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Versão On-line ISBN 978-85-8015-076-6 Cadernos PDE OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE NA PERSPECTIVA DO PROFESSOR PDE Artigos A importância da leitura para o desempenho escolar, o crescimento intelectual e a emancipação do aluno. ZACARIAS, Iraci Lapietra1 PALMA, Rejane Christine de Barros2 RESUMO A leitura é uma ferramenta essencial à aprendizagem e a aquisição do hábito de ler é um processo muito importante para o desenvolvimento intelectual. Neste sentido, este trabalho consiste em discutir a importância da leitura para o desempenho escolar, crescimento intelectual e a emancipação do aluno. A fundamentação teórica deu-se a partir dos autores: Silva (1993), Zilberman (1995), Freire (1986), Zulim (2011), Lajolo (2002), Fernandez (2009) e Bamberger (1995). Os temas abordados foram: a leitura e a formação de leitores, conceito de leitura, a leitura prazerosa, leitura de mundo, o desafio de formar leitores e por fim a leitura virtual. O trabalho possibilitou considerar que a habilidade de leitura é fundamental para o desempenho escolar do aluno, mas é necessário que o ensino da leitura seja de responsabilidades não somente do professor de Língua Portuguesa, mas de todas as áreas do conhecimento. Palavras-chave: Aluno. Habilidade de leitura. Desempenho escolar. 1 Professora da Rede Estadual do Estado do Paraná. Integrante do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE - 2013). Graduada em Pedagogia 2 Professora Orientadora da (UEL) - PDE SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO Superintendência da Educação Diretoria de Políticas e Programas Educacionais Programa de Desenvolvimento Educacional 1 INTRODUÇÃO Esta pesquisa tem como objetivo realizar a proposta de estudos desenvolvidos pelo PDE – Programa de Desenvolvimento Educacional de Capacitação Continuada da SEED - Estado do Paraná, junto aos professores da rede, que proporciona momentos de estudo e aprofundamento nas questões relacionadas à reconstrução da prática pedagógica articulando às experiências profissionais, os estudos realizados e os conhecimentos adquiridos durante o curso. O tema “leitura” foi escolhido por perceber que atualmente o desempenho escolar dos alunos da educação básica do ensino público não tem demonstrado bons resultados, a essa dificuldade pode-se atribuir a deficiência no ensino da leitura e consequentemente as dificuldades de compreensão textual, portanto isso motivou a realização da pesquisa com os alunos do ensino médio do período noturno no Colégio Estadual do Campo Coronel Luiz José dos Santos, situado no Distrito de Pirapó – Município de Apucarana. Realizar uma pesquisa que tenha relevância no contexto escolar voltada à leitura é de fundamental importância em todas as disciplinas das diversas áreas do conhecimento, a fim de colaborar para o enriquecimento das práticas pedagógicas nesta instituição de ensino. O questionamento dos professores, em meio a muitas dificuldades apresentadas pelos alunos pode-se destacar a dificuldade de interpretação das mais variadas leituras e a falta de argumentação ao realizarem as produções textuais. A intenção com esta pesquisa foi propiciar experiências de leitura contribuindo para melhorar o desempenho escolar. Apesar de estar ciente que os resultados desse trabalho não serão imediatos, acredita-se em uma iniciativa de ação pedagógica prazerosa que possa ter continuidade e envolver todo o coletivo escolar por meio da consciência e reconhecimento da necessidade de saber ler. Dessa forma buscou-se fundamentar a pesquisa nas obras de Silva (1993), Zilberman (1995), Freire (1986), Zulim (2011), Lajolo (2002), Fernandez (2009) e Bamberger (1995). Os temas abordados foram: a leitura e a formação de leitores, conceito de leitura, a leitura prazerosa, leitura de mundo e por fim a leitura digital. Nessa perspectiva busca-se resposta à seguinte questão: De que forma o pedagogo pode mediar à leitura no ambiente escolar como uma ação pedagógica incentivadora junto a professores e alunos contribuindo na aquisição do hábito de ler? Para tanto, o objetivo geral desta pesquisa visa compreender a importância da leitura para o desempenho escolar, o crescimento intelectual e a emancipação do aluno. 2. A LEITURA E A FORMAÇÃO DE LEITORES Ao longo de sua história, o homem foi se desenvolvendo e criando condições que o tornaram um ser social. Dentre essas condições, temos a comunicação que evoluiu junto com o avanço da sociedade e que sempre foi utilizada para informar e serviu como instrumento de dominação. Nos dias atuais, a comunicação, mais do que nunca, é fundamental na formação do cidadão crítico e consciente de seu papel no mundo em que está inserido. A leitura é a habilidade que proporciona autonomia, segundo as DCEs3, (2008), favorece o desenvolvimento de uma atitude crítica que leva o aluno a perceber o sujeito presente nos textos e, ainda, tomar uma atitude responsiva diante deles. No que diz respeito à compreensão do mundo e às múltiplas possibilidades de interpretar os fatos e desvendar, entre a infinidade de informações com as quais a pessoa é bombardeada todos os dias, os valores, princípios, concepções que as sustentam, podendo escolher quais desses valores enriquecem sua experiência pessoal e quais devem ser questionados para a transformação da própria sociedade. Fazemos parte de um mundo globalizado, em que os meios tecnológicos avançam em uma velocidade assustadora. Para atuar nesse mundo, em que as informações viajam em uma velocidade surpreendente, as pessoas que não tiverem desenvolvido sua capacidade de comunicação, no real sentido da palavra, ficam à margem de todos esses avanços. Bamberger (1995, p. 11), afirma que: A leitura favorece a remoção das barreiras educacionais de que tanto se fala, concedendo oportunidades mais justas de educação principalmente através da promoção do desenvolvimento da linguagem e do exercício intelectual, e aumenta a possibilidade de normalização da situação pessoal de um indivíduo. Atualmente a exclusão social ainda se faz presente na sociedade brasileira e está bem visível no meio escolar, como relata Silva (1994) o ensino no Brasil se dá 3 Diretrizes Curriculares Estaduais da Educação Básica do Estado do Paraná de Língua Portuguesa. por um processo de transferência de responsabilidade, isto é o aluno avança para série seguinte sem ter se apropriado de conhecimentos das séries anteriores e como consequência disso não consegue interpretar ou posicionar-se de forma crítica diante dos textos que circulam dentro e fora da escola, provocando consequências negativas como sentimento de incapacidade, repetência e evasão escolar. Dessa forma os resultados positivos, que apresentem índices educacionais elevados e que forçam a aprovação dos alunos, mesmo que estes não apresentem as condições mínimas para avançar em sua escolarização, são para camuflar a situação em que se encontra a educação no Brasil. Somem-se a isso fatores como: desvalorização dos profissionais da educação, violência, número elevado de alunos por turma, diversidade cada vez maior dos níveis de escolaridade em uma mesma turma. Todos esses fatores propiciam uma dificuldade cada vez maior de formarmos leitores reais. A maioria desses problemas é estrutural e depende de uma política de educação maior que demanda investimentos, legislação específica e um tempo demasiadamente longo. Enquanto isso não ocorre, estamos observando a formação de analfabetos funcionais, conforme as Diretrizes Curriculares Estaduais de Língua Portuguesa, (2008, p. 48) [...] Mesmo vivendo numa época denominada “era da informação”, a qual possibilita acesso rápido à leitura de uma gama imensurável de informações, convivemos como índice crescente de analfabetismo funcional, e os resultados das avaliações educacionais revelam baixo desempenho do aluno em relação à compreensão dos textos que lê. Alunos capazes de decodificar os símbolos, mas incapazes de realizar a interpretação do que estão lendo, compreender a mensagem ali exposta e interagir de forma consciente a partir da informação recebida. Apesar de não termos condições de transformar os problemas estruturais, podemos tentar modificar nossa realidade próxima, buscando possibilidades de trabalhos que possam recuperar essa deficiência, além de conscientizar os alunos sobre a importância do processo de leitura para sua vida cotidiana. Para Silva, (2005, p. 24): [...] a prática de leitura é um princípio de cidadania, ou seja, o leitor cidadão, pelas diferentes práticas de leitura, pode ficar sabendo quais são suas obrigações e também pode defender os seus direitos, além de ficar aberto às conquistas de outros direitos necessários para uma sociedade justa, democrática e feliz. Quando a aprendizagem é relevante e o aluno atribui algum significado para o que está sendo aprendido, ela ocorre de maneira concreta possibilitando ao indivíduo atuar como cidadão consciente de seus direitos e deveres no meio em que vive. 2.1 CONCEITO DE LEITURA De acordo com Silva (2005, p. 94, 95), “O ato de ler é uma necessidade concreta para a aquisição de significados e, consequentemente, de experiência nas sociedades onde a escrita se faz presente”. As Diretrizes Curriculares da Educação Básica mostram que ler é familiarizar- se com diferentes textos produzidos em diversas esferas sociais, estabelecendo relações entre os signos explícitos e implícitos, isto é compreender o sujeito presente na leitura tanto o que está de forma clara, como o que está oculto e atribuir significados, posicionando sobre os fatos conforme a intenção que cada texto traz. Portanto, ler não significa somente decodificar os códigos linguísticos, fazer junções e formar palavras, é muito mais que isso, é compreender, Interpretar e ser capaz de formar opinião crítica sobre o que lê, ou seja, a leitura é a forma como o indivíduo pode interpretar os registros de ideias ou informações presentes nos livros, jornais e dos mais variados textos que circulam na sociedade. Dessa forma, a leitura favorece o desenvolvimento do raciocínio, a capacidade de interpretação e de posicionar-se sobre os fatos. Silva, (1996, p. 42), conceitua a leitura e a sua importância, principalmente através do livro para o ensino escolar: “Em termos de realidade educacional brasileira, as funções da leitura podem ser explicitadas da seguinte forma: - Leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento e mais essencial ainda a própria vida do ser humano. (O patrimônio simbólico do homem contém uma herança cultural registrada pela escrita. Estar com e no mundo pressupõe, então atos de criação e recriação direcionados a essa herança. A leitura, por ser uma via de acesso a essa herança, é uma das formas do Homem se situar com o mundo de forma a dinamizá-lo). - Leitura está intimamente relacionada com o sucesso acadêmico do ser que aprende; e, contrariamente, à evasão escolar. (Modernamente, a escola é a principal responsável pelo ensino do ler e escrever. Apesar da presença marcante dos meios audiovisuais na sociedade e em geral, a escola ainda parece utilizar o livro como principal instrumento de aprendizagem nas diferentes disciplinas. Não ser alfabetizado adequadamente pode significar grandes dificuldades – quase sempre frustradoras – na aquisição do currículo escolar). - Leitura é um dos principais instrumentos que permite ao Ser Humano situar-se com os outros, de discussão e de crítica para se poder chegar à práxis; (O contexto da maioria das escolas nacionais ainda está longe de outros recursos de conscientização – a ciência e a cultura chegam às escolas através do livro; negar isto é formar o modelo da escola ideal, mas não considerar concretamente as escolas). - A facilitação da aprendizagem eficiente da leitura é um dos principais recursos de que o professor dispõe para combater a massificação galopante, executada principalmente pela televisão; (Mesmo com a presença marcante de outros meios de comunicação, o livro permanece como o veículo mais importante para a criação, transmissão e transformação da cultura). - A leitura, possibilitando a aquisição de diferentes pontos de vista e alargamento de experiências, parece ser o único meio de desenvolver a originalidade e autenticidade dos seres que aprendem. (A tecnologia exigida na instalação de certos recursos eletrônicos nas escolas brasileiras parece envolver custos que as autoridades não se predispõem a pagar. Por outro lado, a utilização desses recursos depende da atualização e treinamento dos professores. O livro, dadas as suas condições de produção e manuseio, levanta-se como o recurso mais prático para a difusão do conhecimento no meio escolar). De acordo com o autor, é por meio da leitura que o indivíduo adquire o conhecimento necessário para ter uma vida autônoma, é um instrumento fundamental na vida escolar do aluno, pois possibilita a oportunidade de compartilhar experiências, promover o desenvolvimento da personalidade dos jovens, abrindo as portas do conhecimento, servindo como alavanca para a uma conquista emancipadora, amplia os horizontes provocando expectativas e estabelece um conceito global do mundo. O autor enfatiza o livro como sendo o meio mais prático e mais acessível a todos para promoção da leitura. 2.2 A LEITURA PRAZEROSA A leitura é uma prática essencial em qualquer área do conhecimento, está presente em toda parte e o ser humano entra em contato logo nos primeiros anos de escolarização, por meio do mecanismo da decodificação das letras no período de alfabetização, portanto é importante enfatizar que não pode ficar somente na decodificação, mas acrescentar significado e compreensão que é fundamentalmente importante na prática da leitura. Durante a trajetória acadêmica do aluno, é mais frequente utilizar o livro didático, apostilas, textos, leitura suplementar e etc..., material que o professor utiliza como apoio pedagógico durante as aulas, ao se tratar de leitura prazerosa, são bastante superficiais. Portanto o hábito de ler não está sendo desenvolvido efetivamente no ambiente escolar. De acordo com SILVA, (1996, p. 33): [...] na ausência de informações que orientam uma prática mais eficiente, o ensino da leitura parece ser realizado ao acaso, fazendo com que os professores ajam através do ensaio-e-erro quando da abordagem de materiais escritos junto a seus alunos. Dessa forma seria muito importante se o professor utilizasse o material de apoio, como o livro didático, apostilas, textos e outros, com seus alunos de maneira interessante contribuindo para despertar o interesse e o gosto pela leitura. O ambiente escolar tem a responsabilidade de desenvolver ações para incentivar o hábito de ler, pois é o lugar que o aluno recebe as orientações necessárias para a construção do conhecimento. Em complemento, Bamberger, (1995, p. 6), afirma: [...] que professores interessados e informados, sendo eles mesmos bons leitores, podem fazer com que os alunos experimentem na leitura um prazer idêntico ao seu, e também que existe esse prazer e o acesso ao livro nas salas de aula. Portanto, a aquisição da habilidade de leitura, se deve ao contato contínuo com os livros, que desperta a motivação e o interesse por ler. Esse incentivo pode ocorrer tanto no meio familiar com exemplo dos pais ou de outros parentes, ou na escola na qual é considerada a responsável em promover o conhecimento ao aluno pela ação mediadora do professor e práticas voltadas ao incentivo à leitura. É muito importante a mediação do professor para o ensino da leitura, porém nãoconvém impor ao gosto e interesse do aluno, mas é indispensável que acompanhe, incentive e respeite sua escolha como forma de motivação para despertar o desejo, e o prazer em ler. Conforme a orientação da Coleção Explorando o Ensino – Literatura, (2010, p. 109): [...] Cabe ao professor planejar e conduzir tarefas escolares, dentre as quais está à leitura dos diferentes gêneros, mas a livre escolha dos alunos também é um momento importante na formação do leitor autônomo. Por isso é interessante deixar que os alunos façam suas escolhas ou se orientem pelas escolhas dos colegas. Ainda Bamberger (1995, p. 31), diz: [...] A percepção dessas motivações e interesses esclarece qual é a tarefa do professor: treinar jovens leitores bem-sucedidos, apresentando-lhes o material de leitura apropriado, de modo que o êxito não somente inclua boas habilidades de leitura, mas também o desenvolvimento de interesses de leitura capazes de durar a vida inteira. Nesse contexto, o indivíduo é independente para escolher o que lhe convém conforme seu interesse, porém o professor pode contribuir com essas escolhas, conforme relata Zilberman (1999, p. 66): Os professores podem ser de grande valia para despertar a curiosidade intelectual (...) incitando os alunos a ler, sem outra indicação além de uma lista, tão extensa e tão variada quanto possível, de livros apropriados à idade, à inteligência dos jovens leitores e através da qual farão sua escolha livremente, com o propósito de aprender mais e de se distraírem. O essencial é despertar o gosto pela leitura. Portanto, o professor é peça fundamental na mediação de leitura, é ele o ponto de referência para o aluno e o contato com os livros e textos literários deve ser constante na sala de aula. Sendo o professor o maior incentivador em formar leitores, é essencial que ele faça indicações e comentários de livros e apresente uma diversidade de leitura para despertar o interesse e a curiosidade nos alunos, principalmente se demonstrar uma boa relação com os livros. 2.3 LEITURA DE MUNDO Freire (1986, p. 22), diz que “(...) a leitura de mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele.” Dessa forma a prática da leitura é fundamental para o indivíduo compreender melhor o que passa a sua volta, permite a aproximação do sujeito com o conhecimento, amplia o entendimento, dá significado ao mundo das palavras, permite situar-se na sociedade de forma participativa, estabelecendo relações entre o que já sabe com a ideia do outro possibilitando ampliar seus conhecimentos. Silva (1996, p. 43) afirma que: [...] ao experimentar a leitura, o leitor executa um ato de compreender o mundo. De fato o propósito básico de qualquer leitura é a apreensão dos significados mediatizados ou fixados pelo discurso escrito, ou seja, a compreensão dos horizontes escritos por um determinado autor em uma determinada obra. O ato de ler deve estar presente necessariamente no meio escolar, por estar diretamente relacionado ao desempenho escolar dos alunos. Cabe ao professor a mediação e organização de atividades voltada para um trabalho contínuo de leitura na sala de aula, que certamente provocará o gosto dessa prática para toda a vida. A responsabilidade da escola deve pautar nas orientações de Lajolo (1997, p. 7): [...] Lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode encerrar-se nela. Diante disso, percebe-se a importância da leitura na vida das pessoas, além da informação e formação, ela é instrumento poderoso na educação. Quanto mais se busca a leitura, mais interessante e necessária ela se faz para o indivíduo compreender a sua relação com o mundo. O professor tem acesso às diversas ferramentas para preparar suas aulas, porém, tanto o livro didático como o de literatura são materiais inigualáveis, que permite ao indivíduo um mundo infinito de conhecimento. Os alunos têm contato com livros no percurso de sua formação, porém muitas vezes acaba sendo o livro didático o único instrumento de leitura utilizado. Portanto, se é através da leitura que se consegue buscar conhecimento, limitando em usar somente o livro didático ou algumas leituras que o professor proporciona em suas aulas, muitas vezes somente na responsabilidade do professor de língua portuguesa, é muito pouco para adquirir o conhecimento básico e o hábito de leitura. Segundo Silva (1995) a leitura não está presente somente na disciplina de língua portuguesa, mas também em todas as disciplinas acadêmicas que tem como objetivo transmitir os conhecimentos, informações, cultura e valores a novas gerações. Isto é, os professores das diversas áreas do conhecimento podem contribuir participando das ações pedagógicas referentes à leitura. Sendo a leitura um importante recurso para ampliar os conhecimentos e promover a aprendizagem, é importante a necessidade de trabalhar o ensino da leitura em conjunto para que o saber se concretize, segundo Zulim (2011, p. 23), o professor é responsável em pensar e criar situações para trabalhar a leitura, é ela que vai dinamizar e incentivar a vontade de pesquisar e conhecer, quando afirma: [...] É possível que, dessa forma, estejamos contribuindo para a formação de leitores mais autônomos e competentes, sem pensar em leitura como obrigação escolar, mas como ferramenta com a qual se adquire conhecimento para uma vida. Pensamos ser isso fundamental porque ler é construir uma concepção de mundo, é ser capaz de compreender, analisando e posicionando-se criticamente frente às informações colhidas, o que permite ao leitor exercer, de forma mais abrangente e complexa, seu papel de sujeito da própria história. Portanto, é por meio da leitura que os alunos irão construir seus conhecimentos, ampliar seu vocabulário, estar em contato com outras ideias, possibilitando apreciar e opinar sobre os diversos assuntos que circulam no meio em que está inserido e também aos que se referem ao mundo exterior. 2.4 LEITURA DIGITAL A difícil tarefa de transformar o aluno em aluno leitor está entre um dos principais problemas enfrentado pela escola. Despertar o gosto pela leitura atualmente com o uso desenfreado de outros meios de comunicação, pelos jovens, como a internet acaba sendo uma disputa aflitiva. Diante de inúmeras atrações que lhes são oferecidas, é impossível evitar que o aluno não acesse outros sites de seu interesse que não contribuem em nada para a sua formação, quando o professor leva suas turmas para o laboratório de informática. Embora a meta seja auxiliar o aluno na condição de aluno leitor, ou seja, torná-lo capaz de compreender, interpretar e criar o seu próprio texto a partir de sua visão de mundo, a realidade é que a leitura na escola é trabalhada como tarefa escolar, de forma imposta, contribuindo com o desinteresse e dificultando ainda mais o trabalho do professor, já que os meios de comunicação audiovisuais tornam-se mais atrativos que os livros e tem uma influência muito forte na sociedade. A escola sendo responsável em formar leitores, deve oferecer diversas formas de leitura para incentivar a clientela, além da leitura impressa, não se pode deixar de dar ênfase à leitura da esfera digital que atrai as novas gerações pelo fator de estar atrelada a tecnologia, o que pode ser uma forma de motivação. À leitura é atribuído um novo olhar, como afirma as Diretrizes Curriculares da Educação Básica do Estado do Paraná de Língua Portuguesa (2008, p. 297): Os processos cognitivos e o modo de ler nessa esfera também mudam (...). No ambiente digital, o tempo, o ritmo e a velocidade de leitura mudam (...). A leitura do texto digital exige, diante de tantos suporteseletrônicos, um leitor dinâmico, ativo e que selecione quantitativa e qualitativamente as informações (...). Dessa forma o ensino da leitura tanto no material impresso como o digital deve estar continuamente no meio escolar, o processo de aquisição do hábito de leitura é lento e, para tanto se deve ao empenho efetivo do professor, em meio aos avanços tecnológicos que vem crescendo rapidamente por toda a parte. Faz-se necessário ressaltar que sem uma metodologia apropriada para o ensino da leitura, somente o uso das tecnologias não é o suficiente para manter o aluno concentrado. Segundo Fernandez (2009, p. 01): Hoje, observo que estamos diante de múltiplas textualidades, maneiras de ser leitor e de ler coexistindo em distintos espaços que a humanidade transita. A internet acoplada ao computador vem se constituindo num dos ambientes no qual a tríade leitor-leitura-texto está a cada dia que passa sendo redelineada e ressignificada, requerendo de nós, professores e pesquisadores, um olhar aguçado para compreendermos os diversos meandros e matizes dessa relação. A leitura digital é considerada qualquer leitura realizada em tela, por meio do computador, de tablet, celular e etc. diferente da tradicional leitura impressa, porém vale enfatizar que não importa qual a forma a ser adotada na sala de aula, ambas requerem a mediação do professor. Conforme Zulim, (2011, p. 14): Ler com os alunos e para os alunos: São duas atitudes positivas que colaboram para formar o leitor. A afirmação implica em um professor leitor que, ao abrir espaços de leitura literária em suas aulas, utiliza também ele esse espaço para ler. E assim, instiga a turma a ler mais um livro, seja pelo título, seja porque é visto como exemplo. Além disso, dispensar um “tempinho” no início, no final da aula, ou mesmo antes de liberar a turma para o intervalo, lendo aos alunos um conto, uma crônica ou um poema bem escolhidos, capazes de encantar, também contribui, e muito, para formar leitores. Ao referenciar a tecnologia pode-se dizer que são todos os artefatos culturais presentes no dia a dia das pessoas, já não se consegue viver sem fazer uso desses recursos. No campo da educação percebemos que a tecnologia contribui para aprimorar e dinamizar as ações pedagógicas e possibilita uma nova forma de trabalhar o ensino da leitura. 3. METODOLOGIA Este trabalho faz parte do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) da Secretaria de Educação do Estado do Paraná. O projeto de intervenção pedagógica foi realizado no primeiro semestre de 2014, no Colégio Estadual do Campo Coronel Luiz José dos Santos–Ensino Fundamental e Médio, na cidade de Apucarana, participaram deste projeto nove professores das disciplinas de arte, biologia, educação física, física, língua espanhola, língua portuguesa, matemática, química e sociologia e um total de 49 alunos, da 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio do período noturno. Para coleta de dados foi aplicada junto aos professores e alunos participantes da implementação do projeto no colégio uma entrevista contendo questões abertas e fechadas. A entrevista com os professores constituiu-se por seis questões abertas o que permitiu aos participantes responderem com seus próprios termos, visando atingir os objetivos propostos pela pesquisa, realizadas com nove de um universo de onze professores das diversas áreas do conhecimento, evidenciando os seguintes aspectos: formas de trabalhar com a leitura em sua disciplina; dificuldade em trabalhar a leitura; a importância do projeto de leitura; utilização da biblioteca do colégio; interesse dos alunos em ler. Com os alunos, foi realizada uma entrevista com 6 questões fechadas e duas questões abertas, foram entrevistados 49 alunos, abordando as seguintes questões: Se gosta de ler; se compreende o que lê; se lê com frequência; possui motivos que impeça a ler; assunto preferido de leitura; motivação para ler; a disciplina que a leitura é mais exigida. O projeto foi apresentado aos professores que tiveram uma participação fundamental em conduzir e incentivar as aulas de leitura que aconteceram semanalmente na sala de aula. Foi um total de 20 aulas que aconteceram uma vez na semana, em dias e aulas alternados de forma que não acarretasse prejuízo de conteúdos aos alunos. Durante a execução do projeto foram realizadas atividades de incentivo a leitura como palestra com a professora e escritora Mestre Leny Fernandes Zulim com o tema: As múltiplas faces da leitura: por que é tão importante ser um leitor? Como parte das atividades, foram exibidos dois filmes: Escritores da Liberdade e Cartas para Julieta e construção de mural pelos alunos juntamente com a professora de Arte com sugestões e curiosidades para leitura. O objetivo do projeto era compreender a importância da leitura para o desempenho escolar, crescimento intelectual e a emancipação do aluno. A proposta foi envolver os professores das diversas áreas do conhecimento para despertar nos alunos o gosto e o interesse pela leitura. 4. ANÁLISE DOS DADOS O desenvolvimento das atividades teve início com a apresentação do projeto à diretora, aos professores e posteriormente apresentado aos alunos, na medida em que percebeu-se a necessidade de explicar o porquê estariam participando do projeto. Explicou-se aos alunos que o PDE é um Programa de Desenvolvimento Educacional, cujo objetivo é proporcionar aos professores da rede pública estadual subsídios teórico-metodológicos para o desenvolvimento de ações educacionais sistematizadas, e que resultem em rendimento de sua prática. Antes de iniciar as atividades de leitura, foi distribuído aos 49 alunos participantes um questionário com questões abertas e fechadas a fim de realizar um levantamento prévio acerca da realidade de leitura dos entrevistados. Em consonância à proposição da pesquisa realizada, após a transcrição de todas as entrevistas, analisaram-se as questões, a partir das respostas obtidas, que se referiam aos seguintes assuntos: Se gosta de ler; se compreende o que lê; se lê com frequência; tem dificuldade em ler; o assunto preferido de leitura; importância da leitura para as pessoas; situação que o levou a ler; disciplina que mais exige a leitura. Estes assuntos foram dispostos em gráficos, contemplando a entrevista completa com os alunos, como podem ser visualizados a seguir: Questão 1: Você gosta de ler? Observa-se que 30 alunos responderam que às vezes gostam de ler, 15 alunos gostam e 4 disseram não gostar de ler. Gráfico 1 Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) Questão 2 - Encontra dificuldades em compreender o que lê? O gráfico aponta que 27 alunos responderam que às vezes não compreendem, 13 alunos encontram dificuldades e 9 responderam que não encontram dificuldades na compreensão do que lê. Dessa forma, percebe-se que é um número expressivo de alunos que encontram dificuldades na interpretação, as Diretrizes Curriculares Estaduais de Língua Portuguesa, (2008, p. 48), mostra claramente quando afirma que: [...] Mesmo vivendo numa época denominada “era da informação”, a qual possibilita acesso rápido à leitura de uma gama imensurável de informações, convivemos com o índice crescente de analfabetismo funcional, e os resultados das avaliações educacionais revelam baixo desempenho do aluno em relação à compreensão dos textos que lê. Diante desses dados, é importante que todos os profissionais assumam o compromisso de trabalhar a leitura na sala de aula, com intuito de melhorar a 15 4 30 Sim Não Às vezes compreensão dos alunos, cordo com Silva (1995) a leitura não está presente somente na disciplina de língua portuguesa, mas também em todas as disciplinas acadêmicas que tem como objetivo transmitir os conhecimentos, informações, cultura e valores a novas gerações. Gráfico 2 Fonte: Entrevistascategorizadas na pesquisa PDE (2014) Questão 3 – Qual o número de livros que você lê em um semestre? A maioria dos alunos respondeu que lê somente um livro, muitos não leem nenhum e poucos leem mais que um livro por semestre. Gráfico 3 Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) Questão 4 - Possui algum motivo que impede você a ler com frequência? A maioria dos alunos atribuiu à falta de tempo o motivo que lhes impede de ler, um número menos significativo respondeu que não há motivo e poucos alunos responderam que é a falta de acesso ao material de leitura e outros motivos. Gráfico 4 13 9 27 Sim Não Às vezes 18 26 5 Nenhum Um dois a quatro Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) Questão 5 – Considera que a leitura é importante para as pessoas? A maioria dos alunos respondeu que a leitura é importante para as pessoas. Gráfico 5 Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) Questão 6 – Qual o motivo que leva você a procurar um livro para ler? Observa-se que a maioria dos alunos procura um livro para ler por meio da própria iniciativa, na sequência pela indicação do professor, em seguida alguns disseram que é pelo título, capa e figura do livro e poucos quando recebe de presente e vê na biblioteca. Gráfico 6 Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 13 25 3 8 Nenhum motivo Falta de tempo Falta de acesso aos materiais de leitura Outros motivos 42 7 Sim Não 16 16 5 6 1 1 Prórpria iniciativa Indicação do professor Pela capa e figuras do livro Pelo título do livro Quando recebe de presente Questão 7 – Qual é seu assunto preferido? De acordo com o gráfico, um número baixo de alunos entrevistados demonstra que preferem ler assuntos de suspense e aventura, em seguida pode-se observar que os gostos estão voltados para esporte e romance, porém a predominância foi por assuntos diversos. Diante desse resultado, é muito importante levar em consideração o gosto dos alunos quando se dispõe a desenvolver um trabalho voltado para despertar o hábito de ler, dessa forma a chance de alcançar o objetivo é bem maior do que por imposição. Segundo a Coleção Explorando o Ensino – Literatura, (2010) v. 20, p 91: Esse cuidado é importante se, de fato, quisermos construir leitores. Oferecer diferentes obras, estimular leituras diversificadas, desenvolver atividades em sala de aula com determinados gêneros é, de fato, imprescindível, mas desqualificar os leitores por causa de suas preferências, ou querer obriga-los a ler em seus momentos de lazer aquilo que achamos mais importante, pode ser desastroso no trabalho de formação de leitores. Portanto ao se propor um trabalho com leitura, não seria viável deixar de considerar a preferência dos alunos, e muito menos obrigar a ler determinados textos que não agradam naquele momento de suas vidas. É importante respeitar a preferência dos alunos, uma vez que poderá ser o canal para o desenvolvimento do hábito de ler, por prazer e que estes assuntos devem ser explorados também pela escola. É possível estimular novas leituras como forma de ampliar o repertório textual e o conhecimento do aluno, oferecendo e incentivando uma variedade de textos literários de diferentes temas, autores e gêneros, sem desvalorizar a sua preferência. Gráfico 7 Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) Questão 8 – Qual a disciplina que exige a leitura com maior frequência? Observou- se que nas disciplinas de geografia; biologia; história; sociologia; filosofia a leitura é trabalhada, mas com mais ênfase na disciplina de íngua portuguesa. Gráfico 8 7 9 5 2 26 Esportes Romance Aventura Suspense Assuntos Diversos Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) Analisando as respostas do questionário, os dados não só revelam, mas ressaltam a necessidade do desenvolvimento de um trabalho para despertar o gosto e o prazer dos alunos pela leitura, pois demonstra o quanto essa prática está frágil e ainda precisa ser incentivada no ambiente escolar. Os dados constatam que apesar da leitura ser fundamental para a interpretação e compreensão do que se está estudando nas várias disciplinas, ainda há uma crença de que a leitura é de responsabilidade da disciplina de língua portuguesa, desta forma perde-se a oportunidade de explorar a leitura em outros contextos curriculares. Conforme aponta Silva 1995, p.23: A promoção da leitura é uma responsabilidade de todo o corpo docente de uma escola e não apenas dos professores de Língua Portuguesa. Não se supera uma dificuldade ou crise com ações isoladas. Falamos em antros de interesse, em interdisciplinaridade, em construção coletiva de conhecimento. A leitura e interpretação estão em todas as áreas do conhecimento, portanto a importância do envolvimento nas ações desenvolvidas pela escola para desenvolver a habilidade de leitura, é um compromisso de todos. As atividades de leituras foram conduzidas pelos professores das diversas disciplinas, aconteceram semanalmente em dias e aulas alternados. Foram disponibilizados e organizados em caixas para facilitar o transporte para as salas de aula e manuseio do material. Durante as cinco primeiras aulas de leitura foram utilizados gibis “Turma da Mônica Jovem e a Turma da Tina – Diga sim à Vida”, com assuntos sobre prevenção de uso de drogas e revistas com assuntos atuais, esse material foi explorado realizando rodízio entre os alunos. Aproveitando esse material as professoras de 32 5 4 4 1 3 Língua Portuguesa Filosofia Sociologia História Geografia Biologia biologia e química trabalharam com os alunos as questões do uso abusivo do álcool e das outras drogas, discutindo o mal que essas substâncias fazem a saúde. O professor de sociologia e educação física trabalharam assuntos relacionados à copa do mundo, com levantamento realizado pelos alunos, dos países que já conquistaram o título de melhor do mundo no futebol e pesquisas sobre a cultura de cada um. A continuação das aulas de leitura aconteceu com a utilização de livros literários, organizados de forma que cada aluno fizesse a escolha conforme sua preferência, após a escolha, foi preenchida a ficha com o nome do aluno, o título do livro, data e espaço para marcação das páginas a cada aula de leitura. As professoras de língua portuguesa e artes realizaram um trabalho com os alunos para fazer um breve resumo do livro já lido, ou que ainda estavam lendo, para relatar a parte que achou mais interessante. Os alunos fizeram essa atividade de forma oral na sala de aula. Como parte das atividades, foram construídos dois murais no pátio do colégio: sendo um para expor as sugestões de leituras já realizadas pelos próprios alunos e outro com assuntos atuais e curiosidades. Para a construção dos murais, a professora de arte colaborou com a montagem e realizou com os alunos a decoração de prendedores com pinturas e desenhos livres, para fixar as leituras nos murais. Foi realizada palestra motivadora sobre leitura com a professora e escritora Mestre Leny Fernandes Zulim com o tema: As múltiplas faces da leitura: por que é tão importante ser um leitor? Os alunos gostaram muito da fala da professora, como podemos perceber em alguns relatos feitos pelos alunos, quando a professora de língua portuguesa solicitou que escrevessem o que achou interessante na palestra: o aluno A, “gostei muito da palestra da professora Leny, depois da explicação de como interpretar uma poesia, me deu até vontade de ler um livro de poesia”; aluno B, “Foi muito legal, ela fez perguntas e brincadeiras para os alunos, aprendi muitas coisa sobre leitura”; aluno C, “Foi muito bom, nem vi o tempo passar, aprendi que a leitura é muito importante para as pessoas”; aluno E, “Ela explicou que precisamos treinara leitura para entender o que o autor quer falar quando escreve”. Foram exibidos dois filmes: Escritores da Liberdade, onde as professoras de língua portuguesa e filosofia fizeram uma reflexão com os alunos sobre a questão das desigualdades sociais. Momento que os alunos puderam refletir que a leitura permite as pessoas compreenderem que todo cidadão tem direito a dignidade, como diz Silva, (2005, p. 24): [...] a prática de leitura é um princípio de cidadania, ou seja, o leitor cidadão, pelas diferentes práticas de leitura, pode ficar sabendo quais são suas obrigações e também pode defender os seus direitos, além de ficar aberto às conquistas de outros direitos necessários para uma sociedade justa, democrática e feliz. O outro filme foi Cartas para Julieta, na qual trabalhou a oralidade e escrita nas aulas de língua portuguesa, arte e filosofia os alunos foram organizados em círculos para conversar sobre o filme e escrever a parte que mais gostou. A análise da entrevista com os professores foi realizada agrupando-se os dados em temas, a partir das respostas obtidas que compreendiam os seguintes assuntos: formas de trabalhar com a leitura em sua disciplina e uso da biblioteca; formação de leitores, e a contribuição do projeto; Interesse dos alunos e dificuldade em trabalhar a leitura. Estas questões foram dispostas em um quadro, contemplando a entrevista completas por disciplina, embora sucinta. Desta forma passou-se a categorizar os dados em classes, questões e respostas e por fim a montagem dos quadros. Como podem ser visualizados a seguir: Quadro 1- Trabalho com a leitura e uso da biblioteca Questões Respostas Como você trabalha com a leitura em suas aulas e em quais situações leva seus alunos à biblioteca? E 1 - Arte – Apresento as obras de arte e o texto, depois os alunos fazem a leitura especificando o autor, momento histórico e as características da obra. Levo a biblioteca quando há necessidade de maiores informações sobre o conteúdo. E 2 – Educação Física – Sempre peço aos alunos para pesquisarem os trabalhos em livros na biblioteca. E 3 – Química e Física – Trabalho os textos científicos e interpretação de dados e levo os alunos a biblioteca para pesquisar na área científica. E 4 – Biologia – Tralho com textos do livro didático, textos xerocados, reportagens de revistas e etc., utilizo a biblioteca em busca de complementação do conteúdo ou em busca de curiosidades. E 5 – Língua Portuguesa – Através de textos diversificados do livro didático, jornais, revistas e livros de literatura. Não levo a biblioteca por não ter espaço físico para todos os alunos. E 6 – Filosofia – Trabalho com textos do livro didático e peço para os alunos lerem um livro por trimestre e não levo os alunos a biblioteca. E 7 – Sociologia – Com textos específicos sobre o conteúdo e não levo os alunos a biblioteca. E 8 – Língua Espanhola – Com vários gêneros textuais, leituras individuais e coletivas, silenciosa e oral, além do livro didático utilizo outros textos e não levo os alunos a biblioteca por não ter material em espanhol. E 9 – Matemática – Às vezes procuro enfatizar a leitura por meio de textos informativos e estatísticos, além dos gráficos e tabelas presentes nos jornais e revista. Levo a biblioteca para pesquisas de vocábulos e história da matemática. Fonte: Entrevistas caracterizadas na pesquisa PDE (2014) Em relação ao trabalho com a leitura, os professores das diversas áreas do conhecimento apresentam a preocupação em propor ações relacionadas ao incentivo e a prática de leitura em suas aulas, de acordo com Zulim, (2011, p. 14): Ler com os alunos e para os alunos: São duas atitudes positivas que colaboram para formar o leitor. A afirmação implica em um professor leitor que, ao abrir espaços de leitura literária em suas aulas, utiliza também ele esse espaço para ler. E assim, instiga a turma a ler mais um livro, seja pelo título, seja porque é visto como exemplo. Além disso, dispensar um “tempinho” no início, no final da aula, ou mesmo antes de liberar a turma para o intervalo, lendo aos alunos um conto, uma crônica ou um poema bem escolhidos, capazes de encantar, também contribui, e muito, para formar leitores. Dessa forma como afirma a autora, vê-se a importância que tem a escola mais diretamente o professor como o mais próximo mediador de leitura e para a formação de leitor, é imprescindível o constante e ininterrupto contato com o livro. Quadro 2 – Formação de leitores, e a contribuição do projeto. Questões Respostas Como sua disciplina pode colaborar na formação de alunos leitores e qual foi à contribuição do projeto? E 1 – Arte – Em momento de leitura de obra de arte. O projeto proporcionou momentos para que os alunos voltassem sua atenção para leitura. E 2 – Educação Física – A pesquisa de vários autores relacionados a disciplina. Contribuiu para os alunos lerem vários temas diferentes. E 3 – Química e Física – Leitura constante para interpretação de questões científicas. Melhorou a concentração dos alunos e na interpretação dos exercícios e resolução. E 4 – Biologia – Incentivando-os com textos interessantes. É necessário continuar com as aulas de leitura, porque quanto maior o exercício eles vão tendo mais interesse. E 5 – Língua Portuguesa – Acredito que formar alunos leitores é o maior objetivo da disciplina, formar leitores críticos, capazes de criar e recriar. Adorei o projeto devemos dar continuidade, pois a leitura é essencial para a formação e inserção do indivíduo na sociedade. E 6 – Filosofia – Questionando as situações, forçando uma reflexão antes de aceitar a respostas das coisas como certas. A leitura contribui para enriquecer o vocabulário e ajuda a comparar as situações que vive com o que lê. E 7 – Sociologia – Buscando o saber através da história da humanidade e sua evolução como indivíduo e classe social. Trouxe novos horizontes e despertou o interesse por materiais diversos. E 8 – Língua Espanhola – Através da prática e incentivo constante de leitura, comentando uma obra que lemos ajuda a despertar o interesse dos alunos. Sempre o trabalho de leitura é gratificante e acaba por despertar o interesse pela leitura. E 9 – Matemática - Interpretando os símbolos, gráficos e os dados estatísticos. A partir do momento que o aluno critica, opina, busca soluções sobre as dúvidas que surgem durante a leitura, contribui para seu aperfeiçoamento. Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) De acordo com o quadro 2, o professor procura incentivar a leitura voltada as questões e assuntos relacionados a sua disciplina, dessa forma, Bamberger, (1995, p. 6), afirma: [...] que professores interessados e informados, sendo eles mesmos bons leitores, podem fazer com que os alunos experimentem na leitura um prazer idêntico ao seu, e também que existe esse prazer e o acesso ao livro nas salas de aula. O contato contínuo com os livros e o exemplo transmitido pelo professor são oportunidades que podem ser proporcionadas aos alunos para a aquisição do hábito de ler. Quadro 2 – Interesse dos alunos e dificuldade em trabalhar a leitura. Questões Respostas O projeto despertou interesse de leitura nos alunos e se encontrou dificuldades em trabalhar a leitura na sua disciplina? E 1- Arte – Em alguns alunos. Não encontrei dificuldade em trabalhar a leitura. E 2 – Educação Física – Houve interesse de alguns alunos. Sim, os alunos às vezes reclamavam por não jogar as modalidades esportivas e para ler. E 3 – Química e Física – No início houve resistência, mas com o tempo foram compreendendo a importância da leitura e o quanto ajuda a compreender uma análise textual. Os alunos perceberam que a leitura é primordial para compreensão conceitual em todas as áreas. E 4 – Biologia – Houve um interesse nos alunos de forma geral, porém uns demonstraram um interesse maior. No inícioos alunos ficaram dispersos, mas com o passar dos dias foi melhorando a concentração. E 5 – Língua Portuguesa – É claro que sempre há algum aluno que não se interessa pela leitura, mas a escola não pode omitir-se da função, porque costuma ser o único espaço de acesso a textos literários. A dificuldade é com o aluno que não e sente atraído pela leitura, mas devemos exercer o papel mediador do conhecimento e utilizar mecanismos de aproximação do aluno com o livro. E 6 – Filosofia – Despertou em alguns alunos e não encontrei dificuldades em trabalhar a leitura. E 7 – Sociologia – Foi bem aceito por todos. Não encontrei dificuldade porque a leitura tem haver com o contexto social dos alunos. E 8 – Língua Espanhola – A maioria dos alunos se interessaram e fizeram vários comentários positivo sobre o projeto. Não encontrei dificuldade porque a leitura faz parte da disciplina que leciono. E 9 – Matemática – Creio que tenha colaborado, no sentido de desenvolver o senso crítico dos alunos. Às vezes por ser ciência exata, acaba ficando mais restrita, pois ficamos mais atentos a dados estatísticos e gráficos. Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) Incentivar a leitura é sempre importante, porém é necessário propor ações contínuas para obter resultados positivos em longo prazo uma vez, que a leitura é um importante recurso para ampliar os conhecimentos e promover a aprendizagem nos alunos, segundo Silva (1996, p. 43): [...] ao experimentar a leitura, o leitor executa um ato de compreender o mundo. De fato o propósito básico de qualquer leitura é a apreensão dos significados mediatizados ou fixados pelo discurso escrito, ou seja, a compreensão dos horizontes escritos por um determinado autor em uma determinada obra. Persistir em ações que desenvolvam o hábito de leitura e apresentar materiais diversificados de leitura é tarefa da escola. Quanto mais variado for o material disponibilizado, maior será a curiosidade e interesse, ressaltando que na escola todos devem ser leitores, não é incumbência apenas de aluno, mas de todos que fazem parte do contexto escolar. 5 - CONCLUSÃO Este trabalho possibilitou maior compreensão e afirmação sobre a importância da leitura para o crescimento pessoal, bem como para ampliar a visão de mundo do leitor. Os autores oferecem um amplo panorama sobre o assunto e mostram que a leitura é um instrumento fundamental na construção do conhecimento, e é necessário ser vista com maior relevância no processo educativo. A leitura está totalmente relacionada ao desempenho escolar do aluno, ela contribui para o aperfeiçoamento do vocabulário, desenvolve sua oralidade, propicia o desenvolvimento do raciocínio, a capacidade de interpretação e a sua emancipação. Bamberger (1995) afirma que a leitura remove as barreiras educacionais e favorece maiores oportunidades na vida das pessoas com relação à educação, promove o desenvolvimento da linguagem e o crescimento intelectual. A escola tem um papel muito importante na formação de leitores, independente do ano e da experiência que o aluno possui sobre leitura, ela deve promover meios que possibilitem aos alunos adquirirem o gosto e o hábito de ler. É fundamental a mediação do professor para o ensino da leitura, o exemplo é um importante incentivo como relata Zilberman (1999, p. 66), “Os professores podem ser de grande valia para despertar a curiosidade intelectual.” Quando as interações entre professor e aluno ocorrem de forma significativa e não com caráter de obrigação, a aprendizagem se efetiva e de fato acontece. O professor é o mediador de todo o processo de estímulo e, o aluno participa expondo suas experiências e ideias com os conteúdos lidos, logo com a intervenção do professor o aluno alcança interações, saberes e novos olhares sobre o que leu ou está lendo. Então, cabem ao professor o papel de interventor, desafiador, mediador e provocador de situações que estimulem a curiosidade e o gosto pela leitura. Dessa forma, propor ações que incentivem a leitura no meio escolar com a participação dos professores pode contribuir neste despertar e na sensibilização do aluno para o interesse pela leitura. Por não ser uma obra acabada ou concluída, essa pesquisa pode ser enriquecida com outros questionamentos e embasada teoricamente junto a inúmeros autores existentes com relação à importância do trabalho com a leitura nos meios escolares. 6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Maria Margarida de: Introdução á metodologia do trabalho cientifico: 5ª Ed. São Paulo: Atlas, 2001. BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 6ª ed. - São Paulo: Ática, 1995. DCE - Diretrizes Curriculares Estaduais de Língua Portuguesa do Estado do Paraná. Curitiba: SEED, 2008. FERNANDEZ, Marcela Afonso. Percursos e Estilos de Leitura – Navegação nas Redes Digitais. 2009. Disponível em: http://alb.com.br. Acesso em: 25 nov. 2013. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 15ª ed. – São Paulo: Cortez, 1986. KRAMER, S. Leitura e escrita de professores. In: XX Reunião Anual da ANPED, Setembro de 1997, Anais ....1997. Disponível em: <http:// www.anped.org.br> Acesso em: 10 /07/09. http://alb.com.br/ LAJOLO, Marisa. Do Mundo da Leitura para a Leitura do Mundo. 6ª ed. - São Paulo: Ática, 2002 LITERATURA: ensino fundamental/Coordenação, Aparecida Paiva, Francisca Maciel, Rildo Cosson. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010, volume 20. Projeto Político Pedagógico. REZENDE, Lucinea Aparecida de. Leitura e formação de leitores: vivências teórico-práticas. Londrina: EDUEL, 2009. SILVA, Ezequiel Teodoro. Conferências sobre leitura-trilogia pedagógica. Campinas /SP: Autores Associados, 2005. ______. Elementos de Pedagogia da Leitura. 2ª ed. - São Paulo: Martins Fontes, 1993. ______ .Fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. 7ª ed. - São Paulo: Cortez, 1996. SOARES, M. A necessidade de ler. TV Escola, Brasília, n. 2 –Ag. – Set., 2001. p.35 a 39. ZILBERMAN, Regina. Fim do Livro, fim dos Leitores. São Paulo, 2001. ZULIM, Leny Fernandes. Literatura no ensino fundamental: da teoria às práticas em sala de aula. Londrina, PR: Amplexo Editora, 2011.