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ISAAC ALBERT DUARTE CAVALCANTE BARROS 
MATRÍCULA: 201602396477 
 
QUESTÃO 1 
Nos crimes contra a honra, o eventual concurso material de crimes altera a competência? 
Responda justificadamente. 
Resposta: 
 Quando o somatório dos crimes praticados contra a hora em concurso material, 
forem excedentes à 2 anos, fica afastada a competência do Juizado Especial Criminal, e 
irá para a Justiça Comum, nos termos do art. 61 da Lei 9.099/95. 
QUESTÃO 2 
Como se contam os prazos em processo penal? Em dias úteis, após a juntada do 
mandado? Cite a súmula do STF sobre o assunto. 
Resposta: 
Os prazos no processo penal são contatos em dias contínuos, ou corridos. E 
conforme a Súm. 710 do STF, “No processo penal, contam-se os prazos da data da 
intimação, e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem.” 
QUESTÃO 3 
Ricardo foi preso em flagrante por agredir a esposa. O preso recebeu nota de culpa como 
incurso nas penas do art. 129, caput, na forma do §9º do CP. Contudo, a autoridade 
policial não arbitrou fiança. Pergunta-se: 
a) cabe o arbitramento de fiança pela autoridade policial nesse caso? (0,7) 
Resposta: 
 Sim, em conformidade ao art. 5º da CF/88 e a permissão do art. 322 do CPP, 
autorizam o arbitramento de fiança pela autoridade policial, nos crimes praticados com 
violência doméstica ou familiar contra a mulher, cuja pena privativa de liberdade máxima 
não ultrapasse os quatro anos 
b) Não seria caso de Lavratura de Termo Circunstanciado por se tratar de crime de 
menor potencial ofensivo com liberação do autor do fato após assinatura do termo de 
compromisso, na forma do art. 69, p. ú, da Lei 9099/95. (0,7) 
Resposta: 
 Não, pois Ricardo foi preso em flagrante, cabendo a autoridade decidir sobre a 
necessidade de prisão de acordo com o caso concreto, em conformidade ao art. 12-C § 2º 
da Lei nº 11.340, de 2006. “Nos casos de risco à integridade física da ofendida ou à 
efetividade da medida protetiva de urgência, não será concedida liberdade provisória ao 
preso.” 
 
 
c) É caso de relaxamento ou de liberdade provisória? (0,6) 
Resposta: 
 No referido caso cabe o pedido de liberdade provisória, uma vez que não houve 
irregularidade na prisão. 
 
QUESTÃO 4 
No dia 10 de fevereiro de 2012, João foi condenado pela prática do delito de quadrilha 
armada, previsto no Art. 288, parágrafo único, do Código Penal. Considerando as 
particularidades do caso concreto, sua pena foi fixada no máximo de 06 anos de reclusão, 
eis que duplicada a pena base por força da quadrilha ser armada. A decisão transitou em 
julgado. Enquanto cumpria pena, entrou em vigor a Lei nº 12.850/2013, que alterou o 
artigo pelo qual João fora condenado. Apesar da sanção em abstrato, excluídas as causas 
de aumento, ter permanecido a mesma (reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos), o aumento de 
pena pelo fato da associação ser armada passou a ser de até a metade e não mais do dobro. 
Procurado pela família de João, responda aos itens a seguir. 
A) O que a defesa técnica poderia requerer em favor dele? 
Obs.: sua resposta deve ser fundamentada. A simples citação do dispositivo legal não será 
pontuada. 
Resposta: 
 A defesa deverá requerer a redução da pena imposta em consequência da 
retroatividade da lei benéfica, deverá ainda ser formulado através de petição simples 
ao juízo da Vara das Execuções Penais da localidade em que João encontra -se 
cumprindo a pena, de acordo com art. 66, I, da LEP (Lei 7.210/84) e Súmula 611 
do STF. Assim sendo, a novatio legis mais benéfica deverá ser aplicada ao 
condenado, objetivando a consequente redução da pena de 6 anos para 4 anos e 6 
meses. 
QUESTÃO 5 
Paulo e Júlio, colegas de faculdade, comemoravam juntos, na cidade de São Gonçalo, o 
título obtido pelo clube de futebol para o qual o primeiro torce. Não obstante o clima de 
confraternização, em determinado momento, surgiu um entrevero entre eles, tendo Júlio 
desferido um tapa no rosto de Paulo. Apesar da pouca intensidade do golpe, Paulo vem a 
falecer no hospital da cidade, tendo a perícia constatado que a morte decorreu de uma 
fatalidade, porquanto, sem que fosse do conhecimento de qualquer pessoa, Paulo tinha 
uma lesão pretérita em uma artéria, que foi violada com aquele tapa desferido por Júlio e 
causou sua morte. O órgão do Ministério Público, em atuação exclusivamente perante o 
Tribunal do Júri da Comarca de São Gonçalo, denunciou Júlio pelo crime de lesão 
corporal seguida de morte (Art. 129, § 3º, do CP). 
Considerando a situação narrada e não havendo dúvidas em relação à questão fática, 
responda, na condição de advogado(a) de Júlio: 
A) É competente o juízo perante o qual Júlio foi denunciado? Justifique. 
Resposta: 
 Na hipótese, existe a incompetência do Juízo, de modo que o fato delituoso 
praticado não é doloso contra a vida. Nos termos do art. 74, § 1º, do CPP (ou Art. 5º, 
inciso XXXVIII, alínea d, da CRFB), ao Tribunal do Júri cabe apenas o julgamento dos 
crimes dolosos contra a vida e os conexos. No caso, ainda que de acordo com a imputação 
contida na denúncia, o resultado de morte foi culposo, logo a competência é do juízo 
singular. 
B) Qual tese de direito material poderia ser alegada em favor de Júlio? Justifique. 
Resposta: 
 Júlio, não terá que responder pelo crime de lesão corporal seguida de morte, tendo 
em vista que tal resultado não foi causado a título de dolo nem culpa. O crime de lesão 
corporal seguida de morte é chamado de preterdoloso. A ação tem por objetivo à produção 
de lesão corporal, sendo o resultado morte consequentemente em caráter de culpa, ou seja, 
há dolo no antecedente e culpa no consequente. Portanto inexiste no agente, a capacidade 
de prever o resultado, para ser caracterizada a culpa, é necessário que haja a 
previsibilidade objetiva, apenas devendo alguém ser punido na forma culposa quando o 
resultado não desejado fosse possível ser previsto por uma pessoa com capacidade de 
assimilação média, sendo que a ausência de previsibilidade subjetiva, e capacidade do 
agente, no caso de prever o resultado, repercute na culpabilidade. Por conseguinte, não 
há previsibilidade objetiva, o que impossibilita a tipificação do crime de lesão corporal 
seguida de morte. 
Uma outra tese também que poderá ser arguida, é que já havia uma causa 
preexistente, desconhecida e relativamente independente impossibilitando Júlio de 
responder pelo resultado.

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