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Manual de Cálculo Integral em R(n) Curso de licenciatura em Ensino Matemática Universidade Pedagógica Departamento de Matemática Direitos de autor (copyright) Este módulo não pode ser reproduzido para fins comerciais. Caso haja necessidade de reprodução, deverá ser mantida a referência à Universidade Pedagógica e aos seus Autores. Universidade Pedagógica Rua Comandante Augusto Cardoso, nº 135 Telefone: 21-320860/2 Telefone: 21 – 306720 Fax: +258 21-322113 Agradecimentos À COMMONWEALTH of LEARNING (COL) pela disponibilização do Template usado na produção dos Módulos. Ao Magnífico Reitor, Directores de Faculdade e Chefes de Departamento pelo apoio prestado em todo o processo. Curso de licenciatura em Ensino Matemática i Ficha Técnica Autor: Vasco Agostinho Cuambe Revisor científico: Alberto Uamusse Revisor da engenharia de Educação à Distância: Suzete Buque Revisor do Desenho Instrucional: Suzete Buque Revisor Linguístico: Salomão Massingue Maquetizador e Editor: Aurélio Armando Pires Ribeiro Ilustrador: Vasco Agostinha Cuambe Moçambique, Maputo 2014 ii Índice Índice Visão geral 1 Bem-vindo ao módulo de Cálculo integral em R(n) ......................................................... 1 Objectivos do curso .......................................................................................................... 1 Quem deveria estudar este módulo? ................................................................................. 2 Como está estruturado este módulo? ................................................................................ 2 Ícones de actividade .......................................................................................................... 2 Acerca dos ícones .......................................................................................... 3 Habilidades de estudo ....................................................................................................... 3 Precisa de apoio? .............................................................................................................. 4 Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................. 4 Avaliação .......................................................................................................................... 4 Unidade I 5 Teoria de Medidas em Integrais duplos ............................................................................ 5 Lição no 1 6 Medidas de um Conjunto .................................................................................................. 6 Medidas de um Conjunto de R(n).......................................................... 6 Sumário ........................................................................................................................... 11 Exercícios ........................................................................................................................ 11 Lição no 2 12 Integração em intervalos fechados de R(n) ..................................................................... 12 Integração em Intervalos Fechados de R(n) ................................................. 12 Somas de Darboux ....................................................................................... 15 Condições de Integrabilidade de Integrais Múltiplos. ......................... 15 Sumário ........................................................................................................................... 18 Exercícios ........................................................................................................................ 18 Lição no 3 19 O Integral duplo. ............................................................................................................. 19 Integral Dupla .............................................................................................. 19 Interpretação Geométrica do Integral Duplo ....................................... 21 Cálculo dos Integrais Duplo......................................................................... 22 Integração sucessiva ............................................................................ 22 Curso de licenciatura em Ensino Matemática iii Chave de correcção ......................................................................................................... 24 Sumário ........................................................................................................................... 24 Exercícios ........................................................................................................................ 25 Chave de correcção ......................................................................................................... 25 Lição no 4 26 Integração em Regiões Generalizadas ............................................................................ 26 Chave de correcção ......................................................................................................... 30 Chave de correcção ......................................................................................................... 33 Sumário ........................................................................................................................... 33 Exercícios ........................................................................................................................ 34 Chave de correcção ......................................................................................................... 35 Lição no 5 36 Integrais duplos em Coordenadas Polares ...................................................................... 36 Mudança de Variáveis em Integrais duplos ................................................. 36 Coordenadas Polares .................................................................................... 38 Integrais Duplas em Coordenadas Polares ................................................... 39 Chave de correcção ......................................................................................................... 43 Sumário ........................................................................................................................... 43 Exercícios. ....................................................................................................................... 44 Chave de correcção ......................................................................................................... 45 Lição no 6 46 Aplicações de integrais duplos no cálculo de áreas de figuras planas. ........................... 46 Cálculo de Áreas em Figuras planas ............................................................ 46 Sumário ........................................................................................................................... 49 Exercícios. ....................................................................................................................... 49 Chave de correcção ......................................................................................................... 50 Lição no 7 51 Aplicações de integrais duplos na física. ........................................................................ 51 Aplicações Físicas ............................................................................... 51 Chave de correcção ......................................................................................................... 55 Sumário ........................................................................................................................... 55 Exercícios ........................................................................................................................56 Chave de correcção ......................................................................................................... 56 Unidade II 57 Integrais Triplos .............................................................................................................. 57 Lição no 8 58 Integrais Triplos .............................................................................................................. 58 Definição do integral triplo .......................................................................... 58 Propriedades ........................................................................................ 59 iv Índice Cálculo de Integrais Triplos ......................................................................... 59 Chave de correcção ......................................................................................................... 64 Sumário ........................................................................................................................... 64 Exercícios. ....................................................................................................................... 64 Chave de correcção ......................................................................................................... 65 Lição no9 66 Cálculo de integrais triplos em coordenadas cilíndricas e esféricas ............................... 66 Mudança de Variáveis em integrais triplos. ........................................ 66 Integrais triplos em coordenadas cilíndricas. ...................................... 67 Mudança para coordenadas esféricas .................................................. 70 Chave de correcção ......................................................................................................... 73 Sumário ........................................................................................................................... 73 Exercícios. ....................................................................................................................... 73 Chave de correcção ......................................................................................................... 74 Lição no 10 75 Aplicações dos integrais triplos ...................................................................................... 75 Cálculo de Volume de sólidos. ............................................................ 75 Aplicações Físicas do integral triplo ................................................... 78 Momento de Inércia em Relação a um eixo ........................................ 81 Chave de correcção ......................................................................................................... 82 Sumário ........................................................................................................................... 83 Exercícios. ....................................................................................................................... 83 Chave de correcção ......................................................................................................... 84 Unidade III 85 Integrais Curvilíneos ....................................................................................................... 85 Lição no 11 86 Integrais Curvilíneos no Plano ........................................................................................ 86 Integrais curvilíneos no espaço .................................................................... 93 Sumário ........................................................................................................................... 96 Exercícios. ....................................................................................................................... 96 Calcule os seguintes integrais curvilíneos ........................................... 96 Curso de licenciatura em Ensino Matemática v Chave de correcção ......................................................................................................... 97 Lição no 12 98 Integrais curvilíneos de campos vectoriais ..................................................................... 98 Chave de correcção ....................................................................................................... 103 Sumário ......................................................................................................................... 103 Exercícios. ..................................................................................................................... 104 Chave de correcção ....................................................................................................... 104 Lição no 13 105 Independência de Caminho em integrais curvilíneos. .................................................. 105 Teorema Fundamental para os Integrais Curvilíneos ........................ 105 Independência de Caminho nos integrais curvilíneos do espaço ...... 113 Chave de correcção ....................................................................................................... 114 Sumário ......................................................................................................................... 114 Exercícios. ..................................................................................................................... 114 Chave de correcção ....................................................................................................... 115 Lição no 14 116 Teorema de Green ......................................................................................................... 116 Introdução ............................................................................................................ 116 Teorema de Green ...................................................................................... 117 Chave de correcção ....................................................................................................... 123 Sumário ......................................................................................................................... 123 Exercícios ...................................................................................................................... 123 Chave de correcção ....................................................................................................... 124 Unidade IV 125 Integrais de Superfícies ................................................................................................. 125 Lição no 15 126 Integrais de Superfícies ................................................................................................. 126 Superfícies Orientáveis .............................................................................. 126 Cálculo do vector normal .................................................................. 127 Integrais de Superfície ............................................................................... 129 Chave de correcção ....................................................................................................... 134 Integrais de Superfície em Campos Vectoriais.................................. 134 Sumário ......................................................................................................................... 137 Exercícios. ..................................................................................................................... 138 Chave de correcção ....................................................................................................... 139 Lição no 16 140 Teorema de divergência ou Fórmula de Ostrogradsky- Gauss ..................................... 140 Teorema de divergência. Fórmula de Ostrogradsky-Gauss. .............. 140 vi Índice Sumário .........................................................................................................................144 Exercícios. ..................................................................................................................... 144 Chave de correcção ....................................................................................................... 145 Lição no 17 146 Teorema de Stokes ........................................................................................................ 146 Teorema de Stokes ............................................................................. 146 Sumário ......................................................................................................................... 150 Exercícios. ..................................................................................................................... 150 Chave de correcção ....................................................................................................... 151 Referências Bibliográficas 152 Curso de licenciatura em Ensino Matemática 1 Visão geral Bem-vindo ao módulo de Cálculo integral em R(n) No presente módulo de Cálculo Integral em R(n) faz-se uma abordagem em torno de conteúdos de matemática, tendo como objectivo principal formar estudantes do Curso de Licenciatura em Ensino de Matemática. O módulo está dividido em 4 unidades principais. Na primeira unidade estuda-se a Teoria de Medidas em Integrais Duplos. Na segunda unidade estuda-se os Integrais Triplos, na terceira unidade estuda-se os Integrais Curvilíneos e na última unidade estuda-se os Integrais de Superfícies. Objectivos do módulo Quando terminar o estudo do módulo de cálculo integral em R(n) você será capaz de: Objectivos Definir medidas de um intervalo em R(n); Definir integrais Múltiplos; Calcular os integrais duplos e triplos; Aplicar os integrais duplos e triplos na resolução de problemas; Definir os integrais curvilíneos no plano e no espaço; Resolver os problemas de contorno; Aplicar os integrais curvilíneos na resolução de problemas em física; Definir os integrais de superfície; Aplicar o teorema de divergência na resolução de problema; Aplicar o teorema de Stokes na resolução de problemas. 2 Visão geral Quem deveria estudar este módulo? Este Módulo foi concebido para todos aqueles que concluíram a 12ª classe ou equivalente e bem como profissionais que se queiram especializar em áreas afins e que se tenham matriculado neste curso. Como está estruturado este módulo? Todos os módulos dos cursos produzidos encontram-se estruturados da seguinte maneira: Páginas introdutórias Um índice completo. Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para completar o estudo. Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de começar o seu estudo. Conteúdo do curso / módulo O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma introdução, objectivos da unidade, conteúdo da unidade incluindo actividades de aprendizagem, um sumário da unidade e uma ou mais actividades para auto-avaliação. Outros recursos Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma lista de recursos adicionais para você explorar. Estes recursos podem incluir livros, artigos ou sites na internet. Ícones de actividade Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc. Curso de licenciatura em Ensino Matemática 3 Acerca dos ícones Pode ver o conjunto completo de ícones deste manual já a seguir, cada um com uma descrição do seu significado e da forma como nós interpretámos esse significado para representar as várias actividades ao longo deste módulo. Comprometimento/ perseverança Actividade Resistência, perseverança Auto-avaliação “Qualidade do trabalho” (excelência/ autenticidade) Avaliação / Teste “Aprender através da experiência” Exemplo / Estudo de caso Paz/harmonia Debate Unidade/relações humanas Actividade de grupo Vigilância / preocupação Tome Nota! “Eu mudo ou transformo a minha vida” Objectivos “[Ajuda-me] deixa- me ajudar-te” Leitura Quanto tempo? “Nó da sabedoria” Terminologia Apoio / encorajamento Dica Habilidades de estudo Este modulo é para si, ele foi concebido para que possa apoiar o seu estudo sem contudo deixar consultar as outras obras referenciadas neste modulo. As lições foram concebidas de modo a tornar a aprendizagem simples e significativa no entanto, há necessidade de planear convenientemente o seu tempo, tomar notas e discutir com os seus colegas. Uma das ferramentas fundamentais deste tipo de ensino e aprendizagem é o uso da plataforma eletrónica de ensino e aprendizagem. Pelo que alguns problemas irão ser discutidos com o tutor de especialidade usando este instrumento. 4 Visão geral Precisa de apoio? Conscientes de que no processo de aprendizagem, há sempre alguns problemas que possam encontrar, o contacto com o tutor de especialidade em algum momento é imprescindível. Assim, atendendo que o ensino é à distância, vai se privilegiar a sala virtual, nestas condições o domínio das ferramentas que lhe permitam participar na sala vitual é fundamental. Também poderão ser usados outros meios como correio electrónico ou telefone, mas, a plataforma será o meio mais recomendado. Tarefas (Actividades e auto- avaliação) O módulo apresenta para além dos exercícios, actividades e tarefas e auto- avaliação. Estas tarefas servem para lhe dar um indicador do seu desempenho. Os comentários e respostas comentadas aos exercícios e actividades só devem ser consultadas depois de ter resolvido o exercício e actividade. Avaliação Caros estudantes, ao longo do semestre serão submetidos a dois testes presenciais e um exame final a serem realizados nos centros de recursos ou outros locais a ser indicados. Para além dos testes, as tarefas de auto avaliação a serem enviados via plataforma, também serão objectos de avaliação preenchendo a coluna destinada a outras avaliações. Curso de licenciatura em Ensino Matemática 5 Unidade I Teoria de Medidas em Integrais duplos Introdução Nesta unidade, você vai aprender os integrais múltiplos com destaque para os integrais duplos e triplos. Também serão apresentados os problemas de aplicação bem como o cálculo de áreas e volumes. Esta unidade está dividida em 6 lições. Ao completar esta unidade, você será capaz de: Objectivos Definir medidas de um intervalo em R(n); Definir integrais Múltiplos; Calcular os integrais duplos e triplos; Aplicar os integrais duplos e triplos no cálculo de áreas e volume; Aplicar os integrais duplos e triplos na resolução de problemas. 6 Lição no 1 Lição no 1 Medidas de um Conjunto Introdução Esta é a lição nº 1, nela você vai aprender os conceitos de medidas de um conjunto em R(n), integração em intervalos fechados de R(n) . É uma lição que pode ser estudada em duas horas, incluindo a resolução de exercícios. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos Definir medida de um conjunto em R(n); Definir soma superior e inferior. Caro estudante, vamos iniciar o estudo do cálculo integral em R(n) e apresentamos em seguida o conceito de medidas de um conjunto. Comece a acompanhar! Medidas de um Conjunto de R(n) Chama-se intervalo n- dimensional fechado (respectivamente aberto) de extremidades em 1 2, , , na a a a e 1 2, , , nb b b b ao produto cartesiano dos n intervalos fechados ,i ia b (respectivamente abertos ,i ia b ), com 1, 2,...,i n .De uma forma geral, um intervalo n- dimensional I é um conjunto da forma 1 2, , , : , 1, 2,3,...,n i i iI x x x a x b i n . A medida de conjunto representa-se por mI e define-se como o produto 1 1 2 2 n nmI b a b a b a . Curso de licenciatura em Ensino Matemática 7 Se 2n , o intervalo I é um rectângulo de 2 e mI é área desse rectângulo; se 3n , o intervalo I é um paralelepípedo de 3 e então mI é o seu volume. Naturalmente é sempre 0mI . Se o intervalo I for a união de um número finito de intervalos sem pontos comuns( embora possam ter pontos fronteiros comuns), isto é, 1 2 3 pI I I I I , então atribui-se a I a medida 1 1 1 pmI mI mI mI mI . Se 1 2 3 pI I I I e 1 2 3 .... rk k k k forem duas decomposições diferentes do mesmo intervalo I em sub- intervalos sem pontos interiores comuns, é 1 1 1 1 2 3 ....p rmI mI mI mI mk mk mk mk Definida a medida de um intervalo, vamos considerar o caso dos subconjuntos n que não são intervalos. Para maior simplicidade na análise vamos nos limitar aos casos dos conjuntos bidimensionais. Acompanhe! Seja S um subconjunto limitado de 2 , consideremos um intervalo I que contém o conjunto S. , : ,I x y a x b c y b . Escolhido natural n , dividimos ,a b e ,c d em partes de amplitude 1 2n . Traçando pelos pontos da divisão obtida, rectas paralelas aos eixos coordenados, obtêm-se uma decomposição do intervalo I em subintervalos que designaremos por nP . Quando em vez de n se tomar 1n cada subintervalo de nP decompõe-se em quatro subintervalos iguais e portanto obtém-se uma decomposição 1nP mais fina do que o anterior. Designemos por , nJ S P a reunião dos subintervalos de nP que apenas contém pontos interiores de S e por , nJ S P a reunião dos subintervalos de nP que contém tanto pontos de S x y 8 Lição no 1 como da sua fronteira. No caso da figura ao lado , nJ S P é representada pela região ponteada e , nJ S P por essa e pela tracejada. Como , nJ S P e , nJ S P são reuniões de intervalos é possível, como acima se indicou, determinar as respectivas medidas ou áreas a que designemos por , nJ S P e , nJ S P . E como é evidente , ,n nJ S P S J S P , ,n nJ S P J S P . Como podemos verificar, aumentando n , isto é, considerando decomposições sucessivamente mais finas do intervalo I, tem- se 1 1, , , ,n n n nJ S P J S P S J S P J S P De onde resulta 1 1, , , ,n n n nJ S P J S P J S P J S P . Desta forma, caro estudante, quaisquer que sejam as decomposições P e Q do intervalo I que se considerem, é sempre , ,J S P J S Q , o que significa que a área da parte de uma decomposição de I que apenas contém pontos interiores de S nunca excede a área da parte de qualquer decomposição que contém tantos pontos de S como da sua fronteira. Assim, ao crescer n indefinidamente, os números , nJ S P formam uma sucessão monótona crescente limitada superiormente e, portanto, existe lim , ,n n J S P J S Q . A este limite chama-se medida interior do conjunto S e designa- se lim ,i n n m S J S P . Veja que, da mesma forma, ao crescer n indefinidamente os números , nJ S P formam uma sucessão monótona decrescente limitada inferiormente e, portanto Curso de licenciatura em Ensino Matemática 9 existe o limite lim , n n J S P , ao qual se chama medida exterior de S e designa/se por lim ,e n n m S J S P . Assim, qualquer conjunto limitado S de 2 tem a medida interior e medida exterior, as quais satisfazem a desigualdade i em S m S . Caso a medida interior seja igual a medida exterior então o conjunto S diz se um conjunto mensurável a Jordan de 2 (ou conjunto quadrável) e o número i emS m S m S denomina-se área ou medida bidimensional de S. As conclusões anteriores estendem-se sem dificuldade ao espaço nR de dimensões superiores a 2. Assim, se S for um subconjunto limitado de Rn e nP designar uma decomposição de um intervalo I que contém S, chama-se medida interior de S ao limite: lim ,i n n m S J S P e medida exterior lim ,e n n m S J S P . Se i em S m S então S diz-se mensurável e a sua medida (n- dimensional) segundo Jordan é o número i emS m S m S . No caso de 2 a medida dum conjunto é também denominada área e, quando existe, diz-se que o conjunto é quadrável. De uma formar similar, em, 3 a medida é frequentemente chamada volume do conjunto e em caso de existência, diz-se que o conjunto é cubável. Vamos, em seguida, apresentar algumas propriedades com relação à medidas de um conjunto. Continue acompanhar a lição, caro estudante! Proposição: Um conjunto limitado S de n é mensurável- Jordan se e só se a sua fronteira tem a medida nula. Demonstração: Tomemos I um intervalo fechado que contém S e designemos por S a fronteira de S. Então, para qualquer decomposição nP de I, tem-se, , , ,n n nJ S P J S P J S P , , ,n n nJ S P J S P J S P 10 Lição no 1 Se S é mensurável, tem-se, lim , lim , lim , 0n n n n n n J S P J S P J S P . O que significa que 0em S Todavia, como 0 i em S m S , resulta que 0m S . Reciprocamente, se 0em S então lim , 0n n J S P o que resulta que lim , lim ,n n n n J S P J S P ou seja i em S m S , significando, portanto que S é mensurável. Em seguida vamos apresentar alguns exemplos. Acompanhe! Exemplo A medida de um conjunto constituído por um número finito de pontos é igual a zero. Prova: Suponhamos que o conjunto S é constituído apenas por um ponto e seja I um intervalo que contém S. qualquer que seja a decomposição de I que se considere, o ponto só pode, quando muito, pertencer a 2n subintervalo cuja área total tende a zero quando o número de subintervalo de decomposição tender para infinito. Donde por consequência segue que 0em S e portanto 0mS . E assim, como medida da reunião de um número finito de conjuntos com medida nula é nula, segue-se que um conjunto constituído por um número finito de pontos, portanto, tem medida nula. Definição: Uma superfície de R(n) diz-se superfície seccionalmente lisa( ou ainda lisa por secções ou ainda suave por partes) quando pode ser descrita por n funções 1 1( )x f t , 2 2 ( )x f t , ( )n nx f t contínuas e com derivada contínua num intervalo ,a b , excepto num número finito de pontos nos quais, todavia existem as derivadas laterais. Caríssimo estudante, a definição anterior cria condições para se enunciar a seguinte proposição Curso de licenciatura em Ensino Matemática 11 Proposição: Uma superfície seccionalmente lisa de R(n) tem medida n- dimensional nula. Em particular, toda a superfície lisa tem medida nula. De forma análoga, demonstra-se que 2 , tem a medida toda a curva lisa ( )y f x , a x b ou ( )x x t , ( )y y t , a x b . Observe que a conjugação das duas proposições anteriormente apresentadas resulta na seguinte proposição Proposição: Uma região S de R(n) com fronteira seccionalmente lisa é mensurável- Jordan. Sumário Nesta lição foi apresentada a introdução do cálculo integral em R(n), onde se destaca as medidas de um conjunto em R(n) Exercícios Auto-avaliação Por ser uma lição basicamente teórica com carácter introdutório que tem como objectivo principal criar as condições para aprendizagem das lições subsequentes, não serão apresentados exercícios de auto - avaliação. 12 Lição no 2 Lição no 2 Integração em intervalos fechados de R(n) Introdução Nesta lição, você vai estudar a integração em intervalos fechados deR(n) onde se vai destacar a definição do integral múltiplo segundo Riemann. Esta lição pode ser estudada em 1 hora e 30 minutos, incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Definir o integral múltiplo; Enunciar as somas de Darboux; Apresentar as condições de integrabilidade. Na lição anterior, você aprendeu as medidas de um conjunto. A seguir, vai aprender os pressupostos fundamentais para a integração em intervalos de R(n). Acompanhe! Integração em Intervalos Fechados de R(n) Seja 1 2( ) ( , , , )nf x f x x x uma função definida e limitada no intervalo fechado I de R(n), definido pelos pontos 1 2( , , , )na a a a e 1 2, , nb b b b . Se para cada um dos intervalos unidimensionais ,i ia b , 1, 2, ,i n , se considerar uma partição iP em in subintervalo, então ao produto cartesiano 1 2 nP P P P , chama-se uma partição P do intervalo n-dimensional I. O intervalo I fica nessas condições decomposto em 1 2 .... nK n n n de subintervalo n-dimensionais que designaremos genericamente por iI com 1, 2, ,i k . Curso de licenciatura em Ensino Matemática 13 Na figura representa-se uma partição do intervalo I de 2 definida pelos pontos 1 2( , )a a a e 1 2,b b b resultante da partição 1P de 1 1,a b em 7 subintervalos e da partição 2P 2 2,a b em 5 subintervalos. Nota: Uma partição P do intervalo I diz-se mais fina que a partição P, ou que é um refinamento de P, quando P P Caro estudante, o conjunto de todas as partições possíveis de I representar-se-á por ( )P I . Ao máximo dos diâmetros de todos os subintervalos determinados por uma partição P chama-se norma dessa partição e representa-se por P . A seguir, apresentamos a definição da soma de Riemann. Acompanhe! Definição1: seja f uma função definida e limitada no intervalo fechado de I de n . Se P é uma partição de I em k subintervalos 1I , 2I , , kI e em cada um destes se tomar um ponto arbitrário i it I 1,2,3, ,i k a soma da forma 1 1 , , ( ) k i if P Q f t mI chama-se soma de Riemann da função f relativa à partição P considerada e ao conjunto Q dos pontos it escolhidos. A seguir apresentamos a definição do integral múltiplo segundo Riemann Definição2: seja f uma função definida e limitada no intervalo fechado de I de n . Diz-se que f é integrável a Riemann no intervalo I se existe um número 1 2( , )a a 1 2,b b x y 14 Lição no 2 real A tal que para todo 0 existe uma partição P de I tal que para toda a partição P mais fina do que P é , ,f P Q A .O número A chama-se então o integral de Riemann de f sobre o intervalo I e representa-se por 1 2 1 2( , , )n n I A f x x x dx dx dx . Pode-se também dizer que o integral de f sobre o intervalo I é o limite das somas de Riemann , ,f P Q quando a norma de partição tende para o zero, e escreve-se 1 2 1 2 0 lim , , ( , , )n n P I f P Q A f x x x dx dx dx . O integral diz-se múltiplo sempre que 1n , mas, quando 2n ou 3n utiliza- se normalmente as designações Integral duplo e triplo respectivamente e escreve- se ( , ) I f x y dxdy e ( , , ) I f x y z dxdydz Proposição: Se existir o integral, ele único. Demonstração: De facto se tanto A como A fossem integrais de f sobre I , então para todo 0 existiria uma partição P tal que, para qualquer partição P mais fina que P , seria simultaneamente: , , 2 f P Q A e , , 2 f P Q A e portanto, , , , ,A A A f P Q f P Q A , , , , 2 2 f P Q A f P Q A e, como A épsilon é arbitrário, necessariamente A A Curso de licenciatura em Ensino Matemática 15 Somas de Darboux Caro estudante, como a função f que se está a considerar é, por hipótese, limitada no intervalo I, então o conjunto dos seus valores em cada subintervalo iI de qualquer partição de I admite ínfimo e supremo que representaremos por inf i i I m f f e sup i i I M f f , respectivamente. Definição: Chama-se soma superior de Darboux de f no intervalo I , relativa a uma dada partição P de I , à soma 1 ( , ) k i i i S f P M f mI e soma inferior de darboux à soma 1 ( , ) k i i i s f P m f mI Nota Sendo limitadas inferiormente, as somas superiores admitem ínfimo, que se denomina Integral superior de f no intervalo I e representa-se por 1 2 1 2( ... ) inf ( , ) :n n I A f x x x dx dx dx S f P P P I . De forma análoga, por serem limitadas superiormente, as somas inferiores admitem supremo que se denomina integral inferior de f no intervalo I e se representa por, 1 2 1 2... ( ... ) sup ( , ) :n n I A f x x x dx dx dx S f P P P I Em seguida, apresentamos algumas condições de integrabilidade de integrais múltiplos. Continue acompanhando, caro estudante! Condições de Integrabilidade de Integrais Múltiplos. Veja que algumas condições necessárias e suficientes para que uma função seja integrável num intervalo fechado. Proposição: Uma condição necessária e suficiente para que uma função seja integrável à Riemann no intervalo fechado I de R(n) é que sejam iguais os respectivos integrais inferior e superior, isto é A = A 16 Lição no 2 Demonstração: Se f é integrável então existe um número real A tal que, qualquer que seja 0 , é possível escolher uma partição P de I , de modo que para qualquer partição P mais fina e quaisquer it e it de iI se tenha: 1 ( ) 3 k i i i f t mI A e 1 ( ) 3 k i i i f t mI A . Combinando as duas desigualdades tem-se: 1 2 ( ) ( ) 3 k i i i i f t f t mI Como ( ) sup ( ) ( )i iM f m f f t f t em iI , qualquer que seja 0h é possível escolher it e it de modo que ( ) ( ) ( )i iM f m f f t f t h . Ora, tomando 3 h mI vem: 1 , , ( ) ( ) k i i S f P s f P f t f t mI 1 1 ( ) ( ) k k i i i i f t f t mI h mI Portanto, dado 0 existe uma partição P tal que para P mais fina é , ,S f P s f P e por consequência: , ,A S f P s f P A . Como é arbitrário, resulta que A A . Mas o integral inferior nunca excede o integral superior, também se verifica a desigualdade oposta, segue-se que A A Caro estudante, vejamos o seu recíproco: Se o integral inferior é igual ao integral superior, isto é A A , então a função é integrável Demonstração: Tomando 0 , vamos escolher uma partição P do intervalo I de modo que para toda a partição P mais fina do que P seja ,S f P A . De forma análoga, vamos escolher uma partição P tal que se tenha para toda a partição P mais fina do que P , ,s f P A . Curso de licenciatura em Ensino Matemática 17 Seja P a reunião das partições P e P , isto é P P P . Para qualquer partição mais fina do que P tem-se: , , , ,A s f P f P Q s f P A . Como A A , designando por A o seu valor comum pode, portanto, escrever- se , ,A f P Q A ou seja , ,f P Q A , para P mais fina do que P , o que significa que, 1 2 1 2 0 lim , , ... ( , ... ) ....n n P I f P Q A f x x x dx dx dx , o que prova que, de facto, existe o integral de Riemann de f em I e é igual ao valor comum A dos integrais inferior e superior. Caríssimo estudante, uma vez apresentada a demonstração da propriedade anterior, vamos em seguida apresentar um corolário, cuja demonstração é consequência da anterior. Corolário: Uma condição necessária e suficiente para que umafunção limitada f seja integrável a Riemann no intervalo fechado I que para cada 0 exista uma partição P do intervalo I tal que , ,S f P s f P para qualquer partição P mais fina que do que P . Proposição: Uma função contínua num intervalo fechado é integrável à Riemann nesse intervalo. Demonstração: Seja f contínua no intervalo fechado I . Como a continuidade em intervalo fechado uniforme então, escolhido 0 , existe 0 tal que 2 f x f x mI para quaisquer x e x tais que x x . Se P for uma partição do intervalo de norma inferior a , ter-se-á então para qualquer partição P mais fina do que P , 2 i iM f m f mI Multiplicando esta desigualdade pela medida do subintervalo iI e adicionando vem, 18 Lição no 2 1 12 k k i i i i i i M f m f mI mI mI ou seja, , , 2 S f P s f P , o que mostra que é satisfeita a condição de Riemann e, portanto, a função é integrável. Sumário Nesta lição, foram apresentados, basicamente, os pressupostos da integração em intervalos fechados, com destaque para a definição de integrais múltiplos, condições de Darboux e as condições de integrabilidade. Exercícios Auto-avaliação O carácter desta lição que você acaba de estudar, não difere da lição nº 1. Sendo assim, também não serão apresentados exercícios de auto - avaliação, contudo, aconselhamos a uma leitura cuidadosa das proposições e definições apresentadas visto que serão pressupostos fundamentais nas lições posteriores. Curso de licenciatura em Ensino Matemática 19 Lição no 3 O Integral duplo Introdução Nesta lição, você vai estudar os integrais duplos, concretamente o cálculo de integrais sucessivos, é uma lição que lhe vai proporcionar as técnicas de cálculo deste tipo de integrais, em extensão dos integrais simples. É uma lição que pode ser estuda em duas horas. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Definir o integral duplo; Calcular os integrais duplos por integração parcial. . Caro estudante, a definição de integrais múltiplas já foi apresentada na lição nº 2. A seguir, acompanhe o caso em que a medida de intervalo é área, isto é, quando 2n Integral Dupla Vamos considerar uma função ( , )z f x y definida numa região fechada e limitada R do plano xy , como mostra a figura x y ( , )z f x y R z 20 Lição no 3 Traçando rectas paralelas aos eixos dos x e dos y, respectivamente recobrimos a região R por pequenos rectângulos (figura (a)) Consideremos, simplesmente os rectângulos kR que estão totalmente contidos em R, enumerando-os de 1 até n . Em cada rectângulo kR escolhemos um ponto arbitrário ,k kx y e formemos a soma 1 , n k k k k f x y A (1), onde k k kA x y é área do rectângulo kR Suponhamos, agora, que mais rectas paralelas aos eixos dos x e dos y são traçadas, tornando as dimensões dos rectângulos cada vez menores, como mostra a figura (b). Fazemos isso de tal maneira que o diâmetro máximo dos rectângulos kR tende para zero quando o n tender para o infinito. Nessa situação, se 10 lim , n k k k n kp f x y A Existe, ele é chamado integral duplo de ( , )f x y sobre a região R. Denota-se por 10 lim , ( , ) ( , ) n k k k n k R Rp f x y A f x y dA f x y dxdy y (a) x R (b) x y R Curso de licenciatura em Ensino Matemática 21 Caro estudante, uma vez definido integral duplo, na sua particularidade, vai, como é óbvio, ser apresentado em seguida, o sentido geométrico do integral duplo a semelhança ao que se fez em integrais simples (veja o módulo sobre o cálculo integral em R). Continue a acompanhar! Interpretação Geométrica do Integral Duplo Suponhamos que ( , )z f x y seja maior ou igual a zero sobre R, observando a figura seguinte, podemos observar que o produto ,k kf x y A , representa o volume de um prima recto, cuja base é o rectângulo kR e cuja altura é a função ,k kf x y . A soma de Riemann 1 , n k k k k f x y A representa uma aproximação do volume da porção do espaço compreendido abaixo do gráfico de ( , )z f x y e a cima da região R do plano xy . Se ( , ) 0f x y , o integral ( , ) R f x y dxdy representa o volume do sólido delimitado superiormente pelo gráfico de ( , )z f x y , inferiormente pela região R e lateralmente pelo “cilindro” vertical cuja base é o contorno de R. ( , ) R V f x y dA Caro estudante, uma vez apresentada a interpretação geométrica do integral duplo, apresentamos em seguida as propriedades do mesmo. Acompanhe! x y ( , )z f x y R z ,k kz f x y ,k kx y 22 Lição no 3 Propriedades do integral duplo 1. ( , ) ( , ) R R kf x y dA k f x y dA , para todo k real. 2. ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) R R R f x y g x y dA f x y dA g x y dA 3. Se ( , ) ( , ), , ( , ) ( , ) R R f x y g x y x y R f x y dA g x y dA 4. Se ( , ) 0f x y para todo (x,y) pertencente a região R, então ( , ) 0 R f x y dxdy Se a região R é composta de duas sub-regiões 1R e 2R que não têm pontos comuns, excepto, possivelmente os pontos da sua fronteira então 1 2 ( , ) ( , ) ( , ) R R R f x y dA f x y dA f x y dA . Depois das propriedades dos integrais duplos, a seguir vai aprender o cálculo dos mesmos, começando com a integração sucessiva. Cálculo dos Integrais Duplo Integração sucessiva O cálculo das integrais duplas é mais facilmente efectuado por integração parcial sucessiva, que é a inversa da derivação parcial. Isto é, para calcular um integral duplo, integra-se primeiro uma função de duas variáveis independentes com relação a uma delas, enquanto a outra é mantida constante. O resultado desta integração parcial é, então, integrado com relação à outra variável. Para isto, a integral dupla ( , ) R f x y dydx ou ( , ) R f x y dydx onde a e b são constantes, pode ser escrita como a integral iterada ( ) ( ) ( , ) g xb a h x f x y dy dx . Para calcular esta expressão, primeiro a função ( , )f x y é integrada parcialmente em relação a y e calculada para os limites apropriados. Do mesmo modo, Curso de licenciatura em Ensino Matemática 23 ( ) ( ) ( , ) g yb a h y f x y dxdy ou ( ) ( ) ( , ) g yb a h y f x y dx dy é integrada primeiro parcialmente, com relação a x, e, em seguida, com relação a y. Caro estudante, observe que se a ordem de integração for invertida, devem ser determinados novos limites de integração, isto é, ( ) ( ) ( ) ( ) ( , ) ( , ) g x g xb b a h x g x a f x y dydx f x y dydx . Os limites de integração devem envolver apenas variáveis em relação às quais a integração ocorre subsequentemente, e os limites integração precisam de ser reescritos desta forma. Assim ( ) ( ) ( ) ( ) ( , ) ( , ) g x m yb d a h x c n y f x y dydx f x y dxdy onde os novos limites de integração são determinados de maneira que, por exemplo, se ( )y g x então ( )x m y . Para funções de mais de duas variáveis, este processo pode ser generalizado usando integrais múltiplas. Exemplo Calcular o integral 1 1 0 0 xy x y dxdy Resolução: 1 1 1 1 1 1 2 2 0 0 0 0 0 0 11 2 3 2 0 0 3 2 xy x y dxdy xy x y dx dy x y xy dx dy y x x y dy 11 2 2 3 0 0 1 3 2 6 6 3 y y y y dy . Vamos apresentar mais um exemplo. Acompanhe! Calcular o integral 2 1 0 / x x x ydydx 24 Lição no 3 Resolução:2 2 2 2 1 1 1 1 11 1 1 12 2 2 2 2 0 0 0 0 / . 2 xx x x x x x x x x ydydx dy dx x y dy dx x y dx y 11 3 5 22 2 0 0 4 1 2 2 5 5 x x dx x x Antes de resolver os exercícios, apresentamos, em seguida, algumas actividades que lhe irão ajudar a desenvolver as suas habilidades de cálculo. Actividades Calcular os seguintes integrais: a) 2 1 0 0 2x y dxdy b) 4 2 1 1 x y dydx y x Chave de correcção a) 4 b) 21 ln 2 2 Sumário Nesta lição, você aprendeu a definição do integral duplo, em particular, também aprendeu a integração parcial. Curso de licenciatura em Ensino Matemática 25 Exercícios Auto-avaliação Caro estudante, em seguida presentamos os exercícios de auto -avaliação, para que possa consolidar as técnicas de cálculo de integrais sucessivos. 1. Calcular os seguintes integrais a) 21 0 0 x y xe dydx b) 21 1 1 2 2 2 0 0 1 x x y dydx c) 21 2 1 y y x ydxdy d) 22 1 0 1 x xy dydx e) 1 1 1 1 1 x x x y dydx f) 3 2 2 2 0 1 x y xy dxdy g) 4 2 2 3 1 dxdy x y h) 21 1 2 2 0 0 1 x x y dydx i) 21 0 0 x y xe dydx j) 1 cos 2 0 1 a r sen drd Chave de correcção Exercício 1: a) 1 2 b) 6 b) 14 15 c) 91 12 e) -4 f) 24 g) 25 ln 24 h) 6 i) 1 2 j) 34 3 a 26 Lição no 4 Lição no 4 Integração em Regiões Generalizadas Introdução Nesta lição, você vai estudar os integrais duplos, concretamente o seu cálculo em regiões mais generalizadas, esta lição vão levar -lhe a calcular os integrais em regiões não rectangulares. Esta lição pode ser estudada em duas horas e meia, incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Calcular os integrais duplos em regiões mais generalizadas. . Estimado estudante, se a função a ser integrada não tem os limites previamente colocados, devemos representar as funções que determinam a região de integração, graficamente. 1º Caso: A região R é do tipo I: a x b e 1 2( ) (f x y f x A figura abaixo caro estudante, ilustra esse caso. R x y 2 ( )y f x 1( )y f x a b Curso de licenciatura em Ensino Matemática 27 Neste caso o integral duplo ( , ) R f x y dydx é calculado através da seguinte integral iterada 2 1 ( ) ( ) ( , ) ( , ) f xb R a f x f x y dxdy f x y dy dx Apresentamos, em seguida, um exemplo. Acompanhe! 28 Lição no 4 Exemplo Calcular R x y dxdy , onde R é o domínio limitado pelas curvas 2y x e 2y x Calcular Resolução. Vamos começar por representar a região de integração graficamente y = 2x Assim, os limites de integração serão aqueles que limitam a área a tracejada. Desta forma: 0 2x e 2 2x y x Nesta condição teremos 2 2 22 2 2 2 0 0 2 xx R x x y x y dxdy x y dy dx xy dx = 2 2 2 4 0 1 2 4 2 x x x x x dx 2 2 2 3 2 4 2 3 4 0 0 2 3 4 5 0 1 1 2 2 4 2 2 4 1 1 52 3 4 10 15 x x x x dx x x x dx x x x 2 4 2y x 2y x Curso de licenciatura em Ensino Matemática 29 2º Caso: A região R é do tipo II: c y d e 1 2(y) (y)g x g A figura abaixo, ilustra esse caso. Observe! Nesse caso, de modo análogo ao 1º caso, temos 2 1 ( ) ( ) ( , ) ( , ) g yd R c g y f x y dxdy f x y dx dy Para uma melhor percepção, tomemos o exemplo anterior, bastando, para tal, inverter a ordem de integração, isto é, integrar primeiro em ordem a x e depois em ordem a y Assim, devemos usar como limites: 2 y x y e 0 4y . Assim o integral fica: 4 4 42 2 0 0 0 22 1 2 2 4 2 yy yyR x y y x y dxdy x y dx dy yx dy y y y dy = 4 4 32 2 2 2 0 0 1 1 5 2 8 2 2 8 y y y y y dy y y y dy = 452 3 2 0 5 2 5.64 2.32 40 64 52 4 4 4 24 5 24 5 3 5 15 y y y Como pode observar, obtemos o mesmo resultado c y x 2 ( )x g y R 1( )x g y d 30 Lição no 4 Exemplo 2 Calcular 2 R x y dA , onde R é a região limitada pelas parábolas 22y x e 21y x Chave de correcção Resolução: Vamos representar, em primeiro lugar, o gráfico que representa o domínio. Trata- se de duas funções quadráticas, que julgamos não haver dificuldades para construir. Acompanhe! Observe que as parábolas se intersectam quando 2 22 1x x , ou seja 1x . Note que a região é do tipo I e podemos escrever que, 2 2, : 1 1, 2 1D x y x x y x Como a fronteira abaixo é parábola 22y x e a cima 21y x o integral fica: 2 2 1 1 1 2 2 2 x R x x y dA x y dydx 2 2 2 2 1 1 1 12 2 1 12 2 x x x x x y dy dx xy y dx 1 2 22 2 2 2 1 1 1 2 2x x x x x x dx 1 4 3 2 1 3 2 1x x x x dx 5 4 2 13 1 2 3 5 4 3 2 x x x x x 32 15 Caro estudante Vamos apresentar mais um exemplo onde, desta vez, teremos uma região do tipo II. 2 -1 1 1 2 x y 2y 1 x 22y x Curso de licenciatura em Ensino Matemática 31 Exemplo 3 Calcular D xydA , onde D é a região limitada pela recta 1y x e pela parábola 2 2 6y x Comecemos por apresentar geometricamente o domínio D. Observe que a parábola 2y 2 6x e a recta 1y x se intersectam quando 2 1 2 6x x , ou seja 1x ou 5x . Assim, a intersecção é nos pontos 5, 4 e 1, 2 . Note que a região é do tipo II e podemos escrever que, 2 1 , : 1 4, 3 1 2 D x y y y x y D xydA 2 2 114 4 2 1 1 32 23 2 2 1 2 yy y y xydxdy y x dy 24 2 2 1 1 1 1 3 2 2 y y y dy 4 3 2 5 3 2 1 1 2 3 9 2 4 y y y y y y dy = 4 5 3 2 2 1 1 4 2 8 2 4 y y y y dy 4 6 4 3 2 2 1 1 2 4 2 24 3 y y y y 1 4096 256 128 64 16 64 16 16 2 24 1 3 24 3 = 1 4032 144 192 2 24 3 = 1 512 144 192 2 3 3 1 368 192 2 3 1 368 576 208 104 2 3 6 3 Caro estudante, quando fizemos a interpretação geométrica do integral duplo dissemos que ele representa o volume do sólido delimitado superiormente pelo gráfico de ( , )z f x y , inferiormente pela região R e lateralmente pelo 5 6 -3 6 4 -2 32 Lição no 4 “cilindro” vertical cuja base é o contorno de R. veja, em seguida, o exemplo do cálculo de volume. Exemplo Determinar o volume do tetraedro limitado pelos planos 2 2x y z , 2x y , 0x e 0z . Solução: caro estudante, numa questão como esta, é prudente desenhar dois diagramas: um no plano tridimensional e outo da região R sobre o qual o sólido se encontra. A figura1 mostra o tetraedro T limitado pelos planos coordenados 0x , 0z , plano vertical 2x y e plano 2 2x y z . Como 2 2x y z interceptao plano xy (cuja equação é 0z ) na recta 2 2x y , vemos que T está acima da região triangular R no plano xy limitado pelas rectas 2x y , 2 2x y e 0x (Veja a Figura 2). O plano 2 2x y z pode ser escrito como 2 2z x y , então o volume pedido está sob o gráfico da função 2 2z x y e a cima , : 0 1, 1 2 2 x x D x y x y Portanto, 1 1 2 0 2 2 2 2 2 x xR v x y dA x y dydx 1 1 2 2 20 2 x y x y y xy y dx 21 2 4 0 2 1 1 2 2 2 4 x x x x x x x dx T x y z ( 0 , 1 , 0 ) 1 (1 , , 0 ) 2 2x y z 2x y T (0, 0, 2) Figura 1 1 ( 1 , ) 2 2 2x y R y Figura 2 2 x y Curso de licenciatura em Ensino Matemática 33 11 3 2 2 0 0 1 2 1 3 3 x x x dx x x Antes de iniciar com a resolução de exercícios, resolva a seguinte actividade Actividade 2 R ydxdy , R a região delimitada por 2y x e 3 2y x Chave de correcção j 4 5 Sumário Nesta lição você aprendeu o cálculo de integrais duplos em regiões mais generalizadas e aplicação da interpretação geométrica dos integrais duplos no cálculo de volumes. 34 Lição no 4 Exercícios Auto-avaliação Em seguida, vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, para que possa consolidar o cálculo de integrais duplos. 1. Calcule os seguintes integrais nos domínios indicados a) D xdxdy , Sendo D o domínio delimitado por y x , 4y x e 3 5 2 2 y x b) 2 2 D x y dxdy , onde D é o triângulo com vértices nos pontos 0,0 1, 1 1,1e c) 2 2 D xdxdy dxdy x y , onde D é o segmento parabólico limitado pela parábola 21 2 y x e pela recta y x . d) cos R x ydA onde R é limitado 20 , , 1y y x x e) 3 R y dA R, é a região triangular com vértice 0,2 1,1 e 3,2 f) 2 R x y dA R é limitada pelo círculo de raio igual a 2. g) 8 R x y dxdy onde R é a região delimitada por 2y x e 4y h) 2 2 R x y dxdy , onde R é limitado por y x 4x e 0y i) 2 2 R x dxdy y R é a região delimitada por 1 ,y x y x e 2x 2. Inverter a ordem de integração a) 4 2 0 0 ( , ) y f x y dxdy b) 2 3 1 0 ( , ) x x f x y dydx c) 2 1 0 ( , ) xe f x y dydx Curso de licenciatura em Ensino Matemática 35 d) 23 2 3 1 0 ( , ) x x f x y dydx 3. Determine o volume do sólido. a)Abaixo do plano 2 0x y z e acima da região limitada por y x e 2y x b) Abaixo da superfície z xy e acima do triângulo com vértices em 1,1 , 4,1 e 1,2 c) Limitado pelos planos 0 , 0 , 0x y z e 1x y z d) Delimitado pelos cilindros 2z x , 2y x e pelos planos 0z e 4y . 4. Calcule o integral trocando a ordem de integração a) 2 1 3 0 3 x y e dxdy b) 2 3 9 2 0 cos y y x dxdy c) 1 2 2 0 cos 1 cos arcseny x x dxdy Chave de correcção Exercício 1: a) 0 b) 6 c) ln 2 d) 1 cos1 2 e) 147 20 f) 0 g) 896 15 h) 4288 105 i) 9 4 Exercício 2: a) 2 4 0 2 ( , ) x f x y dydx b) 31 0 ( , ) y y f x y dxdy c) 22 2 0 1 0 ln ( , ) ( , ) e e y f x y dxdy f x y dxdy d) 1 44 0 1 4 ( , ) y y f x y dxdy Exercício 3: a) 7 18 b) 31 8 c) 1 6 d) 128 15 Exercício 4 a) 9 1 6 e b) 1 81 4 sen c) 2 2 1 3 36 Lição no 5 Lição no 5 Integrais duplos em Coordenadas Polares Introdução Nesta lição, você vai estudar o cálculo dos integrais duplos em coordenadas polares, trata-se de um método muito eficiente na resolução de exercícios que envolvem círculos. Esta lição pode ser estudada em duas horas e meia, incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Trocar variáveis em integrais duplos; Calcular os integrais duplos em coordenadas polares. Caro estudante, antes de estudar a mudança em coordenadas polares, vamos apresentar, em seguida, a maneira como é feita a troca de variáveis em integrais duplos. Esse tratamento, também é extensivo para outro tipo de integrais que serão objecto de estudo neste módulo. Continue acompanhando. Mudança de Variáveis em Integrais duplos Na integração de funções de uma variável, a fórmula de mudança de variável ou substituição é usada para transformar um integral dado em um ouro mais simples. Temos ( ) ( ) ( ) b d a c f x dx f g t g t dt onde ( )a g c e ( )b g d . Quando utilizamos essa fórmula para calcular um integral definido, a mudança de variável vem acompanhada por correspondente mudança de limites de integração. Para integrais duplos, podemos utilizar um procedimento análogo. Através de mudança de variáveis, ( , )x x u v e ( , )y y u v (1). Curso de licenciatura em Ensino Matemática 37 Uma integral dupla sobre uma região R do plano xy pode ser transformada numa integral dupla sobre a região R do plano uv . Geometricamente, podemos dizer que as equações (1) definem uma aplicação ou transformação que faz corresponder pontos ( , )u v do plano xy . Através dessa aplicação, a região Rdo plano uv é aplicada sobre a região R do plano xy. Veja a figura abaixo. Se a transformação leva pontos distintos de R em pontos distintos de R, dizemos que ela é uma aplicação de um para um. Nesse caso, a correspondência entre R e R é bijectiva, e podemos retornar de R para R através da transformação inversa ( , )u u x y e ( , )v v x y (2). Considerando que as funções em (1) e (2) são contínuas, com derivadas parciais contínuas em R e R, respectivamente, temos: ( , ) ( , ) ( , ), ( , ) ( , ) R R x y f x y dxdy f x u v y u v dudv u v (3) Onde ( , ) ( , ) x y u v é o determinante jacobiano de x e y em relação a u e v, dado por ( , ) ( , ) x x x y u v y yu v u v Observamos que se valem as condições de que, f é continua: As regiões R e R são formados por um número finito de sub-regiões do tipo I ou II; e X=x (u,v) Y=y (u,v) X R v u U V R Y x y 38 Lição no 5 O jacobiano ( , ) 0 ( , ) x y u v em R ou se anula num número finito de pontos de R , a formula (3) é válida. O jacobiano que aparece em (3) pode ser interpretado como uma medida de quanto a transformação (1) modifica a área de uma região. Antes de iniciar o cálculo, apresentamos uma ideia geral sobre as coordenadas polares, pese embora não faça parte deste programa, mas pela sua relevância julgamos oportuno abordar este tópico, mesmo que superficialmente. Coordenadas Polares Um sistema de coordenadas polares representa um ponto no plano por um par ordenado de números chamados coordenados. Escolhemos um ponto no pano conhecido como polo (ou origem) e denominamos O. Então desenhamos um raio (semi-recta) começando em O, chamado eixo polar. Esse eixo é geralmente desenhado horizontalmente para a direita e corresponde o eixo x positivo nas coordenadas cartesianas. Se P for qualquer outro plano, seja r a distância de O a P e seja o triângulo (geralmente medido em radianos) entre o eixo polar e a recta OP veja a figura 1. Daí o ponto P é representado pelo par ordenado ,r e r, denominadas coordenadas polares de P. Usamos a convenção de que um ângulo + e positivo se for medido no sentido anti-horário a partir do eixo polar e negativo se for medido no sentido horário. Se P O então 0r , e concordamos que 0, representao polo para qualquer valor de . Estendemos o significado de coordenadas polares para o caso no qual r é negativo concordando que, como na figura 2, os pontos ,r e ,r estão na mesma recta através de O e estão à mesma distância r a partir de O, mas em lados opostos de O. Se 0r , o ponto ,r está no mesmo plano quadrante que ; se 0r , ele está no quadrante do lado oposto ao polo . Note que ,r representa o mesmo ponto que ,r P ,r r Eixo polar Fig. 1 Curso de licenciatura em Ensino Matemática 39 A relação entre as coordenadas polares e rectangulares pode ser vista a partir da figura 3, no qual o polo corresponde a origem e o eixo polar coincide com o eixo positivo x. se o ponto P tiver coordenadas cartesianas ,x y e coordenadas polares ,r , então a partir da figura temos_ cos x r e y sen r logo: cosx r e y rsen Para se achar o raio r e o triângulo , faz-se a partir do teorema de Pitágoras 2 2 2r x y e y tg x , respectivamente. Integrais Duplas em Coordenadas Polares Suponhamos que queremos calcular o integral duplo ( , ) R f x y dxdy onde R é uma das regiões mostradas nas figuras abaixo. Em qualquer dos casos, a descrição de R é complicada em coordenadas rectangulares, mas a descrição de R fica mais facilitada utilizando-se as coordenadas polares. Na figura1 : , :1 2, 0R r r Na figura 2: , :0 1, 0 2R r r R x y Fig. 1 R Fig. 2 ,r Eixo polar P ,r Fig. 2 x y r P ,r =P 40 Lição no 5 Queremos lembrar que as coordenadas polares ,r de um ponto estão relacionadas com as coordenadas rectangulares ,x y pelas equações: 2 2 2r x y , cosx r e y rsen Como foi visto anteriormente. O determinante jacobiano, nesse caso, é dado por: cos cos( , ) cos( , ) x x rx y r r y y sen rr r e a fórmula (3) pode se expressar por ( , ) cos , cos , R R R f x y dxdy f r rsen r drd f r rsen rdrd Caro estudante, observa que, para fazer com que a transformação anterior seja injectiva considera-se, em geral, apenas regiões do plano r para os quais r e satisfaçam, 0r e 0 2 ou 0r e . Depois da parte teórica acompanhe o seguinte exemplo sobre a mudança para as coordenadas polares. Exemplo 1. Calcular 2 2 R x y dxdy , sendo R o círculo de centro na origem e raio 2. Resolução: Para resolver o integral, vamos utilizar as coordenadas polares. Para isso, devemos identificar a região R , no plano r , que está em correspondência com a região R Na figura (a) abaixo verificamos a região R e a circunferência 2 2 4x y que em coordenadas polares, tem 2r . Recorde que a equação da circunferência é 2 2 2x a y b R R 2 y (a) R 2 y (b) r Curso de licenciatura em Ensino Matemática 41 Para identificar a região r , podemos desenhá-la num plano r ou simplesmente, descrevê-la analiticamente, a partir da visualização da região R no plano xy. Observando a figura (b), vemos que a região R é dada por , : 0 2 ,0 2R r r que nesse caso é um rectângulo no plano r . Resolvendo o integral vem 2 22 2 cos R R x y dxdy r rsen rdrd 2 2 2 2 2 2 0 0 cosr r sen rdr d 2 2 2 2 2 2 0 0 cosr r sen rdr d 22 2 2 3 2 0 0 0 0 3 r r dr d d 2 2 0 0 8 8 16 3 3 3 d 2. Calcular 2 2x y R e dxdy , onde R é a região do plano xy delimitada por 2 2 4x y e 2 2 9x y Resolução Vamos, primeiro, apresentar geometricamente o domínio de existência Em coordenadas polares, as equações das circunferências que delimitam R são dadas por 2r e 3r . 2 2 R R 2 3 42 Lição no 5 , : 2 3 ,0 2R r r logo, 2 2 2 2 2 2cosx y r r sen R R e dxdy e rdrd 2 2 2 3 2 2 2 0 2 0 0 1 2 r re rdr d e d r d 2 32 2 9 4 0 02 1 1 2 2 re d e e d 29 4 9 4 0 1 2 e e e e Caro estudante, para terminar este ciclo de exemplos, vamos apresentar o caso em que o centro da circunferência não se encontra na origem dos eixos. Continue acompanhando! 3. Calcular R ydxdy , sendo R a região delimitada por 2 2 0, 0x y ax a . Resolução: vamos primeiro transformar a circunferencial dada para a forma 2 2 2x a y b R . Assim 2 2 0x y ax 2 2 0x ax y 2 2 2 2 0 2 2 a a x ax y 2 2 2 2 2 a a x y . Esta circunferência tem o centro em , 0 2 a e raio 2 a . Em coordenadas polares, a equação da circunferência que delimita R é dada por: 2 2 2 2 2 a a x y 2 2 2 2cos 2 2 a a r r sen 2 2 2 2 2 2cos cos 2 2 a a r ar r sen 2 cos 0r ar cos 0r r a cosr a y a 2 a Curso de licenciatura em Ensino Matemática 43 Observando o gráfico, pode verificar que: , : 0 cos , 2 2 R r r a Portanto, . R R ydxdy rsen rdrd cos2 2 0 2 a sen r dr d cos 32 2 0 3 a r sen d 3 3 42 2 3 22 cos cos 0 3 3 4 a a sen d Calcular passando pelas coordenadas polares 2 2 R x y dxdy onde R a região delimitada por 2 2 1x y e 2 2 9x y . Chave de correcção 52 3 Sumário Nesta lição você aprendeu a mudança de coordenadas generalizada e o cálculo de integrais duplos em coordenadas polares. x Actividade 44 Lição no 5 Exercícios. Auto-avaliação Terminada a parte teórica vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades, volte a estudar a lição e os exemplos apresentados. 1. Passando pelas coordenadas polares, calcular os seguintes integrais a) 244 2 2 0 0 y y x y dxdy b) 2 2 2 4 2 4 x x ydydx c) 21 1 1 0 x ydydx d) 2 1 0 0 y y yxydy e) 2 2 1 1 2 2 1 1 1 x x x y dydx f) 2 2 0 y y y xdxdy 2. Calcular 2 22 x y R e dxdy onde R é o círculo 2 2 4x y 3. Calcular R xdxdy sendo a região delimitada por 2 2 4 0x y x 4. Calcular 2 2 R x y dxdy , sendo R a região interna à circunferência 2 2 4x y y e 2 2 2x y y . 5. Calcular R ydxdy , sendo R a região delimitada por y x , 2y x , 24y x . 6.Calcular o volume do sólido acima do plano xy delimitado por 2 24 2 2z x y 7. Calcular o volume do sólido no primeiro octante delimitado por 2y z e pelo cilindro que contorna a região delimitada por 2y x e 2x y Curso de licenciatura em Ensino Matemática 45 Chave de correcção Exercício 1 a) 12 b) 0 c) 2 3 d) 16 e) 2 3 f) 4 2 3 Exercício 2: 8 1 2 e Exercício3: 8 Exercício 4: 45 2 Exercício 5: 4 2 8 5 3 15 Exercício 6: 4 Exercício 7: 31 60 46 Lição no 6 Lição no 6 Aplicações de integrais duplos no cálculo de áreas de figuras planas. Introdução Nesta lição, você vai estudar algumas aplicações dos integraisduplos no cálculo de áreas de figuras planas, bem como na resolução de alguns problemas em física. Esta lição pode ser estudada em 2 horas, incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Calcular as áreas de figuras planas; Calcular o momento da massa em relação ao eixo x e y; Achar o centro da massa. Caro estudante, algumas aplicações dos integrais duplos foram já apresentadas nas lições anteriores, como é o caso do cálculo de volumes. Nesta lição, vai estudar outras aplicações, começando com o cálculo das áreas. Acompanhe! Cálculo de Áreas em Figuras planas Caro estudante, se na expressão ( , ) R f x y dA fizermos ( , ) 1f x y , obtemos R dA , que nos dá a área da região de integração R. se tivermos uma região do tipo I como mostra a figura abaixo, 1( )f x 2 ( )f x R x Curso de licenciatura em Ensino Matemática 47 Podemos escrever 22 1 1 ( )( ) 2 1 ( ) ( ) ( ) ( ) f xf xb b b R a f x a af x dA dydx y f x f x dx Acompanhe o exemplo que se segue. Exemplo 1. Calcular a área da região limitada por 2 1x y e 3x y . Resolução: primeiro apresentamos geometricamente a região delimitada pelas duas funções. Este integral é facilmente resolvível considerando uma região do tipo II Assim: 2, : 2 1 , 1 3R x y y y x y Desta forma, a área pedida é: 2 2 3 31 1 2 21 1 y y R y y dA dxdy dx dy 2 1 1 3 2 1 2 2 (3 1) y y x dy y y dy 1 2 2 2 y y dy 12 3 2 2 2 3 y y y 1 1 8 2 4 2 2 3 3 7 10 7 20 27 9 6 3 6 6 2 3 1 -2 3 1 2 1x y 3x y 48 Lição no 6 2. Calcular a área da região limitada por 3y x , y x e 2 20 3 3 y x Resolução: Afigura abaixo, mostra a região em análise. Observando a região R, verificamos que estamos diante de uma região que deve ser particionada em duas sub-regiões 1R e 2R . Por exemplo, podemos escolher o eixo dos y como fronteira dessas regiões. Então temos, 1 2 20 , : 4 0, 3 3 R x y x x y x 32 2 20 , : 0 2, 3 3 R x y x x y x Desta forma, calculando a área pedida vem: 3 1 2 2 20 2 20 0 23 3 3 3 4 0 x x R R R x x dA dA dA dydx dydx 2 2 0 3 3 y x - 4 -4 8 y 2 x y x 3y x Curso de licenciatura em Ensino Matemática 49 3 0 2 2 202 20 3 33 3 4 0 xx x x y dx y dx 0 2 3 4 0 2 20 2 20 3 3 3 3 x x dx x x dx 20 2 4 4 0 5 20 20 3 3 3 3 4 x x x dx x 0 2 4 5 20 4 40 4 6 3 3 3 x x 40 80 44 84 72 4 4 3 3 3 3 3 Em seguida, apresentamos uma actividade resolva-a. Calcula a área limitada pelas equações 2 2 16x y e 2 4x y Chave de Correcção: 343 12 Sumário Nesta lição, você aprendeu aplicações do integral duplo e no cálculo de áreas de figuras planas. Exercícios Terminada a parte teórica vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades, volta a estudar a lição e os exemplos apresentados. 1. Calcular a área da região R delimitada pelas curvas 3 , 2 , 0y x x y y 2. Calcular a área da elipse 2 24 4 0x y x 3. Calcular a área da região do 1º quadrante delimitada pelas curvas 2 8 , 6 , 0y ax x y a y 4. Calcular a área da região delimitada por 24y x , y x e 2y x 5. Calcular a área limitada pelas curvas 2 2y x e y x Calcular a área limitada pelas curvas cos ,y x y senx e Actividade 50 Lição no 6 Chave de correcção Exercício 1: 3 4 Exercício 2: 2 Exercício 3: 14 3 Exercício 4: 2 2 2 arctag Exercício 5: 1 15 Exercício 6: 1 35 Em seguida, vamos apresentar algumas aplicações na área de física. Continue acompanhando a lição, caro estudante. Curso de licenciatura em Ensino Matemática 51 Lição no 7 Aplicações de integrais duplos na física Introdução Nesta lição, você vai estudar algumas aplicações de integrais duplos na resolução de alguns problemas em física. Esta lição pode ser estudada em 2 horas, incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Calcular o momento da massa em relação ao eixo x e y; Achar o centro da massa. . Aplicações Físicas Usando as integrais duplas, podemos encontrar a massa, o centro da massa e o momento da inercia de uma lâmina plana não homogénea, com a forma de uma região R e com densidade de área em um ponto ,x y de R dada pela função contínua ,x y . Para encontrar a massa total da lâmina, vamos fazer uma partição como foi feito na definição do integral duplo. Seja kR um rectângulo genérico dessa partição com área kA . Um valor aproximado da massa desse rectângulo pode ser expresso por ,k k kx y A , onde ,k kx y é um ponto qualquer do rectângulo kR . Um valor aproximado da massa total da lâmina pode ser expresso pela soma de Riemann da função ,x y sobre R: 1 , n k k k k x y A . (1) 52 Lição no 7 A massa total da lâmina é definida pelo limite da soma (1) quando n e a diagonal (diâmetro) máxima dos kR tende para zero: 1 lim , n k k k n k M x y A ou , R M x y dA (2) O momento da massa do k- ésimo rectângulo em relação ao eixo é dado por ,k k k ky x y A . Assim, o momento de massa em relação ao eixo x é dado por 1 lim , n x k k k k n k M y x y A ou ,x R M y x y dA (3) Analogamente, obtêm-se o momento de massa em relação ao eixo y. ,y R M x x y dA (4) O centro de massa, denotado por ,x y é definido por, yMx M e x M y M (5) Outro conceito muito usado nas aplicações físicas é o de inercia, que pode ser interpretado como uma medida da capacidade do corpo de resistir a aceleração angular em torno de um eixo L. Momento de inércia em relação ao eixo x é, 2 ,x R I y x y dA (6) Momento de inércia em relação ao eixo y é, 2 ,y R I x x y dA (7) Momento de inércia polar é dado por 2 20 , R I x y x y dA (8) Observe que Curso de licenciatura em Ensino Matemática 53 Os valores 2y , 2x e 2 2x y são “ distâncias ao quadrado”, como mostra a figura. 2 kx Quadrado da distância de kP ao eixo y; 2 ky Quadrado da distância de kP ao eixo x ; 2 2 k kx y Quadrado da distância de kP a origem Em seguida, apresentamos um exemplo de uma aplicação em física. Continue acompanhando, caro estudante: Exemplo 1. Determinar o centro da massa de uma chapa homogénea formada por um quadrado de lado 2a , encimado por um triângulo isósceles que tem por base o lado 2a e por altura a . Resolução: Vamos primeiro desenhar a chapa alocada num sistema de coordenadas, como mostra a figura abaixo. Como a chapa é homogénea e está alocada simetricamente em relação ao eixo dos y, vamos trabalhar somente com a metade da região descrita ky y x kx kP 3a a 2a a x y 3y a x 3a a 2a a -a x y 54 Lição no 7 , : 0 , 0 3R x y x a y a x Vamos, inicialmente calcular a massa total da chapa, usando a fórmula dada e considerando a densidade linear ,x y k , pois a chapa é homogénea. AssimM= 3 0 0 , 2 a a x R x y dA k dydx 3 0 0 2 a xa k y dx = 2 0 2 3 5 a k a x dx a k (note que o factor 2 provém do facto de a região apresentada na figura anterior ser a metade da região em estudo). Para achar o centro de massa, necessitamos encontrar os momentos de massa em relação aos eixos coordenados. Pela simetria em relação ao eixo dos y, podemos afirmar que 0yM . Calculemos xM . 0 3 3 0 0 0 , a x a a x x R a M y x y dA k ydydx k ydydx ou 3 0 0 , 2 a a x x R M y x y dA k ydydx 3 22 0 00 3 2 2 2 2 a xa a a xy k dx k dx 3 2 2 2 2 0 0 9 6 9 3 3 aa x k a ax x dx k a x ax 3 3 39 3 3 a k a a 3 3 3103 3 3 a k a a k , Portanto, 2 0 0 5 yMx M a k e 3 2 2 10 103 5 15 x a k M y a M a k Veja o segundo exemplo: 2. Calcular o momento da inércia em relação ao eixo dos y da chapa desenhada abaixo, sabendo que a densidade da massa é igual a 2/xy kg m Resolução: 2 4 y x y x Curso de licenciatura em Ensino Matemática 55 , : 0 4 , 0R x y x y x 4 4 2 2 2 3 0 2 0 0 , 2 x x y R y I x x y dA x xydydx x dx 44 5 4 0 0 1 1 1024 512 2 2 5 10 5 x x dx Conforme temos feito nestas lições, iremos apresentar uma actividade que lhe vai ajudar afixar as ideias fundamentais com relação às aplicações dos integrais em física. 1. Uma lâmina plana tem a forma da região delimitada pelas curvas 2 1y x e 3y x . Sua densidade de massa no ponto ,P x y é proporcional à distância desse ponto ao eixo dos x. Calcular: a) a massa da lâmina b) o centro de massa; e c) o momento da inércia em relação ao eixo x. Chave de correcção 35 529 3033 ) 11,7 , ) , ) 52 182 28 k a k b c Sumário Nesta lição, você aprendeu aplicações do integral duplo no cálculo de área e na resolução de problemas em física onde se destaca; a massa total da massa, o momento da massa em relação aos eixos x e y, momentos da inércia em relação aos eixos x e y. Actividade 56 Lição no 7 Exercícios Terminada a parte teórica, vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades Volte a rever a lição e os exemplos apresentados. 2. Uma lâmina tem a forma do triângulo de vértices 1,0 , 1,1 e 1, 1 . Determine a massa e o centro de massa da lâmina se: a) Sua densidade de massa é constante b) Sua densidade de massa no ponto ,P x y é proporcional à distância desse ponto à recta 2x 3. Uma lâmina tem a forma da região R delimitada pelas curvas 2x y e 4x . Sua densidade de massa é constante. a) Determinar o momento da inércia da lâmina em relação ao eixo x. b) Determinar o momento da inércia da lâmina em relação ao eixo y. 4. Calcular a massa de uma lâmina com a forma de um círculo de raio igual a 3 cm, se a sua densidade de massa num ponto ,P x y é proporcional ao quadrado da distância desse ponto ao centro do círculo acrescida de uma unidade. Chave de correcção Exercício 1: 1 14 3 ) 2 , ,0 ) , ,0 3 3 7 k a k b Exercício 2: 128 512 ) ) 15 7 k k a b Exercício 3: 99 2 k Curso de licenciatura em Ensino Matemática 57 Unidade II Integrais Triplos Introdução Nesta unidade, você vai aprender sobre os integrais triplos. Neste tipo de integrais, a função integrando, é uma função de três variáveis ( , , )w f x y z definida sobre a região T do espaço tridimensional. As ideias principais são as semelhantes às utilizadas na unidade II, concretamente quando estudamos os integrais duplos. É uma unidade muito importante pois também pode ser aplicada no cálculo de volumes de corpos, e resolução de problemas em física. Esta unidade está dividida em 3 lições. Ao completar esta unidade, você será capaz de: Objectivos Definir os integrais triplos; Calcular os integrais triplos; Calcular os integrais triplos em coordenadas cilíndricas e esféricas; Aplicar os integrais triplos no cálculo de volumes; Aplicar os integrais triplos na resolução de problemas físicos. Caro estudante, quando estudamos as medidas de um intervalo vimos que quando 3n a medida de um intervalo é o volume e se associa ao integral triplo. Vamos apresentar com mais detalhe este tipo de integrais. 58 Lição no 8 Lição no 8 Integrais Triplos Introdução Nesta lição você vai estudar os integrais triplos, concretamente o seu cálculo. É uma aula que pode ser estudada em 2 horas incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Definir integrais triplos; Calcular os integrais triplos. Caro estudante, quando estudou as medidas de um intervalo viu que quando 3n a medida de um intervalo é o volume e se associa ao integral triplo. Vamos apresentar com mais detalhe este tipo de integrais. Acompanhe! Definição do integral triplo Seja ( , , )w f x y z uma função definida e contínua numa região fechada e limitada T do espaço. Subdividimos T em pequenas sub-regiões traçando planos paralelos aos planos coordenados (veja afigura abaixo). T z y x ( , , )k k kx y z Curso de licenciatura em Ensino Matemática 59 Numeramos os paralelogramos no interior de T de 1 até n. Em cada um dos pequenos paralelepípedos kT , escolhemos um ponto arbitrário ( , , )k k kx y z . Formamos a soma 1 ( , , ) n k k k k k f x y z V , onde kV é o volume do paralelepípedo kT . Fazemos isso de maneira arbitrária, mas de tal forma que a maior aresta dos paralelepípedos kT tende para zero quando n . Se existir 1 lim ( , , ) n k k k k n k f x y z V , ele é chamado integral triplo da função ( , , )f x y z sobre a região T e representamos por ( , , ) T f x y z dv ou ( , , ) T f x y z dxdydz Acabamos de definir o integral triplo, vamos apresentar algumas das suas propriedades. Propriedades De forma análoga ao integral duplo, temos 1) ( , , ) ( , , ) T T kf x y z dv k f x y z dv com k constante 2) 1 2 1 2 T T T f f dv f dv f dv 3) 1 2 1 2( , , ) T T T f x y z dv f dv f dv , onde 1 2T T T Cálculo de Integrais Triplos Os integrais triplos podem ser calculados de forma análoga às integrais duplas, através de integrações sucessivas. Caro estudante, podemos utilizar os conhecimentos adquiridos na unidade I, reduzindo, inicialmente, a sua resolução ao cálculo de um integral duplo. A seguir, apresentamos as diversas situações. 60 Lição no 8 1º Caso: A região T é delimitada inferiormente pelo gráfico da função 1( , )z h x y e 2 ( , )z h x y , onde 1h e 2h são funções contínuas sobre as região R do plano xy , como mostra figura. Nesse caso, temos 2 1 ( , ) ( , ) ( , , ) ( , , ) h x y T R h x y f x y z dv f x y z dz dxdy (1) Assim por exemplo, a região R for do tipo I, isto é 1 2, ( ) ( )R a x b f x y f x então o integral dado tem a seguinte iteração. 2 2 1 1 ( ) ( , ) ( ) ( , ) ( , , ) ( , , ) f x h x yb T a f x h x y f x y z dv f x y z dzdydx 2º Caso: A região T é delimitada à esquerda pelo gráfico de 1( , )y g x z e a direita pelo gráfico 2 ( , )y g x z , onde 1g e 2g são funções contínuas sobre a região Rdo plano xz . Neste caso, temos 2 1 ( , ) ( , ) ( , , ) ( , , ) g x z T R g x z f x y z dv f x y z dy dxdz T R 1( , )z h x y 2 ( , )z h x y xy z y x 2( , )y g x z R T 1( , )y g x z z T R 1( , )z h x y 2 ( , )z h x y x y z Curso de licenciatura em Ensino Matemática 61 3º Caso: A região T é delimitada a parte de trás pelo gráfico de 1( , )x j y z na frente pelo gráfico 2 ( , )x j y z , onde 1j e 2j são funções contínuas sobre a região R do plano yz . Nesse caso, temos 2 1 ( , ) ( , ) ( , , ) ( , , ) j x z T R j x z f x y z dv f x y z dx dydz Caro estudante, nos exemplos que se seguem são exploradas diversas situações. Acompanhe! Exemplo1 Calcular T I xdv , onde T é o sólido delimitado pelo cilindro 2 2 25x y , pelo plano 8x y z e pelo plano xy Resolução: Observando a figura, vemos que T é delimitado superiormente pelo gráfico de 8z x y e inferiormente por 0z . A projecção de T sobre o plano xy é o círculo 2 2 25x y (figura (b)). Assim, y x R T 1( , )x j y z 2 ( , )x j y z z 8z x y R 5 x y z R x y 5 (a) (b) 62 Lição no 8 2 1 ( , ) ( , ) ( , , ) h x y T R h x y xdv f x y z dz dydx 8 8 0 0 x y x y R R xdz dxdy xz dxdy 8 R x x y dxdy Para calcularmos o integral duplo, podemos passar para as coordenadas polares, conforme aprendemos na unidade anterior. Desta forma, teremos 2 5 0 0 cos 8 cosr r rsen rdrd 2 5 2 2 3 0 0 8cos cos cosr sen r drd 52 4 3 2 0 0 8 cos cos cos 3 4 r r sen d 2 2 0 1000 625 625 cos cos cos 3 4 4 sen d (conclua a resolução como forma de recordar as técnicas de integração). Acompanhe! Exemplo2 Calcular T I ydv , onde T é o sólido delimitado pelos planos coordenados e pelo plano 1 3 2 x y z Solução: A região T é o tetraedro apresentado na figura abaixo. Neste caso, T se enquadra em qualquer um dos três casos visto anteriormente. Observando a figura (a), vemos que T é limitado superiormente pelo gráfico da função 1 3 2 x y z e inferiormente por 0z . (a) x y 3 2 R T x y z 3 2 1 1 3 2 x y z 2 2 3 y x (b) Curso de licenciatura em Ensino Matemática 63 A projecção de T sobre o plano xy é representada na figura (b). Assim, usando o caso I, 2 1 1 ( , ) 3 2 ( , ) 0 ( , , ) x y h x y T R h x y R ydv f x y z dz dydx ydz dxdy 1 3 2 0 x y R yz dxdy 2 1 3 2 3 2 R R x y xy y y dxdy y dxdy 2 2 3 23 0 0 1 3 2 2 x xy y y dy dx Caro estudante, resolva o mesmo exercício, mas, fazendo a projecção para os outros dois planos, isto é, xz e yz . Se tiver resolvido correctamente, então terá a mesma solução 1 2 . Exemplo3 Calcular 1 T I x dv , onde T é a região do espaço delimitado pelos planos 0 , 0 , 5y z y z e pelo cilindro 24z x Solução: Na figura, apresentamos a região T. Podemos observar, nesse caso que é conveniente projectarmos T sobre o plano xz. 5y z 2 5 2 y x z 5y z 0y 2 (a) 2 x z 4 24z x (b) 64 Lição no 8 Observando a figura (a), vemos que T é delimitada à esquerda por 0y e a direita por 5y z . A região R, que é a projecção de T sobre o plano xz e pode ser visualizada na figura (b). Assim, 2 1 ( , ) 5 ( , ) 0 1 ( , , ) 1 h x z z T R h x z R x dv f x y z dy dxdz x dy dxdz 5 0 z R xy y dzdx 22 4 2 0 1 5 1 5 x R x z dxdz x z dz dx 242 2 2 `0 1 5 2 x z x z 222 2 2 4 544 1 5 4 2 15 x x x dx Em seguida, vamos apresentar mais uma actividade. Resolva-a e se apoie nos exemplos anteriores caso encontre algumas dificuldades. Calcule 2 y T x e dv , onde T é limitado pelo cilindro parabólico 21z y e pelos planos 0z , 1x e 1x Chave de correcção 8 3e Sumário Nesta lição, você aprendeu sobre o cálculo de integrais triplos onde se destaca o cálculo dos mesmos, projectando os seus domínios nos planos xy, xz e yz. Exercícios. Terminada a parte teórica vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades, volte a estudar a lição e os exemplos apresentados. Nos exercícios 1 a 7 calcular o integral iterado Actividade Curso de licenciatura em Ensino Matemática 65 1. 2 1 3 1 0 3 x y z dzdydx 2. 211 1 0 0 0 yx zdzdydx 3. 11 1 0 0 0 x yx xyzdzdydx 4. 2 3 2 2 1 0 0 z x x dydydx x y 5. 1 0 0 0 yx xyzdzdydx 6. 1 0 0 0 6 z x z xzdydxdz 7. 23 1 1 0 0 0 y z ze dxdzdy Nos exercícios 8 a 18, calcular o integral triplo dado sobre a região indicada 8. T xdv , onde T é o tetraedro limitado pelos planos coordenados e pelo plano 4 2 y x z 9. 2 2 T x y dv , onde T é o cilindro 2 2 1x y , 0 4z 10. T dv , onde T a região do primeiro octante limitada por 24x y , y z , 0x e 0z 11. T xydv , onde T é a região delimitada por 0y , 0x , 0z , 24z x e 8y z 12. T xydv , onde T é o solido tetraedro com vértices 0,0,0 , 1,0,0 , 0,2,0 e 0,0,3 Chave de correcção EXERCÍCIO 1: 12 EXERCÍCIO 2: 11 60 EXERCÍCIO 3: 1 720 EXERCÍCIO 4: 2 EXERCÍCIO 5: 1 48 EXERCÍCIO 6: 1 EXERCÍCIO 7: 31 1 3 e EXERCÍCIO 8: 64 3 EXERCÍCIO 9: 2 EXERCÍCIO 10: 4 EXERCÍCIO 11: 0 EXERCÍCIO 12: 1 10 66 Lição no9 Lição no9 Cálculo de integrais triplos em coordenadas cilíndricas e esféricas Introdução Caro estudante, alguns integrais triplos apresentam enormes dificuldades quando são calculados em coordenadas rectangulares, mas, a mesma dificuldade, pode ser reduzida quando efectuamos uma correcta mudança de variáveis. Assim, nesta lição vamos apresentar a mudança de variáveis para cilíndrica e esférica. É uma aula que pode ser estudada em 2 horas incluindo a resolução de exercícios Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Calcular integrais triplos em coordenadas cilíndricas; Calcular os integrais triplos em coordenadas esféricas. Caro estudante, acompanhe, seguidamente, a mudança de coordenadas em integrais triplos. Mudança de Variáveis em integrais triplos. Na lição nº 4, estudou a mudança de coordenadas em integrais duplos de forma análoga à apresentada nessa lição, podemos introduzir novas variáveis de integração no integral triplo ( , , ) T I f x y z dxdydz (1) Introduzindo novas variáveis de integração u , v e w através das equações , ,x x u v w , , ,y y u v w , , ,z z u v w , o integral (1) pode ser expressa por, ( , , ) , , , , , , , , , , T x y z I f x u v w y u v w z u v w dudvdw u v w (2) Curso de licenciatura em Ensino Matemática 67 Onde T é a correspondente região no espaço u , v , w e ( , , ) , , x y z u v w é o determinante jacobiano de x , y , z em relação a u , v e w . Observa que as condições gerais sob as quais expressão (2) é valida são análogas às condições sob as quais é válida a fórmula correspondente em integrais duplos. Caríssimo estudante,a seguir, vai explorar os casos particulares das coordenadas cilíndricas e esféricas, que simplificarão bastante o cálculo de integrais triplos em diversas situações. Integrais triplos em coordenadas cilíndricas. Definição: As coordenadas cilíndricas de um ponto P no espaço, de coordenadas cartesianas ( , , )x y z , são determinadas pelos números r , e z , onde r e são as coordenadas polares da projecção P do plano xy . A relação entre as coordenadas cilíndricas e cartesianas é dada pelas equações cosx r , y rsen e z z . O jacobiano de transformação de x , y , z em relação a ,r e z é: cos 0 ( , , ) cos 0 , , 0 0 1 x x x r z rsen x y z y y y sen r r z r z z z z r z 2 2 cos cos cos rsen r sen r sen r X z P y Y x Z r 68 Lição no9 Assim, usando (2), vem ( , , ) ( cos , , ) T T f x y z dv f r rsen z rdrd dz , onde T é a região T descrita em coordenadas cilíndricas. Exemplo1 1. Calcular o 2 2 T x y dv , onde T é a região delimitada pelo plano xy , pelo parabolóide 2 2z x y e pelo cilindro 2 2 2x y a . Solução: Na figura (a) a presentamos a região T e na figura (b), a sua projecção sobre o plano xy . Observando a figura, vimos que a região T é limitada inferiormente por 0z e superiormente pelo parabolóide 2 2z x y que, em coordenadas cilíndricas tem a equação: 2 2 2 2 2 2cos cosz r rsen r sen r ou simplesmente 2z r portanto, 2 6 2 2 2 0 3 r T R R r x y dv r dz rdrd rdrd . Como a região D é uma circunferência, podemos em coordenadas polares fazer, 0 , 0 2D r a . Logo 2 6 2 2 2 0 3 r T R R r x y dv r dz rdrd rdrd 2 7 0 0 1 3 a r d dr 8 8 7 0 0 2 2 3 3 8 12 aa r a r dr (a) x y 2 2z x y 0z z x y D (b) Curso de licenciatura em Ensino Matemática 69 Exemplo 2 1. Calcular o 2 2 2 2 2 4 2 2 2 2 4 x x x y x y dzdydx , passando pelas coordenadas cilíndricas. Resolução Este integral é um integral triplo sobre a região sólida 2 2 2 2, , : 2 2, 4 4 , 2T x y z x x y x x y z e a projecção de T sobre o plano xy é o disco 2 2 4x y . A superfície inferior de T é o cone 2 2z x y e a superfície superior é o plano 2z . Essa região tem uma descrição muito simples em coordenadas cilíndricas: , , : 0 2 , 0 2, 2R r z r r z . Portanto, 2 2 2 2 2 4 2 2 2 2 2 2 2 2 0 04 x rx x y x y dzdydx r rdzdrd 2 2 2 3 0 0 r r dz drd 22 2 2 2 3 3 0 0 0 0 2 r r z drd r r drd 2 2 3 4 0 0 2r r drd 22 2 2 4 5 00 0 0 1 1 32 8 16 8 2 5 5 5 5 r r d d Caro estudante, acabou de estudar o cálculo de integrais triplos em coordenadas cilíndricas. A seguir vai estudar a mudança para coordenadas esféricas. Continue a acompanhar. y x z 2z 2 2z x y 2 x 2 2 y 70 Lição no9 Mudança para coordenadas esféricas As coordenadas esféricas , , de um ponto , ,P x y z no espaço são ilustradas na figura. A coordenada é a distância do ponto P até a origem. a coordenada é a mesma que em coordenadas cilíndricas e a ordenada é o triângulo formado pelo eixo positivo dos z e o segmento que une o ponto P à origem. Como é a distância do ponto P à origem, temos 0 . Como coincide com o angular utiliza-se a mesma variação usada no cálculo de integrais duplos, ou seja ou 0 2 . Quanto à coordenada , subentende-se que 0 . Quando 0 , o ponto P estará sobre o eixo positivo dos z e, quando , sobre o eixo negativo dos z. Analisando a figura, podemos observar que: cosx e y sen (1) O triângulo OZP ( OZP ) é rectangular em Z, pois o quadrilátero OZP P é um rectângulo. Assim, sen sen ; cos cos z z . Desta forma, substituindo em (1) e combinando com todas outras equações vem cos cosx sen , y sen sen sen e cosz ou simplesmente cosx sen , y sen sen , cosz (2), Que são as equações que relacionam as coordenadas esféricas com as coordenadas cartesianas. O Y x y P z X Z P Curso de licenciatura em Ensino Matemática 71 Caro estudante, podemos usar as equações (2) para transformar um integral triplo em coordenadas cartesianas num integral triplo em coordenadas esféricas. Para isso, vamos utilizar a fórmula de mudança de variáveis para os integrais triplos. O jacobiano de transformação é: 2 cos cos cos , , cos cos cos , , cos 0 sen sen sen x y z sen sen sen sen sen Logo, 2( , , ) ( cos , , cos ) T T f x y z dv f sen sen sen sen d d d Calcular o T zdxdydz , onde T é a região limitada superiormente pela esfera 2 2 2 16x y z e inferiormente pelo cone 2 2z x y . Resolução: em coordenadas esféricas, a esfera é dada por: 2 2 22 2 2 16 cos cos 16x y z sen sen sen 2 2 2 2 2 2 2 2cos cos 16sen sen sen 2 2 2 2 2 2cos cos 16sen sen 2 2 2 2cos 16sen 2 2 2cos 16sen 2 16 4 4 è a equação da esfera em causa. O cone tem por equação: X Y Z 2 2 2 16x y z 2 2z x y Na figura apresenta-se a região de integração D D 72 Lição no9 2 2 22 2 2 cos cosz x y sen sen sen 2 2 2 2 2 2 2 2cos cossen sen sen 2 2 2 2 2 2cos cossen sen 2 2 2 2 2 2cos cossen sen 4 4 - Equação do cone em causa. Assim, observando a figura, vimos que, em coordenadas esféricas, a região T pode ser descrita como: , , : 0 4, 0 2 , 0 4 T . Portanto, 2 44 2 3 0 0 0 cos cos T T zdxdydz sen d d d sen d d d 4 2 2 244 4 4 0 0 0 0 0 00 cos 64 cos 32 2 4 sen d d sen d d sen d d 2 2 24 0 0 00 1 32 cos 2 16 cos cos0 16 32 2 2 d d d Em seguida, apresentamos uma actividade para que sirva de reflexão antes de resolver os exercícios que lhes são propostos. - Calcule passando pela mudança de coordenadas o integral triplo 2 29 2 23 9 0 0 0 x y x dzdydx Actividade Curso de licenciatura em Ensino Matemática 73 Chave de correcção 9 2 Sumário Nesta lição você aprendeu sobre a mudança de coordenadas cartesianas para coordenadas esféricas e cilíndricas. Coordenadas cilíndricas: ( , , ) ( cos , , ) T T f x y z dv f r rsen z rdrd dz Coordenadas esféricas: 2( , , ) ( cos , , cos ) T T f x y z dv f sen sen sen sen d d d Exercícios. Caro estudante, terminamos a lição que aborda a mudança de coordenadas cartesianas para esféricas e cilíndricas. A seguir vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação. 1. Calcular 2 2 2 T x y z dxdydz , onde T é a coroa esférica limitada por 2 2 2 1x y z e 2 2 2 4x y z 2. Calcular 2 2 T x y dv , onde T é a região interior ao cilindro 2 2 1x y e à esfera 2 2 2 4x y z 3. Calcular 2 2 T x y dv , onde T é a região limitada por 2 2 4z x y e 2 24z x y 4. Calcular 2 2 2 T x y z dv , sendo T a região interior à esfera 2 2 2 9x y z e exterior ao cone 2 2z x y 5. Calcular 2 2 2 T x y z dv , sendo T a região interior ao cone 2 2z x y e à esfera 2 2 2 9x y z 74 Lição no9 6. Calcular 2 2 2 T x y z dv , sendo T a região interior à esfera 2 2 2 9x y z e exterior ao cone 2 2 2z x y Calcular os seguintes integrais: 7. 2 22 3 2 2 2 11 1 1 0 0 x yx x y z e dzdydx 8. 2 22 42 4 2 0 0 0 x yx x dzdydx 9. 2 2 4 2 20 0 a a x a x dzdydx Chave de correcção EXERCÍCIO 1: 15 EXERCÍCIO 2: 254 44 3 15 5 EXERCÍCIO 3 256 15 EXERCÍCIO 4: 243 2 2 5 EXERCÍCIO 5: 243 2 2 5 EXERCÍCIO 6: 486 2 5 EXERCÍCIO 7: 2 1 3 e EXERCÍCIO 8: 4 3 EXERCÍCIO 9: 22 a Curso de licenciatura em Ensino Matemática 75 Lição no 10 Aplicações dos integrais triplos Introdução Nesta lição, você vai estudar algumas aplicações dos integrais triplos no cálculo de volumes, bem como na resolução de alguns problemas em física. Esta lição pode ser estudada em 4 horas, incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Calcular volumes de corpos; Calcular o momento da massa em relação ao eixo x , y e z; Achar as coordenadas do centro da massa. Caro estudante, os integrais triplos tem aplicações geométricas e físicas. Vamos discutir alguns exemplos de aplicação no cálculo de volume, massa, centro de massa e momento de inércia de sólidos. Continue a acompanhar! Cálculo de Volume de sólidos. Seja T um corpo ou sólido delimitado por uma região fechada e limitada no espaço. Para encontrar o volume desse corpo, vamos subdividir T por planos paralelos aos planos coordenados, como foi feito na lição 6. Seja kT um paralelepípedo genérico dessa subdivisão, com volume kV . Um valor aproximado para o volume total do sólido é dado por 1 n k k V (1) O volume do corpo é definido pelo limite da soma (1) quando n e a maior aresta dos paralelepípedos kT tende a zero se esse limite existir. Assim temos; 1 lim n k n k V V ou T V dV Acompanhe alguns exemplos 76 Exemplo Calcular o volume do sólido delimitado inferiormente por 3 2 y z , superiormente por 6z e lateralmente pelo cilindro vertical que contorna a região R delimitada por 2y x e 4y Resolução: O sólido T pode ser visualizado na figura (a) e a sua projecção no plano xy é a região R visualizada na figura (b) Desta forma, temos 6 3 2 yT R V dV dz dxdy 6 3 2 3 2 y R R y z dxdy dxdy 22 22 4 2 2 2 2 1 3 3 2 4 xx y dy dx y y dx 2 2 4 2 1 6 1 3 4 x x dx 22 2 4 3 5 22 1 1 7 3 7 4 20 x x x dx x x x 16 16 44 44 88 44 14 8 14 8 10 10 10 10 10 5 Exemplo2 Mostre que o volume de uma esfera de raio a é igual 3 4 3 a , unidades do volume. Resolução: Na lição anterior vimos a conveniência de se utilizar as coordenadas esféricas. Assim, x y 2 -2 4 (b) 4 y x z 3 6 6z 3 2 y z (a) Curso de licenciatura em Ensino Matemática 77 2 2 23 3 2 0 0 0 0 0 0 00 cos 3 3 aa T a V dV sen d d d sen d d d 2 23 3 3 0 0 2 4 cos cos 0 3 3 3 a d a d a Exemplo Achar o volume do sólido limitado acima pela esfera 2 2 2 16x y z e abaixo do cone 2 2 23z x y Resolução: O sólido pode ser visualizado na figura (a). A projecção do sólido sobre o plano xy é a região R mostrada em (b). Para obtermos a equação da circunferência que delimita R, necessitamos encontrar a intersecção das superfícies 2 2 2 16x y z e 2 2 23z x y que delimitam o sólido. 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 16 3 16 z x y z x y x y z z z 2 2 2 2 2 2 2 3 3 24 16 z x y z x y zz Substituindo o valor de 2z nua das equações do sistema vem, 2 2 12x y que é a circunferência que delimita R e apresentada em (b). Caro estudante, este integral pode ser calculado em coordenadas cilíndricas ou esféricas. 1º - Calculemos em coordenadas cilíndricas 2 2 2 2 2 16 2 12 16 0 33 x y r rT R ox y V dv dz dxdy rdz drd 12 X Y (b) Y 2 X Z (a) 78 2 2 12 2 12 16 2 30 0 0 0 16 3 r r r rz drd r r drd 122 12 2 32 3 2 2 2 0 0 0 0 1 16 16 33 3 3 r r r r drd r d 3 3 3 2 2 2 2 0 0 12 2 31 64 8 64 16 12 3 3 3 33 3 3 3 d d 2 2 0 0 8 64 32 64 8 3 3 3 3 d d 2º Vamos calcular em coordenadas esféricas. Este cone, 2 2 23z x y tem como a sua equação em coordenadas esféricas: 2 2 23z x y 2 2 2 2 2 2 2 23 cos cossen sen sen 2 2 2 2 2 23 cos cossen sen 2 23cos sen 23 tg 3 3 tg A circunferência é 4 (veja o exemplo da lição anterior) Assim, , , : 0 4 0 , 0 2 3 R logo: 2 43 2 0 0 0T V dv sen d d d 42 233 3 0 0 0 00 64 cos 3 3 sen d d d 2 2 0 0 64 1 64 1 1 . 3 2 3 2 d d 32 64 .2 3 3 Aplicações Físicas do integral triplo Caro estudante, de maneira análoga ao que foi feito em integrais duplos, vamos analisar o uso de integrais triplos para calcular a massa de um corpo, as coordenadas do seu centro de massa e o momento de inércia em relação ao eixo L. Continue acompanhando! Curso de licenciatura em Ensino Matemática 79 Seja T um corpo ou sólido delimitado por uma região fechada e limitada do espaço. Suponhamos que a densidade da massa (massa por unidade do volume) em um ponto , ,x y z é dada pela função , ,x y z , contínua em T. Para encontrar a massa total desse corpo, vamos subdividir T por planos paralelos aos planos coordenados como foi feito na definição do integral triplo. Seja kT um paralelepípedo genérico, dessa subdivisão, com volume kV . Um valor aproximado da massa kT pode ser escrito por 1 , , n k k k k k x y z V , onde , ,k k kx y z é um ponto genérico de kT . Um valor aproximado da massa total do corpo ou sólido é dado por, 1 , , n k k k k k x y z V . A massa total do corpo ou sólido é definido como limite da soma quando n e a maior aresta dos paralelepípedos kT tende a zero, se esse limite existir. 1 lim , , n k k k k n k M x y z V ou , , T M x y z dv . O momento da massa em relação ao plano xy , da parte do sólido que corresponde a kT , é aproximadamente igual , ,k k kkz x y z V . O momento da massa em relação ao plano xy do sólido T é dado por, 1 lim , , n xy k k k k k n k M z x y z V ou , ,xy T M z x y z dv . Analogamente, obtém-se: O momento da massa em relação ao plano xz , , ,xz T M y x y z dv O momento da massa em relação ao plano yz , , ,yz T M x x y z dv As coordenadas do centro da massa, denotadas por , ,x y z , são definidas por yzMx M , xz M y M e xyMz M Em seguida, veja um exemplo do cálculo da massa e o centro da massa de um sólido. 80 Exemplo 1. Calcular a massa e o centro da massa do sólido T, delimitado por 2 1x y z e os planos coordenados, sabendo que a densidade de massa em , ,P x y z é proporcional a distância até o plano xy . Resolução. O sólido T pode ser visualizado na figura abaixo. A densidade da massa é dada por , ,x y z kz , onde k é uma constante de proporcionalidade. Vamos encontrar a massa total do sólido 1 1 1 1 1 21 21 12 2 2 00 0 0 0 0 1 2 y y x yx y T M kzdv k zdzdxdy k z dxdy 1 11 11 12 21 22 3 0 0 0 0 0 1 2 1 2 2 12 y y x yk k x y dxdy x y dy 11 1 3 3 4 00 0 1 1 (1 ) 1 12 12 48 48 k k k k y dy y d y y Unidades de massa. Cálculo dos momentos de massa. 1 1 1 21 2 2 2 0 0 0 . 120 y x y xy T T k M z kzdv kz dv k z dzdxdy (concluir os cálculos) x P y z X Y Z 1 1 1 2 1 2 1 1 2 y x x y Curso de licenciatura em Ensino Matemática 81 1 1 1 21 2 0 0 0 . 240 y x y xz T T k M y kzdv k yzdv k yzdzdxdy (concluir os cálculos) 1 1 1 21 2 0 0 0 480 y x y yz T T k M xkzdv k xzdv k xzdzdxdy (concluir os cálculos) Assim, as coordenadas do centro de massa são: 1480 10 48 yz k M x kM , 1240 5 48 xz k M y kM e 6120 15 48 xy k M z kM Momento de Inércia em Relação a um eixo Caro estudante, um outro conceito discutido na unidade I, concretamente nas aplicações dos integrais duplos na física, é o do momento da inércia em relação a um eixo L. No caso de sólidos, temos que a distância de uma partícula, com massa concentrada em , ,k k kx y z até: O eixo z é 2 2xy k kd x y O eixo y é 2 2xz k kd x z O eixo x é 2 2 yz k kd y z Os momentos de inércia correspondentes são dados por: Momento de inércia, zI , em relação ao eixo z, 2 2 , ,z T I x y x y z dV Momento de inércia, yI , em relação ao eixo y, 2 2 , ,y T I x z x y z dV Momento de inércia, xI , em relação ao eixo x, 2 2 , ,x T I y z x y z dV Exemplo Encontrar o momento de inércia em relação ao eixo z do sólido delimitado pelo cilindro 2 2 9x y e pelos planos 2z e 4z , sabendo que a densidade de massa é igual 2 2 3/x y kg m Resolução: O sólido pode ser visualizado na figura abaixo. 82 Assim, 2 2 , ,z T I x y x y z dV = 22 2 2 2 2 2 T T x y x y dV x y dV Vamos passar para as coordenadas cilíndricas. 2 3 4 4 0 0 2 r rdzdrd 32 3 2 3 2 6 45 5 2 0 0 0 0 0 0 2 2 6 r r z drd r drd d 2 6 25 2 0 0 3 3 243 2 486 . 3 d kg m Caro estudante, terminamos a lição. Assim, apresentamos o sumário e os exercícios de auto- avaliação. Mais antes disso resolva a actividade proposta: Calcule o volume do sólido delimitado pelos planos 0y , 0z , 4x y e pelo plano 21z x . Chave de correcção 16 3 y 3 4 2 x z Actividade Curso de licenciatura em Ensino Matemática 83 Sumário Nesta lição, você aprendeu a aplicação de integrais triplos no cálculo de volumes e na resolução de problemas físicos. Exercícios. Terminada a parte teórica vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades, volta a estudar a lição e os exemplos apresentados. 1. Calcular a massa dos sólidos limitados pelas superfícies dadas considerando a densidade de massa igual a 4 kg/m2 1.1 2 2z x y 1.2) 2 29z x y 2. Calcular a massa e o centro da massa do sólido delimitado por 2y x , 9y , 0z e 9y z Considerando a densidade de massa igual a 3/x kg m 3. Determine o centro de massa de um sólido com densidade constante que é limitado pelo cilindro parabólico 2x y e pelos planos , 0x z z e 1x . 4. Calcular o momento da inércia em relação aos eixos coordenados do sólido delimitado por 2 24z x y e 0z , Sabendo que a densidade de massa em um ponto P é proporcional a distância de P a xy 5. Calcular o momento da inércia em relação ao eixo dos x do sólido delimitado por 2 2z x y e 4z . A densidade de massa em um ponto ( , , )P x y z é dada por 2 3/x kg m 6. Determine o volume do sólido delimitado 2 2 4x y , 0z e 4 2 16x y z 7. Calcular o volume do sólido acima do plano xy delimitado por 2 2z x y e 2 2 16x y 84 Chave de correcção EXERCÍCIO 1: 1.1) 36 2 2 1.2) 16 EXERCÍCIO 2: 243 2 , 9 9 0, , 2 4 EXERCÍCIO 3: 5 5 ,0, 7 14 EXERCÍCIO 4: 848 848 32 , 15 15 3 k k k EXERCÍCIO 5: 2048 3 EXERCÍCIO 6: 36 EXERCÍCIO 7: 128 Curso de licenciatura em Ensino Matemática 85 Unidade III Integrais Curvilíneos Introdução Nesta unidade, você vai aprender sobre os integrais curvilíneos ou integrais de linha. Eles são tipos de integrais semelhantes a integrais de uma variável real, excepto que, em vez de integrarmos num intervalo ,a b , integramos sobre uma curva C. Elas foram inventadas no começo do século XIX para resolver problemas que envolviam escoamento de líquidos, forças, electricidade e magnetismo. Esta unidade está dividida em 3 lições. Ao completar esta unidade, você será capaz de: Objectivos Definir integrais, os integrais curvilíneos; Calcular os integrais curvilíneos no plano e no espaço; Calcular os integrais curvilíneos em campos vectoriais; Enunciar e demonstrar o teorema fundamental para os integrais de linha (curvilíneos); Aplicar o teorema fundamente no cálculo de integrais; Aplicar o teorema de Green no plano e no espaço do cálculo dos integrais de contorno. 86 Lição no 11 Lição no 11 Integrais Curvilíneos no Plano Introdução Nesta lição, você vai estudar os integrais curvilíneos no plano. É uma aula que pode ser estudada em 4 horas incluindo a resolução de exercícios Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Definir integrais, os integrais curvilíneos; Calcular os integrais curvilíneos no plano. Caro estudante, terminou o estudo das unidades I e II sobre o cálculo de integrais múltiplos. Esta é a primeira lição sobre os integrais curvilíneos, um tipo de integrais que são calculados ao longo de uma curva. Para esta lição, você vai aprender os integrais curvilíneos no plano. Acompanhe! Comecemos com uma curva plana C dada pelas equações paramétricas ( ) ( )x x t y y t a t b (1) Ou, o que é equivalente a equação vectorial ( ) ( ) ( )r t x t i y t j , e admitiremos que C seja uma curva lisa (isso significa que r e ( ) 0r t ). Se dividirmos o intervalo parâmetro ,a b em n subintervalo 1,i it t de igual tamanho e se fizermos ( )i ix x t e ( )i iy y t , então os pontos correspondentes ( , )i i iP x y dividem C em n sub-arcos de comprimento 1 2, , , nn s s s (veja afigura abaixo). b t a C 1i P ( , )i i iP x y iP 0P 1P nP 1it it it x 0 y Curso de licenciatura em Ensino Matemática 87 Escolhemos um ponto qualquer ( , )i i iP x y no i-ésimo sub- arco. se f é uma função de duas variáveis cujo domínio inclui a curva C, calculemos f no ponto ( , )i ix y , multiplicamos pelo comprimento is do ??? e somamos 1 ( , ) n i i i i f x y s , O que é semelhante à soma de Riemann. Em seguida, tomamos o limite dessa soma e fazemos a seguinte definição por analogia com o integral de uma função de uma variável real. Definição: Se f é definida sobre uma curva lisa C dada pelas equações ( ) ( )x x t y y t a t b , então o integral curvilíneo de f sobre C é 1 ( , ) lim ( , ) n i i i n iC f x y ds f x y s (2) se o limite existir. Caro estudante, neste módulo estudamos o cálculo infinitesimal que o comprimento de arco da curva C é 2 2b a dx dy L dt dt dt . Assim, o argumento semelhante pode ser usado para mostrar que, se f é uma função contínua, então o limite da definição (2) existe e a fórmula seguinte pode ser empregue para calcular o integral curvilíneo: 2 2 ( , ) ( ), ( ) b C a dx dy f x y ds f x t y t dt dt dt O valor do integral curvilíneo não depende da parametrização da curva, desde que cada ponto da curva seja atingido uma única vez quando t cresce de a para b Se ( )s t é o comprimento de C entre ( )r a e ( )r t , então 2 2 ds dx dy dt dt dt 2 2 dx dy ds dt dt dt 88 Lição no 11 No caso especial onde C é um segmento de recta unindo ( ,0)a a ( ,0)b tomando x como parâmetro, escrevemos as equações paramétricas de C assim: x x , 0y , a x b . Assim ( , ) ( ,0) b C a f x y ds f x dx e, nesse caso, o integral curvilíneo se reduz a um integral de uma função de uma variável. Exemplo 1. Calcular 22 C x y ds , onde C é a metade superior do círculo unitário 2 2 1x y Resolução 1º Representemos as equações paramétricas da curva C. sendo que o círculo unitário pode ser parametrizado por meio das equações cosx t e y sent e, a metade superior do círculo é descrita pelo intervalo do parâmetro 0 t 2 2 2 2 0 2 2 cos . C dx dy x y ds t sent dt dt dt 2 2 2 0 2 cos . cost sent sen t tdt 3 2 0 0 cos 2 cos . 2 3 t t sent dt t 2 2 3 Caro estudante, suponha agora que C seja uma curva lisa por partes; ou seja, C é a união de um número finito de curvas, C1 , C2 , …,Cn , onde como mostra a figura ao lado, o ponto inicial de Ci+1 é o ponto terminal de Ci . Então, definimos o integral de f ao longo da curva C, como a soma dos integrais de f ao longo de cada parte lisa de C. 1 -1 x y y x C1 C2 C3 C4 C5 Curso de licenciatura em Ensino Matemática 89 1 2 ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) nC C C C f x y ds f x y ds f x y ds f x y ds Veja o seguinte exemplo: Exemplo 1. Calcular 2 C xds , onde C é formado pelo arco C1 da parábola 2y x de 0,0 a 1,1 seguido pelo segmento de recta vertical de C2 de 1,1 a 1,2 Solução: A curva C é mostrada abaixo: C1 é o gráfico de uma função de x; então podemos escolher x como parâmetro e as equações de C1 se tornam x x , 2y x e 0 1x Portanto, 1 2 21 1 2 0 0 2 2 2 1 4 C dx dy xds x dx x x dx dx dx 13 2 2 0 1 2 5 5 1 1 4 4 3 6 x . Vamos calcular o integral ao longo de C2. Escolhemos y como parâmetro (y é que varia), e as equações de C2 são; 1x , y y e 1 2y e 2 2 22 2 1 1 2 2.1 2 2 C dx dx xds dy dy dy dy Finalmente, o integral ao longo da curva C é: 1 2 5 5 1 2 2 2 2 6 C C C xds xds xds y x C1 C2 90 Lição no 11 Caro estudante, dois outros integrais curvilíneos são obtidos trocando-se is por 1i i ix x x ou 1i i iy y y , na definição do integral curvilíneo. Eles são chamados integrais curvilíneos de f ao longo de C com relação a x e y : Assim; 1 ( , ) lim ( , ) n i n iC f x y dx f x y x e 1 ( , ) lim ( , ) n i n iC f x y dy f x y y . Quando queremos distinguir o integral curvilíneo original ( , ) C f x y ds das equações anteriores, chamamos o mesmo de integral curvilíneo com relação ao comprimento de arco. As fórmulas seguintes dizem que as integrais curvilíneas com relação a x e y podem ser calculadas escrevendo-se tudo em termos de : ( )t x x t , ( )y y t ( )dx x t dt , ( )dy y t dt . Desta forma temos: ( , ) ( ), ( ) ( ) b C a f x y dx f x t y t x t dt e ( , ) ( ), ( ) ( ) b C a f x y dy f x t y t y t dt . Frequentemente os integrais curvilíneos com relação a x e y aparecem juntos. Quando isso acontece, é costume abreviar escrevendo; ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) C C C P x y dx Q x y dy P x y dx Q x y dy Nota: Quando estamos para resolver um integral curvilíneo, às vezes o mais difícil é pensar numa representação paramétrica para uma curva cuja descrição geométrica é dada. Em particular, precisamos frequentemente parametrizar um segmento de recta, pelo que é útil lembrar a que a representação vectorial do segmento da recta que inicia em 0r e termina em 1r é dada por 0 1( ) 1 .r t t r t r com 0 1t Em seguida, apresentamos um exemplo. Acompanhe! Curso de licenciatura em Ensino Matemática 91 Exemplo 1. Calcular 2 C y dx xdy , onde a) C= C1 é o segmento de recta de 5, 3 a 0,2 b) C= C2 é o arco da parábola 24x y de 5, 3 a 0,2 A figura correspondente à situação apresentada é a seguinte: a) Representação paramétrica para o segmento da recta é: 0 1( ) 1 . 1 5, 3 0,2r t t r t r t t 5 5 , 3 3 0, 2t t t 5 5 , 3 5t t isto significa que, 5 5x t e 3 5y t com 0 1t . Se 5 5 5x t dx dt e se 3 5 5y t dy dt Assim; 1 1 22 0 3 5 5 5 5 5 C y dx xdy t dt t dt 1 2 0 5 25 25 4t t dt 1 3 2 0 25 25 5 5 4 3 2 6 t t t b) Como a parábola é dada em função de y, vamos usar y como parâmetro e escrever C2 como, 24 3 2x y y y y . Sendo assim, 2dx ydy Logo: 2 2 2 2 2 3 ( 2 ) 4 C y dx xdy y y dy y dy 2 3 2 3 2 4y y dy x C1 5, 3 4 0,2 C2 y 92 Lição no 11 24 3 3 245 4 2 3 6 y y y Nota2: apesar de as curvas terem as mesmas extremidades, as respostas são diferentes. Em geral, o valor do integral curvilíneo depende não somente dos pontos extremos da curva, como também da própria trajectória. Note também que as respostas do exemplo anterior dependem da orientação ou sentido em que a curva é descrita. Se 1C representa o segmento da recta que vai de 0,2 a 5, 3 você pode verificar usando a parametrização que 1 2 5 6 C y dx xdy Caro estudante, de uma forma geral, uma parametrização dada ( )x x t , ( )y y t , a t b , Determina a orientação de uma curva C, com a orientação positiva correspondendo aos valores crescente do parâmetro t (veja a figura, onde o ponto inicial A corresponde ao valor do parâmetro a e o pontoterminal B corresponde a t b Se C denota a curva constituída pelos mesmos pontos que C , mas com orientação contrária ( do ponto B para o ponto terminal A) então temos: ( , ) ( , ) C C f x y dx f x y dx e ( , ) ( , ) C C f x y dy f x y dy Mas, se integrarmos em relação ao comprimento de arco, o valor do integral de linha não mudará quando revertermos a orientação da curva a C A B b t -C B A Curso de licenciatura em Ensino Matemática 93 ( , ) ( , ) C C f x y ds f x y ds , isso acontece porque is , é sempre positivo, enquanto ix e iy mudam de sinal quando revertemos a orientação de C. Caro estudante, acabamos de estudar os integrais curvilíneos no plano. Com o mesmo raciocínio que o anterior, vamos apresentar os integrais de linha no espaço. Continue acompanhando! Integrais curvilíneos no espaço Suponhamos agora que C seja uma curva espacial lisa dada pelas equações paramétricas ( ) , ( ) ( )x x t y y t z z t a t b ou pela equação vectorial ( ) ( ) ( ) ( )r t x t i y t j z t k . Se f é uma função de três variáveis que é contínua em alguma região contendo C, então definimos o integral curvilíneo de f ao longo C (com relação ao comprimento de arco) de modo semelhante para curvas planas: 1 ( , , ) lim ( , , ) n i i i i n iC f x y z ds f x y z s . Calcula-se esse integral utilizando a fórmula análoga às curvas planas: 2 2 2 ( , , ) ( ), ( ), ( ) b C a dx dy dz f x y z ds f x t y t z t dt dt dt dt Observe que tanto os integrais calculados pela fórmula anterior (espaço) ou quando se trata do plano, eles podem ser escritos de uma forma mais compacta com a notação vectorial. ( ) . ( ) b a f r t r t dt Para o caso especial quando ( , , ) 1f x y z , temos ( ) b C a ds r t dt L , onde L é o comprimento da curva C. Também podemos definir integrais curvilíneos ao longo da curva C com relação a x , y e z . Por exemplo 1 ( , , ) lim ( , , ) n i i i n iC f x y z ds f x y z z ( ), ( ), ( ) ( ) b a f x t y t z t z t dt Portanto, como para os integrais curvilíneos do plano podemos calcular integrais da forma 94 Lição no 11 ( , , ) ( , , ) ( , , ) C P x y z dx Q x y z dy R x y z dz , escrevendo , , , , ,x y z dx dy dz em função do parâmetro t . Exemplo 1. Calcular C ysenzds , onde C é a hélice circular dada pelas equações cosx t , y sent , z t , 0 2t Resolução Sabe-se que 2 2 2 ( , , ) ( ), ( ), ( ) b C a dx dy dz f x y z ds f x t y t z t dt dt dt dt logo: 2 2 22 0 . C dx dy dz ysenzds sent sent dt dt dt dt 2 2 2 2 0 cos 1sen t sen t t dt 2 2 0 1 1sen t dt 2 2 2 0 0 2 2 1 cos 2 2 sen tdt t dt 2 0 2 1 2 2 2 2 t sen t Acompanhe, em seguida, mais um exemplo de modo a poder fixar as ideias centrais aqui veiculadas. Exemplo 2. Calcular C ydx zdy xdz , onde C consiste no segmento C1 que une os pontos 2,0,0 a 3,4,5 seguido pelo segmento vertical C2 de 3,4,5 a 3,4,0 Curso de licenciatura em Ensino Matemática 95 A figura correspondente é a seguinte 1º Vamos parametrizar C1. Escrevendo na forma vectorial vem ( ) 1 2,0,0 3,4,5 2 ,4 ,5r t t t t t t ou seja, 2x t , 4y t , 5z t , 0 1t . dx dt , 4dy dt e 5dz dt . 1 1 0 (4 ) (5 )4 2 5 C ydx zdy xdz t dt t dt t dt 1 0 10 29t dt 1 2 0 29 49 10 2 2 t t Da mesma maneira, C2 pode ser escrito na forma ( ) 1 3,4,5 3,4,0 3,4,5 5r t t t t ou seja 3 0x dx , 5 0y dy e 5 5 5z t dz dt 2 1 1 0 0 3 5 15 15 C ydx zdy xdz dt t . Assim, 49 19 15 19,5 2 2 C ydx zdy xdz Como tem sido neste módulo, apresentamos uma actividade para que sirva de ponte antes de entrar na resolução dos exercícios. Resolva-a. 1. 2 C x yz dx xdy xyzdz C, consiste nos segmentos de recta de 1,0,1 a 2,3,1 e deste a 2,5,2 Actividade 96 Lição no 11 Chave de Correcção: 97 3 Sumário Nesta lição, você aprendeu sobre os integrais curvilíneos do plano e do espaço. Exercícios. Terminada a parte teórica, vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades, Torne a rever a matéria em causa, focalizando-se, sobretudo nos exemplos Calcule os seguintes integrais curvilíneos 1. 2 22 2 C x xy dx xy y dy sendo C o arco da parábola 2y x compreendido entre os pontos 1,1 e 2,4 2. 2 2 C y dx x dy sendo C a metade superior da elipse cosx a t , y bsent , percorrida no sentido negativo. 3. C yds Sendo C: 2 0 2x t y t t 4. 4 C xy ds Sendo C a metade direita do círculo 2 2 16x y 5. ln C xy x dy sendo C o arco da parábola 2y x de 1,1 a 3,9 6. C xydx x y dy , C consiste nos segmentos de recta de 0,0 a 2,0 e deste a 3,2 . 7. z C xy ds , C: 4cos 4 3 0 2 y t x sent z t t 8. yz C xe ds , é o segmento de recta de 0,0,0 a 1,2,3 Curso de licenciatura em Ensino Matemática 97 Chave de correcção EXERCÍCIO 1: 1219 30 EXERCÍCIO 2: 2 4 3 ab EXERCÍCIO 3: 17 17 1 12 EXERCÍCIO 4:1638, 4 EXERCÍCIO 5: 464 9 ln 3 5 EXERCÍCIO 6: 17 3 EXERCÍCIO 7: 320 EXERCÍCIO 8: 614 1 12 e EXERCÍCIO 9: 1 5 98 Lição no 12 Lição no 12 Integrais curvilíneos de campos vectoriais Introdução Nesta lição, você vai estudar sobre o cálculo de integrais curvilíneos em campos vectoriais. É um dos temas muito usados em física principalmente para o cálculo do trabalho realizado por uma força constante para mover um objecto de um ponto para o outro. Esta lição pode ser estudada em 4 horas incluindo também a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Definir os integrais curvilíneos em campos vectoriais; Calcular os integrais curvilíneos em campos vectoriais; Aplicar os integrais de linha (curvilíneos) na resolução de problemas da mecânica; Lembre-se que em cálculo integral em vimos que o trabalho realizado por uma força ( )f x que move uma partícula de a até b ao longo do eixo x é ( ) b a W f x dx . Por outro lado, o trabalho feito por uma força F para mover um objecto de um ponto P para o outro ponto Q do espaço é W F D , onde D PQ é o vector deslocamento. Curso de licenciatura em Ensino Matemática 99 Suponha agora que F P i Q j R k é um campo de força contínuo no 3 . Queremos calcular o trabalho realizado por essa força movimentando uma partícula ao longo de uma curva lisa C. Dividimos C em subarcos 1i iP P com comprimentos is dividindo o intervalo do parâmetro ,a b em subintervalo do mesmo tamanho. Escolha ( , , )i i iP x y z no i- ésimo subarco correspondendo ao valor do parâmetro it . Se is é pequeno, o movimento da partícula 1iP para iP na curva se processa aproximadamente na direcção de iT t , versor tangente a iP . Então, o trabalho realizado pela força F para mover a partícula de 1iP para iP é aproximadamente ( , , ) ( , , )i i i i i i i i i iF x y z s T t F x y z T t s e o trabalho total executado para mover a partícula ao longo de C é aproximadamente 1 ( , , ) , , n i i i i i i i i F x y z T x y z s Onde ( , , )T x y z é o versor tangente no ponto ( , , )x y z sobre C. Intuitivamente podemos ver que essas aproximações devem ficar melhores quando n aumenta. Portanto, definimos o trabalho W feito por um campo de forças F como 1 lim ( , , ) , , n i i i i i i i n i F x y z T x y z s ou seja, , , ( , , ) C C W F x y z T x y z ds F Tds . 1iP iP ( , , )i i i iP x y z ( , , )i i iF x y z iT t y x z Pn P0 0 100 Lição no 12 Nota: esta equação , , ( , , ) C C W F x y z T x y z ds F Tds diz que o trabalho é o integral em relação ao comprimento do arco da componente tangencial da força. Se a curva C é dada pela equação vectorial ( ) ( ) ( ) ( )r t x t i y t j z t k , então ( ) ( ) r t T t r t . Assim ( ) ( ( )) ( ) ( ( )) ( ) ( ) b b a a r t w F r t r t dt F r t r t dt r t Essa última integral é frequentemente abreviada como C F dr e ocorre também em outras áreas da física. Portanto, podemos definir o integral curvilíneo para um campo vectorial contínuo qualquer. Definição: Seja F um campo vectorial contínuo definido sobre uma curva lisa C dada pela função vectorial ( )r t , a t b . Então o integral curvilíneo de F ao longo de C é ( ( )) ( ) b C a C F dr F r t r t dt F Tds Caro estudante, quando usamos a definição anterior deve perceber que ( ( ))F r t é uma abreviação para ( ( ), ( ), ( ))F x t y t z t , calculamos ( ( ))F r t tomando ( ) , ( )x x t y y t e ( )z z t na expressão ( , , )F x y z . Note que podemos formalmente escrever ( )dr r t dt . Acompanhe a resolução do exemplo que se segue. Curso de licenciatura em Ensino Matemática 101 Exemplo 1. Determine o trabalho realizado pelo campo de força 2( , )F x y x i xy j para mover uma partícula ao longo de um quarto do círculo ( ) cosr t t i sent j , 0 2 t A figura mostra o campo de força e a curva do exemplo anterior. Resolução: Como cosx t e y sent , temos 2( ( )) cos cosF r t t i tsent j e ( ) cosr t sent i t j portanto o trabalho realizado é 2 0 ( ( )). ( ) C W Fdr F r t r t dt 2 2 0 cos cos cost i tsent j sent i t j dt 2 2 2 0 cos . cos .t sent t sent dt 2 2 0 2 cos .t sentdt 2 2 2 3 00 2 2 2 cos (cos ) cos 3 3 td t t O trabalho realizado é negativo porque o campo impede o movimento ao longo da curva. 1 1 x y 102 Lição no 12 Exemplo 2. Calcule C Fdr , onde ( , , )F x y z xy i yz j zx k e C é a cúbica retorcida dada por 2 3, 0 1x t y t z t t , A figura mostra a cúbica torcida e alguns valores agindo em três pontos de C. Resolução: 2 3( )r t t i t j t k logo 2( ) 2 3r t i t j t k . 3 5 4( ( ))F r t t i t j t k ; Desta forma 1 1 3 5 4 2 0 0 ( ( )). ( ) 2 3 C Fdr F r t r t dt t i t j t k i t j t k dt 1 1 3 6 6 3 6 0 0 2 3 5t t t dt t t dt 14 7 0 5 1 5 27 4 7 4 7 28 t t Finalmente, notamos a relação entre os integrais curvilíneos de campos vectoriais e os integrais curvilíneos de campos escalares. Suponhamos que um campo vectorial F de 3 seja dado sob forma de componentes de equação F P i Q j R k . Usando a definição do integral curvilíneo de F ao longo da curva C; ( ( )). ( ) ( ) ( ) ( ) b b C a a Fdr F r t r t dt P i Q j R k x t i y t j z t k dt ( ( ), ( ), ( )) ( ) ( ( ), ( ), ( )) ( ) ( ( ), ( ), ( )) ( ) b a P x t y t z t x t Q x t y t z t y t R x t y t z t z t dt y x 1 1 1 0,5 1,5 2 C ( (3/4))Fr ( (1/2))Fr ( (1))Fr z Curso de licenciatura em Ensino Matemática 103 Mas este último integral, caro estudante, é precisamente o integral curvilíneo no espaço ao longo da curva C, isto é; C C Fdr P dx Q dy R dz onde F P i Q j R k . Por exemplo, o integral C ydx zdy xdz resolvido na lição 10 poderia ser expresso como C Fdr onde ( , , )F x y z y i z j x k Vejamos ao longo do caminho C1: Já vimos que as equações paramétricas são 2x t , 4y t , 5z t , 0 1t . Mas também, 3,4,5 2,0,0 1,4,5 4 5r i j k 1 1 0 0 4 5 2 4 5 4 20 10 5 C Fdr ti t j t k i j k dt t t t dt 11 2 0 0 29 29 49 10 29 10 10 24,5 2 2 2 t t dt t Conclua o exemplo como exercício. Uma vez concluído o exemplo, tem a seguinte actividade por resolver: 1. Determine o trabalho realizado pelo campo de força ( , , ) , ,F x y z y z x z x y sobre uma partícula que se move ao longo do segmento de recta 1,0,0 a 3,4,2 . Chave de correcção 1. 41,67 10 Pés- Ib Sumário Nesta lição você aprendeu a sobre os integrais curvilíneos de campos vectoriais. Actividade 104 Lição no 12 Exercícios. Terminada a parte teórica vamos apresentar os exercícios de auto -avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades volta a estudar a lição e os exemplos apresentados. Calcular o integral curvilíneo C Fdr , onde C é dada pela função vectorial ( )r t 2. 2 3 2 3( , ) ( ) 0 1F x y x y i y x j r t t i t j t 3. 3 2( , , ) cos ( ) 0 1F x y z senx i y j xz k r t t i t j tk t 4. ( , )F x y x y i xy j , C é o arco do círculo 2 2 4x y percorrido no sentido anti-horário de 2,0 a 0, 2 5. 1( , ) xF x y e i xy j e C é dado por 2 3( )r t t i t j e 0 1t 6. Determine o trabalho realizado pelo campo de força ( , ) 2F x y xi y j para movimentar um objecto sobre o arco da ciclóide ( ) 1 cosr t t sent i t j , 0 2t Chave de correcção 1: 59 105 2: 6 cos1 1 5 sen 3: 2 3 3 4: 11 1 8 e 5: 22 6: 39 Curso de licenciatura em Ensino Matemática 105 Lição no 13 Independência de Caminho em integrais curvilíneos. Introdução Nesta lição, você vai estudar a independência de caminho em integrais curvilíneos, pois, em geral, o valor do integral curvilíneo A B C Pdx Qdy depende tanto das funções P e Q como do caminho de integração C que liga os pontos A e B. todavia pode acontecer que o valor do integral dependa apenas dos pontos A e B. Nesse caso, diz-se que o integral é independente do caminho para ligar A a B. Esta lição pode ser estudada em 4 horas incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Aplicar a independência de caminho para calcular os integrais curvilíneos; Aplicar os campos vectoriais conservativos no cálculo de integrais curvilíneos. Caro estudante, vai aprender, em seguida, a calcular integrais curvilíneos quando o integral a ser calculado não dependa do caminho que liga os pontos A e B. Mas antes desse factor, vamos apresentar o teorema fundamental dos integrais curvilíneos. Acompanhe! Teorema Fundamental para os Integrais Curvilíneos Caríssimo estudante, lembre-se que o teorema fundamental do cálculo pode ser escrito ( ) ( ) ( ) b a F x dx F b F a , onde F é continua em ,a b . Se considerarmos o vector gradiente f da função f de duas ou três variáveis como uma espécie de derivada de f , então o teorema seguinte pode ser 106 Lição no 13 considerado como uma versão do teorema fundamentaldo cálculo para os integrais curvilíneos. Teorema: Seja C uma curva lisa dada pela função ( )r t , a t b . Seja f uma função diferenciável de duas ou três variáveis cujo vector gradiente f é contínuo em C. Então . ( ) ( ) C f dr f r b f r a Nota: O teorema nos diz que podemos calcular o curvilíneo de um campo vectorial conservativo (o campo vectorial gradiente da função potencial f ) sabendo apenas o valor f nos pontos terminais de C. De facto, o teorema diz que o integral curvilíneo de f é a variação total de f . Se f é uma função de duas variáveis e C, uma curva plana com início 1 1( , )A x y e término em 2 2( , )B x y , como ilustra a figura abaixo, o teorema fica 2 2 1 1. ( , ) ( , ) C f dr f x y f x y . Se f é uma função de três variáveis e C, uma curva espacial ligando o ponto 1 1 1, ,A x y z ao ponto 2 2 2, ,B x y z , então temos: 2 2 2 1 1 1. ( , , ) ( , , ) C f dr f x y z f x y z Demonstração Usando a definição do integral curvilíneo ao longo de uma curva C, temos: . ( ) . ( ) ( ) b b b C a a a f dx f dy f dz d f dr f r b r t dt dt f r t dt x dt y dt z dt dt ( ) ( )f r b f r a (este último passo é pelo teorema fundamental do cálculo). Terminada a demostração do teorema fundamental para integrais curvilíneos vamos, em seguida, debruçarmo-nos sobre a independência de caminho em integrais curvilíneos. Acompanhe! x y 2 2( , )B x y 1 1( , )A x y C y x z 1 1 1, ,A x y z 2 2 2, ,B x y z C Curso de licenciatura em Ensino Matemática 107 Independência de caminho para Integrais curvilíneos. Suponha que C1 e C2 sejam curvas lisas por partes (chamadas caminho) que têm o mesmo ponto inicial A e o mesmo ponto terminal B. sabe que, em geral, 1 2 . . C C F dr F dr . Mas em consequência do teorema anterior, 1 2 . . C C F dr F dr , sempre que F for contínuo. Em outras palavras, o integral curvilíneo de um campo conservativo depende somente dos pontos extremos da curva. Em geral, se F for um campo vectorial contínuo com domínio D, dizemos que o integral curvilíneo . C F dr é independente do caminho se para quaisquer dos caminhos C1 e C2 em D tenham os mesmos pontos iniciais e finais. Com essa terminologia, podemos dizer que os integrais curvilíneos de campos conservativos são independentes do caminho. Uma curva é dita fechada se seu ponto terminal coincide com o seu ponto inicial, ou seja ( ) ( )r b r a . Veja a figura que se segue Se . C F dr é independente do caminho em D e C é uma curva fechada em D, podemos escolher quaisquer dois pontos A e B sobre C e olhar C como composta por um caminho C1 de A a B seguido de um caminho C2 de B a A ( veja a figura abaixo). Então 1 2 1 2 . . . . . 0 C C C C C F dr F dr F dr F dr F dr , já que 1C e 2C tem os mesmos pontos iniciais e finais. Por outro lado, se for verdade que . 0 C F dr sempre que C for um caminho fechado em D, podemos demonstrar a independência do caminho, como se segue. Tomemos quaisquer dois caminhos C1 e C2 de A a B em D e defina C como a curva constituída por C1 seguida por 2C . Então C C1 C2 A B 108 Lição no 13 1 2 1 2 0 . . . . . C C C C C F dr F dr F dr F dr F dr e 1 2 . . C C F dr F dr . Assim, provamos o seguinte teorema. Teorema1: . C F dr é independente do caminho em D se e somente se . 0 C F dr para todo caminho fechado C em D. Em seguida, vamos apresentar mais um teorema para suportar o tema em estudo. Continue a acompanhar a lição, caro estudante. Teorema Teorema2: Suponha que F seja um campo vectorial contínuo sobre uma região aberta e conexa D. Se . C F dr é independente do caminho em D, então F é um campo vectorial conservativo, ou seja existe uma função f tal que F f Vamos à sua demonstração: seja ( , )A a b um ponto fixo em D. vamos construir a função potencial f desejada definindo , , ( , ) . x y a b f x y F dr para qualquer ponto ,x y em D. como . C F dr é independente do caminho, não importa qual o caminho de integração utilizado entre ,a b e ,x y para definir ( , )f x y . Escolha qualquer ponto 1,x y na bola aberta com 1x x e considere C como qualquer caminho C1 de ,a b a 1,x y seguido pelo segmento de recta horizontal C2 de 1,x y a ,x y veja a figura abaixo Então 1 2 2 , , ( , ) . . . . x y C C a b C f x y F dr F dr F dr F dr . Note que a primeira dessas integrais não depende de x, e assim 2 ( , ) 0 . C f x y F dr x x . Se escrevermos F P i Q j , então C2 C1 ,a b 1,x y ,x y D x y Curso de licenciatura em Ensino Matemática 109 2 2 . C C F dr Pdx Qdy . Sobre C2, y é constante, 0dy . Usando t como parâmetro, onde 1x t x , temos 2 1 ( , ) ( , ) ( , ) x C x f x y Pdx Qdy P t y dt P x y x x x (pela primeira parte do teorema fundamental de cálculo). Uma argumentação semelhante, usando um segmento de recta vertical veja a figura abaixo, mostra que, 2 1 ( , ) ( , ) ( , ) y C y f x y Pdx Qdy Q x t dt Q x y y y y . Então, f f F P i Q j i j f x y , que mostra que F é conservativo. Caro estudante, uma questão permanece: como é possível saber se um campo vectorial é conservativo ou não? Suponha que saibamos que F P i Q j seja conservativo, onde P e Q tenham derivadas parciais de primeira ordem contínuas. Então existe uma função f tal que F f , ou seja f P x e f Q y . Portanto, pelo teorema de clairaut 2 2P f f Q y y x x y x . Assim, podemos enunciar o teorema Teorema3: Se ( , ) ( , ) ( , )F x y P x y i Q x y j é um campo vectorial conservativo, onde P e Q têm derivadas parciais de primeira ordem contínuas sobre um domínio D, então em todos os pontos de D temos P Q y x Nota: O reciproco deste teorema só é válido para um tipo de região que são as regiões simplesmente conexas (região conexa D tal que toda a curva simples fechada em D contorna somente pontos que estão em D) 1,x y ,a b D C y x ,x y C2 110 Lição no 13 Teorema: Seja F P i Q j um campo vectorial sobre uma região D aberta e simplesmente conexa. Suponha que P e Q tenham derivadas parciais de primeira ordem contínuas e que P Q y x por toda a região D então F é conservativo. Teorema 4: Seja F P i Q j um campo vectorial sobre uma região D aberta e simplesmente conexa. Suponha que P e Q tenham derivadas parciais de primeira ordem contínuas e que P Q y x por toda a região D então F é conservativo. Exemplo Determine se o campo vectorial ( , ) 2F x y x y i x j é ou não um campo conservativo. Resolução: Seja ( , )P x y x y e ( , ) 2Q x y x então, 1 P y e 1 Q x . Como P Q y x então F não é conservativo. Outro exemplo: Exemplo Determine se o campo vectorial 2 2( , ) 3 2 3F x y xy i x y j é ou não um campo conservativo. Resolução Seja ( , ) 3 2P x y xy e 2 2( , ) 3Q x y x y . Então 2 P x y e 2 Q x x Assim P Q y x D D D Região simplesmente conexa Regiões que não são conexas Curso de licenciatura em Ensino Matemática 111 Além disso, o domínio de F, é todo o plano 2 , que é aberto e simplesmente conexo. Logo, F é conservativo.Por fim, vamos apresentar mais um exemplo que vai precisar do cálculo do integral curvilíneo, a partir da função potencial. Exemplo Se 2 2( , ) 3 2 3F x y xy i x y j , determine uma função f tal que F f Calcule o integral curvilíneo . C F dr , onde C é a curva dada por ( ) cost tr t e sent i e t j , 0 t Resolução Do exemplo anterior, sabemos que F é um campo conservativo, e assim, existe uma função f tal que F f , ou seja 3 2 f xy x e 2 23 f x y y 1º Integrando 3 2 f xy x em ordem a x, vem: 23 2 ( , ) 3 ( ) f dx xy dx f x y x x y g y x . Note que a constante de integração é uma constante em relação a x, ou seja, uma função de y, que chamamos de g(y). 2º Em seguida, diferenciemos ambos membros do integral anterior em ordem a y. 2 23 ( ) ( ) f d x x y g y x g y y dy 3º Vamos comparar a derivada parcial em ordem a y obtida no passo anterior e com 2 23 f x y y . Assim, 2 2 2 23 ( ) 3 ( )x y x g y y g y 4º Vamos integrar esta última igualdade em ordem a y. 2 3( ) 3g y y dy y C , onde C é uma constante arbitrária. 5º Vamos substituir, no 1º passo, esta última integral no lugar de g(y), e temos 2 3( , ) 3f x y x x y y C como a função potencial desejada. Para aplicarmos o teorema fundamental para os integrais curvilíneos devemos conhecer os pontos iniciais e finais de C, ou seja, (0) 0,1r e 112 Lição no 13 ( ) 0,r e (substituir em r(t)). Na expressão para ( , )f x y da alínea a, qualquer valor da constante serve. Então tomemos 0C . Assim temos: 3 3. . 0, 0,1 ( 1) 1 C C F dr f dr f e f e e Caro estudante, o critério para se determinar se um campo vectorial em 3 é ou não conservativo será apresentado na unidade inerente os integrais de superfície. Enquanto isso, o próximo exemplo mostra que a técnica para achar a função potencial é muito semelhante à utilizada para os campos de 2 . Acompanhe! Exemplo Se 2 3 3( , , ) 2 3z zF x y z y i xy e j ye k , determine uma função f tal que f F . Resolução: Se existe tal função f então 2 3 32 3z z f f f y xy e ye x y z 1º) Integrando em ordem a x 2 2( , , ) ( , )f x y z y dx xy g y z . ( , )g y z é uma constante em relação a x. 2º) Derivando em relação a y 2 ( , ) f d xy g y z y dy e comparando com 32 z f xy e y 3 32 ( , ) 2 ( , )z z d d xy g y z xy e g y z e dy dy o que significa que 3 3( , ) ( )z zg y z e dy ye h z 3º) Derivando esta função em relação a z, 33 ( )z f ye h z z e comparando com 33 z f ye z 3 33 ( ) 3 ( ) 0 ( )z zye h z ye h z h z C 4º) Voltando a substituir ( )h z em 3 3( , ) ( )z zg y z e dy ye h z obtemos 3( , ) zg y z e y C Curso de licenciatura em Ensino Matemática 113 5º) Substituindo ( , )g y z obtido anteriormente em 2 2( , , ) ( , )f x y z y dx xy g y z vem 2 3( , , ) zf x y z xy e y C Independência de Caminho nos integrais curvilíneos do espaço A independência de caminho em integrais curvilíneos no espaço define-se do mesmo modo que do plano. Todas as propriedades apresentadas e demonstradas estendem-se para 3 Proposição1: sejam ( , , )P x y z , ( , , )Q x y z e ( , , )R x y z funções contínuas e com primeiras derivadas parciais contínuas num domínio simplesmente conexo D de 3 . Uma condição necessária e suficiente para que 0 C Pdx Qdy Rdz ao longo de qualquer contorno fechado C contido em D é que em todos os pontos de D seja P Q y x , Q R z y , R P x z . Este resultado, resulta imediatamente da fórmula de Stoke que será demonstrado na unidade IV lição 15. Proposição 2: sejam ( , , )P x y z , ( , , )Q x y z e ( , , )R x y z funções contínuas e com primeiras derivadas parciais contínuas num domínio simplesmente conexo D de 3 . Uma condição necessária e suficiente para que B A Pdx Qdy Rdz seja independente do caminho que liga A a B é que seja 0 C Pdx Qdy Rdz , para qualquer contorno fechado simples C contido em D. A demonstração é análoga à demonstração feita para as duas dimensões. Proposição 3: Uma condição necessária e suficiente para que a expressão Pdx Qdy Rdz seja um diferencial exacto num dado domínio simplesmente conexo D de 3 é que nesse domínio as P, Q e R sejam funções contínuas e com primeiras derivadas parciais contínuas e P Q y x , Q R z y , R P x z (A demonstração é análoga à demonstração feita para as duas dimensões). Proposição 4:se Pdx Qdy Rdz é, num dado domínio D de 3 , a diferencial exacta duma função ( , , )F x y z e A e B são dois pontos de D, então o integral 114 Lição no 13 Pdx Qdy Rdz é independente do caminho que liga A e B e igual a ( ) ( ) B B A A Pdx Qdy Rdz dF F B F A 1. Determine o trabalho realizado pelo campo vectorial de força F movendo um objecto de P a Q. 3 2( , ) 2 3 (1,1) (2, 4)F x y y i x y j P Q Chave de correcção :30Sol Sumário Nesta lição, você aprendeu a independência de caminho em integrais curvilíneos, onde se destaca a condição necessária para que o integral de linha seja independente do caminho. Foi também apresentado o teorema fundamental dos integrais curvilíneos. Exercícios. Terminada a parte teórica, vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Os exercícios sobre a determinação das funções potenciais em 3 não vão exigir que se prove o campo se é conservativo ou não, pois isso, será objecto de estudo nas unidades que se seguem. Caro estudante, caso sinta algumas dificuldades ao longo da resolução de exercícios, aconselhamos a rever a lição e acompanhar minuciosamente os passos de resolução que foram apresentados. 1.Determine F é ou não um campo vectorial conservativo. Se for, determine f tal que f F ) ( , ) 6 5 5 4a F x y x y i x y j ) ( , ) y xb F x y xe i ye j 2) ( , ) 2 cos cosc F x y x y y x i x seny senx j Actividade Curso de licenciatura em Ensino Matemática 115 ) ( , ) cosx xd F x y ye seny i e x y j e) 2 3 4 4v xy i x z j y k f) 3 2 2 22 6 6 2 3v xz y i x yz j x z y k 2. Determine uma função f tal que f F e use o resultado para calcular . C F dr sobre a curva C 3 4 4 3 3) ( , ) : ( ) 1 , 0 1a F x y x y i x y j C r t t i t j t ) ( , , ) 2b F x y z yz i xz j xy z k , C é o segmento de recta de 1,0, 2 a 4,6,3 2 2 2) ( , , ) cos 2 cos : ( )c F x y z y z i xy z j xy senz k C r t t i sent j t k , 0 t 3. Mostre que o integral curvilíneo é independente do caminho e Calcule oi integral 2) sec C a tgydx x ydy , C e qualquer caminho de 0,1 a 2, 4 ) 1 x x C b ye dx e dy , C é qualquer caminho de 0,1 a 1,2 Chave de correcção EXERCÍCIO1 a) 2 2( , ) 3 5 2f x y x xy y C b) Não conservativo c) 2( , ) cosf x y x y ysenx C d) ( , ) xf x y ye xseny C e) 2 2( , , ) 4 3F x y z x z yz x C f) 2 3 2( , , ) 6F x y z x z xy y z C EXERCÍCIO 2 4 41) ( , ) ; 4 4 a f x y x y 2) ( , , ) ; 77b f x y z xyz z 2) ( , , ) cos , 0c f x y z xy z 116 Lição no 14 Lição no 14 Teorema de Green Introdução Nesta lição, você vai estudar sobre o teorema de Green. Este teorema recebeu esse nome em homenagem ao cientista inglês GEORGE GREEN (1793-1841). O seu teorema estabelece uma relação entre os integraiscurvilíneos, ao redor de uma curva fechada simples C e um integral duplo sobre a região D . Esta lição pode ser estudada em 4 horas incluindo também a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Aplicar o teorema de Green no cálculo de integrais curvilíneos sobre um contorno fechado; Aplicar o teorema de Green no cálculo de trabalho. Caro estudante, o teorema de Green fornece a relação entre um integral curvilíneo fechado simples C e um integral duplo sobre uma região D do plano cercado por C. veja a figura que segue. Admitiremos que D consiste em todos os pontos dentro de C além dos pontos sobre C y D C x 0 Curso de licenciatura em Ensino Matemática 117 Para enunciarmos o teorema de Green usaremos a convenção de que a orientação positiva de uma curva fechada simples C se refere a percorrer acurva C no sentido anti-horário apenas uma vez. Assim, se C for dado como uma função vectorial ( )r t , a t b , então a região D está a esquerda quando o ponto ( )r t percorrer C ( Veja as figuras). Orientação Positiva Orientação Negativa Teorema de Green Seja C uma curva Plana simples, fechada, contínua por partes, orientada positivamente, e seja D À região delimitada por C. se P e Q têm derivadas parciais de primeira ordem contínuas sobre uma região aberta que contenha D, então C D Q P Pdx Qdy dA x y Nota: A notação C Pdx Qdy ou C Pdx Qdy é usada algumas vezes para indicar que o integral curvilíneo é calculado usando-se a orientação positiva da curva fechada C. Vamos, em seguida, apresentar a demonstração do teorema de Green no caso onde D é uma região simples. Continue a acompanhar, caro estudante. Demonstração Atenção caro estudante que o teorema de Green estará provado se mostrarmos que: C D P Pdx dA y e C D Q Qdy dA x . y D C D C y x x 118 Lição no 14 Vamos provar C D P Pdx dA y exprimindo D como uma região do tipo I 1 2, : , ( ) ( )D a b a x b f x y f x Calculando o integral vem 2 1 ( ) 2 1 ( ) ( , ( ) ( , ( ) f xb b D a f x a P P dxdy dy dx P x f x P x f x dx y y 2 1 2 1( , ( )) ( , ( ) ( , ( )) ( , ( ) b b a b a a b a P x f x dx P x f x dx P x f x dx P x f x dx ( , ) C P x y dx Assim, ( , ) C D P P x y dx dA y (I) Tomemos uma região do tipo II Então, 1 2, : , ( ) ( )D c d c y d g y x g y 2 1 ( ) 2 1 ( ) ( ( ), ) ( ( ), ) g yd d D c g y c Q Q dxdy dy dx Q g y y Q g y y dy x x x c y d D 2 ( )x g y 1( )x g y 1( )y f x x b a D y 2 ( )y f x Curso de licenciatura em Ensino Matemática 119 2 1 2 1( ( ), ) ( ( ), ) ( ( ), ) ( ( ), ) d d d c c c c d Q g y y dy Q g y y dy Q g y y dy Q g y y dy ( , ) C Q x y dx Pelo que, ( , ) C D Q Q x y dy dA x (II) Desta forma, adicionando as duas etapas, isto é, (I) + (II), vem, C D Q P Pdx Qdy dxdy x y , Como pretendíamos demonstrar. Acompanhe, em seguida, um exemplo de maneira a compreender como se aplica este teorema no cálculo de integrais curvilíneos. Exemplo1 Calcular 4 C x dx xydy , onde C é a curva triangular constituída pelos segmentos de recta 0,0 a 1,0 e de 0,1 a 0,0 . Resolução 4 0 C D D D Q P x dx xydy dxdy y dxdy ydxdy x y 11 1 1 1 1 2 22 00 0 0 0 0 1 1 1 1 1 (1 ) 2 2 2 xx ydy dx y x dx x d x 13 0 1 1 1 6 6 x Vamos a mais um exemplo Exemplo2 Calcular 43 7 1senx C y e dx x y dy , onde C é o círculo 2 2 9x y 0,1 D x y 1,0 0,0 1y x 3 x y 120 Lição no 14 Solução: A região D delimitada por C é o círculo 2 2 9x y , então vamos mudar para coordenadas polares e aplicar o teorema de Green. 43 7 1senx C D Q P y e dx x y dy dxdy x y 7 3 4 D D dxdy dxdy A região D delimitada por C é o círculo 2 2 9x y , então vamos mudar para coordenadas polares 32 3 2 2 22 0 00 0 0 0 1 4 4 18 18 36 2 rdr d r d Nota: Se na expressão do teorema de Green se fizer P y e Q x resulta ) 2 C C D Pdx Qdy ydx xdy dxdy , em que A é área da região limitada pelo contorno fechado C. Assim, a área de figuras planas limitadas por curvas lisas pode se calcular por. 1 ) 2 D C dxdy Pdx Qdy Exemplo3 Calcular a área delimitada pela elipse 2 2 2 2 1 x y a b Resolução A elipse tem como equações paramétricas cosx a t e y bsent , pelo que 1 1 2 2 C C A Pdx Qdy xdy ydx 2 2 2 2 0 0 1 1 cos cos cos 2 2 a t b t dt bsent asent dt ab t sen t dt 2 0 1 2 ab dt ab y x a b Curso de licenciatura em Ensino Matemática 121 Caro estudante, apesar de termos demonstrado o teorema de Green somente no caso particular onde D é simples, podemos estendê-lo para o caso em que D é a união finita de regiões simples. Por exemplo: se D é uma região como a figura abaixo, então podemos escrever 1 2D D D , onde D1 e D2 são ambas simples. A fronteira D1 é 1 3C C e a fronteira de D2 é 2 3( )C C . Assim, aplicando o teorema de Green para D1 e D2 separadamente, obtemos 1 3 1C C D Q P Pdx Qdy dA x y e 1 3 2( )C C D Q P Pdx Qdy dA x y Se somarmos essas duas equações, o integral curvilíneo sobre 3C e 3C se cancelam e obtemos 1 2C C D Q P Pdx Qdy dA x y , que é o teorema de Green para 1 2D D D . Exemplo 4 Calcule 2 3 C y dx xydy , onde C é a fronteira da região semi- anelar D contida no semiplano superior entre os círculos 2 2 1x y e 2 2 4x y C1 C2 D2 D1 3C C3 2 2 4x y 2 2 1x y y x 122 Lição no 14 Resolução: Note que, apesar de D não ser uma região simples, o eixo y divide-a em duas regiões simples.com ajuda das coordenadas polares, podemos escrever , :1 2, 0D r r .Portanto, pelo teorema de Green, 2 3 3 2 C D D D Q P y dx xydy dA y y dxdy ydxdy x y 22 2 3 2 0 1 0 1 0 1 3 r rsen rdr d r sen d sen d 0 8 1 3 3 sen d 0 7 7 7 14 cos cos cos 0 ( 1 1) 3 3 3 3 O teorema de Green pode ser aplicado para regiões com furos, ou seja, regiões que não são simplesmente conexas. Observa que a fronteira D na figura 1 é constituída por duas curvas fechadas simples C1 e C2. Vamos admitir que essas curvas fronteiras são orientadas de modo que a região D esteja a esquerda quando percorremos a curva C. Então a orientação positiva é anti-horário na curva externa C1 mas é horária na curva interna C2. Se dividirmos D em duas regiões D e D pela introdução de rectas como mostra a figura 2 e então aplicarmos o teorema de Green cada uma das regiões D e D , obtemos D D D Q P Q P Q P dA dA dA x y x y x y aD aD Pdx Qdy Pdx Qdy Como o integral sobre a fronteira comum sãoem sentidos opostos, elas se cancelam e obtemos, 1 2D C C C Q P dA Pdx Qdy Pdx Qdy Pdx Qdy x y , que é o teorema de Green para a região D. C1 C2 Figura 1 D Figura 2 D D Curso de licenciatura em Ensino Matemática 123 Terminada a lição, apresentamos em seguida uma actividade. Resolva-a. Calcule o trabalho realizado pela força 2 2( , ) ,F x y y x ao longo da circunferência 2 2 1x y entre os pontos 1,0 e 0,1 Chave de correcção Sol: 4 3 Terminamos a parte teórica desta aula, em seguida apresentamos os exercícios de auto - avaliação. Os exemplos apresentados são suficientes para que possa resolver os exercícios apresentados sem muitas dificuldades. Doravante, caso tenha dificuldades, aconselhamos a estudar novamente o texto e os exemplos apresentados. Se as dúvidas persistirem, contacte o seu tutor de especialidade. Sumário Nesta lição, você aprendeu o teorema de Green no plano onde se destaca que, seja C uma curva Plana simples, fechada, contínua por partes, orientada positivamente, e seja D a região delimitada por C. Se P e Q tem derivadas parciais de primeira ordem contínuas sobre uma região aberta que contenha D, então C D Q P Pdx Qdy dA x y Exercícios 1. Calcule os seguintes integrais, pelo teorema de Green 1.1) 2 3 C xy dx x dy , C é o triângulo com vértices (0,0) , (2,0) , (2,3) e (0,3) Actividade 124 Lição no 14 1.2 2 3 C xydx x y dy , C é o triângulo com vértices (0,0) (1,0) e (1,3) 1.3. 2y y C e dx xe dy C, é o quadrado de lados 0 , 1 , 0x x y e 1y 1.4. 22 cosx C y e dx x y dy C, é a fronteira da região delimitada pelas parábolas 2y x e 2x y 1.5. 3 3 C y dx x dy , C é o círculo 2 2 4x y 1.6. 3 5 C ydx xdy C, a elipse 5cosx t e 4y sent 1.7. cosx C e senydx ydy sendo C, o quadrado de vértices 1x e 1y 2. Use o teorema de Green para calcular . C F dr (Verifique a orientação da curva antes de usar o teorema de Green). 2.1. 3 2( , ) ,F x y x y x y , C consiste no arco da curva y senx de 0,0 a ,0 e do segmento de recta ,0 a 0,0 2.2. 2 2( , ) ,x yF x y e x y e xy , C é a circunferência 2 2 25x y , orientada no sentido horário. 3. Use o teorema de Green para calcular o trabalho realizado por uma força 2( , )F x y x x y i xy j ao mover uma particular da origem ao longo do eixo x até 1,0 , em seguida, ao longo de um segmento de recta até 0,1 , e então de volta à origem ao longo do eixo y . Chave de correcção EXERCÍCIO 1. 1.1 ) 6 1.2) 2 3 1.3) 1e 1.4) 1 3 1.5) 24 1.6) 160 1.7) 0 EXERCÍCIO 2: 2.1) 4 2 3 2.2) 625 2 EXERCÍCIO 3: 1 12 Curso de licenciatura em Ensino Matemática 125 Unidade IV Integrais de Superfícies Introdução Caro estudante, esta é a última unidade deste módulo. Nela, você vai aprender sobre os integrais de superfície, que tem relação com a área de superfície. Nesta unidade serão apresentados, para além, do cálculo de integrais de superfície, o teorema de divergência com destaque para a fórmula de Ostrogradsky Gauss e o teorema de Stoke. Esta unidade está dividida em 3 lições com uma carga de 12 Horas. Ao completar esta unidade, você será capaz de: Objectivos Calcular os integrais de superfície; Aplicar o teorema de divergência no cálculo de integrais; Aplicar o teorema de Stokes na resolução de exercícios sobre o cálculo de integrais; Aplicar as condições de independência de caminho no cálculo de integrais curvilíneos no espaço. 126 Lição no 15 Lição no 15 Integrais de Superfícies Introdução Nesta lição, você vai estudar o cálculo de integrais de superfícies. É uma lição que pode ser estudada em 4 horas, incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Definir integrais de superfícies; Calcular os integrais de superfície. Caro estudante, antes de debruçarmo-nos sobre o cálculo dos integrais de superfície vamos iniciar o nosso estudo, estudando as superfícies orientáveis. Acompanhe! Superfícies Orientáveis Uma superfície de 3 diz-se orientável quando é lisa e possui duas faces bem definidas. Nessas condições é possível obter, em cada ponto da superfície, um vector normal unitário n cuja variação é contínua sobre cada uma das faces, sendo o vector correspondente a uma dada face colinear e oposto ao vector normal correspondente à outra face no mesmo ponto. Escolhendo um destes dois vectores para definir a direcção positiva, a superfície diz-se então “orientada” e é possível atribuir um sentido do percurso a qualquer curva fechada situada sobre a superfície. Sentido positivo Curso de licenciatura em Ensino Matemática 127 Se em vez de lisa a superfície for seccionalmente lisa, não se pode determinar em toda a superfície um vector normal que sobre ela varie continuamente. Nesse caso, a superfície considera-se orientada se, escolhida a normal positiva numa das suas partes lisas, se escolhem as normais positivas nas outras partes de modo que ao longo das curvas que sejam fronteira comum de duas partes o sentido positivo de percurso em relação a uma parte seja contrário ao sentido positivo em relação à outra, como ilustra a figura abaixo. Cálculo do vector normal O vector unitário normal n é calculado por uma das formas a seguir indicadas, consoante a forma como a superfície está definida. Se a superfície for da dada na forma implícita ( , , ) 0F x y z , pode tomar- se n como sendo F n F ou seu oposto desde que 0F . Se a superfície for dada explicitamente por uma equação ( , )z f x y , então pondo ( , , ) ( , ) 0F x y z z f x y , o vector n pode determinar-se tal como no caso anterior. Se a superfície for dada na forma paramétrica mediante as equações ,x x u v ,y y u v e ,z z u v deve determinar-se primeiro a sua equação vectorial ( , ) , , ,r u v x u v i y u v j z u v k . Feito isso, o vector unitário normal à superfície é dado por r r u vn r r u v , visto que r u e r v são vectores tangentes à superfície num mesmo ponto e, o seu produto vectorial é um vector normal ao plano tangente à superfície nesse ponto. n n n 128 Lição no 15 Seja o ângulo entre o vector normal a uma superfície S num dado ponto , ,x y z e a parte positiva do eixo OZ. Se a equação de S for ( , , ) 0F x y z , a normal a S em , ,x y z é dada por F F F F i j k x y z e por consequência tem-se . cosF k F k ou seja . cos F F F i j k k F k x y z 22 2 .cos cos F F F F F F z z x y z visto que 1k , desta forma, 22 2 1 sec F F F x y z F n k z Sendo S uma superfície orientada com projecção D no plano xOy , consideremos uma partição S. Sejam iS um elemento genérico dessa partição, iA a sua projecção sobre o plano xOy e ( )iA S e ( )iA A às respectivas áreas. Se for i o ângulo entre a direcção positiva do eixo Oz e anormal a iS , ter-se-á aproximadamente ( ) cos ( )i i iA A A S de onde resulta cosdA dS , ou seja, cosdxdy dS . y k i i n z x Curso de licenciatura em Ensino Matemática 129 Se a superfície S for projectável sobreos outros planos coordenados, obtém- se de forma análoga, supondo que e são ângulos que a normal n faz com i e j , cosdydz dS e cosdxdz dS Integrais de Superfície Seja ( , , )f x y z uma função definida e contínua sobre a superfície lisa de duas faces S dada pela função ( , )z z x y , definida e com a primeira derivada contínua num dado domínio D com fronteira lisa do plano xOy . Decompondo D em rectângulos 1 2, , , nA A A e traçando pelos vértices de cada eixo Oz , as intersecções dessas paralelas com a superfície S determinam uma decomposição desta em 1 2, , , nS S S de áreas respectivamente 1 2( ), ( ) , ( )nA S A S A S . Escolhendo em cada elemento de superfície iS , 1, 2,3, ,i n , um ponto arbitrário ( , , )i i ix y z formemos a soma 1 ( , , ) ( ) n i i i i i f x y z A S . (1) Se quando n de modo que a área ( )iA S de cada elemento iS tende para zero, as somas assim formadas admitirem um limite, a esse limite chama-se o integral de superfície da função ( , , )f x y z sobre S e representa-se por, ( , , ) S f x y z ds . (2) x y iS iA D z 130 Lição no 15 Demonstra-se que se S é uma superfície lisa (ou seccionalmente lisa) e ( , , )f x y z é contínua sobre S, esse limite existe, facto que admitiremos sem demonstração. Como se i for o ângulo entre a normal a iS e a parte positiva OZ, é ( ) sec ( )i i iA S A A aproximadamente, a soma (1) pode escrever-se 1 ( , , ) sec ( ) n i i i i i i f x y z A A e portanto, na passagem ao limite vem ( , , ) sec ( , , ) sec D D f x y z dA f x y z dxdy (3), onde, 22 1 sec 1 z z x yn k . Portanto, se ( , )z z x y possuir as primeiras derivadas parciais contínuas em D, o integral de superfície (2) pode transformar-se num integral duplo sobre D através da fórmula ( , , ) ( , , ( , ) S D dxdy f x y z ds f x y z x y n k . (4) Se a superfície S for dada na forma ( , , ) 0F x y z , então, 22 2 1 sec F F F x y z F n k z . Desta forma, 22 2 ( , , ) ( , , ( , ) ( , , ) S D D F F F x y zdxdy f x y z ds f x y z x y f x y z dxdy Fn k z Nota: os resultados anteriores são válidos apenas quando a superfície S é uma superfície que é intersectada num único ponto por qualquer recta paralela ao eixo OZ. Se não for esse o caso (como acontece quando S é uma superfície fechada como por exemplo, uma esfera ou um cubo) então S deverá ser decomposta em partes que estejam nessas condições. Se isso for possível, então o integral de superfície sobre S define-se como soma dos integrais de superfície dessas partes. Caro estudante, na dedução dos resultados anteriores, admitiu-se também que a superfície S se projectou numa região D do plano xOy , mas é claro que se S se projectar numa região D do plano xOz ou numa região D do plano yOz a fórmula (4) se converte em: Curso de licenciatura em Ensino Matemática 131 ( , , ) ( , , ( , ) S D dxdz f x y z ds f x y z x y n j ( , , ) ( , , ( , ) S D dydz f x y z ds f x y z x y n i Em seguida, vamos apresentar alguns exemplos. Acompanhe caríssimo estudante! Exemplo1 Sendo S a superfície da parte da esfera 2 2 2 4x y z situada acima do plano xOy , calcular 2 2 S y z ds Resolução A projecção de S sobre o plano xOy é o círculo 2 2 4x y . Assim, 2 2 2( , , ) 4F x y z x y z pois 2 2 2 4x y z 2 2 2 2( ) F F F F i j k xi yj zk xi yj zk x y z 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2( ) 2( ) 22 2 2 F xi yj zk xi yj zk xi yj zk n F x y z x y zx y z 2 2 2 2 2 2 4 2 xi yj zk z z n k k x y z x y z porque . 0 , . 0i k j k e 1k k 2 2 2 2 2 2 2 24 2 4 S D D dxdy dxdy y z ds y x y y x y zn k y x z y x 2 2 2 2 132 Lição no 15 2 2 2 2 2 2 2 2 0 0 4 cos 2 4 2 4 4D dxdy r x rdrd x y r 2 2 3 2 2 2 0 0 4 cos 2 4 4 rdr r r r 2 2 22 2 2 20 0 0 cos 2 2 4 4 r r r dr d r 2 2 2 2 2 0 0 cos 2 4 4 r r dr d r Vamos em separado calcular 2 2 2 2 0 cos 4 r r dr r pelo método de integração por partes Seja: 2 2u r du rdr 2 2 2 2 cos 1 cos 4 24 r dv dr v r r Desta forma, 2 2 2 2 0 cos 4 r r dr r 2 2 2 2 2 2 2 0 0 1 1 os 4 .2cos 4 2 2 r c r r r dr 23 2 2 2 0 1 2 . cos 4 2 3 r 28 cos 3 . Voltando aos cálculos anteriores vem 2 2 2 2 2 0 0 cos 2 4 4 r r dr d r = 2 2 0 8 16 cos 3 d 2 0 8 16 1 cos 2 3 d 2 2 0 0 8 1 16 64 16 2 16 3 4 3 3 u sen Curso de licenciatura em Ensino Matemática 133 Exemplo2 Calcular o integral 2 S x zds onde S é a porção do cone 2 2 2z x y que está entre os planos 1z e 4z Resolução Se 2 2 2z x y então 2 2z x y 1º ) vamos calcular as derivadas parciais: 2 2 z x x x y e 2 2 z y y x y 2º ) Calculemos o integral pedido. 22 2 2 2 2 1 S D z z x zds x x y dxdy x y 2 2 2 2 2 2 2 2 2 1 D x y x x y dxdy x y x y 2 2 2 2 2 2 2 2 2 1 D x y x x y dxdy x y x y 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 1 2 D D x y x x y dxdy x x y dxdy x y x y x 4 1 y z 4 1 x y Domínio S 134 Lição no 15 42 4 2 4 2 2 2 4 2 2 5 0 0 0 0 0 0 2 2 cos . . 2 cos . cos 5 r r rdrd r drd r d 22 00 1023 2 1 1023 2 1 1023 2 1 cos 2 2 5 2 10 2 5 d sen Caro estudante, a lição já vai muito longa, pelo que aconselhamos um descanso de cerca de trinta minutos. Contudo, temos, em seguida, a seguinte actividade a ser resolvida. 1. 2 2 S x z y z dS , onde S é o hemisfério 2 2 2 4x y z , 0z Chave de correcção Sol: 16 Continuação da lição A seguir vamos apresentar o cálculo de integrais de superfície de campos vectoriais. Integrais de Superfície em Campos Vectoriais Suponhamos que S seja uma superfície orientada com vector normal n , e imagine fluido de densidade , ,x y z e campo de velocidade ( , , )v x y z , fluindo através de S. ( pense caro estudante, em S sendo uma superfície imaginária que não impeça a passagem do líquido, como uma rede de pesca em uma rede corrente de água). Então a taxa de vazão (massa por unidade de tempo) por unidade de área é v . Se dividirmos S em pequenos retalhos i jS , como mostra a figura abaixo então i jS é aproximadamente plana, de modo que podemos aproximar a massa de fluido que passa por i jS na direcção da normal n por unidade de tempo pela quantidade . i jv n A S , onde , v e n são calculados em algum ponto de i jS . Somando essas quantidades e tomando o limite, obtemos o integral de superfície da função .v n sobre S: Actividade Curso de licenciatura em Ensino Matemática 135 . , , ( , , ) ( , , ) S S v ndS x y z v x y z n x y z dS (1) E é interpretado fisicamente como taxa de vazão através de S.Se escrevermos F v , então F é também um campo vectorial de 3 e o integral da equação (1) fica . S F ndS Definição: Se F for um campo vectorial contínuo definido sobre a superfície orientada S com vector normal n, então o integral de superfícies de F sobre S é . S S FdS F ndS . Este integral é também chamado fluxo de F através de S. Gráficos: No caso da superfície S ser dada por um gráfico ( , )z g x y , podemos determinar n notando que S também é a superfície de nível ( , , ) ( , ) 0f x y z z g x y . Sabemos que o gradiente ( , , )f x y z é normal a essa superfície em , ,x y z e assim versor normal é 22 ( , , ) ( , , ) 1 g g i j k f x y z x y n f x y z g g x y Como a componente direcção k é positivo, o versor normal aponta para cima. Se usarmos a fórmula (4) para calcular S FdS , com, ( , , ) ( , , ) ( , , ) ( , , )F x y z P x y z i Q x y z j R x y z k obteremos : . S S FdS F ndS 22 22 1 1 D g g i j k g gx y Pi Qj Rk dA x yg g x y Ou simplesmente, S D g g FdS P Q R dA x y 136 Lição no 15 Nota: Para um vector apontado para baixo, multiplicamos por 1 . Fórmulas semelhantes podem ser obtidas se for dada por ( , )y h x z ou ( , )x h y z . Acompanhe o seguinte exemplo caro estudante. Exemplo3 Calcular S FdS , onde ( , , )F x y z yi xj zk e S é a fronteira da região S contida pelo parabolóide 2 21z x y e pelo plano 0z Resolução A superfície S é constituída pela superfície parabólica do tipo 1S e pela superfície circular do fundo 2S Como S é uma superfície fechada, usamos a convenção de orientação positiva (para fora). Isso significa que 1S é orientada para cima. O domínio da projecção de 1S sobre o plano xy é o circulo 2 2 1x y . Desta forma, Sobre 1S : ( , , )P x y z x , ( , , )Q x y z y , 2 2( , , ) 1R x y z z x y 2 g x x e 2 g y y . Assim, 1 2 22 2 1 S D D g g FdS P Q R dA y x x y x y dA x y 2 1 2 2 2 2 0 0 1 4 1 4 cos D xy x y dA r sen r rdrd y x z y x 1 1 1 12 2S 1S Curso de licenciatura em Ensino Matemática 137 12 1 2 2 4 3 3 4 0 0 0 0 4 cos cos 2 4 r r r r r sen drd r sen d 2 0 1 1 cos 2 0 4 4 2 sen d O círculo 2S é orientado para baixo, então vector (versor) normal é n k e temos por conseguinte: 2 2 . . 0 0 S S D D D FdS F k dS yi xj zk k dA z dA dA uma vez que 0z sobre 2S . Finalmente, calculamos S FdS como soma das integrais de superfície F sobre 1S e 2S : 1 2 0 2 2 S S S FdS FdS FdS Sumário Nesta lição, você aprendeu sobre os integrais de superfícies sendo que, para xy 22 2 ( , , ) ( , , ( , ) ( , , ) S D D F F F x y zdxdy f x y z ds f x y z x y f x y z dxdy Fn k z Para xz: ( , , ) ( , , ( , ) S D dxdz f x y z ds f x y z x y n j Para yz: ( , , ) ( , , ( , ) S D dydz f x y z ds f x y z x y n i Para campos vectoriais: . S S FdS F ndS 138 Lição no 15 Exercícios. Terminada a parte teórica, vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades, volte a estudar a lição e os exemplos apresentados. 1 9 . Calcular os seguintes integrais de superfície: 1. 2 S x zdS onde S é a superfície cilíndrica 2 2 1x y , 0 1z 2. 2 2 S x y dS onde S é a superfície esférica 2 2 2 1x y z 3. S xdS onde S é a parte da superfície do parabolóide 2 2 1x y z situada acima do plano xOy . 4. 2 S z dS onde S é a superfície esférica 2 2 2 1x y z 5. 2 S x yzdS , onde S é a parte do plano 1 2 3z x y que está acima do rectângulo 0,3 0,2 6. S yzdS , onde S é a parte do plano 1x y z que está no primeiro octante. 7. 2 2 S x z dS , onde S é a parte do cone 2 2 2z x y que está entre os planos 1z e 3z 8. S ydS , onde S é a parte do parabolóide 2 2y x z que está no interior 2 2 4x z . 9 11 . Calcular o integral S FdS para o campo vectorial F e superfície orientada S. em outras palavras, determine o fluxo de F através de S. Para superfícies fechadas, use a orientação positiva ( para fora). 9. ( , , )F x y z xy i yz j zx k , S é a parte do parabolóide 2 24z x y que está acima do quadrado 0 1x , 0 1y , com orientação para cima. 10. ( , , ) y yF x y z xze i xze j z k , S é a parte do plano 1x y z no primeiro octante, com orientação para baixo. 11. ( , , )F x y z x i z j y k , S parte da esfera 2 2 2 4x y z no primeiro octante com orientação para origem. Curso de licenciatura em Ensino Matemática 139 Chave de correcção 1: 2 2: 8 3 3: 37 10 4: 4 3 5: 171 14 6: 3 24 7: 364 2 3 8: 391 17 1 60 9: 713 180 10: 1 6 11: 4 3 140 Lição no 16 Lição no 16 Teorema de divergência ou Fórmula de Ostrogradsky- Gauss Introdução Nesta lição, você vai estudar o teorema de divergência que, em algumas vezes, é chamado teorema de Ostrogradsky- Gauss. È um teorema usado essencialmente para transformar os integrais de superfície em integrais triplos. A aula pode ser estudada em três horas incluindo a resolução de exercícios. Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Enunciar e demonstrar o teorema de divergência; Calcular os integrais de superfície pelo teorema de divergência. Caro estudante, vamos a mais uma lição e, desta vez, sobre o teorema de divergência. Como já foi referenciado na introdução, este teorema tem na essência, a transformação dos integrais de superfície em integrais triplos. Continue a acompanhar! Teorema de divergência. Fórmula de Ostrogradsky-Gauss. Seja E uma região sólida simples e seja S a superfície fronteira de E, orientada positivamente (para fora). Seja F um campo vectorial cujas funções componentes têm derivadas parciais contínuas em uma região aberta que contenha E. então S E FdS divFdV . (1) Demonstração: Seja F P i Q j R k . Então P Q R divF x y z logo, Curso de licenciatura em Ensino Matemática 141 E divFdV E P Q R dV x y z E E E P Q R dV dV dV x y z Se n é o vector normal que sai de S, então o integral de superfície do lado esquerdo, o teorema de divergência é . S S S FdS F ndS P i Q j R k ndS S S S P i ndS Q j ndS R k n dS . Portanto, para provar o teorema de divergência é suficiente provar que S E P P i ndS dV x (2) S E Q Q j ndS dV y (3) S E R R k n dS dV z (4) Para provar a equação (4), usamos o facto de que E é uma região do tipo I: 1 2, , : ( , ) , ( , ) ( , )E x y z x y D u x y z u x y , onde D é a projecção de E sobre o plano xy , assim temos 2 1 ( , ) ( , ) , ,u x y E D u x y R x y zR dV dz dA z z (e pelo teorema fundamental de cálculo, ) 2 1, , ( , ) , , ( , ) D R x y u x y R x y u x y dA (5) A superfície fronteira S é formada por três peças: a superfície do fundo 1S , a superfície do topo 2S e possivelmente a superfície vertical 3S que está acima da curva fronteira de D. (veja a figura abaixo. Pode acontecer que 3S não exista, como no caso da esfera.) Note que sobre 3S temos 0k n , porque k é vertical e n é horizontal, e assim, 3 3 0 0 S S R k n dS dS . Logo, não interessando a existência de uma superfície vertical, podemos escrever 1 2S S S R k n dS R k n dS R k n dS (6) 142 Lição no 16 A equação de 2S é 2 ( , )z u x y , ( , )x y D , e o vector normal que sai de n aponta para cima. Substituindo F por R k em 2 . S F ndS vem, 2 2 2. , , ( , ) S S D F ndS R k n dS R x y u x y dA . Sobre 1S temos 1( , )z u x y , aqui, a normal é apontada para baixo, e então multiplicando por 1 1 1 1. , , ( , ) S S D F ndS R k n dS R x y u x y dA . Portanto, a equação (6) resulta em, 2 1, , ( , ) , , ( , ) S D R k n dS R x y u x y R x y u x y dA . Comparando com a equação (5) S E R R k n dS dV z . As equações (2) e (3) são provadas de modo análogo usando as expressões para E como uma região do tipo 2 ou do tipo 3. Actividade: Demonstrar as equações (2) e (3) E D 1 1( ( , ))S z h x y 2 2( ( , ))S z u x y x y z 3s Curso de licenciatura em Ensino Matemática 143 Exemplo3 Determine o fluxo do campo vectorial ( , , )F x y z z i y j x k sobre a esfera unitária 2 2 2 1x y z . Resolução 1ª vamos calcular a divergência de F 31 2 ( ) ( ) ( ) 1 FF F divF z y x x y z x y z A esfera unitária S é a fronteira da bola unitária B dada por 2 2 2 1x y z . Então, o teorema de divergência dá o fluxo como 12 1́ 2 23 2 0 0 0 0 0 0 00 1 cos 3 3 T V dV sen d d d sen d d d 2 2 0 0 1 2 4 cos cos 0 3 3 3 d d Exemplo4 Calcular S FdS , onde 22( , , ) ( )xzF x y z xy i y e j sen xy k e S é a superfície da região limitada pelo cilindro parabólico 21z x e pelos planos 0z , 0y e 2y z Resolução Este integral caro estudante, deve ser muito difícil calcular directamente, pois teríamos quatro integrais de superfícies correspondentes às quatro parte de S. Contudo, a divergência de F é muito menos complicada que a própria função F. pelo que: (1,0,0) y x z 2y z 0y (0,2,0) (0,0,1) 21z x 144 Lição no 16 2231 2 ( ) ( ) ( ) 2 3xz FF F divF xy y e senxy y y y x y z x y z Portanto, usamos o teorema de divergência para transformar o integral da superfície dada em um integral triplo. O integral triplo é escrever E como uma região do tipo 3. 2, , : 1 1, 0 1 , 0 2E x y z x z x y z Assim temos 2 2 21 1 2 1 1 1 0 0 1 0 2 3 3 0 3 0 2 x z x S B B z Fds divFdv ydv dydzdx dzdx 2131 1 1 32 6 4 2 1 1 1 0 23 1 1 1 8 3 3 7 2 3 2 2 x z dx x dx x x x dx 17 5 3 1 1 3 1 1 3 1 3 7 6 6 2 7 5 2 7 5 7 5 x x x x 1 2 6 12 2 7 5 1 10 42 420 1 472 236 2 35 35 35 2 35 35 Sumário Nesta lição, você aprendeu o teorema de divergência que diz: Seja E uma região sólida simples e seja S a superfície fronteira de E, orientada positivamente (para fora). Seja F um campo vectorial cujas funções componentes têm derivadas parciais contínuas em uma região aberta que contenha E. então S E FdS divFdV Exercícios. Terminada a parte teórica vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades, volta a estudar a lição e os exemplos apresentados. Use o teorema de divergência para calcular os integrais: Use o teorema de divergência para calcular o integral S Fds ; ou seja, calcule o fluxo F através de S. Curso de licenciatura em Ensino Matemática 145 1. 2( , , ) cosx xF x y z e seny i e y j yz k , S é a superfície da caixa delimitada pelos planos 0x , 1x , 0y , 1y , 0z , e 2z . 2. 2 3( , , ) 3 zF x y z xy i xe j z k , S superfície do sólido limitado pelo cilindro 2 2 1y z e pelos planos 1x e 2x 3. 2 2( , , ) cos zF x y z z xy i xe j seny x z k S superfície do sólido limitado pelo parabolóide 2 2z x y e 4z 4. 3 3 4( , , ) 4 4 3F x y z x z i y z j z k , S é a esfera com centro na origem e raio R Use o teorema de divergência para calcular os integrais: 5. 2 2 2 S x dydz y dzdx z dxdy S a parte exterior da superfície do cubo 0 1 , 0 1 , 0 1x y z Chave de correcção EXERCÍCIO 1: 2 EXERCÍCIO 2: 2 9 2 EXERCÍCIO 3: 2 32 3 EXERCÍCIO 4: 0 EXERCÍCIO 5: 0 146 Lição no 17 Lição no 17 Teorema de Stokes Introdução Nesta lição, você vai estudar o teorema de Stokes, que pode ser visto como uma versão maior do teorema de Green. Enquanto o teorema de Green relaciona um integral duplo sobre uma região D com um integral curvilíneo ao redor de sua fronteira plana, o teorema de Stokes relaciona um integral de superfície sobre uma superfície S com integral ao redor da curva S (que é uma curva do espaço). A aula pode ser estudada em 4 horas incluindo a resolução de exercícios Ao completar a lição, você será capaz de: Objectivos Enunciar o teorema de Stokes; Demonstrar o teorema de Stokes; Calcular os integrais de superfície aplicando o teorema de Stokes. Caro estudante, acompanhe, em seguida, o enunciado e a demonstração do teorema de Stokes. Teorema de Stokes Relacionadas com as coordenadas rectangulares ,x y pelas equações: Seja S uma superfície orientada, lisa por partes, cuja fronteira é formada por uma curva C simples, fechada, lisa por partes, com orientação positiva Seja F um campo vectorial cujos componentes tem derivadas parciais contínuas na região aberta de 3 que contém S. Então . C S F dr rotF ds . Como . C C F dr F Tds e S S rotF ds rotF nds , o teorema de Stokes nos diz que o integral ao redor de uma curva fronteira de S da componente Curso de licenciatura em Ensino Matemática 147 tangencial de F é igual ao integral de superfície da componente normal do rotacional de F. A curva fronteira orientada positivamente da superfície orientada S é com frequência denotada por s , de modo que o teorema de Stokes possa ser escrito como, S s rotF ds F dr (1) Existe uma analogia entre o teorema de Stokes, o teorema de Green e o teorema fundamental do cálculo. Como anteriormente, existe um integral envolvendo a derivadas do lado esquerdo da equação (1) (lembre-se que o rotacional de F é uma espécie de derivadas) e do lado direito, envolvendo valores de F, calculados somente na fronteira de S. De facto, no caso especial em que a superfície S é plana e pertence ao plano ( , )x y com orientação para cima, o versor normal é k , o integral de superfície se transforma em um integral duplo, e o teorema de Stokes fica . C S S F dr rotF ds rotF kdA . Caro estudante, apesar de o teorema de Stokes ser muitodifícil de provar no caso geral, podemos fazer uma prova quando S for um gráfico e F, S e C forem bem comportados( regulares). Demonstração: (Caso especial do Teorema de Stokes) Admitiremos que a equação de S seja ( , )z g x y , ( , )x y D , onde g tem derivadas parciais de segunda ordem contínuas, e que D seja uma região plana simples cuja fronteira 1C corresponde a C. Se a orientação de S for para cima, então a orientação positiva de C corresponde à orientação positiva de C1 ( veja a figura ). É nos dado que F P i Q j R k , onde as derivadas parciais de P , Q e R são contínuas. S D Y X Z n 148 Lição no 17 Como S é um gráfico de uma função, podemos aplicar . C D z z F dr P Q R dA x y (veja a lição 13 sobre os integrais de superfície) com F substituído por rotF . O resultado é, Sabe-se que i j k Q R P QP R rotF P Q R i j k y z x yx z x y z Q R P R P Q i j k z y z x y x R Q P R Q P i j k y z z x x y . Assim, S rotF ds D R Q z P R Q P j dA y z x z x x y , onde as derivadas parciais de P , Q e R são calculadas em x,y,g(x,y) . Se ( ) , ( )x x t y y t , a t b é representação paramétrica de 1C , então a representação paramétrica de C é ( ) , ( ) , ( ), ( ) ,x x t y y t z g x t y t a t b . Isso permite, com ajuda da regra de cadeia, calcular o integral curvilíneo como se segue: . b b C a a dx dy dz dx dy z dx z dy F dr P Q R dt P Q R dt dt dt dt dt dt x dt y dt 1 b a C z dx z dy z z P R Q R dt P R dx Q R dy x dt y dt x y Neste último passo aplicando o teorema de Green Vem, D z z Q R P R dA x y y x Aplicando novamente a regra de cadeia e lembrando que P , Q e R são funções de ,x y e z e que z é, por sua vez, função de x e y , obtemos . C F dr Curso de licenciatura em Ensino Matemática 149 2 2 D Q Q z R z R z z z P P z R z R z z z R R dA x z x x y z x y y x y z y y x z y x y x Quatro termos deste integral são simétricos pelo que se anulam. Assim D Q Q z R z P P z R z dA x z x x y y z y y x D S z Q R z R P Q P dA rotF ds x z y y x z x y , c.q.d. Em seguida apresentamos um exemplo da aplicação do teorema de Stokes. Continue acompanhando! Exemplo1 Calcular . C F dr , onde 2 2( , , )F x y z y i x j z k e K e C é a curva da intersecção do plano 2y z com o cilindro 2 2 1x y . (Oriente C de modo a ter um sentido positivo). Solução: A curva C (elipse) está mostrada na figura. Apesar de . C F dr poder ser calculada directamente, é mais simples usar o teorema de Stokes. Vamos inicialmente calcular 2 22 2 2 2 i j k y z x yrot F i j kx z x y z y zx z y x y x z 0 0 1 2i j y k 1 2y k . X Y Z S D 2y z C 150 Lição no 17 Apesar de haver muitas superfícies com fronteira C, a escolha mais conveniente é a região elíptica S no plano 2y z cuja fronteira é C. Se orientarmos S para cima , então a orientação induzida em C será positiva. A projecção D sobre o plano xy é o disco 2 2 1x y . Assim com ( , ) 2z g x y y temos: 2 1 0 0 . 1 2 1 2 C S D F dr rot F dS y dA rsen rdrd 12 22 3 0 00 2 1 2 2 3 2 3 r r sen d sen d 2 0 1 2 2 cos 0 2 3 Antes de resolver os exercícios desta ultima lição, resolva a seguinte actividade: Use o teorema de Stokes para calcular . S F dr . Em cada caso, C é orientado no sentido anti-horário quando visto de cima. Se , , 2 xyF x y z yz i xz j e k , C é circunferência 2 2 16x y , 5z Chave de correcção: 80 Caro estudante, terminamos o estudo do nosso módulo. Sumário Nesta lição, você aprendeu o teorema de Stokes: Seja S uma superfície orientada, lisa por partes, cuja fronteira é formada por uma curva C simples, fechada, lisa por partes, com orientação positiva. Seja F um campo vectorial cujos componentes tem derivadas parciais contínuas na região aberta de 3 que contém S. Então . C S F dr rotF ds . Exercícios. Terminada a parte teórica, vamos apresentar os exercícios de auto-avaliação, resolva-os. Em caso de dificuldades volta a estudar a rever a lição e os exemplos apresentados. Use o teorema de Stokes para calcular os integrais 1. 2 2 2 22 2 2 C xy zdx x yzdy x y z dz Sendo C a curva cos 0 2x t y sent z sent t Curso de licenciatura em Ensino Matemática 151 2. 2 C y dx x y dy x y z dz Sendo C a curva , cos , cos ,0 2x sent y t z sent t t 3. C xdx xzdy xydz Sendo C o contorno do triângulo de vértices 2,0,0 , 0,2,0 e 0,0,2 Use o teorema de Stokes para calcular . S rotF dS 4. 2 2 2, , yz xz xyF x y z x e i y e j z e k , S é o hemisfério 2 2 2 4x y z , 0z , com orientação para cima 5. 2, ,F x y z xyz i xy j x yz k S é formada pelo topo e pelos quatros lados (mas não pelo fundo) do cubo com vértices 1, 1, 1 , com orientação para fora. Use o teorema de Stokes para calcular . S F dr . Em cada caso, C é orientado no sentido anti-horário quando visto de cima. 6. 2 2 2, ,F x y z x y i y z j z x k , C é o triângulo com vértices 1,0,0 , 0,1,0 e 0,0,1 Chave de correcção 1: 0 2: 3: 8 4: 0 5: 0 6 : 1 Caro estudante, terminamos o estudo do nosso módulo, esperamos que tenha sido um sucesso. O Autor. 152 Referências Bibliográficas Referências Bibliográficas 1. BEIRÃO, C. Análise Matemática. Cálculo Diferencial em R(n). ISP, Maputo, 1992. 2. DEMIDOVITCH, B. Problemas e Exercícios de Análise Matemática,. 4ª Edição, Editora MIR, Moscovo,1977. 3. . Editora McGraw-Hill do Brasil, São Paulo, 1991. 4. GONÇALVES, M. & FLEMIMING, D. Cálculo B, Funções de Várias Variáveis Integrais Duplas e Triplas. São Paulo: Markon Books, 1999. 5. PISKOUNOV, N. Cálculo Diferencial e integral. Volume II, Moscovo,1979. 6. STEWART, J. Cálculo Volume II. 5ª edição, São Paulo,2006.