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Inotrópicos positivos e vasodilatadores

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cães com ICC discreta a 
importante secundária a DVMM. A dose atual recomendada de 
torsemida para cães é 0,1-0,2 mg/Kg SID ou BID, ou aproximadamente 5 
a 10% da dose total da furosemida administrada naquele período para 
o paciente. 
Estudo realizado em cães com DVMM sintomáticos demonstrou 
que a adição da espironolactona (2 mg/kg SID) no protocolo de 
tratamento convencional (inibidor da ECA com furosemida ou digoxina, 
 
se necessário) reduziu em 55% o risco de morbidade e mortalidade 
desses pacientes, podendo chegar a mais de 69% de redução quando 
apenas as causas cardíacas de morte são consideradas. 
A ​ Espironolactona ​ é um antagonista seletivo do receptor da 
aldosterona. Sabe-se, atualmente, que a aldosterona, além de mediar a 
retenção de sódio e água, também promove fibrose do miocárdio e do 
endotélio vascular, o que é considerado deletério na doença cardíaca. 
Os inibidores da ECA suprimem a cascata do SRAA, porém, a supressão 
da enzima conversora de angiotensina parece ser insuficiente para 
prevenir completamente a secreção de aldosterona em cães com 
insuficiência cardíaca congestiva recebendo a terapia convencional.26 
Portanto, atualmente recomenda-se a adição da espironolactona na 
dose de 2 mg/ kg SID em todo paciente sintomático com doença 
degenerativa crônica (estágio C e D), em associação à terapia com 
inibidores da ECA. 
 
Resumindo, atualmente as recomendações de tratamento do cão com IC incluem 
Petpril (inibidor da ECA), pimobendan e diuréticos. A espironolactona é 
recomendada nos cães com DVMM devido ao seu efeito cardioprotetor e não 
diurético, porém, a mesma função em cães com CMD ainda não foi comprovada, 
apesar de acreditarmos ter o mesmo benefício nessa enfermidade. 
Outros Tratamentos  
Quando o tratamento padrão não é capaz de manter o paciente 
estável, temos que fazer uso de outras manobras na tentativa da 
estabilização.  
O uso de ​dieta hipossódica ​ pode diminuir a necessidade do uso 
de diuréticos e, consequentemente, reduzir a ativação neuro-hormonal. 
Porém, até mais do que o cuidado na ingestão de sódio, deve-se 
preocupar com o risco de caquexia nos estágios mais avançados da 
doença cardíaca (Figuras 4). A liberação de citocinas inflamatórias e a 
redução da absorção adequada de nutrientes devido à congestão do 
trato intestinal podem induzir o cão com IC à redução exagerada de 
peso com perda significativa do escore corporal. Para evitar que isso 
aconteça, devem ser oferecidas dietas altamente palatáveis, 
hipercalóricas e que contenham proteína de alta digestibilidade. 
 
 
Figuras 4: cão da raça Boxer portador de cardiomiopatia dilatada. Notar escore corporal ruim, 
com intensa perda de massa muscular. Foto gentilmente cedida pelo Dr. Lucas Navajas, diretor 
de regionais da Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária. 
Outro caminho que podemos usar é a adição de outros fármacos 
vasodilatadores ao tratamento inicial. Esses medicamentos agem 
reduzindo a pressão arterial sistêmica, facilitando a saída de sangue 
do coração pela artéria aorta e aumentando, assim, o volume sistólico 
e débito cardíaco. Com isso, há redução da pressão atrial esquerda e 
veias pulmonares, melhorando o quadro congestivo. Devemos apenas 
ter cuidado de não utilizar esses fármacos em pacientes hipotensos. 
Os fármacos mais conhecidos deste grupo são a hidralazina (0,5 a 2 
mg/kg BID) e a amlodipina (0,05 a 0,1 mg/kg SID ou BID).  
Pacientes que apresentem arritmias devem ser avaliados e 
tratados especificamente de acordo com o tipo e gravidade da 
arritmia detectada. 
PACIENTE ASSINTOMÁTICO  
O tratamento de pacientes com doença cardíaca, sem sintomas 
de insuficiência cardíaca descompensada, constitui-se num grande 
dilema. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (inibidores 
da ECA) – Petpril eram frequentemente prescritos para cães com DVMM 
antes do início da manifestação de insuficiência cardíaca. Porém, não 
há evidências de que a administração dessa medicação a um paciente 
com DVMM tenha um papel preventivo no desenvolvimento e 
progressão dos sinais de insuficiência cardíaca, ou que aumente a 
sobrevida.  
 
Nas diretrizes atuais para doença valvar, alguns especialistas 
indicam o uso do iECA naqueles animais que apresentem aumento 
 
marcante no tamanho do átrio esquerdo em avaliações 
ecocardiográficas sucessivas, e com alto risco de descompensação. 
Nos cães com CMD, pouco se sabe sobre os benefícios deste fármaco 
nos pacientes assintomáticos. Estudo retrospectivo realizado em 
cães da raça Doberman Pinscher assintomáticos com CMD mostrou 
benefícios no uso do inibidor da ECA, com aumento do período 
pré-clínico dos animais que receberam este grupo de fármaco. 
Porém, estudos prospectivos são necessários para validar esses 
achados, tanto em cães da raça Dobermann Pinscher, como em outras 
raças.  
Já na DVMM, um estudo realizado com cães em estágio B2 (que 
apresentam aumento de AE e VE) demonstrou que o tratamento com 
pimobendan aumentou em quase 15 meses o período pré-clínico, com 
segurança e boa tolerância pelos cães. Em cães com CMD, a 
administração do pimobendan prolongou de forma significativa (média 
de 9 meses) o tempo para o início da ICC ou morte súbita. 
Não há evidências de que cães com DVMM em estágio B1 (sem 
aumento de câmara cardíaca ou com aumento hemodinamicamente 
insignificante) se beneficiem com qualquer tipo de tratamento. Os 
tutores cujos cães se apresentam assintomáticos em estágio B1 devem 
ser orientados com relação ao início das manifestações clínicas de 
insuficiência cardíaca e, no caso de animais reprodutores, alertar que 
a doença pode ter caráter genético importante envolvido. Neste 
estágio, a doença deve ser monitorada a cada três a 12 meses, na 
dependência do grau de regurgitação. Além disso, cães assintomáticos 
não precisam de restrição dietética ou de exercícios, porém, exercícios 
muito exaustivos ou dietas com muito sal devem ser evitadas.