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FARMACOLOGIA - VERÔNICA TREVIZAN LAGNI 1 ANTICOAGULANTES FÁRMACO MECANISMO DE AÇÃO USO TERAPÊUTICO VIA DE ADMINISTRAÇÃO/ POSOLOGIA FARMACOCINÉTICA EFEITOS ADVERSOS INTERAÇÕES Inibem a ação dos fatores de coagulação (heparina) ou interferem com a síntese dos fatores de coagulação (antagonistas da vitamina K → varfarina) HEPARINA E HEPARINAS DE BAIXO PESO MOLECULAR (HBPM) Heparina não fracionada é uma mistura de glicosaminoglicanos aniônicos de cadeias retas, com uma ampla faixa de massas moleculares. Ela é muito ácida devido à presença de sulfato e grupos de ácido carboxílico. A constatação de que formas de heparina de baixo peso molecular (HBPM) também podem atuar como anticoagulantes levou ao isolamento de enoxaparina, produzida por despolimerização enzimática da heparina não fracionada Se liga à antitrombina III (uma alfa-globulina que inibe serinoproteases da trombina - fator IIa e fator Xa), com a rápida inativação subsequente dos fatores de coagulação, resultando no seu efeito anticoagulante. Na ausência de heparina, a antitrombina III interage lentamente com a trombina e o fator Xa. Quando a heparina se liga à antitrombina III, ocorre uma alteração conformacional que catalisa a inibição da trombina. As HBPMs complexam com a antitrombina III e inativam o fator Xa, mas não se ligam tão avidamente à trombina. A sequência singular de pentassacarídeo presente na heparina e nas HBPMs permite sua ligação à antitrombina III. Limitam a expansão dos trombos, prevenindo a formação de fibrina. No tratamento do tromboembolismo venoso agudo (DVT ou PE). Na profilaxia da trombose venosa pós- cirúrgica em pacientes que serão operados e naqueles com IAM. São anticoagulantes de escolha para o tratamento da gestante, pois não atravessam a placenta, devido ao grande tamanho e à carga negativa Via intravenosa (IV) ou subcutânea (SC) pois não atravessa membranas com facilidade. Heparina → SC profunda ou bólus IV para obter anticoagulação imediata HBPM → SC Após bólus de Heparina é feito doses menores ou infusão contínua, titulando a dose de forma que o tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa) seja 1,5-2,5 vezes o do controle normal. O efeito anticoagulante com heparina ocorre minutos após a administração IV (ou em 1-2 horas após injeção SC), a atividade antifator Xa máxima das HBPMs ocorre cerca de 4 horas após a injeção SC. Normalmente, não é preciso monitorar os valores de coagulação com as HBPMs, mas é recomendado monitorar os nível do fator Xa em pacientes obesos, gestantes ou com insuficiência renal. No sangue, a heparina se fixa às proteínas (de forma variável em pacientes com doença tromboembólica) que neutralizam sua atividade → farmacocinética imprevisível. Os metabólitos inativos são excretados na urina. Meia-vida da heparina → 1,5 hora Meia-vida das HBPMs→ 2x a 4x mais longa, variando de 3 a 12 horas O principal é o sangramento, que em excesso pode ser controlado interrompendo o uso da heparina ou administrando sulfato de protamina. Calafrios, febre, urticária e choque anafilático. Osteoporose em tratamentos prolongados A trombocitopenia induzida por heparina (TIH) é uma condição grave na qual o sangue circulante tem uma quantidade anormalmente baixa de plaquetas. Essa reação é imunomediada e traz risco de embolismo venoso e arterial → nesse caso a heparina pode ser substituída por outro anticoagulante, como a argatrobana. São contraindicadas em pacientes que têm hipersensibilidade à heparina, distúrbios de coagulação, alcoolismo ou que foram recentemente operados no cérebro, nos olhos ou na medula espinal. A dose de HBPMs deve ser reduzida em pacientes com insuficiência renal, pois prolonga a maia-vida do fármaco. FARMACOLOGIA - VERÔNICA TREVIZAN LAGNI 2 ANTICOAGULANTES FÁRMACO MECANISMO DE AÇÃO USO TERAPÊUTICO VIA DE ADMINISTRAÇÃO/ POSOLOGIA FARMACOCINÉTICA EFEITOS ADVERSOS INTERAÇÕES Inibem a ação dos fatores de coagulação (heparina) ou interferem com a síntese dos fatores de coagulação (antagonistas da vitamina K → varfarina) VARFARINA Anticoagulante cumarínico com habilidade de antagonizar a função de cofator da vitamina K. INR → padrão de monitoramento da varfarina. A INR corrige variações que ocorrem com diferentes reagentes da tromboplastina. Objetivo → INR de 2-3 para a maioria das indicações e INR de 2,5-3,5 para algumas válvulas mecânicas. A varfarina tem um índice terapêutico estreito, sendo importante que a INR seja mantida dentro da faixa ideal o máximo possível. Os fatores II, VII, IX e X sofrem uma modificação pós-translacional dependente de vitamina K, na qual seus resíduos de ácido glutâmico são carboxilados para formar resíduos de ácido gama- carboxiglutâmico, esses resíduos ligam íons cálcio, que são essenciais para a interação entre os fatores de coagulação e as membranas das plaquetas. Nas reações de carboxilação, a carboxilase dependente de vitamina K fixa CO2 para formar os novos grupos COOH no ácido glutâmico. O cofator vitamina K reduzido é convertido em epóxido de vitamina K durante a reação. A vitamina K é regenerada do epóxido pela vitamina K epóxido redutase, a enzima que é inibida pela varfarina, resultando na produção de fatores de coagulação menos ativos. Prevenção e tratamento da TVP e da EP. Prevenção do AVE e do AVE na condição de fibrilação ventricular e/ou válvulas cardíacas prostéticas Deficiência de proteína C e S Síndrome antifosfolipídica. Prevenção do tromboembolismo venoso durante cirurgias ortopédicas ou ginecológicas. Via oral (VO) Rapidamente absorvida e é extensamente ligada à albumina plasmática, o que evita sua difusão para o líquido cerebrospinal, para a urina e para o leite materno. É biotransformada pela CYP450 (incluindo as isoenzimas 2C9, 2C19, 2C8, 2C18, 1A2 e 3A4) a compostos inativos. Após conjugação ao ácido glicurônico, os metabólitos inativos são excretados na urina e nas fezes. Atravessa facilmente a placenta. Meia-vida: é de cerca de 40 horas O principal efeito adverso é a hemorragia. Pequenos sangramentos → suspensão da varfarina ou administração de vitamina K1 por via oral. Sangramentos graves → doses maiores da vitamina K administrada por via IV. Lesões de pele e necrose são complicações raras. Síndrome do dedo roxo, uma coloração violácea de dedo, dolorosa e rara, causada por êmbolos de colesterol a partir de placas também foi observada no tratamento. É teratogênica e nunca deve ser usada durante a gestação, sendo substituída por heparina ou HBPM. Sulfonamidas (fármacos com maior afinidade pelo local de ligação da albumina) podem deslocar os anticoagulantes e levar a um aumento transitório da atividade → causando variabilidade na resposta terapêutica à varfarina. Intoxicação aguda por álcool, Amiodarona, Fluconazol, Metronidazol, Sulfametoxazol + trimetoprima → INIBIÇÃO DA BIOTRANSFORMAÇÃO DE VARFARINA → POTENCIALIZAÇÃO DOS ANTICOAGULANTES Inibição da aglutinação plaquetária AAS Consumo crônico de álcool, Barbitúricos, Dicloxacilina, Rifampicina → ESTIMULAÇÃO DA BIOTRANSFORMAÇÃO DE VARFARINA → ATENUAÇÃO DA ANTICOAGULAÇÃO