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Diarréia & Constipação Suporte na Terapia Nutricional no Manejo da Diarréia e Constipação Diarréia & Constipação Diarréia Identificar a etiologia da diarreia é o primeiro passo para seu tratamento. A diarreia é definida como a eliminação de fezes amolecidas ou liquefeitas por mais de três vezes, em um período de 24 horas. A etiologia da diarreia é multifatorial, podendo estar relacionada com a colonização enteropatogênica, isquemia intestinal, hipoalbuminemia, hipoperfusão, associação de drogas e dismotilidade intestinal. A redução de diarreia pode ser obtida com a administração de fibras. O uso de pré e probióticos deve ser enfatizado na prevenção da diarreia relacionada à administração de antibióticos. Probióticos podem reduzir a taxa de infecção nosocomial e recorrente por Clostridium difficile. Glutamina é outro componente que tem sido relatado como fator protetor para o controle de diarreia. O Guideline da AGA no uso de probióticos traz a seguinte recomendação: Em adultos e crianças em tratamento com antibióticos, a AGA recomenda o uso de S boulardii; ou a combinação de 2 cepas de L acidophilus CL1285 e Lactobacillus casei LBC80R; ou a combinação de 3 cepas de L acidophilus, Lactobacillus delbrueckii subsp bulgaricus e Bifidobacterium bifidum; ou a combinação de 4 cepas de L acidophilus, L delbrueckii subsp bulgaricus, B bifidum e Streptococcus salivarius subsp thermophilus em vez de nenhum ou outros probióticos para prevenção de infecção por C. difficile. Dentre as causas identificáveis (ou contribuintes) de diarréia na UTI se destacam: medicações prescritas, nutrição artificial, infecções, impactação fecal, isquemia ou fístula intestinal, septicemia, hipoalbuminemia, dentre outras. Diversos fatores de risco aumentam a incidência de diarréia em pacientes internados em UTI. BLEICHNER et al., em estudo prospectivo multicêntrico realizado em 11 UTIs, identificaram através da análise multivariada, os seguintes fatores de risco de diarréia nestes setores: febre ou hipotermia, desnutrição, hipoalbuminemia e presença de um local de infecção. Similarmente, o uso indiscriminado dos antimicrobianos tem sido apontado como importante fator predisponente de diarréia nosocomial, particularmente ao facilitar a colonização e infecção intestinal pelo Clostridium difficile. Tal suposição se aplica principalmente às UTIs, onde é comum a antibioticoterapia com múltiplos agentes e/ou por períodos prolongados Como a diarréia pode ser multifatorial, deve-se identificar a etiologia para iniciar seu tratamento. A redução desta ocorrência pode ser obtida com a administração de fibras, pré e probióticos e glutamina. Reduzir o volume da fórmula ou manejar com uma mais hidrolisada, pode ser uma alternativa quando outras opções já foram testadas. Constipação A incidência de constipação em pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI) tem grande variação na literatura, entre 5% e 83%%.(1-5) Isto pode ser atribuído à carência de uma definição específica para o paciente grave. Em suas diretrizes, a American Gastroenterological Association define constipação como freqüência de eliminação de fezes menor que 3 vezes por semana, sensação de esvaziamento retal incompleto, fezes endurecidas, esforço para eliminar fezes e necessidade de toque para esvaziamento retal. Estes critérios, conhecidos como critérios de Roma, são pouco práticos e, por conseqüência, pouco aplicáveis a pacientes graves. A constipação intestinal pode levar a complicações como distensão abdominal, vômitos, agitação, obstrução intestinal e perfuração intestinal, além de outras pouco elucidadas até o momento. Recentemente, estudos têm identificado a constipação intestinal como um fator prognóstico independente na evolução de pacientes graves e demonstrado que o seu tratamento pode resultar em melhor prognóstico. Além das implicações previamente conhecidas da constipação intestinal, estudos publicados na última década têm demonstrado que a constipação pode estar associada a um pior desfecho de pacientes internados em unidades de terapia intensiva. CONSTIPAÇÃO E FIBRAS A fibra é um agente de volume que tem formas solúveis e insolúveis. A fibra solúvel, incluindo as formas dietéticas (por exemplo, aveia, certas frutas e vegetais) e suplementares (psyllium, policarbófilo de cálcio e metilcelulose), é mais eficaz para a constipação em comparação com a fibra insolúvel. No entanto, como a fibra é um agente de volume que não afeta a motilidade colônica. HIDRATAÇÃO Em idosos, baixa ingestão de líquidos, o que pode ser indicativo de hipoidratação, foi uma causa de constipação e foi relatada uma relação significativa entre a privação de líquido de 2500 a 500 ml por dia e constipação. A desidratação também é observada quando laxantes salinos são usados para o tratamento da constipação, se a reposição de fluidos não for mantida e puder afetar a eficácia do tratamento. Embora o sulfato na água potável não pareça ter um efeito laxante significativo, a ingestão de líquidos e as águas minerais ricas em sulfato de magnésio mostraram melhorar a constipação em bebês saudáveis Você conhece quais as diferenças entre laxantes? Classe/ Tipo Exemplo Mecanismo de Ação Osmóticos Lactulose, citrato de magnésio, hidróxido de magnésio Puxa água para o intestino para hidratar e amolecer as fezes Estimulantes Bisacodil, picossulfato de sódio, senna Irrita as terminações nervosas sensoriais para estimular a motilidade do cólon e reduzir a absorção de água do cólon Amaciantes de fezes com detergente / surfactante Docusato, xenical Permitir que a água e os lipídios penetrem nas fezes para hidratar e amolecer o material fecal Lubrificante Óleo mineral Lubrifique o revestimento do intestino para facilitar a defecação PAMORAS Naldemedine Naloxegol Methylnatrexone Bloqueia os receptores opióides µ no intestino, restaurando assim de forma eficaz a função do sistema nervoso entérico Secretagogos intestinais Lubiprostona Atuam nos canais de cloreto ou receptores de guanilato ciclase em enterócitos para estimular a secreção de fluido para o lúmen intestinal Agonistas 5-HT seletivos Prucaloprida Ative o receptor 5-HT4, levando ao aumento da motilidade colônica e trânsito acelerado REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CROCKETT, Seth; GREER, Katarina. American Gastroenterological Association Institute Guideline on the Medical Management of Opioid-Induced Constipation. Gastroenterology 2019; 156218-226 BORGES, Sérvulo Luiz; PINHEIRO, Bruno do Valle; PACE, Fabio Heleno de Lima an CHEBLI, Julio Maria Fonseca. Diarréia nosocomial em unidade de terapia intensiva: incidência e fatores de risco. Arq. Gastroenterol.2008,vol.45,n.2 AZEVEDO, Rodrigo Palácio de et al . Constipação intestinal em terapia intensiva.Rev. bras. ter. intensiva, São Paulo , v. 21,n. 3,p. 324-331, Aug. 2009 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 507X2009000300014&lng=en&nrm=iso>. access on 25 Oct. 2020.https://doi.org/10.1590/S0103-507X2009000300014. DOSH, S.A. — Evaluation and treatment of constipation. J. Fam. Pract., 51: 555-9, 2002 LEMBO, A. & CAMILLERI, M. — Chronic constipation. N. Engl. J. Med., 349: 1360-8, 2003 Arnaud MJ. Mild dehydration: a risk factor of constipation? Eur J Clin Nutr. 2003 Dec;57 Suppl 2:S88-95. doi: 10.1038/sj.ejcn.1601907.