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Discente: Carlos Eduardo Salim Lauande Farias, matrícula: 201706140023. DO VOTO DO RELATOR O relator do presente agravo de instrumento, o Desembargador Octávio de Almeida Neves, vota pelo provimento do recurso em favor da LUVINOX MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA. O agravo foi interposto contra de decisão de ordem 94, proferida pelo MMº. Juiz da 4ª Vara Cível da Comarca de Poços de Caldas, que, nos autos do cumprimento de sentença movido em desfavor de Paraíso Indústria e Comércio de Águas Ltda., indeferiu o requerimento de penhora da concessão de lavra de Água Mineral nº 849, outorgada em 2/7/1989, de titularidade da executada. O juízo de primeiro grau indeferiu a penhora com base no art. 176, § 3º, da Constituição Federal, alegando que não é possível a transferência de lavra, posto que o bem é propriedade da União. Destarte, o relator começa argumentando que não se trata de direito sobre a reserva mineral, mas sim sobre a jazida e o produto da lavra, que é suscetível de apreciação econômica. Cita, assim, o RE 140.254-7 do STF, no qual a corte se posiciona sobre a natureza jurídica da Concessão de Lavra, atribuindo a esse direito minerário a característica de res in commercio, de caráter negocial e conteúdo de natureza econômico-financeira. Alega ainda o Des. Octávio Neves que a concessão de lavra não se encontra entre os bens impenhoráveis previstos no art. 833 do CPC, e que tampouco existe vedação absoluta à penhora do direito minerário no Decreto-Lei nº 227/1967. Portanto, segundo o relator, é possível a penhora da Concessão de Lavra, desde que observadas algumas cautelas, quais sejam, notificação da Agência Nacional de Mineração, não paralisação das atividades minerais e capacidade dos licitantes de adquirir os direitos minerários. Para dar suporte a sua tese, o relator recorre ainda ao Agravo Regimental no Recurso Especial 584.048/SP do STJ e ao Agravo de Instrumento 2072311-62.2017.8.26.0000 do TJSP. Ambas decisões confirmam a possibilidade da penhora sobre a concessão do direito de lavra. Por fim, o Des. Octávio Neves defende que possibilidade de penhora não ofende o disposto no art. 176, § 3º, da CF/88, argumentando que a simples penhora não implica a imediata transferência da Concessão do Direito de Lavra.