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Classificação dos traumatismos dentários

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AULA 3  
Manuella Soussa Braga  
Disciplina de Trauma Dental - 2020/2  
  
Classificação dos Traumatismos Dentários  
  
Os traumas dentários podem ser classificados em              
traumatismos que acometem os tecidos duros e              
traumatismos que acometem os tecidos de suporte.   
  
Os testes de percussão e palpação positivos indicam                
traumatismos nos tecidos de suporte. Esses traumatismos,              
por sua vez, podem estar associados ou não a algum                    
trauma de tecido dentário duro.   
  
É muito importante que se examine os dentes adjacentes                  
mesmo que não tenha fratura visível, pois esses dentes                  
podem ter sofrido o trauma somente nos tecidos de                  
suporte, por exemplo.   
  
TRAUMATISMOS QUE ACOMETEM OS TECIDOS  
DUROS  
  
TRINCA DE ESMALTE  
  
A trinca de esmalte é uma fratura incompleta                
do esmalte em que não há perda de estrutura                  
dentária. Essas trincas podem ser visualizadas            
quando o feixe de luz é direcionado              
perpendicularmente ao longo eixo do dente            
(transiluminação).   
  
- testes pulpares e perirradiculares normais  
- ausência de mobilidade  
- sem anormalidades radiográficas  
- normalmente não requerem tratamento  
  
Caso a trinca seja muito visível, pode-se selar com resina                    
composta para prevenir a descoloração ou contaminação              
bacteriana.   
  
FRATURA DE ESMALTE  
  
Refere-se a perda de estrutura dentária            
confinada ao esmalte, ou seja, não há sinais                
visíveis de dentina exposta. A intervenção            
desses casos é sugerida somente se alterar              
estética ou função (p. ex. suavização das              
bordas da fratura, colagem do fragmento ou              
restauração).  
  
  
  
- testes pulpares e perirradiculares normais  
- ausência de mobilidade  
- sem anormalidades radiográficas  
  
Na radiografia, poderá ser notado a perda do esmalte. Caso                    
o fragmento tenha sido perdido, pode-se tentar localizar o                  
fragmento nos tecidos moles pela radiografia.   
  
FRATURA DE ESMALTE E DENTINA  
sem exposição pulpar (não complicada)  
  
Refere-se a perda de estrutura dentária,            
confinada ao esmalte e à dentina, sem              
exposição pulpar. O teste de sensibilidade            
pode dar um pouco mais exacerbado devido a                
dentina exposta e a proximidade com a polpa.   
  
- testes pulpares e perirradiculares normais  
- ausência de mobilidade  
- perda de estrutura visível na radiografia  
  
As alternativas de tratamento são:  
● colagem de fragmento  
O fragmento deve estar hidratado no momento da colagem. O                    
ideal é que o paciente tenha armazenado o fragmento em água ou                        
soro fisiológico. Caso o paciente tenha trazido seco, é preciso                    
reidratar esse fragmento em soro fisiológico por pelo menos 15-20                    
minutos para que se obtenha sucesso clínico na colagem.   
● restauração direta  
● restauração indireta  
● capeamento pulpar indireto  
Pode ser realizado caso a fratura esteja próximo da polpa e o                        
profissional julgue necessário.  
  
O exame radiográfico pode ser usado para localização de                  
fragmentos. Faz-se o acompanhamento normal da            
restauração, realizado em algumas semanas e anualmente.              
Se houver falha na restauração, repara ou substitui a resina.   
  
FRATURA DE ESMALTE E DENTINA  
com exposição pulpar (complicada)  
  
Refere-se a perda de estrutura dentária            
confinada ao esmalte e dentina, com            
exposição pulpar. O dente se apresenta mais              
sensível aos estímulos.  
  
- testes pulpares e perirradiculares normais  
- ausência de mobilidade  
- perda de estrutura visível na radiografia  
AULA 3  
Manuella Soussa Braga  
Disciplina de Trauma Dental - 2020/2  
  
Nesses casos, a abordagem realizada dependerá do              
estágio da rizogênese e do diagnóstico pulpar:   
  
RIZOGÊNESE INCOMPLETA E VITALIDADE PULPAR  
tratamentos conservadores  
  
Os tratamentos conservadores possuem a finalidade de              
manter a polpa vital (importante para a continuidade do                  
desenvolvimento da raiz). São eles: capeamento pulpar              
direto (em exposições menores) ou pulpotomia parcial              
(principalmente em casos em que o dente ficou muito                  
tempo exposto ou em exposições maiores).   
  
RIZOGÊNESE INCOMPLETA E NECROSE PULPAR  
tratamento endodôntico  
  
O tratamento endodôntico é indicado, mas com              
procedimentos diferenciados para tentar promover o            
desenvolvimento radicular: apicificação e revascularização.   
  
A apicificação induz o fechamento apical ao desenvolver                
uma barreira de tecido calcificado na porção apical. A raiz                    
não continua crescendo, mas há o estreitamento do forame                  
para que haja o adequado suporte para o material do TE. É                        
feita com várias trocas de medicação intracanal com                
hidróxido de cálcio ou com um tampão apical de MTA (nos                      
3 mm apicais). No caso do hidróxido de cálcio, o tratamento                      
endodôntico só é realizado depois que confirmada a                
deposição de cálcio no ápice. Para o MTA, o TE é feito na                          
mesma sessão. Ambos os materiais estimulam a              
calcificação apical.   
  
Na revascularização , de início, retira-se a polpa e se faz                    
uma descontaminação passiva do canal com baixas              
concentrações de hipoclorito de sódio e EDTA. Depois,                
coloca-se a medicação intracanal com hidróxido de cálcio                
por 1 a 4 semanas. Após remover a medicação, leva-se                    
uma lima 15 ou 20, passando-a além do forame apical,                    
movimentando-a, a fim de promover um sangramento.              
Esse sangue entra no canal e forma um coágulo. O coágulo                      
permite que células mesenquimais indiferenciadas que vão              
se diferenciar para depositar tecido calcificado dentro do                
canal, podendo dar continuidade ao desenvolvimento            
radicular. Após isso, um material biocerâmico (como o                
MTA) é colocado por cima e restaura para proteger o canal                      
de contaminações.   
  
RIZOGÊNESE COMPLETA  
tratamento endodôntico  
  
O TE é indicado em casos de exposições maiores ou                    
prolongadas. Se a exposição foi pequena ou recente e a                    
polpa estiver vital, prefere-se tratamentos conservadores,            
como o capeamento pulpar direto ou pulpotomia parcial.   
  
Se tiver necessidade de