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2013
ComuniCação e
Linguagem
Prof.ª Cláudia Suéli Weiss
Prof.ª Elisabeth Penzlien Tafner
Prof.ª Estela Maris Bogo Lorenzi
Copyright © UNIASSELVI 2013
Elaboração:
Prof.ª Cláudia Suéli Weiss
Prof.ª Elisabeth Penzlien Tafner
Prof.ª Estela Maris Bogo Lorenzi
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.
469.07
W429c Weiss, Cláudia Suéli
Comunicação e linguagem / Cláudia Suéli Weiss; Elisabeth
Penzlien Tafner; Estela Maris Bogo Lorenzi. Indaial : Uniasselvi, 2013.
181 p. : il
ISBN 978-85-7830-733-2
1. Língua portuguesa – Estudo e ensino. I. Centro Universitário
Leonardo da Vinci.
III
apresentação
Linguagem e comunicação são partes integrantes de nossas vidas,
indispensáveis não somente para a aquisição de conhecimentos, nas mais
diversas áreas do saber, bem como para a participação nos diferentes
contextos sociais.
O ritmo em que desenvolvemos nossas atividades é cada vez mais
acelerado, daí a necessidade de uma comunicação eficaz tanto nas relações
pessoais como nas interpessoais. E não somos apenas nós que vivemos nesta
rotina, a sociedade também é caracterizada pelo ritmo frenético das mudanças,
especialmente no mundo dos negócios. Com a integração apressada das
diversas mídias, o perfil das organizações tanto empresariais como sociais
vem se alterando significativamente.
É preciso reconstruir este cenário em que tais modificações ocorrem,
porque na verdade a comunicação e a linguagem funcionam como um ícone,
que liga diferentes culturas e, inclusive, tendências. Tentar situá-las à revelia
deste contexto, amplo e complexo, implica esgotar o seu conteúdo e o seu
poder de persuasão.
Na Unidade 1 analisaremos a origem, a importância, as funções
e as formas que a linguagem e a comunicação apresentam. Saber a real
funcionalidade do processo de comunicação, utilizando recursos que
enfatizam a intenção do que o emissor quer compartilhar, reforça tanto a boa
comunicação das empresas e/ou instituições para com seus clientes, como
também gera um diferencial no profissional que partilha destas informações.
Na Unidade 2 trataremos dos textos que compõem os documentos
(em especial os que você utiliza no seu dia a dia profissional), descreveremos
sua função, definiremos sua estruturação, apresentaremos modelos e
características. A compreensão de coesão e coerência textual também é parte
integrante desta unidade, pois escrever é uma habilidade que pode ser
aperfeiçoada diariamente.
Na Unidade 3 abordaremos os tópicos de gramática, no que se refere
ao uso correto da pontuação, classes gramaticais e expressões, pois, já que
estamos falando de linguagem e comunicação no âmbito profissional, o
conhecimento e o uso das regras gramaticais contribuem para uma boa
entrevista ou análise do seu currículo. Então, para que a escrita e a comunicação
sejam mais eficazes, devemos conhecer o vocabulário e as regras que são
aceitas pela nossa comunidade linguística.
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de
Desempenho de Estudantes – ENADE.
Bons estudos!
Caro(a) acadêmico(a), esperamos que ao final deste caderno, a
partir dos conhecimentos adquiridos, você possa interagir com maior
segurança em relação ao uso da língua portuguesa, nas modalidades falada
e/ou escrita, em situações formais ou informais, tanto corriqueiras como
profissionais. Para tanto, este Caderno de Estudos contém textos, reflexões,
ideias, imagens, dicas funcionais e questões pertinentes ao uso adequado da
língua portuguesa.
Bons estudos!
Prof.ª Cláudia Suéli Weiss
Prof.ª Elisabeth Penzlien Tafner
Prof.ª Estela Maris Bogo Lorenzi
UNI
V
VI
VII
UNIDADE 1 – LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA
DAS FUNÇÕES COGNITIVAS ................................................................................ 1
TÓPICO 1 – LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL .................................. 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 PARTICULARIDADES DA LINGUAGEM .................................................................................... 5
3 LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL ...................................................................................... 7
3.1 A LINGUAGEM NÃO VERBAL .................................................................................................. 10
3. 2 A LINGUAGEM VERBAL ............................................................................................................ 11
4 PARTICULARIDADES DA LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA ................................... 13
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 14
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 16
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 17
TÓPICO 2 – COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS ................................................... 19
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 19
2 O PAPEL DA COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS .................................... 19
2.1 TIPOS DE COMUNICAÇÃO ........................................................................................................ 22
3 ELEMENTOS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO ................................................................ 24
3.1 EMISSOR .......................................................................................................................................... 24
3.2 RECEPTOR ...................................................................................................................................... 25
3.3 MENSAGEM ................................................................................................................................... 25
3.4 CANAL DE COMUNICAÇÃO ....................................................................................................25
3.5 CÓDIGO ........................................................................................................................................... 25
3.6 REFERENTE .................................................................................................................................... 26
4 BARREIRAS A UMA COMUNICAÇÃO EFICAZ ........................................................................ 26
4.1 REDUNDÂNCIA ............................................................................................................................ 28
4.2 RUÍDO .............................................................................................................................................. 29
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 31
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 32
TÓPICO 3 – A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES ................................................... 35
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 35
2 NÍVEIS DE LINGUAGEM ................................................................................................................. 35
2.1 NÍVEL CULTO OU FORMAL ....................................................................................................... 35
2.2 NÍVEL INFORMAL ........................................................................................................................ 36
2.3 ADEQUAÇÃO NO USO DAS VARIEDADES LINGUÍSTICAS .............................................. 37
2.4 GÍRIAS .............................................................................................................................................. 38
3 A LINGUAGEM PARTICULAR DE UMA PROFISSÃO ............................................................ 39
3.1 LINGUAGEM TÉCNICA OU JARGÃO ...................................................................................... 40
4 A LINGUAGEM E SUAS FUNÇÕES ............................................................................................... 40
4.1 FUNÇÃO EMOTIVA ...................................................................................................................... 42
4.2 FUNÇÃO REFERENCIAL ............................................................................................................. 43
4.3 FUNÇÃO APELATIVA .................................................................................................................. 43
sumário
VIII
4.4 FUNÇÃO FÁTICA .......................................................................................................................... 44
4.5 FUNÇÃO METALINGUÍSTICA ................................................................................................... 45
4.6 FUNÇÃO POÉTICA ....................................................................................................................... 46
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 47
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 49
UNIDADE 2 – A ESTRUTURA TEXTUAL ........................................................................................ 51
TÓPICO 1 – O TEXTO E SUA INTENÇÃO ...................................................................................... 53
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 53
2 A CONSTRUÇÃO DO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA ........................................................ 54
2.1 COESÃO ........................................................................................................................................... 54
2.1.1 Mecanismos de coesão .......................................................................................................... 54
2.2 COERÊNCIA ................................................................................................................................... 56
3 PARÁGRAFO ....................................................................................................................................... 60
3.1 A ESTRUTURAÇÃO DO PARÁGRAFO ..................................................................................... 61
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 63
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 64
TÓPICO 2 – OS DIVERSOS TEXTOS ................................................................................................ 67
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 67
2 CARACTERÍSTICAS DOS TEXTOS ............................................................................................... 67
3 A NARRAÇÃO ..................................................................................................................................... 68
4 A DESCRIÇÃO ..................................................................................................................................... 72
5 A ARGUMENTAÇÃO ......................................................................................................................... 73
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 77
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 78
TÓPICO 3 – O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS ............... 79
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 79
2 A LEITURA E A INTERPRETAÇÃO TEXTUAL ............................................................................ 80
2.1 O MAIOR DESAFIO DAS INSTITUIÇÕES: A COMUNICAÇÃO INTERNA ...................... 80
3 OS MODELOS TEXTUAIS ................................................................................................................ 82
3.1 RELATÓRIOS .................................................................................................................................. 83
3.1.1 Partes do relatório .................................................................................................................. 84
3.1.2 Aplicação ................................................................................................................................. 84
3.2 MEMORANDO ............................................................................................................................... 86
3.2.1 Estrutura do memorando ..................................................................................................... 86
3.3 ATA ................................................................................................................................................... 89
3.3.1 Escritura e modelo ................................................................................................................. 89
3.4 OFÍCIO ............................................................................................................................................. 90
3.4.1 Elaboração e modelo............................................................................................................. 91
3.5 REQUERIMENTO .......................................................................................................................... 93
3.5.1 Escritura e modelo ................................................................................................................. 93
3.6 E-MAIL ............................................................................................................................................. 94
3.6.1 Linguagem e dicas na elaboração de um e-mail formal .................................................. 94
3.7 CIRCULAR ...................................................................................................................................... 96
3.7.1 Modelo ..................................................................................................................................... 96
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 98
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 99
IX
UNIDADE 3 – A GRAMÁTICA E SUAS PARTES ........................................................................... 101
TÓPICO 1 – AS CLASSES DE PALAVRAS ....................................................................................... 103
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 103
2 AS CARACTERÍSTICAS DE CADA CLASSE ............................................................................... 103
2.1 SUBSTANTIVO ............................................................................................................................... 104
2.2 ADJETIVO ........................................................................................................................................ 107
2.3 ADVÉRBIO ...................................................................................................................................... 109
2.4 NUMERAL ....................................................................................................................................... 110
2.5 ARTIGO ............................................................................................................................................ 111
2.6 PREPOSIÇÃO .................................................................................................................................. 113
2.7 CONJUNÇÃO ................................................................................................................................. 114
2.8 INTERJEIÇÃO ................................................................................................................................. 115
2.9 VERBO .............................................................................................................................................. 116
2.10 PRONOMES .................................................................................................................................. 125
2.10.1 Os pronomes de tratamento ............................................................................................... 131
3 COLOCAÇÃO PRONOMINAL ........................................................................................................ 131
3.1 PRÓCLISE ........................................................................................................................................ 132
3.2 MESÓCLISE ..................................................................................................................................... 132
3.3 ÊNCLISE .......................................................................................................................................... 133
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 134
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 136
TÓPICO 2 – PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN ........................................... 137
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 137
2 O EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO ............................................................................ 137
2.1 O PONTO ......................................................................................................................................... 138
2.2 DOIS-PONTOS ................................................................................................................................ 139
2.3 O PONTO E VÍRGULA .................................................................................................................. 140
2.4 A VÍRGULA ..................................................................................................................................... 141
2.5 O PONTO DE INTERROGAÇÃO ................................................................................................ 145
2.6 O PONTO DE EXCLAMAÇÃO .................................................................................................... 146
2.7 AS RETICÊNCIAS .......................................................................................................................... 146
2.8 AS ASPAS ......................................................................................................................................... 147
2.9 O TRAVESSÃO ................................................................................................................................ 147
2.10 O ASTERISCO ............................................................................................................................... 148
2.11 OS PARÊNTESES .......................................................................................................................... 149
2.12 COLCHETES ................................................................................................................................. 149
3 A ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS ............................................................................................... 150
3.1 A CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A TONICIDADE DAS SÍLABAS ......................... 151
4 CRASE .................................................................................................................................................... 154
5 HÍFEN .................................................................................................................................................... 155
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 160
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 162
TÓPICO 3 – LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA
DE UM TEXTO ................................................................................................................. 163
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 163
2 AMBIGUIDADE .................................................................................................................................. 163
3 ESTRANGEIRISMOS .........................................................................................................................165
4 PLEONASMO ....................................................................................................................................... 167
5 EXPRESSÕES ........................................................................................................................................ 168
X
5.1 USO DOS PORQUÊS ...................................................................................................................... 168
5.2 USO DE MAU E MAL .................................................................................................................... 169
5.3 USO DE SENÃO E SE NÃO .......................................................................................................... 170
5.4 USO DE MAIS E MAS .................................................................................................................... 170
5.5 USO DO HÁ E A ............................................................................................................................. 171
5.6 USO DE AONDE E ONDE ............................................................................................................ 172
5.7 USO DE A FIM E AFIM ................................................................................................................. 172
5.8 USO DE DEMAIS E DE MAIS ...................................................................................................... 172
5.9 USO DE AO ENCONTRO DE E DE ENCONTRO A ................................................................ 173
5.10 USO DE ACERCA DE E HÁ CERCA DE .................................................................................. 173
5.11 USO DE A PRINCÍPIO E EM PRINCÍPIO ................................................................................ 173
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 174
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 176
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 177
1
UNIDADE 1
LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO:
REFLEXÕES ACERCA DAS
FUNÇÕES COGNITIVAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• identificar as particularidades e a importância da língua escrita e falada;
• entender os processos e os elementos da comunicação;
• refletir e adequar o uso da linguagem em diferentes situações;
• conhecer e diferenciar as funções da linguagem, bem como compreender a
importância de cada uma no processo comunicativo;
• identificar e apresentar soluções para os problemas relacionados às falhas
comunicativas no cotidiano profissional.
Esta unidade está dividida em três tópicos que visam auxiliar você na
compreensão da origem e importância da linguagem e da comunicação.
Ao final de cada tópico apresentamos atividades a fim de consolidar seus
conhecimentos sobre a temática.
TÓPICO 1 – LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
TÓPICO 2 – COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS
TÓPICO 3 – A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
1 INTRODUÇÃO
Expressar-se de maneira competente na língua materna é uma necessidade
inegável para o bom desempenho de atividades que envolvam a palavra. Portanto,
uma primeira reflexão merece atenção: qual é a distinção de linguagem e língua?
De maneira geral, linguagem é usar a língua para comunicar-se com as
pessoas. De acordo com Terra (1997), damos o nome de linguagem a todo sistema
de sinais convencionais que nos permite realizar atos de comunicação. Existem
várias linguagens, a dos surdos, a que você fala, a dos sinais de trânsito, a das
bandeiras em corridas de automóveis, entre outras.
Língua, por sua vez, refere-se ao conjunto de expressões e palavras que
são usadas por um determinado povo, sendo esta munida de regras para o uso
adequado.
[...] língua não se confunde com linguagem; é somente uma parte
determinada, essencial dela, indubitavelmente. É, ao mesmo tempo, um
produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções
necessárias adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa
faculdade nos indivíduos. (SAUSSURE, 1972, p. 17)
De acordo com Terra (1997, p. 13), a definição de língua é: “[...] a linguagem
que utiliza a palavra como sinal de comunicação.” Entendemos então que a língua
é um aspecto da linguagem e pertence a um grupo de indivíduos; estes, por sua
vez, concretizam a língua através da fala.
Podemos dizer que no ato da comunicação não utilizamos somente um
conjunto de palavras faladas e/ou escritas, mas também imagens, gestos, cores e
sinais. Observe:
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
4
FIGURA 1 – COMUNICAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://comunicadm.blogspot.com/2010/04/comunicacao-
com-sinais-de-libras.html>. Acesso em: 13 dez. 2011.
Temos, como exemplo de gestos e sinais, o alfabeto de Libras. A seguir você
pode observar a importância das cores na comunicação.
FIGURA 2 – A COR NA COMUNICAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://midiassociaisblog.com/index.php/
entenda-o-significado-das-cores-na-comunicacao.html>. Acesso em:
13 dez. 2011.
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
5
ATENCAO
Caro(a) acadêmico(a), você pode visualizar este Caderno de Estudos colorido no
AVA, menu Material Interativo.
A cor é muito explorada pelos publicitários, pois é um elemento que causa
distintas sensações. Elas são fundamentais na representação de logomarcas e
produtos de empresas.
Para compartilhar a essência da empresa e/ou corporação e provocar a percepção da
marca nos consumidores, é necessário fazer um estudo das cores mais adequadas para o seu negócio.
A logomarca precisa causar impacto, ser lembrada e reconhecida perante os diversos públicos
das empresas. Este é o grande desafio dos designers: criar marcas que se destaquem entre
tantos concorrentes.
NOTA
Além disso, é preciso adequar a linguagem para as diferentes situações, ou
seja, dependendo do lugar, do momento e das pessoas com quem nos comunicamos,
faz-se necessária a adequação da linguagem. É com base nessas questões que
convidamos você, acadêmico(a), a aprofundar seus estudos nos tópicos seguintes.
Como vimos, a linguagem não é somente um conjunto de palavras – faladas
ou escritas –, mas de gestos e imagens. A linguagem possui particularidades que
vão além de somente substantivo, adjetivo, verbo, pronomes e/ou preposições.
Sendo assim, não nos comunicamos apenas pela fala ou escrita, não é verdade?
Alguma vez você já tentou comunicar-se sem utilizar um verbo? Faça o teste e você
vai perceber o quão difícil é obter algo coerente. A seguir veremos a distinção entre
linguagem verbal e linguagem não verbal. Antes, porém, leia o texto que segue de
Ricardo Ramos, Circuito Fechado.
2 PARTICULARIDADES DA LINGUAGEM
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
6
CIRCUITO FECHADO
Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água,
espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água
fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras,
calça, meias, sapatos, telefone, agenda, copo com lápis, caneta, blocos de notas,
espátula, pastas, caixa de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis,
cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone,
relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis.
Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras,esboços de anúncios, fotos, cigarro,
fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro,
fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha,
cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo. xícara. Maço de cigarros,
caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone,
revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, gravata, paletó. Carteira,
níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de
fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos.
Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis,
externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro,
fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara,
jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos.
Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres,
copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo.
Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça,
cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
FONTE: RAMOS, Ricardo. Disponível em: <http://www.ricardoramos.org.br/>. Acesso em: 13
dez. 2011.
Nesta crônica, você observou que o autor elaborou a mensagem utilizando
apenas substantivos.
ATENCAO
Se você quiser conhecer um pouco mais sobre o escritor Ricardo Ramos e sua obra,
acesse o site <http://www.ricardoramos.org.br/>.
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
7
3 LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL
A comunicação é essencial nas relações, sejam elas pessoais, empresariais
e/ou educacionais. Apesar de poder ser realizada de várias maneiras, só existe
comunicação quando a mensagem é recebida com o mesmo valor com que ela foi
transmitida. Tanto a linguagem verbal quanto a não verbal têm um papel muito
importante na comunicação. Para tanto, torna-se imprescindível que as duas estejam
em concordância, para que a comunicação seja coerente.
A linguagem humana é um processo altamente complexo. Podemos afirmar
que ela está presente nas diversas situações de comunicação. Por exemplo:
FIGURA 3 – NA CONVERSA DAS PESSOAS
FONTE: Disponível em: <http://ravenasilvapsique.blogspot.com/>.
Acesso em: 15 ago. 2011.
FIGURA 4 – EM PLACAS DE SINALIZAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://www.portaldecarapicuiba.com/
servicos/placas-de-sinalizacao-carapicuiba/>. Acesso em: 15 ago.
2011.
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
8
FIGURA 6 – NAS MENSAGENS PUBLICITÁRIAS
FONTE: Disponível em: <http://promoview.com.br/evento/117135-
uniasselviassevim-realiza-semana-de-publicidade/>. Acesso em: 15 ago.
2011.
FIGURA 7 – NA DANÇA
FONTE: Disponível em: <http://blog.uniasselvi.com.br/>. Acesso em: 15 ago. 2011.
FIGURA 5 – EM LIVROS, JORNAIS E REVISTAS
FONTE: Disponível em: <http://deixapramimquesoucanhota.blogspot.
com/2011/02/marketing-iergs-uniasselvi.html>. Acesso em: 15 ago. 2011.
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
9
FIGURA 8 – NOS GESTOS
FONTE: Disponível em: <http://bocaberta.org/2008/03/gestos-e-
confusoes.html>. Acesso em: 15 ago. 2011.
FIGURA 9 – NA EXPRESSÃO FISIONÔMICA
FONTE: Disponível em: <http://blog.uniasselvi.com.br/tag/sorriso>.
Acesso em: 15 ago. 2011.
FIGURA 10 – NOS CÓDIGOS CIENTÍFICOS
FONTE: Disponível em: <http://www.grupoescolar.com/pesquisa/
compostos-inorganicos.html>. Acesso em: 15 ago. 2011.
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
10
Todas as situações mencionadas demonstram a capacidade humana de se
comunicar utilizando as linguagens não verbais e verbais. Vamos conhecê-las?
3.1 A LINGUAGEM NÃO VERBAL
A linguagem não verbal é aquela que não utiliza palavras para comunicar.
Então, como ela ocorre? Ela é estabelecida por meio de gestos, sons, cores, imagens,
entre outras. Os sinais de trânsito, por exemplo, demonstram que a mensagem é
repassada através das cores. A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) efetiva-se
através dos gestos.
Muitas vezes, a linguagem não verbal serve como reforço para aquilo que
dizemos: em determinados momentos, com a fala, utilizamos outros recursos
para reforçar nossa mensagem. Podemos citar, como exemplo, as histórias em
quadrinhos, pois o conteúdo da fala da personagem é reafirmado através da
imagem. Nas propagandas publicitárias também fica evidente a importância e a
função da linguagem não verbal.
Segundo Terra (1997, p. 12), “[...] a linguagem não verbal é aquela que
utiliza para atos de comunicação outros sinais que não as palavras”.
Vamos conhecer mais sobre a linguagem não verbal através das figuras que
seguem:
FIGURA 11 – PROIBIDO FUMAR
FONTE: Disponível em: <http://alunacriativa.wordpress.com/
category/uncategorized/page/2/>. Acesso em: 10 out. 2011.
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
11
FIGURA 12 – ADEUS À CIDADE
FONTE: Disponível em: <http://concretoverde.blogspot.com/2010/09/
charges.html>. Acesso em: 10 out. 2011.
Entendemos facilmente a mensagem que cada figura quer transmitir, não
é mesmo? A linguagem não verbal, então, apesar de não utilizar as palavras, é
capaz de efetivar um ato comunicativo. Agora, convido você a conhecer as
particularidades da linguagem verbal.
3. 2 A LINGUAGEM VERBAL
Podemos definir como linguagem verbal aquela em que as palavras são os
sinais utilizados para os atos comunicativos. O termo “verbal” vem do latim verbale
e significa palavra. Sendo assim, é por meio de palavras – linguagem verbal – que
expressamos desejos, sentimentos, ordens, opiniões, revelando nossas opiniões e
expondo nosso raciocínio.
Segundo Nicola (2009, p. 126), “[...] a linguagem verbal é aquela que utiliza
a língua (falada ou escrita).” A linguagem verbal pode ser abordada sob duas
modalidades: a língua escrita e a oral.
Veremos a seguir algumas charges que exemplificam a linguagem verbal.
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
12
FIGURA 13 – LINGUAGEM VERBAL
FONTE: Disponível em: <http://sustentabilizandomundo.blogspot.com/2010/09/
charge.html>. Acesso em: 5 out. 2011.
FIGURA 14 – LINGUAGEM VERBAL
FONTE: Disponível em: <http://mafalda-portugues.blogspot.com/2010/03/
analise-da-charge-no-tocante-ao.html>. Acesso em: 5 out. 2011.
Você já encontrou dificuldades em colocar no papel algo que na linguagem
oral consegue transmitir sem dificuldades? Acreditamos que sua resposta foi sim.
Então, vamos aprofundar nossos estudos?
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
13
Vimos que língua é um sistema de representação constituído por palavras e
por regras que se combinam, permitindo que expressemos uma ideia, uma ordem,
emoção, enfim, um enunciado de sentido completo que estabelece comunicação.
Tais regras e palavras são comuns aos membros de uma sociedade; sendo assim, a
língua pertence a toda comunidade.
A fala, por sua vez, se concretizará a partir do uso que o falante faz da
língua. No momento em que efetivamos o processo de comunicação, o fazemos
através da fala ou da escrita. Se analisarmos a história da humanidade ou a nossa,
podemos perceber que primeiro falamos e depois escrevemos. Adquirimos a fala
naturalmente, porém a escrita nos é ensinada. Sendo assim, na fala o significante é
sonoro e, na escrita, é gráfico.
Caro(a) acadêmico(a), ao transmitirmos uma mensagem percebemos que a
fala e a escrita adquirem algumas particularidades, não é mesmo? Quando falamos
da importância da língua escrita, esta reside nas suas próprias características se
comparada à língua falada. A língua oral possui diversosrecursos, como entonação
da voz, expressão fisionômica, gestos, além de ser mais espontânea. A escrita
requer mais atenção, pois não é uma simples representação do que se fala. Em
todas as línguas as pessoas escrevem e falam de maneira distinta, porém podemos
efetivar a comunicação tanto num enunciado falado quanto em um escrito.
Perceba que não escrevemos conforme falamos, nem falamos conforme
escrevemos. O humorista Jô Soares, em uma entrevista à revista “VEJA” (1990),
fez o seguinte comentário: "Português é fácil de aprender porque é uma língua
que se escreve exatamente como se fala”. Ele brinca com a diferença entre a fala e
a escrita, observe:
4 PARTICULARIDADES DA LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA
Pois é. U purtuguêis é muinto fáciu di aprender, purqui é uma língua qui
a genti iscrevi ixatamenti cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di
ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras. Im purtuguêis
não. É só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate
nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muinto diferenti. Qui
bom qui a minha língua é u purtuguêis. Quem soubé falá sabi iscrevê.
FONTE: Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/portugues/lingua-escrita-e-oral-nao-se-fala-
como-se-escreve.jhtm>. Acesso em: 10 out. 2011.
Na linguagem falada podemos detectar mais facilmente se estamos sendo
entendidos ou não. A linguagem é mais espontânea, a coesão se dá por meio
de gestos, entonação da voz, expressão fisionômica, entre outros. Há também a
presença de elementos que mantêm a conversação aberta, como, por exemplo,
“você entendeu?”, “está claro?”, “você concorda?”.
A modalidade escrita difere da falada em diversos fatores. Segundo Terra
(1997), a escrita representa um estágio posterior de uma língua, tanto que muitas
pessoas utilizam a língua sem saber utilizar a forma escrita.
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
14
Apesar de a linguagem falada ser mais utilizada, na comunicação é a escrita
que adquire maior importância para as teorias gramaticais, pois se considera que
a última possui aspecto de maior permanência. Há um dizer dos antigos romanos:
“verba volant; scripta manent”, que se traduz: “as palavras voam, aquilo que está
escrito permanece”.
Mas como explicar essa possível superioridade? Saussure (1972 apud
TERRA, 1997) nos apresenta uma possível explicação.
Mas como se explica tal prestígio da escrita?
1º Primeiramente, a imagem gráfica das palavras nos impressiona como um
objeto permanente e sólido, mais adequado do que o sim para construir a
unidade da língua através dos tempos [...]
2º Na maioria dos indivíduos, as impressões visuais são mais nítidas e
duradouras que as impressões acústicas; dessarte eles se apegam, de preferência
às primeiras. A imagem gráfica acaba por impor-se à custa do som.
3º A língua literária aumenta ainda mais a importância imerecida da escrita.
Possui seus dicionários, suas gramáticas; é conforme o livro e pelo livro que se
ensina na escola; a língua aparece regulamentada por um código; ora, tal código
é ele próprio uma regra escrita, submetida a um uso rigoroso: a ortografia, e eis o
que confere à escrita uma importância primordial. Acabamos por esquecer que
aprendemos a falar antes de aprender a escrever, e inverte-se a relação natural.
4º Por fim, quando existe desacordo entre a língua e a ortografia, o debate é
sempre difícil de resolver por alguém que não seja o linguista; mas como este
não tem voz em capítulo, a forma escrita tem, quase fatalmente, superioridade;
a escrita se arroga, nesse ponto, uma importância a que não tem direito.
FONTE: Saussure (apud TERRA, 1997, p. 14)
Depois de apresentadas as observações de Saussure, vejamos como Ulisses
Infante descreve as particularidades de cada modalidade: falada e escrita. Para
tanto, leia a leitura complementar que segue.
LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA
A língua falada mantém uma profunda vinculação com as situações em que
é usada. A comunicação oral normalmente se desenvolve em situações em que o
contato entre os interlocutores é direto: na maioria dos casos, eles estão em presença
um do outro, num lugar e momento que, por isso, são claramente conhecidos.
LEITURA COMPLEMENTAR
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
15
Dessa forma, quando conversam sobre determinado assunto, elaboram mensagens
marcadas por fatos da língua falada. O vocabulário utilizado é fortemente alusivo:
o uso de pronomes como eu, você, isto, isso, aquilo ou de advérbios como aqui,
cá, já agora, lá possibilita indicar os seres e fatos envolvidos na mensagem sem
nomeá-los explicitamente. Note que as palavras desse tipo causam problemas de
compreensão se não tivermos como detectar a que se referem.
Na língua escrita, a elaboração da mensagem requer uma linguagem menos
alusiva. O uso de pronomes e certos advérbios, eficientes e suficientes na língua
falada, obedece a outros critérios, pois essas palavras passam principalmente a
relacionar partes do texto entre si e não mais a designar dados da realidade exterior.
Em seu lugar, vemo-nos obrigados a utilizar formas de referência mais precisas, como
substantivos e adjetivos, capazes de nomear e caracterizar os seres. A língua escrita,
assim, demanda um esforço maior de precisão: devem-se indicar datas, descrever
lugares e objetos, bem como identificar claramente os interlocutores no caso de
representação de diálogos. Toda essa elaboração gera textos cuja compreensão não
depende do lugar e do tempo em que são produzidos ou lidos: como a língua escrita
busca ser suficiente em si mesma, redator e leitor não precisam mais da proximidade
física para que a mensagem se transmita satisfatoriamente.
Não pense, entretanto, que qualquer uma dessas formas de língua é
menor ou pior do que a outra: são apenas diferentes, cada uma delas apropriada
a uma forma de comunicação.
Até agora, falamos da diferença essencial entre língua escrita e língua
falada. Dessa diferença se originam outras, igualmente importantes e, em alguns
casos, tão significativas que se pode mesmo falar na existência de dois códigos
distintos: o código falado e o código escrito, cada um com suas regras próprias de
funcionamento. Vejamos algumas delas.
A língua falada se concretiza por meio da emissão dos sons da língua, os
fonemas. Na escrita, utilizam-se as letras, que não mantêm uma correspondência
exata com os fonemas: há letras que representam fonemas diferentes (a letra X,
por exemplo, em exame, xadrez e sintaxe); há fonemas representados por mais de
uma letra (chave, por exemplo); há até casos em que a letra não representa nenhum
fonema (h em homem, por exemplo). Fatos como esses fazem com que a ortografia
se torne às vezes complexa; ora, óbvio que essa questão afeta diretamente o manejo
da língua escrita, tendo reduzida influência sobre o código falado.
FONTE: INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto: curso prático de leitura e redação. São Paulo:
Scipione, 1998. p. 31.
16
RESUMO DO TÓPICO 1
Vamos rever o conteúdo apresentado neste primeiro tópico:
• Linguagem é o uso da língua para comunicar-se com os pares.
• A linguagem humana é um processo complexo e está presente em diversas
situações.
• Língua refere-se ao conjunto de expressões e palavras que são usadas por um
determinado povo.
• A língua não é uniforme.
• Não utilizamos somente um conjunto de palavras – faladas e escritas – para nos
comunicar, mas também gestos, expressão fisionômica, entre outros elementos.
• Faz-se necessário adequar a linguagem de acordo com os momentos de uso.
• A fala concretiza-se a partir do uso que o falante faz dela.
• A linguagem verbal é aquela que utiliza palavras para efetivar o ato comunicativo.
• A linguagem não verbal é aquela que não utiliza palavras,efetiva-se através de
gestos, cores, sinais e imagens.
• A linguagem não verbal não é menos importante que a verbal e, portanto,
complementam-se.
• Na linguagem oral a comunicação ocorre acompanhada da entonação de voz,
expressão fisionômica e gestos.
• Não falamos conforme escrevemos. Não escrevemos conforme falamos.
• A fala antecede a escrita.
17
AUTOATIVIDADE
1 Elabore, com suas palavras, um comentário sobre a temática: A importância
da comunicação.
2 Sobre a presença de linguagem verbal e não verbal em seu cotidiano, indique
uma situação de ocorrência para cada.
3 Sobre a linguagem escrita e a linguagem oral, aponte três particularidades
de cada.
LINGUAGEM ESCRITA LINGUAGEM ORAL
18
19
Vive-se num mundo globalizado, recheado de situações incertas. A
sociedade é caracterizada pelo ritmo frenético das mudanças, seja por uma nova
geografia (ou nova geopolítica) ou pela acelerada integração das mídias. E, neste
contexto, a comunicação tem seu valor. E só poderão fazer o diferencial as empresas
e/ou instituições que aprenderem a se comunicar, a trabalhar de forma interligada,
somando forças e gerando o “saber fazer” na sua equipe. Condição essencial para
que os resultados se aperfeiçoem e se transformem num diferencial, visto que
se vive numa época em que a competitividade é demasiadamente acirrada em
qualquer organização.
Convidamos você, acadêmico(a), a explorar o vastíssimo campo da
comunicação em seus variados aspectos. Temos ainda por objetivo estudar a
questão da comunicação e os diversos conceitos que a envolvem, além de analisar
os elementos que a completam. Faremos, também, algumas reflexões sobre a sua
importância nas relações interpessoais.
TÓPICO 2
COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
2 O PAPEL DA COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES
INTERPESSOAIS
A capacidade comunicativa não é privilégio dos seres humanos; ela é
bastante complexa e pode ser encontrada em outros momentos da vida animal,
nas aves, nos peixes, nos mamíferos e outros. Em sua etimologia, Marques de Melo
(1975, p. 14) lembra que “[...] comunicação vem do latim ‘communis’, comum. O que
introduz a ideia de comunhão, comunidade”. Contudo, se falamos em “processo
de comunicação”, cabe também uma rápida verificação no termo “processo”. Berlo
(1991, p. 33) o descreve como “[...] qualquer fenômeno que apresente contínua
mudança no tempo”, ou “qualquer operação ou tratamento contínuo”.
Entendê-lo implica relacioná-lo com a linguagem, a cultura e a tecnologia.
Quanto à linguagem, Tattersall (2006, p. 73) afirma que “[...] se estamos
procurando um único fator de liberação cultural que abriu caminho para a cognição
simbólica, a invenção da linguagem é a candidata mais óbvia”.
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
20
Quanto à cultura e tecnologia, nos parece essencial concordar com Mayr
(2006, p. 95), ao sugerir que “Uma pessoa do século XXI vê o mundo de maneira
bem diferente daquela de um cidadão da era vitoriana” e que “Essa mudança teve
fontes múltiplas, em particular os incríveis avanços da tecnologia”.
Souza Brasil (1973), mais ousado, interpreta a cultura como subordinada à
comunicação. E sabe-se que um subordinado, geralmente, identifica-se com o seu
superior.
Logo, caro(a) acadêmico(a), podemos dizer que comunicação é uma ação
pela qual os indivíduos trocam entre si informações, sentimentos ou experiências.
É através dela, por exemplo, que podemos alcançar sinergia dentro de uma
organização, visto que ela nos permite unir forças e atuar de maneira a cooperar e
colaborar obtendo resultados positivos por meio do trabalho em equipe.
Quando nos comunicamos partilhamos algo e, por este ato de compartilhar
ou comunicar, conhecemos e somos conhecidos. E, se somos conhecidos e
conhecemos, estamos vivendo em relação, por isso a qualidade da nossa existência
humana depende, e muito, de nossos relacionamentos.
A comunicação não pode ser confundida com a simples transmissão
unilateral de informações. A comunicação humana exige a participação, no
mínimo, de duas pessoas. Assim, ela só existe quando se estabelece entre mais de
uma pessoa. Quando há um bloqueio, a mensagem não é captada e a comunicação
é interrompida, pois, segundo Penteado (1997, p. 5), “[...] se um indivíduo fala e
ninguém ouve, o processo da comunicação humana não se completou”. Existindo
esse problema, a diferença de significado do que foi captado de uma mensagem
e o que o transmissor queria exatamente dizer é o ícone que pode atrapalhar o
elo comunicativo.
Acredita-se, acadêmico(a), que praticamente todas as relações humanas
e interpessoais abrangem a comunicação, pois ela é um veículo de significados
que pode influenciar, inclusive, nossos comportamentos. Vamos entender melhor?
Cada pessoa produz significados próprios diante dos acontecimentos ou das mais
variadas situações e, ao expressá-los, acrescenta algo de sua personalidade, por
isso os significados que damos às experiências são desfigurados, enriquecidos ou
empobrecidos através da comunicação.
A comunicação nas relações interpessoais pode ser entendida, de
uma forma mais simplificada, como sendo uma atividade caracterizada pela
transmissão e recepção de informações entre indivíduos ou, ainda, como o
modo pelo qual se constroem e se interpretam significados a partir das trocas de
experiências. Enfim, o processo de comunicação é marcado por um procedimento
resultante de uma interação social.
TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS
21
Então, caro(a) acadêmico (a), só há comunicação quando, de alguma forma,
o conteúdo da mensagem é interpretado e internalizado pelo receptor, ou seja,
quando é notada uma resposta em decorrência da mensagem. Enviar um e-mail
ou deixar uma mensagem gravada no celular, por exemplo, não representa
exatamente o comunicar, mas, sim, transmitir uma informação. Só haverá uma
comunicação completa se, de alguma forma, o receptor indicar ao emissor que
recebeu a informação que lhe foi emitida. E isso só acontecerá caso uma nova ação
desencadeie significação, ou seja, um sinal de retorno for identificado.
A linguagem é um elemento essencial para que o processo de interação
aconteça, pois é a partir do significado dos sinais que as pessoas atribuem sentido
às atividades. Desse modo, o processo de comunicação implica retorno ou feedback
para as interações sociais. O resultado da comunicação pode ser aquele que o
emissor pretendia (ou não). Se for o que pretendia, houve comunicação eficaz.
E, como processo interativo de troca de mensagens, o emissor atua sempre
simultaneamente com o receptor e vice-versa.
ATENCAO
Afinal, você sabe o que é feedback? É uma palavra de origem inglesa, que já
pertence ao nosso idioma, isto é, ela foi aportuguesada e, segundo o Dicionário Houaiss (2009),
significa a informação que o emissor (o que envia a mensagem) obtém da reação do receptor,
e que serve para avaliar os resultados da transmissão.
No entanto, os significados atribuídos a uma mensagem dependem das
características pessoais de quem a envia, de quem a recebe e do contexto da
interação social. A cada mensagem o receptor agrega determinado significado, o
qual poderá ou não corresponder à intenção do emissor. Assim, constata-se que a
comunicação tem um procedimento imperfeito, dependendo do grau de eficácia
com as variáveis que intervêm na interpretação de significados.
Além disso, devemos ter em mente que, nas relações interpessoais, a
comunicação está, também, atrelada aos movimentos corporais que podem
exprimir o positivo ou o negativo do que se sente em relação ao outro. Conforme
Parry (1976), os gestos que desenvolvemos podem transmitir muitas informações,
principalmente relativas ao nível social, à competência, à segurança e àfranqueza.
Entretanto, acredita-se que a maior barreira para a comunicação
interpessoal é a nossa tendência automática de julgar, avaliar, aprovar ou não o
comportamento ou a opinião de outra pessoa ou de um grupo.
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
22
Então, acadêmico(a), você acredita que exista alguma maneira de solucionar
ou amenizar esta barreira? Certamente há! Quando ouvimos com atenção, esta
tendência é minimizada. Isto significa que devemos analisar a ideia expressa e a
atitude de interpretação da outra pessoa, devemos perceber como ela aborda o
assunto do qual se está falando.
Você precisa ser capaz de ver o ponto de vista do outro, assim os seus
próprios conceitos serão reavaliados. Agindo desta maneira, a emoção não será mais
o ápice da discussão, as diferenças serão diminuídas e aquelas que permanecerem
serão racionalmente compreensíveis, e a comunicação se estabelecerá.
A clara e efetiva comunicação é essencial para os relacionamentos e em
muitas outras realizações humanas. Comunicar-se bem e de forma favorável
é uma questão de prática diária. A falta ou deficiência de comunicação nos
relacionamentos, sejam pessoais, profissionais ou sociais, pode afetar em níveis
variados todas as áreas da vida ou ocasionar desgaste e até angústia. Praticar a arte
da boa comunicação é valioso: é, acima de tudo, agregar maturidade pessoal que
trará bons resultados para muitos segmentos de sua vida.
2.1 TIPOS DE COMUNICAÇÃO
Caro(a) acadêmico(a), vimos a importância da comunicação para a
sobrevivência de uma organização e/ou instituição. Entretanto, para que esta tenha
sucesso, é necessário que os tipos de comunicação sejam entendidos com atenção,
pois, como você já estudou até aqui, a comunicação é um processo de interação
no qual compartilhamos mensagens, ideias, sentimentos e emoções, podendo
influenciar o comportamento das pessoas que, por sua vez, reagirão a partir de
suas vivências, crenças, valores, história de vida e cultura.
No cotidiano profissional utilizamos a comunicação para o desempenho de
nossas atividades, o que nos traz muitos benefícios se seu uso for consciente, pois
a boa comunicação tende a facilitar o alcance dos nossos objetivos, independente
da área em que atuamos.
As pessoas podem comunicar-se pelo Código Morse, pela escrita, por gestos,
pelo telefone, e-mail, internet etc.
UNI
TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS
23
Assim, você pode notar que existem vários tipos de comunicação. Ela pode
ser direta, indireta, formal ou não, unilateral ou bilateral. Vamos observar alguns
conceitos:
A comunicação formal, segundo Rüdiger (1998), é uma transmissão oficial
feita através das vias de diálogo que existem no organograma de uma empresa e/
ou instituição. Geralmente é feita por escrito e devidamente documentada através
de correspondências ou formulários.
Já a comunicação informal é a desenvolvida espontaneamente através
da estrutura sem formalidades e fora dos canais de comunicação estabelecidos
pelo organograma de uma empresa e/ou instituição. Segundo Gomes, Cardoso e
Dias (2011), esta conduz mensagens que podem ou não ser relativas às atividades
profissionais. Através dela pode-se conseguir mais rapidamente mensurar
opiniões e insatisfações dos colaboradores, ao ter uma ideia mais ampla do clima
organizacional e da reação das pessoas aos processos de mudança.
Quando pensamos na comunicação unilateral, temos que ter em mente
que é estabelecida de um emissor para um receptor, e este último é passivo. Como
deixam claro Gomes, Cardoso e Dias (2011), pertencem a este grupo os locutores
de uma rádio, da televisão, o cartaz de parede com mensagens publicitárias e de
propaganda ou aquele que pronuncia uma palestra ou um discurso.
A comunicação bilateral exige reciprocidade entre o emissor e o receptor. É o
que acontece nas conversas, nos diálogos, nas entrevistas, enfim, onde há uma troca
de mensagens, mencionam Gomes, Cardoso e Dias (2011). Este tipo de comunicação
permite que se estabeleça, entre emissor e receptor, uma troca de papéis.
Existe ainda a comunicação direta, na qual duas ou mais pessoas estão cientes
do que se quer fazer; está muito claro o que se pretende.
A comunicação indireta pode ser definida como a que o emissor está consciente do que
pretende, embora o receptor não esteja. Neste tipo de comunicação há a persuasão, que influi
no pensamento do outro sem que este perceba.
NOTA
Há de se considerar que a utilização dos diversos tipos de comunicação em
uma empresa e/ou instituição não garante a sua eficácia. Portanto, antes de iniciar
um comunicado, é sensato perguntar-se:
• O que e a quem quero comunicar?
• Que causas e finalidades tenho ao transmitir este conteúdo?
• Este conteúdo é justo para que eu consiga persuadir o receptor?
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
24
Partindo destas questões, observe o esquema a seguir elaborado por Harold
Lasswell (1902-1978), que representa o ato comunicativo:
FIGURA 15 – ESQUEMA LINEAR DE COMUNICAÇÃO DE LASSWELL
FONTE: Disponível em: <http://raquelcamargo.com/blog/tag/lasswell/>. Acesso em: 19 dez. 2011.
A diretora-geral de informação da Agência Angola Press (ANGOP), Luísa
Damião, afirmou em entrevista à Rádio Luanda em 30 de março de 2011 que “o uso correto
da comunicação, através da transmissão de mensagens adequadas e eficazes, é capaz de
promover mudanças de atitudes na sociedade”.
NOTA
Caro(a) acadêmico(a), existem alguns elementos que são fundamentais
para que haja comunicação. Assim, podemos afirmar que estes elementos, na
maioria das vezes, são utilizados sem que nós percebamos, alguns; porém, são
identificados, pois sem eles não haveria como comunicar-se. Quer saber como? É
o que veremos a seguir.
3 ELEMENTOS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO
Nas diversas situações de comunicação, seja falada, escrita ou até mesmo
nos sinais de trânsito, você está interagindo com o mundo e com os demais à sua
volta. Assim, o ato comunicativo engloba alguns elementos básicos, tais como:
emissor, receptor, mensagem, canal de comunicação, código e referente.
3.1 EMISSOR
É o remetente, ou seja, o que envia uma mensagem, e pode ser uma pessoa
ou um grupo, um órgão, uma empresa, um canal de televisão, um site na internet
e assim por diante.
Em conformidade com Penteado (1997, p. 4):
TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS
25
Ninguém se comunica consigo mesmo. O clássico exemplo do
faroleiro ilustra esse princípio: – Na solidão em que vive, o processo
da comunicação humana somente se completa quando o facho de luz –
transmissor – atinge o navio que passa – receptor. Enquanto o facho de
luz não é percebido de bordo, não existe comunicação humana.
Cabe, ainda, lembrar que geralmente o emissor analisa o nível de
conhecimento de seu público-alvo antes de emitir uma mensagem.
3.2 RECEPTOR
É o destinatário da mensagem, isto é, para quem a mensagem foi ou será
enviada. Pode ser para uma pessoa ou para um público-alvo, ou ainda um animal
ou uma máquina, como o computador.
3.3 MENSAGEM
É o objeto de comunicação, ela é estabelecida pelo conteúdo das informações
transmitidas. A mensagem é o elo dos dois pontos do circuito; é o objeto da
comunicação humana e sua finalidade (PENTEADO, 1997). Chamamos ainda de
mensagem o que o emissor transmite e o que o receptor recebe.
3.4 CANAL DE COMUNICAÇÃO
Meio pelo qual a mensagem pode circular: jornal, revista, televisão, rádio,
folheto, fôlder, outdoor e o próprio ar.
Concordamos com Penteado (1997, p. 5) quando menciona o exemplo:
“Suponhamos que alguém – o receptor – encontre uma garrafa numa praia deserta
e que dentro dessa garrafa exista uma mensagem [...]”. Nesta situação, percebemos
um canal de comunicação, pois omesmo cumpriu seu papel, que é o de transportar
uma mensagem.
3.5 CÓDIGO
O código é o meio através do qual a mensagem é transmitida, isto é, através
da fala, da escrita, dos gestos ou das imagens. De acordo com Penteado (1997, p.
5), “[...] um pedaço de papel coberto de rabiscos não é uma mensagem, porque é
ininteligível, não pode ser percebido pela inteligência”. Em suma, pode-se dizer
que é o conjunto de elementos com significado aceitos pelo emissor e receptor.
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
26
3.6 REFERENTE
O referente é o contexto ou a situação a que a mensagem remete ou, ainda,
é a situação na qual emissor e receptor estão inseridos. Assim, a linguagem irá
adquirir diversas funções, como a de emocionar, informar, persuadir, fazer refletir,
entre outras.
Existem dois tipos de referente: o situacional, formado pelos elementos que
situam o emissor e o receptor e pelas circunstâncias da transmissão da mensagem;
e o textual, formado pelos elementos de todo o contexto linguístico.
Agora que você conhece os elementos da comunicação, veja como eles
podem ser representados, observando o esquema a seguir:
FIGURA 16 – ESQUEMA DA COMUNICAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://www.ggte.unicamp.br/minicurso/video/texto/Modulo1/
mod001tela001.htm>. Acesso em: 23 ago. 2011.
comunicação
Emissor
conceito codificação
(linguagem)
mensagem
reação
conceito
Receptor
decodificação
(linguagem)
É importante ressaltar, portanto, que a comunicação deve ser simples,
direta, lógica e adaptada ao público-alvo, pois só se sabe verdadeiramente o que se
disse depois de ouvir a resposta ao que se disse. Para que isto aconteça, o emissor
deve ser um bom observador e ouvinte; a mensagem deve ser clara, precisa e com
uma informação de retorno, já que a comunicação serve para informar, persuadir,
motivar, educar, integrar os indivíduos na sociedade, distrair, divertir e muito mais.
4 BARREIRAS A UMA COMUNICAÇÃO EFICAZ
Conforme vimos, se analisarmos o ato da comunicação, vale ressaltar que
ela é um tanto dificultada já entre pessoas próximas, com laços afetivos, pois há
uma tendência de dispensar tolerância, paciência e cuidado com o que vai ser
falado ou ouvido.
TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS
27
Em uma instituição ou empresa, onde a afetividade é praticamente
imperceptível ou, por muitas vezes, inexistente, conclui-se que a comunicação
tende a ser mais complexa ainda. Entretanto, Pimenta (2004) diverge deste ponto
de vista. No seu entender, a neutralidade e a racionalidade, características do
ambiente empresarial, tendem a facilitar a comunicação, uma vez que as emoções
e a passionalidade, às vezes exageradas das relações familiares, podem servir
como empecilhos.
Em muitas situações os deslizes que suscitam estes problemas são
involuntários, os indivíduos os cometem sem perceber, seja por uma questão
de hábitos adquiridos ou por referências culturais e familiares. É imprescindível
pensar bem antes de falar, agir e ter sempre em mente que, em uma empresa
ou instituição, as opiniões e percepções serão sempre suscetíveis a discussões e
confusão, principalmente quando se trabalha com grupos heterogêneos. Então,
conhecer alguns tipos de barreiras, segundo Rüdiger (1998), que podem gerar
falhas à boa comunicação é essencial. Vejamos:
A distração é um elemento de alta capacidade de embaralhar a recepção
correta de uma informação, é uma ligação inesperada.
A presunção não enunciada acontece quando o emissor pressupõe que
o receptor já saiba o significado, porém não o sabe. Assim, as informações são
perdidas.
A apresentação confusa é a falta de ordem e coerência que dificultam o
entendimento das informações.
A representação mental pode causar confusão, pois o receptor obtém os
dados e constrói uma imagem do que está sendo dito. Uma voz carinhosa, por
exemplo, chama a atenção do receptor, o que pode distorcer a mensagem.
A credibilidade, que é a autoridade das pessoas, tem um peso muito
grande na hora do recebimento de uma informação.
A distância física é a probabilidade decrescente de as pessoas se
comunicarem quando a distância é significativa entre elas.
A defensidade acontece quando temos um conceito sobre o emissor e a
defensiva impede a comunicação.
A limitação do receptor, que é o grau cultural ou a forma de encarar
situações e os interesses que temos, limita a capacidade de entender o que é
proposto.
Diante do exposto, ainda se pode acrescentar um último tipo de barreira
que efetivamente dificulta a condição de uma boa comunicação, a autossuficiência.
E podemos concordar com Penteado (1997, p. 71) quando diz:
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
28
Para a comunicação humana, a autossuficiência, com todas as suas
consequências, significa obstáculo por vezes intransponível: é
impossível para qualquer pessoa começar a aprender o que ela julga
que já sabe. O sucesso do aprendizado depende da disposição em se
admitir que não se sabe (PENTEADO, 1997, p. 71).
Além destes, podemos ainda destacar outros tipos de barreiras que podem
gerar falhas à boa comunicação: a redundância e o ruído.
Quem tem autossuficiência é autossuficiente. Mas, afinal, caro(a) acadêmico(a), você
sabe o que é ser uma pessoa autossuficiente? Segundo o Dicionário Houaiss (2009), é aquele
que tem a capacidade de viver sem depender de outrem; independente, ou capaz de atender às
próprias necessidades de consumo, sem necessitar de recorrer à importação de produtos.
NOTA
4.1 REDUNDÂNCIA
A redundância na comunicação acontece quando o emissor transmite uma
informação repetindo-a. Se você prestar atenção, muitas informações retratam
redundâncias sintáticas, quando falamos “subir para cima”, por exemplo;
redundâncias gestuais, quando apontamos o polegar para cima para dizer
positivo, ou redundâncias tonais, quando exclamamos: “Estou morto de fome!”,
entre outras. Por vezes, a redundância se faz necessária para que uma mensagem
mostre perceptibilidade, como também para nos livrarmos de possíveis ruídos.
Bem, estes você estudará logo mais.
Pode-se dizer, então, que redundância é toda a parte da mensagem que não
traz nenhuma informação nova, isto é, refere-se a um excesso ou a um pleonasmo.
A redundância se associa à contenção da informação.
Ei, você lembra o que é pleonasmo?
O pleonasmo pode ser tanto uma figura quanto um vício de linguagem. Ele é uma redundância,
proposital ou não, numa expressão, enfatizando-a. Mas não se preocupe, no Tópico 3 da
Unidade 3, Língua Portuguesa: dúvidas pertinentes na escritura de um texto, você encontrará
uma explicação completa, ok?
NOTA
TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS
29
4.2 RUÍDO
De modo mais informal, o ruído ou a interferência é tudo o que afeta a
transmissão da mensagem. São fatores que surgem ou que se colocam entre o
emissor e o receptor no processo de comunicação.
A interferência ou ruído é criado por todos os fatores que, embora não
pretendidos pela fonte, acrescentam-se ao sinal durante o processo de transmissão
(RÜDIGER, 1998).
Se você falar em voz muito baixa, se efetuar erros de codificação, se você
estiver nervoso, se faltar com a atenção, se faltar energia elétrica, se manchar o papel
que contém a informação, certamente ocorrerão ruídos num contexto de comunicação.
Para que todas essas informações fiquem claras, observe o esquema a seguir:
FIGURA 17 – ESQUEMA DE RUÍDO NA COMUNICAÇÃO
FONTE: Adaptado de: <http://www.ceismael.com.br/oratoria/Importancia-da-
comunicacao.htm>. Acesso em: 20 ago. 2011.
Ruído
ReceptorEmissor
Mensagem
Então, o bom senso é palavra de ordem dentro das relações comunicativas
profissionais. Para tanto, cabe a cada um a constante autoanálise com relaçãoao comportamento e à postura diante do grupo e das situações comunicativas
que exercemos.
Caro(a) acadêmico(a), após esta etapa de estudos, quando você se
comunicar, tente minimizar as barreiras para uma comunicação eficaz. E para
tanto, observe algumas dicas:
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
30
• utilize uma linguagem apropriada e direta;
• forneça informações claras e completas;
• use canais múltiplos para estimular os vários sentidos do receptor;
• comunique-se face a face;
• ouça ativamente; e
• tenha empatia.
Para você visualizar como a comunicação funciona, observe o esquema de
Shannon e Weaver:
FIGURA 18 – O MODELO DE SHANNON-WEAVER DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO
FONTE: Adaptado de: SHANNON, C. E.; WEAVER, W. The mathematical theory of
communication. Urbana: University of Illinois Press, 1949. p. 5, 98. Disponível em: <http://
www.ceismael.com.br/oratoria/comunicacao-interpessoal.htm>. Acesso em: 25 ago. 2011.
ATENCAO
Para você aprofundar seus conhecimentos com relação à comunicação e sentir-
se mais autoconfi ante nesse processo, leia: RIBEIRO, Lair. Comunicação global: a mágica da
infl uência. Rio de Janeiro: Objetiva, 1993. Você vai aprender muito numa leitura divertida e de
fácil acesso!
31
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você estudou que:
• A comunicação não pode ser confundida com a simples transmissão unilateral
de informações, ela só existe quando se estabelece entre duas ou mais pessoas.
• Todas as relações humanas e interpessoais abrangem comunicação, pois ela é um
veículo de significados que pode, inclusive, influenciar nossos comportamentos.
• A comunicação nas relações interpessoais pode ser entendida, de uma forma mais
simplificada, como uma atividade caracterizada pela transmissão e recepção de
informações entre indivíduos.
• A comunicação formal é a comunicação oficial endereçada através dos canais de
diálogo existentes no organograma de uma empresa ou de uma instituição.
• A comunicação informal é aquela desenvolvida espontaneamente através da
estrutura sem formalidades e fora dos canais de comunicação.
• Há seis elementos no processo de comunicação, que são: o emissor (remete a
informação); o receptor (o destinatário da mensagem); a mensagem (o objeto
de comunicação); o canal de comunicação (o meio pelo qual a mensagem pode
circular); o código (o meio através do qual a mensagem é transmitida) e o
referente (o contexto, a situação e os objetos reais a que a mensagem remete).
• A comunicação deve ser simples, direta, lógica e adaptada ao público-alvo, pois
só se sabe verdadeiramente o que se disse depois de ouvir a resposta ao que se
disse, o chamado feedback.
• A redundância acontece quando o emissor transmite uma informação
repetindo-a, em vez de transmiti-la com clareza.
• O ruído ou a interferência é tudo o que afeta a transmissão de uma mensagem.
32
AUTOATIVIDADE
1 Duas pessoas conversam ao telefone celular. A pessoa que está ouvindo, porém,
não consegue entender o que a outra está dizendo, pois o seu aparelho apresenta
um pequeno defeito. O ruído, neste processo de comunicação, está no:
a) ( ) Código.
b) ( ) Canal.
c) ( ) Emissor.
d) ( ) Receptor.
e) ( ) Mensagem.
2 Observe e responda:
FIGURA 19 – CASCÃO E CEBOLINHA
FONTE: SOUSA, Maurício de. 2003. Disponível em: <http://enadepucrs.uni5.net/enadepucrs/
wpcontent/uploads/2006/COMUNICACAO_SOCIAL.pdf>. Acesso em: 19 dez. 2011.
A tirinha ilustra elementos do processo de comunicação que você já
estudou. A partir do que foi visto, e com relação à tirinha, julgue os itens a
seguir.
I - A voz da personagem Cascão é um canal de comunicação.
II - A personagem Cebolinha desempenha o papel de receptor da mensagem.
III - A forma como o diálogo entre Cascão e Cebolinha se desenvolveu indica
que houve um ruído no processo de comunicação.
IV- É possível encontrar na tirinha os seguintes elementos: fonte, código, mensa-
gem, canal e receptor.
33
Estão corretos apenas os itens:
a) ( ) I e III.
b) ( ) I e IV.
c) ( ) II e III.
d) ( ) II e IV.
e) ( ) III e IV.
3 Diga quais são as barreiras para uma comunicação eficaz e explique-as.
34
35
TÓPICO 3
A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Abordamos no Tópico 1 que a linguagem possui peculiaridades. A língua é
de domínio público e concretiza-se através do uso individual da fala.
Cada falante a utiliza conforme suas necessidades de comunicação, seu
grau de escolaridade, sua faixa etária, ou sua região, daí a dizer que a língua
possui variedades.
Você, ao imitar alguém, já acabou por reproduzir algumas palavras que
são características da pessoa imitada? Podemos dizer que a diversidade dessa
utilização ocorre devido a inúmeros fatores ou níveis, assunto a ser abordado
neste tópico.
2 NÍVEIS DE LINGUAGEM
Uma das variantes a ser estudada diz respeito aos níveis de linguagem. No
processo de comunicação torna-se imprescindível que o falante (emissor) faça a
seleção das variantes da língua, ou seja, as formas adequadas para cada situação,
considerando alguns aspectos, tais como: o que dizer, para quem dizer, em que
lugar e como dizer.
A partir disso, analisaremos distintos níveis de linguagem. Vamos conhecer
quais são e em que momento utilizar cada um?
Esse nível de fala, como o próprio nome sugere, é utilizado em situações
formais. A linguagem culta deve ser utilizada pelos meios de comunicação escrita,
como jornais, revistas, livros etc. O nível culto se caracteriza pelo uso mais apurado
do vocabulário e o cuidado com as regras gramaticais. Em situações de cerimônia,
também deve ser usada a linguagem formal.
O fragmento a seguir apresenta linguagem em nível formal.
2.1 NÍVEL CULTO OU FORMAL
36
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
A memória paulista está em risco. Um levantamento inédito produzido
pelo Sistema Estadual de Museus (SISEM), órgão ligado à Secretaria de Estado
da Cultura de São Paulo, mostra que 86% dos 415 museus paulistas têm, ao
menos, um problema grave.
Faltam políticas de conservação do acervo, cuidados de climatização,
reservas técnicas, funcionários e, em alguns casos, visitantes – porque há
instituições fechadas ao público. O diagnóstico mostra a situação em que se
encontram documentos e peças importantes para a história de São Paulo. Se
bem utilizado [o levantamento], pode indicar quais medidas urgentes devem
ser tomadas pelos responsáveis dos museus.
FONTE: Disponível em: <http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/86-dos-museus-paulistas-tem-
problemas-20110918.html>. Acesso em: 22 set. 2011.
A espontaneidade é característica presente neste nível de linguagem. No
dia a dia, em situações informais, as pessoas não estão atentas ao que é certo ou
errado, segundo a linguagem padrão. Elas se comunicam com maior liberdade e
necessitam, muitas vezes, de agilidade na transmissão da mensagem.
Geralmente nos diálogos encontramos exemplos da linguagem coloquial.
O texto que segue, O Poeta na Roça, de Patativa do Assaré, reproduz o nível
informal. Observe:
2.2 NÍVEL INFORMAL
O poeta da roça
Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabaio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mio.
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.
Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES
37
Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobrepaioça, da serra ao sertão.
Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.
Eu canto o caboco com suas caçada,
Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.
Eu canto o vaquero vestido de coro,
Brigando com o toro no mato fechado,
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.
Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.
E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade.
Cantando as verdade das coisa do Norte.
FONTE: ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1984. p. 20-21.
2.3 ADEQUAÇÃO NO USO DAS VARIEDADES LINGUÍSTICAS
Quando pensamos em que roupa colocar para ir ao escritório, por exemplo,
certamente bermuda e camiseta não estão em nossa lista, não é? Com a linguagem
não é diferente, devemos adequá-la conforme o uso que faremos dela, ou seja,
conforme a situação, o lugar e as pessoas com que vamos nos comunicar.
Um diálogo entre amigos sugere uma situação de informalidade, sendo
possível utilizar a língua de forma espontânea, sem preocupação com as regras
de gramática normativa. Caso diferente é um discurso de formatura. Assim como
há a preocupação com a vestimenta, deve haver com a linguagem utilizada. Nesta
situação não seria adequada a linguagem coloquial, e sim a formal.
38
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
2.4 GÍRIAS
Apesar de muitas pessoas pensarem que a gíria é um desvio da linguagem, a
maioria já pronunciou palavras como: bacana, cara, cuca, entre outras, não é mesmo?
O que não podemos esquecer é que a gíria não pertence à linguagem padrão, não
é aceita em situações de formalidade, como, por exemplo, redações de vestibular,
ofícios, preenchimento de relatórios, e-mails, textos acadêmicos, artigos científicos etc.
Sendo assim, podemos afirmar que a língua formal não aprova o uso de
gírias, salvo em reprodução de falas de personagens. Quando usada em momento
oportuno, ela cumpre o papel de denotar expressividade, podendo revelar grande
criatividade do emissor, à medida que esteja adequada à situação: adaptada ao
meio, à mensagem e a quem a receber.
A gíria, portanto, é característica da linguagem informal. Para Terra (1997,
p. 66), “[...] a gíria é uma variante da língua padrão utilizada por indivíduos de um
grupo social ou profissional em circunstâncias especiais”. Muitas vezes utilizamos
algumas delas sem perceber que não estamos fazendo uso da linguagem formal,
pois encontramos gírias diferenciadas, como, por exemplo: a dos jovens, a dos
surfistas, a dos jogadores de futebol, entre outras.
Constantemente surgem novas gírias e outras caem em desuso, isso porque
a gíria, como já mencionado, é uma variante da língua, e esta, por sua vez, está em
constante evolução e/ou reformulação.
Leia agora um pequeno texto sobre o assunto.
GÍRIA: O LADO JOVEM E TRANSITÓRIO DA LINGUAGEM
Da festa do balacobaco à reúna onde se descolava aquela mina até o
“ficar” de hoje, os jovens de todas as épocas reinventam a língua portuguesa.
A juventude principalmente, mas todos os grupos de interesse e vivências
particulares criam seu próprio modo de expressão e identidade, enriquecendo
e dando gosto e graça ao vocabulário.
Perseguida pelos puristas, sempre provocadora de polêmicas entre os
gramáticos, escolas e redações de jornais, a gíria, na verdade, inova e renova a
linguagem. Chamar alguém de bacana anos atrás era um elogio e linguagem de
quem estava “por dentro”. Agora, a mesma palavra pode ser classificada como
uma expressão típica de um “mauricinho”. Com humor e criatividade, as gírias
são fugazes e estão sempre se renovando.
Recentemente, foi lançado em Brasília, pelo jornalista e professor
universitário, João Bosco Serra e Gurgel, o Dicionário de Gíria; modismo linguístico
e equipamento falado do brasileiro. Serra e Gurgel defende que a disseminação
da gíria pode estar levando o português a se tornar uma língua ágrafa, sem
representação gráfica para sua manifestação sonora.
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES
39
O uso da gíria pela juventude e pelos meios de comunicação sempre
gerou polêmica. Serra e Gurgel diz que 90% dos jovens adotam a gíria e
desprezam a estruturação de sujeito, verbo e complemento. “Suas frases são
vagas, carregadas de sons que nada significam.” Celso Luft afirma que a gíria é
própria da juventude e da linguagem coloquial, informal.
Descontraída, debochada ou crítica, a gíria tem contribuído para dar um
colorido próprio à linguagem. Sem ela, sem o recurso de regionalismo, acredita
Luft, a linguagem corre o risco de empobrecer pela padronização, ficando
sem vida. “Por trás do preconceito contra a gíria há sempre um conflito entre
conservadores e juventude, grupo social contra grupo social. Se a linguagem da
juventude se restringir só à gíria, então haverá perigo.”
FONTE: BRAGANÇA, Maria Alice. Revista ZH, Porto Alegre, p. 6-7, 30 jun. 1991.
3 A LINGUAGEM PARTICULAR DE UMA PROFISSÃO
A escolha de uma profissão não é algo que se decide de uma hora para
outra, não é? Vários fatores são levados em conta, como as habilidades que se
tem, a afinidade com alguma área em especial ou até mesmo a admiração por
profissionais que já exercem tal trabalho. Pode-se afirmar que cada vez mais a
pressão em torno da responsabilidade pela escolha certa, na era da informação,
do avanço tecnológico e comunicacional proporcionado pela globalização, está
exigindo profissionais muito qualificados.
Você sabe, provavelmente, que não é possível haver indivíduos qualificados
sem levar em conta um item muito importante no currículo de qualquer profissional
das mais variadas áreas: conhecer o nível culto da língua portuguesa.
Você já estudou no Tópico 1 deste caderno que nós temos a linguagem
falada e escrita, porém não escrevemos como falamos, nem vice-versa. Você deve
concordar conosco que a linguagem oral dispõe de elementos como a entonação,
variação de voz, que contribuem para o entendimento. Além disso, dependendo da
situação, você emprega a linguagem que mais se adéqua: se informal, usa-se uma
linguagem sem formalidades, se formal, emprega-se a norma culta.
Estudamos, também, que a modalidade escrita vem sendo muito exigida em
concursos e entrevistas para emprego. Assim, preste atenção, acadêmico(a), pois
a era digital parece informal, mas, no trabalho, requer o uso de regras coerentes.
Assim sendo, o profissional que quer permanecer num mercado de trabalho tão
competitivo no mundo globalizado precisa ter domínio da norma culta, bem como
das regras, e ainda saber falar e escrever muito bem.
Há que se considerar ainda que a linguagem particular utilizada nas
diversas profissões, seja na elaboração de um ofício, relatório, ata, memorando,
e-mail, mala direta, num aviso a colegas de trabalho, numa conversa, entre outros,
exige o uso da norma culta da língua.
40
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
3.1 LINGUAGEM TÉCNICA OU JARGÃO
A linguagem técnica ou o jargão é um palavreado particular de uma
categoria ou de uma profissão. Segundo o Dicionário Aurélio, jargão é uma
gíria profissional. Sendo assim, perceba que linguagem técnica ou jargão é um
código, da língua, pertencente a um grupo profissional ou sociocultural com
vocabulário especial.
Apesar de em muitos casos o jargão ser apenas um modo de impressionar
o receptor, há também os casos em que sua colocação é quase que obrigatória.
Seja qual for a causa de sua existência, o jargão tem um sentidomuito importante
para quem o utiliza. Quando um advogado peticiona, por exemplo, ele expressa
o que os leigos conhecem por “pedir para o juiz”. Assim, podemos dizer que a
linguagem técnica ou o jargão é a “gíria” usada específica e limitadamente por
grupos de profissionais de um mesmo meio: professores, advogados, médicos etc.
No próximo título trataremos do assunto relacionado às funções
da linguagem, outro importante item que ajudará na ampliação de nossos
conhecimentos sobre a comunicação humana.
4 A LINGUAGEM E SUAS FUNÇÕES
As funções da linguagem são recursos que enfatizam a intenção do emissor
para que se estabeleça uma comunicação eficiente. Um texto pode apresentar mais
de uma função enfatizadora.
As funções da linguagem têm a finalidade de levar o leitor ou o receptor a
compreender determinado efeito ou conceito para determinado objetivo.
Diante disso, comungamos da ideia de Chalhub (1990, p. 9):
Numa mesma mensagem [...] várias funções podem ocorrer, uma
vez que, atualizando corretamente possibilidades de uso do código,
entrecruzam-se diferentes níveis de linguagem. A emissão, que organiza
os sinais físicos em forma de mensagem, colocará ênfase em uma das
funções – e as demais dialogarão em subsídio, [...].
Obviamente, as funções da linguagem requerem, antes de serem
individualmente estudadas e antes de observarmos suas influências no dia a dia,
indicar que todo processo comunicativo é centrado em elementos. Chalhub (1990, p.
1) reflete a respeito disso dizendo:
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES
41
Diferentes mensagens veiculam significações as mais diversificadas,
mostrando na sua marca e traço [...]. O funcionamento da mensagem
ocorre tendo em vista a finalidade de transmitir – uma vez que participam
do processo comunicacional: um emissor que envia a mensagem a um
receptor, usando do código para efetuá-la; esta, por sua vez, refere-se a um
contexto. A passagem da emissão para a recepção faz-se através do suporte
físico que é o canal. Aí estão, portanto, os fatores que sustentam o modelo
de comunicação: emissor; receptor; canal; código; referente; mensagem.
Os elementos da comunicação instituem funções, assim conhecidas:
• função referencial;
• função emotiva;
• função conativa e/ou apelativa;
• função fática;
• função metalinguística; e
• função poética.
Vamos visualizar o esquema a seguir para poder entendê-las melhor?
FIGURA 20 – FUNÇÕES DA LINGUAGEM
FONTE: Adaptado de: <http://penseecomunique.blogspot.com/2011/04/comunicafor-x-dia-
dia.html>. Acesso em: 14 ago. 2011.
42
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
4.1 FUNÇÃO EMOTIVA
A função emotiva ou expressiva é focada nas opiniões, ideias e nas emoções
de quem emite a mensagem. As interjeições e as exclamações são geralmente
utilizadas. O texto faz uso da primeira pessoa do singular.
Esta função aparece especialmente nas biografias, poesias líricas, memórias
e nas cartas de amor.
ATENCAO
Consulte seus conhecimentos e responda: o que é interjeição? Hum, esqueceu?!
Bem, saiba que as interjeições são palavras invariáveis, isto é, não sofrem variação em gênero,
número e grau. No entanto, em uso específico, algumas interjeições sofrem variação em grau.
Deve-se entender que, neste caso, não se trata de um processo natural dessa classe, mas tão
somente uma variação que a linguagem permite. Exemplos: oizinho!, bravíssimo!, até loguinho!.
FONTE: Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf90.php>. Acesso
em: 5 set. 2011.
Leia o exemplo a seguir:
UMA MORENA
Não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida
entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia
de ágata no canto do quarto – se tomada com cuidado, verto água limpa
sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto, mas, se tocada por dedos
bruscos, num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada.
Tenho pensado se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas,
dos muitos toques, embora sempre os tenha evitado aprendi que minhas
delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia,
mesmo assim insisto: meus gestos, minhas palavras são magrinhos como eu,
e tão morenos, que esboçados à sombra, mal se destacam do escuro, quase
imperceptível me movo, meus passos são inaudíveis feito pisasse sempre sobre
tapetes, impressentida, mãos tão leves que uma carícia minha, se porventura
a fizesse, seria mais branda que a brisa da tardezinha. Para beber, além do
chá, raramente admito um cálice de vinho branco, mas que seja seco para não
esbrasear em excesso minha garganta em ardores...
FONTE: ABREU, Caio Fernando. Fotografias. In: Morangos mofados. 2. ed. São Paulo: Brasiliense,
1982. p. 93.
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES
43
Neste texto você pode observar que são descritas as sensações da mulher.
Esta descrição é pessoal e subjetiva. O emissor exterioriza seu estado psíquico,
predominando a função emotiva da linguagem. Observe que o texto caracteriza-
se, também, pelo uso da 1ª pessoa do singular, o eu.
4.2 FUNÇÃO REFERENCIAL
Esta função centra-se no referente. O texto apresenta informações sobre a
realidade, traduzindo objetivamente o fato acontecido, uma linguagem direta e
objetiva. Prevalece a terceira pessoa do singular. Sem emitir uma opinião pessoal,
é utilizada na ciência, na arte realista, no jornal e em livros científicos.
Leia o texto a seguir:
A índia Everon, da tribo Caiabi, que deu à luz três meninas, através de
uma operação cesariana, vai ter alta depois de amanhã, após ter permanecido no
Hospital Base de Brasília desde o dia 16 de março. No início, os índios da tribo
foram contrários à ideia de Everon ir para o hospital, mas hoje já aceitam o fato,
e muitos já foram visitá-la. Everon não falava uma palavra de português até ser
internada e as meninas serão chamadas de Luana, Uiara e Potiara.
FONTE: JORNAL DA TARDE. São Paulo, 13 jul. 1982.
Observe que o texto apresenta, como objetivo único, informar ou confirmar
ao receptor um fato ocorrido. A linguagem é objetiva, não admite mais que uma
interpretação. Assim, evidencia-se a clara função de linguagem empregada, a
referencial, que traduz objetivamente a realidade.
4.3 FUNÇÃO APELATIVA
Esta função indica que a mensagem está centrada no receptor. O emissor,
por sua vez, busca influenciar a conduta do receptor com o intuito de convencê-lo
ou de lhe dar ordens. É comum o uso do tu e do você (2ª e 3ª pessoas do singular)
ou o próprio nome a quem se dirige a fala, além de usar vocativos e imperativos.
Nos discursos, nos sermões e nas propagandas, que são dirigidos diretamente ao
consumidor, é muito comum o uso desta função.
44
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
Você lembra o que é um vocativo? Bem, é muito fácil! Vocativo é um termo que
serve para chamar, invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético. Exemplo: “Não fale tão
alto, Juliana!” O nome “Juliana” é um vocativo.
E o modo imperativo dos tempos verbais, você sabe sua função? Ele é usado quando queremos
ordenar ou aconselhar. Exemplos: “Traga-me um chá!” “Tome cuidado, menino!”
NOTA
Observe a imagem:
FIGURA 21 – PROPAGANDA
FONTE: Disponível em: <http://desenblogue.com/2009/03/20/
vempracaixavocaetambaem>. Acesso em: 28 ago. 2011.
Ela propaga uma mensagem que, geralmente, chama muito a atenção. As
propagandas classificadas como apelativas têm a incumbência de proporcionar,
muitas vezes, uma mensagem de cunho social.
4.4 FUNÇÃO FÁTICA
A função fática objetiva verificar se o canal de comunicação está em pleno
funcionamento. Tem a finalidade de prolongar ou não a relação comunicativa
com o receptor. O linguajar das falas telefônicas, as saudaçõessão características
da função fática, bem como as interjeições, comentários sobre o clima, entre
outros aspectos.
Veja o exemplo que segue:
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES
45
FIGURA 22 – FUNÇÃO FÁTICA
FONTE: Disponível em: <http://duvidasredacao.blogspot.
com/2009_11_01_archive.html>. Acesso em: 11 set. 2011.
A letra da música da figura, que serve como exemplo da função fática,
mostra que o emissor utiliza claramente expressões que tentam prolongar o contato
com o receptor.
4.5 FUNÇÃO METALINGUÍSTICA
Na função metalinguística o código linguístico é posto em destaque, usando
a linguagem para falar dela mesma, ou seja, ela faz menção ao próprio código. A
poesia que fala da poesia, um texto que explana outro texto e os dicionários são
exemplos de metalinguagem. Então, dicionários, gramáticas, textos que analisam
textos, poemas que abordam o assunto da poesia são exemplos desta função.
Observe os exemplos a seguir:
FIGURA 23 – FUNÇÃO METALINGUÍSTICA
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_8gWyZQJ8R0E/SvBIbCGCozI/
AAAAAAAAAQk/uk2njO4Ail8/s1600-h/blog1.jpg.> Acesso em: 11 set. 2011.
46
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS
Mulher. [Do lat. muliere.] S. f. 1. Pessoa do sexo feminino após a puberdade.
[Aum.: mulherão, mulheraça, mulherona.] 2. Esposa.
Os exemplos apresentam a função metalinguística, o primeiro tem como
objetivo explicar, de uma maneira bem-humorada, o significado de mal-educado
a um falante da nossa língua. O segundo é um verbete de um dicionário que
esclarece um elemento do código – a palavra mulher – empregando o próprio
código na explicação.
4.6 FUNÇÃO POÉTICA
É a função que se centraliza na mensagem e que utiliza recursos
imaginativos. Esta função tem uma linguagem figurada, geralmente apresentada
em obras literárias, letras de música ou em algumas propagandas.
Veja o exemplo:
FONTE: Disponível em: <http://www.coladaweb.com/portugues/a-linguagem-e-os-processos-de-
comunicacao>. Acesso em: 28 ago. 2011.
A mulher que passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia.
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
[...]
FONTE: MORAES, Vinícius de. A mulher que passa. In:______. Antologia poética. 4. ed. Rio de
Janeiro: Ed. do autor, 1960. p. 90.
O exemplo apresentado é desenvolvido com criatividade. O som, o ritmo,
o jogo de ideias são explorados no texto e a linguagem poética desperta interesse
e desejo no leitor.
47
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico vimos que:
• As funções da linguagem são recursos que destacam a intenção do emissor
para que uma comunicação eficiente aconteça. Um texto pode apresentar várias
funções enfatizadoras.
• As funções de linguagem são seis: função referencial ou denotativa; função
emotiva ou expressiva; função fática; função conativa ou apelativa; função
metalinguística e função poética.
• A função emotiva ou expressiva é centrada nas opiniões e emoções do emissor.
• A referencial ou denotativa centra-se no referente.
• Na função apelativa a mensagem é voltada para o receptor, e o emissor
procura persuadir o outro a determinado comportamento, com a intenção de
convencimento ou de, inclusive, dar ordens.
• A função fática tem foco no canal, que tem por finalidade prolongar ou não o
contato com o receptor.
• Na função metalinguística, o código linguístico é posto em destaque, utilizando
a linguagem para falar dela.
• A função poética é a que se centraliza na mensagem. É aquela que utiliza recursos
imaginativos inventados pelo emissor.
• A linguagem culta deve ser utilizada pelos meios de comunicação escrita, como
jornais, revistas, livros etc.
• O nível culto se caracteriza pelo uso mais apurado do vocabulário e o cuidado
com as regras gramaticais.
• No nível coloquial a espontaneidade é característica presente.
• No dia a dia, em situações informais, as pessoas não estão atentas ao que é certo
ou errado, segundo a linguagem padrão.
• Devemos adequar a linguagem conforme o uso que faremos dela, ou seja,
conforme a situação, o lugar e as pessoas com quem vamos nos comunicar.
• Os desvios da norma culta não são aceitos pela gramática normativa.
48
• A gíria não pertence à linguagem padrão. Não é aceita em situações de
formalidade, como, por exemplo, redações de vestibular, ofícios, preenchimento
de relatórios, e-mails, textos acadêmicos, artigos científicos etc.
• Quando usada em momento oportuno, a gíria cumpre o papel de denotar
expressividade, podendo revelar grande criatividade do emissor.
• Constantemente surgem novas gírias e outras caem em desuso, isso porque a
gíria é uma variante da língua, e esta, por sua vez, está em constante evolução e/
ou reformulação.
• Indivíduos qualificados precisam de um item muito importante no currículo de
qualquer profissional de qualquer área: o uso do nível culto da língua portuguesa.
• A linguagem técnica ou o jargão é um conjunto de palavras particular de uma
categoria ou de uma profissão.
• Segundo o dicionário on-line de português, jargão é a linguagem incompreensível,
estropiada, um falar estranho.
• Apesar de o jargão ser apenas um modo de impressionar o receptor, há também
os casos em que sua colocação é quase que obrigatória.
49
AUTOATIVIDADE
1 A respeito das funções da linguagem, associe corretamente as colunas. Em
seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta do que foi
assinalado:
(a) Função metalinguística
(b) Função poética
(c) Função fática
(d) Função conativa ou apelativa
(e) Função emotiva ou expressiva
(f) Função referencial
( ) Centrada no emissor.
( ) Centrada no referente.
( ) Centrada no receptor.
( ) Centrada no canal.
( ) Centrada na mensagem.
( ) Centrada no código.
a) ( ) (c); (e); (f); (d); (b); (a).
b) ( ) (a); (f); (b); (d); (c); (e).
c) ( ) (e); (f); (d); (c); (b); (a).
d) ( ) (d); (a); (c); (f); (e); (b).
2 Leia a tirinha que segue e identifique a alternativa que apresenta a linguagem
informal.
FIGURA 24 - HAGAR
50
FONTE: Disponível em: <http://www.anossaescola.com/cr/testes/analisboa/Hagar.htm>.
Acesso em: 20 ago. 2011.
a) ( ) "Tá legal, espertinho!"
b) ( ) "[...] e ela me deu um anel mágico [...]"
c) ( ) "[...] mas bandidos o roubaram [...]"
d) ( ) "Onde é que você esteve?!"
51
UNIDADE 2
A ESTRUTURA TEXTUAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• compreender os conceitos de coesão e coerência;
• identificar os mecanismos de coesão no texto;
• conhecer a estruturação de um parágrafo e diferenciar as partes que o
compõem;
• refletir sobre a estrutura textual;
• caracterizar a narração, a descrição e a dissertação;
• aprimorar a interpretação textual;
• identificar as características dos textos, aperfeiçoar sua escrita no que se
refere às regras gramaticais, à clareza, à impessoalidade e à objetividade;
• adequar a linguagem de acordo com a situação escrita;
• identificar e destacar alguns documentos oficiais utilizados no dia a dia
das empresas e/ou instituições;
• aprimorar as habilidades necessárias à redação do texto/documento ofi-
cial, que vai além do simples uso de modelos prontos.
Esta unidade está dividida em três tópicos que visam auxiliar você na com-
preensão da origem e importância da linguagem e da comunicação. Ao final
de cada tópico apresentamos atividades a fim de consolidarseus conheci-
mentos sobre a temática.
TÓPICO 1 – O TEXTO E SUA INTENÇÃO
TÓPICO 2 – OS DIVERSOS TEXTOS
TÓPICO 3 – O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO
E GÊNEROS
52
53
TÓPICO 1
O TEXTO E SUA INTENÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Quando nos comunicamos, seja por escrito ou oralmente, temos em mente
repassar uma mensagem. Então, podemos dizer que todo texto tem uma intenção.
Para isso, existem componentes básicos que devem ser levados em consideração:
quem fala, para quem, como e com que intenção.
Sendo assim, sempre que escrevemos ou nos comunicamos oralmente
organizamos toda uma estrutura para sermos entendidos. Que estrutura é essa?
É a organização dos parágrafos, a seleção das palavras, a extensão do texto ou
da fala. Em outras palavras, a linguagem difere quando você se comunica com a
família, com o superior, com uma pessoa desconhecida ou muito conhecida, ou
ainda em uma entrevista de emprego. Diante disso, responda: sua linguagem se
diferencia, dependendo da situação? Provavelmente sua resposta foi positiva.
Então veja: é correto dizer que para cada situação adequamos nossa
linguagem, seja ela oral ou escrita, porque temos uma intenção e queremos ser
compreendidos. Sobre a adequação da linguagem, Infante (1998, p. 66) diz que:
O nível do vocabulário utilizado decorre dos fatores que condicionam
a elaboração do texto: o tema tratado, a finalidade a que se propõe, o
receptor a que se dirige, o meio de divulgação utilizado. Um comunicado
oficial a ser lido na ONU ou uma carta aberta à população de uma
pequena vila ameaçada pela devastação da natureza podem tratar do
mesmo assunto, mas a seleção vocabular deve ser apropriada a cada
caso... Dessa forma, as melhores palavras são as mais eficazes e não as
mais pomposas...
Muitas vezes, na oralidade, fazemos a seleção das palavras de maneira
natural, pois podemos nos certificar se estamos sendo entendidos, pela reação
do receptor. Mas, e na escrita? Durante a redação de relatórios, e-mails e outros
documentos, o texto tem que estar claro para que a mensagem não seja prejudicada.
Convido você, acadêmico(a), a conhecer mais sobre a estrutura do texto, de
modo a tornar sua comunicação cada vez mais coerente e coesa.
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
54
2 A CONSTRUÇÃO DO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA
Um texto deve apresentar textualidade, ou seja, um conjunto de
características que fazem com que seja um texto e não uma sequência de frases
(BEAUGRANDE; DRESSLER, 1981 apud VAL, 2004). Ainda segundo estes autores, são
sete os aspectos responsáveis pela textualidade: coesão, coerência, intertextualidade,
intencionalidade, aceitabilidade, informatividade, situacionalidade. Veremos a
seguir a coerência e a coesão textual.
2.1 COESÃO
Segundo Infante (1998, p. 66), “Dominar um bom vocabulário é requisito
para a elaboração eficiente de textos escritos”. Contudo, não são apenas palavras
rebuscadas que permitem coesão ao texto.
A coesão, de acordo com o Dicionário Michaelis, é a união entre as partes
formando um todo. Coeso, por sua vez, segundo Koch e Travaglia (2002), significa
quando a interpretação de algum elemento no discurso é dependente da de outro.
Desta forma, podemos concluir que, para um texto ser coeso, ele precisa de
elementos que liguem suas partes de modo a transmitir claramente a mensagem
que deseja. Sobre o texto escrito, Infante (1998, p. 66) acrescenta que:
[...] dentre as características específicas da modalidade escrita da língua,
destaca-se a necessidade de um vocabulário preciso e criterioso, capaz
de suprir a ausência dos recursos mímicos e dos matizes da entonação da
língua falada. Manejar um bom vocabulário não significa impressionar
os outros com um punhado de palavras difíceis e desconhecidas. O que
importa é conhecer e utilizar as palavras necessárias para a produção de
textos claros e enxutos.
Perceba que, segundo Infante, o mais importante para tornar um texto
coeso é usar as palavras apropriadas para cada situação. Agora que você já conhece
o conceito e a importância da coesão, vamos estudar como ela acontece na prática?
Vejamos a seguir.
2.1.1 Mecanismos de coesão
Como uma das marcas essenciais da textualidade, a coesão pode ocorrer
por meio de diferentes mecanismos. Entre eles citamos: a coesão sequencial, a
coesão referencial e a coesão recorrencial. Vejamos cada uma delas:
Coesão sequencial: refere-se ao desenvolvimento textual, seja por
procedimentos de manutenção do assunto, empregando os termos pertencentes
ao mesmo campo semântico, seja por meio de processos de progressão temática.
Dito de outra maneira, é o que empregamos para relacionar o já dito ao que irá ser
dito, à medida que progredimos com o texto.
TÓPICO 1 | O TEXTO E SUA INTENÇÃO
55
Os elementos que marcam a coesão sequencial estabelecem algumas
relações, dentre as quais destacamos:
a) adversidade: marca oposição (ainda que, mas, no entanto, porém, contudo);
b) acréscimo ou progressão: acrescenta dado novo ao discurso, amplificação (aliás,
também, além disso, e, bem como, também, ainda);
c) explicação: a sequência introduzida por eles serve, normalmente, para explicitar
ou confirmar algo (pois, porque assim, desse modo);
d) alternativa (ou);
e) condição (se);
f) esclarecer o que foi dito (quer dizer, ou seja);
g) temporalidade: usados para indicar tempo anterior e tempo posterior (antes que,
depois que) e tempo simultâneo (quando, mal, nem bem, assim que, logo que, no
momento que).
Coesão referencial: esta ocorre quando um elemento da sequência do texto
se remete a outro do mesmo texto, substituindo-o. Quando esta referência se faz do
depois para o antes, dizemos que ocorre a anáfora. E quando ocorre a referência do
antes para o depois é um caso de catáfora.
Para você entender melhor sobre anáfora e catáfora, segue um exemplo de
cada, respectivamente:
a) Encontrei o atleta na concentração, porém não conversei com ele.
Note que, neste caso, ocorre a anáfora, pois o elemento ele relaciona-se com
o elemento anterior o atleta.
b) Ele estava lá, na concentração, o atleta.
Neste exemplo, temos um caso de catáfora, sendo que o primeiro elemento
relaciona-se com o segundo.
Coesão recorrencial: esta se caracteriza pela repetição de algum tipo de
elemento anterior que não funciona como alusão ao mesmo referente, e sim como
uma recordação de um mesmo padrão. Observe o exemplo:
A criança chorava, chorava, chorava, enquanto os colegas a olhavam tristes.
Note que ocorre a repetição do termo chorava.
Para complementar, podemos dizer que neste tipo de coesão pode ocorrer a
elipse. Veja:
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
56
O maior objetivo da vida não é o conhecimento, mas [...] a ação.
Percebe-se aqui que se omite a estrutura “maior objetivo da vida é”.
2.2 COERÊNCIA
A coerência textual é a organização lógica das ideias, havendo assim
continuidade entre as frases e/ou sequências, produzindo um sentido único para
o todo. Segundo o Dicionário Michaelis, é a ligação, harmonia, conexão ou nexo
entre os fatos, ou as ideias. Na construção do texto, portanto, ela é fundamental
para que se entenda a mensagem. Para explicitar na prática, leiamos o texto que
segue, Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Nele o autor narra a viagem de Fabiano
e sua mulher com a cadelinha Baleia, que fogem da seca no Nordeste.
Na sequência, apresentamos algumas considerações.
BALEIA
A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe
em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde as manchas
escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a
inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida.
Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de
hidrofobia e amarrara-lhe no pescoço umrosário de sabugos de milho
queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral
ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as orelhas
murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas,
semelhante a uma cauda de cascavel.
Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira,
lixou-a, limpou-a com o saca-trapo e fez tenção de carregá-la bem para a
cachorra não sofrer muito.
Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados,
que adivinhavam desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta:
- Vão bulir com a Baleia?
Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano afligiam-
nos, davam-lhes a suspeita de que Baleia corria perigo.
[...]
FONTE: RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 85 [Fragmento].
TÓPICO 1 | O TEXTO E SUA INTENÇÃO
57
Vejamos então alguns elementos que, neste texto, auxiliam na sua coerência:
Por isso: este conectivo estabelece uma relação de causa e consequência: a
aparência da boca da Baleia era tal que, consequentemente, Fabiano pensou que
ela estivesse com hidrofobia.
Mas: esta conjunção introduz uma situação contrária à tentativa de Fabiano
salvar a Baleia.
Então: esta palavra expressa a ideia de causa e consequência, sendo que
Baleia não melhora, continua muito mal.
La: este pronome (a na forma la), substitui a palavra Baleia.
Podemos perceber, então, a importância que tais elementos adquirem na
construção do texto: sem eles a mensagem ficaria prejudicada. Sabemos que o
assunto é complexo e impossível de esgotá-lo neste estudo. Entretanto, enfatizamos
que o uso correto dos conectores facilita a interpretação do texto e a construção
da coerência pelo leitor.
Caro(a) acadêmico(a)! Você deve habituar-se, sempre que estiver em uma
situação de escritura de qualquer modelo textual, a consultar um dicionário. Seja durante uma
leitura ou redação, como afirma Infante (1998, p. 67), “[...] consultá-lo contribui de forma decisiva
para a perfeita compreensão e expressão de ideias, opiniões e sentimentos.”
NOTA
Para aprofundar os estudos, sugerimos a leitura do seguinte texto:
A REFERENCIAÇÃO/OS REFERENTES, COERÊNCIA E COESÃO
A fala e também o texto escrito constituem-se não apenas numa sequência
de palavras ou de frases. A sucessão de coisas ditas ou escritas forma uma
cadeia que vai muito além da simples sequencialidade: há um entrelaçamento
significativo que aproxima as partes formadoras do texto falado ou escrito.
Os mecanismos linguísticos que estabelecem a conectividade e a retomada
e garantem a coesão são os referentes textuais. Cada uma das coisas ditas
estabelece relações de sentido e significado tanto com os elementos que a
antecedem como com os que a sucedem, construindo uma cadeia textual
significativa. Essa coesão, que dá unidade ao texto, vai sendo construída e
se evidencia pelo emprego de diferentes procedimentos, tanto no campo do
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
58
léxico, como no da gramática. (Não esqueçamos que, num texto, não existem ou
não deveriam existir elementos dispensáveis. Os elementos constitutivos vão
construindo o texto, e são as articulações entre vocábulos, entre as partes de uma
oração, entre as orações e entre os parágrafos que determinam a referenciação,
os contatos e conexões e estabelecem sentido ao todo.)
Atenção especial concentram os procedimentos que garantem ao texto
coesão e coerência. São esses procedimentos que desenvolvem a dinâmica
articuladora e garantem a progressão textual.
A coesão é a manifestação linguística da coerência e se realiza nas
relações entre elementos sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjetivos em
relação aos substantivos; formas verbais em relação aos sujeitos; tempos verbais
nas relações espaço-temporais constitutivas do texto etc.), na organização de
períodos, de parágrafos, das partes do todo, como formadoras de uma cadeia
de sentido capaz de apresentar e desenvolver um tema ou as unidades de um
texto. Construída com os mecanismos gramaticais e lexicais, confere unidade
formal ao texto.
1. Considere-se, inicialmente, a coesão apoiada no léxico. Ela pode dar-se pela
reiteração, pela substituição e pela associação. É garantida com o emprego de:
• enlaces semânticos de frases por meio da repetição. A mensagem-tema do
texto apoiada na conexão de elementos léxicos sucessivos pode dar-se por
simples iteração (repetição). Cabe, nesse caso, fazer-se a diferenciação entre
a simples redundância resultado da pobreza de vocabulário e o emprego
de repetições como recurso estilístico, com intenção articulatória. Ex.: “As
contas do patrão eram diferentes, arranjadas a tinta e contra o vaqueiro,
mas Fabiano sabia que elas estavam erradas e o patrão queria enganá-lo.
Enganava.” (Vidas Secas, p. 143);
• substituição léxica, que se dá tanto pelo emprego de sinônimos como
de palavras quase sinônimas. Considerem-se aqui, além das palavras
sinônimas, aquelas resultantes de famílias ideológicas e do campo
associativo, como, por exemplo, esvoaçar, revoar, voar;
• hipônimos (relações de um termo específico com um termo de sentido
geral, ex.: gato, felino) e hiperônimos (relações de um termo de sentido mais
amplo com outros de sentido mais específico, ex.: felino, gato);
• nominalizações (quando um fato, uma ocorrência, aparece em forma
de verbo e, mais adiante, reaparece como substantivo, ex.: consertar, o
conserto; viajar, a viagem). É preciso distinguir-se entre nominalização estrita
e generalizações (ex.: o cão < o animal) e especificações (ex.: planta > árvore >
palmeira);
TÓPICO 1 | O TEXTO E SUA INTENÇÃO
59
• substitutos universais (ex.: João trabalha muito. Também o faço. O verbo fazer
em substituição ao verbo trabalhar);
• enunciados que estabelecem a recapitulação da ideia global. Ex.: O curral
deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também deserto, a casa do vaqueiro
fechada, tudo anunciava abandono (Vidas Secas, p. 11). Esse enunciado é
chamado de anáfora conceptual. Todo um enunciado anterior e a ideia global
a que ele se refere são retomados por outro enunciado que os resume e/ou
interpreta. Com esse recurso, evitam-se as repetições e faz-se o discurso
avançar, mantendo-se sua unidade.
2. A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de:
• certos pronomes (pessoais, adjetivos ou substantivos). Destacam-se aqui
os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados como substitutos de
elementos anteriormente presentes no texto, diferentemente dos pronomes
de 1ª e 2ª pessoa, que se referem à pessoa que fala e com quem esta fala;
• certos advérbios e expressões adverbiais;
• artigos;
• conjunções;
• numerais;
• elipses. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado anterior,
a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem recolheu-se cedo.
... Sabia que ia necessitar de todas as suas forças. O termo o jovem deixa de ser
repetido e, assim, estabelece a relação entre as duas orações.). É a própria
ausência do termo que marca a inter-relação. A identificação pode dar-se
com o próprio enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos
extraverbais, exteriores ao enunciado. Vejam-se os avisos em lugares
públicos (ex.: Perigo!) e as frases exclamativas, que remetem a uma
situação não verbal. Nesse caso, a articulação se dá entre texto e contexto
(extratextual);
• as concordâncias;
• a correlação entre os tempos verbais.
Os dêiticos exercem, por excelência, essa função de progressão textual, dada
sua característica: são elementos que não significam, apenas indicam, remetem
aos componentes da situação comunicativa. Já os componentes concentram em
si a significação. Referem os participantes do ato de comunicação, o momento e
o lugar da enunciação.UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
60
Elisa Guimarães ensina a respeito dos dêiticos: os pronomes pessoais e as
desinências verbais indicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes
demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, bem como os
advérbios de tempo, referenciam o momento da enunciação, podendo indicar
simultaneidade, anterioridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste
momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes
de (pretérito); de agora em diante, no próximo ano, depois de (futuro).
Maria da Graça Costa Val lembra que “esses recursos expressam relações não
só entre os elementos no interior de uma frase, mas também entre frases e sequências de
frases dentro de um texto”.
Não só a coesão explícita possibilita a compreensão de um texto. Muitas
vezes a comunicação se faz por meio de uma coesão implícita, apoiada no
conhecimento mútuo anterior que os participantes do processo comunicativo
têm da língua.
FONTE: Disponível em: <http://www.cce.ufsc.br/~nupill/ensino/a_referenciacao.htm>. Acesso
em: 24 fev. 2009.
3 PARÁGRAFO
Costumamos chamar de parágrafo o espaço em branco num trecho escrito,
que geralmente corresponde a seis ou sete caracteres de afastamento da margem
esquerda. Entretanto, nosso foco é destacar que o parágrafo é uma unidade do
discurso formada por um ou mais períodos, ou seja, é parte de uma redação. Segundo
Medeiros (2004), utilizamos o parágrafo para dividir o texto em partes menores, já
que um texto possui diferentes enfoques.
Quando se muda o parágrafo, não se muda o assunto. Este deve ser o
mesmo do princípio ao fim da redação. A abordagem, porém, pode mudar. E é
aqui que o parágrafo entra em ação. A cada novo ponto de vista, a cada nova
abordagem, haverá um novo parágrafo.
O entendimento da estrutura do parágrafo é o melhor caminho para a
segura compreensão do texto. No caso de diálogos, percebemos o uso de parágrafos,
quando a abertura deste indica a mudança de interlocutor.
Agora que já sabemos quando usamos um parágrafo, vamos estudar como
este está estruturado.
TÓPICO 1 | O TEXTO E SUA INTENÇÃO
61
O símbolo para parágrafo, representado por §, equivale a dois esses (ss)
entrelaçados, iniciais das palavras latinas “signum sectionis”, que significam sinal de secção, de
corte. Num ditado, quando queremos dizer que o período seguinte deve começar em outra
linha, falamos parágrafo ou alínea. A palavra alínea (vem do latim a + lines) significa distanciado
da linha, isto é, fora da margem em que começam as linhas do texto.
NOTA
3.1 A ESTRUTURAÇÃO DO PARÁGRAFO
Ao escrever não devemos iniciar sem abrir parágrafo. Uma vez aberto,
a leitura deve merecer pausa maior que a sinalizada pelo ponto final. Durante
a escrita, devemos observar com atenção o momento oportuno de abrir
parágrafos, a troca de abordagem ou ponto de vista, assim o escrito não se
tornará cansativo e desinteressante.
Você deve estar se perguntando: mas quando devo então, efetivamente,
iniciar novo parágrafo? A resposta é que não existe uma regra que o escritor deva
seguir. A prática da escrita nos proporciona o equilíbrio nesse momento, fazendo
com que não escrevamos parágrafos compostos de frases muito curtas nem
parágrafos muito densos de informações.
Dito de outra maneira, quando concluímos a enunciação de diversos conceitos
para dar continuidade a outros relacionados ao mesmo discurso, porém sob aspecto
diverso, é que sentimos a necessidade de abertura de um novo parágrafo.
Na escritura de um texto faz-se necessário estruturá-lo bem a partir dos
parágrafos, que podem variar de extensão de acordo com o tema que se escreve.
O parágrafo pode ser estruturado em partes bem distintas. Vamos estudá-las? São
elas:
a) Tópico frasal
O tópico frasal é a ideia-núcleo que se encontra no interior do parágrafo,
pode ser denominado também como período tópico ou frase síntese. É através
deste que o escritor desenvolve o pensamento.
b) Desenvolvimento
O desenvolvimento é onde se agregam ideias secundárias ao tópico frasal.
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
62
c) Conclusão
A conclusão nem sempre está presente; serve para resumir o conteúdo do
parágrafo e localiza-se ao final do mesmo.
d) Elemento relacionador
Este item poderia estar presente a partir do segundo parágrafo,
estabelecendo um encadeamento lógico entre as ideias, ou seja, serve de elo entre
o parágrafo em si e o tópico que o antecede.
Quando refletimos sobre parágrafo, estamos direta ou indiretamente
aprimorando a organização das ideias e o seu encadeamento lógico. Ao redigir um
texto, esta habilidade está sempre em prática, fazendo com que esta capacidade
seja cada vez mais aperfeiçoada.
ATENCAO
O uso de parágrafos é muito comum nos códigos de leis por indicar os
parágrafos únicos.
Exemplo: § 7º Lei federal disporá sobre as normas gerais a serem obedecidas na efetivação do
disposto no § 4º (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
63
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico abordamos que:
• Todo texto tem uma intenção.
• Devemos organizar a linguagem, seja ela escrita ou oral, de acordo com a situação
comunicativa.
• Um texto tem coesão quando há concatenação entre seus vários elementos.
• Coerência é a organização lógica das ideias.
• A coerência é fundamental para o entendimento do texto.
• O parágrafo é parte de uma redação.
• Na escrita, o parágrafo é um espaço em branco no início da linha.
• Quando iniciamos um novo parágrafo mudamos o enfoque do texto.
• A prática da escrita nos proporciona a compreensão sobre quando iniciar novo
parágrafo.
• O símbolo do parágrafo é representado por “§” que equivale a dois esses (SS)
entrelaçados.
64
AUTOATIVIDADE
1 Todo texto escrito ou falado, como vimos, possui uma intenção. Escreva qual
a intenção ou intenções do texto abaixo.
QUEM TEM MEDO DO ABSINTO
Em outras eras, o absinto era considerado um demônio verde das
artes, capaz de levar ao delírio escritores e artistas em geral. Mas sabe qual
é a base do absinto? Pois é losna, aquela mesma das nossas melhores hortas.
Claro que, para chegar ao absinto de antigamente, a nossa boa e velha losna,
na espécie chamada Artemísia absinthum, tinha que passar por misturas
e formulações com outras ervas. O resultado era uma bebida de altíssimo
teor alcoólico, chegando a uns incendiários 75 graus. Tudo isso para dizer
que a Dubar elaborou e está lançando no Brasil um aperitivo de absinto, o
Lautrec, igualmente expressivo, mas bem mais maneiro (53,5 graus) que o seu
controvertido avô. Na nova composição, os vegetais aromáticos que se unem à
nossa losna passam por uma destilação cuidadosa e, posteriormente, por uma
retificação dos elementos indesejáveis. No mais, é o lendário, carregado de
história e de um verde sonhador.
FONTE: ÍCARO, abril de 2011. Disponível em:<http://www.algosobre.com.br/redacao/o-texto-
e-sua-intencao.html>. Acesso em: 12 nov. 2011.
2 Sobre os mecanismos de coesão estudados, aprendemos que eles servem
para apresentar uma leitura mais clara e eficiente. Sendo assim, encontre
sinônimos para substituir a expressão “O papa João Paulo II”.
TEXTO
O papa João Paulo II disse ontem, dia de seu 77º aniversário, que seu
desejo é “ser melhor”. __________ reuniu-se na igreja romana de Ant’Attanasio
com um grupo de crianças, sendo que uma delas disse: “No dia do meu
aniversário minha mãe sempre pergunta o que eu quero. E você, o que quer?”
65
__________ respondeu: “Ser melhor”. Outro menino perguntou a __________
que presente gostaria de ganhar neste dia especial. “A presença das crianças
me basta”, respondeu __________. Em seus aniversários, __________ costuma
compartilhar um grande bolo, preparado por irmã Germana, sua cozinheira
polonesa, com seus maioresamigos, mas não sopra as velinhas, pois este
gesto não faz parte das tradições de seu país, a Polônia. Os convidados mais
frequentes a compartilhar nesse dia a mesa com __________ no Vaticano
são o cardeal polonês André Marie Deskur e o engenheiro Jerzy Kluger, um
amigo judeu polonês de colégio. Com a chegada da primavera, __________
parece mais disposto. __________ deve visitar o Brasil na primeira quinzena
de outubro.
FONTE: Disponível em: <http://www.pucrs.br/gpt/coesao.php>. Acesso em: 12 nov. 2011.
66
67
TÓPICO 2
OS DIVERSOS TEXTOS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Antes de partirmos para a caracterização dos textos, é importante saber
o que significa a palavra texto, não é mesmo? Você, acadêmico(a), consegue
conceituá-la? Uma análise etimológica é bastante esclarecedora. A palavra texto
provém do latim textum, que significa “tecido, entrelaçamento”.
Dito em outras palavras, um texto se desenvolve linearmente, pois a cada
parte agrega-se outra relacionando o que já foi dito com o que ainda se pretende
dizer. Segundo Koch (2008, p. 201-213),
O processamento de um texto, portanto, depende não só de
características textuais, como também de características sociocognitivas
dos usuários da língua. Ele pressupõe um conjunto de atividades do
ouvinte/leitor, de modo que se caracteriza como um processo ativo e
contínuo de construção de sentidos, que se realiza na interação entre
os interlocutores. Dentro dessa concepção, considera-se o texto o
próprio lugar da interação e os interlocutores como sujeitos ativos que –
dialogicamente – nele se constroem e por ele são construídos. A produção
de linguagem constitui atividade cognitivo-interativa altamente
complexa de produção de sentidos, que se realiza, evidentemente, com
base nos elementos linguísticos presentes na superfície textual e na sua
forma de organização, mas que requer não apenas a mobilização de um
vasto conjunto de saberes, como também, sobretudo, a sua reconstrução
no momento da interação verbal.
Para nós, no momento, basta termos em mente que a palavra texto deriva
da ação de tecer ou de entrelaçar algumas partes com a finalidade de tornar um
todo coeso e coerente.
Partimos, então, para as características textuais.
2 CARACTERÍSTICAS DOS TEXTOS
Vimos que, ao escrevermos um texto, este sempre possui uma intenção.
Para conseguirmos transmitir a mensagem de maneira correta, faz-se necessário
que sigamos alguns passos de modo a caracterizar os textos.
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
68
A seguir, apresentamos um quadro no qual é possível perceber diferenças
marcantes entre os textos – modo descritivo, narrativo e dissertativo.
MODO DESCRITIVO NARRATIVO DISSERTATIVO
Agente Observador Narrador Argumentador
Conteúdo
Seres, objetos, cenas,
processos
Ações ou sentimentos
Opiniões,
argumentos
Tempo Momento único Sucessão Ausência
Objetivo Identificar Relatar
Discutir, informar
ou expor
Classes de palavras
Substantivos e
adjetivos
Verbos, advérbios e
conjunções temporais
Conectores
Tempos verbais
Presente ou imperfeito
do indicativo
Presente ou perfeito
do indicativo
Presente do
indicativo
QUADRO 1 – SEQUÊNCIAS TEXTUAIS
FONTE: CARNEIRO, Agostinho Dias. Redação em construção. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2001. p. 29.
Marcuschi adota a terminologia tipologia textual, isto é, segundo esse autor,
narração, descrição, argumentação, injunção e exposição são tipologias textuais.
UNI
Vale lembrar que dificilmente um texto pertencerá exclusivamente a
um modo de organização, ou seja, um texto raramente será somente descritivo,
dissertativo ou narrativo. Geralmente sua classificação ocorre levando em conta a
predominância de sequências de um tipo sobre as demais.
A seguir veremos como se desenvolvem os textos narrativos. Este momento
de seu estudo é muito importante, pois o conhecimento das sequências textuais o
auxiliará na interpretação dos diversos modelos textuais.
3 A NARRAÇÃO
Diariamente ouvimos, contamos, lemos ou redigimos histórias, não
é mesmo? Algumas pessoas com mais frequência, outras com menos, porém
podemos dizer que todos saberiam contar, recontar ou inventar uma história.
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS
69
O contato com histórias auxilia no desenvolvimento da nossa imaginação.
Através delas podemos inventar, criar e nessa produção acabamos por buscar
palavras para exprimir o que pretendemos, resultando em aprimoramento da
fala e da escrita, do vocabulário e da comunicação. Antes de entrarmos mais
detidamente nas particularidades das narrativas, leia o texto que segue de Samira
Nahid de Mesquita.
CONTAR E OUVIR HISTÓRIAS
Contar e ouvir histórias são atividades das mais antigas do homem.
Pessoas de todas as condições socioculturais têm o prazer de ouvir e de contar
histórias. Um romancista e ensaísta inglês, E. M. Forster, chama esta atividade
de atávica, isto é, transmitida desde a idade mais remota da humanidade,
ligada aos rituais pré-históricos do Homem de Neanderthal, força de vida e
de morte, conforme sua capacidade de manter acordados ou de adormecer os
membros de um grupo, nas noites dos primeiros dias... O mesmo autor cita
ainda a protagonista de As Mil e Uma Noites, Xerazade, que se salvou da morte
contando histórias que, a cada noite, eram interrompidas em momentos de
calculado suspense, a fim de motivar a curiosidade do sultão. Interessamo-nos
intensamente pelo desenrolar de uma história bem contada. (Estão aí as novelas
de TV, impondo a milhares de pessoas em todo o país, e até no exterior, um tipo
massificante de lazer, num horário igualmente imposto).
Todas as atividades que o inventar/narrar, ouvir/ler histórias envolvem
podem ser associadas também à natureza lúdica do homem. O jogo é uma
atividade muito presente em todas as situações do homem em sociedade. Sob
as mais diversas formas, o fenômeno lúdico mantém um significado essencial.
É um recorte na vida cotidiana, tem função compensatória, substitui os objetos
de conflito por objetos de prazer, obedece a regras, tem sentido simbólico,
de representação. Como a realização, supõe agenciamentos, manipulações,
mecanismos, movimentos, estratégias.
Construir um enredo é começar um jogo. O narrador é um jogador, e forma,
com o leitor e o próprio texto, o que pode chamar uma comunidade lúdica.
No ritual de se pegar um livro para ler ou de sentar à volta ou diante de um
narrador, uma tela de cinema ou de TV, para ler/ver/ouvir, contar-se uma história,
desenrolar-se um enredo, tal como no exercício do jogo, há a busca do prazer, há
tensão, competição, há a máscara, a simulação, pode haver até a vertigem.
FONTE: MESQUITA, Samira Nahid de. O enredo. São Paulo: Ática, 1986. p. 7-8.
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
70
A partir da leitura do texto de Mesquita, evidencia-se a importância de ler,
ouvir ou contar uma história. Vamos nos deter agora na redação desses textos. O
fato de escrever uma narração nos obriga a assumir uma determinada sequência a
fim de que o texto adquira essa estrutura.
O texto narrativo é composto por: apresentação, complicação, clímax e
desfecho. Vamos estudar cada parte separadamente.
Apresentação: nesse momento identificam-se os personagens, lugares e
momentos da história. De acordo com Infante (1998 p. 114), é na apresentação que:
Cria-se, assim, um cenário e uma marcação de tempo para os
personagens iniciarem suas ações. Atente para o fato de que nem todo
texto narrativo tem esta primeira parte: há casos em que já de início se
mostra a ação em pleno desenvolvimento.
Complicação: momento em que se iniciam as ações, dando origem às
transformações dos fatos iniciais podendo acontecer em um ou mais episódios
ou parágrafos.
Clímax: este é o momento em que a narrativa exige um desfecho, pois a
história atinge um momento de tensãoonde é inevitável a resolução dos fatos.
Desfecho: nesta parte apresenta-se a solução dos conflitos gerados pelos
personagens, reestabelecendo assim o equilíbrio.
Além dessa estrutura, Infante (1998) aborda que a narrativa pode seguir:
uma sequência cronológica; conter um protagonista (personagem principal); um
antagonista (personagem que tenta evitar as ações do protagonista); os coadjuvantes
(personagens secundários) e o narrador (elemento fundamental para o sucesso da
narrativa). Estes são recursos de que dispomos para a redação de uma narrativa.
Da próxima vez em que você se deparar com um texto, observe quais
desses recursos estão presentes. Este exercício fará com que você perceba que
a narrativa se estrutura dentro de uma gama de possibilidades e estas são
escolhidas pelo escritor.
Ainda sobre as narrativas, vale ressaltar que existem diferenciadas formas
de apresentar as falas dos personagens (INFANTE, 1998). Vamos conhecê-las?
Discurso direto: este tipo de discurso nos permite reproduzir
diretamente a fala dos personagens, imprimindo assim maior agilidade ao
texto. Vamos conhecer um exemplo:
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS
71
FIGURA 25 – MAFALDA
FONTE: Disponível em: <http://diversita.blog.br/blog/2008/10/21/tirinhas-
para-comecar-o-dia-garfild-dilbert-mafalda/>. Acesso em: 20 dez. 2011.
Perceba, acadêmico(a), que nesta tirinha não há a presença de um narrador,
ou seja, as falas das personagens são reproduzidas diretamente.
Discurso indireto: é onde as falas dos personagens são incorporadas pelo
narrador. Observe um pequeno exemplo do romance “Vidas Secas”, de Graciliano
Ramos:
"Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho
pôs-se a chorar, sentou-se no chão.”
Note que as falas das personagens não estão reproduzidas diretamente, e
sim através do narrador. Em outras palavras, podemos dizer que o narrador conta
o que a personagem diz.
Discurso indireto livre: é uma maneira de unir os dois tipos já mencionados,
com a intenção de mostrar e contar os fatos ao mesmo tempo. Veja, através de um
trecho de “Vidas Secas”:
"Seu Tomé da bolandeira falava bem, estragava os olhos em cima de jornais
e livros, mas não sabia mandar: pedia. Esquisitice de um homem remediado ser
cortês. Até o povo censurava aquelas maneiras. Mas todos obedeciam a ele. Ah!
Quem disse que não obedeciam?"
Neste exemplo, notamos a mescla entre a fala do narrador e da personagem.
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
72
4 A DESCRIÇÃO
Pode-se dizer que o ato de descrever é empregar os sentidos a fim de captar
uma realidade e exemplificá-la no texto.
Então, para elaborar um texto descritivo, faz-se necessário utilizar os
conhecimentos linguísticos na construção de imagens. Segundo Infante (1998, p.
136), “Elaborar um texto descritivo é apresentar um ser, um objeto, um recorte da
realidade a partir de um determinado ponto de vista, ou seja, o objeto da descrição
deve ser observado a partir de uma determinada posição física”.
Leia o texto que segue de Cecília Meireles, ele servirá de exemplo sobre as
sequências descritivas.
SE EU FOSSE PINTOR...
Se eu fosse pintor começaria a delinear este primeiro plano de trepadeiras
entrelaçadas, com pequenos jasmins e grandes campânulas roxas, por onde flutua
uma borboleta de cor marfim, com um pouco de ouro nas pontas das asas.
Mas logo depois, entre o primeiro plano e a casa fechada, há pombos de
cintilante alvura, e pássaros azuis tão rápidos e certeiros que seria impossível
deixar de fixá-los, para dar alegria aos olhos dos que jamais os viram ou verão.
Mas o quintal da casa abandonada ostenta uma delicada mangueira,
ainda com moles folhas cor de bronze sobre a cerrada fronde sombria, uma
delicada mangueira repleta de pequenos frutos, de um verde tenro, que se
destacam do verde-escuro como se estivessem ali apenas para tornar a árvore
um ornamento vivo, entre os muros brancos, os pisos vermelhos, o jogo das
escadas e dos telhados em redor.
E que faria eu, pintor, dos inúmeros pardais que pousam nesses muros
e nesses telhados, e aí conversam, namoram-se, amam-se, e dizem adeus, cada
um com seu destino, entre a floresta e os jardins, o vento e a névoa?
Mas por detrás estão as velhas casas, pequenas e tortas, pintadas de cores
vivas, como desenhos infantis, com seus varais carregados de toalhas de mesa,
saias floridas, panos vermelhos e amarelos, combinados harmoniosamente
pela lavadeira que ali os colocou. Se eu fosse pintor, como poderia perder esse
arranjo, tão simples e natural, e ao mesmo tempo de tão admirável efeito?
Mas, depois disso, aparecem várias fachadas, que se vão sobrepondo
umas às outras, dispostas entre palmeiras e arbustos vários, pela encosta do
morro. Aparecem mesmo dois ou três castelos, azuis e brancos, e um deles tem
até, na ponta da torre, um galo de metal verde. Eu, pintor, como deixaria de
pintar tão graciosos motivos?
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS
73
Sinto, porém, que tudo isso por onde vão meus olhos, ao subirem do
vale à montanha, possui uma riqueza invisível, que a distância abafa e desfaz:
por detrás dessas paredes, desses muros, dentro dessas casas pobres e desses
castelinhos de brinquedo, há criaturas que falam, discutem, entendem-se e não
se entendem, amam, odeiam, desejam, acordam todos os dias com mil perguntas
e não sei se chegam à noite com alguma resposta.
Se eu fosse pintor, gostaria de pintar esse último plano, esse último recesso
da paisagem. Mas houve jamais algum pintor que pudesse fixar esse móvel
oceano, inquieto, incerto, constantemente variável que é o pensamento humano?
FONTE: MEIRELES, Cecília. Ilusões do mundo. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1976. p. 17-18.
Percebem-se, ao final da leitura, várias sequências descritivas, não é? O
modo como foram escolhidas as palavras, estabelecida a ordem, revela que a
autora elaborou um plano para desenvolver a descrição.
No primeiro parágrafo descreve o que acontece na casa, primeiro plano.
No segundo, apresenta-nos o que acontece entre o primeiro plano e a casa fechada,
existem aves... No terceiro parágrafo nos revela, através da descrição, as aves e a
vegetação existente.
Perceba que o esquema segue uma dimensão que nos desvenda um olhar
do perto para o longe. Resquícios dessa descrição podem ser retirados do trecho
“as asas das borboletas”, no qual diz: “uma borboleta de cor marfim, com um
pouco de ouro nas pontas das asas”.
Você poderá continuar fazendo este exercício de observação, que ajudará
a estabelecer a sequência adotada, ou melhor, escolhida por Cecília. Além disso,
reforçará o seu entendimento sobre parágrafo estudado anteriormente. Lembre-se
de que cada parágrafo representa não a mudança de assunto, mas outro enfoque.
Pensamos que esse texto exemplifica bem a questão.
Muito raramente um texto pertencerá somente a uma sequência. No
entanto, analisamos a predominância delas durante a leitura.
5 A ARGUMENTAÇÃO
Em nosso dia a dia é muito comum termos que expor nossas opiniões ou
até mesmo convencer as pessoas sobre as diversas temáticas. Pense em várias
situações nas quais utilizamos uma linguagem argumentativa e/ou persuasiva, seja
em um relacionamento amoroso, na vida profissional, na venda de um produto,
em uma reunião de negócios e, também, ao nos relacionarmos com os professores,
vizinhos ou amigos.
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
74
Ao analisarmos por outro viés, percebemos que muitas mensagens nos chegam
através de jornais, televisão, e-mail, celular, cujo fim é conquistar a nossa adesão, seja
a uma ideia ou produto, seja para escolha de um candidato, um carro ou mudança na
maneira de conduzir nossa vida.
O texto argumentativo, no entanto, nos permite utilizar a linguagem de
modo a expressar nossas ideias, articular argumentos e conclusões.Outro aspecto
importante é conhecer o assunto a ser comunicado, pois na dissertação nosso
posicionamento crítico é fator decisivo. Vamos conhecer mais sobre essa temática?
Leia o texto que segue.
ATENCAO
Você já refletiu sobre o poder de persuasão das pessoas? É inevitável que
tenhamos domínio do funcionamento da língua escrita para aprimorar esta habilidade.
COESÃO E ARGUMENTAÇÃO
Regina H. de Almeida Durigan e outros
O fato de o ato de escrever ser um momento em que aquele que escreve
se vê sozinho frente ao papel, tendo em mente apenas uma imagem de um
possível interlocutor, faz com que haja necessidade de uma maior preocupação
em relação à coesão. Em geral, o aluno não sabe até que ponto deve explicitar
o que tenta dizer para que se faça compreender. Entretanto, o “fazer-se
compreender” é um ponto central em qualquer texto escrito; a coesão deve
colaborar nesse sentido, facilitando o estabelecimento de uma relação entre os
interlocutores do texto. O que se busca não é um texto fechado em si mesmo,
impenetrável a qualquer leitura, e sim algo que possa servir como veículo de
interação entre os interlocutores.
Há ainda mais uma questão em que se deve pensar na consideração das
especificidades da modalidade escrita – a argumentação. É através dela que o
locutor defende seu ponto de vista. A argumentação contribui na criação de
um jogo entre quem escreve o texto e um possível leitor, já que aquele discute
com este, procurando mostrar-lhe que tipo de ideias o levou a determinado
posicionamento. Dito de outra maneira, ao escrever um texto, o locutor
estabelece relações a partir do tema a que se propôs discutir e tira conclusões,
procurando convencer o receptor ou conseguir adesão ao texto.
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS
75
Não se pode traçar uma distinção absoluta entre coesão e argumentação:
a coesão garante a existência de uma relação entre as partes do texto que
tomadas como um todo devem constituir um ato de argumentação. As duas
noções contribuem para a constituição de um conjunto significativo capaz de
estabelecer uma relação entre o sujeito que escreve e seu virtual interlocutor.
É próprio da linguagem seu caráter de interlocução. A escrita não foge
a esse princípio, ela também busca estabelecer uma relação entre sujeitos. O
texto deve ser suficiente para caracterizar seu produtor enquanto um agente,
um sujeito daquela produção, ao mesmo tempo em que confere identidade ao
seu interlocutor. O texto, enquanto uma totalidade revestida de significados,
acaba sendo um jogo entre sujeitos, entre locutor e interlocutor.
FONTE: DURIGAN, Regina H. de Almeida et al. A dissertação no vestibular. In: A magia da
mudança -vestibular Unicamp: língua e literatura. Campinas: Unicamp, 1987. p. 14-15.
Agora, vamos conhecer a estrutura de um texto argumentativo? Como já foi
dito, a argumentação requer do escritor o seu posicionamento crítico. Além disso,
é preciso conhecimento sobre o assunto. Adequar a linguagem aos interlocutores
também é muito importante, pois queremos ser compreendidos.
Sobre a estrutura, podemos afirmar que existe uma maneira muito usada
para a organização desses textos. Basicamente, precisamos dispor as informações
que obtemos em três momentos: introdução, desenvolvimento e conclusão.
Introdução: é o momento de apresentar de maneira clara o assunto que
se pretende abordar. Ela deve atuar como um roteiro, que norteará o leitor para
o desenvolvimento da temática. Uma introdução bem construída ajuda quem
escreve a controlar a coesão e a coerência do texto.
Desenvolvimento: como o nome diz, nessa parte do texto é que se
desenvolve o assunto apresentado na introdução. Faz-se necessário ampliar a
explicação retomando o que foi explicitado de forma sucinta na introdução.
Conclusão: é a parte que finaliza o texto. Dessa forma, deve conter um
resumo de tudo que foi dito, de modo a reafirmar seu posicionamento. Poderá
também trazer propostas de ações sobre o tema discutido.
Você observou que cada parte de um texto relaciona-se com as demais, ou
retomando ou preparando para o que é ou foi dito? Tecemos um texto à medida
que acrescentamos ao que foi dito o que ainda temos por dizer. No momento de
redigir um texto, há que se considerar aquele para quem escrevemos e quais são
nossos objetivos com o texto. Dessa maneira, adequamos a linguagem à situação e
nos fazemos entender, atingindo assim nosso propósito.
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
76
ATENCAO
A persuasão é utilizada pela propaganda, que visa convencer o consumidor
sobre o que pretende vender. Busca-se empregar a linguagem de maneira inteligente com a
finalidade de chamar a atenção do interlocutor. Nos textos publicitários, outra ferramenta está
presente: é a ambiguidade. Você sabe o que ela significa? Estudaremos na próxima unidade!
77
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico estudamos que:
• A palavra texto provém do latim textum, que significa “tecido, entrelaçamento”.
• O texto desenvolve-se de maneira linear.
• A classificação de um texto se faz através da predominância de uma das
características com relação às demais.
• Na narrativa o tempo é marcado pela sucessão dos fatos. O agente é o narrador.
• Na descrição o tempo é um momento único. O agente é observador.
• Na argumentação não há marcação do tempo. O agente é argumentador.
• Apresentação, complicação, clímax e desfecho são partes estruturantes da
narrativa.
• Nos textos argumentativos a ideia central é a argumentação.
• Adequar a linguagem aos interlocutores é muito importante, pois esse cuidado
auxilia a compreensão.
• A argumentação é que nos permite utilizar a linguagem de modo a expressar
nossas ideias, articular argumentos e conclusões.
• Descrever é empregar os sentidos a fim de captar uma realidade e exemplificá-la
no texto.
• Discurso direto: é reproduzir diretamente a fala dos personagens.
• Discurso indireto: é quando o narrador adapta as falas das personagens.
• Discurso indireto livre: é a intenção de mostrar e contar os fatos ao mesmo
tempo.
• A persuasão é muito utilizada nos textos publicitários.
78
AUTOATIVIDADE
1 Classifique as sequências textuais predominantes nos textos abaixo em sequência
descritiva (SD), sequência narrativa (SN) ou sequência dissertativa (SDI):
a) ( ) Uma vez, dois homens saíram na Semana Santa para caçar tatu. Quando
eles estavam cavando o buraco, o tatu saiu para fora e falou para eles: - Isso
tudo é vontade de comer carne? (Antonio Henrique Weitzel)
b) ( ) A aventura pode ser louca, mas o aventureiro tem que ser lúcido!
(Chesterton)
c) ( ) De repente entrou aquele bruto crioulo. Tinha quase dois metros de
altura, era forte como um touro, e caminhava no mais autêntico estilo da
malandragem carioca. Ladeado por duas mulheres imobilizadas por uma
chave de braço cada uma, caminhou calmamente até o centro da sala,
enquanto as duas faziam o maior banzé, sem que ele tomasse o menor
conhecimento.
d) ( ) Um homem estava contando que tinha ido pescar no rio Paraibuna e
matou uma traíra tão grande, que quase não coube dentro do barco. Aí o
outro falou:
- Na minha fazenda tem um tacho tão grande que quando alguém, que está
mexendo o tacho, fala, do outro lado nem dá para escutar.
Aí o pescador perguntou:
- Mas, para que serve um tacho tão grande assim?
O homem respondeu:
- É para fritar a traíra que você pescou!
e) ( ) Só há dois minutos importantes no destino de um homem: o minuto em
que nasce e aquele em que morre. O resto são horas perdidas na vida.
f) ( ) É necessário que se ensine às crianças o que seja moral; contudo, é
dispensável que lhes ensine o que seja imoral.
79
TÓPICO 3
O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA,
INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
As habilidades de leitura e escrita são muito mais que uma necessidade.Saber ler e interpretar diferentes textos em diferentes linguagens, avaliar
e comentar informações ou ideias, além de estabelecer relações e formular
perguntas, são competências primordiais básicas para que uma organização
empresarial ou para que qualquer instituição possa oferecer ao seu público o
retorno e/ou atendimento que merecem.
Neste sentido, caro(a) acadêmico(a), queremos dizer que conseguir dominar
a leitura e a escrita num determinado campo não significa saber ler e escrever em
outro. A compreensão dos textos nas diversas áreas depende necessariamente do
conhecimento anterior que o receptor tem sobre o assunto e da familiaridade que
tiver construído com a leitura de textos de diferentes gêneros.
Para ilustrar a importância dos gêneros textuais, Bakhtin explica:
Gêneros são tipos de enunciados relativamente estáveis e normativos,
que se constituem historicamente, elaborados pelas esferas de utilização
da língua. Esses enunciados se relacionam diretamente a diferentes
situações sociais, que geram, por sua vez, um determinado gênero
com características temáticas, composicionais e estilísticas próprias
(BAKHTIN, 1988, p. 71).
Nesta linha de raciocínio, aliadas à leitura, estão a compreensão e a
interpretação dos gêneros textuais. À medida que eles focalizam discussões
para determinadas estratégias de escrita, ampliam o conhecimento linguístico
e também o textual.
Diante disto, conforme Geraldi (2001), produzir esquemas, sínteses que
norteiem o processo de compreensão dos textos, bem como criar roteiros que
indiquem os objetivos e expectativas que cercam o texto que se espera produzir
não pode mais ser uma tarefa alheia ao seu dia a dia no trabalho.
Caro(a) acadêmico(a), diante desta reflexão, a partir de hoje, preste atenção
na hora da leitura e da escritura de um texto. Ter uma boa escrita e ainda conseguir
ler e entender textos ou documentos é um diferencial positivo na sua área de
atuação. Convido você a ler e aprender mais sobre este interessante assunto.
Continue atento(a)!
80
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
DICAS
Se você quiser saber mais sobre gêneros textuais, visite o site: <http://www.
portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Linguagem_Discurso/article/view/347/368> e leia na
íntegra “O ENSINO DE PRODUÇÃO TEXTUAL COM BASE EM ATIVIDADES SOCIAIS E GÊNEROS
TEXTUAIS”, da professora Désirée Motta-Roth.
2 A LEITURA E A INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
A leitura é uma atividade que requer, além do prazer, concentração.
A importância do ato de ler é incontestável, pois, além de abrir caminhos para o
conhecimento, exige uma visão perceptível do leitor para com os textos e linguagens.
Cabe lembrar que a tecnologia facilitou e muito a comunicação entre
as empresas e/ou instituições. Todavia, ao mesmo tempo, incutiu nos usuários
uma habilidade que limita o ato da leitura ou até no escrever um texto ou
documento na sua íntegra. A rapidez e a agilidade que esta ferramenta nos
trouxe deixam-nos tão seguros que esquecemos a produção com qualidade,
apenas priorizamos a quantidade. E amenizar esta crise da leitura e da
interpretação textual correta merece interação e compromisso, pois estes são
pontos decisivos para a mudança desse quadro. As pessoas que têm o hábito
de ler têm mais facilidade para interpretar textos e, obviamente, os que não
possuem esse hábito encontram mais dificuldade.
Fique esperto(a), acadêmico(a), através da leitura você se familiariza com
as normas gramaticais e pode expandir seu vocabulário. Dessa forma, a leitura é
uma construção que leva você, gradativamente, a interagir com o autor em um
determinado momento no texto e, consequentemente, você também interage com o
mundo, ampliando sua competência discursiva tanto na língua escrita como na oral.
2.1 O MAIOR DESAFIO DAS INSTITUIÇÕES: A COMUNICAÇÃO
INTERNA
Diante do cenário exposto, vamos encaminhar nosso estudo para um
ponto relevante, pois, nas dificuldades que existem em qualquer empresa ou
instituição, pode-se dizer que uma causa muitas outras. Então, já tem em mente
do que estamos falando?
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
81
Como você já deve ter percebido, toda empresa e/ou instituição é única,
como todo ser humano também o é. Cada um tem sua história, sua cultura, seus
valores, sua missão ou metas, perfil de funcionários, de clientela, entre outros. A
comparação com o ser humano fez-se necessária, pois as empresas/instituições são
compostas, fundamentalmente, de pessoas. E, pasme! sofrem do mesmo mal. Mas,
afinal, que mal é este? Hum, o mal da ausência ou da má comunicação.
A comunicação, em especial a interna, envolve procedimentos
comunicacionais que reúnem papéis, cartas internas, memorandos, entre
outros. E este tipo de comunicação se desenvolve paralelamente à comunicação
administrativa que visa proporcionar meios para promover maior integração
dentro da organização mediante o diálogo, a troca de informações, experiências e
a participação de todos os níveis (TORQUATO, 2003).
Para Kunsch (1999), a comunicação interna é planejada em torno de
propósitos claramente definidos que viabilizam toda a interação possível entre a
organização e seus colaboradores, lançando mão de metodologias e técnicas de
comunicação institucional e até da comunicação mercadológica.
Bem, como você pode perceber, apesar de Torquato e Kunsh utilizarem
terminologia e até conceitos distintos sobre o que é e qual o papel da comunicação,
ambos enfatizam a necessidade de a comunicação ser pensada de forma integrada
e como uma ferramenta estratégica.
Assim, podemos concluir que não há modelos, teorias ou modalidades
que redimensionem a comunicação interna, pois ela se evidencia em inúmeras
diferentes oportunidades de interpretação, o que implica o entendimento do seu
papel na e para a empresa e/ou instituição.
O que pode ser feito é pautar ações comunicacionais utilizando-se da
transferência de informações de modo claro, curto e rápido. O gestor pode ainda tornar
habitual a frequência de encontros, tornando assim as informações mais objetivas.
Mas, lembre-se, devemos começar levando em consideração os aspectos
humanos e gerenciais: avalie a cultura participativa do seu grupo, faça uma
autoavaliação e identifique como a comunicação na instituição ou empresa em
que você trabalha acontece nos diversos setores e, a partir desta imagem, crie
estratégias simples, porém eficazes.
82
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
3 OS MODELOS TEXTUAIS
A correspondência de uma empresa e/ou instituição é vista hoje como
um importante instrumento de boa organização e até de marketing. Assim, a
comunicação feita através da correspondência interna ou externa é a responsável
pela representação da instituição ou empresa perante os seus diferentes públicos.
A eficiência e a clareza são importantes itens exigidos quanto ao teor da
mensagem que se quer transmitir. Tal elegância e clareza devem estar explícitas
na forma e na língua utilizadas. Na forma quanto à disposição dos elementos na
correspondência, e na língua, quanto ao estilo de linguagem utilizada.
Neste sentido, a noção de gêneros textuais como sistemas discursivos
complexos, socialmente construídos pela linguagem, com padrões de organização
facilmente identificáveis e configurados pelo contexto sócio-histórico produtor das
atividades comunicativas, é bastante esclarecedora para os nossos propósitos neste
Caderno de Estudos (MARCUSCHI, 2002).
O que toda empresa e /ou instituição, inclusive o público externo, deseja
é que, além da clareza e da eficiência, a correspondência ou a comunicação seja
rápida e objetiva, e isso não se consegue com um texto desorganizado e mal escrito.
Portanto, caro(a) acadêmico(a), há alguns pontos que devemos levar em conta
quando o assunto é a produção textual. Comece prestando atenção no estilo,na
língua e na forma.
Quanto ao estilo, podemos dizer que é conversão da linguagem escrita na
imagem que queremos passar. É como se você soubesse dosar a formalidade e a
informalidade, já que ambas são exigidas num texto profissional para atingir muitos
objetivos, dentre eles o de conquistar clientela ou até mesmo motivar colaboradores.
A língua é responsável pela comunicação com e entre seus diversos
públicos. Assim, devemos ter o cuidado para que nossa correspondência chegue
aos receptores sem falhas gramaticais, pois isso pode gerar uma incontornável má
impressão de qualquer natureza.
Já a forma é a embalagem do documento profissional. Assim, o que se quer
comunicar deve estar disposto de forma prática e atraente. As informações que
constam no texto, como a data, o assunto, o destinatário, os endereços, entre outros
aspectos, não podem estar obscuros.
Agora vamos conhecer algumas correspondências oficiais e perceber como
cada uma tem particularidades na sua forma, conteúdo e linguagem.
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
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Os conceitos das correspondências aqui apresentados foram extraídos de manuais
de redação, tais como: Redação Científica, O texto oficial: aspectos gerais e interpretações e
Manual de modelos de cartas comerciais.
UNI
3.1 RELATÓRIOS
O relatório é um documento no qual se apresenta uma descrição de um
acontecimento, ou a forma como um serviço foi executado. Ele pode ser também um
relato das ocorrências administrativas, de uma apresentação de resultado de uma
pesquisa ou até de uma investigação.
Preste atenção, acadêmico(a), pois um bom relatório apresenta os dados
necessários que abrangem sua finalidade, como: a quem ele se destina, qual
periodicidade e o que quer comunicar. E para que isso aconteça, gráficos, ilustrações,
mapas, entre outros, devem acompanhá-lo.
Cabe lembrar que um relatório pode ser desenvolvido em tópicos ou em
forma de texto discursivo.
Se você quiser visualizar dois tipos de relatório, visite os sites da Petrobras
e do Ministério da Justiça e observe os exemplos: <http://www.portacurtas.com.br/
relatorios/2007%5F1/ e http://portal.mj.gov.br/main.asp?View={75C57BF8-CF6B-43A3-BEF1-
930669A37DDD}>.
UNI
Assim, antes de iniciar a elaboração de um relatório, pense:
• Para quem vou escrever?
• Com qual objetivo?
• Qual canal de comunicação vou utilizar?
• Qual a melhor forma de dizer o que realmente quero apresentar?
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UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
Agora mãos à obra, escreva seu texto, relate tudo o que for necessário e
lembre-se de reler e revisar o que escreveu.
3.1.1 Partes do relatório
Geralmente, nas empresas ou nas instituições, os relatórios já estão
preestabelecidos no formato de formulários e estes apenas necessitam do
simples preenchimento dos setores ou órgãos competentes. Assim, o que você,
acadêmico(a), deve fazer é preencher os espaços em branco, observando o tipo
de relatório que lhe é requerido, seja em tópicos ou em texto discursivo, como já
foi mencionado.
No entanto, podemos citar seis principais partes integrantes de um
relatório, segundo as normas técnicas. Vamos conhecê-las?
a) TÍTULO: com ele você identificará claramente o tema do relatório.
b) VOCATIVO: você escreverá aqui a quem se dirige o relato.
c) TEXTO: quando você relatar, preste atenção na introdução, que deve indicar
o motivo ou, ainda, lembrar quem determinou a execução do relatório. No
desenvolvimento, você expõe o assunto cronologicamente, em parágrafos ou
em tópicos, e no encerramento deve haver as considerações finais, ou sugestões,
bem como os agradecimentos.
d) LOCAL e DATA.
e) ASSINATURA.
f) ANEXOS, quando necessários.
3.1.2 Aplicação
Antes de você visualizar e analisar o relatório a seguir, cabe salientar que
escrever serve para comunicar nossas ideias e, para dominar a habilidade da escrita,
ela deve ser exercitada. Considere especialmente importante no ato da escritura de
um relatório a clareza, a coesão e a exatidão. Não esqueça que, quando não houver
normas para a escritura do relatório, você deve seguir o seu bom senso.
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
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RELATÓRIO DEMONSTRATIVO DAS DESPESAS E
O LUCRO TOTAL DA EMPRESA XXXX S/A
À Gerente Administrativa XXXX
Como solicitado por V.Sa., um levantamento da empresa XXXX S/A fora
feito. Este levantamento realizou-se no período de 20/08/2003, com o objetivo
de demonstrar as despesas e o lucro total da empresa, no período de 01/01/2003
a 30/06/2003.
Os procedimentos que foram utilizados estão descritos abaixo:
1. levantamento contábil da empresa durante o período indicado;
2. levantamento das vendas;
3. outros métodos em que confio mais.
A empresa em questão demonstra que obtém uma grande margem de
lucro, apesar de ser uma empresa multinacional, e retém mais de 70% do lucro
no Brasil. Existe em seus registros que, durante o ano de 2002, obteve um alto
volume de vendas, em torno de US$ 50.000.000,00, e durante o período avaliado
o volume de vendas já era de 65% sobre o valor do ano passado.
Para o ano de 2003, a empresa espera que suas vendas aumentem e os
lucros também. Espera também que consiga uma maior participação no mercado
nacional para o ano de 2003 e 2004. Este ano há um planejamento de entrada
em uma nova divisão do mercado, o ramo de Administração de Empresas, e
também aumentar o seu nível tecnológico com relação ao seu maquinário e
computadores.
A empresa está em crescimento, já podendo competir com as grandes
corporações. Depois de feita a atualização de tecnologia, espera-se a
possibilidade de domínio do mercado e o crescimento em outras áreas; este foi
o único problema encontrado na empresa XXXX S/A.
XXXXX, 24 de agosto de 2003.
Atenciosamente
XXXX XXXX
MM Business
FONTE: Adaptado de: <http://www.coladaweb.com/administracao/relatorio-administrativo>.
Acesso em: 12 out. 2011.
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UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
3.2 MEMORANDO
É um documento escrito de caráter rotineiro e empregado, exclusivamente,
nos setores internos nas instituições ou nas empresas. Ele aborda assuntos diversos
do ambiente profissional, ou seja, tem como função principal comunicar decisões,
políticas ou apenas instruções, convites, entre outros.
O memorando, modernamente utilizado no lugar da CI (Comunicação
Interna), pode ser apresentado no formato de correio eletrônico. Muitas organizações
já têm um modelo próprio de memorando.
O que não se pode esquecer é que ao redigir um memorando a linguagem
utilizada deve ser simples, objetiva e direta, sem floreios. É geralmente encaminhado
a funcionários para solicitar providências ou transmitir informações.
Este documento interno deve ser feito, sempre, em duas vias, pois uma delas
precisa ser arquivada, com data e assinatura, para que desta forma possa ser indicada
a ciência do fato.
3.2.1 Estrutura do memorando
Como já sabemos, o memorando é um texto que se caracteriza pela sua
forma simples e pela sua agilidade. Partindo do já mencionado princípio de que
este documento é endereçado a funcionários, a estrutura se compõe dos seguintes
elementos:
• timbre da instituição;
• número do memorando;
• local e data;
• remetente;
• destinatário, sendo este mencionado pelo cargo que ocupa;
• indicação do assunto;
• corpo da mensagem, ou seja, o próprio texto;
• despedida;
• assinatura e cargo.
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
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Timbre da Instituição
(4 cm)
Memorando nº***************
Local,*******, de ******* de ******.
De: Setor emitente
Para: Setor e nome do destinatário
Assunto: ****************
Pronome de tratamento e cargo do destinatário
(2 cm)
Corpo do texto
(margens de 3 cm à esquerda e 2 cm à direita)
Despedida
************************************Assinatura e cargo
FONTE: Disponível em: <http://www.brasilescola.com/redacao/memorando.htm>.
Acesso em: 12 out. 2011.
Mediante o exposto, veja um modelo, que permitirá conferir mais de perto
os comentários aqui firmados:
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UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
Veja outros modelos:
EXEMPLO 1
TIMBRE DA EMPRESA
MEMO nº 46/03
Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2006.
De: FEDER
Para: Senhores funcionários
Assunto: O uso do crachá
Fica estabelecida a partir de hoje a obrigatoriedade do uso do crachá de
identificação em todos os setores da empresa, por todos os funcionários de
qualquer função, em qualquer situação. Esclarecemos que a medida é uma
solicitação do setor de segurança da organização, em virtude do acúmulo de
pessoas não autorizadas que circulam por nossas dependências e os riscos e
constrangimentos que isso tem nos trazido. Informamos que a não utilização do
crachá impedirá o acesso à empresa ou a setores dela e será considerada falta
grave, passível das punições cabíveis.
Agradecemos a compreensão de todos.
Atenciosamente,
Tarcísio de Hollanda
Supervisor de Pessoal
FONTE: Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/6701829/Apostila-Comunicacao-e-Expressao>.
Acesso em: 2 out. 2011.
EXEMPLO 2
De: Hildebrando Nunes
Para: Antônio Manuel, Marcos Brasil e Saulo Soprano
Assunto: Reunião
Pessoal, nossa reunião semanal das sextas-feiras será realizada excepcionalmente
amanhã, quinta-feira, dia 9, às 17h, por conta da visita de nosso supervisor
regional, Renato Alvim, que ocorrerá no dia seguinte. Tragam os assuntos já
estudados e sugestões para o encontro que teremos com ele.
Um abraço,
Hildebrando.
FONTE: Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/6701829/Apostila-Comunicacao-e-Expressao>.
Acesso em: 2 out. 2011.
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
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Você observou, caro(a) acadêmico(a), que o primeiro memorando foi escrito
configurando a forma tradicional e impressa. O outro modelo, mais arrojado, foi
enviado por correio eletrônico.
3.3 ATA
É o registro escrito, objetivo, claro e confiável, com valor administrativo
ou legal dos acontecimentos de uma reunião, assembleia ou convenção. Se for
um documento tão valorativo, ela deve ser redigida de forma a não permitir
qualquer modificação posterior.
Logo, caro(a) acadêmico(a), é preciso tomar alguns cuidados ao escrever
uma ata, preste atenção nas orientações a seguir descritas:
a) Atas manuscritas: elas são registradas num livro específico para esse fim, o qual
deve ter um termo de abertura e as páginas devem estar numeradas. Se a ata for
digitada, precisa ser arquivada em uma pasta e deve ser organizada levando em
conta a data de sua escritura.
b) Escreva em linhas corridas: sem os parágrafos e evite espaços, pois estes
elementos podem ser utilizados no intuito de garantir que acréscimos ou
alterações aconteçam.
c) Rasuras: não podem aparecer, nem emendas ou uso de corretivos. Para retificar
um erro, utilize palavras como “digo”. Se o erro for notado após a redação
da ata, recorre-se à expressão “em tempo”, ou apresente uma errata, que será
colocada sempre após o texto.
d) Abreviaturas ou expressões: não podem ser utilizadas.
e) Os números devem ser escritos por extenso.
3.3.1 Escritura e modelo
Observe alguns elementos básicos na escritura de uma ata e, em seguida,
visualize um exemplo:
1. título: identifique a reunião;
2. data: escreva por extenso: dia, mês, ano e hora da reunião;
3. local: não se esqueça de indicar o local onde está sendo realizada a reunião;
4. finalidade ou ordem do dia: aqui você escreve o objetivo da reunião;
5. identificação da Presidência e do Secretário: indique quem está presidindo a
reunião;
6. discussão/votação e deliberações: neste tópico você escreve o que foi discutido,
votado e aprovado;
7. encerramento: neste momento finalize a ata;
8. assinatura: todos os presentes assinam.
Agora observe o exemplo e verifique os elementos apontados:
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UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
ATA DA ASSEMBLEIA GERAL DE CONSTITUIÇÃO DE ASSOCIAÇÃO OU
SOCIEDADE CIVIL
Ao(s)......... dia(s) do mês de...........do ano de........., às..........horas,
reuniram-se, em Assembleia Geral, no endereço da.............. as pessoas a seguir
relacionadas: (nominar as pessoas, profissão, estado civil, endereço residencial
e número do CPF). Os membros presentes escolheram, por aclamação, para
presidir os trabalhos (nome de membro), e para secretariar (nome de membro).
Em seguida, o Presidente declarou abertos os trabalhos e apresentou a pauta de
reunião, contendo os seguintes assuntos: 1º) discussão e aprovação do Estatuto
da associação; 2º) escolha dos associados ou sócios que integrarão os órgãos
internos da associação; e 3º) designação de sede provisória da associação.
Em seguida, começou-se a discussão do estatuto apresentado e, após ter sido
colocado em votação, foi aprovado por unanimidade, com a seguinte redação:
(transcrever redação do estatuto aprovado). Passou-se, em seguida, ao item
“2” da pauta, em que foram escolhidos os seguintes membros para comporem
os órgãos internos: DIRETORIA EXECUTIVA: (nominar os membros, estado
civil, profissão, endereço residencial, número do CPF e cargo). Por fim, passou-
se à discussão do item “3” da pauta e foi deliberado que a sede provisória da
associação será no seguinte endereço: (discriminar o endereço completo).
Nada mais havendo, o Presidente fez um resumo dos trabalhos do dia, bem
como das deliberações, agradeceu a participação de todos os presentes e deu
por encerrada a reunião, da qual eu, (nome do secretário da reunião), secretário
ad hoc reunião, lavrei a presente ata, que foi lida, achada conforme e firmada por
todos os presentes abaixo relacionados.
FONTE: Disponível em: <http://www.mp.ba.gov.br/atuacao/caocif/fundacoes/pecas/modelo_ata.
pdf>. Acesso em: 12 out. 2011.
3.4 OFÍCIO
O ofício, dentre os tipos de comunicação, é um dos mais utilizados tanto
no setor público como privado. Sua utilidade é das mais variadas, ora como
troca de informações administrativas, solicitações, agradecimentos, ora como
estabelecimento de uma ordem, entre outras.
Segundo Campos Mello (1978, p. 122), o ofício serve para:
[...] informar, encaminhar documentos importantes, solicitar
providências ou informações, propor convênios, ajustes, acordos etc.,
convidar alguém com distinção para a participação em certos eventos,
enfim, tratar o destinatário com especial fineza e consideração.
É uma correspondência oficial, podendo ser usada também por clubes,
associações e, ainda, como correspondência protocolar. A linguagem utilizada é
formal e, sendo uma correspondência dirigida a autoridades, devemos prestar
atenção ao tratamento exigido para cada cargo.
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
91
ATENCAO
Se quiser saber mais sobre as normas que regulamentam uma redação de
atos e comunicações oficiais, entre no site: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/
ManualRedPR2aEd.PDF> e visualize o Manual de Redação da Presidência da República, que
mostra as regras que a linguagem deve ter nas correspondências.
3.4.1 Elaboração e modelo
Um modelo moderno de estruturação de ofício contém:
• cabeçalho e/ou papel timbrado;
• o número de ordem fica na margem superior esquerda;
• local e data ficam na mesma linha do número de ordem, do lado direito, o mês
vem escrito por extenso;
• um resumo e/ou referência sobre o assunto é escrito abaixo do número;
• vocativo (observar o pronome de tratamento adequado);
• o texto pode ser dividido em parágrafos;
• deve ser concluído com cortesia;
• assinatura, com nome completo e cargo do emissor;
• endereçamento na parte inferior esquerda na primeira página, mesmo que haja
páginas seguintes (nome, cargo, local).
Conheça algumasobservações pertinentes à elaboração de um ofício:
A epígrafe é uma palavra ou expressão que resume o assunto de que o
texto trata. Ela não é obrigatória, mas conveniente, pois torna a tramitação do
documento no ambiente de destino mais rápida. O recebedor, ao ver a epígrafe,
encaminha imediatamente o ofício ao setor competente. Ela costuma aparecer à
esquerda, entre a data e o vocativo.
Os parágrafos do corpo do texto podem ser numerados. Neste caso, o
primeiro parágrafo e o fecho não recebem número.
Se houver anexos, será indicado seu número (Anexo 1, Anexo 3) entre a
assinatura e o endereçamento. Às vezes, o anexo é volume composto de diversas
folhas, o que é indicado pelo número de volumes e o total de folhas de que se
compõem: Anexos: 1/10, 2/15.
Visualize um exemplo de ofício:
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UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RADIOEXPEDICIONÁRIOS
(ABRA)
Of. nº 15/02 Brasília (DF), 25 de março de
2002.
Ref.: Expedição à ilha da Coroa Vermelha
Excelentíssimo Senhor Comandante,
Tendo em vista que nossa associação pretende realizar expedição rádio
amadorística à ilha da Coroa Vermelha, da jurisdição desse distrito naval,
solicitamos-lhe a especial fineza de autorizar nosso desembarque e permanência
naquela ilha. Seguem os dados do empreendimento:
• Período: de 17 a 19 de maio de 2002.
• Número de operadores: três.
• Transporte: traineira "Teixeira de Freitas", baseada no porto de Caravelas (BA).
• Estações a serem instaladas: duas.
• Abrigo:
- das estações - barraca militar cedida pelo Comando Militar do Planalto, do
Exército Brasileiro.
- dos operadores - três barracas do tipo canadense.
2. Informamos-lhe ainda que os indicativos de chamada das estações já foram
requeridos com a ANATEL. Estamos a seu dispor para mais informações, se
necessárias.
Na expectativa de resposta favorável, subscrevemo-nos.
Atenciosamente,
PAULO ANTONIO OUTEIRO HERNANDES
Secretário
Ex.mo Sr. Vice-Almirante
JOSÉ DA SILVA PEREIRA
DD. Comandante do 2º Distrito Naval
Rua Conceição da Praia, 335
40015-250 - Salvador (BA)
FONTE: Disponível em: <http://www.paulohernandes.pro.br/dicas/001/dica082.html>. Acesso
em: 13 out. 2011.
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
93
3.5 REQUERIMENTO
O requerimento é um documento utilizado para solicitar informações ou para
fazer pedidos a um organismo público, a uma instituição ou ainda a uma autoridade.
Ele possui características próprias e pode ser tanto manuscrito como digitado. Ele
deve ser entregue pessoalmente, em duas vias: uma das vias protocoladas é sua, ou
deve ser enviado pelos correios com Aviso de Recebimento (AR).
3.5.1 Escritura e modelo
Um requerimento bem estruturado e escrito ajuda a autoridade competente
a melhor compreender aquilo que lhe é pedido. Geralmente, após o vocativo, dez
espaços são deixados destinados ao despacho da autoridade competente e sempre
se finaliza com o pedido.
Observe as partes de um requerimento:
• identificação (a quem o requerimento é dirigido);
• introdução (que contém os dados pessoais do requerente: nome, naturalidade,
idade, profissão etc.);
• mensagem e/ou exposição (que manifesta o pedido e as razões que justificam o
motivo do pedido enumerando, de forma ordenada, os argumentos e as causas);
• petição: espaço onde se expressa o que se solicita à pessoa ou entidade a que é
dirigido o requerimento (pode-se utilizar: SOLICITO a V. Ex.ª que...);
• fecho: consta de três elementos (expressão da conclusão: Pede deferimento;
data: escrita por extenso, antecedida da indicação do lugar e assinatura do
requerente).
Quanto à apresentação, deve-se utilizar uma folha branca; separar os
diferentes pontos do requerimento; adequar as formas de tratamento à entidade a
que se destina.
Se você não recorda os pronomes de tratamento que se utilizam para
determinada autoridade, não se preocupe! Na Unidade 3: A Gramática e suas partes, deste
caderno, no Tópico 1, item 3: As características de cada classe, você vai encontrar: PRONOMES
e OS PRONOMES DE TRATAMENTO.
UNI
94
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
SENHOR DIRETOR (OU PRESIDENTE) DA (EMPRESA, OU ÓRGÃO)
(seu nome), (estado civil), (profissão), inscrito no CPF sob o nº (informar) e
no RG nº (informar), residente e domiciliado à rua (informar endereço), nesta
cidade, vem respeitosamente à presença de Vossa Senhoria informar que
(expor aqui as razões que o levam a formular o pedido).
Dessa forma, requer (colocar aqui o seu requerimento).
NestesTermos,
Pede Deferimento.
Localidade, dia, mês e ano.
FONTE: Adaptado de: <http://www.tudobox.com/72/modelo_de_requerimento.html>. Acesso
em: 16 out. 2011.
3.6 E-MAIL
O correio eletrônico (e-mail) transformou-se na principal forma de
comunicação para expedição de avisos e, inclusive, de documentos em empresas
e instituições. Isso tudo se deu com o advento da internet, e a comunicação por
e-mail tornou-se essencial nas relações comerciais, tanto interna como externa, seja
por seu baixo custo ou pela sua celeridade.
3.6.1 Linguagem e dicas na elaboração de um e-mail
formal
Um dos encantos deste tipo de comunicação é sua flexibilidade, pois não
há preocupação quanto à forma para sua composição. No entanto, deve-se evitar o
uso de linguagem incompatível com uma comunicação oficial.
No campo assunto do formulário do e-mail, deve-se preencher de modo a
facilitar o entendimento tanto do destinatário quanto do remetente.
Os arquivos anexos à mensagem devem trazer informações mínimas sobre seu
conteúdo.
É muito interessante utilizar, sempre que possível, o recurso de “confirmação
de leitura” ou deve constar na própria mensagem o pedido de confirmação de
recebimento.
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
95
Lembre-se de que, quando redigir um e-mail, escreva textos de fácil e rápida
assimilação. Portanto, textos curtos são os melhores e, na hora de responder, seja
ágil. O padrão dos textos para internet é de cerca de 60 caracteres por linha e, se
a quantidade de informações for muito grande, prefira anexar em arquivos. Não
utilize letras maiúsculas ou em negrito, nem abreviaturas e ícones de emoção.
Cuidado com as respostas, pois elas não devem ser pomposas e longas,
porém, preste atenção, as respostas curtas demais também não são bem vistas.
Leia sempre o que escreveu, pois é muito desagradável receber um texto
cheio de erros ortográficos ou concordância.
Observe, a seguir, um exemplo de e-mail formal:
(localidade), (dia) de (mês) de (ano).
Para (destinatário/empresa)
Atenção a (pessoa ou departamento)
Assunto (tema da comunicação)
Senhores,
Somos uma empresa de representações em vendas e temos em nosso quadro
funcional apenas vendedores altamente capacitados e profissionalizados.
Anexamos nesta oportunidade nosso portfólio para análise e manifestamos
nossa intenção de representar sua empresa em municípios da região.
Caso haja interesse por parte de sua empresa, nos colocamos à disposição para
novos contatos.
Agradecemos a atenção.
Atenciosamente,
Sua empresa
Seu nome - seu cargo
FONTE: Disponível em: <http://www.tudobox.com/460/modelo_de_email_formal.html>. Acesso
em: 18 out. 2011.
96
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL
3.7 CIRCULAR
Circular é o meio de correspondência pelo qual alguém se dirige, ao
mesmo tempo, a funcionários de vários setores e/ou departamentos. Este tipo
de comunicação tem o objetivo de transmitir normas, ordens, avisos, pedidos
ou delimitar comportamentos e homogeneizar condutas de um grupo, logo sua
principal função é divulgar as informações entre todos os destinatários.
Este tipo de correspondência deve conter:
a) timbre - logotipo, brasão, símbolo do departamento;
b) título enúmero - circular nº xx/ano;
c) data - somente o nome da cidade;
d) ementa - resumo do assunto que será abordado;
e) vocativo ou pronome de tratamento adequado;
f) texto;
g) despedida;
h) assinatura.
3.7.1 Modelo
CIRCULAR SOBRE SEGURANÇA NO TRABALHO
Nº: 01/2009
DATA: Campinas, 28 de setembro.
TEMA: CARONA EM EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS E FLORESTAIS
Prezados colegas,
Estamos orientando os operadores de máquinas e equipamentos da BRAFLOR
que atuam na Fazenda Cauã que é terminantemente proibido dar carona aos
demais colegas ou pessoas da comunidade do entorno do projeto da AMATA
em Castanhal-Pará, já que muitos acidentes têm ocorrido em todo o Brasil por
causa da prática da carona feita de maneira improvisada. Muitas vezes, com o
objetivo de ganhar tempo no deslocamento entre um ponto e outro da fazenda,
os operadores são solicitados a dar carona aos demais colegas ou membros da
comunidade, que colocam suas vidas em risco devido à possibilidade de ocorrer
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS
97
um solavanco no equipamento, podendo causar sérios danos físicos ao caronista
e, às vezes, levando-o à morte. Além disso, estamos orientando os condutores
de veículos leves e de caminhões que não ofereçam carona a pessoas que ficam
à beira das estradas que dão acesso à Fazenda Cauã, pois se algum acidente
ocorrer no trajeto, a BRAFLOR, a AMATA e o condutor serão responsabilizados
civil e até criminalmente.
Atenciosamente,
Gilmar Bertoloti
Diretoria Operações
FONTE: Disponível em: <http://www.amatabrasil.com.br/shared/operacoes/PO_QSM_01_
anexo_1.pdf>. Acesso em: 18 out. 2011.
98
Neste tópico você estudou que:
• A comunicação feita através da correspondência interna ou externa é responsável
pela representação da instituição ou empresa perante os seus diferentes públicos.
• A comunicação é vista hoje também como um importante instrumento de boa
organização e de marketing.
• Numa produção textual deve-se prestar atenção no estilo, na língua e na forma.
• Ao estilo cabe converter a linguagem escrita em uma imagem que se quer
passar; quanto à língua, ela é responsável pela comunicação com e entre seus
diversos públicos.
• A forma é a embalagem do documento profissional.
• Dentre as diversas correspondências que existem, estudamos em especial:
relatório, memorando, ata, ofício, requerimento, e-mail e circular.
• Quando redigir um e-mail, escreva textos de fácil e rápida assimilação.
• Textos curtos são os melhores e, na hora de responder, seja ágil.
• O requerimento é um documento utilizado para solicitar informações ou para
fazer pedidos a um organismo público, a uma instituição ou a uma autoridade.
• O ofício, dentre os tipos de comunicação, é um dos mais utilizados, tanto no
setor público como privado.
• Ata é o registro escrito, objetivo, claro e confiável, com valor administrativo ou
legal dos acontecimentos de uma reunião, assembleia ou convenção.
• Circular é o meio de correspondência pelo qual alguém se dirige, ao mesmo
tempo, a funcionários de vários setores e/ou departamentos.
• Memorando é um documento escrito de caráter rotineiro e empregado,
exclusivamente, nos setores internos nas instituições ou nas empresas.
RESUMO DO TÓPICO 3
99
AUTOATIVIDADE
1 Nesta unidade estudamos algumas questões que devemos levar em conta
quando o assunto é uma produção textual numa correspondência oficial. O
estilo, a língua e a forma são itens importantes na escritura de um documento.
Utilizando seus conhecimentos, defina-os.
2 Releia os documentos oficiais que estudamos no Tópico 3: relatório,
memorando, ata, ofício, requerimento, e-mail e circular, e elabore
resumidamente um esquema com as principais características de cada um.
100
101
UNIDADE 3
A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• conhecer as regras que compõem as classes de palavras e sua aplicação;
• identificar as características de cada classe de palavras;
• aplicar, de acordo com as regras, a colocação pronominal;
• utilizar corretamente a acentuação e, em especial, o acento indicativo de
crase;
• saber aplicar a pontuação cabível de acordo com cada situação textual,
especialmente em documentos;
• empregar o hífen com eficiência;
• reconhecer as funções da ambiguidade;
• saber aplicar, quando necessários, os estrangeirismos;
• compreender o que é um pleonasmo;
• identificar o emprego adequado de expressões como: porque e por que;
mau e mal; senão e se não; entre outros;
• escrever aplicando as regras da gramática normativa.
Esta unidade está dividida em três tópicos que visam auxiliar você na com-
preensão da aplicação das regras da gramática normativa. Ao final de cada
tópico apresentamos atividades a fim de consolidar seus conhecimentos so-
bre os conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 – AS CLASSES DE PALAVRAS
TÓPICO 2 – PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
TÓPICO 3 – LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA
ESCRITURA DE UM TEXTO
102
103
TÓPICO 1
AS CLASSES DE PALAVRAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O estudo das regras de uma língua por pessoas que já são falantes dessa
língua oportuniza um domínio mais ativo de habilidades como leitura e escrita,
interpretação e oralidade. É a escola a responsável por aprimorar o ensino da
gramática normativa culta, assim como estimular os alunos a serem leitores e a
produzir qualquer tipo de texto. Ela só alcançará este objetivo com uma prática
sistematizada. Sendo assim, cabe lembrar que ler e escrever devem ser atividades
primordiais no ensino de qualquer língua.
Mais do que isso, a captura de regras torna-se fundamental para o domínio
do ler, do escrever e do interpretar. Não são apenas erros ortográficos ou de
acentuação que precisam ser evitados, haja vista que em muitos textos há uma
considerável perda com relação à semântica, sendo, inclusive, impossível resgatar
elementos de coerência.
Por isso, neste tópico do nosso Caderno de Estudos, vamos estudar sobre
a formação das palavras. As classes relacionadas neste processo são o substantivo,
o adjetivo, o verbo, o advérbio, o numeral, o artigo, a preposição, a conjunção, a
interjeição e os pronomes. Vamos relembrar?
2 AS CARACTERÍSTICAS DE CADA CLASSE
Na Língua Portuguesa as palavras são classificadas de acordo com a função
que exercem dentro de uma frase. São reconhecidas dez classes de palavras, e cada
uma delas tem um papel específico na frase. Logo, qualquer expressão ou palavra
na nossa língua, dependendo das suas características, está conectada a uma dessas
dez classes de palavras.
Algumas classes de palavras ou gramaticais são variáveis, que admitem
flexão (mudança) em sua forma, e outras são invariáveis, pois não admitem alteração
em sua estrutura. Pense nas palavras variáveis e invariáveis. Pensou? O Dicionário
Michaelis (2008, p. 901) diz que a palavra variável é: “1 Sujeito a variações. 2 Que
pode ser variado ou mudado; mutável”. Segundo o mesmo dicionário (2008, p.
489), invariável é: “1 Que não é variável. 2 Constante. 3 Inalterável.” Então, algumas
classes podem sofrer alterações em sua forma, tendo uma escrita para o plural e
singular, outra para o feminino e masculino. Entretanto, outras classes possuem
apenas uma forma escrita. Vamos conhecê-las!
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
104
São assim divididas:
Variáveis: Substantivo – Artigo – Adjetivo – Numeral – Pronome – Verbo.
Invariáveis: Advérbio – Preposição – Conjunção – Interjeição.
Se estudarmos um pouco da língua, observaremos que alterações aconteceram
ao longo do tempo quanto às classes de palavras. Isso se deu porque a nossa língua é viva, e
é alterada pelos falantes, ou seja, nós somos os principais responsáveispor mudanças que já
ocorreram e por aquelas que ainda virão.
NOTA
É importante saber que a parte da gramática que lida com as classes de
palavras é a MORFOLOGIA (morfo = forma, logia = estudo), ou seja, o estudo da
forma. Deste modo, na morfologia, não estudamos o contexto em que as palavras
são empregadas, mas somente a forma da palavra.
Convido você agora a conhecer e distinguir as principais características de
cada classe de palavras.
2.1 SUBSTANTIVO
De maneira bem sucinta, podemos dizer que substantivo é a palavra que
nomeia os seres com vida ou sem vida, ou seja, tudo que recebe um nome é um
substantivo. Veja:
Seres materiais: João, criança, casa, fogo, carro, escritório, relatório...
Seres espirituais: Deus, anjo, alma...
Seres fictícios: Branca de Neve, curupira, cupido, fada...
Observe a frase:
Assim que o relatório foi redigido, João foi para casa.
As palavras em destaque – relatório, João e casa – são substantivos, pois
nomeiam seres. Os substantivos se classificam em: comuns, próprios, concretos,
abstratos e coletivos. Vamos conhecê-los?
Comuns: são aqueles que nomeiam seres de qualquer espécie. Ex.: criança,
país, estado, cidade.
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
105
Próprios: são os que dão nome a seres específicos de cada espécie. Ex.: João,
Brasil, Santa Catarina, Indaial.
Concretos: são os substantivos que nomeiam seres que existem
independentemente de outros. Ex.: computador, homem, bruxa.
Abstratos: são os que nomeiam seres que dependem da existência de
outros. Ex.: corrida (existe no ser que corre), beleza (existe no ser que é belo).
Coletivos: esse é um tipo de substantivo comum que, mesmo estando
na forma singular, nomeia vários seres de uma mesma espécie. Ex.: vocabulário
(palavras), frota (navios, ônibus, aviões), biblioteca (livros).
Agora você já se sente capaz de identificar o substantivo em uma frase?
Vamos treinar um pouco mais esta habilidade. Leia a tirinha que segue:
FONTE: Disponível em: <http://cursoconectese.blogspot.com/2010/06/leitura-e-
interpretacao-de-tirinhas-da.html>. Acesso em: 24 nov. 2011.
FIGURA 26 – CASCÃO
No primeiro quadrinho, temos vários substantivos. Você acertou se
elencou: PÉS – CASCÃO – TRABALHO – CHÃO. No segundo quadrinho, temos
o substantivo MÃE.
Como vimos, o substantivo é responsável por nomear tudo o que vemos
e imaginamos. Na construção do texto, esta classe gramatical é essencial, pois
oferece referência que permite ao leitor a construção de imagens, proporcionando a
interpretação da leitura. O substantivo é uma das classes de palavras variáveis, ou
seja, ele sofre flexões em sua estrutura, para concordar com os termos de uma frase.
Leia o texto do escritor Alan Lightman: ele recorre ao poder de nomeação
dos substantivos para criar imagens.
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
106
15 DE MAIO DE 1905
[...] Uma folha no chão no outono, vermelha, dourada e marrom, delicada.
[...] Poeira em um peitoril de janela. Uma pilha de pimentões na Marktgasse,
amarelos, verdes, vermelhos. [...] O buraco de uma agulha. Mofo nas folhas,
cristal, opalescente. Uma mãe em sua cama, chorando, cheiro de manjericão no
ar. [...] Uma torre para preces, alta e octogonal, sacada aberta, solene, rodeada
de brasões. Vapor subindo de um lago no início da manhã. Uma gaveta aberta.
Dois amigos em um café, o lustre iluminando o rosto de um dos amigos, o outro
na penumbra. Um gato olhando um inseto na janela. Uma jovem em um banco,
lendo uma carta, lágrimas de contentamento em seus olhos verdes. [...] Uma
imensa árvore caída, raízes esparramadas no ar, casca e ramos ainda verdes. O
branco de um veleiro, com o vento de popa, velas se agitando como asas de um
gigantesco pássaro branco. Um pai e um filho sozinhos em um restaurante, o
pai, triste, olhos fixos na toalha de mesa. Uma janela oval, de onde se avistam
campos de feno, uma carroça de madeira, vacas, verde e púrpura na luz da
tarde. Uma garrafa quebrada no chão, líquido marrom nas fissuras do piso,
uma mulher com os olhos vermelhos. Um velho na cozinha, preparando o
café da manhã para o neto, o menino à janela com os olhos fixos em um banco
pintado de branco. Um livro surrado sobre uma mesa ao lado de um abajur de
luz branda. O branco na água quando quebra uma onda, erguida pelo vento.
Uma mulher deitada no sofá, cabelos molhados, segurando a mão de um
homem que nunca voltará a ver. Um trem com vagões vermelhos, sobre uma
grande ponte de pedra, de arcos delicados, o rio que sob ela corre, minúsculos
pontos que são as casas a distância. Partículas de poeira flutuando nos raios
de sol que entram por uma janela. A pele fina que recobre um pescoço, fina o
suficiente para se sentir o pulsar do sangue que sob ela corre. Um homem e uma
mulher nus, envolvidos um no outro. As sombras azuis das árvores numa noite
de lua cheia. O topo de uma montanha com um vento forte constante, os vales
que se esparramam por todas as suas bordas, sanduíches de carne e queijo. [...]
Uma foto de família, os pais jovens e tranquilos, as crianças trajando gravatas
e vestidos e sorrindo. Uma pequeniníssima luz, visível por entre as árvores de
um bosque. O vermelho do pôr do sol. Uma casca de ovo, branca, frágil, intacta.
Um chapéu azul na praia, trazido pela maré. Rosas aparadas flutuando sob
uma ponte, próximas a um castelo que vai emergindo. O cabelo ruivo de uma
amante, selvagem, traiçoeiro, promissor. As pétalas púrpuras de uma íris na
mão de uma jovem mulher. Um quarto com quatro paredes, duas janelas, duas
camas, uma mesa, um lustre, duas pessoas de rostos vermelhos, lágrimas. [...]
FONTE: LIGHTMAN, Alan. Sonhos de Einstein. Tradução de Marcelo Levy. São Paulo: Companhia
das Letras, 1977. p. 72-76.
Note que nesse texto, acadêmico(a), o autor emprega a nomeação de
substantivos. Estes são sempre acompanhados de adjetivos que permitem
ao leitor a construção de imagens. Vamos conceituar adjetivo? Assim você
perceberá que estas duas classes de palavras sempre estarão muito próximas
na construção de textos.
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
107
2.2 ADJETIVO
Estudamos que os substantivos são as palavras que nomeiam os seres, não
é mesmo? Os adjetivos, por sua vez, são as palavras que os caracterizam. Sendo
assim, o adjetivo liga-se ao substantivo. Observe:
Os acadêmicos maranhenses visitaram o polo de Indaial.
Note que a palavra “acadêmicos” é um substantivo. A palavra em destaque
(maranhenses) acompanha este nome a fim de caracterizar, definir ou identificar.
Os adjetivos podem ser: primitivos, derivados, simples ou compostos.
Os primitivos são aqueles que não provêm de nenhuma outra palavra da
língua. Exemplo: Redigi a ata no livro de capa azul.
Observe que a palavra em destaque (azul) é um adjetivo primitivo, ou seja,
azul é uma palavra primitiva e, neste caso, caracteriza o substantivo capa.
Os derivados são aqueles que se formam a partir de uma palavra que já
existe. Exemplo: Seu trabalho está belíssimo.
A palavra em destaque (belíssimo) é um adjetivo derivado da palavra
“belo”.
Os simples formam-se de apenas um radical. Exemplo: O povo brasileiro
quer qualidade em educação.
Neste exemplo temos o substantivo “povo” acompanhado do adjetivo simples
“brasileiro”.
Os compostos são aqueles que se formam a partir de dois ou mais radicais.
Exemplo: A literatura infantojuvenil em nosso país é ampla.
Aqui temos o substantivo “literatura” seguido do adjetivo composto
“infantojuvenil”, que se formou a partir de infantil + juvenil.
Então, podemos dizer que os adjetivos acompanham um substantivo,
formam-se a partir de um verbo, um substantivo e/ou outro adjetivo e podem
conter um, dois ou mais radicais. Ufa! Respire fundo, pois temos ainda o adjetivo
pátrio e a locução adjetiva.
A locução adjetiva nada mais é que uma expressãorepresentada por mais
de uma palavra, ou seja, um conjunto de palavras que tenham valor de adjetivo.
São exemplos de locução adjetiva:
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
108
LOCUÇÃO ADJETIVA ADJETIVO CORRESPONDENTE
da audição auditivo
de cidade urbano
de estômago gástrico
de inverno hibernal
de orelha auricular
de professor docente
do campo campestre
QUADRO 2 – LOCUÇÕES ADJETIVAS
FONTE: As autoras
O adjetivo pátrio é aquele que designa local de origem, como continentes,
países, estados e municípios, entre outros. Em sua maioria são adjetivos derivados
do nome do local e acrescidos de sufixo. Confira alguns adjetivos pátrios, seguidos
das localidades brasileiras, no quadro a seguir:
ADJETIVO PÁTRIO LOCALIDADES BRASILEIRAS
acriano Acre
baiano Bahia
cearense Ceará
maceioense Maceió
manauense, manauara Manaus
paraense Pará
catarinense, barriga-verde Santa Catarina
potiguar, rio-grandense-do-norte Rio Grande do Norte
QUADRO 3 – ADJETIVOS PÁTRIOS
FONTE: As autoras
Vamos relembrar também alguns adjetivos pátrios que se referem a
localidades estrangeiras:
ADJETIVO PÁTRIO LOCALIDADES ESTRANGEIRAS
alemão, germânico Alemanha
buenairense, portenho Buenos Aires
indiano, hindu Índia
lisboeta, lisbonense Lisboa
madrilense, madrileno Madri
patagão Patagônia
pequinês Pequim
QUADRO 4 – ADJETIVOS PÁTRIOS
FONTE: As autoras
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
109
Os adjetivos pátrios podem ser compostos, ou seja, formados de dois ou
mais radicais. Confira:
luso-brasileira - greco-romana - indo-europeia
Quando se forma um adjetivo pátrio composto, as palavras com menor
número de letras devem aparecer primeiro. Quando houver coincidência de
número de sílabas, deve ser seguida a ordem alfabética.
Caro(a) acadêmico(a), os adjetivos, quando bem selecionados, têm o poder
de definir a atmosfera de um texto. Nas histórias de terror, esta classe gramatical é
a responsável por dar o tom assustador e ajudar na criação de imagens da narração.
Agora, vamos conhecer outra classe, o advérbio!
2.3 ADVÉRBIO
Vamos iniciar o estudo desta classe de palavras, lendo o texto que segue:
QUE TIPO DE CLASSE GRAMATICAL VOCÊ É? ADVÉRBIO, MUITO
PRAZER!
Se eu fosse uma classe gramatical, desejaria ser o advérbio. Não porque
sou invariável, pelo contrário. Vario muito. Por indicar circunstância, e esta
varia, como varia! Além disso, modifico... Ah! se modifico! Altero frases,
palavras (verbos, adjetivos e até "euzinho" mesmo, o advérbio). Assim são as
pessoas, precisam modificar suas ações, suas características, a si mesmas.
Além disso, posso transformar a frase mais proferida do mundo "Eu te
amo” em mensagens extraordinárias: Eu te amo muito, eu te amo devagar, Eu
te amo silenciosamente, Eu te amo à noite, ao amanhecer, aqui, ali e sempre...
Tenho, ainda, o poder do desprezo: eu te amo pouco, talvez nem ame; não, na
verdade eu não te amo. Nunca te amei.
FONTE: Texto adaptado (autor desconhecido)
As palavras em destaque no texto são advérbios. Dito de outra maneira,
o advérbio é a palavra que modifica, principalmente, o verbo, indicando a
circunstância em que ocorre a ação que ele expressa.
Os advérbios, bem como as locuções adverbiais (conjunto de palavras com
valor de advérbio), podem representar sete tipos de circunstâncias. São elas: tempo,
lugar, modo, afirmação, negação, intensidade e dúvida. Conheça alguns exemplos de
advérbio e locuções adverbiais.
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
110
TEMPO LUGAR MODO AFIRMAÇÃO NEGAÇÃO INTENSIDADE DÚVIDA
ontem aqui bem sim não bem talvez
hoje perto mal certamente tampouco bastante acaso
amanhã além melhor realmente absolutamente mais quiçá
cedo
por
perto
depressa efetivamente
de jeito
nenhum
menos provavelmente
de
repente
em
cima
devagar por certo
de forma
alguma
muito possivelmente
às vezes por ali às
pressas
com certeza
de modo
nenhum
de pouco por certo
QUADRO 5 – EXEMPLOS DE ADVÉRBIOS
FONTE: As autoras
Depois de tantos exemplos ficou mais fácil compreender o que é um
advérbio, não é? Vamos continuar nossos estudos!
2.4 NUMERAL
Esta classe indica a ideia numérica dos seres. De acordo com as ideias que
exprime, o numeral pode ser classificado da seguinte maneira:
Cardinais: por expressar a quantidade exata dos seres.
Ordinais: por expressar a ordem dos seres.
Multiplicativos: por expressar aumento de proporção de uma quantidade ou
multiplicação.
Fracionários: por expressar diminuição de proporção de uma quantidade ou divisão.
Vamos conhecer alguns exemplos dispostos no quadro a seguir:
ALGARISMOS
CARDINAIS ORDINAIS MULTIPLICATIVOS FRACIONÁRIOS
romanos indo-arábicos
I 1 um primeiro - -
II 2 dois segundo dobro, duplo meio, metade
III 3 três terceiro triplo, tríplice terço
IV 4 quatro quarto quádruplo quarto
QUADRO 6 – EXEMPLOS DE NUMERAIS
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
111
V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
VII 7 sete sétimo séptuplo sétimo
VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
IX 9 nove nono nônuplo nono
X 10 dez décimo décuplo décimo
FONTE: As autoras
Incluem-se nos numerais cardinais o “zero” (0) e “ambos” (os dois).
NOTA
2.5 ARTIGO
A palavra que indica tratar-se de um ser específico ou não da espécie é
chamada de artigo. Existem duas classificações para eles: os artigos definidos e os
indefinidos. Vejamos:
Definidos: indicam que se trata de um ser da mesma espécie. São artigos
definidos: o, a, os, as. Observe:
O administrador da empresa compareceu à reunião.
Note que estamos tratando de um ser específico naquela situação.
Indefinidos: indicam que se trata de um ser de qualquer espécie. São eles:
um, uma, uns, umas. Observe:
Um administrador da empresa compareceu à reunião.
Neste caso, trata-se de um administrador qualquer entre outros naquela
situação.
Como você viu no início desta unidade, o artigo é uma classe de palavra
variável, isto é, possui diferentes formas para concordar com o substantivo a que se
refere. Ele varia em gênero (feminino e masculino) e em número (singular e plural).
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
112
o administrador – a administradora os administradores – as
administradoras
um administrador – uma administradora uns administradores – umas
administradoras
Caro(a) acadêmico(a)! Você saberia diferenciar quando o UM é artigo e
quando é numeral? Vamos relembrar!? O um(a) será numeral quando ficar evidente
no texto a ideia de quantidade, sendo assim, aparece no texto acompanhado de
palavras que reforçam a quantidade.
Vejamos:
Fui à livraria e comprei só um livro.
Note que a palavra em destaque só reforça a ideia de quantidade, ou
seja, só um.
Observe outro exemplo:
Fui à livraria e comprei um livro.
Neste caso, a frase enfoca o que se comprou, isto é, um livro. Não percebemos
a presença de palavras indicando quantidade. Temos, então, um artigo indefinido.
Leia a tirinha a seguir:
FIGURA 27 – GARFIELD
FONTE: Disponível em: <http://portugueixa.blogspot.com/2010_04_01_archive.html>. Acesso
em: 20 nov. 2011.
Nesta tira a palavra UM é classificada como artigo indefinido, por não
haver palavra que enfoca a ideia de quantidade.
Vamos ao estudo de mais uma classe. Você nos acompanha?
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
113
2.6 PREPOSIÇÃO
A preposição é a palavra utilizada para ligar outras palavras. Dito de outra
maneira, a preposição é empregada para unir dois termos. Existem as preposições
propriamente ditas (preposição essencial) e também algumas palavras de outras
classes gramaticais que funcionam como preposição (preposição acidental). Sendo
assim, as preposições podem ser de dois tipos: essencial e acidental. Vejamos
alguns exemplos:Essencial: a, ante, de, por, com, em, sob, até.
Acidental: consoante, segundo, mediante.
Como já vimos, locução é um conjunto. As locuções prepositivas são duas
ou mais palavras com valor de uma preposição, sendo que a última é sempre
uma preposição.
Podemos elencar, como de uso mais frequente, as seguintes locuções
prepositivas:
abaixo de a par de além de diante de em frente a junto a
acerca de
a respeito
de
dentro de embaixo de em vez de por cima de
QUADRO 7 – EXEMPLOS DE LOCUÇÕES PREPOSITIVAS
FONTE: As autoras
ATENCAO
As locuções "junto a, junto de" são sinônimas, invariáveis e significam "perto de",
"ao lado de".
• A bola passou junto à trave (perto, ao lado da trave).
• A loja fica junto ao viaduto (perto, ao lado do viaduto).
No entanto, ninguém desconta cheques "junto ao (ao lado do) banco". Nem pede providências
"junto à (perto da) prefeitura". Descontamos cheques "com o banco". Pedimos providências
"para a prefeitura".
FONTE: CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
114
2.7 CONJUNÇÃO
A palavra que une duas orações ou termos semelhantes de uma oração é
denominada conjunção. Você recorda o que é oração em língua portuguesa? Pois
bem, oração é uma frase ou parte de uma frase com verbo. Sendo assim, para
existir oração tem que haver um verbo. Se uma frase contiver dois verbos, teremos
duas orações, três verbos, três orações... Vamos visualizar na prática? Então, segue
um exemplo:
Os jovens adormeceram e o silêncio espalhou-se pela casa.
Observe que as palavras “adormeceram” e “espalhou” são verbos. Portanto,
temos nessa frase duas orações. Agora, a palavra em destaque “e” é a que liga as
duas orações, sendo, portanto, uma conjunção.
Podemos dizer, então, que conjunções são palavras invariáveis que
conectam orações, estabelecendo entre elas uma relação de subordinação ou de
coordenação. Sendo assim, as conjunções são classificadas em coordenativas e
subordinativas. Estas, por sua vez, apresentam outra divisão. Veja:
Conjunção coordenativa: são as que simplesmente coordenam as orações.
Não estabelecem relação de dependência sintática (sentido). Dividem-se em:
• Aditivas: são as que expressam relação de soma. Ex.: nem, e, não só, mas também.
• Adversativas: são as que expressam relação de adversidade ou oposição. Ex.:
mas, porém, todavia, contudo, não obstante, entretanto.
• Alternativas: são as que expressam sentido de alternância ou exclusão. Ex.: ou,
ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer.
• Conclusivas: estas exprimem relação de conclusão. Ex.: logo, assim, portanto,
por isso, pois (posposto ao verbo).
• Explicativas: são as que exprimem sentido de explicação. Ex.: que, porque, pois
(anteposto ao verbo).
Conjunção subordinativa: são as que ligam duas orações e estas são
dependentes uma(s) da(s) outra(s).
• Causais: expressam relação de causa. Ex.: porque, pois, porquanto, como (=
porque), pois que, visto que, visto como, por isso que, já que, uma vez que, entre
outras.
• Concessivas: são as que iniciam orações adverbiais que exprimem concessão.
Ex.: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, se bem que, apesar de que, entre
outras.
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
115
• Condicionais: são as que iniciam orações adverbiais que exprimem condição.
Ex.: se, caso, contanto que, salvo se, desde que.
• Conformativas: são as que iniciam orações adverbiais que indicam conformidade.
Ex.: conforme, segundo, como, consoante.
• Comparativas: estas iniciam orações adverbiais que exprimem comparação. Ex.:
como, mais... que, menos... que, maior... que, menor... que, entre outras.
• Consecutivas: são as que iniciam orações adverbiais que indicam consequência.
Ex.: que (combinado com tal, tanto, tão, tamanho), de sorte que, de forma que.
• Finais: são as que iniciam orações adverbiais para expressar finalidade. Ex.: para
que, a fim de que.
• Proporcionais: estas iniciam as orações adverbiais que indicam proporção. Ex.: à
proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais, quanto menos.
• Temporais: iniciam orações adverbiais que exprimem tempo. Ex.: quando,
enquanto, logo que, depois que, antes que, desde que, sempre que, até que, assim
que, todas as vezes que.
• Integrantes: estas iniciam as orações subordinadas substantivas que representam
sujeito, objeto direto, etc. Ex.: que, se.
Vale lembrar que uma mesma conjunção ou locução conjuntiva pode iniciar
orações que indicam sentidos distintos. Então, caro(a) acadêmico(a), o estudo não deve voltar-
se para a memorização classificatória, mas, sim, para o sentido das frases no texto.
NOTA
2.8 INTERJEIÇÃO
A interjeição é uma das classes de palavras invariáveis. Ela exprime
sensações e estados emocionais. Dito em outras palavras, com a interjeição
traduzimos de modo vivo nossas emoções. Podemos dizer que o uso dessa classe é
mais frequente em textos narrativos, nos quais há a apresentação de falas coloquiais,
pois contribuem para transmitir ao leitor as emoções e reações das personagens.
O significado da interjeição dependerá do momento em que é expressa e
também da entonação de voz. Vamos conhecer algumas, então?! Veja a classificação,
conforme os sentimentos que indicam:
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
116
De alegria: Ah! Eh! Oh! Oba! Viva!
De dor: Ai! Ui!
De animação: Vamos! Coragem!
De chamamento: Psiu! Olá! Alô!
De desejo: Quem me dera! Tomara! Oxalá!
De silêncio: Psiu! Boca fechada! Quieto!
De aplauso: Bis! Viva! Bravo!
De medo: Ui! Uh! Ai! Credo! Que horror!
De espanto, surpresa: Ah! Oh! Nossa! Xi!
De alívio: Ufa! Ah! Uf! Arre! Uai!
De afugentamento: Fora! Xô! Passa!
Você percebeu uma característica comum às interjeições? Se você pensou
no ponto de exclamação, acertou! Na escrita as interjeições são seguidas do ponto
de exclamação. Observe a tirinha que segue:
FIGURA 28 – MAFALDA
FONTE: Disponível em: <http://guiroque.wordpress.com/category/coisas-bem-legais/>. Acesso
em: 11 out. 2011.
Podemos destacar facilmente várias interjeições, não é mesmo? Muito bem,
completamos, assim, o estudo de mais uma classe. Vamos continuar?
2.9 VERBO
Dentre as classes de palavras, podemos dizer que o verbo é a palavra
que mais varia. Sendo assim, ele indica: pessoa, número, tempo, modo, estados e
fenômenos naturais e voz. Ele exprime o que se passa, isto é, um acontecimento
representado no tempo. Agora que já sabemos qual a função dos verbos, vamos
conhecer um pouco mais sobre eles.
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
117
AMAR SOFRER PARTIR
EU amo sofro parto
TU amas sofres partes
ELE ama sofre parte
NÓS amamos sofremos partimos
VÓS amais sofreis partis
ELES amam sofrem partem
QUADRO 8 – EXEMPLOS DE VERBOS
FONTE: As autoras
Podemos notar que, em cada conjugação, uma parte do verbo não sofreu
alteração (amar = AM; sofrer = SOFR; partir = PART). Sendo assim, esta parte, que
contém a base do significado, é denominada radical.
A terminação ou desinência é a parte do verbo que contém as indicações de
pessoa, tempo, modo e voz. Conjugar um verbo significa apresentá-lo em todos os
seus modos, pessoas, tempos, vozes e números. Quando agrupamos todas essas
flexões, de acordo com uma ordem, temos uma conjugação.
Os verbos da Língua Portuguesa são classificados em três diferentes grupos,
caracterizados pela vogal temática.
Vogal temática é a parte que indica a conjugação à qual os verbos pertencem. É
formada pela vogal que vem depois do radical. Ex.: cant - a - r (a - vogal temática); sofr - e - r
(e - vogal temática); part - i - r (i - vogal temática).
NOTA
Conheça os três grupos de conjugação da Língua Portuguesa:
O verbo constitui-se basicamente em duas partes: radical e terminação
(desinência).Veja o exemplo com os verbos amar, sofrer e partir, conjugados no
presente do indicativo:
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
118
E os verbos terminados em OR, como compor e expor? Por que foram
classificados na segunda conjugação, terminados em ER? Vamos à explicação:
esses verbos, por terem origem no antigo verbo “poer”, são encaixados na segunda
conjugação. Cada conjugação verbal possui terminações específicas que são
utilizadas para flexionar seus respectivos verbos.
1ª conjugação - verbos terminados em AR. Ex.: cantar, sonhar, falar, amar, andar, nadar, limpar,
anotar, flexionar, escapar, rasgar, amarrar...
2ª conjugação - verbos terminados em ER. Ex.: comer, sofrer, mexer, roer, escrever, absorver, expor,
compor, repor, compor...
3ª conjugação - verbos terminados em IR. Ex.: partir, sentir, emitir, sorrir, fingir, falir, mentir, iludir,
cair, abrir...
QUADRO 9 – AS TRÊS CONJUGAÇÕES
FONTE: As autoras
ATENCAO
Lembre-se! Dizemos que o verbo é não flexionado ou no infinitivo quando
termina em R. Veja: enviar, escrever, comprar, relatar, sorrir, latir, ser, caber, fazer...
AUTOATIVIDADE
Muito bem! Agora que já conhecemos as conjugações verbais, vamos praticar?
Classifique os verbos a seguir em 1ª, 2ª e 3ª conjugação:
a) Explicar: _____________ e) Mentir:_______________
b) Dividir: ______________ f) Dispor:_______________
c) Rever:________________ g) Caprichar:____________
d) Supor: _______________ h) Absorver: ____________
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
119
Na aula de português, a professora pergunta para Joãozinho:
- Joãozinho, qual é o futuro do verbo roubar?
Ele, sem pestanejar, responde:
- Ir preso, professora.
A professora mandou Joãozinho recitar uma poesia. Ele, todo cheio de compostura, começou
a declamar:
- Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós cavais, eles cavam.
A professora, intrigada, pede ao Joãozinho:
- Joãozinho, mas o que há de poético nestes verbos?
Joãozinho, com muita convicção, responde:
- Professora, isso pode não ser poético, mas é bastante profundo.
FONTE: Adaptado de: <http://www.piadalegal.com.br/piadas/?busca=verbo>. Acesso em:
18 jan. 2011.
UNI
Sendo o verbo uma palavra variável, podemos afirmar que se flexiona em:
Número Singular e plural
Pessoa 1ª, 2ª e 3ª
Modo Indicativo, Subjuntivo e Imperativo
Tempo Presente, Passado e Futuro
Voz Ativa, Passiva e Reflexiva
QUADRO 10 – FLEXÃO DO VERBO
FONTE: As autoras
Mas afinal, o que é flexionar um verbo? Flexionar quer dizer adaptar o verbo
ao número, ao modo, ao tempo, à voz e às formas nominais, fazendo com que ele
concorde com o pronome anterior a ele. Quanto a essas flexões, estudaremos uma
a uma detalhadamente para facilitar a sua compreensão. Vejamos:
Número e pessoa: quando a forma indica se o verbo está no singular ou no
plural. Singular quando se refere a apenas uma pessoa (eu ando, tu andas, ele anda).
Plural quando se refere a mais de uma pessoa (nós andamos, vós andais, eles andam).
Modo verbal: é a flexão que nos mostra qual é a intenção do falante ao
expor suas ideias. Através dessa flexão, podemos perceber se o que é expresso por
ele indica uma dúvida ou possibilidade, uma certeza ou uma ordem. Os verbos
são classificados em três modos. Confira:
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
120
• Modo indicativo: indica um fato que ocorre, ocorreu ou ocorrerá com certeza.
Um fato real. Por exemplo: Pedro partiu ontem.
Nessa oração, temos certeza de que Pedro realmente partiu. O fato está
concretizado. Dito de outra maneira, o indicativo indica uma ação.
• Modo subjuntivo: indica um fato hipotético, ou seja, não é certo que acontecerá.
Pode exprimir dúvida, probabilidade ou suposição. Por exemplo: Quem sabe eu
vá à reunião, se não chover.
Nessa oração, não se sabe ao certo se a ação ocorrerá. O fato não está
concretizado.
• Modo imperativo: indica ordem, pedido, súplica, sugestão, convite. Observe o
exemplo:
Estude para a avaliação.
Neste exemplo, percebemos que a oração exprime uma ordem ao seu receptor.
Tempo verbal: o estudo do tempo verbal é um pouco mais complexo
do que os demais, porém muito interessante, pois, a partir da observação deste,
podemos saber quando a ação ou o fato foram realizados. Desta forma, o tempo
verbal divide-se em três grandes grupos: presente, pretérito (que é o mesmo que
passado) e futuro. O passado, por sua vez, subdivide-se em pretérito perfeito,
pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, e o futuro subdivide-se em futuro
do presente e futuro do pretérito.
Voz verbal: em algumas ações verbais, o verbo admite estruturas com
diferentes atuações do sujeito. São os casos em que o verbo sofre a flexão de voz.
São três as vozes verbais, vamos conhecê-las?
Ativa: é quando o sujeito é o agente da ação verbal, ou seja, ele pratica a
ação. Ex.: Os alunos estudaram muito para a avaliação. Neste caso o sujeito da
frase é “Os alunos”, e estes realizaram a ação do verbo estudar.
Passiva: é quando o sujeito é paciente da ação verbal, isto é, ele recebe
ou sofre a ação. Ex.: Carolina foi machucada por Aline. Neste caso, o sujeito é
“Carolina”, e este sofre ou recebe a ação expressa pelo verbo machucar.
Reflexiva: acontece quando o sujeito é agente e paciente da ação verbal.
Dito em outras palavras, ele pratica a ação em si mesmo e a recebe. Ex.: Cláudio
penteou-se assim que levantou. Note que o sujeito “Cláudio” pratica e recebe a
ação expressa pelo verbo.
Formas nominais: os verbos, além de todas essas flexões que já foram
estudadas, podem ser ainda apresentados de três modos: infinitivo, gerúndio e
particípio. Vamos aprender um pouco mais? Vejamos cada um deles:
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
121
• Infinitivo: exprime a própria ação verbal, porém sem nenhuma localização de
tempo. É marcado pela terminação R.
Observe o exemplo: Estudar é preciso. Esta forma nominal indica a ação:
estudar. O infinitivo pode ser pessoal ou impessoal. Caso apresente um sujeito,
será pessoal, caso não apresente, ou seja, não se refira a ninguém, será impessoal.
Veja mais alguns exemplos:
É proibido fumar neste local.
Comer muita doçura faz mal à saúde.
• Gerúndio: exprime um fato que está em desenvolvimento, ou seja, que ainda
não chegou ao fim. É marcado pela terminação NDO. O exemplo “Alex está
viajando” mostra que a ação ainda está em andamento. Veja alguns exemplos:
Ele está estudando.
Emília ficou na escola treinando para a apresentação.
• Particípio: ao contrário do gerúndio, o particípio indica um fato já terminado.
O verbo apresenta-se, em geral, com as terminações ADO e IDO. No
exemplo “José foi multado”, a ação já foi concluída. Exemplos:
O carro está estragado.
A casa foi vendida.
Agora que terminamos uma fase importante dos nossos estudos sobre
verbos, que foram as flexões verbais, vamos entrar em uma nova etapa, que é o
estudo da CLASSIFICAÇÃO DOS VERBOS. Mas, por que classificar os verbos?
A conjugação dos verbos segue um determinado padrão, um paradigma.
No caso de um verbo regular, dependendo da sua terminação, ele terá uma forma
a ser conjugada. Também há casos em que este paradigma não é seguido, que
é o que chamamos de verbo irregular. Há verbos que são utilizados em apenas
algumas pessoas, tempos ou modos. O motivo pelo qual isto acontece é bastante
variável. Em muitos casos, a própria ideia que o verbo quer transmitir não se aplica
a todas as pessoas. E há também os verbos que possuem duas formas equivalentes,
que precisamos conhecer para saber onde aplicá-las. Então, agora que já sabemos
o porquê da classificação dos verbos, vamos conhecê-las?
Verbo regular: classificamos como regulares aqueles verbos que são
conjugados sem que sejam feitas alterações em seu radical. Utilizaremos, como
exemplo, o verbo sofrer. Este verbo é formado peloradical sofr-, e, quando o
conjugamos, ele permanece. Observe:
Eu sofro com esta situação. Confira mais exemplos, de verbo regular, no quadro
a seguir:
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
122
QUADRO 11 – INDICATIVO PRESENTE
FONTE: Disponível em: <http://www.radames.manosso.nom.br/gramatica/
verboflexoes.htm>. Acesso em: 12 dez. 2011.
Verbo irregular: classificamos como irregulares aqueles verbos que, quando
conjugados, têm seu radical modificado. Para este exemplo, utilizaremos o verbo
pedir. Este verbo é formado pelo radical ped-, e, quando o conjugamos, o radical
é modificado. Observe:
Eu peço um presente de Natal. Observe o quadro a seguir com mais
exemplos.
FAZER
Eu faço
Tu fazes
Ele faz
Nós fazemos
Vós fazeis
Eles fazem
QUADRO 12 – VERBO FAZER (PRESENTE DO INDICATIVO)
FONTE: As autoras
Verbo anômalo: classificamos como anômalos aqueles verbos que, quando
conjugados, apresentam no seu radical mudanças mais evidentes e profundas do
que os verbos irregulares. Podemos citar os verbos “ser” e “ir” como exemplos de
verbos anômalos. Observe o quadro com o exemplo do verbo ser.
ANDAR VENDER PARTIR
And-o Vend-o Part-o
And-as Vend-es Part-es
And-a Vend-e Part-e
And-amos Vend-emos Part-imos
And-ais Vend-eis Part-is
And-am Vend-em Part-em
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
123
PRESENTE PRETÉRITO PRETÉRITO
perfeito imperfeito
Eu sou fui era
Tu és foste eras
Ele é foi era
Nós somos fomos éramos
Vós sois fostes éreis
Eles são foram eram
FONTE: As autoras
QUADRO 13 – VERBO SER (INDICATIVO)
Verbo defectivo: classificamos como defectivos aqueles verbos que não
possuem todas as suas formas. Por exemplo, o verbo abolir. Não podemos dizer
“eu abolo”, mas usamos a expressão “eu vou abolir” ou “eu estou abolindo”. Da
mesma forma “eu coloro”. Quando queremos nos expressar utilizando este verbo,
usamos a expressão “eu vou colorir” ou “eu estou colorindo”. Confira a conjugação
do verbo colorir nos seguintes tempos:
PRESENTE PRETÉRITO PRETÉRITO
perfeito imperfeito
Eu - colori coloria
Tu colores coloriste colorias
Ele colore coloriu coloria
Nós colorimos colorimos coloríamos
Vós coloris coloristes coloríeis
Eles colorem coloriram coloriam
QUADRO 14 – VERBO COLORIR (INDICATIVO)
FONTE: As autoras
Verbo abundante: classificamos como abundantes aqueles verbos que
possuem duas formas aceitáveis de particípio, uma regular e uma irregular.
Observe:
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
124
INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR
acender acendido aceso
benzer benzido bento
eleger elegido eleito
enxugar enxugado enxuto
expulsar expulsado expulso
frigir frigido frito
ganhar ganhado ganho
isentar isentado isento
imprimir imprimido impresso
matar matado morto
romper rompido roto
soltar soltado solto
suspender suspendido suspenso
tingir tingido tinto
QUADRO 15 – VERBOS ABUNDANTES
FONTE: As autoras
Ainda sobre as classificações do verbo, podemos diferenciá-lo pelas
formas rizotônicas e arrizotônicas. As formas rizotônicas são aquelas cuja sílaba
tônica ou a sua vogal se encontra no radical. As arrizotônicas são aquelas cuja
sílaba tônica, ou a sua vogal, se encontra na terminação. Acompanhe:
Forma rizotônica Forma arrizotônica
Radical/terminação Radical/terminação
Am-o Am-amos
Am-a Am-arei
Cresç-o Cresc-erão
Part-em Sorr-iriam
DICAS
Uma dica de site, que aborda a questão dos verbos com muita clareza, é o Só
Português. Lá você encontra tudo sobre verbos, além de atividades práticas muito interessantes.
Basta fazer o cadastro, com login e senha, e, pronto, você inicia seus estudos. Acesse: <www.
soportugues.com.br>.
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
125
ATENCAO
Acadêmico(a)! Acesse a trilha de aprendizagem da disciplina. Lá você encontrará
vários modelos de verbos conjugados. Bom estudo!
2.10 PRONOMES
Conceituamos pronome como a palavra que indica o tipo de relação
existente entre o ser e a pessoa do discurso. Você lembra o que são pessoas do
discurso? Acompanhe:
Pessoas do discurso
1ª pessoa: quem fala ou escreve;
2ª pessoa: quem ouve ou lê;
3ª pessoa: de quem se fala.
DICAS
A 1ª e a 2ª pessoa do discurso são representadas pelos seres humanos. A 3ª
pessoa inclui os animais e as coisas.
Os pronomes pertencem à classe de palavras variável e podem ser
classificados em pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos
e relativos. Veremos cada um deles separadamente:
Pronome pessoal: é aquele que substitui o substantivo. Observe o exemplo:
Cláudio saiu mais cedo do trabalho. Ele precisava ir ao médico.
Note, neste exemplo, que a palavra “Cláudio” é um substantivo. A palavra
empregada para substituí-la foi “ele”, ou seja, um pronome pessoal.
Os pronomes pessoais indicam os seres que representam as pessoas do
discurso. Eles se dividem em três tipos: do caso reto, do caso oblíquo e os de tratamento.
Essa classificação se dá de acordo com a função que eles exercem nas orações. Veremos
separadamente os dois primeiros.
Observe:
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
126
PRONOMES PESSOAIS DO CASO RETO E DO CASO OBLÍQUO
Pessoas do
discurso
Caso reto
Oblíquos
Átonos Tônicos
Singular
1ª pessoa eu me mim, comigo
2ª pessoa tu te ti, contigo
3ª pessoa ele, ela o, a, lhe,se ele, ela, si, consigo
Plural
1ª pessoa nós nos nós, conosco
2ª pessoa vós vos vós, convosco
3ª pessoa eles, elas os, as, lhes, se eles, elas, si, consigo
QUADRO 16 – PRONOMES
FONTE: As autoras
Pronomes possessivos: são os que fazem referência às pessoas do discurso,
indicando a relação de posse existente. Sendo assim, eles mantêm com os pronomes
pessoais uma estreita relação, pois designam o que pertence aos seres referidos
pelos pronomes pessoais. Observe a disposição deles no quadro a seguir:
QUADRO 17 – PRONOMES POSSESSIVOS
FONTE: Disponível em: <http://www.portugues.com.br/gramatica/morfologia/
analisando-os-pronomes-possessivos.html>. Acesso em: 13 nov. 2011.
Por indicar uma relação de posse com relação à pessoa do discurso, o
pronome possessivo é facilmente identificado. Observe o uso na seguinte tira:
FIGURA 29 – CALVIN
FONTE: Disponível em: <http://apatossauros.files.wordpress.com/2007/10/calvinharodotira354.
gif>. Acesso em: 20 nov. 2011.
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
127
No primeiro quadrinho, identificamos o uso de sua na expressão “sua
mãe”. Analisando o quadro, vemos que o pronome possessivo sua refere-se à
terceira pessoa do singular, no caso, ela.
Pronomes demonstrativos: são aqueles que substituem ou acompanham o
substantivo, indicando relações de espaço entre os seres e as pessoas do discurso.
O pronome demonstrativo, assim como o possessivo, também mantém um
vínculo estreito com os pronomes pessoais, pois indica, com relação às pessoas
do discurso, o que delas está mais próximo ou distante, no espaço e no tempo.
Observe as formas dos pronomes demonstrativos no quadro:
VARIÁVEIS
INVARIÁVEIS
Masculino Feminino
este estes esta estas isto
esse esses essa essas isso
aquele aqueles aquela aquelas aquilo
QUADRO 18 – PRONOMES DEMONSTRATIVOS
FONTE: As autoras
Você deve estar se perguntando: quando devo usar este ou esse? Ou isso,
isto e aquilo? Existe, sim, uma regrinha para o uso dos pronomes demonstrativos.
Vamos conhecer o emprego deles.
Este, esta, isto: referem-se à 1ª pessoa (eu), sendo assim são usados para
objetos que estão próximos do falante. Com relação ao tempo, é usado no presente.
Exemplos:
Este é o livro de Comunicação e Linguagem de que lhe falei.
Esta semana a turma está com sorte.
Isto na minha mão é o seu lápis?
Esse, essa, isso: referem-se à 2ª pessoa (tu, você), portanto sãousados para
objetos que estão próximos da pessoa com quem se fala. Com relação ao tempo é
usado no passado ou futuro. Exemplo:
Esse mês vai haver muitas provas.
Quando você comprou essa coletânea?
Isso que você está segurando são seus materiais?
Aquele, aquela, aquilo: referem-se à 3ª pessoa (ele, ela) e são usados para
indicar distanciamento espacial com relação à 1ª e 2ª pessoas do discurso. Exemplos:
Aquelas disciplinas foram muito interessantes.
Pensei muito sobre aquilo que você me disse.
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
128
DICAS
Nos momentos de escrita, quando aparecerem dúvidas a respeito do uso de
“esse” ou “este”, lembre-se:
• este = próximo a mim, presente;
• esse = distante de mim, passado e futuro.
AUTOATIVIDADE
Leia a tirinha que segue, identifique e explique o uso do pronome que
nela aparece. Discuta com seu professor e demais colegas sobre a resposta.
FIGURA 30 – MAFALDA
FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/
fichaTecnicaAula.html?aula=15269>. Acesso em: 24 nov. 2011.
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
129
Pronomes indefinidos: esses pronomes referem-se à 3ª pessoa do discurso
e, como o nome indica, de maneira imprecisa, indefinida. Faz-se uma divisão entre
os pronomes indefinidos. São eles: variáveis e invariáveis. Acompanhe o quadro a
seguir e conheça alguns exemplos.
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
algum, alguma, alguns, algumas alguém
nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas algo
todo, toda, todos, todas ninguém
muito, muita, muitos, muitas nada
pouco, pouca, poucos, poucas tudo
vário, vária, vários, várias cada
tanto, tanta, tantos, tantas outrem
quanto, quanta, quantos, quantas mais
outro, outra, outros, outras menos
bastante, bastantes demais
QUADRO 19 – PRONOMES INDEFINIDOS
FONTE: As autoras
Pronomes interrogativos: como o nome sugere, os interrogativos são usados
para formular perguntas diretas ou indiretas. Ex.: Que assunto é esse? (pergunta
direta) Diga-me que assunto é esse. (pergunta indireta)
São pronomes interrogativos:
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
qual, quais que
quanto, quanta, quantos, quantas quem
QUADRO 20 – PRONOMES INTERROGATIVOS
FONTE: As autoras
Pronomes relativos: são os que substituem um substantivo citado
anteriormente e dão início a uma nova oração. Ex.:
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
130
Comprei uma casa. A casa é perfeita.
SUBSTANTIVO
A casa que comprei é perfeita.
PRONOME RELATIVO
Note que o pronome relativo que (= a qual) se refere ao substantivo “casa”.
Com a junção das frases o pronome substitui o termo expresso anteriormente
(casa) e inicia uma nova oração.
↓ ↓
↓
Lembre-se! Oração é uma frase ou parte de uma frase que contenha verbo.
NOTA
Conheça alguns pronomes relativos visualizando o quadro a seguir:
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
o qual, a qual, os quais, as quais que
cujo, cuja, cujos, cujas quem
quanto, quantos, quantas onde
QUADRO 21 – PRONOMES RELATIVOS
FONTE: As autoras
ATENCAO
Caro(a) acadêmico(a)! Vimos que “quem” pode tanto ser um pronome
interrogativo quanto relativo, não é mesmo? Para saber a qual pronome estamos nos referindo
em determinada situação, basta que você recorde a função de cada um na frase!
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
131
2.10.1 Os pronomes de tratamento
Para indicar o grau de formalidade que existe entre as pessoas do
discurso, devemos empregar os pronomes de tratamento. Ao redigir relatórios,
enviar e-mails, escrever atas e demais documentos, sempre nos perguntamos:
qual pronome devo usar?
Nestas e demais situações, certas autoridades exigem tratamentos
específicos. Consulte o quadro a seguir e relembre os tipos de pronome de
tratamento.
PRONOME DE
TRATAMENTO ABREVIATURA USADO PARA
Vossa Majestade V. M. Reis, imperadores
Vossa Alteza V. A. Príncipes
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Eminência V. Em.ª Cardeais
Vossa Paternidade V. P. Superiores de ordem religiosa
Vossa Reverendíssima V. Rev.ª Sacerdotes em geral
Vossa Magnificência V. Mag.ª Reitores de universidades
Vossa Excelência V. Ex.ª Altas autoridades do governo
Vossa Senhoria V. S.ª Funcionários públicos graduados
QUADRO 22 – PRONOMES DE TRATAMENTO
FONTE: As autoras
3 COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Antes de estudarmos na prática a colocação pronominal, é interessante
saber que o emprego dos pronomes oblíquos deve-se, especialmente, à eufonia, ou
seja, à sonoridade da frase. Portanto, em determinados casos ocorrem diferenças
entre o que a norma gramatical recomenda e o que é realmente utilizado.
Vamos observar, a seguir, as orientações para a colocação dos pronomes
oblíquos na língua culta. Os pronomes oblíquos átonos são: me, te, se, nos, vos, lhe,
lhes. Nas frases estes pronomes podem aparecer em três diferentes posições com
relação ao verbo: antes, no meio ou depois do verbo. Vamos conhecê-las, então.
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
132
Para relembrar os pronomes oblíquos, átonos e tônicos, consulte o quadro
estudado anteriormente.
UNI
3.1 PRÓCLISE
Chamamos de próclise quando o pronome se posiciona antes do verbo.
Existem regras para o uso da próclise, além disso é muito importante para você,
acadêmico(a), aprendê-las. Nas mais diversas situações de escrita, nas quais se
faz necessária a linguagem padrão, precisamos utilizá-la corretamente. Vamos
conhecer algumas delas.
Usa-se a próclise depois de:
• advérbios;
• pronomes demonstrativos;
• pronomes indefinidos;
• pronomes relativos;
• conjunções subordinativas;
• preposição seguida de gerúndio e infinitivo pessoal;
• frases optativas;
• frases exclamativas;
• frases interrogativas.
DICAS
Você, acadêmico(a), recorda o que são frases optativas? Pois bem, são aquelas
que exprimem um desejo.
3.2 MESÓCLISE
Denomina-se mesóclise o fato de o pronome posicionar-se no meio do
verbo. Em duas situações é admitido o emprego da mesóclise. Vejamos:
• Verbo no futuro do presente. Ex.: Comprar-te-ei um presente. (comprarei + te)
• Verbo no futuro do pretérito. Ex.: Comprar-te-ia um presente, se tivesse dinheiro.
(compraria + te)
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS
133
DICAS
Caso você não recorde a conjugação desses tempos, consulte o item VERBOS,
estudado anteriormente neste caderno.
3.3 ÊNCLISE
A ênclise ocorre quando o pronome se encontra depois do verbo. São
justificativas para a ênclise:
• Frase iniciada com verbo. Ex.: Entregaram-me os relatórios no momento da
reunião.
• Depois de pausa. Ex.: Crianças, comportem-se!
• Verbo no infinitivo impessoal. Ex.: Irei contar-lhe tudo sobre a reunião.
134
Neste tópico você estudou que:
• As classes de palavras são dez: substantivo, adjetivo, advérbio, numeral, artigo,
preposição, conjunção, verbo, interjeição e pronome.
• O substantivo é a classe de palavras que dá nome aos seres.
• O substantivo pode se classificar em: comum, próprio, concreto e abstrato.
• O adjetivo caracteriza o substantivo.
• O adjetivo pátrio indica a localidade de origem.
• O advérbio tem a função de acompanhar e/ou modificar um verbo, um adjetivo
ou um advérbio.
• O numeral é a classe de palavra que indica a quantidade.
• O numeral divide-se em quatro tipos: cardinal, ordinal, multiplicativo e
fracionário.
• O artigo tem a função de determinar ou indeterminar o substantivo.
• Definidos e indefinidos são os tipos de artigo.
• As preposições são palavras que ligam dois termos. Elas podem ser essenciais e
acidentais.
• A conjunção é a palavra que liga duas orações.
• A conjunção divide-se em coordenativa e subordinativa.• A interjeição caracteriza-se por expressar alegria, espanto, tristeza, admiração.
• O ponto de exclamação acompanha a interjeição.
• O verbo é a classe gramatical mais variável, pois flexiona em pessoa, número,
tempo, modo e voz.
• Existem três modos verbais: indicativo, imperativo e subjuntivo.
RESUMO DO TÓPICO 1
135
• O modo indicativo divide-se entre os tempos: presente, pretérito imperfeito,
perfeito e mais-que-perfeito e futuro do presente e do pretérito.
• O modo imperativo apresenta duas divisões. São elas: imperativo negativo e
afirmativo.
• O modo subjuntivo apresenta três tempos. São eles: presente, pretérito imperfeito
e futuro.
• As vozes verbais são divididas em: passiva, ativa e reflexiva.
• Pronome é a palavra que acompanha ou substitui um nome.
• São tipos de pronomes: pessoal, tratamento, possessivo, demonstrativo,
interrogativo e relativo.
• O pronome pessoal subdivide-se em: caso reto, caso oblíquo e de tratamento.
• Empregamos os pronomes de tratamento para indicar o grau de formalidade
existente entre as pessoas do discurso.
• O pronome pode aparecer em três posições na frase.
• Próclise: pronome antes do verbo.
• Mesóclise: pronome no meio do verbo.
• Ênclise: pronome depois do verbo.
136
AUTOATIVIDADE
1 Leia a tirinha que segue:
FIGURA 31 – MAFALDA
FONTE: Disponível em: <http://www.elcabron.net/tirinhas/tirinha-mafalda-16/>. Acesso
em: 20 dez. 2011.
Agora, destaque do primeiro quadrinho do texto:
a) Os verbos. _______________________________________________________
b) Os substantivos. __________________________________________________
2 Os pronomes de tratamento indicam o grau de formalidade existente
entre as pessoas do discurso. Com base no exposto, indique o pronome de
tratamento adequado para as seguintes situações:
a) Funcionários públicos graduados. ___________________________________
b) Altas autoridades do governo. ______________________________________
c) Reis. _____________________________________________________________
d) Cardeais. _________________________________________________________
e) Reitores de universidades. __________________________________________
3 A colocação pronominal pode ocorrer de três maneiras distintas. São elas:
próclise (pronome antes do verbo), mesóclise (pronome no meio do verbo),
ênclise (pronome depois do verbo). Baseando-se nisso, escreva:
• Uma regra para cada caso.
• Elabore uma frase para exemplificar cada regra que você escreveu.
• Socialize sua resposta com a turma e seu/sua Tutor(a) Externo(a).
137
TÓPICO 2
PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Todos nós sabemos o valor do uso da pontuação e da acentuação adequada
e precisa, seja oral ou escrita.
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem para compor
a coesão e a coerência textual. Servem, também, para representar pausas,
entonação e ritmo da língua falada. Seu uso é fundamental, dado que, se utilizados
inadequadamente, podem levar a interpretações errôneas.
O mesmo acontece com a acentuação. Na Língua Portuguesa a pronúncia é
que permite ao leitor identificar o real significado das palavras. Observe a tirinha
e tire suas conclusões!
FIGURA 32 – CÁGADOS
FONTE: Disponível em: <http://www.blog.yogabraga.com/2009/05/importancia-dos-
acentos.html>. Acesso em: 17 nov. 2011.
2 O EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO
Na linguagem escrita utilizamos sinais para marcar pausas, ritmo, divisões
das ideias, relacionamento das palavras e grupos de palavras entre si, como também
os sinais que indicam a entonação na voz e melodia do texto. Esses são chamados
de sinais de pontuação e permitem à escrita maior clareza e simplicidade. Além de
pausa na fala e entonação da voz, os sinais de pontuação reproduzem, na escrita,
nossas emoções, intenções e anseios.
138
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
2.1 O PONTO
O ponto final representa a pausa máxima da voz. É empregado ao final de
frases imperativas e declarativas (afirmativas). Exemplos:
Estude para a avaliação. (frase imperativa)
Vamos redigir o relatório ainda hoje. (frase declarativa/afirmativa)
Observe o texto a seguir, que traz mais informações sobre o uso do ponto final.
Nesta unidade apresentaremos algumas das regras básicas para o uso
adequado da pontuação. Esse caderno servirá de guia durante sua caminhada
intelectual, aprimorando sua escrita e auxiliando-o(a) na elaboração de papers,
TCC, provas dissertativas, relatórios de estágio, interpretação de textos e melhor
desempenho em sua vida profissional durante a escritura e leitura de textos
escritos. Vamos começar?
Ponto Final:
O ponto tem uso ortográfico em dois casos: para indicar o fim de período
declarativo e no final de abreviaturas (ex.: Sr., a.C., V.Sa.). No primeiro caso, a
função é sintática e equivale à pausa do discurso oral. No segundo caso, trata-se
de uma convenção ortográfica para orientar a leitura e sem correspondência no
discurso oral.
O uso do ponto como indicador de fim de período se dá no corpo de texto.
Praticamente não se usa ponto com essa função em final de títulos, manchetes e
em comunicação visual, mesmo que tenhamos, nesses casos, período completo.
Se o redator desejar, o ponto pode ser substituído pelo ponto de
exclamação. Com isso, está sugerindo uma leitura mais intensa para o
período. Nas frases interrogativas, a indicação de fim de período é feita pelo
ponto de interrogação.
Se o período terminar com uma abreviatura, não se deve colocar dois
pontos seguidos, um indicando final de período e outro, abreviatura. Um ponto
é considerado suficiente para representar as duas funções. Exemplo:
Vários estados participarão do torneio: Paraná, Minas Gerais, São Paulo etc.
Algumas abreviaturas não são finalizadas com ponto, como as de unidades
métricas. São exemplos: metro (m), grama (g), Kelvin (K).
FONTE: Disponível em: <http://www.radames.manosso.nom.br/gramatica/ortografia/ponto.htm>.
Acesso em: 1 jan. 2012.
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
139
Em abreviaturas também utilizamos o ponto final (exceto em unidades de
medida: m (metros), h (horas), kg (quilogramas). Veja: Sr. (senhor), Sra. (senhora),
Srta. (senhorita), p. (página), etc. (et cetera), Cia. (companhia).
Caro(a) acadêmico(a), que tal exercitar um pouco os seus conhecimentos?
Comente a utilização de pontos no texto seguinte.
Chegaram a Lisboa ao cair da tarde, na hora em que a suavidade do céu
infunde nas almas um doce pungimento, agora se vê como tinha razão aquele
admirável entendedor de sensações e impressões que afirmou ser a paisagem
um estado de alma, o que ele não soube foi dizer-nos como seriam as vistas
nos tempos em que não havia no mundo mais que pitecantropos, com pouca
alma ainda, e além de pouca, confusa. Passados tantos milênios, e graças ao
aperfeiçoamento, já pode Pedro Orce reconhecer na melancolia aparente da
cidade a imagem fiel de sua própria tristeza íntima. Habituara-se à companhia
destes portugueses que o tinham ido procurar às inóspitas paragens onde
nascera e vivia, agora não tarda que devam separar-se, cada um para seu
lado nem as famílias resistem à erosão da necessidade, que fariam simples
conhecidos, amigos de fresca data e tenras raízes.
FONTE: SARAMAGO, José. A jangada de pedra. Porto Alegre: Companhia de Bolso, 2006. p.93.
Acesse o material de apoio para encontrar a resolução desta atividade.
UNI
2.2 DOIS-PONTOS
Os dois-pontos são empregados, na escrita, para marcar uma sensível
suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída. São empregados nos
seguintes casos:
• Para iniciar uma enumeração. Exemplo:
O computador tem a seguinte configuração:
- memória RAM 500 MB;
- HD 120 GB;
- fax-modem;
- placa de rede;
- som.
140
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUASPARTES
• Antes de uma citação. Exemplos:
“Eu lhe responderia: a vida é uma ilusão”... (A. PEIXOTO)
Como já diz a música: o poeta não morreu.
• Para iniciar a fala de uma pessoa, personagem. Exemplo:
O repórter disse: – Nossa reportagem volta à cena do crime.
• Para indicar esclarecimento, um resultado ou resumo do que já foi dito. Exemplos:
O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde.
Nota de esclarecimento: nossa empresa não envia e-mail a seus clientes.
Quaisquer informações devem ser tratadas em nosso escritório.
2.3 O PONTO E VÍRGULA
O ponto e vírgula indica uma pausa mais longa que a vírgula, porém
mais breve que o ponto final. Como o próprio nome indica, este sinal serve de
intermediário entre o ponto e a vírgula, podendo aproximar-se ora mais daquele,
ora mais desta, segundo os valores pausais e melódicos que representa no texto.
Emprega-se o ponto e vírgula nos seguintes casos:
• Para itens de uma enumeração. Exemplo:
As vozes verbais são:
a) voz ativa;
b) voz passiva;
c) voz reflexiva.
• Para aumentar a pausa antes das conjunções adversativas – mas, porém, contudo,
todavia – e substituir a vírgula. Exemplo:
Deveria entregar o documento hoje; porém só o entregarei amanhã à noite.
• Para separar orações coordenadas que já tenham vírgula em seu interior.
Exemplo:
“Não gostem, e abrandem-se; não gostem, quebrem-se; não gostem, e
frutifiquem.” (Pe. Antônio Vieira)
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
141
• Para separar orações coordenadas assindéticas, com conjunções subentendidas.
Exemplo:
Disse que não viria; veio.
• Para alongar a pausa antes de conjunções coordenativas adversativas,
substituindo a vírgula. Exemplo:
Poderia fazê-lo hoje; contudo só o farei amanhã.
Chegamos ao final da explicação de mais um sinal de pontuação. O próximo
que estudaremos é a vírgula. Esta requer muita atenção.
2.4 A VÍRGULA
A vírgula marca uma pequena pausa e deve indicar uma mudança na
entonação. Ela é usada nos seguintes casos:
• Para separar o nome de localidades das datas. Exemplo:
Indaial, 14 de janeiro de 2012.
Salvador, 24 de dezembro de 2011.
Capivari de Baixo, 25 de março de 2011.
A vírgula significa “varinha”. Foi daí que surgiu o pequeno traço.
NOTA
• Para separar o vocativo. Exemplo:
“Oremos, Maria, porque eu quero agradecer ao Divino Criador sua proteção
sobre esta casa.” (Cornélio Penna)
Senhor, eu preciso que você envie a ata da reunião com antecedência.
142
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
ATENCAO
Caro(a) acadêmico(a), você recorda o que é VOCATIVO? Então, vamos
conceituar. Vocativo é um termo que não possui relação sintática com outro termo da oração.
Não pertence, portanto, nem ao sujeito nem ao predicado. É o termo que serve para chamar,
invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético. Por seu caráter, geralmente se relaciona à
segunda pessoa do discurso.
• Para separar o aposto. Exemplo:
Pelé, o rei do futebol, é um grande ídolo para muitos jogadores.
Brasília, capital da república, fundou-se em 1960.
Brasil, um dos maiores países do mundo, tem parte da população que vive em baixas
condições.
ATENCAO
APOSTO é um termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal
para explicá-lo ou especificá-lo melhor.
• Para separar expressões explicativas ou retificativas, tais como: isto é, aliás, além,
por exemplo, além disso, então. Exemplos:
O sistema precisa de proteção, isto é, de um bom antivírus.
[...] além disso, precisamos de alunos conscientes.
Os visitantes viajaram ontem, aliás, anteontem.
• Para separar orações coordenadas assindéticas. Exemplos:
“Os anos vieram, / o menino crescia, / as esperanças maternas de D. Carmo iam
morrendo.” (Machado de Assis)
Abriu a janela vagarosamente, / sentiu o vento, / foi até a sala, / adormeceu
em paz.
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
143
ATENCAO
Oração coordenada assindética é aquela colocada justaposta, ou seja, uma ao lado
da outra, sem qualquer conectivo que as enlace.
• Para separar orações coordenadas sindéticas, desde que não sejam iniciadas por
e, ou, nem. Exemplo:
“Nas horas nobres deitava no chão, cruzava as mãos debaixo da cabeça e ficava
olhando as nuvens...” (Lygia Fagundes Telles)
ATENCAO
ATENÇÃO! Oração coordenada sindética é aquela ligada por uma conjunção
coordenativa. No exemplo a conjunção coordenativa é a vogal “e”.
• Para separar orações adjetivas explicativas. Exemplos:
O motorista, que fumava nervosamente, ficou quieto.
As crianças, que gostam de pular, divertiram-se muito.
ATENCAO
Oração adjetiva explicativa é aquela que acrescenta ao antecedente uma
qualidade acessória, isto é, esclarece a qualidade ou a sua significação. No exemplo anterior, a
oração adjetiva explicativa é introduzida pelo pronome relativo “que”.
• Para separar o adjunto adverbial. Exemplo:
Com a pá, retirou a sujeira.
144
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
ATENCAO
Adjunto adverbial é o termo da oração que indica uma circunstância (dando
ideia de tempo, lugar, modo, causa, finalidade etc.). O adjunto adverbial é o termo que modifica
o sentido de um verbo, de um adjetivo ou de um advérbio. No exemplo anterior, o adjunto
adverbial indica modo.
• Para separar termos da mesma função sintática. Exemplos:
Gostava dos amigos, da cidade, das coisas.
Crianças, jovens e idosos participaram do manifesto contra a violência.
• Para separar elementos paralelos de um provérbio. Exemplos:
Tal pai, tal filho.
Casa de ferreiro, espeto de pau.
Quanto maior a nau, maior a tormenta.
Segundo o Dicionário Houaiss (2008, p. 709), um provérbio é: “sentença popular,
com poucas palavras; máxima, adágio, ditado”.
NOTA
Vale ressaltar que, em alguns casos, é proibido o uso da vírgula. São eles:
• Entre o sujeito e o verbo de uma oração. Exemplo:
Alguns administradores estiveram no Congresso.
Note que o emprego de uma vírgula entre o sujeito (Alguns administradores)
e o verbo (estiveram) não seria admissível, pois comprometeria a lógica estabelecida na
relação sujeito-verbo.
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
145
• Entre o verbo de uma oração e seus complementos. Exemplo:
Alguns jovens ganharam um prêmio.
Perceba, acadêmico(a), que o emprego de uma vírgula entre o verbo
(ganharam) e o objeto direto (um prêmio) não seria cabível, pois comprometeria a
lógica estabelecida nesta relação - verbo e objeto direto.
Leia o trecho do texto que segue, o qual faz referência sobre a importância da
vírgula nos textos escritos. Você perceberá que a falta dela ou o uso inadequado podem
gerar informações distintas.
A vírgula pode ser uma pausa ou não. Não, espere. Não espere. Ela
pode sumir com o seu dinheiro. Pode ser autoritária. Aceito, obrigado. Aceito
obrigado. Pode criar heróis. Isso só, ele resolve. Isso só ele resolve. A vírgula
muda uma opinião. Não queremos saber. Não, queremos saber...
FONTE: Disponível em: <http://www.terminologia.com.br/2010/01/24/aimportancia-da-virgula/>.
Acesso em: 20 nov. 2011.
Agora que já entendemos o importante papel que este sinal de pontuação
assume em textos escritos, vamos adiante?
2.5 O PONTO DE INTERROGAÇÃO
É utilizado ao fim de uma palavra, oração ou frase, indicando uma pergunta
direta. Exemplos:
Quem é você?
Por que não me disseram nada sobre o caso?
O ponto de interrogação não deve ser usado nas perguntas indiretas.
Exemplo:
Perguntei a você quem estava no quarto.
Atenção! Compare: - Quem chegou? [= interrogação direta]
- Diga-me quem chegou. [= interrogação indireta]
146
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
2.6 O PONTO DE EXCLAMAÇÃO
É usado no fim de frases exclamativas, depois de interjeições ou do
imperativo.Exemplos:Ah! Não se esqueça de trazer o material amanhã! (FRASE EXCLAMATIVA)
Nossa! Que lindo seu trabalho! (INTERJEIÇÃO)
Coração, para! Ou refreia, ou morre! (A. de Oliveira) (IMPERATIVO)
Leia a tirinha que segue, nela encontramos mais exemplos do emprego do
ponto de exclamação.
FIGURA 33 - TIRINHA
FONTE: Disponível em: <http://mariabobrinha.blogspot.com/2008/04/melhor-tirinha-dos-
ltimos-tempos.html>. Acesso em: 24 nov. 2011.
2.7 AS RETICÊNCIAS
Este sinal de pontuação marca uma suspensão na frase, devido, muitas
vezes, a elementos de natureza emocional. Dito em outras palavras, as reticências
indicam uma interrupção ou suspensão na sequência normal da frase. São usadas
nos seguintes casos:
• Para indicar suspensão ou interrupção do pensamento. Exemplos:
Estava digitando quando...
Guiava tranquilamente quando passei pela cidade e...
• Para marcar suspensões provocadas por hesitações, surpresa, dúvida e timidez,
comuns na língua falada. Exemplos:
Fiador... para o senhor?! Ora!... (G. AMADO)
Falaram todos. Quis falar... Não pude...
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
147
Baixei os olhos... e empalideci... (A.TAVARES)
• Para indicar movimento ou continuação de um fato. Exemplo:
E as pessoas foram entrando...
2.8 AS ASPAS
São empregadas nos seguintes casos:
• Citações. Exemplo:
“São Crisóstomo, dai-me paciência para olhar sem nojo a grosseria dos
trocadores de ônibus, a arrogância dos automóveis de chapa branca, a antipatia
dos “chauffers” à hora do “rush”, e outras calamidades”. (Manuel Bandeira)
• Na representação de nomes de livros e legendas. Exemplos:
Já li “O Ateneu”, de Raul Pompéia.
“Os Lusíadas”, de Camões, têm grande importância literária.
• Para destacar palavras que representem estrangeirismo, vulgarismo, ironia.
Exemplos:
O “slogan” anunciava... (Nestor de Holanda. Gente engraçada)
O espetáculo de música “pop” estava uma “curtição”.
João, com seus 90 quilos, está “fraquinho”...
2.9 O TRAVESSÃO
Este sinal de pontuação é utilizado:
• Para indicar a mudança de interlocutor nos diálogos.
– Por que você não toca? – perguntei.
– Eu queria, mas tenho medo.
– Medo de quê?... (José J. Veiga. Os cavalinhos de Platiplanto)
Neste exemplo, você pode perceber que a mudança de interlocutor é
indicada através do uso do travessão, certo? Em outro gênero literário (histórias
em quadrinhos), a mudança de interlocutor é marcada através da mudança de
balões. Veja:
148
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
FIGURA 34 – TURMA DA MÔNICA
FONTE: Disponível em: <http://vivianekopereck.blogspot.com/2011/05/historia-em-
quadrinho.html>. Acesso em: 20 nov. 2011.
• Para isolar a fala da personagem da fala do narrador. Exemplo:
– Que deseja agora? – gritou-lhe afinal, a voz transtornada.
– Já não lhe disse que não tenho nada a ver com suas histórias? (Fernando
Sabino)
• Para destacar ou isolar palavras ou expressões no interior das frases. Exemplo:
Grande futuro? Talvez naturalista, literato, arqueólogo, banqueiro, político,
ou até bispo – bispo que fosse –, uma vez que fosse um cargo... (Machado de Assis)
2.10 O ASTERISCO
O asterisco, sinal gráfico em forma de estrela, costuma ser empregado nos
seguintes casos:
• Nas remissões a notas ou explicações contidas em pé de páginas ou ao final de
capítulos. Exemplo:
Ao analisarmos as palavras sorveteria, sapataria, confeitaria, leiteria e
muitas outras que contêm o morfema preso* -aria e seu alomorfe -eria, chegamos
à conclusão de que este afixo está ligado a estabelecimento comercial. Em alguns
contextos, pode indicar atividades, como em: bruxaria, gritaria, patifaria etc.
* É o morfema que não possui significação autônoma e sempre aparece ligado a outras palavras.
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
149
2.11 OS PARÊNTESES
Este sinal de pontuação tem a função de intercalar, no texto, qualquer
indicação acessória. É geralmente utilizado nos seguintes casos:
• Na separação de indicação de ordem explicativa. Exemplo:
Predicado verbo-nominal é aquele que tem dois núcleos: o verbo (núcleo verbal)
e o predicativo (núcleo nominal).
• Na separação de um comentário ou reflexão. Exemplo:
Os escândalos estão se proliferando (a imagem política do Brasil está manchada) por
todo o país.
• Para separar indicações bibliográficas. Leia o poema que segue, ele será nosso
exemplo:
Pra que partiu?
Estou sentado sobre a minha mala
No velho bergantim desmantelado...
Quanto tempo, meu Deus, malbaratado
Em tanta inútil, misteriosa escala!
(Mario Quintana, A Rua dos Cata-Ventos, Porto Alegre, 1972).
2.12 COLCHETES
Os colchetes têm a mesma finalidade que os parênteses. Todavia, seu
uso fica restrito aos escritos de cunho didático, filológico e científico. Pode ser
empregado:
• Em definições do dicionário, para fazer referência à etimologia da palavra.
Exemplo:
amor- (ô). [Do lat. amore.] 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de
outrem, ou de alguma coisa: amor ao próximo; amor ao patrimônio artístico de sua
terra. (Novo Dicionário Aurélio)
• Para intercalar palavras ou símbolos não pertencentes ao texto. Exemplo:
Em Aruba se fala o espanhol, o inglês, o holandês e o papiamento. Aqui
estão algumas palavras de papiamento que você, com certeza, vai usar:
1- Bo ta bon? [Você está bem?]
2- Dios no ta di Brazil. [Deus não é brasileiro.]
150
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
Depois de conhecermos detalhadamente os sinais de pontuação e suas funções,
observe o texto que segue. Os sinais de pontuação foram omitidos propositalmente.
Para você, qual a pontuação correta? De que forma você pontuaria o fragmento que
segue? Reescreva-o e depois socialize o resultado com a turma. Você perceberá que o
sinal de pontuação pode mudar todo o sentido conforme for empregado.
Um homem rico estava muito mal. Pediu papel e pena, escreveu assim:
“deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a
conta do alfaiate nada dou aos pobres” (autor desconhecido)
Morreu antes de fazer a pontuação. A quem ele deixou a fortuna?
• Para inserir comentários e/ou observações em textos já publicados. Exemplo:
Machado de Assis escreveu muitas cartas a Sílvio Dinarte. [pseudônimo de
Visconde de Taunay, autor de “Inocência”]
• Para indicar omissões de partes na transcrição de um texto. Por exemplo:
“É homem de sessenta anos feitos [...] corpo antes cheio que magro, ameno
e risonho.” (Machado de Assis)
ATENCAO
As regras gramaticais nem sempre coincidem com as normas da ABNT com
relação às referências bibliográficas. É preciso estar atento(a)! O exemplo anterior, segundo
a ABNT, pelo sistema autor-data, ficaria assim, hipoteticamente: “É homem de sessenta anos
feitos [...] corpo antes cheio que magro, ameno e risonho.” (ASSIS, 1956, p. 24).
3 A ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS
Na língua escrita, existem sinais que acompanham as letras. Tais sinais
estão relacionados à pronúncia das palavras. O acento gráfico é um destes sinais e
possui três nomenclaturas. São elas:
• agudo (´);
• circunflexo (^);
• grave (`).
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
151
Antes de iniciarmos o estudo da acentuação gráfica, devemos conhecer a
sílaba tônica das palavras. Todas as palavras da língua portuguesa apresentam
uma sílaba mais forte. Sílaba tônica é aquela pronunciada com mais intensidade,
mais força. As demais sílabas de uma palavra são chamadas átonas.
Só existe uma sílaba tônica em cada palavra. Por exemplo: na palavra
cadeira, a sílaba tônica é a penúltima (dei); as outras, (ca) e (ra), são átonas. Na
língua portuguesa, a sílaba tônica só pode ocorrer nas três últimas sílabas (sempre
contadas de trás para frente): quando ocorre na última é chamada de oxítona; na
penúltima, de paroxítona; e na antepenúltima, de proparoxítona.Vamos conhecer
as particularidades de cada classificação.
3.1 A CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A TONICIDADE
DAS SÍLABAS
Como vimos, de acordo com a classificação da sílaba tônica, as palavras
podem ser classificadas em: oxítona, paroxítona e proparoxítona. Vejamos
exemplos:
Pa-le-tó (última) - oxítona
Pa-li-to (penúltima) - paroxítona
Pá-li-do (antepenúltima) - proparoxítona
Em todos os exemplos mencionados temos palavras com mais de uma
sílaba. Existem, todavia, em nossa língua, palavras com uma única sílaba. São os
chamados monossílabos, que podem ser tônicos ou átonos. Confira:
Monossílabos tônicos: são independentes e possuem a mesma força das
sílabas tônicas. Ex.: há, pá, pó, lês.
Monossílabos átonos: precisam de outras palavras que lhes deem suporte,
pois não são independentes e se parecem com sílabas átonas. Além disso, não têm
sentido quando usadas de forma isolada. Fazem parte desse grupo os artigos,
pronomes oblíquos, preposições, junções de preposições e artigos, conjunções,
pronome relativo que. Ex.: o, a, os, as, lhe, com etc.
Agora que já sabemos o que é tonicidade e que, conforme a posição da
sílaba tônica, as palavras podem ter classificações diferentes, veremos em quais
situações devemos acentuar as palavras. Preparado(a)? Então, vamos em frente!
152
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
ATENCAO
Nem todas as palavras da nossa língua são acentuadas. Apesar de existirem
palavras que não levam acento, elas possuem sílaba tônica. Veremos adiante em que ocasiões
devemos acentuar as palavras, conforme algumas regras, mas lembre-se de que, quando uma
palavra recebe acento, este deve ser colocado necessariamente na sílaba tônica.
As regras de acentuação gráfica relacionam-se ao emprego dos acentos
agudo e circunflexo. Veja a seguir as regras de acentuação gráfica das palavras
proparoxítonas, paroxítonas e oxítonas.
Proparoxítonas: todas as palavras levam acento. Ex.: sábado, elétrico,
música, matemática, límpido, lúcido, lâmpada, fôlego, excêntrico, gênio, crânio,
sílaba etc.
Paroxítonas: acentuam-se todas as palavras paroxítonas com a seguinte
terminação:
• L – amável, louvável, túnel...
• N – elétron, próton, hífen...
• R – açúcar, câncer...
• X – ônix, tórax, xérox...
• Ps – bíceps, tríceps, fórceps...
• us – vírus, bônus, ânus...
• ã(s) – órfã, ímã...
• ão(s) – bênção, órfãos, órgãos...
• ei(s) – pônei, jóquei...
• i(s) – táxi, júris, tênis...
• um, uns – bônus, álbum, álbuns...
• Ditongo crescente – sério, ânsia, mágoa...
Oxítonas: acentuam-se todas as palavras oxítonas terminadas em:
• a(s) – Pará, sofás, babá...
• e(s) – café, chulé, boné, pontapé...
• o(s) – jiló, avó, avôs...
• em, ens – também, parabéns, alguém...
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
153
ATENCAO
Muitas pessoas costumam acentuar palavras oxítonas terminadas em “U”. Lembre-
se! Oxítonas terminadas em “U” não são acentuadas. Portanto, as palavras: angu, anu, Aracaju,
babaçu, belzebu, bambu, iglu, Iguaçu, inhambu, Itaipu, Itu, jaburu, jacu, peru, pirarucu, surucucu,
tatu e tantas outras não recebem acento.
O Acordo Ortográfico de 1991 (uso oficial no início de 2012) permitiu o uso tanto
do acento agudo quanto do circunflexo nos casos de vogais finais tônicas e e o em posição
final de sílaba, seguidas de m ou n, das palavras paroxítonas e proparoxítonas. No Brasil usa-se
o circunflexo e em Portugal, agudo. Ex.: ônix/ónix, acadêmico/académico.
NOTA
Além destas regras, existem outras muito importantes, e devem ser
estudadas. Vejamos:
• Regra do U e do I: as palavras em que a vogal I ou U estiverem sozinhas na sílaba
ou acompanhadas de S, forem a sílaba tônica e formarem um hiato com a vogal
anterior, devem ser acentuadas. Ex.: sa-ú-de, ca-ís-te, ra-í-zes, Cam-bo-ri-ú.
Hiato é o encontro de dois sons vocálicos pronunciados em sílabas separadas.
Ex.: escoar (es-co-ar), traído (tra-í-do).
NOTA
• Regra do U e do I: não há acento no I e U tônico dos hiatos quando vierem
precedidos de ditongo. Ex.:
ANTES do Acordo AGORA
Bocaiúva Bocaiuva
feiúra feiura
154
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
Ditongo é o encontro de dois sons vocálicos na mesma sílaba.
UNI
• Regra do U e do I: não devem ser acentuadas as palavras em que o I e U forem
tônicos, porém sucedidos de NH. Ex.: ba-i-nha, ta-i-nha, ra-i-nha.
• Regra dos hiatos: quando a palavra paroxítona terminar em hiato OO e EE, o
acento não deve mais existir. Ex.: voo, enjoo, leem, creem.
4 CRASE
A crase é um fenômeno fonético que corresponde à união do a preposição
com o a artigo, ou ainda os pronomes demonstrativos a, aquele, aquela. Quando
ocorre essa união, devemos indicá-la com o acento grave. Existem regras para o
uso correto do acento grave. Para melhor explicação e visualização, dispomo-las
em um quadro, que segue:
CASOS OBRIGATÓRIOS USO IMPRÓPRIO DA CRASE
Diante de nome feminino acompanhado de
artigo.
Diante de nomes masculinos.
Diante de nomes de cidade e países particu-
larizados.
Antes de verbo.
Diante de demonstrativos começados por a. Antes de palavras de sentido indefinido.
Nas locuções formadas por nomes femininos.
Antes da palavra casa, quando significar lugar
onde o falante mora.
Diante de pronomes possessivos que se refe-
rem a substantivo oculto.
Antes da palavra terra, no sentido de chão firme.
Antes de palavras tomadas em sentido geral.
Nas expressões de palavras repetidas.
Antes de pronomes pessoais de tratamento.
QUADRO 23 - CRASE
FONTE: As autoras
Estas são as regrinhas para o uso da crase, no entanto, nem sempre é simples
identificar se a palavra admite ou não o artigo. No caso de nomes de lugares, uma
maneira prática de identificar a crase (fusão de a + a) é construindo uma frase com
o verbo voltar. Ficou complicado? Vamos ver um exemplo:
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
155
5 HÍFEN
Iniciamos agora mais uma etapa de estudos. Apresentamos a seguir as
regras da hifenização. Veremos uma a uma, seguidas de exemplos para facilitar
e aprimorar sua escrita. Este caderno será, durante sua caminhada intelectual,
uma ferramenta indispensável e de constante consulta, deixando-o(a) mais seguro
na sua escrita, durante a produção de trabalhos, elaboração de e-mails, relatórios,
atas, ofícios e demais documentos presentes em sua vida acadêmica, pessoal e
profissional. Vamos iniciar?
a) Em locuções: em geral, não recebem hífen, sejam substantivas, adjetivas
pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais. Exemplos:
• Locuções substantivas: ponto e vírgula, fim de semana, sala de jantar, comum de
dois.
• Locuções adjetivas: à toa, cor de café com leite.
• Locuções pronominais: ele próprio, quem quer que seja, nós mesmos.
• Locuções adverbiais: à vontade, a olhos vistos, tão somente.
Fui a Indaial.
Voltei de Indaial. Note que a preposição de não admite artigo.
Fui à Bahia.
Voltei da Bahia. Neste caso, a preposição da é formada pela preposição de + a,
logo, ocorre a fusão de a + a. Sendo assim, há o emprego do acento grave.
Existem ainda casos em que o emprego da crase é facultativo. São eles:
• Antes de nomes femininos referentes a pessoas. Ex.:
Quando questiono problemas sobre a empresa, refiro-me a Ariane.
Quando questiono problemas sobre a empresa, refiro-me à Ariane.
• Antes de pronomes possessivos femininos. Ex.:
A felicidade está relacionada a nossa capacidade de colocar-se no lugar do outro.
A felicidade está relacionada à nossa capacidade de colocar-se no lugar do outro.
Para usar corretamente o sinal grave (indicativo de crase), é necessário
atenção. Agora convido você a iniciar o estudo sobre a hifenização!
156
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
girassol paraquedas
pontapé mandachuva
• Locuções prepositivas: por cima de, abaixo de,a cerca de, apesar de.
• Locuções conjuncionais: ao passo que, logo que, por conseguinte.
Caro(a) acadêmico(a)! Vimos que as locuções, em geral, não recebem hífen.
Em algumas delas, porém, o uso do hífen tornou-se consagrado e permaneceu,
mesmo depois da última reforma ortográfica. São elas: cor-de-rosa, mais-que-
perfeito, água-de-colônia, arco-da-velha, pé-de-meia, à queima-roupa, ao deus-dará.
Agora, vamos em frente! Falaremos das palavras compostas. Estas serão
escritas aglutinadamente apenas em alguns casos.
b) Em compostos:
• Serão escritas aglutinadamente (sem hífen) palavras compostas que perderam a
noção de composição. Exemplos:
blá-blá-blá zigue-zague
lenga-lenga zás-trás
Bom, até aqui tudo certo, não é mesmo? Agora, vamos conhecer as regras da
hifenização nas formações com prefixos. Nessas formações, as regras apresentam-
se mais detalhadas. São vários os casos, precisamos conhecê-los separadamente.
c) Em formações com prefixos:
• Devemos hifenizar quando a palavra é formada por um prefixo ou (falso prefixo)
terminado por vogal igual à vogal que inicia o segundo elemento. Exemplos:
anti-ibérico contra-assalto
anti-iluminismo micro-ondas
auto-ônibus sobre-estimar
semi-improviso sobre-exposição
• Usa-se o hífen em compostos com elementos repetidos, alternadamente ou não.
Exemplos:
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
157
FALSOS PREFIXOS são elementos de composição que ora funcionam como
radicais, ora como prefixos. Como exemplos, podemos citar: mal, proto, auto, contra, semi,
pseudo, infra, neo, entre outros.
NOTA
Leia a tirinha em destaque, da Turma do Português.
FIGURA 35 – TURMA DO PORTUGUÊS
FONTE: Disponível em: <http://escola.previdencia.gov.br/dicas/dica19.html>. Acesso em:
14 nov. 2011.
• Não devemos hifenizar quando o primeiro elemento termina por vogal diferente
daquela que inicia o segundo elemento. Exemplos:
aeroespacial antialcoólico
autoescola extraescolar
infraestrutura infraumbilical
plurianual pluriocular
• Nos casos em que o segundo elemento iniciar pela mesma consoante dos prefixos,
hiper, inter, sub e super devemos escrever com hífen. Exemplos:
hiper-realista inter-relação
sub-base super-regeneração
158
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
• Usa-se o hífen, nos casos de “sub” e “sob”, também diante de palavra iniciada
por “r”. Exemplos:
sub-região sub-reitor
sub-regional sob-roda
Seguindo, temos as palavras iniciadas com H. Estas devem seguir as regras:
• Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos:
anti-higiênico anti-histórico
auto-hemoterapia contra-habitual
macro-história super-homem
• Com prefixos acentuados graficamente como: pós, pré e pró, e seguidos de
palavras independentes, usa-se o hífen. Exemplos:
pós-classicismo pré-contratação
pós-data pré-medicação
pró-forma pró-homem
• Não se usa o hífen quando o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar
por r ou s. Neste caso, dobram-se essas letras. Exemplos:
minissaia antirracismo
ultrassom semirreta
• Usa-se o hífen com os prefixos circum e pan diante de palavra iniciada por “m”,
“n”, “h” e “vogal”. Exemplos:
circum-murado circum-navegação
pan-americano pan-hidrômetro
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN
159
• Os prefixos co, pro, pre e re unem-se ao segundo elemento, mesmo quando este
inicia com “o” e “e”. Exemplos:
coacusado cocontratado
preexistente prodivisão
reeleição reescrever
Note que, neste caso, os prefixos pro e pre não estão acentuados graficamente,
portanto são escritos aglutinadamente (junto).
UNI
• Quando o primeiro elemento é um dos prefixos ex, sota, soto, vice, usa-se o hífen.
Exemplos:
ex-voto sota-embaixador
soto-general vice-tutor
• Não devemos usar o hífen em palavras em que o primeiro elemento termina com
consoante e o segundo inicia com vogal. Exemplos:
hiperárido interacadêmico superácido
Outra dica importante em se tratando de hifenização é de que não devemos
hifenizar vocábulos que tragam o NÃO com função prefixal. Observe alguns
exemplos:
não agressão não violência não participação
160
Neste tópico você estudou que:
• Os sinais de pontuação são recursos próprios da língua escrita.
• Não possuem critérios rígidos a serem seguidos.
• O ponto final representa a pausa máxima da voz.
• O ponto de interrogação é usado ao final das interrogações diretas.
• O ponto de exclamação é empregado ao final de frases exclamativas e/ou
imperativas.
• A vírgula marca uma pequena pausa.
• Separar datas, vocativo, aposto e elementos de um provérbio são funções da
vírgula.
• O ponto e vírgula marca uma pausa menos longa que o ponto final e mais longa
que a vírgula.
• Os dois-pontos marcam uma sensível suspensão da voz numa frase não
concluída.
• As reticências são empregadas para realçar uma palavra ou expressão.
• Nas citações empregamos as aspas.
• Os parênteses intercalam, no texto, informação acessória.
• Usa-se o travessão para evidenciar palavras.
• A classificação das palavras se dá por meio da sílaba tônica.
• As oxítonas são palavras que possuem a última sílaba tônica.
• As paroxítonas são palavras que possuem a penúltima sílaba tônica.
• As proparoxítonas são palavras que possuem a antepenúltima sílaba tônica.
• Todas as palavras proparoxítonas da língua portuguesa recebem acento gráfico.
RESUMO DO TÓPICO 2
161
• Não existe, na língua portuguesa, palavra acentuada além da antepenúltima
sílaba.
• Ditongo é o encontro de duas vogais na mesma sílaba.
• Hiato é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes.
• Tritongo é o encontro de três vogais na mesma sílaba.
• A crase é a fusão de a + a.
• Grave é o nome do acento indicativo de crase.
• Não se utiliza crase diante de nomes masculinos.
• Antes das palavras: distância, terra e casa não se deve utilizar acento grave.
• Deve-se empregar a crase diante de palavras femininas acompanhadas de artigo.
• Antes de verbo não devemos utilizar o acento grave.
• O hífen é utilizado na separação das sílabas.
• Utiliza-se a hifenização para separar os verbos dos pronomes oblíquos átonos.
• Falso prefixo é um elemento de composição que funciona como radical ou
prefixo.
• As locuções, em geral, não devem ser hifenizadas.
162
AUTOATIVIDADE
1 Sobre a acentuação das palavras e de acordo com as regras estudadas, acentue,
se necessário, as palavras abaixo e, em seguida, explique e justifique por que
tal vocábulo deve ou não receber acento gráfico.
a) social: _____________________________________________________________
b) historia: ___________________________________________________________
c) geleia: _____________________________________________________________
d) enjoo:______________________________________________________________
e) juizes:______________________________________________________________
f) carater:_____________________________________________________________
2 Sobre o uso do acento grave (indicativo de crase), indique em qual(is)
alternativa(s) ocorre a crase (fusão de a + a).
a) Começaram a chorar assim que souberam.
b) Usava chapéu a Santos Dumont.
c) Comprava a prazo e vendia a vista.
d) Dirigi-me a Vossa Excelência.
e) Vou a terra de meus pais.
3 Vamos colocar em prática o que você aprendeu sobre a hifenização. Nas
formações com prefixos e com falsos prefixos, usaremos o hífen somente em
alguns casos. Assinale a forma correta e explique o uso ou não uso do hífen.
a) ( ) autorretrato: ____________________________________________________
b) ( ) automedicação: _________________________________________________
c) ( ) contraindicação: ________________________________________________
d) ( ) contrassenso: ___________________________________________________
e) ( )extraoficial: _____________________________________________________
f) ( ) infraassinado: __________________________________________________
g) ( ) infrarrenal: _____________________________________________________
h) ( ) intrauterino: ____________________________________________________
i) ( ) neoamburguês: _________________________________________________
163
TÓPICO 3
LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES
NA ESCRITURA DE UM TEXTO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Pode-se dizer que a escrita está diretamente relacionada à fala. O processo
de escrita é uma experiência única, individual e dialógica. É individual e única
porque a escritura de um texto provoca escolhas individuais quanto ao que e como
se quer dizer. É dialógica porque se escreve relacionando a nova ideia a ideias já
escritas ou lidas.
Além do contexto exposto, escrever implica o domínio de determinados
procedimentos, como o de planejar o que vai ser escrito, redigir o que foi planejado,
revisar o que foi redigido e reescrever o que foi produzido e revisado. Ainda se
deve prestar atenção a expressões ambíguas ou ao uso de palavras estrangeiras,
entre outras ocorrências.
Assim, vamos estudar a partir de agora alguns importantes itens na
elaboração da escritura de um bom texto. Vale a pena continuar e verificar!
2 AMBIGUIDADE
A ambiguidade consiste na duplicidade de sentido e, acredite, nem
sempre ela é um problema. Muitas vezes a ambiguidade é fruto de uma intenção
determinada e clara, encontrada especialmente em textos publicitários e
humorísticos. Em outras ocasiões, porém, ela surge sem que seja desejada e pode
até causar algum tipo de constrangimento.
Observe os textos:
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
164
Texto 2
O garçom pergunta a um sujeito que entra no bar:
– O senhor, o que toma?
Ele responde:
– Eu tomo uma boa vitamina pela manhã, remédio para combater minha
dor nas costas e, aos sábados, uma cervejinha com os amigos.
– Acho que o senhor não me entendeu – diz o garçom. O que eu perguntei
é o que o senhor gostaria!
– Ah, bom! Eu gostaria de ser rico, de ter uma casa na praia, de viajar
bastante...
– O que eu quero saber é o que o senhor quer para beber! – diz o garçom,
já irritado.
– Ah, bom! Vamos ver... que é que você tem?
– Eu? Nada, não, só um pouco chateado porque o meu time perdeu, o
salário daqui é muito baixo, eu estou me sentindo sozinho...
FONTE: Disponível em: <http://www.google.com.br/
imgres?q=ambiguidade+na+publicidade>. Acesso em: 7 dez. 2011.
Texto 1
FONTE: CARNEIRO, Agostinho Dias. Redação em construção. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2011.
No texto 1 você pode notar que a ambiguidade foi intencional, ou seja, no
texto publicitário foi explorado o duplo sentido com a intenção de despertar, no
interlocutor, a devida atenção.
FIGURA 36 - PROPAGANDA
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO
165
No texto 2 a ambiguidade surgiu sem ser desejada, ou seja, não era
intencional num primeiro momento. Podemos dizer então que a ambiguidade é
um vício de linguagem muito encontrado em textos publicitários e humorísticos.
Ambiguidade, como vimos, significa duplo sentido. Você sabia que ela tem outro
nome? Isso mesmo, anfibologia é um sinônimo da palavra ambiguidade.
NOTA
Leia as frases que seguem:
A caixa caiu perto do supermercado.
Comprou balas perto da praia.
Suas ações lhe trouxeram muitos bens.
Note que as palavras em negrito podem deixar o enunciado dúbio. Na
primeira frase, quem caiu? A caixa (embalagem) ou a mulher que trabalha na caixa
registradora? É essa dupla interpretação que se chama ambiguidade. Normalmente
os contextos linguístico e situacional indicam qual a interpretação correta. Agora
descubra a ambiguidade presente nas demais frases acima.
3 ESTRANGEIRISMOS
Entende-se por estrangeirismos palavras e expressões de línguas
estrangeiras utilizadas cotidianamente em um país onde a língua oficial é outra,
como no caso do Brasil: o uso do inglês “misturado” com a Língua Portuguesa.
É importante notar que a língua está em constante modificação. A própria
evolução dos costumes, das ideias, enfim, da vida social de modo geral, estabelece a
criação de novas palavras e formas de dizer certos vocábulos. Na definição de Silva
Neto (1963, p. 17-18), a língua:
[...] é um produto social, é uma atividade do espírito humano. Não
é, assim, independente da vontade do homem, porque o homem não
é uma folha seca ao sabor dos ventos veementes de uma fatalidade
desconhecida e cega. Não está obrigada a prosseguir na sua trajetória,
de acordo com leis determinadas, porque as línguas seguem o destino
dos que as falam, são o que delas fazem as sociedades que as empregam.
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
166
Novas palavras são instituídas como produto da dinâmica social e
incorporadas ao idioma inúmeras expressões de origem estrangeira – os
estrangeirismos, que vêm para indicar ou explicar realidades não contempladas
no repertório da língua portuguesa.
Vamos conhecer o uso de estrangeirismo em nosso cotidiano, através da
tirinha que segue:
FIGURA 37 - MAFALDA
FONTE: Disponível em: <http://visaouniversitaria.files.wordpress.com/2007/05/
tirinha.jpg>. Acesso em: 14 nov. 2011.
O problema do abuso de estrangeirismos, muitas vezes inúteis ou deslocados
do seu contexto, é normalmente causado ou pelo desconhecimento da riqueza
vocabular de nossa própria língua, ou pela incorporação acrítica do estrangeirismo.
Lembre-se, acadêmico(a), ao utilizar palavras estrangeiras elas devem ser grafadas
em itálico.
UNI
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO
167
4 PLEONASMO
Você já ouviu alguém falando: entrar para dentro, subir pra cima, hemorragia
de sangue, goteira no teto, certeza absoluta ou ainda prefeitura municipal? Pois
bem, essas expressões são vícios de linguagem e não são aceitas na norma culta
da língua portuguesa. O pleonasmo pode ocorrer por descuido da norma culta ou
para enfatizar uma expressão.
Observe:
FIGURA 38 – PLEONASMO
FONTE: Disponível em: <http://aprendendocomocotoco.blogspot.com/2010/08/
pleonasmotipo-de-figura-de-linguagem.html>. Acesso em: 14 nov. 2011.
Perceba, acadêmico(a), que pleonasmo é a repetição desnecessária de uma
informação. Na tirinha em questão o paciente relata que está com uma dor que
dói. A repetição da palavra “dói” é desnecessária, visto que “dor” dá conta de
transmitir a mensagem.
DICAS
Acadêmico(a), se você quiser saber mais sobre pleonasmo, assista ao vídeo OS
MELHORES DO MUNDO – Assalto. Nele, de uma forma descontraída, você terá mais alguns
exemplos desse vício de linguagem. Acesse o link <http://www.youtube.com/watch?v=XWxAlt
A1J14&feature=related>.
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
168
5 EXPRESSÕES
Você certamente já teve dúvidas ao utilizar algumas expressões, não
é mesmo? Pois bem, neste momento pretendemos dirimi-las de uma maneira
simples e prática a fim de contribuir em sua vida pessoal e profissional, quando
em momentos de escrita.
Salientamos novamente a importância de grafar as palavras de acordo com
a norma padrão da língua portuguesa, pois dessa forma diminuímos as chances
de equívoco e efetivamos positivamente o ato da comunicação. Convido você
a conhecer as regras para o uso de cada expressão, que virá acompanhada de
exemplos para melhor compreensão.
5.1 USO DOS PORQUÊS
Existem quatro diferentes maneiras de grafar o porquê. Observe:
• Porque: a palavra adquire esta grafia quando é empregada como conjunção
explicativa ou causal. Veja:
Não chores, porque é pior. (porque = pois, conjunção explicativa)
Faltou ao trabalho porque estava em reunião. (porque = conjunção causal)
• Porquê: é escrito dessa maneira quando empregado como substantivo.Sendo
assim, significa motivo, razão ou causa, e geralmente aparece acompanhado de
determinantes, ou seja, artigos e pronomes, entre outros. Exemplos:
Não compreendi o porquê de sua reclamação.
Seus porquês não mudaram a situação.
• Por que: com essa grafia é utilizado em duas situações. Confira:
→ Quando equivale a: pelo qual, pelos quais, pela qual, pelas quais. Exemplo:
São muitos os motivos por que estou aqui hoje. (pelos quais)
→ Em frases interrogativas diretas, quando as inicia, e nas interrogativas indiretas.
Exemplos:
Por que você não estudou para a avaliação?
Não sei por que você não estudou para a avaliação.
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO
169
• Por quê: escreve-se com acento quando aparece no fim das frases interrogativas.
Sendo assim, o “que” passa a ser um monossílabo tônico. Observe um exemplo
na tirinha que segue.
FIGURA 39 – MÁRCIA NEURÓTICA
FONTE: Disponível em: <http://www.marcianeurotica.com.br/2010_11_01_archive.html>. Acesso
em: 14 nov. 2011.
Perceba, acadêmico(a), que no segundo quadro, ao final de frase
interrogativa, utilizou-se o porquê escrito separado e com acento. Vamos adiante,
com o uso de mau e mal.
5.2 USO DE MAU E MAL
Estas duas palavras causam muitas dúvidas no momento da escrita, porém
existe uma regrinha fácil de usar que o(a) ajudará nos momentos de escrita. Veja:
• Mal é o antônimo de bem. Além disso, pode ser empregado como advérbio,
substantivo ou conjunção. Ex.:
Os visitantes foram mal (ou bem) recebidos durante a festa da cidade.
• Mau é antônimo de bom. Este pode ser empregado como adjetivo. Confira:
Não era mau (ou bom) cliente, apenas atrasava os pagamentos.
Caro(a) acadêmico(a), na dúvida use sempre “bem” ou “bom” para testar
se precisa escrever “mal” ou “mau”. Simples, não é?
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
170
5.3 USO DE SENÃO E SE NÃO
Emprega-se o senão (junto) em duas situações. São elas:
→ Quando equivale a caso contrário. Exemplo:
Saia daí, senão vai se atrasar.
→ Quando equivale a “a não ser”. Exemplo:
Não faz outra coisa senão choramingar.
A palavra se não (separada) é utilizada quando equivale a caso não,
introduzindo orações subordinadas condicionais. Exemplo:
Se não quiser, não redija o relatório.
5.4 USO DE MAIS E MAS
É comum confundir o uso de mais e mas, porém tais palavras têm sentidos
completamente distintos. Por isso, é necessário o uso correto para que a mensagem
não seja prejudicada.
A palavra mas é uma conjunção adversativa, portanto significa “contrário”.
Equivale a porém, contudo, todavia ou entretanto. Sendo assim, sempre que
a substituição por estas palavras for possível, deve-se escrever MAS, sem o “i”.
Observe a tirinha que segue:
FIGURA 40 – MAFALDA
FONTE: Disponível em: <http://veredasdalingua.blogspot.com/2011/04/diferenca-entre-mal-e-
mau.html>. Acesso em: 14 nov. 2011.
Verificamos, no primeiro quadrinho, o emprego de mas. Note, acadêmico(a),
que é possível fazer a substituição por “porém” ou “entretanto”. Portanto, trata-se
de uma conjunção adversativa.
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO
171
O uso de mais ocorre quando este funciona como pronome ou advérbio de
intensidade. Para saber se o uso está correto, basta trocar por menos, seu antônimo.
No último quadro da tirinha apareceu o uso da expressão mais. Note que é possível
realizar a substituição pela palavra menos. Agora, leia a tirinha a seguir, com mais
um exemplo.
FIGURA 41 – MÁRCIA NEURÓTICA
FONTE: Disponível em: <http://www.marcianeurotica.com.br/2010_11_01_archive.html>. Acesso
em: 14 nov. 2011.
O uso de “mais” no primeiro quadrinho permite exemplificar, na prática,
as situações em que deve ocorrer o uso de tal expressão. Lembre-se: confundir
estas expressões, no momento de escritura, pode prejudicar a mensagem.
5.5 USO DO HÁ E A
O uso de há deve ocorrer quando equivaler ao verbo fazer. Este, por sua
vez, indica tempo já transcorrido. Exemplo:
Saiu da sua casa há (faz) 1 hora.
Não o vejo há (faz) dois meses.
A forma a deve ser empregada quando for uma preposição. Para saber se o
uso está correto, basta você tentar fazer a substituição por faz. Se ela for impossível,
devemos empregar o a. Exemplo:
Daqui a pouco, os alunos chegarão para socializar o trabalho.
Acadêmico(a), você deve ter percebido que o uso correto das expressões
requer muita atenção. Vamos adiante?
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES
172
5.6 USO DE AONDE E ONDE
O emprego do aonde deve acontecer quando este equivaler a: preposição a
+ advérbio onde, sendo assim significa “a que lugar”, ou seja, é usado com verbos
que exprimem movimento e que regem a preposição a. Veja:
• Ir a:
Aonde você vai?
Você vai aonde?
• Chegar a:
Você quer chegar aonde com tantas perguntas?
• Dirigir-se a:
Não sei aonde dirigir-me para obter as fichas cadastrais.
O uso de onde está relacionado com verbos que não regem a preposição a.
Dito de outra maneira, equivale a “em que lugar”. Confira:
Onde você está?
Onde fica sua empresa?
5.7 USO DE A FIM E AFIM
Uma maneira prática para diferenciar essas expressões é:
• A fim de: indica uma finalidade. Exemplo: Vive cantarolando a fim de me
incomodar.
• Afim: significa semelhante. Exemplo: As matérias que cursei são afins.
Agora, vamos diferenciar o uso de demais e de mais.
5.8 USO DE DEMAIS E DE MAIS
A palavra “demais” (junto) é classificada como advérbio ou pronome. Observe
o exemplo:
• Advérbio de intensidade (= muito). Exemplo: Não se deve dormir demais.
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO
173
• Pronome indefinido (= outros). Exemplo: Voltei antes que os demais alunos
finalizassem os trabalhos.
A expressão “de mais” (separado) significa o contrário de menos. Sendo
assim, observe o exemplo: Entraram alunos de mais no auditório de reuniões.
5.9 USO DE AO ENCONTRO DE E DE ENCONTRO A
A expressão ao encontro de possui dois significados. São eles:
• Aproximar-se de. Exemplo: Assim que cheguei, fui ao encontro de meu pai.
• Ser favorável a. Exemplo: Suas ideias vêm sempre ao encontro das minhas.
A expressão de encontro a pode significar:
• Colisão, choque. Exemplo: Ao correr, o aluno foi de encontro à parede.
• Ser contrário a. Exemplo: Por sermos muitos diferentes, suas opiniões vêm
sempre de encontro às minhas.
Muito bem, depois de conhecermos mais estas importantes expressões,
convido você a continuar o estudo.
5.10 USO DE ACERCA DE E HÁ CERCA DE
A expressão acerca significa a respeito de. Veja um exemplo: Nada
comunicou acerca de suas dúvidas na disciplina.
A expressão há cerca de indica um tempo já transcorrido. Observe a frase
que segue: Estivemos na minha cidade natal há cerca de uns 15 anos.
5.11 USO DE A PRINCÍPIO E EM PRINCÍPIO
Estamos chegando ao final do estudo das expressões. Vale ressaltar ainda
que o uso de a princípio significa no começo ou inicialmente. Observe:
A princípio, seu relatório parecia-me completo, mas depois percebi que
faltam itens importantes.
A expressão em princípio significa em tese ou teoricamente. Confira o
exemplo:
Em princípio, sua sugestão é muito boa, agora, vamos vê-la na prática.
174
Neste tópico você aprendeu que:
• A ambiguidade consiste na duplicidade de sentido.
• Entende-se por estrangeirismos o uso de palavras e expressões de línguas
estrangeiras.
• Pleonasmo é a repetição desnecessária de uma informação.
• Pleonasmo é um vício de linguagem e não é aceito na norma culta da língua
portuguesa.
• Na escrita é importante grafar as palavras de acordo com a norma padrão da
língua portuguesa.
• Existem quatro diferentes maneiras de empregar o porquê.
• Mal é o antônimode bem.
• Mau é o antônimo de bom.
• Mas é conjunção adversativa.
• Mais é o antônimo de menos.
• Emprega-se o aonde quando o verbo indicar movimento.
• Utiliza-se o onde quando este está relacionado com verbos que não regem a
preposição a.
• “Senão” é empregado quando equivale a caso contrário.
• “Se não” equivale a “caso não”.
• Usa-se há quando equivaler ao verbo fazer.
• A forma a deve ser empregada quando for uma preposição.
• A fim de (separado) indica uma finalidade.
RESUMO DO TÓPICO 3
175
• Afim (junto) significa semelhante.
• A expressão “acerca” significa a respeito de.
• A expressão “há cerca de” indica um tempo já transcorrido.
176
AUTOATIVIDADE
1 Exercite o uso de ONDE ou AONDE, preenchendo as lacunas:
a) ______ essas medidas do governo vão nos levar?
b) Não entendo ______ ele estava com a cabeça.
c) De ______ você está falando?
d) ______ querem chegar com essas atitudes?
e) ______ se situa o Morumbi?
f ) ______ pensas que vais?
g) ______ nos levará tamanha discussão?
h) Até ______ vai sua rebeldia?
i) Não sei ______ me apresentar, nem a quem me dirigir.
j) ______ acaba o mar e começa o céu?
2 Exercite o uso de MAU ou MAL, preenchendo as lacunas:
a) A firma possuía um ______ administrador.
b) Ficamos preocupados, ______ ouvimos a notícia.
c) O ______ está sempre à nossa volta.
d) Eu ______ compreendia o que estava acontecendo.
e) ______ saímos de casa, quase fomos assaltados.
3 Utilize SE NÃO ou SENÃO para completar as lacunas a seguir:
a) Vá de uma vez, ______ você vai se atrasar.
b) Nada mais havia a fazer ______ conformar-se com a situação.
c) O presidente nada assinará ______ houver consenso.
d) Luta, ______ estás perdido.
e) Não era ouro nem prata, ______ ferro.
177
REFERÊNCIAS
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– a teoria do romance. São Paulo: Hucitec; EdUNESP, 1988.
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ANOTAÇÕES
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