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RESUMÃO DE DIREITOS HUMANOS- COLETÂNEA DAS AULAS DO 9 PERÍODO

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a escravização, deportação e outros atos inumanos 
cometidos contra a população civil antes da guerra ou durante esta, a perseguição de 
natureza política, racial ou religiosa na execução daqueles crimes que sejam de 
competência do Tribunal ou em conexão com eles, constituam ou não uma violação 
do direito interno do país do cometimento do crime. 
São vários os atos de violação grave de direitos humanos que foram mencionados 
como exemplos de crime contra a humanidade no Estatuto de Roma, a saber: 
i) atos de violação do direito à vida, por meio do homicídio e do extermínio; 
ii) escravidão, deportação ou transferência forçada de população, prisão ou outra 
forma de privação da liberdade física grave, em violação das normas fundamentais de 
direito internacional; 
iii) tortura; 
iv) crimes sexuais e agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, 
gravidez forçada, esterilização forçada ou qualquer outra forma de violência no campo 
sexual de gravidade comparável; 
v) perseguição de um grupo ou coletividade por motivos políticos, raciais, 
nacionais, étnicos, culturais, religiosos ou de gênero, ou em função de outros critérios 
universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional (é o caso da 
perseguição aos homossexuais); 
vi) desaparecimento forçado de pessoas e crime de apartheid; 
vii) existência de uma cláusula aberta que permite que sejam um “crime contra a 
humanidade” quaisquer atos desumanos de caráter semelhante, que causem 
intencionalmente grande sofrimento, ou afetem gravemente a integridade física ou a 
saúde física ou mental. 
CRIMES DE GUERRA 
 
A lista de atos é meramente exemplificativa, seguindo a lógica anterior aplicada no 
crime de genocídio e nos crimes contra a humanidade. 
Direito Internacional Humanitário proíbe os meios ou instrumentos de guerra que não 
sejam estritamente necessários para superar o oponente, bem como veda a conduta 
que não seja proporcional e dirigida ao combatente adversário. 
 
CRIME DE AGRESSÃO 
O planejamento, início ou execução, por uma pessoa em posição de efetivo controle 
ou direção da ação política ou militar de um Estado, de um ato de agressão que, por 
suas características, gravidade e escala, constitua uma violação manifesta da Carta 
das Nações Unidas 
 
O trâmite 
O início da investigação ocorre por: 
• Iniciativa (motu proprio) do Procurador; 
• Por remessa de um Estado Parte ou por declaração específica de Estado não 
Parte 
• Por decisão do Conselho de Segurança (que atingirá inclusive os crimes 
ocorridos em Estados não contratantes). 
- A remessa da informação pelo Estado não vincula o Procurador; 
- Caso entenda procedente essa notícia do Estado Parte e ainda nos casos de 
investigação aberta motu proprio, o Procurador deverá notificar todos os Estados 
Partes e os Estados que, de acordo com a informação disponível, teriam jurisdição 
sobre esses crimes. 
-A notificação pode ser feita confidencialmente, e sempre que seja necessário para 
proteger pessoas, impedir a destruição de provas ou a fuga, poderá ser limitada. 
- Um mês após a recepção da referida notificação, qualquer Estado poderá informar o 
Tribunal de que está procedendo, ou já procedeu, a um inquérito sobre nacionais seus 
ou outras pessoas sob a sua jurisdição. 
- No caso da abertura de investigação ex officio, o Procurador deve inicialmente pedir 
autorização ao Juízo de Instrução.se tiver fundamento, o Juízo de instrução autorizará 
a abertura do inquérito. 
- No caso da investigação ser determinada por resolução do Conselho de Segurança 
(por exemplo, nos casos de Darfur e da Líbia), o Procurador é obrigado a iniciar as 
investigações. 
- Quanto ao processamento do feito criminal, o Estatuto do Tribunal dispõe sobre o 
juiz natural, os direitos do acusado no processo, afirmando em especial a sua 
presunção de inocência. 
- A sentença é recorrível, fundada em vício processual, erro de fato, erro de direito, ou 
qualquer outro motivo suscetível de afetar a equidade ou a regularidade do processo 
ou da sentença (esse só em benefício do condenado) 
 
Penas e ordens de prisão processual 
 
- O Tribunal pode impor à pessoa condenada pena de prisão por um número 
determinado de anos, até o limite máximo de 30 anos; ou ainda a pena de prisão 
perpétua, se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado 
o justificarem. 
-Multa ou perda de produtos, bens, haveres provenientes do crime 
- Possibilidade de revisão a favor do sentenciado após 2/3 do seu cumprimento. Nas 
penas de caráter perpétuo, poderá existir revisão após 25 anos de cumprimento. 
 
O TPI e o Brasil 
 
Votou a favor do Estatuto do Tribunal Penal Internacional na Conferência de Roma de 
1998. Assinou o Estatuto de Roma 
Mas a CF proíbe a extradição de nacionais e também proibir penas de caráter 
perpétuo, que foram aceitas pelo Estatuto. 
- O projeto de lei que recebeu o n. 4.638/2008, que “dispõe sobre o crime de genocídio, 
define os crimes contra a humanidade, os crimes de guerra e o crimes contra a 
administração da justiça do Tribunal Penal Internacional, institui normas processuais 
específicas, dispõe sobre a cooperação com o Tribunal Penal Internacional, e dá 
outras providências”. O projeto também busca cumprir os deveres impostos ao Brasil 
em relação aos atos de cooperação com o Tribunal Penal Internacional, divididos em 
3: os atos de entrega de pessoas à jurisdição do Tribunal, os atos instrutórios diversos 
e por último os atos de execução das penas. 
- Emenda Constitucional n. 45/2004: introduziu o novo § 4º do art. 5º, que dispõe que 
“o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha 
manifestado adesão”. 
• O ato de entrega de brasileiro nato 
Dever do Brasil: o dever do Estado de entrega de indivíduos, caso exista uma ordem 
de detenção e entrega determinada pelo TPI. 
Objeção Só é possível a entrega do brasileiro naturalizado na hipótese de ocorrência 
de crime praticado antes da naturalização. 
Superação: Não há equiparação possível entre extradição a um Estado estrangeiro e 
entrega ao TPI. A nacionalidade é óbice somente à extradição, podendo o Brasil 
promover a entrega de todo indivíduo ao TPI. 
• A imprescritibilidade dos crimes do TPI e o Brasil 
Dever do Brasil: De acordo com o Estatuto de Roma, os crimes sujeitos a sua 
jurisdição são imprescritíveis. 
Objeção: O Brasil não poderia entregar nenhum indivíduo ao TPI caso o crime do qual 
ele seja acusado já tenha prescrito, de acordo com a lei brasileira. 
 Superação: Na relação entre o Estado e o TPI deve vigorar o princípio da confiança, 
sendo dispensável a dupla tipicidade e punibilidade. 
• A pena de prisão perpétua 
Dever do Brasil: O Estatuto de Roma prevê que as penas podem ser: 1) de prisão até 
o limite máximo de 30 anos; ou 2) prisão perpétua. 
Objeção: O Brasil não poderia colaborar com o TPI e entregar um indivíduo, pois há 
sempre o risco de imposição da pena de “caráter perpétuo” ao final do processo 
internacional. 
Superação: Não se aplica à entrega a vedação da pena de caráter perpétuo existente 
internamente e nos processos extradicionais à entrega de um indivíduo ao TPI.