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PROTOCOLOS-DE-REABILITACAO-EM-POS-CIRURGICO

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é utilizado também pela medicina popular. A dor pode ser aliviada após 
terapia com frio, embora não seja bem elucidado seu mecanismo de ação. Algumas 
teorias tentam explicar esse efeito de analgesia proporcionada pelo gelo baseados nos 
efeitos fisiológicos obtidos com as aplicações de frio como vasoconstrição local; 
metabolismo local diminuído (baixando demanda de O
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); redução do metabolismo 
articular e da atividade enzimática; diminuição da velocidade de condução nervosa; 
aumento do limiar de dor; liberação de endorfinas; diminuição da atividade dos fusos 
musculares; aumento da viscosidade muscular; diminuição de força muscular. Como na 
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prática clínica, a crioterapia é um recurso bastante empregado no tratamento e alívio da 
dor e da inflamação, apresentando uma melhora significante do quadro clínico 
(ARAGÃO e cols, 2008). 
 Na fisioterapia traumato-ortopédica e desportiva, é comum a associação de 
modalidades terapêuticas para otimizar os resultados do tratamento. Um exemplo é a 
realização de exercícios imediatamente após a aplicação de gelo nas áreas lesionadas. É 
a crioterapia (resfriamento tecidual com fins terapêuticos) associada à cinesioterapia 
(exercícios terapêuticos) visando facilitar a execução dos exercícios. Individualmente 
cada modalidade possibilita a obtenção dos seguintes efeitos: crioterapia - redução da 
dor, do edema, do metabolismo tecidual, diminuição do espasmo muscular e a 
possibilidade da execução de exercícios ativos livres de dor. A cinesioterapia possibilita 
a recuperação da mobilidade, flexibilidade, força, resistência e retorno à função. A 
associação destas modalidades favorece a realização precoce dos exercícios 
terapêuticos, permite execução de movimentos livres de dor e por conseqüência 
aceleram o tratamento fisioterapêutico (PEREIRA e cols, 20008). 
 
 
- Cinesioterapia 
 
 
 A cinesioterapia é o uso de exercícios ou movimentos como forma de 
tratamento, com base no princípio de que um órgão ou sistema se adapta aos estresses 
aos quais são submetidos (SECCO, 1999). 
 O exercício é a modalidade terapêutica mais utilizada no campo da fisioterapia, 
prescrito no tratamento da maioria das incapacidades físicas. Um organismo ou tecido 
que não é solicitado, descondiciona-se e perde a capacidade que antes possuía, cabendo 
à fisioterapia envolver a aplicação e o ajuste de treinamento, quanto ao tipo e 
quantidade, para que se obtenha como resultado a adaptação desejada sem lesão 
(BATTISTELLA e SHINZATO, 1995). 
 
 
 
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 → Exercícios Isométricos 
 
 
 A fisioterapia dispõe de vários tipos de exercícios musculares para a reabilitação 
de seus pacientes, um deles é a atividade isométrica. 
 O exercício isométrico é uma forma de exercício que ocorre quando um músculo 
se contrai sem uma mudança apreciável no comprimento do músculo ou sem 
movimento articular visível. Embora não seja feito trabalho articular, uma grande 
quantidade de tensão e força resultante é produzida pelo músculo. Os exercícios 
isométricos têm a vantagem de ser fácil de realizar para a maior parte dos músculos, 
requerendo pouco tempo e apresentado pouca sensibilidade muscular. Por serem 
estáticos, esses exercícios são úteis quando o movimento articular é doloroso ou contra-
indicado (KISNER E COLBY, 1998). 
 Entretanto, há algum questionamento, sobre a transferência de força isométrica 
para uma situação dinâmica, e sabe-se que o ganho de força ocorre principalmente no 
ângulo no qual o exercício foi realizado. Contudo, os autores acima dizem que estes 
exercícios são de grande valor, pois são capazes de fortalecer um músculo sem a 
necessidade de movimento articular, propriedade extremamente útil em patologias 
articulares. Também sendo favorável, em condições que exigem imobilização como, por 
exemplo, durante o tratamento de fraturas (BATTISTELLA E SHINZATO, 1995). 
 Os exercícios isométricos são usados na fase inicial da reabilitação sem perigo 
de aumentar a irritação da articulação, visto que esta se mantém imóvel. Suas vantagens 
são: aumentam a força muscular estática; contribuem para evitar a atrofia; ajudam a 
diminuir o edema (os músculos funcionam como bomba que colaboram na remoção do 
líquido); previnem a dissociação nervosa graças às contrações musculares, as quais 
estimulam o sistema mecanorreceptor de tecido vizinhos; podem ser realizados em 
qualquer lugar; dispensam equipamentos especiais; podem ser realizados durante breves 
períodos de tempo, (MALONE, MCPOIL e NITZ, 2000). 
 
 
 
 
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 → Exercícios isotônicos 
 
 
 O termo isotônico significa tensão igual ou constante. O exercício resistido 
isotônico é uma forma dinâmica de exercício executado contra a resistência à medida 
que o músculo se encurta ou alonga na amplitude de movimento existente. Com o 
exercício isotônico pode-se desenvolver força dinâmica, resistência muscular à fadiga e 
potencia. Com o exercício isotônico, o comprimento real do músculo modifica-se 
quando este produz ou resiste a uma mudança no ângulo articular. No exercício 
isotônico puro a resistência permanece constante, enquanto a velocidade do movimento 
é inversamente proporcional à carga. Esta forma de exercício é realizada com pesos, e 
máquinas com pesos. Os exercícios isotônicos resistidos podem ser realizados 
concêntrica e excentricamente, ou ambos. Isso significa que a resistência pode ser 
aplicada em um músculo à medida que ele se encurta ou se alonga. A maioria dos 
programas isotônicos resistidos envolve uma combinação de exercícios concêntricos e 
excêntricos, dependendo das necessidades fundamentais do paciente e da força 
muscular (KISNER e COLBY, 1998). 
 
 
 →Exercícios Pliométricos 
 
 
 Os exercícios pliométricos são usados no treinamento de atletas para 
desenvolver força explosiva, melhorar a reatividade muscular através da facilitação do 
reflexo miotático e da dessenssibilização dos OTGs e melhorar a coordenação intra e 
extra-articular. Analisando os efeitos desses exercícios, acredita-se que estes podem ser 
benéficos na prevenção de lesões e também na reabilitação, principalmente de atletas. 
Exercícios com carga médio-lateral são ideais para entorses da cápsula medial e lateral, 
complexo ligamentar do joelho, lesões musculares no abdutor e adutor de quadril e 
inversores e eversores do tornozelo; a carga rotacional é usada no tratamento de lesões 
de ligamentos cruzados, menisco e cápsula e a carga de absorção nas lesões musculares, 
de cartilagem e principalmente, tendões. Exercícios pliométricos combinam força e 
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velocidade, produzindo movimentos de explosão muscular, freqüentemente seguidos 
por um rápido movimento contrário, melhorando força, flexibilidade e agilidade. 
Exemplos utilizados na reabilitação do joelho incluem saltar, andar, correr, mudança 
brusca de direção e treinos específicos para cada esporte. Quando estes exercícios são 
realizados com confiança, o paciente poderá retornar à sua atividade completa. É contra-
indicado o uso de exercícios pliométricos em pós-operatórios imediatos, presença de 
inflamação aguda, dor, edema ou derrame articular (ROSSI e BRANDALIZE,