A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
35 pág.
01-cegueira

Pré-visualização | Página 1 de 7

Esta publicação reúne informações relevantes para todos os que se dedicam 
à promoção da saúde ocular no Brasil.
Ela é fruto não apenas do trabalho dos autores, mas também – e 
principalmente – à luta diária de cada um dos mais de 15 mil oftalmologistas 
brasileiros, ávidos por eliminar em nosso país a cegueira e as deficiências 
visuais evitáveis e previníveis. Ela também é uma resposta, uma prestação 
de contas, a cada Deputado e Senador que está atento às condições de saúde 
ocular de nosso povo, e a elas se dedicam. 
Alexandre Taleb
Marco Rey de Faria
Marcos Ávila 
Paulo Augusto de Arruda Mello
AGRADECIMENTO
Cegueira e a
Baixa Visão
5
as Condições de
saúde oCular no Brasil
2012
5
Cegueira e Baixa Visão
Cegueira e Baixa Visão no Brasil
A Oftalmologia brasileira
Acesso aos cuidados com a saúde ocular no Brasil
A legislação brasileira e o exercício da oftalmologia
Desafios: compromisso com o futuro
08
38
74
122
134
160
ÍNDICE
as Condições de
saúde oCular no Brasil
2012
7
Existem quatro níveis de função visual, de acordo com a Classificação Internacional 
de Doenças CID-10 (atualização e revisão de 2006):
• visão normal;
• deficiência visual moderada;
• deficiência visual grave;
• cegueira.
Deficiência visual moderada combinada com deficiência visual grave 
são agrupadas sob o título “baixa visão”. Baixa visão, em conjunto 
com a cegueira, representam a deficiência visual.
Dois componentes da função visual são usados como 
parâmetro para avaliar a deficiência visual: a acuidade 
visual (a maior capacidade de discriminar dois pontos
a uma determinada distância) e campo visual 
(a amplitude do espaço percebido pela visão).
O termo cegueira reúne indivíduos com vários graus de visão 
residual. Ela não significa, necessariamente, total incapacidade 
para ver, mas o prejuízo dessa aptidão em níveis incapacitantes 
para o exercício de tarefas rotineiras.
Assim, os termos “cegueira parcial” ou “cegueira legal” são usados 
para classificar a deficiência visual de indivíduos que apresentam uma 
de duas condições: (1) a visão corrigida do melhor dos seus olhos é de 
20/400 ou menor, ou (2) se o ângulo em relação ao eixo visual que limita
o campo visual apresenta medida inferior a 20 graus de arco, ainda que 
sua acuidade visual nesse estreito campo possa ser superior a 20/400. 
Este campo visual restrito é muitas vezes chamado de “visão em túnel”.
A cegueira total ou simplesmente AMAUROSE, pressupõe completa perda 
de visão. Nela, a visão é nula, isto é, nem a percepção luminosa está presente. 
Em novembro de 1972, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reuniu em Genebra 
o Grupo de Estudos da Prevenção à Cegueira, que criou as categorias de deficiência 
visual atualmente utilizadas em todo o mundo. De acordo com essa definição, o termo 
“visão subnormal” aplica-se às categorias 1 e 2 do quadro a seguir, enquanto o termo 
“cegueira” relaciona-se às categorias 3, 4 e 5 e à “perda de visão sem qualificação” 
da categoria 9.
DEfINIçõEs
O quE é CEGuEIRA?
as Condições de
saúde oCular 
no Brasil - 2012
10
 INTRODUÇÃO
A categorização de deficiência visual atualmente usada em todo o mundo é baseada na 1ª e 2ª 
edições da 10ª revisão do Código Internacional de Doenças (CID), que deriva do grupo de estudo 
da OMS em Prevenção de Cegueira que se reuniu em 1972 para criar uma definição padronizada. 
Isso foi feito para facilitar a coleta de dados populacionais sobre a prevalência de deficiências 
visuais e cegueira de uma maneira uniforme e comparável. Durante essa reunião, quatro causas 
principais da perda de visão foram identificadas: Tracoma, Oncocercose, Xeroftalmia e Catarata. 
Não foram levados em consideração os erros de refração como uma causa das deficiências visu-
ais, quando não da cegueira em si.
 JUsTIFIcATIvA PARA A RevIsÃO 
Há cinco pontos que determinam a necessidade de uma consideração sobre a revisão da definição 
e categorização atuais. São eles:
• A definição das categorias de deficiência visual baseadas na “melhor correção visual possível”; 
• A nomenclatura;
• A categorização de cegueira;
• As inconsistências dentro das subcategorias H 54;
• A resolução do Conselho Internacional de Oftalmologia (ICO) para revisão do CID 10.
 DeFINIÇÃO De DeFIcIêNcIA vIsUAl e cegUeIRA
A definição atualmente utilizada inclui o termo “melhor correção visual” no melhor olho. A me-
todologia seguida para medição da acuidade visual, particularmente nos estudos populacionais, 
é o uso de um orifício estenopeico (pin hole) em pacientes cuja visão aparente está abaixo de um 
determinado ponto de corte (atualmente 20/60). Muitos estudos recentes mostram que o uso 
da “melhor correção visual” despreza uma grande quantidade de pessoas com deficiência visual, 
incluindo cegueira, em função de erros de refração não corrigidos, uma ocorrência comum em 
muitas partes do mundo.
Erros de refração não corrigidos são agora considerados a maior causa de deficiência visual, e 
estimativas estão sendo feitas para calcular as perdas em termos de deficiência (em anos de 
vida) decorrentes dessa causa.
A correção dos erros de refração é uma ação valiosa, sendo uma das prioridades do Grupo de 
Controle de Doenças do Programa 2020 - uma Iniciativa Global para a Eliminação de Cegueiras 
Evitáveis (Programa Visão 2020, o direito à visão). 
 NOMeNclATURA
O CID atual usa as palavras “visão subnormal” para as categorias 1, 2 e 3 das deficiências visuais. 
Na prática dos cuidados visuais, “visão subnormal” tem um significado específico, definido pela 
OMS, que é o seguinte: “A pessoa com visão subnormal é aquela que possui uma deficiência da 
Em 2003 a consultoria da OMS para a Padronização da Definição de Perda de Visão e Funciona-
mento Visual propôs uma alteração nesta definição da cegueira, como mostra o texto a seguir, 
disponível no site da Organização (www.who.org) 
Mudança na definição de cegueira legal
Recomendações da consultoria
Nota: O termo deficiência visual 
na categoria H54 engloba a 
Categoria 0 para deficiência 
visual leve ou sem deficiência, 
Categoria 1 para deficiência 
visual moderada, Categoria 2 
para deficiência visual grave, 
Categorias 3, 4 e 5 para cegueira 
e Categoria 9 para deficiência 
visual indeterminada. O termo 
“visão subnormal” existente na 
revisão anterior foi substituído 
pelas Categorias 1 e 2 para 
evitar confusão em relação à 
classificação daqueles pacientes 
que necessitam de tratamento 
para visão subnormal.
função visual mesmo após tratamento e/ou correção refrativa, apresentando acuidade visual 
de 20/60 ou menos e percepção de luz, ou um campo visual inferior a 10 graus de campo visual 
central, mas que usa sua visão, ou é potencialmente capaz de usá-la para o planejamento e/ou 
execução de uma tarefa”.
Por essa definição, pessoas que poderiam se beneficiar de tratamentos de baixa visão estão atu-
almente categorizadas como cegas. Isso levou a erros de cálculos de estimativas de pessoas que 
necessitam de tratamento para visão subnormal.
 DeFINIÇÃO De cegUeIRA
A definição atual não faz distinção entre aqueles que possuem cegueira irreversível (sem percep-
ção de luz) e aqueles que possuem percepção de luz, mas ainda possuem menos de 20/400 no 
melhor olho. A condução dos pacientes dessas duas categorias é diferente, e uma classificação 
baseada nessa distinção seria útil.
 INcONsIsTêNcIAs NAs sUbcATegORIAs H54
As subcategorias do H54 possuem inconsistências quando descrevem “deficiência visual monocu-
lar” e “cegueira monocular”; sem que o outro olho tenha que ser necessariamente “normal”. Para 
tornar mais claras essas subcategorias se propõem a alteração da tabela atual (CID 10ª revisão). 
Nota: o quadro a seguir mostra a Classificação da Gravidade de Deficiência Visual recomendada 
pela Resolução do Conselho Internacional de Oftalmologia (2002) e as Recomendações da Con-
sultoria da OMS para a “Padronização da Definição de Perda de Visão

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.