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SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR AUSCULTA CARDÍACA Dicas para uma boa ausculta cardíaca: o Saber mecanismo de formação das bulhas cardíacas. o DEFINIÇÃO: São vibrações de curta duração que ocorrem a determinados intervalos do ciclo cardíaco, produzidas pelo impacto da corrente sanguínea nas diversas estruturas cardíacas e dos grandes vasos. o Normalmente ocorrem 4 ruídos mas apenas 2 são audíveis. o 1° e 2° bulhas: 1° bulha: Resultante do fechamento da valva mitral e tricúspide. 2° bulha: Resultando do fechamento da valva aórtica e pulmonar. o A 1° bulha coincide com o Ictus Cordis e com o Pulso Carotídeo. Timbre mais grave e duração maior que B2 (“TUM”). o A 2° bulha é mais aguda e mais curta que B1 (“TÁ”). o O desdobramento da segunda bulha é imitado por: TUM- TÁ TUM- TÁ TUM- TLÁ TUM- TLÁ. o Todo o Precórdio deve ser auscultado. o Após a atenção nas bulhas, avaliar a presença de sopros e outros ruídos. FOCOS DE AUSCULTA Foco Aórtico (laranja): 2° EIC direito na borda esternal (justaesternal/paraesternal). Foco aórtico acessório: 3°EIC esquerdo na borda esternal, entre o foco pulmonar e o tricúspide. Foco pulmonar (azul): 2° EIC esquerdo na borda esternal. o Geralmente apenas a 1° e 2° bulha são audíveis, em alguns casos a 3° e a 4°, porém estão mais presentes em processos patológicos. o No mesmo momento que a valva mitral e tricúspide estão de fechando, o ictus cordis está impulsionando o peito. Palpar ou olhar o ictus. o Qual o pulso carotídeo está impulsionando - 1° BULHA. o Desdobramento é quando no lugar de ouvir um “TUM”, ouve um “TRUM”. Distingue o tempo de fechamento das duas valvas. Quando as valvas mitral e tricúspide se fecham numa diferença de tempo um pouco maior, consegue-se ouvir o ruído desdobrado. o Quando a valva aórtica e pulmonar fecha em tempos diferentes, percebe-se ao invés de um “TÁ” um “TLÁ” OU “TRA”. o Quando a diferença do tempo de fechamento das valvas é maior do que o habitual tem um desdobramento. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA Foco tricúspide (verde): 4° ou 5° EIC na borda esternal esquerda, imediatamente lateral ao apêndice xifoide. Foco Mitral (roxo): 5° EIC na linha hemiclavicular esquerda. Mesocárdio: Local de ausculta – irradiação de sopro, presença de anomalia de coronária, comunicação intraventricular. Região inter-escápulo-vertebral: Principal local de ausculta de cardiopatia congênita chamada de persistência do canal arterial. POSICIONAMENTO DO PACIENTE Decúbito dorsal (padrão). Sentado. Decúbito lateral esquerdo- auscultar o ruflar diastólico da estenose mitral, B3 e B4 (melhor audíveis). Em pé, tórax fletido- sopro da insuficiência aórtica ou bulhas hipofonéticas: o Tórax fletido (posição de Harvey): Ausculta melhor dos focos da base – foco aórtico e pulmonar. o Decúbito lateral esquerdo: Ausculta da valva mitral. AUSCULTA CARDÍACA NORMAL B1: Primeira bulha – TUM. o Fechamento das valvas mitral e tricúspide. B2: Segunda bulha – TÁ. o Fechamento das valvas aórtica e pulmonar. Componentes e características das bulhas: o B1 = M1T1 o B2 = A2P2 OBS.: Mitral fecha um pouco antes da tricúspide e a aórtica da pulmonar. Bulhas: o Normofonéticas. o Hipofonéticas. o Hiperfonéticas. OBS.: Se a 1° bulha está mais audível no foco aórtico e pulmonar, provavelmente a fonese das bulhas estará alterada e vice-versa. B1 – HIPERFONESE Aumento contratilidade: Folhetos se fecha com mais intensidade. Estenose mitral. o Não se limitar apenas aos quatro focos de ausculta. o A maioria dos sopros são ruídos de alta frequência – diafragma do estetoscópio. o 3° e 4° bulha e ruflar diastólico- campânula do estetoscópio (ruídos de baixa frequência. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA Mixoma. Intervalo PR curto. Taquicardia sinusal. Estados hiperdinâmicos. Medicamentos. Diâmetro anteroposterior do tórax reduzido. Síndrome do dorso reto. Espessura da parede torácica reduzida. Pessoas magras: a distância da superfície do tórax e do coração é menor. B1 – HIPOFONESE Diminuição da contratilidade. Infarto miocárdio. Insuficiência mitral. Insuficiência aórtica. Intervalo PR longo. Bloqueio de ramo esquerdo. Diâmetro anteroposterior aumentado: DPOC. Cifose. Idosos. Obesos Pericardite. Derrame pericárdico. B2 – HIPERFONESE Aórtico Hipertensão arterial. Estado hiperdinâmico. Exercício físico. Ansiedade. Diâmetro torácico reduzido. Pulmonar Hipertensão pulmonar. CIA (comunicação interatrial). Dilatação da artéria pulmonar. B2 - HIPOFONESE Aórtico Hipotensão arterial. Estenose aórtica. Insuficiência aórtica. Aumento do diâmetro torácico. Infarto do miocárdio. Pulmonar Estenose pulmonar. Calcificação da valva pulmonar. DESDOBRAMENTO FISIOLÓGICA DE B2 Significância clínica: o Fisiológica: Decorrente de variações do ciclo respiratório. o Patológica. Expiração: Retorno venoso menor quando comparado com a inspiração. O sangue chega no átrio direito, passa pela valva tricúspide, chega no ventrículo direito, acontece a sístole o sangue é esvaziado para a artéria pulmonar e em seguida ela fecha. No lado esquerdo, o sangue chega pelas veias pulmonares, fica no átrio esquerdo, atravessa a valva mitral, chega no ventrículo esquerdo, acontece a sístole, o ventrículo esquerdo esvazia através da passagem do sangue pela valva aórtica. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA Inspiração: O retorno venoso aumenta para o lado direito do coração, consequentemente vai haver um tempo maior para que o átrio e ventrículo direito se esvazie e, portanto, quando o ventrículo direito esvaziar é que a valva pulmonar fecha. Do lado esquerdo, não houve variação na chegada do sangue no átrio esquerdo, passou pelo ventrículo esquerdo e a valva aórtica fechou, gerando o componente A2. No lado direito, como essa quantidade de sangue a mais decorrente da inspiração e, portanto, aumento do retorno venoso, faz com que ocorra uma diferença, ou seja, um intervalo entre o fechamento da valva aórtica e pulmonar, gerando desdobramento fisiológico da segunda bulha. o TLÁ. o Quando há o rebaixamento do diafragma na inspiração – a cavidade torácica aumenta, a pressão intratorácica diminui, facilitando a chegada do sangue tanto dos vasos abdominais, quanto do sangue que estava na periferia. Isso faz com que mais sangue chega no átrio direito. DESDOBRAMENTO PARADOXAL DE B2 – DESDOBRAMENTO DE RAMO ESQUERDO (DRE) Bloqueio de ramo esquerdo todo atraso do estímulo cardíaco através do ventrículo o Inspiração do ar: Diafragma desce, empurra o conteúdo abdominal e aumenta a pressão abdominal. o Esse aumento da pressão é transmitido para as veias intra-abdominais. o A pressão no tórax diminui, consequentemente as pressões nas veias intratorácicas e no átrio direito também diminuem. o As alterações das pressões no abdome e tórax aumentam a diferença de pressão entre as veias periféricas e o coração, aumentando o retorno venoso. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA esquerdo. Quando o ventrículo esquerdo se contrai devido a uma condução elétrica mais lenta, depois do ventrículo direito, isso gera um atraso de fechamento valvar aórtico, portanto a valva pulmonar fechando mais tardiamente. Desdobramento paradoxal: Na expiração consegue ouvir a segunda bulha desdobrada,mas quando o paciente inspira esse desdobramento deixa de existir. Porque quando o paciente inspirou tanto o componente aórtico atrasa seu fechamento pelo bloqueio de ramo, quanto o componente pulmonar atrasa seu fechamento pelo aumento do retorno venoso. DESDOBRAMENTO AMPLO E VARIÁVEL DE B2 – BLOQUEIO DE RAMO DIREITO (BRD) Há um atraso na condução do estímulo cardíaco no lado direito. O ventrículo esquerdo vai contrair, porém a contração do ventrículo direito vai acontecer de forma mais lenta, ou seja, a valva aórtica vai fechar e vai demorar um tempo até que a valva pulmonar feche, porque se ocorre um atraso na condução elétrica, ocorre um atraso na contração e, portanto, só depois que a valva pulmonar fecha. Na expiração já tem desdobramento. Na inspiração a distância vai ser ainda maior, porque como se o ventrículo direito já tinha problema pelo bloqueio de ramo direito, agora chegando mais sangue a distância de fechamento da valva aórtica e pulmonar vai ser ainda maior. DESDOBRAMENTO FIXO DE B2 – COMUNICAÇÃO INTERATRIAL (CIA) Toda vez que tiver um bloqueio fixo de B2 pode dar-se o diagnóstico = comunicação interatrial. Na expiração: A quantidade de sangue que chega no átrio direito e esquerdo não se modifica e, portanto, a valva aórtica e pulmonar vai se fechar praticamente no mesmo momento. Porém, com a comunicação o sangue do átrio esquerdo vai migrar para o átrio direito (a pressão no átrio esquerdo é maior do que no átrio direito). Mais sangue entrando no átrio direito, mais sangue chegando no ventrículo direito, mais tempo que demora para fechar e, portanto, a valva pulmonar vai atrasar o tempo de fechamento. No lado esquerdo é menos sangue, o sangue chega pelo ventrículo esquerdo passa pela valva aórtica e ela fecha. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA Na expiração a bulha já está desdobrada. Na inspiração, é mais sangue chegando no átrio direito, porém o fluxo de sangue do átrio esquerdo vai o direito não vai ser alto por já tem muito sangue no átrio direito que veio das cavas. RESUMO B3 Terceira bulha: Origina-se das vibrações da parede ventricular durante o enchimento ventricular rápido. É um marcador de disfunção sistólica do VE. Na insuficiência cardíaca, insuficiências aórtica e mitral. Ruído de baixa frequência (campânula) na protodiástole. Produzido pelas vibrações da parede ventricular. Pode ser auscultado em pessoas normais (crianças e adultos jovens). Os sons destas bulhas podem ser representados da seguinte forma: o Primeira – TUM. o Segunda – TA. o Terceira – TU. Geralmente acontece na hipertrofia ventricular esquerda excêntrica. Quando acontece o período de diástole (enchimento do VE) – formação de uma vibração na parede do ventrículo – B3. O VE está dilatado, a capacidade de expulsar o sangue é menor, cada ciclo cardíaco vai ter dificuldade e uma quantidade de sangue anormal vai ficar no ventrículo. Fases da diástole: o Relaxamento isovolumétrico: As valvas estão fechadas, o estímulo elétrico não está acontecendo e o miocárdio está relaxado. Não acontece variação do volume porque as valvas estão fechadas. o Enchimento rápido: O átrio esquerdo estava reservando sangue e quando a valva mitral abriu essa quantidade de sangue se deslocou rapidamente para dentro do ventrículo esquerdo. Em um coração normal, esse deslocamento rápido não gera SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA vibração, porém em um coração grande e dilatado vai gerar um ruído na sua parede que origina a terceira bulha. Terceira bulha: É uma vibração decorrente do enchimento ventricular rápido patológico. Acontece na diástole. Ritmo de galope: Galopar de um cavalo (B3) PA – TA – TA PA – TA – TA PA – TA – TA. B1 – B2: Sístole. B2 – B1: Diástole. B3: Ruído protodiastólico que acontece quando o coração está aumentado em volume – hipertrofia excêntrica. B4 Quarta bulha: Ocorre no fim da diástole (contração atrial) e se origina da contração atrial e na brusca desaceleração do fluxo sanguíneo mobilizado pela contração atrial de encontro à massa sanguínea existente no interior do ventrículo. Miocardiopatia hipertrófica, HAS, insuficiência coronária e estenose aórtica. Mais raramente presente em pacientes normais. Decorrente da desaceleração do fluxo sanguíneo mobilizado pela contração atrial: Desacelera por causa da dificuldade de entrada no VE que tem uma cavidade pequena, ocorrendo essa contração mais vigorosa do AE para chegar sangue no VE. o Definição: Período de contração atrial para tentar jogar a quantidade de sangue que ainda ficou no AE para o VE. A quarta bulha ocorre no final da diástole. Ruído pré-sistólico ou reforço pré-sistólico. Para a quarta bulha acontecer é necessário que haja contração atrial. Na FA não acontece a quarta bulha. Mais audível com o receptor de campânula. Melhor auscultada em determinados locais, diferente das outras bulhas. o 1° fase: Relaxamento isovolumétrico. o 2° fase: Enchimento rápido. o 3° fase: Enchimento lento. o 4° fase: Contração atrial. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA Os ruídos auscultatórios da valva pulmonar acontecem exclusivamente na valva pulmonar. No foco aórtico fica exclusivo do componente aórtico. SOPROS Ruídos que podem ser audíveis com estetoscópio ou não. São gerados através de um fluxo turbulento que causa alguma vibração dentro de uma câmara cardíaca ou cavidade. Perde padrão laminar e ganha padrão turbulento. Pode ocorrer por estreitamento de orifícios, variação de gradientes entre uma cavidade e outra, alteração da viscosidade do sangue. Intensidade (Escala de Levine: 1+ a 6+): o 1+: Baixa intensidade, auscultado com dificuldade. o 2+: Baixa intensidade, porém mais perceptível. o 3+: Moderada intensidade, porém sem frêmito. o 4+: Moderada intensidade, com frêmito. o 5+: Grande intensidade, com frêmito, porém precisa de estetoscópio. o 6+: Grande intensidade, com frêmito, audível sem estetoscópio. Frequência: o Agudos (altas frequências- altos gradientes pressóricos). o Graves (baixas frequências- baixos gradientes pressóricos). Ruflar diastólico da estenose mitral (baixa frequência). Timbre: o Suave, rude, musical, aspirativo, ruflar, etc. Sopro da estenose aórtica é ejetivo em diamante: Vai se intensificando no meio da sístole, forma um triângulo de intensidade. Sopro da insuficiência aórtica: sopro aspirativo. Localização: o Focos e proximidades. Especificar o local que é melhor audível e a irradiação. O sopro da insuficiência aórtica, insuficiência mitral, estenose aórtica, costumam se irradiar. Situação no ciclo cardíaco Holo: Todo o período entre B1 e B2. Meso: Apenas no meio. Proto: Início. Tele: Fim. OBS.: Saber diferenciar se o sopro é sistólico ou diastólico. Sopro sistólico de Ejeção: Dificuldade na ejeção do sangue. Acontece na estenose aórtica, estenose pulmonar. Sopro sistólico de Regurgitação: Na insuficiência da valva mitral, durante a sístole vai haver regurgitação do VE para o AE. Sopro diastólico tipo “Ruflar”: Presente na estenose mitral. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA Sopro diastólico tipo “Aspirativo”: Presente na insuficiência aórtica. Sopros Contínuos: Presente todo o tempo, tanto na sístole quanto na diástole. Presente na persistência do canal arterial – sopro em maquinaria. Sopros inocentes: Não é um tipo específico de sopro, é quando o sopro extenso, geralmente no meio da sístole,baixa intensidade, acontece mais em crianças, geralmente não tem significado patológico. o Mesossitólicos, audíveis no precórdio, sem frêmito, mais frequentes em crianças X patológicos (diferenciar orgânicos de funcionais). Sopro orgânico: A estrutura da valva está alterada. Sopro funcional: Secundário a alterações na conformação das cavidades cardíacas. Só se rotula um sopro “inocente” após adequado exame clínico e, muitas vezes, investigação com métodos diagnósticos complementares. IAo: Insuficiência aórtica. HAP: Hipertensão pulmonar. MANOBRAS AUSCULTATÓRIAS Manobra de Pachon: Decúbito lateral esquerdo. Acocoramento súbito (prompt Squatting). Manobra de Valsava: Aumento da pressão intratorácica- diminuição do retorno venoso, diminuindo a maioria dos sopros, exceto dois – Prolapso da valva mitral, cardiomiopatia hipertrófica. Manobra de Rivero-Carvallo. Manobra de Muller. Posição de Harvey: Flexão do tórax para melhorar ausculta de focos da base (aórtico, pulmonar). HIPERTENSÃO ARTERIAL Condição multifatorial caracterizada por elevação sustentada dos níveis pressóricos. Associa-se a morte súbita, AVC, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, doença arterial periférica e doença renal crônica. No Brasil, atinge 32,5% dos indivíduos adultos e mais de 60% dos idosos, contribuindo com 50% das mortes por doenças cardiovasculares. Pressão arterial: o O coração bombeia 4 a 6l de sangue por minuto (DC). DC: Todo o sangue que o coração bombeia em 1min. o A resistência ao fluxo sanguíneo recebe o nome de resistência vascular periférica. o A pressão arterial é o que mantém o sangue circulando no organismo. Patologias valvares direita. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA Hipertensão arterial Diagnóstico: Estabelecido através de mais de uma medida da PA, em ocasiões diferentes. o Evita-se prescrição de medicamentos desnecessários ou mesmo prejudicial ao paciente. Atentar para a técnica correta da aferição. Medida correta da PA: o Fundamental no diagnóstico e para avaliar se o tratamento está sendo eficaz. o Aspectos do paciente, equipamento e técnica empregada. Erros: Manguito descalibrado, curvatura do estetoscópio voltada para trás, tubos longos. Atenção: Hipertensão sistólica isolada – mais comum em idosos. MAPA (monitorização ambulatorial da PA em 24h). MRPA (monitorização residencial da PA). Diagnósticos diferenciais: o Hipertensão do avental branco: 9%. o Hipertensão verdadeira: 28%. o Normotensão verdadeira: 51% o Normotensão do avental branco: 12% - Hipertensão mascarada. LESÕES DE ÓRGÃOS-ALVO Cardiopatia: o Hipertrofia ventricular esquerda o Disfunção ventricular. Disfunção renal: o Perda de proteínas na urina. o Insuficiência renal. Vasculopatia: o Formação de placas ateromatosas nos vasos. o Acidente vascular cerebral. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA o Doença arterial periférica. o Doença coronariana. CLASSIFICAÇÃO Primária ou essencial: o 95% dos casos em adultos, causa não conhecida (fatores genéticos e ambientais). o Fatores ambientais: Ingestão elevada de sal, obesidade, álcool, sedentarismo. Secundária: o Doença renal crônica: Como não filtra bem o sangue, há retenção sanguínea maior, retenção de sal e água e isso eleva a PA. o Hipertensão renovascular: Quando uma artéria renal com estenosa e isso gera alteração na mácula densa do néfron. o Coarctação de aorta: Quando tem um estreitamento da aorta descendente proximal, o sangue não consegue chegar até as extremidades inferiores, ficando na região superior. o HAS induzida por medicamentos. o Síndrome da apneia obstrutiva do sono. o Hiperaldosteronismo primário. o Feocromacitoma. o Síndrome de Cushing. o Hipo e hipertireoidismo. o Hiperparatireoidismo. o Acromegalia. Semiologia TRATAMENTO Mudança no estilo de vida. Redução consumo de sal. Dieta equilibrada. Perda de peso. Saúde sexual. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA Síndrome em que o coração se torna incapaz de ofertar oxigênio e nutrientes aos tecidos, para atender suas necessidades metabólicas, ou seja, a IC acontece quando o coração é incapaz de bombear o sangue em uma taxa SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA proporcional às necessidades dos tecidos metabolizantes ou é capaz disso, apenas com uma pressão de enchimento elevada. Coração: Dupla bomba propulsora com músculos contráteis, valvas orientadores do fluxo sanguíneo, vasos e nervos. IC – Uma anormalidade em qualquer uma dessas estruturas: o Miocárdio (músculo): Insuficiência miocárdica – problema oriundo do próprio músculo cardíaco ou de algum vaso que vai terminar causando problema no miocárdio. o Valvas (doença valvar): Se não fecha ou abre direito, os fluxos dentro do coração podem ser comprometidos repercutindo na chegada de sangue nos tecidos. o Vasos (doença coronariana). o Nervos (condução do impulso). Mecanismos de compensação - Mecanismos adaptativos neuro-hormonais (podem deixar o paciente assintomático por tempo variável): 1. Ativação do sistema renina- angiotensina-aldosterona: Aumento das pressões em enchimento - quantidade de sal e água retida é maior – aumentando a pressão de enchimento ventricular. A renina, angiotensina e aldosterona atuam à nível de miócitos causando remodelamento cardíaco, estiramento das fibras – Mecanismo de Frank- starling que seria esse estiramento das fibras como mecanismo compensatório do aumento de volume, porém só ocorre até determinado momento. 2. Sistema nervoso autônomo: Simpático, atua aumentando a FC. A epinefrina e norepinefrina atuam no remodelamento cardíaco. 3. Vasopressina: Hormônio vasoconstrictor para tentar manter a perfusão tecidual. 4. Endotelina: Vasoconstrictor para tentar manter a perfusão tecidual. 5. Peptídeos Natriuréticos: Pelo excesso de sal e água, formação desses peptídeos para eliminar. 6. Citocinas pró-inflamatórias: A IC é um processo inflamatório. 7. Remodelamento cardíaco: Dado por norepinefrina, epinefrina, aldosterona, renina, angiotensina. Mecanismo de Frank-Starling: o No coração normal: Quando ele precisa aumentar seu volume sistólico ele aumenta as pressões de enchimento, havendo maior capacidade de expulsar sangue. o Na IC: Ele vai tentar fazer isso, porém há um esgotamento mais precoce desse SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA mecanismo, e o volume de sangue já não vai mais se modificar, independente da pressão diastólica do paciente. CLASSIFICAÇÃO Insuficiência ventricular esquerda. Insuficiência ventricular direita. As manifestações clínicas na IC dependem, sobretudo, do “lado” (ventrículo) comprometido. A clínica da insuficiência cardíaca esquerda é gerada pelo acúmulo retrógado de sangue até chegar no nível no capilar pulmonar e extravasar para dentro do alvéolo. Em último grau ela vai causar insuficiência do ventrículo direito: Pela dificuldade de bombear sangue para a circulação pulmonar, com o passar do tempo vai causar insuficiência. Insuficiência cardíaca direita: Vai se acumular no fígado, baço, pernas. Paciente apresenta edema de MMII, esplenomegalia, hepatomegalia, turgência jugular. SINAIS E SINTOMAS Atribuíveis ao coração: Taquicardia, ritmo de galope, pulso alternante, intolerância aos esforços, sopros sistólicos, cardiomegalia, arritmias, convergência pressórica. Extracardíacos (originados pelos leitos circulatórios congestos, pelos órgãos hipoperfundidos e pelahiperatividade adrenérgica): Dispneia, palpitações, tosse, cianose, expectoração hemoptoica, estertores pulmonares, hepatomegalia, oligúria, irritabilidade, anorexia, fadiga, astenia, SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA ingurgitamento jugular, refluxohepatojugular, edema, derrames cavitários. INSUFICIÊNCIA CORONÁRIA Desequilíbrio na oferta de oxigênio e no consumo desse mesmo oxigênio pelo miocárdio. Alterações: o Em qualquer ponto da circulação coronária. o Anatômicas ou funcionais. Principal causa de morte no mundo. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Assintomático: o Isquemia silenciosa. Sintomático: o Angina estável. o Angina Instável. o Cardiomiopatia isquêmica sintomática. o Infarto do miocárdio. o Espasmo coronário. Dor anginosa: Gerada pelo fluxo coronariano insuficiente. Sensação de aperto. Padrão retroesternal. o Sinal de Levine: Punho cerrado sobre o precórdio. Isquemia silenciosa: o Ausência de sintomas + comprovação através de exames complementares. Angina estável: Originada por uma placa estável, chance menor de ruptura. o Compressão ou peso torácico, deflagrada por estresse físico ou emocional. o Retroesternal, irradiação pelo tórax, com parestesia em braços e dos na raiz da mandíbula ou dentes. o Não aumenta nem de intensidade, nem de frequência. o Em geral, menor de 5min (3-15min). o Alívio com repouso ou nitrato sublingual. Angina instável: Provocada por uma placa instável, capa fibrosa mais delgada. o Classificada como uma síndrome coronariana aguda porque ela está na eminência de romper, gerando um padrão de dor mais intenso. o Dor de maior duração (minutos até horas). o Alívio parcial com repouso ou nitrato. o A dor pode aumentar de intensidade e de frequência, apontando sinais de risco de ruptura. Vasoespasmo coronariano: o Geralmente em pacientes jovens, sexo feminino, sem fatores de risco cardiovasculares (exceto tabagismo). o Predomínio dos eventos durante a madrugada. o Não há intolerância ao esforço. o Pode haver associação com outros eventos vasoespásticos (Raynaud ou migrânea). SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO (IAM) Caráter, localização e irradiação semelhantes à angina, porém mais intensa e prolongada. Pode associar-se à hiperatividade simpática (palidez e sudorese), insuficiência cardíaca (dispneia), náuseas, vômitos. Duração: >30 min. Geralmente não precedido de fatores desencadeantes. Fatores de risco para aterosclerose. OBS.: Infarto sem dor (diabéticos e idosos) ou com localizações atípicas (idosos- epigástrica, etc.) OBS².: NUNCA LIBERAR PACIENTE SEM ANTES TER CERTEZA QUE NÃO SE TRATA DE UM INFARTO. Quanto mais proximal é a oclusão do vaso, maior é a área de infarto. DOENÇAS OROVALVARES Doenças provocadas na estrutura da valva cardíaca. o Estenose: Quando a valva não consegue abrir direito. o Insuficiência: Quando não se fecha totalmente. Valvas mais lesadas: Mitral e Aórtica – porque as pressões do lado esquerdo são maiores do que o lado direito. Manifestações clínicas: Dependem das repercussões hemodinâmicas ao nível do próprio coração ou de suas consequências sobre a perfusão de outros órgãos. o Insuficiência mitral: Hipertrofia do AE – FA. Sinais objetivos: Sopros e alterações das bulhas cardíacas. OBS.: Paciente pode apresentar insuficiência e estenose = Dupla lesão valvar. Sopro na ausculta: Suspeitar de defeito orovalvar. INSUFICIÊNCIA AÓRTICA Incapacidade de fechamento das sigmoides aórticas, determinando o retorno de certa quantidade de sangue para o ventrículo esquerdo na diástole. Sigmóides. IA – hipertrofia VE. Causas: 1. Malformações congênitas. 2. Febre reumática. 3. Calcificação do envelhecimento. 4. Endocardite indecciosa 5. Dilatação do anel aórtico relacionada à HAS. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA 6. Síndrome de Marfan. 7. Dissecção de aorta. 8. Sífilis. 9. Artrite reumatoide. Grau variado de insuficiência: o Insuficiência grave – sobrecarga de volume para o VE – disfunção ventricular. Anamnese: Sintomas de insuficiência ventricular esquerda, angina do peito. o Angina do peito: Insuficiência de sangue que chega nas coronárias. EXAME FÍSICO Ictus cordis: Deslocado para baixo e para a esquerda, amplo (indicativo de dilatação do VE). Ictus difuso, com mais poupas digitais. Sopro: Diastólico, aspirativo, em foco aórtico e/ou aórtico acessório, irradiando para a ponta do coração. Sinais periféricos: Decorrem da grande pressão diferencial (PAS aumentada por maior volume de sangue ejetado e PAD diminuída pela lesão valvar). o Pressão arterial divergente. o Pulso “em martelo d’água” (Corrigan). o Sinal de Musset- Pulsação da cabeça. o Sinal de Muller- Pulsação da úvula. o Sinal de Landolfi – Pulsação das pupilas. o Pulsações visíveis das carótidas (‘dança das artérias’): Insuficiência aórtica – pressão arterial divergente. A quantidade de sangue na sístole é maior do que o normal, portanto a PAS é maior que habitual, gerando uma diferença no pulso. o Sinal de Quincke – Pulsação dos capilares subungueais. ESTENOSE AÓRTICA Redução do orifício da valva aorta, dificultando a saída do sangue para a aorta. Pode apresentar apenas duas valvas, sendo uma das principais causas da estenose. Causas: Malformação congênita, doença reumática, degeneração senil. Manifestações clínicas: o Angina: Sobrevida de 5 anos sem intervenção. o Síncope: Sobrevida de 3 anos sem intervenção. o Dispneia: Sobrevida de 2 anos sem intervenção. O sopro da estenose acontece na sístole, porque é na sístole que o sangue tem que passar do VE para a aorta. Mecanismo da angina: Ocorre uma hipertrofia do VE, consequentemente a demanda para ele vai ser maior por meio das coronárias, havendo desequilíbrio na oferta e demanda. Mecanismo da síncope: Fluxo cerebral comprometido. Mecanismo da dispneia: Músculo cardíaco começa a perder em força contrátil, gerando insuficiência ventricular esquerda – dispneia. EXAME FÍSICO Pulso: Pequena amplitude ou anacrótico. Ictus cordis: Intenso (propulsivo), pouco deslocado para baixo e para esquerda. Frêmito cardiovascular sistólico. SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA Sopro: Sistólico, de ejeção, rude, localizado em foco aórtico com irradiação para a face lateral direita do pescoço. Padrão de diamante, acontecendo na mesosístole. INSUFICIÊNCIA MITRAL Fechamento incompleto da valva mitral com refluxo de sangue para o átrio esquerdo, durante a sístole ventricular. Causas: 1. Prolapso valvar (degeneração mixomatosa): Folhetos doentes. Principal causa. 2. Febre reumática. 3. Infarto agudo do miocárdio. História natural da doença: Conforme modo de instalação e grau de insuficiência. IAM – insuficiência mitral aguda – edema agudo pulmonar. AE e VE aumentam na insuficiência mitral. EXAME FÍSICO Inspeção e palpação do precórdio: o Ictus cordis: Com características de um ventrículo esquerdo dilatado. Maior número de polpas digitais. o Frêmito: Sistólico em foco mitral. Ausculta: o Sopro: Sistólico, de regurgitação, em foco mitral, podendo irradiar-se para a axila e também borda esternal esquerda, 3ªbulha. o Pode haver ritmo irregular, na vigência e FA. OBS.: A principal arritmia da clínica que cursa com ritmo irregular é a fibrilação atrial. ESTENOSE MITRAL Estreitamento do orifício atrioventricular esquerdo, dificultando a passagem do sangue do AE para o VE. Causas:1. Febre reumática. 2. Degeneração valvar (idosos, doença renal crônica). SEMIOLOGIA CARDIOVASCULAR THAYNÁ FIGUEIRÊDO – MEDICINA 3. Congênita. 4. Síndrome carcinoide. 5. Lupus, artrite reumatoide. Fisiopatologia: O AE vai ficar reservando sangue numa quantidade maior do que o normal, aumentando em tamanho, causando elevação de pressão do AE que causa um gradiente de pressão entre o AE e VE, gerando uma retenção de sangue nos capilares pulmonares, causando aumento da pressão dentro dos pulmões. O VD vai ter que vencer a hipertensão pulmonar e com o tempo vai gerar falência do VD – insuficiência cardíaca direita com sinais e sintomas de hipertensão venosa sistêmica, ou seja, edema de MMII, hepatomegalia, congestão de vísceras, ingurgitamento ou turgência jugular. A estenose mitral costuma progredir para uma insuficiência cardíaca esquerda e direita. Esquerda, porque o sangue não passa para o VE e é coletado retrogradamente á nível de capilar pulmonar. Direita, porque essa hipertensão venocapilar pulmonar faz com que o VD tenha que trabalhar mais para vencer essa resistência dentro dos pulmões, entrando em falência. DADOS SEMIÓTICOS Cianose nas mãos e rosto. Abaulamento paraesternal esquerdo (se hipertensão pulmonar grave). Ictus cordis: Impalpável ou de pequena intensidade (em alguns pacientes – retração sistólica apical): Essa retração é quando o VD aumenta de tamanho e ele vai abarcar a ponta do coração. Levantamento em massa do precórdio, pulsação epigástrica (sinais de aumento do VD): Não é comum no adulto. Hiperfonese da 1ªbulha, estalido de abertura mitral e sopro (ruflar) diastólico na área mitral.