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Versão On-line ISBN 978-85-8015-076-6
Cadernos PDE
OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE
NA PERSPECTIVA DO PROFESSOR PDE
Artigos
 
 
 
 
 
A importância da leitura para o desempenho escolar, o crescimento 
intelectual e a emancipação do aluno. 
 
 
ZACARIAS, Iraci Lapietra1 
PALMA, Rejane Christine de Barros2 
 
 
 
 
 
RESUMO 
A leitura é uma ferramenta essencial à aprendizagem e a aquisição do hábito de ler é um processo 
muito importante para o desenvolvimento intelectual. Neste sentido, este trabalho consiste em discutir 
a importância da leitura para o desempenho escolar, crescimento intelectual e a emancipação do 
aluno. A fundamentação teórica deu-se a partir dos autores: Silva (1993), Zilberman (1995), Freire 
(1986), Zulim (2011), Lajolo (2002), Fernandez (2009) e Bamberger (1995). Os temas abordados 
foram: a leitura e a formação de leitores, conceito de leitura, a leitura prazerosa, leitura de mundo, o 
desafio de formar leitores e por fim a leitura virtual. O trabalho possibilitou considerar que a habilidade 
de leitura é fundamental para o desempenho escolar do aluno, mas é necessário que o ensino da 
leitura seja de responsabilidades não somente do professor de Língua Portuguesa, mas de todas as 
áreas do conhecimento. 
 
 
 
 
 
 
Palavras-chave: Aluno. Habilidade de leitura. Desempenho escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1
 Professora da Rede Estadual do Estado do Paraná. Integrante do Programa de Desenvolvimento 
Educacional (PDE - 2013). Graduada em Pedagogia 
2
 Professora Orientadora da (UEL) - PDE 
 
 
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO 
Superintendência da Educação 
Diretoria de Políticas e Programas Educacionais 
Programa de Desenvolvimento Educacional 
 
1 INTRODUÇÃO 
Esta pesquisa tem como objetivo realizar a proposta de estudos 
desenvolvidos pelo PDE – Programa de Desenvolvimento Educacional de 
Capacitação Continuada da SEED - Estado do Paraná, junto aos professores da 
rede, que proporciona momentos de estudo e aprofundamento nas questões 
relacionadas à reconstrução da prática pedagógica articulando às experiências 
profissionais, os estudos realizados e os conhecimentos adquiridos durante o curso. 
O tema “leitura” foi escolhido por perceber que atualmente o desempenho 
escolar dos alunos da educação básica do ensino público não tem demonstrado 
bons resultados, a essa dificuldade pode-se atribuir a deficiência no ensino da leitura 
e consequentemente as dificuldades de compreensão textual, portanto isso motivou 
a realização da pesquisa com os alunos do ensino médio do período noturno no 
Colégio Estadual do Campo Coronel Luiz José dos Santos, situado no Distrito de 
Pirapó – Município de Apucarana. 
Realizar uma pesquisa que tenha relevância no contexto escolar voltada à 
leitura é de fundamental importância em todas as disciplinas das diversas áreas do 
conhecimento, a fim de colaborar para o enriquecimento das práticas pedagógicas 
nesta instituição de ensino. 
O questionamento dos professores, em meio a muitas dificuldades 
apresentadas pelos alunos pode-se destacar a dificuldade de interpretação das mais 
variadas leituras e a falta de argumentação ao realizarem as produções textuais. 
A intenção com esta pesquisa foi propiciar experiências de leitura 
contribuindo para melhorar o desempenho escolar. Apesar de estar ciente que os 
resultados desse trabalho não serão imediatos, acredita-se em uma iniciativa de 
ação pedagógica prazerosa que possa ter continuidade e envolver todo o coletivo 
escolar por meio da consciência e reconhecimento da necessidade de saber ler. 
Dessa forma buscou-se fundamentar a pesquisa nas obras de Silva (1993), 
Zilberman (1995), Freire (1986), Zulim (2011), Lajolo (2002), Fernandez (2009) e 
Bamberger (1995). Os temas abordados foram: a leitura e a formação de leitores, 
conceito de leitura, a leitura prazerosa, leitura de mundo e por fim a leitura digital. 
 Nessa perspectiva busca-se resposta à seguinte questão: De que forma o 
pedagogo pode mediar à leitura no ambiente escolar como uma ação pedagógica 
incentivadora junto a professores e alunos contribuindo na aquisição do hábito de 
ler? 
 Para tanto, o objetivo geral desta pesquisa visa compreender a importância 
da leitura para o desempenho escolar, o crescimento intelectual e a emancipação do 
aluno. 
 
2. A LEITURA E A FORMAÇÃO DE LEITORES 
Ao longo de sua história, o homem foi se desenvolvendo e criando condições 
que o tornaram um ser social. Dentre essas condições, temos a comunicação que 
evoluiu junto com o avanço da sociedade e que sempre foi utilizada para informar e 
serviu como instrumento de dominação. Nos dias atuais, a comunicação, mais do 
que nunca, é fundamental na formação do cidadão crítico e consciente de seu papel 
no mundo em que está inserido. 
A leitura é a habilidade que proporciona autonomia, segundo as DCEs3, 
(2008), favorece o desenvolvimento de uma atitude crítica que leva o aluno a 
perceber o sujeito presente nos textos e, ainda, tomar uma atitude responsiva diante 
deles. No que diz respeito à compreensão do mundo e às múltiplas possibilidades 
de interpretar os fatos e desvendar, entre a infinidade de informações com as quais 
a pessoa é bombardeada todos os dias, os valores, princípios, concepções que as 
sustentam, podendo escolher quais desses valores enriquecem sua experiência 
pessoal e quais devem ser questionados para a transformação da própria 
sociedade. 
Fazemos parte de um mundo globalizado, em que os meios tecnológicos 
avançam em uma velocidade assustadora. Para atuar nesse mundo, em que as 
informações viajam em uma velocidade surpreendente, as pessoas que não tiverem 
desenvolvido sua capacidade de comunicação, no real sentido da palavra, ficam à 
margem de todos esses avanços. Bamberger (1995, p. 11), afirma que: 
A leitura favorece a remoção das barreiras educacionais de que tanto se 
fala, concedendo oportunidades mais justas de educação principalmente 
através da promoção do desenvolvimento da linguagem e do exercício 
intelectual, e aumenta a possibilidade de normalização da situação pessoal 
de um indivíduo. 
 
Atualmente a exclusão social ainda se faz presente na sociedade brasileira e 
está bem visível no meio escolar, como relata Silva (1994) o ensino no Brasil se dá 
 
3
 Diretrizes Curriculares Estaduais da Educação Básica do Estado do Paraná de Língua Portuguesa. 
por um processo de transferência de responsabilidade, isto é o aluno avança para 
série seguinte sem ter se apropriado de conhecimentos das séries anteriores e como 
consequência disso não consegue interpretar ou posicionar-se de forma crítica 
diante dos textos que circulam dentro e fora da escola, provocando consequências 
negativas como sentimento de incapacidade, repetência e evasão escolar. 
Dessa forma os resultados positivos, que apresentem índices educacionais 
elevados e que forçam a aprovação dos alunos, mesmo que estes não apresentem 
as condições mínimas para avançar em sua escolarização, são para camuflar a 
situação em que se encontra a educação no Brasil. Somem-se a isso fatores como: 
desvalorização dos profissionais da educação, violência, número elevado de alunos 
por turma, diversidade cada vez maior dos níveis de escolaridade em uma mesma 
turma. Todos esses fatores propiciam uma dificuldade cada vez maior de formarmos 
leitores reais. A maioria desses problemas é estrutural e depende de uma política de 
educação maior que demanda investimentos, legislação específica e um tempo 
demasiadamente longo. 
 Enquanto isso não ocorre, estamos observando a formação de analfabetos 
funcionais, conforme as Diretrizes Curriculares Estaduais de Língua Portuguesa, 
(2008, p. 48) 
[...] Mesmo vivendo numa época denominada “era da informação”, a qual 
possibilita acesso rápido à leitura de uma gama imensurável de 
informações, convivemos como índice crescente de analfabetismo 
funcional, e os resultados das avaliações educacionais revelam baixo 
desempenho do aluno em relação à compreensão dos textos que lê. 
 
 Alunos capazes de decodificar os símbolos, mas incapazes de realizar a 
interpretação do que estão lendo, compreender a mensagem ali exposta e interagir 
de forma consciente a partir da informação recebida. 
Apesar de não termos condições de transformar os problemas estruturais, 
podemos tentar modificar nossa realidade próxima, buscando possibilidades de 
trabalhos que possam recuperar essa deficiência, além de conscientizar os alunos 
sobre a importância do processo de leitura para sua vida cotidiana. 
Para Silva, (2005, p. 24): 
[...] a prática de leitura é um princípio de cidadania, ou seja, o leitor 
cidadão, pelas diferentes práticas de leitura, pode ficar sabendo quais são 
suas obrigações e também pode defender os seus direitos, além de ficar 
aberto às conquistas de outros direitos necessários para uma sociedade 
justa, democrática e feliz. 
 
Quando a aprendizagem é relevante e o aluno atribui algum significado para o 
que está sendo aprendido, ela ocorre de maneira concreta possibilitando ao 
indivíduo atuar como cidadão consciente de seus direitos e deveres no meio em que 
vive. 
 
2.1 CONCEITO DE LEITURA 
 De acordo com Silva (2005, p. 94, 95), “O ato de ler é uma necessidade 
concreta para a aquisição de significados e, consequentemente, de experiência nas 
sociedades onde a escrita se faz presente”. 
As Diretrizes Curriculares da Educação Básica mostram que ler é familiarizar-
se com diferentes textos produzidos em diversas esferas sociais, estabelecendo 
relações entre os signos explícitos e implícitos, isto é compreender o sujeito 
presente na leitura tanto o que está de forma clara, como o que está oculto e atribuir 
significados, posicionando sobre os fatos conforme a intenção que cada texto traz. 
Portanto, ler não significa somente decodificar os códigos linguísticos, fazer 
junções e formar palavras, é muito mais que isso, é compreender, Interpretar e ser 
capaz de formar opinião crítica sobre o que lê, ou seja, a leitura é a forma como o 
indivíduo pode interpretar os registros de ideias ou informações presentes nos livros, 
jornais e dos mais variados textos que circulam na sociedade. 
Dessa forma, a leitura favorece o desenvolvimento do raciocínio, a 
capacidade de interpretação e de posicionar-se sobre os fatos. Silva, (1996, p. 42), 
conceitua a leitura e a sua importância, principalmente através do livro para o ensino 
escolar: 
“Em termos de realidade educacional brasileira, as funções da leitura 
podem ser explicitadas da seguinte forma: 
 
- Leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento e 
mais essencial ainda a própria vida do ser humano. (O patrimônio simbólico 
do homem contém uma herança cultural registrada pela escrita. Estar com 
e no mundo pressupõe, então atos de criação e recriação direcionados a 
essa herança. A leitura, por ser uma via de acesso a essa herança, é uma 
das formas do Homem se situar com o mundo de forma a dinamizá-lo). 
 
- Leitura está intimamente relacionada com o sucesso acadêmico do ser 
que aprende; e, contrariamente, à evasão escolar. (Modernamente, a 
escola é a principal responsável pelo ensino do ler e escrever. Apesar da 
presença marcante dos meios audiovisuais na sociedade e em geral, a 
escola ainda parece utilizar o livro como principal instrumento de 
aprendizagem nas diferentes disciplinas. Não ser alfabetizado 
adequadamente pode significar grandes dificuldades – quase sempre 
frustradoras – na aquisição do currículo escolar). 
 
- Leitura é um dos principais instrumentos que permite ao Ser Humano 
situar-se com os outros, de discussão e de crítica para se poder chegar à 
práxis; (O contexto da maioria das escolas nacionais ainda está longe de 
outros recursos de conscientização – a ciência e a cultura chegam às 
escolas através do livro; negar isto é formar o modelo da escola ideal, mas 
não considerar concretamente as escolas). 
 
- A facilitação da aprendizagem eficiente da leitura é um dos principais 
recursos de que o professor dispõe para combater a massificação 
galopante, executada principalmente pela televisão; (Mesmo com a 
presença marcante de outros meios de comunicação, o livro permanece 
como o veículo mais importante para a criação, transmissão e 
transformação da cultura). 
- A leitura, possibilitando a aquisição de diferentes pontos de vista e 
alargamento de experiências, parece ser o único meio de desenvolver a 
originalidade e autenticidade dos seres que aprendem. (A tecnologia 
exigida na instalação de certos recursos eletrônicos nas escolas brasileiras 
parece envolver custos que as autoridades não se predispõem a pagar. Por 
outro lado, a utilização desses recursos depende da atualização e 
treinamento dos professores. O livro, dadas as suas condições de 
produção e manuseio, levanta-se como o recurso mais prático para a 
difusão do conhecimento no meio escolar). 
 
De acordo com o autor, é por meio da leitura que o indivíduo adquire o 
conhecimento necessário para ter uma vida autônoma, é um instrumento 
fundamental na vida escolar do aluno, pois possibilita a oportunidade de 
compartilhar experiências, promover o desenvolvimento da personalidade dos 
jovens, abrindo as portas do conhecimento, servindo como alavanca para a uma 
conquista emancipadora, amplia os horizontes provocando expectativas e 
estabelece um conceito global do mundo. O autor enfatiza o livro como sendo o 
meio mais prático e mais acessível a todos para promoção da leitura. 
 
 
2.2 A LEITURA PRAZEROSA 
A leitura é uma prática essencial em qualquer área do conhecimento, está 
presente em toda parte e o ser humano entra em contato logo nos primeiros anos de 
escolarização, por meio do mecanismo da decodificação das letras no período de 
alfabetização, portanto é importante enfatizar que não pode ficar somente na 
decodificação, mas acrescentar significado e compreensão que é fundamentalmente 
importante na prática da leitura. 
Durante a trajetória acadêmica do aluno, é mais frequente utilizar o livro 
didático, apostilas, textos, leitura suplementar e etc..., material que o professor utiliza 
como apoio pedagógico durante as aulas, ao se tratar de leitura prazerosa, são 
bastante superficiais. Portanto o hábito de ler não está sendo desenvolvido 
efetivamente no ambiente escolar. 
De acordo com SILVA, (1996, p. 33): 
[...] na ausência de informações que orientam uma prática mais eficiente, o 
ensino da leitura parece ser realizado ao acaso, fazendo com que os 
professores ajam através do ensaio-e-erro quando da abordagem de 
materiais escritos junto a seus alunos. 
 
Dessa forma seria muito importante se o professor utilizasse o material de 
apoio, como o livro didático, apostilas, textos e outros, com seus alunos de maneira 
interessante contribuindo para despertar o interesse e o gosto pela leitura. O 
ambiente escolar tem a responsabilidade de desenvolver ações para incentivar o 
hábito de ler, pois é o lugar que o aluno recebe as orientações necessárias para a 
construção do conhecimento. 
Em complemento, Bamberger, (1995, p. 6), afirma: 
[...] que professores interessados e informados, sendo eles mesmos bons 
leitores, podem fazer com que os alunos experimentem na leitura um prazer 
idêntico ao seu, e também que existe esse prazer e o acesso ao livro nas 
salas de aula. 
 
Portanto, a aquisição da habilidade de leitura, se deve ao contato contínuo 
com os livros, que desperta a motivação e o interesse por ler. Esse incentivo pode 
ocorrer tanto no meio familiar com exemplo dos pais ou de outros parentes, ou na 
escola na qual é considerada a responsável em promover o conhecimento ao aluno 
pela ação mediadora do professor e práticas voltadas ao incentivo à leitura. 
É muito importante a mediação do professor para o ensino da leitura, porém 
nãoconvém impor ao gosto e interesse do aluno, mas é indispensável que 
acompanhe, incentive e respeite sua escolha como forma de motivação para 
despertar o desejo, e o prazer em ler. Conforme a orientação da Coleção 
Explorando o Ensino – Literatura, (2010, p. 109): 
[...] Cabe ao professor planejar e conduzir tarefas escolares, dentre as 
quais está à leitura dos diferentes gêneros, mas a livre escolha dos alunos 
também é um momento importante na formação do leitor autônomo. Por 
isso é interessante deixar que os alunos façam suas escolhas ou se 
orientem pelas escolhas dos colegas. 
 
Ainda Bamberger (1995, p. 31), diz: 
[...] A percepção dessas motivações e interesses esclarece qual é a tarefa 
do professor: treinar jovens leitores bem-sucedidos, apresentando-lhes o 
material de leitura apropriado, de modo que o êxito não somente inclua 
boas habilidades de leitura, mas também o desenvolvimento de interesses 
de leitura capazes de durar a vida inteira. 
 
Nesse contexto, o indivíduo é independente para escolher o que lhe convém 
conforme seu interesse, porém o professor pode contribuir com essas escolhas, 
conforme relata Zilberman (1999, p. 66): 
Os professores podem ser de grande valia para despertar a curiosidade 
intelectual (...) incitando os alunos a ler, sem outra indicação além de uma 
lista, tão extensa e tão variada quanto possível, de livros apropriados à 
idade, à inteligência dos jovens leitores e através da qual farão sua escolha 
livremente, com o propósito de aprender mais e de se distraírem. O 
essencial é despertar o gosto pela leitura. 
 
 Portanto, o professor é peça fundamental na mediação de leitura, é ele o 
ponto de referência para o aluno e o contato com os livros e textos literários deve ser 
constante na sala de aula. Sendo o professor o maior incentivador em formar 
leitores, é essencial que ele faça indicações e comentários de livros e apresente 
uma diversidade de leitura para despertar o interesse e a curiosidade nos alunos, 
principalmente se demonstrar uma boa relação com os livros. 
 
2.3 LEITURA DE MUNDO 
 Freire (1986, p. 22), diz que “(...) a leitura de mundo precede sempre a leitura 
da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele.” 
Dessa forma a prática da leitura é fundamental para o indivíduo compreender 
melhor o que passa a sua volta, permite a aproximação do sujeito com o 
conhecimento, amplia o entendimento, dá significado ao mundo das palavras, 
permite situar-se na sociedade de forma participativa, estabelecendo relações entre 
o que já sabe com a ideia do outro possibilitando ampliar seus conhecimentos. 
Silva (1996, p. 43) afirma que: 
[...] ao experimentar a leitura, o leitor executa um ato de compreender o 
mundo. De fato o propósito básico de qualquer leitura é a apreensão dos 
significados mediatizados ou fixados pelo discurso escrito, ou seja, a 
compreensão dos horizontes escritos por um determinado autor em uma 
determinada obra. 
 
 O ato de ler deve estar presente necessariamente no meio escolar, por estar 
diretamente relacionado ao desempenho escolar dos alunos. Cabe ao professor a 
mediação e organização de atividades voltada para um trabalho contínuo de leitura 
na sala de aula, que certamente provocará o gosto dessa prática para toda a vida. A 
responsabilidade da escola deve pautar nas orientações de Lajolo (1997, p. 7): 
[...] Lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa cultura, 
quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais 
intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar 
na escola, mas não pode encerrar-se nela. 
 
Diante disso, percebe-se a importância da leitura na vida das pessoas, além 
da informação e formação, ela é instrumento poderoso na educação. Quanto mais 
se busca a leitura, mais interessante e necessária ela se faz para o indivíduo 
compreender a sua relação com o mundo. 
O professor tem acesso às diversas ferramentas para preparar suas aulas, 
porém, tanto o livro didático como o de literatura são materiais inigualáveis, que 
permite ao indivíduo um mundo infinito de conhecimento. Os alunos têm contato 
com livros no percurso de sua formação, porém muitas vezes acaba sendo o livro 
didático o único instrumento de leitura utilizado. 
 Portanto, se é através da leitura que se consegue buscar conhecimento, 
limitando em usar somente o livro didático ou algumas leituras que o professor 
proporciona em suas aulas, muitas vezes somente na responsabilidade do professor 
de língua portuguesa, é muito pouco para adquirir o conhecimento básico e o hábito 
de leitura. 
Segundo Silva (1995) a leitura não está presente somente na disciplina de 
língua portuguesa, mas também em todas as disciplinas acadêmicas que tem como 
objetivo transmitir os conhecimentos, informações, cultura e valores a novas 
gerações. Isto é, os professores das diversas áreas do conhecimento podem 
contribuir participando das ações pedagógicas referentes à leitura. 
Sendo a leitura um importante recurso para ampliar os conhecimentos e 
promover a aprendizagem, é importante a necessidade de trabalhar o ensino da 
leitura em conjunto para que o saber se concretize, segundo Zulim (2011, p. 23), o 
professor é responsável em pensar e criar situações para trabalhar a leitura, é ela 
que vai dinamizar e incentivar a vontade de pesquisar e conhecer, quando afirma: 
[...] É possível que, dessa forma, estejamos contribuindo para a formação 
de leitores mais autônomos e competentes, sem pensar em leitura como 
obrigação escolar, mas como ferramenta com a qual se adquire 
conhecimento para uma vida. Pensamos ser isso fundamental porque ler é 
construir uma concepção de mundo, é ser capaz de compreender, 
analisando e posicionando-se criticamente frente às informações colhidas, o 
que permite ao leitor exercer, de forma mais abrangente e complexa, seu 
papel de sujeito da própria história. 
 
Portanto, é por meio da leitura que os alunos irão construir seus 
conhecimentos, ampliar seu vocabulário, estar em contato com outras ideias, 
possibilitando apreciar e opinar sobre os diversos assuntos que circulam no meio em 
que está inserido e também aos que se referem ao mundo exterior. 
2.4 LEITURA DIGITAL 
 A difícil tarefa de transformar o aluno em aluno leitor está entre um dos 
principais problemas enfrentado pela escola. Despertar o gosto pela leitura 
atualmente com o uso desenfreado de outros meios de comunicação, pelos jovens, 
como a internet acaba sendo uma disputa aflitiva. Diante de inúmeras atrações que 
lhes são oferecidas, é impossível evitar que o aluno não acesse outros sites de seu 
interesse que não contribuem em nada para a sua formação, quando o professor 
leva suas turmas para o laboratório de informática. 
 Embora a meta seja auxiliar o aluno na condição de aluno leitor, ou seja, 
torná-lo capaz de compreender, interpretar e criar o seu próprio texto a partir de sua 
visão de mundo, a realidade é que a leitura na escola é trabalhada como tarefa 
escolar, de forma imposta, contribuindo com o desinteresse e dificultando ainda mais 
o trabalho do professor, já que os meios de comunicação audiovisuais tornam-se 
mais atrativos que os livros e tem uma influência muito forte na sociedade. 
A escola sendo responsável em formar leitores, deve oferecer diversas 
formas de leitura para incentivar a clientela, além da leitura impressa, não se pode 
deixar de dar ênfase à leitura da esfera digital que atrai as novas gerações pelo fator 
de estar atrelada a tecnologia, o que pode ser uma forma de motivação. 
À leitura é atribuído um novo olhar, como afirma as Diretrizes Curriculares da 
Educação Básica do Estado do Paraná de Língua Portuguesa (2008, p. 297): 
Os processos cognitivos e o modo de ler nessa esfera também mudam (...). 
No ambiente digital, o tempo, o ritmo e a velocidade de leitura mudam (...). 
A leitura do texto digital exige, diante de tantos suporteseletrônicos, um 
leitor dinâmico, ativo e que selecione quantitativa e qualitativamente as 
informações (...). 
 
Dessa forma o ensino da leitura tanto no material impresso como o digital 
deve estar continuamente no meio escolar, o processo de aquisição do hábito de 
leitura é lento e, para tanto se deve ao empenho efetivo do professor, em meio aos 
avanços tecnológicos que vem crescendo rapidamente por toda a parte. Faz-se 
necessário ressaltar que sem uma metodologia apropriada para o ensino da leitura, 
somente o uso das tecnologias não é o suficiente para manter o aluno concentrado. 
Segundo Fernandez (2009, p. 01): 
Hoje, observo que estamos diante de múltiplas textualidades, maneiras de 
ser leitor e de ler coexistindo em distintos espaços que a humanidade 
transita. A internet acoplada ao computador vem se constituindo num dos 
ambientes no qual a tríade leitor-leitura-texto está a cada dia que passa 
sendo redelineada e ressignificada, requerendo de nós, professores e 
pesquisadores, um olhar aguçado para compreendermos os diversos 
meandros e matizes dessa relação. 
 
A leitura digital é considerada qualquer leitura realizada em tela, por meio do 
computador, de tablet, celular e etc. diferente da tradicional leitura impressa, porém 
vale enfatizar que não importa qual a forma a ser adotada na sala de aula, ambas 
requerem a mediação do professor. 
Conforme Zulim, (2011, p. 14): 
Ler com os alunos e para os alunos: São duas atitudes positivas que 
colaboram para formar o leitor. A afirmação implica em um professor leitor 
que, ao abrir espaços de leitura literária em suas aulas, utiliza também ele 
esse espaço para ler. E assim, instiga a turma a ler mais um livro, seja pelo 
título, seja porque é visto como exemplo. Além disso, dispensar um 
“tempinho” no início, no final da aula, ou mesmo antes de liberar a turma 
para o intervalo, lendo aos alunos um conto, uma crônica ou um poema 
bem escolhidos, capazes de encantar, também contribui, e muito, para 
formar leitores. 
 
Ao referenciar a tecnologia pode-se dizer que são todos os artefatos culturais 
presentes no dia a dia das pessoas, já não se consegue viver sem fazer uso desses 
recursos. No campo da educação percebemos que a tecnologia contribui para 
aprimorar e dinamizar as ações pedagógicas e possibilita uma nova forma de 
trabalhar o ensino da leitura. 
 
3. METODOLOGIA 
 Este trabalho faz parte do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) 
da Secretaria de Educação do Estado do Paraná. O projeto de intervenção 
pedagógica foi realizado no primeiro semestre de 2014, no Colégio Estadual do 
Campo Coronel Luiz José dos Santos–Ensino Fundamental e Médio, na cidade de 
Apucarana, participaram deste projeto nove professores das disciplinas de arte, 
biologia, educação física, física, língua espanhola, língua portuguesa, matemática, 
química e sociologia e um total de 49 alunos, da 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio 
do período noturno. 
 Para coleta de dados foi aplicada junto aos professores e alunos 
participantes da implementação do projeto no colégio uma entrevista contendo 
questões abertas e fechadas. A entrevista com os professores constituiu-se por seis 
questões abertas o que permitiu aos participantes responderem com seus próprios 
termos, visando atingir os objetivos propostos pela pesquisa, realizadas com nove 
de um universo de onze professores das diversas áreas do conhecimento, 
evidenciando os seguintes aspectos: formas de trabalhar com a leitura em sua 
disciplina; dificuldade em trabalhar a leitura; a importância do projeto de leitura; 
utilização da biblioteca do colégio; interesse dos alunos em ler. 
 Com os alunos, foi realizada uma entrevista com 6 questões fechadas e duas 
questões abertas, foram entrevistados 49 alunos, abordando as seguintes questões: 
Se gosta de ler; se compreende o que lê; se lê com frequência; possui motivos que 
impeça a ler; assunto preferido de leitura; motivação para ler; a disciplina que a 
leitura é mais exigida. 
O projeto foi apresentado aos professores que tiveram uma participação 
fundamental em conduzir e incentivar as aulas de leitura que aconteceram 
semanalmente na sala de aula. Foi um total de 20 aulas que aconteceram uma vez 
na semana, em dias e aulas alternados de forma que não acarretasse prejuízo de 
conteúdos aos alunos. 
Durante a execução do projeto foram realizadas atividades de incentivo a 
leitura como palestra com a professora e escritora Mestre Leny Fernandes Zulim 
com o tema: As múltiplas faces da leitura: por que é tão importante ser um leitor? 
Como parte das atividades, foram exibidos dois filmes: Escritores da 
Liberdade e Cartas para Julieta e construção de mural pelos alunos juntamente com 
a professora de Arte com sugestões e curiosidades para leitura. 
 O objetivo do projeto era compreender a importância da leitura para o 
desempenho escolar, crescimento intelectual e a emancipação do aluno. A proposta 
foi envolver os professores das diversas áreas do conhecimento para despertar nos 
alunos o gosto e o interesse pela leitura. 
 
4. ANÁLISE DOS DADOS 
 O desenvolvimento das atividades teve início com a apresentação do projeto 
à diretora, aos professores e posteriormente apresentado aos alunos, na medida em 
que percebeu-se a necessidade de explicar o porquê estariam participando do 
projeto. Explicou-se aos alunos que o PDE é um Programa de Desenvolvimento 
Educacional, cujo objetivo é proporcionar aos professores da rede pública estadual 
subsídios teórico-metodológicos para o desenvolvimento de ações educacionais 
sistematizadas, e que resultem em rendimento de sua prática. 
 Antes de iniciar as atividades de leitura, foi distribuído aos 49 alunos 
participantes um questionário com questões abertas e fechadas a fim de realizar um 
levantamento prévio acerca da realidade de leitura dos entrevistados. 
 Em consonância à proposição da pesquisa realizada, após a transcrição de 
todas as entrevistas, analisaram-se as questões, a partir das respostas obtidas, que 
se referiam aos seguintes assuntos: Se gosta de ler; se compreende o que lê; se lê 
com frequência; tem dificuldade em ler; o assunto preferido de leitura; importância 
da leitura para as pessoas; situação que o levou a ler; disciplina que mais exige a 
leitura. 
 Estes assuntos foram dispostos em gráficos, contemplando a entrevista 
completa com os alunos, como podem ser visualizados a seguir: 
 Questão 1: Você gosta de ler? Observa-se que 30 alunos responderam que 
às vezes gostam de ler, 15 alunos gostam e 4 disseram não gostar de ler. 
 Gráfico 1 
 
Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 
 
Questão 2 - Encontra dificuldades em compreender o que lê? O gráfico aponta que 
27 alunos responderam que às vezes não compreendem, 13 alunos encontram 
dificuldades e 9 responderam que não encontram dificuldades na compreensão do 
que lê. Dessa forma, percebe-se que é um número expressivo de alunos que 
encontram dificuldades na interpretação, as Diretrizes Curriculares Estaduais de 
Língua Portuguesa, (2008, p. 48), mostra claramente quando afirma que: 
[...] Mesmo vivendo numa época denominada “era da informação”, a qual 
possibilita acesso rápido à leitura de uma gama imensurável de 
informações, convivemos com o índice crescente de analfabetismo 
funcional, e os resultados das avaliações educacionais revelam baixo 
desempenho do aluno em relação à compreensão dos textos que lê. 
Diante desses dados, é importante que todos os profissionais assumam o 
compromisso de trabalhar a leitura na sala de aula, com intuito de melhorar a 
15 
4 
30 
Sim
Não
Às vezes
compreensão dos alunos, cordo com Silva (1995) a leitura não está presente 
somente na disciplina de língua portuguesa, mas também em todas as disciplinas 
acadêmicas que tem como objetivo transmitir os conhecimentos, informações, 
cultura e valores a novas gerações. 
 
Gráfico 2 
 
Fonte: Entrevistascategorizadas na pesquisa PDE (2014) 
 
Questão 3 – Qual o número de livros que você lê em um semestre? A maioria dos 
alunos respondeu que lê somente um livro, muitos não leem nenhum e poucos leem 
mais que um livro por semestre. 
Gráfico 3 
 
Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 
 
Questão 4 - Possui algum motivo que impede você a ler com frequência? A maioria 
dos alunos atribuiu à falta de tempo o motivo que lhes impede de ler, um número 
menos significativo respondeu que não há motivo e poucos alunos responderam que 
é a falta de acesso ao material de leitura e outros motivos. 
Gráfico 4 
13 
9 
27 
Sim
Não
Às vezes
18 
26 
5 
Nenhum
Um
dois a quatro
 
Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 
 
Questão 5 – Considera que a leitura é importante para as pessoas? A maioria dos 
alunos respondeu que a leitura é importante para as pessoas. 
 
Gráfico 5 
 
Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 
 
Questão 6 – Qual o motivo que leva você a procurar um livro para ler? Observa-se 
que a maioria dos alunos procura um livro para ler por meio da própria iniciativa, na 
sequência pela indicação do professor, em seguida alguns disseram que é pelo 
título, capa e figura do livro e poucos quando recebe de presente e vê na biblioteca. 
Gráfico 6 
 
Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 
13 
25 
3 
8 
Nenhum motivo
Falta de tempo
Falta de acesso aos
materiais de leitura
Outros motivos
42 
7 
Sim
Não
16 
16 
5 
6 
1 
1 
Prórpria iniciativa
Indicação do
professor
Pela capa e figuras
do livro
Pelo título do livro
Quando recebe de
presente
Questão 7 – Qual é seu assunto preferido? De acordo com o gráfico, um número 
baixo de alunos entrevistados demonstra que preferem ler assuntos de suspense e 
aventura, em seguida pode-se observar que os gostos estão voltados para esporte e 
romance, porém a predominância foi por assuntos diversos. Diante desse resultado, 
é muito importante levar em consideração o gosto dos alunos quando se dispõe a 
desenvolver um trabalho voltado para despertar o hábito de ler, dessa forma a 
chance de alcançar o objetivo é bem maior do que por imposição. 
Segundo a Coleção Explorando o Ensino – Literatura, (2010) v. 20, p 91: 
Esse cuidado é importante se, de fato, quisermos construir leitores. 
Oferecer diferentes obras, estimular leituras diversificadas, desenvolver 
atividades em sala de aula com determinados gêneros é, de fato, 
imprescindível, mas desqualificar os leitores por causa de suas 
preferências, ou querer obriga-los a ler em seus momentos de lazer aquilo 
que achamos mais importante, pode ser desastroso no trabalho de 
formação de leitores. 
 
Portanto ao se propor um trabalho com leitura, não seria viável deixar de 
considerar a preferência dos alunos, e muito menos obrigar a ler determinados 
textos que não agradam naquele momento de suas vidas. É importante respeitar a 
preferência dos alunos, uma vez que poderá ser o canal para o desenvolvimento do 
hábito de ler, por prazer e que estes assuntos devem ser explorados também pela 
escola. É possível estimular novas leituras como forma de ampliar o repertório 
textual e o conhecimento do aluno, oferecendo e incentivando uma variedade de 
textos literários de diferentes temas, autores e gêneros, sem desvalorizar a sua 
preferência. 
Gráfico 7 
 
Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 
 
Questão 8 – Qual a disciplina que exige a leitura com maior frequência? Observou-
se que nas disciplinas de geografia; biologia; história; sociologia; filosofia a leitura é 
trabalhada, mas com mais ênfase na disciplina de íngua portuguesa. 
Gráfico 8 
7 
9 
5 
2 
26 
Esportes
Romance
Aventura
Suspense
Assuntos Diversos
 
Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 
 Analisando as respostas do questionário, os dados não só revelam, mas 
ressaltam a necessidade do desenvolvimento de um trabalho para despertar o gosto 
e o prazer dos alunos pela leitura, pois demonstra o quanto essa prática está frágil e 
ainda precisa ser incentivada no ambiente escolar. Os dados constatam que apesar 
da leitura ser fundamental para a interpretação e compreensão do que se está 
estudando nas várias disciplinas, ainda há uma crença de que a leitura é de 
responsabilidade da disciplina de língua portuguesa, desta forma perde-se a 
oportunidade de explorar a leitura em outros contextos curriculares. 
Conforme aponta Silva 1995, p.23: 
A promoção da leitura é uma responsabilidade de todo o corpo docente de 
uma escola e não apenas dos professores de Língua Portuguesa. Não se 
supera uma dificuldade ou crise com ações isoladas. Falamos em antros 
de interesse, em interdisciplinaridade, em construção coletiva de 
conhecimento. 
 
A leitura e interpretação estão em todas as áreas do conhecimento, portanto a 
importância do envolvimento nas ações desenvolvidas pela escola para desenvolver 
a habilidade de leitura, é um compromisso de todos. 
 As atividades de leituras foram conduzidas pelos professores das diversas 
disciplinas, aconteceram semanalmente em dias e aulas alternados. Foram 
disponibilizados e organizados em caixas para facilitar o transporte para as salas de 
aula e manuseio do material. 
Durante as cinco primeiras aulas de leitura foram utilizados gibis “Turma da 
Mônica Jovem e a Turma da Tina – Diga sim à Vida”, com assuntos sobre prevenção 
de uso de drogas e revistas com assuntos atuais, esse material foi explorado 
realizando rodízio entre os alunos. Aproveitando esse material as professoras de 
32 
5 
4 
4 
1 
3 
Língua Portuguesa
Filosofia
Sociologia
História
Geografia
Biologia
biologia e química trabalharam com os alunos as questões do uso abusivo do álcool 
e das outras drogas, discutindo o mal que essas substâncias fazem a saúde. 
 O professor de sociologia e educação física trabalharam assuntos 
relacionados à copa do mundo, com levantamento realizado pelos alunos, dos 
países que já conquistaram o título de melhor do mundo no futebol e pesquisas 
sobre a cultura de cada um. 
 A continuação das aulas de leitura aconteceu com a utilização de livros 
literários, organizados de forma que cada aluno fizesse a escolha conforme sua 
preferência, após a escolha, foi preenchida a ficha com o nome do aluno, o título do 
livro, data e espaço para marcação das páginas a cada aula de leitura. 
 As professoras de língua portuguesa e artes realizaram um trabalho com os 
alunos para fazer um breve resumo do livro já lido, ou que ainda estavam lendo, 
para relatar a parte que achou mais interessante. Os alunos fizeram essa atividade 
de forma oral na sala de aula. 
 Como parte das atividades, foram construídos dois murais no pátio do colégio: 
sendo um para expor as sugestões de leituras já realizadas pelos próprios alunos e 
outro com assuntos atuais e curiosidades. Para a construção dos murais, a 
professora de arte colaborou com a montagem e realizou com os alunos a 
decoração de prendedores com pinturas e desenhos livres, para fixar as leituras nos 
murais. 
Foi realizada palestra motivadora sobre leitura com a professora e escritora 
Mestre Leny Fernandes Zulim com o tema: As múltiplas faces da leitura: por que é 
tão importante ser um leitor? Os alunos gostaram muito da fala da professora, como 
podemos perceber em alguns relatos feitos pelos alunos, quando a professora de 
língua portuguesa solicitou que escrevessem o que achou interessante na palestra: 
o aluno A, “gostei muito da palestra da professora Leny, depois da explicação de 
como interpretar uma poesia, me deu até vontade de ler um livro de poesia”; aluno 
B, “Foi muito legal, ela fez perguntas e brincadeiras para os alunos, aprendi muitas 
coisa sobre leitura”; aluno C, “Foi muito bom, nem vi o tempo passar, aprendi que a 
leitura é muito importante para as pessoas”; aluno E, “Ela explicou que precisamos 
treinara leitura para entender o que o autor quer falar quando escreve”. 
Foram exibidos dois filmes: Escritores da Liberdade, onde as professoras de 
língua portuguesa e filosofia fizeram uma reflexão com os alunos sobre a questão 
das desigualdades sociais. Momento que os alunos puderam refletir que a leitura 
permite as pessoas compreenderem que todo cidadão tem direito a dignidade, como 
diz Silva, (2005, p. 24): 
[...] a prática de leitura é um princípio de cidadania, ou seja, o leitor 
cidadão, pelas diferentes práticas de leitura, pode ficar sabendo quais são 
suas obrigações e também pode defender os seus direitos, além de ficar 
aberto às conquistas de outros direitos necessários para uma sociedade 
justa, democrática e feliz. 
 
 O outro filme foi Cartas para Julieta, na qual trabalhou a oralidade e escrita 
nas aulas de língua portuguesa, arte e filosofia os alunos foram organizados em 
círculos para conversar sobre o filme e escrever a parte que mais gostou. 
A análise da entrevista com os professores foi realizada agrupando-se os 
dados em temas, a partir das respostas obtidas que compreendiam os seguintes 
assuntos: formas de trabalhar com a leitura em sua disciplina e uso da biblioteca; 
formação de leitores, e a contribuição do projeto; Interesse dos alunos e dificuldade 
em trabalhar a leitura. Estas questões foram dispostas em um quadro, contemplando 
a entrevista completas por disciplina, embora sucinta. Desta forma passou-se a 
categorizar os dados em classes, questões e respostas e por fim a montagem dos 
quadros. Como podem ser visualizados a seguir: 
Quadro 1- Trabalho com a leitura e uso da biblioteca 
Questões Respostas 
Como você trabalha com a 
leitura em suas aulas e em 
quais situações leva seus 
alunos à biblioteca? 
E 1 - Arte – Apresento as obras de arte e o texto, depois os alunos 
fazem a leitura especificando o autor, momento histórico e as 
características da obra. Levo a biblioteca quando há necessidade de 
maiores informações sobre o conteúdo. 
 
E 2 – Educação Física – Sempre peço aos alunos para pesquisarem 
os trabalhos em livros na biblioteca. 
 
E 3 – Química e Física – Trabalho os textos científicos e 
interpretação de dados e levo os alunos a biblioteca para pesquisar 
na área científica. 
 
E 4 – Biologia – Tralho com textos do livro didático, textos xerocados, 
reportagens de revistas e etc., utilizo a biblioteca em busca de 
complementação do conteúdo ou em busca de curiosidades. 
 
E 5 – Língua Portuguesa – Através de textos diversificados do livro 
didático, jornais, revistas e livros de literatura. Não levo a biblioteca 
por não ter espaço físico para todos os alunos. 
 
E 6 – Filosofia – Trabalho com textos do livro didático e peço para os 
alunos lerem um livro por trimestre e não levo os alunos a biblioteca. 
 
E 7 – Sociologia – Com textos específicos sobre o conteúdo e não 
levo os alunos a biblioteca. 
 
E 8 – Língua Espanhola – Com vários gêneros textuais, leituras 
individuais e coletivas, silenciosa e oral, além do livro didático utilizo 
outros textos e não levo os alunos a biblioteca por não ter material 
em espanhol. 
 
E 9 – Matemática – Às vezes procuro enfatizar a leitura por meio de 
textos informativos e estatísticos, além dos gráficos e tabelas 
presentes nos jornais e revista. Levo a biblioteca para pesquisas de 
vocábulos e história da matemática. 
Fonte: Entrevistas caracterizadas na pesquisa PDE (2014) 
 Em relação ao trabalho com a leitura, os professores das diversas áreas do 
conhecimento apresentam a preocupação em propor ações relacionadas ao 
incentivo e a prática de leitura em suas aulas, de acordo com Zulim, (2011, p. 14): 
Ler com os alunos e para os alunos: São duas atitudes positivas que 
colaboram para formar o leitor. A afirmação implica em um professor leitor 
que, ao abrir espaços de leitura literária em suas aulas, utiliza também ele 
esse espaço para ler. E assim, instiga a turma a ler mais um livro, seja pelo 
título, seja porque é visto como exemplo. Além disso, dispensar um 
“tempinho” no início, no final da aula, ou mesmo antes de liberar a turma 
para o intervalo, lendo aos alunos um conto, uma crônica ou um poema 
bem escolhidos, capazes de encantar, também contribui, e muito, para 
formar leitores. 
 
 Dessa forma como afirma a autora, vê-se a importância que tem a escola 
mais diretamente o professor como o mais próximo mediador de leitura e para a 
formação de leitor, é imprescindível o constante e ininterrupto contato com o livro. 
Quadro 2 – Formação de leitores, e a contribuição do projeto. 
Questões Respostas 
Como sua disciplina pode 
colaborar na formação de 
alunos leitores e qual foi à 
contribuição do projeto? 
E 1 – Arte – Em momento de leitura de obra de arte. O projeto 
proporcionou momentos para que os alunos voltassem sua atenção 
para leitura. 
 
E 2 – Educação Física – A pesquisa de vários autores relacionados a 
disciplina. Contribuiu para os alunos lerem vários temas diferentes. 
 
E 3 – Química e Física – Leitura constante para interpretação de 
questões científicas. Melhorou a concentração dos alunos e na 
interpretação dos exercícios e resolução. 
 
E 4 – Biologia – Incentivando-os com textos interessantes. É 
necessário continuar com as aulas de leitura, porque quanto maior o 
exercício eles vão tendo mais interesse. 
 
E 5 – Língua Portuguesa – Acredito que formar alunos leitores é o 
maior objetivo da disciplina, formar leitores críticos, capazes de criar 
e recriar. Adorei o projeto devemos dar continuidade, pois a leitura é 
essencial para a formação e inserção do indivíduo na sociedade. 
 
E 6 – Filosofia – Questionando as situações, forçando uma reflexão 
antes de aceitar a respostas das coisas como certas. A leitura 
contribui para enriquecer o vocabulário e ajuda a comparar as 
situações que vive com o que lê. 
 
E 7 – Sociologia – Buscando o saber através da história da 
humanidade e sua evolução como indivíduo e classe social. Trouxe 
novos horizontes e despertou o interesse por materiais diversos. 
 
E 8 – Língua Espanhola – Através da prática e incentivo constante de 
leitura, comentando uma obra que lemos ajuda a despertar o 
interesse dos alunos. Sempre o trabalho de leitura é gratificante e 
acaba por despertar o interesse pela leitura. 
 
E 9 – Matemática - Interpretando os símbolos, gráficos e os dados 
estatísticos. A partir do momento que o aluno critica, opina, busca 
soluções sobre as dúvidas que surgem durante a leitura, contribui 
para seu aperfeiçoamento. 
Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 
De acordo com o quadro 2, o professor procura incentivar a leitura voltada as 
questões e assuntos relacionados a sua disciplina, dessa forma, Bamberger, (1995, 
p. 6), afirma: 
[...] que professores interessados e informados, sendo eles mesmos bons 
leitores, podem fazer com que os alunos experimentem na leitura um prazer 
idêntico ao seu, e também que existe esse prazer e o acesso ao livro nas 
salas de aula. 
 
O contato contínuo com os livros e o exemplo transmitido pelo professor são 
oportunidades que podem ser proporcionadas aos alunos para a aquisição do hábito 
de ler. 
Quadro 2 – Interesse dos alunos e dificuldade em trabalhar a leitura. 
Questões Respostas 
O projeto despertou 
interesse de leitura nos 
alunos e se encontrou 
dificuldades em trabalhar a 
leitura na sua disciplina? 
E 1- Arte – Em alguns alunos. Não encontrei dificuldade em trabalhar 
a leitura. 
 
E 2 – Educação Física – Houve interesse de alguns alunos. Sim, os 
alunos às vezes reclamavam por não jogar as modalidades 
esportivas e para ler. 
 
E 3 – Química e Física – No início houve resistência, mas com o 
tempo foram compreendendo a importância da leitura e o quanto 
ajuda a compreender uma análise textual. Os alunos perceberam que 
a leitura é primordial para compreensão conceitual em todas as 
áreas. 
 
E 4 – Biologia – Houve um interesse nos alunos de forma geral, 
porém uns demonstraram um interesse maior. No inícioos alunos 
ficaram dispersos, mas com o passar dos dias foi melhorando a 
concentração. 
 
E 5 – Língua Portuguesa – É claro que sempre há algum aluno que 
não se interessa pela leitura, mas a escola não pode omitir-se da 
função, porque costuma ser o único espaço de acesso a textos 
literários. A dificuldade é com o aluno que não e sente atraído pela 
leitura, mas devemos exercer o papel mediador do conhecimento e 
utilizar mecanismos de aproximação do aluno com o livro. 
 
E 6 – Filosofia – Despertou em alguns alunos e não encontrei 
dificuldades em trabalhar a leitura. 
 
E 7 – Sociologia – Foi bem aceito por todos. Não encontrei 
dificuldade porque a leitura tem haver com o contexto social dos 
alunos. 
 
E 8 – Língua Espanhola – A maioria dos alunos se interessaram e 
fizeram vários comentários positivo sobre o projeto. Não encontrei 
dificuldade porque a leitura faz parte da disciplina que leciono. 
 
E 9 – Matemática – Creio que tenha colaborado, no sentido de 
desenvolver o senso crítico dos alunos. Às vezes por ser ciência 
exata, acaba ficando mais restrita, pois ficamos mais atentos a dados 
estatísticos e gráficos. 
Fonte: Entrevistas categorizadas na pesquisa PDE (2014) 
Incentivar a leitura é sempre importante, porém é necessário propor ações 
contínuas para obter resultados positivos em longo prazo uma vez, que a leitura é 
um importante recurso para ampliar os conhecimentos e promover a aprendizagem 
nos alunos, segundo Silva (1996, p. 43): 
[...] ao experimentar a leitura, o leitor executa um ato de compreender o 
mundo. De fato o propósito básico de qualquer leitura é a apreensão dos 
significados mediatizados ou fixados pelo discurso escrito, ou seja, a 
compreensão dos horizontes escritos por um determinado autor em uma 
determinada obra. 
 
 Persistir em ações que desenvolvam o hábito de leitura e apresentar materiais 
diversificados de leitura é tarefa da escola. Quanto mais variado for o material 
disponibilizado, maior será a curiosidade e interesse, ressaltando que na escola 
todos devem ser leitores, não é incumbência apenas de aluno, mas de todos que 
fazem parte do contexto escolar. 
 
5 - CONCLUSÃO 
 Este trabalho possibilitou maior compreensão e afirmação sobre a importância 
da leitura para o crescimento pessoal, bem como para ampliar a visão de mundo do 
leitor. Os autores oferecem um amplo panorama sobre o assunto e mostram que a 
leitura é um instrumento fundamental na construção do conhecimento, e é 
necessário ser vista com maior relevância no processo educativo. 
A leitura está totalmente relacionada ao desempenho escolar do aluno, ela 
contribui para o aperfeiçoamento do vocabulário, desenvolve sua oralidade, propicia 
o desenvolvimento do raciocínio, a capacidade de interpretação e a sua 
emancipação. Bamberger (1995) afirma que a leitura remove as barreiras 
educacionais e favorece maiores oportunidades na vida das pessoas com relação à 
educação, promove o desenvolvimento da linguagem e o crescimento intelectual. 
A escola tem um papel muito importante na formação de leitores, 
independente do ano e da experiência que o aluno possui sobre leitura, ela deve 
promover meios que possibilitem aos alunos adquirirem o gosto e o hábito de ler. É 
fundamental a mediação do professor para o ensino da leitura, o exemplo é um 
importante incentivo como relata Zilberman (1999, p. 66), “Os professores podem ser 
de grande valia para despertar a curiosidade intelectual.” 
Quando as interações entre professor e aluno ocorrem de forma significativa e 
não com caráter de obrigação, a aprendizagem se efetiva e de fato acontece. O 
professor é o mediador de todo o processo de estímulo e, o aluno participa expondo 
suas experiências e ideias com os conteúdos lidos, logo com a intervenção do 
professor o aluno alcança interações, saberes e novos olhares sobre o que leu ou 
está lendo. Então, cabem ao professor o papel de interventor, desafiador, mediador 
e provocador de situações que estimulem a curiosidade e o gosto pela leitura. 
Dessa forma, propor ações que incentivem a leitura no meio escolar com a 
participação dos professores pode contribuir neste despertar e na sensibilização do 
aluno para o interesse pela leitura. 
Por não ser uma obra acabada ou concluída, essa pesquisa pode ser 
enriquecida com outros questionamentos e embasada teoricamente junto a 
inúmeros autores existentes com relação à importância do trabalho com a leitura nos 
meios escolares. 
 
6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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cientifico: 5ª Ed. São Paulo: Atlas, 2001. 
 
BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 6ª ed. - São Paulo: 
Ática, 1995. 
 
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http://alb.com.br/
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Projeto Político Pedagógico. 
 
REZENDE, Lucinea Aparecida de. Leitura e formação de leitores: vivências 
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SILVA, Ezequiel Teodoro. Conferências sobre leitura-trilogia pedagógica. 
Campinas /SP: Autores Associados, 2005. 
 
______. Elementos de Pedagogia da Leitura. 2ª ed. - São Paulo: Martins Fontes, 
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______ .Fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. 7ª ed. 
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ZILBERMAN, Regina. Fim do Livro, fim dos Leitores. São Paulo, 2001. 
 
ZULIM, Leny Fernandes. Literatura no ensino fundamental: da teoria às práticas 
em sala de aula. Londrina, PR: Amplexo Editora, 2011.

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