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Hemorragia Digestiva Alta Introdução É importante identificar a etiologia para saber a melhor maneira de tratar. Hemorragia digestiva alta não varicosa Hemorragia digestiva alta varicosa (varizes esofágicas): causada pelo aumento da pressão do sistema porta, que dilata todo o sistema e causa varizes maiores. Conceito: É a subdivisão de hemorragia, causada acima do ligamento de Treitz, na região do duodeno. É uma emergência médica: alta chance de instabilidade por perda sanguínea. 170 casos/100.00 adultos. HDA não varicosa: Medidas precoces na reestabilização hemodinâmica = redução na mortalidade. Causas: úlcera péptica 70%. A úlcera péptica sangrante é a maior parte dos casos. o Geralmente encontrada na pequena curvatura do estômago. Avaliação de perda de volemia a partir de sinais de instabilidade hemodinâmica: Magnitude da perda PAS Pulso Perda Pequena (20% da volemia) Decúbito: normal Em pé: queda <14mmHg Decúbito: normal Em pé: aumento < 20 bpm < 1000 mL Moderada (20-40% volemia) 90-100 mmHg ou queda > 14 mmHg com mudança de decúbito 100-120 bpm 1500 mL Maciça (> 40% da volemia) < 90mmHg > 120 bpm >2000mL A avaliação hemodinâmica é preditora de mortalidade. Hipotensão permissiva: manter PA > 100/60mmHg e < 120/80mmHg. Mais que isso pode aumentar sangramento. Complicações: o Fatores de risco ara ressangramento: 1. >65 anos 2. Choque 3. Comorbidades (H. pylori, DM, HAS) 4. Recorrência de melena (fezes pastosas com sangue digerido, com cheiro de ferro queimado). a. É possível ter enterorragia em casos de sangramento maciço, porque não dá tempo de digerir o grande volume. 5. Sangue vivo SNG, toque retal ou vômito. 6. TP alargado 7. Endoscopia digestiva alta é preditor: Tamanho da ulcera (> 2cm) Sítio de sangramento (parede posterior da primeira porção duodenal, curvatura gástrica menor). Classificação de Forrest: *Ia= porejando, babando Escore de Rockall: *Mallory-Weiss = vômitos incoercíveis com aumento de pressão na região mucosa do trato GI, que lesiona a mucosa e gera sangramentos. Medidas: o Deitar o paciente o Acesso venoso, oxigênio, monitorização cardíaca contínua Avaliação clínica: determinar o estado hemodinâmico e a urgência, verificar palidez, temperatura de extremidades, enchimento de leito ungueal, estigmas de hepatopatia, pulso e pressão arterial. Acesso venoso: veia periférica, se os parâmetros forem normais: duas veias periféricas. Se parâmetros anormais, mas pressão arterial for normal em decúbito: a veia central, sempre que possível, se perda maciça. Reposição de volemia: reposição imediata de volume com SF ou RL (cristaloide). Soluções de reposição, compostas não oferecem qualquer vantagem, encarecem o tratamento, sobrecarregam a equipe de enfermagem e sua manufatura embute risco de erro. Concentrado de hemácias, se anemia ou perda maciça. o Não elevar muito a pressão do paciente = hipotensão permissiva. Exames de urgência: hematócrito e/ou hemoglobina, tipo sanguíneo e Rh, plaquetas e coagulograma (TP, KTTP), ureia e creatinina. SNG - mensurar o sangramento e estabilizar o paciente EDA precoce nas primeiras 24h (em pacientes estáveis hemodinamicamente) o Repetição não é recomendada o Nova EDA em 2 situações: (1) estudo inconclusivo e (2) ressangramento o Pesquisa de H. pylori – risco de ressangramento o Terapêutica (combinada) → reduz necessidade de transfusão e menor tempo de internação. Álcool absolto (etanolamina 1 a 5% | polidocanol a 1% | adrenalina pura 1:10000 com NaCl normal ou hipertônico; esclerosantes; prévia aos térmicos) Mecânico (hemoclipes) Eletrocoagulação mono/multipolar Terapia combinada em casos mais complicados Cirurgia: o Indicada se manutenção da instabilidade hemodinâmica, hemorragia persistente, ulcera com hemorragia maciça em um vaso calibroso ou se ulcera com difícil acesso endoscópico. Farmacoterapia: o Somatostatia e octreotide** se sangramento incontrolável ** Octotide é para varizes, mas em casos de sangramento incontrolável seu uso pode ser feito para tentar fazer alguma vasoconstrição antes do paciente ir para a sala cirúrgica. É um análogo da somatostatina que causa vasoconstrição dos vasos esplâncnicos e cessa sangramento. o Inibidor da bomba de prótons (IBP) 80 mg EV – 8mg/h EV em BI ou 40 mg 12/12h EV Diminui secreções do TGI Provoca cicatrização acelerada Considerações: Baixo risco: o Alta após 24h de EDA e estável hemodinamicamente. o Forrest III podem iniciar alimentação imediatamente após EDA. A alimentação precoce previne peritonite bacteriana espontânea. HDA varicosa Causa: Hipertensão porta 5-10 mmHg (cirrose hepática, porque as células hepáticas estão mais danificadas e, portanto, o fígado não consegue manter tanto volume. Assim, é necessária mais força para entrar o volume no fígado) Para ruptura de varizes > 12mmHg Mortalidade 30-40% → relação direta com Child-Pugh > 50% de recidiva em 1 ano Cirrose alcoolica, viral, criptogenica, trombose porto-esplênica (câncer). Medidas: o Acesso, oxigênio, MCC Avaliação clínica: determinar o estado hemodinâmico e a urgência, verificar palidez, temperatura de extremidades, enchimento de leito ungueal, estigmas de hepatopatia, pulso e pressão arterial. Acesso venoso: veia periférica, se os parâmetros forem normais: duas veias periféricas. Se parâmetros anormais, mas pressão arterial for normal em decúbito: a veia central, sempre que possível, se perda maciça. Reposição de volemia: reposição imediata de volume com SF ou RL (cristaloide). Soluções de reposição, compostas não oferecem qualquer vantagem, encarecem o tratamento, sobrecarregam a equipe de enfermagem e sua manufatura embute risco de erro. Concentrado de hemácias, se anemia ou perda maciça. o Não elevar muito a pressão do paciente = hipotensão permissiva. Exames de urgência: hematócrito e/ou hemoglobina, tipo sanguíneo e Rh, plaquetas e coagulograma (TP, KTTP), ureia e creatinina. Tratamento: Antibioticoterapia PBE (líquido ascitico, com translocamento bacteriano, podendo causar aumento da pressão porta –dx.: punção do líquido da ascite com >250 céls polimorfonucleares) o Tratamento com cefotaxima 2g EV 8/8h Pipe-tazo 3,375 mg EV 6/6h Ceftriaxone 2g EV 24h Alergia a beta lactâmico: ciprofloxacina 400 mg 12/12h EV o Profilaxia: norfloxacin 400 mg 1x/d VO Ciproflixacin 500 mg 1x/d VO EDA nas primeiras 12h de admissão – estável hemodinamicamente (Dx e tto) Beta-bloqueador – carvedilol 3,125 mg 12/12h, ajustando conforme necessidade e tolerância do paciente. Terlipressina o Análogo sintético da vasopressina o Menos efeitos colaterais e maior tempo de meia-vida o 2mg/4h nas primeiras 48h Octreotide o Análogo sintético da somatostatina – faz vasoconstrição esplancnica o Vantagem um maior tempo de ação o Melhora na função renal o 50 mcg dose de ataque: 0,05mg 1 ampola EV em bolus o Manutenção com 50 mcg/hora o Octreotide 0,5 mg 1 amp + SF 0,9% 250 mL o 12/12h Balão de Sengstaken-Blakemore o Ponte para procedimentos mais definitivos em pacientes com hemorragia não controlada. Uso máximo de 12 h. o Hemorragia não controlada que não tem tempo até chegar no hospital Intubação orotraqueal antes da passagem do balão. Volume intragástrico: 250 mL de ar. Pressão intraesofágica: igual a pressão arterial média (PAM) PAM = PAD + (PAS-PAD)/3 Estanca o sangramento de forma mecânica Importante: encaminhar para a avaliação de transplante de fígado. Falha no tratamento: Considerando sangramento agudo quando ocorrido num prazo de 5 dias. Hematêmese > 2h após o início do tratamento farmacológico ou endoscópico. Quando Hb > 3mg/dL, sem transfusão sanguínea prévia. Óbito Índice de ajuste de necessidade de transfusão sanguínea (ABRI) >0,75 em qualquer momento (ainda não validado) o ABRI = nº de unidades transfundidas/ (Ht final – Ht inicial) + 0,01 Conduta: o Nova terapêutica o TIPS = redução da pressão através de um procedimento cirúrgico (passa do sistema porta para o cava) o Cirurgia de descompressão portal (Child A ou B) Esquema Se já é hepatopata/já tem história de varizes esofágicas NÃO passar sonda nasogástrica, porque pode causar mais lesões. Só passar SNG se paciente hígido, com exame físico dentro do padrão, sem comorbidades Octrotide