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Aula 3 - 
Confidencialidade 
e Privacidade 
Disciplina: Ética e profissionalismo em Nutrição 
Prof. Wellington Rodrigues 
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KWL 
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Confidencialidade 
 É a garantia do resguardo das informações dadas em confiança e a 
proteção contra a sua revelação não autorizada. 
 Ocorre na troca de informações feita diretamente com o paciente. 
 Tem por objetivo maior a preservação da intimidade da pessoa, a 
preservação dos segredos revelados em confiança. 
 Juramento de Hipócrates (430 anos a.C): é a origem para a ética dos 
profissionais de saúde. 
“Qualquer coisa que eu veja ou ouça, profissional ou 
privadamente, que deva não ser divulgada, eu conservarei em 
segredo e contarei a ninguém". 
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Confidencialidade 
 Confidencialidade tem origem na palavra confiança: base para um bom 
vínculo terapêutico. 
 Se aplica a todas as faixas etárias. 
 Crianças e adolescentes têm, como um adulto, o mesmo direito de 
preservação de suas informações pessoais, de acordo com a sua 
capacidade, mesmo em relação a seus pais ou responsáveis. 
 Pacientes idosos: especial atenção deve ser dada à revelação de 
informação aos familiares e, especialmente, aos cuidadores  deverão 
receber apenas as informações necessárias ao desempenho de suas 
atividades. 
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Confidencialidade 
Quebra de confidencialidade: ação de revelar ou deixar revelar informações 
fornecidas pessoalmente em confiança. 
 Somente é eticamente admitida quando: 
 Um sério dano físico, a uma pessoa identificável e específica, tiver alta 
probabilidade de ocorrência; 
 Um benefício real resultar desta quebra de confidencialidade; 
 For o último recurso, após ter sido utilizada persuasão ou outras 
abordagens; 
 Este procedimento deve ser generalizável, sendo novamente utilizado 
em outra situação com as mesmas características, independentemente 
de quem seja a pessoa envolvida. 
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Privacidade 
 É a limitação do acesso às informações de uma dada pessoa, ao 
acesso à própria pessoa, à sua intimidade, anonimato, segredos, 
afastamento ou solidão. 
 É a liberdade que o paciente tem de não ser observado sem 
autorização. 
 Artigo XII Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948): 
estabelecia o direito à não interferência na vida privada pessoal ou 
familiar. 
 Preservação da privacidade dos pacientes é a característica que mais 
interessa a todos os funcionários que atuam na área administrativa, 
incluindo a informática. 
 A privacidade é um dever institucional. 
z Privacidade 
 É a preservação do anonimato e dos segredos. 
 É o respeito ao direito de o indivíduo manter-se afastado ou permanecer só. 
 É o direito que o paciente tem de não ser observado sem sua autorização. 
 Instituições têm a obrigação de manter um sistema seguro de proteção aos 
documentos que contenham registros com informações de seus pacientes. 
 Normas e rotinas de restrição de acesso aos prontuários e de utilização de 
senhas de segurança em sistemas informatizados devem ser continuamente 
aprimoradas  acesso de terceiros envolvidos no atendimento, como 
seguradoras e outros prestadores de serviços, deve merecer especial 
atenção. 
z Privacidade 
 
Quebra de privacidade: pode ocorrer em situações muito comuns entre os 
profissionais que atuam em hospitais  quando realizam comentários sobre 
pacientes em elevadores, corredores, em cantinas ou refeitórios. 
 Todo cuidado deve ser tomado para se evitar que pessoas que não 
necessitam saber, venham a ter acesso a informações sobre os pacientes 
que estão em atendimento na instituição. 
 Risco cresce quando o paciente é uma pessoa conhecida ou pública, por 
exemplo: artistas, atletas ou políticos. 
 
 
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Privacidade 
 Podem existir, desde que por justa causa e com amparo na legislação, 
exceções à preservação de informações que devem ser mantidas em 
segredo, como: 
 Testemunhar em corte judicial, em situações especiais e plenamente 
justificadas; 
 Comunicar, à autoridade competente, a ocorrência de doença de 
informação compulsória ou de ferimento por arma de fogo ou de 
outro tipo, quando houver suspeita de que esta lesão tenha sido 
resultante de um ato criminoso. 
 Nestas situações sempre deve haver uma discussão prévia, na própria 
instituição, sobre a possibilidade de excessos na liberação de 
informações. 
z Hospital 
 Médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde, assim como todos os 
funcionários administrativos que entram em contato com as informações por 
dever de ofício, têm autorização para ter acesso às mesmas, apenas em 
função de sua necessidade profissional  profissionais e as instituições são 
apenas seus fiéis depositários. 
 Qualquer outra pessoa, que não paciente, NÃO têm o direito de usar as 
informações do prontuário livremente. 
 É fundamental que todos tenham consciência do valor que a intimidade, 
confidencialidade e privacidade tem para o paciente e para a sociedade. 
A questão do segredo profissional pode ser abordada tanto 
pela privacidade quanto pela confidencialidade. 
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Ética Profissional 
 Informações fornecidas pelos pacientes, quando de seu atendimento em um 
hospital, posto de saúde ou consultório privado, assim como os resultados de 
exames e procedimentos realizados com finalidade diagnóstica ou terapêutica, 
são de sua propriedade. 
 Garantia da preservação do segredo das informações, além de uma obrigação 
legal contida no Código Penal e na maioria dos Códigos de Ética profissional, 
é um dever prima facie de todos os profissionais e também das instituições. 
Obrigação que se deve cumprir, a menos que conflite, 
numa situação particular, com um outro dever de igual ou 
maior porte  Não há, nem pode haver, regras sem 
exceção. 
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Segredo x Sigilo 
 Segredo: pode ter o significado de mera ocultação ou de preservação de 
informações. 
 Segredos dizem respeito à intimidade da pessoa  devem ser 
mantidos e preservados adequadamente. 
 Sigilo: tem sido cada vez menos utilizado  tem caracterizado cada vez 
mais os aspectos de ocultação e menos os de preservação. 
 Omissão de informações é uma situação que permite verificar a diferença 
entre segredo e sigilo. 
 Alguns pacientes pedem para que os médicos omitam ou mintam para as suas 
famílias, pelos mais diferentes motivos. Omitir informações a pedido do 
paciente, pode ser um claro exercício de sua autonomia, preservando sua 
intimidade e segredos. Mentir pode constituir-se em um ato eticamente 
inadequado! 
z Segredo 
Preservação de segredos está associada tanto à questão da privacidade 
quanto da confidencialidade. 
 Privacidade: mesmo quando não há vínculo direto, impõe ao profissional os 
deveres de resguardar as informações que teve contato e de preservar a 
própria pessoa do paciente  considerada como um dever institucional. 
 Confidencialidade: pressupõe que o paciente revele informações 
diretamente ao profissional, que passa a ser o responsável pela preservação 
das mesmas. 
Atualmente a privacidade está cada vez mais sendo entendida como 
sendo uma característica e não como um dever, que seria a 
confidencialidade. 
z Rompimento de sigilo 
Podemos distinguir 3 diferentes formas de romper com a preservação 
das informações: 
 Quebra de confidencialidade 
 Quebra de privacidade 
 Exceções à preservação 
 Podem existir, considerando-se como justa causa e com amparo na 
legislação vigente, exceções legais à preservação da privacidade. No 
Brasil estas situações dizem respeito a comunicação à autoridade 
competente, a ocorrência de doença de informação compulsória ou 
de suspeita de maus tratos em crianças ou adolescentes. Em alguns 
países o abuso de cônjuge ou idoso é equiparado ao de crianças e 
adolescentes como uma exceção legal de preservação de privacidade. 
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Situações especiais 
 
HIV-AIDS 
 AIDS trouxe um desafio ao princípio da confidencialidade  na medida emque 
um valor mais alto surge na discussão (vida das pessoas que têm contato direto 
com o paciente). 
 Na prática, estamos obrigados tanto moralmente como legalmente a informar ao 
cônjuge/companheiro do nosso paciente a sua situação de doença. 
 É igualmente obrigatório a notificação da doença às autoridades de saúde  
quebra da confidencialidade seria imediata. 
 Resolução nº 1.358/92 (CFM): relativa a situações que envolvam pacientes com 
AIDS  estabelece que o segredo profissional deverá ser rigorosamente 
cumprido, mesmo após a morte do paciente, inclusive com relação à família. O 
diagnóstico de que o indivíduo é HIV+ será informado a seus parceiros sexuais 
ou usuários de seringas em comum quando o paciente se negar a fazê-lo, desde 
que observados todos os critérios para a quebra de confidencialidade. 
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Situações especiais 
Crianças e adolescentes 
 Crianças e adolescentes, sob o ponto de vista legal, são considerados 
incapazes  moralmente, podem ser considerados como portadores de 
autonomia crescente e a partir dos 12 anos de idade, como não passíveis de 
distinção de um adulto capaz. 
 Responsáveis legais têm o direito de acessar as informações constantes no 
prontuário de seus dependentes, mas o médico deve respeitar a 
confidencialidade dos pacientes menores de idade, desde que capazes de 
avaliar e conduzir adequadamente o problema abordado. 
 Crianças e adolescentes têm o direito de ter a sua imagem e identidade 
preservadas  confidencialidade de seus dados, assim como o acesso aos 
mesmos, também deve ser garantida. 
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Situações especiais 
Pacientes psiquiátricos 
 Todo paciente tem o direito de acessar seus dados pessoais. 
 Questão ética que emerge: se este direito também se aplica de forma 
integral ao paciente psiquiátrico. 
 Ex: algumas vezes o paciente não tem conhecimento de seu próprio 
diagnóstico, apesar de o mesmo já estar registrado no seu prontuário ou 
ficha de atendimento. Com o acesso aos registros, o paciente poderia ter 
conhecimento de uma informação-chave, agravada pelo fato de que, 
algumas vezes, o psiquiatra pode anotar no prontuário, observações com 
relação à interpretação de elementos da história, que dizem respeito ao 
inconsciente de seu paciente  em alguns casos, podem ainda não ter 
sido discutidas com ele. Este acesso indiscriminado poderia mudar o 
curso de seu tratamento e, talvez, de sua própria vida. 
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Situações especiais 
Demonstrações médicas 
 Prática cada vez mais utilizada para fins pedagógicos: demonstração de 
atos médicos  transmissões ao vivo ou utilização de diferentes recursos 
audiovisuais. 
 Com frequência quebra-se a confidencialidade ou a privacidade nestas 
situações: expõem-se dados médicos, imagem dos pacientes e 
procedimentos médicos tanto invasivos no sentido orgânico quanto 
psicológico. 
 Podem ser vistos diapositivos ou vídeos com imagens radiológicas, 
endoscópicas ou anatomopatológicas com o nome por extenso de pacientes 
 muitas vezes o paciente não tem conhecimento desta utilização indevida 
de seu nome ou imagem, tanto por omissão quanto por engano deliberado. 
z Situações especiais 
Pesquisa 
 Realização de um projeto de pesquisa envolve aspectos de confidencialidade e 
privacidade em todas as suas etapas. O pesquisador e todas as demais pessoas 
que vierem a se envolver têm o compromisso de resguardar as informações  
impedir que as mesmas sejam utilizadas de forma inadequada. 
 Planejamento: preservação das informações entre os membros da equipe é 
fundamental, pois o projeto ainda não foi apresentado. 
 Execução do projeto: devem ser mantidas todas as propostas contidas no 
mesmo  não identificação dos indivíduos pesquisados, preservação de 
suas imagens, uso específico para a finalidade do projeto. 
 Divulgação: importante é a garantia de que todos os participantes tiveram as 
suas identidades preservadas na íntegra. Os editores de revistas científicas 
devem garantir a preservação dos conteúdos, durante a tramitação do artigo. 
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Confidencialidade e Privacidade 
 A respeito da bioética: podemos citar confidencialidade e privacidade, em 
um exemplo fácil de se observar dentro da medicina, onde ao criar uma 
relação médico-paciente se aplica o código de ética profissional. 
 Confidencialidade difere de privacidade  sendo a privacidade um limite 
estabelecido sobre as informações de um determinado paciente, já a 
confidencialidade seria o sigilo de informações reveladas ao médico em 
algumas situações. 
 Confidencialidade e privacidade são obrigações, porém existem algumas 
exceções em determinadas situações particulares. 
 Bioética não deve ser apenas cumprida em determinados casos, como os 
que estão dentro da medicina  deve ser uma característica necessária em 
um profissional da área da saúde. 
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Desafios atuais 
 Uso crescente de recursos de transmissão de dados sobre pacientes, 
utilizando telefone, fax, redes de computadores  podem se constituir em 
novas situações de quebra de confidencialidade ou de privacidade. 
 Nova medicina preditiva traz consigo questões complexas como a forma 
de registrar estas novas informações e seu risco de acarretar danos, 
muitas vezes irreparáveis, ao paciente. 
 Área da genética: tempo adequado para revelar informações a um 
paciente que ainda terá vários anos de vida antes que sua doença 
genética venha a se expressar. 
 O profissional deve revelar esta informação ou, baseado na não-
maleficência, deve evitar causar um dano deliberado? 
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Desafios atuais 
 Telemedicina também é um desafio: médico e paciente estarão em locais 
diferentes, muitas vezes sem qualquer contato pessoal anterior ou futuro. 
 Este novo tipo de vínculo não alterará o compromisso do profissional 
para com seu paciente, porém sempre haverá a participação de 
outros profissionais mediando a relação entre ambos  poderia ser 
caracterizado como uma quebra de privacidade. 
“É fundamental reconhecer que as pessoas sempre possuem 
dignidade, independentemente de sua idade ou capacidade, 
merecendo, desta forma, todo o nosso respeito e cuidado para com 
as informações a elas pertinentes”. 
z “A relação de privacidade e confidencialidade entre o 
profissional da saúde e o paciente é de extrema 
importância” 
“A preservação das informações é um 
compromisso de todos e para com todos”.

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