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PROTOCOLOS-DE-REABILITACAO-EM-POS-CIRURGICO

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como “contratura em flexão” ou “artrofibrose” (PETSCHE, 2008). 
 Variações anatômicas de paciente para paciente, assim como as diferenças de 
habilidade e treinamento entre cirurgiões, constituem-se em importantes fatores de 
aumento percentual das complicações pós-operatórias dessas reconstruções intra-
articulares. Atualmente, é tão importante dominar essas técnicas de reconstrução quanto 
saber como lidar com as complicações pós-cirúrgicas que chegarem aos serviços 
médicos. Estes pacientes geralmente já se submeteram a mais de um procedimento 
cirúrgico, sentem-se pior do que antes da cirurgia e são muito sensíveis a tudo que lhes 
é dito. Outras complicações mais freqüentes são as seqüelas de infecções e os bloqueios 
de flexo-extensão. As primeiras, como geralmente apresentam grande destruição 
cartilaginosa, dificilmente se consegue melhorá-las a ponto de o paciente ser 
reconduzidos a um retorno das atividades físicas prévias. Por outro lado, o bloqueio da 
flexo-extensão pode ser significativamente melhorado através da videoartroscopia, 
principalmente o bloqueio da extensão, que é um problema mais incapacitante para o 
paciente do que o bloqueio da flexão (GOMES, 1997). 
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CAPÍTULO 5 
TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO 
 
 
A reabilitação pós-operatória começa na sala de cirurgia após a colocação do 
enxerto para garantir ADM completa e para prevenir excesso de tensão. Uma meia 
antiembólitica é colocada na perna do LCA reconstruído junto com um Cryo/Cuff. O 
joelho do LCA reconstruído é então colocado numa máquina de movimentos passivos 
contínuos (CPM) para elevar a perna acima do coração, já que a chave para cicatrização 
da lesão precoce é eliminando o edema do joelho e hemartrose. A máquina de CPM é 
utilizada para flexão lenta e assistida para 125º. A flexão inicial deve ser de 
aproximadamente 110º-120º, e o paciente deve usar o método do yardstick para avaliar 
o progresso durante os dias subseqüentes. Exercícios de hiperextensão incluem elevação 
do calcanhar exercícios de alongamento com a toalha. Exercícios de elevação do 
calcanhar envolvem colocar o calcanhar numa toalha enrolada e então colocando um 
peso de 2.5 libras distalmente à incisão por um período de 10 min. Após as elevações do 
calcanhar o paciente executa três a cinco “thunks” dos joelhos, na qual ele ou ela flete o 
joelho a uma altura de varias polegadas e então o relaxa, permitindo que ele caia em 
hiperextensão. Para completar os exercícios de extensão, cinco a dez alongamentos com 
a toalha são realizados em combinação com elevações do calcanhar ativa para 
demonstrar controle do quadríceps. (J. ORTHOP SCI, 2006). 
Os programas de reabilitação pós-reconstrução do LCA têm sofrido inúmeras 
modificações ao longo dos anos. Estudos recentes preconizam desde abordagens 
conservadoras, onde o movimento é inicialmente protegido, até programas mais 
agressivos, onde a marcha e os exercícios de cadeia cinética fechada são instituídos 
imediatamente após a cirurgia. O desenvolvimento e difusão de técnicas cirúrgicas mais 
eficientes com a utilização de enxertos mais resistentes, identificação mais precisa dos 
pontos de isometria e os atuais métodos de fixação disponíveis, têm possibilitado uma 
reabilitação mais rápida e segura. No entanto, sabemos que o programa de reabilitação 
ideal permanece controverso (FONSECA, 1992). 
As metas da reabilitação irão depender basicamente das necessidades de cada 
paciente que serão ditadas pelo grau da lesão ou pelos objetivos e expectativas deste 
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individuo quanto a sua atividade futura. Com relação aos protocolos de tratamento, é 
importante que os fisioterapeutas tenham em mente que a velocidade de evolução dos 
mesmos dependerá de cada paciente. Assim, um paciente com evolução mais rápida 
poderá ter seu protocolo mais acelerado, respeitando, é claro o processo de 
ligamentização do enxerto e, inversamente, um paciente que apresentar, por exemplo, 
sinais de falha do enxerto, dificuldade para controle da dor ou derrame articular, deve 
ter sua evolução no tratamento realizado de forma mais lenta (BONFIM, 2000) 
O sucesso de uma reconstrução do LCA extrapola o ato cirúrgico, e depende 
também dos procedimentos utilizados na reabilitação pós-operatória sendo, portanto, a 
fisioterapia uma continuação lógica do ato cirúrgico. Em termos de tratamento 
fisioterapêutico, o processo inflamatório é controlado com gelo, realiza-se enfaixamento 
compressivo, elevação do membro e estimulação neural elétrica transcutânea. 
Inicialmente deverão ser utilizadas muletas para que não haja sustentação de peso 
excessivo precocemente, pois resultaria no aumento do derrame, retardo da evolução da 
ADM e no recrutamento do quadríceps. A mobilização precoce (podendo ser iniciada 
logo que a dor permitir) é essencial para ajudar a prevenir a fibrose articular, nutrir a 
cartilagem e dar início a um estresse controlado, o qual ajudará a alinhar as fibras 
colágenas, proporcionando uma cicatriz flexível e resistente, capaz de promover o 
retorno do movimento anormal. O alongamento ajudará a reduzir a incidência de dor, 
permitindo maior facilidade no recrutamento do quadríceps. A reabilitação progredirá 
com fortalecimento do quadríceps e ísquiotibiais (LIMA E GUIMARÃES, 1999). 
 
 
 
- Eletroterapia 
 
 
 As duas formas mais reconhecidas de eletroterapia são a estimulação elétrica 
nervosa trans-cutânea (TENS) e a eletroestimulação neuromuscular (EENM). O uso da 
TENS altera a sensação dolorosa pela sobrecarga na estimulação dos nervos sensitivos. 
A EENM utiliza a corrente elétrica para estimular a contração muscular. O alívio da dor 
pela TENS ocorre através de dois mecanismos em relação à freqüência. A corrente de 
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alta frequência diminui a consciência do estímulo doloroso pela inundação de diferentes 
caminhos sensoriais pela corrente elétrica bloqueando a propagação dos impulsos 
dolorosos. A corrente de baixa frequência provavelmente estimula a liberação de 
opiáceos endógenos, levando a uma real diminuição da percepção dolorosa. A 
efetividade da TENS é difícil de ser avaliada, pois a dor é uma queixa subjetiva e a 
percepção do alívio da dor varia independente do tipo de tratamento. Alguns estudos do 
uso da TENS mostraram menor necessidade no uso de narcóticos no pós-operatório 
para alívio da dor. A utilização da TENS nas lesões do joelho é indicada para alívio de 
dores agudas ou crônicas que dificultem a progressão do programa de reabilitação. A 
EENM tem sido investigada a respeito do seu efeito de aumentar a força de músculos 
normais para melhorar o condicionamento atlético, porém os benefícios reais ainda não 
foram demonstrados. A EENM é efetiva em músculos anormais ou imobilizados. Estes 
benefícios tendem a ser de vida curta, sugerindo que eles ocorrem pela melhora na 
reeducação neuromuscular que ocorre logo após a lesão. As indicações para o uso da 
EENM após lesão ou cirurgia do joelho são limitadas às fases iniciais de reabilitação 
(FUCHS, 2001). 
 
 
- Crioterapia 
 
 
 A crioterapia é a aplicação terapêutica de qualquer substância ao corpo que 
resulta em remoção do calor corporal, diminuindo assim, a temperatura dos tecidos. Por 
ser um recurso de baixo custo, de fácil acesso e por apresentar efeitos quase sempre 
benéficos,