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Agravo Regimental AV1

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Bruna Santana Luz
201101541504
Dado o caso apresentado para análise e avaliação, cabe nos apresentar algumas considerações; quais sejam:
1. DO CONTEXTO SOCIAL
Quanto ao interesse social, este se verifica quando a administração estiver diante de interesses que atinjam as camadas mais pobres da população, sendo necessária a promoção da melhoria nas condições de vida, a redução de desigualdades, bem como o melhoramento na distribuição de renda e riquezas. Por fim, cumpre tecer algumas considerações sobre o procedimento da desapropriação, o qual é dividido em duas fases: a primeira, denominada declaratória, tem por escopo a declaração expropriatória, formalizada por meio de lei ou decreto emanado do chefe do Poder Executivo (presidente, governadores, prefeitos e interventores), nos termos do art. 8º do Decreto-Lei 3.365/41; a segunda fase, chamada executória, diz respeito às providências no plano concreto para a efetivação da manifestação de vontade relativa à primeira fase, podendo ser subdivida em administrativa (quando o poder público e o expropriado acordam quanto a indenização e o ato da expropriação) ou judicial (quando a administração ajuizar ação expropriatória perante o Poder Judiciário).
2. Dos Fatos Relevantes
O caso em tela busca a anulação do Decreto 73.892/2012 do Estado do Rio de Janeiro, que declarou como de utilidade pública (para fins de desapropriação), prédio cujo aforamento é da União. 
Ademais, cabe ressaltar que o prédio em questão é de domínio útil da Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A
 3 . Dos Fundamentos 
No caso, apresentam-se vários dispositivos constitucionais e legais que justificam a desapropriação de imóvel pelo Estado do Rio de Janeiro, ainda que tal imóvel seja de propriedade da União, contrariando-se o disposto no parágrafo 3° do Art. 2 da Lei 3365/41 que nos diz:
Art. 2o  Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios.
§ 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e emprêsas cujo funcionamento dependa de autorização do Govêrno Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República.   
Dentre os fundamentos normativos do caso em tela, os que mais se destacam são:
Princípio da Supremacia do Interesse Público em detrimento do interesse privado – Gostaria de ressaltar a importância de tal princípio a ponto de justificar a possibilidade de limitação da abrangência de dispositivo legal (art. 2°, parágrafo 3° da Lei 3365/41 e Súmula 157 STF).
Ainda sobre princípios, talvez este seja o mais incisivo no caso apresentado, trata-se da Função Social da Propriedade. Pode-se afirmar que nem toda propriedade privada constitui um direito fundamental garantido pela Constituição. A função social da propriedade consiste no dever fundamental de o proprietário dar à propriedade privada uma destinação social adequada constitucionalmente, Quanto ao interesse social, este se verifica quando a administração estiver diante de interesses que atinjam as camadas mais pobres da população, sendo necessária a promoção da melhoria nas condições de vida, a redução de desigualdades, bem como o melhoramento na distribuição de renda e riquezas. Por fim, cumpre tecer algumas considerações sobre o procedimento da desapropriação, o qual é dividido em duas fases: a primeira, denominada declaratória, tem por escopo a declaração expropriatória, formalizada por meio de lei ou decreto emanado do chefe do Poder Executivo (presidente, governadores, prefeitos e interventores), nos termos do art. 8º do Decreto-Lei 3.365/41; a segunda fase, chamada executória, diz respeito às providências no plano concreto para a efetivação da manifestação de vontade relativa à primeira fase, podendo ser subdivida em administrativa (quando o poder público e o expropriado acordam quanto a indenização e o ato da expropriação) ou judicial (quando a administração ajuizar ação expropriatória perante o Poder Judiciário).
4. Da Decisão
A decisão foi pelo não provimento do agravo, observando-se o disposto no Art.173 da CRFB/88, o que dispõe a Lei 3365/41 e a Súmula 157 do STF, refletindo também a autonomia dos estados membros.
A decisão, para o ordenamento jurídico, não enseja precedentes para desapropriação sem o cumprimento dos requisitos legais, nem interpretação limitativa/restritiva do disposto no art. 2°, parágrafo 3° da Lei 3365/41
A decisão, para as partes envolvidas, mostra-se como uma mitigação da função social da propriedade frente ao pacto federativo e autonomia dos Estados Membros.

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