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Lesões Brancas - Líquen Plano, Leucoplasia e outros

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Patologia Bucal- UFPR 
Lesões Brancas 
Resumo obtido do livro Diagnóstico em Patologia Bucal, Tommasi 
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Assuntos abordados:  
1. Introdução e classificação 
2. Queratoses Irritativas 
3. Líquen Plano 
4. Língua Geográfica 
5. Leucoplasia 
6. Condições Cancerizáveis 
7. Manifestações Bucais e Doenças Dermatológicas: 
Lúpus Eritematoso Crônico Discóide 
1. Introdução 
Dentre as lesões elementares da mucosa oral, encontram-se as ​escamas e queratoses​- 
chamadas lesões brancas. Temos, sobre essa denominação, uma série heterogênea de 
processos localizados exclusivamente na boca, ou de origem sistêmica, caracterizados por 
sua aparência esbranquiçada, aspecto leucoplasiforme, ou liquenóide.  
Para alguns autores, a etiologia desse sinal é muito variada. Algumas são de ​origem 
genética​, como as genodermatoses. Outras são resultantes da irritação por ​agentes 
mecânicos, físicos, químicos ou microbianos. 
Mas é importante lembrar que as lesões ​não apresentam causa única​. São resultados da 
interação de ​diversos fatores​. 
Aspecto clínico:​ presença de áreas brancas, branco-acinzentadas ou púrpuras na mucosa 
oral. Histologicamente apresentam hiperqueratose. No entanto, algumas não estão 
associadas a exagerada formação e retenção de queratina, como na candidíase. 
 
Classificação 
Grinspan (1970) faz a divisão das lesões brancas segundo a ​presença ou não de 
hiperqueratose: 
GRUPO A
Lesões com queratinização histológica ​anormal 
○ Comuns:​ Leucoplasias, Queratoses Irritativas, Líquen Plano 
○ Menos comuns: ​Névus branco esponjoso, Lúpus Eritematoso Crônico 
discóide, Doença de Darier, Síndrome de Jadassohn-Lewandowsky, 
Disqueratose intraepitelial benigna hereditária, Disqueratose congênita 
familial de Zinsser-Cole 
○ Raras:​ Líquen esclerótico e atrófico, Ptiríase rosada de Gilbert, Psoríasis, 
Doença de Mabelli-Respigui, Ptiríase de Devergie e Ictiose vulgar 
GRUPO B
Lesões ​sem ​queratinização anormal 
Candidíase, Sífilis secundária e terciária, Língua geográfica, Mucosa 
mordiscada, Leucoedema, Língua saburrosa, Hialinose cutaneomucosa, 
Necrose epitelial por câncer, radiação e substâncias químicas 
Borello (1971) ainda inclui pérolas de Epstein, fibrose submucosa de Schwartz, papilomatose 
florida e verruga vulgar. 
→ as ​pérolas de Epstein​ são inclusões superficiais de pequenas ilhotas do tecido epitelial, 
comum no rebordo alveolar, que se forma durante o desenvolvimento embrionário, e 
desaparecem no primeiro ano de vida, por isso, ​não devem ser incluídas nesse grupo​, pois 
não resultam em problema de diagnóstico referencial. 
→ também ​não devem ser incluídos ​a língua geográfica, de aspecto patognomônico, 
diante da história pregressa do processo; língua saburrosa, sífilis secundária e terciária, 
papilomatose florida e verruga vulgar. 
2.Queratoses Irritativas 
São lesões brancas, produzidas por uma ​grande variedade​ de agente, que agem de maneira 
crônica​ na mucosa bucal. 
A baixa intensidade da irritação leva a uma ​hiperplasia da camada córnea​ e ao 
aparecimento clínico da lesão. Um exemplo disso são os calos que apresentam as mãos dos 
trabalhadores braçais. 
Clinicamente se apresentam como ​manchas ou placas​ esbranquiçadas ou 
branco-acinzentadas, de forma, tamanho e localização variada, com superfície lisa, 
ondulada, pontilhada ou verrucosa. Os limites geralmente são bem nítidos, mas em alguns 
casos, vão se espalhando até se fundirem com a mucosa normal. 
Elementos irritantes responsáveis:​ fumo, álcool, arestas dentárias irritantes, restaurações 
mal-adaptadas, ausência de dentes (principalmente de posteriores) com presença de 
antagonista, galvanismo, má oclusão, aparelhos ortodônticos, PPRs em geral, etc. 
→ Cabe ao clínico avaliar a causa da lesão, bem como a ​identificação de fatores sistêmicos 
coadjuvantes ou predisponentes, como a desnutrição, deficiências do complexo B, 
avitaminose A… 
Alguns estudos de caso mostram que quando o paciente é incentivado a​ eliminar qualquer 
agente irritativo​, desde tabaco, próteses mal-adaptadas até alimentos excessivamente 
duros, com administração de doses de vitamina A diariamente, ao término de dois meses 
verificou-se ​regressão do desaparecimento da lesão​. Isso prova que alguns casos 
diagnosticados como “leucoplasia”, são na verdade hiperqueratose. 
Morfologicamente, não é possível constar nenhuma​ diferença histopatológica​ entre 
espécimes de casos clínicos de queratose e leucoplasia, mas histologicamente, há aumento 
dos radicais sulfidrila (SH) nas leucoplasias, indicando maior grau de queratinização.  
3.Líquen Plano  
É uma ​doença mucocutânea inflamatória crônica​, e traz muitas dúvidas sobre tratamento 
e patogênese, mesmo sendo descoberta a mais de 100 anos. 
É frequentemente encontrada em indivíduos entre 30 e 50 anos, com predileção ao sexo 
feminino. 
Alguns estudos mostram que o ​estado emocional, iatrogenia medicamentosa​ ou​ doenças 
sistêmicas​, como diabetes, são influências para o seu desenvolvimento. Alguns autores 
defendem que o ​estresse​ é o principal vilão. Sabe-se também que a depressão e a ansiedade 
são frequentemente identificadas em pacientes com essas lesões. 
→ Um grande número de​ drogas​ tem com ​efeitos colaterais a formação de lesões​ em 
pele e mucosas, lembrando histologicamente o líquen plano. As reações são denominadas 
reações liquenóides.  
Líquen plano: lesões reticulares papilares e difusas na mucosa jugal. Na imagem abaixo 
vemos lesões reticulares no lábio inferior. 
 
Lesões reticulares no dorso da língua, as estrias entrelaçadas na mucosa jugal não estão 
presentes. Nesses casos, as placas brancas lisas são tipicamente observadas substituindo as 
superfícies das papilas normais da língua. 
Paciente de meia-idade com líquen plano reticular leve na primeira imagem. Na segunda 
imagem temos a mesma paciente duas semanas após, mostrando exacerbação das lesões. 
Períodos de melhora e piora são característicos. 
Recentemente, alguns estudos publicados mostram que o​ vírus da hepatite C​ tem relação 
com a lesão. Foram detectados RNA do HCV nas células epiteliais através da reação em 
cadeia da polimerase, concluindo que o líquen plano pode ser, em algumas ocasiões, 
manifestação extra-hepática da Hepatite C. 
Uma​ resposta imunológica mediada por células​, parece estar ligada, na qual há uma 
interação entre células epiteliais e linfócitos. As ​células de Langerhans e os macrófagos 
processam antígenos e apresentam aos​ linfócitos T​. Presumindo que após um processo 
proliferativo, os linfócitos se tornam citotóxicos para os queratinócitos da camada basal.  
Lesão característica:​ pápula poligonal, achatada, de 0,5 mm a 2 mm de diâmetro, superfície 
lisa, com estrias ou pontuações opalinas em rede, que são melhor vistas quando 
umedecemos a lesão, chamadas de ​Estrias de Wickhan​. Também podem ser encontradas 
pápulas incipientes puntiformes, brilhantes, róseas e placas de forma e extensão variadas, 
além de extensões anelares. 
As pápulas podem surgir em linhas, que surgem após escoriações ou traumatismos, 
chamados de ​Fenômeno de Koebner.​ Certa assimetria é observada, localizadas nas 
superfícies flexoras dos punhos, terço inferior das pernas, coxas, região sacral e abdômen. 
Variações morfológicas:  
→ Reticular: ​lesão composta por linhas brancas entrelaçadas, formando uma rede. 
Observam-se pequenas pápulas em sua periferia, que medem cerca de 1 cm de diâmetro.  
→ Papular:​ pequenas pápulas, ou como únicos elementos presentes, ou nas periferias das 
estrias. 
→ Em placa:​ semelhante a leucoplasia, mas elementos reticulares podem ser observados na 
periferia da lesão. Quando localizadas na superfície da língua, as papilas linguais 
desaparecem definitivamente. 
→ Atrófica:​ áreas eritematosas rodeadas por elementos reticulares. Quando afeta a gengiva 
marginal