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CURSO: PÓS GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL COM EDUCAÇÃO ESPECIAL DISCIPLINA: OFICINAS ADAPTADAS PARA INCLUSÃO PROFESSOR (A): Esp. Aurismar Ferreira de Sousa CARGA HORÁRIA: 30 H ALUNO (A): INCLUSÃO, DIREITO DE TODOS A Lei de Diretrizes e Bases da Educação preconiza que as crianças com necessidades educativas especiais têm direito à inclusão na rede regular de ensino. Para que se alcance as metas de educação para todos, a Conferência Mundial de Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade, realizada pela UNESCO em 1994, sugere que seja aprofundada a discussão, problematizando as causas da exclusão escolar. A partir desta reflexão a respeito das práticas educacionais, que resultam na desigualdade social, o documento Declaração de Salamanca e Linha de Ação sobre Necessidades Educativas Especiais afirma que as escolas comuns representam o meio mais eficiente para combater as atitudes discriminatórias, destacando que o princípio fundamental desta Linha de Ação é de que as escolas devem acolher todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem acolher crianças com deficiência e crianças bem dotadas; crianças que vivem nas ruas e que trabalham; crianças de populações distantes ou nômades; crianças de minorias linguísticas, étnicos ou culturais e crianças de outros grupos e zonas desfavorecidos ou marginalizados. (BRASIL, 1997, p. 17 e 18). Para tanto, a escola precisa adaptar-se para atender às necessidades desses alunos, rompendo com o modelo tradicional de educação, modificando seu currículo e oferecendo aos professores e alunos suporte para o desenvolvimento de suas atividades. Um processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir em seus sistemas sociais gerais pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir Incluir é trocar, entender, respeitar, seus papeis na sociedade. (...) valorizar, lutar contra exclusão, transpor barreiras que a sociedade criou para as pessoas. É oferecer o desenvolvimento da autonomia, por meio da colaboração de pensamentos e formulação de juízo de valor, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da via. (SASSAKI, 1997, p.41) Pensar em inclusão significa pensar na diversidade presente em nossas escolas, na necessária mudança de visão sobre ela, entendendo que as políticas educacionais precisam contemplar todos os cidadãos, independente das diferenças. Ainda sobre o pensar em inclusão, implica examiná-la sob a ótica de novos paradigmas, onde o respeito à diversidade seja condição primordial; mais ainda, a inclusão não pode ser pensada apenas para portadores de necessidades educacionais especiais: precisa ser pensada para todos. Sobre esse aspecto, Antunes diz que: [...] o paradigma da inclusão preconiza não só a inclusão dos portadores de deficiências, mas de TODOS, independentemente de suas condições existenciais [...]. No que compete à educação inclusiva, a escola deve ser concebida como um espaço aberto à diversidade, livre de pré-conceitos acerca dos seus alunos. A inclusão deve constituir-se numa via de mão-dupla, num processo bilateral, em que as pessoas excluídas e a sociedade buscam juntas, maneiras de solucionar ou, pelo menos, minorar os problemas enfrentados por tais pessoas. Importa destacar que a educação inclusiva não se configura numa ação exclusiva da educação especial, mas sim da escola regular. Esta deve ser transformada em sua totalidade para que possa oferecer um ensino de qualidade para todos os que nela se encontram. (ANTUNES, 2008, p.2) Respeitar a igualdade de direitos e ao mesmo tempo, a diversidade entre seres humanos, pressupõe a construção de uma sociedade inclusiva, o que exige a superação do modelo excludente de sociedade, para um modelo fundado no reconhecimento e no respeito a diferença. O entendimento superficial de o que seja inclusão leva muitas escolas a aceitarem, por imposição legal, os alunos portadores de deficiências, sem, entretanto, oferecer-lhes condições para permanecerem na escola em condições satisfatórias de aprendizagem; muitas vezes, esses alunos são apenas “integrados” às turmas regulares. Incluir verdadeiramente essas crianças significa dar-lhes oportunidades de inserção social, cultural e científica. Para tanto é preciso que os professores aprofundem-se no conhecimento dessas necessidades, reformulando currículo e metodologia, buscando suporte nas oportunidades de formação e na troca de experiência sempre que possível. Dentre todas as referências sobre portadores de necessidades especiais, a DECLARAÇÃO DE SALAMANCA (1994), contempla de forma vigorosa esse segmento da sociedade quando preconiza que a escola deve ser: https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null Para todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Crianças, jovens e adultos, cujas necessidades têm origem na deficiência ou em dificuldades cognitivas, são consideradas portadores de necessidades educacionais especiais e devem ser incluídas em programa educacionais previstos para todos os educandos, mesmo aqueles que apresentam desvantagem severa. A escola inclusiva (escola que deve acomodar todas as crianças independentemente de suas condições intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas e outras, deve promover uma educação de alta qualidade a todos os educandos). [... ](DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994). Na perspectiva de uma escola inclusiva, há que ter-se presente que a homogeneização das práticas pedagógicas se confronta com o respeito à diversidade inerente ao ser humano; é preciso, pois, buscar o atendimento das necessidades educativas especiais de todos os alunos, perseguindo a aprendizagem significativa e o desenvolvimento pessoal de todos os sujeitos do processo educativo. Para tanto, consagra-se a necessidade de prática pedagógica coletiva, multifacetada e flexível, que perpasse todas as estruturas e o funcionamento da escola, a formação dos professores e o envolvimento da família, entre outros. JOGOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Segundo Vygotsky (2003), os fatores biológicos (funções psicológicas elementares) são predominantes sobre os sociais (funções psicológicas superiores, as quais diferenciam o homem de outros animais) no início do desenvolvimento humano. Sendo assim, as brincadeiras são fundamentais para o desenvolvimento social e emocional de crianças portadoras de deficiências assim como é para os alunos que não apresentam necessidades especiais. Todos reagem da mesma forma diante do lúdico, o interesse é despertado e a criança reage positivamente ao que é proposto pelo professor, tornando assim o aprendizado mais significativo. Sendo a atividade lúdica tão importante para a criança, devemos redimensiona-la, trazendo para os espaços escolares esta valiosa ferramenta para o desenvolvimento do ensino aprendizagem. A brincadeira é a vida da criança e uma forma gostosa para ela movimentar-se e ser independente. Brincando, a criança desenvolve os sentidos, adquire habilidades para usar as mãos e o corpo, reconhece objetos e suas características, textura, forma, tamanho, cor e som. Brincando, a criança entra em contato com o ambiente, relaciona-se com o outro, desenvolve o físico, a mente, a autoestima, a afetividade, torna-se ativa e curiosa. (BRINCAR PARA TODOS, 2008, p.12) As crianças precisambrincar, é inerente ao ser humano organizar-se em grupos por afinidade e por este motivo a brincadeira é tão importante. É através dela que as crianças trocam informações e experiências, adquirindo assim importantes aprendizados para seu desenvolvimento. O brincar alegra, diverte e causa motivação entre as crianças, proporcionando-lhes oportunidade de ficar felizes, trocar experiências, trocando ajuda, onde as que enxergam ajudam as que não enxergam, as que correm muito depressa auxiliam as que não podem correr e assim todos se beneficiam. É importante que as crianças sejam estimuladas a auxiliar as que necessitem de ajuda para desenvolver as atividades, seja qual for a atividade proposta. O lúdico também pode ser um excelente recurso pedagógico. Hoje em dia, reconhece-se seu enorme potencial de aprendizagem e sua importância para o desenvolvimento cognitivo, da linguagem e para a socialização do educando. Na sala de aula cada brincadeira é planejada, conduzida e monitorada. A ação do educador é fundamental. Ele estrutura o campo das brincadeiras, por meio da seleção e oferta de objetos, fantasias, brinquedos ou jogos, do arranjo dos espaços e do tempo para brincar, a fim de que o aluno alcance os objetivos de aprendizagem predeterminados, sem limitar sua espontaneidade e imaginação. É certo que existe a brincadeira e o brinquedo, e tanto um quanto o outro, podem ser sinônimos de divertimento, e ambos são culturais. Segundo Froebel, A brincadeira é a atividade espiritual mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo, típica da vida humana enquanto um todo da vida natural interna no homem e de todas as coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e interno, paz com o mundo... A criança que brinca sempre, com determinação auto ativa, preservando, esquecendo sua fadiga física, pode certamente tornar-se um homem determinado, capaz de auto sacrifício para a promoção do seu bem e de https://www.blogger.com/null https://www.blogger.com/null outros... Como sempre indicamos o brincar em qualquer tempo não é trivial, é altamente sério e de profunda significação. (FROEBEL,1992, p. 55). Ao brincar, a criança demonstra que é dotada de criatividade, de habilidade, que tem imaginação e inteligência, compreendendo o que é ser ela mesma e ao mesmo tempo, que pertence a um grupo social. Através da brincadeira a criança descobre e vivencia a realidade de forma prazerosa. No faz-de-conta, vive o mundo concretamente, pois confere aos brinquedos sentimentos reais de sua vivência. A partir daí, o conhecimento é adquirido através da criação de relações e não por conceitos isolados. A participação da criança, a natureza lúdica e prazerosa, fornece dados relevantes no nosso agir, enquanto educadores. Para que de fato ocorra a inclusão, as práticas pedagógicas têm que mudar, deve ser valorizado o conhecimento cultural do aluno, respeitadas sua forma e o tempo de aprender, como também a construção de novas estratégias que possam corresponder às reais necessidades e formas de aprendizagens dos alunos. É impossível dissociar os jogos das brincadeiras, pois na prática dos jogos, as brincadeiras são alternativas que podem ser utilizadas, pois nelas a criança adquire algumas experiências e que colaborará para o desenvolvimento de algumas capacidades mentais essenciais no jogo e, em contrapartida, no aprendizado da Matemática. Sobre a brincadeira Winnicott, destaca que: A criança adquire experiência brincando. A brincadeira é uma parcela importante em sua vida. As experiências tanto externas podem ser férteis para o adulto, mas para a criança essa riqueza encontra-se principalmente na brincadeira e na fantasia. Tal como as personalidades dos adultos se desenvolvem por intermédios de suas próprias brincadeiras e das invenções de brincadeiras feitas por outras crianças e por adultos. Ao enriquecerem-se, as crianças ampliam gradualmente sua capacidade de exagerar a riqueza do mundo real. A brincadeira é a prova evidente da capacidade criadora, que quer dizer vivência. (WINNICOTT, 1965, p.163). As brincadeiras, que diariamente fazem parte da vida dos alunos, se utilizadas em conjunto com jogo, poderá contribuir para uma aprendizagem divertida, prazerosa, enriquecedora e desafiadora, afinal o brincar está presente em diferentes etapas da vida humana. E para crianças que apresentam alguma forma de deficiência, as atividades com jogos, são fundamentais para seu desenvolvimento, seja ele: cognitivo, social e afetivo. Para que isto ocorra, se faz necessário criar no espaço da sala de aula, um ambiente de integração, para que haja colaboração e socialização com outras crianças. Durante esta troca, em um ambiente onde exista ajuda e colaboração influenciará positivamente no processo de construção da aprendizagem, que é questão fundamental para uma real inclusão de todos os alunos portadores de alguma necessidade especial. O brincar, se faz presente na vida do ser humano desde o nascimento ocupando uma dimensão mais ampla do que os estudos científicos possam mensurar e que primam pela lógica, racionalidade e técnica. Jogar ou brincar são atividades fundamentais na interação do humana com seu meio e com os demais com quem convive. Fica evidente a eficácia dos processos de aprendizagem promovidos pelo brincar da criança, caracterizado principalmente pelos jogos, inclusive nas interações sociais que o homem continua mantendo por toda a sua vida. Para Oliveira (2000, p. 17), em relação ao brincar no início da vida: Aprender a agir, inclusive a brincar, só se dá em contato íntimo e significativo com o outro que, via de regra, no início da vida, é a mãe ou quem a substitua. Não há possibilidade de aprendizagem e consequentemente de humanização fora do convívio social e, mais do que isso, sem vivenciar e sentir realmente um vínculo afetivo, estável e confiável, que no começo é muito mais sentido do que manifesto. A dimensão socializadora do brincar. (OLIVEIRA, 2000, p. 17). A dimensão socializadora do brincar é salientada por Oliveira, que aponta essa necessidade como sendo a primeira que a criança manifesta ao manter contato com a mãe ou, em falta desta, com quem a esteja substituindo. Estas interações são fundamentais e importantes por possibilitarem uma aprendizagem espontânea, em que a criança amplia progressivamente suas experiências junto aos objetos e pessoas que a rodeiam. Com relação ao jogo, se utilizado junto aos processos de interação e aprendizagem da criança na escola, Negrini (1994, p. 19) ressalta que: As contribuições do jogo no desenvolvimento integral indicam que ele contribui poderosamente no desenvolvimento global da criança e que todas as dimensões do jogo estão intrinsecamente vinculadas: a inteligência, a afetividade, a motricidade e a sociabilidade são inseparáveis, sendo que a afetividade constitui a energia necessária para a progressão psíquica. (NEGRINI, 1994, p. 19). Neste sentido, comprova-se a importância do jogar e/ou do brincar como forma de ‘crescimento’ integral da criança, mas, principalmente, necessita dar continuidade a pesquisas e investigações que validem cada vez mais essa relevância. As atividades lúdicas caracterizaram um momento importante junto a atividades com jogos em sala de aula, colaborando com a problematização das questões abordadas com as crianças, criando desafios e possibilidades. Segundo as primeiras contribuições de Huizinga: O jogo é uma função da vida, mas não é passível de definição exata em termos lógicos, biológicos ou estáticos. O conceito de jogo deve permanecer distinto de todas as outras formas de pensamento, através das quais exprimimos a estrutura da vida espiritual e social. (HUIZINGA, 1996, p. 10). Ficam evidentes que os processos de aprendizagem promovidos pelo brincar na vida da criança, assim como, continuam presentes os seus benefícios caracterizados principalmente pelosjogos, nas interações sociais que o homem continua mantendo por toda a sua vida. O professor deve estar preparado para interpretar o significado simbólico do jogo da criança quando este é usado como ferramenta educacional. O jogo tem como função principal divertir o aluno, e ele, através da diversão, passa a aprender ou desenvolver o seu raciocínio, interagindo com o grupo, assimilando novos conhecimentos e desenvolvendo suas habilidades. De acordo com explicação de Coll, potencializar os processos interativos em favor de uma aprendizagem significativamente em todos os alunos, inclusive nos com necessidades educacionais especiais, são dependentes da atuação do professor, já que ele conduz o “clima” e o estilo das relações psicossociais que são estabelecidas na sala. (COLL, 1997, p. 37). É a figura do professor, que é o responsável pela condução do processo mediador entre o jogo e a aprendizagem de seus alunos, devido ao conhecimento que tem das potencialidades da ludicidade como mediadora do processo educativo, a partir daí, ele poderá desenvolver aulas dinâmicas, divertidas e capazes de atender aos múltiplos contextos de seus alunos, desde que tenha em mente os objetivos que pretende atingir. O LÚDICO E O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA DEFICIENTE INTELECTUAL JOGO, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM NA CONCEPÇÃO DE PIAGET E VYGOTSKY Partindo de uma concepção sócio-construtivista-interacionista do jogo, ou seja, pensando-o como um meio de garantir a construção de conhecimentos e a interação entre os indivíduos; a possibilidade de trazer o jogo para dentro da escola é a possibilidade de pensar a educação numa perspectiva criadora, autônoma e consciente. Nesse sentido, as concepções construtivistas de Piaget vêm de encontro às ideias de desenvolvimento e aprendizagem, enquanto as teorias de Vygostsky são relevantes para a compreensão da importância do contexto sócio cultural e das interações sociais. Na concepção de Piaget, o desenvolvimento do conhecimento é um processo espontâneo, ligado ao processo geral da embriogênese, que diz respeito ao desenvolvimento do corpo, do sistema nervoso e das funções mentais. Já a aprendizagem situa-se do lado oposto do desenvolvimento, pois geralmente é provocada por situações criadas pelo educador. Para Piaget, a aprendizagem é colocada como aquisição em função do desenvolvimento. Segundo o autor, os indivíduos adquirem o conhecimento segundo o seu estágio de desenvolvimento, e é a partir das diversas formas de aquisição do conhecimento que se dá a aprendizagem. Piaget (LOPES, 1996) classifica os estágios de desenvolvimento da criança em quatro períodos, quais sejam: PERÍODO SENSÓRIO-MOTOR (do nascimento aos 2 anos): a partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento. Exemplos: O bebê pega o que está em sua mão; “mama” o que é posto em sua boca; “vê” o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo à boca. PERÍODO PRÉ-OPERACIONAL (2 a 7 anos): caracteriza-se, principalmente pela interiorização de esquemas de ação construídos no estágio anterior. A criança não aceita a ideia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é a fase dos “por quês”). Já pode agir por simulação e imitação. Possui percepção global, sem discriminar detalhes. Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos. Exemplos: Mostram-se para a criança duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. A criança nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas são diferentes. Não relaciona as situações. ESTÁGIO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS (7 a 12 anos): a criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade, já sendo capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade, mas ainda depende do mundo concreto para chegar à abstração. Desenvolve a capacidade de representar uma ação no sentido inverso de uma anterior, anulando a transformação observada (reversibilidade). Exemplos: despeja- se a água de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criança diga se as quantidades continuam iguais. A resposta é afirmativa, uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de “refazer” a ação. ESTÁGIO DAS OPERAÇÕES FORMAIS, QUE CORRESPONDE AO PERÍODO DA ADOLESCÊNCIA (12 ANOS EM DIANTE): A representação agora permite a abstração total. A criança é capaz de pensar logicamente, buscando soluções a partir de hipóteses e não apenas pela observação da realidade. Exemplos: Se lhe pedem para analisar um provérbio como “de grão em grão a galinha enche o papo”, a criança trabalha com a lógica da ideia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos. Cada período define um momento do desenvolvimento. Um novo estágio se diferencia dos precedentes, pelas evidências no comportamento. O aparecimento de determinadas mudanças qualitativas identifica o início de um outro estágio do desenvolvimento intelectual. Cada estágio se desenvolve a partir do que foi construído nos estágios anteriores. A ordem em que as crianças atravessam essas etapas é sempre a mesma, variando apenas o ritmo com que cada uma adquire as novas habilidades, portanto as faixas etárias discriminadas em cada período não podem ser tomadas como parâmetros rígidos, em função das diferenças individuais e do meio ambiente. PIAGET (1975), valoriza a prática lúdica para que o desenvolvimento infantil seja harmonioso, pois tal atividade propicia a expressão do imaginário, a aquisição de regras e a apropriação do conhecimento. “Para o autor, ao manifestar a conduta lúdica, a criança demonstra o nível de seus estágios cognitivos e constrói conhecimentos” (KISHIMOTO,2008, p.32). Piaget analisou e estabeleceu relações entre o jogo e o desenvolvimento intelectual. Segundo os estudos do autor, existem três tipos de estruturas que caracterizam o jogo infantil e fundamentam a classificação por ele proposta: - JOGOS DE EXERCÍCIO: são as atividades lúdicas da criança no período sensório-motor, que vai dos 0 anos até o aparecimento da linguagem. São exercícios simples cuja finalidade é o prazer do funcionamento. Caracterizam-se pela repetição de gestos e de movimentos simples e têm valor exploratório. Jogos sonoros, visuais, olfativos, gustativos, motores e de manipulação. - JOGOS SIMBÓLICOS: compreende a idade dos 2 aos 7 anos aproximadamente. São jogos de ficção e imitação. Através do faz-de-conta, a criança realiza sonhos e fantasias, revela conflitos interiores, medos e angústias, aliviando tensões e frustrações. Destacam-se os jogos de papéis, faz-de-conta e representação. - JOGOS DE REGRAS: são praticados a partir dos 7 anos de idade. A regra é o elemento principal deste tipo de jogo, que surge da organização coletiva das atividades lúdicas e são indispensáveis para o desenvolvimento moral, cognitivo, social, político e emocional. Há dois tipos de regras nesse jogo: as regras transmitidas, mantidas em sucessivas gerações (bolinha de gude, amarelinha), e as regras espontâneas: contratual e momentânea, propostas pelas próprias crianças regras espontâneas: contratual e momentânea, propostas pelas próprias crianças. Para Piaget, o jogo oferece uma grande contribuição para o desenvolvimento cognitivo, dando acesso a mais informações e tornando mais rico o conteúdo do pensamento infantil. O jogo infantil propicia a prática do intelecto, já que utiliza a análise, a observação, a atenção, a imaginação, o vocabulário, a linguagem e outras dimensões próprias do ser humano. Piaget demonstrou que as atividades lúdicas sensibilizam, socializam e conscientizam, destacando a importância de aplicá-las nas diferentes fases da aprendizagemescolar. Vamos agora conhecer a opinião de Vygotsky sobre o desenvolvimento e a aprendizagem da criança e evidenciar a importância do lúdico na sua formação, segundo este pesquisador. VYGOTSKY (1998) admite que no começo da vida de uma criança, os fatores biológicos superam os sociais, só depois, aos poucos, a integração social será o fator decisivo para o desenvolvimento do seu pensamento. No entanto, ele se opõe às teorias onde o desenvolvimento se divide em estágios individuais. Para ele, inicialmente, as respostas que as crianças dão ao mundo são determinadas pelos processos biológicos. Mas, na constante mediação com adultos ou pessoas mais experientes, os processos psicológicos mais complexos, típicos do homem começam a tomar forma. Assim, é pela interação social que as funções cognitivas do mesmo são elaboradas. Na perspectiva Vygotskyana, a constituição das funções complexas do pensamento é veiculada principalmente pelas trocas sociais, e nesta interação, o fator de maior peso é a linguagem, ou seja, a comunicação entre os homens. A linguagem intervém no processo de desenvolvimento da criança desde o nascimento. Quando os adultos nomeiam objetos, pessoa ou fenômenos que se passam no meio ambiente, estão oferecendo elementos por meio dos quais ela organiza sua percepção. Por acreditar que as funções psíquicas do indivíduo são construídas na medida em que são utilizadas, defende a ideia de que as interações de um modo geral e o ensino em particular, não devem estar atrelados ao processo de amadurecimento. Para ele a criança amadurece ao ser ensinada e educada, quer dizer, à medida que, sob a orientação dos adultos ou companheiros mais experientes, se apropria do conhecimento elaborado pelas gerações precedentes e disponível em sua cultura. Desse modo, a maturação se manifesta e se produz no processo de educação e ensino. Daí a relevância da interação social, uma vez que dela depende o desenvolvimento mental. VYGOTSKY (1998) identifica dois níveis de desenvolvimento nas crianças: -Nível de desenvolvimento real, que é o desenvolvimento já adquirido, ou seja, aquilo que a criança já é capaz de fazer por si própria, sem ajuda do outro. -Nível de desenvolvimento potencial, aquilo que ela realiza com o auxílio de outra pessoa. Para melhor explicar a importância das interações sociais no desenvolvimento cognitivo, Vygotsky cria o conceito de zona de desenvolvimento proximal, que é a distância entre o que a criança faz sozinha (nível de desenvolvimento real) e o que ela é capaz de fazer com a intervenção de um adulto (nível de desenvolvimento potencial). Esta zona de desenvolvimento proximal é a potencialidade para aprender, e que não é a mesma para todas as pessoas. Desta forma o autor afirma que a aprendizagem interage com o desenvolvimento, e que ambos estão inter- relacionados. A aprendizagem gera o desenvolvimento, assim como o desenvolvimento mental só pode realizar-se por intermédio da aprendizagem. Sendo assim, a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo de ensino-aprendizagem, através da interferência do professor na zona de desenvolvimento proximal do aluno. Ao observar a zona proximal, o educador pode orientar o aprendizado no sentido de adiantar o desenvolvimento potencial de uma criança, tornando-o real. Obviamente, o ensino sistemático não é o único fator capaz de alargar os horizontes da zona de desenvolvimento proximal. Ao discutir o papel do brinquedo, Vygotsky demonstra, de forma extremamente original, como as interações sociais que as crianças estabelecem nestas circunstâncias colaboram para o seu desenvolvimento. Enquanto brinca, a criança reproduz regras, vivencia princípios que está percebendo na realidade. Logo, as interações requeridas pelo brinquedo possibilitam a internalização do real, promovendo o desenvolvimento cognitivo. Para VYGOTSKY (1998), É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. No brinquedo, o pensamento está separado dos objetos e a ação surge das ideias e não das coisas: um pedaço de madeira torna-se um boneco e um cabo de vassoura torna-se um cavalo. O brinquedo é um fator muito importante nas transformações internas do desenvolvimento da criança. Para o autor, a criança se inicia no mundo adulto por meio da brincadeira e pode antever os seus papéis e valores futuros. Por meio da brincadeira a criança vai se desenvolver socialmente, conhecerá as atitudes e as habilidades necessárias para viver em seu grupo social. É na brincadeira e no jogo que a criança aprende a lidar com o mundo, recriando situações do cotidiano, adquirindo conceitos básicos para formar sua personalidade, vivenciando sentimentos das mais variadas espécies. VYGOSTKY(1998), propõe um paralelo entre o brinquedo e a instrução escolar: ambos criam uma “zona de desenvolvimento proximal”, e em ambos os contextos a criança elabora habilidades e conhecimentos socialmente disponíveis que passará a internalizar. Através do brinquedo, a criança estabelece suas relações com a vida real. Ela vai experimentar sensações que já conhece e vai desenvolvendo regras de comportamento que imagina serem corretas. Um exemplo é quando ela brinca de irmã ou de mãe e filha, e se comporta como ela acha que seus irmãos devam se comportar, ou como acha que a filha tem de agir com sua mãe. Ela nem percebe que na brincadeira se comportou como deveria agir na vida real. Através da brincadeira ela incorpora as regras de comportamento. Para Vygotsky, a situação imaginária criada pela criança é que define o brinca, e assim, devemos considerar que o brincar preenche necessidades que variam conforme a idade e que as brincadeiras por meio de jogos estimulam a curiosidade e a autoconfiança, proporcionando o desenvolvimento do pensamento, da concentração, da atenção e da linguagem. Dessa forma se bem planejados, e aplicados com objetivos claros e bem definidos, considerando a idade e as limitações do aluno, os jogos favorecem a construção do conhecimento, ou seja, a aprendizagem e, por consequência, o desenvolvimento da criança. De acordo com as concepções de Vygotsky, o jogo e o brinquedo são instrumentos que devem ser explorados na escola como um recurso pedagógico de grande valia, pois além desenvolver as regras de comportamento, o jogo atua na zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a criança consegue, muitas vezes, realizações numa situação de jogo, as quais ainda não é capaz de realizar numa situação de aprendizagem formal. Diante da análise das concepções de Piaget e Vygotsky a respeito da aprendizagem e do desenvolvimento da criança, não podemos nos fechar a nenhuma das duas teorias, mas sim tentar compreendê-las de forma paralela. Apesar da divergência entre as duas teorias, tanto Piaget como Vygotsky concordam que a brincadeira e os jogos contribuem para o desenvolvimento da criança. Embora cada um deles dê um enfoque diferente para estas atividades. Enquanto Piaget analisa de forma minuciosa o processo de desenvolvimento do indivíduo, detalhando e explicando a função do jogo no desenvolvimento intelectual da criança e sua evolução nos diferentes estágios; Vygotsky destaca as interações sociais que o jogo promove. É na brincadeira e no jogo que a criança aprende a lidar com o mundo, recriando situações do cotidiano, adquirindo conceitos básicos para formar sua personalidade e vivenciando sentimentos das mais variadas espécies. JOGOS BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS COMO RECURSO PEDAGÓGICO O brincar faz parte dos primeiros atos da criança. Desde o nascimento a criança descobre o mundo brincando, seja através do contato com seu próprio corpo, seja pela referência dos seus pais. A brincadeira é a oportunidade de desenvolvimento onde a criança experimenta, descobre, inventa, exercita e ainda confere suas habilidades. O brincar estimula a curiosidade, a iniciativa e a autoconfiança.Para VYGOTSKY (1998), as maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade. Tanto Piaget, quanto Vygotsky atribuíram ao brincar da criança um papel decisivo na evolução dos processos de desenvolvimento humano, como maturação e aprendizagem, embora com enfoques diferentes. Ao contrário do que muitos pensam, a brincadeira não é um mero passatempo. Ela ajuda no desenvolvimento das crianças, promovendo processos de socialização e descoberta do mundo. Brincar desenvolve as habilidades da criança de forma natural, pois brincando aprende a socializar-se com outras crianças, desenvolve a motricidade, a mente, a criatividade, sem cobrança ou medo, mas sim com prazer. Também proporciona aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e da atenção. Os jogos e brincadeiras são estimuladores da cognição, afeição, motivação e criatividade. Segundo PIAGET(1975), através da brincadeira, a criança se apropria de conhecimentos que possibilitarão sua ação sobre o meio em que se encontra. Partindo da concepção de que a brincadeira e os jogos são atividades imprescindíveis para o desenvolvimento global da criança, favorecendo sua autoestima e auxiliando na aquisição e aprendizagem de novos conceitos, a escola deve valorizar e incentivar o trabalho pedagógico pautado em atividades lúdicas. De acordo com KISHIMOTO(2008), ao atender as necessidades infantis, o jogo infantil torna-se forma adequada para a aprendizagem dos conteúdos escolares. Os jogos e brincadeiras ao serem utilizados na prática pedagógica, transformam conteúdos maçantes em atividades interessantes e prazerosas, pois com os mesmos há motivação, disciplina e interesse pelo que está sendo ensinado. Porém, o professor deve estar consciente de que os jogos ou brincadeiras pedagógicas devem ser desenvolvidos como provocação a uma aprendizagem significativa e estímulo à construção de um novo conhecimento com o desenvolvimento de novas habilidades. Pensar na atividade lúdica enquanto um meio educacional significa pensar não apenas no jogo pelo jogo, mas no jogo como instrumento de trabalho, como meio para atingir objetivos pré-estabelecidos. O jogo pode ser útil tanto para estimular o desenvolvimento integral da criança como para trabalhar conteúdos curriculares. Os jogos e as brincadeiras podem e devem fazer parte das atividades curriculares, sobretudo nos níveis pré- escolares e nas séries iniciais. Segundo KISHIMOTO(2008), O jogo contempla várias formas de representação da criança ou suas múltiplas inteligências, contribuindo para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil. Quando as situações lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendizagem, surge a dimensão educativa. Utilizar o jogo na educação infantil significa transportar para o campo do ensino aprendizagem condições para maximizar a construção do conhecimento. A prática pedagógica pautada em situações lúdicas traz enorme prazer e alegria às crianças, promovendo assim, o desenvolvimento afetivo, cognitivo, social, psicomotor e linguístico do educando. No entanto, o professor deve definir, previamente, seus objetivos e o espaço de tempo que o jogo irá ocupar em suas atividades. Os objetos, brinquedos ou outros materiais a serem utilizados devem também ser providenciados previamente. Esses são requisitos práticos fundamentais para começar o trabalho lúdico. Ao utilizar o lúdico no processo ensino-aprendizagem, quando o educador tem o objetivo de desenvolver no aluno: o raciocínio, a formação de conceitos sobre os conteúdos, como também o desenvolvimento da linguagem, deve ter o cuidado de utilizar jogos adequados e que consigam atingir os objetivos propostos. Para tanto, os educadores devem ter conhecimento dos diferentes tipos de jogos que podem ser utilizados em sala de aula e principalmente dos objetivos que com eles poderão ser alcançados. O jogo pode ser considerado um recurso pedagógico indispensável, uma vez que é a forma primordial de construção dos conhecimentos pela criança. Cabe aos educadores conhecer esses recursos e utilizá-los de forma adequada, proporcionando jogos criativos ou com regras já estabelecidas. A educação lúdica, além de contribuir e influenciar na formação da criança e do adolescente, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente; integra-se ao mais alto espírito de uma prática democrática, enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. A utilização de jogos educativos como recurso didático pedagógico, voltado a estimular e efetivar a aprendizagem, desenvolvendo todas as potencialidades e habilidades nos alunos, é um caminho para o educador desenvolver aulas mais interessantes, descontraídas e dinâmicas, podendo competir em igualdade de condições com inúmeros recursos a que o aluno tem acesso fora da escola. Porém, o jogo deve ser praticado de uma forma construtiva e não como uma série de atividades sem sentido, tendo como objetivos o desenvolvimento de capacidades físicas e intelectuais; não esquecendo a importância da socialização através da sensibilização para o espírito de grupo, a cooperação, a confiança e a interdependência. Para ANTUNES(1998), o jogo lúdico inserido no processo ensino-aprendizagem se tornará pedagógico e deverá ser usado com rigor e cuidado no planejamento, por ser marcado por etapas muito nítidas, e que efetivamente acompanhem o progresso dos alunos. O elemento que separa um jogo pedagógico de um objeto de caráter apenas lúdico, é que os jogos ou brinquedos pedagógicos são desenvolvidos com a intenção explícita de provocar uma aprendizagem significativa, estimular a construção de um novo conhecimento e principalmente, despertar desenvolvimento de uma habilidade operatória. O aprendizado que se dá através de jogos e brincadeiras têm vários fatores positivos, tornando o desenvolvimento escolar da criança menos monótono e desinteressante que a simples exposição de conteúdos, pois na atividade lúdica ela participa ativamente como parte integrante do processo, fazendo com que a criança desenvolva-se de maneira integral, onde todas as suas habilidades e motivações são exploradas. Os jogos também promovem o crescimento emocional e social. Nos jogos há sempre um desafio interessante e vivo, tornando a aprendizagem natural e rápida. Enfim, brincar promove uma possibilidade de construção e criação do conhecimento no ensino e na aprendizagem da criança. Ao transformarmos esse brincar em trabalho pedagógico, poderemos experimentar, como mediadores, o verdadeiro significado da aprendizagem com desejo e prazer. Faz-se necessário que a escola como uma instituição socializadora, responsável pela formação consciente e crítica da criança, proporcione pleno desenvolvimento do aluno em todas as suas dimensões, empregando um trabalho dinâmico e desafiante. Pois o lúdico possibilita construir um novo jeito de educar e de trabalhar de forma solidária e conjunta. É fundamental que a educação seja capaz de atuar no âmbito interpessoal, fazendo com que os indivíduos percebam-se, para então, conviverem no mundo com consciência e responsabilidade de suas atitudes. E isso é possível por meio de um projeto consistente: tornar a escola um lugar de muito mais alegria a partir de atividades prazerosas e significativas, tendo o jogo, a brincadeira e o brinquedo como mediadores da aprendizagem. Porém, deve-se prestar atenção para não considerar a atividade lúdica como único e exclusivo recurso de ação, já que essa seria uma postura ingênua. O jogo é uma alternativa significativa e importante, mas sua utilização não exclui a utilização de outros caminhos metodológicos. O LÚDICO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA COM CRIANÇAS DEFICIENTES INTELECTUAIS MODERADAS Toda criança necessita brincar. Pois brincar é um momento indispensávelà saúde física, emocional e intelectual da criança. O brinquedo e os jogos infantis ocupam uma função importante no desenvolvimento, pois são as principais atividades da criança durante a infância. Com a criança deficiente intelectual não é diferente. Embora apresente atrasos em seu desenvolvimento cognitivo e motor, também necessita de atividades lúdicas no seu dia a dia. Talvez até mais do que as outras crianças, por necessitar de muito mais estímulos para desenvolver suas habilidades cognitivas, motoras e sensoriais. Os jogos e brincadeiras para as crianças com deficiência intelectual constituem atividades primárias que trazem grandes benefícios do ponto de vista físico, intelectual e social. De acordo com VYGOTSKY(1998), a arte de brincar pode ajudar a criança com necessidades educativas especiais a desenvolver-se, a comunicar-se com os que a cercam e consigo mesma. Através dos jogos e brincadeiras a criança com deficiência intelectual pode desenvolver a imaginação, a confiança, a autoestima, o autocontrole e a cooperação. Os jogos e brincadeiras proporcionam o aprender fazendo, o desenvolvimento da linguagem, o senso de companheirismo e a criatividade. Considera-se o jogo como exercício e preparação para a vida adulta. A criança aprende brincando e assim desenvolve suas potencialidades, pois é um ser em desenvolvimento, e cada ato seu, transforma-se em conquistas e motivação. Educar através do lúdico contribui e influencia na formação da criança e do adolescente com deficiência intelectual, favorecendo um crescimento sadio, pois possibilita o exercício da concentração, da atenção e da produção do conhecimento; promovendo ainda, a integração e a inclusão social. Desse modo a criança deficiente intelectual, com a ajuda do brinquedo, terá a possibilidade de relacionar-se melhor com a sociedade na qual ela convive, já que o brinquedo busca o desenvolvimento cognitivo e oportunidades de crescimento e amadurecimento. Também através do jogo comprova-se a importância dos intercâmbios afetivos e interpessoais das crianças entre elas mesmas ou com os adultos (pais e professores). A utilização do jogo como recurso didático pode contribuir para o aumento das possibilidades de aprendizagem da criança com deficiência intelectual, pois através desse recurso, ela poderá vivenciar corporalmente as situações de ensino aprendizagem, exercendo sua criatividade e expressividade, interagindo com outras crianças, exercendo a cooperação e aprendendo em grupo. Segundo IDE (2008), O jogo possibilita à criança deficiente mental aprender de acordo com seu ritmo e suas capacidades. Há um aprendizado significativo associado à satisfação e ao êxito, sendo este a origem da autoestima. Quando esta aumenta, a ansiedade diminui, permitindo à criança participar das tarefas de aprendizagem com maior motivação. O uso do jogo também possibilita melhor interação da criança deficiente mental com os seus coetâneos normais e com o mediador. O professor poderá possibilitar à criança com deficiência intelectual o acesso ao conhecimento através da vivência, da troca, da experiência, propiciando uma educação mais lúdica e significativa. Aprender pode e deve ser extremamente agradável e motivante para a criança. A importância do jogo no universo infantil e na vida escolar, tem sido evidenciada por vários estudiosos da aprendizagem e do desenvolvimento infantil, como um fato indiscutível, pois o jogo constitui um dos recursos mais eficientes de ensino para que a criança adquira conhecimentos sobre a realidade. Durante o jogo a criança estimula o pensamento através da ordenação do tempo, espaço e movimento, como também o respeito pelas regras. Trabalha com o cognitivo, o emocional e o motor, construindo através dessa interação o seu conhecimento. Os estudos de PIAGET (1975), proporcionam a concepção de que os jogos não são apenas uma forma de entretenimento para gastar a energia das crianças, mas meios que contribuem para o seu desenvolvimento intelectual. Os jogos e brincadeiras são instrumentos metodológicos através dos quais os educadores de crianças com necessidades educativas especiais podem estimular o seu desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, moral, linguístico e físico-motor; como também propiciar aprendizagens curriculares específicas. O lúdico possibilita que a criança com deficiência intelectual se torne cada vez mais autônoma, melhorando a autoestima e a consciência corporal. Pelo jogo, a criança aprende, verbaliza, comunica-se com as pessoas, internaliza novos comportamentos e, consequentemente, se desenvolve. Brincando, a criança desenvolve seu senso de companheirismo. Jogando com os amigos, aprende a conviver, a criar e a respeitar as regras. Sob o ponto de vista do desenvolvimento da criança com deficiência intelectual, a brincadeira traz vantagens sociais, cognitivas e afetivas. Ter consciência de que a criança com deficiência intelectual é um todo integrado, é condição básica para o êxito do seu desenvolvimento com o brinquedo. E o professor que assume uma postura metodológica pautada no lúdico deverá organizar o seu trabalho de forma a estimular ao máximo o desenvolvimento das habilidades do seu aluno, estando sempre ao seu lado, participando, mediando e orientando-o nas atividades realizadas com o brinquedo. SUGESTÃO DE JOGOS E BRINCADEIRAS Segue algumas sugestões de jogos e brincadeiras que podem ser trabalhados com os alunos, de forma lúdica e pedagógica, no sentido de estimular o desenvolvimento da criança e facilitar a aprendizagem de conteúdos acadêmicos. Procurou-se dividir os jogos por área de desenvolvimento, para facilitar o trabalho do professor. No entanto, este material traz apenas algumas poucas sugestões, visto que temos uma grande variedade de atividades lúdicas disponibilizadas nas referências bibliográficas citadas e em outras bibliografias existentes nesta área. Além do que, os professores podem e devem usar de toda a sua criatividade para criar outros jogos e até mesmo modificar ou adaptar os jogos sugeridos, de acordo com as necessidades dos seus alunos. BONECO ARTICULADO Estimula: Noção do esquema corporal, conscientização sobre as partes do corpo e suas posições, habilidade manual. Descrição: As partes do corpo recortadas em cartolina: cabeça, pescoço, tronco, dois braços, dois antebraços, duas mãos, duas coxas, duas pernas e dois pés. Para juntar as partes fazendo as articulações, podem ser feitos furos com o furador de papel e colocadas tachas, que se abrem depois e perfurar o papel. Outra alternativa é furar as articulações com uma agulha grossa e barbante, e depois dar um nó de cada lado do barbante. Possibilidades de exploração: Recortar e montar o boneco articulado. Pedir a uma pessoa que sirva de modelo, assumindo diferentes posições que os alunos procurarão reproduzir com seus bonecos. Fazer o exercício contrário, colocar o boneco em posições que as pessoas deverão representar. Descobrir quais as posições que podem ser feitas com o boneco mas que são impossíveis de serem realizadas pelo ser humano. MÁSCARAS Estimula: Conscientização sobre as partes do rosto, criatividade. Descrição: Saco de papel, com furos recortados na altura dos olhos, do nariz e da boca, desenhado e decorado de maneira a imitar um rosto. Possibilidades de exploração: Enfiar o saco de papel na cabeça para descobrir e marcar quais seriam os lugares onde devem ser feitos os furos. Desenhar as partes do rosto no saco e colori-las. Colar fios ou tiras de papel para representar o cabelo. Fazer uma dramatização usando as máscaras e cobrindo as cabeças. Misturar as máscaras e distribuí-las aleatoriamente. Pedir às crianças que adivinhem qual é o colega que está por trás da máscara. Nylse Helena Silva Cunha: Criar para brincar COORDENAÇÃO MOTORA BOLICHE DE LATAS Estimula:Motricidade, coordenação motora ampla, coordenação viso-motora, arremesso ao alvo, controle de força e direção. Descrição: Bolas de meia feitas com algumas meias juntas, que são enfiadas no fundo de uma meia comprida. Para arrematar, torcer e desvirar o cano da perna da meia várias vezes, recobrindo a bola para, posteriormente, costura-la. Latas vazias, do mesmo tamanho, com números colados. Possibilidades de exploração: Empilhar as latas fazendo um castelo. Jogar como boliche: cada jogador arremessa três bolas, tentando derrubar todas as latas. Contar os pontos de acordo com os números escritos nas latas derrubadas. Vence o jogo quem tiver feito mais pontos. CONTAS PARA ENFIAR Estimula: Motricidade, coordenação bimanual, recorte e enfiagem, atenção e concentração, orientação espacial. Descrição: Tiras de papel de capa de revista de 1,5 cm de largura, terminando em ponta, que são enroladas uma a uma, em torno de um lápis (ou agulha de tricô), começando pela parte mais larga da tira. A ponta do papel é colada. A peça é plastificada pela cola. Possibilidades de exploração: Usar como contas para enfiar. Fazer colares e pulseiras. PASSA BOLINHA Estimula: Motricidade, concentração da atenção, coordenação viso-motora. Descrição: Três garrafas de plástico transparente; em duas foi retirado o fundo para poderem ser encaixadas umas nas outras. Dentro delas foram colocadas três bolinhas de gude, e no topo das garrafas encaixadas, foi colocado o fundo de uma delas. As garrafas foram fixadas com durex colorido. Possibilidades de exploração: Sacudir as garrafas de modo que as bolinhas passem pelo gargalo e vão para o fundo da última garrafa. Contar quanto tempo leva para conseguir passar as três bolinhas. TOCA DO RATINHO Estimula: Motricidade fina, percepção vise noção de quantidade. Descrição: Selecionar uma tampa de caixa grande (+ - 60x40 cm), uma bolinha de gude pequena, seis potes de iogurte e pintar três de uma cor e três de outra. Fazer um corte em forma de toca, colar as cores alternadas. Colocar os números de um a seis sendo uma cor para os números ímpares e a outra para os pares. Possibilidades de exploração: Cada criança num determinado tempo tenta colocar a bolinha na toca, “chutando-a” com os dedos. Cada vez que conseguir, faz os pontos especificados em cada peça. ORIENTAÇÃO ESPACIAL FÓSFOROS Estimula: Coordenação viso-motora fina, movimento de pinça, orientação espacial, manipulação de quantidades, concentração da atenção. Descrição: Caixa com palitos de fósforo. As laterais foram inutilizadas pela colocação de um durex (para evitar que as crianças possam riscar os fósforos). Exploração: Retirar os fósforos da caixa e pedir à criança que os guarde, com as cabeças voltadas para o mesmo lado. Enfileirar os fósforos na mesa, seguindo determinados critérios (ex. três voltados para cima e três voltados para baixo) Fazer figuras com os fósforos. Fazer formas geométricas com três, quatro, cinco e seis fósforos. Construir um quadrado dentro do outro. Inventar linhas com desenhos variados e reproduzi-las Fazer sequência de fósforos Fazer contas com os fósforos. MODELOS COM FÓSFOROS Estimula: Pensamento, orientação espacial, discriminação visual, atenção e concentração, reprodução de modelos. Descrição: Papel cartão recortado em cartelas, do tamanho de meia folha de papel ofício. Palitos de fósforos colados, formando desenhos, fazendo modelos diferentes em cada cartela e deixando sempre espaço livre abaixo, para que a criança possa fazer a reprodução. Exploração: Reproduzir os modelos com palitos, observando a posição da cabeça dos palitos dentro da figura. ORIENTAÇÃO TEMPORAL AMPULHETA Estimula: Noção de tempo Descrição: Selecionar duas garrafas iguais. Colocar areia em uma delas, colar as duas tampas. Fazer um furo nas tampas já coladas. Fechar as duas garrafas com as tampas. Medir o tempo (usando o relógio) em que a areia passa de um recipiente para o outro. Anotar nas extremidades dos dois recipientes o tempo. Exploração: Como a ampulheta é um instrumento de medida ela pode ser usada simplesmente para que a criança observe o tempo que leva para a areia passar de um recipiente para o outro, ou pode servir de apoio aos jogos, controlando o tempo das tarefas. PERCEPÇÃO VISUAL COMPLETANDO A CASA Estimula: Motricidade, discriminação visual, comparação de formas e de tamanhos, habilidade manual. Descrição: Pedaço de cartão coberto com feltro, no qual foi costurado o desenho de uma casa, com botões nos lugares onde devem ser abotoadas as partes que estão faltando. Essas partes são de feltro também e contêm pequenos cortes que são as casas que deverão ser abotoadas nos lugares correspondentes. Exploração: Desabotoar as partes avulsas da casa. Verificar as formas que estão desenhadas na casa e procurar as peças correspondentes para abotoar. DADO DO TEMPO Estimula: Percepção visual, observação e associação do desenho com o real. Descrição: Montar um dado grande com 4 quadrados de 15cm x 15cm de cartão grosso, unindo as laterais com fita adesiva. Forrar com papel branco e em cada lado desenhar ou colar uma das condições do tempo (ex. chuva, sol, nublado, sol com nuvens, nuvens grossas, relâmpagos). Cortar 60 cartelas quadradas (6cm x 6cm) de cartolina, e desenhar as condições do tempo em cada uma delas, sendo que para cada situação devem ser feitas 10 cartelas. Exploração: Joga-se o dado e de acordo com a figura que ficar para cima a criança retira o cartão correspondente, procedendo- se dessa forma sucessivamente, até ao cartões acabarem. Quando terminarem os cartões, as crianças observam o tempo e identificam quais os desenhos que correspondem ao real. PERCEPÇÃO TÁTIL: SACOLA SURPRESA Estimula: Atenção e concentração, pensamento lógico, vocabulário, percepção tátil, discriminação de texturas, forma e tamanho. Descrição: Uma sacola de pano com duas aberturas laterais, fechadas com elástico (tipo puxa-saco), dentro da qual existem objetos e tecidos de texturas diferentes: -Para discriminação de texturas: 3 retalhos de lã, 3 de seda e 3 de veludo (mesmo tamanho), 3 pedaços de lixa, 3 de plástico e 3 de papel. -Para discriminação de formas: 4 quadrados (5x5cm), 4 triângulos (5x5cm), 4 círculos (5cm de diâmetro) e 4 retângulos (7x3cm); formas geométricas de cartolina ou de madeira. -Para discriminação de tamanho: 2 dados, 2 lápis, 2 tampinhas e 2 colheres; objetos cujo tamanho seja um grande e um pequeno. JOGO DOS NÚMEROS Estimula: Identificação de numerais, ritmo, habilidades motoras, atenção e socialização. Descrição: Cartões com números de 0 a 9 espalhados pelo chão da sala num espaço delimitado. Exploração: Solicitar que as crianças pulem e saltem ao redor dos cartões ao ritmo de uma música. Quando parar a música, professor indica um determinado número e todos deverão parar no respectivo número. ALFABETIZAÇÃO FIGURAS CORTADAS Estimula: Alfabetização, estruturação silábica, vocabulário, atenção e concentração, observação, relação parte/todo, composição de palavras e figuras. Descrição: Retângulos de cartolina com figuras de revistas e o nome do objeto em letra de forma, embaixo da figura, de modo que a palavra fique do tamanho da figura. O corte é feito sinuosamente no sentido vertical, separando as sílabas. Observar a figura, decompô-la e recompor as partes. Observar e misturar as partes, recompor todas as figuras, dizer o que está escrito, ler as sílabas separadas e formar novas palavras. BRINCAR PARA TODOS AS CRIANÇAS PRECISAM BRINCAR As crianças precisambrincar, independentemente de suas condições físicas, intelectuais ou sociais, pois a brincadeira é essencial a sua vida. O brincar alegra e motiva as crianças, juntando-as e dando-lhes oportunidade de ficar felizes, trocar experiências, ajudarem-se mutuamente; as que enxergam e as que não enxergam, as que escutam muito bem e aquelas que não escutam, as que correm muito depressa e as que não podem correr. A brincadeira é a vida da criança e uma forma gostosa para ela movimentar-se e ser independente. Brincando, a criança desenvolve os sentidos, adquire habilidades para usar as mãos e o corpo, reconhece objetos e suas características, textura, forma, tamanho, cor e som. Brincando, a criança entra em contato com o ambiente, relaciona- se com o outro, desenvolve o físico, a mente, a autoestima, a afetividade, torna-se ativa e curiosa. Os brinquedos são úteis para: Compreender e identificar os sons Conhecer e entender seu corpo e o ambiente Despertar a curiosidade e o prazer de ver e buscar Melhorar a eficiência visual Despertar a vontade de movimentar-se e realizar atividades Conhecer e entender seu corpo e o ambiente Desenvolver e integrar os sentidos Desenvolver habilidade para encaixe e pinça Conhecer formas, sequência e seriação Classificar Desenvolver o tato para reconhecer texturas, formas, temperatura, grandeza, peso, consistência e materiais de que são feitos os objetos Desenvolver a estruturação e organização espacial Reconhecer os objetos do ambiente, seu nome, uso e função Adquirir independência e autonomia para movimentar-se e realizar as atividades cotidianas Divertir-se com os números Iniciar o aprendizado de conceitos matemáticos Adquirir noção de tempo Desenvolver o prazer da leitura com livros interativos Aprender a usar o relógio HABILIDADES Favorecer a abertura das mãos, sua junção na linha média e o desenvolvimento da coordenação bi manual; Desenvolver a coordenação olho-mão o, olho-objeto, ouvido-mão; Estimular o desejo de estender o braço para tocar, pegar e desenvolver a preensão; Desenvolver a coordenação motora, o movimento e fortalecimento das mãos, braços, pernas e corpo; Desenvolver a habilidade tátil para reconhecimento de forma, textura e grandeza; Fortalecer a musculatura do pescoço e peito e desenvolver o controle cefálico; Desenvolver a visão e iniciar o aprendizado das cores; Favorecer a identificação e reconhecimento dos sons do ambiente e a localização de objetos pelo som; Desenvolver a integração dos sentidos: visão, tato, audição. Desenvolver a coordenação olho-mão-objeto e ouvido-mão-objeto; Desenvolver a coordenação motora e fortalecer mãos e braços; Facilitar a preensão, o manuseio de objetos e a habilidade para encaixe; Aprender a usar o tato para reconhecimento de forma, textura, tamanho, peso, material e consistência dos objetos; Melhorar a habilidade de atirar bola, treinar a capacidade de correr com desenvoltura e se deslocar rapidamente no ambiente; Favorecer a curiosidade e o sentido de busca e direção; Desenvolver a estruturação, a organização espacial e a noção de direita e esquerda; Melhorar a eficiência visual: fixação, focalização, seguimento visual, acomodação e coordenação binocular; Desenvolver a audição, identificar e reconhecer os sons do ambiente, localizar objetos pelo som; Desenvolver o olfato e o paladar para o reconhecimento de alimentos; Integrar os sentidos; Desenvolver a imagem corporal; Aperfeiçoar a linguagem e enriquecer o vocabulário; Iniciar o aprendizado das cores; Adquirir o conceito de número, quantidade e operações matemáticas; Estabelecer comparações, semelhanças e diferenças; Fazer seriação e classificação; Favorecer o jogo simbólico, a brincadeira, o faz-de-conta; Desenvolver a sociabilidade e a capacidade de entender e aceitar as regras do jogo. BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS INCLUSIVOS Um dos princípios da Declaração Universal dos Direitos da Criança diz que: “A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito.” Brincar é coisa séria. Através dos brinquedos e das brincadeiras as crianças desenvolvem suas habilidades, percepções, raciocínio, criatividade e aprendem sobre sua relação com si mesmas e com o outro. No caso das crianças com deficiência, o brincar também é utilizado como instrumento para que elas superem suas dificuldades. Por mais que possam apresentar dificuldades maiores para realizar certas atividades diárias, crianças com deficiência devem ser o tempo todo estimuladas a encontrar sua autonomia, por mais trabalhoso e demorado que possa parecer esse processo. Brinquedos e brincadeiras inclusivos tem o objetivo de incorporar ao cotidiano de pais e educadores a criação de brincadeiras e a produção de brinquedos adaptados. E tudo isso de maneira sustentável: com materiais recicláveis e de baixo custo que podem ser confeccionados em casa. BRINCAR É COISA SÉRIA! Não é de agora que profissionais vêm estudando as formas de desenvolvimento das crianças. Ainda no século XIX, na França, enquanto investigava o universo infantil, o filósofo Henri Wallon chegou a uma teoria muito interessante sobre esta questão: ele concluiu que a aprendizagem da criançada não dependia apenas do ensino de conteúdos disciplinares, como português e matemática, por exemplo. Para um desenvolvimento pleno, eram necessários afeto, movimento e espaço. O filósofo francês ainda apontou que boa parte da comunicação entre as crianças e o ambiente se dava por meio da brincadeira. E que é dessa maneira que elas também se expressam e se desenvolvem culturalmente. Já faz muito tempo que os educadores passaram a introduzir na rotina da educação infantil atividades diversifica - das, como jogos e brincadeiras. E, quando falamos de crianças com deficiência, essa metodologia passa a ser fundamental para garantir um futuro autônomo aos pequenos. Na época em que eu ainda estudava psicologia, tive a incrível oportunidade de estagiar em uma escola especial. Lá, as brincadeiras eram trabalhadas com muita seriedade. As classes eram divididas por afinidade de aprendizagem, mas também pelo o que cada aluno mais gostava de brincar. A ideia era instigar o aprendizado através do prazer provocado pelo lúdico. Dessa forma, divertindo-se, os alunos desenvolviam a criatividade, a inteligência, a imaginação, a agilidade, a coordenação e a autonomia. Essas habilidades muitas vezes eram despertadas ao ar livre, em um tanque de areia, no cantar de uma música, numa dança, modelando massinhas, fazendo bolinhas de sabão... Ou na cozinha, quando os próprios alunos preparavam suas refeições, como o lanche da tarde. Nestes momentos, eles aprendiam a ter mais independência para se alimentar, noções de cuidado e as propriedades dos alimentos. Uma brincadeira séria, mas deliciosa. O segredo do aprendizado não está na capacidade do ser humano em assimilar teorias, mas na maneira como cada conteúdo é transmitido. Não há fórmula mágica para nenhuma criança – com ou sem deficiência – aprender. O que deve existir é respeito às potencialidades de cada uma, com a oferta de ferramentas adequadas. Presenciar o desenvolvimento de uma criança vale cada esforço dispensado. A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR OBRINCAR FAZ PARTE DA VIDA DA CRIANÇA É brincando que ela inicia, desde a mais tenra idade, sua interação com o mundo, estabelecendo formas de comunicação, relacionamentoe experimentação. O brincar é atividade constante e natural, que estimula o aprendizado e a apreensão de valores culturais e sociais. O adulto de maneira geral, vê as atividades lúdicas quando praticadas por ele como atividades de lazer e ócio e quando se trata da criança, acredita que a brincadeira tem sempre valor educativo. Nem sempre é assim. O brincar é livre. Tem valor essencial no desenvolvimento dos seres, mas é também atividade criativa, de diversão e descontração. E, ainda assim, é no brincar que a criança tem a possibilidade de desenvolver habilidades motoras, perceptivas e cognitivas. Muitos estudos com crianças sugerem que o brincar da criança requer estratégias sociais de grande complexidade. A criança não se limita a imitação do mundo adulto, elas reinventam a todo tempo, um novo mundo. Esse mundo tem um pouco do que recebe de informação e um pouco dela mesma e de seus gostos e paixões próprias. Estimular o brincar, desde a produção do brinquedo até o exercício da brincadeira propriamente dita é proporcionar bons momentos de diversão, lazer, estímulo sensorial e criativo e interação social. É dar à criança a oportunidade de crescer e se desenvolver de maneira saudável em um ambiente natural para ela, o ambiente lúdico. Além disso, as brincadeiras que são transmitidas de geração em geração, constituem um patrimônio cultural imaterial. É por meio dessa prática de troca lúdica e informal que valores culturais regionais são perpetuados. Cada geração adiciona à brincadeira alguma mudança sutil, seja na cantiga, na forma de confeccionar o brinquedo, na regra do brincar e a transmite adicionada de valor. A brincadeira carrega em si esses valores antigos e novos, estabelecendo uma conexão entre as muitas gerações. Carlos Drummond de Andrade dizia que ao brincar com a criança o adulto estava brincando com ele mesmo. Aproveite essa oportunidade e não só incentive, mas participe da brincadeira, ambos, adultos e crianças, só tem a ganhar, já que não há contraindicações para o brincar. O BRINCAR NA DIVERSIDADE Brincar é mais do que um simples momento de diversão, é uma filosofia de vida. É o momento de deixar de lado as diferenças e formalidades, exercitar a criatividade e deixar as coisas fluírem. Não é à toa, que o direito à liberdade de brincar e divertir-se estão previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, que, além da liberdade, também ressalta a importância do respeito e dignidade no processo de desenvolvimento de cada pessoa. É a maneira lúdica de relacionar-se com o mundo e com os outros que permite às pessoas aprender e ensinar as diversas formas de enxergar o mundo. O brincar não tem idade, não tem fronteiras e nem espaço para preconceito e discriminação. Os brinquedos e as brincadeiras devem ser universais, inclusivos e sempre permitir a participação de quem quiser brincar ou quiser ajudar na brincadeira. Não existe receita para que uma brincadeira seja inclusiva, para que se enquadre em todas as situações. No entanto, algumas premissas são básicas para garantir a diversão de todos. As principais são: • Respeitar o tempo de cada um; • Respeitar o conhecimento de cada pessoa; • Combinar com os participantes a melhor forma de tornar a brincadeira inclusiva; • E, por fim, tentar proporcionar a mesma oportunidade de experiência para todos os participantes. Lidar com pessoas com deficiência, crianças ou adultas, ainda representa um enorme desafio para grande parte das pessoas. Isso ocorre por motivos como: o receio de não saberem como agir, o desconhecimento de como tornar as atividades acessíveis, ou ainda pela falta de vontade de buscar soluções que trarão benefícios para todos. O conceito de deficiência já passou por diversas definições para manter-se de acordo com a forma de pensar mais atual da sociedade. É um conceito em plena evolução e que, hoje, tem como principal documento a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, homologada pela Assembleia das Nações Unidas em 2006, que define pessoas com deficiência como: “pessoas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas.” Esse documento representa enorme conquista para o segmento e inovou por trazer e estimular o protagonismo, a autodeterminação e a participação das pessoas com deficiência. O foco é a participação social. No entanto, mesmo diante dos avanços, ainda há muito o que fazer. A grande transformação só será realmente possível com as pequenas ações de cada pessoa. O processo inclusivo começa no berço, no convívio diário, nas rotinas do dia a dia e nas brincadeiras. Os ambientes acessíveis, por exemplo, tornam a brincadeira mais abrangente, pois, ao garantirem acesso, participação e entendimento, por meio da acessibilidade, as brincadeiras passam a ser para todos. A organização das atividades deve apontar maneiras para possibilitar esse acesso a todas às pessoas, respeitando as necessidades de cada um, ao invés de apenas questionar se seria possível às pessoas com comprometimento físico, sensorial ou cognitivo participar. Com uma simples mudança de atitude, sem segregação, é possível garantir diversão para pessoas com e sem deficiência. E, com certeza, a experiência é transformadora. Com pequenas mudanças é possível perceber que não aproveitar experiências e não respeitar os desejos de pessoas com deficiência auditiva, visual, intelectual, física, múltipla, surdo cegueira, autismo, transtorno mental, entre outras, representa um enorme desperdício da oportunidade de expandir horizontes e aprender com a diversidade. A partir da incorporação de valores de acessibilidade, inclusão e respeito à diversidade e do estabelecimento de premissas como equidade e autodeterminação, o desenvolvimento de propostas inclusivas aos poucos se torna automático e natural. Por fim, vale destacar neste processo de transformação de cultura que com bom senso, flexibilidade e boa vontade, qualquer brincadeira pode ser inclusiva. Além disso, como em todos os momentos da vida, o respeito à diversidade deve ser condição básica de toda brincadeira. DICAS PARA BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS INCLUSIVOS Trabalhar o receio por não saber lidar com pessoas com deficiência é a chave para o início da construção de uma brincadeira divertida para todos. É preciso reconhecer que esse receio é natural, no entanto se houver interesse e boa vontade, o convívio é capaz de superar todo tipo de preconceito e diferença. Apresentaremos algumas dicas que poderão ser úteis na construção de brinquedos e brincadeiras para que todos possam participar, sem discriminação. Mas é importante entender que, apesar de norteadoras, as dicas não representam uma receita, pois não existe manual ou regra para lidar com pessoas. Por isso o mais importante, antes de qualquer coisa, é ter bom senso e disposição de conhecer e respeitar as necessidades de cada pessoa. Só assim será possível construir uma sociedade inclusiva e adequada para todos. Enquanto esse objetivo não for atingido, também é necessário flexibilidade para adaptações razoáveis indicadas coletivamente, sempre com a participação de todos. DICAS GERAIS: • Respeite o tempo de cada um para a realização das atividades. • Respeite o tempo de aprendizado de cada pessoa. • Reconheça e respeite a individualidade de cada um. •Cada pessoa tem o seu jeito, as suas qualidades e os seus desafios. •Não use a deficiência como rótulo. • Ofereça ajuda sempre que achar que a pessoa precisa, mas respeite se a ajuda for recusada. • Quando for ajudar, pergunte para a pessoa qual é a melhor forma de ajudá-la. • Nunca subestime as capacidades de uma pessoa e nem superestime as suas dificuldades (lembre-se que as dificuldadessão provocadas pelas barreiras que existem no meio ambiente e pela falta de apoio ou recursos adequados). • Não trate a pessoa com deficiência como um doente. A pessoa com deficiência pode ficar doente como qualquer pessoa e pode também ter uma saúde tão boa ou melhor do que a sua. • Qualquer tipo de limitação para realizar atividades pode ser minimizada ou até eliminada com a disponibilização dos recursos ou apoios adequados. • Dê a oportunidade da pessoa dar sua opinião. Quando quiser perguntar alguma coisa, pergunte diretamente para a própria pessoa. • Trate a pessoa conforme sua idade. Crianças devem ser tratadas como crianças, mas adultos devem ser tratados como adultos. • Estimule as capacidades e qualidades que a pessoa possui. Lembre-se que todo mundo tem seu talento, suas afinidades e seu potencial de desenvolvimento em determinadas áreas de interesse e atividades. • Nas brincadeiras, estimule os próprios participantes a buscarem soluções para que a brincadeira seja inclusiva. Pare a brincadeira quando tiver alguém excluído e procure, junto com a pessoa e com os participantes, maneiras para que todos participem. • Perguntar sempre para a pessoa e para a família se existe alguma restrição para brincar (isso vale para qualquer pessoa). DICAS SOBRE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL • Respeite o tempo de cada um para realização das atividades. • Trate a pessoa conforme sua idade. Não infantilize um adulto com deficiência intelectual. • Explique para a pessoa o que ela precisa fazer de uma maneira que ela entenda e respeitando o seu tempo de aprendizagem para assimilar as informações. • Não superproteja a pessoa. Permita que a pessoa dê suas opiniões, participe e tome suas próprias decisões. • Trabalhe rotinas, apresente modelos, seja claro e objetivo nas orientações e sempre inclua a pessoa nas decisões de seu dia a dia. DICAS SOBRE DEFICIÊNCIA AUDITIVA • Respeite a identidade cultural e a forma de comunicação de cada pessoa. • A terminologia adequada é pessoa surda ou pessoa com deficiência auditiva. Não use “surdo-mudo”, porque “mudo” é aquele que não fala, e o surdo pode falar. Mesmo que não seja oralizado (nem todos são), ele pode falar por meio da Libras – língua brasileira de sinais. • Procure conhecer e, sempre que possível, oferecer recursos que atendam tanto aos surdos usuários da Libras (por meio do tradutor-intérprete) como aos usuários da língua portuguesa (comunicação através da escrita). • Se tiver interesse, aprenda a Libras e tente comunicar-se por meio dela com os colegas surdos que conhecer. Aproveite para tirar dúvidas com eles. • Lembre-se que alguns surdos (mas não todos) fazem leitura labial. Quando for conversar com uma pessoa surda, mesmo na presença de um intérprete, fique de frente e dirija-se à pessoa. • Para chamar uma pessoa surda use o toque ou outro elemento que chame sua atenção (como acender e apagar a luz do local). Lembre-se que não adianta gritar. • O importante é entender o que o outro quer dizer. Se você tiver dificuldade na comunicação, peça para a pessoa escrever. DICAS SOBRE DEFICIÊNCIA VISUAL • Ao encontrar uma pessoa com deficiência visual, identifique-se antes de começar uma conversa. • Quando for sair de perto de uma pessoa cega que estiver com você, não se esqueça de avisá-lo, para que não fique falando sozinho. • Estimule a autonomia para que a pessoa possa ir aonde quiser. • Utilize recursos sensoriais nas atividades. Crie desenhos em relevo, permita que a pessoa possa tatear e sentir os objetos para identificá-los. • Não se esqueça também das pessoas com baixa visão. Utilize imagens e textos com contraste e coloridos. Escreva em letras grandes ou ofereça recursos para ampliação. DICAS SOBRE SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA • Além das deficiências apontadas, existe a deficiência múltipla, que envolve a associação de duas ou mais deficiências. • Para lidar com uma pessoa que tenha deficiência múltipla, observe-a, verifique qual sua forma de comunicação, avalie possibilidades de eliminar as barreiras e pergunte qual é a melhor forma de ajudá-la. • Também tem a surdo cegueira, considerada uma deficiência única, pois a soma dos recursos para pessoas surdas e para pessoas cegas não atende as suas necessidades. • Para lidar com uma pessoa surdo cega primeiro identifique o nível da deficiência, pois a pessoa pode enxergar pouco e não ouvir nada, ouvir um pouco e não enxergar nada, ou não enxergar nem ouvir nada. • Depois identifique a sua forma de comunicação, que é bastante particular. Alguns se comunicam por meio de Libras tátil, outros tocando o rosto do interlocutor (método Tadoma), outros são oralizados e escutam com o uso de um aparelho, etc. Se for necessário, pergunte como se comunicar ao seu guia-intérprete ou acompanhante, quando houver. • Utilize recursos táteis e estimule a leitura e escrita em braile para aprenderem as letras e as palavras. DICAS SOBRE DEFICIÊNCIA FÍSICA • Os locais das brincadeiras devem ser acessíveis, livres de quaisquer barreiras físicas. • Nunca movimente a cadeira de rodas sem pedir permissão para a pessoa. • Olho no olho na hora de conversar. Em conversas mais longas com pessoas em cadeira de rodas, procure sentar e ficar na mesma altura que a pessoa. • Quando a pessoa tiver dificuldade em tocar a cadeira, lembre-se de virá-la para que fique de frente para a roda de conversas. • Se for ajudar uma pessoa em cadeira de rodas a subir ou descer um degrau, a dica é subir de frente e descer com a pessoa de costas, para que esteja sempre com a coluna apoiada no encosto da cadeira. • Não tenha receio em usar termos como “correr”, “andar”, “ir a pé”, etc. As pessoas com deficiência também usam esses verbos normalmente no seu dia a dia. • Sempre que não conseguir compreender o que a pessoa falou, pergunte. Algumas deficiências, como paralisia cerebral ou aquelas provocadas por doenças degenerativas (Escleroses, Distrofias, etc.) podem gerar dificuldade na fala. No entanto, não afetam o seu raciocínio e a sua capacidade de entendimento. Se necessário, peça que repita. • Respeite os recursos que as pessoas utilizam para locomover-se. Não fique apoiado ou pendure bolsas e sacolas em cadeira de rodas. E, no caso de muletas, jamais as retire do lugar sem avisar o seu dono. DICAS SOBRE AUTISMO • O autismo também é considerado pela lei como deficiência. Considerado um transtorno global de desenvolvimento, o transtorno do espectro autista é caracterizado por alterações significativas que afetam a comunicação, a interação social e o comportamento. • Procure e tente manter o contato visual e estimular a comunicação, respeitando o tempo de desenvolvimento de cada um. • Proponha atividade inclusivas com toda a turma e organize as brincadeiras entre o grupo. • Use sempre uma linguagem simples, clara e firme. • Utilize todos os recursos disponíveis nas orientações das brincadeiras: dicas visuais, gestos, livros, músicas, e se for necessário: tablets e computadores. BRINCADEIRA SAUDÁVEL É BRINCADEIRA SEGURA Ao propor a produção de brinquedos confeccionados com materiais recicláveis é muito importante atentar para algumas dicas que trarão mais segurança aos participantes e garantia de diversão do começo ao fim. • Os brinquedos não devem ter pontas ou extremidades cortantes. • Fique atento a partes ou peças pequenas que possam se desprender facilmente. • Lave bem as embalagens descartáveis que serão utilizadas na confecção do brinquedo. • Não utilize embalagens de produtos tóxicos, mesmo limpas elas podem conservar resíduos perigosos e nocivos à pele ou causar uma intoxicação se levados à boca, olhos ou nariz. • A confecção e a brincadeira deverão ser realizadas sempre com a supervisão de um responsável adulto. • Brinquedos confeccionados com barbantes, fios ou laços com tamanho superiora 15 cm podem oferecer riscos de estrangulamentos. • Caso o brinquedo desmonte ou solte alguma peça, separe-o para fazer o reparo necessário ou descarte-o. De preferência, opte pela reciclagem dos materiais. • Após a brincadeira avalie se os brinquedos ainda estão em boas condições de uso e segurança e guarde-os em um local seguro. • Supervisione o local da brincadeira e verifique se não ficou alguma parte ou peça solta dos brinquedos. • Peça a participação e ajuda dos participantes também na organização do espaço da brincadeira. • Ao escolher o local para as brincadeiras, dê preferência para um local acessível, livre de barreiras, com piso regular e antiderrapante. O QUE É MEMÓRIA DE TRABALHO? Memória de trabalho é a informação que você consegue conscientemente verificar em sua mente a qualquer momento. É como se fosse um espaço onde, temporariamente, captura-se as informações que são necessárias por um período pequeno de tempo. Ter uma memória de trabalho desenvolvida é o mesmo que ter a habilidade de reter novas informações por um tempo suficiente para poder fazer algo com elas. Pode-se dizer que a memória de trabalho é um pouco limitada. Percebe-se o quão difícil é tentar lembrar de uma frase comprida ou até mesmo um número com muitos dígitos como no caso do número do telefone de alguém. Mas ao verificar-se pessoas que tem a memória de trabalho bem desenvolvida, nota-se que elas procuram uma forma mais fácil de reter e manipular as informações que recebem sem precisar fazer anotações disto, por exemplo, elas conseguem resolver problemas matemáticos de cabeça, lembrar de instruções de direção que leu há vários minutos atrás, recordar o nome de todas as pessoas de um grupo em que acabou de 1 conhecer. A memória de trabalho é uma das funções executivas, pode-se dizer que é um componente dos processos cognitivos do cérebro. As outras duas funções executivas centrais são a flexibilidade e o autocontrole/autorregulação. POR QUE A MEMÓRIA DE TRABALHO É IMPORTANTE? Professores têm se preocupado com o comportamento de seus alunos em relação a insuficiência da memória de trabalho dos mesmos. Se você que está lendo este material for professor, responda: alguma vez já se queixou porque algum de seus alunos não seguiu suas instruções e fez um grande esforço com várias etapas para realizar algo? Eles esquecem as coisas que você acabou de ensinar ou tem problemas de copiar informações e fazer anotações? Ou eles se perdem na realização de seus afazeres e precisam ser lembrados constantemente do que precisam fazer, ou tem dificuldades de recontar alguma história e explicar estratégias que utilizaram para executar algo? Tudo isso são indicações de uma memória de trabalho fraca. E não é surpreendente dizer que crianças que possuem este comportamento têm dificuldades acadêmicas, especialmente em relação à leitura e matemática. Na maioria das vezes, as pessoas não fazem conexão de que memória de trabalho faz parte do problema. Não percebe que quando as crianças parecem estar sonhando acordadas e não participam de uma atividade pode ser porque suas memórias de trabalho estão lotadas e seus cérebros simplesmente não conseguem reter mais nenhuma informação a mais, e porque literalmente não conseguem acompanhar, eles se “desligam”. Se houver apoio para a criança desenvolver sua memória de trabalho, ela poderá: - Aplicar informações que acabaram de aprender em novas situações; - Ficar focado e realizar a atividade; - Reorganizar seus pensamentos para receber novas informações; - Fazer melhores anotações e copiar informações com mais precisão - Seguir instruções complexas e em diversas etapas; A memória de trabalho mostrou ser um melhor indicador de sucesso do estudante do que sua pontuação no QI, seus resultados em testes e até mesmo suas atitudes em sala de aula. Um estudo feito por Monica Melby-Lervag e Charles Hulme mostrou que crianças com idade inferior a 10 anos apresentaram benefícios significativos por meio do treinamento da memória de trabalho verbal do que crianças mais velhas, com idades entre 11-18 anos. Por isso, a memória de trabalho é algo que precisa ser abordada na pré-escola, educação infantil e ensino fundamental. POR QUE A MEMÓRIA DE TRABALHO É UM DESAFIO PARA MUITAS CRIANÇAS? Crianças muito pequenas geralmente têm a memória de trabalho menor, isso porque as pessoas dão a elas um tipo de instrução e usam vocabulários simples quando conversam com elas. Conforme essas crianças vão crescendo, suas memórias de trabalho também vão aumentando. Sendo assim, os desafios entorno da memória de trabalho são simplesmente parte do desenvolvimento. Contudo, outras condições podem fazer a memória de trabalho ser prejudicada. Três das principais circunstâncias incluem: quando há distração, quando se tenta reter muitas informações ao mesmo tempo, e quando há engajamento em alguma atividade considerada difícil. Para muitas crianças, isso descreve quase todos os seus momentos no período escolar e quando uma informação é perdida da memória de trabalho, não há como recuperá-la. Isso se deve pelo fato de não ocorrer o armazenamento da mesma na memória de longo prazo. Se alguma vez você se perguntou porque precisa repetir tantas vezes o que falou para uma criança e ela não consegue recordar o que você disse, pode-se dizer que o mistério foi resolvido. Eles se distraem quando há muitas instruções ou estão aprendendo algo, e essas informações simplesmente escapam de suas memórias de trabalho. Por isso, se você não fornecer as informações novamente, elas não conseguem recuperá-las. Além disso, a memória de trabalho, como todas as outras funções do cérebro, ficam com desempenho baixo quando a pessoa está com fome, cansada, com muito stress e até mesmo condições ambientais podem contribuir com isso. Essas são situações comuns em que a maioria dos estudantes lidam diariamente, então não é de se admirar que suas memórias de trabalho sejam tão limitadas. Apenas para exemplificar. Quando nos referimos a crianças que vivem em situações de extrema pobreza, o estresse precoce impactam e muito a memória de trabalho quando estas crianças se tornam adultas. Há um estudo que afirma que pessoas que vivem nestas condições perdem 13 pontos no QI. O principal motivo é porque o cérebro fica constantemente preocupado, tentando atender às necessidades básicas e não há energia suficiente disponível para processar outras decisões. Sendo assim, tanto as emoções autorreguladas como seu desempenho acadêmico são prejudicados. COMO SE SABE QUE É EFETIVO TREINAR A MEMÓRIA DE TRABALHO? Há vários estudos que comprovam isso. Por exemplo, todos os dias durante dois meses, pesquisadores no Japão realizaram um treinamento de 10 minutos com crianças de 8 anos de idade em suas memórias de trabalho. Este treinamento envolveu exercícios mostrando uma série de quatro números às crianças, que, após memorização, precisavam identificar os números da série contando somente com a memória. O resultado do QI de crianças com 8 anos de idade aumentou de 6% para o grupo-controle, já o grupo em que houve o treinamento, o aumento foi de 12%, sendo que crianças com pontuações menores anteriormente obtiveram maiores ganhos. No mesmo artigo, eles citam resultados similares com crianças de 6 e 7 anos de idade, além dos adultos. Todos obtiveram ganhos ao treinarem a memória de trabalho. Saliminem, Strobach e Schubert (2012) confirmam em seus estudos que a construção da memória de trabalho leva cerca de 5 a 10 minutos se for praticado todos os dias por 8 a 22 semanas. Sendo assim, pode-se concluir que em pouco tempo exercitando o cérebro consegue-se resultados significativos.O QUE ESSES JOGOS DE MEMÓRIA DE TRABALHO TÊM RELACIONADO A PESQUISA? Você pode procurar na Internet vários jogos relacionados a memória de trabalho, mas a maioria são programas online disponíveis por assinatura sobre aprimoramento cognitivo. Nenhum deles é especificamente para memória de trabalho e muito menos para se trabalhar em sala de aula. Sendo assim, Watson (2014) verificou artigos que recomendava jogos de memória, mas não tinha nenhum sistema desses disponível. Por isso, ela fez sua própria pesquisa e criou jogos com duração de 5 a 10 minutos por dia para sala de aula. Mediante ao que encontrava sobre jogos que pesquisadores utilizavam com crianças, ela tentou criar jogos que trabalhasse a memória viso-espacial, habilidades auditivas, letras e palavras, além de números. COMO DEVO USAR ESSES JOGOS? A pesquisa mostrou que o treinamento da memória de trabalho apresenta resultados quando feitas em um período pequeno diariamente. Sendo assim, é recomendado jogar por 5 a 10 minutos por dia. As crianças vão mostrar benefícios em poucas semanas de prática. Conforme vai passando o tempo, essas atividades podem se tornar menos atrativas. Por este motivo, recomenda-se implementar este tipo de treinamento em um semestre, ou seja, 9 semanas. Os estudantes fazem o mesmo jogo a semana inteira, ou seja, de segunda a sexta. Na próxima segunda-feira inicia-se um novo jogo, ou seja, você precisa de apenas 9 jogos para realizar este treinamento. Neste material separamos 15 jogos dos quais você pode escolher quais acredita que terá mais engajamento com seus alunos, pois assim poderá ter mais resultados satisfatórios. Você pode selecionar uma variedade de jogos (letras, números, palavras, recordação auditiva e recordação visoespacial) ou focar nas áreas que acredita que precisa trabalhar mais com seus alunos. Uma vez que seus estudantes estejam familiarizados com esses jogos, você pode deixar que escolham qual eles desejam trabalhar. É recomendado que junte alunos que tenham a mesma habilidade. Embora seja importante fazer uma avaliação para determinar as habilidades de memória de trabalho dos alunos, acredita-se que não seja uma avaliação imprescindível. Você pode avaliar os alunos por meio das observações em sala de aula, elencando qual aluno tem uma memória boa, habilidade em ter foco e continuar realizando a atividade. Sendo assim, junte alunos que estão evoluindo com alunos que estão nesse patamar também, e junte os que estão tendo dificuldades com a memória de trabalho. Desta maneira não haverá pressão para fazer as atividades rapidamente ou com a maior precisão possível, respeitando o tempo certo e fazendo com que cada dupla avance de acordo com seu desempenho. Pode remanejar os estudantes, se for necessário. Não é recomendado que o aluno faça a atividade de desafio até o segundo ou terceiro dia de jogo, porque muitos alunos vão querer ir além do que se pede no momento e assim não se beneficiarão da prática. Sempre enfatizar, por exemplo, que eles precisam recordar 4 letras antes de tentar lembrar de 5. Não é necessário fazer um papel de instrução para cada dupla. Você pode projetar as instruções no quadro e explicar o jogo para a sala toda, porque esta abordagem é melhor para alunos mais jovens e pessoas que estão aprendendo a ler. É necessário observar os alunos atentamente quando eles jogam e fornecer ajuda quando necessário. Se a atividade parecer muito difícil, simplifique reduzindo o número de itens que eles precisam lembrar. Depois das 9 semanas, você pode continuar a praticar essas atividades com os alunos que você percebe que ainda estão com dificuldades ou com aqueles que teve uma melhora significativa e você não quer perder este progresso. Essas atividades são ótimas para fazer antes de leituras em grupo ou em grupos pequenos. Os seus alunos podem achar interessante revisar os jogos periodicamente durante o ano. COMO APRESENTAR ESSES JOGOS PARA OS ALUNOS? Comece jogando um dos jogos com eles. Escolha um que você acha que vai interessar mais seus alunos e jogue com a sala toda usando alunos que se voluntariarem. Diga a eles que o jogo parece ser divertido, mas que na verdade o objetivo é ajudar a melhorar a memória deles. Pergunte quais coisas eles gostariam de lembrar e escolha voluntários para responder. Oriente os alunos a atenderem às instruções que você der em sala, as informações que leram no texto e as outras funções da memória de trabalho. Fale sobre o termo “memória de trabalho” e descreva sobre o espaço de trabalho temporário que existe em nossas mentes, onde temos informações que precisamos por alguns momentos. Explique aos alunos que pesquisadores têm descoberto que jogos como este facilitam as crianças a fazerem várias outras coisas. Diga a eles que terão a oportunidade de jogar esses “jogos divertidos” com um colega por 5 a 10 minutos todos só dias por algumas semanas. Reitere que eles se beneficiarão com essas atividades tanto na escola com no seu cotidiano, como, por exemplo, poderão achar mais fácil resolver problemas de matemática de cabeça, prestar atenção no que estão lendo, entre outros. Explique o horário que eles irão realizar esses jogos (se é quando eles chegam na sala, depois do lanche, etc.). Modele e reforce apropriadamente as regras do jogo e como jogar de maneira cooperativa (revezando, sendo solidário e gentil com seu colega, encorajando um ao outro, trabalhando com a frustração, etc.). COMO SABEREI QUE OS JOGOS AUXILIOU NA MELHORA DA MEMÓRIA DE TRABALHO DOS ALUNOS? Observe seus alunos durante o primeiro dia do jogo e anote como eles foram (quantas letras/números eles conseguiram lembrar na sequência, etc.). Se você quiser dados mais controlados, jogue por um minuto ou dois com cada um deles e assim poderá usar esses dados como uma base. Depois das 9 semanas ou quantas semanas você escolheu para usar os jogos na sua sala, peça para os estudantes jogarem o mesmo jogo que você iniciou com eles e anote o resultado deles. O QUE MAIS EU POSSO FAZER PARA MELHORAR A MEMÓRIA DE TRABALHO DOS MEUS ALUNOS? É algumas evidências que o cérebro pode ser treinado para processar informações com mais eficiência por meio de atividades como: Video-Game como Hop Hop Frog e Ribbit Frog Ribbit; Palavras Cruzadas; Palavras- chave; Artes marciais; Mestre mandou. ONDE PODEMOS APRENDER MAIS SOBRE MEMÓRIA DE TRABALHO? Caso queira aprender mais sobre como ajudar as crianças a desenvolverem sua memória de trabalho, observe: BRINCAR É UM DIREITO DE TODOS! Montar, colorir, pintar, cantar, dançar... Aprender. Brincar é um exercício de imaginação e busca de novas habilidades que enriquece o processo de aprendizagem de qualquer criança – tenha ela ou não uma deficiência. Porque criança não aprende por teorias, mas pelo o que tem a vivenciar. E acredite, criança é tudo igual: quer descobrir, ser desafiada, ter amigos, sonhar. E um dia, quando as brincadeiras findarem, o que mais a marcará é o afeto e as emoções que ela viveu enquanto brincava. E isso faz toda a diferença para um futuro feliz. Convido você a instigar essas fontes inesgotáveis de potencialidade a partir da arte de brincar. Prepare-se para a diversão e boa brincadeira! Mara Gabrilli REFERÊNCIAS ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. Petrópolis: Vozes, 1998. CUNHA, Nylse Helena Silva. Criar para brincar: a sucata como recurso pedagógico: atividades para psicomotricidade.São Paulo: Aquariana, 2007. FERLIN, Ana Maria; GOMES, Daisy A. C. 90 idéias de jogos e atividades para sala de aula. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008 FRIEDMANN, Adriana. Brincar: crescer e aprender. O resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996. IDE, Sahda Marta. O jogo e o fracasso escolar. In: KISHIMOTO, Tisuko M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2008. p. 89-107. KISHIMOTO, Tisuko M. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira, 1994. ______. (orgs). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 11ª ed. São Paulo:Cortez, 2008. ______. Jogos Tradicionais Infantis – O jogo, a criança e a educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993. MAJOR, https://institutoneurosaber.com.br/tag/memoria/. Acesso.06.10.2020 Instituto Mara Gabrilli.Brinquedos e Brincadeiras inclusivas. OLIVEIRA, Eunice Eichelberger de. Piaget, Vygotsky e Winnicott: relação com jogo infantil e sua aplicação na área da psicopedagogia. Disponível em: http://www.abpp.com.br/artigos/61.htm. Acesso em: 14.05.2012. PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. SOARES, Jiane Martins. A Importância do Lúdico na Alfabetização Infantil. Disponível em: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1869. Acesso em: 14.05.2012. SOUZA, Edson Roberto. O lúdico como possibilidade de inclusão no Ensino Fundamental. Disponível em: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/ article/view/5856. Universidade Federal de Santa Catarina. Revista de Educação Física, Esporte e Lazer. Acesso em: 14/05/2012. https://institutoneurosaber.com.br/tag/memoria/