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Psicologia- Emoções

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corporais e a avaliação deliberada da sua relação ao evento emocional introduziu um delay temporal que contradiz o a noção de que as emoções ocorrem muito rapidamente.
Terceiro, e talvez o mais importante, investigadores têm ignorado o problema de como as mudanças corporais ocorrem em primeiro lugar. Tanto a teoria de James-Lange quanto a teoria de Schachter-Singer estipularam que a perceção de um estímulo emocional desencadeava reações corporais.
Pensamentos que criam excitação corporal:
A psicóloga Magda Arnold escreveu um manifesto intitulado de “Emoção e Personalidade” , onde descreveu uma teoria da emoção que passou a ser uma “tendência”. Esta teoria não era inteiramente sua, já tinha sido antecipada por Aristóteles, que declarou que o pensamento seria um precedente para as emoções.
A teoria de Arnold foi construída na noção de que as emoções, tal como os preceitos sensoriais, têm um objeto. Se nos sentimos felizes, existe algo sobre o qual estamos felizes. Se nos sentimos tristes, é porque perdemos algo valioso. Assim, Arnold pensou que a fonte primária das emoções deveria ser a avaliação do objeto que o provocou.
Primeiro, ela argumentou que devemos acreditar em algo que é verdade. Por exemplo, a crença de que um amigo nosso, que já não vemos há anos, nos venha visitar. Segundo, Arnold postulou que devemos avaliar se e como é que o objeto da crença ou da emoção nos pode afetar ou aos nosso objetivos. Esta avaliação ocorre em três dimensões:
· Valência: onde localizamos o objeto da emoção como sendo positivo ou negativo;
· Existência: onde localizamos o objeto da emoção como estando ou não presente;
· Coping: onde avaliamos se conseguimos lidar com o objeto da emoção, ou seja, se é ou não evitável.
Arnold referiu que as cognições que precedem as emoções (i.e. as avaliações de um objeto da emoção e o seu impacto em nós) como avaliações (appraisals), e utilizou-os para explicar as várias emoções que sentimos e o porquê de os humanos diferirem tanto nas emoções. Apesar destes appraisals serem de natureza cognitiva, Arnold não afirmou que estavam restritos aos humanos ou de que eles tinham de estar conscientes. De facto, ela disse que os appraisals imediatos e intuitivos eram mais importantes que os appraisals deliberados e refletidos.
De acordo com Arnold, todas as emoções são baseadas nos appraisals automáticos, e os appraisals controlados podem contribuir para algumas emoções, moderando os appraisals automáticos.
Lazarus também conduziu uma série de estudos que o levaram a desenvolver a sua própria teoria dos appraisals. Uma das diferenças entre a sua teoria e a teoria de Arnold está relacionada com o papel dos appraisals automáticos e controlados. Arnold enfatizou que os appraisals podem e ocorrem automaticamente, e não necessitamos de reflexão consciente para representar um evento e a sua importância para nós. Lazarus acreditava que isto era impossível e que qualquer tipo de sentimentos necessitavam de esforço de pensamento.
Desafiando o pensamento:
Um exemplo do crescente desprezo pela teoria dos appraisals é Robert Zajonc. Ele acreditava que muito do nosso comportamento é influenciado por processos mentais que não estão sujeitos a consciência, provando isto através de uma experiência (experiência dos octágonos).
Os resultados da sua experiência sugeriram que os humanos são capazes de fazer discriminações afetivas sem a participação extensiva do sistema cognitivo. 
Lazarus critucou Zajonc por falhar na definição de emoção e rejeitou que as preferências expressadas por “gostos” possam ser vistas como emoções. Por outras palavras, faltam algumas dimensões dos appraisals sugeridos por Magda Arnold como sendo pré-condições para as emoções. Lazarus contra-atacou o criticismo de Zajonc de que não existia evidência de que a cognição e necessária para uma emoção, com a observação de que também não existe evidência do contrário.
Zajonc e outros teóricos assumiram uma clara divisão entre as emoções e a cognição. Lazarus e outros teóricos veem a cognição e a emoção como estando intimamente ligados.
Bases para a pesquisa emocional:
Neurotransmissores:
Os neurotransmissores libertados no curso de um potencial de ação podem ter um efeito inibitório ou excitatório no neurónio pós-sináptico. Isto vai depender da composição química do neurotransmissor e dos recetores aos quais se ligam. 
O glutamato é um neurotransmissor excitatório que exerce o seu efeito ao se ligar ao seu recetor no terminal pós-sináptico. Este processo aumenta o potencial de membrana do neurónio pós-sináptico e, assim, a probabilidade deste neurónio responder com um potencial de ação. 
O GABA é um neurotransmissor inibidor que atua quando se liga ao seu recetor. A sua ligação diminui o potencial de membrana do neurónio pós-sináptico e, assim, a sua probabilidade de responder com um potencial de ação.
Juntos, o glutamato e o GAB têm efeitos antagónicos na atividade cerebral e desempenham um papel importante na regulação dos estados excitatórios e inibitórios, como o medo ou a tristeza. Por exemplo, medicamentos que têm atividade GABAérgica são normalmente prescritos quando o medo ordinário se torna em ansiedade.
Sistema nervoso central:
O sistema nervoso central (espinal medula e cérebro), como o nome indica, é a parte do sistema nervoso que se responsabiliza pelo processamento. Tem uma série de neurónios e de células da glia que estão organizadas em formações de tecidos. Estas células recebem informação distribuída dos órgãos sensoriais e do restante corpo, integram esta informação e emitem informações de novo para a periferia.
· Espinal medula
Projeta a informação do cérebro para alguns eferentes ou sistemas de execução, como os músculos e os órgãos internos.
· Cérebro
O cérebro é composto pelo tronco cerebral, diencéfalo, telencéfalo e cerebelo.
O tronco cerebral liga-se ao último segmento espinal. Além de simplesmente transmitir informações, o tronco cerebral também compreende tecido envolvido no processamento de sinais e na emissão de respostas corporais.
O diencéfalo está entre o tronco cerebral e o telencéfalo e compreende o tálamo e o hipotálamo. O tálamo é uma importante porta de entrada sensorial. Com exceção do olfato, todos os outros sentidos projetam para o telencéfalo através do tálamo. O hipotálamo é outra estrutura importante, pois regula os processos básicos relacionados com a ingestão de comida e água, atração sexual, comportamentos de consumação sexual e também têm um papel no stress.
O telencéfalo é a maior parte do cérebro, e onde podemos encontrar os diferentes lobos do mesmo. Dobrando-se ao redor do cérebro existem múltiplas camadas que contêm somas e dendrites neuronais que têm o nome de córtex: parietal, temporal, occipital e temporal. No entanto, ao olhar do microscópio, o córtex revela mais uma diferenciação. Diferem em várias partes da sua citoarquitetura, ou seja, a sua composição celular e camadas variam. Para além disso, existem várias diferenças regionais em cada camada, diferindo assim a densidade das mesmas. As subdivisões corticais identificadas por Brodmann diferem funcionalmente e estruturalmente.
Apesar de alguns processos mentais, como aqueles associados com os sentidos, poderem estar perfeitamente fixados a certas partes do cérebro, isto não funciona assim para funções de ordem superior, como a atenção e as emoções. Porque as últimas funções tipicamente envolvem uma série de subfunções e processos, não estão localizados e apenas uma região do cérebro, mas sim em múltiplas.
Por muito tempo, o cerebelo foi considerado um dos principais contribuintes para o funcionamento motor. No entanto, descobertas indicam que o cerebelo também contribuí para uma série de fenómenos cognitivos e emocionais.
Sistema nervoso periférico:
Células nervosas fora do sistema nervoso central, ou seja, que não fazem parte do cérebro ou da espinal medula, são considerados parte do sistema nervoso periférico. Estas células nervosas estão na pele, músculos e outros tecidos orgânicos, onde podem recolher informação para