações sociais assentes na exploração do homem pelo homem, que engendram esse processo, só ela pode pôr fim e restituir a todos os homens a sua natureza humana, em toda a sua simplicidade e diversidade. Homem, Cultura e Sociedade 86 Referências Bibliográficas AITA, Elis Bertozzi; FACCI, Marilda Gonçalves Dias. Subjetividade: uma análise pautada na Psicologia histórico-cultural. Psicologia em Revista Belo Horizonte, v. 17, n. 1, p. 32-47, abr. 2011. ALVES, Elder Patrick Maia. Diversidade cultural, patrimônio cultural material e cultura popular: a Unesco e a construção de um universalismo global. Sociedade e Estado, v. 25, n. 3, p. 539-560, 2010. BARBOSA, Antônio Carlos et al. Prática do processo psicológico básico atenção em jovens da comunidade. Cippus, v. 2, n. 2, p. 191-204, 2013. BERLINCK, Manoel Tosta. O que é Psicopatologia Fundamental. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental,São Paulo , v. 1, n. 1, p. 46-59, Mar. 1998. CANDAU, Vera Maria Ferrão. Diferenças culturais, cotidiano escolar e práticas pedagógicas. Currículo sem fronteiras, v. 11, n. 2, p. 240-255, 2011. DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Artmed Editora, 2018. 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Crítica ao fetichismo da individualidade. Campinas: Autores Associados, p. 21-52, 2004. TODOROV, João Cláudio; MOREIRA, Márcio Borges. O conceito de motivação na psicologia. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. 7, n. 1, p. 119-132, 2005. TOREN, Christina. Antropologia e psicologia. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo , v. 27, n. 80, p. 21-36, Oct. 2012 . TRISTÃO, Rosana Maria; FEITOSA, Maria Angela Guimarães. Percepção da fala em bebês no primeiro ano de vida. Estudos de psicologia, v. 8, n. 3, p. 459- 467, 2003. VYGOTSKY, Lev Semenovich et al. Pensamento e linguagem. 2008. Homem, Cultura e Sociedade 88 Leitura Complementar ALVES, Giovanni. Trabalho e subjetividade: o espírito do toyotismo na era do capitalismo manipulatório. Boitempo Editorial, 2015. DURKHEIM, Emile. Educação e sociologia. Leya, 2019. LEÃO, Rodrigo Augusto. Teoria Sociológica Clássica: o fenômeno religioso em Durkheim, Marx e Weber. 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Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Diante disso, finalizamos a nossa terceira etapa e fechamos a disciplina atingindo o objetivo geral proposto para essa etapa que foi o de avançar um pouco mais nos conceitos-chave dos processos psicológicos, bem como compreender a sua relação com a sociologia e com a antropologia. Portanto, caros estudantes, encerramos a última etapa com uma abordagem sistemática em que o homem é produtor de conhecimento e significados e dando ênfase aos aspectos da subjetividade nesse contexto. Assim, concluímos o processo de aprendizagem acerca do homem, cultura e sociedade com essa disciplina, mas quem quiser se aprofundar ainda mais em tais conceitos pode recorrer ao estudo das bibliografias principais e bibliografias complementares. Por último, deixo minha gratidão por terem acompanhado a disciplina Homem, Cultura e Sociedade, no qual abordando todos os tópicos relevantes, deixamos clara a importância de estudar esses conceitos em diferentes áreas de atuação profissional, sobretudo de nível superior. Foi um prazer trabalhar com vocês, caros estudantes. Um grande abraço, Bons estudos! Homem, Cultura e Sociedade 90 Exercícios – Etapa 3 1) Sobre os Processos Psicológicos Básicos, é correto afirmar que: a) Os Processos podem derivar das interações inatas e adquiridos na experiência e vivência com o meio b) Os Processos podem derivar apenas das interações inatas c) Os Processos derivam somente na vivência com o meio, pois é totalmente construtivo d) Os Processos são iguais para todas as pessoas porque todos nascem com ele já desenvolvidos e) Os Processos dos animais e dos seres humanos são os mesmos, só mudam a nomenclatura 2) Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso: a) Não há relação entre a Psicologia e a Antropologia ( ) b) É possível pensar fenômenos sociais e psicológicos ( ) c) É importante o reconhecimento de nossa natureza histórica para construção da sociedade( ) d) A ciência cognitiva está ligada a antropologia cognitiva ( ) e) A antropologia psicológica está ligada a psicologia cultural. ( ) 3) Como podemos definir as Psicopatologias? a) Psique, significa mente, por isso é o estudo do córtex frontal responsável pela mente humana b) Pathos, significa sofrimento ou doença c) Significa estudar o papel do psiquiatra acerca das doenças psicológicas d) É o estudo dos estados psíquicos relacionados ao sofrimento mental d) Tem como objetivo curar a sociedade Homem, Cultura e Sociedade 91 e) Nenhuma das anteriores 4) Sobre os aspectos culturais, é correto afirmar que: a) A cultura é individual, cada indivíduo tem a sua e não pode ser compartilhada b) A cultura é um conceito que está sempre em desenvolvimento c) A cultura não pode ser influenciada por novas maneiras de pensar d) A cultura não está ligada ao desenvolvimento do ser humano e) A cultura é um aspecto exclusivamente inato 5) Estudamos que o ser humano é produtor de conhecimento, nesse sentido, é possível afirmar que: a) Os conhecimentos adquiridos pelo homem, os significados sociais e simbólicos criaram formas específicas de interagir com a natureza e entre si b) Isso ocorre para suprimento de sua própria necessidade c) Assim é que o conhecimento é transmitido através das gerações, por meio dos processos de socialização e de interação social d) Isso significa que uma condição de isolamento total, desde o nascimento da pessoa, impediria o desenvolvimento de características humanas específicas e) Todas as alternativas estão corretas 6) O filósofo francês Émile Durkheim foi um grande contribuinte para: a) Sociologia Clássica, em seu estudo sobre os fatos sociais b) Sociologia contemporânea, após a sua primeira publicação científica em 2015 c) Psicologia, quando desenvolveu as fases do desenvolvimento cognitivo infantil d) Antropologia Clássica, pois estuda os homens em particular e não sua interação social Homem, Cultura e Sociedade 92 e) Medicina, pois ele compreendia bem os aspectos das doenças mentais 7) De acordo com a subjetividade humana, assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso: a) A essência humana não é abstrata, mas consiste no conjunto de relações sociais ( ) b) A essência do ser humano não é algo interior de cada indivíduo isolado ( ) c) A subjetividade humana diz respeito ao sentimento de cada pessoa ( ) d) Experiências passadas não contribuem para a subjetividade humana ( ) e) Os aspectos culturais não podem influenciar a subjetividade de uma pessoa ( ) 8) É possível pensar sobre diferençasculturais? a) Não, porque cada pessoa tem a sua cultura em particular b) Sim porque a cultura depende exclusivamente dos aspectos genéticos c) Não, porque só existe uma cultura internacional para todos d) Sim, porque todo grupo social possui uma maneira própria de viver e) Não, porque essas diferenças não existem são apenas a maneira de agir da pessoa 9) A partir dos conceitos estudados, qual a importâncias dos oito processos psicológicos básicos? 10) Diante do conteúdo, explique as divergências culturais? Homem, Cultura e Sociedade 93 GABARITO 1. A 2. F, V, V, V, V 3. D 4. B 5. E 6. A 7. V, V, V, F, F 8. D 9 – Os oito Processos Psicológicos Básicos do ser humano estudados na disciplina foram emoção; percepção; atenção; memória; pensamento; linguagem; motivação; e aprendizagem. A importância de tais funções é a de que são básicas para a vivência do ser humano, uma vez que podem derivar tanto das interações de processos inatos quanto de processos adquiridos na experiência e vivência do sujeito com o meio. Apesar das distinções desses processos é por meio de sua relação e influência que podemos entender melhor a dinâmica da mente, pois eles interagem entre si o tempo todo. 10 – As divergências culturais são um conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais, aprendidos de geração em geração através da vida em sociedade. Tal como uma herança social da humanidade ou ainda, de forma específica, uma determinada variante da herança social. Assim, podemos dizer que a cultura é um conceito que está sempre em desenvolvimento, porque com o passar do tempo ela é influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano. Homem, Cultura e Sociedade 94 Conhecendo o autor Olá, pessoal. Meu nome é Luara Carvalho, e aproveito para salientar que foi um prazer trabalhar com vocês. Sou Psicóloga e Mestre em Psicologia na linha de pesquisa Cognição Social, Organizações e Trabalho pela Universidade Salgado de Oliveira com foco na satisfação de trabalhadores brasileiros com ou sem vínculo empregatício. Também curso Doutorado em Psicologia, nessa mesma linha, e sou Pós- Graduada em Docência do Ensino Superior. Trabalhei na Rede de Saúde Mental do Município de Niterói e atualmente atuo como Docente na Graduação e Pós-Graduação na área de Ciências Humanas. Sou Associada da Associação Brasileira de Orientação Profissional – ABOP e tenho pesquisado os temas: planejamento de carreira; identidade profissional; educação superior; e satisfação no trabalho. Um grande abraço, Profª. Luara Carvalho. nexos A