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TEORIA DO CRIME UNID 1

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TEORIA DO CRIME
FUNDAMENTOS DO DIREITO PENAL
Thaís Camargo Rodrigues e Lais Ferraz Pessoa
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Olá!
Você está na unidade . Conheça aqui a construção histórica da ciência criminalFundamentos do Direito Penal
até culminar no direito atual, pautado em princípios cunhados pelo estado democrático de direito. Vamos partir
do princípio de que o Direito Penal está presente no nosso dia a dia, afinal basta acesso às notícias: são inúmeros
os casos de acidentes de trânsito, corrupção, violência doméstica, roubos, tráfico de drogas. Os princípios
constitucionais se apresentam como um norte para saber quando e como este ramo do direito deverá ser
aplicado na vida cotidiana.
Bons estudos!
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1 Breve evolução histórica do Direito Penal
As normas jurídicas e sua forma de aplicação são um reflexo do desenvolvimento de um povo. Desta forma, o
direito penal, assim como todos os outros ramos do direito, é um . fenômeno histórico Apesar de ainda haver
graves problemas na aplicação do direito penal, a sua evolução é inquestionável. Da vingança de sangue,
passando pelos suplícios, hoje se vive o direito penal do fato. Muitas das garantias presentes no ordenamento
jurídico-penal são reflexo da superação de situações passadas, vistas hoje como erros ou injustiças. Por exemplo,
hoje “nenhuma pena passará da pessoa do condenado” (art. 5º, XLV, CF), mas, nas Ordenações Filipinas (1603),
que vigeram por quase dois séculos no Brasil, era uma prática comum a família do condenado também sofrer os
efeitos da pena.
1.1 Direito penal primitivo
Desde a Antiguidade até hoje verificamos grandes mudanças nos institutos criminais. Se analisarmos a pena, por
exemplo, podemos traçar a seguinte evolução: "perda da paz ou vingança indeterminada, vingança limitada pela
lei do talião, composição voluntária, composição legal e pena pública" (Bruno, 1956, p. 70 e 71).
Conforme ensina Aníbal Bruno (1956, p. 66), "nas sociedades antigas, onde ainda não havia um órgão que
exercesse a autoridade coletiva, o respeito às normas era baseado no temor religioso ou até mesmo mágico". E a
punição, que era a vingança, visava aplacar a ira dos deuses. A religião sempre esteve muito presente no direito
penal. Algumas normas podem servir de exemplo: Leis de Manu, Índia, sécs. 12 ou 13 a.C., e Pentateuco ou Torá
, dos hebreus, 1250 a.C. Até hoje normas com cunho religioso são utilizadas na área penal, em especial em países
teocráticos orientais.
Remontando às sociedades mais primitivas, "a era um ato de guerra entre tribos e não umavingança privada
pena" (Bruno, 1956, p. 68). Entre os membros do grupo a pena era a expulsão, e essa pena equivalia à pena de
morte, pois dificilmente o indivíduo conseguiria sobreviver fora dos domínios de proteção e cooperação de seu
clã. Da vingança o direito penal evoluiu para a composição. Por esse método o autor do delito “comprava” a sua
liberdade. Ao invés da vingança de sangue era pago um valor pecuniário que visava “cobrir” os danos sofridos
pela vítima, dentro da esfera privada.
Assista aí
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1.2 Vingança pública
Com a evolução social e uma maior organização estatal, o Estado afastou a vingança privada e assumiu o poder-
dever de aplicar a . vingança pública Passa a ser um dever do Estado manter a ordem e “fazer justiça”. O Direito
Romano, o Germânico e o Canônico, embora apresentando graus de evolução e princípios diferenciados,
caminharam juntos para a formação do que Aníbal Bruno (1956, p. 84) denomina direito penal comum, o
direito penal que regeu a prática da justiça punitiva em diversos países da Europa, durante a Idade Média e a
Moderna.
Nesse período, o direito visava a proteção do príncipe e da religião. Suas práticas arbitrárias e cruéis criavam
uma “atmosfera de incerteza, insegurança e justificado terror” (Bruno, 1956, p. 86). O direito era instrumento
para que a nobreza e o clero permanecessem no poder político e econômico:
A ausência de proporcionalidade ou respeito à dignidade humana eram vistas na desigualdade de
punição entre nobres e plebeus, na indeterminação das penas e na definição dos crimes, na falta de
publicidade no processo, na ausência de defesa e nos meios inquisitoriais (Bruno, 1956, p. 86). 
1.3 Período humanitário
Esses excessos criaram na consciência de todos a necessidade de reformar as leis penais, assim inicia-se o
período humanitário. Personagem mais importante desse período é sem dúvida Cesare Beccaria, que publicou
em 1764 a obra Dos delitos e das penas. Essa obra é um marco no direito penal, pois visava romper com o
direito vigente, baseado em suplícios e no arbítrio dos reis.
Vivendo sob a égide do Iluminismo – de cunho racionalista e jusnaturalista – pode-se afirmar que Beccaria
sofreu a influência de filósofos como Locke, D’Alembert, Diderot, Hume, Montesquieu, Rousseau e Voltaire. 
Beccaria pensou um direito fundado no respeito à personalidade humana. Ele defendia a elaboração de
leis que fossem mais claras e precisas, com penas proporcionais e o fim da pena de morte e da tortura. As
ideias de Beccaria foram aceitas e incluídas, mesmo que de modo ainda incipiente, na legislação de diversos
países, como Rússia (1767), Toscana (1786), Áustria (1787), França (1791 e 1810) e na Declaração dos Direitos
do Homem e do Cidadão (1789) (Fragoso, 1976, p. 43 e 44).
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2 Evolução epistemológica do direito penal: escolas penais
O estudo da história do direito penal inclui a análise da elaboração da dogmática jurídico-penal. Para Bitencourt
(2018, p. 106), “o referencial mais significativo do valor da dogmática penal é a construção da Teoria Geral do
Delito”. Se analisará a seguir as algumas linhas de pensamento, ou escolas penais, que foram determinantes na
elaboração da dogmática jurídico-penal. Elas foram percussoras da moderna dogmática. É importante ressaltar
que não se trata de um processo linear, pois “está vinculado às vicissitudes políticas, sociais, culturais e
econômicas das sociedades, desde o advento do Iluminismo até nossos dias” (Bitencourt, 2018, p. 106).
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2.1 Escola Clássica
A Escola Clássica não produziu uma doutrina única, mas seus juristas se baseavam nas ideias desenvolvidas por 
. Beccaria Um ícone dessa Escola foi Francesco Carrara (1805-1888). Em sua obra Programa do Curso de
, de 1859, ele inicia a ciência penal na Itália. Direito Penal Para Carrara (1956, p. 11) o delito era um ente
jurídico, pois na sua essência consiste na violação de um direito. Assim, não haveria delito fora das ações que
ofendem ou ameaçam direitos. Para que haja crime Carrara observa a existência de duas forças essenciais.
Vontade inteligente e livre
Força moral ou elemento subjetivo.
Fato exterior lesivo ao direito ou a ele ameaçador
Força física ou elemento objetivo.
Segundo Carrara (1956, p. 11), o direito é congênito ao homem, já que lhe foi dado por Deus. Embora refutasse a
arbitrariedade e crueldade impingidos pela Igreja e pelos governos tirânicos, ele aceitava uma lei eterna, de
cunho religioso, preexistente a todas as leis humanas, e que vinculava o legislador. Carrara (1956, p. 14 e 15)
chama também a atenção para o processo penal. Para ele todos os preceitos relativos ao processo pertencem à
ordem pública e devem proteger o direito, pois interessam a todos os cidadãos. A ideia é preservar os honestos
de eventual erro judicial, e também os culpados, para que se lhes aplique uma pena justa. Essa pena é uma
retribuição jurídica e o restabelecimento da ordem externa violada pelo delito.
Na Alemanha podemos citar Feuerbach (1775-1833), a quem é atribuída a criação de uma ciência jurídico-penal
em sentido moderno,

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